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Cemig é desmentida

CPI do Mineirão

Respeitável público!

Falta de transparência de contrato entre Minas Arena e Governo de Minas fortalece pedido por CPI do Mineirão. Falta apenas uma assinatura para que investigação aconteça

Mostra Benjamim de Oliveira, no Teatro Oi Futuro, retrata a cultura afro-brasileira e faz homenagem ao primeiro palhaço negro do Brasil

Cemig veicula propaganda enganosa sobre aumento da tarifa de energia elétrica e tenta empurrar para Aneel a culpa pelo reajuste

Edição

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Uma visão popular do Brasil e do mundo

Reprodução

Belo Horizonte, de 17 a 24 de abril de 2014| ano 1 | edição 34| distribuição gratuita | www.brasildefato.com.br | facebook.com/brasildefatomg

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Descaso mantém teatros fechados

Noronha Rosa

Fechados há pelo menos cinco anos, teatros públicos de Belo Horizonte refletem descaso da PBH com a política de cultura municipal. Obras de reforma e restauração chegaram a ficar três anos paradas, sob a justificativa de falta de verba. Problema foi sanado com investimentos de iniciativa privada. Artistas denunciam que parceria pode gerar dificuldades de participação popular e de grupos regionais nos teatros minas | pág. 7

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Tribo luta por sua cultura Flora Rajão

Na semana em que se comemora o Dia do Índio, conheça a história dos Xakriabás. Maior etnia indígena de Minas Gerais, a tribo busca preservar seus costumes a partir de aulas de cultura destinadas a jovens e idosos da comunidade

Geraizeiros encurralados Reprodução

Comunidade tradicional do Norte de Minas, os Geraizeiros sofrem com plantações de eucalipto na região. Seca, doenças e exploração do trabalho têm obrigado as famílias a abandonar suas terras em busca de sobrevivência


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Belo Horizonte, de 17 a 24 de abril de 2014

editorial | Minas Gerais

editorial | Brasil

Liberdade ainda que tardia

Força do dinheiro está substituindo a política

Nos próximos dias ocorrerão dois importantes feriados. A Semana Santa e o Tiradentes. Se nacionalmente já são datas importantes, para Minas, têm um valor a mais. O 21 de abril marca a Inconfidência Mineira; e a Páscoa é importante comemoração cristã, crença que é marca e tradição do povo mineiro. Coincidentemente, neste ano caíram juntos, formando um grande feriadão de cinco dias. Sem dúvida, serão dias de descanso e diversão para grande parte dos brasileiros. Mas, o que mais esses dias podem representar, além da merecida pausa na rotina do trabalho diário? Em uma observação mais atenta, percebe-se que ambas as datas têm muita coisa em comum. A Semana Santa relembra que, há dois mil anos, um judeu da Galileia foi preso, condenado e crucificado por ousar dizer aos poderosos de sua região que outra forma de pensar, agir e viver era possível. Um homem que mobilizou, organizou e representou o seu povo. “Ame ao próximo como a si mesmo” ele disse. Foi assassinado por um Estado que não permitia ser contrariado. Quase 1.800 anos depois, outro homem teve semelhante tra-

Embora quatro ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não tenham votado, a maioria dos membros já deixou claro que predominará o entendimento de que “doações de empresas” a políticos é inconstitucional. Na mesma linha, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou uma resolução proibindo as chamadas “doações ocultas”, procedimento em que empresas doavam recursos para partidos e estes repassavam a seus candidatos sem identificar a origem. Ainda que as decisões contenham avanços, poderão ser burladas pelos grupos econômicos. As campanhas estão virando uma verdadeira corrida do ouro para conquistar o voto do eleitor. Ou seja, as ideias e os programas do candidato estão sendo substituídos pela força do dinheiro. Dados do TSE revelam que dos 513 eleitos para a Câmara, 369 foram os que mais gastaram nas campanhas de 2010. Segundo a Justiça Eleitoral, os gastos declarados saltaram de

Dos 513 eleitos para a Câmara, 369 foram os que mais gastaram nas campanhas de 2010. Segundo a Justiça, os gastos declarados saltaram de R$ 800 milhões para R$ 4,8 bilhões em oito anos.

E hoje? Como são tratados aqueles que pensam diferente? jetória. Um comerciante que viveu em Minas Gerais e que ousou mais uma vez representar os anseios de seu povo. Que ousou ir contra os poderes e as regras estabelecidas. “Liberdade ainda que tardia” dizia ele. Lutou pela independência de sua terra da coroa portuguesa. Igualmente foi preso, condenado e assassinado pelo Estado, por pensar diferente. Jesus de Nazaré e Joaquim José da Silva Xavier. Ambos mártires do povo, mortos por aqueles que detinham o poder. Agora, são reverenciados e, justamente, homenageados. Mas, e hoje? Como são tratados aqueles que pensam diferente? Como são tratadas aquelas que lutam por transformação? Que ousam desafiar o poder? Infelizmente, o Estado e os poderosos seguem agindo da mesma forma. A reação segue sendo a repressão, a criminalização, a violência e a censura. Em Minas, no dia 21 de abril, o Governo homenageia Tiradentes e a Inconfidência. A capital do estado volta a ser Ouro Preto e a Medalha dos Inconfidentes é distribuída pelas mãos do próprio governador. Ao mesmo tempo, Minas Gerais segue dependente, sangrando suas riquezas para as mesmas mãos poderosas de outrora. E o Estado segue tratando com mão pesada o seu povo, impedindo a voz dissidente e matando os sonhos de um mundo melhor. Lembrar dos exemplos do passado para reunir forças. Que o amor e a liberdade sonhados ontem sejam lembrados hoje e se tornem pilares do novo dia que virá.

R$ 800 milhões para R$ 4,8 bilhões em oito anos. Dos 594 parlamentares eleitos em 2010, 273 são empresários, 160 compõem a bancada ruralista, 66 são da bancada evangélica e apenas 91 parlamentares são considerados representantes dos trabalhadores. Porém, na contramão do STF e do TSE, os parlamentares que não querem perder o financiamento das empresas articulam um Projeto de Emenda Constitucional (PEC 352/2013). Através desse projeto, apresentado pelo deputado Cândido Vaccarezza (PT) e outros parlamentares e articulado pelo presidente da Câmara Henrique Alves (PMDB), a Constituição será emendada para permitir o financiamento das empresas. Além disso, propõem o voto distrital e facultativo, fortalecendo as candidaturas dos grandes grupos econômicos. A verdade é que a maioria dos parlamentares não aceita nenhuma mudança que democratize nosso sistema político. Nenhuma mudança ocorrerá num Congresso Nacional cada vez mais controlado pelas empresas e num Poder Judiciário com uma estrutura antidemocrática. Somente uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político pode mudar a situação. Por isso, os principais movimentos sociais estão convocando o Plebiscito Popular, para que de 1 a 7 de setembro o povo possa se manifestar.

O jornal Brasil de Fato circula semanalmente em todo o país e agora também com edições regionais, em SP, no Rio e em MG. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais em nosso país e no nosso estado.

contato..................brasildefatomg@brasildefato.com.br para anunciar : publicidademg@brasildefato.com.br / (31) 3309 3304

conselho editorial minas gerais: Adília Sozzi, Adriano Pereira Santos, Beatriz Cerqueira, Bernadete Esperança, Bruno Abreu Gomes, Carlos Dayrel, Cida Falabella, Cristina Bezerra, Durval Ângelo Andrade, Eliane Novato, Ênio Bohnenberger, Frederico Santana Rick, Frei Gilvander, Gilson Reis, Gustavo Bones, Jairo Nogueira Filho, Joana Tavares, João Paulo Cunha, Joceli Andrioli, José Guilherme Castro, Juarez Guimarães, Laísa Silva, Lindolfo Fernandes de Castro, Luís Carlos da Silva, Marcelo Oliveira Almeida, Michelly Montero, Milton Bicalho, Neemias Souza Rodrigues, Nilmário Miranda, Padre Henrique Moura, Padre João, Pereira da Viola, Renan Santos, Rilke Novato Públio, Rogério Correia, Samuel da Silva, Sérgio Miranda (in memoriam), Temístocles Marcelos, Wagner Xavier. Administração: Valdinei Siqueira e Vinicius Moreno. Distribuição: Larissa Costa. Diagramação: Luiz Lagares. Revisão: Luciana Santos Gonçalves Editor-chefe: Nilton Viana (Mtb 28.466). Editora regional: Joana Tavares (Mtb 10140/MG). Repórteres: Maíra Gomes e Rafaella Dotta. Fotógrafa: Ana Beatriz Noronha. Estagiária: Raíssa Lopes. Endereço: Rua da Bahia, 573 – sala 306 – Centro – Belo Horizonte – MG. CEP: 30160-010.


