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Janine Mathias lança “Rumores” Videoclipe será lançado nesta sexta, 20, no Youtube

Esportes | p. 8

30 anos de Paraná Clube

Joka Madruga

Cultura | p. 7

Momento do time se parece com o da seleção

Edilaine Alves

PARANÁ

Ano 4

Edição 150

19 a 25 de dezembro de 2019

distribuição gratuita

www.brasildefato.com.br/parana

Trabalho solidário, organização popular e renda Conheça as experiências de empreendimentos para driblar a atual crise. Com Economia Solidária, Comunicação popular, ou na luta por Moradia, uma coisa é certa: o caminho é o povo organizado por seus direitos Rei Santos

Wellington Lenon

Joka Madruga

MORADIA Comunidade Flores do Campo, em Londrina, capacita jovens | p.6

EDUCAÇÃO POPULAR Camponeses se formam em Direito numa das principais universidades do país | p. 4 Giorgia Prates

COMUNICAÇÃO POPULAR

ECONOMIA SOLIDÁRIA

Brasil de Fato capacita associações de moradores em comunicação | p. 4

Mulheres organizam a própria produção | p. 5


de Fato PR 2Brasil Opinião

Paraná, 19 a 25 de dezembro de 2019

“Mas por que razão haveríamos de ficar tristes? O mar da história é agitado”, Maiakovski EDITORIAL

O

s anos recentes trouxeram mudanças ao Brasil. As notícias que veiculamos aqui, no Brasil de Fato, não têm sido boas ao povo brasileiro. A democracia foi abalada; a política, embrutecida. As riquezas nacionais, varridas; as reservas socioambientais, devoradas. Direitos trabalhistas e previdenciários foram rebaixados. Os empregos não vieram. Práticas racistas, machistas e homofóbicas têm sido mais incentivadas do que antes. A educação e a cultura têm sofri-

do ataques avassaladores, colocando em risco a produção de bens tecnológicos e artísticos brasileiros, que também movimentam nossa economia. Foi na carne, por fim, que nos cortaram. As condições de vida têm sido rebaixadas. Os mais pobres são os que mais sofrem. A alta do preço da carne é um dos mais recentes símbolos de uma prosperidade somente para os ricos. Os tempos de hoje são de seriedade para que possamos erguer a cabeça e

enfrentar a realidade. As explosões de contestação em países latino-americanos mostram que o resultado final não está dado. No Brasil, experiências econômicas solidárias, a organização, a educação e a comunicação popular devem crescer e se consolidar como um caminho de resistência, como mostra nossa última edição especial de 2019. O mar dos acontecimentos, de fato, é agitado. Ao povo, o fim da História nunca está dado. João Montarano | Via Folha de São Paulo

SEMANA

OPINIÃO

EXPEDIENTE Brasil de Fato PR Desde fevereiro de 2016 O jornal Brasil de Fato circula em todo o país com edições regionais em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Paraná. Esta é a edição 150 do Brasil de Fato Paraná, que circula sempre às quintas-feiras. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais. EDIÇÃO Frédi Vasconcelos e Pedro Carrano REPORTAGEM Ana Carolina Caldas e Lia Bianchini COLABORARAM NESTA EDIÇÃO Renato Almeida de Freitas, Gabriel Pansardi Ruiz ARTICULISTAS Fernanda Haag, Cesar Caldas, Marcio Mittelbach e Roger Pereira REVISÃO Lea Okseanberg, Maurini Souza e Priscila Murr ADMINISTRAÇÃO Bernadete Ferreira e Denilson Pasin DISTRIBUIÇÃO Clara Lume FOTOGRAFIA Giorgia Prates, Wellington Lenon, Gibran Mendes e Joka Madruga DIAGRAMAÇÃO Vanda Moraes CONSELHO OPERATIVO Daniel Mittelbach, Fernando Marcelino, Gustavo Erwin Kuss, Luiz Fernando Rodrigues, Naiara Bittencourt, Roberto Baggio e Robson Sebastian TIRAGEM SEMANAL 6 mil exemplares REDES SOCIAIS www.facebook.com/bdfpr CONTATO pautabdfpr@gmail.com IMPRESSÃO Grafinorte | Nei 41 99926-1113

