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Foto: Marcos Corbari

RIO GRANDE DO SUL

Terra

Esportes

Movimento Pequenos Agricultores incentiva uso da semente crioula

Euforia da Copa não reflete no Campeonato Gaúcho Feminino

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23 de agosto a 06 de setembro de 2019 distribuição gratuita brasildefato.com.br

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Ano 2 | edição 18

Cerca de 30 mil pessoas marcaram presença no ato que encerrou as atividades em defesa da educação pública e contra a reforma da Previdência em Porto Alegre (RS), no dia 13 de agosto. O ato fez parte da Jornada de Luta Pela Educação, convocada pela União Nacional dos Estudantes (UNE). Segundo levantamento da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), manifestações ocorreram em pelo menos 211 municípios brasileiros. Páginas 3, 4 e 5

Foto: Marcelo Ferreira

Defesa da educação e da Previdência leva milhares às ruas


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OPINIÃO

PORTO ALEGRE, 23 DE AGOSTO A 06 DE SETEMBRO DE 2019

ARTIGO | Liberar saque do FGTS é uma armadilha

CHARGE | Santiago

Dionilso Marcon *

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de agosto

O amargo sabor

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gosto, o mais cruel dos meses, carrega um rol de desastres. Em agosto de 1954, um tiro no coração arrastou multidões em pranto pelas ruas. No mesmo mês de 1961, Jânio Quadros renunciou e o país mergulhou na crise. O agosto de 1976 levou outro presidente, Juscelino Kubitschek. Agosto tragou também Miguel Arraes (2005) e seu neto Eduardo Campos (2014). E no dia 31 de agosto de 2016, concluiu-se o golpe contra Dilma para entronizar o caótico período Temer, aplainando-se o terreno para a eleição fraudulenta do que hoje aí temos. Agosto é também o mês da Lei da Anistia. Promulgada no dia 28, está completando 40 anos. Permitiu o retorno dos exilados e seu retorno à vida política. Embora desejada, veio com defeito de fabricação. Naquele momento de transição, impôs-se uma excrescência: o perdão aos torturadores, estupradores e assassinos, responsáveis por crimes imprescritíveis, sewww.brasildefato.com.br redacaors@brasildefato.com.br (51) 98191 7903 /brasildefators @Brasil_de_Fato

gundo tratados internacionais firmados pelo Brasil. Sancionada sob a ditadura, pode-se dizer que os autores dos crimes decidiram perdoar a si próprios. Agosto, então, deu um travo amargo a um momento que deveria ser de consagração à justiça. Porém, no último dia 14 deste agosto de 2019, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região deu um alento às vítimas de 21 anos de barbárie impune. Aceitou denúncia de tortura e estupro feita pela presa política Inês Etienne Romeu, já falecida, contra um militar. Agosto, este de agora, também é o primeiro que o país passa sob o mando de um admirador da tortura e dos torturadores, que louva os porões e que acha que o erro da ditadura “foi torturar e não matar”. Diante desta figura atroz, vale notar que, no Cone Sul da América, nossa nação foi a única que não puniu os militares pelos seus crimes. E notar, ainda, que é a única em que eles voltaram ao poder.

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CONSELHO EDITORIAL Danieli Cazarotto, Cedenir Oliveira, Fernando Fernandes, Ezequiela Scapini, Ronaldo Schaefer, Frei Sérgio Görgen, Ênio Santos, Isnar Borges, Cláudio Augustin, Fernando Maia, Neide Zanon, Edison Terterola, Mariane Quadros, Daniel Damiani, Jéssica Pereira, Ademir Wiederkehr, Alex Ebone, Luiz Müller, Vito Giannotti (In Memoriam) | EDIÇÃO Katia Marko (DRT7969), Marcos Corbari (DRT16193), Ayrton Centeno (DRT3314) e Marcelo Ferreira (DRT16826) | REDAÇÃO NESTA EDIÇÃO Fabiana Reinholz, Marcelo Ferreira, Stela Pastore, Marcos Corbari e Eduarda Schein. | DIAGRAMAÇÃO Marcelo Souza | DISTRIBUIÇÃO Alexandre Garcia | IMPRESSÃO Gazeta do Sul | TIRAGEM 25 mil exemplares

Se a medida do governo entrar em vigor, esse dinheiro voltará para os bancos, pois em um país com 63,4% das famílias endividadas, a opção da grande maioria dos brasileiros será pagar as contas. Ou seja, não impulsionará o consumo, nem gerará emprego. A POIO