Belo Horizonte, de 17 a 24 de abril de 2014

Volta a Feira do Mineirinho

Pergunta da semana

IMPASSES Copa do Mundo causa transtorno, mas feira volta para Pampulha Reprodução

Maíra Gomes Roupas, acessórios, artesanato, comidas típicas e shows. A maioria dos belo-horizontinos e mineiros já visitou a tradicional Feira do Mineirinho, há dez anos em funcionamento no estádio. São mais de 450 expositores cadastrados que apresentam seus produtos e tiram o sustento da família dos eventos realizados no local nas noites de quintas e domingos. Desde o dia 30 de março, o evento está novamente fechado, mas com previsão de volta. Durante a realização da Copa do Mundo, a feira será realizada em local provisório, no Espaço Arena BH (Avenida Prof. Clóvis Salgado, Pampulha). Ainda em fase de licenciamento pela PBH, o evento deve voltar no dia 17 de abril, com a mesma estrutura. O megaevento causou muitos transtornos aos trabalhadores. Em abril de 2013, a feira foi fechada para a realização de obras para as Copas das Confederações e do Mundo. Afetando cerca de 4 mil pessoas indiretamente, desde quem trabalha com alimentação até os guardadores de carro, foram sete meses sem trabalho. Em conjunto com o Movimento dos Atingidos pela Copa, o Copac, os trabalhadores realizaram uma série de ações pela volta da Feira. “Fazíamos manifestação duas vezes por semana, em frente ao Mineirinho. Levávamos faixas mostrando a nossa situação para

Cerca de quatro mil pessoas foram afetadas indiretamente pelo fechamento da feira para as obras da Copa

quem passava e cobrávamos dos órgãos um posicionamento”, explica Taine Cevidanes, que vende produtos de moda. “Eles poderiam até fechar pela Copa, mas se fosse apenas no mês do evento mesmo. Fechar a feira por sete meses foi muita covardia. São pessoas de bem que trabalham lá, e ainda tem quem depende da gente. Vai fazendo um efeito dominó”, afirma a fabricante de roupas femininas Maria de Fátima Guimarães Vieira. Lutas e conquistas O grupo participou ativamente das manifestações em junho de 2013, realizou assembleias com expositores, fez manifestações de rua, pedidos de reuniões e até criou uma Associação. Após uma reunião com o então governador

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Antonio Anastasia, obtiveram uma permissão provisória de realização da feira no local de origem. Entre 24 de novembro e 31 de março a feira ocorreu normalmente. Tão normalmente que voltaram a receber visitas de representantes da Prefeitura. “O movimento na volta foi ótimo, parecia que a população estava com saudades. Mas depois do dia 2 de fevereiro, quando fomos interditados em cima da hora, o público nunca mais foi o mesmo”, conta Taine. A PBH alegou falta de alvará para a realização do evento, mas os expositores defendem que há anos fazem a solicitação do documento, mas a falta de regularização é da própria prefeitura. “A prefeitura nunca concedeu o alvará, sempre coloca algum impasse. Mas até hoje nós sobrevivemos na luta”, completa.

A cidade de Belo Horizonte tem tradição cultural. Grupos teatrais, de dança e de diversos tipos de experimentação artística pipocam pelos bairros da cidade. Mas não há tantos palcos por aí. A Praça da Liberdade se mostra como um importante local de concentração de cultura, mas artistas denunciam que gestão privada dos locais impede participação da população. Diversos centros culturais estão descentralizados, mas com poucos recursos e programação escassa. Três teatros públicos estão fechados há mais de cinco anos.

Você acha que a cidade de BH oferece espaços de cultura?

Poderia ser melhor, cuidar mais do que já tem e ter mais. Alguns lugares não tem segurança ou estão em péssimo estado. Eu vou muito na Pampulha levar minhas filhas, porque lá é mais seguro. Vinicius Marcelo da Luz de Almeida, técnico de edificações

Cemig não assume aumento Reprodução

Da redação

Durante vários dias a Cemig veiculou propaganda no rádio, TV e jornais com conteúdo, no mínimo, duvidoso. O anúncio provocou indignação no órgão regulador das tarifas de energia, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A propaganda empurra para o governo federal e para a agência a responsabilidade pelo aumento na tarifa de energia no estado, mas não diz que foi a Cemig quem solicitou aumento de 29,74%. A Aneel aprovou reajuste médio de 14,29%. A tentativa de esconder a verdade foi muito criticada por diferentes segmentos. O diretor geral da Aneel, Romeu Rufino, em coletiva à imprensa afirmou: “olhando o anúncio da Cemig, houve uma desinformação”, e acrescentou: “a

agência não impõe nenhum valor. Ela autoriza a cobrança até um determinado valor”. O PT entrou com liminar no Tribunal Regional Eleitoral alegando uso político do aumento da tarifa

para desgastar o governo federal. A liminar foi negada. No último dia 15, em meio ao conflito, a presidente do Conselho da Cemig, Dorothéa Werneck, renunciou ao cargo sem dar explicações.

Acho muito poucos os eventos e lugares que temos e não são bem divulgados. Deveria ter um site que juntasse as informações sobre cultura na cidade. Eu vou bastante à Praça da Liberdade e assisto a peças de teatro. Diego dos Santos Rodrigues, promotor de vendas


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Atrasos e descaso com teatros públicos em BH FECHADOS Há cinco anos a população de BH não tem teatro municipal Maíra Gomes Integrantes do cenário cultural de Belo Horizonte têm apresentado queixas constantes do descaso com que a administração municipal tem tratado a cultura. A exemplo desse descaso, os poucos teatros públicos existentes na cidade estão fechados há anos. Os teatros Francisco Nunes, Marília e Clara Nunes apresentaram riscos estruturais e foram fechados por questão de segurança. A razão é suficiente para fechar um local público, no entanto, espera-se que seja iniciada assim que possível a reforma dos prédios. Mas não foi o que aconteceu. No dia 3 de abril de 2009, o Teatro Municipal Francisco Nunes foi fechado às pressas pela Defesa Civil por risco de desabamento do teto, com infestação de cupins. Somente três anos depois, em 2012, foi realizada a reforma do teto e o local foi aberto temporariamente para a apresentação do Festival de Arte Negra e do Festival Internacional de Teatro e Dança, o FIT. Fechado novamente, a continuidade da reforma passou para a responsabilidade da Unimed-BH, que investiu R$10 milhões. Prometida a entrega para o fim de 2013, e depois para janeiro de 2014, a administração do Chico Nunes afirma que o local reabrirá em maio, para a realização do FIT. Assim, há cinco anos

Noronha Rosa

o Teatro Chico Nunes está fechado. “Eu já frequentei muito o Chico Nunes. As pessoas gostavam de vir aqui conhecer o teatro, que já tem tradição. Mesmo com outras opções na cidade, um teatro público dentro do parque [o Francisco Nu-

Prometida a entrega para o fim de 2013 e depois para janeiro de 2014, a administração do Chico Nunes afirma que o local reabrirá em maio, para a realização do FIT nes fica dentro do Parque Municipal] faz muita falta. Ficar fechado tanto tempo assim é complicado”, acredita Roberto Marcos da Silva, que trabalha como fotógrafo lambe-lambe no Parque Municipal há 42 anos. Marília fechado Já o Teatro Marília, também de administração municipal, está há dois anos sem funcionamento. Prometida para o fim do ano passado, ainda não foi finalizada a primeira etapa da obra, que compreende a troca das cadeiras e a ampliação da caixa cênica. Segundo a Fundação Municipal de Cultura, ele também será aberto para o FIT. As obras receberão investimentos de R$ 2 milhões da Construtora Caparaó.

“Temos uma história com esses dois teatros. O Marília que é um teatro querido, foi administrado de uma maneira ousada durante as primeiras gestões do PT. E o Chico Nunes está ligado a uma história interessante que o nosso grupo viveu, quando apresentamos ‘Sonho de uma noite de Verão’”, conta Cida Falabela, integrante do grupo Zap 18. Leonardo Lessa, integrante do Grupo Teatro Invertido, denuncia falta de política de cultura na cidade. “Esta situação demonstra uma falta de política estruturante para a cultura e teatro na cidade. O teatro

público não é só uma casa de exibição, é um espaço que reflete a política para a cultura. O descaso, a demora, a falta de compromisso com a política pública de cultura se reflete ali”, declara. Cida acredita que os teatros fechados refletem a posição da administração da cidade com a cultura, principalmente com os grupos de teatro, que mais têm feito oposição à atual gestão. “Não é um ato isolado, apenas reflete um pensamento em relação ao teatro. Não é possível que as reformas tenham demorado esse tempo todo”, questiona.

Empresas ganham muito para investir Os investimentos realizados por empresas privadas nas reformas dos teatros são fruto do programa “Adote Um Bem Cultural”, da Prefeitura de BH. Por meio de isenção de IPTU, a Lei Municipal de Incentivo à Cultura e a transferência do Direito de Construir, as empresas fazem o investimento necessário e têm o direito de fazer publicidade junto ao bem cultural durante a restauração ou na ação periódica de adoção. Em entrevista no fim do ano passado, o prefeito Marcio Lacerda salientou a importância das parcerias privadas. “É importante podermos contar com parceiros empresariais que queiram deixar a sua marca na cultura. Hoje, a visão da empresa moderna está muito vinculada à responsabilidade social, que se

faz por meio da cultura, do esporte e da educação”, diz. Cida Falabela se preocupa com os termos da parceria, ainda não esclarecidos. “Percebemos uma tentativa de privatizar os espaços públicos. É impossível que os patrocinadores não pautem uma relação com os teatros, de exigirem suas pautas na programação, por exemplo”, aponta. Leo Lessa também questiona a parceria. “O Chico Nunes tem importância histórica e a situação é resolvida com a transferência da responsabilidade para a iniciativa privada. É um patrimônio da cidade, e uma cidade rica como a nossa não tem R$10 milhões para investir em seu principal teatro público?”, critica.

A gestora do Teatro Francisco Nunes, Dayse Belico, afirma que a gestão do local segue de responsabilidade municipal, com a gerência da Fundação Municipal de Cultura (FMC). “As gestoras dos teatros Chico Nunes e Marília são servidoras

públicas, concursadas”, declara. No entanto, a gestora não soube precisar qual será o papel das empresas investidoras após o fim das reformas. Até o fechamento da edição, a FMC não respondeu ao Brasil de Fato MG.

Clara Nunes de portas fechadas O Teatro Clara Nunes, conhecido também como Teatro da Imprensa, foi fechado ao público em 2009, por determinação do Ministério Público, para que fosse adaptado às regras de acessibilidade e segurança. Após quatro anos parado, no início de 2013 foi assinado um contrato de concessão entre o Governo de Minas e o Sesc, com prazo de 30 anos. Mesmo após cinco anos, as obras ainda não foram iniciadas. Serão investidos, inicialmente, cerca de R$ 10 milhões para a realização do projeto e para as obras de restauração, revitalização, reabertura e gestão sustentável do imóvel, de responsabilidade do Sesc. A assessoria da empresa informa que os projetos já foram licitados e a empresa contratada para a realização está em fase de desenvolvimento do projeto básico. “A estimativa de prazo para desenvolvimento de projetos, licitação e execução de obra é de 24 meses. O Teatro Sesc Clara Nunes está previsto para ser reaberto, inicialmente, em janeiro de 2016”, responde, em nota.


