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Director: Hermínio Santos

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Os clientes da Outsystems, empresa portuguesa de software que desenvolveu a Agile Platform, instalada em 22 indústrias, podem esperar “aumentos de produtividade constantes”, diz Paulo Rosado. Adepto do empreendedorismo, considera que o povo português é empreendedor, mas há obstáculos que impedem o aparecimento de mais empresas

As características do IPv4 só permitem a existência de 4.000 milhões de computadores ligados, em simultâneo, à internet. Como os utilizadores da rede não param de aumentar criou-se um novo protocolo, o IPv6. Pedro Veiga, presidente da ISOC Portugal, Nuno Jacinto, da Optimus, José Rivera, da Vodafone, e Nuno Pedro, da Portugal Telecom, explicam o que se vai passar

Aumentos de produtividade

António Beato Teixeira presidente da Alcatel-Lucent Portugal

Conteúdos, televisão e vídeo são áreas estratégicas Pág. 30

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8 euros

O novo agregador das comunicações

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Paulo Rosado, ceo da Outsystems

N.º 8

Vem aí o IPv6


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Destaques

EDITORIaL

Regresso ao proteccionismo? O novo agregador das comunicações

Director-geral João David Nunes jdn@briefing.pt Director Hermínio Santos hs@briefing.pt Directora de Arte Patrícia Silva Gomes psg@briefing.pt Editora Executiva Fátima de Sousa fs@briefing.pt Editor Online António Barradinhas ab@briefing.pt Redacção Av. Infante D. Henrique, 333H, 44 1800-282 Lisboa Directora de Marketing Maria Luís T. 925 606 107 ml@briefing.pt Distribuição por assinatura Preço: 85€ (12 edições) assinaturas@briefing.pt Tiragem média mensal: 2.500 ex. Depósito legal: 321206/10 N.º registo ERC: 125953 Editora Enzima Amarela - Edições, Lda Av. Infante D. Henrique, 333H, 44 1800-282 Lisboa T. 218 504 060 • F. 210 435 935 fibra@briefing.pt • www.fibra.pt Propriedade Boston Media – Comunicação e Imagem, SA Impressão: Sogapal, Rua Mário Castelhano, Queluz de Baixo 2730-120 Barcarena

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RAMONDEMELO PHOTOGRAPHY

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Rua Luz Soriano, 67-1º E Bairro Alto 1200-246 Lisboa - PORTUGAL www.who.pt// contacto@who.pt O novo agregador das comunicações

A Europa foi um dos berços da revolução das tecnologias da informação. O boom do sistema GSM, que durante anos prevaleceu nas comunicações, foi devido à adesão dos europeus ao sistema. Hoje, a situação é diferente. Como diz António Beato Teixeira, presidente da Alcatel-Lucent em Portugal, hoje o standard único no mundo das comunicações é o LTE, que está mais desenvolvido nos EUA do que na Europa. Os europeus deixaram de ser a locomotiva e passaram a seguir as tendências ditadas por outros mercados. Há outro factor que agrava a situação europeia: a concorrência chinesa. Perante esta ameaça, americanos e europeus tiveram estratégias diferentes. Os primeiros mantêm o seu mercado fechado aos fornecedores chineses e seguem de perto qualquer tentativa de empresas da China entrarem no mercado das telecoms dos EUA. A Europa optou por abrir totalmente as portas aos chineses. Será que a solução para o Velho Continente estará no proteccionismo norte-americano? O presidente da multinacional, que resultou de uma fusão entre uma empresa americana e outra francesa, não vai tão longe. Mas considera que a Europa tem de ter uma política clara e definida sobre este assunto. Desta decisão depende o futuro do sector das telecomunicações no espaço europeu e de quais são os players que vão dominar.

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COmO É TRaBaLHaR Em...

Iniciativa e paixão

A Quidgest quer ser uma empresa de excelência em que dá gosto trabalhar. Para isso, procura pessoas de elevado potencial que levem no currículo iniciativa, criatividade e paixão

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jet fibra

Estrelas da convergência

Operadores de media e fornecedores de equipamento reuniram-se em Lisboa para falarem sobre a convergência entre comunicações e televisões. A APDC conseguiu reunir no mesmo espaço todos os protagonistas de uma área em mudança. Veja o registo fotográfico do encontro

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PaSSEIO PÚBLICO

Encontro histórico no aeroporto

Foi numa pista de aeroporto, a meio da noite, que tudo aconteceu. Quando o silêncio se quebrou descobriu uma pessoa com um treino social enorme mas tímida, embora até conte histórias. É assim que Patrícia Fernandes, directora de Relações Públicas e Imagem Corporativa da Microsoft Portugal, descreve o seu encontro com Bill Gates, o mítico fundador da empresa

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O mUnDO à mInHa PROCURa

À espera de um Mac

Diogo Castro Santos, piloto de karts e automóveis com carreira internacional e um apaixonado pelo golfe, é um viciado em gadgets. O que até se explica: afinal, gere um negócio online… Não larga o iPad nem um minuto e só o troca pelo iPhone 4 para fazer chamadas. Fã da Apple, os Mac são os próximos items da sua lista Agosto de 2011

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onlinE

Negócio e tráfego online Os testes de carga não são um conceito novo e qualquer responsável de área já terá sentido a necessidade “básica” de testar as aplicações antes do lançamento de grandes projetos. No entanto, no dia-a-dia ainda vemos que muitas aplicações entram em produção sem que os standards de desempenho correspondam às exigências dos consumidores Os testes de carga não são um conceito novo e qualquer responsável de área já terá sentido a necessidade “básica” de testar as aplicações antes do lançamento de grandes projetos. No entanto, no dia-a-dia ainda vemos que muitas aplicações entram em produção sem que os standards de desempenho correspondam às exigências dos consumidores. E estes consumidores estão a aumentar e a ter cada vez mais significado na faturação ou na maior eficiência de algumas empresas que apostam na presença online como um canal de negócio ou prestação de serviços, quer seja no sector financeiro, telecomunicações, retalho, serviços públicos, entre outros. De acordo com um inquérito realizado a cerca de quatro mil pessoas pela equipa do Microsoft Internet Explorer 8 no portal MSN.pt, e divulgado pela ACEPI (Associação do Comércio Eletrónico e Publicidade Interativa), 51 por cento dos consumidores em Portugal planeava fazer compras online no último Natal. Independentemente destas perspetivas se terem ou não verificado com esta dimensão, o consumo online vai aumentar de ano para ano, à medida que o mercado vai amadurecendo. Para tentar perceber porque é que as empresas não conseguem corresponder às exigências dos consumidores fomos olhar para aquilo que foi feito internacionalmente em 2010 para tentar inferir padrões que nos ajudem a determinar fatores críticos para o sucesso das aplicações, sobretudo ao longo destes picos de tráfego. Concluímos que normalmente acontecem três coisas: • Não são feitos testes de carga antes do lançamento; 4

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“Muito frequentemente vemos que as equipas de IT avançam com os testes de carga sem o envolvimento direto das áreas de negócio, algumas vezes por questões de cultura institucional, outras por desconhecimento ou falta de tempo”

“Enquanto algumas empresas já desenvolveram uma forte parceria entre as equipas de Negócio e IT, a maior parte ainda não. As organizações que têm esta relação mais articulada já se aperceberam que a performance Web não é um problema de uma ou outra área: é um problema de ambas”

• Os stakeholders chave não são envolvidos (IT, Business…); • Os testes não são aplicados numa perspetiva de utilizador final. Destaco, com o terceiro ponto, a necessidade de realizar testes de carga que reflictam o acesso dos clientes finais, o que vai muito para além dos tradicionais testes de validação da infra-estrutura de back-end. Neste ponto, é fundamental testar interações do utilizador com componentes externos à aplicação, como motores de busca, mecânicas de shopping cart e procedimento de compra. Depois é preciso conhecer a distribuição geográfica dos utilizadores para que a distância da “origem” não se traduza num problema. A utilização de Redes de Fornecimento de Conteúdo (CDN) e de Data Centers distribuídos pode ajudar, mas como pode garantir que estes estão corretamente configurados? Simples, teste a partir do local onde estão os seus clientes. Mas e qual é o browser do seu cliente? Que dispositivo utiliza ele para se ligar ao seu serviço? Smartphone, tablet, PC, computador portátil? Todas estas questões deram origem a cinco conselhos inspirados nas melhores práticas de alguns dos maiores negócios do mundo, desde retalhistas a serviços de online banking: 1. Um planeamento atempado e cuidado é absolutamente crítico para o sucesso das plataformas de comércio eletrónico seja na banca, retalho, turismo ou qualquer outro setor; 2. Os principais drivers de negócio e tecnologias de informação têm que ser considerados neste planeamento; 3. Assegurar uma performance eficaz na web é uma responsabili-

José Matias, business & office director da Compuware Portugal

dade tanto do negócio como da área de TI; 4. É possível proteger os clientes dos erros e ineficácias de fornecedores terceiros envolvidos neste processo; 5. Localização, browsers e dispositivos – tudo tem que estar nesta equação. O terceiro ponto referido levanta grandes questões de organização interna. Enquanto algumas empresas já desenvolveram uma forte parceria entre as equipas de Negócio e IT, a maior parte ainda não. As organizações que têm esta relação mais articulada já se aperceberam que a performance web não é um problema de uma ou outra área: é um problema de ambas. Muito frequentemente vemos que as equipas de IT avançam com os testes de carga sem o envolvimento direto das áreas de negócio, algumas vezes por questões de cultura institucional, outras por desconhecimento ou falta de tempo. No final do dia, utilizadores satisfeitos traduzem-se em negócios de sucesso. Não há melhor timing do que este para pensar em como é que estes cinco pontos podem melhorar o trabalho que tem vindo a desenvolver na área web nos últimos anos. Num piscar de olhos chega o próximo Natal… O novo agregador das comunicações


FinanCial Portugal.com

Consultoria Global de ComuniCação FinanCeira O mercado português de Operações Financeiras conta agora com a presença de uma das “majors” mundiais de Conselho em Comunicação e Public Relations. A Hill & Knowlton está presente em 44 países com uma oferta disponível em 80 escritórios e 50 associados. Uma equipa dos seus escritórios de Nova Iorque, Londres e Hong Kong, sob a responsabilidade directa de reputados especialistas Andrew Laurence e Cesare Valli, apoia a oferta de Privatizações e outras operações financeiras do Estado e das principais companhias nacionais. Financial Portugal integra os recursos reconhecidos da LPM Comunicação, a consultora líder do nosso mercado, e da Nextpower, a referência de Consumer Generated Marketing. Com o centro de decisão em Portugal, a experiência da equipa e a relevância da rede asseguram uma resposta única aos grandes desafios estratégicos e económicos que os decisores políticos e as companhias portuguesas enfrentam.

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Lisboa, Nova iorque, LoNdres, HoNg KoNg Conselho em Comunicação em operações financeiras, nacionais e internacionais: privatizações, fusões, aquisições e reestruturações empresariais

LPM Comunicação SA Edifício Lisboa Oriente - Av. Infante D. Henrique, n.º 333 H, 49 | 1800-282 Lisboa - Portugal T. +351 218 508 110 | F. +351 218 530 426 | lpmcom@lpmcom.pt | www.lpmcom.pt


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ENTREVISTa

Filipe Santa Bárbara jornalista

“Aquilo que a OutSystems tem para prometer, para já, é uma quantidade absolutamente descomunal de inovações que vão sendo periodicamente lançadas. Prometemos aos nossos clientes aumentos de produtividade constantes”, diz Paulo Rosado, ceo da Outsystems, defensor do empreendedorismo, da internacionalização e de falências rápidas das empresas moribundas

Paulo Rosado, ceo da Outsystems

Ramon de Melo

“Prometemos inovações”

Fibra | Como é que surgiu a OutSystems? Paulo Rosado | Nós tínhamos um problema grande para resolver: a falta de produtividade e eficiência dos departamentos de informática. Eu já tinha tido, juntamente com outros colegas, uma empresa em 1997, e uma das coisas que reparámos que acontecia foi que os primeiros projectos de internet 6

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que se faziam tinham um grau de falhanço altíssimo. Nunca eram entregues, nem a horas, nem com o dinheiro que se tinha pedido inicialmente. Quando tentámos resolver esse problema, chegámos à conclusão que era insolúvel resolvê-lo de uma maneira normal. Em 2001, resolvemos fazer uma empresa, lançar um produto que olhava para este problema de uma

maneira completamente nova. Ao invés de assumir que os sistemas têm de ser feitos bem à primeira, era uma plataforma que permitia corrigir com um custo muito baixo. Portanto, assumia que o sistema estava errado e que depois se conseguia corrigir. A Agile Platform, no fundo, nasce um bocado desse conceito, por isso é que na altura aparece como um produto O novo agregador das comunicações


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muito expedito. Ao mesmo tempo nós tínhamos ingenuamente assumido que a cloud, que na altura não se chamava cloud, ia disparar em 2003. Então criámos na plataforma com uma arquitectura pronta para esta noção de que toda a operação é feita remotamente e que os servers estão todos remotos. Daí até o nome: OutSystems – sistemas que estão out.

“A internacionalização nasceu logo no dia 1. O mercado português é um mercado muito pequeno. Uma das coisas que se deve fazer é criar a empresa logo com a estrutura toda para se internacionalizar”

Fibra | Qual é a vossa proposta para as empresas? PR | Quando as empresas querem montar um call center, portais, aplicações online, extranets e intranets, workflows empresariais que ligam nove departamentos, por exemplo, todas estas aplicações têm uma característica comum: estão constantemente a ser alteradas. Há necessidades constantes de negócio que fazem com que elas estejam em constante mutação. A nossa plataforma o que permite é desenvolver muito rápido. Mas depois, mais importante do que isto é que nós conseguimos gerir o ciclo todo de vida dessas aplicações de modo a que elas possam ser alteradas muito rapidamente com custos muito baixos. Fibra | A OutSystems tem outras plataformas para além da Agile? PR | Nós somos monoproduto. Isto é uma plataforma que está actualmente implementada em 22 indústrias. Portanto, é uma abrangência extraordinariamente grande: o nosso modelo aqui é um foco muito grande em escala. Fibra | Estão também na Holanda e nos Estados Unidos. Como surgiu a internacionalização? PR | A internacionalização nasceu logo no dia 1. O mercado português é um mercado muito pequeno. Uma das coisas que se deve fazer é criar a empresa logo com a estrutura toda para se internacionalizar. Isto obriga a criar, logo desde raíz, DNA e estruturas que permitam muito facilmente poder escalar a empresa para fora. O novo agregador das comunicações

“É muito difícil ser um empreendedor. Criar uma empresa em Portugal é terrivelmente complicado. Quando dizem “vamos fomentar a inovação e o empreendedorismo”, a única coisa que se pode tirar daqui é a frase “fomentar a inovação” porque na realidade não se faz nada de concreto”

Fibra | Porquê escolher a Holanda e os Estados Unidos? Qual foi a estratégia? PR | A Holanda, sinceramente, foi uma anomalia. Acabou por estar relacionado com o nosso primeiro investidor, que era holandês. Havia uma rede de contactos do investidor e começámos por aí. Nos Estados Unidos, tem que ver com o facto de a nossa plataforma ser uma plataforma de aceleração brutal de produtividade. Funciona muito bem em regiões onde o custo do IT seja muito alto, que é o caso dos países ocidentais. Os Estados Unidos têm uma vantagem: são a maior economia ao nível de alta tecnologia do mundo. Fazia sentido nós irmos para um país que tivesse uma escala muito grande. Fibra | Lançaram há pouco tempo a nova versão. O que é que traz de novo? PR | Uma das coisas que traz de novo é o suporte para dispositivos móveis. Este é o ano do iPad, o ano passado foi o ano do iPhone e do Android, e portanto nós nesta altura lançámos uma versão que permite fazer um portal ou mobilizar um site em dois/três dias, no máximo. Uma coisa extraordinariamente rápida e altamente produtiva. Depois, continuámos com o nosso catálogo de aplicações já embebido com a plataforma. Lançámos na 6.0 também o suporte nativo da plataforma em cima da cloud, sendo que permitimos nesta altura, em questões de horas, um ambiente pronto a funcionar através da rede.

