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Director: Jorge Fiel

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Inês Henriques, ceo da Ynvisible

Portugal ainda é um fardo

“Ainda existe uma certa desconfiança quando se ouve falar de tecnologia vinda de Portugal, o que acaba por ser um fardo para as empresas portuguesas”, lamenta Inês Henriques, ceo da Ynvisible, tecnológica do grupo Ydreams cotada em Frankfurt

Mensal

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Ano I

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N.º 4

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Abril de 2011

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8 euros

O novo agregador das comunicações

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A queda do mito TDT

A adopção da TDT tem sido apresentada como uma inovação da mesma ordem que as emissões de TV a cores, em 1980: “Um exagero”, denuncia Nuno Cintra Torres (Zon), acrescentando: “A digitalização das emissões não representa uma ruptura, nem sequer uma nova experiência. Se tudo correr bem, será igual ou quase à TV analógica”

Xavier Rodríguez-Martín, ceo da Oni

Foi corajoso sairmos do residencial Pág. 32

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A day in a life

Henrique Fonseca (Vodafone) fala-nos de um dia na vida de um telemóvel 91. Carlos Lourenço (Optimus) escreve sobre o futuro próximo em que o nosso frigorífico vai fazer encomendas criteriosas por cortesia do operador 93


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Destaques

EDITORIaL

Pataniscas de bacalhau e a doutrina Sinatra de Xavier

O novo agregador das comunicações

Director-geral João David Nunes jdn@briefing.pt Director Jorge Fiel jf@briefing.pt Directora de Arte Patrícia Silva Gomes psg@briefing.pt Editor Executivo Hermínio Santos hs@briefing.pt Editor Online António Barradinhas ab@briefing.pt Redacção Av. Infante D. Henrique, 333H, 44 1800-282 Lisboa Directora de Marketing Maria Luís T. 925 606 107 ml@briefing.pt Distribuição por assinatura Preço: 85€ (12 edições) assinaturas@briefing.pt Tiragem média mensal: 2.500 ex. Depósito legal: 321206/10 N.º registo ERC: 125953 Editora Enzima Amarela - Edições, Lda Av. Infante D. Henrique, 333H, 44 1800-282 Lisboa T. 218 504 060 • F. 210 435 935 fibra@briefing.pt • www.fibra.pt Propriedade Boston Media – Comunicação e Imagem, SA Impressão: Sogapal, Rua Mário Castelhano, Queluz de Baixo 2730-120 Barcarena

Usando como matéria-prima uma daquelas embalagens de bacalhau em lascas que se vendem no supermercado temos à disposição uma leque alargado de opções, desde a patanisca até à malcriada “punheta”, passando pelos pastéis de bacalhau, e as clássicas e incontornáveis variantes à Brás e à Gomes de Sá. Na vida e nas empresas, é como na cozinha com o bacalhau. Há diferentes caminhos susceptíveis de serem trilhados. E a estratégia boa para a concorrência não é necessariamente a mais adequada para nós. Em 2006, face à mediocridade da sua posição no mercado residencial, a Oni resolveu mudar de vida. Pensou, fez introspecção, analisou o mercado e concluiu que o seu caminho passava por se concentrar no mercado empresarial. “Na altura, esta opção não foi entendida. Agora toda a gente apoia e concorda com esse reposicionamento. Em vez de estarmos a compensar as fraquezas num segmento onde éramos menos fortes, decidimos concentrarmo-nos no que estávamos a fazer bem, com alguma humildade e coragem porque todos gostamos de ser os melhores do mundo naquilo que fazemos. Foi com convicção que decidimos sair do residencial e focar no empresarial”, explica Xavier Rodríguez-Martin, o catalão que liderou o turnaround da ONI cantando a sua versão pessoal do My Way, de Sinatra

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COmO É TRaBaLHaR Em...

The United Nations of Cisco, in Oeiras

Num edifício do Lagoas Park, em Oeiras, cheio de luz natural e com vista para o mar, trabalham 230 pessoas, de 24 nacionalidades, que se exprimem em 25 diferentes idiomas. É a Cisco Systems Portugal, eleita como a melhor empresa para trabalhar em Portugal pelo Great Place to Work

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PaSSEIO PÚBLICO

Estava em Munique a beber uma cerveja e…

Maria Manuel Leitão estava a beber uma cerveja em Munique quando António Costa lhe telefonou a desafiá-la para ser a locomotiva do esforço de modernização administrativa do país que ficou conhecido pelo nome de Simplex. Com 24 horas para decidir, esta catedrática arriscou, aos 52 anos, trocar Coimbra (e 30 anos de carreira académica) por Lisboa (e uma posição governamental)

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mOBILIDaDE

Comunicações viabilizam carro eléctrico

Saiba tudo quanto queria saber e nunca ousou perguntar sobre o projecto Mobi.e que está a viabilizar a opção pelos carros eléctricos ao promover uma rede nacional de 1300 postos de carregamento Comunicação, Design e Multimédia Av. Marquês de Tomar, 44-7 1050-156 Lisboa Tel: 217 957 030 geral@motioncreator.net

PRODUTORA DE AUDIOVISUAIS Rua Luis Simões, 14 | 2745-033 Queluz Tel: 214 348 010 www.comsom.tv

RAMONDEMELO PHOTOGRAPHY

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Rua Luz Soriano, 67-1º E Bairro Alto 1200-246 Lisboa - PORTUGAL www.who.pt// contacto@who.pt O novo agregador das comunicações

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RESTaURanTE

Um mistério para animar uma boa refeição

A sala do Gemelli é espaçosa, as mesas são confortáveis, há uma pequena zona de bar à entrada e numa das paredes, próxima da cozinha, está um quadro que mostra um grupo de comensais frequentes da casa, todos figuras bem conhecidas, que durante uns anos constituírem uma tertúlia petisqueira regular. Manuel Falcão deixa a curiosidade de cada um descobrir quem é quem naquela tela – sendo que um dos intervenientes é também o seu autor. Nada como um pequeno mistério para animar uma boa refeição

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O mUnDO à mInHa PROCURa

Ricardo Carriço, iPhone, lanterna e fita métrica

Ricardo Carriço tem no iPhone o seu “escritório ambulante” e está cheio de curiosidade relativamente ao iPad. Cliente Zon, gosta de ver filmes nos Telecine e documentários no Canal História. Anda sempre com uma lanterna e uma fita métrica no bolso. E, apesar de se ter rendido às novas tecnologias, acredita que o papel não morreu, pelo que não dispensa um Moleskine, formato A 5 Abril de 2011

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debate

No Fibra 1, Eduardo Cintra Torres levantou 10 questões sobre a RTP e o serviço público de televisão. Até ao fim do ano vamos procurar respostas a essas perguntas

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Deve a RTP manter canais regionais na Madeira e nos Açores, que hoje servem em primeiro lugar os governos regionais e dão emprego aos filhos das elites locais? E que nem sequer se sabe se são vistos pelos açorianos e madeirenses, pois não há quaisquer estudos de audiência conhecidos

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José Manuel Coelho deputado à Assembleia Legislativa Regional da Madeira

Luís Humberto Marcos professor Universitário em Ciências da Comunicação (ISMAI) director do Museu Nacional da Imprensa

Jorge Mourinha crítico de televisão

Manuel Queiroz director do jornal i

A existência de uma estação regional da RTP constitui  um erro crasso e um desperdício de dinheiro dos contribuintes que em nada contribui para a informação isenta a que têm direito os cidadãos da Região Autónoma. A RTP Madeira, não passa de uma caixa de ressonância do tiranete Alberto João Jardim para fazer a sua propaganda e silenciar a oposição. Também serve para dar emprego a uma série de boys e girls laranjinhas locais. Temos aqui uma estação de televisão que não promove debates nem jornalismo de investigação. É uma estação de televisão dócil do ditador da “Quinta Vigia”, apenas um instrumento para a sua propaganda. Ver o “Telejardim” das 21 horas faz-nos lembrar o tipo de informação que se faz em Cuba e na Coreia do Norte. Um dos conselheiros da estação de televisão local é um grande tubarão “jardinista”. Trata-se do Luís Miguel de Sousa, um dos monopolistas que tem o controlo dos portos de carga do Caniçal e do porto de recreio do Funchal.   A propósito disto convém lembrar que actualmente transportar um contentor da Madeira para Lisboa, é mais caro do que transportar um contentor de Leixões para Nova Iorque. A RTP Madeira, tal como existe actualmente, é um atentado ao pluralismo e ao serviço público de televisão a que os cidadãos portugueses têm direito.

A pergunta está cheia de “verdades” e insinuações. É claro que pela televisão se mata e se ressuscita. Ela é espelho e produz sentidos. Daí o seu poder forte. Por vezes, invisível. Por isso, os poderes instalados tentam sempre apropriar-se da sua força. Tanto mais, quanto menor for efectivamente a sua verdadeira consciência democrática. Passar da informação à propaganda vai um passo. Quando assim acontece, deitam-se às malvas os preceitos genuínos da Democracia e da Deontologia. Mesmo sabendo-se que não há jornalismo quimicamente puro, nem quimicamente venal, é isso que acontece pelo mundo. Será por isso que se deve destruir a televisão? Madeirenses e açorianos têm direito a uma televisão de proximidade e a um serviço público de televisão, mesmo que existam eventuais abusos. A solução não será eliminar a RTP dos arquipélagos, mas criticar, denunciar, na perspectiva de que, o que demora mais a interiorizar numa democracia, é a consciência democrática. De todos. Isto é, que a liberdade de informação deve ser sempre mais forte que o interesse directo (de cada poder) no conteúdo informativo. Sem abusos, nem discriminações.

Não tenho, em teoria, nada a opor à existência de canais regionais dentro do serviço público – aliás, países com serviços públicos de referência, tais como Inglaterra, França ou Espanha, têm canais regionais. E confesso que há algo que me agrada na ideia desses sinais existirem, sem terem necessariamente reflexos nas audiências. Sejamos honestos, as audiências não devem ser a motivação primária de um serviço público e muito menos a de um serviço público regional. Mas isso não implica que não se deva fazer um esforço para adequar o que se programa ao público para quem se programa — e, se isso já é um dos grandes problemas da RTP “continental”— apenas posso imaginar que nas delegações madeirense e açoriana as coisas não sejam melhores. A pobreza actual do serviço público fazme temer o pior do estado actual da RTP Madeira e RTP Açores, e penso que repensar a estrutura da RTP tem de passar pelo repensar dos canais regionais, em moldes que preferencialmente respeitem a noção de “serviço público”. Coisa que, como sabemos, há pouco na RTP.

Não conheço a realidade da Madeira e dos Açores, assim tão bem, que me permita discutir as coisas em termos dos empregos dos filhos das elites – mas sei que as pessoas de Lisboa são muito críticas desses empregos quando não são em... Lisboa. Porque quando estamos a falar da capital, nem se discute que esses empregos existam, quanto mais discutir se são só para os filhos das elites ou para os filhos do povo. Como princípio, parece-me correcto que haja um servico público de TV e rádio nas Regiões Autónomas, como existe no Continente. É da tradição europeia (e não só) que se funda naquilo que é a necessidade do Estado ter uma presença local – todos os estudos mostram que a presença e a proximidade do Estado contribuem para o desenvolvimento das Regiões –, e porque as televisões e rádios privadas não fazem (podiam, mas não fazem) o mesmo tipo de serviço, o que é para mim, absolutamente essencial, mesmo sendo um liberal. Podia discorrer muito sobre isso mas não cabe aqui. Relembro só que o serviço público já é escasso em regiões com continuidade territorial, quanto mais quando há o mar pelo meio...

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ENTREVISTa

Filipe Santa Bárbara jornalista

A Ynvisible nasceu para “desenvolver outro tipo de soluções tecnológicas que fosse possível massificar para aplicações no mercado da publicidade, do packaging das embalagens e da imprensa”, diz Inês Henriques, 36 anos, ceo de uma empresa que resultou de um spin off da Ydreams

Inês Henriques, ceo da Ynvisible

Ramon de Melo

Tecnologia para as massas

Fibra | O que faz a Ynvisible? Inês Henriques | A Ynvisible desenvolve tecnologias de interactividade de baixo custo. Foi criada no seio da YDreams que é uma empresa que já todos conhecem, e que desenvolve também soluções de interactividade a nível de arquitectura, ponto de venda e publicidade. No entanto, são soluções normalmente costumizadas, de alta qualidade e também com alto custo e, portanto, a determinado nível, foi sentido dentro da 6

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empresa que era preciso desenvolver outro tipo de soluções, não com tantas capacidades, mas que fosse possível massificar para aplicações, como por exemplo, no mercado da publicidade, do packaging das embalagens, da imprensa. A Ynvisible começou a explorar tecnologias que são baseadas em ecrãs electrocrómicos impressos, ou seja, desenvolvemos umas tintas especiais que, ao contrário das tintas normais que dão uma determinada cor a uma super-

fície, têm outras funções. Ao aplicar essas tintas sobre determinados materiais, nós conseguimos desenvolver certo tipo de efeitos animados, dinâmicos e a baixo custo. Fibra | Os produtos são só a nível de impressão? IH | Estamos a focar-nos na impressão porque foi, a nível de industrialização, a técnica que indicou que pode levar a um custo muito baixo ao nível da aplicação final. Foi essa O novo agregador das comunicações


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a razão para nos focarmos nesse tipo de processos. Depois também temos outros processos paralelos, que são já empregues na indústria gráfica, de laminação ou selagem, que são também processos que já utilizamos, a par com a impressão das nossas tintas.

“A Ynvisible desenvolve tecnologias de interactividade de baixo custo”

Fibra | Neste momento, em termos práticos, o que é que já têm para oferecer ao mercado? IH | Estamos a finalizar o nosso esforço de industrialização, portanto, não temos ainda uma capacidade de produção ao nível dos milhões, que é onde queremos chegar daqui a algum tempo. Estamos a fazer esse estudo sistemático de optimizar os processos industriais que nos vão permitir chegar a esse nível de produção. Neste momento, nós temos um produto que já podemos produzir em pequena escala que são ecrãs electrocrómicos em plástico transparente. Temos ecrãs que são impressos e que permitem, por exemplo, converter uma imagem noutra, pô-la a piscar ou tornar algo que está invisível em visível através de uma interacção com o utilizador.

Fibras | Os capitais foram adquiridos numa dispersão em bolsa? IH | Não exactamente! Fizemos um private placement antes do listing em Frankfurt e foi aí que foram captados os capitais. Nós não fizemos um IPO standard, ou seja, a captação de investimento através de operação de IPO.

Fibra | A produção será subcontratada? IH | Exactamente. Estamos a desenvolver a tecnologia e temos como modelo de negócio o seu licenciamento a parceiros de produção e também de comercialização. Não vai ser a Ynvisible que vai criar uma fábrica para produzir o produto, vai ser a Ynvisible que vai vender a tecnologia. Fibra | Qual o papel da Ynvisible na Ydreams? IH | A iniciativa de investigação que depois deu origem à criação da Ynvisible teve início há cerca de quatro/cinco anos. Nesse âmbito, foram executados vários projectos de investigação através de uma parceria muito forte com grupos de investigação da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT-UNL). Essa parceria foi muito importante para fortalecermos a componente científica e o conhecimento científico de base que precisávamos para depois fazer todo o O novo agregador das comunicações

desenvolvimento daí para a frente. Através da execução desses projectos de investigação chegámos a um ponto em que, basicamente, concluímos que a tecnologia estava pronta para ser experimentada no mercado e ser industrializada. Nesse ponto, pensámos, que dadas as grandes diferenças que tínhamos a nível tecnológico, fazia sentido tornarmo-nos numa entidade independente. A outra razão foi que necessitámos de captar investimento para esta fase de industrialização. Uma terceira razão prende-se com o facto de, com uma equipa completamente autónoma, as prioridades estão muito bem estabelecidas, o foco está muito mais marcado e portanto é mais fácil atingir objectivos de uma forma mais eficiente, do que estando dentro de uma estrutura maior em que há vários projectos para responder.

