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Cultura | p. 7

Auto de Natal itinerante em Araucária

Paranaenses contra o rebaixamento

Grupo Lanteri se apresentará num palco sobre uma carreta

PARANÁ

Ano 4

Edição 197

Felipe Oliveira | EC Bahia

17 a 23 de dezembro de 2020

distribuição gratuita

Times do Estado só lutam para não cair nas séries A e B

www.brasildefatopr.com.br

Ano da solidariedade

Giorgia Prates

Natal terá novas ações do MST e outras entidades com doação de alimentos a vulneráveis Brasil | p. 2 e 5

Sem consulta ao povo

Dinheiro para militares

Saúde sofre com Greca

Ratinho Jr. manda fazer hidrelétricas passando por cima de moradores, MP e da Alep

Governo do Estado vai pagar R$ 3.500 para pessoal da reserva em escolas

Em vários bairros, população protesta contra fechamento de unidades Direitos | p. 6

Paraná | p. 4

Brasil | |p. Paraná p.64


Brasil de Fato PR 2 Opinião

2020: ano de solidariedade entre a classe trabalhadora EDITORIAL

O

ano de 2020 foi difícil para o povo brasileiro, não bastasse um governo neofascista, tivemos que enfrentar uma pandemia. Nesses nove meses de pandemia, vimos o Ministério da Saúde se tornar palanque político, o auxílio emergencial, conquista do campo progressista no Parlamento, ser apropriado indevidamente pelo governo Bolsonaro e, como se não bastasse, tivemos expostas as vísceras da desigualdade enraizada em nossa sociedade.

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Paraná, 17 a 23 de dezembro de 2020

O desemprego e o subemprego aumentaram, as condições de existência da classe trabalhadora pioraram enquanto os ricos ficaram mais ricos. Mas neste mar de desespero e incertezas tivemos o acúmulo das experiências de solidariedade entre o povo. A Campanha Periferia Viva está em diversas cidades organizando e contribuindo com a periferia para enfrentar o coronavírus com distribuição de máscaras, cursos de agentes populares

de saúde, geração de renda e produção. E distribuição de alimentos, o MST já distribuiu pelo Brasil mais de 3 mil toneladas de alimentos vindos de pequenos agricultores. Assim, ao olharmos para 2020, podemos reconhecer que, nesta luta, estamos batalhando pela vida. Não foi um ano fácil, mas nos mostrou a força da solidariedade entre a classe trabalhadora, como prática que nos fortalece e fortalece nossa organização popular.

SEMANA

Eleição na Câmara: a necessária autonomia da esquerda

OPINIÃO

Milton Alves,

Ativista político e social. Autor dos livros ‘A Política Além da Notícia e a Guerra Declarada contra Lula e o PT’ (2019) e ‘A Saída é pela Esquerda’ (2020)

O

debate sobre a futura eleição para a mesa diretora da Câmara dos Deputados é revelador dos atuais impasses da esquerda. As movimentações no Parlamento indicam três grandes blocos em formação para a disputa: O bolsonarismo aliado com o Centrão (PP, PSD, PL, parcela do PSL, Avante, Solidariedade com mais de 180 votos), a velha direita neoliberal – DEM, MDB, PSDB, Cidadania e PV – com aproximadamente 160 votos. E os partidos de esquerda e centro-esquerda PT, PSOL, PCdoB, PDT, PSB e Rede com 133 parlamentares. Na esquerda, predomina uma postura rebaixada da disputa que aponta para uma aposta na aliança com a direita neoliberal em nome de evitar o “mal maior”, o que seria representado por uma vitória do bloco bolsonarista e do

neocentrão, segundo essa visão. As articulações políticas na Câmara dos Deputados e no Senado ocorrem em meio ao crescente esgarçamento da situação econômica e social, agravada ainda mais pela gestão criminosa, genocida, da crise sanitária pelo governo Bolsonaro e da aprovação de medidas de desmonte dos direitos sociais. Que posição então a esquerda deve adotar no curso da disputa pelo comando do Congresso Nacional? A esquerda tem que demarcar para o conjunto da sociedade a sua posição, com clareza e nitidez, apresentando um candidato próprio e uma plataforma em defesa do povo contra a política de fome, miséria e morte do governo Bolsonaro, essa é a primeira questão; segundo, fazer a disputa política ao mesmo tempo contra o bolsonarismo e a velha direita neoliberal e, terceiro, abandonar qualquer prioridade a cargos e posições. Até porque a esquerda precisa deslocar o centro da disputa política para a rua.

