Internet com preços reduzidos O Canal Rideau Imigração para o Quebéc Galinhada à brasileira
Founders
Regina Filippov (In Memoriam)
Teresa Baker Botelho
Editor-in-Chief
Teresa Baker Botelho
Editorial Contributors (Print / Online)
Alethéa Mantovani
Ana Carolina Botelho
Bárbara MunizVieira, LJI Reporter
Lorene Santiso, LJI Reporter
Rosemary Baptista
Saulo Miguez, LJI Reporter
Teresa Botelho
Graphic Design
CreativeTeam Canada creativeteam.ca
Sales
Hamilton: Rosemary Baptista
Toronto–GTA / National:Teresa Botelho
National Distribution (copies upon request)
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Local Distribution (complimentary)
Delivered by independent distributors to selected locations across theToronto–GTA region.
Wave Magazine is an Ontario-based ethnocultural publication dedicated to the Portuguese and Brazilian communities in Canada, available in both print and digital formats.The publication operates under a lean organizational structure and follows a collaborative production model involving volunteer (pro bono) contributors and freelance professionals engaged according to project needs.
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WAVE MAGAZINE DIGITAL Nº 2026 –1
5 Mensagem da Redação Wave
6 Entrevista com Geisa Roveri – O universo criativo da artista e restauradora brasileira
12 2026 é ano de Futebol – Copa do Mundo no Canadá, EUA e México
16 Cachaça – O destilado nacional brasileiro
19 Internet com preços reduzidos – Canadá oferece acesso à Internet para famílias de baixa renda
22 Felipe Moura – Ator brasileiro encena Hercule Poirot em peça baseada em obra de Agatha Christie
25 Inverno em Ottawa – Maior pista de patinação no gelo reforça tradição de inverno na cidade
29 Personagem Anônima – Crônica de Celina Penteado
28 Imigração para o Quebéc – Congelamento do Programa de Experiência Quebequense
30 Receita – Galinhada à brasileira
Leia nesta edição
Por Redação Wave, Toronto
Abrimos esta edição com uma entrevista com Geisa Roveri, artista e restauradora de móveis brasileira radicada no Canadá há 27 anos. Ela revela seu processo criativo, ressignificando formas, histórias e identidades.
O esporte ocupa lugar de destaque em 2026, o ano do futebol. Pela primeira vez, a Copa do Mundo da FIFA será realizada em três países — Canadá, Estados Unidos e México. Com partidas em solo canadense, o país entra no centro das atenções globais e vive um clima de celebração e projeção internacional.
Falamos também da cachaça, o destilado nacional brasileiro. Muito além de uma bebida, ela expressa história, tradição e identidade cultural, produzida a partir do caldo fresco da cana-de-açúcar e cada vez mais reconhecida fora do Brasil.
Na editoria de serviço, destacamos o Connecting Families Initiative, programa do Governo do Canadá que oferece acesso à internet residencial a preços reduzidos para famílias e idosos de baixa renda, promovendo inclusão digital e conectividade.
A cultura brasileira nos palcos canadenses ganha espaço com Felipe Moura, ator recifense que integra o elenco da peça The Murder of Roger Ackroyd, de Agatha Christie, abrindo a 113ª temporada do Ottawa LittleTheatre no papel do detetive Hercule Poirot.
O inverno em Ottawa também marca presença com a abertura da Rideau Canal Skateway, a maior pista de patinação natural do mundo e um dos maiores símbolos da tradição local.
Nesta edição, compartilhamos ainda a crônica “Personagem Anônima”, de Celina Penteado, que inaugura uma série semanal publicada em texto e áudio em nosso site, wavemagazine.ca.
Uma análise sobre o congelamento do PEQ em Québec também é destaque e, para fechar, a receita da galinhada à brasileira, prato clássico do Centro-Oeste, ideal para compartilhar no Dia da Família.
Geisa Roveri
Forma, tempo e afeto: o universo criativo da artista e restauradora brasileira
OPor Alethéa Mantovani, São Paulo
encontro entre diferentes culturas amplia repertórios e inaugura novas formas de criação. Nascida no Brasil e radicada no Canadá há 27 anos, Geisa Roveri construiu uma trajetória artística que atravessa territórios geográficos, estéticos e afetivos. Especializada na recriação de móveis, ela transforma cada peça em algo único, revelando histórias, identidades e um olhar atento ao tempo, ao cuidado e à singularidade dos materiais.
Criada em uma família bastante ligada às artes, Geisa conviveu cercada por referências criativas que, por muito tempo, lhe pareceram mais desafiadoras do que acolhedoras. A distância física e simbólica em relação às suas origens e à família despertou um desejo de reconexão. Foi na cultura brasileira que ela encontrou as referências essenciais das quais precisava, ou seja, o afeto pelo fazer manual, o respeito pelo artista e a valorização da singularidade do fazer.
Se o Brasil lhe deu a herança e a sensibilidade, o Canadá ofereceu a estrutura necessária. Ali, Geisa encontrou o acesso a materiais de alta qualidade e a
Geisa Roveri (Foto: arquivo pessoal)
proximidade com mestres europeus, criando o ambiente ideal para experimentar e evoluir. Hoje, o seu trabalho se equilibra entre o rigor técnico e a liberdade poética.
