Page 1

7 MINAS

Reinados da abolição Há 70 anos, Reinado Treze de Maio de Nossa Senhora do Rosário, no bairro Concórdia, festeja a abolição da escravidão. Na missa conga, a igreja também ecoa o tambor

Suco de caixinha é bom pra saúde? Teste prova que as caixinhas não têm frutas suficientes. A dica é preferir o suco natural e, para mudar o hábito das crianças, toda a família tem que entrar na “onda”

Uma visão popular do Brasil e do mundo

Edição

14 CULTURA

Belo Horizonte, de 30 de maio a 05 de junho de 2014| ano 1 | edição 40| distribuição gratuita | www.brasildefato.com.br | facebook.com/brasildefatomg

4 CIDADES

Greve continua em BH

6 MINAS

Empresas são “Donas do Congresso” Site mostra de onde vem o dinheiro usado nas campanhas eleitorais. Empresas “escolhem a música” na política, diz fundador da página

5 MINAS

Ciganos terão casa fixa Secretaria de Patrimônio se comprometeu, em audiência pública, a garantir o direito ao território onde 85 famílias ciganas vivem há 30 anos

4 CIDADES

Diante de proposta de conceder metade do reajuste reivindicado - e em duas parcelas - os servidores públicos de Belo Horizonte votaram pela continuidade da paralisação. Em entrevista, na página 9, presidente do Sindicato denuncia que a PBH usa a Justiça para impedir o direito de greve

“Todos deveriam receber mais”. Garis contratados pela prefeitura (SLU) denunciam condições de trabalho ainda piores que as dos terceirizados


2

OPINIÃO

Belo Horizonte, de 30 de maio a 05 de junho de 2014

editorial | Brasil

editorial | Minas Gerais

Greves e Judiciário As greves se espalham pelo Brasil. Servidores públicos, rodoviários, garis, professores, trabalhadores da saúde. Sejam os patrões empresários ou os governantes do Estado, uma característica comum a todas elas é a judicialização, ou seja, os patrões não negociam e recorrem à Justiça. Desde 2007, o número de greves aumenta progressivamente. Saltamos de cerca de 300 greves ao ano para 873 em 2013. As razões são o crescimento econômico e os baixos índices de desemprego, que aumentam o ânimo e diminuem os medos dos trabalhadores para a luta. A greve dos servidores públicos municipais de Belo Horizonte inserem-se nesse contexto. E as ações da PBH para intimidar o

Festas de torcedores de clubes fecham o trânsito, mas trabalhadores em greve são impedidos

dices. Cabe ao povo mineiro refletir: festas de torcedores de clubes fecham o trânsito, mas trabalhadores em greve são impedidos; os garis efetivos e concursados trabalham com salários mínimos e recebem menos que os garis terceirizados, mas não podem sair da invisibilidade de seu trabalho; os trabalhadores da saúde precisam garantir escalas, mas a própria PBH não garante o número suficiente de médicos, agentes de saúde e profissionais de enfermagem nos Centros de Saúde, UPAS e Hospital Odilon Behrens. O compromisso da justiça parece ser mais com os que estão no poder do que com os que lutam. Restam aos trabalhadores a criatividade e a força para romper essas barreiras e manter viva a luta social. E reforçar a necessidade de união de forças em torno de uma Constituinte Exclusiva e Soberana para mudar o sistema político brasileiro e democratizar o poder judiciário.

Vai ter Copa A poucos dias da abertura da Copa do Mundo de futebol, segue quente o debate sobre as vantagens e desvantagens da realização do maior evento esportivo no Brasil. A grande imprensa dá demonstrações de jogar pelo fracasso do evento. Com isso, quer resultados eleitorais favoráveis aos partidos alinhados aos seus interesses. Chegou a apostar que as gigantescas mobilizações populares do ano passado se repetissem às vésperas da Copa. Não hesitou em condenar a repressão policial contra protestos, desde que tivessem o carimbo de ser contra a Copa e o governo federal. Todas as vezes (poucas vezes!) que o governo federal, em defesa dos interesses do país, ousou enfrentar o poderio da Fifa, esta encontrou na mídia um forte aliado. A dobradinha revista Veja e Rede Globo foi atuante em repercutir uma denúncia claramente forjada contra Orlando Silva, então Ministro dos Esportes. A imprensa derrubou o ministro, um dese-

movimento e tentar vencê-lo por ações judiciais são típicas de governantes aliados ao projeto neoliberal de Marcio Lacerda (PSB) e Aécio Neves (PSDB). Foram três as principais medidas judiciais para sufocar o movimento: primeiro, ação liminar impediu que as manifestações que contam com cerca de 5 mil servidores ocupem mais de um terço das faixas das avenidas, sob multa de R$ 15 mil por faixa ocupada; segundo, ação do Tribunal Regional do Trabalho proibiu os trabalhadores da limpeza urbana de interromperem os caminhões de coleta do lixo urbano, sob multa de R$ 5 mil por hora; terceiro, liminar obrigou os serviços de saúde a funcionarem com escalas de 50 e 70% dos trabalhadores, sob pena de multa de R$ 20 mil por dia por serviço de saúde e categoria que não cumpra os ín-

O jornal Brasil de Fato circula semanalmente em todo o país e agora também com edições regionais, em SP, no Rio e em MG. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais em nosso país e no nosso estado.

jo manifestado pela Fifa. As falcatruas da Fifa, seus esquemas de propinas e corrupção, documentados em programa jornalísticos em redes de TV como a BBC de Londres e em livros publicados em inúmeros países, contou sempre com o conivente silêncio mídia do Brasil. Não é mais segredo a troca de favo-

É saudável que as bandeiras vermelhas e os rostos sem máscaras voltem a ocupar as ruas res e acordos espúrios feitos entre a Rede Globo e os “donos” do futebol brasileiro João Havelange e Ricardo Teixeira. Colunistas dos grandes jornais não hesitam em expressar suas expectativas em torno do fracasso da Copa. Não escondem que desejam emplacar candidatos que representem o arrocho, o neoliberalismo e o entreguismo ao capital internacional. As lutas populares que devem ocorrer durante a Copa, em sua maioria, são justas e necessárias. Diferentes segmentos sociais injustiçados e desassistidos de políticas públicas querem aproveitar o período para ganhar força em suas lutas por direitos. A atuação dos movimentos populares é uma demonstração do fortalecimento da democracia de um país. É saudável que as bandeiras vermelhas e os rostos sem máscaras voltem a ocupar as ruas. As manifestações populares estiveram sempre presentes nas lutas que promoveram conquistas que beneficiam o povo brasileiro. Já os que se restringem ao slogan “Não vai ter Copa” são tão fugazes quanto a duração do torneio mundial. Ou alguém imagina que continuarão saindo às ruas para fortalecer as lutas em defesa da saúde e educação pública?

contato..................brasildefatomg@brasildefato.com.br para anunciar : publicidademg@brasildefato.com.br / (31) 3309 3304

conselho editorial minas gerais: Adília Sozzi, Adriano Pereira Santos, Beatriz Cerqueira, Bernadete Esperança, Bruno Abreu Gomes, Carlos Dayrel, Cida Falabella, Cristina Bezerra, Deliane Lemos de Oliveira, Durval Ângelo Andrade, Eliane Novato, Ênio Bohnenberger, Frederico Santana Rick, Frei Gilvander, Gilson Reis, Gustavo Bones, Jairo Nogueira Filho, Joana Tavares, João Paulo Cunha, Joceli Andrioli, José Guilherme Castro, Juarez Guimarães, Laísa Silva, Lindolfo Fernandes de Castro, Luís Carlos da Silva, Marcelo Oliveira Almeida, Michelly Montero, Milton Bicalho, Neemias Souza Rodrigues, Nilmário Miranda, Padre Henrique Moura, Padre João, Pereira da Viola, Renan Santos, Rilke Novato Públio, Rogério Correia, Samuel da Silva, Sérgio Miranda (in memoriam), Temístocles Marcelos, Wagner Xavier. Administração: Valdinei Siqueira e Vinicius Moreno. Distribuição: Larissa Costa. Diagramação: Luiz Lagares. Revisão: Luciana Santos Gonçalves Editora regional: Joana Tavares (Mtb 10140/ MG). Repórteres: Maíra Gomes e Rafaella Dotta. Fotógrafa: Ana Beatriz Noronha. Estagiária: Raíssa Lopes. Endereço: Rua da Bahia, 573 – sala 306 – Centro – Belo Horizonte – MG. CEP: 30160-010.


Belo Horizonte, de 30 de maio a 05 de junho de 2014

CIDADES

3

Funcionários de confiança da Prefeitura são investigados pelo desvio de R$ 2,2 milhões FRAUDE Operação do Ministério Público terminou com quatro presos Da redação Nesta terça-feira (27) o Ministério Público de Minas Gerais realizou as operações “Reset” e “Jardim do Éden”, que recolheu provas e prendeu quatro funcionários de confiança da Prefeitura de Belo Horizonte. Eles e outros são suspeitos de desviar R$ 2,2 milhões do cofre municipal, através de fraude na folha de pagamento dos servidores da prefeitura e da liberação de verba para serviço não realizado em parques municipais. Quatro dos funcionários de confiança envolvidos com o caso - Cláudio de Morais Bellardini, Giovanni Douglas da Silva Souza, Rita de Cássia Maria do Carmo e Soraia Dalmázio Machado todos do setor de pagamento de pessoal, foram demitidos de seus cargos pela Prefeitura na quarta-feira (28). A investigação nasceu

de uma denúncia anônima feita à Prefeitura de Belo Horizonte, que encaminhou representação ao Ministério Público de Minas Gerais. Posteriormente, a investigação teve a cooperação da PBH e da Polícia Militar, e resultou nas operações Reset e Jardim do Éden, que seguem em andamento.