EDITORIAL |

assaram-se seis meses do governo Jair Bolsonaro e o que assistimos é um tsunami de medidas que atingem diretamente os direitos dos trabalhadores do campo e da cidade. Menos direitos e mais pobreza. Um presidente despreparado que ainda não desceu do palanque eleitoral. O governo anunciou a liberação do FGTS, o que mostra claramente a falta de plano para o desenvolvimento da economia para o país. É mais uma propaganda enganosa, repetindo a atitude de Michel Temer (MDB) em 2017 – afinal já sabemos que essa medida não vai resolver o problema do desemprego que atinge mais de 30 milhões de brasileiros, nem da economia que está longe de atingir qualquer expectativa do governo, do mercado, e principalmente do povo. A liberação de até R$ 500 reais do FGTS é mais uma armadilha para a classe trabalhadora que, na verdade, vai acabar com uma boa parte da poupança que possui no seu nome. Se a medida do governo entrar em vigor, esse dinheiro vol-

tará para os bancos, pois em um país com 63,4% das famílias endividadas, a opção da grande maioria dos brasileiros será pagar as contas. Ou seja, não impulsionará o consumo, nem gerará emprego: servirá para diminuir os valores negativos nas finanças da população, e para boa parte, nem servirá para quitar completamente suas pendências. De acordo com pesquisa feita pela CNDL e pelo SPC, a dívida média do brasileiro chegou a R$ 3.239,48 em maio. E o número de brasileiros inadimplentes, que não consegue sequer pagar contas de água e luz e estão com o CPF negativado, bateu novo recorde e chegou a 63,2 milhões em abril, o que representa 40,4% da população adulta do país, de acordo com a Serasa. Por mais que essa medida do governo não mexa nas outras formas de saque existentes hoje referentes ao FGTS, a Medida Provisória de Bolsonaro - que ainda precisa passar pela aprovação da Câmara dos Deputados para realmente valer, é uma maquiagem que não resolve o problema e coloca o trabalhador numa emboscada: optando pelos saques anuais em seu aniversário, trabalhadores terão confiscado 60% do total do FGTS que poderiam sacar nas situações já previstas em lei, o que é um completo absurdo. O governo Bolsonaro pode até tentar parecer ser voltado aos mais pobres, mas não podemos nos deixar enganar: esse governo é dos ricos. Dos banqueiros, dos grandes empresários. E essa medida referente ao saque do FGTS é mais um exemplo disso. Num primeiro momento, se analisarmos superficialmente, parece algo bom, mas se pararmos para pensar por alguns instantes, a verdade é que ela é uma grande emboscada para atacar mais direitos do povo trabalhador.

* Assentado da reforma agrária e deputado federal (PT/RS)


GERAL

PORTO ALEGRE, 23 DE AGOSTO A 06 DE SETEMBRO DE 2019

DEFESA DA EDUCAÇÃO E DA PREVIDÊNCIA

“TODO INVERNO É SEGUIDO POR UMA PRIMAVERA” Fotos: Marcelo Ferreira

Em Porto Alegre, cerca de 30 mil pessoas protestaram contra os ataques à educação pública e à aposentadoria FABIANA REINHOLZ E MARCELO FERREIRA

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PORTO ALEGRE (RS)

erca de 30 mil pessoas marcaram presença no ato que encerrou as atividades em defesa da educação pública e contra a reforma da Previdência em Porto Alegre (RS), no dia 13 de agosto. O ato reuniu estudantes, integrantes de diretórios acadêmicos, dos movimentos sociais, de centrais sindicais, de partidos políticos, trabalhadores de variados setores ameaçados pelas políticas do governo federal como professores, petroleiros, do audiovisual e artistas, aposentados e desempregados. O ato fez parte da Jornada de Luta Pela Educação, convocada pela União Nacional dos Estudantes (UNE). Segundo levantamento da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), manifestações ocorreram em pelo menos 211 municípios brasileiros. Na capital gaúcha, as atividades iniciaram ainda pela manhã com o Salão Nobre da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) lotado para o painel “O Futuro das Universidades Públicas e Institutos Federais no Brasil”. Às 14h, o funcionalismo público gaúcho e os professores da rede estadual ocuparam a Praça da Matriz, em frente ao Palácio Piratini, sede do executivo gaúcho, em protesto contra os desmandos dos governos Eduardo Leite (PSDB) e Bolsonaro (PSL). Por volta das 18h, o ato unificado começava a ganhar peso na Esquina Democrática, até sair em caminhada em direção à Faculdade de Educação da UFRGS. O contingenciamento dos recursos à educação foi um dos pilares da manifestação, assim como o Future-se e a reforma da Previdência.

