Edição 240 do Brasil de Fato MG

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Joosep Martinson / FIFA

ESPORTE

São 5 países latino americanos nas oitavas da Copa CONFIRA A TABELA NA PÁGINA 16

Minas Gerais

Belo Horizonte, 29 de junho a 5 de julho de 2018 • edição 240 • brasildefato.com.br • distribuição gratuita Marcello Casal Jr / Agência Brasil 3 Adão Souza / PBH Divulgação

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CULTURA

Cultura negra ainda tem poucos monumentos em BH BRASIL

MINAS

Vítimas da queda do viaduto seguem sem reparação Pessoas atingidas pela queda do viaduto Batalha dos Guararapes, durante a Copa de 2014, continuam sem apoio e sem respostas da Justiça

Fachin é acusado de manipular julgamento para prejudicar Lula MUNDO

Vice-presidente dos EUA não se desculpa por crianças brasileiras


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OPINIÃO

Belo Horizonte, 29 de junho a 5 de julho 2018

Editorial | Brasil

Governo é igual feijão, precisa de pressão

ESPAÇO DOS LEITORES

“Que massa esse evento” Thainá Nogueira comentando a notícia sobre a atividade “De Frente com a Frente”, com o tema Cristo e a violência contra as mulheres. --------------------------------“Minas, nosso orgulho. Atitude e politização” Beth Andrade sobre o artigo “50 anos da primeira greve contra a ditadura”, que ocorreu em Contagem em 1968. --------------------------------“Orgulho de participar deste projeto importante” Caio Paranhos sobre a matéria “Translado: projeto resgata identidade e garante visibilidade às mulheres trans de BH”

Escreva para nós: redacaomg@brasildefato.com.br

Na última quarta os trabalhadores em educação de Minas retornaram às atividades após 16 dias de greve. Diferente do movimento ocorrido nos meses de março e abril, em que a principal pauta foi o cumprimento dos acordos que o governo estabeleceu com a categoria, desta vez a paralisação foi motivada pelo atraso nos salários dos servidores. A educação recebeu integralmente a primeira parcela do pagamento de maio apenas no dia 26 de junho, enquanto os demais setores do funcionalismo receberam no dia 13. Destaque para o fato de que os últimos a receber foram os aposentados, que ficaram quase todo o mês de junho sem sua remuneração.

Trabalhadores da educação não querem nem Aécio, nem Anastasia de volta O impasse do atraso e parcelamento dos salários se arrasta desde 2016 sem que qualquer solução seja sinalizada por Pimentel. O governo alega que essa incapacidade se deve à crise de arrecadação originada pelo baixo desempenho econômico de Minas. Não oferece, contudo, qualquer explicação para o tratamento desigual ofertado aos diferentes setores do funcionalismo. Durante o desenrolar da greve, um debate se instalou entre setores da esquerda mineira. Alguns criticaram os sindicatos e trabalhadores grevistas por entenderem que o movimento enfraqueceria o governador para a campanha eleitoral de outubro. Segundo eles, a greve se-

O jornal Brasil de Fato circula semanalmente com edições regionais, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro, no Paraná e em Pernambuco. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais em nosso país e no nosso estado.

ria inconsequente por fortalecer o PSDB e seu pré-candidato Anastasia, conhecido algoz do funcionalismo mineiro.

O único sujeito realmente capaz de transformar o país é o povo Luta popular, eleitoral e comunicativa Apesar do senso comum estabelecido afirmar o contrário, a política não se resume às eleições. A população mineira e, sobretudo as trabalhadoras da educação, não querem nem Aécio, nem Anastasia de volta. Mas existem outros âmbitos da política: a luta social, em que diferentes setores da sociedade se mobilizam pela garantia de direitos; e a luta ideológica, de comunicação e construção de valores, em que a batalha de ideias ocorre. A população que luta por seus direitos se fortalece. Se fortalece também para fazer a luta eleitoral, ao demonstrar nossa força e das nossas reinvindicações. O único sujeito realmente capaz de transformar o país é o povo. A história mostra que somente quando as massas se movem de forma organizada em direção a um projeto comum é que as grandes mudanças acontecem. Tão importante quanto eleger um governo é fortalecer a organização popular e ampliar a politização da sociedade, tarefas que os governos de esquerda têm se esquecido de cumprir.

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? PERGUNTA DA SEMANA

Na última semana, completaram-se 100 dias da execução da vereadora carioca Marielle Franco, do PSOL, e de seu motorista, Anderson Gomes. Até o momento, as principais linhas de investigação apontam para a atuação de milícias e motivações políticas. O Brasil de Fato MG saiu às ruas e perguntou:

Mais de 100 dias sem Marielle e nenhuma resposta. Por quê?

“É um absurdo. A Marielle era uma pessoa trabalhadora, que defendia a classe pobre. No fundo, todo mundo sabe quem matou. Tem que esclarecer pra que isso não volte a acontecer, porque acontece direto”. Vani Olinda Fernandes, pipoqueira

“Todos os culpados têm que pagar por aquilo que fizeram, porque a morte dela não foi em vão. Ela lutou, ajudou a favela, a comunidade, a família dela. Eu acho que demora tanto por falta de interesse. Mas, a justiça tem que prevalecer, cedo ou tarde. Karine Pereira Alves, autônoma

Belo Horizonte, 29 de junho a 5 de julho 2018

GERAL

Declaração da Semana

“Eu tive medo. Eu estava sozinha, eles eram 14 homens. Essa situação não deveria acontecer com ninguém, e espero que não aconteça no futuro”.

3 Reprodução de vídeo

Disse a jornalista russa Barbara Gerneza, vítima de assédio enquanto trabalhava na Copa. Ela foi cercada por torcedores brasileiros e um deles tentou beijá-la

Seminário sobre empregabilidade trans e travesti

Marcelo Sant’Anna/ Imprensa MG

INSCREVA-SE O evento é organizado pelo governo de Minas e irá discutir a empregabilidade para pessoas trans e travestis no estado, com debates sobre a luta pela inserção no mercado de trabalho e pelo respeito aos direitos trabalhistas da população LGBT. O seminário acontece no dia 4 de julho, quarta-feira, das 9h às 18h, no BDMG (rua da Bahia, 1600, bairro Lourdes). Para se inscrever, acesse a sessão “Cursos e Capacitações” na página da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania (SEDPAC): direitoshumanos.mg.gov.br.

De onde veio a festa junina?

Divulgação

Ah, tem fogueira, forró, correio elegante, comida, mais comida... Quem não gosta? A tradição foi trazida pra cá pelos portugueses e espanhóis como uma forma de homenagear os santos católicos. Mas a festa ficou mesmo irresistível quando os costumes se juntaram com a cultura dos negros, negras e índios do Brasil (alguém duvida?). Os indígenas do país já faziam importantes rituais durante o mês de junho, celebrando a partir da agricultura, dos cantos, dança e alimentação – inclusive, é deles que vêm muitas das delícias típicas da época, como o milho, amendoim, batata-doce e mandioca. E o que dizer do pé de moleque e da cocada, doces típicos da culinária africana? Cultura que também engrandeceu a celebração com os batuques, canções e alguns aspectos do Bumba Meu Boi.


