Brasil de Fato PR - Edição 97

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Cultura | p. 7

A cidade como pano de fundo

Mulheres enfrentam falta de profissionalismo e visibilidade no esporte

PARANÁ

Arquivo Pessoal

Futebol, substantivo masculino?

Fabiana Reinholz

Esportes | p. 8

Bárbara Lia estreia em coluna de crônicas do jornal 20 a 26 setembro de 2018

distribuição gratuita

www.brasildefato.com.br/parana

Ano 3 | Edição 97

O ã N e l #E

Cida Borghetti e Ratinho Jr. traem Beto Richa Atual governadora pede fim da candidatura de Richa ao Senado. Ratinho fala: “que a Justiça julgue e vá para a cadeia” Paraná | p. 4 Joka Madruga

No Paraná, mulheres contam por que rejeitam Bolsonaro e atuam nas redes contra suas propostas. Pesquisas mostram que metade delas não votará no candidato “de jeito nenhum”. Comunidade no Facebook contra Bolsonaro passa de 2 milhões de adesões Editorial e Brasil | p. 2 e 5

Cidades | p. 6

Chomsky em Curitiba Filósofo estadunidense visita Lula nesta quinta Opinião | p. 2

Economia solidária Professora fala da organização em redes


2 | Opinião

Brasil de Fato PR

Paraná, 20 a 26 de setembro de 2018

Redes de economia solidária: outra economia já acontece

SEMANA

OPINIÃO

Marilene Zazula Beatriz,

professora da UTFPR e representante do Coletivo Tecsol Incubadora de Economia Solidária

A

EDITORIAL

Elas sim. Ele nunca

O

minação contra mulheres, negros, hocandidato a vice-presidente da chapa mossexuais e imigrantes. de Bolsonaro, general Mourão, afirAs mulheres, por outro lado, assuma que famílias apenas com mãe e avó mem maior protagonismo nas mobilisão “fábrica para elementos desajustados” zações políticas do país e desempenham que tendem a ingressar no tráfico. Isto, em papel decisivo nas eleições: são 52,5% do um país em que 11,6 milhões de mulheres eleitorado. Apesar disso, nas candidacriam seus filhos sozinhas. turas, a desigualdade continua: apenas Bolsonaro, por sua vez, defende que 30,7% dos candidatos são mulheres. Os as mulheres devem ganhar menos. Apedesafios de enfrentamento à discriminasar de ter casa própria, recebe auxílioção são muitos. Mas, ormoradia e diz que usava ganizadas, as mulheres o dinheiro “para comer As mulheres, avançam. Não é à toa que gente”. a campanha contra BolUma péssima forma de por outro lado, sonaro denominada “ele fazer política: foram diassumem maior não” está tomando o país. versas as vezes em que, protagonismo As mulheres sabem em vez de oferecer uma que, para que tenham diproposta para enfrennas mobilizações reito à vida com dignidatar os problemas sociais, políticas do país de, ele não pode ser eleiBolsonaro e seus aliados to. Ele nunca. destilaram ódio e discri-

s redes de economia solidária são formas de resistência face ao contexto de mudanças econômica, social, política e cultural das últimas décadas no Brasil, incorporando trabalhadores/as, militantes de movimentos sociais, comunidades científicas, entidades de apoio e fomento à ecosol, setores religiosos, gestores públicos, entre outros. Trabalhar em rede é, além de fortalecer os empreendimentos em suas singularidades, em termos de conhecimentos, de logística e de produção, é também construir uma visão mais ampla de quem produz e de quem consome, conectando os vários elos da cadeia produtiva ou reunindo integrantes de um mesmo ou de diversos segmentos. Nesse âmbito, cooperativas populares, associações e grupos de trabalhos informais se interligam favorecendo a direta relação entre o produtor e o consumidor - evitando o atravessador - por meio da prática do consumo justo e solidário. Tal prática costuma trazer a necessária transparência do que existe por trás de um pro-

duto/serviço, tais como coletivos de trabalhadores/as, os quais, muitas vezes, encontravam-se em condições econômicas precárias, atuando em boa medida de forma autogestionária, distribuindo a riqueza produzida, cooperando entre si. A rede também tende a melhorar a autoimagem do/a trabalhador/a, dignificando-o/a; a do próprio coletivo, que se fortalece e que pode vir a contribuir com o desenvolvimento da região