Construir a comunicação dos trabalhadores Pedro Carrano,

coordenador do Brasil de Fato Paraná

O

Brasil de Fato PR

Brasil de Fato Paraná alcança, hoje, sua edição de número 150, a última edição neste 2019, quarto ano de vida. Somos uma cooperativa composta por jornalistas inseridos em movimentos populares. No plano nacional, estamos em nove estados. No Paraná, nosso jornal, hoje, é um dos principais impressos de rua, falando das lutas populares e traduzindo a economia de

acordo com a condição de vida da população trabalhadora. Mesmo num momento de crise de publicações impressas, cada vez mais nos profissionalizamos para receber anúncios de campanhas progressistas da sociedade, afinal a mídia popular também necessita de recursos para se manter, para ganhar escala e ampliar nossas vozes na sociedade. Em tempos nos quais pesquisa recente da Câmara aponta que, entre os entrevistados, 79% tem o Whatsapp como principal meio de

informação, é normal nos questionarmos sobre a relevância do jornal impresso. Ao mesmo tempo, é a hora de afirmar que nosso jornal é um centro gerador de conteúdo, que alimenta várias plataformas – Facebook, Web Rádio, Instagram. Mas só conseguimos uma ação de comunicação em escala quando contamos com a ação das pessoas que usam o jornal no seu cotidiano. Vários coletivos têm o jornal como ferramenta para dialogar com a população, para denunciar a atual tentativa de Bolsonaro de acabar

com os direitos trabalhistas e sociais, com as empresas e a universidade pública. Organizados para distribuir até 20 mil jornais em apenas uma manhã, na capital e em mais de 20 cidades do interior, geramos momentos de diálogo sobre os temas importantes. Um desafio é, também, a partir da experiência do jornal, socializar ao máximo nosso conhecimento em comunicação com essas organizações populares, de forma a ajudálas a desenvolver suas próprias ferramentas de comunicação.


Brasil de Fato PR

Brasil de Fato| PR Geral 3

Paraná, 19 a 25 de dezembro de 2019

QUE DIREITO

FRASE DA SEMANA

Após a aprovação da Reforma da Previdência, o governo Bolsonaro deposita suas fichas na Carteira de Trabalho Verde e Amarela proposta com a Medida Provisória 905. Sob o pretexto de gerar empregos para os jovens entre 18 e 29 anos, a medida “desbota” uma série de direitos da classe trabalhadora. Dentre algumas perdas estão a perda de direitos da Consolidação das Leis de Trabalho (CLT) conquistados em convenções coletivas, trabalho aos domingos não contabilizar para hora extra, redução ou fim da participação nos lucros, demissões dos trabalhadores com “carteira azul”, redução do FGTS, parcelamento em doze vezes do 13º salário e redução do adicional periculosidade. Na Câmara dos Deputados já foram apresentadas 1930 emendas, entre elas, a MP 905 que está em comissão mista. São 811 do PT, 208 do PSOL e 171 do PDT. Essas emendas inibem a desoneração da folha de pagamento e cortes no Sistema S, protegendo os trabalhadores. Para o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), “o governo Bolsonaro editou uma nova reforma trabalhista que apresenta diversos problemas como promover a rotatividade e reduzir a remuneração indireta do trabalhador”.

“Ninguém para dar um soco?” Perguntou nas redes sociais o lateral-direito do Fluminense, Igor Julião, ao comentar o episódio em que um nazista foi a restaurante em Unaí exibindo uma suástica (o que é proibido por lei), mas foi poupado pela Polícia Militar de Minas Gerais.

Fernando Prioste

Educação emancipadora é direito

Divulgação

Carteira de trabalho verde e amarela “desbota” direito dos trabalhadores

É ESSE?