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CIDADES

Belo Horizonte, 29 de junho a 5 de julho 2018

Usuários e trabalhadores de posto de saúde conquistam vitória OCUPAÇÃO Comunidade protestou contra violência local, falta de estrutura e carência de funcionários Reprodução

Wallace Oliveira

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suários e trabalhadores do Centro de Saúde do Bairro Glória, região Noroeste da capital, conquistaram uma importante vitória. Após um ato realizado no dia (19), a unidade recebeu a visita do Secretário de Saúde na terça-feira (26), que se comprometeu com o atendimento das reivindicações da comunidade.

Novo Centro de Saúde é conquista de Orçamento Participativo de 2008

Problemas No dia 19 de junho, a comunidade ocupou o posto de saúde e paralisou as atividades, após uma funcionária ter sido assaltada à mão armada. Era o quinto assalto em dois meses. Usuários e traba-

lhadores também protestaram contra a falta de profissionais e a não construção de uma nova unidade, o Centro de Saúde Coqueiros. A ocupação foi decidida em plenária e só terminou após o Secretário Municipal de Saúde, Jackson Machado, se reunir com o grupo, no mesmo dia. “Reivindicamos a cons-

trução do Centro de Saúde, que foi uma conquista no Orçamento Participativo de 2008 que não foi cumprida ainda, e a vinda de profissionais, que estão em falta desde fevereiro”, explica Sueli Bernardes de Lima, presidenta do Conselho Local de Saúde e usuária da unidade. Outra demanda é a mudança na classificação da unidade Glória para o nível D. Cada centro pode ser classificado de A a D, conforme a vulnerabilidade social. Desde 2006, a Prefeitura paga um abono aos profissionais, que aumenta conforme a classificação. O objetivo é enfrentar a falta de profissionais em alguns postos e combater a rotatividade.

“Estamos na classificação B. Acaba que o médico, tendo melhores ofertas, sai. Já tem três equipes sem médicos”, explica a agente comunitária de saúde Maura Valéria Vieira. Compromissos assumidos Na terça-feira (26), o secretário se comprometeu com a reposição dos profissionais que estão em falta (três médicos, quatro auxiliares administrativos e um psicólogo) no menor tempo possível, a transformação do anexo do posto em um novo centro de saúde, como prioridade da pauta de construções da cidade. Ele também prometeu solucionar o problema da segurança no lugar.

MP aprova “mais participação” de atingidos, mas programas que violam direitos continuam Lidyane Poncianoa

Rafaella Dotta

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crime de Mariana teve mais uma mudança em seus programas de reparação. Um novo Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado por 14 órgãos públicos prevê o aumento da participação dos atingidos nas decisões da Fundação Renova. Até o momento, a fundação, que desde 2016 realiza os programas de reparação às vítimas, é gerida majoritariamente pelas empresas responsáveis pelo crime: Samarco, Vale e BHP Billiton. O TAC foi apresentado pelos Ministérios Públicos de Minas Gerais, do Espírito Santo, Federal e pela Defensoria pública dos dois estados, com o objetivo de sanar alguns dos problemas apontados por ação civil do MPF.

Para isso, altera a governança e métodos de decisão da Fundação Renova, criando Comissões Locais, Câmaras Regionais e um Fórum de Observadores. Os atingidos passam a ter, segundo o TAC, poderes consultivos e também decisórios. Em nota, a Fundação Renova destaca que vinha se empenhando para aumentar esta representação. “Em um modelo de mediação de conflitos inovador, as respostas para cada desafio da repara-

ção são obtidas por meio da negociação”, alega. O que acontece na prática? O Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), que acompanha a população da Bacia do Rio Doce desde antes do crime, se posicionou criticamente às mudanças [veja nota do movimento aqui: https://goo.gl/yVPp1S]. Para o movimento, assim como o “acordão” que criou a Fundação Renova, este ter-

Foram identificadas violações de direitos humanos em 42 programas implantados pela Renova mo não foi construído com os atingidos. Na prática, segundo análise do MAB, o TAC mantém o protagonismo de Samarco, Vale e BHP Billiton nos espaços de decisão da Renova. “Os criminosos vão continuar perto das vítimas e decidindo sobre os programas de reparação”, analisa Pablo Dias, integrante do movimento. Um dos fortes argumentos contra esta governança são as

violações de direitos humanos identificadas nos 42 programas de reparação que estão sendo implantados pela Renova. Um documento do MPF, de março deste ano, recomendou correções em cinco eixos, sendo o mais extenso deles o item sobre indenizações. A recomendação 21, por exemplo, trata de uma arbitrariedade no Plano de Indenização Mediada (PIM). O atingido que faz um acordo para o recebimento de indenização é obrigado a assinar o comprometimento de retirar ações judiciais e não processar, no futuro e por outras demandas, as empresas responsáveis pelo crime. Para Pablo, a solução destes problemas depende mais da reformulação dos programas do que da alteração feita.


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MINAS

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Opinião

Veneno de corpo e alma João Paulo Cunha A discussão em torno do projeto de flexibilização da Lei dos Agrotóxicos tem sido apresentada de forma enviesada. Há um falso liberalismo que tenta dividir sempre os interesses em disputa em dois lados pretensamente equilibrados. Assim, apresentados os argumentos, o melhor deles venceria a batalha das ideias e seria aceito pelo outro lado como expressão da racionalidade. Quando se trata da vida, no entanto, há algumas premissas que precisam ser consensuais antes mesmo do embate. O projeto de lei (PL 6299/2002), de autoria do atual ministro Blairo Maggi, que segue seu curso no Congresso, fere o princípio da defesa da vida em nome dos interesses econômicos. A autorização para uso de novos venenos sem aprovação de instâncias sanitárias e ambientais, entregando a licença apenas ao setor ligado à produção (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, comandado por Maggi, um dos maiores produtores de soja do país), é um des-

ses exemplos clássicos de perversão de finalidade. O alimento em si deixa de ser o principal fim para se submeter à sua maior viabilida-

Bancada ruralista quer impor seus lucros, em detrimento do alimento e da saúde de econômica. É sempre bom lembrar: o Brasil é o país que mais consome agrotóxicos no mundo. O projeto avança até mesmo na mudança de nome do agrotóxico. Mesmo que o mais adequado fosse veneno, o agrotóxico passará a responder pelo apelido de defensivo agrícola ou produto fitossanitário. Palavras não são inocentes. A estratégia de negar a realidade impedindo que seja nomeada de forma ine-

quívoca é uma das bases das ditaduras de toda ordem. Trata-se de impedir as possibilidades de pensamento. Não bastasse a carga já muito alta de venenos presentes nos alimentos brasileiros, os novos produtos na mira de registro já são de amplo conhecimento técnico em matéria de riscos. De acordo com a própria Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os produtos que hoje esperam autorização para chegar ao mercado já evidenciaram potencial cancerígeno, de desregulação de hormônios, de ativação de mutações e de danos ao aparelho reprodutor. Além de enfraquecer a análise técnico-científica, o projeto pretende autorizar o registro provisório de produtos desde que aprovados por outros países. Um exemplo de ética vira-latas, que entrega a defesa da vida dos cidadãos brasileiros. Defendido principalmente pela bancada ruralista, hoje a mais poderosa do Congresso, alinham-se a pautas conservadoras no campo moral e defendem a escola sem partido. São muitos, mais de 200. São a favor de venenos no corpo e na alma.