Pensar no outro, nas gerações futuras, na terra, na água, na vida como um todo também faz parte dos princípios da Ecosol em que está inserido. As redes também se destacam pela busca da sua sustentabilidade e dos ecossistemas. Pensar no outro, nas gerações futuras, na terra, na água, na vida como um todo também faz parte dos princípios da Ecosol sendo um diferencial cada vez mais exigido pelos consumidores. Nesse sentido, outra economia já acontece.

EXPEDIENTE O jornal Brasil de Fato circula em todo o país com edições regionais em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Paraná. Esta é a edição nº 97 do Brasil de Fato PR, que circula sempre às quintasfeiras. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais.

Brasil de Fato PR | Desde fevereiro de 2016 EDIÇÃO Frédi Vasconcelos e Pedro Carrano REPORTAGEM Ana Carolina Caldas, Laís Melo e Franciele Petry Schramm COLABORARAM NESTA EDIÇÃO Paula Cozero, Marilene Zazula Beatriz, Neudicléia de Oliveira, Bárbara Lia, Fabiana Reinholz e Luiza Dorneles ARTICULISTAS Roger Pereira, Marcio Mittelbach e Cesar Caldas REVISÃO Maurini Souza, Lia R. Bianchini e Priscila Murr ADMINISTRAÇÃO Bernadete Ferreira e Denilson Pasin DISTRIBUIÇÃO Clara Lume FOTOGRAFIA Gibran Mendes e Joka Madruga DIAGRAMAÇÃO Vanda Moraes CONSELHO OPERATIVO Gustavo Erwin Kuss, Daniel Mittelbach, Luiz Fernando Rodrigues, Fernando Marcelino, Naiara Bittencourt e Robson Sebastian TIRAGEM SEMANAL 20 mil exemplares REDES SOCIAIS www.facebook.com/bdfpr CONTATO pautabdfpr@gmail.com IMPRESSÃO Grafinorte | Nei 41 99926-1113


Brasil de Fato PR

Paraná, 20 a 26 de setembro de 2018

FRASE DA SEMANA

ANÁLISE

“Fui criado pela minha mãe e irmãs, porque a ditadura matou meu pai aos 11 anos, e meu avô morreu de tristeza dois anos depois. Por isso que sou um desajustado”, respondeu, pelo Twitter, o escritor Marcelo Rubens Paiva ao general Hamilon Mourão (PRT), vice de Jair Bolsonaro, que afirmou que casa com “mãe e avó” é fábrica de desajustados para o tráfico. Arquivo Pessoal

Violência contra candidatos é denunciada PT entrou com queixa-crime, pedindo investigação da Polícia Federal Ana Carolina Caldas Em menos de uma semana, três candidatos do PT foram vítimas de violência nas ruas de Curitiba. Dois deles por ação da polícia. Os candidatos a deputado estadual Edna Dantas, presa por manifestação no 7 de Setembro, e Renato Freitas, que levou tiros de borracha da Guarda Municipal depois de distribuir panfletos na Praça do Gaúcho, em Curitiba. Já Dr. Rosinha, candidato a governador, teve atirada uma bomba caseira a seus pés na Rua XV, no centro da cidade. Os três entraram na segunda feira, 17, com queixa-crime, em que o PT-PR requer a instauração de in-

quérito policial e apuração dos delitos, bem como a investigação pela Polícia Federal. Solicitam também que a Guarda Municipal seja notificada e identifique os autores das ocorrências e disponibilize imagens. Democracia em risco Para o advogado e coorde-

“Democracia é quando eu permito a divergência de ideias em espaço público e que possa ser expressada de forma autônoma e livre”

nador da pós-graduação em Direito Constitucional e Democracia da Universidade Positivo, Eduardo Faria, “há risco para democracia quando respondemos divergência política com bomba, com detenção e violência. Pode-se afirmar que a democracia brasileira está em baixa densidade, está se esvaindo.” Eduardo defende que os ataques sejam transformados em crimes eleitorais e a investigação torne-se exemplo para o país. “Há que se investigar de forma célere para que possamos dar o exemplo, de que democracia é quando eu permito a divergência de ideias em espaço público e que possa ser expressada de forma autônoma e livre.”

