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Cultura | p. 2 e 7

Brasil | p. 6

Julho das Pretas

Três anos de resistência

Resgatando a lutadora Tereza de Benguela, Julho das Pretas tem palestras, seminários, feira e oficina esta semana

Acampamento Dom Tomás Balduíno, em Quedas do Iguaçu, faz maior ato do MST neste ano Frédi Vasconcelos

Ano 3 | Edição 88

Deivison Souza

PARANÁ

12 a 18 de julho de 2018

distribuição gratuita

JUÍZES SÃO RÁPIDOS PARA PRENDER, MAS FAZEM DE TUDO PARA NÃO SOLTAR LULA “Lula hoje é um sequestrado”, diz ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão. Ao desobedecer ordem de desembargador do TRF-4 para libertar ex-presidente, juízes, Polícia Federal e atual ministro da Segurança Pública cometeram diversas irregularidades Brasil | p. 5

GASOLINA PODERIA SER MAIS BARATA Alto preço cobrado dos consumidores é opção política do atual governo para privatizar partes da estatal Brasil | p. 4

Agência Brasil


2 | Opinião

EDITORIAL

D

Lula está preso porque juízes fazem política

omingo, em geral, é um dia de descanso para os brasileiros. Não foi o caso do dia 8 de julho. A partir de uma decisão proferida por Rogério Favreto, Desembargador Plantonista do TRF da 4ª Região, milhares de pessoas em todo o país se mobilizaram na expectativa da liberdade do ex-presidente Lula. Em Curitiba, a multidão reunida na Vigília Lula Livre, no entorno da superintendência da Polícia Federal, logo se surpreendeu com um inédito embate entre juízes do tribunal. Em resumo, a decisão de soltura de Lula foi suspen-

OPINIÃO

sa por outros juízes, estranhamente, em seus dias de descanso, para intervir na

Hoje, Lula continua preso. Sabemos: um preso político. Por isso, a Frente Brasil Popular tem um calendário de lutas cheio em julho e agosto decisão de Favreto. Juristas apontam que essas interferências são inéditas na justi-

PRIVATIZAÇÃO

ça brasileira. A lei processual prevê que a decisão de soltura de Lula só poderia ser revista pelo juízo de plantão do Superior Tribunal de Justiça ou, regularmente, no dia seguinte, no expediente comum do Poder Judiciário. Hoje, Lula continua preso. Sabemos: um preso político. Por isso, a Frente Brasil Popular tem um calendário de lutas cheio em julho e agosto. O objetivo é pressionar o Judiciário pelo direito de Lula responder em liberdade e pelo direito de registrar a candidatura, no dia 15 de agosto. A situação no país se acirra e a luta pela democracia está na ordem do dia.

Julho das Pretas: classe, gênero e raça Ana Carolina Datora,

Mestre em Educação (UFPR), Feminista Negra, Militante da Marcha Mundial de Mulheres

N

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Paraná, 12 a 18 de julho de 2018

o Paraná, o mês de Julho terá uma intensa programação. São palestras, rodas de conversa, cine-debate, lançamento de livros, marcha das mulheres negras e outras atividades, que visam expor a necessidade de compreensão da sociedade sobre a dinâmica cruel das duas formas de discriminação que mulheres negras enfrentam no país: o racismo e o sexismo. É impossível dissociar a realidade vivida por mulheres negras e a perversa vulnerabilidade social a que estão submetidas, no Brasil, no triângulo raça, classe e gênero, que se explicita nos índices de assassinato das mulheres negras. Nesse breve período de 129 anos após o fim da escravidão, houve poucos avanços em políticas públi-

cas para uma ampla conscientização antirracista que se faz fundamental para acabar com o racismo e positivar a presença das mulheres negras na sociedade. A falta dessas políticas também acentua a condição subalterna e passível de objetificação.