Município não pode retirar pertences de pessoas em situação de rua Redação, com informações de Nucidh O Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado do Paraná (NUCIDH) ingressou com uma ação civil pública em favor da população em situação de rua, para que o município de Curitiba, a Fundação de Ação Social (FAS) e a empresa Cavo, de limpeza e asseio, não retirem bens pessoais de pessoas em situação de rua. Isso porque, hoje, essas pessoas estão sujeitas à retirada de pertences, tais como documentos pessoais, cobertores, colchões e, até mesmo, remédios. De acordo com o defensor público Antônio Barbosa, a retirada de pertences, desde que não de origem ilícita, é ilegal. “Essa prática, além de desumana, aguça os sofrimentos físicos e psíquicos dessas pessoas”. De acordo ainda com informações da Defensoria, a ação não tem como objetivo a manutenção das pessoas nas ruas em situação de vulnerabilidade. Na realidade, busca coibir as práticas que incrementam a humilhação e vulneração dessas pessoas. Direito a documentos pessoais Ações como esta ocorreram também nas cidades de Belo Horizonte e São Paulo, em que o Judiciário reconheceu a ilegalidade da condu-

ta da retirada de pertences da população em situação de rua. Tomás Melo, do Inrua, afirma que, no espaço de dez anos, é a primeira ação em favor dos moradores em situação de rua contra o município de Curitiba. “As pessoas já estão em situação de vulnerabilidade extrema. Muitas vezes (as autoridades) levam roupas e cobertores, deixando as pessoas à mercê de toda sorte e até mesmo do risco de morte nas noites mais frias. Muitas vezes levam documentos pessoais, fotos e memórias familiares. Isso tem que acabar já!”, critica. Joka Madruga

A Constituição, no artigo 205, diz que educação é direito de todos, dever do Estado e da família. Já o artigo 208 garante que o ensino fundamental (da 1ª série ao 9º ano) é gratuito, e que o ensino médio (do 1º ao 3º ano) deve buscar progressivamente atender a todas. Apesar das leis, não há educação pública de qualidade. Em geral, havendo exceções, as escolas públicas não são boas como poderiam ser. A Constituição não determina apenas que o ensino exista, mas que seja de qualidade. O educador popular Paulo Freire (1921-1997) dizia ser necessário mais do que boas salas de aula, pois a educação é o processo pelo qual nos reconhecemos como gente com autonomia, liberdade e capaz de tudo, inclusive de transformar o mundo. Quando Bolsonaro xinga Paulo Freire de “energúmeno” está recusando a todos o direito à educação. O presidente insulta o educador popular porque não quer pessoas livres, quer dominados, que sejamos meros espectadores passivos. Quer uma divisão na sociedade para submeter a maioria do povo à minoria dos ricos, tem medo da emancipação que se conquista com a educação. Por isso a escola pública, inspirada por Freire, é um direito que só se realizará por meio da organização e luta populares. Fernando Prioste é advogado popular


Brasil de Fato PR 4 Brasil

Brasil de Fato PR

Paraná, 19 a 25 de dezembro de 2019

Camponeses se formam em Direito na UFPR pelo Programa de Educação da Reforma Agrária

Wellington Lenon

Turma tem 49 estudantes vindos de 15 estados brasileiros, além de dois haitianos e uma venezuelana Redação

C

amponeses, quilombolas, migrantes, moradores de comunidades tradicionais protagonizaram um dia histórico para a Universidade Federal do Paraná (UFPR), nesta terça-feira (17). Depois de 5 anos de estudos, 49 estudantes de Direito formaram-se pelo Programa Nacional de Educação da Reforma Agrária (Pronera). A turma “Nilce de Souza Magalhães” é composta por graduandos de 15 estados, de todas as regiões do Brasil, além de dois haitianos e uma venezuelana. Entre novos graduados e graduadas estão militantes dos Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), dos Atingidos por Bar-

ragens (MAB), e dos Pequenos Agricultores (MPA), da Coordenação Nacional das Comunidades Quilombolas - CONAQ, da Pastoral da Juventude Rural (PJR) e da Comunidade de Fundo de Pasto. Jaqueline Pereira de Andrade é uma das recém-formadas e resume a conclusão do curso a uma grande conquista coletiva. Ela vem da comunidade tradicional de Fundo de Pasto, em Monte Santo (BA). “A nossa realidade é a de um povo que nunca teve acesso à educação superior, principalmente em universidade pública”, explica, referindo-se ao perfil geral dos formandos. Os estudantes da turma foram selecionados em 2014, por meio

do Sistema de Seleção Unificada (SiSU), que usa a nota do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) para vagas suplementares no curso de Direito. Para acessar o Pronera,