Reprodução

Cargos de confiança De acordo com o artigo 37 da Constituição Federal, os cargos de comissões são aqueles indicados pelos gestores públicos, ou seja, não dependem de concurso. Neste caso, os quatro suspeitos foram escolhidos e nomeados por Marcio Lacerda. O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindibel) destaca, em nota,

Como funcionavam os esquemas Reset: desvio de dinheiro do pagamento Os funcionários que faziam o pagamento dos demais servidores alteraram o valor repassado ao Banco do Brasil. Assim, conseguiam transferir dinheiro para suas contas pessoais. A auditoria da Prefeitura identificou, até o momento, o desvio de R$ 556 mil. Quatro funcionários envolvidos estão presos temporariamente. Jardim do Éden: contrato “falso” De 2010 a 2013, uma empresa de engenharia foi contratada para serviços de jardinagem em parques e cemitérios. A empresa não cumpriu o serviço, mas recebeu o valor de R$ 1,7 milhão. São suspeitos do esquema um servidor, o ex -presidente da Fundação de Parques e Jardins e os donos da empresa, cujos nomes ainda estão em sigilo.

cos municipais dúvida sobre a conduta de honestidade com que a maioria absoluta exerce suas funções”. O sindicato afirma que defende as investigações.

PERGUNTA DA SEMANA

Não Move: site reúne reclamações do transporte público em BH Portal Minas Livre destaca que o papel do site é importante, pois expõe Lançado em abril, o si- de forma clara e contabiliza te “Não Move” é um exem- o que as pessoas sempre replo de denúncia popular clamavam. “Estamos consque está ganhando adeptos truindo números com a inna internet. A página reúne satisfação da população: isreclamações de usuários do so dá transparência ao protransporte coletivo de Belo blema e torna a população Horizonte e as transforma ciente”, avalia. em estatística. Até hoje já foEle conta que a ideia surram mais de 50 mil acessos e giu quando ele teve que esquase mil reclamações. perar cerca de uma hora pa“O Não Move tem recebi- ra pegar o ônibus para voldo um apoio muito grande tar para casa. Ao comentar da população. O site cresceu a demora com outro usuásem nenhum investimen- rio e afirmar que eles deveto financeiro e tem atraído riam reclamar na BHTrans, pessoas com problemas se- ele recebeu a resposta de melhantes. O projeto é mo- que “não dava em nada”. “Aí vido pela insatisfação dos pensei: que tal criar um siusuários”, explica o funda- te onde as reclamações são dor do site, Luiz Felipe Pe- públicas? Cheguei em casa, done. criei o site e coloquei no ar”, Pedone acredita que o site relata. Ele explica que o nopode ajudar a resolver pro- me “Não Move” é uma brinblemas do transporte pú- cadeira com o nome oficial blico na capital, desde que do BRT e uma crítica aos a prefeitura esteja dispos- problemas de mobilidade ta a ouvir a população. Ele urbana da capital.

a diferença entre os tipos de cargo: “O fato de eventualmente serem servidores de carreira não pode ser usado como tentativa de estender a todos os servidores públi-

4100: a campeã Com pouco mais de um mês de vida, o site já tem uma linha campeã de reclamações: a 4100, que foi alvo de 43 queixas. Logo em seguida vem a linha 2004 e o metrô. O principal motivo de reclamação é o desrespeito com usuários, vindo depois a superlotação e o atraso. Por meio de sua assessoria de imprensa, a Bhtrans informou que tem seus canais para reclamação, que são o telefone 156, o portal do órgão, além do BH Resolve e da sede da empresa. De acordo com o órgão todas as reclamações feitas nesses canais são respondidas. A assessoria de imprensa reforçou, ainda, que as reclamações postadas no site Não Move não chegam à BHTrans e, portanto, não são conhecidas e nem respondidas.

A Copa do Mundo está a 13 dias de começar, com o jogo de abertura marcado para São Paulo, entre Brasil e Croácia, no dia 12 de junho. Entre prós e contras, dá pra notar que os canais de televisão e os grandes jornais resolveram não fortalecer a torcida pela seleção neste ano. O Brasil de Fato MG foi às ruas e perguntou:

Quais as suas expectativas para a Copa do Mundo?

Particularmente, expectativa de vitória ou derrota, eu não tenho. Minha expectativa maior é a possibilidade de contaminação vinda do exterior. Eu temo por acontecer isso, já que o Brasil não tem um combate certo aos vírus. É o mundo que está vindo pra cá. Elisabeth Candido Pires, agente administrativa

Minha expectativa é a melhor possível. Eu vejo as melhorias que estão sendo feitas hoje, em termos de infraestrutura, e que era pra serem feitas 20 anos atrás. São coisas que geram muito emprego e que ficam. A ideia agora é dar continuidade às melhorias Roberto Durães, trabalha em reciclagem e outros serviços


4

CIDADES

Belo Horizonte, de 30 de maio a 05 de junho de 2014

Garis continuam com salários baixos LIMPEZA URBANA Greve chamou atenção para a profissão, mas trabalhadores da prefeitura não tiveram melhorias Rafaella Dotta Rafaella Dotta Para as ruas de BH permanecerem limpas, os trabalhadores da limpeza de rua cumprem 13 funções em 8 horas por dia. São quase 4 mil funcionários que, ao contrário do que se pensa, trabalham e ganham de forma diferenciada. No geral, afirma Robson Rodrigues, gari aposentado e um dos diretores do Sindicato dos Servidores Públicos de BH (Sindibel), “todos deveriam ganhar bem mais”. Em 7 de maio, os servidores de Belo Horizonte entraram em greve reivindicando melhores condições de trabalho e de salário. Os jornais anunciaram, três dias depois, que a greve dos garis havia acabado e tudo retornaria ao normal. Porém, garis, varredores, lavadores, balanceiros, coletores e muitos outros funcionários da limpeza continuaram com o trabalho paralisado por 23 dias. Qual a diferença entre as duas categorias? Segundo Robson Rodrigues, cerca de 70% dos funcionários da limpeza urbana belo-horizontina são terceirizados. Isso significa que eles são administrados não pela prefeitura, mas por

empresas. “Essa greve está mostrando que a prefeitura, através da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU), é um patrão ainda mais severo”, afirma o líder dos trabalhadores. “Aos garis terceirizados foi dado um aumento de 14%, e para os trabalhadores da SLU a prefeitura está oferecendo apenas 7%”, explica. No resultado, os garis terceirizados passaram a receber R$ 1.100, enquanto o salário base dos garis efetivados é de R$ 776. Os servidores da SLU recebem benefícios como quinquênios e insalubridade, que aumentam o valor final recebido, mas que não contam como salário para o INSS ou aposentadoria. A desigualdade na negociação, rápida para os terceirizados e inexistente para a SLU, também tem relação com o público atingido, afirma Israel Arimar, presidente do Sindibel. “21 dias de greve e a prefeitura não tem tanta pressa pra negociar por quê? Porque quem está sendo atingido na greve dos efetivos são as pessoas mais pobres, que têm menos poder de colocar o clamor na mídia”. A assessoria do sindica-

Garis efetivos ganham R$ 776 e terceirizados R$ 1.100

to dos garis terceirizados, Sindeac, declarou que neste ano já conseguiram dois reajustes salariais, totalizando 30% de aumento. Os terceirizados também conquistaram o valor máximo da insalubridade prevista em lei, que é de 40% do salário. Daqui pra frente, o objetivo do SINDEAC é aprovar condições de trabalho melhores, como banheiros com chuveiros, locais para beber água e para comer. Garis da SLU encerram greve, mas ainda cobram melhorias Ontem (29), os traba-

lhadores da SLU terminaram uma greve que durou 23 dias. Na opinião de Robson Rodrigues, um dos diretores do Sindicato dos Servidores Municipais (Sindibel), a categoria realizou um feito memorável. “Pela primeira vez na historia da SLU os garis pararam por uma greve tão grande. A última, há 20 anos, durou 11 dias”, afirma. Os garis prosseguem na Mesa de Negociação Sindical e a PBH irá apresentar uma proposta específica para a categoria, como informou a assessoria de imprensa. (Mais informações da greve ao lado)

“Tem dia que a gente fica chateado de trabalhar tanto e ganhar tão pouco” Lula Caetano Barbosa trabalha há 17 anos na SLU como coletor de lixo domiciliar e hospitalar. Ele conta que houve algumas melhorias no trabalho, como poder lavar o uniforme na SLU, mas que, no geral, ainda há muito descaso com o varredor. Quantas horas trabalha o coletor de lixo? No princípio, a gente trabalhava em um regime praticamente de hora extra. A gente chegava a fazer 110, 115 horas extra, era muito

cansativo. Agora estamos no horário de 8 horas por dia, mas continuamos fazendo a coleta em um trecho muito grande. Você está satisfeito com a sua profissão? Tem dia que a gente fica chateado de trabalhar tanto e ganhar tão pouco. Sempre que precisa arrumar as nossas ferramentas de trabalho, como o caminhão, a empresa fala que não está consertando. Fica naquele stress, a empresa põe você na rua e não quer nem

saber. Fica tudo em cima da gente. Existem equipamentos de segurança suficientes para o trabalho? Os equipamentos são de péssima qualidade, o sabonete, as luvas. Tanto é que os meninos quase não usam porque é equipamento que complica o trabalho e não que resolve. A coisa boa que aconteceu foi o direito de lavar o uniforme na SLU, que melhorou demais pra gente.

Por que a sociedade deveria apoiar a greve de vocês? Ela tem também uma parcela de culpa. Nós estamos trabalhando pesado por causa de uma nação que não sabe votar, quer dizer, não é culpa da gente o governo que está aí hoje. Às vezes deixa até um partido bom de lado porque ele não tem dinheiro. O pobre pode ser o melhor que for, mas ele é deixado de lado, o povo vota no ricão e aí a gente padece.

