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esporte | pág. 16

entrevista | pág. 9

cultura | pág. 14

Atletas em movimento

Estatuto do Idoso, muito a fazer

À meia noite, Samba de Roda na rua

Jogadores divulgam manifesto cobrando a reformulação do calendário de futebol, para melhorar os jogos e garantir a saúde dos profissionais

População de idosos vai quadruplicar no Brasil, estaremos preparados? A assistente social Ruth Myssior discute o tema. “Essa população hoje aparece, reivindica. Mas a acessibilidade para eles ainda é pequena”, afirma

Grupo resgata manifestação de raiz e ocupa toda sexta-feira o viaduto Santa Tereza. Em entrevista, organizador fala da força do samba para a cultura negra

Edição

Olivia Pimentel

Uma visão popular do Brasil e do mundo

Belo Horizonte, de 27 de setembro a 03 de outubro de 2013 | ano 1 | edição 6 | distribuição gratuita | www.brasildefato.com.br | facebook.com/brasildefato Joana Tavares

minas | pág. 7

Muito lucro, pouco salário Bancários pedem reajuste de 6,1% e 5% de aumento real, proposta negada pelos bancos. “Hoje um concursando entra recebendo R$ 1200.

Os bancos lucraram R$ 30 bilhões só neste ano e não podem dar um aumento?”, questiona uma funcionária do Banco do Brasil. Mobilização de-

nuncia ainda pressão no trabalho e riscos com a aprovação do PL 4330, projeto de lei que libera a terceirização em todos os setores

cidades | pág. 4

Esperança X Especulação Maíra Gomes

cidades | pág. 3

Menos 500 árvores todo mês

Israel Oliveira

Mais de mil famílias montaram suas vidas na Ocupação Esperança, entre BH e Santa Luzia, em terreno conhecido como Granja dos Werneck. De um lado, casais constroem hortas e casas. De outro, Prefeitura pretende erguer um empreendimento imobiliário, em que 90% dos moradores serão da elite

minas | pág. 5

brasil | pág. 11

De fora

Violência

Apesar da construção de novas unidades, lista de espera por vaga em Unidade de Educação Infantil em Belo Horizonte chega a 17 mil crianças

Entre 2001 e 2011, 50 mil mulheres foram mortas no Brasil. Quase um terço desses assassinatos ocorreu dentro da casa das vítimas

Em média, 6.000 árvores são suprimidas por ano em BH. Problema pode se agravar com obras do BRT e da Copa do Mundo


02 | opinião

Belo Horizonte, de 27 de setembro a 03 de outubro de 2013

Falando Nilson

editorial | Minas Gerais

Quais as prioridades dos governantes? Quem vive de salário sabe o quanto ele perde poder de compra ao longo do ano. Por isso, é importante o reajuste anual. Os trabalhadores buscam que esse reajuste tenha aumento real, ou seja, acima da inflação. Se apenas repõe a inflação, significa estagnação nas condições de vida da família. E o que fazer se o patrão lhe propõe reajuste zero? Aceitar significa redução salarial, afinal, o salário foi comido ao longo de um ano pelo aumento dos preços das mercadorias. Trabalhadores da saúde e governo do Estado estavam acordados que o reajuste salarial ocorreria no dia 1º de outubro. No entanto, o governador Anastasia propôs reajuste zero. E a inflação dos últimos 12 meses está calculada em 6,53% pelo Dieese. Que resta aos traba-

lhadores senão a greve? Além dos trabalhadores da saúde, outros servidores estaduais também receberam o anúncio de reajuste zero, como os auditores fiscais e os funcionários do Departamento de Estradas de Rodagem. Somamse aos professores, que desde o dia 29 de agosto estão acampados na porta do Palácio das Mangabeiras. Os trabalhadores da educação, além do pagamento do Piso Salarial, exigem o investimento dos 25% do orçamento na educação, conforme lei federal. Do outro lado da trincheira, a classe empresarial, os amigos dos governantes, estão muito satisfeitos. São desonerados de impostos, beneficiados com parcerias público-privadas e contabilizam seus lucros só aumentarem, mês a mês.

editorial | Brasil

Em defesa da soberania nacional e contra o leilão de Libra Para se proteger das crises econômicas, as grandes empresas capitalistas buscam se apropriar de recursos naturais estratégicos como terras, reservatórios aquíferos e recursos minerais. Isto porque comprar estes recursos naturais significa obter reservas de valor mais estáveis e menos propícias às desvalorizações típicas das crises de acumulação capitalista. Assim, a América Latina e sua enorme riqueza natural viraram alvo da sanha das grandes transnacionais. A bola da vez é o petróleo na camada pré-sal da costa brasileira. Trata-se do leilão do Campo de Libra, marcado para o dia 21 de outubro de 2013. Situado na bacia de Santos, o campo de libra é estimado em 12 bilhões de barris de petróleo de quali-

dade comprovada, equivale a 80% de todas as reservas descobertas pela Petrobras e está estimado em 1,5 trilhões de dólares. Além disso, quem levar o Campo de Libra também leva o Campo de Franco que está interligado à Libra e tem aproximadamente 9 bilhões de barris de petróleo. Não é por acaso que o governo dos Estados Unidos, para servir aos seus interesses imperialistas, espiona para fins comerciais a presidenta Dilma e a Petrobras conforme comprovam os documentos apresentados pelo ex-funcionário da Agência Nacional de Segurança (NSA) Edward Snowden. É lamentável a subserviência do Congresso Nacional, que não impede o leilão. Deputados e senadores junta-

O jornal Brasil de Fato circula semanalmente em todo o país e agora também com edições regionais, em SP, no Rio e em MG. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais em nosso país e no nosso estado.

contato..................brasildefatomg@brasildefato.com.br para anunciar : publicidademg@brasildefato.com.br / (31) 3309 3314 - (11) 2131 0800

mente com a imprensa conservadora, fazem o jogo dos grandes capitalistas e legiti-

O campo de libra é estimado em 12 bilhões de barris de petróleo de qualidade comprovada, equivale a 80% de todas as reservas descobertas pela Petrobras e está estimado em 1,5 trilhões de dólares mam a privatização das riquezas nacionais. A exceção dessa lógica entreguista fica por con-

ta dos senadores Roberto Requião, Randolfe Rodrigues e Pedro Simon, que apresentaram um projeto de decreto legislativo para impedir o leilão. Também lamentável é constatarmos o papel subalterno da Agência Nacional do Petróleo, que tem servido muito bem aos interesses do setor privado. O petróleo existente na camada pré-sal pode atender muitas demandas que o povo brasileiro apresentou durante as jornadas de junho, como saúde, educação, saneamento básico, moradia popular, dentre outros. Uma riqueza fundamental para auxiliar uma industrialização soberana fundada em tecnologia nacional e ao mesmo tempo de ponta. Os setores transnacionais e seus lacaios locais não hesi-

tarão em boicotar e sabotar a economia brasileira num momento de crise política. Iniciativa correta seria o Estado brasileiro assumir os investimentos estratégicos, viabilizar o controle nacional dos recursos naturais e retomar as empresas estratégicas que foram privatizadas. O povo brasileiro não elegeu a presidenta Dilma para retomar as privatizações. Movimentos sociais, centrais sindicais e diversas associações e entidades estão se mobilizando para impedir o leilão de Libra. Que os ventos das mobilizações de junho contribuam para defender os interesses da nação. Confiamos na força do povo brasileiro e na capacidade da história de julgar os traidores dos interesses nacionais.

conselho editorial minas gerais: Adília Sozzi, Adriano Pereira Santos, Beatriz Cerqueira, Bernadete Esperança, Bruno Abreu Gomes, Carlos Dayrel, César Augusto Silva, Cida Falabella, Cristiano Carvalho, Cristina Bezerra, Daniel Moura, Dom Hugo, Durval Ângelo Andrade, Eliane Novato, Ênio Bohnenberger, Frederico Santana Rick, Frei Gilvander, Gilson Reis, Gustavo Bones, Jairo Nogueira Filho, Joana Tavares, João Paulo Cunha, Joceli Andrioli, José Guilherme Castro, José Reginaldo Inácio, Lindolfo Fernandes de Castro, Luís Carlos da Silva, Marcelo Oliveira Almeida, Maria Brigida Barbosa, Michelly Montero, Milton Bicalho, Neemias Souza Rodrigo, Nilmário Miranda, Padre Henrique Moura, Padre João, Pereira da Viola, Renan Santos, Rilke Novato Públio, Rogério Correia, Samuel da Silva, Sérgio Miranda (in memoriam), Temístocles Marcelos, Wagner Xavier. Administração: Valdinei Siqueira e Vinicius Moreno. Distribuição: Larissa Costa. Diagramação: Bernardo Vaz, Gabriela Viana, Luiz Lagares. Editor-chefe: Nilton Viana (Mtb 28.466). Editora regional: Joana Tavares. Endereço: Rua da Bahia, 573 – sala 306 – Centro – Belo Horizonte – MG. Contato: redacaomg@brasildefato.com.br


Belo Horizonte, de 27 de setembro a 03 de outubro de 2013

Cidade jardim ou deserto?