é preciso comprovar ser beneficiário da Reforma Agrária, ou, no caso de quilombolas, apresentar documento expedido pela Fundação Cultural Palmares.

As redes de comunicação do Brasil de Fato Paraná nas ruas Distribuidores do BdF fazem do jornal uma ferramenta de aproximação com a comunidade Lia Bianchini

N

os 12 meses de 2019, uma vez por semana, dezenas de pessoas saíram às ruas de Curitiba e de cidades no interior do estado com a missão de distribuir a edição impressa do Brasil de Fato Paraná. O jornal existe no estado desde 2016 e tem suas edições lançadas todas as quintas-feiras, com tiragem de 10 mil exemplares. Em Curitiba, há equipes de distribuição em diversos bairros, como Cajuru, Portão, Fazendinha, Novo Mundo e Centro. Roni Francisco dal Bos-

co é um dos distribuidores no Cajuru. Ele lembra os ensinamentos do comunicador popular Vito Giannotti, de que a distribuição vai muito além de apenas entregar o jornal. “O Vito ensinou: ‘escolha um conteúdo da matéria e faça uma panfletagem direcionada’. Nós queremos usar o conteúdo do jornal para aproximar as pessoas de um debate político”, explica. Para aprimorar o debate sobre comunicação entre os distribuidores, o Brasil de Fato Paraná tem promovido cursos de comunicação popular. Em dezembro, hou-

ve cursos no Novo Mundo e no Centro, este direcionado para militantes do Comitê Tiradentes, que fazem a distribuição do jornal na Praça Tiradentes. Coordenador do Brasil de Fato Paraná, Pedro Carrano afirma que, no atual momento de grande disseminação de notícias falsas, apoiar a comunicação popular é fundamental. “Será que não é o caso, agora, de investir mais na comunicação popular, não deixar a comunicação como a última prioridade na hora dos recursos? Precisamos pensar sobre que comunicação a gente quer construir”, diz.


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Paraná, 19 a 25 de dezembro de 2019

Histórias de quem mudou a vida com a Economia Solidária Mulheres que precisavam de nova renda relatam mudanças positivas com o trabalho coletivo Ana Carolina Caldas

P

ara se opor à forma de trabalho mediada pela exploração e combater a expansão do desemprego, em 2004, no Brasil, foi criada a Secretaria Nacional de Economia Solidária, uma iniciativa do então presiden-

te Lula. Com orçamento de mais de R$100 milhões, foram feitos investimentos para a qualificação profissional e a formação de cooperativas. O objetivo foi criar empreendimentos a partir de outra forma de trabalho, solidária entre os pares e que gerasse renda com participação nos lucros.

No dia 14, aconteceu a II Festa da Economia Solidária, reunindo cerca de 25 empreendedores solidários, com relatos de superação e mudanças de vidas. O Brasil de Fato Paraná esteve presente no evento e conheceu algumas dessas histórias. Confira:

QUANTO? A região sul abriga a maior proporção de cooperativas, com 18,4% de seus empreendimentos formalizados. Isso representa 34,8% de todas as cooperativas mapeadas no país.