Servidores mantêm greve Bráulio Siffert e Edwaldo Cabidelli Diante da insistência da Prefeitura em buscar criminalizar a greve e em não reconhecer a necessidade de valorização dos servidores, a categoria, na quinta (29), decidiu rejeitar a proposta e manter a greve iniciada no dia 6 de maio. Os servidores reivindicam reajuste de 15% e aumento do vale-alimentação para R$ 28, mas a nova proposta é de reajuste de 7% - 3,5% em julho e 3,5% em novembro; aumento do vale em R$ 1,50 a partir de novembro; e abono em parcela única em valores que variam de R$ 200 a R$ 600, de acordo com a remuneração. Sobre as reivindicações específicas, não houve resposta concreta até o momento. Na primeira semana de junho, serão realizadas assembleias para discutir possíveis contra -propostas da PBH. Garis e caixa escolar suspendem greve Duas categorias decidiram suspender a participação na greve, mas caso os compromissos não sejam cumpridos, podem voltar ao movimento. Os trabalhadores das Caixas Escolares ocuparam a Secretaria de Educação e foram recebidos pela Secretária Suely Baliza, conquistando a retirada das advertências e o não corte dos dias parados. A discussão sobre o vale e outros pontos da pauta se mantêm na Mesa de Negociação. Já com relação aos garis da SLU, o Secretário de Recursos Humanos, Gleison Pereira, assumiu o compromisso de responder oficialmente em 30 dias sobre as reivindicações da categoria, como melhoria das condições de trabalho e reajuste do auxílio creche/educação.


Belo Horizonte, de 30 de maio a 05 de junho de 2014

MINAS

5

Vitória para os povos ciganos DIREITOS 85 famílias que vivem há 30 anos no bairro São Gabriel têm território garantido Fotos: Maíra Gomes

Maíra Gomes Minas Gerais possui o maior numero de acampamentos ciganos do país, segundo levantamento da Associação Internacional Maylê Sara Kali (AMSK), a partir de dados de pesquisa realizada em 2011 pelo IBGE. No Brasil, há acampamentos ciganos em 291 municípios, 58 deles em Minas, totalizando 420 mil ciganos no país. Oitenta e cinco famílias ciganas vivem no bairro São Gabriel, na região Nordeste da capital, há mais de 30 anos, e lutam pela garantia de um território onde possam desenvolver sua vida e cultura. Diferente do que muitos pensam, os ciganos não são nômades (pessoas que não têm residência fixa) por opção, e sim por terem sido sempre expulsos. “Invisíveis ao poder público, a única política

desenvolvida diretamente para eles é mantê-los sempre em movimento, ou seja, expulsá-los sempre”, explica o procurador regional dos direitos do cidadão no MPF/MG, Edmundo Antônio Dias. O dia 24 de Maio é consagrado o Dia Nacional dos Ciganos e foi comemorado este ano no dia 26, no

“É uma tribo que nem passarinho, nunca teve morada. Já sofremos muito, já andamos muito a cavalo, e agora temos descanso” Acampamento Kalon, no São Gabriel. Foi realizada uma audiência pública intitulada “Minas Cigana” com o objetivo de coletar informações sobre possíveis violações de direitos humanos

Ainda faltam direitos Mesmo há 30 anos no local, a comunidade Kalon sofre com falta de saneamento e dificuldades com a inserção das crianças e adolescentes nas escolas. “Nossas dificuldades aqui são todas. Nós conseguimos a luz elétrica há pouco tempo, estamos com um projeto com a Copasa para colocar água e esgo-

to. A comunidade cigana agora que está melhorando”, declara Carlos Amaral, líder da comunidade. Eles exigem das autoridades financiamento para a construção de casas no modelo cigano e a terraplanagem do terreno para que as famílias possam ter melhores condições de armar suas tendas.

Em audiência pública, assessor garantiu que toda a área pleiteada será dos ciganos

das etnias que compõem os povos ciganos no estado: Rom, Sinti e Kalon. Vitória histórica “Jesus que botou nós no mundo, é uma tribo que nem passarinho, nunca teve morada. Já sofremos muito, já andamos muito a cavalo, e agora temos descanso”, conta a cigana kalon Sebastiana Soares, de 78 anos. O local se tornou referência nacional para a luta dos direitos ciganos desde 19 de dezembro de 2013, quando foi outorgada, pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU), uma certidão que reconhece que a comunidade ocupa uma área de 21,745 m². As terras que ocupam são de propriedade da extinta

35 mil² para os Kalon Inicialmente, a SPU previa uma área de 17.500 m² pra a comunidade, mas um estudo do Núcleo de Estudos de Populações Tradicionais da UFMG (NUQ) demonstra que seria necessário o dobro para garantir a reprodução dos modos de viver, fazer e criar da comunidades dos Kalon. O assessor da Superintendência do Patrimônio da União no estado de Minas, José Osmar Coelho Lins, garantiu que o território já é dos Kalons. Por ser ano eleitoral, ele explica que não será possível fazer a declaração de cessão definitiva das terras este semestre, mas garante que será realizada e serão completados os valores para chegar aos 35 mil m². “Atualmente, o processo está em Brasília, a expectativa é que retorne dentro de um mês. Posso garantir com a maior certeza que o terreno é de vocês”, declarou, sob aplausos da comunidade.

85 famílias vivem no acampamento há 30 anos, mas ainda falta estrutura

rede ferroviária nacional, ou seja, são terras públicas, até então sem destinação. Um inquérito civil que trata dos direitos dos povos ciganos tramita no MPF, e cita o território como um direito fundamental, como o local onde o modo tradicional de

vida pode ser reproduzido e mantido para futuras gerações. O procurador Edmundo, responsável pelo inquérito, explica que a homologação já está em processo de concessão de direito real e de uso coletivo.

Luta por moradia em Montes Claros

O Fórum de Montes Claros foi ocupado no dia 27, por 250 pessoas da ocupação Santa Cruz, região norte da cidade. Há mais de 15 anos no local, as 300 famílias têm o apoio do Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD) desde o fim do ano passado. Os manifestantes exigem a suspensão da liminar de despejo que corre des-

de o início de fevereiro. A liminar foi pedida pela família Pinho Ribeiro, que alega ser dona do terreno de 33 hectares. O MTD afirma que o terreno está abandonado desde 1937 e não possui documento de posse ou propriedade. “Pedimos que aguardassem o resultado da ação de ilegalidade da liminar de despejo. Ainda não se sabe a quem pertence a área”, afirma Iasmin Chequer. A juíza da 1ª Vara Cível de Montes Claros, Cibele Maria Macedo, afirmou que não irá revogar a liminar que determina a reintegração de posse e, se preciso for, vai acionar a Polícia Militar para retirar as famílias.


6

MINAS

Belo Horizonte, de 30 de maio a 05 de junho de 2014

Quem paga a banda escolhe a música ELEIÇÕES Site “Os Donos do Congresso” divulga as doações feitas a políticos em campanha Marília Cruz Não é preciso ser dono de uma empresa ou loja para entender que qualquer investimento em um negócio tem como objetivo obter mais dinheiro, ou seja, lucro. Essa é a lógica do mercado, do chamado sistema financeiro. E se dentro do jogo de mercado a regra é aplicar dinheiro naquilo que produz retorno, o que leva empresários bem sucedidos a investirem em partidos políticos ou candidatos em campanha eleitoral? Quem faz a pergunta é o auditor fiscal da receita federal, Dão Real, um dos diretores do Instituto Justiça Legal, entidade que acaba de lançar o site “Os Donos do Congresso”, onde estão disponíveis todos os valores das doações recebidas pelos candidatos aos cargos de deputado e senador, durante as eleições de 2010. Na página, é possível encontrar ainda as contribuições feitas aos partidos e as principais empresas doadoras. “Sem dúvida, um empresário investe na política com a expectativa de ganhos, e nesse caso o ‘lucro’ significa a defesa de seus interesses no Congresso Nacional”, pontua Dão. Os números mostram que as eleições no Brasil são mesmo um bom negócio. Segundo Dão Real, o gasto com a campanha eleitoral em 2010 foi seis vezes maior do que em 2002. “Para se eleger um candidato a governador

“Para se eleger um candidato a governador, em 2010, foram necessários, em média, R$ 24 milhões. Há uma relação direta: quanto mais se gasta mais votos se têm” em 2010, foram necessários, em média, R$ 24 milhões. Isso é uma demonstração de que quem tem dinheiro para uma campanha tem chance de se eleger. Há uma relação direta: quanto mais se gasta mais votos se têm”, explica o diretor do Instituto. Para o auditor, o crescimento das doações revela a mercantilização da po-

75%

Mais de das verbas utilizadas pelos partidos na campanha eleitoral de 2010 foram provenientes de doações de empresas

lítica eleitoral. “O sistema político brasileiro está absorvido pela lógica do capital. É por isso que temos um Congresso Nacional majoritariamente defensor dos interesses dos mais

lhe financiou, a decisão desse político deixa de ser independente, pois ele sabe que vai precisar de um financiamento para se reeleger”, observa. O auditor explica que

O senador Aécio Neves foi o segundo político que mais recebeu doações para sua campanha. Ele recebeu R$ 11. 970.313, 79. Desse valor, 73% vieram de empresas e

27% de seu partido, o PSDB. ricos, que são uma pequena parcela da sociedade brasileira. Hoje, metade dos deputados eleitos fazem parte da bancada ruralista que defende os latifundiários e apenas 20% representam os trabalhadores. Ora, será que temos mais latifundiários do que trabalhadores no Brasil?” Dão Real observa ainda a postura dos candidatos que, segundo ele, ficam divididos entre a ideologia política e os objetivos de quem pagou a conta da sua campanha. “Quando os interesses das bandeiras políticas de um parlamentar entram em conflito com os interesses de quem

o objetivo do site é justamente fomentar o debate da ligação do poder do dinheiro com o voto. “Escolher um candidato com autonomia é saber todas as informações sobre ele, inclusive quais são os empresários que estão financiando sua campanha. O eleitor precisa saber quem pagou a conta, já que as eleições brasileiras funcionam como a célebre frase de Chico Buarque ‘ quem paga a banda escolhe a música”, diz. SAIBA MAIS: donosdocongresso.com.br

CURTAS

TJ isenta Cemig de culpa em acidente O Tribunal de Justiça de Minas Gerais isentou, na terça-feira (27), a Cemig da culpa pelo acidente que causou a morte de 16 pessoas em Bandeira do Sul, no Sul do estado. O caso aconteceu em 2011, quando uma serpentina metálica que foi lançada durante o carnaval atingiu fios da rede desencapados, provocando um curto que deixou mais de 50 feridos. A decisão foi tomada, em segunda instância, após julgamento de recurso de apelação. Em 1ª instância, a Cemig havia sido condenada a pagar R$ 255 mil a cada familiar da vítima. Ao todo, o valor ultrapassava R$ 6,8 milhões. Na época, a empresa entrou com recurso alegando não ter sido comprovada sua culpa no acidente.