“As pessoas falam muito das coisas mas, um dos grandes problemas de Portugal é o facto de não haver, do ponto de vista legislativo e de controlo, um processo tão draconiano de pagamento entre as empresas como o Estado exige dos seus contribuintes”

Fibra | Foram apontados várias vezes, nacional e internacionalmente, como uma empresa promissora. O que é que ainda têm para prometer? PR | Nós, embora do ponto de vista nacional sejamos realmente um dos bons exemplos de como as coisas se podem desenvolver, ainda temos muito para andar. O mundo está muito pouco explorado do ponto de vista da OutSystems. Aquilo que a OutSystems tem para prometer, para já, é uma

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ENTREVISTa

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quantidade absolutamente descomunal de inovações que vão sendo periodicamente lançadas. Prometemos aos nossos clientes aumentos de produtividade constantes. E depois é a escala, ou seja, é basicamente crescer.

“Não se consegue contratar muito facilmente porque também não se consegue despedir facilmente”

Fibra | Sabemos que é um entusiasta do empreendedorismo. Acha que há pouco no nosso país? PR | Eu acho é que há poucas empresas. Acho que o povo português, em termos de estrutura ou de apetência, é um povo empreendedor. Ao contrário do que muita gente diz, é um povo que até arrisca. Mas há limites! Se pensar que um empreendedor não tem direito a subsídio de desemprego, se for despedido, ou seja se tiver de fechar a empresa… Não pode despedir ninguém, tem de ser ele e depois, para se conseguir safar, tem de criar o tal trabalho precário, que é o recibo verde. Não se consegue contratar muito facilmente porque também não se consegue despedir facilmente. Tem uma taxa absolutamente descomunal em termos de segurança social, portanto, o dinheiro esvai-se todo para as pessoas que tem e que também não consegue despedir. E depois, trabalha basi-

“As empresas que não têm dinheiro vão à falência, que é outra coisa que nós precisamos desesperadamente: falências rápidas! Uma empresa que não vá à falência rapidamente, é moribunda, vai consumindo dinheiro, vai-se arrastando e não paga a ninguém”

camente dentro de uma economia que não compra. É muito difícil ser um empreendedor. Criar uma empresa em Portugal é terrivelmente complicado. Quando dizem “vamos fomentar a inovação e o empreendedorismo”, a única coisa que se pode tirar daqui é a frase “fomentar a inovação” porque na realidade não se faz nada de concreto. Fibra | E concreto seria… PR | É muito simples. Seria, em primeiro lugar, reduzir o risco ou, pelo menos, equiparar o risco de ser trabalhador por conta de outrém ou trabalhar por conta própria, ou seja, em termos de regalias. Em segundo lugar, ter um país em que as empresas pagam umas às outras a tempo e horas. Este é um dos grandes dilemas de Portugal. As pessoas falam muito das coisas, mas um dos grandes problemas de Portugal é o facto de não haver, do ponto de vista legislativo e de controlo, um processo tão draconiano de pagamento entre as empresas como o Estado exige dos seus contribuintes. Havendo o dinheiro a fluir entre as empresas, que não existe, elas devem ser obrigadas a pagar, por exemplo, em 30 dias. As empresas que não têm

PERFIL

Do Alentejo a Sillicon Valley Alentejano, natural de Évora, fez a sua formação base em Engenharia Informática na Universidade Nova de Lisboa. Depois disso, passou 20 meses na Força Aérea e descreve esse período como uma “bela experiência”. Ainda em termos académicos, foi para os Estados Unidos e fez um mestrado em Stanford tendo ficado a trabalhar no Sillicon Valley durante alguns anos. A veia de empreendedor começou em 1997 quando funda uma empresa de informática com os amigos e, desde então, considera-se um entusiasta do empreendedorismo. Nos “muito poucos tempos livres” que tem, gosta de ler artigos ou livros de gestão e técnicos. Para além disso e do tempo dedicado à família,

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gosta também de nadar e de ciclismo. Nasceu no Alentejo e acredita que os alentejanos dão excelentes empreendedores. Comenta que quando veio para Lisboa estudar, veio também um grupo grande e que “as pessoas achavam estranho e não percebiam como eram tão activos”. Confessa que nunca se relacionou com o estereótipo de “alentejano mole” e que não o relaciona às gentes do Alentejo no geral: “É muito difícil chamar mole àquelas pessoas!”, refere. No que diz respeito a gadgets, tem um laptop pequeno, um iPad e um iPhone. No entanto, dá ainda pouca utilização ao iPad - “essencialmente uso o iPhone”, conclui.

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“É muito melhor ter uma boa pessoa do que uma boa ideia. E portanto nós temos a máxima de que as melhores pessoas do mundo criam uma empresa impossível de bater”

dinheiro vão à falência, que é outra coisa que nós precisamos desesperadamente: falências rápidas! Uma empresa que não vá à falência rapidamente, é moribunda, vai consumindo dinheiro, vai-se arrastando e não paga a ninguém. Eventualmente engorda, deixa depois uma porção de gente na rua e, no entretanto, comeu uma porção altamente relevante da economia. É como se fossem toxinas dentro do corpo, estas empresas escavacam completamente a economia. Esta é outra das falácias portuguesas: falências é uma coisa má! Não, falências é uma coisa boa… É como depurar o corpo. Isto controla-se obrigando toda a gente a pagar a tempo e horas. E depois a lei laboral: por exemplo, é absolutamente disparatado O novo agregador das comunicações

“Temos parcerias também do ponto de vista de apoio a algumas cadeiras e alguns dos métodos que nós utilizamos aqui internamente passamo-los também para as universidades”

que uma pessoa que tenha um ordenado anual de 65 mil euros tenha regalias semelhantes às que tem um desgraçado que recebe 600 euros [por mês]. Quem ganha mais de 65 mil euros, normalmente, são os managers. Os managers, se forem incompetentes, fazem um mal terrível às empresas e às economias todas que estão à roda. Têm de ser despedidos de um dia para o outro, tem de ser possível fazer isso. Portanto, tudo coisas completamente impopulares e que dariam cabo do governo, mas que são fundamentais. Fibra | A OutSystems tem alguma ligação às universidades? PR | Nós temos parcerias com algumas universidades ao nível de áreas de ponta em termos de investigação. Temos parcerias também do ponto

de vista de apoio a algumas cadeiras e alguns dos métodos que nós utilizamos aqui internamente passamo-los também para as universidades. Fibra | Essas relações com as universidades também funcionam numa óptica de recrutamento? PR | Sim. É muito melhor ter uma boa pessoa do que uma boa ideia. E, portanto, nós temos a máxima de que as melhores pessoas do mundo criam uma empresa impossível de bater. Portanto, nós temos um processo de recrutamento, de atracção e de filtragem de talento muito sofisticado em que o nosso objectivo é termos as melhores pessoas do mundo. Em Portugal temos uma massa muito grande, podemos ir buscar as melhores pessoas às universidades e a outras empresas. Agosto de 2011

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BarómEtro TWITTER

Joana Carravilla E.Life country manager

O Google foi a marca dominante nas conversas no Twitter na semana de 14 a 21 de Julho, monitorizadas para o Fibra pela E. Life. Facebook e RTP ficaram logo atrás

Google lidera tweets Top 10

O Google foi a marca com mais buzz no Twitter de 14 a 21 de Julho, com os internautas a comentarem sobretudo o Google+, mas também o Transplate, Maps, Reader e Chrome. Foi igualmente falado o “efeito Google” na forma de memorização. No primeiro dia do estudo, a marca estava em oitavo lugar, tendo conseguido chegar à liderança no final do estudo. A 2.º marca mais falada foi o Facebook: além da partilha de fotos e links, foram encontrados posts sobre os aplicativos e sobre o chat do Facebook. Foram também encontradas comparações com outras redes sociais como o Twitter e, principalmente, o Google +, destacando-se, ainda, os comentários sobre o custo por clique dos Facebook ads. A RTP, que no mês anterior havia liderado a tabela, caiu para 3.º lugar, com bastantes posts sobre os apre-

sentadores ou jornalistas e as transmissões. A privatização da empresa foi, também, comentada, à semelhança do que já havia acontecido em Junho. Logo a seguir ficou a Optimus, com o buzz a ser suscitado pelo Optimus Alive, bem como pelo novo anúncio da marca. Os 5.º e 6.º lugares são ocupados pela Zon e pela SIC, respectivamente. Os internautas teceram comentários à volta das notícias referentes aos serviços prestados, divulgação da programação de canais, cinemas Zon Lusomundo e, ainda, divulgação de lojas de serviços. A Apple manteve o 7.º lugar da monitorização anterior, com comentários relacionados com o Iphone, o Ipad e aplicativos (destaque para a app do Google+). Foram também encontradas comparações com outras marcas e divulgação de novas versões dos produtos. O estudo de-

TOP 10: As 10 marcas mais citadas

sta semana revelou, ainda, bastantes tweets sobre a situação económica positiva da empresa. As valências do Skype como ponto de encontro de familiares e amigos valeram-lhe o 8.º lugar da tabela, o mesmo da monitorização de Junho. Nos dois últimos lugares da tabela houve uma troca de posições: a Microsoft subiu para 9.º, com os comentários a recaírem, na grande maioria, sobre a imagem e novos lançamentos, bem como sobre a possível criação de uma rede social da marca, enquanto a Nokia desceu para 10.º, com as conversas a incidirem sobre lançamentos e a situação económica da empresa. É entre a tarde e a noite, com extensão atè à madrugada, que se verificam a maior parte das conversas, com os tweets a serem provenientes, na sua maioria, de Lisboa, Porto e Coimbra.

01 O Google+ gerou a maioria do buzz, alimentado também por comentários acerca do Google Translate, Maps, Reader e Chrome. Foi ainda falado o “efeito Google” na memorização

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06 Os serviços prestados pelo operador dominam as conversas, a par da divulgação da programação dos canais. Os cinemas Zon Lusomundo foram igualmente comentados

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Este estudo será publicado mensalmente no jornal Fibra. Caso tenha alguma questão, não hesite em contactar-nos para joana@elifemonitor.com Para conhecer melhor o Tweetmeter aceda ao vídeo em http://www.youtube.com/watch?v=guyzU4HmucY Para mais informações sobre esta plataforma entre no nosso site: www.elifeportugal.com

AS MARCAS ANALISADAS Accenture, Acer, Adobe Systems, AEG, Alcatel, Altitude Software, ANACOM, Anubis Networks, APDC, Apple, APRITEL, Arsoft, AR Telecom, Asus, AT&T, Biodroid, BitDefender, Bizdirect, Cabovisão, Cannon, Capgemini, Cardmobili, CeBIT, Cisco, Compta, Compuware, Construlink, Critical Software, CSC, Dell, Devolo, Ericsson, Everis, Facebook, Flesk Telecom, Fundação para a Ciência e Tecnologia, Fundação para a Computação Científica Nacional, Fujitsu, Glintt, Google, HP, HTC, Huawei, IBM, IDC, Information Builders, InnovAgency, Intel, Invisible, JP Sá Couto, Lenovo, LG, Link, Loewe, Logica, Mainroad, Maksen, McAfee, MarketWare, Medtronic, MeiosTec, MEO, Microsoft, Motorola, NDrive, NEC, NET, Nintendo, Novabase, Nokia, Oi, Oki, Oni, Opensoft, Optimus, Oracle, Orange, Outsystems, Packard Bell, Panasonic, Panda Secutiry, PHC, Philips, Playstation, Primavera Business Software, PT, Quidgest, Reditus, RIM – Research in Motion, ROFF, RTP, Sage, Samsung, SAP, Sapo, Seara.com, SIC, Siemens, Skype, Soft, Softlimits, Sonaecom, Sony, Syncrea, Tech Data, Telefónica, TMN, Toshiba, TVI, Unisys, Viatecla, Vilt – sistemas de informação, Vodafone, WeDo Tecnhologies, X Box, Xerox, Yahoo, YDreams, YouTube, ZON

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02 Além da partilha de fotos e links, foram encontrados posts sobre os aplicativos e sobre o chat do Facebook. As comparações com o Twitter e o Google + e o custo por clique dos ads também se destacaram

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07 Os comentários mais frequentes são sobre o o Iphone , o Ipad e aplicativos como o do Google+. São também feitas comparações com outras marcas e é destacada a a situação económica positiva da empresa

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03 Os comentários relacionaram-se com notícias e entrevistas do canal, mas também abundaram posts sobre os próprios apresentadores/jornalistas. A privatização continuou a ser comentada

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08 O Skype como ponto de encontro foi o tópico predominante, com o buzz a envolver comentários sobre conversas com familiares e amigos

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04 A maioria do buzz esteve relacionada com o Optimus Alive, mas também se falou de serviços, como a internet. O novo anúncio da operadora foi muito comentado

05 Programas como as telenovelas ou o Alta Definição estiveram em força nas conversas. Sobre a SIC Radical, falou-se sobretudo do festival SBSR. A entrevista com a actriz Sónia Brazão foi bastante comentada

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09 A imagem e os lançamentos da marca dominaram os comentários, no mesmo acontecendo com a possível criação de uma rede social da Microsoft

10 Os comentários foram, na maioria das vezes, sobre aparelhos ou lançamentos. Destaque para a notícia referente à situação económica da marca

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PagamEntos móvEis

Os pagamentos em mobilidade A tmn procura constantemente trazer serviços inovadores com o intuito de facilitar, cada vez mais, o dia-a-dia dos nossos clientes. As evoluções a que temos assistido irão potenciar o surgimento de novas oportunidades e de serviços inovadores, que contribuirão para potenciar esta área de pagamentos móveis que aportam uma mais-valia para os nossos clientes

“A vertente dos pagamentos móveis e da tecnologia subjacente é uma das várias oportunidades que se têm colocado aos operadores e à tmn em particular. Os telemóveis são, cada vez mais, o principal dispositivo pessoal de entretenimento, comunicação e informação”

especiais cuidados de segurança que tais soluções implicam. Não se trata, assim, apenas de uma evolução tecnológica, mas antes de uma nova forma de facilitar o dia-a-dia dos clientes recorrendo a um novo ecossistema a ser criado. Nesse novo ecossistema os operadores móveis terão um papel muito importante. Não obstante a experiência e os exemplos acima referidos, estes serviços evoluirão e permitirão novas oportunidades. A tmn não deixará de apostar e estar presente nesta inovação que vai trazer vantagens e benefícios práticos ao quotidiano dos portugueses. A vertente dos pagamentos móveis e da tecnologia subjacente é uma das várias oportunidades que se têm colocado aos operadores e à tmn em particular. Os telemóveis são, cada vez mais, o principal dispositivo pessoal de entretenimento, comunicação e informação. A evolução tecnológica nos telemóveis democratizou e mobilizou, por exemplo, o acesso à internet, aos conteúdos multimédia (com destaque para a música, sendo exemplo disso o MusicBox do grupo PT acessível no telemóvel tmn,

Mário Sousa director de Dados e Conteúdos Móveis da TMN

no meo e no PC), às comunidades sociais (onde o portal agregador POND permite gerir num só sítio às várias presenças em Facebook, twitter, LinkedIn, Youtube e muitos mais ) e às aplicações disponíveis através de appstores como a da tmn, entre outras. A tmn considera todas estas evoluções oportunidades que contribuem para o crescimento do mercado. A tmn tem-se posicionado de uma forma pioneira no mercado português quando se trata de trazer estes desenvolvimentos até aos utilizadores portugueses e vai continuar a fazê-lo no futuro.