3 | Geral

Líderes mundiais defendem Lula

Neudicléia de Oliveira e Pedro Carrano,

integrantes da Vigília Lula Livre

Já virou piada o fato de que a Polícia Federal, em Curitiba, onde está preso o ex-presidente Lula, recebe mais líderes mundiais do que Temer, abandonado em fim de feira no Palácio do Planalto. Com quase 170 dias de uma prisão arbitrária, é certo que, da social-democracia europeia a líderes progressistas latino-americanos; do sindicalismo dos EUA a exchefes de Estado, todos expõem a credibilidade do próprio nome em defesa do ex-presidente Lula. Não nos referimos só a líderes da esquerda que visitaram o ex-sindicalista, caso do ex-presidente uruguaio,

Pepe Mujica, do ator de “Máquina Mortífera”, Danny Glover, entre outros. Hoje (20), o visitante será o linguista Noam Chomsky. O líder brasileiro também recebeu a visita de Ernesto Samper, ex-presidente da Colômbia (1994-1998), do alemão Martin Schulz, integrante do Parlamento Europeu, do mexicano Cuauhtémoc Cárdenas, ele mesmo vítima de uma fraude eleitoral, em 1988. Trata-se aqui da percepção de que a prisão de Lula é uma ameaça à democracia em nível mundial, pelo patamar de perseguição e de ativismo judicial. No fundo, essas vozes mundiais estão dizendo “não” aos ataques contra a democracia e ao aprofundamento do golpe.

RADAR

DA LUTA Só três candidatos à presidência defendem bancos públicos Só os programas dos candidatos Fernando Haddad (PT), Ciro Gomes (PDT) e Guilherme Boulos (Psol) apresentam propostas para o fortalecimento dos bancos públicos. Os demais candidatos defendem livre concorrência com os bancos privados ou falam em privatização. Ignoram que, no governo Temer (MDB), programas importantes ligados à Caixa Econômica sofreram cortes, caso do Minha Casa Minha Vida, que passou de R$ 20,7 bilhões, em 2015, para R$ 3,6 bi, em 2017.

Renda das mulheres é 42,7% menor que a dos homens Estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) revela que, mesmo sendo maioria, renda das mulheres brasileiras é 42,7% menor do que a renda dos homens. O estudo aponta que elas estudam mais, ganham menos e passam mais tempo nas tarefas domésticas do que eles. A pesquisa também apontou que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos homens brasileiros é de 0,761 enquanto o das mulheres é de 0,755. Quanto mais próximo de 1, menor é a desigualdade.


4 | Paraná

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Paraná, 20 a 26 de setembro de 2018

Depois de prisão, Cida e Ratinho Jr. traem o “padrinho” Beto Richa Cida pede retirada de candidatura de ex-governador ao Senado. Ratinho Jr. fala em prisão Divulgação

Para uma direita fascista, quem não pensa igual tem de ser eliminado Tadeu Veneri fala sobre a atual onda de violência e da captura do Paraná pelo grupo que domina o estado há anos Frédi Vasconcelos

Divulgação

Divulgação

P

residente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Paraná, o deputado Tadeu Veneri (PT) fala nesta entrevista exclusiva ao BDF sobre a prisão de Beto Richa e seu grupo político, além da situação dos direitos humanos no estado. Brasil de Fato | Falando um pouco sobre a conjuntura do Paraná, qual a influência da prisão do ex-governador Beto Richa (PSDB)?

