Edição 274 do Brasil de Fato MG

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Ronaldo Schemidt / AFP

Dinheiro de volta

Bruno Figueiredo / Área de Serviço

Cinema de rua

Jogo entre Cruzeiro e Deportivo Lara foi adiado para dia 27. Mineirão e Cruzeiro reembolsam torcedores

Conheça o novo espaço cultural no centro de Belo Horizonte vai exibir filmes de graça

ESPORTE 16

CULTURA 14

MG Minas Gerais

Belo Horizonte, 15 a 21 de março de 2019 • edição 274 • brasildefato.com.br • distribuição gratuita Carl de Souza / AFP

Marielle inspira luta por justiça pgs 2, 3, 5, 6, 7, 11 EBC

Reforma da Previdência atinge mais as mulheres Elas ganham menos, são a maioria dos desempregados, trabalham sem carteira assinada, além de dedicar mais horas por semana à família e à casa, mostra relatório BRASIL 9

Quando o minério acaba Com economia abandonada após fim do ciclo minerário, Raposos depende de serviços e postos de trabalho de cidades vizinhas CIDADES 4


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OPINIÃO

Belo Horizonte, 15 a 21 de março 2019

Editorial | Brasil

Massacres dos de cima, rebeliões dos de baixo O massacre na escola em Suzano dá uma bofetada na cara do Brasil. É mais uma notícia muito triste, de uma coleção delas, que têm surgido todos os dias. Estariam elas desconectadas ou fazem parte de um mesmo contexto? Só assassinatos, podemos lembrar vários. A Vale matou mais de 300 pessoas em Brumadinho. Um segurança matou um jovem asfixiado em um supermercado do Rio há menos de um mês. Todos os dias pelo meBrasil de Fato MG

Acabar com a desigualdade social deveria ser o problema número um do país

Dona E dna Nossa querida Dona Edna se foi. E com muito amor, nos despedimos. Durante toda a existência do Brasil de Fato MG, ela esteve firme, forte e com uma alegria contagiante distribuindo o jornal na Estação Central do metrô de BH. Nos resta agora agradecer profundamente por todo esse tempo que nos foi permitido conviver. Aprendemos muito. E sempre nos lembraremos com saudade e carinho do sorriso e da coragem de lutar. Muito obrigada, Dona Edna. “Eu digo que vida é isso, buscar as histórias sempre de cabeça erguida, sem atropelar ninguém, ser a gente mesmo. Assim eu creio que a gente consegue superar as ondas bravas que vêm” Dona Edna.

nos 13 mulheres morrem no país vítimas de violência. O Brasil é campeão mundial em mortes por arma de fogo, com 47 mil mortes por ano. Somos também campeões em aprisionamento, com uma gigantesca população encarcerada. Em sua maioria homens, jovens, negros e pobres. Essas estatísticas precisam ser vistas à luz da nossa desigualdade social. O Brasil é o 9º país do ranking mundial em desigualdade de renda. Aqui, a separação entre ricos e pobres é gritante, absurda, violenta e extremamente prejudicial à democracia e ao desenvolvimento. Enquanto uns poucos têm acesso às melhores faculdades do mundo e andam com carros de meio milhão de reais, a grande maioria da população vive na luta diária pela sobrevivência.

Por interesse dos de cima, não se percebe que acabar com a desigualdade social deveria ser o problema número um do país. Todas as medidas adotadas desde o golpe do impeachment acenam para o agravamento da desigualdade, o aumento da violência e a piora das condições de vida dos mais pobres. Ao mesmo tempo, preservam privilégios e concentram renda. O congelamento dos gastos públicos com saúde e educação por 20 anos aumenta a calamidade pública ano a ano. A liberação do porte de armas tornará massacres, como o de Suzano, ainda mais comuns. A proposta de reforma da Previdência congelará as atuais aposentadorias, e tornará inalcançáveis novos benefícios para a grande maioria, além de reduzir o valor para aqueles que conseguirem se aposentar. As privatizações entregarão o que é público, para a ganância do lucro, tornando crimes como os de Brumadinho ainda mais prováveis.

Mais armas, mais massacres Os de cima sabem que esse massacre planejado, mas camuflado, de ajuste fiscal e saneamento dos gastos gerará reação. Por isso, tratam de se antecipar e desde já criminalizam movimentos populares, retiram recursos dos sindicatos, matam lideranças como Marielle e tantas outras. Tentam conter o Brasil do povo brasileiro de nascer. Não conseguirão. Os de baixo já fizeram muitas revoltas e rebeliões e seguirão fazendo.

Escreva para a gente também: redacaomg@brasildefato.com.br ou em facebook.com/brasildefatomg O jornal Brasil de Fato circula semanalmente com edições regionais, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro, no Paraná e em Pernambuco. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais em nosso país e no nosso estado.

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conselho editorial minas gerais: Aruanã Leonne, Beatriz Cerqueira, Bernadete Esperança, Bruno Abreu Gomes, Ênio Bohnenberger, Frederico Santana Rick, Helberth Ávila de Souza, Jairo Nogueira Filho, Joana Tavares, João Paulo Cunha, Joceli Andrioli, Jô Moraes, José Guilherme Castro, José Luiz Quadros, Juarez Guimarães, Marcelo Almeida, Makota Celinha, Maria Júlia Gomes de Andrade, Milton Bicalho, Neila Batista, Nilmário Miranda, Padre Henrique Moura, Padre João, Pereira da Viola, Renan Santos, Rogério Correia, Rosângela Gomes da Costa, Robson Sávio, Samuel da Silva, Talles Lopes, Titane, Valquíria Assis, Wagner Xavier. Editora: Joana Tavares (Mtb 10140/MG). Redação: Amélia Gomes, Larissa Costa, Rafaella Dotta, Raíssa Lopes e Wallace Oliveira. Colaboradores: Adília Sozzi, Anna Carolina Azevedo, André Fidusi, Bráulio Siffert, Diego Silveira, Fabrício Farias, Felipe Marcelino, João Paulo Cunha, Jordânia Souza, Luiz Fellippe Fagaráz, Pedro Rafael Vilela, Renan Santos, Rogério Hilário, Sofia Barbosa. Revisão: Luciana Gonçalves. Administração e distribuição: Paulo Antônio Romano de Mello, Viícius Moreno Nolasco. Diagramação: Tiago de Macedo Rodrigues. Tiragem: 40 mil exemplares.


? PERGUNTA DA SEMANA

Nesta semana completou-se um ano que a vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL, Marielle Franco, foi assassinada. Investigações andaram, mas ainda não responderam quem mandou matar e por que mandou matar. O Brasil de Fato MG pergunta a sua opinião:

Quais foram os interesses em matar Marielle Franco?

Ela estava incomodando muito a milícia do Rio de Janeiro. Acho que foi uma “queima de arquivo”, porque ela estava chegando muito perto de informações poderosas. Queriam eliminar mesmo.

Foi para silenciar uma voz de luta e resistência, que vai contra a vontade do sistema. Principalmente por se tratar de uma mulher de origem humilde, ocupando um cargo político e levando as questões da favela.