Ato reuniu estudantes, trabalhadores e diversas categorias

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“Brasil nunca teve um governo tão desqualificado”

professor Alexandre Rocha da Silva, da Faculdade de Comuni cação da UFRGS, aponta que o Brasil nunca teve um governo tão des qualificado na pauta política de ata ques à educação, à saúde, aos índios e aos direitos humanos. “É desquali ficado no sentido de produção de po lítica. Tem um ministro da economia que parece que parou de estudar na época do Pinochet, talvez fosse o me nos exótico entre os ministros, parou de estudar nos anos 70”, disse. Para o professor, a perspectiva é bastante crí tica. “A resistência no Brasil tem sido bastante complicada desde o golpe

de 2016, e me parece que os estudantes têm sido a força mais efetiva”, afirma. Formada em jornalismo e integrante do Levante Popular da Juventude Carolina Lima disse que o ato é importante para mostrar ao governo que o povo brasileiro está nas ruas e acredita na educação como uma forma de transformação da sociedade. “A gente quer que isso se concretize porque o acesso à educação é um sonho da periferia. Defendemos uma educação popular, precisamos de mais acesso e não de cortes.” Segundo ela, a educação é resistência nesse momento. “Mas a gente também é contra a reforma da Previdência, porque a gente sabe tam-

bém que isso tira a vida da juventude. Nós seremos os principais afetados e as mulheres, principalmente. Por isso estamos nas ruas contra esse governo, contra todos os retrocessos”. Os manifestantes seguiram pela Avenida Júlio de Castilhos, passando pelo Túnel da Conceição. Diferente das manifestações anteriores em defesa da educação e da Previdência, que encerravam no Largo Zumbi dos Palmares, a caminhada que iniciou na Esquina Democrática foi finalizada na Faculdade de Educação (Faced) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), por volta das 20h, com a promessa de que a luta não vai parar.

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GERAL

PORTO ALEGRE, 23 DE AGOSTO A 06 DE SETEMBRO DE 2019

Future-se é a privatização d

No dia de Luta em Defesa da Educação Pública, chamado nas redes sociais de #13M e #tsunaminaeducação, críticas ao programa Future-se, lançado pelo governo federal em julho, foi tema central nas manifestações de rua em todo o país. STELA PASTORE

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PORTO ALEGRE (RS)

m Porto Alegre, o dia 13 de agosto começou com um painel realizado pela Associação dos Docentes da UFRGS (Adufrgs) com centenas de educadores, técnico-administrativos e estudantes no Salão Nobre da Universidade Federal de Ciências da Saúde. No debate sobre “O Futuro das Universidades e Institutos Federais no Brasil” sucederam-se falas de reitores, diretores de Institutos Federais e dirigentes de organizações ligadas à educação. Todos fizeram uma profunda crítica ao programa apresentado sem qualquer debate com as instituições e sem conter nenhuma política pedagógica. É unânime a conclusão da intenção do presidente Jair Bolsonaro de privatizar o ensino superior público, repassando os recursos para organizações sociais e retirando a autonomia universitária e a visão de ensino inclusivo e socialmente referenciado. O desmonte da educação pública superior, iniciado com a aprovação da PEC 95 em 2016, que congela por 20 anos os gastos públicos na área social, mais os cortes de 30% anunciados esse ano e o Future-se, alarma os educadores que se pronunciam contrários às iniciativas e anunciam até a desativação das instituições por inanição. Mas mais do que um ataque econômico, o fundo dessas ações é ideológico.

Privatização planejada Diretor da Associação dos Técnico-Administrativos da UFRGS, UFCSPA e IFRS (Assufrgs), entidade também promotora do painel, Frederico Bartz, enfatizou que o Future-se é uma privatização branca, que usa a carcaça do público e o dinheiro do capital privado. “É a precarização, a terceirização, o apagamento do nosso futuro. Estar nas ruas é necessário”, conclamou. “O Rio Grande do Sul deve dizer um rotundo não ao Future-se”, resumiu o presidente do ANDES – Sindicato Nacional, Antônio Gonçalves. Para ele esse projeto vem sendo articulado desde o Consenso de Washington em 1989. “Assistimos a mercantilização ascendente com o Future-se, um projeto concebido há muito tempo. É um ataque sem precedentes ao serviço público e aos servidores. A educação pública é um direito, não uma mercadoria e deve ter dinheiro público. O fato de ter um fundo privado é a desresponsabilização do Es-

tado com a Educação”, destacou. Gonçalves alerta que o Projeto de Lei que propõe o Future-se é um cheque em branco, porque não detalha questões fundamentais para o ensino e é um caminho sem volta. Ele avisa que o projeto fala mais pelo que não está escrito do que no que está colocado em seus 45 artigos. O reitor da UFRGS, Rui Oppermann, alertou que o projeto altera 18 itens da Constituição Federal. “É a privatização do ensino, pesquisa e extensão entregues ao mercado”, define.