Redação

O

ex-governador Beto Richa (PSDB) saiu da prisão por concessão do ministro Gilmar Mendes, do STF, mas já foi traído por seus dois candidatos à sucessão no governo do Paraná. Sua vice-governadora no último mandato, Cida Borghetti (PP), declarou: “Estou solicitando aos partidos da coligação a retirada da indicação de Beto Richa ao Senado para que ele possa se dedicar a sua defesa”. No começo desta semana, a propaganda eleitoral de Beto Richa não foi veiculada, apareceu apenas o candidato Alex Canziani (PTB). Mas até o fechamento desta edição, mantinha

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sua candidatura ao Senado. Já Ratinho Júnior deu entrevista à afiliada da Globo no Paraná, a RPC, em que praticamente jogou o ex-governador ao mar. “Eu fui convocado para ser secretário de desenvolvimento urbano (de Richa) e fui para prestar um serviço para o meu estado (...) Se alguém fez alguma coisa errada, que a Justiça julgue e que vá para a cadeia”, afirmou. No programa eleitoral da quarta-feita, 19, também adotou discurso de oposição a Richa, não economizando críticas à política de segurança da administração tucana. Faltou explicar como não viu essas falhas nos dois mandatos em que foi secretário do ex-governador.

Tadeu Veneri | A prisão dele, da secretária de governo e esposa, Fernanda Richa, e do irmão Pepe Richa, são importantes porque representavam a cara do governo. Além disso, estão nesse processo os que de fato bancam as eleições ou se beneficiam delas. Por exemplo, o Celso Frare, dono da Ouro Verde, que é uma das maiores empresas do Paraná no setor de logística e aluguel de equipamentos. E o Joel Malucelli, suplente do senador Álvaro Dias, que está envolvido com os pedágios, tem associação em rodovias, na construção de usinas hidrelétricas. E é genro do candidato ao governo do Estado, o João Arruda (MDB). É o mesmo grupo político, além de Carlos Alberto Richa, Ratinho Junior e Cida Borghetti, há outras pessoas como o Rafael Greca, o grupo do Jaime Lerner. Têm raízes no Paraná há 50 anos, se constituíram durante o período da ditadura militar. Para eles, se for Cida Borghetti, Ratinho Junior ou o Mister M o governador não vai fazer a menor diferença, porque todos estão dentro do seu projeto de captura do Estado. Como analisa os casos de violência contra o PT nestas eleições? Com está a questão de direitos humanos no Paraná? Isso reflete o Brasil de hoje, há uma direita fascista que tem uma concepção de ideia única,

de totalitarismo, que aqueles que não pensam igual têm de ser eliminados. Chegou a um ponto de exacerbação que a eliminação física passou a ser vista como alternativa. O que acontece com os nossos candidatos é uma situação grave, mas pontual, que teve visibilidade. Porque ações como essas acontecem todos os dias, em várias regiões do estado, e com eliminação física. Temos um grupo de pessoas que é alvo diário no Paraná, como os pobres da periferia, os negros. As famílias que foram empobrecidas nesse período todos os dias são alvo de perda de direitos etc. Gostaria que falasse de suas propostas para o mandato de deputado estadual? Os mandatos só têm sentido se forem úteis na relação com segmentos da sociedade e buscar fazer aquilo que as pessoas fariam se fossem eleitas. Por isso votei contra o auxílio-moradia para juízes e fui o único voto contra a aposentadoria dos deputados etc. Quando apresentamos aqui um projeto para criar um banco de sementes crioulas é porque os produtores da agricultura familiar entendem assim. Se fazemos projeto de trabalho de 30 horas na saúde é porque quem milita na saúde entende isso como necessário.