A relação do mobiliário como meio artístico surgiu de forma orgânica. Inicialmente atraída por linhas limpas e acabamentos minimalistas, Geisa passou a se interessar pelas reações entre tintas, vernizes e madeira. Pintar móveis deixou de ser suficiente, e eles passaram a ser telas. Para a artista, os móveis não precisam se limitar à função original, pois podem ser pontos de encontro, provocações visuais e portadores de memória.
Essa visão explica a sua escolha pela transformação, e não pela restauração tradicional. Embora respeite esse ofício, Geisa encontra inspiração em reinventar. Para ela, um móvel esquecido pode ganhar nova linguagem sem perder a sua história. Entre o boêmio, o mid-century e peças de aparência museológica, as possibilidades são infinitas. E vale destacar que, muitas vezes, é o próprio objeto que indica o caminho.
NoCanadá, o público responde com curiosidade e envolvimento. Muitos clientes levam peças herdadas, pedindo que o vínculo emocional seja preservado, mas atualizado. O processo é colaborativo e o resultado vai além de um
Geisa Roveri (Foto: arquivo pessoal)
móvel renovado: é um objeto que reescreveu a sua trajetória.
Criar em um mercado que privilegia o institucional e o monocromático é desafiador, mas Geisa vê nisso uma oportunidade de diálogo. Embora a produção em massa ainda predomine no Canadá, mercados como o dos Estados Unidos já demonstram maior abertura ao mobiliário transformado.
Grande parte de suas criações nasce de móveis simples ou esquecidos. Para Geisa, é inconcebível conviver com objetos que não despertem algum sentimento. Cada peça resgatada é também um gesto de consciência ambiental e uma oportunidade de aprofundar o seu processo criativo.
Ao dizer que os seus móveis têm alma, a artista se refere às memórias: mesas de almoços de domingo, cadeiras que acolheram gerações e objetos marcados por histórias cotidianas. Dar nova vida a essas lembranças é, para ela, uma maneira de honrar o passado sem impedir que o móvel pertença ao presente.
Entrevista com Geisa Roveri
WAVE MAGAZINE – Você nasceu no Brasil e vive no Canadá há 27 anos. Como essa vivência entre culturas influenciou a sua identidade artística?
GEISA ROVERI – Eu venho de uma família muito artística no Brasil, algo que, por muito tempo, me intimidou. Foi justamente a distância entre mim, minhas raízes e minha família que trouxe a necessidade de uma reaproximação, ainda que etérea. A riqueza da cultura artística brasileira e o carinho que o brasileiro nutre pelo artista, do poeta de cordel ao artesão, passando pelos grandes precursores, foram molas propulsoras para que eu pudesse, como artista, acreditar na possibilidade de canalizar a minha criatividade. O Canadá me ofereceu o habitat, com acesso a materiais de alta qualidade e uma distância relativamente curta entre mim e alguns dos meus mestres na Europa. O Brasil me presenteou,
Geisa Roveri (Foto: arquivo pessoal)
e continua me presenteando, com a herança artística da minha família, o amor pelo feito à mão e uma riqueza histórica e cultural que nunca deixa de me surpreender.
WAVE MAGAZINE – Em que momento você percebeu que o mobiliário poderia ser mais do que funcional, um meio de expressão artística?
GEISA ROVERI – Para mim, isso foi um processo. No início, eu utilizava tintas e técnicas comerciais, primer e tinta spray, buscando um visual moderno, limpo e minimalista. Esse período de simplicidade me levou a querer entender a reação química das tintas e vernizes em relação aos diferentes tipos de madeira. Era como se algo estivesse comprimido e que precisasse de um canal de expressão. Apenas passar uma demão de tinta nos móveis já não me interessava. Foi quando compreendi que móveis são canvas, telas onde diferentes artistas se expressam de maneiras distintas. Foi, sem dúvida, um processo de crescimento, autoconhecimento e de reconhecer com humildade que há beleza no imperfeito, no desajuste e no não padronizado. Uma mesa não precisa ser
apenas uma mesa. Ela pode ser um ponto de encontro, um assunto, um elemento de decoração e ainda assim cumprir sua função. Não existem regras que impeçam um guarda-roupa de ser mais do que um simples armazenador de roupas. Essas regras foram criadas pela produção em massa de mobiliário e itens decorativos. Móveis podem e devem contar uma história, além de cumprir a função para a qual foram criados.
WAVE
MAGAZINE – O que te levou a escolher o caminho da transformação e não apenas da restauração de móveis antigos?
GEISA ROVERI – Transformar móveis é, para mim, reinventar e desordenar um padrão. Eu acredito profundamente na restauração e respeito muito os artistas que vivem disso, mas não a vejo como o meu processo criativo. Transformar peças em móveis únicos é o que me inspira. Para mim, transformação pode significar pegar uma carteira escolar dos anos 1950 e reinventá-la como uma penteadeira. Ao mesmo tempo em que respeito a estética original do móvel, me permito criar uma nova história, uma nova função e um aprimoramento na
FELIZ
DIA DA FAMÍLIA!
sua linguagem visual. A transformação também me permite experimentar uma gama enorme de técnicas e estilos, do boêmio ao farmhouse, do mid-century a peças que parecem terem sido de um museu. As possibilidades são infinitas e, muitas vezes, são os próprios móveis que me mostram qual caminho seguir.