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Garaizeiros: risco de extinção EUCALIPTO Empresas destroem território de comunidade tradicional, gerando expulsão de famílias Maíra Gomes Há muito, muito tempo vivem no Norte de Minas, à beira de rios, os Geraizeiros. Um povo trabalhador, que tira da terra o seu sustento. O plantio de pequenas lavouras, de tipos diversificados de produção como o milho, feijão, mandioca, cana-de-açúcar, frutas e verduras, alimentam as famílias desses agricultores. Grandes territórios de vegetação natural, o cerrado, são considerados de uso comum para as comunidades, que tiram dali o que a natureza oferece, como pequi, pinha, araticum, mangaba e outros. Ali também a natureza oferece pasto para suas criações e ervas medicinais para as doenças do povo. Estes locais são conhecidos como gerais, e ficam nas chapadas dos territórios. Daí o nome da tradicional comunidade. E esse modo de vida foi colocado em risco por grandes empresas de plantação de eucalipto na região. Alexandre Gonçalves, da Comissão da Pastoral da Terra em Montes Claros, explica que é justamente nos locais conhecidos como gerais onde são instaladas as plantações de eucalipto. Além de perder o território de pastagem e colheita de frutos naturais, os Geraizeiros sofrem com a falta de água. Alexandre conta que a chapada funciona como uma esponja, que absorve a água da chuva e alimenta as nascentes e mananciais. Plantando eucalipto justamente ali, a água vai toda parar nas folhas do eucalipto, secando os rios. Sem a absorção da água, a chuva escorre pelos tabuleiros (morros entre a chapada e a baixada dos riachos) levando tudo para os rios, di-

minuindo o nível da água, fenômeno conhecido como assoreamento. “Por causa do eucalipto, a água desce direto e vai levando tudo, inclusive a plantação de árvores nativas”, conta Antônio Rodrigues da Silva, diretor do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Taiobeiras. A própria comunidade faz pequenas barragens nos rios para acumular água no tempo de estiagem, que chega a durar nove meses na região. Antônio explica que o assoreamento tem acabado com essas barragens, impossibilitando o acúmulo de água. “Enquanto não replantar as beira dos rios e parar com o assoreamento, nada vai aguentar tanta enxurrada descendo, tudo vai entupir de terra”, conclui. Veneno nas águas São jogadas quantidades enormes de agrotóxico nas plantações. “Eles jogam pra matar insetos que prejudicam a plantação, e também jogam veneno para matar o que eles chamam de praga, que na verdade é a mata nativa, como o pequi e outras”, conta o geraizeiro Adair Pereira de Almeida, morador de Grão Mogol e militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Todo o veneno aplicado nas plantações desce junto com a água e o assoreamento, para os rios e plantações. “Tem muita gente com doenças que ainda não conseguimos identificar”, declara o geraizeiro. Outro veneno trazido pelos eucaliptos é o calcário, jogado na terra para agilizar o crescimento das árvores. “Calcário é bom pra terra, mas na quantidade certa. Da forma como eles jogam lá, está matando a terra, que depois não vai servir pra

Reprodução

Eucaliptos sugam a água da chapada e população perde espaço de colheita

mais nada”, acredita Antônio. Trabalho com eucalipto “Muita gente trabalha nos eucaliptos, mas os salários são muito baixos e já teve até denúncia de trabalho escravo”, conta Adair. Os empregos oferecidos pela indústria do eucalipto são temporários, apenas em época de plantio ou colheita, contando sete anos de desemprego entre os períodos. Ainda assim, o militante explica que a modernização da colheita tem tirado vagas de empregos. “E agora estão usando uma máquina que corta as árvores e divide o galho em pedaços, e outra que carrega o caminhão”, diz Adair, que afirma terem sido demitidos cerca de cem funcionários da empresa Minas Liga para serem trocados pelo maquinário. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Antônio, reforça a falta de direitos dos traba-

lhadores do setor, que não deixam de ser agricultores. “Rapidamente são demitidos, e acabam não tendo direito a uma série de benefícios a que os trabalhadores rurais têm acesso”, denuncia. Fim dos geraizeiros “Há vinte anos tinha uma fartura danada. Hoje o rio já secou, não dá pra viver como antes. Agora é um Bolsa-Família, que dá pra comprar um caderno pra criança, uma roupa. E vai se mantendo disso aí. Tem quem viva de uma pequena agricultura, mas são poucos”, conta o agricultor Antônio. As dificuldades de sustento, trabalho e qualidade de vida têm gerado um forte movimento de migração das famílias geraizeiras. “Tem gente da minha família no Mato Grosso, Paraná, em São Paulo. Por causa que não dá mais pra viver aqui”, lamenta Adair.

Trabalhadores da mineração iniciam campanha salarial Thiago Alves De Congonhas O Sindicato dos Metalúrgicos de Congonhas (Metabase) começou a campanha salarial dos cerca de 4.300 trabalhadores da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e da Namisa, que tem a CSN como acionista majoritária e 40% de participação de grandes siderúrgicas asiáticas como a Nippon Steel, JFE Steel, Posco, Sumitomo Metal, Kobe Steel e Nisshin Steel.

Segundo Jesus Oliveira, diretor do Metabase, desde a privatização, ocorrida em 1993, a categoria teve perda salarial de mais de 40%. “Além disso, houve perda de quase todos os benefícios que tínhamos antes da venda da empresa, que tem hoje um acumulado de receita líquida de R$ 17,3 bilhões”, afirma. Com o mercado japonês e sulcoreano garantido, a CSN vem crescendo sua produção e aumentando o faturamento. Somente no 4º trimestre de 2013, o lucro chegou a

R$ 4,9 bilhões. Para 2014, a estimativa é produzir 44 milhões de toneladas, 99% para exportação. “Mesmo com estes resultados, se a gente não colocar todo ano na pauta questões básicas como transporte, alimentação, equipamentos de segurança no trabalho, por exemplo, a tendência é piorar a condição do trabalhador”, denuncia Jesus. O sindicato espera que outros setores da sociedade se envolvam na campanha, que deve durar mais de quatro meses. Além das ques-

tões trabalhistas, a CSN enfrenta denúncias constantes de desmatamento e destruição de nascentes. É acusada ainda de ser a grande responsável pela poluição atmosférica, visível a qualquer pessoa que visita Congonhas, além de irregularidades no aumento da capacidade da barragem de rejeito da empresa que, segundo denúncias feitas ao Ministério Público, pode romper a qualquer momento, causando grande dano social e ambiental à região do Alto Paraopeba.


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Índios assassinados e feitos escravos DITADURA Relatório demonstra que governo cometeu crimes de morte, tortura e roubo Rafaella Dotta Há 47 anos, o Brasil vivia em intensa violência contra os índios. Torturas, abusos sexuais e escravidão vinham do setor que menos se esperava: o Serviço de Proteção ao Índio (SPI), feito para defender os interesses indígenas. De acordo com relatório feito em 1967 e descoberto no ano passado, o governo brasileiro era o próprio malfeitor dos índios. O “Relatório Figueiredo” foi elaborado por uma comissão instituída pela Presidência da República e percorreu os 130 Postos do SPI, em 18 estados do país. A investigação, coordenada por Jader Figueiredo, resultou em um documento com 7 mil páginas e um depoimento comovido com a desumana condição dos índios. “É espantoso que existe na estrutura do país repartição que tenha descido a tão baixos padrões de decência. (...) Venderam-se crianças indefesas para servir aos instintos de indivíduos desumanos. Torturas contra crianças e adultos, em monstruosos e lentos suplícios. (...)

André Campos

No caso da mulher, torna-se mais revoltante porque as condições eram mais desumanas”, consta um trecho. Dezenas de jovens índias e caboclas foram abusadas sexualmente por funcionários da SPI, muitas vezes dentro da própria repartição do governo. As mulheres feitas escravas davam à luz e, em vários casos, iam para o trabalho da roça um dia após o parto, proibidas de levarem consigo o recém-nascido. Ação contra a tortura A Comissão Nacional da Verdade pretende aprofundar investigações no tema. Maria Rita Kehl, que é coordenadora do grupo de Violações de Direitos Humanos contra Camponeses e Indígenas, criado em novembro de 2012, está visitando as tribos indígenas que sofreram com torturas feitas por funcionários do governo, entre 1946 a 1988. O objetivo é recolher o maior número de casos e anexá-los ao relatório final a ser entregue à Presidência da República. Minas Gerais também terá investigações. Aqui estava situado

Denúncias apontam o Reformatório Agrícola Krenak, em Minas Gerais, como centro de tortura de índios durante o regime militar

um reformatório para índios, que recebeu cerca de cem prisioneiros de 11 estados do Brasil. O Reformatório Krenak, em Resplendor, no Vale do Rio Doce, foi criado em 1969 e era um centro de trabalhos forçados. São muitas as denúncias de assassinatos e torturas a índios, que eram presos por saírem das normas adotadas pelo órgão do governo, como ir à cidade e

tomar pinga, ou por reagirem a crimes cometidos contra a sua tribo. Betinho Duarte, integrante da Comissão Estadual da Verdade, declara que o tema será investigado. Para ele, os ataques contra índios são bem maiores do que os já relatados e, com a investigação, pode-se caminhar para “construir a verdadeira história do nosso povo”.