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Paraná, 20 a 26 de setembro de 2018

5 | Mundo

Por que as mulheres do Paraná rejeitam Bolsonaro No Facebook, grupo reuniu 2 milhões de mulheres usando a hashtags #elenão e #elenunca. Mulheres paranaenses dizem por que rejeitam o candidato

N

as últimas semanas, uma mulher negra, baiana, resolveu criar o grupo Mulheres unidas contra Bolsonaro no Facebook. Em menos de uma semana, teve um milhão de adesões, e elas começaram também a organizar atos de rua por todo o país. No sábado, 15, o número chegou a 2,1 milhões, e a página sofreu um ataque de hackers, mudando o nome do grupo como se fosse de apoio ao candidato do PSL. Após investigações e intervenção do Facebook, foi recuperada, e desde então as administradoras vêm denunciando o crime. Diferentes mulheres contra um só candidato Os perfis da maioria das mulheres que fazem parte desta mobilização não são de militantes, mas sim mulheres preocupadas com a possível eleição de Jair Bolsonaro. O Brasil de Fato buscou algumas dessas mulheres, no Paraná, para saber por que entraram no grupo e tornaram-se ativas na “guerrilha virtual” para convencer família, namorados, amigos e amigas a não dar seu voto ao candidato.

LUTA ANTIRRACISTA

“Temo pelos meus filhos. É um candidato que se manifesta contra o que é diferente

Ele incentiva o ódio contra a população negra. É um retrocesso na luta antirracista”

Arquivo Pessoal

Mulher e negra, a estudante paranaense de Pedagogia Sanciaray Arquivo Pessoal Yarha Silva da Rosa diz que ser contra a eleição de Bolsonaro é lutar também a favor das populações mais oprimidas. “Vemos as ruas tornando-se trincheiras para o genocídio da população negra. Ontem mesmo vimos um jovem negro sendo morto na periferia por policiais que confundiram o seu guarda chuva como uma arma. Para ela, “ter uma figura desta no poder, que incentiva uso de armas e matar, é retrocesso para a luta antirracista, para comunidade LGBT e as mulheres em geral.”

Bolsonaro X Haddad

Pesquisas do Ibope e Datafolha apontam os dois candidatos no segundo turno Redação Na primeira semana após a cassação definitiva da candidatura do ex-presidente Lula, o candidato do PT, Fernando Haddad, assumiu o segundo lugar isolado, com 19% de intenções de voto na pesquisa Ibope, divulgada no dia 18 de setembro. Com Jair Bolsonaro (PSL) no primeiro lugar, 28% no Ibope, cresce a possibilidade de segundo turno entre os dois candidatos à presidência. O que mostra a importância de

ficar de olho na rejeição, número decisivo para a definição do segundo turno. Bolsonaro é o candidato mais rejeitado, com 42% dos eleitores dizendo que não votariam nele de jeito nenhum.

Haddad tem 29%. Destaque para a rejeição, entre as mulheres, em que cerca de 50% das eleitoras declaram que não votariam em Bolsonaro na última pesquisa feita pelo Datafolha.

28% 19%

Bolsonaro

PELOS FILHOS

Haddad

Mãe de dois filhos adultos e de uma menina de 5 anos, a cozinheira Marilê Bravo, que é de Francisco Beltrão (PR), diz que uma das principais motivações para entrar no grupo contra Bolsonaro foi por pensar no futuro. “É um candidato que se manifesta contra o que é diferente, meu sentimento é de medo pela Ana, por ser uma menina negra e especial (a filha tem Síndrome de Down). Ela diz que, ao longo da vida, militou dentro de casa, junto aos filhos. “Mas hoje essa união das mulheres me deu vontade de externar minha opinião e dialogar.”

OPOSIÇÃO

Mariana Alves

Ana Carolina Caldas

“Venho de uma família de direita e me sentia isolada

Jovem curitibana que trabalha como ilustradora de livros infantis, Bruna Assis Brasil, que no sábado, dia que o grupo foi hackeado, fez várias postagens pedindo que as mulheres não desistissem da organização, disse que sua adesão foi porque vinha se sentindo isolada, já que a família tem posições favoráveis ao candidato. “Quando fui convidada para participar não pensei duas vezes. Fiquei maravilhada em ver os valores das mulheres que estavam ali: todo mundo se respeitando, mulheres de tudo quando é tipo, todas unidas por uma causa. Me comovi com as histórias de cada uma delas.” E diz que fará voto útil. “Nessa eleição eu escolhi na aversão ao discurso do Bolsonaro, votaria em quem fosse (ao segundo turco) para não o ver eleito.”