É impossível dissociar a realidade vivida por mulheres negras e a perversa vulnerabilidade social a que estão submetidas, no triângulo raça, classe e gênero Os índices evidenciam a brutal desigualdade que atinge negros e negras até na hora da morte, e a desigualdade substancial vivida pelas mulheres negras, uma vez que po-

líticas racistas e machistas, de criminalização do aborto, como a PEC 181 e o estatuto do nascituro, mais o descaso com as políticas já implementadas contra a violência doméstica, por exemplo, resultam em consequências cruéis para as mulheres negras que pagam com a própria vida. Medidas nefastas como a Reforma Trabalhista e a Lei da Terceirização, aprovadas em 2017 pelo ilegítimo Temer, validam o direcionamento das mulheres negras aos postos precarizados de trabalho, como os serviços gerais e o trabalho doméstico. Temos, portanto, inúmeros desafios enquanto mulheres negras. Denunciar o racismo e machismo institucional do Estado brasileiro, denunciar as políticas reacionárias que nos atingem e lutar por um real estado democrático e de direitos. Nosso lema este ano é Direitos importam! Pretas no Poder!

EXPEDIENTE Brasil de Fato PR Desde fevereiro de 2016 O jornal Brasil de Fato circula em todo o país com edições regionais em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Paraná. Esta é a edição nº 88 do Brasil de Fato PR, que circula sempre às quintas-feiras. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais. EDIÇÃO Frédi Vasconcelos e Pedro Carrano REPORTAGEM Ana Carolina Caldas, Franciele Petry Schramm e Laís Melo COLABORARAM NESTA EDIÇÃO Ana Carolina Datora, Daniel Giovanaz e Poliana Dallabrida ARTICULISTAS Roger Pereira, Marcio Mittelbach e Cesar Caldas REVISÃO Maurini Souza, Lia R. Bianchini e Priscila Murr FOTOGRAFIA Giorgia Prates e Joka Madruga ADMINISTRAÇÃO Bernadete Ferreira e Denilson Pasin DISTRIBUIÇÃO Clara Lume DIAGRAMAÇÃO Vanda Moraes CONSELHO OPERATIVO Gustavo Erwin Kuss, Daniel Mittelbach, Luiz Fernando Rodrigues, Fernando Marcelino, Naiara Bittencourt e Robson Sebastian TIRAGEM SEMANAL 20 mil exemplares REDES SOCIAIS www.facebook.com/bdfpr CONTATO redacaopr@brasildefato.com.br IMPRESSÃO Grafinorte (Nei)


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Governadora veta reajuste

FRASE DA SEMANA

disse o jornalista Bob Fernandes ao analisar a série de erros cometida por juízes no último domingo em que decisões da Justiça foram desobedecidas no caso Lula Divulgação

Prefeitura de Curitiba quer fechar centros de assistência social Com a desculpa de baixa demanda, a proposta é acabar com atendimento em bairros como CIC e Fazendinha

A prefeitura de Curitiba quer fechar os Centros de Assistência Social (CRAS) dos bairros CIC, Butiatuvinha, Fazendinha e Portão. A proposta foi enviada para discussão no Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS), com a alegação de que algumas regiões da cidade não apresentam grande demanda.

do último ano. A emenda foi proposta pelo Fórum de Entidades Sindicais (FES), que reúne Há três anos com salásindicatos, baseada em cálrios congelados, sem reajusculos que demonstram que o te nem mesmo da inflação, e governo do Estado tem conperdas acumuladas de cerca dições de pagar o valor, pois de 12%, os funcionários púvem registrando superávit blicos do Paraná sofreram em suas conmais um golpe tas. da atual goverFuncionalismo Porém, em nadora, Cida está há três anos coletiva de Borghetti. imprensa, a A data-ba- sem correção se do funciodos salários, com governadora disse não sanalismo é 1º de ber quando o maio, mas não perdas de cerca projeto voltahouve reajuste de 12% rá a ser apremais uma vez. sentado e que Ao contrário, vetará qualquer aumento nesta semana a governadoacima de 1%. ra retirou projeto da AssemO Fórum, em nota, afirbleia Legislativa que daria 1% mou que esse é mais um cade reajuste. A decisão veio lote dos governos Richa e após deputados da oposição Cida e que continuará coapresentarem emenda que brando o pagamento da díviaumentava o percentual para da acumulada. 2,76%, próximo da inflação Redação

“Juiz x juízes. Nessa orgia ganha quem tem a favor os canhões da mídia”

Ana Carolina Caldas

3 | Geral

Porém, a Frente em Defesa do Sistema Único de Assistência Social e da Seguridade Social posicionou-se contra a proposta, porque as regiões que podem ficar sem atendimento são as que mais necessitam, pois são territórios de vulnerabilidade social. Jucimeri Silveira, presidente do Conselho Regional de Serviço Social (CRESS), afirma que “hoje Divulgação

são mais de 200 mil famílias referenciadas que dependem da assistência para poder sair da pobreza e ter seus direitos humanos garantidos.” Sobre o argumento da prefeitura, de falta de demanda, Jucimeri diz que é preciso debater de forma transparente a real situação dos CRAS. “O que temos hoje não é pouca demanda, mas falta de condições de atendimento, com falta de funcionários, por exemplo.” As entidades que integram a frente entraram com pedido junto ao Ministério Público para que o debate com a população sobre a medida seja assegurado. A partir dessa reivindicação, o conselho de assistência social determinou que serão realizadas audiências públicas sobre o tema neste mês de julho.