EXPEDIENTE O jornal Brasil de Fato circula em todo o país com edições regionais em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Paraná. Esta é a edição 197 do Brasil de Fato Paraná, que circula sempre às quintas-feiras. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais.

Brasil de Fato PR | Desde fevereiro de 2016 EDIÇÃO Frédi Vasconcelos e Pedro Carrano REPORTAGEM Ana Carolina Caldas e Lia Bianchini COLABORARAM NESTA EDIÇÃO Anna Sandri, Bárbara Lia, Milton Alves e Letícia Freitas ARTICULISTAS Fernanda Haag, Cesar Caldas, Marcio Mittelbach e Douglas Gasparin Arruda REVISÃO Lea Okseanberg, Maurini Souza e Priscila Murr ADMINISTRAÇÃO Bernadete Ferreira e Denilson Pasin DISTRIBUIÇÃO Clara Lume FOTOGRAFIA Giorgia Prates e Gibran Mendes DIAGRAMAÇÃO Vanda Moraes CONSELHO OPERATIVO Daniel Mittelbach, Fernando Marcelino, Gustavo Erwin Kuss, Luiz Fernando Rodrigues, Naiara Bittencourt, Roberto Baggio e Robson Sebastian REDES SOCIAIS www.facebook.com/bdfpr CONTATO pautabdfpr@gmail.com


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FRASE DA SEMANA

“Especialidade de Bolsonaro é fugir: de debate, da Justiça, das responsabilidades”

Nas redes sociais, autoridades públicas silenciam críticos O aumento dos casos de Covid-19 e a pressão da sociedade com relação às medidas de combate à pandemia têm feito com que autoridades públicas adotem medidas extremas em suas redes sociais, censurando ou bloqueando as vozes de críticos. Na transferência do debate público para o ambiente virtual, a atitude revela caráter autoritário e falta de transparência de gestores. O jornalista Rogério Galindo, do Plural, e o deputado estadual Goura (PDT) foram bloqueados pela secretária de Saúde de Curitiba, Márcia Huçulak, e pelo presidente Jair Bolsonaro. Goura “comemorou” o bloqueio e Galindo quis saber se mais alguém havia sido excluído de suas “redes pessoais” pela secretária. O jornalista Manoel Ramires, do Porém, é bloqueado pelo governador Ratinho Junior. Para ele, além de autoritária, a medida é infantil. Por outro lado, o ministro da Saúde, General Pazzuelo, elevou o nível de censura. Em reunião com epidemiologistas sobre a vacinação contra a Covid-19, ele não permitiu que eles usassem a palavra para evitar críticas, autorizando apenas comentários por papel e evitando mencionar qualquer assunto que fosse mais espinhoso.

Disse em seu Twitter o ex-candidato à presidência Fernando Haddad sobre a ideia do presidente de exigir que quem tomar vacina contra a Covid tenha de assinar termo de responsabilidade

Filipe Araujo | Fotos Públicas

NOTAS BDF

Por Frédi Vasconcelos

Não tem nem seringa

Divulgação

Enquanto países como a Inglaterra já começam a vacinar sua população contra a Covid-19, no Brasil o presidente continua com sua política negacionista. Descobriu-se agora que, além de estarmos atrasados na escolha da vacina, o Ministério da Saúde não comprou nem seringas e agulhas necessárias para sua aplicação. A licitação só foi aberta esta semana, num País com mais de 180 mil mortes por Covid.

Sem auxílio, piora Em entrevista à “Folha de S.Paulo”, Kristalina Georgieva, diretora do FMI, disse que o fi m prematuro do auxílio emergencial pode ”fazer com que o Brasil alcance a marca total de 24 milhões de pessoas em situação de extrema pobreza.” Ela destaca que isso também afetará a recuperação da economia. O governo Bolsonaro pretende encerrar o auxílio, que já foi reduzido à metade, neste fi nal de ano.