Natália Cruz, estudante

Edgar Siqueira, músico e assistente social

Belo Horizonte, 15 a 21 de março 2019

GERAL

3 Mauro Calove

Declaração da Semana “Cada abraço que eu recebo hoje é um signo potente contra o fascismo instaurado no Brasil. O amor é o laço simbólico original. O ódio é sempre diabólico” Disse Márcia Tiburi, filósofa e ex-candidata ao governo do Rio de Janeiro, que deixou o Brasil após ameaças de morte e uma invasão a sua casa.

Como fazer seu filho se alimentar melhor?

Reprodução

As crianças devem ser estimuladas desde cedo a experimentar. A partir dos seis meses, elas podem conhecer novos sabores, cores, aromas e texturas. É importante introduzir alimentos naturais, de forma lenta e gradual. Ao mesmo tempo, o ideal é manter o leite materno até os dois anos de idade ou mais. Deve-se evitar o consumo de alimentos industrializados e trazer para a mesa pratos coloridos, livres de conservantes ou corantes e ricos em nutrientes. Envolver os pequenos no preparo das refeições também é uma ótima saída!

Bombou na rede: #BolsonaroÉFakeNews

Antonio Cruz /Agência Brasil

Nesta semana, essa hashtag foi uma das mais compartilhadas entre os usuários do Twitter para criticar Bolsonaro. O presidente publicou, no domingo (10), uma notícia falsa para atacar a jornalista Constança Rezende, atribuindo a ela a declaração de que teria intenção de “arruinar Flávio Bolsonaro” e buscar o impeachment do presidente. Esse feito alimentou o ódio e fez com que a jornalista fosse atacada por bolsonaristas nas redes sociais. Segundo a agência Aos Fatos, que faz checagem de conteúdo, a cada dez declarações de Bolsonaro durante as primeiras dez semanas de governo, quase seis eram falsas ou distorcidas.


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MINAS

Belo Horizonte, 15 a 21 de março 2019

Raposos, uma cidade que a mineração criou e destruiu DEPENDÊNCIA Município com prazo de validade: após escassez da mina da região, cidade se tornou um dormitório Prefeitura de Raposos

Raíssa Lopes

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amila Madeira é moradora de Raposos, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, mas não trabalha na cidade, assim como a maioria de seus familiares e dos mais de 15 mil habitantes de lá. “Meus primos estudam e trabalham fora. A gente depende muito de coisas que estão em outros municípios, até mesmo para atividades de lazer”, conta. Mas o que esse assunto tem a ver com mineração? A história de Raposos e a da atividade minerária na região se confundem. A extração começa no século 18, na Mina do Espírito Santo. Como a mineração não era como a de hoje – com grande número de máquinas,

PBH

produção automatizada e de larga escala –, a mineradora empregava quase toda a população local. A economia da cidade permaneceu com essa base até 2003, quando a mina atingiu a escassez e a atual

proprietária, a empresa AngloGold Ashanti, decidiu encerrar as operações no terreno. A maioria das famílias perdeu o sustento, centenas de postos de trabalho diretos e indiretos desapareceram e o comércio foi muito enfra-

quecido. Desde então, Raposos não se recuperou. Agora, a prefeitura é o maior empregador e quase todos os moradores trabalham e consomem serviços em municípios vizinhos, principalmente BH. Esse fenômeno rendeu a Raposos o título de “cidade dormitório”. De acordo com Tádzio Coelho, do Movimento Pela Soberania Popular na Mineração (MAM) e pesquisador do Centro Ignácio Rangel de Estudos do Desenvolvimento, essa situação exemplifica o que é chamado de “minerodependência”, ou seja, quando uma cidade renuncia a outros tipos de desenvolvimento, autônomos ou locais, em nome da exploração de minério. Inclusive, ele entende que Ra-

posos anuncia o que muitas cidades do Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais ainda podem vivenciar.

Raposos anuncia futuro de muitas cidades Tem solução? A avaliação do pesquisador é que o poder público estadual e nacional deveriam assumir, com urgência, uma política de diversificação produtiva dos municípios minerados com atividades não relacionadas à mineração, mas que tenham participação popular, além de planejamento e financiamento.

Kalil e vereadores de BH negam transporte gratuito para usuários do SUS SAÚDE Prefeito veta passe livre para pessoas em tratamento de saúde sem condições de arcar com deslocamento e vereadores se calam PBH

de. O custo com o deslocamento afeta diretamente na recuperação ou não dos pacientes.

Amélia Gomes

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ma vez por semana Valdecir de Aguiar faz tratamento de saúde em hospitais e nas UPAS de BH. Por mês, ele gasta em média R$ 40 com passagem para poder se cuidar. Como está desempregado, o valor é um peso no orçamento. Valdecir é conselheiro de saúde e semanalmente participa de reuniões. Para realizar o trabalho voluntário, ele também precisa de transporte e às vezes arca do próprio bolso com os custos. “Eu moro no Cabana, as consultas são

Profissional da Saúde atende paciente em Centro de Referência em Reabilitação PBH

sempre em outros bairros. Vou sair às 6h da manhã para chegar lá a tempo, porque eu vou a pé”, conta. Assim como Valdecir, mui-

tos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) que estão em tratamento não têm condições de arcar com o transporte para as instituições de saú-

Passe livre negado O Conselho Municipal de Saúde de Belo Horizonte propôs a criação do Passe Livre da Saúde. O projeto seria dedicado apenas apessoas que estão em tratamento contínuo, como quimioterapia ou fisioterapia, e que não têm como arcar com os custos do transporte para exames e consultas. A proposta foi apresentada à Câmara Municipal em julho de 2017

via Projeto de Lei 406, de autoria do vereador Catatau do Povo, do PHS. No final do ano passado, o PL foi aprovado em dois turnos pelo plenário e enviado ao prefeito. Em janeiro deste ano, Kalil vetou integralmente o texto. No último dia 8, o veto do prefeito foi analisado pelos vereadores, que por 17 votos a 14 aprovaram a queda do projeto. O Conselho denuncia que durante as votações do texto em plenário os votos favoráveis à proposta foram quase unânimes. No entanto, após o veto do prefeito, muitos vereadores mudaram de lado.


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MINAS

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Atingidos por barragens cobram desarquivamento de política estadual de direitos PRESSÃO Lei que assegura assistência aos atingidos pela construção, ampliação ou operação de barragens foi arquivada em janeiro ALMG

Da redação

C

erca de 400 atingidos participaram de uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, no dia 14, para exigir o desarquivamento do Projeto de Lei 3.312/16. O texto trata da Política Estadual dos Atingidos por Barragens e outros Empreendimentos (PEAB). A lei define o conceito de atingidos, lista seus direitos, determina as formas de reparação, os mecanismos de financiamento e o órgão gestor da política, prevendo a participação da população. A proposição foi arquivada em janeiro deste ano, quando estava prestes a ir à vota-

Como assim mataram a Marielle?