QUE DIREITO É ESSE? Por Rubens Bordinhão Neto

Por que Lula ainda está preso? O desembargador Rogério Favreto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, TRF4, determinou que Lula fosse solto para que ele pudesse participar das atividades de campanha eleitoral, assim como estão fazendo os outros candidatos à presidência da República. Favreto, que estava no plantão judiciário e tem o mesmo poder dos juízes que condenaram o ex-presidente, deu sua decisão respeitando a lei, inclusive com relação a presença do “fato novo”, já que ainda não tinha sido julgado habeas corpus a respeito da liberdade de Lula para participar de campanha. Esta decisão judicial, como todas as outras, deveria ter sido cumprida. Contudo, Sérgio Moro, mesmo não sendo mais o juiz responsável pelo processo, e no meio das suas férias, resolveu se manifestar dizendo que a decisão superior não deveria ser cumprida. A arbitrariedade foi mantida por outros dois desembargadores, colegas de Favreto. O episódio escancara, mais uma vez, que Moro e os seus apoiadores magistrados trabalham sem a imparcialidade e a neutralidade exigidas de um julgador. Por que apenas a decisão de prender é cumprida, e, de soltar, não? O motivo por que Lula ainda está preso não está nas leis ou na Constituição. Lula é um preso político. Mestre em Direito e funcionário público


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Depois de dois anos, blogueiro recupera equipamentos confiscados pela Lava Jato Eduardo Guimarães denuncia “ditadura do Judiciário” Joka Madruga

Camila Vida

“O patrão agora é quem dita que dia e quantas horas por dia o trabalhador vai atuar”

O

blogueiro Eduardo Guimarães dirigiu-se à superintendência da Polícia Federal, no bairro Santa Cândida, em Curitiba, na manhã do dia 10 (terça), para recuperar dois celulares e um computador que, juntos, somam a quantia estimada de R$ 10 mil. Guimarães teve seus equipamentos confiscados ainda em março de 2017 pela Polícia Federal a mando do juiz Sérgio Moro, no marco da Operação Lava Jato. A alegação foi que, ao publicar informações sobre o caso da condução coercitiva de Lula, em março de 2016, Eduardo Guimarães teria veiculado informações sigilosas e tentado obstruir a justiça.

Reforma trabalhista prejudica jornada de trabalho

Camila Vida

Ditadura do Judiciário Inocentado das acusações, Guimarães conta que se sentiu desprotegido diante do que chama de “ditadura do judiciário” vivida hoje no Brasil. “O que fica desse

episódio é o nível de abuso, porque os sujeitos vão a sua casa às 6h da manhã, sem maiores elementos, sem nada, confiscam suas propriedades, demoram um ano e meio para devol-

ver, devolvem a 400 quilômetros da sua casa. Hoje o cidadão é refém do Estado. Me prenderam sem qualquer elemento, e você sente que não tem garantia nenhuma” afirma.

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Gasolina poderia ser mais barata sem afetar Petrobras Rute Pina, São Paulo (SP) A política adotada pelo governo Temer (MDB) para a Petrobras aumentou o preço da gasolina em 52,4% no último ano. Já a alta do diesel atingiu 49,9% no mesmo período. Os dados são do jornal Valor Econômico. Pesquisadores ouvidos pelo Brasil de Fato dizem que a alta tem a ver com a política de vinculação dos preços ao mercado internacional e defendem que a Petrobras poderia diminuir o valor dos combustíveis e ainda manter a lucratividade da empresa. O economista e pesquisador do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Iderley Colombini explica que a medida prejudicou tanto os consumidores finais

quanto a Petrobras, que perdeu mercado para os importados. O coordenador do Sindicato Único dos Petroleiros da Bahia, Deyvid Bacelar, afirma que a decisão é política. “Com essa política de preços que varia no mercado internacional, em cima do preço do barril de petróleo e do dólar, qualquer importador hoje vai ter interesse em pegar petróleo lá mais barato — e aqui falamos dos EUA, que tem refinarias com custo baixo de produção. Estão trazendo para cá com um preço mais baixo e vendendo por um preço marcado do mercado internacional, mais caro”, afirma. “Isso está dentro da estratégia do governo de privatização das empresas. Grande parte das refinarias está à venda, estão em processo de serem privatizadas”, conclui.

