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Esportes | p. 8

Marielle Franco vive!

O Operário vai ao paraíso

Pais de vereadora assassinada inauguram centro de formação na Vigília Lula Livre

Divulgação

Geral | p. 3

Time de Ponta Grossa, vai da quarta divisão ao acesso a série B em dois anos

Divulgação

Ano 3 | Edição 95

PARANÁ

6 a 12 de setembro de 2018

Prejuízo no campo e na cidade

Privatização de fábrica Fafen, localizada em Araucária (PR) e pertencente à Petrobras, põe em risco trabalho e produção de fertilizantes Cidades | p. 4

distribuição gratuita

www.brasildefato.com.br/parana

BRASIL EM

CHAMAS

Divulgação | Sindiquímica

Tania Rego | Agência Brasil

Bombeiros do Estado de São Paulo

Opinião e Geral | p. 2 e 3

Justiça persegue Lula PT e movimentos reagem contra decisão do TSE e acionam Nações Unidas

Geral | p. 3

“Dedo na Ferida” Cineasta traz a Curitiba filme crítico ao poder dos bancos internacionais

Beto Barata | PR

Incêndio em museu no Rio de Janeiro é apenas mais uma consequência dos cortes dos gastos e da incompetência dos atuais governos, que estão fazendo o país regredir décadas na cultura, na saúde, na educação e em outras áreas Brasil | p. 5


Brasil de Fato PR

Paraná, 6 a 12 de setembro de 2018

EDITORIAL

Justiça persegue Lula, mas partido e movimentos reagem

A

votação do dia 31 de mocracia contra esses abusos. Na decisão, o TSE aponagosto do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi par- tou dez dias para substituição te da perseguição política do da candidatura. Diante desJudiciário contra o ex-presi- se cenário, a direção do PT reagiu e entrou dente Lula. A com recurso juntentativa de Entre analistas to às Nações Uniimpugnação e defensores das pelos direitos da candidatuda democracia, políticos de Lula, ra foi pautaconfirmou nesda horas an- confirma-se a ta semana Fertes da votação, crítica à nando Haddad, sem dar temporta-voz e vicepo à defesa. E seletividade, -candidato até o o voto do mi- velocidade e momento. E as nistro Barroorganizações poso desconside- desrespeito a valores básicos pulares reafirrou a decisão mam a linha de do Comitê de da Constituição defesa da candiDireitos Hudatura enquanto manos da Organização das Nações Unidas houver alternativas. São dias decisivos. Os gol(ONU), órgão do qual o Brasil pistas perseguem a princié signatário. Com isso, quando o pro- pal candidatura de esquercesso se refere ao ex-presi- da, porém não apagam o fato: dente, confirma-se a crítica os trabalhadores querem um à seletividade, velocidade e candidato preocupado com desrespeito a valores básicos questões sociais. O Judiciário da Constituição. Isso exige de- segue manobrando, mas a ponúncia, mobilização e organi- pulação trabalhadora deve fazação dos que defendem a de- zer valer os seus direitos.

EXPEDIENTE Brasil de Fato PR | Desde fevereiro de 2016 O jornal Brasil de Fato circula em todo o país com edições regionais em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Paraná. Esta é a edição nº 95 do Brasil de Fato PR, que circula sempre às quintas-feiras. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais. EDIÇÃO Frédi Vasconcelos e Pedro Carrano REPORTAGEM Ana Carolina Caldas, Laís Melo e Franciele Petry Schramm COLABORARAM NESTA EDIÇÃO Ary Azevedo Jr., Camila Vida, Matheus Lobo, Gabriel Carriconde e Julia Rohden ARTICULISTAS Roger Pereira, Marcio Mittelbach e Cesar Caldas REVISÃO Maurini Souza, Lia R. Bianchini e Priscila Murr ADMINISTRAÇÃO Bernadete Ferreira e Denilson Pasin DISTRIBUIÇÃO Clara Lume FOTOGRAFIA Mauro Calove DIAGRAMAÇÃO Vanda Moraes CONSELHO OPERATIVO Gustavo Erwin Kuss, Daniel Mittelbach, Luiz Fernando Rodrigues, Fernando Marcelino, Naiara Bittencourt e Robson Sebastian TIRAGEM SEMANAL 35 mil exemplares REDES SOCIAIS www.facebook.com/bdfpr CONTATO pautabdfpr@gmail.com IMPRESSÃO Grafinorte | Nei 41 99926-1113

OPINIÃO

2 | Opinião

Estratégia dos candidatos indica perfis Ary Azevedo Jr.