Abraço negro em BH Ao meio-dia de sábado, (31), a Praça Sete recebe o Abraço Negro. O ato tem como objetivo dar visibilidade ao racismo, denunciando que ele está presente em ações simples e também em agressões físicas e psicológicas que o negro sofre diariamente nas ruas, escolas e trabalho. Debates com membros de grupos de referência na luta contra o racismo, como o Bloco das Pretas e Afoxé Bandarerê iniciarão a atividade, seguidos de apresentações culturais que trazem a temática afro, como rap, teatro e dança.


Belo Horizonte, de 30 de maio a 05 de junho de 2014

Sucos de caixinha não passam em teste Reprodução Idec

Rafaella Dotta

to. Essa lei regulariza que os sucos tenham entre 10 e 40% de frutas, no mínimo, dependendo do sabor.

As marcas pesquisadas foram: Activia, Camp, Dafruta, Del Valle, Fruthos, Maguary e Sufresh. Das 31

amostras analisadas, dez foram reprovadas, sendo que a marca Maguary teve o pior resultado.

Nutricionista defende o suco natural Weverton Assis Silva de Oliveira, de 6 anos, diz que toma suco de caixinha todas as vezes que a sua avó compra e que, se pudesse, beberia 12 caixinhas por dia “sem problemas”. Ele acha que essa bebida faz bem para a saúde. Já a mãe de Pedro Lucas, de 8 anos, tem certeza que não é saudável. “Mas é prático e ele precisa levar de merenda pra escola”, afirma. A nutricionista Elisabeth Chiari, diretora do Conselho Regional de Nutrição, lembra que a fase infantil é uma das mais importantes na formação do corpo humano e que é preciso garantir bons alimentos, principalmente frutas e sucos naturais. “As frutas vão dar energia, porque têm complexo B, e for-

talecer o sistema imunológico, dar quantidade de fibras pra fazer o intestino funcionar adequadamente. Ou seja, vão abastecer o organismo da criança”, explica. A nutricionista afirma que os sucos de caixinha contêm substâncias químicas que o nosso organismo não reconhece, como os conservantes e aromatizantes que são adicionados, assim como uma quantidade muito grande de açúcar, para dar sabor ao suco. “A longo prazo, o consumo pode levar a pessoa a diabetes e a todas as implicações cardíacas do sobrepeso e obesidade”, alerta. Por isso, a nutricionista recomenda o suco natural.

7

CURTAS

ALIMENTAÇÃO Pesquisa mostra que a bebida tem “frutas de menos” e não é recomendada para crianças No “suco de caixinha” tem fruta? Um vídeo feito pelo Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) mostra a surpresa de crianças ao saberem do que são feitas as bebidas que elas consomem. Os sucos de caixinha contêm menos de 10% de frutas e quantidade exagerada de açúcar. A iniciativa é parte da campanha “Agite-se antes de beber” e alerta que o suco industrializado é uma opção pouco saudável. Uma pesquisa feita em fevereiro deste ano pelo Idec mostrou que 32% dos sucos de caixinha não têm o mínimo de frutas necessário, de acordo com a Instrução Normativa nº 12, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimen-

MINAS

Divulgação

Mudando a alimentação Para mudar os hábitos de crianças acostumadas com sucos de caixinha, Elisabeth Chiari lembra de dois pontos importantes. O primeiro é tratar o regime como uma troca, e não como uma proibição. É preciso que a criança tenha opções saudáveis de alimentação e que comece a comer frutas misturadas na sua comida do dia a dia, em sucos, saladas de fruta, com iogurte, por exemplo. O segundo ponto é o envolvimento da família na mudança alimentar. “O que os pais comem, as crianças comem também. Por isso, não é fácil mudar o hábito se os pais não estiverem juntos”, afirma. “Essa é uma forma de a criança se sentir menos agredida e aceitar melhor”, completa.

Professores do Estado em greve.... Em greve desde o dia 21 de maio, os educadores da rede estadual fizeram um protesto na manhã de quarta (28) nas BR’s 381 e 040 em Belo Horizonte. Eles cobram uma reunião com o governo de Minas para negociar da pauta de reivindicações da categoria, entregue desde janeiro. Os servidores da educação reivindicam a implantação do Piso Salarial Nacional em Minas, o descongelamento da carreira e a instituição de uma mesa de negociação sobre a situação dos profissionais afetados pela Lei 100, que foi considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal este ano. Assembleia Geral da categoria realizada também na quarta definiu continuidade da greve.

....e a saúde também Servidores da saúde do Estado de Minas Gerais entraram em greve por tempo indeterminado na terça (27). A categoria cobra negociação da pauta de reivindicações entregue ao governo ainda em fevereiro. A exigência é a mesma há três anos, por melhores condições de trabalho e salário digno; além da redução da jornada semanal para 30 horas, sem redução dos salários. O servidores da saúde denunciam que o governo mineiro é 24º em investimentos em saúde, e exigem materiais e estrutura de qualidade para o povo.


8

OPINIÃO

Belo Horizonte, de 30 de maio a 05 de junho de 2014

Foto da semana

PARTICIPE Viu alguma coisa legal? Algum absurdo? Quer divulgar? Mande sua foto para redacaomg@brasildefato.com.br.

Leo Simonini

Acompanhando

Na edição 39 ... Juiz afirmou que candomblé e umbanda “não são religiões” ...E AGORA

Final do torneio de futebol amador Corujão 2014, no Campo de Várzea do bairro Santa Cruz, em Belo Horizonte, no dia 27 de maio. Os jogos aconteceram à noite em campos de Várzea de 32 vilas e comunidades da Região Metropolitana. O horário dos jogos privilegia a participação dos trabalhadores nas equipes amadoras e dá vida aos campos, quase sempre esquecidos pelo poder público.

Lucas Buzatti

Isabela Neiva

Pelo fim da guerra às drogas

Reinventando o ensino médio?

No “maio verde”, o povo sai às ruas pedindo pela legalização da maconha, com motivos de sobra para lutar contra a política de drogas proibicionista. A Marcha da Maconha defende o direito daqueles que necessitam da planta para fins medicinais; o fim da racista e genocida “guerra às drogas” (ou guerra aos pobres); o respeito à liberdade individual, que inclui o uso recreativo e religioso; o direito ao cultivo caseiro e à informação científica; o uso industrial do cânhamo, bem como diversas outras questões importantes para o progresso social do nosso país. O debate sobre a legalização nunca esteve tão aquecido. Enquanto o Uruguai prepara-se para legalizar e os estados norte-americanos de Colorado e Washington analisam os primeiros resultados da regulamentação, o Brasil dá passos iniciais em direção a uma política de drogas mais racional e humana. Com o levante dos usuários medicinais, o canabidiol (CBD), um dos principais princípios ativos da cannabis, será reclassificado e poderá ser prescrito como medicamento, conforme declarado por Luiz Klassmann, representante da Anvisa. Em março, o deputado federal Jean Willys protocolou o Projeto de Lei 7270/2014, que regulamenta a comercialização, a produção, o cultivo e o consumo medicinal e recreativo da maconha. Enquanto isso, no Senado Federal um projeto de iniciativa popular que propõe a legalização entrou na pauta e será debatido pelos legisladores. O relator, senador Cristovam Buarque, divulgou, no início da semana, um estudo de 115 páginas que conclui que a legalização controlada é o caminho mais sensato para a política de drogas brasileira. O debate avança e o futuro avisa: a cortina de fumaça do proibicionismo está caindo.

O novo projeto implementado em Minas Gerais “Reinventando o Ensino Médio” é questionável em vários aspectos. O projeto foi vetado em outros estados e adotado primeiramente como projeto experimental pelo governo mineiro. Mas logo foi expandido em 2014 a todas as turmas de primeiro ano do ensino médio. Me pergunto como nós, alunos, poderemos no futuro usufruir dessa nova modalidade de ensino. O projeto obriga professores e alunos a permanecerem por mais tempo na escola para que sejam cumpridos, todos os dias, o sexto horário. O Reinventando o Ensino Médio não exige professores qualificados, formados e experientes na área, não reprova e também não exige exame de proficiência técnica, como não garante certificado ou diploma. O programa deveria ser opcional e não obrigatório. Outros fatores colocam em xeque a credibilidade da iniciativa. Faltam recursos para complemento e enriquecimento das aulas teóricas. Há precariedade dos laboratórios de informática para que sejam ministradas aulas de tecnologia da informação. A merenda deveria ser mais reforçada, uma vez que a extensão da carga horária compromete tanto o tempo dos professores, quanto os alunos que trabalham ou participam do projeto “Jovem Aprendiz”, sem sequer ser respeitado seu horário de almoço. O gasto financeiro seria melhor investido na qualificação do professor e na construção de mais unidades de ensino visando a uma melhor distribuição de alunos por turma. O espaço físico das salas de aula comporta de 30 a 35 alunos, a realidade que se vê, nas escolas estaduais mineiras, é de salas superlotadas ultrapassando 40 alunos. É assim que vamos mudar a educação em nosso país.