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Nos últimos tempos, tem-se assistido a uma evolução dos pagamentos baseados nos telemóveis. Estes serviços já existem em Portugal há alguns anos, no caso da tmn com o MB Phone, que permite o pagamento de faturas, realização de transferências e consultas no telemóvel, assim como o pagamento de compras em sites web, digitando apenas o número de telemóvel e o respetivo código do serviço. Em ambos os casos, o débito será efetuado diretamente na conta bancária do cliente. A tmn procura constantemente trazer serviços inovadores com o intuito de facilitar, cada vez mais, o dia-a-dia dos nossos clientes. As evoluções a que temos assistido irão potenciar o surgimento de novas oportunidades e de serviços inovadores, que contribuirão para potenciar esta área de pagamentos móveis que aportam uma mais-valia para os nossos clientes. Nesse contexto, consideramos que o operador móvel, com o qual os clientes já têm uma relação de confiança, será a melhor entidade para implementar, gerir e levar diretamente até ao cliente os serviços de pagamentos móveis, devido aos

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Como é trabalhar em...

Quem entra no número 63 da Rua Castilho, em Lisboa, encontra uma empresa que gosta de passar a ideia de que “a equipa não são só os gestores”. Uma empresa que procura recrutar iniciativa, criatividade e paixão e que garante que mudou a forma como se constrói e se usa o software. Bem-vindos à Quidgest

Com 23 anos e cerca de 80 colaboradores de 12 nacionalidades, com uma média de idades de 25 anos e oriundos das mais diversas áreas, como a Agronomia, a Matemática, a Gestão ou até a História, a Quidgest quer ser uma empresa de excelência onde “dá gosto trabalhar”. Para a equipa, procura pessoas com elevado potencial e “com a perspectiva certa”. Pessoas que, seguindo a filosofia do norte-americano Gary Hamel, guru em estratégia e gestão, contribuam com iniciativa, criatividade e paixão. Tal como procura ser early adopter no que diz respeito às tecnologias: afinal, o seu posicionamento obriga-a a conhecer as tecnologias antes da maioria. Mas, afinal, o que é que a Quidgest faz? Basicamente, desenvolve soluções de software que tornam cada sistema de informação numa vantagem competitiva. “Aquilo que procuramos fazer é ter blocos coerentes de software que funcionam como peças de lego”, afirma João Paulo Carvalho, senior partner da empresa. “Temos as peças preparadas para encaixá-las de modo a construir a solução mais adequada para o cliente”, pelo que, “no dia em que for preciso mudar, ela muda” graças à sua plataforma de geração automática. O seu âmbito de intervenção não podia ser mais abrangente: a Quidgest trabalha muito com o governo e com a administração pública mas também actua em áreas como a saúde, o desporto, a gestão de activos, a energia, as obras públicas, a banca e os seguros, entre muitas outras. E é porque tem clientes tão diferentes que o dress code é versátil: daí que os colaboradores se definam como “uma espécie de camaleões”. Mas, na empresa, a regra é utilizarem roupa mais informal. Na Quidgest regalias não faltam. Todos os colaboradores estão cobertos por um seguro de saúde. E existe mesmo um orçamento ilimitado para documentação técnica - um colaborador pode comprar um livro que ache relevante para um projecto sem ter de pedir aprovação superior… “Mesmo nos períodos complicados”, a empresa distribui resultados em função dos objectivos atingidos. E há ainda o Prémio Iniciativa Quidgest (PIQ), em que, semestralmente, se distingue a melhor iniciativa de um funcionário: “Ter orgulho naquilo que se consegue é algo a incentivar”, justifica o senior partner, a propósito deste prémio de mil euros. Não se ficam por aqui as iniciativas: há ainda o QDay, que tenta fomentar a inovação e o empreendedorismo, o Dia do Cliente e o Dia Portas Abertas, com uma óptica mais voltada para o recrutamento. 14

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Ramon de Melo

Elevado potencial procura-se

Prémio IAPMEI PME Excelência 2010 e UKTI Business Expansion Award 2010

Fernando Cruz, técnico de sistemas de Aprovisionamento, Logística e Gestão Patrimonial

Poster da Quidgest

Nametags dos eventos organizados pela Quidgest O novo agregador das comunicações


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Testemunhos de clientes

Auditório principal

Da esquerda para a direita, Carlos Costa (coordenador de Marketing), Annabelle Le Rohellec (coordenadora de Sistemas de Gestão de Saúde), Inês Durão (consultora de Sistemas de Gestão de Saúde) e Kim Lembeck (assistente de Marketing)

Patrícia Bento, assistente de Marketing

Decoração ilustrativa dos sistemas da Quidgest

Sala de formação

O novo agregador das comunicações

João Paulo Carvalho, senior partner

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Telecomunicações

Propostas para a eficiência Como representante de um sector comprometido com a inovação e o desenvolvimento, a APRITEL acredita que o acordo com a troika é uma oportunidade para aumentar a eficiência e racionalizar o funcionamento da máquina do Estado

Pedro Ramalho de Almeida secretário-geral da APRITEL

Um conhecido escritor americano disse um dia que era raro ver uma oportunidade antes de ela desaparecer. Escolhi começar com esta frase, porque ela resume o risco que a APRITEL – Associação dos Operadores de Telecomunicações não quis correr depois de analisar o acordo que Portugal assinou com a troika. Ciente do peso que o sector das telecomunicações aporta à economia nacional, que decorre não só da sua expressão no PIB, mas também do seu enorme volume de investimento e, sobretudo, do elevado nível de Investigação e Desenvolvimento (I&D) que lhe permitem disponibilizar soluções de aumento da eficiência e de produtividade, a APRITEL não hesitou em assumir as suas obrigações para com o País, avançando propostas para resolução de problemas que os seus associados sentem no dia-a-dia e que excedem as fronteiras tradicionais do sector. Com efeito, há vários anos que os operadores de telecomunicações, na qualidade de utilizadores, constatam a falta de resposta adequada do sistema judicial às crescentes necessidades a que são sujeitos. Que, como clientes do sistema eléctrico, se confrontam com um enquadramento desajustado. Que, como concorrentes no fornecimento de serviços ao Estado, têm de operar num quadro que não optimiza as soluções que oferecem. E, finalmente, que, na qualidade 16

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“Há vários anos que os operadores de telecomunicações, na qualidade de utilizadores, constatam a falta de resposta adequada do sistema judicial às crescentes necessidades a que são sujeitos”

“Os operadores de telecomunicações não usam abusivamente a cobrança judicial; de facto, eles recuperam extrajudicialmente 93 por cento dos créditos sobre os seus clientes”

de actores de um dos mercados mais sofisticados da economia, sentem o peso da profusão de entidades públicas que se dedicam não só a supervisionar e regular, mas também a medir, aconselhar sobre ou, de forma geral, a acompanhar. Quanto ao primeiro ponto, a Justiça, é importante desfazer um mito: os operadores de telecomunicações não usam abusivamente a cobrança judicial; de facto, eles recuperam extrajudicialmente 93 por cento dos créditos sobre os seus clientes. Mais, os dados de que a APRITEL dispõe indicam que o rácio de incobráveis face ao volume de proveitos está muito abaixo dos índices de outras áreas como, e.g., o sector financeiro. No entanto, apesar desta eficiência, continuam dependentes da intervenção judicial para recuperar um total que excede os 115 milhões de euros, ou seja, o custo médio de dois estádios do Euro 2004. Porém, dado o valor médio das dívidas, o número de execuções ronda as 150 mil, ou seja, ainda assim menos de 13 por cento dos quase 1,2 milhões de execuções que o Ministério da Justiça indica como estando pendentes em 2010. Até há bem pouco tempo, a solução para este volume de processos baseava-se no simples aumento das custas judiciais. Esta solução é o mesmo que resolver o problema dos engarrafamentos de uma ponte sem alternativa

apenas pelo aumento de portagens: o engarrafamento continua e todos sofrem mais. Portanto, sem reformas, sem alternativas válidas para os utilizadores, o congestionamento dos tribunais e a morosidade dos processos mantêm-se. A APRITEL propôs, assim, uma intervenção na área da Justiça assente em quatro pilares. Cada um destes pilares inclui propostas destinadas a melhorar a celeridade dos processos, melhorar a gestão dos tribunais, melhorar os mecanismos de resolução extrajudicial e melhorar o próprio processo civil. Em qualquer sector da economia, as empresas dependem do fornecimento de electricidade. Porém, para poucos o seu fornecimento é tão crítico como para o sector das telecomunicações. É, portanto, preocupante para a APRITEL constatar as ineficiências do mercado da electricidade, quer no que se refere à desadequação do enquadramento tarifário – em que um operador é tratado como consumidor doméstico – quer, muito em especial, aos sobrecustos adicionados à factura de energia, que chegam a 44 por cento do seu valor. Para a APRITEL, é imprescindível que se tornem mensuráveis as metas intermédias da liberalização do mercado da electricidade, que se promova o aumento da eficiência energética, que se racionalizem os tarifários e que se impeça o aumento de sobrecusO novo agregador das comunicações


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tos, que apenas servem para perpetuar ineficiências.Disse atrás que, devido ao enquadramento legal, os operadores não conseguiam potenciar a sua oferta de serviços ao Estado. Contudo, apesar disso, nos últimos quatro anos, o encargo do Orçamento do Estado com estes serviços tem vindo a diminuir devido à renegociação de contratos existentes, apesar de persistirem limitações injustificadas. A APRITEL acredita que, num ambiente mais aberto, quer a Administração Pública, quer os utentes beneficiarão das potencialidades de desmaterialização e simplificação de processos permitidas, e.g., pelo recurso ao cloud computing, pela telepresença e pelo

“É preocupante constatar as ineficiências do mercado da electricidade, quer no que se refere à desadequação do enquadramento tarifário – em que um operador é tratado como consumidor doméstico – quer aos sobrecustos adicionados à factura de energia”

aumento do atendimento electrónico. Um último e talvez mais importante aspecto tem a ver com o peso que os organismos do Estado têm sobre a economia. Neste ponto, a APRITEL partilha inteiramente da opinião de que a redução de despesa por via da racionalização de entidades públicas liberta recursos financeiros para o mercado e, assim, aumenta a competitividade das empresas. A profusão de entidades e organismos públicos é também uma realidade no que, em particular, respeita ao sector das telecomunicações. Neste domínio, a APRITEL propôsse colaborar na reflexão das medidas consignadas pelo acordo com a troika e, em colaboração com o

governo e os agentes políticos, actuará para que se produzam resultados efectivos no curto prazo. E regressamos ao início. Como representante de um sector comprometido com a inovação e o desenvolvimento, a APRITEL acredita que o acordo com a troika é uma oportunidade para aumentar a eficiência e racionalizar o funcionamento da máquina do Estado. As propostas da APRITEL mais não fazem do que aproveitar as capacidades do sector para incentivar a melhoria da capacidade de resposta do Estado às necessidades da população em vários domínios, aproximando as políticas de desenvolvimento económico e social das necessidades do País.

“A APRITEL partilha inteiramente da opinião de que a redução de despesa por via da racionalização de entidades públicas liberta recursos financeiros para o mercado e, assim, aumenta a competitividade das empresas” O novo agregador das comunicações

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JET FIBRa

A convergência entre comunicações e televisões esteve em debate em Junho, no CCB, em Lisboa, numa conferência organizada pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações (APDC). Foi uma verdadeira cimeira dos players de referência em Portugal, quer ao nível dos operadores quer dos fornecedores de equipamentos. É que não é todos os dias que se consegue juntar Pinto Balsemão, Guilherme Costa, Miguel Pais do Amaral, Rodrigo Costa e Zeinal Bava

Media e convergência

Rodrigo Costa, da Zon, Miguel Pais do Amaral, Media Capital, Guilherme Costa, RTP, e Pinto Balsemão, Impresa e SIC

Pedro Norton, presidente da APDC, Zeinal Bava, da PT, e Rodrigo Costa, da Zon

Iván de Cristóbal, Accenture e keynote speaker da conferência

Luís Mergulhão, ceo da Omnicom

Uma assistência interessada na convergência

Pedro Norton e Miguel Pais do Amaral

Os quatros oradores do painel “O futuro do ecrã: maior, com melhor imagem ou interactivo?”

Ramon de Melo

Nuno Artur Silva, das Produções Fictícias

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O novo agregador das comunicações


LIVENING N.º 7 PRIMAVERA Spring • VERÃO Summer 2011

Livening up your day

HURRY-UP COOL-DOWN SABOREIE TODOS OS SEGUNDOS QUE ESTÁ A VIVER ENJOY EVERY SECOND THAT YOU ARE LIVING

Daniela Ruah UMA PORTUGUESA EM HOLLYWOOD

LARRY KING

“FAÇO JÁ INTENÇÕES DE REGRESSAR COM MAIS TEMPO” “I INTEND TO COME BACK WHEN I HAVE MORE TIME”

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A PORTUGUESE IN HOLLYWOOD

ng i p p o Sh t r o p ne Air i z a g Ma

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IntErnEt

O novo protocolo

António Sampaio/WHO

É o sucessor do IPv4 e uma boa notícia para os 4.000 milhões de computadores ligados em simultâneo à internet em todo o mundo. Chama-se IPv6 e vai permitir ultrapassar a escassez de endereços de internet e outras limitações técnicas do seu irmão mais novo. Garante também que a internet pode continuar a expandir-se sem problemas

O IPv6 é o certificado de sobrevivência da Internet no século XXI. Resolve o problema da exaustão do IPv4 e da pressão que estava a ser feita pela necessidade de novos endereços, uma consequência da massificação da banda larga e do facto de o always on ser hoje uma rotina. Sem este novo protocolo, a Internet podia entrar em colapso. Pedro Veiga, professor universitário e presidente da ISOC Portugal, Nuno Jacinto, da Optimus, José Rivera, da Vodafone, e Nuno Pedro, da Portugal Telecom, fazem o retrato 20

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do IPv6 e das suas implicações para os utilizadores. O novo protocolo permite um conjunto de benefícios para os clientes ao nível do desempenho e segurança das redes e cabe às operadoras garantirem que a transição será tranquila, transparente e eficaz. No dia 8 de Junho, dia mundial do IPv6, mais de 1000 operadores e principais agregadores de conteúdos de todo o mundo participaram num teste de 24 horas que serviu para avaliar a preparação dos websites para o novo protocolo. O novo agregador das comunicações


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Evitar o improviso Para ultrapassar a escassez de endereços e outras limitações técnicas do IPv4, em meados da década de 90 começou a ser desenvolvido um novo protocolo, o IPv6, também inicialmente chamado de protocolo da Internet do futuro A tecnologia central da Internet está a mudar devido à introdução do IPv6. Para chamar a atenção do Mundo para este desafio, a Internet Society (ISOC) escolheu o dia 8 de Junho de 2011 para organizar o World IPv6 Day. A esta iniciativa associaram-se outras organizações e empresas preocupadas com o futuro da Internet para alertarem para a importância de uma adopção rápida do IPv6. A ISOC Portugal não ficou alheia a este facto e organizou um evento, em Lisboa, para discutir os aspectos técnicos e de mercado associados à adopção do IPv6. Porque faz falta o IPv6? Quando a tecnologia base da Internet foi inventada, o protocolo que veio a estabilizar e a ser usado desde o final da década de 70 foi o IPv4. O protocolo IPv4 – Internet Protocol version 4 – é o conjunto de regras de comunicação entre computadores que veio a dar o nome à rede que actualmente todos usamos, a Internet. Como se disse, o IPv4 foi pensado para interligar redes – INTERconnect NETworks — e tem uma capacidade notável de adaptação a cenários técnicos evolutivos e diversificados. Mas no início dos anos 90, quando a Internet começou a crescer devido à invenção da World Wide Web, houve a percepção de que o protocolo IPv4 tinha uma série de limitações que era urgente começar a resolver. A limitação mais grave era a escassez de endereços. Com efeito, cada computador ligado à Internet precisava de ter um endereço unívoco, a nível mundial, para poder estar integrado nesta rede. As características intrínsecas do IPv4 só permitem a existência de 4.000 milhões de computadores ligados, em simultâneo, à InO novo agregador das comunicações