Pergunta da semana

AMBIENTE - Supressão de árvores em função das obras da Copa é preocupante Débora Junqueira De Belo Horizonte O título de cidade jardim parece cada vez mais fazer parte do passado de Belo Horizonte. A supressão de árvores, em nome da mobilidade urbana, pouco a pouco muda a paisagem da capital. Com as obras para a Copa de 2014, o problema se agrava, pois árvores são retiradas, deixando grandes avenidas completamente áridas. Iniciativas da Prefeitura são vistas como insuficientes por ambientalistas. A previsão é que, quando iniciarem as obras do sistema de ônibus BRT, na avenida Pedro II, mais árvores serão arrancadas. “Inicialmente seriam retiradas 288 árvores, mas conseguimos reduzir para 37”, confirma o secretário municipal adjunto de meio ambiente, Vasco de

Oliveira. “A região ao redor do Mineirão está um deserto. Durante a reforma do estádio foram retiradas quase mil árvores sem aviso nenhum”, constata o biólogo Sérvio Pontes Ribeiro, professor de ecologia da UFOP e membro do movimento Fica Ficus. De acordo com a Prefeitura, para compensar a supressão das árvores do Mineirão, foi feito o replantio de 11 mil novas mudas. Além disso, a meta é plantar 54 mil árvores até o fim da gestão. Cerca de 36 mil já foram plantadas. Em média, 6.000 árvores de variados portes são suprimidas por ano, segundo a gerente de gestão ambiental da PBH, Márcia Mourão. “Infelizmente esta é a dinâmica da cidade”, lamenta. A estimativa, com base em um estudo con-

Fica Ficus

tratado pela Prefeitura e Cemig, é que a capital possua 465 mil árvores. Árvores padrão Cemig Segundo Sérvio Pontes, a Cemig faz podas inadequadas. “O corte em bifurcação de dentro para fora, força o crescimento desequilibrado da árvore”, explica. Ele também denuncia que a empresa de energia tem feito a substituição por espécies de porte menor para facilitar a manutenção junto à rede elétrica. O biólogo explica que um dos problemas da supressão de grandes árvores é que isso regride a qualidade ambiental da área urbana, pois as árvores grandes prestam o serviço de neutralização do carbono. “É preciso que as árvores replantadas cresçam e alcancem o mesmo tamanho da copa da anterior para se di-

Em média, seis mil árvores são suprimidas por ano em BH

zer que ela foi substituída. E isso leva mais de 40 anos”, alerta. A ativista do movimento Fica Ficus Patrícia Calisto também cita a retirada de árvores dos jardins na Pampulha por questões estéticas. “A Prefeitura de Belo Horizonte não tem planejamento adequado de manejo

programado das árvores”, denuncia. Para a arquiteta e urbanista, Marimar Pablet, as cidades precisam ser pensadas como espaços de diversidade biológica. “As árvores têm uma função sócio-ecológica e fazem parte da paisagem, como uma identidade importante para a população”, esclarece.

Manifestantes pedem tarifa zero nos ônibus Raíssa Galvão de Belo Horizonte Com lançamento festivo, projeto Tarifa Zero BH ganhou as ruas da capital mineira no último final de semana.   A agenda incluiu aula pública com Lúcio Gregori - criador do proje-

to de tarifa zero no país - e ocupação cultural na Praça da Estação com mais de 20 bandas e intervenções artísticas. O Projeto de Lei de iniciativa popular propõe alteração na Lei Orgânica do Município e prevê a gratuidade da tarifa de ônibus no ato do em-

barque.  As atividades do lançamento fazem parte de um planejamento para o recolhimento de 95 mil assinaturas de eleitores belorizontinos. Durante os dias 21 e 22 de setembro foram colhidas 2 mil assinaturas das cerca de 5 mil pessoas que circu-

laram nos eventos. A articulação mineira foi iniciada na Assembleia Popular Horizontal de Belo Horizonte (APH) e conta com o apoio de engajados na pauta da mobilidade urbana, bem como de grupos cicloativistas da capital.  Segundo André Velo-

cidades | 03

so, ativista da mobilidade urbana, os próximos passos são aumentar o número de pontos de coleta e capilarizar a ação. Já está prevista também uma mobilização no dia 26 de outubro, durante a programação do Dia Nacional de Luta do MPL Movimento Passe Livre.

Documentos demonstram que a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) espionou comunicações pessoais da presidenta Dilma Rousseff e da Petrobras. Por isso, a presidenta decidiu cancelar sua viagem oficial aos Estados Unidos, marcada para o dia 23 de outubro, como forma de demonstrar insatisfação com a atitude.  

O que você acha da Dilma cancelar a viagem para os EUA?

“Realmente a ideia de desmarcar a visita foi justa porque espionar não deixa uma boa impressão, pode ser que esteja havendo uma desconfiança, querendo descobrir algo que não é pra ser revelado. Foi correto desmarcar e analisar direito o ocorrido e depois, talvez, remarcar. ” Johnny Martins, 21, op. de telemarketing

Mídia Ninja

Eu acho que ela foi meio fraca, ela devia tomar uma iniciativa mais forte, visto que eles estão espionando o nosso país. Acho que ela devia mostrar pra eles lá fora que eles deviam ter mais respeito com o nosso país. Acho que só cancelar a visita foi uma atitude muito fraca. Lançamento de campanha que pede nulidade das tarifas no transporte coletivo: meta é recolher 95 mil assinaturas

 Daiane Kelly, 21, estagiária


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Belo Horizonte, de 27 de setembro a 03 de outubro de 2013

Muita gente e clima de roça na ocupação Esperança MORADIA Granja dos Werneck abriga mais de mil famílias, que podem ser expulsas para dar lugar a empreendimento Fotos: Maíra Gomes

Maíra Gomes de Belo Horizonte Na divisa entre Belo Horizonte e Santa Luzia vivem mais de 1050 famílias em situação irregular. Elas moram na Ocupação Esperança, nome que marca a luta por melhores condições de vida, sem o sacrifício do aluguel. Na madrugada do dia 04 de julho, cerca de 30 famílias entraram no terreno, na Granja dos Werneck. Na semana seguinte já eram mais de 50. Atualmente, três meses depois, o número multiplicou. “Teve uma reunião, com umas 20 pessoas, e começamos a ocupar. Quando era meia noite, ainda tinha gente marcando seu lote. Mas foi no dia seguinte que começou o forte mesmo, todo mundo ficou sabendo, né? Quando vai ver, nós estamos com mais de mil famílias”, conta Leandro Gonçalves Dias, 26, morador e um dos coordenadores da ocupação. Alguns dias depois, as pessoas começaram a se organizar, promovendo reuniões duas vezes por semana, nas quais elegeram 20 coordenadores. Agnaldo Liberato de Jesus, conhecido como Pajé, é um deles. Ele não está ocupado, mas mora no bairro Londrina, vizinho luziense da ocupação. Há 15 anos, Pajé faz um trabalho

social através da ONG Soldados da Fé, por onde ficou conhecido e foi convidado pelos moradores da ocupação. “Fiquei feliz em poder ajudar. Tem muita gente aqui que precisa mesmo, não tem pra onde ir”, declara. Pajé acredita que uma das principais razões para a extrema falta de moradia na Região Metropolitana é a chegada da Copa do Mundo, em 2014. “Com essas obras, os prefeitos estão empurrando as pessoas pra fora da cidade. Muitas casas foram desapropriadas, e o prefeito tira dali sem se importar para onde vão aquelas pessoas”, denuncia. Parecido com a roça As famílias vivem no local ainda em casa de lona, mas muitos já construíram seus fogões à lenha e trouxeram suas camas. O dia a dia do terreno é quase como a vida em uma área rural. Local tranquilo, silencioso, em meio à mata, com cheiro de madeira queimando para o preparo do almoço. O casal Ruth Marcelino Brum, 44, e Reginaldo de Faria, 33, está no local desde o segundo dia. Sua casa, de madeirite, tem varanda e banheiro. Ruth conta que morava na casa dos filhos antes de ir para a ocupação. “Eu mesma não tinha nada, estou buscando meu cantinho aqui. E está delicioso, é bem tranquilo. Fiz uma

Do lado da cidade, mas com direito à horta e plantação de abacaxi: Ruth e Marcelino estão em casa

hortinha, e já plantei abacaxi. Tudo limpinho e arrumadinho”, orgulha-se. Outro casal que começa sua vida no Esperança é Elenilda Lima Moreira, 42, e Renan Ângelo Moreira, 33. Ele, pedreiro, e ela dona de casa, moravam na cidade de Caratinga, interior do estado e vieram para Belo Horizonte buscar uma vida melhor. “Trabalhava, e no

final do mês não tinha dinheiro nem pra comprar um chinelo. Eu fiquei sabendo que com esses negócios de Copa estavam pegando muito pedreiro, e a mãe dela está aqui. Uma coisa foi juntando na outra e viemos pra cá, com o objetivo não só de sonhar, mas sonhar e obter”, conta Renan. Seu cantinho também já está arrumado, montado em lo-

na, mas Elenilda conta que está preocupada com o período de chuvas. “Agora vem o período das águas, e como que eu vou viver em uma barraca dessa em uma tempestade? Tendo uma segurança sobre a posse do terreno, posso construir uma casinha e saber que não vai chover dentro de casa, ter uma condições de vida melhor”, afirma Elenilda.

Especulação imobiliária devora mata

Ao invés de efetivar moradia de quem já está, local pode virar empreendimento imobiliário para famílias ricas

Um dos últimos locais de área verde em Belo Horizonte, o terreno ocupado tem sido alvo de polêmicas e denúncias de irregularidades fundiárias e crimes ambientais, envolvendo o nome do prefeito Márcio Lacerda (PSB) e os proprietários do local. A área pertence à empresa Granja Werneck S.A., mas a titularidade é questionada na Justiça. Na década de 1910, uma parte do terreno foi doada a um médico da família dos Werneck para a cons-

trução de um sanatório, mas apenas 200 mil m² foram usados, de um total de 10 milhões. O restante foi irregularmente repassado através de herança. Atualmente, um empreendimento imobiliário de grande porte será erguido no local, para abrigar 300 mil novos habitantes, o equivalente à população de Governador Valadares, no Vale do Rio Doce. No entanto, 90% dos apartamentos devem ser destinados a famílias ricas, sobrando pouco aos mais necessitados,

como os moradores da Ocupação Esperança. Como o local é uma reserva ambiental, Márcio Lacerda criou a Operação Urbana do Isidoro, para aprovar na Câmara diversas liberações ambientais que por lei não seriam permitidas. O coordenador da Ocupação, Pajé, afirma que o presidente da empresa, Fernando Werneck, entrou com pedido de reintegração de posse, mas este foi suspendido devido às suspeitas de irregularidade na posse do terreno. (MG)


Belo Horizonte, de 27 de setembro a 03 de outubro de 2013

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Em BH, não tem vaga na escola para as crianças Portal PBH