A Vigília Lula Livre recebeu Edilson José Gabriel, dirigente estadual da CUT-PR e do sindicato dos bancários de Umuarama (PR). Após o “bom dia” ao ex-presidente, ele conduziu uma roda de conversa abordando os impactos da reforma trabalhista na classe trabalhadora. A reforma foi pautada no Congresso em 2016 e aprovada no ano seguinte, alterando mais de 100 pontos da da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Um dos principais prejuízos, de acordo com ele, se refere à jornada de trabalho, uma vez que os patrões passaram a ter controle sobre a jornada de trabalho, o que hoje retira a estabilidade do trabalhador: “Trabalho em casa sem controle nenhum de jornada; jornadas de 12h por 36h, o que antes era restrito a apenas algumas categorias e hoje está completamente ampliado. O patrão agora é quem dita que dia e quantas horas por dia o trabalhador vai atuar”, critica. Joka Madruga


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5 | Mundo

No caso Lula, conseguiram arrastar a justiça brasileira para a lama Ricardo Stuckert

Redação

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oderia ser apenas uma comédia de erros, mas é muito mais. No último domingo, a decisão do desembargador que estava de plantão, Rogério Favreto, do Tribunal Regional Federal (TRF-4), de soltar o ex-presidente Lula, foi desrespeitada pela Polícia Federal. A ordem chegou à sede da PF em Curitiba às 9h24 da manhã, segundo o ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão, referindo-se ao que está registrado no livro de ocorrências. Desse horário até o meio dia, a PF resolveu não cumprir a ordem por sua conta e risco. Ao meio-dia chegou uma ordem do juiz de primeira instância Sergio Moro dizendo para não soltar. Aí o caso fica pior, porque não é possível um juiz mandar descumprir uma ordem de seu superior, de segunda instância. Ao mesmo tempo, Moro entra em contato com seu amigo, o desembargador Gebran Neto, para que ele mude a decisão. Gebran,

também em férias, entra na história e cassa a decisão de Favreto sem ter poder pra isso. A ordem foi novamente enviada para a PF, com prazo de uma hora para soltar Lula, e novamente desobedecida. Irregularidades À noite ficou-se sabendo por um tuíte do ministro da

Segurança Pública, Raul Jungmann, que o presidente do TRF-4 mandou, por telefone, não soltar Lula porque ele ia dar uma decisão mais tarde suspendendo a liberdade. Novamente de maneira irregular, como aponta Aragão: primeiro, porque não teria poder para cassar a decisão de Favreto por estar também no mesmo ní-

vel hierárquico, e porque não existe ordem judicial dada por telefone. “Em 35 anos de atividade na Justiça, seja como advogado ou procurador do Ministério Público, nunca vi nada igual. Conseguiram arrastar a Justiça brasileira para a lama”, diz Eugênio Aragão. O chefe da defesa técnica do expresidente, o advogado Cristiano Zanin, explica que a contestação à decisão de libertar Lula poderia ser feita em recurso a outros tribunais, mas não como ocorreu. “Não me parece que se possa recusar o cumprimento de uma decisão judicial de um desembargador federal investido de jurisdição sob o argumento de que a decisão teria algum equívoco.” O ex-ministro da Justiça vai além e sustenta que Lula hoje é um sequestrado. “Porque a ordem que valia era a do ministro Rogério Favreto para libertá-lo, enquanto ela não está sendo cumprida, tudo isso é um grupo sem jurisdição que se ordenou. Isso se chama cárcere privado e sequestro, não tem outro nome”, conclui.