“Estamos a finalizar o nosso esforço de industrialização, portanto, não temos ainda uma capacidade de produção ao nível dos milhões, que é onde queremos chegar daqui a algum tempo”

“A Ydreams mantém a maioria do capital neste momento (mais de 85 por cento). Depois, os mais importantes accionistas são a Semapa e o grupo CUF ao nível de accionistas institucionais”

Fibra | E hoje, quem são os vossos accionistas? IH | A Ydreams mantém a maioria do capital neste momento (mais de 85 por cento). Depois, os mais importantes accionistas são a Semapa e o grupo CUF ao nível de accionistas institucionais. Temos também uma panóplia enorme de pequenos accionistas como, por exemplo, um grupo de empresários de Santarém. Como a Ynvisible tem sede no Cartaxo, tivemos, desde o início, uma forte colaboração da parte da Câmara Municipal do Cartaxo e da NERSAN que é a associação empresarial do distrito de Santarém que nos ajudou na captação de investimento. Fibra | Porquê cotar a empresa em Frankfurt? IH | Por várias razões. A primeira é inserirmo-nos numa área tecnológica que se denomina printed electronics, uma área que está a ter um crescimento exponencial nos últi-

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ENTREVISTa

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mos anos. Basicamente, é uma área em que se explora todo o tipo de tecnologias para imprimir diferentes componentes de electrónica. Todo o tipo de componentes electrónicos que hoje conhecemos vão passar a ser impressos. Há uma panóplia de empresas a liderar este esforço de desenvolvimento. Na Europa, a Alemanha é o país que está a liderar este esforço e em que existe um ecossistema mais bem desenvolvido de empresas, parceiros e universidades a fazer investigação de desenvolvimento nesta área. Do ponto de vista tecnológico para nós fazia todo o sentido ter uma ligação à Alemanha, até porque temos, por exemplo, parceiros tecnológicos que são alemães. Por outro lado, no país existem segmentos de mercado na bolsa que não existem em Portugal. “Do ponto de vista tecnológico para nós fazia todo o sentido ter uma ligação à Alemanha, até porque temos, por exemplo, parceiros tecnológicos que são alemães”

Fibra | E como é que avalia a cotação das acções? IH | O preço das acções desceu mas, nas últimas semanas, tem estado mais estável. Este mercado, e este segmento em particular, é bastante volátil e qualquer informação que surja sobre a empresa tem um grande impacto a nível de preço da acção. Não estamos particularmente preocupados com a evolução do preço porque sabemos que facilmente, quando começarmos a ter resultados mais positivos, vamos ter um alto impacto na cotação e, por isso, estamos a fazer os possíveis para comunicar mais com o mercado, dar mais informação sobre aquilo que estamos a fazer, que parcerias estamos a estabelecer e em que ponto de desenvolvimento do produto nos encontramos. Vamos publicar muito em breve o prospecto da empresa que vai ser um documento essencial para dar mais informação aos investidores e ganharem, assim, mais confiança na empresa. A curto prazo também pensamos fazer um upgrade a nível do segmento de mercado em que nos encontramos. Fibra | Qual a ligação que a Ynvisible tem com a FCT-UNL? IH | Temos uma ligação muito próxima. Continuamos a trabalhar de uma forma muito colaborativa e com uma partilha muito próxima com o grupo

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de Fotoquímica do departamento de Química da FCT, que é liderado pelo professor Fernando Pina. Para nós, funciona quase como o braço de investigação fundamental e cujo know-how podemos utilizar para fazer transferência de tecnologia para produtos reais. Fibra | Acha que Portugal começa a ser encarado como um país de inovação tecnológica? IH | Acho que ainda existe uma certa desconfiança quando se ouve falar de tecnologia vinda de Portugal e isso, para as empresas portuguesas, acaba por ser um fardo pesado porque é como tivéssemos de ser ainda melhores do que as empresas de outros países para nos conseguirmos impor no mercado. No entanto, eu acho que são exemplos como este que podem começar a mudar essa imagem. Começa a haver abertura para, pelo menos, ouvir e aceitar que pode haver coisas boas vindas de Portugal, coisas inovadoras. Fibra | Têm alguns mercados prioritários? IH | Os mercados principais que nós temos considerado com maior potencial são de facto o mercado da publicidade, tanto a nível de ponto de venda como de publicidade outdoor ou indoor. O mercado da embalagem também. Podemos ter alguns tipos de efeitos nestas embalagens.

Por exemplo, um rótulo que está a piscar ou, agitando a embalagem, aparecer uma determinada imagem que não estava lá antes. E depois também ao nível da imprensa escrita, um mercado que está a sofrer muito com o domínio da web e que tem, pelo menos, a abertura para começar a implementar tecnologias diferentes nos produtos de papel. Fibra | E geograficamente, quais são então os mercados? IH | Geograficamente vamos começar por Portugal porque, para pequenos projectos, é um óptimo laboratório. No nosso país existe, normalmente, muita abertura para experimentar coisas novas e portanto, a esse nível, é um bom mercado. Claro que a Alemanha e o centro da Europa serão também mercados prioritários para nós, a par do Brasil. Fibra | A nível de valores, quais as estimativas para o futuro? IH | Esperamos este ano ter algumas vendas razoáveis mas, numa perspectiva da mais médio prazo, até 2014, dezenas de milhões. Nós esperamos crescer… Fibra | Para quando se prevê o lançamento do primeiro produto? IH | Há uma meta que é o segundo semestre deste ano, onde esperamos ter já os nossos projectos de pequena e média dimensão.

PERFIL

“Tenho um dinossauro” Com pais de Leiria É natural de Lisboa, fez a sua formação base em Engenharia do Ambiente, na FCT-UNL, de onde saiu com “muita avidez de aprender no meio empresarial”. Quando chegou às empresas, desiludiu-se e foi aí que Inês Henriques decidiu partir para os EUA onde, durante sete anos fez um mestrado, um doutoramento e um pós-doutoramento na VirginiaTech. Foi também nesse período que nasceu a sua primeira filha. Voltou a Portugal porque existiu o convite da Ydreams. Apesar de dar a cara por uma empresa tecnológica, não se considera “uma pessoa dada a tecnologias”. “Não tenho nenhum BlackBerry ou iPhone, tenho um dinossauro”, afirma referindo-se ao seu telemóvel. No pouco tempo livre que tem, gosta de passar tempo com as suas duas filhas e confessa-se apreciadora de cinema. Como seus favoritos, elege dois filmes bem distintos: Matrix e As Pontes de Madison County”.

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REDE 4G

A geração que está à porta

João Ribeiro/WHO

Já imaginou poder transportar consigo todos os seus serviços Meo Fibra ou Sapo Fibra num ambiente de mobilidade total? Em Portugal, esse dia está cada mais próximo e começará em breve a ser viabilizado pela introdução da tecnologia Long Term Evolution (4G/LTE), próxima grande evolução tecnológica na transformação das redes móveis

As comunicações fixas e móveis encontram-se num momento tecnológico de transição, o que é, em si mesmo, também um momento de transformação dos modelos de negócio tradicionais dos operadores. O triple-play, a cloud-computing e as redes convergentes que possibilitam comunicações de banda larga a alta velocidade são, hoje em dia, a base de uma mudança que, partindo das redes de comunicações, atingirá 10

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“A TMN foi o primeiro operador móvel em Portugal a efectuar uma demonstração pública ao vivo de tecnologia LTE e do que as redes de 4.ª geração poderão vir a possibilitar”

e continuará a transformar a forma como trabalhamos, vivemos e comunicamos. Neste contexto, já imaginou poder transportar consigo todos os seus serviços Meo Fibra ou Sapo Fibra num ambiente de mobilidade total? Em Portugal, esse dia está cada vez mais próximo e começará em breve a ser viabilizado pela introdução da tecnologia Long Term Evolution (4G/ LTE), próxima grande evolução tec-

nológica na transformação das redes móveis, naquela que será a 4.ª geração móvel. Em alguns (poucos) países os primeiros passos e as primeiras ofertas comerciais são já uma realidade, embora com as normais limitações decorrentes de estarmos perante a fase de arranque de uma tecnologia emergente, em particular, no que respeita à componente dos equipamentos terminais. Em Portugal tudo O novo agregador das comunicações


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se conjuga para que até finais 2011, inícios de 2012, possa haver condições idênticas, uma vez que em breve será lançado pela ANACOM o processo de atribuição de espectro radioeléctrico que viabilizará a colocação em exploração da tecnologia LTE. Mas na prática, o que trará efectivamente de melhor e de benefícios a 4.ª geração? Em termos efectivos, as vantagens e benefícios do 4G/ LTE situam-se a quatro níveis: • Possibilidade de maiores velocidades para os utilizadores finais, sendo que, no caso das redes móveis, maior velocidade também significa maior capacidade de escoamento de tráfego e maior capacidade de permitir mais utilizadores simultâneos com qualidade de serviço; • Menor latência na rede; • Uma maior eficiência espectral, ou seja uma maior quantidade de bits transportados por hertz de espectro utilizado; • Uma arquitectura totalmente IP, beneficiando uma maior integração e convergência com as redes fixas. Com a 4G/LTE será possível uma utilização, em ambiente de completa mobilidade, de todas as potencialidades da internet a velocidades muito elevadas (100 a 150 Mbps na 1.ª fase e evolução para 300 Mbps a médio prazo) sendo assim possível aos utilizadores usufruir de maiores débitos de transferência de dados, assim como uma maior eficiência e performance no acesso a serviços de banda larga móvel no dia-a-dia. No entanto, quando comparada com as redes 3G/UMTS, a adopção do 4G/LTE não se traduz apenas em maiores velocidades na rede, mas reflecte-se igualmente numa reduzida latência e numa melhor eficiência de utilização do espectro radioeléctrico. Os ganhos de latência irão permitir melhorias significativas no tempo de resposta em tempo real e em plena mobilidade, característica essencial para serviços com forte componente de interactividade como, por exemplo, jogos online. A 4.ª geração móvel vai ainda contribuir para a evolução da convergênO novo agregador das comunicações

“Com a 4G/LTE será possível uma utilização, em ambiente de completa mobilidade, de todas as potencialidades da internet a velocidades muito elevadas (100 a 150 Mbps na 1.ª fase e evolução para 300 Mbps a médio prazo)”

“A 4.ª geração móvel vai ainda contribuir para a evolução da convergência permitindo no futuro aos clientes das redes móveis aceder a uma experiência de utilização diferenciadora e de qualidade”

cia permitindo no futuro aos clientes das redes móveis aceder a uma experiência de utilização diferenciadora e de qualidade, em tudo semelhante à experiência a que actualmente têm acesso nas redes fixas com a fibra óptica. Poderemos por isso arriscar dizendo que o 4G/LTE será como que a “fibra óptica wireless” que nos irá possibilitar o acesso a uma banda “ultra-larga” móvel. No entanto, afigura-se ainda cedo para poder antecipar todos os novos serviços e as novas aplicações que irão ser potenciados pelas características técnicas das redes móveis de 4.ª geração. No momento actual de implementação, e porque ainda há um foco muito acentuado na componente de velocidade dos serviços já em exploração nas redes 3G/UMTS, o que se pode dizer e antecipar é que os utilizadores, desde logo, podem esperar vir a beneficiar de maiores velocidades de acesso, semelhantes às que hoje podem ter nas redes fixas. Mas a curto e médio prazo, e tal como aconteceu nas redes fixas com o aparecimento das redes de alta velocidade baseadas em fibra óptica, novos serviços e novos modelos de negócio serão lançados pelos operadores de redes móveis. A TMN está já a trabalhar e a avaliar a tecnologia LTE, antecipando, e tendo em consideração, o processo de atribuição de espectro radioeléctrico que em breve o regulador português (ANACOM) iniciará. Neste domínio, a TMN foi o primeiro operador móvel em Portugal a efectuar uma demonstração pública, ao vivo, da tecnologia LTE e do que as redes de 4.ª geração poderão vir a possibilitar. Em Março e Abril de 2010, a TMN demonstrou o acesso a serviços em mobilidade, até à data só possíveis através da fibra óptica ou ADSL, tais como difusão de televisão em alta definição, vigilância médica remota online, salas de aula virtuais, jogos online com baixa latência, entre outros. Tendo-se feito, pela primeira vez no mundo, a cobertura televisiva ao vivo (sem recurso a transmissão via satélite), de um evento através de uma rede e câmara de vídeo LTE. No entanto, importa referir que é entendimento generalizado que as

Luís Alveirinho director de Planeamento e Implementação de Redes ds TMN

redes móveis de 4.ª geração não se afiguram poder vir a ser alternativas face às redes fixas mas sim complementares a estas, aumentando deste modo a cobertura de acesso à internet em zonas de menor densidade populacional com factores de custo mais vantajosos. A 4.ª geração móvel (4G/LTE) terá também deste modo um papel dinamizador da infoinclusão, acesso alargado de pessoas e comunidades a novas tecnologias, e será também um contribuinte decisivo para maiores níveis de sustentabilidade, quer ao nível dos consumos dos equipamentos (mais pequenos e menos consumidores de energia), quer ao nível dos serviços que vai potenciar (computação remota, ensino à distância, teletrabalho, diagnóstico remoto). A TMN tem apostado continuamente em novas soluções e tecnologias e, no seguimento do sucesso das suas ofertas de banda larga móvel, está igualmente comprometida com a implementação de uma rede de 4.ª geração suportada em tecnologia LTE. As redes móveis têm desempenhado um papel determinante na adopção de novas tecnologias, na penetração da banda larga e no uso de internet em Portugal, sendo que o investimento neste segmento, por parte da TMN, permitiu que Portugal esteja hoje entre os países europeus com maior taxa de penetração de banda larga móvel. A 4.ª geração está à porta, e a TMN preparada, e na primeira linha, para a fazer chegar aos seus clientes. Abril de 2011

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CaBO

Admirável mundo iris A iris é o primeiro produto de televisão cujo user interface foi desenhado de raiz para dar resposta aos desafios de um mundo mais exigente, onde o consumo de conteúdos de TV é cada vez mais uma experiência personalizada. Mas a iris é mais do que um interface. É uma nova oferta comercial com pacotes personalizáveis. É uma nova box, mais pequena e económica Inovadora, intuitiva, personalizável, multiplataforma, sofisticada e simples. Única. Eis a nova iris by ZON Fibra. A nova oferta iris resulta de uma aposta estratégica da ZON na modernização e sofisticação do mercado de TV em Portugal, tendo como objectivo revolucionar a experiência televisiva e exceder as expectativas dos clientes, reforçando a liderança da ZON no mercado de televisão. O que é a iris? A iris é o primeiro produto de televisão cujo user interface foi desenhado de raiz para dar resposta aos desafios de um mundo mais exigente, onde o consumo de conteúdos de TV é cada vez mais uma experiência personalizada. Mas a iris é mais do que um interface. É uma nova oferta comercial com pacotes personalizáveis. É uma nova box, mais pequena e económica. É um novo comando, com menos teclas e um design arrojado. De entre as várias características destacamos: • Design inovador: Os menus e opções de TV são apresentados de forma simples e com um design viciante e inovador (galardoado com o prestigiado prémio Janus Award 2010 do Institut Français du Design). O modelo foi concebido para ser utilizado em ecrã de televisão, PC, tablet ou smartphone. Ou seja o acesso pode ser feito onde e quando o cliente quiser. • Navegação intuitiva: Toda a família consegue usar facilmente a iris, acedendo a todas as funcionalidades com apenas nove teclas do novo e inova12

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“Toda a família consegue usar facilmente a iris, acedendo a todas as funcionalidades com apenas nove teclas do novo e inovador comando. A utilização de imagens específicas facilita a percepção e o acesso a toda a oferta de conteúdos disponível”

“A iris terá uma aposta forte no segmento das aplicações interactivas como o acesso às capas de jornais, Facebook e YouTube. As próprias aplicações também podem ser personalizadas (previsão do tempo ou farmácias de serviço para a zona onde o cliente se encontra)”

dor comando. A utilização de imagens específicas facilita a percepção e o acesso a toda a oferta de conteúdos disponível. O foco da interacção dos utilizadores com a TV está sempre centrado no programa em exibição (o acesso a todos os menus faz-se sem perder a imagem). • Experiência personalizada: Toda a experiência televisiva do cliente é adaptada às suas preferências. O cliente pode efectuar trocas mensais entre os serviços adicionais (tais como subscrições videoclube, canais Premium e packs de canais com temáticas diferentes) sem qualquer alteração na factura (desde que o valor dos serviços trocados seja o mesmo). • Interactividade: A iris terá uma aposta forte no segmento das aplicações interactivas como o acesso às capas de jornais, Facebook e YouTube. As próprias aplicações também podem ser personalizadas (previsão do tempo ou farmácias de serviço para a zona onde o cliente se encontra). • Novas funcionalidades: Gestão de gravações avançada: o cliente tem a possibilidade de agendar a gravação de séries por episódio, por temporada ou na totalidade. Permite ainda reagendar e proteger as gravações e, em caso de conflito, a iris apresenta soluções. Pesquisa cruzada e inteligente: o sistema recomenda resultados após os três primeiros caracteres e permite efectuar pesquisas combinadas (por exemplo:

Nuno Sanches director de Produto TV da ZON

“Filmes esta noite” e “Desporto Agora”). • Os melhores conteúdos: Mais canais em HD e 3D, novos conteúdos de música, séries e filmes em alta definição, mais de 5 mil títulos no ZON Videoclube, pacotes de subscrição mensal com acesso ilimitado a conteúdos e ainda o “Deu na TV”. O cliente pode ainda classificar com um “Gosto” os conteúdos do Videoclube. A iris by Zon Fibra está disponível para todos os clientes da rede Cabo (cobertura de 97 por cento) através da melhor oferta Triple Play do mercado (incluí a internet mais rápida e mais fiável, sem que a qualidade do serviço de televisão seja afectada, e um pacote de Voz, com chamadas ilimitadas nacionais e para 50 países internacionais). O lançamento do sistema iris vem assim reforçar a aposta da ZON em dinamizar, com novas e melhores ofertas, a sua liderança no mercado, mantendo sempre o foco na satisfação dos seus clientes. O novo agregador das comunicações


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Como é trabalhar em...