Alimentação saudável virou a principal fonte de renda da família

Oportunidade para mulheres fora do mercado de trabalho

Artesanato e mais qualidade de vida para ex-desempregadas

Mochilas e tapetes de jeans: cuidado com o meio ambiente

“Iniciamos em 2000, eu, meu esposo e meus filhos, a produção de sucos saudáveis como complementação da renda. Em 2007, conhecemos o Centro de Formação Urbano Rural Irmã Araújo (Cefuria), e ali tivemos a qualificação de um outro tipo de gestão, a Economia Solidária. Aprendemos um sentido diferente do trabalho, que é possível ser dono do trabalho, sem que isso seja escravizante. O que era apenas complementação de renda, virou a principal fonte”, Luzia Nunes, do “Sucos Naturais Sabor e Saúde”

“Integro a Rede de Padarias Comunitárias de Curitiba e Região, que hoje tem 17 padarias envolvidas. A maioria foi formada por grupos de, no mínimo, cinco mulheres, algumas que estavam fora do mercado de trabalho, outras que não tinham como deixar os filhos, outras com idade avançada. Decidimos juntas como vamos trabalhar, quantas horas e como será a partilha. O que vem de renda, é dividido por todas. Eu faço parte desde o ano de 2005”, Rosalba Gomes Wisnievski, da Padaria Comunitária Cecopam, no Xaxim.

“Junto com minha sócia, começamos nosso empreendimento solidário em 2017, após um curso chamado “Coopera Rua” realizado pelo CEFURIA. Era um curso para moradores de rua e resolvemos participar, pois nós duas estávamos em condição de desemprego. Ela fez um curso, nesta oportunidade, de cosméticos naturais e eu de artesanato feito a partir de caixinhas de leite. Apesar da geração de renda ainda não ser suficiente para viver, o que essa forma de gestão que aprendemos trouxe foi qualidade de vida”, Tatiana Dedini, do Coletiva Arte, produção de bijuterias com caixa de leite e cosméticos naturais.

“Em toda minha vida aprendi a costurar e via que o jeans é um tecido muito bom e resistente. Estudando, descobri que ele demora muito para se decompor no meio ambiente. O que me fez ter a certeza que faria bons produtos e ajudaria o meio ambiente. Mais tarde, então, conheci minhas atuais parceiras deste empreendimento. Criamos uma cooperativa, em 2016, para participar dos projetos e financiamentos da Economia Solidária. A gente se organiza cada uma na sua casa, cada uma tem sua oficina e vamos nos falando pelo WhatsApp para organizar as participações em feiras”, Luzia Zacarias junto com Salete Barreto e Geisa Damaris, do Cá entre nós.

Ana Carolina Caldas

Divulgação

NÚMEROS

19.708

empreendimentos distribuídos em

2.713 municípios brasileiros

Fonte: II Mapeamento de Economia Solidária, que analisou dados de todo o país de 2009 até 2013

Ana Carolina Caldas

Ana Carolina Caldas


Brasil de Fato PR 6 Cidades

Brasil de Fato PR

Paraná, 19 a 25 de dezembro de 2019

Rei Santos

Moradores da Ferrovila são ignorados em acordo sobre regularização Ministério Público do Paraná e Cohab firmaram acordo para cobrança de terrenos sem diálogo com moradores Lia Bianchini

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m 1991, o então deputado estadual (PDT) Rafael Greca falava em TV aberta que a ocupação da Ferrovila era armação de “políticos sem qualquer expressão”. 28 anos depois, o agora prefeito Greca (DEM) parece continuar ignorando a existência de famílias moradoras da Ferrovila. Desde o início da ocupação, a região passa por disputas judiciais. Na década de 1990, a prefeitura de Curitiba, por meio da Companhia de Habitação Popular (Cohab), firmou Termos de Uso e Concessão do Solo (TUCS), passando a cobrar pelos terrenos. Em acórdão de 2007, o Tribunal de Justiça do Paraná reconhece irregularidade nos TUCS, afirmando que a Cohab “não é proprietária dos terrenos [...] já que ela própria disse pertencerem à Companhia de De-

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senvolvimento de Curitiba”. Na época, moradores receberam cartas da Cohab dispensado-os de realizar novos pagamentos. Porém, um recente acordo entre Cohab e Ministério Público do Paraná encerrou a anulação dos contratos e a Cohab passou a enviar cartas ameaçando os moradores de despejo. Uma carta a que a reportagem teve acesso mostra cobrança de contrato firmado em 1998, com dívida no valor atualizado de R$98.197,30.