WAVE MAGAZINE - Como o público canadense reage ao seu trabalho? O que as pessoas aqui do país preferem?
GEISA ROVERI - O interesse pela transformação de móveis é bastante grande. O público consegue perceber que está diante de arte, e não apenas de um móvel pintado com uma cor moderna. Muitas pessoas me trazem peças herdadas ou móveis que já não conversam com o estilo atual da casa, pedindo que eu crie algo que preserve o vínculo emocional, mas que fale uma nova linguagem. Para mim, é essencial escutar a história do dono do móvel e compreender o resultado que ele busca. Juntos, escolhemos a paleta de cores, discutimos técnicas e possibilidades. A partir daí, o processo se torna orgânico. O resultado é um móvel que reescreveu a própria história por meio de um catalisador artístico. Se a peça continuará sendo importante daqui a 20 anos é irrelevante. Assim como as histórias mudam, mudam também os móveis que as acompanham. Meus clientes entendem isso.
WAVE MAGAZINE –Você comenta que o mercado norte-americano tende a buscar peças mais institucionais e monocromáticas. Como é criar arte em um ambiente que nem sempre está aberto ao diferente?
GEISA ROVERI – É desafiador e, ao mesmo tempo, estimulante. Historicamente, muitos artistas apresentaram ideias novas e tiveram inúmeras portas fechadas antes que alguém se interessasse pelo seu trabalho. Eu não me considero uma pioneira, mas confesso que me acostumei com portas fechadas. Cada porta que se fecha cria uma oportunidade de educar com cuidado o público sobre a importância de investir em arte sustentável e funcional. É comum ouvir que uma casa moderna não combina com as minhas peças. Eu vejo isso como um ponto de partida para introduzir a ideia de visuais ecléticos e contrastantes. Algumas peças de mobiliário são atemporais, mesmo pertencendo a períodos históricos ou estilos diferentes. Não acredito que tudo precise combinar, nem que tudo precise ser institucional ou monocromático. Levar essas ideias a um público acostumado à produção em massa é, de fato, desafiador. Ainda assim, eu só preciso de um comprador para cada peça. O trabalho é extremamente individualizado e único. (...)
Copa do Mundo no Canadá, EUA e México 2026é ano deFutebol
Por Redação Wave, Toronto
Oano de 2026 promete entrar para a história do futebol. Pela primeira vez, a Copa do Mundo da FIFA será realizada em três países:Canadá, EstadosUnidos e México. E sim, o Canadá não será apenas coadjuvante: alguns jogos oficiais do Mundial acontecerão em solo canadense, colocando o país no centro das atenções globais e transformando cidades canadenses em verdadeiros palcos de celebração.
As cidades-sede noCanadá serãoToronto e Vancouver, duas metrópoles vibrantes, multiculturais e com forte presença brasileira, comunidades lusófonas, latinas e outras amantes do futebol. Estádios de padrão internacional, infraestrutura moderna e uma atmosfera diversa fazem dessas cidades o cenário perfeito para receber torcedores do mundo inteiro. Para brasileiros, portugueses e todos os amantes de futebol que vivem no Canadá, será uma oportunidade única de vivenciar a Copa de forma intensa.
A experiência da Copa vai muito além dos estádios. Em todo o país, especialmente em cidades como Toronto, Mississauga, Brampton, Vancouver, Montreal e outras regiões com forte presença brasileira e portuguesa, bares e
restaurantes já se preparam para transformar cada jogo em um grande evento social.Telões, decoração temática, camisetas das seleções, música, comidas típicas e aquele clima de torcida que só quem ama futebol conhece.
Para muitos imigrantes, a Copa do Mundo é um momento de conexão. Reunir amigos para assistir aos jogos do Canadá e de seu país natal, comentar cada lance em seu idioma nativo e vibrar a cada gol cria um sentimento de pertencimento e comunidade. Os bares frequentados pelos brasileiros, em especial, costumam se destacar pela energia contagiante, com feijoada, pão de queijo, caipirinhas e muito samba ou pagode antes e depois das partidas. Já os restau-
rantes portugueses trazem o sabor do bacalhau, dos petiscos tradicionais e daquele espírito apaixonado que acompanha a seleção das quinas.
A expectativa é que a Copa de 2026 movimente não só o turismo nacional, mas também a economia local, fortalecendo pequenos negócios, restaurantes independentes e espaços culturais ligados às comunidades imigrantes. Muitos estabelecimentos já planejam programações especiais, transmissões de vários jogos por dia e eventos temáticos para atrair torcedores de todas as idades.
Mais do que um evento esportivo, a Copa do Mundo de 2026 no Canadá será uma celebração da diversidade, da convivência multicultural e da paixão pelo fu-
tebol. Para os amantes de futebol que escolheram o Canadá como casa, será o momento perfeito para celebrar, torcer, reunir amigos e mostrar que, mesmo longe, o coração continua batendo no ritmo da bola.