Um edifício cheio de luz natural, com vista para o mar, é a plataforma nacional da Cisco onde, directa e indirectamente, trabalham 230 pessoas. A multiculturalidade é a palavra-chave nesta empresa onde a cultura de empowerment dita a sua filosofia

Espírito multicultural São detentores do prémio Great Place to Work 2011 em Portugal, têm vista para o mar e reúnem no seu edifício, no Lagoas Park, 24 nacionalidades e 25 idiomas. Bem-vindos à Cisco Systems Portugal. Considerada uma empresa de “ponta” na área das tecnologias, conta no nosso país com cerca de 230 colaboradores. Ao visitar as instalações desta multinacional, saltam à vista as inúmeras nacionalidades “visíveis” pelas decorações que os funcionários têm nas work desks e que passam por bandeirinhas a cachecóis dos respectivos países. Carlos Brazão, managing director em Portugal, confirma que a multiculturalidade é um dos aspectos mais relevantes da cultura Cisco e refere que “depois de cá estarem, é raro o caso de retorno”. A informalidade ocorre a todos os níveis. O trato das pessoas é, normalmente, por tu, a não ser que alguém se importe. O dress code, por defeito, é business casual mas, no entanto, à sexta-feira é tradição o estilo ser totalmente informal. Na Cisco, a cultura de empowerment é levada à letra, “as pessoas gerem as suas horas, o seu trabalho e os seus objectivos. Controlar consome tempo”, acrescenta Carlos Brazão. A mobilidade é também uma das características da empresa onde “todas as pessoas são móveis e podem trabalhar a partir de qualquer lugar”. No que diz respeito ao prémio recentemente atribuído, o managing director diz que “a remuneração e os benefícios são uma parte importante da história, mas não tornam uma empresa detentora do Great Place to Work”. No seu ponto de vista, o “ambiente especial, e brutalmente internacional, fazem com que a Cisco proporcione experiências únicas. A Cisco é sempre uma referência, é uma empresa que marca!”. E porque a satisfação dos empregados é uma das principais preocupações da empresa, a Cisco promove anualmente, para além da aferição anual interna da satisfação dos colaboradores, entre outras iniciativas, o evento Skip the Level onde Carlos Brazão almoça com grupos diferentes de colaboradores, de forma a ouvilos e melhorar a comunicação dentro da empresa, sendo ele quem começa por abordar as questões mais sensíveis. A formação é também uma preocupação da companhia. 14

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Uma mensagem de boas-vindas para quem entra na Cisco

O auditório da empresa

A zona lounge pode ser também utilizada para trabalhar

O novo agregador das comunicações


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A sala de telepresença é utilizada para poder ir a reuniões sem sair do Lagoas Park

Carlos Brazão, o managing director da Cisco Systems Portugal

Tony Spodnajk e Ana Santos a descontrair com a Wii

David Danielsen e Catarina De Coster

As zonas de trabalho têm o nome de figuras que vão desde o escritor Goethe ao boneco Pato Donald O novo agregador das comunicações

Nádia Jamal, Sónia Pinto, Luís Coelho e Bruno Zeidan numa reunião informal no e-cafe

A Cisco Systems Portugal

A plataforma portuguesa da multinacional no Lagoas Park

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TEnDÊncia

Seguros nos telemóveis As soluções móveis para seguros têm como objectivo disponibilizar serviços nos telemóveis mas também atrair novos clientes que prefiram o uso self-service, e paralelamente modernizar as ferramentas, de modo a ultrapassar barreiras de data, hora e local. Porque não estender a duração da minha apólice de seguro de viagem, se ficar retido nalgum país? Rui Barbosa

Telefonamos, enviamos mensagens, consultamos a internet e participamos nas redes sociais através do telemóvel, mas o ideal seria facilitar o dia-a-dia através de soluções rápidas e seguras, acedendo ao serviço que necessitamos, a qualquer hora e em qualquer lugar no nosso telemóvel, dando maior relevo ao conceito de empowering anywhere, permitindo o acesso fácil e imediato, com troca de dados de forma segura e controlada, protegendo a informação privada ou sensível. Um exemplo prático aplicado à área dos seguros consiste no preenchimento da declaração amigável, em caso de acidente automóvel, a partir do telemóvel ou dos novos tablets. Recolhemos os dados do sinistro, fotografamos o local do acidente e enviamos fotografias e documentos já preenchidos para a seguradora, tiramos as coordenadas GPS do local e consultamos as condições da apólice para aceder a informação imediata sobre os prestadores de cuidados de saúde ou de serviços de desempanagem ou de reboque mais próximos ou mais adequados à situação. Esta é a grande tendência do sector segurador, apostar no mobile insurance e na comunicação via smartphones. Refiro-me a múltiplas plataformas de utilizadores exigentes, que procuram serviços eficientes que facilitam a vida. A apetência do mercado pelos smartphones tem vindo a crescer devido às maiores velocidades na transmissão de dados, à miniaturização e ao sentido intuitivo do hardware, às funcionalidades e à variedade de aplicações criadas 16

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“Esta é a grande tendência do sector segurador, apostar no mobile insurance e na comunicação via smartphones. Refiro-me a múltiplas plataformas de utilizadores exigentes, que procuram serviços eficientes que facilitam a vida”

40%

das vendas será online ou cross-channel e, em 2015, cerca de 119 mil milhões de dólares do valor dos bens e serviços será comprado através de telemóveis

especificamente para esta plataforma. Por este conjunto de factores, prevê-se que o número de smartphones venha a aumentar quatro vezes mais do que o número de computadores portáteis, e que o número de aplicações móveis continue a crescer aproximadamente 30 por cento ao ano. Cerca de 60 por cento de nós somos já considerados “móveis”, e mil milhões têm smartphones. São as tecnologias adaptadas às novas formas de comunicar! As soluções móveis para seguros têm como objectivo disponibilizar serviços nos telemóveis mas também atrair novos clientes que prefiram o uso self-service, e paralelamente modernizar as ferramentas, de modo a ultrapassar barreiras de data, hora e local. Porque não estender a duração da minha apólice de seguro de viagem, se ficar retido nalgum país ou resolver aproveitar mais uns dias de aventura, e dando ordem para pagamento via transferência bancária, sem ter de esperar pelo horário de expediente do call-center da seguradora? E obter informação imediata sobre como agir ou quem contactar em caso de necessidade ou doença durante essa viagem? Ao construirmos programas de mobilidade para instalação inhouse ou em serviços de hosting em cloud computing, desenvolvemos soluções móveis no ramo dos seguros e reduzimos custos, aumentamos a produtividade e promovemos o crescimento do negócio. Estudos recentes mostram que em breve 40 por cento das vendas serão online ou cross-channel

manager da CSC

e que em 2015 cerca de 119 mil milhões de dólares do valor dos bens e serviços será comprado através de telemóveis. O desafio para as companhias de seguros passa por estrategicamente definir o modo como abordar este canal emergente, como satisfazer as exigências dos utilizadores alvo, com expectativas elevadas relativamente a cada nova aplicação e como responder aos requisitos técnicos. A mobilidade significa também mais-valia para as empresas e tarefas dos colaboradores, impondo-se como uma das principais exigências das novas sociedades, que querem menos burocracia, mais agilidade, e menos perdas de tempo. Se um utilizador puder executar uma tarefa em poucos minutos através do telemóvel ou tablet, não vai perder horas deslocando-se a determinado local para a poder realizar. O consumidor do século XXI procura comodidade e facilidade de acesso, interacção e flexibilidade, e são estas as premissas do novo paradigma que o mercado tecnológico está a criar, que assenta no canal mobile e na oferta para o sector segurador, ganhando vantagem competitiva no ramo. No futuro, o mercado vai ter que evoluir com a mudança e acompanhar a vontade do consumidor. O novo agregador das comunicações


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TDT

Nada de novo a Ocidente O incentivo para ligar à TDT é ténue. Maior quantidade de canais, ou canais em alta definição têm sido o “rebuçado” que os governos têm utilizado para, de certo modo, compensar os consumidores pelos inconvenientes. Portugal será excepção A adopção de Televisão Digital Terrestre (TDT) tem sido apresentada como uma inovação da mesma ordem que a adopção da televisão a cores em 1980. Trata-se de um exagero e não é comparável. O fim das emissões a preto e branco representou rupturas a vários níveis. A televisão a preto e branco transmitia uma visão distorcida da realidade – que é a cores. A televisão a cores introduziu uma nova experiência, mais gratificante e imersiva, de ver televisão. Muito mais pessoas passaram a ver televisão. A digitalização das emissões da televisão não representa uma ruptura nem uma nova experiência. Se tudo correr bem, será igual ou quase à televisão analógica a cores. Outro nível foi de ordem psicossocial. A televisão a cores foi a primeira manifestação tecnológica de massas a ocorrer depois do 25 de Abril. O preto e branco evocava a era do cinema mudo. Era também uma herança da ditadura, um recordatório de tantas memórias tristes, negras como África e como a cor do luto. A televisão a cores transportava consigo as ideias de progresso, alegria, transformação, de um Portugal mais optimista. A televisão digital nem sequer é uma novidade em Portugal. Existe desde que, em 1998, a TV Cabo iniciou as emissões por satélite e, em 2003, quando a ZON iniciou a migração da sua distribuição para a norma digital. A televisão digital terrestre tem algumas vantagens para alguns consumidores. Nas zonas onde a imagem de TV analógica é de má qualidade, com ruído, “fantasma” ou canais misturados, a transmissão digital é uma grande 18

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“A televisão digital nem sequer é uma novidade em Portugal. Existe desde que em, 1998, a TV Cabo iniciou as emissões por satélite e, em 2003, quando a ZON iniciou a migração da sua distribuição para a norma digital”

“Em resumo, para quem tem sinal de TV analógico óptimo, não há vantagem quanto à imagem, mas há quanto ao som. Para quem não tem boa imagem analógica, é muito vantajoso. Em qualquer dos casos, é preciso investir em tecnologia de recepção”

vantagem. A TV digital não tem “fantasma”, nem há degradação progressiva da imagem em resultado de interferências de outros canais de TV ou de telecomunicações em geral. Também a qualidade do som é melhor. Mas, para os consumidores onde a imagem de TV analógica é de boa qualidade não haverá diferença quanto à imagem, e poderá eventualmente haver mesmo uma perceptível diminuição de qualidade em alguns programas em resultado de eventual excessiva compressão digital. Há desvantagens para os consumidores, cujas antenas e cabos sejam de má qualidade. Terão de comprar esses equipamentos e, eventualmente, terão de reorientar a antena para um novo emissor colocado em posição diferente da do antigo emissor analógico. A compra de uma caixa conversora do sinal digital para a analógico de modo a que se possa continuar a ver TV no antigo televisor analógico é outra desvantagem. Em alternativa, terá de se comprar um novo televisor já equipado com recepção digital. Em resumo, para quem tem sinal de TV analógico óptimo, não há vantagem quanto à imagem, mas há quanto ao som. Para quem não tem boa imagem analógica, é muito vantajoso. Em qualquer dos casos, é preciso investir em tecnologia de recepção. A tardia actual campanha de publicidade procura convencer os 900 mil lares que ainda não são subscritores de um operador de pay TV com uma mensagem desesperante: quer continuar a ver os quatro canais? Só pode se comprar uma caixa ou um televisor novo.

Nuno Cintra Torres management consultant da Zon Multimédia

Mas, claro, há outro processo para continuar a ver os quatro de que o anúncio não fala, eventualmente mais vantajoso para quem pode: subscreva um operador de pay TV e tenha também acesso a uma completa oferta de produtos e serviços de entretenimento e telecomunicações. O incentivo para ligar à TDT é ténue. Maior quantidade de canais, ou canais em alta definição, têm sido o “rebuçado” que os governos têm utilizado para, de certo modo, compensar os consumidores pelos inconvenientes. Portugal será excepção. O apagão analógico não dará lugar a maior quantidade de canais nem a canais em alta definição. A verdade é que se trata de uma mera conversão tecnológica do que já existe. O novo agregador das comunicações


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tElEmóvEis

Internet of things A Optimus quer liderar este movimento de acelerado crescimento no sector das comunicações e, reconhecendo as suas características particulares, lançou recentemente uma nova marca para endereçar este mercado – a Optimus Connect Com a evolução tecnológica da internet e a capacidade de processamento e comunicação nativa das máquinas, está criado um conjunto de condições críticas para o despoletar (que muitos acreditam já se ter iniciado) de uma nova era de integração da tecnologia na vida das pessoas e das empresas – a Internet of Things. Não estará muito longe, o dia em que os nossos electrodomésticos terão capacidade de comunicar entre si e “combinar” qual a melhor hora para cada um se ligar, de forma a fazermos uma utilização mais eficiente da energia, ou em que os equipamentos de uma empresa serão capazes de efectuar automaticamente encomendas numa plataforma para o fornecimento just-in-time dos consumíveis que necessitam. Em nossa casa será possível que o frigorífico faça encomendas criteriosas num determinado supermercado online sempre que detectar a falta de algum produto seleccionado, e nos nossos carros será possível ter um conjunto alargado de serviços telemáticos, que muito ajudarão ao nosso dia-a-dia e trarão à ribalta novos modelos de negócio para empresas que se posicionarem na prestação dessas ofertas. São estes alguns dos muitos exemplos da interacção entre máquinas e entre as máquinas e as pessoas, que a introdução de conectividade nos equipamentos e a sua sensorização irá permitir. Acontecerá, assim, a verdadeira e completa globalização das comunicações, não apenas entre pessoas (que já existe) mas também entre máquinas. A tecnologia já está disponível hoje e a sua massificação é apenas uma 20

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50 biliões

de máquinas estarão ligadas em rede em 2020, prevêem diversas empresas de research internacionais. A grande maioria estará ligada através de comunicações móveis dada a sua extrema aplicabilidade e competitividade

“Soluções de track&trace de bens e pessoas, de “eficiência energética” em edifícios, de gestão de obra e assiduidade, e de vigilância e monitorização remota são outras das soluções já disponibilizadas pela Optimus Connect”

questão de tempo, sendo já possível assistir a alguns exemplos deste efeito quando efectuamos a gestão remota de equipamentos com sensores e módulos de comunicação incorporados, desde a simples domótica à gestão de produção e fornecimento de recursos essenciais (energia, água, por exemplo). As comunicações móveis são, naturalmente, a tecnologia de telecomunicações de eleição para este tipo de soluções devido, sobretudo, à sua fiabilidade, flexibilidade, escala industrial, mobilidade e rapidez de implementação. Diversas empresas de research internacionais prevêem que, em 2020, estarão ligadas em rede cerca de 50 biliões de máquinas, e a grande maioria estará ligada através de comunicações móveis dada a sua extrema aplicabilidade e competitividade. A Optimus quer liderar este movimento de acelerado crescimento no sector das comunicações e, reconhecendo as suas características particulares, lançou recentemente uma nova marca para endereçar este mercado – a Optimus Connect. Com este lançamento, foi também disponibilizada ao mercado uma nova oferta com soluções de conectividade machine-to-machine (M2M). Muitas das soluções apresentadas são novidade no mercado português e mesmo em mercados internacionais, e por isso com uma adesão em forte crescimento. De referir alguns dos produtos já disponíveis, como o cartão SIM reinforced — um cartão semelhante aos normais, mas desenvolvido com processos e materiais mais

Carlos Lourenço director da Unidade de Negócio Optimus Connect

robustos, que permitem um tempo médio de vida muito superior e em condições mais adversas. Este prolongamento do tempo de vida do cartão é algo muito relevante em diversas soluções M2M, onde o custo operacional de intervenções se pretende manter muito baixo. Outro bom exemplo, aplicável na gestão dos Resíduos Sólidos Urbanos (RSU), são as soluções de monitorização remota dos níveis de enchimento dos depósitos e da gestão optimizada das rotas de recolha e transporte, onde se consegue minimizar os custos da operação e melhorar o nível de serviço prestado à comunidade. Soluções de track&trace de bens e pessoas, de “eficiência energética” em edifícios, de gestão de obra e assiduidade, de vigilância e monitorização remota, de teleassistência de cuidados de saúde, são outras das soluções já disponibilizadas pela Optimus Connect, desenvolvidas em parceria com empresas reputadas em cada um desses sectores de actividade. São, assim, vários os exemplos de funcionalidades e serviços ainda pouco conhecidos no mercado, mas acreditamos que rapidamente começarão a ser introduzidos nas muitas aplicações que surgirão. O novo agregador das comunicações


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Diário de um telemóvel Depois de resistir a uma pancada seca e enquanto o Pedro está no duche, aproveito uns momentos de descanso para me preparar para a azáfama habitual do dia-a-dia. Azáfama sim… O tempo folgado em que os telemóveis só existiam para fazer chamadas acabou há muito De manhã, bem cedo, acordo ao som da última música que “saquei” do Portal Móvel Vodafone e que está definida para o meu alarme. Depois de resistir a uma pancada seca e enquanto o Pedro está no duche, aproveito uns momentos de descanso para me preparar para a azáfama habitual do dia-a-dia. Azáfama sim... O tempo folgado em que os telemóveis só existiam para fazer chamadas acabou há muito. Enquanto os vídeos do trânsito em directo ocupam o meu espaço de memória e mostram ao Pedro uma enorme fila de carros que o começa a inquietar, lá me leva direitinho aos emails que não param de chegar, não vá aparecer alguma tarefa ou pedido urgente que não possa esperar pela nossa chegada ao escritório. Entretanto, entro no Vodafone Messenger e envio um smiley acompanhado de um “Bom dia amor, amanhã n vou acordar 100 ti ao lado, pois n?”. São estes momentos que animam verdadeiramente o meu dia J. Durante o caminho, com a ajuda do meu parceiro kit mãos-livres, sou requisitado para devolver as chamadas perdidas à Maria que queria marcar um almoço, e ao Luís que amanhã quer ir jogar ténis. E se o trânsito piorar e acabarmos por parar, o Pedro e eu aproveitamos o tempo (um bem cada vez mais precioso) para pagar a conta da água, utilizando a aplicação MB Phone, disponível para download na loja de Apps da Vodafone. Finalmente chegamos ao escritório. Depois de entrarmos na reunião, que o chefe teima em marcar para as nove da madrugada (sem lugar a tolerâncias), entro no Portal Móvel para que o Pedro possa passar os olhos pelas últimas notícias e… como é possível? Ele esqueceu-se do jogo de logo à noite! Oh, não! Este, ele O novo agregador das comunicações

“À medida que os “bláblá-blás” do chefe continuam, já estou a criar um post no Facebook para dar os parabéns àquela amiga do Pedro que passava o tempo a refilar porque ele nunca se lembrava do aniversário dela. Este ano fizemos óptima figura!”