Pluralidade e participação popular na comunicação são eixos de debate Reprodução ALMG

Maíra Gomes Nos dias 10 e 11 de abril, o Ciclo de Debates Comunicação, Regulação e Democracia realizado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais recebeu especialistas de todo o país. Especialista em regulação da atividade cinematográfica e audiovisual, Gustavo Gindre afirmou que a comunicação no Brasil já é regulada diariamente, de forma privada, pelas grandes corporações, sem a participação da sociedade civil. “Hoje são esses grandes conglomerados que dominam a comunicação. As organizações Globo faturaram, em 2012, R$ 12,5 bilhões, mais do que Record, SBT, Band, CNT, Uol, Folha de S. Paulo e Rede TV! juntas”, disse. Em apresentação do Projeto de Lei de iniciativa popular que regulamenta a comunicação social no Brasil, a coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, Renata Mielli destacou que “a Constitui-

ção de 88 fala sobre a regulamentação, mas não dá o ‘como’. E essa é a proposta do Projeto de Lei (PL). Como é concessão pública, as TVs devem cumprir regras e ter utilidade pública”, explicou. A força e o papel da comunicação pública permearam todo o debate. O professor do Departamento de Ciência Política da UFMG Juarez Rocha Guimarães

apontou que a opinião pública tem sido influenciada pelas grandes corporações de comunicação no país. “Quem grita está secando a voz dos muitos que não têm condição de gritar”, disse. Marco Civil da Internet Todos os participantes defenderam o Marco Civil da Internet para assegurar a liberdade

de expressão, a democratização do acesso à informação e a privacidade dos usuários, mas também admitiram que alguns pontos ainda precisam ser melhorados. Gindre citou o exemplo da regra da neutralidade da internet. O novo marco civil determina que os provedores não poderão limitar o acesso do usuário a qualquer conteúdo disponível na rede. De acordo com a coordenadora do Intervozes Coletivo Brasil de Comunicação Social, Bia Barbosa, a comunicação pública fundamenta-se em três elementos estruturantes: a autonomia, a programação e a participação social. Segundo ela, para serem públicas, as emissoras não podem ser dependentes do mercado ou de publicidade para se sustentarem. “Hoje as emissoras do campo público são financiadas pelo orçamento de governos estaduais, mas vários países já adotam mecanismos de financiamento independente”, explicou a jornalista.


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Xakriabás apostam em educação para preservar seus costumes INDÍGENAS Escolas contam com aulas de cultura, mas ainda falta muito a ser feito Marcela Viana Xakriabá significa bom de remo. O nome foi dado pelo fato de esse povo percorrer das margens do Rio Tocantins ao Rio São Francisco, no Norte de Minas, onde hoje se situam, ocupando um espaço de mais de 50 hectares. Da mistura com escravos negros que ali habitavam, surgia o povo Xakriabá. Hoje a língua falada é o português e o contato cada vez mais próximo com a sociedade tem dificultado a preservação da cultura desse povo, como explica a assistente social do Centro de Referência de Assistência Social Xakriabá (Cras), Daniela Soares. “Se por um lado a modernidade traz melhorias de vida para os indígenas, por outro, é preciso estímulo para que, principalmente, os jovens, não abandonem suas aldeias e costumes”, afirma. Os Xakriabás são a maior etnia indígena de Minas Gerais e seu território se divide em mais de 32 aldeias. Recentemente foi implantada a disciplina “Cultura Xakriabá” nas escolas da reserva, voltada para a culturalétnica e para a preservação da memória e da identidade indígena local. Formada em Ciências Sociais pela UFMG, a índia Célia Xakriabá recen-

temente retornou à sua aldeia para lecionar a matéria aos demais índios, com foco na pintura corporal. “Essas preocupações com a identidade histórica e cultural do meu povo

CRAS Indígena

Crianças xacriabás em oficina

“Manter viva a história dos Xakriabás é determinante para a conquista de seus direitos e para sua própria existência” e a relação desse tema com a pintura corporal é uma característica nossa e que mostra nossa relação com a espiritualidade, uma das marcas do nosso sentimento de pertencimento”, comenta. A educação com a finalidade de preservar o povo não se restringe apenas aos mais novos. O Cras Xakriabá, que é o primeiro exclusivamente indígena do país, surgiu em 2008 e promove encontros entre os idosos, para reafirmarem sua cultura. “As oficinas de convivência são momentos em que há uma troca de experiência entre os participantes e também é uma oportunidade desses índios resgatarem sua história”, conta Célia. Há 12 anos vivendo na reserva, a assistente social Daniela destaca que

há muitas questões sociais e estruturais para se considerar na garantia dos direitos indígenas, mas é preciso investir em educação e conscientizar sobre a importância do saber. “Manter viva a história dos Xakriabás é determinante para a conquista de seus direitos e para sua própria existência”, destaca. Diálogo com o executivo No dia 14 de abril, uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais reuniu representantes de etnias indígenas do estado para cobrar do governo esclarecimentos sobre a Resolução 2.442/13, da Secretaria Estadual de Educação (SEE). A norma prevê o reajuste do qua-

dro de funcionários da rede estadual de educação básica, visto que algumas escolas apresentam déficit e outras, excesso de profissionais. Mas em muitas escolas indígenas o impacto foi negativo. Só na escola Xakriabá, cerca de 50 funcionários foram dispensados e houve paralisação das atividades. De acordo com a representante da SEE, Soraya Hissa de Siqueira, o governo pretende manter o diálogo com as lideranças indígenas e promover as alterações solicitadas para o funcionamento das escolas nas aldeias. Segundo Soraya, já está sendo feito um levantamento para elaborar uma resolução construída com a consulta direta aos indígenas.

Falta uma assinatura para CPI do Mineirão Da redação Falta apenas uma assinatura para que a CPI do Mineirão saia do papel. Os deputados Marques Abreu (PTB) e Mário Henrique Caixa (PCdoB) assinaram, em 9 de abril, o documento que pede pela abertura de investigação do contrato entre o Governo de Minas e a empresa Minas Arena, consórcio que venceu licitação e gerencia o Mineirão atualmente. Com os nomes dos deputados, o requerimento totaliza 25 assinaturas das 26 necessárias. Assim, os deputados da oposição ainda tentam convencer um novo colega de bancada. Pelo contrato, o Governo é obrigado a cobrir as perdas da Minas Arena quando o consórcio registrar prejuízo. Devido à cláusula, a empresa recebeu - só no ano passado - R$ 44,4 milhões do Estado. A CPI pretende investigar tam-

bém licitações e obras no Mineirão e Independência, revelar contrato firmado entre Minas Arena e Cruzeiro, além de acordo feito entre América e Atlético. A oposição é formada por três partidos, PT, PRB E PMDB. Apenas dois deputados do PMDB não assinaram o pedido, Tony Carlos e Leonídio Bolças. Da base, foram três os deputados favoráveis à CPI, Fred Costa (PEN), Marques Abreu (PTB) e Sargento Rodrigues (PDT).

Entenda melhor A Assembleia Legislativa é composta por 77 deputados e apenas 23 são de oposição ao Governo de Minas. Para instaurar a CPI são necessários 26 parlamentares, portanto, os deputados da oposição devem conseguir votos de três deputados governistas, ou seja, aliados ao Governo do Estado.


08 | opinião

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Foto da semana

PARTICIPE Viu alguma coisa legal? Algum absurdo? Quer divulgar? Mande sua foto para redacaomg@brasildefato.com.br.

Liliam Daniela

Acompanhando

Na edição 33... Funcionários da prefeitura indignados com salários e condições de trabalho ....E agora

Reconhecido como Patrimônio do Estado de Minas Gerais pelo IEPHA, o Bejamim Guimarães é o único barco a vapor em funcionamento no mundo. Ele navega semanalmente por 28 quilômetros nas águas do Rio São Francisco, visitando comunidades ribeirinhas e pescadores na cidade de Pirapora. Foto da leitora Liliam Daniela

Pe. Jaldemir Vitório

Frei Betto

Semana Santa – entre turismo e religião

Criminalizar adolescentes?

A Semana Santa agrada a gregos e troianos. Desconheço quem a questione, apesar de ser instituição ligada à Igreja Católica. Para um grupo sempre crescente, é tempo de turismo. O feriado de Tiradentes, neste ano, tornará a semana ainda mais longa. As praias e os lugares de diversão e recreação ficam superlotados. As reservas devem ser feitas com muita antecedência para não se perder a chance! Equivoca-se quem pensa serem os “ateus” os “profanadores” desse tempo santo. Muita gente com prática religiosa regular e ligada às igrejas deixa de lado a fé para se esbaldar no “feriado prolongado”, pois ninguém é de ferro. Entretanto, não falta quem transforme a Semana Santa em momento de reflexão e de penitência, sintonizando-se com a paixão de Jesus. A religiosidade popular católica centra-se no emocional, focada na Sexta-feira Santa. O cume é a encenação da morte de Cristo, geradora de sentimentalismo e, até, de lágrimas. A queima do Judas, em quem se descarregam todas as insatisfações e negatividades, faz parte desse cenário religioso. Um pequeno grupo de cristãos conscientes, porém, compreende tratar-se do mistério central de sua fé e se empenha por vivê-la à luz da Páscoa de Jesus. Contemplando a paixão, morte e ressurreição, sentese interpelado pelo Mestre, cuja morte violenta resultou do engajamento para construir o mundo da fraternidade, querido pelo Pai. A Semana Santa transforma-se, então, em oportunidade para renovar o compromisso batismal e reafirmar a certeza de valer a pena colocar-se na contramão da injustiça, mesmo com o risco de ser martirizado. A ressurreição começa aqui! Prof. Dr. Pe. Jaldemir Vitório SJ é reitor da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE – BH)

Voltou à pauta do Congresso, por insistência do PSDB, a proposta de criminalizar menores de 18 anos via redução da maioridade penal. De que adianta? Nossa legislação já responsabiliza toda pessoa acima de 12 anos por atos ilegais. Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, o menor infrator deve merecer medidas socioeducativas, como advertência, obrigação de reparar o dano, prestação de serviço à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade e internação. Nos 54 países que reduziram a maioridade penal não se registrou redução da violência. A Espanha e a Alemanha voltaram atrás na decisão de criminalizar menores de 18 anos. Hoje, 70% dos países estabelecem 18 anos como idade penal mínima. O índice de reincidência em nossas prisões é de 70%. Não existe, no Brasil, política penitenciária, nem intenção do Estado de recuperar os detentos. Uma reforma prisional seria tão necessária e urgente quanto a reforma política. As delegacias funcionam como escola de ensino fundamental para o crime; os cadeiões, como ensino médio; as penitenciárias, como universidades. O ingresso precoce de adolescentes em nosso sistema carcerário só faria aumentar o número de bandidos, pois tornaria muitos deles distantes de qualquer medida socioeducativa. Ficariam trancafiados como mortos-vivos. Já no sistema socioeducativo, o índice de reincidência é de 20%, o que indica que 80% dos menores infratores são recuperados. Nosso sistema prisional já não comporta mais presos. No Brasil, eles são, hoje, 500 mil, a quarta maior população carcerária do mundo. Perdemos apenas para os EUA (2,2 milhões), China (1,6 milhão) e Rússia (740 mil). Leia a íntegra deste artigo em www.brasildefato.com.br Frei Betto é escritor, autor de “Diário de Fernando – nos cárceres da ditadura militar brasileira” (Rocco), entre outros livros.