Um ano depois do assassinato de Marielle e Anderson, a pergunta segue ecoando: quem mandou matar? Mulheres negras relatam a dor de receber a notícia, falam sobre o significado desse crime e contam que Marielle deixou muitas sementes. Confira em www. brasildefato.com.br

Ação integra jornada de atividades do Dia Internacional de Luta Contra Barragens

ção no plenário. O pedido de desarquivamento da proposta precisa ser feito pelo governador, Romeu Zema (Novo).

Ele foi convocado, mas não compareceu à audiência. O coordenador nacional do MAB, Joceli Andreoli,

Atos do Dia da Mulher em 22 estados

ressaltou que o movimento, bem como o Ministério Público e a Defensoria Pública, irão participar da atualização da PEAB assim que ela voltar a tramitar na ALMG. “Queremos que o PL leve em conta as experiências dos crimes de Mariana e de Brumadinho e contemple de fato os seres humanos que não têm garantias em nenhum marco legal”, salientou. No dia 13, os atingidos realizaram um protesto em frente à 12° Vara da Justiça Federal em Belo Horizonte, para denunciar a morosidade nos processos de reparação das vítimas do crime cometido na Bacia do Rio Doce, em 2015, e exigir

que a lentidão não se repita com as famílias de Brumadinho. 14 de março Dia Internacional de Luta Contra Barragens A data foi definida em 1997, quando o Brasil sediou o 1º Encontro Internacional dos Atingidos por Barragens. Desde então, por todo o mundo, populações atingidas por barragens denunciam os crimes sociais, econômicos, culturais e ambientais relacionados a empreendimentos como usinas hidrelétricas e mineração. O dia também marca os 27 anos do Movimento dos Atingidos por Barragens.

Mulheres param trem da Vale e sofrem repressão

MAM

O dia 8 de março, Dia Internacional de Luta das Mulheres, foi marcado por manifestações em todo o Brasil. Os principais temas dos protestos foram a solução e punição do assassinato de Marielle Franco e do crime da Vale, em Brumadinho. Em muitos cartazes e faixas, as participantes afirmavam também que não querem a reforma da Previdência. Em BH (foto), o ato aconteceu no Centro e contou com uma bateria de carnaval formada por integrantes de 40 blocos.

Fazenda de João de Deus é ocupada por 800 mulheres Uma fazenda do médium João de Deus foi ocupada, na quarta (13), por trabalhadoras do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). João de Deus foi denunciado por mais de 500 mulheres por assédio e abuso sexual. O médium possui na cidade de Anápolis (GO) outros 30 imóveis e terrenos, que juntos equivalem a quase mil campos de futebol. A fazenda ocupada é um dos bens bloqueados pela Justiça desde as denúncias. O movimento afirma que usará a fazenda para moradia e produção de alimentos.

Pela memória de Marielle Franco e por justiça às vítimas da Vale pelo rompimento da barragem Córrego do Feijão, em Brumadinho, cerca de 400 mulheres do Movimento Pela Soberania Popular na Mineração (MAM) e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam na manhã de quinta-feira (14) a ferrovia que transporta minério de ferro extraído da região do quadrilátero ferrífe-

ro em Sarzedo (MG), cidade vizinha aà Brumadinho. A polícia reprimiu a manifestação e feriu ao menos 11 militantes com bombas e balas de borracha. Em Sarzedo também está localizada a mina Jangada, responsável por 7% da produção da Vale, e de onde saíram os rejeitos que soterraram Brumadinho e o rio Paraopeba, matando 308 pessoas e deixando 136 crianças órfãs.


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OPINIÃO

Belo Horizonte, 15 a 21 de março 2019

Opinião

Pátria armada, Brasil João Paulo Qual a principal agenda brasileira? A reforma da previdência? O combate à corrupção? A retomada da economia e o combate ao desemprego? A melhoria da educação pública? A garantia de saúde de qualidade à população? Nada disso. São as armas. Os fatos falam por si. O principal gesto da campanha do atual presidente foi a imitação da posse de uma arma, feita com os dedos, dirigida contra os opositores, ou mesmo a simulação de uma rajada de metralhadora contra a multidão, em nome do extermínio da “petralhada”. A atitude não precisa de metáfora: identifica o diferente como inimigo; o debate como guerra; o extermínio no lugar do argumento. Podem dizer que se tratava de campanha. Mas, depois da eleição, piorou. O primeiro decreto presidencial, de 15 de janeiro, flexibilizava a posse legal de armas, no limite absurdo de quatro artefatos por cidadão. O superministro Moro ficou com o constrangimento de defender a medida em público.

Facilitar o porte de armas e desprestigiar a educação é via para mais tragédias Fez comentários desonestos sobre estatísticas que relacionam armas e aumento de criminalidade. Foi, no mínimo, fraco e, no limite, cínico. Tudo para manter seu projeto paralelo de comando do Estado a partir do domínio das instâncias judiciárias. As armas seguiram dominando a pauta. Nem bem a flexibilização foi anunciada, a bancada da bala já se anima na próxima etapa de seu propósito. Vem aí a discussão sobre o porte no faroeste das ruas. As armas voltariam a brilhar no noticiário na figura truculenta do policial que conduziu Lula ao enterro do neto, num despropósito absurdo entre a dor e a exibição de um ar-

senal não condizente com a situação. O anúncio da prisão dos assassinos de Marielle Franco, sem que os mandantes fossem identificados, mostrou que um dos criminosos, ligado às milícias de forma orgânica, mantinha estoque de nada menos que 117 fuzis, esperando oportunidade de negócio. As armas tomaram de novo a atenção com o massacre numa escola em Suzano, São Paulo. Os dois jovens, que mataram oito pessoas e se suicidaram, eram fascinados por armas e tomados pelo discurso de ódio. O Brasil é o país que mais mata por armas de fogo em todo o mundo. As cerca de 17 milhões de armas (mais da metade ilegais) exterminam a vida de mais de 43 mil pessoas a cada ano. Os EUA, em segundo lugar, cravam 37 mil mortes. Facilitar a posse de armas e desprestigiar a educação em favor de valores conservadores ou de mercado é pavimentar o cenário para novas tragédias. Os imbecis que fazem “arminha” vão passar muitos anos tentando tirar as marcas de sangue das mãos. ANÚNCIO

mar 2019

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14h

A I E L B M E S L AS A DU

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Assembleia Legislativa / ALMG R. Rodrigues Caldas, 30 - Santo Agostinho - BH

Foto: Lidyane Ponciano - Sind-UTE/MG

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Belo Horizonte, 15 a 21 de março 2019 Carina Castro