Dinheiro para o mercado “A universidade não mais será produtora de conhecimento, mas transportadora de recursos para as organizações sociais”, apontou a professora Solange Carvalho, representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e do Cpers-Sindicato. “Enquanto o presidente faz piada, seus ministros patrolam as políticas públicas e as universidades. Sem educação não há democracia”, destacou, lembrando que o poder está com o capital rentista que deseja implementar o Estado mínimo. A dirigente fez um chamamento para mostrar o que a universidade faz, sob pena de predominar a narrativa equivocada que vem sendo construída de que professores e manifestantes são vagabundos que atrapalham o trânsito. “Temos que ampliar a unidade e mostrar que todos perdem ao aceitar essa ordem que faz mal à escola, à universidade, ao Brasil e à democracia”, finalizou. MEC inimigo da Educação Das universidades regionais vieram profundas críticas ao Ministério da Educação. “Atualmente o MEC é o inimigo número 1 da Educação. Estão lá economistas frustrados e os estudantes devem dizer não ao Future-se”, registrou o reitor da Universidade Federal de Pelotas, Pedro Hallal. Desesperançosa com a sequência de ataques às instituições, a reitora da Unipampa, Nádia Bucco, desabafou: “Não estamos conseguindo viver o presente. Nos matam por inanição e a sociedade está anestesiada”. Mas se animou ao ver o auditório lotado e a unidade demonstrada nas falas. “Saio daqui mais animada e resistir é estar aqui”, concluiu com aplausos. Cláudia Dias, da direção da FURG (Universidade Federal de Rio Grande), falou emocionada da completa ausência de diretrizes educacionais no pacote do Future-se: “não traz nada sobre pedagogia”, lamenta. Paulo Burmann, reitor da Universidade Federal de Santa Maria, fala da detonação da autonomia com a proposta de parceria com as Organizações Sociais (OS). E desafia à pressão sobre os parlamentares federais para evitar a aprovação do PL, observando o impacto do projeto sobre toda a sociedade.


GERAL

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do ensino superior público Mobilização social para evitar retrocessos

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Foto: ASSUFRGS

Foto: ADUFRGS

Salão Nobre da UFCSPA ficou lotado para debater o futuro da universidade

“Os grandes prejudicados são os estudantes. Essa virada é a mobilização deles”, destacou o reitor da Universidade Federal Fronteira Sul, Jaime Giolo. Ele entende que o país vive uma cruzada ideológica, com grave aparelhamento das universidades, indicando os reitores e impondo o que chamou de “ideologização violenta”. O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT-RS), Claudir Nespolo, enfatizou que o papel da mobilização é reduzir o ciclo de retrocesso que as medidas provocam. “Quem não faz barulho, não é visto, não cumpre seu papel. Todo dia é dia de trazer consciência crítica.” Para ele, nesse momento da história brasileira prevalece o que que há de pior na política, na justiça, no exército, no empresariado e na universidade. “Precisamos estar mobilizados para encurtar esse período e trazer a esperança de volta. Esse é o tema da nossa luta.” Camila Silveira, da União Nacional de Estudantes (UNE), afirmou que o ataque além de econômico é ideológico. “Tentam ridicularizar o que a universidade produz. Não mostram que as 20 melhores universidades do país são públicas”, apontou. Para a líder estudantil, perder as universidades públicas é muito caro para o país. “Contem

com a UNE na defesa do Brasil e da Educação”, conclui. “A educação e a ciência são fundamentais para o futuro do Brasil, afirmou o pesquisador Ruben Oliven, da Academia Brasileira de Ciência. Para ele, o Brasil vive um momento de obscurantismo com o ataque ao conhecimento, que precisa ser revertido. A instituição fará uma série de Diálogos pela Democracia pelo país para reverter a narrativa equivocada sobre a produção de conhecimento.

Reação organizada O diretor de Políticas Educacionais da Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituições Federais de Ensino Superior e de Ensino Básico Técnico e Tecnológico (Proifes), Lúcio Olímpio de Carvalho Vieira, propôs a formação de uma Frente Nacional em Defesa da Educação Pública e do Brasil. “Nossa mobilização deve ser um marco histórico na luta desse país. É determinante fazer um pacto social pela democracia, pelo direito ao aprendizado, pela importância da tecnologia, da soberania pelo conhecimento”, convidou. O dirigente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SPBC), Carlos Alexandre Neto, propôs uma moção de repúdio ao Future-se por ferir os princípios constitucionais. “É preciso estar-

mos unidos pelos valores da educação pública de qualidade. Para isso a unidade, o diálogo com o parlamento, com a sociedade é tarefa principal. A luta está apenas começando”. O procurador do Ministério Público Federal Enrico Freitas reforçou a ilegalidade do Future-se, burlando um conjunto de artigos da Constituição.