Os Agentes Comunitários de Saúde (ACS), Agentes de Combate a Endemias (ACE) e Agentes Sanitários da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) realizaram assembleia na terça-feira (15). A categoria decidiu manter o estado de greve até o dia 20 de maio, data estipulada pela prefeitura para o pagamento em atraso - da Bonificação para Cumprimento de Metas, Resultados e Indicadores (BCMRI). Os agentes de saúde decidiram também pela suspensão imediata das atividades caso a prefeitura descumpra novamente os prazos para pagamento da bonificação. Na edição 31.... Lei sancionada por Aécio prejudica 70 mil ... E agora O Conselho Geral do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE) se reuniu no dia 12 de abril para discutir estratégias de enfrentamento aos problemas gerados pela sanção da Lei 100. O Conselho Geral aprovou propostas para dar direcionamento ao trabalho do Estado: ação de danos morais contra os responsáveis por colocar a categoria na situação atual; denúncia de improbidade administrativa; intensificar a pressão sobre o Governo do Estado referente à questão previdenciária; realização de assembleias locais; Encontro Estadual de funcionários da educação; maior cobrança pela nomeação de funcionários concursados e maior transparência do Governo em relação ao número de cargos vagos na rede estadual.


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entrevista | 09

“Percebi que a literatura não falava do trabalhador” Mariana Desidério Os trabalhadores brasileiros, que tomam ônibus e batem cartão, não são retratados em nossa literatura. É o que diz o escritor Luiz Ruffato, um dos principais nomes da nossa produção nacional atualmente. Vindo de uma família pobre, foi justamente essa ausência que fez com que Ruffato decidisse pela escrita. “Me dei conta de que as pessoas que eu conhecia não apareciam na literatura”, diz. Dessa inquietação surgiu “Inferno Provisório”, série de cinco livros sobre a classe trabalhadora brasileira. Mineiro de Cataguases, Ruffato vive em São Paulo desde os anos de 1990. A vida paulistana também mereceu a atenção do escritor, através de “Eles eram muitos cavalos”. A obra, que foi publicada em 2001, recebeu prêmios e trouxe reconhecimento ao autor – já foi publicada em outros seis países. Nesta entrevista ao Brasil de Fato, Ruffato discute o cenário literário atual e critica a falta de qualidade da educação. “É muito mais fácil manter uma população ignorante.” O seu último livro, “Domingos sem Deus”, encerra uma série que fala sobre a classe trabalhadora brasileira. Por que resolveu escrever sobre esse tema? Para responder isso eu tenho que explicar um pouco a minha biografia. Eu nasci em Cataguases, no interior de Minas Gerais. Meus pais eram filhos de imigrantes italianos e portugueses. A minha mãe era lavadeira de roupas, era analfabeta, e meu pai era pipoqueiro, semianalfabeto. Eles moravam na periferia da cidade. Eu nasci e cresci em bairros operários. Trabalho desde os seis anos de idade, trabalhei como operário têxtil, como torneiro mecânico.

“Me dei conta de que a literatura brasileira não trata das pessoas que eu conhecia, das pessoas com quem eu convivi no bairro operário” E como isso te levou a escrever a série? Eu comecei a estudar jornalismo em Juiz de Fora, que é uma cidade próxima a Cataguases. Foi aí que me dei conta de que a literatu-

Rafael Stedile

como escritor. E em relação à leitura? O grande problema que nós enfrentamos ainda é que temos um índice de leitura de quatro livros por ano, o que é ridículo. Temos um sistema de educação péssimo. O Estado não cumpre minimamente esse papel. E não é deste governo, é em todos os governos. Ninguém até hoje teve interesse em possibilitar uma educação de qualidade, porque é muito mais fácil manter uma população ignorante, é mais fácil de manipular.

“A sociedade brasileira é tão cruel com quem vem de baixo que, mesmo no caso de escritores que nasceram na classe média baixa, a primeira coisa que eles fazem para serem aceitos na sociedade é fingir que nunca foram pobres.”

O escritor Luiz Ruffato

ra brasileira não trata das pessoas que eu conhecia, das pessoas com quem eu convivi no bairro operário. Nesse momento, surgiu a ideia de pensar em escrever um dia. Mas isso demorou. Por que você acha que essas pessoas não eram retratadas na literatura? Por dois motivos muito simples. O primeiro é que os escritores, em geral, são de classe média alta, portanto não conhecem essa realidade. A literatura brasileira tem muito bandido, isso a classe média alta conhece e até romantiza. Mas o trabalhador, aquele que pega ônibus, que bate cartão, esse cara a classe média alta não conhece. O segundo motivo é que a sociedade brasileira é tão cruel com quem vem de baixo que, mesmo no caso de escritores que nasceram na classe média baixa, a primeira coisa que eles fazem para serem aceitos na sociedade é fingir que nunca foram pobres. De onde vieram as histórias de “Eles eram muitos cavalos”? O escritor escreve a partir da sua experiência. E a experiência é uma coisa muito ampla. Pode ser você ouvir uma história, ver uma história ou vivenciá-la. O que eu trouxe para “Eles eram muitos cavalos” é um pouco da minha experiência

“Temos um sistema de educação péssimo. O Estado não cumpre minimamente esse papel. E não é deste governo, é em todos os governos.” como uma pessoa que gosta de caminhar pela cidade. Não tenho carro, portanto ando muito de ônibus e de metrô. E também fico muito atento a escutar. Às vezes, a conversa dos outros. Agora, com o celular, é uma maravilha. Como você avalia o momento da literatura brasileira hoje? A gente está vivendo o melhor momento da literatura brasileira em termos de produção. Há 20 anos não havia uma literatura que se passasse no Centro-Oeste ou no Norte do país. Hoje acho que todas as regiões estão contempladas. Também temos quase que meio a meio mulheres e homens escrevendo. E ainda temos literatura sendo feita nas mais diversas camadas sociais. Mas existem lacunas impressionantes, que são fruto da extrema desigualdade do Brasil, por exemplo, uma literatura produzida por indígenas que não seja literatura infantil e mais presença do negro

A literatura brasileira está ganhando mais espaço lá fora? Não. Isso é uma ilusão. A literatura é política. Uma literatura só tem importância se o país no qual ela é produzida tem importância. A literatura de língua inglesa hoje é a maior, tem hegemonia. Mas não é porque ela é melhor, é simplesmente porque os EUA e a Inglaterra mandam no mundo, portanto a literatura deles acaba também sendo hegemônica. Quando você decidiu ser escritor? Acho que foi no momento em que comecei a ler a literatura brasileira com um olhar mais crítico e percebi que ela não retratava esse universo que eu conhecia, isso foi quando eu entrei na faculdade de jornalismo, na década de 1980. Foi uma decisão política. Mas, veja bem, essa decisão política não pode prescindir de uma decisão estética. Eu nunca abri mão disso. Por isso que eu nunca admiti ser reconhecido como um escritor de literatura social, ou literatura política, ou literatura proletária. Porque os brancos de classe média alta fazem literatura com L maiúsculo, e todo o resto faz literatura negra, literatura marginal, literatura feminina, literatura gay. Eu nunca caí nessa armadilha.


10 | brasil

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Documentário apresenta alternativa ao uso de venenos AGROECOLOGIA Um dos maiores cineastas brasileiros lança filme sobre alimentação Da Redação do Brasil de Fato

Será lançado no Rio de Janeiro nesta semana “O Veneno está na mesa II”, do cineasta Silvio Tendler. O documentário quer alertar a população de que há alternativas viáveis de produção de alimentos saudáveis que respeitam a natureza, os trabalhadores rurais e os consumidores. Tendler explica que o filme será dividido em duas partes para explicar o perigo da presença de agrotóxicos na mesa e no campo. “A primeira vai mostrar os problemas desse modelo de agricultura. Hoje você tem entidades científicas respeitadas que não hesitam em afirmar que há elementos cancerígenos nos agrotóxicos. A segunda e maior - parte mostra pessoas que lutam para preservar a natureza e garantir o alimento de todo mundo, com qualidade de vida”, disse. Segundo Valéria Carvalho, pes-

Reprodução MST

quisadora da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, da Fiocruz, “O Veneno está na Mesa II”

O documentário avança na desconstrução do mito, pautado pelos interesses do agronegócio, de que a utilização de venenos é a única via para garantir a alimentação na mesa da população dá continuidade às reflexões proporcionadas pelo primeiro documentário e avança na desconstrução do mito, pautado pelos interesses do agronegócio, de que a utilização de venenos é a única via para garantir a alimentação na mesa da população. “O uso de veneno na produção

Silvio Tendler é diretor de mais de 40 filmes

da alimentação, e toda proposta do modelo de desenvolvimento hegemônico, traz consequências graves e inaceitáveis para a saúde da população, no que diz respeito a todos os aspectos que constituem o conceito ampliado de saúde”, criticou. O primeiro filme seguiu um caminho alternativo de exibição através da Campanha Permanente

Contra os Agrotóxicos e Pela Vida. Alan Tygel, coordenador da campanha no Rio, diz que o Brasil tem que começar a questionar o modelo que privilegia o agronegócio. “O povo brasileiro não pode mais engolir essa história de que o agronegócio é a modernidade no campo. Ele gera câncer, trabalho escravo, e manda todo seu lucro para o exterior”, analisou.

Programa “Outras Palavras”

Acompanhe todos os domingos, de 7 às 7h30, na TV Band, o programa “Outras Palavras”, veiculado semanalmente pelo Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG). O objetivo do Sind-UTE/MG é promover, por meio desse canal, uma ampla discussão sobre a educação pública em Minas Gerais, na visão dos educadores.

Outras Palavras

Além do Educação em Debate, teremos os quadros: Agenda, Momento CUT Minas e o Humor na Educação. Fique ligado no programa Outras Palavras!