OPINIÃO

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Miguel Rossetto

Reforma da Previdência não combate privilégios

8 de Março nasceu com luta por pão e paz A data tem origem em uma manifestação organizada por tecelãs e costureiras de Petrogrado, durante a greve iniciada no dia 23 de fevereiro de 1917, na Rússia, por pão e paz. Esse movimento foi o estopim da primeira fase da Revolução Russa. Alexandra Kollontai, em 1920, assim descreve o movimento: “Em 1917, no dia 8 de março, as mulheres trabalhadoras saíram corajosamente às ruas de Petrogrado. As mulheres – algumas trabalhadoras, outras esposas de soldados – reivindicavam “Pão para nossos filhos” e “Retorno de nossos maridos das trincheiras”. O protesto foi tão ameaçador que as forças de segurança tsaristas não puderam reprimir. Nesse dia as mulheres russas ergueram a tocha da revolução proletária e incendiaram todo o mundo. A revolução de fevereiro se iniciou a partir desse dia.” Após o fim da Primeira Guerra mundial, em 1918, começa a ser retomado o dia da mulher. Mas é só a partir de 1921 que o movimento de mulheres passará a celebrar o Dia Internacional da Mulher. Não que antes não fosse comemorado. Era sim. Só que não tinha uma data unitária em todo o mundo, como é hoje. A II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, realizada em Copenhague, em 1910, decidiu pela realiza- Mulheres ção de um dia internacional: “As mulheres socialistas de iniciaram todas as nações organizarão um Dia das Mulheres, cujo Revolução Russa primeiro objetivo será promover o direito de voto das mulheres.” Em 1921, Alexandra Kollontai propõe durante a Conferência das Mulheres Comunistas, realizada em Moscou, na URSS, que se adote o dia 8 de março como data unificada do Dia Internacional das Mulheres, em homenagem à greve das tecelãs em 1917. Assim nasceu o 8 de Março. Na década de 1960, as manifestações ganham grandes proporções. Em 1975, a ONU; e depois a Unesco, em 1977; reconhecem o 8 de Março como Dia Internacional da Mulher. Claudia Santiago é jornalista e coordenadora do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC)

Miguel Rossetto foi ministro do Trabalho e da Previdência, nos governos Lula e Dilma No Site do Brasil de Fato

ACOMPANHANDO

Claudia Santiago

Quando Jair Bolsonaro e Paulo Guedes apresentaram sua proposta de uma nova Previdência afirmando que era para combater privilégios, mentiram. Pretendem a diminuição do gasto público de R$ 1 trilhão em dez anos. Os cortes serão feitos a partir das mudanças no regime geral, da diminuição do BPC, e do fim do abono salarial. Com estas medidas, buscam obter R$ 897 bilhões. Portanto, do R$1 trilhão anunciado, a imensa maioria virá do bolso dos assalariados, dos agricultores, das mulheres, dos acidentados, dos mais pobres. A reforma não acaba com privilégios, acaba com os direitos previdenciários da grande maioria do povo brasileiro. Querem que o povo trabalhe mais tempo, contribua mais e receba um benefício menor. Milhões de trabalhadores idosos, sem trabalho e sem aposentadoria, serão transformados em indigentes. Uma tragédia social. O projeto acaba com o reajuste anual do salário dos aposentados e das pensionistas; daqueles que já estão aposentados e que se aposentarão. Retiram da Constituição a expressão “preservando o valor real” dos benefícios previdenciários e planejam um brutal arrocho na renda dos Atuais aposentados. A “nova previdência” não aposentadorias é a atual previdência com as ficarão sem mudanças propostas, mas reajuste sim um novo regime previdenciário, o de capitalização individual, que irá substituir o modelo atual. Querem acabar com um modelo seguro, que funciona ao cuidar dos idosos, doentes ou acidentados, e que garante um benefício médio de R$ 1.404, por uma aventura de mercado. Criam um sistema de capitalização para poucos e para os bancos. Em 2018 o Itaú distribuiu R$22 bilhões referentes ao seu lucro. Agora Guedes promete os trilhões da previdência.

BF

População de Congonhas não dorme com medo de rompimento da barragem Casa da Pedra E agora...

MP recomenda mineradora a retirar moradores dos bairros próximos à barragem Ministério Público de Minas Gerais recomendou que a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) providencie moradia provisória para cerca de 2.500 moradores dos bairros próximos à barragem da mina Casa de Pedra, em Congonhas. O empreendimento fica localizado a 250 metros dos bairros Cristo Rei e Residencial, e, caso a barragem se rompa, as casas mais próximas seriam atingidas após 30 segundos. A CSN tem dez dias úteis para responder ao documento do MP.


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BRASIL

Belo Horizonte, 15 a 21 de março 2019

Base de Alcântara: Brasil cede aos EUA o melhor local do mundo para lançar satélites PREVIDÊNCIA Sonegação fiscal referente a 2018 chegou ao patamar de R$ 570 bilhões Valter Campanato /Agência Brasil

Lu Sodré

A

pós quase 20 anos de negociações, Brasil e Estados Unidos estão prestes a fechar os termos do novo Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST), que concede o uso comercial da base de Alcântara, no Maranhão, para o país comandado por Donald Trump. A expectativa é que o documento seja assinado na próxima semana, durante a visita do presidente Jair Bolsonaro (PSL) aos Estados Unidos. Professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC), Flávio Rocha afirma que, a

Bolsonaro coloca soberania em risco

partir dessa nova negociação, os Estados Unidos teriam acesso ao local mais es-

tratégico – de todo o mundo – para lançamento de satélites. O especialista em geopolíti-

ca e segurança internacional entende que o acordo é motivado por uma política “ultra-neoliberalizante”. “Busca-se um alinhamento geopolítico a todo custo, a curto prazo, com os Estados Unidos”, avalia Rocha, que é enfático ao afirmar que a negociação da base de Alcântara coloca a soberania do país em perigo.

“O maior risco é uma perda de autonomia política e ideológica do país para desenvolver uma série de tecnologias de interesse nacional. São tecnologias que nos permitiriam escolher parceiros estratégicos para ciência e tecnologias, colocando o Brasil em outro patamar na comunidade científica mundial”, complementa. Na opinião do docente, o acordo “governo a governo”, sem a opinião de pesquisadores e especialistas da área, não foi transparente. ANÚNCIO


Belo Horizonte, 15 a 21 de março 2019

BRASIL

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Como a PEC da Previdência de Bolsonaro afeta as mulheres brasileiras DESIGUAL 5 informações que devem ser analisadas junto com a proposta de reforma da Previdência

mudança na aposentadoria é a principal promessa do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que

deve ser feita via reforma da Previdência - Proposta de Emenda à Constituição 06/2019. Além de afetar os trabalhadores, a reforma prejudica direitos que mu-

lheres já haviam conquistado. Um relatório do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mos-

tra que a desigualdade que mulheres enfrentam no mercado de trabalho deve ser analisada junto com a reforma. Mulheres ganham menos que homens, são a

maioria dos desempregados, trabalham sem carteira assinada, e além disso trabalham mais horas por semana. Isso tudo as torna as mais prejudicadas.

Anderson Vieira /Agência Senado

Marcelo Camargo /Agência Brasil

Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Marcelo Camargo /Agência Brasil

EBC

Rafaella Dotta

A

Por que mulheres devem aposentar mais cedo? Mulheres trabalhadoras fazem em média 17 horas por semana de tarefas domésticas, enquanto homens fazem 8 horas e meia por semana. Na soma entre as horas de trabalho fora e dentro de casa, as mulheres trabalham 54 horas por semana, e os homens 50 horas. A reforma da Previdência não considera isso e quer igualar a idade de aposentadoria para os trabalhadores e trabalhadoras rurais, mesmo mulheres do campo tendo muito mais trabalho em casa.