COMÉDIA DE ERROS Lula é condenado pelo juiz Sérgio Moro sem provas por ter recebido como propina um apartamento que nunca foi dele

No julgamento em segunda instância, não se levou em consideração nenhum argumento da defesa do expresidente. A condenação foi feita em tempo recorde

Lula é denunciado pelo MP em 9 de março de 2016, em julho de 2017 é condenado; é julgado em segunda instância em janeiro de 2018 e preso em abril. Em dois anos, foi julgado em duas instâncias e preso. Um verdadeiro recorde de agilidade da Justiça Brasileira, que demora décadas para decidir outros casos parecidos

Decisão tão rápida foi tomada para impedir Lula de ser candidato a presidente neste ano

No último domingo, a Polícia Federal recebeu ordem para soltar Lula do desembargador federal

Rogério Favreto

e não cumpriu. Três juízes despacharam em suas férias, de maneira irregular


6 | Brasil

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Acampamento Dom Tomás Balduíno comemora 3 anos de resistência Joka Madruga

Frédi Vasconcelos,

Quedas do Iguaçu (PR)

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o sábado, 7, o acampamento Dom Tomás Balduíno, em Quedas do Iguaçu, teve a maior comemoração do ano realizada por militantes do MST. Num local que é símbolo de resistência, moradores se auto-organizaram por mais de um ano para fazer um evento para cerca de 10 mil pessoas, comemorando os três anos de PUBLICIDADE

existência do acampamento no território. Mística, ato político, apresentações culturais e um grande almoço foram oferecidos. Cada uma das 600 famílias que vivem lá contribuiu, nesse período, com 10 quilos de carne, complementadas por outras doações. Em cada uma das oito cozinhas organizadas, todas com o nome de uma personalidade, como Marielle Franco, Che Guevara e Comandante Chávez, trabalharam cerca de 100 pessoas. PUBLICIDADE

Araupel compra terra roubada O senador Requião, depois de afirmar que o assentamento é exemplo por sua organização e resistência, também lembrou que as terras onde está pertenciam à União e foram griladas pela família Giacometti, revendida à companhia Araupel e agora ocupada pelo MST. “A Araupel, quando comprou essa terra, sabia que era roubada. E quem compra mercadoria roubada perde sem receber nada. Onde houver terra desocupada e improdutiva, só se aceita título de propriedade assinado por Deus e com firma reconhecida. Terra improdutiva tem de ser ocupada”. A senadora Gleisi Hoffmann lembrou que há pouco tempo esteve numa praça de Quedas do Iguaçu em ato pela morte de dois acampados assassinados. “Leonir e Vilmar são companheiros que tombaram, mas enfrentaram a Araupel, mostrando que a reforma agrária é possível e necessária”, disse.

Frédi Vasconcelos

Festa organizada por moradores em um ano de trabalho, atividade é a maior do MST neste ano “Direitos humanos não se pedem de joelhos, exigem-se de pé” frase de Dom Tomás, repetida pelo Frei José Fernandes, pedindo o coro de todos presentes. Frei José conviveu com Dom Tomás Balduíno até seus últimos dias e lembrou que ele era um homem de grandes articulações e de pequenos atos, como defender os sem-terra, os indígenas, lutar contra o latifúndio, ao mesmo tempo em que cuidava do jardim da casa em que moravam.

“Lula disse que quando voltar, não vai brincar de reforma agrária. Vai fazer reforma agrária de verdade, doa a quem doer”

Divulgação

João Pedro Stédile, do MST visitou o ex-presidente na última quinta-feira. “Disse a ele que vinha nessa atividade e ele pediu para dizer para cada militante do MST que na batalha contra golpistas os primeiros companheiros nessa luta são do MST, a quem deve eterna gratidão.” Stédile afirmou ainda que depois das últimas vitórias na Justiça o acampamento já pode trocar as placas da entrada por Assentamento Dom Tomás Balduíno. PUBLICIDADE


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Universidade Federal abre 28º Festival de Inverno

117 | Cultura

Reprodução

DICAS MASTIGADAS

Paulinho Moska e Orquestra à Base de Corda são algumas das atrações em Antonina Redação No próximo sábado, 14 de julho, a Universidade Federal do Paraná dá início ao tradicional Festival de Inverno de Antonina. O show de abertura será com o cantor e compositor Paulinho Moska, acompanhado da paranaense Orquestra à Base de Cordas. A apresentação é gratuita e acontece no Coreto da Praça Coronel Macedo, às 21h30. Outros espetáculos acontecem ao longo da semana, até o dia 21, com um grande baile de carnaval fora de época no encerramento. Participam blocos e escolas de samba da cidade. Além dos shows, serão oferecidas oficinas como Laboratório de performance, Música percussiva brasileira, Danças tradicionais

brasileiras; Agregando valor à chita, Antonina em quadrinhos, A Performance do contador de história através dos elementos da música, Fotografia e vídeo, Membrana em azul. A taxa é de R$ 10 para estudantes e de R$ 30 para profissionais e/ou público em geral. Estudantes cotistas e inscritos no Probem são isentos.