Grupo de Pesquisa em Comunicação Eleitoral – CEL/ UFPR e coordenador do Curso de Publicidade da UFPR

O

início do horário eleitoral gratuito dos principais candidatos ao governo do Paraná tem reforçado a impressão do primeiro debate, ocorrido na TV Bandeirantes, com a consolidação dos perfis. Além disso, a segunda pesquisa Ibope, divulgada nesta terça, 4, mostra que existe “ todos contra um”, pois Ratinho lidera a intenção de votos. Cida não subiu e João Arruda e Dr. Rosinha aparecem tecnicamente empatados. O que se espera é um acirramento dos candidatos e da candidata contra o líder das pesquisas, que tenta se descolar dos escândalos do Governo Beto Richa. A seguir, a análise das estratégias de campanha dos candidatos mais bem colocados: Ratinho Jr. (PSD) promete um estado moderno e inovador, com apelo mercadológi-

co nos programas que pretende implantar, valorizando sua experiência sem explicitar seu vínculo com o ex-governador Richa (PSDB), quando exerceu o cargo de secretário de Desenvolvimento Urbano. Tanto o programa na TV como sua utilização das redes sociais insistem no verniz jovem e moderno. Não esquecendo que tanto nos debates como no que propõe, se utiliza de programas internacionais. A candidata e atual governadora, Cida Borghetti (PP) se coloca como aquela que não promete, mas faz. O perfil apresentando é de uma mulher realizadora e pragmática, aproveitando sua experiência como atual governadora para identificar o que é possível ser feito e o que é demagogia. Não se omite do vínculo com o governo Richa, mas se destaca dele como mais sensível e humana, nos elementos utilizados em seus programas. João Arruda (MDB) vem tentando se construir como oposição à administração Ri-

SEMANA

cha e vincula Ratinho e Cida como continuação da administração do tucano, destacando o lado negativo desta gestão. Propositivo e com uma levada dinâmica, Arruda se situa como um jovem empreendedor realista, que estabelece prioridades e luta por elas, criticando indiretamente Ratinho por buscar soluções fora do país. Não explica, porém, suas contradições, como ter votado para salvar Temer e a favor da reforma trabalhista. Dr. Rosinha (PT), oposição natural, segue sua estratégia de nacionalizar a campanha, vinculando-se ao ex-presidente Lula (PT) enquanto busca uma abordagem mais emocional e jovem em sua comunicação. Com aspectos estéticos bem cuidados, as redes sociais do candidato dialogam com os programas de TV, alternando Rosinha e Lula em uma mesma história. Com uma trajetória política impoluta, Rosinha usa sua ética como principal apelo para alavancar a candidatura.


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Paraná, 6 a 12 de setembro de 2018

Camila Vida

Mauro Calove

No dia 4 (terça), a Vigília Lula Livre recebeu a visita de Antônio Francisco da Silva e Marinete da Silva, pais da vereadora Marielle Franco, assassinada em 14 de março deste ano, ao lado do motorista Anderson Pedro Gomes. O encontro dos pais de Marielle com a militância em frente à Polícia Federal foi marcado pela emoção e solidariedade de ambas as partes. Marinete e Antônio inauguraram junto aos militantes da Vigília Lula

Livre o espaço de formação e cultura Marielle Vive. O espaço, que tem uma cozinha comunitária, um espaço de formação e um galpão de exibição de filmes, tem também um muro transformado em painel por Tarcísio Leopoldo, artista do setor de cultura do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O painel foi pintado com os rostos de Marielle Franco, Karl Marx, Rosa de Luxemburgo, entre lideranças históricas. Projetos Populares para o Rio de Janeiro Marinete e Antônio ressaltaram que, depois da morte da filha, foram aprovados projetos de lei que Marielle encaminhou ao plenário da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. Todos obedecem à lógica da mulher negra, pobre e da favela. Um dos projetos é o da creche noturna, pensado para pais que estudam ou trabalham à noite.