“Que dia! O Pedro ficou retido a terminar o relatório para o chefe e eu a mostrar-lhe o início da segunda parte do jogo, em directo no Vodafone Mobile TV”

não vai mesmo poder perder, mas, espera... Eu vou passar esse jogo em directo no Vodafone Mobile TV, por isso o Pedro ainda pode ir ao cinema, tal como lhe tinha prometido, com o smiley no Messenger. Só tenho que o ajudar a consultar o canal de cinema do Portal Móvel e a encontrar a melhor sala com uma sessão num horário compatível. - “Sim, sim, chefe… desculpe, pode repetir? Estava aqui a ver um email muito importante...” – diz o Pedro. E, à medida que os “blá-blá-blás” do chefe continuam, já estou a criar um post no Facebook para dar os parabéns àquela amiga do Pedro que passava o tempo a refilar porque ele nunca se lembrava do aniversário dela. Este ano fizemos óptima figura! O alerta SMS de aniversários do Vodafone All Posts evitou-lhe o embaraço de mais uma desculpa. Após uma produtiva reunião com o chefe, o Pedro visita um potencial cliente para uma apresentação, seguida de um almoço de trabalho. Só foi pena a chuva que teimava em cair (bem que o alerta de tempo da Vodafone o tinha avisado) porque o negócio, esse, parecia estar no bom caminho. Depois de uma série de contratempos resolvidos à tarde, a volta ao escritório fica para depois do previsto e a ida ao cinema tem que ser adiada. Lá tem o Pedro que puxar pela cabeça! Graças aos RingDings da Vodafone e, com a minha ajuda, ele consegue por em prática uma ideia brilhante: seleccionamos aquela música especial que tocava quando os dois se conheceram e, quando ela lhe ligar, vai ficar com um enorme smiley na cara! E até pode não estar tudo perdido, se o Pedro se lembrar de lhe propor um filme no videoclube online da Vodafone, em vez da ida ao cinema, acompanhado por uma

Henrique Fonseca responsável pelos serviços de internet da Vodafone em Portugal

deliciosa sobremesa “Morangos e Champanhe” sugerida pelo alerta SMS “Dicas Escaldantes”. Que dia! O Pedro ficou retido a terminar o relatório para o chefe, e eu a mostrar-lhe o início da segunda parte do jogo, em directo no Vodafone Mobile TV. Mas, depois disto tudo, as coisas só podiam melhorar, o marcador ainda estava 0-0 e parece que ela ficou de escolher o filme que os dois iam ver lá a casa. Já o Pedro tinha estacionado o carro quando, aos 85 minutos de jogo, lhe mostro orgulhosamente o primeiro golo no Mobile TV: “goooooooooolo”! O Pedro entra delirante em casa depois do golaço que deu a vitória ao seu clube do coração! E a noite promete: o smiley dela mantinha-se e sugeria que iam directos para a sobremesa… Finalmente, o dia de um telemóvel Vodafone chegou ao fim e a um merecido momento de descanso. Se bem que descanso, para mim, significa recarregar a bateria enquanto recebo os alertas com o resumo do jogo, o convite para a festa de aniversário da amiga que este ano não teve motivo para refilar, uns quantos emails e, só neste bocadinho, já encaminhei cinco chamadas para o voicemail... sim, porque a avaliar pelo filme que entretanto começou no sofá, o Pedro hoje não vai dar atenção a mais nada. Abril de 2011

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mEstRaDo

A importância do Thicket Neste trabalho é proposto o Thicket, um algoritmo para construir e manter múltiplas árvores de forma descentralizada numa rede sobreposta. Este algoritmo aborda uma região pouco explorada do espaço de soluções Os mecanismos que permitem a distribuição de informação de forma fiável e eficiente, para um conjunto considerável de participantes, são extremamente úteis para um grande número de aplicações, desde sistemas de controlo e monitorização, até transmissão de vídeo ao vivo e serviços de Televisão sobre IP (IPTV). A abordagem entre-pares é capaz de contornar as dificuldades encontradas na instalação da infra-estrutura de suporte ao IP-Multicast na internet. O principal problema que afecta este tipo de sistemas é o desbalanceamento na contribuição de cada nó na distribuição de conteúdos. Utilizando uma árvore de disseminação é possível distribuir a carga de reencaminhamento pelos nós interiores, porém, os nós “folha” apenas recebem dados, não contribuindo para a disseminação. Note que existe uma fracção substancial de nós “folha” numa rede deste tipo. Esta dissertação propõe uma solução que utiliza uma abordagem baseada na construção de múltiplas árvores de disseminação sobre uma rede entre-pares não estruturada, promovendo a utilização eficiente dos recursos disponíveis e evitando redundância desnecessária que advém da utilização de inundação ou de difusão epidémica. Porém, a utilização de uma árvore impõe uma carga muito superior aos nós “interiores” do que aos nós “folha”. Para além disso, a falha de um nó interior provoca quebras na árvore afectando a fiabilidade da disseminação. Uma forma de contornar estes problemas consiste em utilizar múltiplas árvores nas quais cada nó é interior, em apenas uma ou 22

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“O protocolo utiliza uma técnica baseada em difusão epidémica para construir “T” árvores divergentes, de forma que, a maioria dos nós seja interior em apenas uma árvore, e folha nas restantes”

“O Thicket é um algoritmo totalmente descentralizado para a construção e manutenção de múltiplas árvores”

num número reduzido de árvores, e folha nas restantes. As múltiplas árvores permitem a distribuição da carga do sistema por todos os nós e, também, o envio de dados redundantes por diferentes árvores, de forma a tolerar falhas de nós ou ligações. Neste trabalho é proposto o Thicket, um algoritmo para construir e manter múltiplas árvores de forma descentralizada numa rede sobreposta. Este algoritmo aborda uma região pouco explorada do espaço de soluções. As redes não estruturadas são mais flexíveis e acomodam mudanças na configuração do sistema mais facilmente do que as redes estruturadas, como é o caso das Tabelas de Dispersão Distribuídas (Distributed Hash Tables, DHT), pois não impõem uma topologia específica na rede. O protocolo utiliza uma técnica baseada em difusão epidémica para construir “T” árvores divergentes, de forma que a maioria dos nós seja interior em apenas uma árvore, e folha nas restantes. As restantes ligações da rede sobreposta são usadas para: assegurar a cobertura das árvores sobre todos os nós; detectar e recuperar situações de falha de nós onde ocorrem partições de uma ou mais árvores; assegurar que a altura das árvores se mantém num valor baixo, mesmo na presença de falhas; e, finalmente, limitar a carga imposta pelo reencaminhamento de mensagens a cada participante. O modo de operação do protocolo permite que as árvores de disseminação criadas se adaptem a alterações no desempenho ou estrutura da rede. O Thicket utiliza ainda um mecanismo que introduz redundância de dados

Mário Rui Ferreira aluno do Mestrado de Engenharia Informática e de Computadores do Instituto Superior Técnico

nas mensagens trocadas entre os seus participantes de forma a tolerar falhas de nós que causem a ruptura de uma ou mais árvores de disseminação. O desenho proposto foi avaliado recorrendo a duas abordagens distintas. Primeiro, foi desenvolvida uma implementação do Thicket para o simulador Peersim, que foi utilizada para testar o protocolo numa rede sobreposta constituída por 10 mil nós. Por fim, foi instalado um protótipo Java sobre a infra-estrutura PlanetLab, onde foi testado utilizando uma rede sobreposta composta por 400 nós. Ambas as implementações foram avaliadas, primeiramente, num ambiente estável e, posteriormente, em cenários com falhas de nós. O Thicket é um algoritmo totalmente descentralizado para a construção e manutenção de múltiplas árvores, nas quais cada nó é interior em apenas uma, ou num número reduzido de árvores, que opera sobre uma rede não estruturada. Este protocolo permite  a distribuição da carga do sistema por todos os nós e, ainda, o envio de dados redundantes por diferentes árvores de disseminação de forma a tolerar falhas de nós ou ligações. O novo agregador das comunicações


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SErviço

Já lhe dei o meu voucher? O Sapo Voucher é um veículo de comunicação. Por isso mesmo, aqui o protagonista é o parceiro. O Sapo Voucher é apenas o marketplace onde se reúnem ofertas dos melhores parceiros. Elegemos os líderes nos seus sectores e categorias A conjuntura económica tornou os consumidores muito sensíveis ao preço, o que criou novas oportunidades para as marcas, ao mesmo tempo que lhes trouxe alguns desafios. A relação com o consumo alterouse e os comportamentos tornaram-se mais racionais, dando, inclusive, muitas vezes origem a sentimentos de análise mais cuidada em relação ao consumo menos essencial. O enorme crescimento das marcas de distribuição e a proliferação das promoções, descontos e saldos atestam que, de facto, muito se alterou. Nesta conjuntura é um desafio para as marcas sustentarem volumes de vendas, sem comprometer o valor pelo qual as suas ofertas são percepcionadas. É fácil mexer no preço, e vender mais nesse momento, mas é difícil fazê-lo sem os indesejados efeitos colaterais. Foi com base nesta premissa que se lançou o Sapo Voucher. A intenção foi criar um marketplace que fosse reconhecido pela audiência do portal SAPO, de 1 milhão de pessoas num dia, como um conjunto de ofertas de grande oportunidade. O preço é sempre muito forte, mas ele está disponível apenas por um dia. É uma proposta de valor transmitida de uma forma muitíssimo viral, tendo havido a preocupação de facilitar essa transmissão de ofertas através das redes sociais. Para além disso, o Sapo Voucher está disponível através do computador ou de equipamentos móveis (telemóvel ou tablets), a qualquer hora e em qualquer local. O factor novidade para as marcas está num enquadramento assente O novo agregador das comunicações

“A intenção foi criar um marketplace que fosse reconhecido pela audiência do portal SAPO, de 1 milhão de pessoas num dia, como um conjunto de ofertas de grande oportunidade”

“Não utilizamos campanhas agressivas de recolha de bases de dados, e comunicamos de forma contextualizada, utilizando para isso os vários segmentos do Portal Sapo e da nossa Rede de parceiros”

em três factores diferenciadores muito claros: O Sapo Voucher é um veículo de comunicação. Por isso mesmo, aqui o protagonista é o parceiro. O Sapo Voucher é apenas o marketplace onde se reúnem ofertas dos melhores parceiros. Elegemos os líderes nos seus sectores e categorias, e na primeira semana, contámos com a Fnac, os Hotéis Tivoli, a Clínica White do Dr. Miguel Stanley, o Longevity Wellness Resort de Monchique e a TMN. No dia 28 de Março, tivemos bilhetes para os VocaPeople através da Ticketline e posteriormente lançamos uma oferta dos Hotéis Pestana. Com os parceiros que já reunimos, podemos garantir aos que se juntam a nós um posicionamento claro e distintivo. Comunicamos a oferta de cada dia perante 1 milhão de portugueses, mas não o fazemos de uma forma intrusiva. Não utilizamos campanhas agressivas de recolha de bases de dados, e comunicamos de forma contextualizada, utilizando para isso os vários segmentos do portal Sapo e da nossa rede de parceiros. Conseguimos combinar uma forte exposição sem, no entanto, desgastar a imagem de quem estamos a promover. A melhor prova é que estamos a obter concretizações superiores a um por cento entre as pessoas que clicam na comunicação e as que compram. Combinar um elevado desconto mas continuar a falar para o público-alvo do parceiro é essencial para nós. As ofertas são de enorme atractividade com um grande desconto nesse dia, mesmo que isso não signifique sempre que são de baixo valor absoluto.

João Paulo Luz director comercial Portal SAPO

A proposta de valor é irrecusável mas deverá dirigir-se ao segmento habitual do parceiro. A vasta audiência do Portal SAPO permite assumir estes compromissos. Esse foi o motivo que nos fez acreditar que somos os mais bem posicionados para ajudar as melhores marcas a aproveitarem este momento para se aproximarem dos seus clientes potenciais, facilitando-lhes o impulso e sem se exporem negativamente. Abril de 2011

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passeio público

Jorge Fiel jornalista jf@briefing.pt

Estava a beber uma cerveja em Munique quando António Costa lhe telefonou a desafiá-la para ser a locomotiva do esforço de modernização administrativa do país que ficou conhecido pelo nome de Simplex. Com 24 horas para decidir, a catedrática Maria Manuel Leitão Marques arriscou, aos 52 anos, trocar Coimbra (e 30 anos de carreira académica) por Lisboa (e uma posição governamental)

Ramon de Melo

A grande simplificadora

Tempo. Não o meteorológico, mas o medido pelos relógios e prazos. “Desde que estou aqui, o tempo tornou-se o bem mais precioso. Se fosse possível era isso que eu mais queria comprar – tempo”, conta Maria Manuel Leitão Marques, 59 anos, secretária de Estado da Modernização Administrativa. O aqui é o gabinete envidraçado, cheio de luz, no 5.º andar do edifício da presidência do Conselho de Ministros, em Campo de Ourique, o quartel24

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general do combate à burocracia. Não deixa de ser irónico que a falta de tempo seja o mal que mais aflige a mulher que nos últimos seis anos investiu o essencial das suas energias numa cruzada para nos simplificar a vida, e assim nos poupar tempo. Catedrática, de nomeação definitiva, da Faculdade de Economia de Coimbra, Maria Manuel estava posta em sossego na universidade, dirigindo um centro de investigação com

uma carteira de projectos interessantes com financiamento assegurado, quando foi desinquietada para mudar de vida. Quando o telemóvel tocou, num sábado à tarde, estava em Munique, a beber uma cerveja, após uma reunião científica, fazendo horas para ir apanhar o voo de regresso a Lisboa. Era António Costa, então ministro da Administração Interna, a desafiá-la para liderar uma célula (baptizada Unidade de Coordena-

ção da Modernização Administrativa) que abrisse as janelas e deixasse entrar ar fresco numa administração pública bafienta, e culturalmente habituada a funcionar com o complicador sempre ligado. Deu-lhe 24 horas para aceitar ou recusar. Estávamos em 2005. O tempo começava a ser um factor escasso na vida dela. Maria Manuel tinha admiração por Costa (que conhecia desde os tempos em que este se ocupava da pasta da Justiça e ela foi nomeada para O novo agregador das comunicações


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Maria Manuel Leitão Marques em Quelimane (à esquerda, em cima do Mini, com a boneca na mão)

o Observatório Permanente da Justiça Portuguesa) e não lhe queria dizer que não. Mas era uma decisão difícil para uma mulher de 52 anos que, ao longo dos últimos 30, construíra uma brilhante carreira académica em Coimbra. “Era arriscado trocar a vida académica em Coimbra por uma posição governamental em Lisboa. Antes de tentarmos, não podemos saber se somos capazes de desempenhar as novas funções com competência”, explica Maria Manuel, que arriscou dizer sim e se tornou a cara do Simplex, um programa que já ultrapassou as 800 medidas em diversas áreas da Administração Pública, e a que já aderiram voluntariamente 121 câmaras municipais (um contingente onde estão incluídas todas as capitais de distrito). Os elogios à eficácia do Simplex, constantes de todas as avaliações internacionais do programa, deixam Maria Manuel satisfeita por ter arriscado aceitar trocar Coimbra (e a universidade) por Lisboa (e o Governo). A dramática falta de tempo é compensada pelo prazer de saber que está ajudar a construir um país melhor. No dia em que nos recebeu, num gabinete aquecido que denuncia as suas raízes africanas (“Se pudesse vivia sempre num país quente”, desabafa), tinha acabado de concluir o pacote Simplex para a exportação, um conjunto de 10 medidas, todas sugeridas pelas empresas. Maria Manuel nasceu em Quelimane, em Agosto de 1952, porque o pai, que era de Coimbra, se apaixonou por Moçambique quando fez O novo agregador das comunicações

Entre a mãe e o irmão na marginal de Lourenço Marques

escala na antiga colónia do Índico na viagem para Timor, para onde foi destacado durante o serviço militar obrigatório. Acabada a tropa e o curso de Medicina, o pai, António, casou com a mãe, Manuela (uma professora primária de Aveiro), e emigraram para Moçambique, fixando-se em Quelimane, capital da Zambézia, uma província rica, em algodão, copra, chá e açúcar. Placa giratória de pessoas e mercadorias, Quelimane era uma cidade cosmopolita, com fortes comunidades de origem indiana e paquistanesa, um cadinho de diferentes

Com a mãe e os irmãos em Quelimane

Nasceu em Quelimane, porque o pai, que era de Coimbra, se apaixonou por Moçambique quando fez escala na antiga colónia do Índico na viagem para Timor, para onde foi destacado durante o serviço militar obrigatório

culturas e religiões (havia católicos, hindus e muçulmanos), que acabou por ficar tatuado no carácter de Maria Manuel. “Na minha casa festejava-se o Natal mas também o Ramadão. Como era médico de muitos muçulmanos, era frequente o pai receber comidas de presente. Desde pequena que me habituei a gostar da comida picante”, conta a secretária de Estado. Até ao final da adolescência, o percurso escolar de Maria Manuel foi marcado pelos ziguezagues derivados do facto de ser filha de um funcionário da administração portuguesa em serviço nas colónias, com direito

MOÇAMBIQUE

Banhos à macua e memória do cheiro da terra molhada Apesar de ter nascido e crescido em Moçambique, Maria Manuel não tem dúvidas: “Sou portuguesa”. Mas não esconde o prazer que sente ao desfiar bocados das suas memórias da infância e adolescência vividas no continente dos grandes espaços, rodeada por uma natureza exuberante, numa sociedade tolerante, com códigos de comportamento mais liberais, num país quente, onde as pessoas usavam vestuário mais leve – e havia à venda a Coca-Cola proibida na metrópole. Viviam os cinco numa pequena vivenda, onde diariamente consumiam três jornais (o Notícias, o Diário da Beira e o do Episcopado). A

rádio, cuja emissão local só começava ao fim da tarde, era o outro meio de ligação com o resto do mundo. O pai não falhava os relatos dos jogos do Benfica e da Académica. Ela lembra-se de como a tristeza se transformou numa enorme alegria ao ouvir o relato do Portugal - Coreia do Norte, no Mundial de 66. Em 1995, numa viagem com o irmão António Manuel e uns amigos, percorreu Moçambique de Norte a Sul, foram a Pemba e à Ilha de Moçambique, tomaram banho à macua (com baldes de água) – e ela teve a oportunidade de reviver a memória do cheiro da terra molhada, a seguir às grandes chuvadas, na estação quente.