Para ficar por dentro Quando: Sábado, 14 de julho, às 21h30 Onde: Praça Coronel Macedo, Antonina Confira a íntegra da programação no site http://www.proec.ufpr. br/festival2018/ Divulgação

Lasanha com Massa de Panqueca Ingredientes 2 ovos 1 cebola picada 300 ml. de leite 2 dentes de alho picados 1 colher de sopa de azeite de 5 tomates sem semente oliva picados 150g de farinha de trigo 2 xícaras de caldo de carne ½ colher de chá de sal Sal ½ colher chá de açafrão Pimenta do reino Azeite para untar 350g de presunto fatiado 600g de carne moída 350g de queijo fatiado Modo de preparo Bater os ovos, o leite, o azeite, a farinha, o sal e o açafrão no liquidificador. Untar uma frigideira antiaderente com azeite. Despejar, com o auxílio de uma concha, uma quantidade de massa, girando rapidamente a frigideira para espalhar e dar formato redondo a panqueca. Dourar dos dois lados, reservar. Em panela, colocar um fio de azeite e refogar a carne até dourar. Acrescentar a cebola e o alho, depois o tomate e o caldo de carne, temperar com sal e pimenta do reino e cozinhar em fogo baixo por, aproximadamente, 10 minutos. Em um refratário, dispor uma porção de molho, e cobrir com as massas de panqueca. Em seguida acrescentar mais molho, o presunto e o queijo. Repetir as camadas, finalizar com o queijo. Levar ao forno preaquecido a 180 graus por 20 minutos ou até que o queijo esteja derretido.

AGENDA CULTURAL

Confira a programação do Julho das Pretas nos próximos dias, em Curitiba Em julho haverá programação diversificada no Julho das Pretas. E, no Dia 25 de Julho, se celebra, no Brasil, o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. A data foi instituída pela Lei nº 12.987/2014, que entrou em vigor em 2013. A inspiração vem do Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha, marco internacional da luta e da resistência da mulher negra, criado em 25 de julho de 1992, durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, na República Dominicana.

O que: Palestra sobre o livro “Com Ela”, com a Escritora Ingrid M. Alves Quando: 14 de julho, às 14h Onde: Livraria Vertov, Rua Visconde do Rio Branco, 835 – Sala 02 – Mercês O que: Seminário Classe, Gênero e Raça Quando: 16 de julho, de 18h às 20h Onde: Sede da APP Sindicato, Av. Iguaçu, 880 – Rebouças O que: Palestra e lançamento de livros “Ayo”, de Vera Paixão e “Com Ela” de Ingrid M. Alves Quando: 21 de julho, às 10h Onde: Livraria Vertov, Rua Visconde do Rio Branco, 835 – Sala 02 – Mercês

Giorgia Prates

O que: Feira do Afro-empreendedor, Homenagem às mulheres negras Quando: 22 de julho, das 14h às 18h Onde: Praça Zumbi dos Palmares, Rua Eloi Orestes Zeglin, Pinheirinho Oficina Corpo, Voz e Movimento, das 15h às 16h


12 | Esportes

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Por que o Brasil está fora do Mundial?

TOQUES CURTOS Somos todos Fernandinho Por Roger Pereira

Getty Images

Não há um único culpado. Porém a derrota para a Bélgica é um convite à reflexão e à autocrítica Daniel Giovanaz e Poliana Dallabrida, Kazan (Rússia)