Lucas Buzatti é jornalista, ativista da Marcha da Maconha e do Growroom

Isabela Neiva é aluna do Reinventando o Ensino Médio em Belo Horizonte * Este artigo foi enviado para a redação depois que publicamos a matéria “Ensino Médio reinventado?”, na edição 38, disponível em: brasildefato.com.br/node/28570

Representantes de religiões afrodescendentes realizaram ato na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no centro do Rio de Janeiro, para protestar contra a constatação preconceituosa do magistrado e manifestar a favor da pluralidade e laicidade do Estado. Em Belo Horizonte, manifestantes também organizam encontro para defender as tradições de matriz africana. O evento “Contra a intolerância: Xangô é meu juiz” está previsto para acontecer na próxima quarta-feira (4), às 13h, na Praça da Assembleia.

Na edição 10... Machismo e Polêmica na UFMG ...E AGORA O professor da UFMG Francisco Coelho dos Santos, que no ano passado foi acusado de abuso moral e sexual, teve rejeitado na Justiça seu pedido de indenização por dano moral e material. Após ser inocentado das acusações e retornar à sala de aula, ele entrou com processo contra o Centro Acadêmico de Ciências Sociais (Cacs) e alguns membros da direção, solicitando R$ 25 mil de danos morais e R$ 1,5 mil de danos materiais.


Belo Horizonte, de 30 de maio a 05 de junho de 2014

ENTREVISTA

9

“A Prefeitura deu um tapa na cara da maioria dos servidores” GREVE Presidente do sindicato dos servidores questiona reajuste alto para parte dos funcionários, enquanto a maioria não é atendida pela PBH Sindibel

Joana Tavares Uma greve pode incomodar muita gente. Há menos servidores nas escolas, postos de saúde, órgãos públicos. O trânsito pode complicar com os atos de rua. Mas Israel Arimar de Moura, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Belo Horizonte (Sindibel), explica que essa é a última alternativa que os trabalhadores têm para pressionar por suas reivindicações. “No final de fevereiro, encaminhamos nossa pauta para a Prefeitura. Mas, como de costume, não houve um processo de negociação”, explica. Os servidores pedem 15% de reajuste salarial, e foram surpreendidos com a notícia de que alguns de seus colegas - que ganham mais de R$ 20 mil - conseguiram 30%. Israel afirma que a Prefeitura não apresenta propostas convincentes e ainda tenta impedir o direito de manifestação, ao conseguir na Justiça liminares que limitam as possibilidades do protesto. Em assembleia nesta quinta (29), a categoria - que chega a 70% dos 50 mil servidores públicos - decidiu pela continuidade da greve. “Estamos cobrando um novo modelo de negociação, mais permanente, que a política de reajuste seja retomada, e que seja uma política de médio e longo prazo, para que não haja necessidade de todo ano fazer greve para chegar a uma negociação”, diz. Brasil de Fato - O Sindibel representa todos os trabalhadores da Prefeitura? Israel Arimar de Moura - O Sindibel representa 90% dos trabalhadores da PBH. Representamos a área da saúde, administração geral, fiscalização, as fundações (de cultura, de parques, de jardins), as autarquias, ou seja, a maioria das categorias. A eleição desta chapa do

sindicato significou a derrota de uma chapa ligada ao prefeito e já começou com uma campanha de reajuste salarial. Como foram as negociações até aqui e por que a decisão da paralisação? Assumimos a atual gestão do sindicato em janeiro, e, no mesmo mês, conversamos com a categoria para definir uma pauta. No final de fevereiro encaminhamos essa pauta para a prefeitura. Apesar de fazermos isso bem no início do ano, como de costume, não houve um processo de negociação que a gente conseguisse fechar, sem necessidade de ter a greve. Inicia-

“Quando a gente não consegue resolver com negociação algumas coisas tremendamente injustas, a única alternativa é exercer o direito de greve” mos então a paralisação no dia 6 de maio, reivindicando 15% de reajuste, um vale refeição de R$ 28. Mas a prefeitura não abre um processo conclusivo de negociação com a maioria dos trabalhadores, e, ao mesmo tempo, dá um tapa na cara dessa maioria dos servidores. Ela aprovou um projeto na Câmara Municipal que concede reajuste de 30% para alguns cargos, que são os de maiores salários, como os procuradores, auditores fiscais, fiscais de tributos, agentes fazendários. Esse reajuste foi para quem recebe salário acima de R$ 20 mil por mês, alguns, inclusive, bem acima do teto, pois recebem R$ 37 mil por mês. Além de tudo, o reajuste foi retroativo a janeiro. Ao mesmo tempo, apresentam para os demais servidores uma proposta de 5,56% de reajuste e apenas

Israel Arimar, presidente do Sindibel

um real a mais no vale. A população pode se sentir prejudicada com a paralisação de serviços públicos. Como a greve se relaciona também com a vida das pessoas da cidade? A greve é a última ferramenta que a gente utiliza. Nenhum servidor gosta de fazer greve, é cansativo, estressante, traz prejuízo para o trabalhador e traz transtorno também para o cidadão. Mas quando a gente não consegue resolver com negociação algumas coisas tremendamente injustas, a única alternativa é exercer o direito de greve. E aí percebemos que, ao invés de tentar resolver o impasse com negociação, a Prefeitura busca a intervenção da Justiça. Entraram com uma ação que diz que só podemos usar uma faixa da avenida nas nossas passeatas. Qualquer outra faixa a mais gera uma multa de R$ 15 mil. A justificativa seria garantir o direito da mobilidade urbana, só que a mobilidade em BH já é ruim em qualquer período. Aí entramos num paradoxo, um choque de direitos. Porque há o direito da mobilidade, mas tem que ser preservado também o direito à ma-

nifestação. E é papel do gestor, do prefeito, saber conciliar a administração de forma que todos os direitos sejam garantidos. Em qualquer capital, existem manifestações, concentrações em praças, e quando acontece isso, para garantir o direito de manifestação, a administração desvia o trânsito, cria rotas alternativas. Em BH, como a prefeitura, nos últimos anos, tem de-

“A lei de responsabilidade fiscal prevê que se pode gastar até 53% com folha de salário, e a prefeitura não gasta mais do que 40%” monstrado incapacidade para resolver os problemas da mobilidade, ela vai para o caminho mais fácil, que é usar o judiciário para coibir o direito de manifestação. A prefeitura tem recursos para conceder esse reajuste solicitado? Em Belo Horizonte, nos últimos 12 anos, com o crescimento da economia do país, a receita tem cres-

cido muito acima do gasto com folha salarial. A lei de responsabilidade fiscal prevê que se pode gastar até 53% com folha de salário, e a prefeitura não gasta mais do que 40%. Não adianta fazer belos viadutos e belas avenidas que façam o cidadão se locomover mais rápido, se não investir no de serviço público, ou seja, UMEI, escola, posto de saúde. E esses equipamentos precisam ter condição de atendimento, o profissional precisa ter boas condições de trabalho e salário para atender bem. Então a prefeitura tem que investir na mobilidade, nas obras, mas também naqueles que assistem o cidadão. Existe também um grande mau uso do dinheiro, seja por incompetência de gestão, seja até por desvios. Um exemplo foi a prisão de quatro gerentes por suposto desvio de dinheiro da folha de pagamento da prefeitura [leia mais na página 3]. A gente defende as investigações, porque se tiver alguém que é mau servidor, mau gestor, é preciso que seja rigorosa a investigação. Porque quando há desvio de verba pública, o prejuízo é do servidor, é do cidadão, é da população como um todo.


10

BRASIL

Belo Horizonte, de 30 de maio a 05 de junho de 2014

Movimentos sociais preveem disputa para regulamentar PEC do Trabalho Escravo TERRAS Depois de 15 anos, Senado aprova medida que garante desapropriação Agência Brasil Nem a demora de 15 anos diminuiu o entusiasmo com que militantes reagiram à aprovação, na terça-feira (27), da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Trabalho Escravo no Senado. Aprovado por unanimidade, o texto altera o artigo 243 da Constituição Federal – que já previa a expropriação de terras usadas para o plantio de plantas psicotrópicas – autorizando o Estado a desapropriar também os imóveis urbanos e rurais onde for constatada a exploração de trabalho análogo à escravidão. Para representantes de entidades ouvidas pela Agência Brasil, a disputa agora se dará em torno da

regulamentação da proposta em que, entre outras coisas, será explicitado o que é trabalho escravo. “A proposta de emenda foi aprovada por unanimidade porque a bancada ruralista tem

Aprovado por unanimidade, o texto autoriza a desapropriação de terras com trabalho escravo certeza de que, na sequência, conseguirão aprovar uma regulamentação que vai tornar a PEC inócua. O jogo é esse”, disse o coordenador da campanha contra o trabalho escravo da Comissão Pastoral da Terra

L A U D A T S REDE E

(CPT), Frei Xavier Plassat. Após a aprovação da PEC, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) afirmou que a regulamentação poderá ir a votação já na próxima semana. O senador é o relator do Projeto de Lei do Senado 432/13, que disciplina o processo de expropriação de terras, diferenciando o descumprimento da legislação trabalhista do que se entende por trabalho semelhante à escravidão. O projeto de regulamentação também prevê que a expropriação só seja autorizada depois que o proprietário da área tenha esgotado todos os recursos legais contra a sentença penal condenatória. Presidente da organização não governamental Re-

Fiscalização Entre 1995 e o final de 2013, a Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo do Ministério do Trabalho resgatou 46.478 pessoas submetidas a condições semelhantes à escravidão. No mesmo período foram inspecionados 3.741 estabelecimentos em todo o Brasil, o que resultou em mais de 44 mil atos de infração lavrados no período. pórter Brasil, o jornalista Leonardo Sakamoto classificou a aprovação da PEC do Trabalho Escravo como uma conquista histórica dos trabalhadores brasileiros, mas ele também espera uma nova disputa, dessa vez em torno da regulamentação. “A regulamenta-

ção é necessária, pois é preciso deixar claro quando e como a terra onde for flagrada o trabalho escravo e tudo o que houver nela será confiscado e o que será feito desses bens”, disse Sakamoto, garantindo que não há consenso em torno do projeto relatado por Jucá.