Aumento da idade mínima atrapalha aposentadoria feminina

Mulheres têm mais dificuldade em contribuir para a Previdência

A nova proposta sobe para 62 anos a idade mínima para as mulheres se aposentarem. A aposentadoria por idade é a mais comum entre as trabalhadoras, pois não conseguem chegar ao tempo mínimo de contribuição. Em 2017, 63% dos aposentados por idade eram mulheres.

Do total de mulheres trabalhando, quase metade (47%) não possui registro de carteira assinada. Elas trabalham sem carteira, por conta própria ou auxiliando a família. 14,5 milhões de mulheres declaram que não contribuem para a Previdência. Das trabalhadoras domésticas, 62% não conseguem pagar o INSS. Se elas tiverem que contribuir por 40 anos para ter a aposentadoria integral, muitas não chegarão lá.

Trabalhadoras negras serão ainda mais penalizadas

Pensão e BPC: 84% vão para mulheres

Mesmo entre as mulheres, há grande desigualdade de salários. O rendimento das mulheres brancas é 70% maior que o das mulheres negras. As trabalhadoras negras são maioria nos trabalhos mais pesados (faxina, serviços gerais) e informais, com ainda mais dificuldade para contribuir com o INSS.

A reforma da Previdência pretende proibir que se acumule mais de uma aposentadoria ou pensão no mesmo regime. No caso em que permite acumulação, um dos benefícios diminui o valor (de 20% a 80%). O problema é que mais de 6 milhões de mulheres recebem e dependem dos BPCs e pensões. A mudança pode causar prejuízo a milhões de famílias chefiadas por mães.


14 MUNDO 10

Belo Horizonte, 15 a 21 de março 2019 Reprodução

China apoia Maduro no fornecimento de energia PETRÓLEO EUA se queixam porque empresa russa desobedeceu proibição lançada contra Venezuela Reprodução

Turquia e Irã repreendem Israel ORIENTE MÉDIO Os três países são as maiores potências militares da região, ao lado do Egito Da redação Da redação

O

governo chinês mostrou preocupação com a sabotagem ao sistema de energia elétrica da Venezuela e se colocou à disposição para ajudar a resolver o problema. “A China está pronta para fornecer assistência e apoio técnico para restaurar o sistema de fornecimento de energia”, disse o porta-voz da chancelaria chinesa, Lu Kang. A pane aconteceu no dia 7, afetando 80% do fornecimento no país sul-americano. No domingo (10), o presidente Nicolás Maduro denunciou que o sistema elétrico foi sabotado para causar desordem social. O Exército introduziu um regime de vigilância para prevenir novos incidentes. Duas pessoas foram presas, suspeitas de tentar impedir a volta do abastecimento. Na segunda (11), Maduro acusou o presidente dos EUA, Donald Trump, de sa-

botagem. “Realizaram contra a Venezuela um ataque cibernético de alta tecnologia, uma tecnologia que só o governo dos Estados Unidos tem”, declarou o presidente. EUA atacam, Rússia responde Na terça (12), Mike Pompeo, secretário de Estado dos EUA, acusou a petroleira russa Rosneft, uma das maiores do mundo, de desobedecer às proibições impostas por Washington, comprando pe-

Pane afetou 80% do fornecimento tróleo venezuelano. Prontamente, a companhia respondeu, classificando as declarações como infundadas. “As atividades da Rosneft na Venezuela estão relacionadas à implementação de projetos de produção e fornecimento de petróleo. Elas

são feitas de acordo com o direito internacional e contratos de mercado vigentes, celebrados muito antes da imposição de sanções unilaterais pelos EUA”, informa o comunicado da Rosfnet. New York Times desmente governo Trump Um vídeo divulgado pelo jornal The New York Times, o maior dos Estados Unidos, negou a versão do governo estadunidense sobre o suposto incêndio de um caminhão com ajuda humanitária, no dia 23 de fevereiro. Confira o vídeo: goo.gl/okmqtS. Ao contrário do que dizia o governo Trump, quem incendiou o caminhão não foi o Exército Bolivariano, mas uma bomba caseira lançada por manifestante contrário a Maduro. Após o incêndio na fronteira venezuelana, o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, anunciou novas sanções econômicas contra o país caribenho.

N

a quarta (13), duas das maiores potências militares do Oriente Médio repudiaram a atuação de Israel na região. O ministro da Defesa do Irã, Amir Hatami, disse que reagirá se a Marinha israelense prejudicar as exportações de petróleo do Irã. “Será uma violação da segurança internacional e pirataria. O Irã tem forças para lidar com essa questão e, se preciso for, responderemos de forma dura”, advertiu Hatami. O posicionamento do governo iraniano é uma resposta às ameaças do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. No dia 6 de março, ele disse que enviaria forças navais para combater o transporte de petróleo iraniano e fazer valer as sanções impostas pelos Estados Unidos. Israel é um grande comprador de armas de

Washington e maior aliado dos EUA. Outra reprimenda contra Israel partiu do governo da Turquia. Em comício eleitoral, o presidente Recep Tayyip Erdogan cha-

Israel ameaçou Irã mou Netanyahu de “ladrão que lidera Israel” e ““tirano que massacra crianças de 7 anos”, referindo-se aos assassinatos de civis palestinos por tropas israelenses. O presidente turco também taxou de racista uma lei aprovada pelo parlamento de Israel no ano passado, definindo que o Estado-nação israelense é apenas para os judeus. “Em Israel, vivem 1,6 milhão de árabes muçulmanos. Será que os governos ocidentais vão reagir ou ficar novamente silenciosos?”, questionou Erdogan.


Belo Horizonte, 15 a 21 de março 2019

ENTREVISTA 15 11

“Marielle tem ressonância no mundo inteiro porque as lutas que representava estão emergindo em toda parte” Belo Horizonte, 15 a 21 de março 2019

EXEMPLO Deputada federal avalia legado de Marielle, a importância da mobilização e cobra mais respostas Lucas Ávila

Queremos saber as motivações econômicas e políticas, que estão associadas a esse ódio, são razões interligadas. A luta da Marielle incomodava. Não só porque enfrenta o privilégio de alguns grupos, mas porque abala o poder concreto desses grupos que agem para silenciar as nossas lutas. Essa é a grande questão.