O time do Canadá fará sua estreia histórica em casa na Copa do Mundo FIFA 2026™, coorganizada por Canadá, Estados Unidos e México. Os jogos da fase de grupos da seleção canadense serão realizados em Toronto, Ontário, no Toronto Stadium (BMO Field), e em Vancouver, Colúmbia Britânica, no BC Place. A equipe estreia em Toronto no dia 12 de junho, com os dois próximos jogos da fase de grupos programados paraVancouver nos dias 18 e 24 de junho. A torcida canadense terá um sabor especial, com brasileiros, portugueses, e tantos outros amantes de futebol se unindo para apoiar as seleções. Estimase que a torcida local e internacional chegue a milhões de pessoas, transformando os estádios e as cidades em um
Prepare a camisa de sua seleção, combine com os amigos
e
escolha seu local favorito para assistir aos jogos
verdadeiro festival multicultural. Além de acompanhar a seleção, os turistas poderão aproveitar tudo o que o Canadá tem a oferecer: das atrações urbanas deToronto, como a CNTower e o Distillery District, às belezas naturais de Vancouver, como o Stanley Park e a Capilano Suspension Bridge. O país também preparou eventos culturais, transmissões públicas das partidas e experiências interativas, garantindo que visitantes e torcedores vivam o clima do
cachaça é muito mais do que uma bebida no Brasil — é um símbolo cultural, profundamente ligada à história, às tradições e ao cotidiano do país. Produzida a partir do caldo fresco da cana-de-açúcar, a cachaça é o destilado nacional brasileiro e uma das bebidas alcoólicas mais antigas das Américas. Sua trajetória reflete a própria história do Brasil: complexa, resiliente e cheia de personalidade.
O que diferencia a cachaça de outros destilados — especialmente do rum — é sua matéria-prima. Enquanto o rum é geralmente feito a partir do melaço, a cachaça é destilada diretamente do caldo fresco da cana-de-açúcar. Após a colheita, a cana é moída para extrair o cal-
do, que passa por fermentação com leveduras naturais ou selecionadas. Em seguida, o líquido fermentado é destilado, tradicionalmente em alambiques de cobre, que ajudam a preservar os aromas e sabores característicos da cana. A cachaça pode ser consumida sem envelhecimento, conhecida como branca ou prata, apresentando um perfil fresco, herbal e vibrante. Também pode ser envelhecida em barris de madeira, tornando-se amarela ou ouro. Diferentemente de muitos destilados que utilizam apenas carvalho, produtores brasileiros recorrem a madeiras nativas como amburana, bálsamo, jequitibá e ipê. Essas madeiras conferem aromas e sabores únicos — que vão de notas de
baunilha e especiarias a nuances florais e herbais — resultando em uma diversidade sensorial rara no mundo dos destilados.
Internacionalmente, a cachaça é mais conhecida como o ingrediente principal do coquetel brasileiro mais famoso: a caipirinha. Feita com cachaça, limão, açúcar e gelo, a caipirinha traduz o espírito da hospitalidade brasileira — simples, refrescante e alegre. No entanto, a cachaça também é apreciada pura, especialmente em suas versões premium e envelhecidas, que podem rivalizar com bons whiskies e brandies.
Nos últimos anos, a cachaça tem conquistado maior reconhecimento fora do Brasil. O fortalecimento de produtores artesanais, a melhoria dos padrões de qualidade e a proteção de indicações geográficas ajudaram a elevar seu prestígio no cenário internacional. Hoje, a cachaça é celebrada não apenas como base para coquetéis, mas como um destilado sofisticado, digno de apreciação.
Acima de tudo, a cachaça representa a riqueza cultural do Brasil. Está presente em encontros familiares, celebrações, festivais de música e conversas ao fim do dia. Cada garrafa carrega o sabor da terra, o conhecimento de gerações e o calor da identidade brasileira.
Entender a cachaça é compreender um pouco do Brasil — seu passado, sua criatividade e seu espírito duradouro.
A cachaça tem um papel fundamental tanto no mercado interno quanto externo, sendo um dos pilares da cadeia produtiva de bebidas no Brasil. No mercado doméstico, ela é amplamente
consumida, gera milhares de empregos diretos e indiretos e sustenta desde grandes indústrias até pequenos produtores artesanais, especialmente em regiões rurais. Culturalmente, está presente no cotidiano dos brasileiros e movimenta bares, restaurantes, festas populares e o turismo gastronômico. No mercado externo, a cachaça vem ganhando espaço como um destilado de identidade única, valorizado por sua origem, métodos de produção e diversidade de sabores, tornando-se um importante produto de exportação e um embaixador da cultura brasileira no mundo. Esse crescimento internacional contribui para fortalecer a imagem do Brasil, agregar valor ao produto e ampliar oportunidades econômicas para o setor.
No Canadá, a cachaça brasileira pode ser encontrada tanto em lojas físicas quanto online das redes provinciais de bebidas alcoólicas. O estoque varia conforme a loja e a época do ano; por isso, é sempre recomendável consultar a disponibilidade da marca desejada no momento da compra.
Programa para famílias de baixa renda Internet a preços reduzidos
Por Lorene Santiso, LJI Reporter*
OConnecting Families Initiative é um programa do Governo do Canadá criado para facilitar o acesso à internet residencial por famílias e idosos de baixa renda, por meio de serviços oferecidos a preços reduzidos. A iniciativa busca responder às dificuldades de acesso digital enfrentadas por parte da população, garantin-
do condições mínimas de conectividade e, em alguns casos, a possibilidade de obter um equipamento digital a custo reduzido, enquanto houver disponibilidade. O funcionamento do programa baseia-se em um modelo de cooperação no qual a supervisão é exercida pelo Innovation, Science and Economic Develop-
Family Happy Day
ment Canada, órgão federal responsável pelas áreas de inovação e desenvolvimento econômico, enquanto diversos provedores de serviços de internet participam de forma voluntária. Esses operadores assumem os custos associados aos planos com desconto, sem financiamento direto do Estado, o que acaba limitando a disponibilidade do serviço a determinadas regiões do país.