6 | Cidades

Paraná, 20 a 26 de setembro de 2018

Governos progressistas erraram ao tolerar mídia golpista

Arquivo CMC

Noam Chomsky, um dos maiores pensadores da atualidade, virá a Curitiba nesta quinta-feira visitar o ex-presidente Lula Redação

Júlia Dolce

U

ma das visitas ao presidente Lula nesta quinta-feira (20) será de Noam Chomsky, linguista, filósofo e um dos mais importantes pensadores e ativistas anticapitalistas da atualidade. Mas antes de vir a Curitiba, teve encontro, em São Paulo, com jornalistas da imprensa alternativa e comentou o poder de manipulação da opinião pública dos meios de comunicação hegemônicos e como a grande mídia latino-americana tem um conhecido histórico golpista. “Quando você olha para a estrutura institucional da mídia, pertencente a grandes empresas, o produto somos nós. A estrutura da mídia são grandes corporações vendendo as pessoas para outras corPUBLICIDADE

porações e anunciantes”. Ressaltou exemplos de veículos de comunicação latino-americanos que abertamente se posicionaram pela derrubada de governos de esquerda nas últimas décadas, como o jornal La Prensa, na Nicarágua, e a RCTV, na Venezuela. PUBLICIDADE

“Governos de esquerda na América Latina sempre permitiram que as mídias funcionassem e ela é, frequentemente, muito hostil a esses governos. Isso é um problema, porque esses governos estiveram e estão sob um ataque amargo. Em um país livre, isso seria inconcebível”, afirmou. Chomsky destacou que o governo Lula é um dos principais exemplos de condescendência com a mídia, mesmo sendo completamente atacado por ela. “O Brasil se tornou o país com melhor perspectiva do mundo durante os governos de Lula. Em uma forma que nunca tinha acontecido antes. Isso durou até o colapso do governo do PT. Mas isso pode ser alcançado novamente, não há razão para o país não voltar a essa posição”, disse.

Lei da agricultura urbana espera assinatura do prefeito O projeto contou com 28 votos na Câmara Municipal de Curitiba, mas ainda precisa de regulamentação Ana Carolina Caldas

Regulamentar e incentivar a produção de alimentos saudáveis na cidade em hortas urbanas, praças e até calçadas são alguns dos objetivos da lei aprovada este mês na Câmara Municipal de Curitiba que autoriza a ocupação de espaços públicos e privados para o desenvolvimento de atividades de agricultura urbana. A votação aconteceu há cerca de dez dias, mas ainda não se sabe se será sancionada pelo prefeito Rafael Greca. Na sua administração, a prefeitura de Curitiba tentou proibir ou penalizar iniciativas comunitárias de agricultura urbana. Essa repressão foi

um dos motivos da aprovação da lei na Câmara dos vereadores. “Ela é pensada por muitas cabeças e escrita por diversas mãos, considerando diferentes pontos de vista. Vamos avançando no conceito e na prática de uma cidade verdadeiramente sustentável,” afirma o autor da proposta, o vereador Goura (PDT). Caso seja sancionada, ficará permitida a utilização de recuo e canteiros das calçadas para a prática de hortas e jardinagem que não prejudiquem a acessibilidade dos pedestres. A lei foi aprovada com a supressão de um item que previa também a criação de animais de produção de pequeno porte, sem fins comerciais.


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Paraná, 20 a 26 de setembro de 2018

Janine Mathias lança ‘Dendê’ em show nesta sexta

LUZES DA CIDADE Por Bárbara Lia*

O quê: Show de lançamento de “Dendê”, trabalho inédito da compositora brasiliense, radicada em Curitiba, Janine Mathias. Conta com canções de Leandro Lehart (Art Popular), Martinho da Vila, Tássia Reis e Val Andrade, além de composições da própria cantora. O cantor Rincon Sapiência participa da faixa que dá nome ao disco. “Dendê é fruto da minha trajetória. Musicalmente, é o que em mim tudo tempera. É o óleo que azeita, fortifica, unta, apazigua e ganha outras formas, usos e significados”, diz Janine. Quando: sexta-feira, dia 21/9, 20h. Onde: Teatro Paiol - Praça Guido Viaro, s/n - Prado Velho. Quanto: R$ 15 e R$ 30.