Senado corrige Fundeb Em votação na terça, 15, o Senado corrigiu distorção aprovada pela Câmara dos Deputados no Fundeb. Pelo que tinha sido aprovado pela base bolsonarista, cerca de R$ 16 bilhões desse fundo poderiam ser transferidos para escolas de igrejas ou para o Sistema S, gerido por empresários. O Senado fez o correto, manteve o dinheiro público nas escolas públicas. Haverá, ainda, nova votação na Câmara.

Senado entrega terras Dando uma no cravo e outra na ferradura, no mesmo dia o Senado aprovou projeto que facilita a venda de 2,12 milhões de quilômetros quadrados de terras brasileiras para estrangeiros. A proposta, que vai para votação na Câmara, autoriza a compra, de até 25% da área de municípios brasileiros. A legislação atual permite a aquisição a estrangeiros residentes no Brasil, empresas que funcionam no país ou empresas brasileiras cuja maior parte do capital social pertença a estrangeiro.

COLUNA DA

JUVENTUDE 2020: marco da resistência popular O ano de 2020 foi repleto de dificuldades para o povo brasileiro. Com o surgimento do novo coronavírus no País, vimos a fome se agravar nas periferias. O descaso do governo Bolsonaro com a população teve como consequência a morte de mais de 180 mil brasileiras e brasileiros e mais de 6 milhões de infectados pelo vírus. O cenário brasileiro, diante da continuidade da política genocida de Bolsonaro, deve se agravar em 2021 com o fim do auxílio emergencial e com a chegada da vacina ao País ainda em um horizonte distante. No entanto, a solidariedade, que sempre esteve presente nas favelas e nas quebradas do Brasil, ousou se transformar em organização do povo. Só neste ano, no Paraná, foram distribuídas mais de 430 toneladas de alimentos a partir das arrecadações feitas nas cidades e no campo com trabalhadores, foram criadas cozinhas e hortas comunitárias, turmas de Agentes Populares de Saúde e comunicação e atividades para as crianças. O ano ainda se encerra com a distribuição de alimentos da reforma agrária em Bela Vista, Porecatu, Centenário do Sul, Londrina e Guarapuava, deixando o recado que deve ecoar em 2021: Periferia Viva! Fora Bolsonaro! Anna Sandri, advogada, militante do Levante Popular da Juventude e da Consulta Popular Letícia Freitas, militante do Levante Popular da Juventude e estudante de Ciências Sociais


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Paraná, 17 a 23 de dezembro de 2020

Ratinho Jr. impõe novas hidrelétricas mesmo com parecer contrário de MP e Alep

Militares da reserva receberão R$ 3.500 em diárias para cargo de direção em escolas Porte de arma de fogo é pré-requisito. Candidatos são dispensados de exame de saúde mental Geraldo Bubniak | AEN

Governo enviou projetos para construção de empreendimentos a toque de caixa Ana Carolina Caldas

N

a inauguração da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Bedim, em Renascença, Sudoeste do Paraná, o governador Ratinho Jr. destacou que dezenas de empreendimentos hidrelétricos foram liberados desde 2019 e reforçou que “os processos de liberação são feitos com a celeridade que os empreendedores precisam.” Porém, essa pressa tem sido questionada por ambientalistas, movimentos sociais, parlamentares e pelo Ministério Público. No final de novembro, o governo enviou à Assembleia Legislativa (Alep) projeto solicitando a aprovação da construção de sete novos empreendimentos hidrelétricos, seis na Bacia do Iguaçu e um no Rio Piquiri. Foi aprovado por 39 votos a 7, mesmo com parecer contrário da Comissão de Meio Ambiente e sem consulta à população atingida. Para o deputado Goura (PDT), presidente da Comissão de Meio Ambiente, há um enorme descaso AEN

com a questão ambiental. “Ao impor a aprovação de novas hidrelétricas, mesmo com parecer da comissão e nota técnica do Ministério Público contrários”, explicou. O parecer da comissão pedia que cada empreendimento fosse analisado um a um, e não em conjunto, por envolverem obras e locais distintos, com impactos diferentes. O MP questionou a existência de licenças sem que a Alep aprove a construção dos novos empreendimentos. E ainda que “o Poder Executivo (autor da proposta) sustenta que a aprovação do PL atende ao “desenvolvimento econômico” e à “inclusão social” na região da instalação, porém nada mais explica a respeito.”