FRASE DA SEMANA

“Ô, meu Deus, minha utopia é que nós pudéssemos ter um país normal, com algum governo”, disse em entrevista ao Brasil de Fato o compositor e músico Tom Zé, de 81 anos, e um dos criadores do Tropicalismo ao lado de Caetano Veloso e Gilberto Gil.

Educação e agricultura familiar são prioridades

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Frédi Vasconcelos Brasil de Fato | Como fica a chapa de deputados estaduais do PT no Paraná? Professor Lemos | Temos 39 nomes na chapa que disputarão pelo nosso partido uma vaga para a Assembleia Legislativa. Nós elegemos, na eleição passada, três deputados estaduais, e agora queremos, no mínimo, dobrar esse número. Os governos Cida e Beto Richa mantiveram congelados salários de professores e outros servidores há anos, o que é possível fazer? Temos pressionado a atual governadora para que mude de posição e encaminhe novamente uma mensagem para Assembleia Legislativa para corrigir, pelo menos, a inflação dos 12 meses que antecedem a última data-base, igualando a reposição salarial que os demais poderes terão. Queremos que ela de fato cumpra o que está na Constituição. Quais são suas principais propostas como deputado estadual? Eu tenho trabalhado muito com a educação e com a agricultura familiar, são duas áreas em que a gente pôde apresentar mais projetos e que conhecemos

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Pais de Marielle Franco assistem homenagem na Vigília Lula Livre

3 | Geral

RADAR

DA LUTA Próximos passos na defesa da candidatura de Lula

O deputado estadual Professor Lemos (PT) fala ao Brasil de Fato sobre suas propostas na disputa de um novo mandato

mais. Nasci e cresci como agricultor familiar e sou professor há mais de 30 anos no Paraná. Então são duas áreas que a gente tem mais domínio e existem vários projetos que precisam ser aprovados. Por exemplo, na educação o projeto que trata do número máximo de alunos por sala de aula, o que está diretamente ligado à qualidade da aprendizagem. Queremos fazer também que o Plano Estadual de Educação, que aprovamos na Assembleia em 2014, saia do papel. E, para isso, tem de aumentar o financiamento para 35% das verbas do Estado. Na agricultura, queremos aprovar um projeto para instituir o marco regulatório da produção agroecológica e orgânica no Paraná.

Fernando Haddad, candidato a vice-presidente na chapa de Lula, explicou, no dia 3, sobre os próximos passos da defesa do ex-presidente após a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de vetar sua candidatura. Para ele, o TSE foi contra a decisão do Comitê de Direitos Humanos da ONU, que garante ao ex-presidente o exercício de seus direitos políticos. A intenção do partido é recorrer. “A cada etapa trabalhamos com fatos novos. Não imaginávamos que o Brasil contrariaria determinação de um organismo internacional e um tratado que nós subescrevemos e foi aprovado pelo Congresso Nacional”, disse.

Tendler lança filme “Dedo na Ferida” O cineasta carioca Silvio Tendler, autor de 80 filmes, veio a Curitiba, no dia 5, para lançar o documentário “Dedo na Ferida”. Tendler participou da exibição na Vigília Lula Livre. Nesta quinta, 6, faz debate sobre o filme, às 19h, no auditório da APP-Sindicato, no bairro Rebouças. Em cerca de 1h30, o longa-metragem apresenta a ação devastadora do capital financeiro em âmbito mundial. A narrativa traz a história de um personagem real – trabalhador e morador da periferia - e depoimentos de especialistas nacionais e estrangeiros.