4.000

milhões de computadores ligados, em simultâneo, à Internet, é o que permite o protocolo IPv4

“O problema da escassez dos endereços é algo tecnicamente inultrapassável. Por isso é preciso começar já a usar o IPv6, se bem que o IPv4 se vá manter”

ternet. Com o constante aumento de utilizadores da Internet e com o aparecimento de soluções que nos levam a ter vários dispositivos ligados à Internet ( PDA, telemóvel, …) o problema começou a tornar-se muito sério, em especial nos últimos quatro anos. Para ultrapassar a escassez de endereços e outras limitações técnicas do IPv4, em meados da década de 90 começou a ser desenvolvido um novo protocolo, o IPv6, também inicialmente chamado de protocolo da Internet do futuro. Ao longo do processo de reengenharia do IPv6 foi feita a incorporação no IPv4 de algumas das características do IPv6, como as que facilitam a mobilidade e a atribuição dinâmica de endereços. Mas o problema da escassez dos endereços é algo tecnicamente inultrapassável. Por isso, é preciso começar já a usar o IPv6, se bem que o IPv4 se vá manter. Grande parte do sucesso da Internet advém dos conceitos básicos subjacentes ao seu desenvolvimento: uma rede simples e eficiente no centro (de que resultava o seu reduzido custo de implementação face a outras tecnologias que existiram) e com a maior capacidade de processamento e tratamento da informação na periferia. Com a introdução do IPv6 pretende-se manter este modelo e, na rede, ter o uso simultâneo do IPv4 e do IPv6. Esta abordagem, geralmente designada dual-stack na medida em que se implementam as duas pilhas protocolares a nível de aplicação e transporte sobre os dois protocolos em simultâneo, é algo que é crucial para o futuro da Internet. Mas é um problema eminentemente técnico e que deve ser resolvido pelos técnicos, sem a ne-

Pedro Veiga professor universitário e presidente do ISOC Portugal

cessidade de ser percepcionado pelos os utilizadores da Rede. Um utilizador não técnico nem devia saber que este problema existe, quer do ponto de vista da sua utilização diária, quer no que respeita ao custo que paga para a usar. Mas se esta adopção do IPv6 não for devidamente planeada, quer ao nível das infra-estruturas técnicas de suporte, quer ao nível da formação daqueles que as vão operar, isso pode obrigar a soluções de última hora, feitas de modo improvisado e que poderão trazer custos acrescidos. Agosto de 2011

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Regresso ao futuro O novo protocolo traz consigo um conjunto de benefícios tangíveis para os clientes ao nível do desempenho e segurança das redes, com mecanismos integrados de encriptação de dados. A auto-configuração é também uma vantagem importante deste novo protocolo, permitindo que as redes se tornem plug&play, mais simples de implementar e mais fáceis de gerir No passado dia 8 de Junho, durante o “Dia Mundial do IPv6”, mais de 1000 operadores e principais agregadores de conteúdos em todo o mundo, incluindo Akamai, Facebook, Google, Limelight, Microsoft, Yahoo, e em Portugal o Público, demonstraram o seu grau de preparação para aquela que será a maior transição na história da Internet. Este teste de 24 horas tomou o pulso à preparação dos websites para funcionar naquele que será o paradigma futuro da Internet — o Protocolo Internet na versão 6 — facilitador de uma expansão ilimitada da Internet no que respeita a endereçamento. O IPv6, a nova versão do Protocolo Internet (IP) surgiu com a antecipação do esgotamento das gamas de endereçamento disponíveis no IPv4, utilizado actualmente para identificar cada computador na Internet. Criado na década de 70 e estandardizado em 1981, o endereçamento em IPv4 apresenta uma capacidade teórica de 4,3 mil milhões de endereços IP. Em Fevereiro de 2011, a IANA (Internet Assigned Numbers Authority) disponibilizou as últimas gamas de endereçamento IPv4. Para ultrapassar esta limitação, foi criada e estandardizada uma nova versão — IPv6 — que, entre outras funcionalidades, permite endereçar e integrar em rede um número virtualmente ilimitado de máquinas, uma vez que o endereçamento passa a recorrer a combinações de 128 bits, ao contrário do IPv4, que apenas utiliza 32 bits. Para exemplificar a magnitude da nova capacidade de endereçamento baseada em IPv6, podemos afirmar que o número total de endereços possíveis permitiriam atribuir cerca 600 mil biliões de endereços por mm2 do planeta. 22

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“Sob o paradigma “Internet of Things”, as redes de dados passam a poder interligar todo o tipo de dispositivos, desde automóveis, aparelhos eléctricos e os mais variados sensores, prevendo-se que nos próximos cinco anos mais de 100 biliões de máquinas estejam ligadas entre si”

“Actualmente, as infra-estruturas core da rede Optimus suportam de forma nativa o IPv6, estando esta nova forma de endereçamento disponível desde 2008, como opção, na oferta de serviços de Internet e Dados dirigida ao segmento empresarial”

O novo protocolo traz consigo um conjunto de benefícios tangíveis para os clientes ao nível do desempenho e segurança das redes, com mecanismos integrados de encriptação de dados. A auto-configuração é também uma vantagem importante deste novo protocolo, permitindo que as redes se tornem plug&play, mais simples de implementar e mais fáceis de gerir. Este salto na capacidade de endereçamento permite acautelar o crescimento exponencial da Internet e a antecipada transformação da Internet que actualmente temos para a que viremos a ter brevemente, a designada “Internet of Things”. Sob o paradigma “Internet of Things”, as redes de dados passam a poder interligar todo o tipo de dispositivos, desde automóveis, aparelhos eléctricos e os mais variados sensores, prevendo-se que nos próximos cinco anos mais de 100 biliões de máquinas estejam ligadas entre si. A Optimus tem vindo a preparar a mudança para IPv6 desde 2006 com o objectivo de garantir uma transição planeada e gradual, sem quaisquer impactos para os seus clientes. Actualmente, as infra-estruturas core da rede Optimus suportam de forma nativa o IPv6, estando esta nova forma de endereçamento disponível desde 2008, como opção, na oferta de serviços de Internet e Dados dirigida ao segmento empresarial. Ainda no ano de 2008 a Optimus ligou o primeiro cliente com o novo protocolo IP, tendo na altura sido disponibilizados mais de 300 sites suportados neste novo endereçamento. Um dos objectivos principais do “Dia Mundial do IPv6” era o de evidenciar potenciais problemas com a utilização de IPv6 nativos em ambiente

Nuno Jacinto gestão de oferta corporate da Optimus

controlado. A natureza heterogénea das tecnologias em actividade e interacção permanente na grande auto-estrada da informação tornava este teste extremamente importante para detectar todo o tipo de imprevistos. O dia saldou-se por um notório sucesso, com a grande maioria dos utilizadores a conseguir aceder aos serviços como habitualmente. Em raros casos, os utilizadores depararam-se com um acesso limitado aos sites em IPv6 durante o teste, maioritariamente por questões relacionadas com o sistema operativo a correr no equipamento de acesso. Em Portugal, no caso da Optimus, onde as principais plataformas de serviços e de rede se encontram capacitadas e preparadas para o suporte do novo protocolo, não se verificaram quaisquer impactos ou imprevistos a assinalar no World IPv6 Day, iniciativa à qual a Optimus se associou através da participação no evento promovido pela ISOC Portugal Chapter para o esclarecimento e avaliação do nível de preparação da indústria, e que reuniu os principais operadores de comunicações electrónicas e fabricantes de equipamentos. O novo agregador das comunicações


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Impacto a vários níveis Os operadores que oferecem serviços de Internet, como a Vodafone, têm de definir estratégias para ultrapassar a exaustão do espaço de endereçamento IPv4, assegurando a continuidade dos serviços que prestam aos seus Clientes. Esta estratégia, no caso da Vodafone, passa pela introdução do novo protocolo IPv6 Até agora, o IPv4 – o protocolo utilizado na Internet – tem tido capacidade de endereços suficiente para fazer face à exigência global de endereços IP, necessários para que os servidores e dispositivos comuniquem entre si na Internet pública. Todavia, com o exponencial incremento da procura por endereços IP, principalmente no crescente mercado dos smartphones, as autoridades centrais que gerem o espaço de endereçamento entregaram recentemente a última gama de endereços IPv4 da sua capacidade actual. Os operadores que oferecem serviços de Internet, como a Vodafone, têm de definir estratégias para ultrapassar a exaustão do espaço de endereçamento IPv4, assegurando a continuidade dos serviços que prestam aos seus Clientes. Esta estratégia, no caso da Vodafone, passa pela introdução do novo protocolo IPv6 e pela introdução de técnicas de tradução de endereços (NAT). A principal característica do IPv6  é a  disponibilização de um espaço de endereços significativamente maior do que o IPv4, suficiente para dar resposta às solicitações futuras. Porém, os dois protocolos não são interoperáveis nativamente, motivo pelo qual coexistirão em simultâneo durante muitos anos. A Vodafone vê a implementação do IPv6 como uma solução de médio-longo prazo para resolver o problema da exaustão do IPv4. No curto prazo, e como forma de prolongar o “tempo de vida” do IPv4, a Vodafone Portugal está igualmente a trabalhar na implementação de mecanismos de NAT. Devido ao seu know-how e avanço nesta área, a Vodafone Portugal foi, inclusivamente, escolhida para ser o operador dentro do Grupo Vodafone O novo agregador das comunicações

“A Vodafone vê a implementação do IPv6 como uma solução de médio-longo prazo para resolver o problema da exaustão do IPv4. No curto prazo, e como forma de prolongar o “tempo de vida” do IPv4, a Vodafone Portugal está igualmente a trabalhar na implementação de mecanismos de NAT”

“Ainda que o IPv6 não traga propriamente grandes vantagens ao nível de serviço, tendo como principal propósito resolver, a médio prazo, a exaustão do espaço de endereçamento de IPv4 que se prevê que esteja esgotado até ao final de 2011, a sua adopção deverá ser efectuada da forma mais transparente possível para os Clientes”

no qual é testada e implementada uma solução de IPv6 end to end. Esta escolha reforça o posicionamento de inovação e pioneirismo da Vodafone Portugal, não só no seio do Grupo Vodafone como no sector das telecomunicações em geral. Na Empresa existe um programa específico e transversal a várias áreas para lidar com a exaustão do IPv4. Trata-se de um campo no qual a Vodafone Portugal tem vindo a investir desde há vários anos a esta parte, tendo já realizado desenvolvimentos significativos na sua rede corporativa e na rede de suporte ao negócio / clientes. No ambiente móvel, o impacto da implementação do IPv6 está a ser analisado e testado pela Vodafone Portugal, visando a avaliação do impacto em todos os elementos de rede. O objectivo é fazer com que certos dispositivos móveis utilizem uma única ligação que seja compatível simultaneamente com as tecnologias IPv4 e IPv6 (dual stack). Para atingir este objectivo, a Vodafone está a colaborar mais estritamente com fornecedores de terminais. No ambiente fixo, a Vodafone Portugal começou por testar diferentes funcionalidades do IPv6 e do NAT com o intuito de garantir que esta tecnologia é integrada faseadamente na rede. Para além dos aspectos técnicos, a implementação do IPv6 também terá impacto sobre o marketing e sobre os aspectos operacionais da Empresa. Os serviços vocacionados para o Cliente sofrerão o impacto da implementação do IPv6, pelo que é necessário preparar os assistentes dos call centers e de apoio para as perguntas e assuntos que serão levantados pelos Clientes. Todos estes aspectos estão a ser conside-

José Rivera responsável pela área de engenharia de core e transporte da Vodafone Portugal

rados e a experiência será partilhada por toda a Vodafone. No que diz respeito a prazos, a Vodafone está a trabalhar arduamente no sentido de proporcionar aos seus Clientes (tanto empresariais, como particulares) a possibilidade de passarem a utilizar o protocolo no menor espaço de tempo possível. É de esperar, no entanto, que o mercado empresarial coloque requisitos (o que já acontece) para utilização deste protocolo mais cedo do que os Clientes particulares, que, grosso modo, estão menos sensíveis a esta problemática. Os planos de roll-out estão directamente relacionados com a disponibilidade por parte dos fornecedores de equipamentos compatíveis e que apresentem a estabilidade requerida pela Vodafone. No ambiente de desktop, Windows, Apple ou open source, já existe, há alguns anos, suporte para dual-stack IPv4 e IPv6. A Vodafone Portugal já utiliza este tipo de terminais na sua rede corporativa em ambiente de produção. Ainda que o IPv6 não traga propriamente grandes vantagens ao nível de serviço, tendo como principal propósito resolver, a médio prazo, a exaustão do espaço de endereçamento de IPv4 que se prevê que esteja esgotado até ao final de 2011, a sua adopção deverá ser efectuada da forma mais transparente possível para os Clientes. Agosto de 2011

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The Internet Protocol Reloaded Para dar uma resposta duradoura à inevitável exaustão dos endereços IPv4, foi então desenvolvida uma nova versão do protocolo denominada IPv6. O IPv6 foi especificado por forma a garantir o crescimento da Internet para o “futuro previsível” A generalidade dos consumidores não sabe o que é um endereço IP. Podemos questionar-nos: “E precisa saber?“ — A boa notícia é que não, e esperemos que a situação se mantenha assim durante muito tempo. As pessoas que acompanham mais de perto os temas relacionados com a tecnologia de informação sabem que os dispositivos que estão ligados à internet comunicam entre si através de “pacotes” de dados que obedecem a um conjunto de regras standard (o Internet Protocol ou IP). Os pacotes são encaminhados na rede recorrendo a informação que permite identificar univocamente a origem e o destino (os respectivos endereços IP). O simples facto de os dispositivos ligados à internet necessitarem que lhe sejam atribuídos endereços IP não parece à partida fornecer material que justifique a escrita de um artigo de opinião, só que… os endereços IP, tal como os conhecemos, estão a acabar! A versão de Internet Protocol atualmente mais utilizada (IP versão 4 ou IPv4) permite suportar 4,3 mil milhões de endereços (4,3 x 109). Foi especificada nos anos 80, numa época em que não era previsível a “explosão” no número de dispositivos com capacidade de se ligar à internet. Com o evoluir da tecnologia, para além dos “clássicos” PC, Servidores e Dispositivos de Armazenamento, passaram a ser potenciais consumidores de endereços os dispositivos móveis (smartphones, tablets), as consolas de jogos, os recetores de Televisão IP (Set Top Boxes e Connected TV), os medidores inteligentes (de energia, por exemplo) e toda uma série de 24

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“A massificação da banda larga (fixa e móvel) e o conceito de always on ainda colocaram mais pressão nas necessidades de endereçamento, dado que os dispositivos só consomem endereços quando estão ligados à internet mas a tendência é que cada vez mais estejam ligados a 100% do tempo”