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MINAS

Belo Horizonte, 29 de junho a 5 de julho 2018

Queda do viaduto: traumas, impunidade e abandono marcam a vida das vítimas INJUSTIÇA Dos 11 indiciados na investigação sobre o desabamento do viaduto Batalha dos Guararapes, durante a Copa de 2014, ninguém foi condenado ainda Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Amélia Gomes

H

á quatro anos, os mineiros assistiam uma das tragédias mais marcantes da história de Belo Horizonte; a queda do Viaduto Batalha dos Guararapes. A alça sul do elevado desabou no dia 3 de julho de 2014, na Avenida Pedro I, um dos principais corredores viários da capital, na zona norte de Belo Horizonte. A obra estava sob comando das empresas Consol, responsável pelo projeto e Cowan, responsável pela execução. Já a fiscalização era responsabilidade da Prefeitura de Belo Horizonte, através da Superintendência de Desenvolvimento de Belo Horizonte Sudecap. O laudo do Instituto de Criminalística apontou que o acidente aconteceu por falhas na execução do projeto. A estrutura não tinha capacidade para suportar o peso do viaduto, e com a retirada do escoramento, os pilares de sustentação cederam. Quatro veículos foram atingidos com a queda; dois caminhões da obra, um carro de passeio e um micro-ônibus. O acidente deixou 23 feridos e duas vítimas fatais, a motorista do ônibus Hanna Cristina dos Santos e o pedreiro Charlys Frederico Moreira do Nascimento, que conduzia o veículo atingido. Uma copa depois e nenhuma das vítimas tiveram seus direitos garantidos. Nenhum ressarcimento foi feito e até hoje os réus seguem impunes.

Trauma Assim que soube da notícia da queda do viaduto, Cristilene Pereira Sena, viúva de Charlys Nascimento, foi para o local do desabamento e ficou lá até a retirada do corpo do marido. O trauma foi tão grande que Cristilene não conseguiu mais

ex-patroa. Passados quatro anos, Cristilene ainda espera pela punição dos responsáveis pela morte do marido. “ A queda durou segundos e eles estão demorando anos e anos para resolver o que todo mundo vê que está errado. Culpados têm! Se eu pudesse eu queria ter ele de volta, mas como não tem como, o mínimo que eu espero é justiça!” declara.

Quantas Copas mais vamos ter que esperar?”

Impunidade Após investigações, a Polícia Civil enviou para o Ministério Público um inquérito sobre o caso, indiciando 19 pessoas pelo crime de homicídio doloso, ou seja, quando há a intenção de matar. Em julho de 2015, o Ministério Público de Minas Gerais entrou com uma ação criminal contra 11 réus, por crime comum, oriundo de um desabamento que resultou em homicídios. Respondem pelo caso oito diretores e engenheiros da Consol e da Cowan e três funcionários da prefeitura, que atuavam na Supe-

frequentar a região do desabamento. Como trabalhava perto do ao local da queda, ela abandonou o trabalho. Na época, a Cowan ofereceu acompanhamento psicológico. No entanto, após dois meses o acompanhamento foi cortado sem nenhuma explicação. Desempregada, deprimida e com uma família para sustentar, o único apoio que Cristilene recebeu foi da família, de amigos e da

rintendência de Desenvolvimento de Belo Horizonte - Sudecap. Segundo a assessoria de comunicação do Fórum Lafayette, o caso está em fase final, testemunhas e réus já foram ouvidos. Se condenados pelo caso, a pena dos réus pode chegar a 12 anos de prisão. Além da ação criminal do MP, também correm na Justiça ações individuais e coletivas dos moradores dos residenciais Antares e Savana. O complexo com seis prédios, vizinho ao viaduto, também foi afetado pela queda. Os apartamentos foram danificados com fissuras na estrutura, vidros trincados, janelas e portas desaprumadas, entre outros prejuízos.

Segundo a PF, R$ 36 milhões teriam sido desviados dos cofres públicos

Paulo Mello é morador do condomínio há mais de oito anos. Ele conta que na sua casa, até o vaso sanitário trincou com o impacto do desabamento. Paulo, que assistiu à queda pela janela de casa, afirma que não recebeu nenhum centavo de ressarcimento. “Eu espero ser ressarcido financeiramente porque o psicológico não tem jeito. Mas eu não acredito que nossos direitos vão ser garantidos. Já se passaram quatro anos e nada foi feito. Quantas Copas mais vamos ter que esperar? Ou vamos cair no esquecimento?” desabafa. Corrupção Em 2017, a Polícia Federal divulgou um inquérito que apontou superfaturamento e falhas nas planilhas orçamentárias das obras do sistema BRT, nas Avenidas Pedro I e Antônio Carlos. Segundo a PF a estimativa é de que R$ 36 milhões tenham sido desviados dos cofres públicos. Foram indiciadas pelos crimes de superfaturamento e peculato 17 pessoas, entre elas funcionários da Sudecap, engenheiros da Cowan e da Consol e servidores da Caixa Econômica Federal. Além do desvio dos recursos a alça norte do viaduto, que ficou de pé, foi implodida dois meses após a queda do elevado, que custou mais de R$ 1 milhão.


Belo Horizonte, 29 de junho a 5 de julho 2018 W.Sabino / CPDoc JB

OPINIÃO

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Pedro Carrano

México: espelho do que Temer quer para o Brasil

Makota Célia Gonçalves Souza

Sonhos de ontem e de hoje na luta pela educação Comecei a lecionar ainda muito menina, nos idos anos em 1978. Era a época do Mobral – Movimento Brasileiro de Alfabetização e lembro-me bem das dificuldades impostas a nós professoras naqueles anos de chumbo. Tínhamos que arranjar praticamente tudo para montar nossas salas de aula. O pagamento deixava a desejar, mas éramos muito pobres e aquele dinheiro nos ajudava, sem contar, é claro, o amor pelos meus alunos e alunas, alguns já bastante idosos. E a merenda escolar, um espetáculo. As cantineiras da escola colocavam muito amor no pouco que tinham nas despensas. Depois de alguns anos, fui trabalhar como professora contratada do estado. Conto isso para poder falar das semelhanças e da repetição da história, quando o assunto é o tratamento dispensado aos profissionais da educação. Eu vivi e vi um governador que nos deu banho de mangueira na Praça da Liberdade, outro que nos chamou de mal amadas e mal casadas, um que soltou cachorros nas professoras e ainda um outro que se esqueceu que era professor. Estive na greve de 79, a maior de todas em nossa história, pelo seu significado político. Vivi nas décadas de 80 e 90 a realidade de professo- Repetição da ra contratada do estado, que à época atrasava tanto nos- história no sos salários, tanto, mas tanto, que recebíamos quase que tratamento a uma vez ao ano. educação Sou de uma tradição que diz que a desorganização contribui para a organização de uma nova ordem. Quem sabe não é este o ponto máximo pretendido pelos nossos sonhos e esperanças? E por tudo isso, acredito na construção do Congresso do Povo. Ele se apresenta como a real possibilidade para solucionar o problema de BH, de Minas Gerais e do Brasil: somos vítima de uma (In)Justiça das togas, de um parlamento medíocre e de uma mídia golpista. Makota Célia Gonçalves Souza é jornalista e coordenadora do Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira (Cenarab).