A adesão ao programa depende exclusivamente do recebimento de uma carta-convite emitida pelo Governo do Canadá, na qual é confirmado que a família ou o indivíduo atende aos critérios de elegibilidade definidos com base na renda e em determinados benefícios sociais. Somente com esse código de acesso é possível realizar o cadastro na plataforma oficial doConnecting Families e escolher um provedor participante que atenda à região de residência do candidato.
Desde seu lançamento, em 2018, o programa tem passado por evoluções. Em uma fase mais recente, a iniciativa foi ampliada para incluir não apenas famílias de baixa renda, mas também idosos na mesma situação econômica, passando a oferecer planos com velocidades e volu-
mes de dados mais elevados por um valor mensal ainda acessível. De acordo com um representante do programa no Innovation, Science and Economic Development Canada, responsável pela coordenação institucional, “o objetivo é reduzir as desigualdades no acesso digital sem coletar dados pessoais sensíveis dos participantes”.
Para quem não dispõe de internet em casa, o apoio para o cadastro pode ser obtido em bibliotecas ou centros comunitários, com assistência adicional prestada por uma organização sem fins lucrativos parceira do programa.
Embora a maior parte do mercado canadense esteja atendida por operadoras participantes, a natureza voluntária da iniciativa faz com que ainda existam áreas sem cobertura. Nesses casos, os beneficiários são orientados a guardar a carta recebida, já que novos provedores podem aderir ao programa no futuro, possibilitando o acesso ao serviço em um momento posterior.
Texto (adaptado) de Lorena Santise, LJI Reporter, publicado sob licença Creative Commons.
Feliz Dia da Família!
Felipe Moura
Ator brasileiro interpreta Hercule Poirot em peça baseada em obra de Agatha Christie
Por Bárbara Muniz Vieira, LJI Reporter
Abrindo a 113ª temporada doOttawa LittleTheatre, a peçaThe Murder of Roger Ackroyd chega aos palcos da capital canadense com o ator brasileiro Felipe Moura no elenco.O recifense interpretaodetetiveHerculePoirot na montagem dirigida porGreg Hancock.
Adaptada para o teatro por Mark Shanahan, a peça fica em cartaz de 25 de fevereiro a 14 de março de 2026 e traz para o palco uma das histórias mais influentes deAgathaChristie, autora que, mesmo cinquenta anos após sua morte, celebrados em 2026, segue absolutamente viva no imaginário do público como grande nome da literatura policial. O papel de Felipe é central na trama. Hercule Poirot é um personagem recorrente na obra de Agatha Christie, aparecendo em dezenas de romances, como Murder on the Orient Express, Death on the Nile e Curtain. Em The Murder of Roger Ackroyd, porém, a autora atinge o auge do gênero: o livro é amplamente considerado sua obra-prima e foi eleito,
em 2013, o melhor romance policial de todos os tempos pela British Crime Writers’ Association,graçasàsuareviravolta inovadora que redefiniu a literatura policial. Como artista brasileiro, o significado de fazer parte destapeçaéaindamaisamplo, segundo Moura. “É importante mostrar que artistas brasileiros estão presentes, preparados e contribuindo ativamente para a cena cultural canadense. É um encontro de trajetórias, histórias e culturas — e o teatro é o lugar ideal para que esse encontro aconteça.”
Ambientada na aparentemente tranquila vila inglesa de King’s Abbot, a trama sedesenrolaapartirdamortedeumviúvo rico, seguida por um segundo assassinato aindamais chocante.À medidaquesegredos vêm à tona e suspeitas se espalham, cabe a Hercule Poirot (Felipe Moura) conduzir ainvestigação quedesafiacertezas e expectativas — tanto dos personagens quanto da plateia.
Trajetória de sucesso
É o segundo trabalho de Moura como ator em terras canadenses. Em sua estreia, Felipe encarnou o protagonista de “Romantic Comedy”, também no Ottawa Little Theatre. A segunda peça consolida a carreira internacional do ator brasileiro, que tem larga experiência emTV, teatro e cinema no Brasil.
“Minha trajetória no Brasil foi sólida no teatro, na formação de atores e diretores, e também no audiovisual, e isso me deu uma base técnica e artística muito importante que se traduziu perfeitamente ao chegar aqui”, afirma. Segundo ele, a chegada ao Canadá não significou um recomeço, mas um reposicionamento. “É entender um novo mercado, uma nova cultura e novas formas de contar histórias, sem abrir mão da minha identidade artística.”