EDUCAÇÃO Novas vagas não serão suficientes para atender a demanda Thaíne Belissa do Portal Minas Livre Com a conclusão de 17 novos prédios, a Prefeitura de Belo Horizonte promete disponibilizar mais 7.380 vagas nas Unidades de Educação Infantil (UMEIs) em 2014. Mas, apesar da ampliação, o próprio governo admite que a demanda ainda será maior que a capacidade de atendimento. “Ainda não vamos conseguir atender esse déficit histórico na educação infantil”, afirma Mayrce Terezinha Freitas, gerente de Coordenação da Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação. De acordo com ela, Belo Horizonte tem 71 unidades em funcionamento, número que passará para 89 no ano que vem. Mas, esse crescimento ainda se mostra insuficiente, uma vez que a lista de espera por uma vaga em Umeis chega a ter 17 mil nomes. Mayrce lembra que essa fila não representa o número exato de crianças sem escola, uma vez que o mesmo candidato pode ser inscrito em diferentes vagas. Mas, ainda

assim, ela aponta para a urgência de maiores investimentos na educação infantil. “Não é um caso específico de Belo Horizonte e a prova disso é que a obrigatoriedade de universalizar a educação para 4 e 5 anos tem prazo até 2016. Quer dizer que não é rápido assim, todos os municípios terão que

Segundo estudo, Belo Horizonte só atende 26,4% da demanda de educação para crianças de 4 e 5 anos de idade se organizar”, defende a gerente. Segundo ela, a previsão é que a cidade complete 153 Umeis ainda nesta gestão. Crítica Para a presidente do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), Beatriz Cerqueira, faltam ações mais eficazes para resolver o problema da educa-

ção infantil em Belo Horizonte. “Todo mundo sabe que o problema existe, mas não tem uma política agressiva para resolvê -lo”, critica. De acordo com ela, um levantamento feito pelo Sind-UTE e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostrou que a cidade só atende 26,4% da demanda de educação para crianças de 4 e 5 anos de idade. “É uma situação muito grave e, desse jeito, o governo não vai conseguir sanar o problema a curto prazo. É direito da criança estar na escola e é importante para o pai que precisa trabalhar”, frisa. De acordo com Beatriz, a solução é a intensificação dos investimentos para aumentar a abertura de vagas num ritmo mais acelerado. A professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Lívia Maria Fraga Vieira, destaca que o déficit na educação infantil atinge tanto o sistema público quanto o privado, que também oferece poucas escolas para crianças de 0 a 5 anos.

Mesmo com novas Umeis, 17 mil crianças podem ficar de fora

Ela levanta uma questão importante: a desvalorização do profissional que trabalha com essas crianças. “Embora tenham aumentado as políticas para estruturar a educação infantil, cresceu também a criação de cargos com sa-

lários menores e uma carreira menos vantajosa para o educador”, afirma. Segundo ela, esses profissionais recebem nomes diferentes, como auxiliar ou recreador, desvalorizando quem trabalha com educação infantil.

Entre o Miss Brasil e a luta por direitos das mulheres Elaine Campos

Da Redação Belo Horizonte sedia, no dia 28, o Miss Brasil 2013, maior concurso de beleza do país. O mesmo dia é marcado como o Dia Latino-Americano e Caribenho pela Legalização e Descriminalização do Aborto. Duas pautas de grande importância para os movimentos de mulheres no Brasil. A primeira reforça o padrão opressivo de beleza das mulheres, como altas, magras, brancas e de cabelos lisos. A militante da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) Larissa Costa afirma que o padrão, escolhido como critério para a seleção das moças, exclui a realidade da mulher brasileira. “É um padrão que violenta, na medida em que não é atingível. Isso gera sérios problemas de

28 de setembro é o dia latino-americano pela descriminalização do aborto

saúde, e riscos com o grande número de cirurgias plásticas”, declara. Larissa denuncia que o concurso tem pouca partici-

pação de negras. “Somos contra o entendimento que o corpo da mulher é um objeto que recebe nota”, reforça.

Já sobre a legalização do aborto, a militante aponta que esta é a 5ª principal causa de morte de mulheres no Brasil, dado alarmante e que deve receber atenção do poder público. “As mulheres sempre abortaram no mundo, independente da classe social, religião ou estado civil. O que acontece é que vemos muitas mulheres morrerem pela prática do aborto inseguro”, afirma Larissa, que aponta um recorte de classe nos dados de mortalidade. A militante aponta que as mulheres ricas acabam pagando uma clínica clandestina, mas que oferece segurança. Já as pobres praticam diversas formas de aborto inseguro, desde as caseiras até o uso de medicamentos baratos. “Temos como princípio a autonomia do corpo da mulher, que

tem o direito de decidir quando quer ou não ter filhos. E isso tem que ser assegurado pelo Estado”, conclui. Manifestações O sábado será marcado por manifestações de movimento de mulheres e organizações feministas. Em todo o país, serão realizadas atividades de debate sobre a descriminalização do aborto. Em Belo Horizonte, está previsto um ato em frente ao Minascentro, local de realização do Miss Brasil, com intervenções artísticas de diversos grupos, além de cartazes, faixas e uma bateria musical só de mulheres.com que empresas como esta recuem em suas estratégias prejudiciais a todos nós”, conclui Valério Viera, do Sindicato Metabase dos Inconfidentes.


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Belo Horizonte, de 27 de setembro a 03 de outubro de 2013

Agronegócio ameaça biodiversidade do Cerrado

Josy Manhães/Imagens Humanas

MEIO AMBIENTE Comunidades tradicionais e movimentos denunciam monocultura Gleiceani Nogueira Da Asacom Conhecida como a savana brasileira, o Cerrado é o segundo maior bioma do país e estende-se por mais de dois milhões de quilômetros quadrados. Situa-se majoritariamente na área central do Brasil e ocupa uma parte do Semiárido, especificamente no Norte de Minas Gerais, no oeste baiano, no Piauí e no Maranhão. Curiosamente, apenas 0,85% do bioma encontra-se oficialmente em unidades de conservação. A riqueza de seus recursos naturais atrai a atenção de empresas ligadas ao agronegócio, colocando em risco os territórios de agricultores/as e comunidades tradicionais. Movimentos sociais e grupos impactados aproveitaram a comemoração do dia do Cerrado (11 de setembro) para denunciar as ameaças que o bioma vem sofrendo. Segundo o integrante da Rede Cerrado e da Articulação Semiárido Mineiro (ASA Minas) Carlos Dayrell, a monocultura sistema agrícola que desmata a vegetação nativa e utiliza grandes quantidades de agrotóxicos – é um dos principais problemas.

“Quando a gente fala da monocultura a gente está falando do eucalipto, da soja, da cana-de-açúcar, das grandes pastagens. Junto com esses processos também há mineração. Algumas áreas que até então estavam intocadas, até porque são regiões de serra, agora têm sido alvo das empresas, em particular na região do Pará e do Norte de Minas”, explica. Ele também chama a atenção para o encurralamento das comunidades tradicionais devido à expansão dos grandes empreendimentos. “Normalmente as comunidades tradicionais vivem nas grotas, nas beiras dos córregos e usam as chapadas, as áreas mais altas, para a solta dos animais, para a coleta das frutas. Quando chegam os grandes investimentos, as comunidades ficam encurraladas nas beiras dos córregos e ficam concentradas em poucas áreas”. O encurralamento gera um impacto direto no processo de reprodução social das comunidades, que acabam sendo expulsas de seus territórios pela falta de regularização. Alternativas  Além da questão da terra, existem outras estratégias que

Área devastada no Norte de Minas, onde será o projeto Jaíba, a maior obra de irrigação em área contínua do continente

podem garantir mais segurança paras as famílias, como a criação de Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS), Reservas Extrativistas (RESEX) e assentamentos agroextrativistas. Segundo Dayrell, essas propostas já foram apresenta-

das ao governo, mas o processo tem sido muito demorado. “Estamos com demanda de oito Resex há mais de seis anos. Talvez uma primeira seja cria-

da este ano. Estamos em vista também de criar o primeiro assentamento agroextrativista em área de Cerrado”, destaca.

Minas agora tem Comissão da Verdade Thaís Motta Do Portal Minas Livre Com o desafio de subsidiar a Comissão Nacional da Verdade, o governo de Minas empossou cinco dos sete membros da Comissão da Verdade em Minas Gerais (Covemg). Entre os principais casos que serão investigados estão o Massacre de Ipatinga, que ocorreu há quase 50 anos, no Vale do Aço. Segundo o advogado Antônio Ribeiro Romanelli, escolhido coordenador da Covemg, há informações de 48 trabalhadores da Usiminas mortos pouco depois de uma greve, mas esse número é contestado, já que alguns operários teriam desaparecido após

o episódio “Nosso objetivo é restabelecer a verdade, não a verdade dos vencedores, mas a verdade real. Uma frase que ouvi de um amigo e que a mim parece muito significativa é que: ‘O país deve ser escravo e não dono da verdade. A verdade deve ser uma meta que a gente deve buscar’”, afirmou. A comissão contará com o apoio da Secretaria de Estado de Casa Civil e de Relações Institucionais e suporte de órgãos e instituições do Poder Público. Após concluídas, as investigações serão encaminhadas ao governo do Estado, à Comissão Nacional da Verdade e ao Ministério Público.


Belo Horizonte, de 27 de setembro a 03 de outubro de 2013

Greve dos bancários não tem previsão para acabar SINDICAL Categoria reivindica reajuste e melhores condições de trabalho Joana Tavares

Rafaella Dotta De São João del-Rei Greve dos bancários aumentou 60% desde seu início, em 19 de setembro. Na terçafeira (24), os bancários paralisaram 9.665 agências em todo o país, reivindicando reajuste de salário e melhores condições de trabalho. A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), que representa os donos de bancos no Brasil, ainda não negociou com os profissionais e os sindicatos pretendem continuar a paralisação. O aumento reivindicado é o reajuste inflacionário, de 6,1%, mais 5% de aumento real. O pedido divide opiniões entre a população. Adriana de Souza, cliente do Banco do Brasil, acredita que os bancários “já ganham muito bem”. Mas Vanilda Conceição, funcionária do banco, explica que o salário não é tão alto quanto antigamente. “Hoje um concursado entra recebendo R$ 1.200. Os bancos lucraram R$ 30 bilhões só este ano e não podem dar um aumento?”, questiona. Pressão A greve também chama a atenção para as condições de trabalho. Para manter seus empregos, os bancários são fortemente pressionados a cumprir metas na “venda” de empréstimo, cartão de crédito, capitalização e previdências todos os dias. De acordo com um funcionário do Banco do Brasil que não quis se identificar, os gerentes ligam e di-

fatos em foco

Correios em greve Paralisados desde o dia 17, funcionários dos Correios de todo o país rejeitaram a proposta de 8% de reajuste salarial e decidiram manter a greve por tempo indeterminado, na segunda-feira (23). Aproximadamente 60% da categoria já aderiu à paralisação em Minas. Na manhã de terça-feira (24), os funcionários dos Correios realizaram uma manifestação em frente ao Complexo Operacional, na BR-381. A categoria exige aumento de 15% e a reposição de perdas salariais no período 1994 a 2002, calculadas em 20%, além da contratação de mais profissionais.