Joana Tavares e Rafaella Dotta

D

ois dias antes de completar um ano da morte de Marielle Franco, dois homens foram presos acusados de serem responsáveis pela execução da vereadora, do motorista Anderson Gomes e pela tentativa de assassinato de outra pessoa que estava no carro. Segundo a denúncia das promotoras do caso, a investigação aponta que o crime que chocou o mundo foi cuidadosamente planejado ao longo de três meses. Os assassinatos completaram um ano na quinta-feira (14). Diversos atos em todo o país seguem ecoando a pergunta: “Quem mandou matar Marielle?”. Áurea Carolina, eleita deputada federal pelo PSOL de Minas Gerais, faz coro a esse pedido e explica que o legado de Marielle segue se multiplicando. Confira a entrevista. Brasil de Fato - Na sua avaliação, por que Marielle virou um símbolo tão forte para as lutas de resistência? Áurea Carolina - Avalio que essa mobilização, a comoção toda em torno da execução da Marielle, o símbolo que ela se tornou, vem do fato de que ela sintetizava, na sua construção política, na sua trajetória, no seu próprio corpo, várias lutas emergentes nessa conjuntura política brasileira. São lutas que estão há muitos anos, há décadas, se movendo, mas têm

“Demorou muito para prisão dos pistoleiros”

Marielle usava o lema ‘sou porque somos’ chegado agora à cena pública com uma força muito renovada, de pautar as instituições, a cultura, a mídia, as relações do cotidiano. Elas trazem o feminismo, a perspectiva antirracista, de inclusão da população LGBT, sobre a livre orientação sexual, sobre o reconhecimento das favelas como territórios em que as pessoas produzem também formas de vida e que resistem contra a opressão e a negação de direitos. E Marielle era essa expressão da integração entre as lutas. Seu mandato como vereadora do Rio de Janeiro trazia a importância que essas lutas - que vêm de um processo criativo, autônomo da sociedade - também pautem a institucionalida-

de. Por isso esse símbolo é tão grandioso. O lema ubuntu, que ela dizia muito, “sou porque somos”, é também essa síntese. Ela existia junto com a coletividade e a coletividade produziu uma figura como ela. Além disso, tem a grande injustiça, a brutalidade que é esse crime: uma mulher honesta, inocente, que estava fazendo o seu trabalho, no exercício da sua função parlamentar e é assassinada. Tudo isso junto gerou essa grande repercussão mundial. O fenômeno Marielle tem ressonância no mundo inteiro porque essas lutas estão emergindo em toda parte.

Temos que chegar aos mandantes e às motivações

Como você vê as prisões de dois executores do assassinato e o andamento das investigações, principalmente sobre os mandantes? Foi um passo muito importante a prisão dos pistoleiros. Tardio, demorou muito para chegar nesse ponto, mas foi uma primeira elucidação, dos executores do assassinato. Agora a gente quer saber quem foram os mandantes. A gente quer puxar o fio da meada até a ponta, entender as motivações e como esse crime foi financiado, como ele foi estruturado e planejado. Trata-se de um crime de ódio - indiscutivelmente mas é muito difícil acreditar que é somente um crime de ódio, dada a complexidade desse planejamento. Segundo as investigações, foram três meses de planejamento, de pesquisas, que os autores fizeram sobre os passos de Marielle. Há outras coisas envolvidas aí.

Muitos militantes de esquerda têm denunciado perseguições e ameaças. Como a impunidade do caso Marielle contribui para o clima de violência? Você se sente segura para fazer política no Brasil hoje? A gente tem dito que a nossa segurança se dá na identificação dos mandantes e da motivação da execução. Desmantelando essa estrutura de poder violenta, a gente pode ter mais proteção para todo mundo. A luta em defesa dos direitos humanos requer uma capacidade do Estado de produzir políticas públicas, de minar esses grupos organizados criminosos, as milícias, tudo o que ameaça a democracia. A visibilidade

Ela era essa expressão de várias lutas desses casos também ajuda, a sociedade se mobiliza cobrando justiça, respostas. Isso dá segurança e proteção.


14 VARIEDADES 12

Belo Horizonte, 15 a 21 de março 2019

BAFAFÁ RENDEU MUITO BAFAFÁ

Amiga da Saúde Vi que o implante anticoncepcional tem baixa chance de falha. Ele é seguro para a saúde também? Silvana Silva, assistente social

Olá, leitor e leitora desta coluna! Nos últimos meses, sempre nos encontramos aqui, no canto desta página, para comentar as polêmicas e confusões, as novidades e conquistas, coisas sérias e outras mais leves do mundo da TV e das celebridades. Mas esses nossos encontros chegaram ao fim. Sabemos bem que uma das grandes paixões do povo brasileiro são as novelas. Minha também! E aqui, nesta coluna, sempre buscamos falar delas; mas, mais do que falar das novidades dos próximos capítulos, convidávamos os leitores a olhar um pouco mais: o quanto os folhetins, por mais críticas que possamos ter a eles, sabiam trazer temas e assuntos que ajudavam nosso povão a entender mais das coisas. E uma das temáticas mais abordadas nos tempos nas novelas foi o da diverA coluna chega últimos sidade: mulheres empoderadas, LGBTs ao fim e passo “botando a cara no sol”, negros cheios de aqui para agra- orgulho e beleza. Sempre valeu a pena desdecer o carinho tacar isso, uma vez que parece avançar ainde vocês da mais uma onda de caretice, de um conservadorismo esquisito, mal-humorado ou mal-amado que, muitas vezes incomodados com essa diversidade, atacavam as novelas, criticando certas “obscenidades e ataques à família”. Outro assunto que sempre trazíamos eram os “bafafás” das celebridades. E como o povo gosta de uma boa fofoca! A coisa rende e aqui também rendeu. Alguns “closes errados”, malfeitos e atitudes nada legais nós comentamos; mas também, os bons exemplos, as superações, as conquistas e, claro, o posicionamento político de muitos deles era o que mais nos motivava aqui a fofocar sobre eles e elas. A coluna “Bafafá”, escrita por mim, chega ao fim e passo aqui para agradecer o carinho de vocês leitores. Foi um prazer brincar com as palavras, com os acontecimentos, com as histórias e com os pontos de vista. Mais prazeroso ainda era acompanhar a repercussão de alguns textos e as polarizações que despertavam. Em tempos de golpismos, protagonizados pela TV Globo e cia, foi uma tarefa complexa falar dela, das outras e de seus produtos artísticos. Um grande abraço para todos vocês e sigamos aí na vida, na resistência! Gratidão à equipe do Brasil de Fato MG pela confiança e pela oportunidade!

Felipe Marcelino é professor de filosofia.

O implante anticoncepcional possui um hormônio, o etonogestrel (semelhante à progesterona), que é liberado embaixo da pele por três anos. Realmente sua taxa de falha é baixíssima. Já os efeitos colaterais são bem variáveis entre as mulheres. As reações muito comuns (apresentadas pelo fabricante) são: espinhas (acne), dor de cabeça, aumento de peso corporal, sensibilidade e dor nas mamas, infecções vaginais, menstruação irregular. Por ele não possuir estrogênio, apresenta menos risco à saúde que as pílulas orais, que têm dois hormônios conjugados. Mande sua dúvida: amigadasaude@brasildefato.com.br Sofia Barbosa é enfermeira do Sistema Único de Saúde I Coren MG 159621-Enf.

Nossos direitos Empréstimos consignados a aposentados e pensionistas O assédio de agentes com a promessa de empréstimos fáceis se tornou muito comum, principalmente nas portas das agências do INSS e por telefone. Mas é preciso ficar muito atento porque muitas empresas oportunistas se utilizam da fragilidade dos idosos para coagir os aposentados e pensionistas a aceitar contratos abusivos e realizar roubo de dados. Por isto, a dica é: nunca aceite propostas de empresas nas portas do INSS ou por via telefônica. Se precisar de empréstimo, vá

ao banco e estude as propostas antes de contratá-las. Sempre faça um planejamento financeiro para saber quanto da sua renda pode ficar comprometida para pagamento dos empréstimos. E por fim, se você já está sendo vítima de algum abuso financeiro, procure os órgãos da Justiça, especialmente a Defensoria Pública Especializada em Direito do Consumidor e da Pessoa Idosa, seja para reduzir juros, reivindicar a devolução de valores ou mesmo a quitação do contrato.