FALTA DIÁLOGO Maristela Costa, coordenadora do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), no Paraná, lamenta a ação do governo. “É lamentável que uma proposta dessa natureza tenha sido aprovada numa pandemia e sem diálogo com as populações atingidas”, diz. E relata violações feitas nessas obras. “Nesse cenário de inúmeras construções de barragens, identificamos violações às populações atingidas , seja pela construção, seja pelo funcionamento desses empreendimentos. Temos intensiva exploração dos bens naturais, uma apropriação pelo capital das nossas bacias hidrográficas, ausência de normas e diretrizes que assegurem os direitos das populações atingidas, sem falar das altas tarifas de energia elétrica que pagamos.”

Lia Bianchini

O

governo do Paraná iniciou o processo de militarização de escolas públicas. Está aberto para inscrições, até 18 de dezembro, edital de seleção de policiais militares da reserva para ocuparem os cargos de diretor cívico-militar e monitor cívico-militar em 199 escolas. O edital prevê a contratação de 806 policiais. As ações de gestão pedagógica e gestão administrativa nas áreas de infraestrutura, patrimônio, finanças e segurança, além do monitoramento de atividades extracurriculares passarão a ser feitas por policiais militares da reserva. Uma das condições para a inscrição é que o candidato esteja com porte de arma de fogo vigente. Há ainda a informação de que aqueles que tiverem esse porte “estarão dispensados de exame de aptidão de saúde mental”. O edital prevê ainda que os contratados receberão “diárias especiais”, além do valor específico que já recebem como militares da reserva. O valor total previsto para tais diárias é de R$ 3.500 ao mês. A

divulgação do resultado e convocação estão previstas para fevereiro de 2021. No processo de militarização, há a estimativa de que serão destinados R$ 80 milhões dos recursos da educação para reformas e compra de uniformes somente para escolas militares. Presidente da APP-Sindicato, o professor Hermes Leão lembra que o processo de militarização se inicia num período em que profissionais da educação contratados temporariamente correm o risco de perderem seus cargos durante a pandemia. “800 policiais aposentados serão empregados na militarização de 200 escolas estaduais do Paraná. Enquanto isso, o secretário Renato Feder pretende desempregar 29 mil professores e funcionários, que há anos contribuem com a educação dos estudantes paranaenses, em meio à pandemia”, afirma. Há meses, a APP-Sindicato luta pela suspensão da militarização, pela prorrogação dos contratos de profissionais temporários e pela anulação do edital, que prevê provas presenciais para contratação de novos profissionais temporários.


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MST fez de 2020 o ano da solidariedade Desde o início da pandemia, movimento faz doações de alimentos e produção e entrega de marmitas a pessoas em situação de vulnerabilidade

Giorgia Prates

Lia Bianchini

P

ratos sem comida, barrigas vazias e bolsos sem dinheiro. Essa é a realidade de milhões de brasileiros que convivem diariamente com a fome, a insegurança alimentar e o desemprego. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2020 foram contabilizadas 10,3 milhões de pessoas sem acesso regular à alimentação básica no Brasil. Outras 14,1 milhões estão desempregadas. Os números, ao longo do ano, sofreram o impacto da pandemia de coronavírus, que aprofundou as desigualdades já existentes no país. Foi nesse contexto que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) decidiu fazer de 2020 um ano de solidariedade. Desde março, com a chegada da pandemia ao Brasil, o movimento iniciou campanha nacional de doação de alimentos produzidos em acampamentos e assentamentos da reforma agrária para famílias urbanas em situação de vulnerabilidade. Só no Paraná, de março a dezembro, o MST chegou à marca de 442 toneladas de alimentos doados. Ao todo, 51 acampamentos e 121 assentamentos participaram das campanhas solidárias. “O que nós estamos fazendo só foi possível porque a terra foi re-

partida. E estando nas mãos de trabalhadores, gera fartura, trabalho, comunidade, saúde, educação, desenvolvimento, solidariedade, um cuidar do outro”, afirma Roberto Baggio, representante do Paraná na direção nacional do MST. Marmitas da terra Além da doação de alimentos in natura, também desde o início da pandemia, o MST, junto com outras entidades e associações, produz marmitas que são entregues em bairros empobrecidos de Curitiba e a pessoas em situação de rua. A ação, batizada de “Marmitas da Terra”, tem cerca de 120 pessoas voGiorgia Prates