“A introdução do IPv6 configura uma descontinuidade tecnológica marcante que tem de ser endereçada em várias vertentes e por vários players”

equipamentos para a indústria, saúde, e transportes, normalmente intervenientes nas chamadas comunicações “machine to machine” e que corporizam o próximo boom da internet — “the internet of things”. A perceção de que o espaço de endereçamento IPv4 estava sob pressão devido ao crescimento exponencial do número de dispositivos não é exatamente nova. Nos anos 90, e numa tentativa de prolongar a vida útil do IPv4, foi introduzida a funcionalidade de Network Address Translation (NAT) que permite a partilha de um endereço IP que está acessível a partir da internet (IP público) por vários endereços que estão confinados a uma determinada rede local (IP privado). Esta é a solução hoje mais frequentemente encontrada nas nossas casas, onde a função NAT é levada a cabo pelo router de acesso à internet, o qual utiliza um endereço público atribuído pelo Internet Service Provider (ISP) e gere uma pool de endereços privados que atribui aos dispositivos que temos ligados na nossa rede doméstica. A massificação da banda larga (fixa e móvel) e o conceito de “always on” ainda colocaram mais pressão nas necessidades de endereçamento, dado que os dispositivos só consomem endereços quando estão ligados à internet mas a tendência é que cada vez mais estejam ligados a 100% do tempo. Para dar uma resposta duradoura à inevitável exaustão dos endereços IPv4, foi então desenvolvida uma nova versão do protocolo denominada IPv6. O IPv6 foi especificado por forma a garantir o crescimento

da Internet para o “futuro previsível”, dispondo, para o efeito, de um espaço de endereçamento de 3,4 x 1038 IPs. Temos portanto à partida garantido um futuro risonho no qual não haverá preocupações com a falta de endereços. Em face do exposto, faz sentido colocarmo-nos a seguinte pergunta: “Podemos então dormir tranquilos ou ainda assim existe algum aspeto estrutural que é necessário endereçar?” — Na realidade existe, não pode ser considerado menor, e chama-se fase de transição. A questão de fundo é garantir que existem mecanismos que permitem mitigar os impactos de uma característica do protocolo IPv6 que é a sua incompatibilidade com o protocolo “legado” IPv4. Ou seja, um dispositivo que só suporte IPv4 não consegue comunicar com outro que só suporte IPv6. A situação ideal seria garantir que todos os equipamentos novos suportam simultaneamente IPv4 e IPv6, uma abordagem tecnicamente conhecida por dual stack. De forma idêntica, em relação aos equipamentos existentes o ideal seria a possibilidade de efetuar upgrades de software, ou de firmware, que permitam instalar o protocolo IPv6. Há felizmente algumas boas notícias nesta matéria: a título de exemplo, os PCs com sistemas operativos mais modernos (Windows Vista e Windows 7) já suportam IPv6 de raiz e os routers das gerações mais modernas usados no serviço sapo e a generalidade dos routers usados no serviço meo já são fornecidos com IPV6, e/ou podem ser atualizados de forma remota O novo agregador das comunicações


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sem intervenção do utilizador. Por outro lado, existem dispositivos que têm um “roadmap” para a introdução de dual stack mais alargado, podendo referir-se como exemplo representativo os dispositivos móveis, para os quais a sua disponibilidade em terminais de última geração ainda é a exceção, sendo provável que a situação só se inverta nos equipamentos da quarta geração móvel (Long Term Evolution – LTE), tecnologia que a TMN recentemente demonstrou, com pleno êxito, na cidade de Braga. Para que a evolução para IPv6 possa efetivamente “descolar” é ainda necessário garantir dois importantes pilares: o primeiro é o dos fornecedores de conteúdos/serviços/aplicações web. Se um determinado portal ou site de serviços (ex: home banking) não alterar a sua infra-estrutura, por exemplo garantindo suporte IPv6 nos seus servidores e na rede IP do seu data center, só poderá continuar a ter acessos em IPv4. De forma idêntica, se uma aplicação de VoIP ou um jogo multi player não suportar IPv6, só conseguirá estabelecer comunicação com os peers envolvidos em IPv4. Deve referir-se que os grandes sites já estão ativos na migração para IPv6. No passado mês de Junho realizou-se, sob coordenação da Internet Society (www.isoc.org), o IPv6 World Day. No decurso desta iniciativa, à qual o portal sapo.pt se associou, um importante conjunto de sites mundiais (Google, Facebook, Yahoo, …) esteve “no ar” tanto em IPv4 como em IPv6, utilizando na prática toda a comunidade internet como beta tester, O novo agregador das comunicações

“Deve referir-se que os grandes sites já estão ativos na migração para IPv6. No passado mês de Junho realizou-se, sob coordenação da Internet Society (www.isoc.org), o IPv6 World Day”

“A questão de fundo é garantir que existem mecanismos que permitem mitigar os impactos de uma característica do protocolo IPv6 que é a sua incompatibilidade com o protocolo “legado” IPv4”

como uma forma de aferir da robustez da tecnologia e de detetar eventuais situações anómalas. Finalmente, falta-me falar do último pilar que é o dos operadores de telecomunicações. Nestes recai uma parte importante do esforço, dado que, em parceria com seus fornecedores de tecnologia, têm de adequar as suas redes, as suas plataformas de serviço, os seus sistemas de provisão, e os seus data centers, por forma a oferecer dual stack assim que os seus clientes necessitem da funcionalidade. Esta oferta é essencial para os clientes empresariais, nomeadamente os que dispõem de serviços acessíveis via web, que inevitavelmente têm que preparar a evolução para IPv6. Em particular, a PT está a antever oferecer serviços com suporte IPv6 às empresas já em 2011. Em conclusão: A introdução do IPv6 configura uma descontinuidade tecnológica marcante que tem de ser endereçada em várias vertentes e por vários players. No caso dos operadores de telecomunicações, e para o segmento empresarial, o desafio passa por enriquecer a sua oferta com uma componente IPv6 não só ao nível da conectividade, mas dos restantes serviços de data center (hosting, firewall centralizado, etc.), criando condições para que as organizações possam evoluir para dual stack de forma suportada e controlada. Para o segmento residencial, o desafio é tornar a transição transparente, garantindo que a experiência de utilização não sofre alterações e que a passagem para o IPV6 seja feita da forma mais transparente possível.

Nuno Pedro director de desenvolvimento de serviços wireless e wireline, Portugal Telecom

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passeio público

Fátima de Sousa jornalista fs@briefing.pt

Patrícia Fernandes, 40 anos, directora de Relações Públicas e Imagem Corporativa da Microsoft Portugal, tem um percurso atípico. Quando mal dominava um computador e a licenciatura em Literatura ainda não estava terminada, é um anúncio de jornal que a desencaminha para as empresas tecnológicas. Foi o primeiro passo de uma carreira que a levou a conhecer a “parceria perfeita” da Microsoft, Bill Gates e Steve Ballmer

Dona do seu destino

Patrícia Fernandes acredita que cada um faz o seu próprio destino. Também acredita na sorte e na oportunidade, mas, acima de tudo, no poder de cada um para traçar o seu caminho. O seu é a prova disso. É, como a própria directora de Relações Públicas e Imagem Corporativa da Microsoft assume, “um percurso muito curioso”. “Aluna excelente, com média superior a 18”, frustra o desejo da mãe de ir para Medicina: 26

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os testes psicotécnicos aconselhavam a afastar-se desta área. E de artes. As boas notas permitiram-lhe escolher o que lhe dava “genuíno prazer” estudar – Literatura. “Era hiper-intelectual, lia 50 livros por ano”. Durante a licenciatura alimentou a ideia de ficar na faculdade como assistente de Alemão, mas o departamento não tinha vagas. Foi neste impasse que, nas férias da Páscoa do último ano

do curso, se deparou com um anúncio de jornal pedindo assistentes de marketing para a IBM. Era algo “completamente louco”, pois pouco ou nada percebia de computadores: no primeiro ano do curso teve uma disciplina de informática, ainda com DOS – “Achei a coisa mais atroz da minha vida”. Ainda assim não se acanhou e conseguiu sobreviver a um intenso processo de selecção. Sem qualquer

experiência profissional – “Era filha única e óptima aluna e os meus pais achavam que nas férias tinha de descansar…”. Assumiu uma função no departamento de Marketing da IBM, “um bocadinho secretariado encapotado” mas que lhe deu oportunidade de contactar com os maiores clientes da empresa, com os vendedores mais seniores e uma geração de profissionais de elite. Foram oito meses, findos os quais decidiu sair. O novo agregador das comunicações


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E, tal como encontrou o primeiro emprego, encontrou o segundo. No jornal. Um anúncio recrutava um lugar de assistente de direcção para a HP. Abria-se a porta para trabalhar com uma das pessoas que mais a marcou profissionalmente. Numa empresa que estava 15 anos à frente do mercado. A Patrícia coube montar a área de qualidade e criar o que é hoje uma unidade de negócio fundamental, a sales finance. Na HP aprendeu “tudo” sobre a área financeira, nomeadamente sobre a gestão de recursos humanos. De tal forma que sentiu necessidade de fazer um mestrado: escolheu o do ISCTE, liderado pela professora Maria João Rodrigues. Lembra-se “muito bem” do primeiro encontro, em que a docente, “com ar de desdém”, lhe disse que só a tinha aceite devido à média de curso e à bagagem profissional. “Vai ter de se esforçar mais do que os seus colegas todos…”, vaticinou a futura ministra. Durante dois anos e meio, Patrícia foi “genuinamente feliz” na HP. Saiu no meio de um processo algo atribulado que envolveu o seu mentor, o director-geral da empresa, um francês que se apaixonou por Portugal e que acabou a criar a Sun Microsystems. “E convidou-me”. Tinha 25 anos e já tinha dado importantes saltos na carreira, saltos financeiramente muito compensadores. Na Sun começou com uma sala num business center, onde não havia sequer uma caneta para escrever… “A primeira sensação foi de pânico completo, o que é que eu fiz da minha vida…”. Foi um tiro no escuro e Patrícia levou um ano a conseguir aculturar-se. Não conseguiu, porém, identificar-se. E, ainda assim, permaneceu sete anos, entre 1995, quando a empresa lançou a linguagem de programação Java, e 2002, quando viu que “a bolha ia rebentar”. Reconhece, contudo, que foi uma aprendizagem valiosa. Ali aprendeu a dar valor a todas as funções, ao ponto de hoje defender que “toda a gente devia experimentar a base da pirâmide”. Na Sun, viveu uma época de grande sucesso, mas nunca foi feliz: “Era uma cultura muito pistoleira, extremamente agressiva, premiadora dos resultados mas desumanizada”. O novo agregador das comunicações

Foi em conversa casual com um ex-colega na Sun que a Microsoft surgiu no seu horizonte. Uma semana depois, era convocada para uma conversa com o então director de Marketing, Carlos Lacerda: “Foi a pior entrevista da minha vida”

Finda a licença de maternidade do primeiro filho, equacionou a saída. Nada a prendia a uma empresa que, além do mais, a desiludia. Estava aberta a novas propostas, mas não tinha propriamente uma estratégia para procurar emprego. Foi em conversa casual com um ex-colega na Sun que a Microsoft surgiu no seu horizonte. Uma semana depois, era convocada para uma conversa com o então director de Marketing, Carlos Lacerda: “Foi a pior entrevista da minha vida”. Em 24 horas teve de dar a resposta. Financeiramente, era muito inferior ao patamar a que estava habituada e esteve quase a não aceitar, mas algo a fez mudar de ideias: “O meu marido tinha comprado a Visão ou a Sábado, já não me recordo, e o Bill Gates vinha na capa. Li o artigo e foi o clique”. Foi uma semana “alucinante”, finda a qual tinha um emprego na empresa que era vista como a maior inimiga da Sun. O primeiro ano na Microsoft foi difícil: “Estava habituada a aprovar, não a pedir aprovação. Estava habituada a ser completamente senhora do meu nariz…”. Nos primeiros três anos colocou a experiência que levava da Sun ao serviço do marketing empresarial. Foi quase uma revolução: “O

“Só há duas coisas que acontecem depois de uma visita do Bill Gates: as pessoas ou são promovidas ou são despedidas”

Carreira

E Patrícia conheceu Bill… Foi um artigo sobre Bill Gates que fez Patrícia decidir-se pela Microsoft. Achou-o então admirável. Ainda pensa o mesmo, mas compreende que a imagem que passa não é exactamente igual à que resulta do contacto diário. Foi numa pista de aeroporto, a meio da noite, que o conheceu: “Vinha desgrenhado, com uma pasta cheia de papel que eram os meus briefings. Cumprimentou-nos, mas não nos olhou nos olhos. Entrámos para a van e, por um 30 segundos, um minuto, mergulhou a cabeça nos joelhos e não disse nada. Foi uma sensação horrível. Pensei ‘isto vai ser um pesadelo’. Quebrámos o silêncio perguntando se queria rever a agenda. Imediatamente começou a olhar para nós e a falar. Quando lhe explicámos o plano tecnológico fez imensas perguntas, muito inteligentes”. Patrícia apercebeu-se de que Bill tinha, afinal, duas personalidades: um treino social enorme, mas uma

timidez atroz. “Não faz small talk, não fala sobre questões pessoais, mas responde às nossas questões”. E até conta histórias. Como a que lhe aconteceu quando foi inaugurar uma sala de computadores para pessoas desfavorecidas no Soweto (África do Sul). A dada altura, reparou que os fios dos computadores passavam sob uma espécie de vedação até ao exterior: seguiu-os e viu que estavam ligados a um gerador. E percebeu logo que mal virasse costas os computadores seriam desligados porque o gerador era necessário para coisas mais básicas. Foi aí que decidiu que, antes de se começar a evangelizar tecnologicamente, é preciso garantir a alimentação e saúde das pessoas. Histórias como esta levaram-no a criar a Fundação Bill e Melinda Gates. Foi nela que Patrícia Fernandes se inspirou para criar o canal de doação online do Banco Alimentar.

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ENTREVISTa

Com Steve Ballmer, à entrada para o evento de promoção do computador Magalhães, no Centro de Congressos de Lisboa, em Outubro de 2008

No jantar de gala de entrega do prémio Circle of Excellence, a maior distinção individual da Microsoft, com o ceo da empresa, Steve Ballmer, com o chief operating officer, Kevin Turner, e com o presidente da Microsoft International, Jean-Philippe Courtois; Julho de 2007

Patrícia com Bill Gates, em Janeiro de 2006, quando entravam para a sala do Hotel Ritz onde foi gravada a Grande Entrevista com Judite de Sousa

marketing era massificado. Tive de explicar que não queríamos fazer roadshows, que não íamos enviar 10 mil convites, mas apenas 100”. Ainda se lembra do primeiro grande projecto com a sua assinatura: a campanha de referência em que os clientes da empresa davam a cara nos sacos do Expresso. “Mudou a maneira como a empresa se relaciona com os clientes”, acredita. Findos esses três anos, foi-lhe proposto o desafio das Relações Públicas. Trocou literalmente de funções com um colega, para assumir uma área sobre a qual – admite – estava equivocada: “Pensava que era talvez o lado mais simples, o primeiro degrau numa carreira de Marketing. Era uma visão totalmente errada. A experiência ensinou-me que passei da segunda divisão para a liga dos campeões”. A “promoção” aconteceu em Outubro de 2005. E eis que em Janeiro de 2006 lhe cai em cima uma visita do fundador da Microsoft. E uma advertência bem intencionada: “Só há duas coisas que acontecem depois de uma visita do Bill Gates: as pessoas ou são promovidas ou são despedidas”. Palavras de que Patrícia nunca se esqueceu: “Fiquei em pânico”. Mas “uma parceria fabulosa com o João Paulo Girbal”, então director-