4 | Cidades

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Paraná, 6 a 12 de setembro de 2018

Privatização deve Venda de fábrica da Petrobras no Paraná põe em aumentar custos para agricultores familiares risco trabalho e produção de Processo seria parecido com o que ocorre com sementes transgênicas vendidas por multinacionais fertilizantes Divulgação | Sindiquímica

Venda da Fafen PR está suspensa, mas governo Temer já mandou entregar para uma empresa russa Ana Carolina Caldas

O

processo de privatização da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados, Fafen Araucária, já está em sua terceira e última fase, segundo informa Sergio Monteiro, coordenador do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Petroquímicas do Estado do Paraná (Sindiquímica), uma das entidades à frente das mobilizações para impedir a entrega da empresa. Por conta da experiência ocorrida quando a fábrica foi privatizada, em 1993, petroleiros e químicos já sabem que o trabalhador é um dos principais prejudicados nesses processos. À época, houve redução de salários, contratos precários de terceirização e investimento inadequado em manutenção e segurança, que impactaram na produção e na vida dos trabalhadores.

A fábrica da Fafen do Paraná, que faz parte da Petrobrás novamente desde junho de 2013, tem capacidade de produção anual de 700 mil toneladas de ureia e 475 mil toneladas de amônia, além de produzir o Agente Redutor Líquido Automotivo (Arla 32) Em 2018, o fantasma da privatização volta a ameaçar. O governo Temer mandou a Petrobras vender, sem licitação, a Fafen PR para a Acron, uma empresa russa. O processo, no momento, está suspenso por decisão do ministro Ricardo Lewandovski, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a necessidade de debates em audiências públicas e votação no Congresso Nacional. Diminuir investimentos e privatizar “O que se vê é um processo intencional

de sucateamento, problemas na manutenção e precarização do trabalho para fortalecer o argumento de que é preciso privatizar”, explica Rubens Luz, operador petroquímico da Fafen-PR. Ele, que tem experiência no chão de fábrica, comenta que serão vários os impactos da privatização para as condições de trabalho. “A primeira delas é a terceirização, em especial no setor de manutenção. Uma coisa que gera impacto na redução de salários e rotatividade de funcionários, diminuindo a qualidade na produção.”

Ana Carolina Caldas Se para os trabalhadores das fábricas os impactos da privatização são perda de direitos, para os agricultores haverá aumento de custos e consequente diminuição de lucros. Esta é a opinião de Marcos Rochinski, coordenador da Confederação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Contraf). Para ele, “aqueles que vivem disso e têm áreas menores serão os mais prejudicados. Partindo do princípio de que haverá privatização de uma empresa que hoje é importante na produção de insumos, nós agricultores familiares ficaremos à mercê da política do mercado internacional”. Rochinski traça um paralelo com o que aconteceu com as sementes. “A partir do momento que se retira a soberania das nossas famílias produ-

zirem sementes, e este processo foi se concentrando em duas ou três multinacionais, os custos aumentaram, dificultando a soberania alimentar no país.”

A estratégia final é a privatização, desnacionalização e a dolarização dos preços dos fertilizantes. O resultado será a demissão de milhares de trabalhadores, a alta dos preços dos fertilizantes para a agricultura familiar e do preço dos alimentos, principalmente para os mais pobres


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5 | Brasil

Corte de investimentos piora saúde, educação e cultura Incêndio em museu é apenas uma mostra do que vem acontecendo no Brasil nos últimos anos Redação

I

ncêndio do Museu Nacional no Rio de Janeiro, no domingo (2), aumento da mortalidade infantil depois de décadas de melhora, piora na percepção da qualidade do ensino por parte da população. De 2016 para cá, ano da queda da ex-presidente Dilma Rousseff, recessão, cortes de investimentos e incompetência dos governantes vêm fazendo o Brasil regredir. No caso do incêndio, apesar da necessidade de esperar o fim das investigações para saber suas causas, desde 2016 o orçamento sofreu uma série de cortes por parte do governo Michel Temer, caindo de R$ 415