Adília Sozzi é advogada da Rede Nacional de Advogados Populares – RENAP


Belo Horizonte, 15 a 21 de março 2019

13 VARIEDADES 15

Dicas Mastigadas BISCOITO DE POLVILHO

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© Revistas COQUETEL

Procure e marque, no diagrama de letras, as palavras em destaque no texto.

Anos rebeldes R E T R F M G I L B E R T O D N Ã F N L C T S R G C M U D L

T M I F L B N N N J O V E N S O O T Y I S L E F A C N D N E

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T S S M F T C N N D D B H T B T N Y C Y R L E D A T Y I T O

D R L S U L A M O C A C A P I T U L O S N M C H A R L D T C 30

Solução

Ingredientes • • • • • • • • • •

3 xícaras de polvilho 1 xícara e meia de leite 2 ovos Sal 3 colheres de manteiga Meia xícara de aveia Meia xícara de coco ralado Sementes de girassol a gosto 1 xícara de queijo ralado Meia xícara de gergelim

Modo de Preparo Ferva o leite com o sal e a manteiga, escalde a farinha e deixe esfriar. Acrescente meia xícara de coco ralado, meia de farelo de aveia e as sementes de girassol, o gergelim e os ovos. Amasse até formar uma massa homogênea. Enrole os biscoitos mais grossinhos e coloque para assar por 20 minutos a 180º

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Dica: Além de delicioso, as fibras ajudam no funcionamento do intestino. Acompanhado de um café fresquinho é melhor ainda!

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B N C C O N T U R B A D O N N D I L R R T T I Y T E C E E S

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Escrita por GILBERTO Braga e Sérgio Marques, com DIREÇÃO geral de Dennis CARVALHO, “Anos Rebeldes” foi uma MINISSÉRIE veiculada na REDE Globo entre julho e agosto de 1992, num total de 20 CAPÍTULOS. A trama é ambientada no Rio de Janeiro, durante o CONTURBADO período da DITADURA no Brasil, e aborda a luta contra a OPRESSÃO do regime MILITAR. “Anos Rebeldes” tem como ponto de partida o romance entre dois JOVENS com ideologias e projetos distintos, ambos alunos do COLÉGIO Pedro II: de um lado, a individualista Maria Lúcia, vivida por MALU Mader; e de outro, o engajado e idealista João ALFREDO, interpretado pelo ator Cássio Gabus Mendes. Também estão no ELENCO Marcelo Serrado, Cláudia ABREU, Betty Lago, Eva Wilma, entre outros. A minissérie, que foi uma espécie de continuação de “Anos Dourados” (exibida em 1986), recebeu dois PRÊMIOS da Associação Paulista dos CRÍTICOS de Arte (APCA).

A C N E C D N M E L E N C O L D D H D G D R M I L F T H R N

Participe enviando sugestões para redacaomg@brasildefato.com.br.


14 CULTURA 14

Belo Horizonte, 15 a 21 de março 2019 Bruno Figueiredo / Área de Serviço

BH ganha um espaço para ver, fazer e pensar filmes GRATUITO Espaço Cultural Filme de Rua exibe filmes de pessoas em situação de rua e valoriza produção do cinema independente Larissa Costa

O

Centro de Belo Horizonte ganhou, na última terça (12), um ponto dedicado ao cinema independente. O Espaço Cultural Filme de Rua – idealizado por profissionais e militantes do audiovisual, das artes plásticas, da psicanálise, da comunicação e da história – surgiu do projeto de mesmo nome, Filme de Rua, que, em 2015, juntou adolescentes em situação de rua para fazerem seu próprio filme. O curta produzido foi vencedor do 19º Festival Internacional de Curtas-Metragens de Belo Horizonte e foi selecionado para grandes festivais nacionais. A experiência do primeiro curta levou o coletivo, atualmente formado por 6coordenadores e 15 jovens que moraram ou moram na rua, à vontade de inaugurar um cinema onde os filmes produzidos pudessem ser exibidos. O Espaço, portanto, tem o objetivo de ter uma progra-

mação periódica que contemple produções audiovisuais que não têm oportunidade de serem exibidas no circuito tradicional. Segundo Joanna Ladeira, umas das coordenadoras do Espaço Cultural e do Coletivo Filme de Rua, a aposta é que os momentos construídos contribuam para a formação sociocultural do público. “Normalmente existem muitas questões com relação àqueles que estão na rua. E [a população] acaba não conhecendo essas pessoas, não percebendo a riqueza no olhar que elas têm sobre a cidade, sobre as mazelas, as dificuldades e desigualdades sociais”, reflete. Transformação As produções do coletivo Filme de Rua são feitas de forma colaborativa, desde o roteiro e a construção das personagens até a fotografia. Para Joanna, o cinema tem efeitos impressionantes na vida das pessoas em situação

de rua, que passam a ser consideradas realizadoras, produtoras e agentes culturais. “Começa a se desenhar uma perspectiva futura, para aqueles que se interessaram pela câmera ou se encontraram no áudio ou aquelas que sonham em ser atrizes. De repente, esse sonho ganha outra dimensão, se aproxima mais da realidade, uma vez que nosso cinema é de luta, de resistência”, afirma.

Programação de inauguração Na sexta, sábado e domingo (15, 16 e 17), o espaço vai contar com exibição gratuita de filmes. Confira a programação em: encurtador. com.br/mvF58

Teatro a preço popular

Pablo Bernardo

Começou a 7ª temporada do projeto Segunda PRETA, que promove espetáculos sobre o universo da identidade negra. Nesta edição, 12 peças ocuparão o Teatro Espanca (Aarão Reis, 542 – Centro, BH), de 18 de março a 22 de abril. É sempre às segundas-feiras, às 20h. O preço é R$ 10 e R$ 5 (meia-entrada). ANÚNCIO

PELA VIDA DAS MULHERES, SEREMOS RESISTÊNCIA


Belo Horizonte, 15 a 21 de março 2019

ESPORTE

15 15

Divulgação / CPB

CURTO E GROSSO

na geral

A domesticação do público nos estádios no Brasil Rodrigo Gazzanel / Agência Corinthians

Paratriatlo: Brasil é prata nos EUA O Brasil disputou, na última semana, o Campeonato Americano de Paratriatlo. O torneio aconteceu em Sarasota, Estados Unidos, com a participação de 55 atletas, representando 10 países. Os paulistas Jéssica Ferreira, estreante na com-

petição, e Fernando Aranha faturaram a prata da classe PTWC (para usuários de cadeiras de rodas). O catarinense Jorge Fonseca garantiu a segunda colocação na categoria PTS4 (para atletas com deficiências moderadas nos membros).