-geral da Microsoft Portugal, transformou a visita num sucesso, de tal forma que há uma era “antes de Bill Gates 2006” e uma era “depois de Bill Gates 2006”. Foi ideia de Patrícia aproveitar o facto de o governo de então ter como prioridade estratégica o plano tecnológico, curiosamente liderado pela sua ex-directora de mestrado e que Bill Gates veio apadrinhar. Teve “um impacto mediático fabuloso”. Foi mesmo um dos pontos altos da carreira da directora de Relações Públicas da Microsoft. Outro foi a visita de Steve Ballmer, o ceo da empresa: “É a antítese do Bill Gates. Consegui perceber por que são considerados a parceria perfeita”. Ballmer veio a Lisboa numa altura em que a subsidiária portuguesa ganhava prémios atrás de prémios: “Quis dar-nos os parabéns”. Foram seis semanas de uma dedicação total a uma visita mais uma vez associada a um projecto nacional – o computador Magalhães, para o qual a Microsoft criou uma oferta específica válida para todos os países onde fosse vendido. Diz-se que não há duas sem três e na carreira de Patrícia Fernandes na Microsoft há um terceiro marco, de que muito se orgulha – o canal de doação online para o Banco Alimentar, ao abrigo das suas responsabili-

dades na área da Cidadania. Todos os anos a empresa doa milhares em software, assim contribuindo para elevar o potencial tecnológico de pequenas e médias empresas e para mitigar a iliteracia digital das franjas da sociedade mais desprovidas. E foi na sessão que assinalou a doação de meio milhão de dólares em software ao Banco Alimentar que Patrícia começou a pensar que havia outra fome, muito mais importante, que era preciso mitigar: “Como é que ponho a tecnologia a alimentar pessoas?” foi a pergunta que lançou. Com a ajuda da Link Consulting, foi criada uma plataforma online – www. alimentestaideia.net – para recolha de alimentos. A generosidade digital resultou em mais de 68 mil toneladas dos seis alimentos de que o Banco Alimentar mais carecia, no valor de cerca de 80 mil euros. “Foi o projecto que mais gozo me deu”, assume Patrícia, com um remate tecnológico – “Foi feito com o último grito de cloud computing”. Longe vão os tempos da máquina de escrever da licenciatura em Literaturas. Hoje, Patrícia Fernandes domina a tecnologia, reclamando para si um “radar mais sensível” do que o do utilizador padrão. Mas não ao ponto de ser uma geek: “Não vivo para o último gadget. Não tenho tablet nem slate, nem sinto necessidade…”

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Ainda se lembra do primeiro grande projecto com a sua assinatura: a campanha de referência em que os clientes da empresa davam a cara nos sacos do Expresso. “Mudou a maneira como a empresa se relaciona com os clientes”, acredita

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Hermínio Santos jornalista hs@briefing.pt

“Em termos de resultados e das melhores práticas, Portugal está ao nível do melhor do mundo no sector das telecomunicações”, afirma António Beato Teixeira, 57 anos, presidente do conselho de administração da Alcatel-Lucent Portugal, que factura 140 milhões de euros, dá trabalho a 380 pessoas, afirma-se como líder de mercado e lançou o chip do futuro

António Beato Teixeira, presidente da Alcatel-Lucent Portugal

Ramon de Melo

Entre os melhores do mundo

Fibra | Quais são actualmente as grandes prioridades da Alcatel-Lucent em Portugal? António Beato Teixeira | As grandes prioridades são cumprir os objectivos que a corporação estabelece. Temos objectivos em termos de vendas, receitas, margens, encomendas e desen30

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volvimento do negócio. Naturalmente que se perguntar se essa é a minha prioridade, eu diria que essa é uma das prioridades, pois a mais importante seria começar a crescer no emprego. Mas isso não é nada que se preveja no curto-prazo, devido à situação económica. Todos os anos

temos objectivos muito rígidos que temos de cumprir e portanto a nossa função é cumpri-los da melhor forma possível. Fibra | Qual é a realidade da empresa em Portugal? ABT | Temos actualmente à volta de 380 pessoas, metade AlO novo agregador das comunicações


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catel-Lucent e outra metade de empresas parceiras que trabalham em exclusividade para nós e que estão praticamente todas aqui. Temos muitos dos colaboradores nos nossos clientes e um conceito de flex office e, por isso o espaço acaba por ser suficiente para toda a gente. Fibra | Os clientes da Alcatel-Lucent em Portugal são todos das áreas das telecomunicações? ABT | Há três grandes áreas: operadores de telecomunicações, grandes empresas em que a área de telecomunicações ainda tem um papel importante – e que nós chamamos de indústrias estratégicas – e enterprise, que desenvolve soluções de empresa e cuja receita não é consolidada em Portugal.

“Temos actualmente à volta de 380 pessoas, metade Alcatel-Lucent e outra metade de empresas parceiras que trabalham em exclusividade para nós e que estão praticamente todas aqui”

Fibra | De quem é que depende a Alcatel-Lucent em Portugal? ABT | De Espanha. Fibra | Na Alcatel-Lucent há alguma rotação de quadros entre Lisboa e outros países onde a empresa está presente? ABT | Em Portugal não existe muita rotação. Temos uma empresa sólida, um País com uma boa qualidade de vida, alguma exposição. Há um programa para as pessoas rodarem dentro da empresa mas é preciso que a oportunidade surja.

Fibra | Que posição é que detêm no mercado português? ABT | Número um. No mercado doméstico não claramente, porque a diferença para os nossos concorrentes é pequena e o mercado é bastante repartido. Fibra | O que é que a empresa desenvolve em Portugal? Mais soluções do que produtos, por exemplo? ABT | Temos as duas coisas. Há uma área de equipamentos e produtos, outra de serviços e outra de soluções. Fibra | Dessas três áreas qual é a mais relevante no nosso País? ABT | É a área de networking, a dos equipamentos. Nós fornecemos tudo o que seja soluções de IP. O mundo está a evoluir no sentido do IP e essa área é muito importante para nós. Fibra | Qual é a importância de Portugal para a estrutura global da Alcatel-Lucent? ABT | É a importância que nós temos no mundo: um país pequeno, razoavelmente desenvolvido nesta área, com uma maturidade muito elevada e um merO novo agregador das comunicações

cado muito inovador, por exemplo no móvel. Felizmente para nós, as empresas portuguesas de telecomunicações têm uma gestão muito profissional e ganham prémios internacionais e isso dá-nos alguma visibilidade dentro do grupo Alcatel-Lucent. Muita da visibilidade que temos dentro do grupo tem a ver muito mais com os nossos clientes do que com a dimensão do mercado.

“Felizmente para nós, as empresas portuguesas de telecomunicações têm uma gestão muito profissional e ganham prémios internacionais e isso dá-nos alguma visibilidade dentro do grupo Alcatel-Lucent”

“O grupo está em 130 países e cada uma deles quer sempre tomar conta de si. Por razões históricas nós ainda temos uma participação na Alcatel Lucent Angola mas não é normal”

Fibra | Há alguma ligação da filial portuguesa aos mercados lusófonos? ABT | O grupo está em 130 países e cada um deles quer sempre tomar conta de si. Por razões históricas, nós ainda temos uma participação na Alcatel-Lucent Angola, mas não é normal que assim seja. Por acaso, quem gere a empresa é um quadro que saiu daqui. Nós exportamos para todo o grupo e também para os países africanos de língua portuguesa, mas isso acontece casuisticamente e não porque exista uma estratégia de “tomar conta” desses mercados. Fibra | A empresa tem ligações às universidades, à I&D portuguesa? ABT | Temos alguma coisa mas menos do que aquilo que eu gostava. As universidades portuguesas começam a abrir-se um pouco à colaboração com as empresas, mas não é um namo>>>

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“A experiência de ver televisão hoje não tem nada a ver com o que se passava há cinco anos. Portanto, os conteúdos, o vídeo e a televisão são áreas estratégicas. Com isso vem muita coisa atrás, como a evolução das redes para IP”

ro fácil. Temos algumas ligações com a Universidade do Minho, o Instituto Superior Técnico e o ISEL, por exemplo, mas não em termos de desenvolvimento, de produto. Na minha opinião, as universidades ainda não estão preparadas para essa relação mais íntima com as empresas. Naturalmente que estas têm também as suas falhas, mas precisam de ter lucro e muita da investigação tem que ser aplicada ou perto da aplicação. Fazemos esse tipo de investigação nos nossos laboratórios. Isso não quer dizer que não possa haver uma parceria mas tem de ser muito clara, saber quais são os objectivos, qual o investimento. Nós temos os Bell Labs, que têm sete prémios Nobel. Foi dali que saiu o transístor, o laser e a fibra óptica, por exemplo. Portanto, uma parceria para nós tem que ter um objectivo muito claro. Uma coisa é desenvolver um produto inovador e outra é colocá-lo no mercado.

“Hoje, o vídeo e a necessidade de largura de banda são um facto. As pessoas partilham cada vez mais fotografias e vídeos. Portanto, o que vai acontecer é que os operadores precisam de muita capacidade de largura de banda na sua rede”

Fibra | Como é que olha para a evolução do mercado das telecomunicações em Portugal? ABT | Desde a liberalização, em

1992, o mercado explodiu e foi bastante inovador. Em termos de resultados e das melhores práticas, Portugal está ao nível do melhor do mundo. Eventualmente pode existir algum atraso em relação a soluções LTE, por exemplo, onde Portugal nem sequer lançou ainda o concurso – no GSM, o País foi o segundo da Europa e um dos primeiros do mundo a lançá-lo. Isso levou a uma grande adesão das pessoas aos telemóveis, como todos sabemos, e a muita inovação. Hoje, no fixo, passa-se a mesma coisa. As soluções que nós temos em Portugal de IPTV são das mais avançadas do mundo. Mas temos algum caminho a percorrer e a situação económica não é favorável. Penso que há também algum atraso na administração pública, não nas escolas, onde melhorámos muito, mas noutros ministérios em que há muito por fazer e deveria haver uma maior concentração de serviços – eu sei que é complicado porque envolve pessoas. Até poderia haver outsourcing de alguns serviços na medida em que telecomunicações e informática, por exemplo, não me

PERFIL

Uma vida nas telecomunicações Um leitor compulsivo de clássicos da literatura, um jogador de golfe com “maus resultados” e uma vida dedicada às telecomunicações. Assim se define António Beato Teixeira, que desde 2007 é presidente do conselho de administração da Alcatel-Lucent em Portugal. Formado em Engenharia pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa, com uma pós-graduação em Harvard, foi professor antes de se iniciar nas lides empresariais. Começou na Standard Eléctrica, passou para a PT e, quando já tinha constatado que o futuro era dos telemóveis, foi contratado pela Airtouch para a então Telecel, hoje Vodafone Portugal. Oito anos depois rumou ao Brasil a convite de uma empresa canadiana, que tinha operações em vários estados brasileiros. Esteve por lá três anos e recorda

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com agrado a experiência. “Nessa altura o Brasil já estava em crescimento”, diz. No Brasil aprendeu uma lição: que todos devem passar por uma experiência internacional. Regressou a Portugal para a Nortel, onde foi responsável por contas da Vodafone no Médio Oriente, Europa e África. Com a fusão da Alcatel e da Lucent e a compra de uma parte da Nortel acabou por chegar a presidente da empresa em Portugal. Lisboeta, rendeu-se ao iPad, não porque seja um “maluquinho das tecnologias” mas sim porque é uma “bela inovação”. Apesar de virado para o futuro, na literatura prefere os clássicos, desde os russos aos americanos, passando pelos irlandeses. E os portugueses? “Não sou um grande fã”, admite, apesar de gostar de Eça, Aquilino e Camilo, por exemplo.

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“Temos uma elevada penetração de banda larga móvel, muitas casas cabladas em fibra graças à PT. Na área da televisão por cabo, a Zon é uma das empresas mais consideradas a nível europeu”

parece que sejam competências de um ministério. Fibra | Neste cenário, quais são os eixos estratégicos da Alcatel-Lucent em Portugal? ABT | A curto-prazo, o futuro passa por serviços para o cliente final, que terão de ser dados pelos operadores, muito na área fixa, com as soluções de IPTV. A experiência de ver televisão hoje não tem nada a ver com o que se passava há cinco anos. Portanto, os conteúdos, o vídeo e a televisão são áreas estratégicas. Com isso vem muita coisa atrás, como a evolução das redes para IP. Na área móvel o futuro está aí, com a atribuição das licenças das LTE. Por outro lado, nós achamos que as redes de tele-

comunicações que transportam informação e comunicação não servem de nada se não tiverem serviços. Portanto, o desenvolvimento de serviços para o cliente final é uma das prioridades que temos. Fibra | Em Julho a empresa apresentou um chip inovador. O que é que isso vai provocar no dia-a-dia dos consumidores? ABT | Hoje, o vídeo e a necessidade de largura de banda são um facto. As pessoas partilham cada vez mais fotografias e vídeos. Portanto, o que vai acontecer é que os operadores precisam de muita capacidade de largura de banda na sua rede. Por outro lado, querem que o preço

“Podíamos estar um pouco mais avançados no LTE mas no resto os indicadores que nós temos de qualidade de serviço, preço e desenvolvimento de soluções de comunicações são dos mais avançados do mundo”

por bite seja o mais baixo possível. Foi por isso que fomos dos primeiros a lançar os 100 gigas na rede óptica e na de IP. Nesse sentido, desenvolvemos agora um novo chip que vai ser integrado no equipamento de forma a permitir a evolução para maior largura de banda com o menor custo possível por megabite. Fibra | O mercado das telecoms está em ebulição a nível mundial. Neste cenário as empresas europeias e americanas continuarão a ser as mais relevantes ou a China e a Ásia vão assumir o papel de grandes players mundiais? ABT | Para ver a evolução deste mercado podemos dar um exemplo: hoje o standard único >>>

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“No essencial temos um sistema de concorrência sadia entre as empresas do sector e os consumidores finais beneficiam disso”

é o LTE e, ao contrário do que aconteceu com o GSM, está mais desenvolvido nos EUA do que na Europa. Houve aqui, no móvel, uma clara inversão de valores. Um outro exemplo é que um dos nossos maiores concorrentes vem da China. A ideia de que os chineses só copiavam é passado. Hoje há empresas inovadoras e com uma vantagem pois têm um mercado, teoricamente, de 1,3 mil milhões de pessoas. Portanto existe inovação na China. Isso não quer dizer que a Europa e os EUA não tenham condições para que essa inovação continue, desde que as empresas se mantenham. Uma diferença a assinalar é que essas empresas chinesas não entraram nos EUA mas estão na Europa e alguma degradação ao nível do emprego na Europa também se deve a esse factor. Não estou a dizer que a Europa tenha de ser proteccionista, mas tem que ter alguma política em relação a este assunto. Os EUA deixaram que houvesse uma fusão entre a

“É preciso que essas empresas cooperem. Temos bons quadros, pessoas com muito valor e imaginação, criativas, mas a dimensão das empresas não permite o desenvolvimento que seria possível se elas cooperassem mais entre si”

francesa Alcatel e a norte-americana Lucent, já aconteceu uma fusão entre a Nokia e a Siemens, ainda existe uma Ericsson e, de facto, foi nestas empresas que apareceu muita da inovação na área das comunicações durante muitas décadas. Para estas empresas continuarem, a Europa tem de saber o que pretende fazer neste sector. Fibra | Que avaliação é que faz das políticas de novas tecnologias que têm sido desenvolvidas por Portugal? ABT | No essencial temos um sistema de concorrência sadia entre as empresas do sector e os consumidores finais beneficiam disso. Acho que a generalidade das empresas tem uma gestão de muito alto nível e nas comunicações estamos ao nível do que de melhor se faz no mundo. Temos uma elevada penetração de banda larga móvel, muitas casas cabladas em fibra graças à PT. Na área da televisão por cabo, a Zon é uma das empresas mais consideradas a

INOVAÇÃO

O mega-chip No início de Julho a Alcatel-Lucent apresentou mais uma revolução: um chip que permite velocidades de transmissão quatro vezes superiores às actualmente disponibilizadas. Trata-se do mais rápido processador de rede da indústria e permite, por exemplo, transferir, em menos de um segundo, 12 filmes de alta definição. Os novos chips, com 400 Gbps, vão ser comercializados a partir de 2012 e permitem oferecer serviços com maior largura de banda. Este novo chip é apenas uma das muitas inovações de uma longa história de investigação e desenvolvimento que também se escreve em Portugal. No nosso País a em-

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presa mantém três centros de competência e investe anualmente cerca de 6,7 milhões de euros em I&D. Estas operações permitem a criação e manutenção de conhecimento em Portugal e a exportação de soluções e/ou serviços com uma grande componente tecnológica. O Centro de Assistência Técnica GSM, por exemplo, com base em Cascais, executa o nível 3 de suporte aos produtos GSM instalados em mais de 180 clientes no mundo inteiro. A nível global a Alcatel-Lucent detém os Bell Labs, um dos mais avançados centros de investigação e desenvolvimento em tecnologias de telecomunicações.