S I A R E G S DE MINA

Participe da

Assembleia Estadual 28 14 h

a Salarial E du nh a p

NÃO

ACEITAMOS JOGO SUJO!

maio 2014

Local: Pátio da Assembleia Legislativa/MG

nal 2014 cio ca

tura r e b a a l e p , 5 0 / 1 2 e d o r n i t r r e a v o G Ap o m o es c de negociaçõ

Ca m

O Ã Ç A C E EV R G U ED em E X I GIM

OS

EITO. P S RE


Belo Horizonte, de 30 de maio a 05 de junho de 2014

BRASIL

11

CPI pode favorecer multinacionais do petróleo PETROBRAS Para petroleiros, oposição quer desgastar imagem da empresa e retomar entrega das reservas ao capital estrangeiro Pedro Rafael Vilela de Brasília (DF) A Federação Única dos Petroleiros (FUP) teme que a CPI da Petrobras no Congresso mude o sistema de exploração do pré-sal brasileiro. O alvo seria o regime de partilha, criado pela lei 12.351/10, que determina a Petrobras como operadora única de todos os blocos de óleo e participação mínima de 30% nos consórcios que ganham licitação das reservas. Esse modelo regulatório ainda permite a participação de empresas estrangeiras, mas garante maior controle do Estado e uma arrecadação de recursos superior para os cofres públicos em relação ao modelo anterior, criado pela Lei do Petróleo, de 1995. “Os setores privatistas não aceitam o modelo de

partilha porque queriam a entrega total das reservas nas mãos das empresas privadas estrangeiras. Por isso, desmoralizar a Petrobras é desmoralizar o modelo de partilha, que prevê a estatal como operadora única”, afirma José Antonio de Moraes, presidente da FUP. O senador Aécio Neves (PSDB-MG), pré-candidato tucano à presidência da República e o principal porta-voz da oposição na CPI, já declarou publicamente que, se eleito, poderá rever o modelo de partilha. A declaração foi dada em reunião com empresários da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), em abril. “Quero ouvir quem vive esse problema. Será que o modelo de concessões para determinadas áreas não é melhor do que esse que

Divulgação

Para presidente do sindicato dos petroleiros, CPI da Petrobras tem conotação “puramente eleitoral”

onera uma Petrobras já tão combalida?”, questionou Aécio. Para Moraes, da FUP, a disputa na CPI também tem conotação puramente eleitoral devido à importância da Petrobras para o Brasil. O conjunto do se-

tor de petróleo e gás, segundo o sindicalista, representa 11% do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma as riquezas produzidas pelo país. “A Petrobras tem sido a grande alavanca do desenvolvimento nacional, respon-

sável pelo maior volume de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), geração de empregos. Parar a Petrobras é parar o Brasil, quem faz a disputa eleitoral sabe disso”, acrescenta.

PM descumpre acordo com manifestantes no DF Segundo representantes de movimentos, policiais bloquearam passagem e começaram ataque Midia Ninja

Pedro Rafael Vilela de Brasília (DF) A jornada de mobilizações sociais da Copa do Mundo registrou o primeiro confronto grave entre policiais e manifestantes no Distrito Federal, a 15 dias do início dos jogos. O ato unificado “Copa para Quem” reuniu mais de três mil pessoas em Brasília, na tarde de terça-feira (27) e terminou com um saldo de manifestantes feridos. Um policial militar chegou a levar uma flechada disparada por indígenas. O ato foi organizado pelo Comitê Popular da Copa, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto e a

Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). A ideia era promover um “julgamento popular” das

violações cometidas pela Fifa, o governo brasileiro e as empresas envolvidas com o bilionário negócio

da Copa no país. O ato seguiu pacífico até o trajeto entre a rodoviária central e o estádio Mané Garrincha. Os manifestantes acusaram a polícia de descumprir um acordo prévio. Segundo Tiago Ávila, um dos organizadores do ato, houve um diálogo com o comandante da operação, o tenente-coronel Moreno, informando o trajeto, que iria até a frente do estádio. “Ele disse que não ia ter repressão nem trancamento da nossa passagem. Mas, quando estávamos a cerca de 700 metros do estádio, veio a cavalaria da polícia e o batalhão de choque com bombas e gás lacrimogê-

nio. Os manifestantes reagiram como puderam”, relatou. Havia pessoas idosas e crianças entre os manifestantes. Indígenas usaram arco e flecha para se defender. Em resposta aos organizadores do ato, a PM-DF informou que não foi definido limite até onde o protesto poderia chegar e que os militares teriam permanecido a 200 metros do estádio, e não a 700. O Comitê Popular da Copa convocou novo ato para esta sexta-feira (30) e ainda estão previstas mobilizações em todos os dias de jogos, que começa dia 12 de junho. (Colaborou Leonor Costa).


12

MUNDO

Belo Horizonte, de 30 de maio a 05 de junho de 2014

Solucionar criminalidade é tarefa pendente na Venezuela AMÉRICA LATINA Apesar de redução de desigualdade em anos chavistas, violência ainda é grande no país Wikipedia

Luciana Taddeo de Caracas “Estão nos matando”. A frase é popular entre os opositores venezuelanos que há mais de três meses ocupam as ruas em protestos contra o presidente Nicolás Maduro. A violência urbana foi justamente o detonador das manifestações da oposição. E desde o início dos protestos, 42 pessoas foram mortas nesse contexto, entre chavistas, opositores, transeuntes apartidários e militares. Embora se estime que o aumento dos índices de violência tenha origem na exclusão e na injustiça social, a diminuição da desigualdade socioeconômica durante os anos de governo do ex-presidente Hugo Chávez (19992012) não resultou na reversão automática da criminalidade. Ao contrário, o país atualmente está como um dos mais violentos das Américas. Dos poucos dados oficiais sobre a criminalidade no país, sabe-se que a taxa de homicídios para cada 100 mil habitantes era de 39

no final do ano passado, de acordo com o ministro de Interior, Miguel Rodríguez Torres. Segundo ele, a cifra reduziu 17,3% em relação ao ano anterior. No entanto, o problema é latente. A morte, em janeiro deste ano, da atriz e ex-Miss Venezuela Mónica Spear e de seu ex-marido, em uma estrada do país, trouxe novamente a questão da violência à tona. Isso levou o governo de Nicolás Maduro a sentar para discutir políticas públicas de segurança com prefeitos e governadores da oposição, inclusive com o do estado de Miranda, o ex-candidato presidencial e um de seus principais adversários políticos Henrique Capriles. “Mão dura” Na avaliação do professor e pesquisador de criminologia da Universidade Central da Venezuela, Andrés Antillano, o Executivo tem feito “um esforço importante” para construir uma política coordenada com governos e prefeituras. Os resultados, porém, ain-

PIB dos Estados Unidos cai 1% no primeiro trimestre O Produto Interno Bruto dos Estados Unidos caiu 1% no primeiro trimestre de 2014, de acordo com o Departamento de Comércio. É a primeira vez que ocorre uma retração em três anos. A diminuição foi causada, entre outros motivos, por um déficit comercial maior

que o previsto e fatores climáticos. Por outro lado, um relatório do Departamento de Trabalho aponta que o número de solicitações de benefícios para desempregados caiu para 300 mil pedidos na semana passada, o menor nível desde 2007. (Operamundi)

da são duvidosos. A retórica governista, segundo a qual o delito era originado por fatores estruturais, agora aponta a que este problema se deve a valores morais e, por isso, exigem “mão dura”. A mudança resulta no endurecimento de políticas de segurança contra os pobres e aumento da repressão, gerando mais violência, segundo o pesquisador. Para Antillano, outro fator que explica a não diminuição da criminalidade são as novas formas de desigualdade. Segundo ele, a própria violência aumenta a pobreza e a desigualdade combatidas pelo governo. Entre os exemplos estão encarecimento de produtos em áreas mais pobres, como uma espécie de “taxa” pela insegurança, além de menor alcance de políticas de inclusão entre jovens pobres de zonas urbanas, mais afetados pelo desemprego. Isso acontece, apesar da redução do índice geral de desemprego, que passou de 15,2% em fevereiro de 1999 a 7,2% no mesmo mês deste ano.

Para analista, um fator que explica a não diminuição da criminalidade é a permanência do desemprego entre jovens da periferia

Espanha condena banqueiros por desvio de dinheiro durante crise econômica A Justiça da Espanha anunciou na quinta-feira (29) a primeira condenação de banqueiros por abusos cometidos durante a crise econômica. Quatro ex-diretores da Caixa Penedès foram sentenciados a cinco anos de cadeia. Durante a última sessão do julgamento no Supremo Tribunal, porém, Ricard Pagès, Manuel Troyano, Santiago José Abella e Juan Caellas se comprometeram a devolver os 28,6 milhões de euros (R$ 86,4 mi) das pensões que desviaram quando estavam à frente da entidade para terem suas penas de prisão reduzidas.