Se no primeiro trabalho canadense o
ator esteve em uma comédia, agora o desafio é outro. The Murder of Roger Ackroyd exige precisão quase cirúrgica. “O detetiveHerculePoirotpedeumaltonível de controle e consciência narrativa. Cada gesto, pausa e escolha tem peso dramatúrgico. O texto não permite excessos: tudo precisa servir à história”, explica. Na obra de Agatha Christie, o detetive nunca é apenas um solucionador de enigmas — é uma peça-chave da engrenagem narrativa. E isso se mantém nesta montagem. “O maior desafio é sustentar múltiplas camadas ao mesmo tempo. O texto exige clareza absoluta, mas o personagem não pode parecer mecânico ou funcional”, diz Felipe. Para ele, a construção psicológica de Poirot acontece de forma subterrânea, em diálogo constante com os demais personagens, exigindo escuta ativa, disciplina técnica e inteligência emocional.
Os atores Garret Lee (Inspector Raglan) e Felipe Moura (Hercule Poirot). (Foto: divulgação)
O peso do texto de Agatha
Christie
Montar um texto de uma autora tão consagrada também impõe uma responsabilidade adicional, segundo Moura. “O respeito à obra começa justamente por não tratá-la como peça de museu”, afirma o ator.
“Agatha Christie construiu personagens profundamente humanos dentro de uma estrutura de mistério muito rigorosa. O frescor vem de tratar o personagem como alguém que vive e reage no presente da cena.”
É essa abordagem que mantém o detetive — figura central em sua obra — relevante mesmo décadas depois.
Além do desafio artístico, a produção carrega um forte simbolismo institucional. The Murder of Roger Ackroyd abre a 113ª temporada do Ottawa Little Theatre, um dos espaços mais tradicionais da cena cultural da cidade. “É uma
grande responsabilidade e, ao mesmo tempo, um privilégio. Fazer parte desse momento é assumir um compromisso com o legado do teatro”, diz Felipe.
SERVIÇO:
Espetáculo:The Murder of Roger Ackroyd
Local: Ottawa LittleTheatre
Endereço: 400 King Edward Avenue, Ottawa
Data: de 25 de fevereiro a 15 de março 2026
Quarta a sábado: às 19h30
Domingos: (1º e 8 de março), às 14h30
Ingressos:
Adultos: CAD 32
Seniors: CAD 28
Estudantes: CAD 10
Venda de ingressos:
Site: www.ottawalittletheatre.com
Telefone da bilheteria: 613-233-8948
(Esquerda para direita) Heather Bruce (Gertrude Ackroyd),Jon Morel (Major Hector Blunt), Sarah Parsons (Flora Ackroyd) e Bob Hicks (John Parker) - (Foto: divulação)
Maior pista de patinação no gelo do mundo reforça tradição de inverno
Por Bárbara Muniz Vieira, LJI Reporter
Atemporada de inverno em Ottawa começou oficialmente com a abertura da 56ª temporada da pista de patinação no gelo no canal, a Rideau Canal Skateway. Famosa por deter o título de maior pista de patinação congelada naturalmente do mundo, a pista, no entanto, só foi aberta integralmente na segunda-feira, 5. Inicialmente foi aberto um trecho de 3,4 quilômetros, ligando o acesso da SomersetWest à ponte da BankStreet.
Este ano, totalidade dos 7,8 quilômetros do canal foi liberada para patinação, permitindo que moradores e visitantes percorressem o trajeto completo. No entanto, a National Capital Commission (NCC) alerta que, devido às temperaturas positivas previstas ao longo da semana, é provável que alguns trechos voltem a ser fechados temporariamente, por questões de segurança, até que as condições do gelo se estabilizem.
Até lá, muitas famílias brasileiras fazem questão de aproveitar a maior atração da cidade durante o inverno.
Segundo a National Capital Commission (NCC), responsável pela operação do canal, o frio registrado em dezembro criou
Marcela, Alex e Lucca: diversão no Rideau Canal Skateway (Foto: arquivo pessoal)
condições ideais para a formação do gelo. Todos os invernos, o histórico Canal Rideau, reconhecido como Patrimônio Mundial da UNESCO, se transforma em um dos espaços públicos mais emblemáticos do Canadá, atraindo moradores e turistas em busca de lazer ao ar livre.
Muito além da patinação
Para quem vive em Ottawa, o canal é sinônimo de atividades ao ar livre em todas as estações. A brasileira Marcela Braga, moradora da região, destaca o caráter democrático e acessível do espaço.
“Aqui no Canadá, existe muita possibilidade de fazer atividades ao ar livre, e eles aproveitam ao máximo os espaços públicos. No caso do Canal Rideau, isso fica muito claro”, afirma.
No verão, ela participou de atividades de canoagem gratuita, oferecidas mediante inscrição online. O programa inclui aula introdutória, instrutores, equipamen-
tos completos — como coletes salvavidas, remos e bolsas impermeáveis e flutuantes — e acompanhamento constante na água.
“Eles fazem primeiro a instrução em terra, depois ajudam todo mundo a entrar na canoa.Você treina entre boias antes de ir para o canal aberto. O tempo todo tem monitor supervisionando. É muito seguro e muito agradável”, relata.
A experiência, segundo ela, foi vivida em família, com o marido Alex e o filho Lucca, de oito anos, reforçando o caráter inclusivo das atividades oferecidas.
Um espaço para todos
No inverno, essa diversidade de usos se repete. Embora a patinação seja a principal atração, o canal também recebe pessoas caminhando com botas de neve, famílias com carrinhos de bebê, crianças em trenós e visitantes que apenas querem apreciar a paisagem.