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passeio público

Não deixa de ser irónico que a falta de tempo seja o mal que mais aflige a mulher que nos últimos seis anos investiu o essencial das suas energias numa cruzada para nos simplificar a vida, e assim nos poupar tempo

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a uma licença graciosa de sete em sete anos, para gozar na metrópole. Começou por cá os estudos primários, quando os pais passavam a graciosa junto à família da mãe, em Alquerubim, aldeia do concelho de Albergaria-a-Velha. E continuou assim, num vaivém de sete em sete anos entre a metrópole e o colégio do Sagrado Coração de Maria, em Quelimane, onde completou o 5.º ano do liceu, o momento de começar a tomar decisões quanto ao futuro. Como ainda não sonhava o que queria fazer quando fosse grande e tinha uma grande paixão por História, optou por Letras. Fez o 6.º ano em Coimbra (onde o irmão e a irmã, ambos mais velhos, já estavam a estudar na universidade), mudou a agulha para Direito, e voltou a Moçambique para fazer o 7.º ano em Lourenço Marques. Estas mudanças revelaram-se benéficas. “Obrigavam-me a um esforço permanente de adaptação a novos amigos, novas comidas, novos hábitos”, diz, acrescentando que depois de partir se correspondia por carta com os antigos amigos. Ainda preserva amizades dos tempos do liceu e faculdade. Voltou a Coimbra para estudar na Universidade. Foi boa aluna, porque trabalhava muito. “Em Direito não se pode ser bom aluno por inspiração divina”, explica. Começou o curso no ocaso do Estado Novo e acabou-o em pleno “verão quente” de 1975. Levou por isso, uma vida académica agitada, com a associação quase sempre fechada e sem Queima das Fitas. Não estranhou a intensa politização que agitava a Universidade de Coimbra porque o seu código genético já era de esquerda. O pai era anti-salazarista militante, amigo do poeta Rui Knopfli. “Frequentava o Tropical. Estudava lá de manhã. À tarde não dava porque havia muito barulho”, recorda. Apesar de estudar bastante, Maria Manuel não se alheou da actividade politica. Não hesitava em pôr o seu nome nos abaixo-assinados contra a guerra colonial e, em 1973, vemo-la em Aveiro a participar no Congresso da Oposição Democrática. O 25 de Abril apanhou-a a meio do 4.º ano. O irmão acordou-a de ma-

“Na minha casa festejava-se o Natal mas também o Ramadão. Como era médico de muitos muçulmanos, era frequente o meu pai receber comidas de prendas. Desde pequena que me habituei a gostar da comida picante”

drugada com a notícia do golpe militar (ainda não se sabia se era de esquerda ou do Kaulza), que acabara de receber pelo telefone. Viveu aqueles dias maravilhosos que pareciam não ter fim, mas não descuidou os estudos. No 4.º ano recusou o convite para monitora (“era um ano pesado”, explica), que viria a aceitar no 5.º ano, ganhando o seu primeiro dinheiro a dar aulas de Economia Politica na Faculdade de Direito de Coimbra. Quando acabou em curso, em 1975, podia ter ficado por Direito, mas acabou por ser seduzida pelo projecto de arrancar a partir do zero com a Faculdade de Economia de Coimbra: “Era um projecto novo, havia tudo em aberto, vivíamos tempos em que sentíamos que podíamos conquistar o mundo…”. Foi na nova faculdade que ajudou a construir, se doutorou (1990), fez a agregação (2002) e trabalhou, até que um telefonema, num sábado à tarde, que a apanhou a beber uma cerveja em Munique, lhe virou a vida de pernas para o ar – e fez com que para ela o tempo passasse a ser o bem mais precioso.

TECNOLOGIAS

E por que não fazer um blogue? Maria Manuel saltou directamente da escrita à mão para o teclado de um Macintosh (adquirido em meados dos anos 80 pela Faculdade de Economia de Coimbra) sem passar pela máquina de escrever. “Quando, durante o curso, precisava de entregar um trabalho escrito à máquina arranjava alguém para o dactilografar”, recorda. Familiar com as novas tecnologias, foi uma das pioneiras da blogosfera, ao integrar, em 2003, o núcleo inicial do blogue “Causa Nossa”, constituído por ela, Vital Moreira (que lhe dera aulas de Direito em Coimbra e mais tarde se tornaria seu marido), Ana Gomes, Jorge Wemans, Vicente Jorge Silva, Luís Osório, Luís Nazaré e Luís Filipe Borges. Estavam todos a jantar no “Cosa Nostra” (daí o baptismo do blogue), a discutir como seria Portugal em 2020 quando o homem da “revolta dos pastéis de nata” perguntou: “E porque não fazermos um blogue?”

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Eu sou a tua obsess達o


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mobiliDaDE

E se nunca mais tivesse de ir às bombas atestar o depósito? O projecto Mobi.e, que ganhou o prémio Sustentabilidade dos Optimus Innovation Awards, quer por os portugueses a usar carros eléctricos. Envolve várias empresas, desde a EDP à Novabase, passando, entre outras, pela Efacec, Siemens e Critical Software

Eléctrico? Sim, obrigado

João Dias, coordenador do Gabinete para a Mobilidade Eléctrica em Portugal (GAMEP)

Mobilidade é a palavra-chave nos tempos que correm. Com a escalada dos preços do petróleo, as crises ao nível do ambiente, as emissões de CO2, gastos e mais gastos, é compreensível que os 28

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cidadãos comecem a fazer contas à vida. Foi para responder a estas preocupações que nasceu, no início de 2008, o projecto Mobi.e, um programa que visa criar condições e

enquadramento para que possamos ter veículos eléctricos e mobilidade eléctrica. João Dias, coordenador do Gabinete para a Mobilidade Eléctrica em Portugal (GAMEP), defende O novo agregador das comunicações


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que até ao arranque deste projecto existia uma falha crítica para o sucesso dos veículos eléctricos – a inexistência de uma rede de carregamento. Este facto foi superado a partir do momento em que Portugal assumiu a mobilidade eléctrica como uma prioridade e criou todas as condições para a existência dessa mesma rede de carregamento. Até Julho, estarão implementados em Portugal continental 1.300 pontos de carregamento normal e 50 pontos de carregamento rápido. Mas, então como é que isso influencia a vida dos portugueses? Basicamente, em tudo. Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que “a mobilidade eléctrica é a chave que permite levar a energia limpa das energias renováveis para o sector dos transportes e, assim, reduzir as importações de petróleo que têm um peso considerável na nossa balança comercial, entre 40 a 50 por cento”, afirma o responsável do projecto. Em segundo lugar, porque apostar num veículo eléctrico significa “maior eficiência energética, menores emissões de gases com efeito de estufa e menores custos de manutenção e operação”. Actualmente, o sector dos transportes continua completamente dependente do petróleo, poluidor e emissor de gases com efeito de estufa e CO2, pelo que, este projecto surge como uma combinação de três factores chave: uma rede de carregamento inteligente, que, se o utilizador carregar o carro essencialmente à noite, permite aproveitar energia que é renovável, portuguesa e que sem esta utilização seria desperdiçada. Para além disso, o sistema que agora surge permite fazer uma gestão de todo o sistema eléctrico e de toda a energia produzida e utilizada. Apesar de outros países estarem também a apostar na questão da mobilidade eléctrica, Portugal foi um dos que mais cedo começou a trabalhar nesta área de forma assumida e é o primeiro com um projecto “completamente nacional e com uma rede única”, defende

Numa altura em que os portugueses que usufruem da mobilidade eléctrica ainda não chegam à centena e meia, o projecto Mobi.e, juntamente com a Peugeot, está a realizar um road show de automóveis eléctricos que visa sensibilizar a população Falando em custos, se o utilizador carregar o carro à noite (porque existe uma diferença dos preços da energia à noite e de dia), os valores correspondem, sensivelmente, a um quarto do custo de andar a combustível

Os veículos eléctricos poderão ser carregados nos mais diversos locais. Actualmente, a rede piloto que está a ser instalada conta com 1.300 pontos de carregamento normal e outros 50 de carregamento rápido, distribuídos por 25 municípios e principais vias de comunicação

o coordenador do GAMEP. “O Mobi.e não são pontos que libertam energia, é uma rede integrada, todos os pontos comunicam entre si e ligam a um sistema central onde eu consigo ter acesso a essa informação toda, inclusive online”, adianta. Acrescenta ainda que “posso ir ao site do Mobi.e e ver onde estão os pontos de carregamento, ver o meu smartphone e, em qualquer altura, sei qual é o ponto de carregamento mais próximo”. Neste momento, para um cidadão mudar para o veículo eléctrico, os incentivos são “atractivos”: em primeiro lugar, os primeiros cinco mil particulares que adquirirem um veículo eléctrico recebem do Estado um apoio monetário no valor de 5 mil euros; no caso de ter um veículo em fim de vida e quiser comprar um eléctrico, é possível abater o carro antigo e receber mais 1.500 euros, o que não acontece actualmente para compras de viaturas a combustão. Além disso, este tipo de veículos está isento quer do Imposto sobre Veículos, quer do Imposto Único de Circulação. No caso das empresas, a aquisição de viaturas eléctricas permite realizar deduções fiscais em sede de IRC.

Ao pensar em carros eléctricos existe ainda uma certa estranheza e desconfiança na população em geral. O coordenador do GAMEP afirma que habitualmente “temos aquela ideia do carro do golfe, que se arrasta”, no entanto, os carros eléctricos têm “uma performance e uma aceleração muito superior a um carro a combustão potente”. Confessa ainda que, algumas das pessoas que testam viaturas eléctricas, têm uma agradável surpresa ao constatar que não tem solavancos, que é muito mais silencioso do que um veículo convencional e que tem um bom arranque. “Experimentando aquilo, quando volta para um veículo dos outros a sensação é quase a de estar a andar de carroça!”, comenta. Outra questão importante tem a ver com a questão do carregamento do carro, afinal já não temos de ir à bomba “pôr gasolina”. Existem dois tipos de carregamentos, o normal e o rápido: o normal tem uma duração entre seis e oito horas e permite um carregamento a 100 por cento da bateria; por sua vez, o rápido dura entre 15 e 30 minutos e permite um carregamento até 80 por cento da bateria do veículo. >>>

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Os veículos eléctricos poderão ser carregados nos mais diversos locais. Actualmente, a redepiloto que está a ser instalada conta com 1.300 pontos de carregamento normal e outros 50 de carregamento rápido, distribuídos por 25 municípios e principais vias de comunicação. Para além dos postos de carregamento, é possível carregar o veículo sem sair de casa pois existe uma solução própria para poder fazer o carregamento na sua garagem, visto que fazê-lo através das tomadas convencionais pode provocar danos nas viaturas. Falando em custos, se o utilizador carregar o carro à noite (porque existe uma diferença dos preços da energia entre a noite e o dia), os valores correspondem sensivelmente a um quarto do custo de andar a combustível. A manutenção dos carros eléctricos é também uma preocupação recorrente dos mais cépticos a este novo tipo de veículos. No entanto, os gastos da manutenção são mais económicos uma vez que, por exemplo, num carro eléctrico não existem as típicas mudanças de óleo, peças do motor, filtros. Numa altura em que os portugueses que usufruem da mobilidade eléctrica ainda não chegam à centena e meia, o projecto Mobi.e, juntamente com a Peugeot, está a realizar um road show de automóveis eléctricos que visa sensibilizar a população para os benefícios da mobilidade eléctrica e tirar as dúvidas que eventualmente tenham sobre desta temática. A um nível mais imediato, João Dias afirma que neste momento a prioridade passa também por “atacar” as escolas. Nesse sentido, o GAMEP tem vindo a desenvolver acções junto das escolas através de um projecto em que o objectivo passava por desafiar vários alunos do ensino secundário de diversas escolas do país a “pensar a mobilidade do futuro na sua cidade, tendo por base a energia eléctrica”. Daí surgiram ideias “muito interessantes”. O projecto 30

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Apesar de outros países estarem também a apostar na questão da mobilidade eléctrica, Portugal foi um dos que mais cedo começou a trabalhar nesta área de forma assumida e é o primeiro com um projecto “completamente nacional e com uma rede única” A um nível mais imediato, João Dias afirma que neste momento a prioridade passa também por “atacar” as escolas

vencedor foi o de um grupo de estudantes que desenharam e conceberam patins eléctricos. O dia 30 de Junho de 2011 é um marco que representa o compromisso de ter a primeira fase da rede piloto operacional no terreno. João Dias, considera que

este é um desafio muito grande, sendo que, entretanto, o GAMEP está já a trabalhar no alargamento e na preparação da segunda fase do projecto que tem o seu fim previsto para 2012. Nessa altura estará terminada a fase piloto desta iniciativa.

Percurso

Do Porto a Vigo com o Mobi2Grid A ligação entre o Norte de Portugal e a Galiza não é de agora. João Dias, coordenador do GAMEP, adianta mesmo que estas duas regiões têm uma ligação a nível de integração económica e fluxos de pessoas que resulta de factores tradicionais. Portugal mostrou-se pioneiro em termos de desenvolvimento da rede de mobilidade eléctrica e, ao constatar isso, a Galiza “quis juntar-se a esta iniciativa. Houve um projecto conjunto entre o Centro de Engenharia para a Indústria Automóvel, na Maia, e o Centro Tecnológico de Automoción de Galícia de modo a criar o primeiro projecto de mobilidade eléctrica transfronteiriço”. Mobi2Grid é o nome deste plano que, até ao final do próximo ano, vai disponibilizar na auto-

estrada que liga Porto e Vigo, oito pontos de carregamento rápido, o que dá a possibilidade de os cidadãos “poderem deslocar-se na região da Galiza como se estivessem a deslocar-se dentro de ‘casa’, sem qualquer entrave do ponto de vista da mobilidade eléctrica”, defende o responsável. Este primeiro corredor europeu de mobilidade eléctrica conta com uma dotação orçamental de 1,8 milhões de euros até 2012, ao abrigo do Programa de Cooperação Transfronteiriça Espanha/Portugal. O projecto está a cargo de empresas nacionais e espanholas, pelo que, entre as empresas nacionais que estão à frente do processo destacam-se a Inteli, a Novabase e a Critical Software.