“Vocês atuaram de forma maliciosa, insidiosa e enganosa para a sociedade. Ao burlar os controles da caixa de poupança, colocaram os interesses pessoais à frente dos sociais, abusando da confiança que haviam depositado em vocês como diretores de altos cargos”, disse o juiz Jose Maria Vázquez Honrubia aos réus, segundo o El Pais. O magistrado decidiu considerar como atenuante a atitude dos réus de reconhecimento dos delitos que cometeram. Como os quatro não tinham antecedentes criminais, provavelmente nenhum deles irá para a

cadeia. De acordo com Vázquez, com a devolução do dinheiro, “a ordem jurídica será restaurada”. A Espanha foi um dos países mais afetados pela crise econômica no continente europeu. O mal-estar foi agravado pelos constantes cortes de gastos e aumentos de impostos que resultaram em inúmeros protestos contra medidas de austeridade pelo país. Em 2013, o número de desempregados superou a marca de seis milhões de pessoas, ao alcançar 27,16% da população ativa no primeiro trimestre do ano. (Operamundi)


Belo Horizonte, de 30 de maio a 05 de junho de 2014

VARIEDADES 1313

A novela Como ela é Preencha os espaços vazios com algarismos de 1 a 9. Os algarismos não podem se repetir nas linhas verticais e horizontais, nem nos quadrados menores (3x3). www.coquetel.com.br

© Revistas COQUETEL

 

 

 

  

    

 

  

 

        

        

        

        

        

        

        

        

        

Solução

A busca de Alice por justiça Na época em que Neidinha (Elina de Souza) foi estuprada por três criminosos, no final da 2ª fase de Em Família, debati aqui que a trama ainda ia pegar fogo. Dito e feito. Descobrimos depois que ela decidiu ter a filha, Alice (Erika Januza), fruto do ato violento, e que escondera dela a verdade sobre sua paternidade. Mais tarde, Alice desvela todo o mistério,

se sensibiliza com a infelicidade da mãe e se autodelega uma missão: encontrar os responsáveis pelo abuso. Estaria, assim, fazendo justiça. Mesmo tendo se passado 20 anos e o crime já ter prescrito, a moça quer acertar as contas com seu passado. O tema é bastante complexo. Primeiro porque Neidinha ainda tem dificuldades de superar o fato, se fechou para relacionamentos e se escondeu diante da vergonha de ser estuprada. Aos poucos, depois da reação acolhedora da filha, ela vem se abrindo para a paquera com Theo (Rafael Zulu), seu colega de trabalho, e já deu depoimento na ONG de apoio a mulheres abusadas que vem dando suporte às duas. Alice, por sua vez, vive a saga da busca por justiça. Conta com a ajuda da ONG e de uma policial e se prontificou a servir de isca para um possível suspeito. Porém, nesta semana, Alice tentou fazer justiça com as próprias mãos. A moça perdeu o medo e ao

identificar um homem com as mesmas características do suspeito, começou a segui-lo. Mas como nenhum bandido é bobo, logo o homem abordou a moça com truculência. Ela conseguiu se livrar da ameaça, mas, ao fugir, caiu e se machucou, para desespero de todos que a vêm ajudando. Será que ela deve seguir em busca do estuprador? Não estaria entrando num terreno muito perigoso? Nenhum risco parece deter Alice da necessidade de tirar a limpo a sua história. Para mim, tratase de um desejo que se justifica por si só. Acompanhemos a história para saber se o criminoso será encontrado. E oxalá que nem a moça nem ninguém saiam machucados dessa complexa investigação. Estou sentindo falta de sugestões no email: quimvela@brasildefato. com.br Até semana que vem! Joaquim Vela


14

CULTURA

Belo Horizonte, de 30 de maio a 05 de junho de 2014

Festejos da liberdade CULTURA NEGRA Reinados em memória da abolição são tradicionais em BH Rafaella Dotta

Rafaella Dotta Uma pequena casa no bairro Concórdia, na região Nordeste de Belo Horizonte, abriga uma tradição africana de festa e memória da dor: há 70 anos o Reinado Treze de Maio de Nossa Senhora do Rosário celebra a abolição da escravatura. Dona Isabel Casimira das Dores Gasparino, a única viva desde o início da atividade, conta que sua mãe fundou o Reinado em meio a dificuldades, inclusive financeiras. “Ela prometeu que faria sete anos seguidos de festa na primeira quinzena de maio, em homenagem a Nossa Senhora do Rosário”, lembra. A fé de toda família ultrapassou a promessa e, neste mês, comemoraram 70 anos. Festejos “Do dia 1º de maio até o meio de novembro tem festa e cada Reinado escolhe uma data que acha melhor para fazer”, explica Ricardo Cassimiro Gasparino, que

comanda a guarda de Moçambique no Reinado Treze de Maio. Nas festas, as guardas fazem visitas entre si, em retribuição ou apoio ao outro Reinado. Em Belo Horizonte, a primeira comemoração à libertação dos escravos foi em 1944, no Reinado Treze de Maio, conta Ricardo. Hoje, nessa data é também realizada a “missa conga” em uma igreja católica. “Não é uma missa comum, introduzimos vários cantos, como o da comunhão, o de entrada, o de louvação”, declara. “No início, a gente ficava com os tambores do lado de fora. Depois de muito tempo e conversa, o padre permitiu que os tambores também fossem parte da missa”, lembra Ricardo, que diz que isso só foi acontecer a partir de 1980 e que, até hoje, os obstáculos são grandes para a tradição africana. “A luta do negro é uma luta muito difícil. Nós não conseguimos as coisas facilmente. Seja o candomblé, a dança

O palco é na rua Você já viu uma peça de teatro apresentada em um terreno abandonado? Grupos culturais de Venda Nova deixaram o palco para se apresentarem em lugares que estão no cotidiano das pessoas, como lotes baldios e bares. A iniciativa faz parte da “Mostra Puxadinho” e acontece de 30 de maio a 7 de junho nos bairros de Venda Nova. O tom do cotidiano começa pelo nome do festival e se estende para as apresentações. A atriz Sinara Teles, da Companhia Coccix de Teatro, afirma que “a ideia é fazer dos ‘puxadinhos’ lugares que ninguém acha que é pra fazer cultura, espaços para a arte”. Locais como o Bar Peixes Burguer, que vai receber a abertura do festival, serão utili-

afro ou os Reinados, sempre encontramos barreiras maiores que outras tradições”, lamenta. Hoje, quase todas as igrejas católicas aceitam a entrada dos tambores, mas nem todos os padres celebram a missa conga. No Reinado Treze de Maio, a missa é realizada todos os anos na Igreja Nossa Senhora das Graças e celebrada pelo Frei Chico, por quem o Reinado tem grande admiração. História A origem dos Reinados tem forte relação com Minas Gerais. Chico Rei, um escravo que comprou a sua alforria e depois trabalhou para comprar a liberdade de outros escravos, se tornou “rei” em Ouro Preto. De acordo com Dona Isabel, foi nessa época que os negros criaram as festas de Reinados, que eram celebrações de união. Assim, Minas Gerais acabou sendo o berço dos reinados.

Doações para o Reinado Treze de Maio As celebrações e visitas a outros Reinados são caros, diz Ricardo Cassimiro, e quase tudo é custeado com recurso dos próprios integrantes. Assim, doações, seja em dinheiro ou em material, são bem vindas. O contato é: (31) 3421 7646.

Divulgação

Venda Nova - de 30 de maio a 07 de junho 30/05 Abertura: SARAU COLETIVOZ 31/05 Espetáculo: PEDAÇO DE HOMEM CERCADO DE OUTRO POR TODOS OS LADOS (Cóccix Companhia Teatral)

zados para mostrar ao público que a arte pode estar perto dele também. Os temas das peças são próximos da realidade de Venda Nova: moradia, indignação, tradição, extermínio de jovens. “A gente sempre teve a preocupação de pensar as questões socioculturais que estão no entorno das nossas apresentações”, diz a atriz, que vai apresentar a peça “Meu Canto de Graça”.

Para a entrada: poemas inéditos No primeiro dia, 30 de maio, a Mostra Puxadinho apresenta quatro atrações. Duas intervenções musicais, com Marcus Carvalho e Nego Doido. A história do “Capeta do Vilarinho” contada pela Companhia Coccix de Teatro. E a atração principal da noite, o Sarau Coletivoz, que irá coletar poemas inéditos para o lançamento de um livro.

1/06 Confraternização: CAFÉ DA MANHÃ CULTURAL Intervenção: INTERVENÇÃO DE PALHAÇO (Cia Casca) 5/06 Espetáculo: MEU CANTO DE GRAÇA (Cóccix Companhia Teatral) 6/06 Espetáculo: QUINTAL (Cia Casca) Espetáculo: ÀBÍKÚ (Cia Teatro Negro e Atitude) 7/06 Espetáculo: A LENDA DE ANANSE – UM HERÓI COM ROSTO AFRICANO (Cia Teatro Negro e Atitude) Espetáculo: PARA SE TÁ MAL, ENSAIO DE UMA MANIFESTAÇÃO PARA PODER PODER (Cóccix Companhia Teatral)


AGENDA DO FIM DE SEMANA MÚSICA

LITERATURA

Show com Coletivo D’Istante e Thelmo Cristovam, que realizam práticas musicais improvisadas e espontâneas, criadas no exato momento da apresentação. Sexta (30), às 20h, no Centro Cultural UFMG (Av. Santos Dumont, 174, Centro).

Clube da Leitura promove discussão sobre as obras do escritor Rubem Fonseca. Sexta (30), às 15h, no Centro Cultural Lindéia Regina (Rua Aristolino Basílio de Oliveira, 445, Lindéia).

é tudo de graça! CINEMA

Mostra “Funk.DOC” exibe filmes que retratam a temática e cultura do Funk. Sexta (30) e sábado (31), das 17h às 21h, no Sesc Palladium (Avenida Augusto de Lima , 420, Centro).

MARACATU

15

CULTURA

Belo Horizonte, de 30 de maio a 05 de junho de 2014

Segunda a quinta-feira EXPOSIÇÃO

MÚSICA

A mostra “Imagens são Espelhos”, da artista Angélica Adverse, explora a relação entre moda e arquitetura. Suas peças retratam edifícios antigos de Belo Horizonte. Até 08/06, todos os dias da semana - exceto segundas-feiras - das 9h às 18h, na Casa do Baile (Avenida Otacílio Negrão de Lima, 751).