Abril/2014

Filiado à

www.sindutemg.org.br


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brasil | 11

Tortura não dá cadeia no Brasil ANISTIA Lei livra agentes da ditadura de punição, mas Congresso tenta mudar situação Pedro Rafael Vilela De Brasília (DF)

Na semana passada, a Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal aprovou projeto de lei que revisa a Lei da Anistia, de 1979. A norma serviu para perdoar crimes “políticos” cometidos entre 1961 e 1979, inclusive atos de sequestro, tortura, assassinato e ocultação de cadáver cometidos contra opositores do regime militar. Para o autor do projeto, senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), a Lei de Anistia foi fruto de um acordo político necessário para trazer de volta ao Brasil os exilados políticos, mas o contexto histórico agora é outro. “É necessário revisar a lei, porque não podemos continuar a ter na nossa ordem jurídica uma lei que admite anistiar torturadores”, afirmou no dia da aprovação do seu projeto. A pro-

Agência Brasill

posta do senador ainda será examinada em duas comissões antes de seguir para a Câmara dos Deputados. Membro da Comissão de Anistia e titular da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, o deputado federal Nilmário Miranda (PT-MG) é um especialista no tema. Ele explica que os crimes cometidos por agentes da ditadura, entre eles sequestro e o desaparecimento de corpos, não podem prescrever, ou seja, não deixam de ser crimes mesmo passados mais de 30 anos. “O futuro da tortura no Brasil depende da revisão da anistia. Essa lei diz que tortura é um crime menor no país. Enquanto no munJovens denunciam torturadores impunes em escrachos do inteiro a tortura é considerada um mal absoluto, aqui ela não dá cadeia”, denuncia. O raciocínio de Nilmário Miranda é o mesmo da deputada Luiza Erun- posta exclui os crimes cometidos por xam de ser “perdoados” pela anistia e dina (PSB-SP), que tem um proje- agentes da ditadura da lista de crimes a Justiça poderá processar os acusato na Câmara sobre o assunto. A pro- políticos. Dessa forma, esses atos dei- dos por crimes de lesa-humanidade.

STF: impunidade ou Justiça? Levante da Juventude do Pará

Internet: senadores mantêm texto do marco civil Reprodução Camara

Está nas mãos do Supremo Tribunal Federal (STF) o poder de decidir sobre a validade da anistia para crimes da ditadura. Em 2010, o Tribunal rejeitou uma ação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que pedia a revisão da lei da anistia, de forma a garantir punição aos torturadores. Por causa disso, o Brasil passou a descumprir tratados internacionais dos quais é signatário. Um deles é o Tratado de Roma, de 1997, que criou o Tribunal Internacional. Por este acordo, são considerados crimes de lesa-humanidade o desaparecimento forçado de pessoas, tortura sistemática, estupros e crimes de guerra. A Corte Interamericana de Direitos Humanos chegou a condenar o Estado brasileiro, em 2010, justamente por não processar os acusados desses crimes.

O Ministério Público Federal (MPF) tem 74 procedimentos abertos no país para investigar crimes cometidos por agentes da ditadura. Em algum momento, esses processos devem chegar ao STF e os ministros terão de se posicionar novamente. A própria OAB também tem um recurso pendente de julgamento no tribunal. Além disso, a Comissão Nacional da Verdade deve apresentar em seu relatório final, que será entregue em dezembro, uma recomendação para revisão da lei de anistia. “A nação vai se perguntar: vai ficar por isso mesmo? Responsabilizar torturadores, mesmo que sejam pessoas que já morreram, pode influenciar o país a considerar tortura um crime de lesa-humanidade”, aponta o deputado Nilmário Miranda (PT-MG).

Pedro Rafael Vilela de Brasília (DF)

O texto do projeto de lei que institui o marco civil da internet foi mantido nas duas comissões do Senado que examinam o tema. Os relatores Zezé Perrela (PDT -MG) e Vital do Rêgo (PMDB-PB) fizeram apenas ajustes de redação da proposta aprovada na Câmara. Dessa forma, ficam mantidas as

garantias de neutralidade da rede e direitos dos usuários. Os relatórios ainda precisam ser aprovados nas comissões antes de seguir para o plenário, o que será feito na semana que vem. Mesmo assim, a sociedade civil acredita na aprovação final no próximo dia 22. “É fundamental que os senadores entendam a importância de aprovar o texto sem alterações”, avalia Bia Barbosa, da coordenação do coletivo Intervozes.


12 | mundo

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Agora na Câmara, ex-líderes estudantis propõem cortar salário CHILE Projeto de lei que também prevê fiscalização dos gastos do parlamento, foi criticado por conservadores e socialistas Mal assumiram como deputados da Câmara chilena, dois ex-dirigentes estudantis eleitos em dezembro de 2013 esquentaram os debates após propor a redução do salário dos legisladores. Na última semana, Giorgio Jackson, do movimento Revolução Democrática, e Gabriel Boric, da Esquerda Autônoma, protocolaram o projeto de lei. No texto, eles pedem o corte pela metade do pagamento dos deputados e fiscalização dos gastos do parlamento. Atualmente, um deputado chileno recebe 8 milhões de pesos (R$ 32 mil) e outros 13 milhões para os chamados gastos operacionais (entre pagamento de assessores e gastos com viagens e outros, que configuram outros R$ 53 mil). O projeto dos jovens deputados

pretende reduzir o salário pessoal para 4 milhões de pesos (R$ 16 mil) e criar uma espécie de tribunal de contas, onde cada deputado terá que comprovar os gastos operacionais. A origem do projeto está em “entender que em um país apontado por organismos internacionais como um dos que tem maior brecha entre ricos e pobres, os parlamentares devem mostrar maior compromisso com o combate à desigualdade”, explicou Gabriel Boric. O projeto gerou grande polêmica no país e tem sido, entre conversas nas ruas e debates nas redes sociais, a grande tendência no Chile desde então. Também foi criticado por diversos parlamentares. (por Victor Farinelli, de Santiago, no Chile, para o Opera Mundi)

Reprodução

Gabriel Boric (esq.) e Giorgio Jackson (dir.), que completam um mês de mandato, propuseram a redução dos salários de deputados

Brasil colabora com eleições na Guiné-Bissau ÁFRICA O país volta ao regime democrático após golpe em março de 2012 Apesar da ruptura das relações bilaterais após o golpe de Estado realizado por militares em 2012, o Brasil prestou cooperação técnica nas eleições presidenciais e legislativas que ocorreram no domingo (13) na Guiné-Bissau. O processo eleitoral é o maior da história do país e marca a volta do regime democrático. Técnicos do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e do TRE-MG (Tri-

bunal Regional Eleitoral de Minas Gerais) trabalham desde fevereiro na nação africana, que também fala o português. De acordo com o TSE, o objetivo da missão brasileira é contribuir com a criação de um banco de dados de 775 mil eleitores cadastrados e auxiliar na formação de técnicos locais que possam processar as informações. (Agência Brasil) IRIN/John James

Recadastramento aumentou em mais de 180 mil o número de eleitores.


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variedades | 13

Mande sua dúvida: amigadasaude@brasildefato.com.br Aqui você pode perguntar o que quiser para a nossa Amiga da Saúde

AMIGA DA saúde

Cara amiga da saúde, ouvi dizer que comer chocolate logo antes da menstruação pode prevenir dores nas pernas e de cabeça no período menstrual. Isso é verdade? Mirtes, 34 anos, professora

Estou com um problema meio chato e não sei o que fazer. Toda vez que vou fazer cocô sai sangue junto. Uma amiga disse que podia ser hemorroida, mas eu não tenho nenhum carocinho no ânus. Isso é grave? Ou é só porque faço muito esforço? Priscila Lima, 22 anos, desempregada

Olha, Mirtes, isso é polêmico. Algumas nutricionistas defendem que os chocolates mais ricos em cacau ajudam a reduzir dores musculares após atividade física por reduzir inflamação. Pode ser que para algumas mulheres tenha efeito parecido relacionado às dores durante a menstruação. Entretanto, o chocolate é contraindicado no período pré-menstrual por ser muito gorduroso e piorar os efeitos da tensão pré-menstrual (TPM). Você pode experimentar para ver se tem efeito sobre as dores nas pernas e de cabeça, mas, nesse caso, escolha os mais amargos e escuros, pois têm maior quantidade de cacau. Evite excessos, porque o chocolate é muito calórico.

Priscila, o sangue que sai junto com as fezes pode ser originado em qualquer parte do aparelho digestivo (que vai da boca até o ânus, passando pelo estômago). Entretanto, quanto mais vermelhinho o sangue for, mais baixa sua origem. O sangue que vem do estômago ou das partes altas do intestino, por exemplo, saem nas fezes da cor da borra do café. Já o sangue vivo indica sangramento na parte inferior do sistema gastrointestinal e pode ser decorrente de fissura anal, hemorroidas ou outras lesões. Fazer muito esforço para evacuar é prejudicial. Você pode diminuir esse esforço com uso de alimentos com muita fibra, ingestão de bastante água e atividade física regular. Sangramento mais grave é o que inicia repentinamente e em grande quantida-

CAÇA-PALAVRAS

www.coquetel.com.br

© Revistas COQUETEL

de. Ou quando está associado a dores e febre. Caso seu problema persista, você precisa procurar um serviço de saúde para ser avaliada.

A novela Como ela é

Procure e marque, no diagrama de letras, as palavras em destaque no texto.

Queimando calorias A prática de ESPORTES é sempre boa para a SAÚDE em qualquer estação do ano. Veja, a seguir, uma TABELA com a quantidade de CALORIAS queimadas, a cada uma hora de exercícios, e seus benefícios: FRESCOBOL

Até 820.

Desenvolve FORÇA, velocidade e coordenação motora de braços e pernas.

SURFE

Até 600.

Trabalha BRAÇOS, costas, tórax, PEITORAL, glúteos, panturrilha.

CAMINHADA

De 250 a 350.

Melhora o TÔNUS das pernas, do BUMBUM e do abdômen.

NADO no mar

Aproximadamente 800.

Exercita o CORPO todo, principalmente o sistema cardiorrespiratório.

FUTEBOL de AREIA

Cerca de 660.

Trabalha todo o corpo, principalmente as PERNAS.

VÔLEI de areia

De 400 a 550.

São desenvolvidos os MÚSCULOS dos braços, ombros, COSTAS, pernas e bumbum.