Pedro Carrano é jornalista do Brasil de Fato Paraná e integrante da Frente Brasil Popular

ACOMPANHANDO

Professoras de Belo Horizonte em manifestação durante a greve da categoria, em junho de 1979

Nossa América Latina vive um momento duro, e as eleições do México, no dia 1 de julho (domingo), têm peso decisivo sobre os rumos do continente. Afinal, em países como Honduras (2009), Paraguai (2012) e Brasil (2016) golpes de Estado conduzidos pela via parlamentar e judicial derrubaram presidentes voltados a políticas de desenvolvimento. No Paraguai, por exemplo, não havia saúde pública antes do governo de Fernando Lugo. Já na Venezuela, Equador, Peru, El Salvador e Argentina, a oposição ganhou força, incentivada pelas elites desses países, que buscam menor interferência do Estado na economia. Porém, o México agora segue o caminho inverso dessa tendência, porque o candidato de esquerda, Andrés Manuel López Obrador, do Movimento Regeneração Nacional (Morena), candidato pela terceira vez, tem chances reais de vitória. Ele está 20 pontos à frente dos outros concorrentes, Ricardo Anaya Cortés (PAN) e Antonio Meade Kuribreña (PRI), partidos que governam o país desde os anos 1930. O México é um espelho do que as elites brasileiras estão tentando fazer da gente: um país de salários baixos, de indústrias instaladas para explorar mão de obra e exportar produtos para fora; onde o Estado perde espaço para o narcotráfico; um país capacho das políticas dos EUA, onde os movimentos populares, do campo e da cidade, mulheres e jovens são criminalizados. O desemprego está na margem de 15% e a miséria é grande, semelhante ao índice no Brasil do governo Temer. O povo mexicano, agora, quer dizer nas urnas não às México vai políticas conhecidas como derrotar neoliberais, que retiram o pa- nas urnas pel do Estado da economia e neoliberalismo arrocham o salário do trabalhador. O Brasil não precisa ter experiência tão doída.

Na edição 234 ... Em Belo Horizonte, Ocupação Vicentão proporciona trabalho e moradia para famílias E agora... Nova ameaça de despejo As famílias moradoras da Ocupação Vicentão foram surpreendidas por uma ordem de reintegração de posse expedida pela 2ª Vara Empresarial de Belo Horizonte. Atualmente, cerca de 120 famílias ocupam o prédio que estava vazio e em completo estado de abandono há mais de cinco anos, no centro de BH, e era a antiga sede do Banco Hércules. Entre os moradores da Vicentão estão pessoas que estavam em situação de rua, que não tinham condições de pagar aluguel e moradores que foram despejados de outras ocupações urbanas.


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BRASIL

Belo Horizonte, 29 de junho a 5 de julho 2018

Fachin manobrou para prejudicar Lula nas eleições, dizem juristas POLÍTICA Ministro mandou para plenário do STF recurso que seria julgado na 2ª Turma e anexou votação da Lei de Inelegibilidade Nelson Jr / SCO STF FotosPúblicas

Júlia Dolce

J

uristas consideram que o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), realizou uma manobra para evitar que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja eleito presidente da República no pleito marcado para outubro deste ano. No dia 25, Fachin decidiu enviar ao plenário da corte um recurso da defesa de Lula para suspender a execução de sua condenação a 12 anos e um mês de prisão, emitida pelo juiz de primeira instância Sérgio Moro e confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). O caso seria analisado na terça-feira (26) pela 2ª Turma do STF – colegiado reduzido formado por cinco ministros e que avalia matérias que não influenciam sobre a interpretação da Constituição. No entanto, o julgamento foi adiado por Fachin na sexta-feira (22), sob o argumento de que, até a data, o TRF-4 ainda não havia enviado o recurso à corte. Segundo o advogado Marco Aurélio de Carvalho, integrante da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), e um dos 271 juristas que assinaram um manifesto pela “Defesa e Presunção da Inocência de Lula e contra Atos que Fragilizam a Constituição” nesta semana,

Decisão de Fachin é política, para garantir vitória da sua posição

Mesmo com a condenação, Lula continua líder em todas as pesquisas eleitorais realizadas a decisão de mover a votação para a plenária foi política. “Afirmo de forma categórica que existe um ativismo judicial indiscutível, uma manipulação orquestrada pelo judiciário”, afirma. Na Segunda Turma, Fachin tem minoria, então, com o objetivo de alcançar o resultado que queria, tirar Lula do processo eleitoral e mantê-lo preso, ele mandou a matéria para o plenário, uma ação questionável, atípica, e, na minha avaliação, absolutamente pessoal”, afirmou. Na terça-feira (26), os ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, integrantes da 2ª Turma do STF, decidiram conceder uma liminar que dá liberdade ao ex-ministro José Dirceu, condenado a mais de 30 anos de prisão, justamente por questionar a execução da pena apenas com condenação em segunda instância, quando ainda cabem recursos para a redução da pena do petista — mesmo argumento da defesa de Lula. De acordo com o advogado Raimundo Bonfim, coordenador da Central de Movimentos Populares (CMP) e integrante da Frente Brasil Popular (FPB), não fosse

pela ação de Fachin, “haveria uma grande possibilidade de Lula ter sua liberdade garantida no dia (26)”. Direito eleitoral “Fachin coloca um acessório que não tinha nada a ver com o recurso de Lula, isso é o que a gente chama de extra-pedido, porque a defesa de Lula não pediu esse assunto. Agora serão analisadas a questão penal e a questão eleitoral no mesmo julgamento”, criticou. Já o advogado Marco Aurélio de Carvalho afirma que as causas são “absolutamente distintas” e deveriam ser analisadas em esferas diferentes. “O fato de ele ter acoplado esse artigo 26 passa para os

ia? b a ês Voc

operadores de Direito a compreensão de que o interesse dele é, ao manter Lula preso, e não conseguindo, antecipar o debate das condições de inegibilidade, que, em circunstâncias normais, deveria se dar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE)”, afirmou. Mesmo com a condenação, Lula continua líder em todas as pesquisas eleitorais realizadas. O petista venceria as eleições presidenciais no segundo turno em todos os cenários explorados pelo instituto Vox Populi em pesquisa realizada na última semana. Encomendada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), a pesquisa aponta que o petista tem de 44% a 45% dos votos válidos.