Sem dinheiro, portas fecham As universidades e institutos federais poderão paralisar suas atividades por falta de recursos a partir do próximo mês. “Em setembro fecharemos as portas, se nada mudar”, reforçou o diretor do Instituto Federal do Rio Grande do Sul, Amiltom Figueiredo. Informação reforçada pelo reitor da UFSM, Paulo Burmann, pedindo o desbloqueio urgente dos recursos retidos pelo MEC. “É um grito urgente de socorro sob pena de não funcionarmos no próximo mês. A universidade não pode fechar”, acentuou. “Esse projeto é o dinheiro acima do direito à Educação. Os cortes que vêm sendo feitos impactam de morte a consolidação e expansão das Instituições Federais de Ensino. É uma tática de estrangulamento. As ruas precisam reforçar esse debate”, finalizou o dirigente do ANDES, Antônio Gonçalves.

Comunidade da UFRGS diz não ao Future-se Sessão histórica do Conselho Universitário debateu o projeto; posicionamento oficial sai após deliberação do Consun. FABIANA REINHOLZ

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PORTO ALEGRE (RS)

erca de duas mil pessoas lotaram, na manhã do dia 16 de agosto, o Salão de Atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), além de outras 500 do lado de fora, para acompanhar o debate sobre o programa Future-se e seus impactos nas Universidades e Institutos Federais. A atividade foi convocada por conselheiros e conselheiras do Conselho Universitário (CONSUN). Ao final da sessão, uma carta foi redigida pela comunidade universitária. Nela, foram elencadas as razões para dizer não ao Future-se, que servirá de base para que o conselho vote a posição oficial da Universidade. Comunidade acadêmica repudia projeto A sessão foi presidida pelo reitor Rui Oppermann e a vice-reitora Jane Tutikian. Na abertura da audiência, o reitor da universidade disse que muitas entidades brasileiras já se manifestaram contra o projeto e que o posicionamento da UFRGS será oficializada após a deliberação do Conselho, entidade responsável pelo posicionamento final da instituição. O reitor afirmou não ser favorável ao programa e observou que o mesmo foi elaborado sem a participação das universidades ou institutos. “Há uma ruptura do diálogo. Estamos em um risco muito grande, a própria natureza do ensino público e gratuito está em risco frente a essa proposta. Temos um grande problema nas mãos, temos uma minuta de projeto, temos um governo com viés conservador e que, desde o início de sua gestão, está nos colocando em xeque”, afirmou ao lembrar que as universidades estão sem recursos.


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TERRA

PORTO ALEGRE, 23 DE AGOSTO A 06 DE SETEMBRO DE 2019

AGROECOLOGIA | Pequenos agricultores alcançam

alta produtividade com sementes crioulas Foto: Marcos Corbari

Experimentos do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) estão comprovando ser possível produzir com baixo custo nas pequenas propriedades. MARCOS CORBARI

SANTA CRUZ (RS)

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Milho crioulo garante autonomia ao camponês Foto: Marcos Corbari

Câmara, e Leomar Guerino Fiuza, em Arroio do Tigre.

Lucas obteve 130 cestos com oito quilos de sementes No primeiro caso o resultado surpreende pelo pouco tempo que o camponês se dedica ao plantio de sementes crioulas – aproximadamente três anos. Lucas, que já está sendo considerado um “guardião de sementes”, plantou 8 quilos de sementes de milho em uma lavoura de meio hectare. Aplicando por volta de 100 quilos de adubo e ureia, obteve no final do processo 130 cestos, projetando um número que chegaria a mais de 120 sacas por hectare se implementada uma área maior. Tratava-se de milho derivado de um varietal produzido pela Oestebio (cooperativa camponesa de Santa Catarina) que se adaptou muito bem na região. A multiplicação foi realizada com a seleção direto na lavoura, aprimorando a genética da semente pelo método de seleção massal. Lucas garante

Foto: Marcos Corbari

Dedicação do campesinato com a semente crioula passa de geração para geração

Ciência e Tradição caminham de mãos dadas, construindo conhecimento Foto: Josuan Schiavo

esde sua constituição, o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) tem entre suas diretrizes a autonomia em relação à produção, seleção e melhoramento das sementes utilizadas por sua base. Em vésperas de mais uma Feira da Semente Crioula – evento está previsto para 11 de setembro em Encruzilhada do Sul – o desafio de alcançar alta produtividade com baixo investimento volta a ser pauta em destaque. “Não adianta nós termos sementes de alta tecnologia se os agricultores não tiverem condições de implementá-las”, reflete o dirigente do MPA, Miqueli Schiavon. Para ele, é preciso facilitar o acesso do pequeno à semente, de modo que permaneça com ela, que desenvolva autonomia e que seja empoderado ao longo do processo. “Nosso objetivo é ter volume suficiente à disposição para se acesse de forma justa a semente de qualidade”, explica. Duas experiências já têm demonstrado a viabilidade de se trabalhar com sementes crioulas fazendo frente ao modelo convencional. Para conferir, a reportagem visitou os camponeses José Carlos Lucas, em General

José Carlos fala com orgulho da sua produção de milho

que no próximo plantio a área será ampliada e acredita que poderá até aumentar esse índice de produção.