A

postura da equipe, principalmente no primeiro tempo do jogo contra a Bégica escancarou uma série de problemas que, somados, ajudam a compreender a eliminação precoce. Um deles foram os desfalques. O time que entrou em campo não era o que Tite sonhava escalar num mata-mata da Copa. Daniel Alves seria o lateral-direito titular, mas se lesionou às vésperas do torneio. Danilo ficou fora e a vaga caiu no colo de Fagner, terceira opção. No meio-campo, Casemiro, nosso melhor volante, estava suspenso contra a Bélgica. Renato Augusto, titular na campanha das eliminatórias, não conseguiria jogar os 90 minutos. O volante Fred lesionou-se na fase preparatória. Para desespero dos supersticiosos, o escalado foi Fernandinho, um dos mais criticados no 7 a 1 contra a Alemanha. O atacante Douglas Costa também voltava de lesão. O lateral-esquerdo Marcelo sequer atuou nas oitavas-de-final, contra o México, com dores na coluna. Joga-

ram no sacrifício. Neymar também não estava 100%, em termos físicos. Faltou ritmo de jogo. Outro ponto foi a mudança de características no jogo da seleção. Tite também tem responsabilidade. Em vez de optar por um meio-campo seguro, como nas eliminatórias, o treinador foi iludido pela ótima atuação do quarteto ofensivo nos amistosos preparatórios. Ao tentar fazer com que “o Brasil jogasse como Bra-

sil”, o meio-campo ficou fragilizado. Outra questão que ainda pesa é o trauma do 7 a 1 contra a Alemanha na Copa passada. Fernandinho, um dos símbolos negativos do “Mineiraço”, reviveu contra a Bélgica seu maior pesadelo. Um gol contra, inúmeros passes errados: uma atuação desastrosa. Se o 7 a 1 parecia superado, a eliminação na Copa da Rússia mostrou que a cicatriz continua aberta. Carlos Bassan | Fotos Públicas

O Brasil foi eliminado da Copa do Mundo e o ódio que tem predominado qualquer debate no país foi destinado a Fernandinho. O volante, cria do Furacão, falhou, sim, na partida contra a Bélgica e merece as críticas a sua performance no jogo. Mas o que se viu nas redes sociais foi criminoso. Desde a eliminação, ele é alvo de manifestações racistas. Racismo é inconcebível em qualquer lugar do mundo. No Brasil, mais ainda, no futebol, com todos os heróis negros que nosso esporte já nos presenteou, além de crime, é burrice. Quem xinga Fernandinho nunca comemorou gol de Pelé, de Romário, de Ronaldo? Fernandinho é o retrato do jogador brasileiro. Menino pobre, que cresceu na dificuldade, abriu mão de muita coisa e conseguiu ganhar a vida no esporte. Sua história é admirada pela maioria dos brasileiros. Essa minoria burra e criminosa não pode ser tolerada.

O velho futebol

Para salvar o mês

Por Cesar Caldas

Por Marcio Mittelbach

Dizem que os tempos do futebol romântico já eram. Hoje há jogadores com contrato publicitário da ordem de R$ 100 milhões e estádios que chegam a custar R$ 4,5 bilhões, em dinheiro público. Para a final da Copa do Mundo da Rússia, uma das seleções finalistas será a da Croácia, um país que diz um rotundo “não” ao futebol moderno. Lá não há “time da moda”. A nação tem 4,2 milhões de habitantes (como a Região Metropolitana de Fortaleza), 40% dos quais vive no campo. Seu território, de 56 mil km2, não chega a 1/3 da área do Paraná (199 mil m2). Ex-aliada da União Soviética, esteve em guerras contra Sérvia e Eslovênia há duas décadas, só solucionadas pela intervenção da ONU. Croatas já sofreram muito. Têm consciência política e valorizam a cidadania. Ah, sim: o Coritiba. Se já não consegue guarinizar, como pode almejar uma paranização?

Não é porque o Brasil ficou de fora das semifinais da Copa do Mundo que vai faltar emoção no mês de julho, não para a torcida paranista. Além do amistoso internacional contra o River Plate, do Uruguai, serão quatro jogos pelo Campeonato Brasileiro. Já de cara, na quarta-feira, dia 18, enfrentamos um concorrente direto, o Vitória, em Salvador. Temos a oportunidade de ultrapassar os baianos em caso de triunfo, podendo até sair da zona de rebaixamento a depender de resultados. No domingo seguinte, dia 22, outro jogo contra quem está brigando na parte de baixo: o América mineiro, na Vila Capanema. Depois é que vêm os confrontos mais difíceis. Na quarta, dia 25, o adversário será o Atlético Mineiro, em Belo Horizonte. Para fechar com chave de ouro o mês recheado de futebol, um clássico Paraná e Palmeiras, em São Paulo, no domingo, dia 29, às 11 da manhã.

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