Supremo aceita pedido para libertar José Dirceu Uma decisão da segunda turma do Supremo Tribunal Federal (STF), dia 26, acatou o pedido de soltura do ex-ministro José Dirceu. O petista cumpre pena, em Brasília, desde o dia 18 de maio. Por 3 votos a 1, a 2ª Turma do STF concedeu habeas corpus e entendeu que Dirceu deve aguardar o esgotamento dos recursos nas cortes superiores. Os ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski foram favoráveis à decisão liminar. Edson Fachin foi o único a votar contrário à medida e pediu vista do processo. Celso de Mello, que também compõe o colegiado, não estava presente. Dirceu ainda aguarda recursos protocolados pela defesa no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o próprio STF.

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O governo está reduzindo a produção do gás de cozinha nas refinarias da Petrobrás

Mas o que isso tem a ver comigo? O Brasil passou a comprar mais gás de cozinha de empresas estrangeiras. E quem paga mais caro é a população, já que o preço do gás varia de acordo com o dólar. Assim, em vez de valorizar a produção nacional, que gera emprego e renda para os brasileiros, o governo beneficia somente os grandes empresários. #opetróleoédoBrasil


Belo Horizonte, 29 de junho a 5 de julho 2018

BRASIL

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Métodos da Lava Jato dividem opiniões no Supremo INCONSTITUCIONALIDADE Força-tarefa “perdeu” as duas últimas votações importantes no plenário da Corte José Cruz /Agência Brasil

Rafael Tatemoto, Brasília (DF)

A

s últimas votações do Supremo Tribunal Federal sobre casos relacionados à Operação Lava Jato demonstram que os ministros da Corte estão divididos em relação aos métodos da força-tarefa. As duas votações mais simbólicas disso foram a declaração de inconstitucionalidade das conduções coercitivas e a absolvição da senadora e presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann. A primeira se deu por 6 votos a 5 no plenário, e a segunda, por 3 votos a 2, no colegiado da 2ª Turma do STF – um tipo de plenário reduzido que julga casos de menor repercussão jurídica, por não alterar a interpretação vigente da Cons-

tituição Federal. A maior parte dos ministros entendeu que as conduções coercitivas, suspensas liminarmente desde o final do ano passado, representavam uma contradição em

relação ao direito ao silêncio do investigado ou réu. Paulo Freire, advogado e integrante da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), aponta que “o entendimento mais corre-

to e moderno do interrogatório é de que se trata de um ato para a defesa. Portanto, é opcional. Assim que suspenderam as conduções de forma liminar, o Ministério Público e autoridades policiais passaram a pedir a prisão temporária ou preventiva, no lugar da condução coercitiva’”, analisa. Delações O fundamento da absolvição de Hoffmann foi o fato de que a acusação de corrupção passiva se baseava apenas em delações premiadas. Como aponta Fernando Antunes, advogado e professor de Direito da Universidade Católica de Brasília, “o debate central do caso foi sobre a consistência das acusações baseadas em de-

poimentos de delação premiada, sem existência de provas que corroborem as delações. O STF já tinha decisões no sentido de existir a necessidade de outras provas para confirmar uma delação”. Segundo Antunes, as posições dos ministros hoje variam entre “apoio” e “crítica” à operação. “Com variações e inconstâncias, o STF está dividido. Em diversos temas de direito penal e direito processual penal que são relevantes para a Lava Jato, a votação se dá por uma diferença pequena, em geral 6 a 5. A operação divide o STF na medida em que os mecanismos utilizados pela operação colidem com direitos e garantias fundamentais. Os ministros têm visões diferentes sobre estes temas”, analisa.

Após Reforma Trabalhista, despenca número de ações na Justiça Reprodução

Da Redação

D

ados divulgados pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) revelam uma redução de 39,3% de novas ações trabalhistas ingressadas no país entre os primeiros cinco meses de 2016, antes da reforma tra-

Queda no número de ações representa o medo e a falta de informação

balhista, e o mesmo período de 2018. Além disso, os números apontam que, no fim do ano passado, havia 1,8 milhão de ações à espera de julgamento em todo o país; em maio deste ano, eram 1,5 milhão

de processos. A redução é atribuída à reforma trabalhista, imposta pelo grupo político que apoia o governo de Michel Temer (MDB) em novembro de 2017, que retirou uma série de direitos dos trabalhadores e criou obstácu-

los para a judicialização de questões trabalhistas. Entre as mudanças instauradas pela reforma, por exemplo, está a exigência de que, em caso de derrota, o trabalhador pague os honorários do advogado da empresa, mesmo quando reconhecido juridicamente como pobre — na prática, anulando dispositivo legal que isenta de custos processuais a parte que declarar não poder arcar com as despesas da ação judicial. Para especialistas, a queda no número de ações representa o medo e a falta de informação dos trabalhadores e sindicatos em relação às mudanças na legislação. É

o que destaca o analista político e assessor parlamentar do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), Marcos Verlaine. “Quando a reforma trabalhista foi pensada, o objetivo dos patrões era, efetivamente, diminuir o número de ações na Justiça do Trabalho. Então, é natural que nesse primeiro momento o trabalhador e o sindicato recorram menos à Justiça do Trabalho para garantir direitos, em função de desconhecimento da lei e de medo de perder a ação. A rigor, não há o que comemorar”, diz Marcos Verlaine.


10

BRASIL

Belo Horizonte, 29 de junho a 5 de julho 2018

Em solo brasileiro, vice dos EUA faz discurso contra imigrantes latinos PRECONCEITO Ao lado de Temer, o vice-presidente norte-americano, Mike Pence, também pediu mais sanções contra a Venezuela José Cruz / Agência Brasil

Pedro Rafael Vilela, de Brasília*

O

vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, defendeu esta semana, durante sua visita ao Brasil, uma política de “tolerância zero” contra a imigração ilegal para o seu país. Ao lado do presidente Michel Temer, em pleno Palácio do Itamaraty, Pence subiu o tom contra a imigração latino-americana. “Assim como os EUA respeitam suas fronteiras e sobe-

Com mais de 50 crianças brasileiras presas em masmorras norteamericanas, vice sequer teve a decência de se desculpar pela prática

Com Temer, política internacional privilegiou EUA, e não a América Latina e os BRICS

rania, peço que respeitem a nossa. Como diz o presidente Donald Trump, sem fronteiras não há país”, afirmou, fazendo referência específica a países da América Central, como El Salvador, Honduras e Guatemala. De acordo com Pence, o fluxo de imigrantes ilegais oriundos desses países para os EUA foi de cerca de 150 mil pessoas nos últimos meses. Ele citou que o governo está empenhado na construção de um muro na fronteira do país com o México e que o Congresso dos

EUA trabalha para “fechar os hiatos [legais] que ainda servem como atração às famílias vulneráveis”. “Se não tem condições de entrar legalmente, não venham”, bradou o vice norte-americano. Apesar do discurso duro contra a população latino-americana em pleno território brasileiro, Temer não tocou no assunto durante seu discurso. Para Marcelo Zero, sociólogo e especialista em Relações Internacionais, a postura do atual governo é de realinhamento e submissão à política

externa norte-americana. É uma política, segundo ele, totalmente diferente da que foi adotada nos governos do PT, quando o Brasil tinha uma postura de aproximação mais abrangente, atuando diretamente com outras potências como China, Rússia, África do Sul e Índia, no grupo chamado BRICS, além de uma relação mais próxima com países vizinhos sul-americanos. “O sub Pence visitou-nos para nos esculachar. Sequer se preocupou em respeitar a prática diplomática universal

de fazer cobranças em privado e elogios em público. Não. Num discurso inacreditável, feito em pleno Palácio do Itamaraty, em plena casa do Rio Branco, o sub esfregou na cara de Temer uma ação mais efetiva contra a Venezuela. Com mais de 50 crianças brasileiras presas em masmorras norte-americanas, sequer teve a decência de se desculpar pela prática nazista. Ao contrário, fez ameaças claras contra países que não respeitam as fronteiras dos EUA. O Golpe fez a opção de retroceder a uma política externa passiva e submissa, que nos colocou na órbita estratégica dos EUA. O Golpe fez a opção de tornar o Brasil um cão vira-lata”, diz.