Escolas públicas, mas privadas?

Greve aumentou 60% desde o início, e cobra reajuste, condições de trabalho e a não aprovação do PL 4330

zem: “hoje é previdência”, e a agência é obrigada a vender milhões de reais em previdência. E, quando os bancários não atingem a meta, são repreendidos. “Eu trabalho oito horas e tem dia que vou pra casa chateado porque o gerente olhou pra mim como se eu não tivesse vendido nada”, lamenta o trabalhador. De acordo com o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), 21 mil bancários foram afastados por adoecimento apenas em 2012, sendo 25% por transtornos mentais, uma consequência direta da pressão por metas. Segundo Clo-

Com a palavra, os bancários O que você acha das notícias sobre a greve?

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Como está a negociação?

“Os jornais não noticiam. Assisti os jornais da TV e não apareceu nada. Mas como que eles vão noticiar se os bancos patrocinam tudo, não é? Ontem eu descobri que até Entre Tapas e Beijos o Banco do Brasil patrocina”

“A negociação não andou. Os bancos fizeram uma contraproposta (de 6,1%) antes da greve, que foi rejeitada pelos bancários. Depois que iniciamos a greve, não tivemos nenhum avanço. E nós estamos aqui, ansiosos para resolver essa situação”

Vanilda Conceição da Trindade, funcionária do Banco do Brasil em São João del-Rei

Clotário Cardoso, presidente do Sindicato dos Bancários de BH e Região Metropolitana

tário Cardoso, presidente do Sindicato dos Bancários de BH e Região Metropolitana, o as-

sunto também está em negociação com os donos dos bancos.

Banco do Brasil e Caixa sem concursos? O Projeto de Lei 4330, de autoria do deputado Sandro Mabel (PMDB), tramita na Câmara dos Deputados desde 2004. O projeto tenta modificar a contratação de serviços para empresas públicas e privadas, com a liberação da terceirização. Caso a PL 4330 seja aprovada, as empresas públicas poderão terceirizar todos os empregos, não havendo mais a necessidade de concursos públicos. O que signfica o PL 4330? Para Clotário Cardoso, presidente do Sindicato dos Bancários de BH e região, a aprovação do Projeto de Lei significa menos funcionários e menor qualidade no atendimento. “Com a PL 4330, os bancos podem mandar os clientes cada vez mais para as lotéricas, que são mais precarizadas.” De acordo com pesquisa

feita pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) em conjunto com o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), entre janeiro e julho de

Entre janeiro e julho os bancos privados fecharam 5.800 postos de trabalho 2013 os bancos privados fecharam 5.800 postos de trabalho. O Banco do Brasil manteve seu quadro e a Caixa Econômica teve saldo positivo de 3.156 vagas. O Projeto de Lei 4330, caso seja aprovado, libera os bancos públicos para exercer as mesmas quantidades de demissões que os bancos privados. Segundo Cardoso, a greve dos bancários é contra a aprovação da PL.

A Prefeitura de Belo Horizonte fechou um contrato de Parceria Público-Privada (PPP) com a Odebrecht Properties, empresa gestora do estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. Escolas públicas de BH serão administradas pela Inova BH, braço da multinacional, durante 20 anos. A construção das escolas também será realizada pela parceria. A companhia vai receber uma remuneração anual de R$ 39 milhões da Prefeitura durante os 20 anos do contrato, para fazer a manutenção das 37 escolas. O investimento para a construção das unidades foi de R$ 190 milhões, sendo que a PBH arcou com 50% do valor.

5% de reajuste, nada de piso Em reunião realizada na segunda-feira (23), o governo apresentou proposta de 5% de reajuste salarial ao professores da rede estadual. A categoria aponta que o aumento é insignificante e não cobre nem a inflação. “Queremos o pagamento do Piso Salarial como vencimento básico”, afirma Beatriz Cerqueira, presidente do SindUTE/MG. A próxima reunião será no dia 4 de outubro, quando a presidente do sindicato levará ao governo o resultado da assembleia da categoria.


08 | opinião

Belo Horizonte, de 27 de setembro a 03 de outubro de 2013

Acompanhando

Foto denúncia

Maíra Gomes

Na edição 5... Privatização da água em Minas e agora...

A comunidade Pedreira Prado Lopes está recebendo o projeto Vila Viva, da Prefeitura de Belo Horizonte. Há cinco anos as obras foram iniciadas, demolindo casas, abrindo ruas e desfazendo rede  de  esgoto construídas pelos próprios moradores há anos. A ideia era reconstruir e urbanizar, mas os entulhos não foram retirados, as ruas estão em puro barro e o esgoto corre a céu aberto.

Denuncie Viu algum absurdo? Quer divulgar? Mande sua foto para redacaomg@brasildefato.com.br. Lembre-se de mandar o endereço onde foi registrado o fato e seu contato

Beatriz Cerqueira

Denilson Martins

O Governo de Minas não entendeu o recado das ruas

100 dias de greve e a luta pela Lei Orgânica continua

Durante as manifestações de junho, milhares de pessoas pediram mais investimentos em educação e a valorização dos profissionais da área. Na contramão disso, o governo de Minas continua ignorando os problemas do setor. A primeira questão assustadora é o não investimento do mínimo constitucional de 25% de impostos na educação. A média dos últimos 10 anos foi de 21,05%. Isso quer dizer que o Estado deixou de investir mais de R$ 8 bilhões. O problema em Minas não é a falta de dinheiro, mas o que o governo tem feito com ele. Não prioriza o que é essencial para o povo.  A situação se agrava quando se discute a condição do profissional. Hoje, um professor com 20 anos de escola e com pós-graduação não chega a receber dois salários mínimos. O governo continua ignorando a questão do piso salarial. Ele é lei desde 2008 e o governo mineiro não planejou o seu pagamento. E ainda retirou o direito à carreira. Ninguém fica num lugar onde não é valorizado. Nesta conjuntura, o anúncio feito nesta semana, de 5%

de reajuste, é insuficiente para modificar a miséria a que o educador tem sido submetido. Mais grave é a manipulação de informações que o governo tem feito junto à população. A divulgação é de que haverá aumento de 19%. Isso não é verdade! O reajuste anunciado é de 5%. Queremos o pagamento do piso salarial. É ele o instrumento de valorização e resgate da importância dos profissionais do magistério. A quem interessa uma educação sucateada como temos em Minas? Quem está na escola pública é o povo. Ao povo ficam os restos do orçamento que não foram para a Copa e para os grandes empresários. Para denunciar tudo isso, os educadores mineiros estão acampados na porta da residência oficial do governador, no Palácio das Mangabeiras, desde o dia 30 de agosto. A nossa resistência é a resposta política ao neoliberalismo na educação mineira. Beatriz Cerqueira é coordenadora-geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind -UTE/MG)

A greve da Polícia Civil de Minas Gerais pela aprovação da Lei Orgânica que atenda as reivindicações da sociedade e da classe policial completou 100 dias. A proposta aprovada não contempla medidas como o estabelecimento de relação entre a menor e maior remuneração da Polícia. Mudanças no setor administrativo e de progressão de carreira também não foram contempladas, o que demonstra que até o momento tem prevalecido a posição tecnocrata e contábil do corpo técnico da Secretaria de Estado, Planejamento e Gestão de Minas Gerais, o centro nervoso do governo. É incompreensível a resistência e indiferença do governo para conceder valorização, modernização, reestruturação e investimentos quando o assunto é a Polícia Civil. Para alcançar os mesmos benefícios e até outros, não durou dois meses a negociação, apresentação e aprovação do projeto para Polícia Militar. Logo, é nítida a percepção que o tratamento é mesmo diferenciado. O Estado desconhece ou ignora o grande débito de gratidão que a sociedade e governo

possuem para com os policiais civis. Por mais de dois séculos, esses profissionais cuidaram impropriamente da custódia e escolta de presos, apesar de não ser uma atribuição legal e sem receber nenhum adicional por isso. Milhares de colegas em plena atividade tiveram sua saúde e suas carreiras interrompidas pela sobrecarga de trabalho. A PCMG oferece e trabalha muito para o bem da segurança pública do povo mineiro. Quando se fala em Polícia Judiciária, de função investigativa nos 853 municípios, nossa atuação é reconhecida como uma das melhores do Brasil. Porém, na hora de investir nessa importante instituição, o governo demora e condiciona migalhas ao atendimento. O sindicato lamenta os transtornos e a necessidade de ter que fazer greve para atender a simples necessidade de realização de concurso público e reestruturação da carreira. Denilson Martins é presidente do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil de Minas Gerais (Sindpol/MG)

Na última quinta-feira (25), aconteceu na Câmara Municipal de Brumadinho uma audiência pública coordenada pelos Vereadores Renata Parreiras e Reinaldo Fernandes. O objetivo foi discutir a Parceria Público-Privada (PPP) da Copasa para expansão do Sistema Rio Manso, situado no município. A população local e vereadores presentes manifestaram-se contrários à PPP. Reclamam da falta de atendimento da Copasa com água tratada a toda população, apesar de 26% da água para Região Metropolitana sair do município. Na sexta, dia 27, às 14h o Sindágua realiza ato público em frente à empresa. O sindicato denuncia o gasto desnecessário de R$ 500 milhões. Denuncia ainda que esse valor será cobrado do consumidor.

Na edição 4... Prisões violentas e arbitrárias marcam o 07 de setembro e agora...