luntárias, que também participam do plantio e da colheita dos alimentos em áreas da reforma agrária e da agricultura familiar. Desde maio, já foram entregues 32.910 refeições. Também desde o início da pandemia, cerca de 20 comunidades do MST no Paraná criaram hortas comunitárias voltadas especialmente para a produção de alimentos para doação. “Neste momento de ausência total de políticas públicas para ajudar os mais vulneráveis, ações de solidariedade entre a classe trabalhadora são fundamentais”, diz Adriana Oliveira, coordenadora da ação Marmitas da Terra e integrante do MST.

MOVIMENTO

Natal solidário terá doação de alimentos em todo o Paraná Em dezembro, as ações se intensificam para promover um grande Natal solidário no Estado. Estão previstas ações de doação de alimentos em todas as regiões do Paraná. Na Região Sudoeste, no dia 16, o MST - em parceria com organizações do Fórum Regional Campo-Cidade e o Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (Capa) - vai doar 413 cestas de alimentos nos municípios de Dois Vizinhos, Clevelândia, Bituruna e Francisco Beltrão. Nas regiões Noroeste e Centro, no dia 19, está prevista a doação de mais de quatro toneladas de alimentos em Paissandu, Guarapuava e Pinhão. Na região Norte, no dia 22, serão doadas 15 toneladas de alimentos em Londrina Porecatu, Centenário do Sul, Florestópolis e Arapongas. Já na região Oeste, a previsão é de doação de mais de quatro toneladas de alimentos em Cascavel e região. Na região Sul, as grandes ações serão em Curitiba. Nos dias 21, 22 e 23, a ação Marmitas da Terra fará entregas consecutivas. Além disso, nos dias 22 e 23, em parceria com Sindicato dos Petroleiros Paraná e Santa Catarina (Sindipetro) e Produtos da Terra, o MST organiza a doação de mais de sete toneladas de alimentos e cestas de Natal (com cerca de 7kg de alimentos cada). Giorgia Prates


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Paraná, 17 a 23 de dezembro de 2020

Servidores e moradores protestam por hospitais de campanha em Curitiba

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E são contra o fechamento e sobrecarga de UPAs e unidades de saúde Pedro Carrano

U

ma servidora da saúde estendia faixas diante do trânsito da avenida Marechal Floriano Peixoto, em Curitiba. Outra entregava panfletos e pedia assinaturas para a população diante de um supermercado. Servidoras municipais da saúde e moradores do bairro Boqueirão fizeram protesto no final da manhã do dia 14 pelo fechamento e destino das Unidades de Pronto Atendimento (UPA) para tratamento de Covid-19, o que causa sobrecarga nas unidades de saúde, sobrecarga nos servidores e sobrecarga nas demais UPAs da capital. Somaram-se ao protesto associações de moradores e movimentos populares, caso do Movimento das Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD). Na semana passada, a União de Moradores/as e Trabalhadores/as (UMT), localizada no bolsão Formosa, no Novo Mundo, protestou contra o fechamento da UPA Fazendinha e sobrecarga na Unidade Básica de Saúde Aurora. A reivindicação principal do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sismuc) e dos servidores ali presentes era a

criação de hospital de campanha para atendimento dos casos de Covid-19, não permitindo sobrecarga nas unidades de saúde e de pronto atendimento. Mas o prefeito Rafael Greca (DEM) parece pouco disposto a receber os servidores. Vale lembrar que, desde 2017, o prefeito encaminha para a Câmara a proposta salarial dos servidores sem conversar com eles. “Nunca recebem, nunca respondem”, lamenta Fabiana Caputti, da direção do Sismuc. Criticaram também a forma como a prefeitura atropela o espaço do Conselho Municipal de Saúde. Mais trabalhadores O número levantado pelos servidores municipais é de necessidade de 1500 trabalhadores a mais na área de Saúde na capital. A entidade sindical denuncia também a medida da Prefeitura, diante do problema, de “quarteirizar” a assistência e fazer com que os servidores concursados tenham que capacitar os trabalhadores trazidos em formato flexível pela Feaes. “A Secretaria Municipal de Saúde (SMS), responsável pela administração da UPA, acionou a Fundação Estatal de Atenção Especializada em Saúde (Feaes),