51 crianças brasileiras estão retidas U.S. Border Patrol and Customs

S

egundo o próprio governo federal, pelo menos 51 crianças brasileiras estão retidas em abrigos dos EUA, separadas dos próprios pais, ao tentarem entrar ilegalmente no país pela fronteira com o México. Apesar de ter pedido ao vice dos EUA autorização para envio de uma aeronave brasileira buscar as crianças no país, Michel Temer não recebeu resposta definitiva. O tema será debatido com as próprias famílias dos menores detidos.

Venezuela Mike Pence também esbravejou contra a Venezuela e pediu mais apoio do Brasil para sanções contra o país. Os EUA não aceitam a reeleição de Nicolás Ma-

duro, em maio, quando obteve 68% dos votos válidos (mais de 5,8 milhões de votos). Segundo o governo norte-americano, não teria havido “legitimidade democrática” nas eleições venezue-

lanas. Apesar do discurso, as próprias eleições nos Estados Unidos, em 2016, que levaram ao poder Donald Trump e seu vice Pence, permanecem sob suspeita. A atuação do Facebook e

Nicolás Maduro obteve 68% dos votos válidos, 5,8 milhões de votos

de uma agência de coleta de dados (Cambridge Analytica) teria influenciado a opinião de eleitores, a partir da coleta ilegal de dados e da construção de falsos perfis. Esses eleitores podem ter decidido mudar os votos (ou terem deixado de votar) na última hora, dando a vitória a Trump. O caso é investigado na própria Justiça dos EUA. *Com informações Agência Brasil

da


Belo Horizonte, 29 de junho a 5 de julho 2018

MUNDO

11

Mulheres da Arábia Saudita conquistam direito de dirigir ORIENTE MÉDIO Fim da proibição passou a valer no domingo (24). No entanto, ativistas que defendiam a causa continuam presas Kamyar Adl / Wikicommons

Da redação

A

gora as mulheres da Arábia Saudita têm autorização para dirigir. A liberação entrou em vigor nesta semana, apesar de ter sido anunciada em setembro do ano passado pelo rei Salman bin Abdulaziz. Antes dessa data, as mulheres só podiam se locomover se contassem com um motorista particular ou um familiar homem que as ajudasse nos deslocamentos. Militantes e ativistas lutavam desde 1990 para acabar com a norma, que acabou causando a prisão de dezenas de cidadãs sauditas que

Comemoração veio acompanhada com chamado pela libertação de manifestantes

dirigiram como forma de protesto. Muitas delas, inclusive, ainda seguem sem liberdade, detidas por acusações graves como contato com agentes estrangeiros

e tratadas pela mídia como traidoras. É o caso de Loujain al-Hathloul, de 28 anos, que desafiou a proibição de dirigir e a lei da tutela masculina

Pais não têm notícias dos filhos que estão detidos pela imigração nos EUA Anistia Internacional

e foi punida por “tentar desestabilizar o reino”. A porta-voz do Escritório da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Liz Throssell, afirmou que situações como a de Loujain são “desconcertantes”.

“Fazemos um apelo para que as autoridades sauditas revelem o local [em que as militantes estão detidas] e garanta a elas o direito ao devido processo legal”, declarou a representante da ONU em discurso no fim de maio. A comemoração pela conquista do direito de dirigir, também no domingo (24), foi acompanhada de um chamado para seguir a luta em prol da libertação das manifestantes. “Não devemos esquecer que as pessoas que batalharam pelo fim dessa proibição estão na cadeia”, afirmou Manal al-Sharif.

De onde veio a guerra entre as Coreias?

KCNA

Moon Jae In e Kim Jong-Un posam para fotos durante encontro em Panmunjon

F

amílias mexicanas denunciam que não sabem do paradeiro de centenas de crianças separadas de seus pais, detidos após atravessarem ilegalmente a fronteira para os Estados Unidos. Este é um novo desdobramento da política de “tolerância zero” à imigração do presidente americano Donald Trump, que prendeu e separou famílias inteiras. A repercussão negativa do caso fez com

que o afastamento dos parentes fosse revogado pela Casa Branca.

Ainda existem cerca de 1,5 mil crianças “desaparecidas”, e EUA não informam a localização

Enquanto isso, no México, centenas de cidadãos protestam há dias sem notícias dos seus filhos. No domingo (24), o governo americano anunciou que foram localizadas cerca de 2,5 mil crianças e que estão sob custódia do Estado, mas não informou quando elas voltarão para casa. Ainda existem cerca de 1,5 mil meninos e meninas “desaparecidos”, cuja localização não é informada pelo país.

A tensão existia desde o processo de colonização da Coreia, realizado com muita violência pelo Japão. Em 1945, com a derrota dos japoneses na Segunda Guerra Mundial, os americanos e os russos – que foram vitoriosos – decidiram dividir a colônia: o Norte ficou para os soviéticos e o Sul para os estadunidenses. No Sul, os EUA colocaram no poder basicamente os coreanos que tinham colaborado com os japoneses na colonização (grande parte dos militares e da polícia). Em 1950, os norte-coreanos decidiram invadir o Sul, que contra-atacou e ocupou a Coreia do Norte. Mais de 5 milhões de pessoas morrem em três anos de guerra. Pelo menos 2 milhões eram civis. Uma trégua foi assinada em 1953, mas a guerra nunca foi oficialmente terminada.