tros grandes poetas na cidade que não são vistos, citados. Vivem em suas mansardas acariciando seus cães, criando seus fi lhos, colhendo as flores das palavras em canteiros petrificados, rodeados de sopros de Shakespeare e Hilda Hilst. Cada qual se nutrindo de

seu “sopro” preferido, pois quando um poeta morre ele é apenas isto: sopro. Memória perpétua na vida de outros poetas – herança da Beleza. * Poetisa e romancista, é autora de 13 publicações

Fotografia em transe

DICAS MASTIGADAS

Fettuccine com abobrinha frita Ingredientes 100 ml azeite extravirgem 8 abobrinhas italianas 4 dentes de alho Manjericão verde folha pequena a gosto 400 gramas de fettuccine grano duro Sal a gosto Pimenta-do-reino preta em grão a gosto 50 g de queijo Grana Padano

Renato Nascimento

Gibran Mendes

Herança Madrugada no Largo da Ordem. O fantasma de Leminski caminha entre as mesas. Acordes do saxofone de Raul de Souza ecoam entre a Tiradentes e a calçada diante do bar. Ouvi Sylvio Back contar para alguns amigos sobre um tempo em que ele e Raul de Souza e outros se reuniam na Praça Tiradentes e Raul tocava. Curitiba abrigou isto. Poesia nos bares ao lado de Bia de Luna, Leminski e tantos outros. A cidade que ouviu palavras de Marcos Prado e abrigou sua intangível beleza, sua força que evaporou cedo. Os grandes mitos desta cidade já se foram: ou foram para o paraíso ou para outras cidades. Existem ou-

117 | Cultura

Reprodução

Modo de Preparo Em uma frigideira funda, colocar o azeite e fritar as rodelas de abobrinha, um pouco por vez, até que estejam bem douradas. Assim que toda a abobrinha estiver frita, retorná-la à frigideira, juntar o alho em cubinhos, temperar com sal e pimenta e cozinhar por alguns minutos. Adicionar as folhas de manjericão. Cozinhar a massa em abundante água fervente salgada. Escorrer e juntar ao molho. Saltear por alguns instantes, juntando um pouco da água do cozimento da massa para que forme um molho cremoso. Finalizar com o queijo ralado e saltear por mais 30 segundos.

O quê: Exposição do acervo do Museu da Fotografia Cidade de Curitiba, apresenta ao público fotógrafos que representam três períodos, divididos por décadas: 5060; 70-80 e 90-2000 expostas em 4 salas, sendo uma delas para os premiados das Bienais de Fotografia de Curitiba. Quando: Até 7/10, de terça-feira a domingo. Salas do Acervo e Exposições: 9h às 12h e 14h às 18h (3ª a 6ª feira) e 12h às 18h (sábado e domingo). Onde: Museu da Fotografia Cidade de Curitiba, Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 533, Solar do Barão – Centro. Quanto: Gratuito. Antonio Augusto Fontes - Santa Ceia, 1983 | Divulgação


12 | Esportes

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Paraná, 20 a 26 de setembro de 2018

Brasil: o país do futebol... masculino Em 1941, decreto proibiu a prática do futebol feminino no Brasil por quase 40 anos, até 1979 Jason Silva | CBF