Em ato que ocorreu na Praça da Liberdade no 07 de setembro, 56 pessoas foram detidas e 15 presas. No dia 10, a Justiça liberou 13, mantendo dois encarcerados. Inquérito da Polícia Civil de Minas Gerais encerrado no dia 20 indiciou e pediu a prisão preventiva de 11 destes manifestantes. Os indiciados vão responder por constituição de milícia privada, dano ao patrimônio público, desacato, incitação ao crime e corrupção de menores.


Belo Horizonte, de 27 de setembro a 03 de outubro de 2013

entrevista | 09

“O idoso é um cidadão como qualquer um” ENVELHECIMENTO Dez anos depois do Estatuto, ainda há o muito o que avançar Marcela Viana

Marcela Viana de Belo Horizonte Nos dias 27 de setembro e 1º de outubro são comemorados, respectivamente, o Dia Nacional do Idoso e o Dia Internacional da Terceira Idade. O tema nem sempre recebe a devida atenção da sociedade e dos governos, mas isso deve mudar nos próximos anos. O Brasil, considerado um país jovem, está envelhecendo rapidamente. Dados recentes do IBGE apontam que a população acima dos 65 anos deve passar de 14,9 mi (7,4% do total), em 2013, para 58,4 mi (26,7% do total), em 2060. O Brasil de Fato MG conversou com a assistente social e especialista em gerontologia (estudo do envelhecimento) Ruth Myssior, para saber se o Estado e a sociedade estão preparados para lidar com os idosos. Ruth é professora de Serviço Social e coordena a Universidade Aberta ao Idoso, programa de educação permanente, criado em 2004, na PUC Contagem, que oferece várias atividades para quem tem mais de 55 anos.

Brasil de Fato - Como indicam os dados do IBGE, até 2060, a população de idosos vai quadruplicar. Estamos preparados para esse aumento? Ruth Myssior - Acredito que muito pouco. Esse aumento pegou a sociedade de surpresa. Até os anos 1990, apostava-se em um Brasil para jovens. Apenas em 1994, após a morte de aproximadamente 100 idosos, da Clínica Santa Genove-

“Precisamos parar de ver o idoso como necessitado de tutela, de caridade, e o pior, tratá-lo como criança” va, no Rio de Janeiro, por conta de água contaminada, é que se fez uma lei específica para esse público: a Política Nacional do Idoso. Já em 2003, foi sancionado o Estatuto do Idoso. Apesar dessas iniciativas, ainda há muito que se fazer. As próprias famílias estão pouco pre-

paradas para cuidar do idoso, até por questões financeiras, e só agora o Estado começa a discutir mecanismos para atender a essas demandas. Você acredita que as questões relacionadas aos idosos têm a devida atenção da sociedade? Começa a ter agora. Primeiro porque são poucas as famílias que não têm um idoso em seu meio e segundo porque esses idosos, que antes eram invisíveis na sociedade, hoje aparecem, reivindicam, frequentam universidades, querem lazer, cultura. Mas a acessibilidade para eles ainda é pequena, o que os impede de exercer integralmente sua autonomia e independência. Outro ponto a ser destacado é que todos nós temos dificuldade de envelhecer. Falar de velho, velhice, é tratar da proximidade com a finitude, ou seja, com a morte. Há ainda, os estereótipos, de que ser velho é o fim da linha, que todos eles devem ficar em casa. E isso não é verdade. Todos podem ter uma vida ativa, enquanto tiverem saúde e lucidez para isso.

De forma geral, quais são os principais problemas enfrentados pelos idosos? O acesso à saúde gratuita e de qualidade é a principal demanda dos idosos atualmente. Mas acho que, além disso, o que eles precisam, hoje, é ser vistos como cidadãos comuns. Precisamos parar de ver o idoso como necessitado de tutela, de caridade, e o pior, tratá-lo como criança. Assim como qualquer um de nós, ele é um cidadão com direitos e deveres. Por outro lado, há uma grande carência na capacitação das pessoas que lidam com essa faixa etária. Quem trabalha ou convive com esse público, deve saber o que acontece com essa pessoa quando ela envelhece.

O Estatuto do Idoso completa 10 anos no dia 1º de outubro. O que ele trouxe de melhoria na vida de quem tem mais de 65 anos? Os avanços foram de caráter sociojurídico, como, por exemplo, os vários tipos de violência contra o idoso, hoje, são crimes e com penas previstas no Estatuto. E a violência, nesse caso, não se trata apenas de agressões físicas, mas também de violências psicológicas ou financeiras, como se apropriar indevidamente do cartão bancário de um idoso. Foi também a partir do Estatuto que se implantaram as normas de prioridade aos mais velhos, seja em filas de supermercados ou por meio de lugares reserva-

dos no transporte coletivo. Outro progresso trazido pelo Estatuto é a fiscalização mais incisiva das Instituições de Longa Permanência, antes conhecidas como asilos. O que ainda falta ser implantado? Muitas políticas sociais previstas na lei ainda não foram implantadas. Uma delas é a criação de mais grupos de convivência para a terceira idade. Com o envelhecimento, as redes sociais das pessoas diminuem muito e, nesse ponto, é muito importante o papel exercido por espaços onde os idosos podem interagir com outras pessoas e trocar experiências. Não há nenhum motivo para o idoso se isolar e ele não deve fazê-lo.

Os professores na TV

domingo - 8h25 - TV Band Minas

quarta - 11h | sexta - 20h | sábado - 16h - TV Comunitária de BH www.youtube.com/sinprominas O programa de TV do Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais. Temas relacionados à educação e assuntos em debate na sociedade.

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Filiado à Fitee, Contee e CTB - www.sinprominas.org.br


10 | brasil

FATOS EM FOCO Morre Irmã Genoveva No dia 24, faleceu a Irmã Genoveva, missionária que viveu por 60 anos junto ao povo Tapirapé, no Mato Grosso. Tratada apenas por Veva, ela foi uma das pioneiras, na vida missionária, da teologia da inculturação do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e sempre demonstrou total respeito à cultura e religiosidade dos povos indígenas. Veva, que em agosto deste ano completou 90 anos, deixou a França em 1952 e, desde então, vivia com os Tapirapé.

Dorothy Stang A Justiça do Pará condenou, no dia 19, o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, a 30 anos de prisão, pela morte da missionária Dorothy Stang. O julgamento, o quarto realizado, durou mais de 14 horas. Dorothy foi morta a tiros no município de Anapu, no sudoeste paraense, em 12 de fevereiro de 2005.

Mobilização Indígena A Articulação Nacional dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) convoca uma manifestação para os dias 30 de setembro e 05 de outubro, para defender a Constituição, os direitos dos povos indígenas e tradicionais e o meio ambiente. As ações vão também denunciar o ataque generalizado aos direitos territoriais dessas populações por parte do governo, da bancada ruralista, das grandes empresas de mineração e energia.

brasil | 09

Rio dedeJaneiro, 26 de setembro a 2 de outubro de 2013 Belo Horizonte, de 27 de setembro a 03 outubro de de 2013

Lutas e movimentos sociais na mira da lei antiterrorista Felipe Canova

REPRESSÃO Sob argumento de defender o país de ameaças terroristas, Projeto de Lei pode criminalizar organizações populares e suas lideranças Patrícia Benvenuti da Redação A menos de um ano para o início da Copa do Mundo, o legado deixado pelos megaeventos esportivos, até o momento, está longe de empolgar os brasileiros. cou visível durante os protestos que agitaram o país na metade do ano. Por toda a parte, multiplicavam-

Manifestante exibe a Constituição para Tropa de Choque diante do Estádio Mané Garrincha

se as críticas contra o gasto excessivo de recursos públicos em arenas, a interferência da Fifa em leis nacionais e as remoções de comunidades inteiras para dar lugar a novos empreendimentos. A Copa e as Olimpíadas, porém, podem dei-

xar outras heranças negativas. Com o argumento de proteger o país durante os jogos, tramita, no Congresso Nacional, o Projeto de Lei 728/2011, cação do crime de terrorismo. Apresentado pelo senador Romero Jucá (PM-

DB-RR), relator da comissão especial mista, criada no Senado para regulamentar dispositivos constitucionais, o texto estabelece penas entre 15 e 30 anos de prisão, em regime fechado, para quem “provocar ou infundir terror ou pânico generaliza-

do mediante ofensa à vida, à integridade física ou à saúde ou à privação da liberdade de pessoa, por motivo ideológico, religioso, político ou de preconceito racial ou étnico”. A versão de Jucá se baseia em diversas outras propostas; dentre elas, um anteprojeto elaborado pelo deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) e o novo Código Penal, além de tratados, protocolos e convenções internacionais. Atualmente, a Constituição Federal apenas repudia expressamente a prática do terrorismo, além de considerar o ançável e insuscetível de graça [espécie de indulto individual] ou anistia. Entretanto, não ca as ações e nem estabelece penas. O objetivo dos integrantes da comissão é aprovar a matéria até o começo do campeonato de futebol, em junho de 2014.