criada para prestar serviços de saúde para a Prefeitura de Curitiba. Essa Fundação está quarteirizando o serviço de saúde da UPA Boqueirão para o Cooenf, uma cooperativa de enfermagem”, afirma uma das matérias produzidas pelo sindicato. Em resumo, profissionais da saúde naquele ato defenderam que a UPA não tem estrutura hospitalar, o que acaba sobrecarregando todo o sistema. Ao lado da reabertura imediata das UPAs e, além disso, apontam ausência de estrutura em todas unidades e necessidade de leitos mais adequados, junto à necessidade de medidas eficazes para o controle da doença, como o lockdown. Situação de moradora Marinalva da Silva vive no bairro Boqueirão há doze anos, trabalha como autônoma e corretora imobiliária. Reclama de ter buscado a UPA com suspeita de Covid na família e ter sido remetida a uma US mais distante de sua casa, esperando longos dias pelo resultado do exame. “O culpado é o prefeito e governo. Me mandaram para outro lugar, passei 14 dias sem resposta sobre a minha situação”, disse, enquanto pegava panfletos e se somava ao protesto local.

Projeto “Tirando de Letra” oferece conteúdo do Enem e do vestibular em cartilhas gratuitas Vanda Moras

A

cada 15 dias uma cartilha gratuita, que traz conteúdos do Enem e do vestibular da UFPR, é publicada no site “Tirando de Letra”. Trata-se de uma iniciativa de alunos do curso de Letras da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR),

com alunos de graduação, professores e doutorandos. Até agora, 9 cartilhas já foram publicadas. O projeto começou em julho deste ano e todas as pessoas são voluntárias. Os próprios participantes elaboram a cartilha de acordo com o repertório e com as pesquisas do grupo. O conteúdo é focado nas áreas de Produção Textual, Gramática, Literatura e Língua Estrangeira

Moderna (LEM). Para a estudante de Letras Stela Klock Mauricio, que participa do projeto desde o início, o mais importante é poder auxiliar estudantes, especialmente durante a pandemia. “Como o site é gratuito, qualquer pessoa pode acessar os materiais e usá-los como quiser”, destaca. Anna Carolina Legroski, professora há mais de 10 anos e estudante

no doutorado, considera o projeto uma forma de retribuir o que conseguiu graças à educação pública, de colocar sua formação a serviço da comunidade. “Sei que minha caminhada acadêmica e profissional só aconteceu porque eu tive a oportunidade e privilégio de estudar na UFPR e pude participar de diversos programas dentro da universidade”, defende.


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Grupo Lanteri faz auto de Natal itinerante em Araucária Redação

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onhecido pela tradicional apresentação da Paixão de Cristo, o Grupo Lanteri está preparando um novo espetáculo, o Auto de Natal, que será apresentado em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), de 19 a 23 de dezembro. Para evitar aglomerações por conta da pandemia, o espetáculo será itinerante. O palco será em uma carreta e as pessoas poderão assistir das janelas de suas casas. A carreta, decorada com as luzes do Natal, levará o presépio como cenário e irá circular pelas ruas da cidade, com diversas paradas. Todos os envolvidos na produção estarão usando máscaras e respeitando o distanciamento. “Ninguém precisará sair de casa para prestigiar o trabalho, poderá vê-lo com segurança da sua janela ou do seu jardim. Serão apre-

Divulgação

sentações curtas, com aproximadamente 10 minutos de duração, e o trajeto a ser percorrido será divulgado por um carro de som poucos minutos antes do espetáculo, justamente para evitar espera e aglomeração”, conta Edson Luiz Martins, diretor de produção do Grupo Lanteri. Serão várias apresentações por dia em diferentes pontos, de 19 a 23 de dezembro, sempre das 20h às 22h. Por dia, serão percorridos na cidade cerca de 30 quilômetros. O projeto é uma realização do Grupo Lanteri, com apoio do Instituto Lanteri e da Prefeitura Municipal de Araucária, com o patrocínio da Copel, por meio de Lei de Incentivo à Cultura.