A banda Constantina realiza audição comentada do último álbum do grupo, Pelicano, e bate-papo sobre gestão de projetos de música independente. Quarta (4), às 19h30, no Sesc Palladium (Avenida Augusto de Lima , 420, Centro).

FOTOGRAFIA Apresentação do grupo Trovão das Minas, com participação de Walter França. Domingo (1), às 11h, na praça Dino Barbieri (Avenida Otacílio Negrão de Lima, 3000, Pampulha).

CINEMA

5ª edição do “Festival de Cinema de Futebol - CINEfoot” traz a Belo Horizonte produções audiovisuais sobre futebol. O festival também apresentará homenagens, bate-papos, atividades de formação e exposições. De 30/05 a 04/06, diariamente, das 8h às 21h, no Memorial Minas, Museu das Minas e do Metal, Teatro Oi Futuro e Ponteio Lar Shopping.

Exposição “Luz e Movimento” faz recorte da produção fotográfica do artista Carlos Guilherme, entre os anos 1970 e 1980. Até 08/06, todas as terças, quartas, sextas e sábados, das 10h às 17h30, no Memorial Minas (Praça da Liberdade).

esporte |

Brasileirão antes e pós Copa do Mundo do-lhes a chance de recu-

na geral

perar jogadores lesionados,

Final da NBB é neste sábado

Às 10h10 deste sábado (31) será realizada na Arena da Barra, no Rio de Janeiro, a final do NBB Novo Basquete Brasil, a liga nacional masculina do esporte. Entram em quadra o Flamengo, atual campeão da competição, e o Paulistano, que surpreendeu chegando pela primeira vez à final, mesmo tendo apenas o 10º orçamento da liga. O jogo será transmitido ao vivo pelo SPORTV.

Inscrições para o “Pela- Torcedores argentinos O Campeonato Brasilei- melhorar problemas no esdão” organizados na Copa ro de 2014 começou com as quema tático, contratar noComeçaram as inscrições para a 42ª edição do maior campeonato de peladas do mundo. O “Peladão”, como foi batizado, é um torneio de futebol amador do estado do Amazonas, que chama atenção pelo expressivo número de times inscritos. A edição 2013 chegou a 736 equipes, 23 mil atletas e mais de 2 mil jogos. Além do peladão, categoria principal, o torneio conta com as modalidades peladinho, até 14 anos, master, acima de 40 anos, feminino e indígena (masculino e feminino). Longe do padrão Fifa, em muitos campos, devido ao volume de terra e barro, o uso de chuteiras é dispensado para evitar contusões. Em nenhum dos jogos o público paga, e o financiamento das equipes, em geral, é feito pela famosa “vaquinha” entre amigos, familiares e os jogadores/as.

Membros da Hinchadas Unidas Argentinas (HUA) virão ao Brasil acompanhar a seleção de seu país. A HUA é uma organização não governamental que agrupa torcedores organizados de clubes de todas as divisões do futebol da Argentina. O governo brasileiro pediu às autoridades do país vizinho o envio de dados pessoais de alguns membros da HUA. Teme-se que eles façam parte das “barras bravas”, denominação dada aos torcedores violentos. De acordo com a advogada da HUA, Débora Hambo, não há razões para uma preocupação policial maior com seus integrantes. Ainda segundo a advogada, os torcedores virão ao Brasil com recursos próprios e receberão alojamento de torcidas organizadas brasileiras, como a do Internacional.

principais equipes brasileiras obtendo ótimo desempenho. Ao contrário do Brasileirão de 2013 – ano em que o Cruzeiro ganhou com sobras - o de 2014 vem se mostrando um campeonato bem disputado, com bons jogos, muitos gols e duelos táticos entre os técnicos. É sabido por torcedores e torcedoras que o futebol brasileiro não passa por seu melhor momento técnico. O fato de o Brasil não ter mais representantes na Libertadores (caíram todos antes das semifinais, o que não acontecia há 23 anos) pode servir tanto para evidenciar a queda na qualidade das equipes brasileiras, quanto pode ser um dos principais fatores para que o foco fosse desviado para a principal competição nacional, resultando assim em um bom campeonato. A tendência é que a parada para a Copa do Mundo favoreça os times, dan-

vas pessoas, etc. Fica a torcida para que os times saibam utilizar desta parada em benefício do futebol.

?

? ?

Você Sabia

O “Novo Basquete Brasil”, a NBB, é a competição que substituiu o Campeonato Brasileiro de Basquete a partir de 2008. É organizado no formato de liga, com 18 clubes filiados, e faz alusão ao nome da NBA, a liga nacional de basquete dos Estados Unidos, principal potência mundial do esporte.


16 ESPORTES

Belo Horizonte, de 30 de maio a 05 de junho de 2014 imagem de arquivo

OPINIÃO Atlético

OPINIÃO América

América nas Copas

Se só tem tu, vai tu mesmo Reprodução

Rogério Hilário Contra todos os prognósticos iniciais e, até a semana passada, o descrédito dos comentaristas – apenas o ex-zagueiro tetracampeão mundial Ricardo Rocha, do canal por assinatura SporTV, alertava para a possibilidade de ascensão do time, por causa da qualidade do elenco - o Atlético conquistou quatro vitórias em cinco jogos e ficou a apenas dois pontos do líder. Embora ainda seja cedo para falar em favoritismo, é bom reconhecer a evolução da equipe, ainda que sem Ronaldinho Gaúcho, Jô e Fernandinho, agora definitivamente fora, e mesmo de Guilherme e Otamendi. O argentino Dátolo vem se mostrando um armador eficiente, tanto nos passes quanto nas finalizações. André faz gols decisivos e Diego Tardelli voltou a marcar depois de 15 jogos de jejum. E pensar que, pelo incidente na partida que eliminou o Galo da Copa Libertadores, cogitou-se a saída do meia-atacante. Méritos para o técnico Levir Culpi, antes criticado pela indecisão em escalar e alterar o Galo durante as partidas. Quando se viu privado de 11 jogadores, to-

Reprodução

Bráulio Siffert

dos entregues ao departamento médico, e outros em vias de transferência, renovação de contrato ou contratação definitiva, ele soube usar, como poucos, um ditado português: “se só tem tu, vai tu mesmo”. E, nesta base, foi moldando os remanescentes ao seu estilo, tirou a equipe da zona de rebaixamento e, aos poucos, a levou próximo ao G4. E tem condições de elevá-la ainda mais. Qualquer resultado contra o São Paulo, no Morumbi, na última partida antes do recesso imposto pela Copa do Mundo, não ser-

virá para comprovar ou desmoralizar as afirmações feitas até aqui. Faltarão ainda a complementação do primeiro turno e todo o returno. O Atlético tem muito a evoluir, é consenso, mas potencial não falta, muito menos talento e raça. Também confiança e esperança, que por sinal nunca faltam aos atleticanos. Aliás, a coluna entra em recesso na próxima semana e retorna após a Copa. Por isso, minha despedida é enfática: da Copa, da Copa eu abro mão, eu quero investimento em saúde e educação.

Tradicional berço de craques, o América não podia ficar de fora de ter representantes nas Copas do Mundo. Tostão, um dos mais importantes nomes da conquista do tri de 1970, Éder Aleixo, da memorável porém derrotada seleção de 1982, e Gilberto Silva, campeão em 2002 e participante de 2006 e 2010, começaram no América. Em 2014, o nosso representante – que aliás também esteve em 2006 – será Fred. Uma interessante curiosidade é que também já lapidamos jogador para outra seleção. Trata-se do japonês Nakasawa, capitão do Japão em 2006, que no início da carreira veio para o América e ficou dois anos, conquistando o Mineiro na categoria júnior.

Falta agora chegar uma Copa que o América terá jogador que esteja atuando no América. Nesse ano, o Matheus, de apenas 21 anos, não deixa nada a desejar aos fracos goleiros selecionados.

ataque azul. Vi muitos torcedores atribuírem o mau desempenho cruzeirense à falta de raça, à demora de Marcelo Oliveira em fazer substituições ou à falha do goleiro Fábio no lance do gol. Ler o jogo desta maneira é subestimar o oponente. No segundo tempo, o Corinthians soube anular o Cruzeiro exemplarmente. Repetiu, assim, o feito do San Lorenzo na Libertadores. No texto que escrevi após a eliminação no torneio continental, disse que o estilo do jogo do time estava previsível e que seria preciso se reinventar para voltar a

vencer. Mantenho o que disse. As jogadas com Éverton Ribeiro, Dagoberto, Willian e, principalmente, Ricardo Goulart, estão manjadas, joguem eles bem ou mal. Adversários taticamente disciplinados e que saibam marcar muito bem entram vacinados contra o ataque do campeão brasileiro, que até o ano passado parecia “imparável”, para usarmos as palavras do grande radialista Osvaldo Reis, o Pequetito. Com o recesso para a Copa, Marcelo Oliveira precisa encontrar alternativas, criar novas jogadas (a nossa bola aérea já não é mais uma novidade) e pedir reforços.

OPINIÃO Cruzeiro

Placar imprevisível, jogo previsível

Wagner Carmo/Site oficial do Cruzeiro

Wallace Oliveira Na história do Campeonato Brasileiro unificado, a partida da quarta-feira passada (28) marcou o 58º confronto entre Cruzeiro e Corinthians. O time do Parque São Jorge venceu 22 vezes, o Cruzeiro tem 21 vitórias e os dois empataram em outras 15 oportunidades. O resultado do jogo era imprevisível, não apenas pela tradição. As duas equipes têm pontos fortes que as habilitam a disputar o título. O defensivo que tem tudo para técnico Mano Menezes es- ser, novamente, um dos metá organizando um sistema lhores do Brasil. O Cruzeiro,

por sua vez, perde três pontos, mas a derrota fora de casa não apaga as virtudes do

Edição 40 do Brasil de Fato MG  

PDF da edição 40 do Brasil de Fato Minas Gerais

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you