Morador da Ferrovila, Ivan Carlos Pinheiro questiona a forma como MP e Cohab firmaram o recente acordo. “Nós estamos à disposição para chegar num acordo de regularização. Mas nós queremos que entendam nossa realidade, nossa situação”, diz. A demanda dos moradores é que seja implantada uma comissão de avaliação que considere a extensão real de cada terreno e a situação financeira de cada morador. Lia Bianchini

Exposição em Londrina é protagonizada por jovens da Ocupação Flores do Campo Gabriel Ruiz, Londrina Hoje pode até ser comum crianças tirando fotos. Mas não com câmeras analógicas. Essa é uma das principais características do “FotoFlores”, um grupo de fotografia analógica que reúne cerca de 12 jovens e crianças, entre 9 e 15 anos, moradores da Ocupação Flores do Campo, localizada na periferia da zona norte de Londrina (PR). O projeto acontece desde abril deste ano e, nos dias 7 e 8 de dezembro, o FotoFlores realizou sua primeira exposição, com 42 fotografias para um público de 200 pessoas. “Um certo dia as crianças falaram ‘vamos fazer uma exposição nossa na ocupação’; abracei e estimulei a ideia”, relata o organizador do projeto e fotógrafo, Gabriel Melhado.

Exposição Com câmeras conhecidas como “saboneteiras” nas mãos e centenas de fotos em preto e branco reveladas, o FotoFlores realizou um financiamento coletivo para viabilizar a mostra. Para montar a exposição num barracão sem paredes, as estudantes de artes visuais Laura Cristina e Letícia Koga propuseram criar uma estrutura para manter os quadros suspensos. “No dia, as crianças aproveitaram muito o lugar da exposição e a própria disposição dos quadros ali dentro do barracão; virou um espaço de brincadeira”, celebra Laura Cristina.

FIQUE DE OLHO Em 2020, a exposição está prevista para ocorrer em outros locais de Londrina.


Brasil de Fato PR

BrasilCultura de Fato| PR 7

Paraná, 19 a 25 de dezembro de 2019

Janine Mathias lança videoclipe Prefeitura sinaliza fechar sobre autoestima e solidão “Rumores” será lançado nesta sexta, 20, no canal oficial da cantora no Youtube Edilaine Alves

Vanda Moraes O R&B “Rumores”, que está no “Dendê”, primeiro disco da cantora e compositora Janine Mathias, fala sobre desilusões e todas as coisas que somente a paixão pode fazer. “Sem avisar, nos sacode, nos faz viajar e enfrentar limites. Acho que amar é viver desejando o melhor sabor de um encontro”, diz a cantora. “Mesmo que nunca aconteça nada mais que Rumores, o desejo de ser amada também é intrigante. Sabor de quero mais, florescer emoções em meio às expectativas da solidão de amar. A música é sobre autoestima, se reerguer e tocar no mais íntimo de nós”, completa. Ela considera uma missão comunicar a beleza negra e a força que é ser artista, em espacial nos tempos atuais. “Rumores” é uma declaração de amor de Janine Mathias. “Espero que todos vocês sintam ‘Rumores de paixão’”, deseja a cantora.

Ficha técnica Direção de Arte: Edilaine Alves e Igor Francisco. Figurino: Daniela Carvalho. Captação e Edição: Helena Sofia/Old Cat Áudio e Vídeo. Maquiagem: Josi Helena. Trança: Taís Soares. Agradecimentos: Cristiano Ross Antiquário e ÖUS Composição: Janine Mathias e Eduardo Brechó. Produção e Direção Musical: Eduardo Brechó e Renato Parmi.