Dobradinha brasileira no Peru Divulgação / CBJ

As meninas do Brasil brilharam no último fim de semana no Aberto Pan-Americano de Judô, em Lima, no Peru. A judoca Larissa Pimenta venceu a final do meio-leve (52 kg) e Ellen Pimenta ficou com o título do peso médio. Em fevereiro, Ellen, que

já é considerada uma das grandes promessas do esporte brasileiro, havia conquistado o bronze no Grand Slam de Dusseldorf. O próximo desafio internacional de Larissa e Ellen ocorre nos dias 23 e 24 de março, no Aberto de Santiago, no Chile.

Diego Silveira

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etomo a discussão das “arenas” no futebol brasileiro na esteira do carnaval, que novamente mostrou o poder que a multidão reunida tem para expressar os anseios políticos do povo e seu potencial de fazer mudanças. Tanto quanto o carnaval, o futebol é um evento identificado com as camadas pobres da população brasileira. De um tempo pra cá, elas têm sido gradativamente excluídas de uma de suas manifestações culturais favoritas. O público presente nas arenas é diferente daquele dos velhos estádios brasileiros. Embora a classe trabalhadora ainda vá ao estádio, com o aumento do preço dos ingressos, sua presença diminuiu, dando lugar às classes média e alta da população. Essas classes se sentem à vontade nas arenas, que lhes oferecem um caráter de exclusividade, de pertencimento a uma elite capaz de usufruir daquele serviço. Ao mesmo tempo, o trabalhador ou a trabalhadora pobre que decide ir ao estádio, após se esforçar para pagar o bilhete, sente-se estranho (a) no lugar onde os serviços são caros e grande parte do público tem outra origem social. Ao domesticar o público da arquibancada, a burguesia envolvida com o futebol e as forças políticas

da ordem alcançaram pelo menos duas vitórias em prol de seus interesses de classe. Uma foi o aumento do faturamento em bilheteria. Por exemplo, não é raro ver o Palmeiras superar a marca de R$ 1,5 milhão por jogo no Allianz Parque. O futebol é um negócio cada vez mais lucrativo no Brasil. A outra vitória foi o maior controle da população. Toda manifestação coletiva de grande monta guarda potencialmente uma capacidade explosiva enorme, o que gera medo nos donos do poder. Basta ver o controle e a repressão da polícia contra as torcidas, às vezes sem qualquer motivação. O público domesticado pelos serviços das arenas e seus preços caros, anestesiado por seu sentimento de “exclusividade”, é ideologicamente mais próximo dos valores das classes dominantes e, por isso, mais afeito a aceitar as medidas repressivas nos estádios. Paralelamente, a classe trabalhadora se vê privada da possibilidade de expressar um sentimento coletivo e exigir mudanças. Por isso, a luta das torcidas por ingressos populares, no momento em que as classes dominantes criam uma crise política, econômica e social para defender seus interesses, é perigosa para a burguesia e pode ser pedagógica para a luta popular que se vislumbra no horizonte.


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Belo Horizonte, 15 a 21 de março 2019

Mineirão e Cruzeiro devolverão dinheiro de jogo adiado

ESPORTES

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DECLARAÇÃO DA SEMANA Lucas Figueiredo /CBF

Cid Costa Neto

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Conmebol adiou a partida entre Cruzeiro e Deportivo Lara (Ven), pela fase de grupos da Libertadores, para o dia 27. Por isso, torcedores que compraram ingressos na bilheteria para ver o jogo na quarta (13) ou quinta-fei-

ra (14) começaram a ser reembolsados na tarde da quinta. O procedimento de reembolso no Mineirão acontecerá novamente nos dias 25, 26 e 27. O Cruzeiro também publicou em seu site um cronograma de reembolso das en-

tradas adquiridas com o clube, que será realizado na bilheteria do Ginásio do Barro Preto (Rua Ouro Preto, s/n). Aqueles que pretendem ir ao jogo do dia 27 poderão usar o mesmo ingresso normalmente.

“Existe um grupinho que me manda trabalhar em outra profissão, diz que futebol não é coisa de mulher ou tenta desmerecer meu trabalho. Só sei que fazem isso porque não são capazes de fazer o que eu faço” Cristiane Rozeira, maior artilheira do futebol feminino em Jogos Olímpicos, em entrevista à revista Marie Claire

Gol de placa A Seleção Brasileira feminina de futebol lançou seu novo uniforme, que será usado na Copa do Mundo da França 2019, em junho. Pela primeira vez, os uniformes das mulheres terão identidade própria.

Gol contra Gustavo Perrella, filho do ex-senador Zezé Perrella, é o novo vicepresidente institucional do Cruzeiro. Gustavo é o mesmo que, em 2013, quando era deputado, teve o helicóptero apreendido pela Polícia Federal com 443 kg de pasta base de cocaína. O piloto era funcionário de seu gabinete.

Invisível para muitos

Antítese ambulante

Estreia adiada

Bráulio Siffert

Rogério Hilário

Fabrício Farias

O futebol pode ser eficaz em revelar características da sociedade, como o racismo. Em sua carreira, mesmo com boas passagens por grandes times, Paulão “Caveirão”, o zagueiro negro do América, foi acompanhado por muitas críticas. Sua chegada ao Decacampeão clube foi cercada de apreensão. Mas, desde que assumiu a titularidade, vem tendo ótimas atuações, embora sem o devido reconhecimento pela torcida e a imprensa. Apesar de ser melhor e mais experiente que seu companheiro de zaga, Diego Jussani, o capitão do time é este, que é branco. Tudo isso não é fruto do acaso, mas demonstração de que o racismo está impregnado nas relações cotidianas de modo natural e, para muitos, imperceptível.

O Atlético é uma antítese na Libertadores 2019. Quando buscou o ataque, na Pré, produziu melhor. Ao se preparar para a fase de grupos, priorizou a defesa e perdeu dois jogos em falhas da zaga. Era evidente que a competição se tornaria mais difícil, mas CerÉ Galonão doido! ro Porteño e Nacional são superiores ao Galo tecnicamente. Taticamente, quem sabe... Daí a culpa recai sobre Levir Culpi. O treinador opta pela obviedade e facilita para os adversários. O time tem pouca agressividade, depende muito de Cazares e isola Ricardo Oliveira. Ainda bem que só volta a jogar pelo Continental no dia 3 de abril contra o Zamora, em BH. A situação é complicada, mas a classificação ainda é possível.

Salve, nação azul! Nossa semana começou com a expectativa de estrearmos em casa pela Libertadores, o que não se concretizou pela dificuldade do Deportivo Lara em chegar a BH. A próxima batalha é contra o Tupi, sábado (16), às 16h, em Juiz de FoLa Bestia ra. Mano parece ir com a Negra mesma formação com que bateu o Huracán. A vitória será fundamental, pois, para alcançar o primeiro lugar e seguir com vantagem até o final, necessitamos não apenas de nossos esforços, como também de uma combinação de resultados. Vamos torcer para que os guerreiros celestes possam jogar um bom futebol para saciar o apetite da nação azul, que ainda não pode ver seu time em casa na Liberta. Saudações celestes!