“Mesmo quem não sabe patinar consegue aproveitar. As laterais do canal ficam com gelo não nivelado, onde dá para caminhar. É um espaço realmente democrático”, explica Marcela.
Ela destaca ainda o valor turístico e urbano da iniciativa:
“Sou formada em turismo, e uma das coisas que a gente sempre discute é o aproveitamento das áreas urbanas de lazer e de contato com a natureza. O canal faz exatamenteisso:integramoradoreseturistas,pessoasdediferentescidadeseculturas.”
Dicas para quem vai ao gelo
Apesar do charme, a experiência exige alguns cuidados. Para iniciantes, a patinação no canal pode ser desafiadora.
“Não é como uma arena fechada. O gelo é natural, tem rachaduras, ondulações, folhas presas. Quem não tem firmeza pode cair, o que é normal”, alerta.
Ela recomenda patins bem afiados, roupas adequadas para o frio intenso, luvas, cachecol e proteção máxima contra o vento. Para quem sente muito frio nos pés, palmilhas térmicas podem fazer a diferença. A infraestrutura inclui pontos de acesso com banheiros, áreas aquecidas, venda de alimentos típicos — como os famosos BeaverTails — e bebidas quentes, como chocolate quente. Os horários são flexíveis,eopercursopodeserfeitoportrechos.
A ideia de transformar o canal em uma pista de patinação surgiu na temporada 1970–1971, por iniciativa do então presidente da NCC, Doug Fullerton. Em janeiro de
1971, um pequeno grupo de funcionários da comissão, munidos de pás e vassouras, limpou um trecho entre as pontes Mackenzie King e Laurier, próximo ao National Arts Centre. A experiência deu tão certo que a pista foi estendida até o Dow’s Lake, formando um trajeto de cerca de 5 quilômetros. Naquele primeiro ano, iluminação e música foram adicionadas para permitir a patinaçãonoturna.Apesardaneveintensae das longas horas extras, as equipes conseguiram manter a pista em funcionamento. Oresultadofoiimediato:centenasdemilhares de pessoas aderiram à novidade, dando início a uma tradição que atravessa gerações.
2026!
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Personagem Anônima
Por Celina Penteado
Poderia ser 1964, maio. Mas era setembro, 2025.
Foiumencontrocasual,poiseuprecisava da cadeira em que havia deixado suas bolsas. Gentilmente me cedeu o lugar e sorrindo voltou os olhos para o telefone.
Leia. Ouça. Crônicas de Celina Penteado
A Wave Magazine publica periodicamente crônicas de Celina Penteado, em texto e áudio, com voz da própria autora.
Sentei e agradeci, mas meu francês denunciou uma origem desconhecida. Mistério desfeito, gentilezas trocadas e junto com o ar frio daquele fim de tarde, voltei minha atenção para o vai e vem de toda aquela gente apressada...
Me contou entusiasmada o quanto aquele bairro havia mudado nas últimas décadas. Concordei em silêncio e a ouvi contar sobre uma tarde específica na primavera de 64. Não era sobre romance, era sobre perda.
Aofinal,sedespediu,sorriumaisuma vez e seguiu andando até que meus olhos a perderam de vista. Para ela, ainda era 1964, uma jovem mulher envolvida por milhares de lembranças.
Para mim, 2025 continuava a me surpreender!
Personagem anônima. (Foto: Celina Penteado)
Imigração para oQuébec
Por Bárbara Muniz Vieira, LJI Reporter
Ode
congelamento e, mais recentemente, o cancelamento definitivo do Programa de Experiência Quebequense (PEQ) têm provocado impactos profundos na vida de milhares de imigrantes temporários no Québec — incluindo estudantes, trabalhadores qualificados e suas famílias. Entre eles está Sérgio Silva educador popular brasileiro que vive na província desde 2022 e hoje integra o movimento de mobilização contra as mudanças na política migratória. Com mais de dez anos de experiência na formação de educadores e professores, Sérgio chegou ao Canadá com a esposa, Alline, e os dois filhos gê-
Grupo protesta em Montréal contra fim do PEQ (Foto: arquivo pessoal)
meos, Enzo e Gianluca, hoje com 16 anos, para cursar um mestrado em Educação em Montreal. A família se estabeleceu rapidamente: os filhos ingressaram em classes de acolhimento e passaram a estudar em francês; a família frequentou cursos de francização; e Sérgio realizou toda a formação universitária em francês, além de participar de sessões de integração cultural desde a chegada. Segundo ele, a decisão de permanecer no Québec foi tomada de forma consciente, com base nas regras vigentes à época.
“Quando saí do Brasil, em 2022, o PEQ existia e era apresentado pelo próprio governo do Québec como um programa estruturado, previsível. A proposta era clara: estudar ou trabalhar na província, comprovar proficiência em francês e, depois, solicitar a residência permanente.”
Impacto na saúde mental e na carreira
O cenário mudou drasticamente em novembro de 2024, quando o governo anunciou o congelamento do PEQ para determinados perfis — justamente quando Sérgio havia acabado de se formar e se preparava financeiramente para aplicar.
“O impacto foi imediato na minha saúde mental. Comecei a ter crises de ansiedade por causa da imprevisibilidade. Logo depois vieram sintomas de depressão. Isso afetou diretamente meu desempenho profissional.”