12 12 VARIEDADES

Belo Horizonte, 29 de junho a 5 de julho 2018

Amiga da Saúde

BAFAFÁ O TRISTE RUMO DO RODA VIVA Reprodução

Duvido muito que quem assistiu ao Roda Viva, da TV Cultura, no último dia 25 de junho, que entrevistou a pré-candidata à presidência da República, Manuela D’Àvila, não tenha ficado no mínimo incomodado com o desrespeito e o baixo nível do programa. O programa de entrevistas - outrora respeitado - no ar da TV deu mais um passo para a sua irrelevância e decadência, mostrando a sua atual incapacidade de oferecer um debate amplo, diverso e construtivo para a audiência. Quem estava na bancada de entrevistadores - a maioria jornalistas - cumpria mais o papel de inquisidor do que o de alguém realmente interessado em conhecer as ideias e projetos da convidada para o país. Perguntas recheadas de clichês, lugares comuns, preconceitos e equívocos sobre a História, que demonstram muito como andam as compreensões da nossa imprensa comercial, sem falar na incapacidade de ouvir as respostas das próprias perguntas. Vale lembrar que entre os entrevistadores convidados pelo programa, estava um eleitor confesso de Bolsonaro, Frederico D’Ávila, que não fazia perguntas, mas sim provocações, dando opiniões como as de que o fascismo era de esquerda e a castração química como solução para o estupro. Estima-se que, numa entrevista de 70 minutos, Manuela D’Ávila foi interrompida 62 vezes, sendo que outros convidados homens, como Ciro Gomes, foi interrompido 8 vezes e Guilherme Boulos, 12. E isso tem um nome: manterrupting - a interrupção desNós mineiros temos uma opção necessária enquanto uma mulher está falando. Esse é um tipo de recurnas noites de so machista que visa frear ou atrapasegunda-feira, o lhar a comunicação, o raciocínio e

Voz Ativa

argumentos de mulheres e desmerecer as suas falas. Traduzindo: é mais um tipo de violência da qual mulheres são vítimas cotidianamente. E o programa foi exemplar nisso. Triste ver um dos poucos programas da TV aberta, com a tradição que tem, tomar esse rumo. Infelizmente, é o caminho trilhado por parte da imprensa e mídia brasileira: o da radicalização no extremo do não-debate, da não-divergência, da mediocridade e da não-democracia. Mas deixo uma boa dica. Nós mineiros temos uma opção nas noites de segunda-feira. A Rede Minas exibe um ótimo programa de entrevistas: o Voz Ativa. Dá uma conferida lá. Com certeza você irá se surpreender. Um abraço! Felipe Marcelino é professor de filosofia.

Na semana passada, estava transando com meu marido, os dois bastante excitados e foi só ele começar a penetração e já ejaculou. Nunca tinha acontecido antes. Será que ele está com ejaculação precoce? Cara leitora, fique tranquila! Um único episódio de ejaculação antes do esperado não é sinal de problema algum. Pode ser somente um dia em que ele se excitou muito e acabou não conseguindo segurar. Isso pode acontecer com qualquer ser humano. Para dizer que uma pessoa está com alguma disfunção sexual é necessário que haja um problema que atrapalhe a vida, que seja recorrente e ocorra há pelo menos seis meses. Qualquer pessoa pode, num ou outro dia, não estar bem, se excitar demais, ou de menos, enfim. O sexo, assim como a vida, tem momentos bons e ruins.

Tem dias de sonho e de pesadelo, dias mornos. Essas máquinas de prazer, que nunca falham, estão sempre com desejo e prontos para o sexo só existem na ficção. Na vida real tanto homens como mulheres são instáveis, passam por momentos de dificuldade que podem influenciar a sexualidade, assim como momentos de grande alegria, que também influenciam. Tente tranquilizar seu marido, pois, caso ele passe a ter uma preocupação excessiva com seu desempenho sexual, aí sim poderá desenvolver alguma disfunção relacionada a fatores psicológicos.

Sofia Barbosa é enfermeira do Sistema Único de Saúde I Coren MG 159621-Enf. Mande sua dúvida: amigadasaude@brasildefato.com.br

Nossos direitos COMPRAS PELA INTERNET O primeiro cuidado a se tomar é na finalização da compra. Caso você finalize a compra com cartão de crédito, nenhuma página deve solicitar a senha do cartão. Caso seja solicitado, possivelmente se trata de uma página não-confiável, ou seja, cancele a compra, é golpe! Além dessa dica, saiba alguns direitos que você terá ao concluir uma compra pela internet: - O artigo 49 do Código de Defesa do Consumidor (CDC) garante que o consumidor pode desistir da compra no prazo de sete dias

a contar do ato de recebimento do produto ou serviço, ou seja, comprou e não gostou: pode devolver! Lembrando que é a empresa que arca com os custos de postagem para retorno da mercadoria. E tem mais, se o consumidor exercer o direito de arrependimento previsto neste artigo, os valores eventualmente pagos, a qualquer título, devem ser devolvidos, de imediato, mesmo que a compra tenha se dado com cartão de crédito. Fique de olho e não perca seus direitos!

Adília Sozzi é advogada da Rede Nacional de Advogados Populares – RENAP


Belo Horizonte, 29 de junho a 5 de julho 2018

www.malvados.com.br

13 VARIEDADES 13

Dicas Mastigadas BISCOITÃO “SÔ JOÃO”

Preencha os espaços vazios com algarismos de 1 a 9. Os algarismos não podem se repetir nas linhas verticais e horizontais, nem nos quadrados menores (3x3). www.coquetel.com.br

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1 2 3 8

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Ingredientes

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Solução

2 xícaras de farinha de milho 2 xícaras de leite 4 xícaras de polvilho azedo 1 xícara de óleo 2 ovos 1 colher de sobremesa de sal

Modo de Preparo 1. Junte os ingredientes, se possível em uma gamela de madeira. Misture a farinha de milho e o leite, deixando descansar até que a farinha fique bem encharcada. 2. Depois, junte polvilho, óleo, ovos e sal. Misture bem e amasse com as mãos até ficar mole. 3. Misture tudo e prepare um saco de plástico com um furo na ponta. 4. Esprema os biscoitos em um tabuleiro na forma e tamanho que desejar. 5. Leve ao forno já pré-aquecido por 25 minutos.

Receita da época antiga guardada pelas mestras do quilombo Chacrinha, de Belo Vale (MG). A arte de fazer biscoitos começou com Almerinda Dias da Cunha, que era responsável pela lida com o fogão em todas as festas. “– Ao biscoitão, Sô João!’’ era a senha que fazia as crianças correrem! Essa receita é parte do livro “Sabores do Quilombo – Quitandas das Minas Gerais”, acesse completo em goo.gl/BxKfJn.

Participe enviando sugestões para receita@brasildefato.com.br.


14 CULTURA 14

Belo Horizonte, 29 de junho a 5 de julho 2018

Monumentos de BH que homenageiam a cultura negra ainda são minoria PATRIMÔNIO Pesquisadora afirma que o apagamento da atuação dos negros na construção da cidade se deve ao racismo Divulgação /Ilê Wopo Olojukan

Larissa Costa

P

rovavelmente, muitos já passaram pela Lagoa da Pampulha e nunca viram a estátua de Yemanjá, colocada lá em 1982. Ou no bairro Silveira, onde existe uma estátua do Preto Velho também colocado lá há mais de 30 anos. Muitos também, possivelmente, nem sabem que a escultura, na Avenida Brasil, pertinho da Praça Floriano Peixoto, foi feita para Zumbi dos Palmares em 1995. Esses três monumentos são os únicos de Belo Horizonte que resgatam e prestam homenagem à cultura afro-brasileira. Um inventário, realizado pela Prefeitura de Belo Horizonte, mapeou cerca de 150 monumentos, bustos e esculturas da capital. Entre eles, muitos italianos, espanhóis, portugueses e militares. Segundo Nila Rodrigues Barbosa, historiadora e pesquisadora de patrimônio cultural, esse apagamento

Copa é na Pedreira!