Dossiê desnuda “lambança” da política nacional de petróleo Agência Senado

POLÍTICA Segundo documento apresentado por Roberto Requião, a Agência Nacional de Petróleo age a favor de transnacionais estrangeiras e contra a soberania nacional da Redação “Estamos vulnerabilizando o país e enfraquecendo a soberania nacional por superávit primármações feitas pelo senador Roberto Requião (PMDB-PR), no dia 20 de setembro, durante seu discurso no plenário do Senado Federal. Integrante da base aliada do governo, o sermou considerar-se um cético em relação às ações do governo federal, principalmente, em relação ao que

caracterizou de “lambança” da política nacional do petróleo, a cargo da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Dossiê Portando em suas mãos um dossiê, cuja autoria não foi revelada, durante seu discurso, Requião destrinchou uma série de graves denúncias contra a ANP; entre elas, a de que a realização do leilão do campo de Libra, situado na Bacia de Santos, é um crime. “Nós todos sabemos, até mesmo senadores do

PSDB, que Libra com petróleo já descoberto pela Petrobras, em 2010, está sendo leiloado ao cartel das transnacionais petroleiras para gerar superávit primário” rmou. Com base nas informações do dossiê, Rermou, ainda, que os leilões de petróleo são desnecessários e que o governo federal está “trocando 15 bilhões pelo vanal de reservas fannanciar educação, saúde e infraestrutura no Brasil em um futuro próximo”. O documento apre-

O senador Roberto Requião

rma claramente que há uma submissão da estatal brasileira às transnacionais do setor petroleiro. Para ele, a atuação da dire-

ção da ANP é mais perigosa para o país que todas as denúncias de espionagem dos serviços de informação dos Estados Unidos na Petrobras.


brasil | 11

Belo Horizonte, de 27 de setembro a 03 de outubro de 2013

Lei Maria da Penha não consegue reduzir homicídios de mulheres, diz Ipea VIOLÊNCIA Estudo mostra que maioria dos crimes ocorre na casa das vítimas Carolina Sarres da Agência Brasil A  Lei Maria da Penha não teve impacto sobre a quantidade de mulheres mortas em decorrência de violência doméstica, segundo constatou um estudo sobre feminicídio, divulgado nesta semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara. De acordo com os dados do instituto, entre 2001 e 2006, período anterior à lei, foram mortas, em média, 5,28

mulheres a cada 100 mil. No período posterior, entre 2007 e 2011, foram vítimas de feminicídio, em média, 5,22 mulheres a cada 100 mil. Entre 2001 e 2011, estima-se que cerca de 50 mil crimes desse tipo tenham ocorrido no Brasil, dos quais 50% com o uso de armas de fogo. O Ipea também constatou que 29% desses óbitos ocorreram na casa da vítima – o que reforça o perfil das mortes como casos de violência doméstica. Feminicídio é o homicídio de mulheres em decorrência de conflitos de gênero, geralmente cometidos por um homem, parceiro ou ex-parceiro da vítima. Esse tipo de crime costuma implicar situações de abuso, ameaças, intimidação e violência sexual. 

Para o Ipea, o decréscimo em dez anos é “sutil” e demonstra a necessidade da adoção de outras medidas voltadas ao enfrentamento da vio-

Jovens e negras na mira Em relação ao perfil das principais vítimas de feminicídio, o Ipea constatou que elas são mulheres jovens e negras.

chega a 87%; no Norte, a 83%. Entre os estados brasileiros, o Espírito Santo é o que mais registrou assassinatos de mulheres

lência contra a mulher, à proteção das vítimas e à redução das desigualdades de gênero.

Do total, 31% das vítimas têm entre 20 e 29 anos e 61% são negras. No Nordeste, o percentual de mulheres negras mortas

entre 2009 e 2011, 11,24 a cada 100 mil – muito superior à média brasileira no mesmo período. Em seguida, outros esta-

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Esse dinheiro é do povo e tem que ser investido em educação!

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dos com alta incidência de homicídios de mulheres foram a Bahia (9,08), Alagoas (8,84) e Roraima (8,51). Em contrapartida, os estados com a incidência mais baixa foram Piauí (2,71), Santa Catarina (3,28), São Paulo (3,74) e Maranhão (4,63). No caso do Piauí e do Maranhão, o Ipea estima que a baixa incidência seja decorrente da deficiência de registro. Em Minas Gerais, a média foi de 6,49 mulheres mortas a cada 100 mil. De acordo com o Ipea, 40% de todos os homicídios de mulheres no mundo são cometidos por um parceiro íntimo. Em relação ao homem isso não ocorre. Apenas 6% dos assassinatos de homens são cometidos por uma parceira.


10 12 || mundo mundo

Rio Janeiro, de setembroa 03 a 2dedeoutubro outubro de 2013 Belode Horizonte, de26 27 de de setembro de 2013

Na ONU, Dilma ataca espionagem NOS EUA Além de pedir reforma no FMI, presidenta também criticou “imobilismo” do Conselho de Segurança de São Paulo Ao abrir a 68ª Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira (24), a presidenta Dilma Rousseff fez um discurso que teve como focos principais o repúdio à espionagem dos Estados Unidos e a valorização das conquistas do Brasil nos últimos dez anos. Como era de se esperar, a primeira parte da fala de Dilma foi voltada para criticar os grampos dos Estados Unidos, que “ferem o direito internacional e afrontam os princípios que regem as relações entre nações amigas”. Assim como já havia feito na Cúpula do Mercosul, realizada em julho na cidade de Montevidéu, a chefe de Esta-

Roberto Stuckert Filho/PR

Como era de se esperar, a primeira parte da fala de Dilma foi voltada para criticar os grampos dos Estados Unidos

do brasileira não aceitou a justificativa do governo de Barack Obama de que a espionagem tem importância para o combate ao terrorismo. “O Brasil sabe proteger-se e não dá abrigo a grupos terroristas”, argumentou a petista. Ela ainda lembrou que a “situação foi ainda mais grave”

“neutralidade da rede”.

Presidenta Dilma Rousseff durante assembleia da ONU

no caso do Brasil, pois representações diplomáticas e comunicações da Presidência sofreram interceptações inegáveis e injustificáveis.

Depois de tecer fortes críticas a Washington, Dilma reiterou que o Brasil apresentará à ONU propostas de governança que regulem a internet,

com o objetivo de poder explorar todo o potencial desse meio de comunicação, sem que sejam violadas as liberdades dos cidadãos e garantindo a

Conselho Ao analisar as dificuldades de chegar a uma solução nos conflitos da Síria e de Israel e Palestina, Dilma argumentou: “A recorrente polarização gera imobilismo perigoso. Somente a ampliação do número de membros e a inclusão de países em desenvolvimento poderá sanar o déficit de representatividade do Conselho de Segurança da ONU.” Por fim, a presidenta ainda reiterou que a direção do FMI (Fundo Monetário Internacional) deverá ser reestruturada o quanto antes, “para refletir o peso dos emergentes”. (Vitor Sion/ Opera Mundi) Paulo Filgueiras/ONU

Mujica critica sociedade capitalista em discurso Presidente uruguaio lamentou embargo à Cuba e a pobreza na América Latina de São Paulo O presidente do Uruguai, José Mujica, criticou duramente o consumismo durante seu discurso na 68ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, nesta terça-feira (24). “O deus mercado organiza a economia, a vida e financia a aparência de felicidade. Parece que nascemos só para consumir e consumir. E quando não podemos, carregamos frustração, pobreza e autoexclusão”, afirmou. No discurso, que durou 40 minutos, ele também elogiou a utopia “de seu tempo”, mencionou sua luta pelo antigo sonho de uma “sociedade libertária e sem classes” e destacou a importância da ONU, que se traduz para ele um “sonho de

“O deus mercado organiza a economia, a vida e financia a aparência de felicidade. Parece que nascemos só para consumir e consumir”, disse Mujica

paz para a humanidade”. Aos jornais uruguaios, Mujica prometeu um “discurso exótico” e fugiu do protocolo ao dizer que “tem angústia pelo futuro” e que nossa “primeira tarefa é salvar a vida humana”. “Sou do Sul (...) e car-

rego, inequivocamente, milhões de pessoas pobres na América Latina, carrego as culturas originárias esmagadas, o resto do colonialismo nas Malvinas, os bloqueios inúteis à Cuba, carrego a consequência da vigilância eletrônica, que gera desconfiança, que nos envenena inutilmente. Carrego a dívida social e a necessidade de defender a Amazônia, nossos rios, de lutar por pátria para todos e que a Colômbia possa encontrar o caminho da paz, com o dever de lutar pela tolerância.” A humanidade sacrificou os deuses imateriais e ocupou o templo com o “deus mercado, que organiza a economia, a vida e financia a aparência de felicidade. Parece que nascemos só para consumir

e consumir. E quando não podemos, carregamos a frustração, a pobreza, a autoexclusão”. No mesmo tom, ressaltou o fracasso do modelo adotado no capitalismo: “o certo, hoje, é que, para a sociedade consumir como um americano médio, seriam necessários três planetas. Nossa civilização montou um desafio mentiroso”. Para o presidente, o atual modelo de civilização “é contra os ciclos naturais, contra a liberdade, que supõe ter tempo para viver, (…) é uma civilização contra o tempo livre, que não se paga, que não se compra e que é o que nos permite viver as relações humanas”, porque “só o amor, a amizade, a solidariedade e a família transcendem”. “Arrasamos as selvas

O presidente uruguaio José Mujica

e implantamos selvas de cimento. Enfrentamos o sedentarismo com esteiras, a insônia com remédios. E pensamos que

somos felizes ao deixar o humano”. (do Opera Mundi com Vanessa Silva, do Portal Vermelho)


Belo Horizonte, de 27 de setembro a 03 de outubro de 2013

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variedades | 13

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Essa é a última semana de Saramandaia. Com um elenco excelente, efeitos especiais de última tecnologia e uma história em que o realismo fantástico predomina, a novela foi bastante divertida. A briga pela troca de nome da cidade, de Bole Bole para Saramandaia reflete a busca constante pela mudança, que se rebate no tradicionalismo e comodismo das pessoas e dos governos. É um tema atual, que esteve nas ruas do país durante o ascenso do mês de junho, e que certamente estará na boca do povo durante as eleições do ano que vem. A principal marca do folhetim, para além dos personagens dife-

rentes (a obesa que explode, o homem de asas, a mulher que pega fogo, o lobisomem, o homem enraizado), foi trazer para as conversas do dia a dia novas palavras e expressões, retomando o estilo “a la” Guimarães Rosa de inventar palavras. Já parou para pensar porque as coisas têm o nome que têm? É divertido chamar as ações, emoções e comportamentos de outra forma, talvez mais elucidativa das finalidades, intenções ou significados das palavras e expressões. Por exemplo, na novela, quando alguém se engraça pra cima do outro, encostando, faz um aconchegamento bulinatório. E quando se quer emagrecer, o regime é para desengordar. Quando alguém de-

Reprodução

sengonçado perde seus acessórios fica desapetrechado. Pratrasmente, apetrecho era uma palavra muito usada, lembrome por causa de minha avó. Não seria menos doloroso pensar que no fim de uma relação não estamos sendo abandonados, mas sim desnamorados? Neste caso, qualquer emergenciamento para encontrar um novo alguém poderia ser jogado prafrentemente. Brincar com as palavras e expressões que dão vida à língua vai deixar saudade! Agradeço a A.C. pelo conversatório criativista que motivou a escrivância de hoje.    Até a próxima semana! Por Joaquim Vela