Fabiana Reinholz e Luiza Dorneles Porto Alegre

“À

s mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza.” As palavras são do artigo 54 do decreto-lei número 3.199, assinado em 1941, que proibiu a prática do futebol feminino no Brasil por quase 40 anos, até 1979. Para o governo da época, o esporte era considerado violento, e a natureza da mulher, frágil. Hoje, conhecemos Marta: a primeira pessoa a ser eleita por cinco vezes consecutivas a melhor futebolista do mundo. Frágeis, elas já provaram que não são. Futebol, elas já mostraram que jogam. Por

que não ouvimos falar sobre as jogadoras profissionais? Silvana Goellner, pesquisadora referência nos estudos sobre a inserção

das mulheres nos esportes, acredita que as federações esportivas deveriam investir em novos campeonatos para que tenhamos maior

circulação de jogadoras. “Elas jogam por amor, elas são resilientes, elas são persistentes, elas perseveram, em que pese toda a diversi-

dade de condições com as quais elas encontram o futebol de mulheres no Brasil. É muito diferente do que ter carteira assinada, plano de saúde, férias, aposentadoria, ou seja, vínculos duradouros com as equipes”, afirma Silvana. Falta de visibilidade Apenas 3% do noticiário esportivo é direcionado para a cobertura de atletas e competições femininas, de acordo com pesquisa da Women’s Sports Foundation. No Brasil, a organização de mídia Gênero e Número analisou pouco mais de 24h da programação esportiva e o levantamento apontou que apenas 12% desse tempo, um total de 2 horas e 55 minutos, foi dedicado às atletas mulheres.

Hora de dar decisão

Nos faça sonhar

O momento é dos moleques

Por Cesar Caldas

Por Marcio Mittelbach

Por Roger Pereira

Famosos versos de Djavan dizem assim: “Se toda hora é hora de dar decisão, eu falo agora; no fundo, eu julgo o mundo – um fato consumado e vou-me embora”. No jogo do Coritiba em Maceió, diante do CRB na sexta-feira (21/9), às 20h30, nova derrota pode inviabilizar o acesso à Primeira Divisão como “fato consumado” – título da canção. Segundo a Universidade Federal de Minas Gerais, a probabilidade do alviverde terminar a competição entre os quatro primeiros é hoje de 2,7%. O desânimo do torcedor coxa-branca tem razão de ser: se a campanha nas 19 rodadas do primeiro turno da competição já foi abaixo da esperada (8ª colocação), a do returno tem sido ainda pior (18º lugar nos oito primeiros jogos), o que explica a queda para o 11º no geral. Espera-se que o ano não termine na noite que antecede o sábado, início da Primavera. A propósito: Djavan nasceu em Maceió

Na última terça-feira, 18, o presidente Leonardo Oliveira deu entrevista coletiva para falar da demissão do Diretor de Futebol, Rodrigo Pastana, e sobre o processo eleitoral da semana que vem. Com a tranquilidade de quem não terá adversário, o candidato à reeleição disse não acreditar que a má campanha na Série A vá atrapalhar o pleito. Com um tom até exagerado de realismo, o discurso segue o mesmo de três anos atrás: viver uma realidade de recessão, abater a dívida e garantir um clube saudável para o futuro. É importante essa responsabilidade, mas é preciso um pouco mais. Uma meta, um desafio, uma proposta ousada para fazer a torcida como um todo abraçar a ideia, não só os sócios de hoje. Esperamos que esse algo a mais seja apresentado nesta quinta-feira, 20, quando a chapa comandada por Oliveira apresentará suas propostas para o próximo triênio paranista.

O Atlético vinha com uma boa sequência sem derrotas e sofrendo pouquíssimos gols até a série de três tropeços fora de casa, no Campeonato Brasileiro. As derrotas ocorreram justamente no momento em que Thiago Heleno voltou de contusão e reassumiu a condição de titular da zaga. Além do fato de, em alguns gols, ter havido falha direta do general, seu retorno quebrou o ótimo ritmo de defesa com os jovens Léo Pereira e Zé Ivaldo. Zagueiros rápidos, em excelente fase, que davam mais segurança aos laterais Jonathan (mais experiente e mais lento) e Renan Lodi (com ótimo poder ofensivo). No último jogo, Thiago Heleno foi sacado, mas a opção foi por Paulo André, também retornando de contusão. Ninguém duvida da qualidade dos dois experientes zagueiros e todos são gratos ao que eles já fizeram pelo time. Mas o momento, até para que eles voltem a sua melhor forma, é dos moleques.


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