F T T B H M G S L N F M L M

O G T R M R M U S C U L O S

R H C A R C S R T S R D G S

Ç N D Ç T D M L O B E T U F

A H T O S N N T R M N N G L

R C T S R H T N L H H R L R

R O T F N C D S A N R E P L

E S P O R T E S N T M N R V

T T T Y T Y H T F A Y M M O

M A D R S H R N C L G U T L

N S U N O T R A M E D B H E

L R C R H L R D C B L M B I

S U R F E R M O B A F U D B

N R B T M R R H R T N B H O

P E I T O R A L H D R D D P

F N T Y M F L R R H H S R R

M C A L O R I A S R B A T O

H F F D A L M S S B R U C C

S G M I C T C H M M Y D S H

S T E H R L O B O C S E R F

H R H L C B L C M G N H R S

Brincar de ver TV

A T F R H C A M I N H A D A 16

Solução F O R Ç A E C O S P B R A Ç O S O R T E S S A N R E P V M U S C U L O S L O B E T U F

T A S U N O T

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S U R F E

P E I T O R A L

C R A E L I O A R L I O A B S O C S S A U D E R F

O P R O C

E B A T

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M U B M U B

Desde a estreia da televisão no Brasil, lá na década de 1950, as crianças são alvo de programações específicas. Criança precisa brincar, correr, conviver, mas a telinha também tem um lugar para a diversão para a moçada. O bom é quando a grade de programas traz boas produções, que possibilitam o exercício da imaginação e a interação com o universo da comunicação e da tecnologia. Afinal, nos tempos de hoje, estar alheio às tecnologias é também uma forma de exclusão. Não vou fazer aqui a retomada da história da teledramaturgia infantil, mas devo registrar uma novela da minha época de criança. Carrossel, produção mexicana, é inesquecível. As confusões da turma da Escuela Mundial traduziam bem o que se vive no dia a dia da vida escolar: paquerinhas inocentes, brincadeiras de todo tipo, relações com crianças diferentes e com os grupos de amigos. Enfim, a novela marcou a infância da atual geração de trintões. Uma versão brasileira foi recentemente produzida pelo SBT e também fez o maior sucesso. Na mesma emissora, o remake brasileiro de Chiquititas (a primeira versão foi exibida também quando eu era criança) é uma das opções atuais para a criançada. O universo infantil do orfanato Raio de Luz demonstra a convivência das crianças entre si e delas com os adultos, além das emoções, conflitos e descobertas da primeira fase da vida. No ar há duas semanas, Meu pedacinho de chão, na Globo, tem tido um desempenho satisfatório para o horário e reforça a ideia de que criança também pode se divertir com novela. A trama se passa na Vila de Santa Fé, recriada a partir do imaginário de duas crianças, Serelepe e Pituquinha. A cidade é um brinquedo e as histórias são narradas pelos dois personagens mirins. Cores, visuais diferentes, roupas que parecem fantasias dão a impressão de que a história tem um quê de contos de fadas. Para os papais, titios e avós de plantão, fica a dica de duas interessantes novelas que podem distrair e divertir a criançada. Boa páscoa para todos e até semana que vem!

A

C A M I N H A D A

Joaquim Vela (quimvela@brasildefato.com.br)


14 | cultura

Belo Horizonte, de 17 a 24 de abril de 2014

Quem foi, afinal, Tiradentes? INCONFIDÊNCIA Dois livros sobre o período tratam da figura misteriosa do alferes Da Redação Para muita gente, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (17461792) é uma figura lendária, cuja imagem se parece com a de Jesus Cristo, com longas barbas, à espera do enforcamento por desafiar o poder de Portugal e organizar a conjuração mineira a partir de Ouro Preto. O herói de carne e osso se tornou um mito. No entanto, de alguns anos para cá, a figura histórica de Tiradentes tem sido objeto de pesquisas, que procuram restabelecer a verdade sobre a vida e atuação política do mártir. Tiradentes teria sido republicano? Conheceu os textos iluministas? Esteve de fato à frente dos inconfidentes? Representava apenas o braço militar do movimento? Por que foi o único réu condenado à morte? São perguntas que ainda hoje mobilizam os historiadores. Até mesmo o verdadeiro rosto de Tiradentes e seu local de nascimento têm sido objeto de controvérsias. Chega às livrarias esta semana o livro 1789 – História de Tiradentes – Contrabandistas, assassinos e poetas que sonharam a independên-

cia do Brasil, da Editora Nova Fronteira, escrito pelo jornalista carioca Pedro Dória. O autor pesquisou documentos de época e passou em revista o trabalho de historiadores sobre o período. Concluiu que Tiradentes era um homem alto, grisalho, com barba bem feita, que sempre trazia seus instrumentos de extração de dentes. A partir da pesquisa, chegou a propor uma imagem que se aproximaria mais da figura real de José Joaquim da Silva Xavier, que integra seu livro (veja ao lado). Se o trabalho de Dória trata de forma mais ampla da Inconfidência Mineira, está a caminho uma biografia inteiramente dedicada a Tiradentes. O responsável é o jornalista mineiro Lucas Figueiredo, que está em processo de pesquisa. O autor, que conhece bem a história de Minas do período, já publicou Boa ventura!, sobre a corrida do ouro no Brasil no século 18, trabalho que o levou a pesquisar arquivos no Brasil e na Europa. Lucas Figueiredo pretende contextualizar a rica vida de Tiradentes com outros movimentos políticos e artísticos de seu tempo, como

Pesquisa de Pedro Dória chegou a essa imagem de Tiradentes

o barroco mineiro e a obra de Aleijadinho, por exemplo. A fama e o mito parecem perseguir os dois homens, que viveram na mesma época e na mesma cidade. O jornalista

quer destacar a verdade do homem e ajudar a desmanchar os mitos. Lucas planeja lançar sua biografia no ano que vem, pela Editora Companhia das Letras.

Semana Santa em São João del-Rei Silvia Reis De São João del-Rei Simbolismos, ritos, beleza, celebrações e fé fazem parte das comemorações da Semana Santa em São João del-Rei. Conhecida por sua tradição e cultura religiosa a cidade atrai muitos visitantes e fiéis. A celebração na cidade se diferencia por sua tradição de mais de 300 anos, que apesar das modificações que ocorrem naturalmente em toda cultura, mantém preservada características do século 18 em suas liturgias, como, por exemplo, o Ofício de Trevas, feito todo em latim. Segundo o musicólogo Aluízio Viegas, os atos litúrgicos são-joanenses sofreram modificações ao lon-

go dos anos, porém todas as mudanças foram sempre discutidas, para que não houvesse impacto ou transformação brusca nos ritos litúrgicos. “Nada foi mudado simplesmente por mudar. Se hoje quisermos fazer uma Semana Santa igual à do século 18, é possível, pois temos tudo guardado”, ressalta. Devido à existência de duas orquestras clássicas - a Lira Sanjoanense e a Ribeiro Bastos - a liturgia da Semana Santa manteve o canto gregoriano e o latim em suas celebrações, que podem ser conferidos no “Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor”. Para Daniel Reis Fernandes, a celebração mais tocante é a transladação do Santíssimo Sacramento do inSilvia Reis

terior da catedral para a capela interna, que acontece na quinta-feira, após a desnudação dos altares, simbolizando a paixão de Cristo, os sinos e relógios não tocam mais até o sábado. “No lugar dos sinos tocam matracas e o coro da Orquestra Ribeiro Bastos entoa o comovente Pange Língua”, acrescenta. O evento possui uma extensa e rica programação para os fiéis. Den-

tre as celebrações que o Padre Geraldo Magela, pároco da Catedral Basílica Nossa Senhora do Pilar, sugere para os que participarão pela primeira vez, estão o Ofício de Trevas, o Descendimento da Cruz, a Adoração do Santíssimo. “São momentos alto de fé, beleza e oração”, afirma. Excepcionalmente este ano o Descendimento da Cruz será transmitido ao vivo pela TV Aparecida.

Servidor da saúde estadual: Sind-Saúde Minas Gerais CUT/CNTSS Av. Afonso Pena, 578 - 17º andar - Centro/BH-MG

www.sindsaudemg.org.br

2014

Não vai passar em BRANCO

O governo de Minas Gerais pretende enrolar o funcionalismo este ano para não conceder reajuste e não revisar o malfadado plano de carreira. Mas os servidores da saúde não vão aceitar e o recado vai ser dado nas ruas, junto com a população!

MOBILIZAÇÃO • CAMPANHA SALARIAL 2014


Belo Horizonte, de 17 a 24 de abril de 2014

é tudo de graça! SOUL

AGENDA DO FIM DE SEMANA MOSTRA INDÍGENA

O projeto “Vídeo Nas Aldeias” exibe curtas filmados por índios em oficinas de produção audiovisual. Sábado (19), às 16h, no Teatro Oi Futuro (Avenida Afonso Pena, 4001, Mangabeiras).

TEATRO

A mostra “Teatro nos Parques” leva cinco peças aos parques. As sessões acontecem aos sábados e domingos, até o dia 27 de abril, nos parques Mangabeiras, Primeiro de Maio e Américo Renê Giannetti (Parque Municipal).

Quarteirão do Soul se apresenta novamente. Sábado (19), das 14h às 20h, na Praça Sete. YOGA Aula de Yoga gratuita. Domingo (20), às 9h, no Parque Municipal.

Mostra lembra o primeiro palhaço negro do Brasil Até o dia 27 de abril, acontece no Teatro Oi Futuro a segunda edição da Mostra Benjamim de Oliveira. Utilizando a cultura afro-brasileira como tema e elenco predominantemente negro, 14 atrações gratuitas recheiam a programação. As manifestações artísticas apresentadas vão de intervenções urbanas a exibição inédita de vídeo sobre a Guarda de Congado de Belo Horizonte, espetáculos teatrais, dança, e circo. Entre eles, alguns que nunca passaram pe-

la capital mineira, como In Conserto, da companhia Teatro Anônimo, do Rio de Janeiro. Haverá, ainda, tarde de contação de histórias folclóricas e grande encerramento com o cortejo Boi de Manta. O cantor e compositor mineiro Maurício Tizumba é o idealizador do projeto. Para o artista, ter maioria de atores negros compondo o elenco principal dos espetáculos, “incomoda muita gente”. “Eu nunca perguntei porque sempre utilizam elenco branco. Belo Horizonte é uma cidade racista, o investimento e di-

cultura | 15

Segunda a quinta-feira EXPOSIÇÃO

“Livro da dúvida - Capítulo 01 - Adentrando o falto”, de Estandelau Passos, é uma exposição multimídia que reúne desenhos, pinturas, fotografias, vídeo e áudio. Até 01/06, todas as terças, quartas, sextas e sábados das 10h às 17h30, quintas das 10h às 21h30, no Memorial Minas.