Fiuza já recebeu o status de guardião melhorista No segundo caso, Fiuza já recebe o status de “guardião melhorista”, desenvolvendo através da seleção na lavoura o processo de melhoramento da semente. Ele utiliza varietais produzidas pela Embrapa e também pelas unidades de beneficiamento vinculadas ao MPA. “Não é só a questão de utilizar, é ter a compreensão de que estamos buscando uma variedade que atenda as nossas necessidades”, explica.

“Selecionamos nos últimos tempos entre 10 e 12 variedades e estamos buscando apurar uma ideal, o que ainda deve demorar uns três anos para alcançar”, acrescenta, ao mostrar como procede a seleção e os critérios que considera para levar a semente de volta ao solo. “Não podemos plantar de qualquer jeito, tem que cuidar a polinização, o cruzamento, a questão da época do plantio, a lua para a colheita”, observa. “Nossa amostragem por mil plantas e peso de semente pode chegar em condições adequadas de lavoura e adensamento de plantas a padrões bem elevados, até 160 sacas por hectare”, garante.

MPA incentiva uso da semente crioula Josuan Schiavon, também dirigente do MPA, ressalta que “trata-se de uma estratégia do movimento fomentar através da semente crioula uma agricultura ambientalmente responsável e economicamente sustentável”. A relação de proximidade entre o camponês e a sua semente está alinhada ao surgimento da agricultura, elo que não deve ser rompido pela lógica permissiva do mercado. Aliás, quem também se mostra adepto dessa interpretação é o pesquisador da Embrapa Clima Temperado, Irajá Antunes: “Historicamente o mundo sempre teve como sustentação o que chamamos de variedades crioulas e, por isso, a humanidade sempre dependeu de alguns agricultores que hoje chamamos de guardiões de sementes”, pontua. “Na propriedade do Lucas nós observamos uma semente que está sendo utilizada há pouco tempo, mas é certo que ele está fazendo parte desse processo de sustentação ao utilizar uma variedade crioula, já com o Leomar, nós encontramos alguém que está desenvolvendo um milho novo, e com isso está atingindo um determinado nível de autonomia”, ressalta. Outros dois pesquisadores – Eberson Diedrich Eicholz e Gilberto Bevilaqua – também vinculados a mesma unidade da Embrapa, conheceram os experimentos e avaliaram o quadro como extremamente positivo. Eles já enxergam a possibilidade de constituir um programa de sementes crioulas que vincule a pesquisa pública desenvolvida pela Embrapa Clima Temperado e o conhecimento tradicional do campesinato. “Nós somos testemunhas do trabalho que vem sendo desenvolvido há muitos anos pelos guardiões de sementes crioulas, apontando para um futuro promissor”, destaca Bevilaqua, afirmando se notar uma demanda crescente por sementes crioulas.

O texto integral desta reportagem está publicado no site www.brasildefators.com.br. Acompanhe também pelas redes sociais do BdF/RS e da Rede Soberania a cobertura da II Festa da Semente Crioula de Encruzilhada do Sul.


PORTO ALEGRE, 23 DE AGOSTO A 06 DE SETEMBRO DE 2019

CULTURA & LAZER

HUMOR

HORÓSCOPO ÁRIES (21/3 A 20/4) É necessário entender a diferença entre partilhar e transmitir. Podem parecer sinônimas, mas um dos verbos é sobre nós mesmos o outro é sobre egoísmo. Dividir não é o mesmo que possibilitar.

TOURO (21/4 A 20/5) As estrelas brilham no céu, lá distante, para que nos lembremos de nossos limites. E aceitar nossos limites é um passo para vencê-los. E lembre que, mesmo que limitado, há sempre algo novo no mundo.

GÊMEOS (21/5 A 20/6) São tempos cruéis pra quem defende a verdade. Se as injustiças, que a falta da verdade comete, colocar seu coração em desalento, escute uma milonga e lembre que o mate já foi mais amargo.

CÂNCER (21/6 A 22/7) Nada é tão incompreensível como o agora. Este complexo instante nos chama para agir. É necessário rapidez e precisão porque logo chega o futuro e o agora se torna um tempo que já passou. Tenha coragem.