C A

Laura Cardoso: a Veridiana de “Flor do Caribe”

Tecido de calças O perfil da campanha “Papai Noel dos Tecido de calças O perfil da campanha Cantor Correios” “Papai Noel dos nordestino, Cantor Correios” nordestino, secretário secretário de Cultura de Cultura da Paraíba da Paraíba

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Lauracarioca Cardoso: a Veridiana de “Flor do Caribe”

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Os inventórios de Saramandaia

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O raciocínio

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Megabyte (símbolo)

B A R

© Revistas COQUETEL 2013

gativa

B A R Aluno de instituição como a Aman

DeusdemuAjuste rádios çulmano Vitamina antigripal Prerro-

A C XL I T A P E R RI L V I I D OL U E R G M S O L I D C H I C O C

Estabelecimento que pode cobrar couvert artístico

Processo que define forma, brilho e cor de Fósforo uma pedra (símbolo) preciosa

D M L I C A T I V LI E A A P L A C E N T I L I N E A D A A G B A L P E SQ U B D Ç A R NA P L AI Ã I L HF A A A C O M P L O I V A AM BL I E V I D RE O D A A T N A L R L U T IR A Ç DA E T E AO M Ã A L O I M G M B A ARA LV O L I D AZ R R I I C O C CB ERA DSI ME AT

Riscar

Medidor usado pela blitz da Sódio Lei Seca (símbolo) Programa para tablet ou smartphone A pessoa que faz vista grossa para tudo

B A R Z C A D B R I S C H

www.coquetel.com.br sequencial “Dois”, em “ambivalente”

Mande sua dúvida: amigadasaude@brasildefato.com.br

AMIGA DA saúde www.coquetel.com.br Aqui você pode perguntar o que quiser para a nossa Amiga da Saúde

Ângela Maria Ferreira, 64, aux. de seguridade social Querida Ângela, os primeiros sintomas  da  infecção pelo HIV podem aparecer em cerca de    1 mês. Mas são sintomas que se confundem com os de outras doenças, como febre, mal estar, dor de garganta, etc.

Nesse período é possível fazer um teste para detectar o vírus e dar negativo (janela imunológica), mas a pessoa já pode transmitir o vírus para outras. Já a AIDS (a doença causada pelo HIV) pode demorar até 10 anos para se manifestar. Por isso é muito importante usar sempre a camisinha masculina ou feminina nas relações sexuais e fazer o exame periodicamente. O teste para HIV está disponível gratuitamente no SUS.

P

Amiga da saúde, quanto tempo leva para se manifestarem os sintomas do HIV?

Cara amiga, queria saber quais as primeiras providências que devo tomar após queimaduras? Posso colocar pasta de dente no local machucado?

x

Flávia Cristina Pereira, 40 anos, secretária Prezada Flávia, em caso de queimadura, você deve esfriar imediatamente a área queimada com água gelada (de preferência) ou água corrente com a finalidade de neutralizar a ação do calor (ou seja, com isso, no momento do acidente, você faz parar de queimar as camadas inferiores da pele). Se a área afetada for grande ou a queimadura for profunda (ou se tiver bolhas), proteja a área queimada

com um pano limpo e procure imediatamente um serviço de urgência para avaliação e tratamento adequado.

Amiga, sempre que me depilo, as regiões costumam ficar irritadas, e tenho dificuldades de usar calcinha e calça jeans. Que cuidados devo tomar após a depilação de áreas mais delicadas, como virilha e buço? Josélia Andrade, costureira, 38 anos Cara Josélia, você deveria procurar um método que cause menos irritação. A lâmina é o mais indicado por não agredir as glândulas de suor. Se você usar cera ou outro método que arranca os pelos é quase impossível não ter irritação. Nesse caso, não tome sol no local depilado por 48 horas para evitar queimaduras e manchas. Dê preferência aos talcos ao invés de cremes e óleos nesse pe-

ríodo. Use roupas leves. Busque manter a pele sempre hidratada antes da depilação, isso ajuda a reduzir os efeitos após o processo.


14 | cultura

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Belo Horizonte, de 27 de setembro a 03 de outubro de 2013

Samba de roda à meia noite TRADIÇÃO - Grupo retoma manifestação de raiz e ocupa viaduto toda sexta-feira Olivia Pimentel

Maíra Gomes De Belo Horizonte As madrugadas de sexta-feira em Belo Horizonte têm local marcado para a dança e música de origem africana: embaixo do viaduto Santa Tereza, com o grupo Samba da Meia Noite. Em entrevista, Jefferson Gomes de Souza, fundador e coordenador do grupo fala ao Brasil de Fato MG sobre a experiência e o ritmo Samba de Roda. Brasil de Fato - Como nasceu o Samba da Meia Noite? Jefferson Gomes de Souza - O grupo veio, primeiro, da minha vontade pessoal de fazer um samba de raiz, o primeiro samba, que é o Samba de Roda. Além disso, o grupo tem um mentor espiritual, uma entidade, o Malandro Zé Pretinho, que achou importante ter essa cultura circulando nas ruas. Através dos conselhos dessa entidade, a gente vem fazendo esse samba, ligado com a presença dele. O Samba da Meia Noite vem das Lavadeiras de Almenara, que minha avó, minha bisavó, minha tataravó participavam; e da influência do Malandro Zé Pretinho, com o samba de terreiro. Como tem sido a experiência nas ruas? No começo, o pessoal foi muito pela curiosidade, por ser no meio da rua. Aos poucos, foram percebendo que é cultural, samba de raiz. Aos poucos, foram entendendo o sistema de roda, e as cantigas sempre trazem histórias. Tivemos às vezes vontade de desistir, porque tinham alguns que não entendiam. As pessoas de dentro do candomblé e umbanda ficaram meio ressabiadas, mas perceberam que é uma manifestação cultural, tirando o sam-

ba dos encantados e levando pras ruas. As pessoas hoje vão pra conhecer, ser feliz. Como o grupo tem se mantido? Tudo vem do bolso dos integrantes. E com essa visibilidade estamos fazendo apresentações em outros lugares da cidade, onde recebemos contrapartida financeira. A partir desse retorno, estamos investindo em figurino, instrumentos, documentação. Temos também o ritual, que colocamos um texto num balde e o pessoal bota dinheiro lá dentro, o famoso ‘passar o chapéu’.

“O samba não é só dos encantados, foi pra rua” Como é a história dessa manifestação na cidade? O Samba de Roda em BH já tem uns 20 anos. Começou com o grupo Sambaê. E dentro dos terreiros sempre teve essa manifestação em rituais. E hoje, com o Samba da Meia Noite, conseguimos dar um rosto mais acessível para o Samba de Roda. Tem também o Fala Tambor e o Samba de Terreiro, grupos que vêm resistindo há muito tempo. Qual a importância do samba de roda para a cultura, para a cidade, para a população? É um símbolo de resistência do samba, da verdadeira história do samba. Tem a estética negra, de valorização e reconhecimento das raízes. Tem forte influência na musica brasileira, foi base para Gilberto Gil, Nana Caymmi, Caetano Veloso e outros. E também é importante para a autoestima da mulher, porque o samba gira em torno da mulher.

Jefferson de Souza, sobre o samba de roda: “É um símbolo de resistência, tem a estética negra, de valorização e reconhecimento”

Grupo faz teatro político e debate sistema de saúde nas ruas de BH Maíra Gomes De Belo Horizonte Nascido na periferia da capital, em Venda Nova, a Cóccix Companhia Teatral leva a realidade da periferia para a arte e a arte do teatro para a periferia. Na contramão dos grupos de teatro reconhecidos, a Companhia busca colocar em debate problemas sofridos pelas comunidades da Grande BH através da linguagem

teatral, construindo novos questionamentos sobre as políticas públicas. “A Companhia surge da necessidade de entender como fazer arte na periferia, qual o papel do artista ali”, conta a integrante Sinara Telles. O grupo foi criado em 2006, no bairro Serra Verde, onde moram os integrantes. Desde então, vêm realizando anualmente o Festival Ponta a Pé Cultural, levando para a região diMadana Mohana

Companhia Cóccix : arte para periferia, periferia para a arte

versas modalidades artísticas da comunidade e de toda a região metropolitana, além de oficinas e outras formas de interação com o público. A proposta é levar para a periferia projetos culturais que tenham continuidade, oportunidade que falta em BH, segundo opinião do grupo. Assim, eles esperam abrir a possibilidade de fomentar e sensibilizar um novo público para as artes. Além do Festival, a Companhia produz espetáculos que apresentam a realidade da vida do cidadão, sua relação com a cidade, a partir de depoimentos de outros moradores e experiências pessoais. Nesta linha, foi elaborada uma trilogia, que traz o debate de Moradia, Saúde e Educação. O primeiro tema foi trabalhado na peça “Meu canto de graça”. Esta semana houve a estreia da segun-

da produção do projeto, “Para se ta mal, ensaio de uma manifestação para poder poder!”, que busca uma reflexão da saúde, a partir de como o sistema interfere na vida dos cidadãos. Entre momentos de carnaval e manifestações, a peça traz uma linguagem divertida, mas direta da crítica à gestão da saúde no Brasil, mostrando o momento atual que o país vive: médicos cubanos, mídia ninja, toque de recolher da polícia e outras realidades. “O que a gente quer não é defender uma verdade, mas informar, mostrar nosso ponto de vista e levantar outras perguntas. O SUS é um programa de referência internacional, o que a gente precisa é que funcione igual está no projeto, pois a forma como ele foi construído e pensado é perfeita”, aponta Sinara.


Belo Horizonte, de 27 de setembro a 03 de outubro de 2013

agenda do fim de semana MÚSICA Jazz Festival Brasil, Tributo ao Brasil, com Toninho Horta, Kiko Loureiro, Pepeu Gomes e muitos outros. Sábado, 17h30, Local: Praça Duque de Caxias, Santa Tereza, BH. Festival de artes integradas “Pá Na Pedra”, em Ribeirão das Neves. Ritmos de rap, rock e música brasileira. Informações: www.festivalpanapedra.org. Sábado e domingo, às 17h. Local: Praça Central, Ribeirão das Neves. BH Beatles Festivalcom o cover de quatro bandas. Sábado, 13h. Local: Barragem Santa Lúcia, bairro Santa Lúcia, BH.