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SEgurança

Fraudes online e as falsas aplicações Numa lógica de evolução e sofisticação, a solução que os hackers encontram para mais facilmente entrar nos equipamentos dos utilizadores é através de falsos antivírus – não provido de uma solução de segurança eficaz, o utilizador fica, desde logo, à mercê do “ciberdelinquente” detentor da falsa aplicação A utilização da internet tornou-se nas últimas décadas parte integrante do quotidiano das pessoas. Com ela vieram um sem número de aplicações, softwares e redes sociais que, para além dos benefícios claros que trazem aos utilizadores, são também fontes intermináveis de falsos vírus, ameaças disfarçadas e fraudes para um sem número de utilizadores mais incautos. De entre as fraudes mais conhecidas estão, necessariamente, as que se associam às redes sociais, como o Facebook – o mais atingido dos últimos tempos – e o Twitter – para onde estão neste momento a migrar as principais fraudes; mas também podemos encontrar falsas páginas de bancos ou até de aplicações, como os antivírus. No que diz respeito às fraudes nas redes sociais, os hackers têm por norma apoderaremse das contas dos utilizadores valendo-se da curiosidade dos mesmos, quer no que diz respeito a indiscrições dos seus seguidores, quer no que se refere a fait divers sociais – tais como bebés a rir ou celebrações de dias festivos. Por outro lado, e no que às aplicações diz respeito, a mais comum das fraudes é a que se associa ao e-banking, ou seja, a aplicações que se fazem passar por páginas de instituições legítimas, mas que são, na verdade, cópias que têm como propósito e fim o de roubar informações de números de conta e de acesso às instituições bancárias para, assim, roubar o dinheiro dos utilizadores destes serviços. O novo agregador das comunicações

“De entre as fraudes mais conhecidas estão, necessariamente, as que se associam às redes sociais, como o Facebook – o mais atingido dos últimos tempos – e o Twitter – para onde estão neste momento a migrar as principais fraudes”

“A BitDefender aconselha os utilizadores a proverem-se de uma eficaz solução de segurança, a nunca revelar dados pessoais sensíveis – como sejam números de contas bancárias ou palavras-chave”

Contudo, e numa lógica de evolução e sofisticação, a solução que os hackers encontram para mais facilmente entrar nos equipamentos dos utilizadores é através de falsos antivírus – não provido de uma solução de segurança eficaz, o utilizador fica, desde logo, à mercê do “ciberdelinquente” detentor da falsa aplicação. Deste modo, a BitDefender aconselha os utilizadores a proverem-se de uma eficaz solução de segurança, a nunca revelar dados pessoais sensíveis – como sejam números de contas bancárias ou palavras-chave – e, ao mesmo tempo, a estar em constante alerta para qualquer sinal na internet que possa levar à suspeita de que se está a ser alvo de um roubo de informações ou até dinheiro. A BitDefender, enquanto provedor de soluções de segurança, tem vindo desde sempre a alertar para a sofisticação crescente das fraudes que os hackers e “ciberdelinquentes” criam a cada dia que passa, ao mesmo tempo que procura acompanhar essa evolução com mais e melhores soluções à medida de cada situação e de cada cliente. Contudo, estamos cientes de que a melhor prevenção vem mesmo do utilizador e dos cuidados inerentes à utilização da internet e suas mais-valias: confirmar sempre a proveniência de qualquer hiperligação, utilizar apenas páginas fidedignas e procurar sempre os selos de segurança que já quase todas as instituições possuem nas suas páginas online.

Jocelyn Otero Ovalle directora de Marketing da BitDefender para Espanha e Portugal

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ENTREVISTa

Hermínio Santos jornalista hs@briefing.pt

“Os processos, as tecnologias, a cultura, o portefólio, a forma de abordar o mercado e de servir as necessidades das grandes empresas, são, do nosso ponto de vista, cada vez mais diferentes face ao que a Oni faz e ao que fazem os restantes operadores”, afirma Xavier Rodríguez-Martín, 46 anos, ceo da Oni desde 2007 e um dos responsáveis pelo turnaround de uma empresa que tem 100 milhões de euros para investir

Xavier Rodríguez-Martín, ceo da Oni

Ramon de Melo

“Somos muito diferentes dos outros operadores”

Fibra | Se lhe pedissem para descrever a Oni em poucas palavras e a sua actividade em Portugal, o que é que diria? Xavier Rodríguez-Martín | A Oni é o

operador líder na prestação de soluções complexas às grandes empresas em Portugal. Operador líder quer dizer que temos 23 por cento de quota de mercado no sector priva-

do. O que quer dizer que o que oferecemos aos clientes vai muito além dos serviços tradicionais de telecomunicações, incluindo dados, voz, vídeo, serviços de segurança, data >>>

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center, cloud computing e soluções complexas. Estamos concentrados em prestar serviço às 3 mil grandes empresas que operam em Portugal porque acreditamos que, cada vez mais, os modelos de negócio e as necessidades são diferentes quando servimos as grandes empresas ou quando servimos os clientes do segmento residencial ou de outro tipo de segmentos. Fibra | Então pode dizer-se que os vossos concorrentes não são as operadoras tradicionais de telecomunicações que apostam mais em outro tipo de clientes? XR-M | É claramente outro tipo de concorrência. Os processos, as tecnologias, a cultura, o portefólio, a forma de abordar o mercado e de servir essas necessidades são, do nosso ponto de vista, cada vez mais diferentes face ao que a Oni faz e ao que fazem os restantes operadores. Esta tendência vai continuar a aumentar, o que não quer dizer que não possa haver empresas que consigam aglutinar dentro da própria operação as competências necessárias para fazerem isso, mas nunca será de uma forma totalmente integrada. No mundo das telecomunicações vivemos sob a influência de duas forças tectónicas que são claramente opostas. Por um lado, as redes querem convergir, aumentar a sua eficiência, e o IP tem facilitado isso. Mas, por outro lado, os modelos de negócio querem divergir e a confluência da convergência das redes e da divergência dos modelos de negócio têm uma materialização, em termos de estrutura de mercado, diferente de país para país. Isso tem a ver com a história, com o facto de em Portugal existir uma Oni, por exemplo. Mas, noutros mercados, como em Espanha, não há nenhuma empresa que tenha um posicionamento tão aprofundado e depurado em termos de modelo de negócio para servir as grandes empresas como a Oni tem em Portugal. Nós vivemos tempos de transformação e consolidação e o que provoca essas forças tectónicas é que vamos ver cada vez mais operações nas “pontas” do espectro de potenciais posicionamentos. Com certeza que haverá

“Vai haver consolidação e importa perceber a importância dessa consolidação para a Europa. Hoje em dia, a Ásia domina a produção, os EUA a criação de novas experiências de utilização. O que é que a Europa domina neste momento?”

espaço para alguns operadores integrados mas depois vamos ver operadores com um posicionamento único, diferente e melhor que esses operadores integrados, em segmentos específicos de mercado. Esse tem sido o caminho seguido pela Oni desde 2007. Arrancámos em 2000, no calor da liberalização, com a pretensão de replicar um pequeno operador incumbente e isso não tem funcionado em Portugal e noutros mercados. Durante os primeiros seis ou sete anos de vida conseguimos fazer coisas extraordinárias, nomeadamente, no segmento empresarial e na escolha de tecnologias. Ao mesmo tempo recrutámos equipas com outro posicionamento em relação ao mercado. Por outro lado, tivemos accionistas exigentes que nos obrigaram a desenhar as melhores soluções tecnológicas para os servir, e depois replicámos isso no mercado empresarial. No residencial, acho que não passámos da mediocridade no sentido em que conseguimos conquistar uma quota de mercado aceitável, 4 a 5%, mas no final foi preciso fazer opções e antecipámos um pouco o rumo do mercado, que caminhava para a segmentação. No final de 2006, princípios de 2007, tomámos a decisão de nos concentrar só no mercado empresarial, que não foi entendida naquela altura mas, hoje, toda a gente apoia e concorda com esse posicionamento.

“Cada vez mais os modelos de negócio e as necessidades são diferentes quando servimos as grandes empresas ou quando servimos os clientes do segmento residencial ou de outro tipo de segmentos”

Fibra | Hoje, os clientes da Oni são clientes empresariais? XR-M | Os grandes clientes empresariais e os grandes operadores internacionais. Nós estamos concentrados no segmento empresarial e de serviços a outros operadores.

“Estamos concentrados em prestar serviço às 3 mil grandes empresas que operam em Portugal”

Fibra | Como é que funciona, na prática, esse serviço a outros operadores? XR-M | É um segmento muito interessante. Muitos dos clientes multinacionais cada vez mais contratam as suas redes, ao nível pan-europeu, a determinados operadores – em Madrid, em Londres, na Alemanha. Nós, através da relação histórica e de confiança que temos com esses operadores, conseguimos cada vez mais servir a parte portuguesa des>>>

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sas redes pan-europeias, muito para além da venda de minutos. Estamos a falar de serviços geridos, de alinhamento de qualidade de serviço. Somos o único operador português que tem um escritório em Madrid precisamente para estar mais próximo desses grandes operadores internacionais que, para nós, são cada vez mais um canal para conseguir a prestação de serviços em Portugal. Hoje em dia esse é um segmento claramente em crescimento e no qual estamos a apostar, não só com a prestação de serviços mas também com soluções integradas.

“Em vez de estar a compensar as fraquezas num segmento onde éramos menos fortes, decidimos concentrarmo-nos no que estávamos a fazer bem, com alguma humildade e coragem porque todos gostamos de ser os melhores do mundo naquilo que fazemos. Foi com convicção que decidimos sair do residencial e focar no empresarial”

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Tiago Andrade | Como fazer crescer a rentabilidade num mercado (segmento empresarial) em queda (significativa) de valor e cliente? XR-M | As telecomunicações são cada vez mais críticas para suportar os processos de negócio das empresas, cujas necessidades, neste domínio, têm crescido exponencialmente. Paralelamente, a elevada concorrência leva a uma diminuição dos preços unitários, o que significa que os serviços de telecomunicações mais standard estejam sob forte pressão. A Oni Communications é um exemplo de uma empresa que tem conseguido aumentar a sua quota de mercado neste contexto pois somos, simultaneamente, um operador de rede mas também um service provider, que vende soluções integradas de comunicações, que incluem componentes de IT, networking, cloud computing, data center, entre outras e para isso criámos duas empresas especializadas na concepção, implementação e gestão destas soluções, a Knewon e a Hubgrade. Em resumo, o nosso posicionamento e proposta de valor, as soluções integradas à medida das necessidades dos nossos clientes empresariais, permitem-nos não estar tão sujeitos à pressão que se faz sentir nos serviços mais “comoditizados”. Paralelamente, apostamos na internacionalização que nos permite exportar know-how e processos que vão ao encontro das necessidades das empresas homogéneas, independentemente da geografia onde operam.

Tiago Andrade executive director, Lifetime

“Vivemos tempos de transformação e consolidação. Vamos ver cada vez mais operações nas pontas do espectro de potenciais posicionamentos”

Fibra | Em 2006/2007 dá-se também a mudança de accionista. A Oni começou com a EDP, a Brisa, o BCP… XR-M | Exactamente, e isso foi muito importante para a Oni porque nos deu acesso a meios para construir uma rede única, com 10 mil quilómetros de fibra óptica, com as melhores tecnologias activas e para servir as empresas é fundamental termos capacidade de extremo a extremo ou, pelo menos, até ao ponto mais próximo do cliente para não dependermos de terceiros. Para o arranque da operação da Oni foi fundamental contar com esse tipo de accionistas, exigentes, com ambição e capacidade financeira – a Oni investiu 400 milhões de euros numa rede de nova geração nos primeiros cinco anos de vida. As grandes empresas industriais têm, por vezes, diferentes estratégias e nessa altura falava-se muito em estratégias multi-utilities mas depois as estratégias mudam e houve uma concentração nos seus negócios core. Fibra | Entraram no início de 2007? XR-M | A Riverside e a Gestmin, de Manuel Champalimaud, entraram no final de 2006. Trouxeram alguns princípios da gestão americana, que eu aprecio particularmente. Nós somos os responsáveis por definir e desenvolver a estratégia e os accionistas estão à distância a apoiar, criando espaço suficiente para nós sermos os responsáveis pelos nossos erros e pelos nossos sucessos. Penso que o capitalismo continental europeu por vezes padece da mistura de responsabilidades entre o que são os accionistas e o que são os gestores. O que acontece é que os accionistas substituem os gestores em decisões particularmente difíceis, o que até é confortável para os gestores, que são habitualmente muito bem pagos. Pior do que isso: os gestores substituem os accionistas na tomada de decisões de risco e na assumpção de estratégias que depois não são partilhadas de uma forma clara e explícita com os accionistas. Isso cria uma mistura de responsabilidades que tem como resultado final que ninguém é responsável por nada. Os americanos O novo agregador das comunicações


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têm este conceito de accountability, separação clara entre os accionistas e o management, e eu diria que neste momento, e nos últimos quatro anos, nós não tivemos local para nos escondermos, na medida em que somos responsáveis pelos sucessos e insucessos. As equipas de liderança e gestão da Oni assumem uma atitude empreendedora que muitas vezes passa por assumir riscos e isso é fundamental para criar valor e agir de uma forma coordenada, para tomar opções. Fibra | A Oni tem a ambição de estar em três continentes em 2012. Que objectivo é que têm para cada um deles, quanto é que vão investir e qual a filosofia que está por trás desta estratégia? XR-M | A Oni é duas coisas ao mesmo tempo: um operador de rede e um prestador de serviços. Dificilmente podemos pegar na rede e levar para outros países, embora felizmente, cada vez mais, em todos os mercados, já existem infraestruturas disponíveis para alguém como nós, que quer pegar nessa capacidade de prestação de serviços e levar para outras geografias, para encaixar nas estruturas que já existem e que nem sempre estão a ser aproveitadas para criar valor para essas grandes empresas que nós servimos em Portugal. O que está na raiz do nosso processo de internacionalização é o software diferente que temos e que podemos levar para outros mercados. Os três mercados em que estamos a focarnos neste momento são Espanha, Angola e Brasil, por motivos diferentes. Em Espanha, criámos no final de 2010, a Oni Espanha. Durante os últimos anos temos vindo a adquirir infra-estrutura, temos anéis de fibra que vão do norte do país até à fronteira com Portugal, fechando os nossos anéis em terras portuguesas, temos pontos de presença em vários locais de Espanha, incluindo Madrid, e uma proposta de valor diferente no sentido de utilizar esses nossos pontos de presença para dar acesso a empresas e operadores à nossa rede em Portugal, de forma virtual. Existe, neste momento, um processo claro de integração económica ibérica O novo agregador das comunicações

“Haverá espaço para alguns operadores integrados, vamos ver operadores com um posicionamento único, diferente e melhor que esses operadores integrados, em segmentos específicos de mercado. Esse tem sido o caminho seguido pela Oni desde 2007”

“O capitalismo continental europeu padece da mistura de responsabilidades entre accionistas e os gestores. Os accionistas substituem os gestores em decisões particularmente difíceis, o que até é confortável para os gestores, habitualmente muito bem pagos”

e onde, às vezes, não chegam as pessoas, nem os políticos chegam as empresas. Nós vemos isso na percentagem de tráfego internacional originado em Portugal e que termina em Espanha, o qual se tem quase multiplicado por dois nos últimos dois anos, em termos de quota, o que realmente indicia com quem fazem negócios as empresa portuguesas. A abordagem a Espanha depende só de nós – a Oni Espanha é 100 por cento nossa. Já temos um volume de negócios significativo que será desenvolvido através desta nossa filial. Fibra | Qual é a abordagem para Angola e Brasil? XR-M | Para Angola é diferente da que temos para Espanha. Já existem algumas infra-estruturas mas não há serviços adequados para as empresas e, portanto, neste momento, estamos a trabalhar com outros operadores para os ajudar a desenvolver e a sofisticar a sua capacidade de prestação de serviços tradicionais de dados e de voz, de forma a podermos operar as nossas soluções sobre infra-estruturas que cada vez mais consigam gerar essa matéria-prima que nós integramos para oferecer soluções às grandes empresas. A primeira componente de serviço faz-se através das nossas equipas, no terreno, não é preciso ter uma presença no local. A segunda já o exige e será feita através de uma joint-venture, que requer parceiros locais para ajudar a criar a nossa proposta de valor adaptada ao mercado. A diferença face a Espanha é que é uma solução que não depende 100 por cento de nós. Não temos nenhuma ansiedade para fechar um acordo que não seja sustentável e por isso estamos a dar tempo para que essas parcerias sejam fechadas, embora estejamos no local, a fazer negócios com outros operadores. Temos um acordo com a MSTelcom, que é um operador de nova geração, com o qual estamos em sintonia. Acreditamos que, em África, depois do investimento em operadores móveis, vamos assistir a investimentos para prestar serviços a clientes empresariais, cujas necessidades exigem mais do que uma simples

“Queremos reposicionar a Oni nesta cadeia de valor digital, cada vez mais próximo do mundo dos conteúdos, aproveitando as redes de nova geração, a fibra óptica, a quarta geração móvel que aí vem”