Fique por dentro O videoclipe será lançado no dia 20 de novembro, às 20h, no www.youtube.com/ janinemathiasoficial

centro de criatividade

Lucas Botelho O Centro de Criatividade do Parque São Lourenço (CCC) em Curitiba está com suas funcionalidades ameaçadas de serem encerradas. O CCC oferta mais de vinte cursos de arte, além de ser espaço para apresentações artísticas. Desde 29 de março de 2017 um projeto da prefeitura previa instalação do Memorial Paranista e Jardim de Esculturas João Turin dentro do parque. A comunidade que frequenta o espaço critica a falta de transparência por parte da prefeitura. A estudante de Direito e do curso de teatro do CCC, Vitória Trentin, contou que a única informação disponível na internet foi um requerimento de pedido de informações oficiais do município, expedido pelo vereador Marcos Vieira (PDT). Neste documento são questionados se os cursos seriam mantidos e se o Teatro Clein Jacques seria preservado. Até o fechamento desta edição a redação não obteve resposta da Fundação Cultural de Curitiba.

Gibran Mendes

DICAS MASTIGADAS

Confira a receita de Pavê de bolo dormido Por Renato Almeida de Freitas

Uma nova Aurora - 5 para 6 de dilatação, corre que é hoje. Interne ela, tá aqui a guia, depois busque as coisas em casa. Na maternidade, lugar chique, a recepcionista diz: “A entrada de vocês é outra”, antes mesmo de ver nossos documentos, convênio de saúde e guia médica. Depois teve que engolir, pois era ali mesmo. Ok, tamo acostumado, isso não vai estragar esse dia tão importante. No quarto, uma hora depois, uma médica se apresenta, faz o exame de toque, diz que não tem dilatação, contração, tampouco bolsa rota. Isto é, não está em trabalho de parto. - É médico particular? - É. - Então espere ele e veja isso.

E chegou, disse que não tinha ocitocina, depois que tinha um pouco. Ao ser perguntado sobre a dilatação, falou que o “trabalho de parto desacelerou”, depois que minha companheira tinha um “anel interno” que o confundiu. Questionado se levou em consideração a hipótese de não ter iniciando o trabalho de parto, destemperou-se. Fugimos. Três dias depois, bolsa rompida, contrações, outro hospital, parto humanizado. Aurora nasceu às 5:30 da manhã, trouxe consigo os primeiros raios de sol para iluminar nossos passos, aquecer nosso coração e fortalecer nossa fé em uma sociedade mais humanizada.

Os preparativos para as festas de fim de ano já começaram e para quem quer reaproveitar aquele bolo que sobrou para uma sobremesa que rende bastante e agrada a todos, segue a receita do Pavê de bolo dormido. Só não vale a velha piada, principalmente se vier do tiozão reaça da família: “É só pavê?” Ingredientes 1 lata de leite condensado; 500 ml de leite; 3 ovos inteiros; 1 colher (sopa) de amido de milho; aproximadamente 500g de bolo dormido; 2 caixas de creme de leite; 300 gramas de achocolatado; 1 colher de manteiga. Modo de preparo No liquidificador, bata meia lata de leite condensado com o leite e 1 cx de creme de leite, os ovos e o amido de milho. Leve ao fogo brando, mexendo sempre, até engrossar. Em outra panela faça uma calda grossa de chocolate - com manteiga, 1 caixa de creme de leite, chocolate e acrescente leite até ficar no ponto. Corte o bolo em fatias e mergulhe rapidamente no leite, depois monte numa forma intercalando uma camada de bolo, uma de creme branco e outra de chocolate. Enfeite com um bombom serenata ou uma fruta vermelha! Só pra dar charme! Leve à geladeira por meia hora e sirva! Assim você reaproveita e transforma o bolo em uma sobremesa deliciosa hoje.