Para saber mais Acesse www.grupolanteri.com.br

Por Bárbara Lia

Silenciosa serenata para Clara Eu beirava trinta anos, debandara do meu curso universitário e sonhava salvar meu país da garra dos militares e para isto estava disposto a tudo. Pegar em armas, incluso. Nunca participei de uma operação. Fiquei na retaguarda, a imprimir panfletos naquele mimeógrafo. Ajudar amigos a encontrar guarida, acompanhar operações como se fosse o último dos últimos na escala oficial daquela nossa organização que ousou dar passos, planejar sequestros e ir avançando, avançando, até ser contida, e ir pouco a pouco sendo esmiuçada, retalhada, reduzida a nada. Chorei a morte de Marighela como quem chora a morte de um pai. Ficou na memória aquela noite de lua absurda, em uma chácara, em uma reunião para integrantes da ALN. Saí para tomar ar, ele fumava sozinho, lembrava uma estátua. Um homem forte, sua simples presença impunha. Ficamos calados naquele pátio, sem nada dizer. Talvez as palavras sejam tudo que atrapalha o mundo. A energia de dois com os mesmos ideais e pensamentos - os que vão pelo mesmo caminho. Os homens que vão à luta, ou os amigos que vão passear no campo, ou os amantes que vão para a cama. Estes seres não precisam palavras. Fragmento do livro “Como vivem as poetas”

Gibran Mendes

DICAS MASTIGADAS

Molho de tomate A cada semana, publicamos receitas com produtos agroecológicos da rede colaborativa Produtos da Terra, da Sinergia Alimentos Saudáveis e da Rede Mandala. Parte dos ingredientes pode ser encontrada no site produtosdaterrapr. Reprodução com.br Ingredientes 800g de tomate orgânico inteiro. 5 colheres de sopa de azeite de oliva extravirgem. 1 cebola orgânica média picada. 1 dente de alho orgânico esmagado ou picado. Tomilho a gosto. 2 folhas de louro. Sal, pimenta do reino, manjericão fresco a gosto. Modo de Preparo Corte os tomates do modo como preferir. Coloque uma panela para aquecer em fogo médio. Depois de aquecida, coloque o azeite. Acrescente a cebola e uma pitada de sal. Depois de cerca de 1 minuto acrescente as ervas (exceto o manjericão), misture um pouco e coloque o alho. Misture mais um pouco e então acrescente o tomate e misture novamente. Coloque em fogo alto, acerte o sal como preferir. Tampe a panela e deixe cozinhar entre 10 e 15 minutos. Após esse tempo, abra e verifique a consistência do molho. Se estiver com pouco “caldo”, você pode acrescentar água filtrada para deixá-lo mais líquido. Após desligar o fogo, acrescente as folhas inteiras de manjericão fresco.


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Eleição: diferenças facilitam o voto Por Cesar Caldas

As chapas Ideal (Follador), Responsável (Samir) e União (Vialle) têm nítidas distinções que facilitam a defi nição do voto do sócio alviverde, em função dos grupos políticos que representam. A Ideal tem a presença de experimentados gestores do mundo corporativo e soma 53,7% de integrantes identificados com a administração do ex-presidente Vilson. A Responsável é o continuísmo, com 41,8 % de seus candidatos ligados aos últimos seis anos de poder da ala jovem – elegeu Bacellar e Samir. A saudosista chapa União aposta num improvável diálogo entre o amadorismo do futebol-raiz (velha guarda coxa) e a dissidência de última hora, que abandonou Samir sem muitas explicações. 30,6% de seus membros são fiéis à chapa de Vialle de 2018, que protagonizou meia centena de renúncias ao Conselho no atual triênio. O Coritiba pós-pandêmico está em jogo.

No Brasileirão, times paranaenses só lutam para fugir do rebaixamento Nas séries A e B, times do Estado vão mal. Só milagre leva Athletico à Libertadores Frédi Vasconcelos Divulgação

Risco de vida Por Marcio Mittelbach

O início do campeonato foi marcado por incertezas. Alguns até defendiam que ele deveria ser cancelado por conta da pandemia. A Série B começou e, mesmo com a saúde fi nanceira frágil, o Paraná largou bem. Chegou a liderar a competição. Parecia que o vírus não nos atingiria. Aos poucos, o gás do começo deu lugar a uma aguda falta de ar. Uma gripezinha, quem sabe? Que nada! Logo o meio-campo já não criava, o ataque inexistia e a zaga, que era um ponto forte, jogou por terra nossa imunidade. De setembro pra cá o quadro só se agravou. Depois de oito derrotas seguidas, o Paraná está na UTI. Respira com a ajuda de aparelhos e, agora, enfrenta uma batalha pela vida. Segundo os matemáticos, o tricolor tem 36% de chances de sair vivo dessa. Não será fácil, mas, com muita luta, nós vamos sobreviver.