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ENTREVISTa

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“Conseguimos passar a nossa quota de mercado de 19% para 23% e duplicar a nossa quota na administração pública, onde tínhamos uma presença muito limitada”

rede móvel. No Brasil é uma história diferente pois nunca pensámos em entrar numa perspectiva puramente orgânica porque é um mercado sofisticado, segmentado. Temos identificado uma dúzia de empresas no Brasil que têm accionistas empreendedores, ou que vêm do mundo das infra-estruturas e que, numa primeira fase, têm sido bem sucedidas no desenvolvimento dessas operações mas, para continuarem a crescer no mercado, precisam de processos corporate. Pensamos que através de um processo de fusão ou aquisição, com empresas com a dimensão da Oni porque não nos queremos descaracterizar, podemos entrar no mercado brasileiro e levar o nosso software. Temos estado a negociar com algumas delas e isso não é fácil. Temos investido tempo e recursos no Brasil mas ainda não encontrámos uma solução suficientemente confortável para nós para dar o passo nesse sentido. Resumindo: Espanha depende 100 por cento de nós, Angola 50 por cento e Brasil 30 por cento. Fibra | Porquê esta estratégia? XR-M | Porque o segmento empresarial é homogéneo em todo o mundo. As necessidades das empresas são muito mais semelhantes em várias partes do mundo do que as necessidades de outros segmentos de mercado, como o pessoal ou residencial. É mais fácil transferir competências naquele segmento do que nos outros. O mundo das telecomunicações é basicamente o mesmo em todo o lado, em termos tecnológicos e de estrutura de mercado. A Oni hoje em dia já exporta 30 por cento do que produz, principalmente junto dos carriers internacionais. É a operadora portuguesa que mais exporta até porque é mais fácil no segmento em que operamos. Fibra | Qual é o volume de facturação da Oni? XR-M | Em 2010 foi de 135 milhões de euros. Tivemos um EBITDA perto dos 30 milhões de euros e pelo terceiro ano conseguimos resultados líquidos positivos. Isto confirma que, do ponto de vista financeiro e económico, a estratégia que temos

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“No final de 2006, princípios de 2007 tomámos a decisão de nos concentrar só no mercado empresarial, que não foi entendida naquela altura mas hoje, toda a gente apoia e concorda com esse posicionamento”

“Acreditamos que, em África, depois do investimento em operadores móveis, vamos assistir a investimentos para prestar serviços a clientes empresariais, cujas necessidades exigem mais do que uma simples rede móvel”

seguido desde há quatro anos é a adequada. Conseguimos passar a nossa quota de mercado de 19 por cento para 23 por cento e duplicar a nossa quota na administração pública, onde tínhamos uma presença muito limitada. É o mérito da especialização e num mundo cada vez mais global em determinados âmbitos é importante essa aposta na especialização. Fibra | Quanto é que a Oni tem para investir na sua expansão no estrangeiro? XR-M | A Oni tem a vantagem de ter accionistas com músculo económico. A Riverside gere, neste momento, quase 4 mil milhões de dólares de fundos, é uma private equity bem sucedida e que está no mercado há 25 anos, sempre no top 25 em termos de rentabilidade e muito respeitada. Também temos um accionista local que tem muitas características da Riverside. O que falta neste momento são boas oportunidades de negócio porque o dinheiro existe. Eu diria que para uma operação até cem milhões de euros, nós teríamos facilmente esses meios. Fibra | Está na Oni desde o seu início. A empresa chegou a ter entre 1000 a 1500 trabalhadores e passou por momentos difíceis. Quando é que se dá o turnaround? XR-M | Começou a mudar em 2002, com o fecho da Oniway. Naquela altura, não existia 3.ª geração, os planos de negócio eram não só ambiciosos mas também “românticos”. Em 2005, foi vendida a Comunitel, em Espanha, e em 2007, quando começámos esta nova fase, a Oni tinha cerca de 400 pessoas e neste momento estamos ligeiramente abaixo das 300. Fibra | Em 2007, ascende a ceo de uma empresa onde estava desde o início. Como é que mobilizou as pessoas para o novo desafio? Qual foi a sua mensagem? XR-M | A comunicação é uma peça fundamental. A comunicação honesta, clara, frequente, intensa é a chave de qualquer mobilização. O trabalho de um líder de qualquer empresa tem duas componentes funO novo agregador das comunicações


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Edição vídeo desta entrevista em www.fibra.pt

Fibra | Como vê a evolução do sector das comunicações a nível mundial? Vamos ter a Google e o Facebook como operadoras? Vamos ver as operadoras a comprar empresas de conteúdos? O JPMorgan investe no Twitter, o Goldman no Facebook… XR-M | Estamos a viver momentos extraordinários e de transição. São momentos muito estratégicos, ao contrário dos últimos anos, que têm sido mais tácticos e onde existiam uma série de regras para criar valor. Temos que optar, se quisermos continuar a ser gestores de infra-estruturas, se quisermos vir a ser gestores de conteúdos, mais locais ou globais. Isso conduz a posturas muito diferentes no mercado e a complexidade. Estas complexidades levam a dois tipos de situações, nos gestores: isto

damentais: uma é transmitir paixão e a segunda é provocar a mudança permanente. Se não há paixão e não há mudança não são precisos líderes porque a máquina funciona. Eu tive a sorte de ter uma equipa forte, experiente que tem sido parte da solução e não do problema, nestes últimos quatro anos. A sustentabilidade tem sido uma palavra-chave naquilo que temos feito nestes últimos anos, desde as questões ambientais até às condições de trabalho – a Oni é uma das melhores empresas para trabalhar em Portugal pelo terceiro ano consecutivo. O caminho é mais fácil quando temos a noção de qual é o objectivo do esforço. Comprar a dedicação e a obediência das pessoas é fácil, basta dinheiro. O que não se compra com o dinheiro é a iniciativa, o compromisso e a paixão. Isso conquista-se com respeito, partilha, honestidade. Joana Carravilla | A Social Media, e especialmente as redes sociais estão a captar muito da atenção e do investimento em comunicação e publicidade das marcas de grande consumo. Na sua opinião, como é que uma empresa como a Oni, que trabalha essencialmente o mercado B2B, pode entrar e marcar presença neste novo universo do social? XR-M | A Oni Communications está a reposicionar-se na cadeia de valor digital. Para uma empresa que actua no B2B, como nós, as redes sociais têm um significado diferente, que se traduz em passar processos do mundo offline para o online, suportados na capacidade de largura de banda das Redes de Nova Geração (RNG), num modelo B2B2C. A rede da Oni Communications é toda ela uma RNG, o que nos capacita particularmente para desenvolver conteúdos que tirem partido das suas potencialidades, aplicados aos segmentos que servimos, como seja, a saúde, a educação e os serviços financeiros. Trata-se de processos complexos, que requerem a integração de diferentes componentes, jurídicas, de segurança e outras. Contamos até ao final do ano apresentar um projecto que materialize o nosso reposicionamento no mundo digital. O novo agregador das comunicações

é tudo muito difícil e não se faz nada ou simplifica-se em excesso. Eu acho que a complexidade tem a ver com as infra-estruturas que querem convergir, temos de optar entre apostar mais em infra-estruturas ou em conteúdos. Penso que os “desenvolvedores” de conteúdos vão ter aspirações, cada vez mais aprofundadas, de fazer coisas que historicamente têm estado reservadas para operadores de telecomunicações. Não tenho dúvidas de que o papel do operador de telecomunicações está em profunda transformação e há que tomar opções. Vai haver consolidação e importa perceber a importância dessa consolidação para a Europa. Hoje em dia, a Ásia domina a produção, os EUA a criação de novas experiências de utilização. O que é que a Europa domina neste momento?

Joana Carravilla country manager e sócia da Seara.com

PERFIL

Um catalão rendido a Lisboa Tem quatro filhas, três nascidas em Portugal. Os portugueses são “periféricos”, tal como os catalães. Lisboa é uma cidade mediterrânica, uma característica comum a Barcelona. Estas são apenas algumas das razões que levam Xavier Rodríguez-Martín a estar de pedra e cal em terras portuguesas. Chegou em 1995, quando a PT pediu apoio à Telefónica para montar as estruturas de comunicações da Expo 98. Veio por seis meses, ficou até 1997 e depois instalou-se definitivamente em Portugal. Tudo porque o presidente da EDP, na altura, o desafiou a entrar no projecto da Oni como chief technical officer. Foi um “desafio apaixonante”, diz Xavier. Considera que a empresa lhe tem dado desafios interessantes

e por isso está para ficar. Trabalhou três vezes na Telefónica e por três vezes saiu do grupo espanhol. Passou pelo Peru e pela Califórnia, nos EUA, onde foi director de marketing na DASAR, Inc. Engenheiro de Telecomunicações, graduado em Economia e Finanças pela ESADE Business School de Barcelona, tem um MBA pela IMD Business School, de Lausanne, na Suíça. Pertenceu ao Comité Organizador dos Jogos Olímpicos de Barcelona’92, onde foi responsável pela Direcção de Operações de Imprensa e televisão. Fez vela, esqui, squash e râguebi, e hoje faz um pouco de jogging para manter a forma. Sobre o clube da sua preferência, nem é preciso acabar a pergunta: Barcelona, de corpo e alma.

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Arranca campanha de sensibilização para a TDT

O início da campanha de sensibilização para a transição do sistema analógico para a Televisão Digital Terrestre (TDT), em Portugal, arrancou a 10 de Março, em Lisboa. Realçando o empenho do Governo neste projecto, António Mendonça, ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, garante que todos os cidadãos terão acesso à

televisão digital pelo que existirá uma subsidiação por parte do Estado para a população mais carenciada. De modo a cumprir com as directivas europeias, a última fase do switch off está agendado para 26 Abril de 2012, sendo que, ainda este ano, as zonas piloto de Alenquer, Cacém e Nazaré, vão deixar de ter sinal analógico.

Sonaecom lucra sete vezes mais

Microsoft reforça investimento

A Sonaecom atingiu, em 2010, um resultado líquido de 41,2 milhões de euros, o mais elevado de sempre. Este valor compara-se com aos 5,7 milhões alcançados no exercício de 2009. A empresa diz que o volume de negócios consolidado foi influenciado pela tendência de crescimento das receitas de clientes no móvel, que aumentou para os 466,5 milhões de euros. No entanto, devido à desaceleração do programa “e-iniciativas”, com menores tarifas de terminação móvel e um declínio nas tarifas reguladas no roamingin, o volume de negócios diminui 3 por cento em relação a 2009, para 920,7 milhões de euros.

A Microsoft anunciou um investimento de mais de 5,5 milhões de euros no centro de investigação e desenvolvimento em tecnologias de reconhecimento e síntese de fala em Portugal. No total, o investimento neste projecto ascende aos 13,3 milhões de euros. A empresa refere que o objectivo passa por “acelerar projectos de investigação e desenvolvimento, em tecnologias de pesquisa e em tecnologias de interacção natural com os computadores, com a consola de jogos Xbox Kinect e com os smartphones”.

Telemóveis crescem 9% em Portugal

Fibra óptica com mais clientes

A IDC divulgou o estudo IDC European Mobile Phone Tracker que indica um crescimento, em 2010, de 9 por cento no mercado português de telefones móveis, traduzindo-se num total de 6,1 milhão de unidades vendidas. Apesar destes valores, o quarto trimestre de 2010 ficou marcado por uma queda de 7 por cento, em relação ao mesmo período de 2009. O crescimento anual teve por base a elevada procura de smartphones, com especial destaque para os dispositivos com sistema operativo Android, cujas vendas cresceram quase 1, 9 por cento, face a 2009.

A Autoridade Nacional para as Comunicações diz que as redes fixas de alta velocidade, em 2010, alcançaram os 292 mil clientes, num total de 1,47 milhões de casas cabladas com fibra óptica no final do último trimestre do ano. No mercado residencial, 278 mil clientes utilizaram serviços suportados em acessos de alta velocidade FTTH (fiber-to-the-home) e EuroDOCSIS 3.0 ou equivalente, enquanto no segmento não residencial o número chegou aos 14,4 mil no final de Dezembro.

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pessoas Zeinal Bava, presidente executivo da PT Comunicações, foi distinguido pela revista norte-americana Institutional Investor Magazine, como o melhor ceo da Europa. Na votação para o prémio de melhor ceo, atribuído pelos investidores, o empresário da PT foi escolhido por 21,91 por cento dos votantes, enquanto, por exemplo, o responsável da Vodafone, Vittorio Colao, ficou em 2.º lugar com 17,89 por cento. No 3.º lugar da tabela ficou o responsável pela operadora Royal KPN, AJ Scheepbouwer, que conseguiu 15,73 por cento dos votos. Nuno Balsa é o novo innovation manager da Construlink, empresa especializada no desenvolvimento de aplicações e-business de elevada prestação, desempenho e qualidade. Na sua nova função, tem como responsabilidades promover a inovação dentro da empresa, representar a visão da Construlink perante os stakeholders e estudar e apresentar as possíveis estratégias a tomar na área da inovação. Preparar a empresa para os desafios do futuro, estando atento às novidades externas e promover a inovação dentro da empresa, é também um dos objectivos deste responsável. Rafinha Bastos¸ humorista brasileiro, é a personalidade mais influente no Twitter. A informação foi revelada num trabalho do The New York Times referido no site da “Folha de São Paulo”. O brasileiro lidera o top ten das pessoas mais influentes na rede social, ficando à frente de nomes como Barack Obama (7.º lugar), o rapper Snoop Dogg (6.º lugar) e Conan O´Brien (3.º lugar). O novo agregador das comunicações


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NYT com conteúdos pagos O The New York Times (NYT) passou a cobrar pelos seus conteúdos online desde o dia 28 de Março. O jornal vai ter diversas modalidades de subscrição, sendo que os valores partem dos 15 dólares para uma subscrição de quatro semanas, com acesso completo a todos os conteúdos online e à aplicação que permite aceder aos mesmos através de smartphones. Para quem assina a versão em papel, o NYT assegura acesso gratuito aos conteúdos digitais.

Google, a empresa mais valiosa do mundo A Google é actualmente a marca mais valiosa do mundo. Quem o diz é a Brand Finance no seu ranking anual. A empresa surge avaliada em 44,3 mil milhões de dólares (cerca de 31 mil milhões de euros). Entre as 500 marcas avaliadas, o 2.º lugar é da Microsoft que, na opinião da consultora, vale 42,8 mil milhões de dólares (30 mil milhões de euros). Para 3.º lugar, desceu na liderança do ranking, a Walmart que está avaliada em 36,2 mil milhões de dólares (25 mil milhões de euros). A primeira marca portuguesa na tabela é a EDP que surge em 280.º lugar, uma posição acima do Facebook. O novo agregador das comunicações

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iPad 2 chega a Portugal

Maior rede mundial de spam foi encerrada

A Apple lançou no dia 25 de Março o iPad 2 em mais 25 países, entre os quais, Portugal. Os preços recomendados deste gadget partem dos 479 euros no caso do iPad Wi-Fi e dos 599 euros no caso do iPad 2 com WiFi + 3G. Nos Estados Unidos da América, o iPad 2 tem tido “uma procura incrível”, refere Steve Jobs, ceo da Apple.

As autoridades dos EUA e técnicos da Microsoft foram os responsáveis pelo encerramento de uma das maiores fontes de spam do mundo, a rede Rustock. A operação, realizada em sete cidades dos EUA, resultou de uma queixa apresentada pela companhia contra a operadora do botnet (rede de computadores infectados com programas para enviar spam) num tribunal de Seattle. A Microsoft acredita que pode haver um milhão de computadores infectados com o malware Rustock, que enviava até 30 mil milhões de mensagens de spam por dia, sem o conhecimento de seus utilizadores.

ISCTE-IUL e MIT Portugal promovem empreendedorismo O ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa e o Programa MIT-Portugal vão promover a 2.ª edição do ISCTE-IUL MIT Portugal Venture Competition, o maior concurso de empreendedorismo de base tecnológica em Portugal. Esta é uma iniciativa que conta com a parceria do Deshpande Center for Innovation, da Sloan Business School e da Caixa Capital (Grupo Caixa Geral de Depósitos) que vão premiar os quatro melhores projectos e equipas, em cada uma das quatro áreas de mercado a concurso, com apoios financeiros até um milhão de euros. O objectivo deste programa passa por lançar e apoiar projectos de produtos ou serviços inovadores de alto valor acrescentado e comercialmente viáveis. O ISCTE-IUL MIT Portugal Venture Competition está aberto a projectos elaborados por indivíduos, politécnicos e universidades e outras instituições, públicas ou privadas. As candidaturas podem ser efectuadas online até dia 15 de Maio.

ANACOM lança leilão para redes 4G A ANACOM vai lançar em Junho o leilão das frequências que permitem a 4.ª geração móvel, também conhecida como LTE, podendo as receitas chegar aos 450 milhões de euros, caso todos os lotes sejam licitados. O projecto de regulamento do leilão para o Long Term Evolution (LTE), que permitirá velocidades ultra rápidas de internet nos dispositivos móveis, inclui oito categorias e 33 lotes com diversas frequências, variando os preços de reserva entre dois e os 55 milhões de euros.

Música no Máximo na TMN A TMN apresentou a sua estratégia para a área da música em Portugal, que surge agora reforçada e ancorada em quatro vectores principais: festivais, uma rádio, uma sala de espectáculos permanente e o serviço Music Box. “TMN, Música no Máximo” é a assinatura que reflecte a aposta. A nova estratégia passa, entre outros, por um renovado conceito SWtmn – que se reflecte no festival SWtmn e na Rádio SWtmn –, pela criação do espaço TMN ao Vivo e serviço Music Box. A rádio está no ar desde o dia 25 de Março. 40

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Casais escondem do parceiro os seus hábitos online Cerca de um terço dos casais de internautas portugueses esconde do parceiro segredos de navegação online, indica um inquérito, realizado online, pela Microsoft Portugal no portal de conteúdos MSN. De acordo com a empresa, 44 por cento dos homens inquiridos “preocupamse mais com o facto de as parceiras verem o seu histórico de navegação do que estas”, especialmente no que se refere a páginas de pornografia, banca e compras. No caso das mulheres, e embora se possa pensar que estas são mais propensas a visitar em segredo sites de compras online, “a verdade é que 49 por cento dos homens estão mais interessados em manter discretas as suas compras online, ao contrário do sexo feminino português que não ultrapassa a fasquia dos 35 por cento. “Surpreendentemente, 43 por cento das mulheres preocupa-se com o facto de alguém poder ver os sites pornográficos que visitaram”, aponta ainda o estudo.