Brasil de Fato PR 8 Esportes

Brasil de Fato PR

Paraná, 19 a 25 de dezembro de 2019

Meu Paraná, meu Brasil: 30 anos de Paraná Clube João Brücshz

Marcio Mittelbach

O

Paraná Clube, fundado em 19 de dezembro de 1989, alcança sua terceira década de vida refletindo de maneira caprichosa o momento do país. No Paraná, nós também estamos polarizados. Existem aqueles que apoiam cegamente a gestão do presidente Leonardo Oliveira e aqueles que o colocam no mesmo saco que seus antecessores. Quem não está nem de um lado nem de outro não é ouvido. Na Vila Capanema, o momento é de reflexões. Como foi possível perder todo aquele patrimônio, sem fazer nada para impedir? No Brasil, a mesma coisa. Metade da arrecadação vai para poucos. Passando ao futebol, os dois pentacampeões esta-

cionaram na primeira década do século. Na seleção, falta alma para um time repleto de “estrangeiros” multimilionários. Ao Paraná Clube, fal-

ELAS POR ELA Fernanda Haag

Mais um episódio de violência contra a mulher O título da coluna de hoje tem a ver com futebol, sim. O goleiro Jean, do São Paulo, foi preso no dia 18, nos EUA, após sua esposa, Milena Bemfica, denunciá-lo à polícia por agressão. Não é o primeiro caso de um jogador de futebol que comete violência contra mulheres. A ideia aqui não é traçar uma relação entre atores futebolísticos e esse tipo de abuso. Pelo contrário, é mostrar que violências assim não tem um perfil específico, pelo contrário, estão ligadas à estrutura machista da sociedade e uma cultura que coloca as mulheres em posição de inferioridade. Por isso chegamos no alarmante dado de que a cada 4 minutos uma mulher sofre agressão no Brasil. O futebol ainda hoje é um ambiente fortemente masculino, mulheres precisam sempre conquistar esse espaço, isso aumenta as chances de ocorrer opressão de gênero. É preciso mudar essa realidade. O São Paulo decidiu rescindir o contrato com Jean, fato positivo, pois não pode compactuar com violência contra as mulheres!

ta uma fórmula para juntar dinheiro e formar equipes competitivas. Já ouviu falar na frase “brasileiro não desiste nunca”? Pois existe uma fatia dessas pessoas

que é mais persistente. Os paranistas! Se o Paraná hoje não tem o patrimônio de 1989, tem a torcida mais apaixonada do estado. Precisamos de dirigentes

que saibam trabalhar essa característica. Assim como no Brasil, mudar a realidade do Paraná Clube passa pela participação democrática dos seus integrantes.

Os pequenos esquecidos

Grupo legal

Por Cesar Caldas

Por Roger Pereira

O Coritiba defi niu seu plano de sócios para 2020. Muito que bem. O presente que eu esperava para o torcedor mirim mais pobre – miserável mesmo – é uma política fi xa de precificação de ingressos avulsos que lhe permitisse a inclusão no mundo mágico do futebol. Há dezenas de bolsões de pobreza na Grande Curitiba. Neles, crianças sonham viver a atmosfera contagiante que cerca um jogo do time. Pais e mães gostariam de proporcionar esse passeio a seus fi lhos. “Pois eu era forasteiro, e me recebestes em casa. Todas as vezes que fizestes isso a um dos mínimos irmãos, foi a mim que fizestes” – disse Jesus, segundo relata o Evangelho de Mateus (25, 30 e 40). É o Natal d’Ele menino que celebramos no próximo dia 25. Que no próximo ano o clube se lembre dos meninos e meninas carentes, dando-lhes gratuidade de acesso e ingressos com valor simbólico a seus pais.

Mesmo campeão da Copa do Brasil, o Athletico foi colocado no pote 3 do sorteio dos grupos da Libertadores 2020, uma vez que, agora, a Conmebol classifica os clubes de acordo com seu ranking histórico e o nosso nas competições continentais ainda é recente. Como não poderia cair em grupos de brasileiros, um confronto com argentinos na primeira fase era quase que certo. Mas o sorteio deste ano foi generoso com o Furacão. O cabeça de chave de nosso grupo é o Peñarol, que está longe do que já foi no passado e, foi uma de nossas vítimas na Sulamericana de 2018. Temos pela frente, ainda, o Colo Colo, do Chile e um representante da Bolívia, ainda não definido, mas que a maior dificuldade que nos trará deve ser a altitude. Com risco de ter Boca, River, Racing e, até, Corinthians e Inter em sua chave, o Athletico caiu em um grupo sem bicho papão.

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