Retrospectiva Por Douglas Gasparin Arruda

O ano de 2020 foi especialmente ruim para o planejamento do Athletico. A soma de pandemia, reformulação de elenco e erros no comando técnico pesou demais. Não por acaso chegamos à 26ª rodada apenas 3 pontos acima do Vasco, que ainda tem um jogo a menos. Independente de ficar na série A ou não, o Athletico não pode mais errar naquilo que é óbvio: trazer técnicos que não se encaixem na fi losofia do time. Essa é a bola de neve. A história se repete entre todos os times com roteiro de rebaixamento: técnicos provisórios trazem jogadores provisórios que pouco podem ser aproveitados pelos próximos treinadores. De positivo, temos o excelente primeiro ano da equipe feminina. Apesar da queda para o Bahia, o elenco se mostrou competitivo e com uma boa base para buscar a vaga na série A de 2022.

Derrota para o Galo, em casa, manteve Athletico em posição ruim no campeonato

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epois de um 2019 em que teve algumas de suas maiores conquistas, o Atheltico vê a realidade em 2020 nos gramados muito próxima da dos outros times do Paraná que disputam as séries A e B do Brasileirão. A luta é para fugir de rebaixamentos, mais que títulos ou vagas nos principais torneios continentais. Nessa batalha contra a degola, a situação mais difícil é a do Coritiba. Tem apenas 21 pontos em 25 jogos. Faltando 13 partidas até o fi nal do campeonato, terá

de conquistar pelo menos 8 vitórias nos jogos que faltam para tentar se salvar. Missão muito difícil para quem ganhou cinco jogos em todo o campeonato até agora. Não à toa, o site Infobola calcula em 83% as chances de o Coxa voltar à série B. Correndo mais riscos, apenas Botafogo, com 92% de chance de degola, e o Goiás, com 89%. As chances de o Athletico cair são bem menores, segundo o site, de 22%. Mas a possiblidade de conseguir uma vaga direta na Libertadores é irrisória. Teria de buscar cerca de 10 vitórias em 13 jogos. Em todo o campeonato, conseguiu apenas 8. Se melhorar um pouco o aproveitamento, pode ainda buscar uma lugar na Copa Sul-Americana. Paraná em queda livre Outro com sério risco de cair de divisão é o Paraná. Depois de disputar os primeiros lugares da Série B, entrou em queda livre e, hoje, as chances de cair para a Série C são, segundo o Infobola, de 67%, já que está na 17ª posição. O primeiro fora do Z4, o Figueirense, tem dois pontos a mais na tabela e 39% de chances de cair. O Operário de Ponta Grossa está 5 posições acima do Paraná e tem apenas 4% de chance de cair, segundo o site.

ELAS POR ELA Fernanda Haag

Minha voz faz História Para quem acompanha a coluna não é novidade que bato na tecla da importância da visibilidade para o futebol de mulheres e para as muitas personagens da modalidade que por muito tempo ficaram nas sombras. Por isso aproveito para divulgar uma iniciativa incrível do Museu do Futebol: o projeto Minha voz faz História, com o objetivo de produzir um audioguia sobre os 100 anos do futebol feminino no Brasil. Quando for lançado, o audioguia não será utilizado apenas no museu, mas disponibilizado na Inter-

net para que as narrativas dessas mulheres cheguem cada vez mais longe. É mais uma oportunidade para empoderarmos meninas e mulheres dentro do esporte! A campanha é um matchfunding em parceria com o BNDES, ou seja, a cada contribuição do público, o banco acrescenta o dobro do valor. O museu tem até o dia 20 de dezembro para arrecadar a meta. Não perca tempo e se puder colabore: benfeitoria.com/museudofutebol. E aproveita porque as recompensas estão excelentes também!

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BdF-PR - Edição 197  

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