CINEMA

BATE-PAPO

Mostra “Ingmar Bergman – Instante e Eternidade” exibe a filmografia completa do cineasta sueco. Algumas raridades integram a programação. Até 12/05, no Cine Humberto Mauro (Avenida Afonso Pena, 1537, Centro).

vulgação para a cultura negra são menores e uma mostra como essa vem para quebrar o preconceito, dar visibilidade e emprego a artistas negros”, defende o músico.

Quem foi Benjamim de Oliveira O evento é homenagem a Benjamim, primeiro palhaço negro do Brasil. Filho de pais escravos, nasceu em Pará de Minas, já contemplado pela Lei Áurea. Aos 12 anos fugiu de casa com a trupe do circo Stero, que passava por sua cidade. Além de seus números de

O projeto “Retratos de Artista: Molduras do Pensamento” tem a proposta de aproximar artistas de seus fãs, e promove conversas de diferentes temas. O próximo encontro será com o músico Hermeto Pascoal. Quarta (23), às 19h30, no Espaço CentoeQuatro.

clown e acrobacias, também cantava, atuava, e escrevia - criou, inclusive, peças de grande sucesso no teatro. No começo da carreira sofreu preconceito e rejeição, mas resistiu. O circo-teatro, modalidade que introduziu em espetáculos, teve o seu apogeu entre os anos de 1918 e 1938. Benjamin começou com paródias de operetas e contos de fadas teatralizados, chegando à apresentação de peças de Shakespeare e representação de Cristo, na Semana Santa. A versatilidade do artista fez com que sua obra marcasse uma revolução no circo brasileiro.

esporte |

na geral Icasa na série A do Brasileirão?

O Icasa conseguiu uma liminar na Justiça do Rio que obriga a CBF a incluí-lo na série A deste ano. De acordo com o clube cearense, quinto colocado na segundona de 2013, o Figueirense teria escalado irregularmente o jogador Luan em partida da segunda rodada da série B, contra o América-MG. Até o fechamento desta edição, a CBF não havia se pronunciado sobre o caso.

Cruzeiro campeão da Superli- Interior ganha da capital em ga Masculina São Paulo e no Paraná

Técnico Machista

O Cruzeiro segue mostrando sua hegemonia no voleibol ao sagrarse campeão da Superliga Masculina 2013/2014. Na final, realizada neste domingo no ginásio do Mineirinho, a equipe mineira derrotou o Sesi-SP, por 3 sets a 0, parciais de 21/19, 21/17 e 21/18. Este é segundo título nacional do Cruzeiro, que também foi campeão da temporada 2011/2012, e a quarta vez consecutiva que a equipe chega à final da competição. A taça da Superliga fecha a temporada perfeita do Cruzeiro, que já tinha conquistado o Campeonato Mineiro, a Copa Brasil, o Sul-Americano e o Mundial de Clubes. Nas últimas 15 competições que disputou, o Cruzeiro chegou à final. Após a conquista, a diretoria do clube anunciou a renovação do técnico argentino Marcelo Mendez por mais dois anos. Na Superliga Feminina, o Unilever (RJ) passou pelo Vôlei Amil (SP) nas semifinais, e agora aguarda o vencedor de Molico -Nestlé X Sesi-SP para fazer a final, no dia 27 de abril, em local ainda a ser definido.

Irritado por ser expulso no jogo contra a Chapecoense, o técnico do Juventus, Celso Teixeira, saiu de campo se referindo à bandeirinha Maria Labes de forma desrespeitosa: “já vou sair, gostosa”. A atitude foi relatada na súmula do jogo e Celso pode ser punido por conduta antidesportiva.

O Brasil conheceu no último domingo (13), os campeões estaduais de 2014. Dos campeonatos com mais destaque na mídia, em apenas dois um clube grande do estado não ganhou, contrariando a lógica. São eles: Campeonato Paulista e Campeonato Paranaense. No estado de São Paulo, principal foco futebolístico dos veículos de comunicação, o Ituano conquistou seu segundo título do paulistão. No paranaense, talvez a maior surpresa, o Londrina sagrou-se campeão contra o Maringá, deixando os grandes Atlético PR e Coritiba de fora da final. O fato de clubes pequenos terem chegado ao título em dois estados onde é praticamente impossível que isso aconteça traz novamente à tona a discussão do papel que os estaduais cumprem no calendário brasileiro. É preciso ter cuidado ao dizer que está tudo bem, que os estaduais ainda dão chance aos pequenos. É justamente por sua precariedade que os títulos dos pequenos se tornam cada vez mais incomuns nesses campeonatos.

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Você Sabia

A primeira mulher a apitar uma partida de futebol foi a mineira Lea Campos, em 1967. Mesmo com o diploma reconhecido pela Fifa, foi preciso apelar ao presidente da República para provar que ela estava apta a exercer a profissão.


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Belo Horizonte, de 17 a 24 de abril de 2014 imagem de arquivo

OPINIÃO América Dormindo de olho aberto Bráulio Siffert Em tempo de páscoa, vale a pena trazer a história de um coelho que nada tem a ver com a semana santa: o mascote do América. Idealizado e desenhado em 1943 pelo cartunista e torcedor do América, Fernando Pierucetti - o Mangabeira a alcunha do América substituiu o “pato”, para evitar confusão com o Pato Donald. Mangabeira, aliás, também concebeu o Galo, a Raposa, o Leão e outros mascotes. Segundo o cartunista, falecido em 2004, a escolha do coelho se deu pelo fato de o time do América e alguns dirigentes à época terem, assim como um coelho, dormido de

olhos abertos para, sorrateiramente, mudar a história do clube. Os atuais torcedores clamam para que apareçam novos times e dirigentes que também sejam atentos e dispostos como um coelho e que, já que estamos em semana santa, deem “chocolates” nos adversários.

OPINIÃO Atlético

OPINIÃO Cruzeiro

Elementar, meu caro Autuori

Duas vezes campeão Washington Alves/site oficial

Bruno Cantini

Rogério Hilário Como, dizem os apólogos, os lugares-comuns e os clichês do futebol – aliás, vocês já viram decisões de vôlei, de tênis ou de basquete gerar polêmica? -, um clássico como Atlético e Cruzeiro começa semanas antes e nunca termina. No entanto, embora o pênalti em Jô seja inesquecível, deixemos de lado as controvérsias ou ponderações, bem ao estilo tucano, de que o Cruzeiro mereceu o título. Futebol nem sempre tem a ver com o mérito, algo que ainda tentam vender como conceito inapelável em Minas Gerais, terra da injustiça e do arbítrio. Olhemos para frente. O Galo tem as próximas fases da Copa Libertadores, em que luta pelo bicampeonato, o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil. Desses, cobra-se mais empenho no Nacional, desprezado em 2013 na opção pelo Intercontinental – com times do México na disputa, deixou há muito de ser Sul-Americano. É sabido que o Alvinegro luta

pelo segundo título do Brasileiro desde 1971. Até o ano passado, foi a sua conquista histórica. Agora, tornou-se uma questão de honra, juntamente com uma inédita Copa do Brasil. Vejamos. Ainda falta ajustar alguns detalhes para tais empreitadas. Se há chances de progresso na lateral-esquerda, pelo menos na marcação, com Emerson da Conceição, os ajustes no meio-campo e no ataque persistem. Como goleador, mesmo, o Atlético só tem Jô. Está difícil de aguentar tantos gols perdidos, seja por Jô, Tardelli, Fernandinho ou Marion. Assim como na armação, apesar de certo brilho de Guilherme, Diego Tardelli e até Leandro Donizeti, sobra apenas Ronaldinho Gaúcho. Dátolo, às vezes testado na posição, acertou mais na lateral-esquerda, mesmo improvisado. Para competições de longo prazo como o Brasileiro, ou de tiro curto (olha um clichê de novo), como Libertadores e Copa do Brasil, elenco é fundamental. Nem é preciso ser Sherlock Holmes para saber. Elementar, meu caro Autuori.

Wallace Oliveira Envio este texto para o jornal antes do confronto entre Cruzeiro e Cerro Porteño, o que me impede de comentar o jogo da Libertadores. Por isto, abordarei o recente título estadual do domingo (13), contra o Clube Atlético do Marrocos (CAM). O empate sem gols garantiu a taça cruzeirense. Não fosse a retranca do adversário, a Raposa teria balançado as redes por várias vezes. Esses times do Campeonato Mineiro costumam se fechar no campo de defesa para não tomarem goleada no Mineirão. Alguns atleticanos ainda choram por um suposto pênalti em Jô, que seria marcado pelo árbitro Leandro Pedro Vuaden quando o auxiliar sinalizou impedimento. Nem uma coisa nem outra. Jô se jogou espertamente, pois não dominaria

aquela bola rápida, que acabou nas mãos de Fábio. Ou será que ele quis homenagear o Sada Cruzeiro, mergulhando no chão como se fosse jogador de voleibol? Se este for o caso, é comovente o espírito esportivo dos nossos rivais, tentando prestigiar nossas conquistas. A festa começou cedo

Na revanche contra o Sesi-SP, o voleibol cruzeirense venceu com relativa facilidade a decisão da Superliga, sagrando-se mais uma vez campeão. Acho bonita a identificação cada vez maior entre a torcida do Cruzeiro e essa equipe, o que mostra que existe espaço para outros esportes no Brasil, desde que haja incentivo por parte dos clubes e dos governos. Parabéns, Cruzeiro, duplamente campeão!


Edição 34 do Brasil de Fato MG  

PDF da edição 34 do BF MG

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