NÚMEROS

87%

foi a redução do orçamento do Museu Nacional desde 2016

mil para R$ 54 mil neste ano. O prédio estava afetado por cupins e com diversos problemas na parte elétrica. Para Maria Cristina Bruno, ex-diretora do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, o corte nos repasses, aliado à aprovação da EC 55, que limitou o teto de gastos do governo federal, foram vitais para a redução do orçamento. “O Museu Nacional teve uma diminuição orçamentária – que agora está nos jornais, mas nós já sabíamos – de forma inacreditável. Há pouco tempo ele teve que fechar em algumas oportunidades por falta de contratação do pessoal de limpeza, por exemplo”, diz. Outro aspecto cruel do corte de gastos já tinha sido observado. Pela primeira vez depois de 26 anos em queda, aumentou a mortalidade infantil. Para Márcio Pochmann, pesquisador do Centro de Estudos Sindicais da Unicamp, esse aumento e o ressurgimento de doenças como a poliomielite e a volta do sarampo se relacionam com a emenda do teto de gastos, que congela por 20 anos os investimentos sociais. “Obviamente isso vai rebaixando a qualidade de vida e o resultado, infelizmente, acaba sendo este

Incêndios no governo Alckmin Redação Em dezembro de 2015, o Museu da Língua Portuguesa, na Estação da Luz, no centro de São Paulo, foi consumido pelas chamas no primeiro ano de Geraldo Alckmin como governador após as últimas eleições. O museu havia sido inaugu-

rado em março de 2006 e só deve ser reaberto em 2019 se as obras de recuperação forem concluídas. Em 2017, outro incêndio de grandes proporções atingiu o Memorial da América Latina, na Barra Funda, e destruiu o Auditório Simón Bolívar. O memorial também é ad-

ministrado pelo governo de São Paulo. Triste coincidência para um dos principais apoiadores do presidente Michel Temer nas votações do Congresso Nacional que reduziram investimentos e que aplicou em São Paulo medidas de contenção de despesas parecidas com seu aliado.

que as estatísticas estão mostrando: a regressão e a volta a uma espécie de trevas no Brasil”, disse Pochmann em entrevista à Rádio Brasil Atual. “Em vez de cortar gastos públicos e sociais, é preciso cortar gastos com os juros da dívida e reduzir as isenções que são dadas aos segmentos mais ricos. O país tem saída e talvez a chave seja as eleições, nas quais o povo terá a oportunidade de escolher que destino quer para o Brasil”, conclui.

é o tempo que a Lei do Teto de Gastos vai limitar investimentos em saúde, educação e questões sociais

Educação Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com o movimento Todos Pela Educação, mostrou que 26% dos entrevistados consideram o ensino no nível médio do país como ruim ou péssimo. Em 2013, quando levantamento semelhante foi feito, o

percentual era de 15%. No nível fundamental, o percentual passou de 18% para 27%. O percentual dos que consideram o ensino médio como ótimo ou bom caiu de 48% para 31% e no ensino fundamental o percentual passou de 50% para 34%.

NÚMEROS

20 anos


6 | Cidades

Paraná, 6 a 12 de setembro de 2018

Sem demarcação, indígenas não conseguem plantar para comer Comunidades Avá-Guarani do extremo oeste do Paraná sofrem com espaço reduzido para cultivo e falta de água potável Matheus Lobo

Júlia Rohden e Matheus Lobo

FALTA EDUCAÇÃO E ÁGUA

E

ncurralados por soja e milho, os cerca de 2 mil Avá-Guarani de Guaíra e Terra Roxa, no extremo oeste do Paraná, vivem em situação de pobreza, sem água limpa, saneamento básico e alimentação adequada. A falta de renda para comprar sementes e a aplicação de agrotóxico no entorno das aldeias impedem que as plantações se desenvolvam para alimentar as comunidades. E eles acabam dependendo de cestas básicas, que são entregues sem regularidade. As aldeias (tekohas) são compostas por casas de madeira (algumas feitas com tábuas encontradas no lixo), por pequenas hortas e pela casa de reza (opy), um espaço aberto com troncos sustentando um telhado de sapé. Em cada uma das tekohas há também uma escolinha construída pelos indígenas para o ensino da língua guarani. São estruturas simples, com chão de terra batida. Apenas uma aldeia tem escola estadual de ensino fundamental, a Escola Indígena Mbyja Porã, na Tekoha Marangatu. Para Luciano Palagano, integrante do Centro Regional de Direitos Humanos de Cascavel, o poder público