YouTube quer transmitir futebol em directo O YouTube, detido pela Google, está em negociações com várias instituições para assegurar os direitos de transmissão em directo de provas desportivas online, entre as quais estão as principais ligas de futebol europeias. O YouTube entende que a transmissão de eventos desportivos em directo faz com que os seus utilizadores fiquem mais tempo no site, o que aumenta o interesse dos anunciantes. O novo agregador das comunicações


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SÉRIES

Nuno Santos é fã do 24

“24”, que tem passado na RTP2, é uma das minhas séries preferidas. Adrenalina magistralmente combinada com humanidade, que tem em Jack Bauer (o agente mais reputado da Unidade Contra-Terrorismo dos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, o ser humano mais frágil de todo o enredo), o seu protagonista e símbolo maior. Encontro naqueles 50 minutos várias pistas para relaxamento e descontracção (não obstante o ritmo frenético) e, ao mesmo tempo, notas muito pertinentes para reflexão sobre o que nos move nas relações exigentes com todos os que estão à nossa volta. Vale a pena ver.

De segunda a sexta-feira às 03h05

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Nuno Santos Licenciado em Economia pela Universidade Católica, Nuno Santos fez parte do grupo de alunos que realizou a 1.ª edição do The Lisbon MBA – o programa de MBA conjunto das universidades Nova e Católica, em parceria com o MIT. Com apenas 33 anos, já passou pela Microsoft, UMIC, Arthur D. Little e, durante os últimos cinco anos, fez parte da administração do Turismo de Portugal. Actualmente, Nuno é o director-geral da GFI Portugal.

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hoBBy

Cristóvão Cunha

Desde pequeno que o pai de Cristóvão Cunha incutiu no filho a prática do desporto. Cedo começou a jogar golfe, mas foi nos courts do CIF que aprendeu e tomou o gosto pelo ténis. Nessa altura ainda se lembra de apanhar o autocarro n.º 27 que, desde o Saldanha até ao CIF (junto às Torres do Restelo), demorava mais do que uma hora! Embora não costume jogar em campeonatos, a prática desta modalidade tem contribuído para cimentar amizades e manter a boa forma física. Nos últimos tempos tem treinado com um professor no “Clube 7” (no Marquês de Pombal) uma vez por semana, o que lhe permitiu melhorar a técnica e a preparação física. Depois joga mais uma ou duas vezes com amigos em jogos renhidos. Complementa o ténis com aulas de alongamento, indispensáveis para manter afastadas as dores de costas. Como diz o ditado, corpo são em mente sã. O ténis é indispensável para ajudar no dia-a-dia da vida empresarial que é cada vez mais exigente, stressante, que exige um raciocínio ágil e preciso. Tem ainda outros hobbies, tais como andar de bicicleta, viajar, gadgets de produtividade e os sistemas de home entertainment da Apple.

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Cristóvão Cunha Nasceu no dia 5 de Outubro de 1964, em Vila Nova de Gaia. Licenciou-se em Engenharia de Sistemas Decisionais e, posteriormente, frequentou diversos cursos em Portugal, EUA, Inglaterra e Espanha sobre Gestão, Marketing e Novas Tecnologias. Logo após a licenciatura, Cristóvão Cunha criou a sua primeira empresa, a Projesi, que actua no ramo das Tecnologias de Informação (TI). Entre esta primeira empresa e a gestão das actuais, estão mais de 20 anos de experiência profissional. Actualmente é administrador de algumas empresas destacando-se a Voxtron Iberia, onde é director-geral. O novo agregador das comunicações


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Restaurante

Manuel Falcão director-geral da Nova Expressão

Invulgar e delicioso Gemelli Rua Nova da Piedade 99 (a S. Bento) Telef. 213 952 552 www.augustogemelli.com/pt

Conheci as artes do chef Augusto Gemelli ainda no seu antigo e primitivo restaurante, a Galeria Gemelli, um pequeno espaço na Rua de S. Bento, onde antes havia nascido o XL. O local deve dar boa sorte porque, uns anos depois de lá ter nascido, o XL mudou-se para um local maior e cresceu em todos os sentidos. O mesmo aconteceu com Gemelli, que mudou um pouco mais para baixo, para o amplo espaço por cima do mercado de S. Bento, na esquina da Rua Nova da Piedade com a Rua de S. Bento. Das janelas, rasgadas, vêse o Parlamento e não é invulgar, ao almoço, ver-se por lá alguns deputados ou algumas pessoas que, por razões várias, gostam de almoçar com deputados. As presenças são aliás pluralistas – em comum apenas o desejo de ir descobrindo os desafios e a criatividade de Augusto Gemelli. Criatividade não é uma palavra vã – neste restaurante a ementa vai variando, consoante os produtos sazonais mas, também, consoante as experiências que Augusto Gemelli vai fazendo, e de onde surgem algumas combinações de ingredientes e temperos inesperadas – por exemplo fettuccine fresco com baunilha e salmão marinado com creme de courgettes e coentros. Promissor, não é? Podem acreditar que é fantástico. Os clientes habituais sabem que, ao longo do ano e mesmo dentro de uma estação, há novas propostas que vão surpreendendo.

A geografia Augusto Gemelli estudou na escola de hotelaria de Milão e chegou a Portugal em 1998, tinha 31 anos. Um ano depois abria a Galeria Gemelli, que rapidamente ganhou o estatuto de melhor restaurante italiano de Lisboa e, sem dúvida, um dos melhores da cidade. Em 1999 mudou-se para o espaço por cima do renovado mercado de S. Bento, O novo agregador das comunicações

onde anos antes havia funcionado o restaurante Zutzu, que à época teve o seu encanto. Mas adiante – o novo espaço, mais amplo, possibilitou desenvolver novas actividades, nomeadamente promover com regularidade, aos sábados de manhã, cursos de culinária, que vão desde ideias para refeições rápidas a fazer durante a semana até um Menu de Páscoa Alternativo – a aula para este tema terá lugar no dia 22 de Abril e os detalhes podem ser encontrados no site do restaurante, cuja referência está no início deste artigo. A sala é espaçosa, as mesas são confortáveis, há uma pequena zona de bar à entrada e numa das paredes, próxima da cozinha, está um quadro com um grupo de comensais frequentes da casa, todos figuras bem conhecidas, que durante uns anos constituírem uma tertúlia petisqueira regular. Deixo à curiosidade de cada um saber quem é quem naquela tela – sendo que um dos intervenientes é também o seu

autor. Nada como um pequeno mistério para animar uma boa refeição.

Experiências variadas A variedade de propostas, a decisão de trabalhar com produtos da estação, o desafio de misturar a tradição italiana com a portuguesa (por exemplo, no risoto de couve lombarda e maçã reineta com farinheira), tudo isto faz do restaurante Gemelli uma descoberta sempre renovada. Eu confesso que sou fã desde a pequena e antiga sala na Rua de S. Bento. O local é tão bom para um almoço de trabalho, como para um calmo jantar a dois, ou para uma mesa alargada de amigos decididos a pôr o paladar em dia. Ao almoço existe actualmente um menu gourmet expresso, com entrada, prato principal e sobremesa, incluindo ainda um copo do vinho seleccionado na semana. Claro que ao almoço e ao jantar existe sempre a possibilidade de escolher as propostas da lista (onde, por exemplo, estão sempre

deliciosos raviólis de massa fresca). Mas se tiver espírito aventureiro sugiro que se coloque nas mãos do chef e lhe peça uma sugestão. Pode fazer o mesmo em relação aos vinhos, já que esta casa leva a sério a escolha dos vinhos que melhor se adequam às propostas da lista – pode verificar isso nos menus especiais de almoço de sexta-feira (entrada, dois pratos e sobremesa) onde cada prato vem acompanhado por um vinho diferente. Claro que a tarde de sexta-feira pode ficar um pouco menos produtiva, mas vale a pena ter estas experiências.

Custos operacionais Uma refeição pode ir dos 16 euros do menu prato único “o melhor de Itália” ao almoço, até aos 59 da degustação de sete pratos, passando pelos 32 euros do menu de almoço de sexta-feira ou os 21 euros do menu gourmet expresso, também ao almoço. Ou, ainda, os 20 euros (sem vinhos) dos menus temáticos que surgem volta e meia – o melhor é ir consultado o site ou tornar-se assinante da newsletter e ir recebendo no email as novas propostas. À noite o menu de quatro pratos anda nos 32 euros, e o de sete pratos nos 59 euros, em ambos os casos sem vinhos – e devo dizer que a carta de vinhos é excelente e o escanção é sabedor. Finalmente, se for fã da página de Gemelli no Facebook terá direito a algumas promoções especiais.

BANDA SONORA

Um caso de amor à primeira vista The Decemberists nasceram há 10 anos, em Portland, Oregon. Fizeram o seu percurso pelo circuito das editoras independentes e tornaram-se notados pela sua sonoridade folk, com recurso a instrumentos acústicos – desde o contrabaixo até ao acordeão. Ao longo desta década foram evoluindo, sempre construindo canções muito narrativas, cada uma encerrando uma pequena história sobre um personagem. O seu mais recente trabalho, The King Is Dead, é o seu 6.º álbum, um caso de amor à primeira vista. Mais do que em alguns registos anteriores,

este CD evoca muitas vezes a tradição musical norteamericana, com momentos onde se notam influências de nomes como Neil Young ou os REM (Peter Buck colabora aliás no disco). Outra das colaborações vem de Gillian Welch, uma das mais importantes folk singers norte-americanas que foi às raízes musicais dos Estados Unidos buscar inspiração e que aqui se destaca. The King is Dead é um disco inspirado e arrebatador e uma das mais interessantes edições dos últimos meses.

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Viajantes

São Tomé e Príncipe

Muitas praias desertas subaproveitadas e com enorme potencial turístico

A excepcional gastronomia deste país

O caos da principal praça de táxis da cidade de São Tomé

Corria o ano de 2004 quando Tiago Andrade rumou, por motivos profissionais, até São Tomé e Príncipe, onde ficou até 2006. A sua ida para este país tinha um objectivo: liderar a equipa que montou um banco de investimento da família Mirpuri. No entanto, durante dois anos descobrem-se muitas coisas, nomeadamente porque São Tomé e Príncipe é “um ‘país-ilha’ com capacidades turísticas infinitas que não são (ainda) devidamente aproveitadas”. Tiago considera que existem muitas praias que têm um enorme potencial turístico e que estão subaproveitadas. Na sua opinião, “são concessões atrás de concessões que não resultam em projectos dinamizadores e criadores de riqueza”. Com uma “gastronomia excepcional”, as sugestões do ceo da Lifetime passam pelo Peixe Vermelho que “mais parece carne de porco na grelha”. Tiago Andrade sugere-nos o restaurante “O Bigode” que “tem uma vista excepcional” sobre uma das muitas baías da cidade de São Tomé. As outras sugestões de visita passam pela Praia do Pirata, o ilhéu das Roldas e a Ilha do Príncipe.

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2004-2006

Uma das muitas antigas roças que hoje se encontram em regime de exploração turística

Uma praia inesquecível!

Tiago Andrade ceo e accionista da Lifetime, é licenciado em Gestão de Empresas pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa – Instituto Universitário de Lisboa. Ao longo da sua vida profissional, Tiago já foi management consultant na Air Luxor, senior consultant no National Investment Bank e executive director da WM – New Marketing Concepts. O novo agregador das comunicações


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montra

Furla vem adoçar o gosto das mulheres Depois de um intenso e chuvoso Inverno em que a irreverência da Furla não faltou, vem o anseio de respirar a cor dos dias mais quentes de 2011. A Furla lança agora uma linha de malas com cores apetitosas que promete deliciar e encantar as mulheres que procuram originalidade, cor, irreverência e glamour. Candy é o nome desta nova linha da colecção Primavera/Verão 2011.

Hugo Boss lança Orange para homem Depois das fragrâncias femininas da colecção Orange, Hugo Boss lança a primeira fragrância masculina a integrar esta mesma colecção – Boss Orange for Men – uma fragrância poderosa, capaz de absorver todo o optimismo, alegria e liberdade de espírito de um homem. Composto por baunilha, maçãs frescas, incenso quente e madeira exótica de Bubinga, esta fragrância promete ser uma experiência intensa.

Timberland cumprimenta os primeiros dias de sol Para iniciar a nova estação, a Timberland sugere a linha Primavera/Verão – Classic Boat – renovada para o presente ano de 2011. Desta linha faz parte o novo modelo feminino, um sapato de pele cosido à mão, de cor Rootbeer Smooth, com traços simples e elegantes, perfeito para os dias mais estimulantes e activos.

Vodafone lança Samsung Galaxy Ace A Vodafone Portugal acaba de lançar, em exclusivo, o Samsung Galaxy Ace, o novo smartphone 3,5G, com processador de 800MHz, ecrã capacitivo de 3.5”, câmara de 5.0 megapixel com vários modos de disparo e flash LED, GPS, Wi-Fi e BluetoothTM. O seu design elegante e minimalista apresenta uma forma arredondada e tamanho compacto, combinando elegância e tecnologia. O novo agregador das comunicações

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O mundo à minha procura

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Ricardo Carriço iPhone Assume-se dependente do iPhone, o seu verdadeiro “escritório ambulante”. É o penúltimo modelo, 16 GB onde tem “tudo”. Já faz parte da sua vida: para pesquisar na net, aceder aos emails, “ver o que se passa” no Facebook ou mesmo jogar uma partida de Solitaire… O operador é Optimus: afinal é embaixador da marca!

Portátil Tem um portátil, mas com o iPhone já não é tão portátil quanto isso… pelo que fica em casa. A marca foi escolhida por conselho: “Aconselharam-me e comprei”. A internet chega-lhe pela Zon

iPad Não tem (ainda), mas está muito curioso. E a tentar comprar, “com calma”. Já experimentou e rendeu-se à versatilidade do mais cobiçado dos gadgets, sobretudo para quem lida frequentemente com texto. Também o seduz o lado ecológico: fica tudo armazenado, consulta-se quando se quer, não é preciso imprimir

Plasma Pelo plasma HD da LG com uns cinco ou seis anos passam, sobretudo, à boleia da Zon, os filmes dos canais Telecine e os documentários de canais temáticos como o História. Televisão made in Portugal também, sempre que pode vê o seu trabalho: “Não há um lado narcísico, mas sou muito crítico”

Lanterna “Já safou muita gente”. É pequena, azul metalizado e com luz LED. Tem lugar cativo na pasta, junto da fita métrica 46

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Foi modelo, músico, apresentador de televisão. E foi a televisão que o tornou conhecido, como actor de telenovelas. “Laços de sangue”, na SIC, é a mais recente. É também presença regular nos palcos de teatro nacionais. Aos 46 anos, Ricardo abraçou o projecto de uma associação cultural – Convergência. Embaixador da Optimus, é receptivo às novidades tecnológicas: “Aprendi a não ter medo da tecnologia”

Fita métrica Não é um gadget, mas anda sempre consigo: uma vulgar fita métrica de 3,65 m dá muito jeito. Com ela tem feito muitas medições do espaço que vai albergar o seu novo projecto: o Convergência – Associação Cultural, em Cascais

Máquina fotográfica Da sua máquina fotográfica, uma Minolta, diz que é uma vulgar, que usa mais em lazer do que no dia-a-dia, onde nada bate o iPhone. Com ela regista ideias e manchas que o inspiram e que alimentam um dos seus hobbies, a pintura

Aparelhagem Tem um Sony, uma aparelhagem clássica, daquelas por módulos. Já tem uns 20 anos. Por um “preço irrisório”, encontrou numa loja chinesa um sistema que lhe permite ter música em toda a casa. Blues, jazz, fusão, world music, desde que lhe dê tranquilidade e paz de espírito. Techno odeia. Phones na rua, também

Moleskine A clássica capa preta da Moleskine está presente a dobrar na sua pasta, sob a forma de uma agenda e um bloco de notas, ambos A5. Apesar de se rendido à tecnologia, acredita que o papel ainda não morreu. E prova-o na prática. O novo agregador das comunicações


/// ARTE CONTEMPORÂNEA /// CONTEMPORARY ART OBRAS DA COLECÇÃO BESart _BESart COLLECTION

/// ENTRADA LIVRE // FREE ENTRANCE // MORADA /// ADDRESS Praça Marquês de Pombal nº3, 1250-161 Lisboa

// TELEFONE /// PHONE 21 359 73 58

// EMAIL besarte.financa@bes.pt

// HORÁRIO /// OPENING HOURS Segunda a Sexta_9h às 21h Monday to Friday_9 a.m to 9 p.m


Fibra, Nº4  

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