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“Uma parceria para nós tem que ter um objectivo muito claro. Uma coisa é desenvolver um produto inovador e outra é colocá-lo no mercado”

nível europeu. Podíamos estar um pouco mais avançados no LTE mas, no resto, os indicadores que nós temos de qualidade de serviço, preço e desenvolvimento de soluções de comunicações são dos mais avançados do mundo. Fibra | Que conselhos é que daria ao novo Governo nesta área? ABT | Não estragar nada… acho que não vai estragar. O documento da troika fala um pouco da concorrência. Há aqui uma falácia ao nível de concorrência de operador fixo. Nós temos essa concorrência entre as operadoras. Há uma que tem uma O novo agregador das comunicações

“A curto-prazo, o futuro passa por serviços para o cliente final, que terão de ser dados pelos operadores, muito na área fixa, com as soluções de IPTV”

situação preponderante, mas isso é normal, como existe no mundo inteiro. Não há nenhum país onde as coisas tenham corrido de maneira diferente e até acho que aqui correu bastante melhor do que em países onde houve uma liberalização mais rápida, como foi o caso de Inglaterra, em que faliram dezenas de empresas. As empresas têm o seu caminho para percorrer e é bom lembrar que este sector não precisou de bailouts e que tem sempre grande capacidade de inovação. Este é um dos melhores sectores em que se pode trabalhar. Noutras áreas, como a dos sistemas de informação, é que poderia ser feita alguma coisa. O

mercado português é pequeno e há muitas empresas, é muito atomizado e para um negócio destes é fundamental haver escala. É preciso que essas empresas cooperem. Temos bons quadros, pessoas com muito valor e imaginação, criativas, mas a dimensão das empresas não permite o desenvolvimento que seria possível se elas cooperassem mais entre si. Isso é que era importante e servia o mercado da exportação e nós poderíamos exportar muito mais tecnologia. Claro que não compete ao Governo fazer nada disso, mas pode facilitar e criar incentivos para que essas empresas cooperem mais entre si. Agosto de 2011

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SEGUROS

Proteger as TI No sector de TI, já não basta ter um bom produto, ter bons clientes, ter boa exposição mediática. A protecção e a garantia oferecida aos clientes são hoje um dos mais importantes requisitos num concurso, num request for proposal, ou noutra diligência comercial Nos últimos tempos, temos vindo a assistir a uma maior atenção nacional para os sectores estratégicos do país, capazes de dar cartas a nível internacional e fomentar as exportações portuguesas. Entre os vários sectores, as tecnologias de informação assumem um papel estratégico, capazes de adicionar valor à economia portuguesa e, felizmente, já muitos são os casos de empresas portuguesas com enorme sucesso e reconhecimento internacional. Em regra, as empresas de tecnologias de informação portuguesas, salvo raras excepções começam pela fase de start ups e com uma base de clientes reduzida que lhes permite afinar e melhorar os seus produtos (software) ou serviços, antes de partirem para maiores voos. É sabido que nenhuma empresa se consegue desenvolver no mercado se não tiver um bom produto ou serviço e uma boa política comercial e de marketing. Porém, o cenário mudou e a maior competitividade mundial obriga-nos a responder a novos requisitos do mercado. No sector de TI, já não basta ter um bom produto, ter bons clientes, ter boa exposição mediática. A protecção e a garantia oferecida aos clientes são hoje um dos mais importantes requisitos num concurso, num request for proposal, ou noutra diligência comercial. Se as grandes consultoras de TI ou software houses em regra já recorrem a este tipo de protecção, as PME, ou mesmo as start ups, vivem numa realidade diferente. Na verdade, a realidade é a mesma mas os recursos é que são diferentes. Nesse sentido, acabam de ser 36

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“Esta necessidade de protecção é, aliás, uma exigência contratual cada vez mais solicitada pelos clientes deste tipo de empresas e uma mais-valia comercial em concursos e contratos importantes, garantindo uma segurança para o contratante mas também para o prestador de serviços”

“Estes seguros têm várias opções de limite de indemnização, com um máximo de 2 milhões de euros e com prémios escaláveis em função da sua facturação bruta”

lançados no mercado novos produtos que respondem às necessidades dessas pequenas e médias empresas e que se figuram como seguros de responsabilidade civil profissional que as protegem num vasto conjunto de circunstâncias e respondem aos requisitos que o mercado exige. A novidade está na sua forma de subscrição, com valores adaptados à realidade de cada uma dessas empresas. Em função do seu volume de negócios, as empresas que prestam serviços e consultoria na área das tecnologias de informação podem estar imediatamente protegidas de eventuais reclamações, erros ou omissões profissionais, infracções à propriedade intelectual, danos à reputação do cliente, perda de registos informáticos, assim como em relação aos custos legais associados à defesa dessas mesmas reclamações, caso sigam uma via judicial. A subscrição automática é uma lufada de ar fresco no mercado, e é permitida a empresas cujo volume de facturação não exceda cinco milhões de euros. A Chartis, com a sua larga experiência neste mercado, oferece ainda a isenção de qualquer franquia, a cobertura automática de uma filial em qualquer país do mundo (excepto EUA e Canadá), bem como as despesas jurídicas decorrentes de eventuais processos legais. Esta necessidade de protecção é, aliás, uma exigência contratual cada vez mais solicitada pelos clientes deste tipo de empresas e uma mais-valia comercial em concursos e contratos importantes, garantindo uma segurança para o contratante mas também para o prestador de serviços. Estes seguros têm várias opções

Nélson Ferreira director de Linhas Financeiras da Chartis

de limite de indemnização, com um máximo de dois milhões de euros e com prémios escaláveis em função da sua facturação bruta. Atrasos na implementação de projectos, erros dos consultores informáticos, perda de documentação ou informação do cliente por falhas tecnológicas ou humanas, entre outros, são factos indesejáveis mas a verdade é que acontecem. E, se vierem a acontecer, como diz o povo, mais vale estar prevenido. O novo agregador das comunicações


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Novabase parceiro do ano da Microsoft A Novabase foi eleita parceiro do ano pela Microsoft, tendo sido distinguida com o prémio Country partner of the year, no evento anual de parceiros da tecnológica norte-americana, em Los Angeles. No evento, estiveram presentes cerca de três mil parceiros de todo o mundo. Segundo a Microsoft, a distinção foi atribuída tendo por base “a excelência e inovação nas soluções implementadas em Portugal”. “Ser reconhecido pela Microsoft como o seu parceiro do ano deixa-nos, obviamente, orgulhosos”, comentou Nuno Fórneas, membro da comissão executiva da Novabase, concluindo: “Acreditamos que a Microsoft é um dos nossos principais parceiros”.

iPhone é o mais desejado

Lucro recorde na Apple

De acordo com um estudo da ChanceWave, 46 por cento dos consumidores de tecnologia que pretendem comprar um smartphone nos próximos três meses preferem o iPhone, da Apple. Terminais com o sistema Android surgem em segundo lugar, com 32 por cento, seguidos dos BlackBerry, com apenas quatro por cento. Entre os utilizadores de iPhone, 70 por cento afirmam estar “muito satisfeitos” com os seus smartphones. Em comparação, apenas 50 por cento dos indivíduos que usam Android afirmam o mesmo. Por sua vez, 57 por cento dos donos de Windows Phone 7 garantem estar satisfeitos com os seus equipamentos.

A Apple anunciou os resultados do seu terceiro trimestre fiscal, terminado a 25 de Junho, apresentando receitas recorde de cerca de 20,20 mil milhões de euros e um lucro líquido de 5,17 mil milhões de euros. Os resultados comparam-se às receitas de cerca de 11,10 milhões de euros e lucro líquido de cerca 2,30 mil milhões de euros no período homólogo do ano passado. Só neste último trimestre, a Apple vendeu 20,34 milhões de iPhones, o que representa um aumento unitário de 142 por cento face ao conseguido no mesmo trimestre do ano anterior. Relativamente aos iPads, a marca vendeu, no decorrer do trimestre, 9,25 milhões, o que corresponde a um aumento significativo de 183 por cento face ao mesmo trimestre do ano passado. A companhia vendeu ainda 3,95 milhões de computadores Mac (um aumento de 14 por cento em relação ao ano anterior) e 7,54 milhões de iPods (mais 20 por cento que o mesmo período no ano passado).

Cisco planeia cortes na força de trabalho

MySpace vendido por 35 milhões

A Cisco Systems está a planear cortar a sua força de trabalho em 11500 pessoas. Esta medida surge enquadrada no plano da empresa de reduzir em mil milhões de dólares (710 mil milhões de euros) as suas despesas anuais. Além disso, a empresa planeia vender a sua linha de produção em Juarez, no México, à Foxconn. Alguns analistas já previam milhares de cortes nos empregos na Cisco, depois de a empresa ter dito em Maio que planeava reorganizar o seu negócio, tendo em conta a perda de terreno no mercado.

O Myspace foi comprado por 35 milhões de dólares (24 milhões de euros), o que representa uma pequena fracção dos 580 milhões (403 milhões de euros) que a News Corp investiu em 2005 na aquisição da rede social de música. A compra foi feita pela Specific Media em parceria com o cantor Justin Timberlake.

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pessoas Diogo Vasconcelos, ex-presidente da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações (APDC) e mandatário de Cavaco Silva nas últimas eleições presidenciais, morreu no passado mês em Londres, Inglaterra, onde vivia. Aos 43 anos, Diogo Vasconcelos foi vítima de uma paragem cardíaca. Uma das grandes figuras da inovação tecnológica no nosso país, o executivo liderou a UMIC – Agência para a Sociedade do Conhecimento, criada no âmbito da Presidência do Conselho de Ministros. Nessa estrutura, foi responsável pela Sociedade da Informação, e-government e Banda Larga. Era, além disso, requisitado para conferências, seminários e eventos relacionados com a sociedade do conhecimento.

João Picoito assumiu a liderança do negócio da Nokia Siemens Networks (NSN) para toda a região da Europa do Sul, Europa de Leste e Central. Com esta nomeação, o gestor fica com a responsabilidade alargada a mais de 20 países e cerca de 200 clientes. Picoito assumiu também a responsabilidade mundial pela unidade de negócios Railways da NSN. A região acolhe ainda vários centros de R&D e uma forte presença de serviços, reforçada pelo Global Network Solutions Center localizado em Lisboa. Com esta mudança, João Picoito foi nomeado membro do Board do Customer Operations da NSN. O novo agregador das comunicações


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Câmara de Lisboa lança rede social de inovação A Câmara Municipal de Lisboa (CML) vai utilizar a nova plataforma da start-up Inocrowd para lançar uma rede social de inovação dirigida aos munícipes empreendedores da capital. Um acordo nesse sentido foi anunciado durante a apresentação oficial da Inocrowd, PME da área das tecnologias de informação que criou a primeira rede online portuguesa que permite às empresas procurar inovação e tecnologia junto de investigadores de universidades de todo o mundo. A CML pretende, através desta ferramenta, promover o empreendedorismo ligado à inovação no município, “agarrar” ideias para atrair e manter inovação e perceber qual o melhor modelo para a gestão desta rede social.

Farto de informação negativa que só lhe provoca mal-estar, ansiedade e stress? A melhor terapia é assinar o Fibra. Porque, neste caso, a informação dá-lhe prazer. A assinatura do Fibra inclui um programa gratuito de relaxamento e diversão na Odisseias. É uma oportunidade única para, gratuitamente, melhorar a saúde física e mental.

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Para receber, na volta do correio, o voucher do programa escolhido basta assinar o Fibra – o novo agregador das Comunicações. Com o Fibra fica informado e… fica descansado. Não é todos os dias que tem uma oferta destas.

Nova organização contra cibercrime Com o intuito de reunir várias entidades no combate à criminalidade informática, foi apresentada, em Londres, a International Cyber Security Protection Alliance (ICSPA). Esta organização não-governamental conta já com membros como a McAfee, a Tred Micro e a Europol. O objectivo desta aliança é “melhorar a segurança online e a segurança de comunidades empresariais, ao disponibilizar recursos e experiência do sector privado para apoiar agências de segurança domésticas e internacionais na sua tarefa para reduzir os efeitos do cibercrime”. O novo agregador das comunicações

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Pentágono admite falhas na segurança O Pentágono, a sede da Defesa dos Estados Unidos, admitiu ter perdido cerca de 24 mil ficheiros através de uma intrusão na sua rede. A informação foi confirmada por William Lynn III, subsecretário de Estado da Defesa norte-americano, numa conferência cujo objectivo era revelar a nova estratégia contra ciberataques dos EUA. Considerado um dos locais mais seguros de todo o mundo, o Pentágono veio admitir que, durante a Primavera, detectou intrusos na sua rede interna e que, durante esta intrusão, cerca de 24 mil ficheiros foram “roubados” a uma empresa privada contratada pelo Pentágono. “Parte da informação roubada é perfeitamente mundana, mas outra parte é um pouco mais sensível”, revela William Lynn III.

Facebook: o novo alvo dos terroristas O Facebook pode estar a ser alvo de tentativas de “invasão” por parte de redes terroristas. A notícia é avançada pela PCPro e cita um relatório de contraterrorismo do Home Office britânico. Pode ler-se no relatório que “existiram inúmeras tentativas de ‘invasão’ do Facebook por parte de grupos terroristas e extremistas”. Também o Twitter “irá ser utilizado para espalhar conteúdos extremistas de uma forma mais rápida, e abrangente, entre pessoas que normalmente não iriam pesquisar por estes conteúdos”. Theresa May, secretária de Estado britânica, comentou o relatório afirmando que “os terroristas utilizam cada vez mais tecnologia online, incluindo o Google Earth e o Street View para planear ataques”. Ainda assim, o relatório mostra que a maior parte da “radicalização” não ocorre através da Internet, mas sim frente-a-frente.

Netflix prepara entrada na Europa A Netflix, fornecedor de conteúdos on-demand por correio e através de stream na internet, revelou recentemente os seus planos de expansão para a América Latina, no entanto, segundo fontes do site Variety, os planos de expansão mundial da Netflix podem passar por expandir o negócio para a Europa. Apesar de a empresa não ter incluído os países europeus na lista que divulgou no início do mês de Julho, as fontes citadas pelo Variety indicam que o Reino Unido e Espanha poderão ser os primeiros a aceder ao Netflix no continente europeu.

Amazon quer lançar tablet antes de Outubro Com o objectivo de expandir o comércio móvel e vender mais produtos digitais, a Amazon vai lançar um tablet ainda no decorrer de 2011. Segundo informações do The Wall Street Journal, citando fontes conhecedoras do projecto, a Amazon pretende lançar um tablet com ecrã de nove polegadas e sistema Android ainda antes do mês de Outubro. Analistas da Canaccord Genuity informaram que pelo menos 1,5 milhões de tablets com a marca Amazon já estão a ser produzidos, de modo a iniciar as vendas no terceiro trimestre. Até ao fim do ano, estima-se que a empresa fabrique entre 4,5 a 5 milhões de dispositivos, pelo que, quando indagada sobre o assunto, a Amazon não fez quaisquer comentários. 40

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Wii U no mercado em Abril de 2012 A Wii U, a próxima consola da Nintendo, deverá chegar ao mercado no dia 1 de Abril de 2012. Quem o anunciou foi Reggie Fils-Aime, coo da empresa. Esperando fazer frente a dispositivos que agora lideram o mercado, como a PS3 e a Xbox 360, a Wii U vai estar disponível juntamente com outras consolas da Nintendo, como é o caso da Wii, da DSi e a 3DS. Esta nova consola tem um comando portátil com touchscreen, sendo que poderão ser utilizados os jogos mais antigos da Wii.