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Mulheres participam de cerimônia na casa de reza (opy) na Tekoha Tatury, em Guaíra

assume uma postura de descaso. “O argumento do Estado para não disponibilizar estrutura básica de saúde, educação, moradia é de que a terra não está demarcada. Mas o próprio Estado não demarca a terra e, ao não demarcar, se exime da responsabilidade”, avalia. Cercados pelo agronegócio A geógrafa Teresa Paris, do Centro de Trabalho Indigenista, ressalta que há um forte contraste entre as terras ocupadas por indígenas e aquelas destinadas ao agronegócio. “Eles estão recuperando um pedacinho de terra para viver minimamente, plantando uma variedade de coisas. Eles têm muito isso de bus-

car [sementes] em outras aldeias, buscar com os parentes as espécies que não têm, em contraposição ao entorno que é aquele monte de veneno, aquela monocultura que detona tudo”, diz. Os indígenas são diretamente impactados pelo uso de agrotóxicos nas propriedades vizinhas. Muitas crianças ficam doentes. “A cada 15 dias os fazendeiros passam veneno e, quando chove, vem tudo para cá e dá doença”, relata o jovem indígena Laucídio Medina. Este material foi produzido com apoio do Edital de Jornalismo Investigativo e Direitos Humanos, do Fundo Brasil. Confira a reportagem completa em brasildefato.com.br

A maioria das crianças indígenas precisa se deslocar até escolas da cidade, onde são alvo de preconceito. “Não conseguem estabelecer vínculos com outras crianças, até por causa dessa discussão fundiária, que despertou um ódio e um preconceito muito grande, baseado muitas vezes na falta de informação”, avalia a promotora do Ministério Público do Paraná Amanda Ribeiro. A água potável é outra reivindicação comum nas aldeias, já que metade delas dispõe apenas de caixas abastecidas por caminhões pipa. Além da quantidade fornecida ser insuficiente, os indígenas relatam que a água causa diarreia e vômitos nas crianças.


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117 | Cultura

Filme paranaense ganha festival com temas como internet e bullyng Diretor Aly Muritiba fala de “Ferrugem”, o melhor filme brasileiro do Festival de Gramado, o mais tradicional prêmio do país Ana Carolina Caldas Em entrevista exclusiva para o Brasil de Fato, o cineasta baiano radicado em Curitiba Aly Muritiba conta como foi fazer “Ferrugem”. Brasil de Fato | “Ferrugem” trata de temas atuais como internet, redes sociais, bullyng, juventude... De onde veio a inspiração para o roteiro? Aly Muritiba | Surgiu há uns oito anos, quando eu era professor em Curitiba e comecei a perceber a chegada dos smartphones nas salas de aula, da hiperconectividade. Comecei a ficar com vontade de falar dessa geração. Anos depois, meu filho chegou à adolescência e eu me vi no dilema de permitir ou não o contato dele com a internet. Achei

que fazer um filme sobre esse tema, mas principalmente sobre os maus usos que se tem feito, seria uma maneira também de falar com os meus filhos. Mas eu não queria abordar de maneira leviana ou maniqueísta. Convidamos o espectador a participar da reflexão e construção do filme. Queria que o filme não fizesse o que a internet faz, que é transformar todo mundo em carrascos e juízes. Sua equipe de trabalho é majoritariamente feminina num mundo do cinema ainda bastante machista. De que forma esse posicionamento reflete sua visão? A gente fala no filme de misoginia e também de machismo. Nos últimos dois ou três anos se discute muito no meio cinematográfico o quanto o ci-