LEÃO (23/7 A 22/8) Entenda as condições que são dadas a você como potencialidades e não como limites. E lembre que nada é tão ruim que não possa piorar. A luta continua sendo grande, há muito que fazer, comece já.

VIRGEM (23/8 A 22/9)

GRAFAR

O passeio do Sol em seu signo traz novos ares. Aproveite e faça uma reflexão do que não te serve mais para que novidades sejam bem assentadas. Lembre-se que liberdade e segurança são duas irmãs.

LIBRA (23/9 A 22/10) São tempos nebulosos para quem ama. É preciso criatividade e propósitos nítidos para enfrentar a tirania. Você tem muito que ajudar neste momento por isso não deixe que nada te impeça disto.

ESCORPIÃO (23/10 A 21/11)

TIRINHA Edgard Vasquez

Não negue a canção, porque a canção não é tua, mas de quem te ouve. E precisamos ouvir-te. Não precisa ser uma canção de autocrítica como a de Alfredo Zitarrosa, porque tu saberás como nos desencantar.

SAGITÁRIO (22/11 A 21/12) Uma arvore só faz boa sombra e dá bons frutos quando suas raízes estão bem firmes no solo. Parece uma constatação óbvia, mas é que às vezes negligenciamos as obviedades da vida. Quais suas raízes?

CAPRICÓRNIO (22/12 A 20/1) A realização é um processo gradual e que não depende só de você. Tenha cuidado com emoções agressivas e procure entender o que seus sonhos estão querendo te dizer. Busque relaxar.

AQUÁRIO (21/1 A 19/2) Há um Eco que ecoa por aí dizendo: nem todas as verdades são para todos os ouvidos. Tenha sabedoria pra dizer somente o necessário, já que há uma forte tendência para você estar mais sociável.

TIRINHA | Armandinho (Alexandre Beck)

PEIXES (20/2 A 20/3) Quanto mais você ser você mesmo mais vai poder ajudar as construções coletivas. É um momento para desafiar-se e buscar ao máximo potencializar suas habilidades. A sutileza é sua principal aliada. Mateus Além Pisciano, jornalista, comunicador popular e militante do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). Tem mais facilidade em guardar o mapa astral do que o nome das pessoas.

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ESPORTES

PORTO ALEGRE, 23 DE AGOSTO A 06 DE SETEMBRO DE 2019

Realidade e desafios após a euforia da Copa do Mundo

FUTEBOL FEMININO | Os números da Copa do Mundo de Futebol Feminino comprovam que a edição teve a maior visibilidade da história: mais de um bilhão de espectadores espalhados em 135 países. EDUARDA SCHEIN PORTO ALEGRE (RS)

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partida entre Brasil e França, pelas oitavas de final, foi assistida por 59 milhões de pessoas. Visibilidade que serviu para que a Copa fosse uma competição política, trazendo à tona reivindicações que não são novas, mas sequer ganhavam repercussão. Capitãs e porta-vozes das Seleções de Brasil e Estados Unidos, Marta e Megan Rapinoe tomaram a frente das manifestações. A bandeira é a igualdade: além de salário (o de Marta, seis vezes eleita melhor do mundo, corresponde a 0,3% do que ganha Neymar, nunca vencedor do troféu), investimento e atenção o ano todo – necessidades por trás da imponência numérica e da euforia gerada pela Copa. Passada a competição, porém, a realidade não converge com o entusiasmo. Trabalhando na modalidade há 24 anos, o técnico do Pelotas Phoenix, time feminino do Lobão, Marcos Planela, se mostra mais cauteloso e acredita que para concretizar as reivindicações de Marta e Megan é preciso justamente ações no campo em que elas adentraram com suas bandeiras - a política. “Há uma necessidade urgente de projeto de futebol feminino na CBF. Há erros gravíssimos de organização no formato do Campeonato Brasileiro e na forma como começam as competições de base. O grupo que gere o futebol feminino não tem resultado nenhum, não tem comprometimento com a renovação. O Marco Aurélio Cunha, coordenador geral (no cargo desde 2015), e toda a equipe precisam sair. Se ele não sair, pouco adian-

Foto: Reprodução Internet

ta trazer a Pia (Sudnhage, nova técnica da Seleção).” Na avaliação de Marcos, a falta de investimento gera uma reação em cadeia: o time feminino é visto como laboratório, para onde são mandados treinadores de terceiro e quarto escalões do masculino, o que resulta em um baixo nível técnico das equipes e afugenta a audiência – nos estádios e em algum eventual canal. “Ninguém senta pra ver um 12 x 0 na TV.”