Google+ quer atrair celebridades A Google está a preparar um “plano de aquisição de famosos” para aumentar a popularidade da sua nova rede social, o Google+. A informação foi avançada pela CNN, acrescentando que o plano pode concretizar-se recorrendo a agências de talentos. Também com o intuito de impedir a presença de perfis falsos, a Google está a trabalhar num sistema de validação e certificação de celebridades, um pouco à semelhança da solução criada pelo Twitter.

Vendas de tablets em baixa A International Data Corporation (IDC) publicou um relatório que conclui que a venda de tablets caiu cerca de 28 por cento no segundo trimestre deste ano. O mesmo relatório afirma que esta quebra resulta do actual panorama económico e das restrições nas cadeias de fornecimento. Actualmente, o iPad (1 e 2) domina o mercado dos tablets, no entanto, assistiu-se a um aumento de terminais com Android. Neste caso, o sistema da Google cresceu 8,2 por cento no segundo trimestre, ficando com uma fatia de 34 por cento do mercado. O novo agregador das comunicações


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SÉRIES

Céu Mendonça é fã de CSI

Só alguém dotado de uma boa dose de genialidade consegue ter criatividade suficiente para, ao fim de 11 anos, conseguir continuar a surpreender-nos com mais um crime diferente, que acontece sempre em circunstâncias pouco comuns. É o caso de Anthony E. Zuiker, criador da série CSI. É a série que, sem dúvida, me consegue prender a um ecrã, acima de tudo pela sua dose de mistério, fazendo-me sentir parte daquela equipa de investigação até ao final de cada caso. As próprias personagens são enigmáticas e dotadas de competências diferenciadoras. Nada melhor para descontrair e, em simultâneo, treinar o collateral thinking, ferramenta de trabalho actualmente indispensável. Semelhanças com o nosso dia-a-dia? O trabalho de uma equipa que só termina a sua missão quando “fecha o seu caso” com sucesso.

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Céu Mendonça Com cerca de 20 anos de experiência em empresas de software de Gestão, Céu Mendonça ocupa, desde 2009, o cargo de manager responsável pelas PME da Sage em Portugal. A executiva é licenciada em Gestão de Marketing pelo IPAM (Instituto Português de Administração de Marketing) e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pela Universidade Independente e Universidade Complutense de Madrid. Não dispensa as aulas de body pump ou body combat. As viagens são uma paixão!

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hoBBy

Miguel Teixeira

Com um passado ligado ao desporto e uma vida profissional muito intensa, a corrida surge por ser o desporto mais flexível que existe (em qualquer lugar, a qualquer hora, bastam umas sapatilhas, uns calções e uma T-shirt). Mais tarde, e adicionando o gosto por desafios e alguma competitividade de fazer sempre melhor, as maratonas acabaram por acontecer naturalmente. Gosta de correr maratonas por serem um desafio único — a capacidade física e mental a que obrigam durante os 42 km de prova, e essencialmente o gosto de as terminar — fazem delas uma meta fantástica. Quem gosta de desporto, e tem atracção por desafios complicados, a que poucos se propõem, gostará de correr uma maratona, pois as sensações que produzem durante a prova e a luta entre o esforço e o objectivo (o tempo que se pretende atingir) fazem parte de um conjunto de experiências únicas na vida, que acabam por dar uma autoconfiança que se transmite naturalmente nas diversas fases da nossa actividade profissional e na nossa vida. Actualmente, dependendo da altura do ano, treina entre seis a sete vezes por semana entre as 6 e as 8 horas da manhã, e corre duas maratonas por ano. Já contagiou alguns amigos e parte da família. O próximo passo é convencer as duas filhas pequenas. É provável que o consiga.

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Miguel Teixeira Licenciado em Engenharia Informática e de Computadores pelo Instituto Superior Técnico, pós-graduou-se na Universidade Católica em Gestão e Controlo Avançado de Projectos e em Empreendedorismo e Inovação. Com 16 anos de experiência profissional na área de consultoria, essencialmente no sector financeiro, actualmente desempenha funções de responsável pelo Sector Público, Telecomunicações e Indústria na everis Portugal, companhia da qual é um dos Partners responsáveis desde 2011

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Restaurante

Manuel Falcão director-geral da Nova Expressão

Comer com os olhos Darwin’s Café

Champallimaud Centre For The Unknown Avenida de Brasília Ala B Telefone 210 480 222 Encerra Segunda-Feira ao jantar

O edifício da Fundação Champallimaud, onde está instalado o Darwin’s Café, é todo um programa. Concebido pelo arquitecto indiano Charles Correa, este é um exemplo de uma ligação perfeita com o rio e com o património histórico da cidade. Situado muito perto da Torre de Belém, o edifício e a sua envolvente foram projectados por forma a potenciar o local e, para os mais cépticos sobre a construção junto ao Tejo, tudo está feito para que se ganhem novas perspectivas e novos enquadramentos. Se for ao restaurante aproveite para passear nos jardins e no anfiteatro ao ar livre e perceberá o que a boa arquitectura pode fazer para valorizar a paisagem. Recentemente, estive numa conferência que decorreu no auditório e, se o visitar, verá a mais perfeita janela que se podia imaginar para deixar que o rio invada o edifício.

Uma sala inesquecível Felizmente, este espírito foi salvaguardado na arquitectura de interiores de toda a área do Darwin’s Café. O projecto é da Lanidor, cujos LA Cafés asseguram a exploração do restaurante. A sala tem um pé direito imponente e aproveita de forma exemplar a luminosidade ribeirinha, resultando num espaço amplo e confortável, com pormenores curiosos nos grandes candeeiros e nos efeitos de trompe l’oeil nas paredes. O restaurante pode sentar centena e meia de pessoas no interior e O novo agregador das comunicações

mais meia centena na esplanada exterior. Apesar da dimensão, é fundamental fazer reserva – este é dos espaços mais procurados em Lisboa actualmente. O Chefe António Runa, que dirigiu e fez o nome do LA Café da Avenida da Liberdade, é quem está à frente do Darwin’s, um desafio de monta e do qual não se sai mal. Mesas e cadeiras são confortáveis e o menu oferece soluções para todos os gostos – risottos, saladas e diversos pratos de substância, tudo entre os 10,50 e os 25 euros – o prato mais caro é o bife do lombo sobre risotto de camarão e molho de manga com canela e o mais barato a quiche do dia com salada. A escolha de vinhos não é muito grande, mas é equilibra-

da. Na esplanada, fora do horário de almoço e jantar, tem uma boa escolha de tostas, sanduíches e bruschettas.

Recomendações De tudo o que provei a minha predilecção foi para os tentáculos de polvo sobre échalottes confitadas e esmagada de batata doce, mas reconheço que o lombo de bacalhau em crosta de azeitonas pretas com couve de Bruxelas salteadas é também muito interessante. O folhado de vitela com espargos e cogumelos podia ter corrido bem não fosse alguma falta de cuidado, por exagero, no tempero da carne. Nos doces, destaque para o creme brulé de beringela com açafrão

e gelado de macadâmia e para uma belíssima torta de cenoura e gengibre com sorbet de limão. O que precisa mesmo de melhorar é o serviço, hesitante, às vezes distraído, do género em que os empregados estão a olhar para todo o sítio menos para a sala e não conseguem perceber que alguém está a pedir a sua presença junto de uma das mesas – a falta de chefes de sala, atentos, vigilantes e eficazes é um dos problemas graves em restaurantes com a dimensão deste. Mas o balanço geral é positivo e o espaço é deslumbrante. Uma refeição completa para duas pessoas com um vinho de preço médio rondará os 55 euros.

BANDA SONORA

Something Else!!! Em 1958, aos 28 anos, Ornette Coleman gravou o seu primeiro disco. Na altura, ainda trabalhava como ascensorista num dos grandes armazéns de moda de Nova Iorque, mas fora de horas não largava o seu saxofone. Quando entrou finalmente em estúdio, pela mão de Lester Koenig, levou consigo outros quatro jovens mas brilhantes músicos: Don Cherry no trompete, Walter Norris no piano, Don Payne no baixo e Billy Higgins na bateria. O disco que resultou destas sessões de gravação levou o nome de “Something Else!!!» e, na realidade, tratava-se

de um trabalho diferente de tudo o que se fazia na época, através das ligações surpreendentes que fazia, de uma forma inovadora e livre, dos blues com o jazz. Todos os temas são originais do próprio Coleman, o que também não era muito vulgar para um disco de estreia. A colecção Original Jazz Masters Remastered, que a Concord/Universal edita, acaba de disponibilizar uma versão remasterizada a 24 bits do disco.

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Viajantes

Peru

Nas ruínas de Machu Pichu

Nascer do dia no Rio Tambopata - Amazónia Peruana

A caminho do cume - Uruashraju (5.722 m)

Lamas pousando para a fotografia

Corria o ano de 2007 quando Paulo Coelho, director de desenvolvimento de negócio da SAP, e a mulher, Vanda Jesus, chief business development officer da Viatecla, rumaram de férias para o Peru. Motivado pela História e por ser um destino diversificado, o executivo passou quatro semanas com o espírito de “ir à aventura”: alugou um carro de modo a poder explorar o país à sua maneira. As aventuras foram mais do que muitas: Paulo teve mesmo oportunidade de ir de avião até à selva amazónica, onde passou três dias. Percorrendo um total sete mil quilómetros, o que mais o marcou foi a escalada ao pico do Uruashraju, a cerca de 5800 metros de altitude, onde adorou a sensação de adrenalina de subir e descer a montanha: “Afinal, não é todos os dias que se faz isto”. Da viagem, realça ainda as pessoas, “muito amigáveis” e com quem é fácil interagir, e as ruínas de Machu Pichu, que “estão ainda muito bem conservadas”. Uma coisa que não o surpreendeu muito foi a gastronomia, no entanto, confessa que foi interessante provar “carnes mais exóticas”, como de lama e vicunha, e a bebida típica Pisco, “bastante alcoólica”. Teve até “tempo” para uma intoxicação alimentar, graças à qual conheceu os serviços de saúde de uma pequena vila nos Andes, onde confessa ter sido muito bem tratado. 44

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As mil e umas cores do Peru - Cusco

Lago Titicaca (lago navegável mais alto do mundo - 3.876 m)

Paulo Coelho É o novo director de Desenvolvimento de Negócio da SAP. Traz uma carreira de 13 anos com uma larga experiência em consultoria estratégica e de negócio nos mais diversos sectores, em empresas como Roland Berger, Bear Stearns e DHV. Na SAP desde 2006, tem-se distinguido no desenvolvimento de negócios e de projectos com grandes índices de inovação

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montra

Carolina Herrera – All Day Long All Day Long é a colecção de acessórios Carolina Herrera com peças sofisticadas inspiradas pela paixão pela vida, viagens e pela constante procura da beleza e sofisticação. A Kaspia Bag é inspirada no luxuoso restaurante parisiense “La Maison Kaspia”, um lugar com uma grande carga histórica e tradicional para os amantes da cidade de Paris.

O tempo movido a luz A Citizen acaba de lançar a nova linha masculina de relógios Crono Sport, inspirada no homem urbano e aventureiro. Esta linha, com tecnologia Eco-Drive, permite uma utilização quase infinita do relógio, pois a fonte de alimentação é uma bateria recarregável a luz solar e artificial. O relógio, disponível em duas versões — com bracelete em pele ou em aço –, possui cronógrafo, data e resistência à água até 100m.

O tesouro encantado da Chanel A Chanel lançou a Collection Byzance, uma edição limitada de maquilhagem para o Outono-Inverno de 2011. Composta por quatro sombras cremosas Regard Signé, dois blushes com tons que nos remetem ao brilho do ouro e do rubi e um batom Rouge Allure, com um vermelho extravagante, esta colecção é inspirada na beleza da arte e nos tesouros bizantinos.

Lacoste dá cor ao Verão A nova linha de calçado da Lacoste – Ebury – vem alegrar o Verão, com uma autêntica explosão de cor! Os mocassins Ebury, baseados nos clássicos “Penny”, estão disponíveis em tons brilhantes de azul, cinza, verde, vermelho, branco e preto e são ideais para os desafios do Verão.

Vodafone lança o primeiro smartphone 3D em Portugal A Vodafone acaba de lançar o novo LG Maximo 3D – o primeiro smartphone 3D à venda no mercado português. O novo aparelho, com sistema operativo Android 2.2 e HSPA, dispõe de um full touchscreen 3D WVGA de 4,3 polegadas e duas câmaras de 5MP que gravam em 3D HD 720p. Permite converter os filmes e fotos de 2D para 3D instantaneamente e partilhá-los no portal Youtube 3D e em televisores 3D através da saída HDMI. O novo agregador das comunicações

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O mundo à minha procura

Toshiba Satellite C660-1 Como “infelizmente, o iPad ainda não substitui o portátil”, Diogo utiliza sobretudo este Toshiba para trabalhar. Basicamente, o uso que lhe dá é para tudo aquilo que o tablet ainda não faz

PSP e PS3 Já foi viciado em jogos, sendo que agora já não o é tanto. Curiosamente, não gosta muito de jogos de carros, “talvez por correr na vida real”. As suas preferências vão para os jogos de estratégia e militares. Agora também é a vez dos filhos, que “já começam a jogar alguma coisa”

iPhone 4 “É um complemento do iPad, uma versão mais pequena”. Este é o telemóvel que o piloto utiliza e a ferramenta que usa quando o tablet não está por perto. Afinal, para fazer chamadas é o melhor, ainda que já tenha feito videochamadas pelo tablet da Apple. A rede é Vodafone

Tacos Taylor Made “Os Taylor Made são como a Apple para a tecnologia”, diz Diogo Castro Santos, que também é um apaixonado pelo golfe. Estes tacos “aliam muito bem a estética com a qualidade dos produtos e performance”. “São muito completos, e quem joga, sabe disso”, conclui

TV LG 42’’LH 4000 A televisão elege-a para os filmes e para o desporto. Preferindo o conforto de ver um filme em casa do que ir até ao cinema, confessa que também gosta de acompanhar o “seu” Benfica e os desportistas portugueses que competem internacionalmente 46

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Diogo Castro Santos Natural de Lisboa, iniciou-se no mundo das 4 rodas aos 16 anos. Foi campeão nacional três vezes, então ainda nos karts. Em 1988, com 19, partiu para a internacionalização e tornou-se piloto de automóveis, tendo corrido ao lado de Pedro Lamy na Taça das Nações de Formula Opel, entre outras. Ainda assim, sem perder minimamente o gosto pelos carros, decidiu acabar com a carreira aos 22 anos e continuar com os carros “como um hobby muito sério”. Estudou golf management nos Estados Unidos e, quando voltou a Portugal, abriu a sua própria academia de golfe. Actualmente, dedica-se ao negócio imobiliário, que já vem de família, e à sua nova empresa – a Lolbids. À pergunta da praxe, “considera-se viciado em gadgets?”, responde: “Acho que sim… Tenho de admitir que sim!”. Fã da Apple, a próxima aposta serão os computadores Mac.

iPad Não larga o iPad um único minuto, confessa. Utiliza-o para estar sempre ligado e conseguir consultar notícias, emails e outras aplicações que vai descarregando por “brincadeira”. Inseparável deste gadget, admite que também é tão dependente por ter um negócio online

Sony Alpha 700 Gosta de fotografia e admite que gostava de saber ainda mais sobre o assunto. Sempre com uma máquina fotográfica atrás, Diogo gosta de fotografar “um pouco de tudo”. Ainda assim, elege os momentos com a família e com os amigos, que são sempre importantes de fotografar, “para mais tarde recordar”

Sony HDR-HC7E Um pouco à semelhança da máquina fotográfica, utiliza-a para registar filmes das viagens, da família e do crescimento dos filhos O novo agregador das comunicações


Fibra, 8  

Jornal Fibra, Nº 8