AGENDA CULTURAL O que funciona no feriado de 7 de Setembro Parque Tingui e Memorial Ucraniano Abertos todos os dias, das 10h às 18h Memorial da Imigração Polonesa Aberto todos os dias, das 9h às 18h Cinemateca Sessões de cinema terão funcionamento normal. Programação disponível no site da Fundação Cultural Divulgação

nema brasileiro é masculino, que as mulheres têm pouquíssimas oportunidades, o quão pouco são convidadas a criar ou lhes é permitido fazer. Então nos comprometemos a agir. No filme, onde havia duas funções, colocamos um homem e uma mulher, quando era apenas uma, convidávamos uma mulher. Nossa equipe era 70% de mulheres. Diante da crise pela qual passa o país e a cultura brasileira, como um diretor e roteirista radicado no Paraná recebe a notícia do prêmio? É curioso viver uma crise política, social, econômica e moral tão gran-

de, com ascensão absurda do conservadorismo, e o melhor filme brasileiro vir de Curitiba, cidade que se tornou símbolo da caça às bruxas. Desse lugar ter saído um filme sobre empatia, tolerância... Divulgação É contraditório e me deixa muito feliz por saber que somos vários tem várias outras curitibas brasis, são várias curitibas, interessantes, que abrigam vários paranás. Não é o que várias outras pessoas de ouaparece na mídia, não existe tros lugares, que movimenRepública de Curitiba, existam arte e cultura.

DICAS MASTIGADAS

Reprodução

Sopa Cremosa de Ervilha Ingredientes 1 xícara (chá) de ervilha seca lavada 1 pedaço pequeno de bacon em cubos pequenos 2 colheres (sopa) de manteiga 3 dentes de alho amassados 1 cebola média picada em pedaços pequenos ½ litro de caldo de carne 2 colheres (chá) de sal 1 colher (chá) de pimenta-do-reino Para decorar : fios fritos de couve Modo de Preparo Coloque em uma panela de pressão a ervilha, 800 ml de água, tampe e cozinhe por 15 minutos ou até a ervilha ficar macia. Retire do fogo, tire a pressão da panela e abra. Reserve. Coloque em uma panela o bacon e a manteiga. Leve ao fogo baixo e frite, mexendo de vez em quando, por 15 minutos ou até o bacon dourar. Adicione o alho e a cebola. Refogue, mexendo de vez em quando, por 3 minutos. Aumente o fogo. Despeje a ervilha, 1 xícara (chá) da água do cozimento e o caldo de carne. Cozinhar, mexendo de vez em quando, por 25 minutos. Retire do fogo. Ao amornar, bata a sopa no liquidificador e passe por uma peneira. Sirva com linguiça frita e torradas. Decore com fios fritos de couve. Sirva, ainda quente com o pão, legumes e verduras (brócolis cozido, cenoura cozida, tomate cereja cru, batata cozida) a gosto.


8 | Esportes

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Paraná, 6 a 12 de setembro de 2018

Aqui vencer, lá pontuar Por Cesar Caldas Após a vitória por 2x1 contra o Boa Esporte, na terça-feira (5), no Alto da Glória, o Coritiba inicia no feriadão da Independência a batalha que definirá, neste setembro, em que situação estará na reta de chegada da Série B do Campeonato Brasileiro. A sequência, que intercala jogos como visitante e mandante, terá início em Goiânia no próximo sábado, quando será fundamental impedir que o Vila Nova abra quatro pontos de vantagem. O desafio na noite do dia 14, em Curitiba, será ampliar a distância que possui de seis pontos do Londrina. Caso obtenha sucesso, o treinador Tcheco poderá ousar esquema mais ofensivo contra o CRB, em Maceió, na sexta-feira seguinte, tornando o jogo contra o Avaí, na noite do sábado (29/9), duelo direto por um lugar ao sol. Estarão cumpridas 29 rodadas, ou 75% do campeonato. Hora e vez do sprint final.