Betim recebe Lenine e Hugo Guedes, que tocam MPB. Sexta-feira, 20h. Local: Praça Milton Campos, Betim.

TEATRO INFANTIL

é tudo de graça!

cultura | 15

Segunda a quinta-feira

POESIA

EXPOSIÇÃO

“Tudo em ordem dentro do kaos”, leitura de poemas com Aroldo Pereira, Samuel Pereira e Jovino Machado. Domingo, 11h e 13h. Local: Memorial Minas Gerais - Praça da Liberdade, Funcionários, BH.

A exposição “Mostrasíntese”, da artista carioca Anna Bella Geiger, traz uma mostra de seus 60 anos de carreira. Até 19 de outubro, das 10h às 19. Local: Galeria Murilo Castro (Rua Antônio de Albuquerque, 377, conj. 02), Savassi, BH.

ARTE

O clássico “Peter Pan”, Sábado, 16h. Local: Shopping Estação BH, Av. Cristiano Machado, 11.833, Venda Nova, BH. “A esquilinha prudente”, Domingo, 10h30. Local: Espaço Cultural Recreio, Av. Barão Homem de Melo, 3.535, Estoril, BH.

Festival Perpendicular: “Como resistir?”, performances e improvisações no centro da capital. Até domingo, vários horários. Local: Sesc Palladium, Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro, BH.

“Ainda: o livro como performance” propõe novo olhar sobre produção artística contemporânea. Até 13 de outubro, das 9h às 19h. Local: Museu de Arte da Pampulha - Avenida Otacílio Negrão de Lima, 16585, Pampulha, BH.

FOTOGRAFIA Os céus como fronteira: a verticalização no Brasil. Até 20 de outubro, das 9h às 18h. Local: Casa do Baile, Av. Otacílio Negrão de Lima, 751, Pampulha, BH.

II FESTIVAL DIA SEM PRECONCEITO DANÇA Corpo e Alma, Fogo e Água, espetáculo de dança flamenca . Sábado, 21h. Local: Rua Sergipe, 1.199, Savassi, BH.

Sexta e sábado, das 9 às 22h, no Uai Shopping (Rua Saturnino de Brito, 77, Centro, BH). A programação da segunda edição do evento conta com pales-

tras, shows de música, desfiles de moda, exposições e performances. São destaque os concursos Miss Pantera Transex 2013 e Miss Prostituta 2013. Uma das novidades do evento é o lançamento

do espaço “Inclusão Social Uai”, que promoverá ações contra qualquer forma de exclusão. O núcleo abrigará instituições que lutam contra o preconceito.

esporte |

na geral Série B Na Série B do Brasileiro, América e Boa estão juntinhos, em 9º e 10º lugares, respectivamente, ambos com 35 pontos, 6 de distância do G4. No sábado (28), o Coelho recebe o Avaí, 7º lugar, no Independência, às 16h20, e o Boa vai ao Frasqueirão, em Natal (RN) enfrentar o lanterninha ABC, às 21h.

Cargo vazio Depois da misteriosa demissão de Mano Menezes do comando técnico do Flamengo, apa-

artigo | Lincoln Pinheiro Costa rentemente nenhum outro técnico quer assumir o clube. Abel Braga já disse “não” duas vezes à diretoria do clube, e não há outro nome de consenso. Enquanto isso, Jaime de Almeida segue como interino. Será que o destino nos brindará com a volta do Papai Joel?

Vôlei com tudo Já começou a pleno vapor a temporada 2013/2014 da Superliga Masculina de Vôlei. Minas Gerais é o estado com mais clubes na disputa (quatro) junto com São Paulo. Além de Cruzeiro,

Minas e UFJF (de Juiz de Fora), neste ano temos a volta da equipe de Montes Claros à competição.

Vôlei com tudo 2 O Brasil consagrou-se campeão do torneio Sulamericano de Vôlei Feminino, no Peru, encerrando sua participação invicta no domingo, com um 3-0 sobre o Peru. Esta foi nossa 17ª conquista do torneio, evidenciando mais uma vez a hegemonia brasileira no esporte. De lambuja, ainda carimbamos vaga no Mundial da Itália, em 2014.

Calendário do Futebol em 2014 Alguns jogadores de futebol resolveram reivindicar uma mudança no calendário do futebol brasileiro de 2014, haja vista o acúmulo de competições com a Copa do Mundo, mas esta luta está fadada ao fracasso. Os clubes são dependentes do dinheiro da TV e a esta interessa que haja jogos em vários dias da semana para preencher a grade de programação e veicular a propaganda dos anunciantes. Emissoras de TV que não têm direito à transmissão das partidas e emissoras

de rádio que não pagam por elas também não querem mudança no calendário, pois alavancam a audiência com programação esportiva. Uma mudança séria no calendário teria que acabar com os campeonatos estaduais, excrescência só existente no Brasil e que serve para aumentar, ano após ano, o fosso que separa o futebol do eixo Rio-SP do futebol no restante do país. Mas para isso teria que haver alternativas de receitas...

Enquanto isso, os ingressos caros cobrados nas superfaturadas e padronizadas arenas, além das diversas proibições a que o torcedor é submetido, estão derrubando a média de público das competições. Resta-lhe pagar para assistir as partidas de seu time na TV por assinatura, se ele não for torcedor dos times do “The Establishment”, os times do “apito amigo”, que têm suas partidas transmitidas pela TV aberta para todo o país.


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Belo Horizonte, de 27 de setembro a 03 de outubro de 2013

Atlético

Por una cabeza Bruno Cantini

Cruzeiro

Há males que vêm pra melhor Time se esforça no treinamento, mas é melhor focar no Mundial

Rogério Hilário Dizem que os argentinos são pessimistas e isto fica evidente nas letras de tango, onde a tragédia, o fracasso, a traição, a vingança e o desengano são frequentes. Carlos Gardel personificou tamanha desilusão em várias obras-primas do derrotismo. Assim como é quase macabro o eterno luto da presidenta Cristina Kirchner. Eu diria que os portenhos são pragmáticos ou calculistas. O meia -atacante Dátolo mostrou ser, nesta semana, no mínimo realista. Em contraponto ao otimismo do téc-

nico Cuca, que já vislumbrou, pelo menos para o público externo, a possibilidade de o Galo lutar pelo segundo título brasileiro, o portenho, como eu, só enxerga a competição nacional como preparação para o Mundial Interclubes. E, mesmo assim, nem o argentino e Fernandinho, contratados fora do prazo, estão garantidos na disputa no Marrocos. Confesso que, depois do gol perdido contra o Vasco, não faria muita força pelo aproveitamento de Dátolo no Mundial. Mas Fernandinho tem sido muito útil na função antes ocupada pelo saudoso Bernard.

Acredito que Cuca vem sofrendo uma síndrome comum aos nossos treinadores. Muitos já apelaram para a autoajuda como forma de recuperar a autoestima dos torcedores. Só que reedição do “eu acredito” não colou na Copa do Brasil e muito menos faz sentido, pelo menos por enquanto, no Brasileiro. Sejamos realistas, ou, quem sabe, pragmáticos: o Mundial está logo ali, e o Brasileiro muito distante. No ano passado ficou tão perto, foi por “una cabeza”, já dizia o grande Gardel. Agora, esquece.

Anuncie no Brasil de Fato MG Todas as semanas nas ruas de Belo Horizonte

(11) 2131-0800 publicidademg@brasildefato.com.br

Washigton Alves

Wallace Oliveira No primeiro tempo contra o Corinthians, o Cruzeiro insinuava uma vitória tranquila, apesar das belas defesas do goleiro Cássio. Logo após o intervalo, o rendimento do time desabou. Muitos atribuíram essa mudança à má alteração feita por Marcelo Oliveira: tirou Borges, pôs Júlio Baptista na armação e avançou Ricardo Goulart. Todavia, convém não esquecer que o atual campeão do mundo encurtou sua boa marcação, enquanto o Cruzeiro parou de marcar por pressão no campo de ataque. Ademais, a saída de bola da equipe mineira piorou. Baptista não é mais um bom meio campista. Quando aceitar que é o centroavante técnico e com porte físico para suplantar Borges, nunca mais iniciará uma partida no banco. Atuando à frente, como no dia 18 de setembro, foi decisivo. No

Mais importantes que os centroavantes são os atacantes móveis

meio campo, erra passes, congestiona o setor e deixa o time lento. Não creio que um centroavante seja indispensável. Pode até atrapalhar, tornando o ataque previsível aos marcadores adversários. Mais importantes do que os “banheiras” de ofício são os atacantes móveis, com técnica e velocidade para buscarem a bola, criarem jogadas e fazerem gols. Mais útil do que o velho ponta de lança é quem chega à área fi-

nalizando com eficiência. Boa parte do time já faz isto muito bem. Há males que vêm para o melhor. Enquanto o Cruzeiro, fora da Copa do Brasil, ganhou uma semana de folgas e treinos, Botafogo, Atlético Paranaense e Grêmio se desgastaram nos jogos das quartas de finais da competição. É preciso converter essa vantagem no calendário em vantagem na tabela do Brasileirão, jogando bem nas próximas duas rodadas.

Manifesto contra calendário dos jogos Cerca de 75 jogadores, num gesto inédito, divulgaram manifesto pela reformulação do calendário do futebol. Nomes como Paulo André, Jefferson, Alex, Juninho Pernambucano, Júlio Baptista e Zé Roberto assinam. A preocupação é proteger a qualidade do espetáculo e a saúde dos atletas. O deputado federal Romário (PSB-RJ), que anda batendo um bolão no Congresso, já soltou nota apoiando o gesto. A Federação Nacional dos Atletas foi além e propôs uma paralisação do Campeonato Brasileiro. As análises são unânimes: as jornadas de junho contaminaram o ânimo dos jogadores na luta por condições de trabalho.


Edição 006 do brasil de fato mg