Campeonato Gaúcho Uma das competições femininas que acontecem pós-Copa neste contexto diferente dos outros anos, é o Campeonato Gaúcho. Torneio que, conforme Marcos, só existiu e resistiu nos últimos 10 anos graças à Associação Gaúcha de Futebol Feminino e voltou a ser organizada em 2018 pela Federação Gaúcha de Futebol apenas em função das obrigatoriedades e pressão impostas pela FIFA e Conmebol. O vice-presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Luciano Hocsman, rebate e diz que encara a crítica com naturalidade, embora a avalie como descabida: “A AGFF foi autorizada pela FGF a organizar o futebol feminino no RS e sempre contou com o apoio da federação no que foi necessário. A própria sede da AGFF era numa sala cedida pela FGF.” Em relação a valores, ele afirma que a FGF bancou, em 2018, a arbitragem e isentou despesas administrativas, o que, somado chegou a aproximadamente R$ 30 mil. Um dos argumentos de Planela é de que o investimento na base daria lastro à modalidade, o que poderia resultar em melhora técnica daqui a, no mínimo, uma década. Hocsman alega que, “em 2019, por iniciativa da FGF, estão sendo coordenadas competições das categorias sub 14; sub 16; sub 18 e adulto. Todas com as despesas administrativas custeadas pela FGF. O investimento, considerando as despesas e premiações, está orça-

Além de Grêmio e Inter, participam do Campeonato os times Atlântico, João Emílio, Brasil de Farroupilha e Oriente

do em aproximadamente R$ 250 mil.” Conforme Hocsman, o calendário gaúcho já havia sido planejado e não tem vinculação com a Copa. Ele vê a repercussão, porém, como um potencial divisor. “Lógico que a transmissão e toda cobertura da Copa deu uma maior visibilidade à categoria, tanto que em 16 anos de FGF, é a primeira vez que nos procuram para uma matéria sobre o futebol feminino. Todavia, o seu fortalecimento não pode ser imposto, deve ser construído em conjunto por todas partes: confederação, federações, clubes, torcedores e imprensa. É um processo que demanda tempo e que tem até mesmo um cunho cultural, mas que já está em andamento. Já há um olhar mais atento ao futebol feminino, e entendemos que seu crescimento passa também pelo necessário apoio governamental e a médio prazo por uma adaptação das regras, tais como medidas do campo, das traves, peso da bola, etc., a exemplo do que o ocorre em outras modalidades esportivas.” Professora de educação física e professora de futsal, Valquíria Menezes também acredita que a cobertura da grande mídia influenciou o olhar coletivo em direção à modalidade e que pode ser justamente esse um ponto importante para uma fu-

tura mudança de patamar: “Se não continuarmos fomentando na escola, no clube, elas não crescerão como podem. Acho que o empoderamento feminino pode mudar o cenário esportivo. As grandes empresas não vão perder essa chance.”

Projeto para transmissão Ao encontro da análise de Valquíria, há uma informação vinda da FGF: conforme Luciano Hocsman, há um projeto para uma transmis-

são, de uma grande empresa, da final do campeonato deste ano. Por ora, a competição pode ser assistida na plataforma de streaming mycujoo.tv Além de Grêmio e Inter, participam do Campeonato o Atlântico de Erechim, João Emílio de Candiota, Brasil de Farroupilha e Oriente, de Canoas. De acordo com a Federação, cada clube tem a prerrogativa de mandar os jogos para onde melhor avaliar.

TABELINHA GRENAL Internacional

Grêmio

MASCULINO 25/08 – 16h – Brasileirão Goiás X Internacional 28/08 – 21h30 – Libertadores Internacional X Flamengo 31/08 – 21h – Brasileirão Internacional X Botafogo 04/09 – 21h30 – Copa do Brasil Internacional X Cruzeiro 07/09 – 19h – Brasileirão Internacional X São Paulo 15/09 – 11h – Brasileirão Atlético Mineiro X Internacional

MASCULINO 24/08 – 17h – Brasileirão Grêmio X Atlético-PR 27/08 – 21h30 – Libertadores Palmeiras X Grêmio 31/08 – 11h – Brasileirão São Paulo X Grêmio 04/09 – 19h – Copa do Brasil Atlético-PR X Grêmio 08/09 – 11h – Brasileirão Cruzeiro X Grêmio 15/09 – 16h – Brasileirão Grêmio X Goiás

FEMININO 24/08 – 14h – Brasileirão Flamengo X Internacional 01/09 – 15h – Gauchão Atlântico X Internacional 22/09 – 15h – Gauchão Internacional X Grêmio

FEMININO 25/08 – 15h – Gauchão Serc Brasil X Grêmio 01/09 – 15h – Gauchão Grêmio X SC Oriente 22/09 – 15h – Gauchão Internacional X Grêmio

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Jornal Brasil de Fato / RS - Número 18  

Jornal Brasil de Fato Rio Grande do Sul - 23 de agosto a 06 de setembro de 2019

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