O Operário vai ao paraíso Em ascensão meteórica, time de Ponta Grossa, vai da quarta divisão ao acesso para série B em dois anos Jose Tramotin | Assessoriao FEC

Pede para sair Por Marcio Mittelbach Depois de uma paciência rara em se tratando de torcidas organizadas, enfim a Fúria Independente se posicionou diante do fraco desempenho técnico do time em campo. Mas a nota foi mais longe. Além do pedido de queda do diretor de futebol, Rodrigo Pastana, a Fúria proferiu duras palavras a uma parcela de torcedores que ameaça abandonar o barco no meio do campeonato. Muitos desses são os que cobraram uma reação mais enérgica da torcida. Há muito tempo a Fúria tem adotado maneiras mais eficientes de participar do clube, chegando a decidir a eleição interna de 2015. Foi graças a essa forma menos passional e mais racional de participar do dia a dia que o tricolor conseguiu esse retorno à elite. No fundo, o recado da Fúria é simples: ou você é paranista agora na dificuldade e vai para o estádio protestar ou nunca foi torcedor.

Novo comando para o futebol Por Roger Pereira O anunciado afastamento de Mário Celso Petraglia do futebol do Atlético e a demissão de Fernando Diniz que, além de técnico da equipe principal, tinha total gerência sobre o futebol do clube, fez o Atlético voltar atrás no modelo e repetir o que a maioria dos outros clubes brasileiros faz: contratar um diretor de futebol. Desde 30 de agosto, está no clube Rui Costa dos Santos na função. Depois das experiências um tanto quanto frustrantes com Paulo Autuori e Diniz gerindo o futebol atleticano além das quatro linhas, o clube volta a ter alguém com perfil “executivo” para a função. Rui Costa chega ao Furacão tarimbado por uma boa passagem pelo Grêmio, entre 2012 e 2016, e por ter conduzido a reconstrução da Chapecoense nos últimos dois anos. Esperamos que ele consiga voltar a gestão do Atlético mais para o futebol e menos para os negócios que o cercam.

Gabriel Carriconde

F

undado em 1912, o Operário Ferroviário Esporte Clube, de Ponta Grossa, vem obtendo conquistas significativas desde 2015, quando foi campeão paranaense pela primeira vez, em cima do Coritiba, em pleno Couto Pereira. A mais recente façanha do “Fantasma”, apelido dado por seus torcedores, foi o acesso à série B do Campeonato Brasileiro, após passar pelas quartas-de-final da competição em cima do Santa Cruz (PE). E a campanha foi impecável na terceira divi-

são, com dez vitórias, cinco empates e três derrotas em dezoito jogos na primeira fase. Nas quartas-de-final, uma derrota contra o Santa Cruz, no Mundão do Arruda, em Recife, e a vitória em casa, coroaram uma campanha inesquecível para o clube e a cidade. No ano anterior, o Operário subiu da quarta para a terceira divisão, sendo campeão em cima do Globo-RN. Para o presidente do grupo gestor do Operário, Álvaro Goes, um dos grandes fatores do sucesso da equipe da região dos Campos Gerais é seguir um planejamento rigoroso. “Pri-

meira coisa é manter um planejamento, não gastar mais do que se arrecada, depois manter um elenco com contratos com longevidade e um plano de sócios que traga o torcedor para o estádio’’, conta. O Operário está classificado por chegar às semifinais do campeonato e decidirá uma vaga para a final no domingo, 9, em casa, no Germano Kruguer, contra a equipe do Bragantino-SP. No primeiro jogo, empate de 0x0, uma vitória simples garante o Fantasma na quinta decisão de título em três anos. Conquista Para o radialista esportivo da Rádio Clube Pontagrossense Edgar Araújo, o acesso do Operário não é só uma conquista para a cidade, mas como para a própria imprensa local. “O fato de não ter nenhum jogo transmitido pela TV na primeira fase acabou aproximando o torcedor do rádio. Em Ponta Grossa o torcedor ama o Operário e ouve muito as transmissões’’, afirma. Reprodução Instagram

CONQUISTA A skatista Lizzie Armanto, 25 anos, é a primeira mulher a completar a famosa manobra conhecida como “loop da morte”, em uma pista de cinco metros. A conquista aconteceu no dia 26 de agosto, quando ela deu um giro de 360° na pista Tony Hawk, nos Estados Unidos. É possível assistir a manobra, que ficou para a história do mundo do skateboard, em vídeo que circula na internet.

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