Recém-contratado para um trabalho na sua área de formação, Sérgio relata que precisou iniciar tratamento medicamentoso e que sua performance no trabalhofoiprejudicada.Osefeitos se estenderam à família: um dos filhos passou a apresentar dificuldades escolares, e a esposa começou a ter problemas de sono, também recorrendo a medicação. Em junho de 2025, ao fim do contrato, ele optou por não renová-lo.
Sergio Silva, educador brasileiro, relata ansiedade, perdas profissionais e incerteza após fim do Programa de Experiência Quebequense (PEQ)
“Eu poderia ter continuado, mas sentia que não estavaentregandooqueeu era capaz. Hoje trabalho de forma autônoma, oferecendo formações pontuais,masaindanãoconseguimerecolocar formalmente. Isso tem um impacto financeiro real.”
Sergio (direita) com esposa e filhos (Foto: arquivo pessoal)
A falta de dados oficiais
Estima-se que existam entre 500 mil e 600 mil residentes temporários atualmente no Québec. No entanto, ainda não há dados precisos sobre quantos são diretamente impactados pelas mudanças no PEC.
Na comunidade brasileira, uma pesquisa independente está sendo lançada para mapear os impactos, mas os dados ainda são preliminares. Os relatos, segundoSérgio,serepetem:adoecimentomental, instabilidade financeira e insegurança quanto ao futuro. “Ninguém quer ir embora. As pessoas só querem que o governo reconheça o que foi prometido e permita uma transição justa.”
O que diz o Ministério da Imigração do Québec
Procurado pela reportagem, o Ministério da Imigração, da Francização e da Integração (MIFI) afirmou que não há previsão de retomada do Programa de Experiência Quebequense (PEQ) nem de adoção de uma cláusula de grand-père para pessoas que estavam no território e pretendiam aplicar pelo programa antes de seu encerramento.
Emrespostaenviadaporescrito,oministério informou que seguirá analisando todas as solicitações recebidas antes do fim oficial do PEQ, em 19 de novembro de 2025, assim como pedidos de inclusão ou retirada de dependentes. Esses dossiês,
segundo o MIFI, continuarão sendo avaliadosdeacordocomasregrasdoantigoprograma.
Já as pessoas que pretendiam aplicar, mas não conseguiram submeter a candidatura antes do encerramento, são orientadas a depositar uma declaração de interesse na plataforma Arrima, para possível seleção por meio do Programa de Seleção deTrabalhadoresQualificados (PSTQ).
De acordo com o ministério, candidatos com diploma obtido no Québec e experiência de trabalho na província — especialmente fora dos grandes centros urbanos — podem receber convites para apresentar uma solicitação de seleção permanente no novo programa. Os critérios de convite, afirma o MIFI, estão disponíveis em seu site oficial.
Questionado sobre o número de pessoas diretamente afetadas pelo fim do PEQ, o ministério afirmou que não é possível fazer uma estimativa, já que não há dados sobre quantas pessoas pretendiam utilizar o programa como via de acesso à residência permanente.
Sobre as alternativas ao PEQ, o MIFI reforçou que o encerramento do programa “não marca o fim do acesso à residência permanente”, destacando que o PSTQ permite a seleção por convite, com base em perfis considerados prioritários para o Québec. Ainda assim, o ministério ressaltou que ter status temporário não garante a obtenção do Certificat de sélection du Québec (CSQ) nem da residência permanente.
“A responsabilidade de manter as informações atualizadas e completas na plataforma Arrima é de cada candidato”, conclui a nota.
Galinhada à brasileira
Por Redação Wave
Clássica, aromática e cheia de memória afetiva, a galinhada é um dos pratos mais representativos da culinária brasileira quando o assunto é comida para compartilhar. Tradicional da Região Centro-Oeste, especialmente de Goiás, e Minas Gerais, surgiu na cozinha rural, onde reunir a família em torno da panela sempre fez parte do ritual.
Feita com frango, arroz e temperos simples, atravessou gerações mantendo sua essência: praticidade, sabor e convivialidade. Um prato que convida ao almoço de domingo, à conversa demorada e ao estar junto — exatamente o espírito do Dia da Família.
Ingredientes (4-6 pessoas)
• 1 kg de frango em pedaços (coxa e sobrecoxa)
• 2 xícaras de arroz
• 3 dentes de alho picados
• 1 cebola grande picada
• 1 tomate picado
• 1/2 pimentão picado (opcional)
• 2 colheres (sopa) de óleo ou azeite
• Sal e pimenta-do-reino a gosto
• Páprica ou colorau a gosto
• Cheiro-verde picado
• 4 xícaras de água quente
Modo de preparo
1. Tempere o frango com sal, pimenta do reino e alho.
2. Em uma panela grande, aqueça o óleo e doure bem o frango. Reserve.
3. Na mesma panela, refogue a cebola, o tomate e o pimentão.
4. Volte o frango para a panela, acrescente o arroz e misture bem.
5. Adicione a água quente, ajuste o sal e deixe cozinhar em fogo médio até o arroz ficar macio.
6. Finalize com cheiro-verde, enfeite com tomate e sirva ainda quente.
7. Se quizer, leve o prato ao forno para dourar e criar uma camada crocante.
Dica BrazilianWave:
Sirva com salada fresca, farofa e uma limonada gelada. Para os adultos, uma caipirinha suave de frutas pode completar o clima de celebração.