Pedreira Prado Lopes e o Concórdia precisam ser reconhecidos como patrimônio cultural do povo negro de negros e negras da história está relacionado com o racismo estrutural da sociedade. “Há um racismo institucional. É racismo não reconhecer ou diminuir a impor-

Divulgação

Ainda não achou lugar para assistir aos jogos da Copa do Mundo? A Ocupação Pátria Livre, na Pedreira Prado Lopes, está realizando a transmissão das partidas. A entrada é franca, mas, para entrar, tem que falar a senha “Lula Livre”. O local conta com venda de cerveja, espetinho, tropeiro e macarrão – tudo a R$ 5. O endereço é rua Pedro Lessa, 435, na PPL.

tância da participação dos negros na história. No caso da história da cidade, chega a ser absurdo. Houve época em que se achava que ela foi construída apenas por italianos. Não foi assim. Nas fotografias antigas da cidade tem um monte de negro, construindo, trabalhando”, afirma. Para além de monumentos, é necessário considerar lugares da cidade que foram tombados pelo patrimônio cultural do município, como é o caso do Ilê Wopo Olojukan, primeiro Terreiro de Candomblé da capital mineira. O processo de reco-

nhecimento aconteceu nos anos 1990 e atendeu às reivindicações do movimento negro pelo direito à memória. Outro local na cidade que resgata a cultura negra, conforme aponta Nila, é a Associação Cultural José Martí, dessa vez com destaque aos elementos latino-americanos. José Martí foi um importante lutador pela independência de Cuba no século 19. Os três quilombos urbanos de BH, Mangueiras, na região Norte, Luízes, na Vila Maria Luiza, e Manzo Ngunzo Kaiango, na região Leste, também foram declarados Patrimônio Cultural de Belo Horizonte. Dois quilombos simbólicos de BH A pesquisadora complementa que, em Belo Horizonte, ainda há dois lugares que a Prefeitura deveria se empenhar para registrar como patrimônio cultural.

Pato Fu e Graveola Divulgação

No sábado (30), as bandas mineiras se apresentam de graça, na rua, em uma edição especial do projeto Minas ao Luar e em comemoração aos aniversários dos programas Agenda e Alto-Falante, da Rede Minas. É a partir das 17h, na rua Tenente Brito de Melo, 1090, bairro Barro Preto.

BH tem três quilombos urbanos: Mangueiras, Luízes e Manzo A Pedreira Prado Lopes, na região Noroeste, e o bairro Concórdia, na região Nordeste, são cruciais na história de Belo Horizonte. “A Pedreira Prado Lopes é da época da construção da cidade. É um lugar de preto. Quem está lá foram os operários negros, em sua maioria, que ganhavam muito pouco e faziam o trabalho pesado. Eles foram morar na Pedreira depois de construírem o centro da cidade. O Concórdia também é culturalmente negro. Em esquinas você tropeça com terreiros, com reinados, com congados, com pessoas negras fazendo cultura”, argumenta Nila.

Arraiá Galo Cantô em Uberlândia

Divulgação

No sábado (7) , acontece o “1º Arraiá do grupo de capoeira Galo Cantô”. Além de bebidas e comidas típicas, haverá roda de Capoeira Angola, Samba de Roda e Forró de Amaralina. O evento será a partir das 15h, na rua Madrid, número 244, bairro Tibery, Uberlândia (MG). Entrada R$5. Mais informações: https://goo. gl/9hUDqD


Belo Horizonte, 29 de junho a 5 de julho 2018

ESPORTE

15 15

Oitavas-de-final: Brasil x México

Equipe uberlandense quebra 4 recordes brasileiros Comunicação Futel

Pela 3ª fase Nacional do Circuito Loterias Caixa de Halterofilismo, realizada em São Paulo, os paratletas uberlandenses da Futel/CDDU foram destaque, conquistando sete medalhas de ouro, oito de prata e quatro de bronze, além disso, a delegação do Triângulo voltou para a casa com a quebra de 4 recordes brasileiros, feito alcançado pelos atletas Mateus Assis, Lara de Lima, Amanda Sousa e Maria Rita Martins. O evento reuniu 161 atletas de todo o país, sendo 25 de Uberlândia.

Curta e Grossa Vai ter mulher na Copa sim! E com respeito! Jordânia Souza Como mulher, jornalista e torcedora, pensei em escrever a opinião de hoje sobre todos os casos de machismo que vêm acontecendo na Copa do Mundo, na Rússia. Assédios de diversos tipos, vindo de homens de vários países. O machismo não tem nacionalidade, está incrustado em diversas culturas e presente em inúmeras facetas. Mas eu não vou escrever sobre isso, até porque fico muito feliz em perceber que situações constrangedoras não estão mais sendo abafadas ou escondidas. Hoje, na verdade, eu quero falar sobre a paixão e a força que muitas mulheres têm demonstrado ao enfrentar e vencer os obstáculos que aparecem apenas pelo fato de ser mulher. Primeiro, embora ainda em minoria, é extremamente importante ver mais mulheres jornalistas cobrindo uma Copa do Mundo. Na frente ou atrás das câmeras, olhares e vozes femininas estão cada vez mais presentes, conquistando espaço nas transmissões e coberturas e, principalmente, abrindo caminho para tantas outras que sonhar em seguir a mesma trajetória. Esse espaço, aliás, é essencial para viabilizar que casos de machismo, constrangimentos e assédios não passem mais despercebidos. Na torcida, elas também vêm marcando presença. Em especial, foi inspirador o exemplo das torcedoras iranianas que acompanharam pela primeira vez uma partida da seleção do Irã, no estádio Azari, em Teerã. Proibidas no país de frequentar estádios e ginásios em eventos esportivos desde 1981, elas puderam torcer pelo Irã durante o jogo contra a Espanha, após autorização do governo local. Uma permissão que levou quase 40 anos para acontecer. Esses são marcos importantes, pois, a despeito da presença do machismo em várias culturas, a luta das mulheres é universal, cada grupo a seu modo e com suas crenças e valores. Seja na Copa ou em qualquer campeonato, o esporte é para todos e o respeito e oportunidades também devem ser. E sim: vai ter mulher da Copa!


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Belo Horizonte, 29 de junho a 5 de julho 2018

Direito de voto para sócio torcedor

ESPORTES

16

DECLARAÇÃO DA SEMANA Reprodução Bruno Haddad / Cruzeiro EC

O

Somos Cruzeiro, coletivo auto organizado de cruzeirenses, reivindica o direito de torcedores e torcedoras participarem das decisões do clube. No último dia (23) eles lançam a campanha “Direito de voto para sócio torcedor já”. Na ocasião, o Somos Cruzeiro apresentou sua proposta e plataforma de coleta de assinaturas para apoiar o direito de votar e ser votado. No Brasil, outros grandes clubes brasileiros já aderiram ao modelo de participação, como Internacional, Grêmio, Vasco, Vitória e Bahia. De acordo com o coletivo, esse é o mecanismo mais eficiente para frear a elitização dos estádios e assegurar a acessibilidade a todos os torcedores. Mais informações: facebook.com/somosocruzeiro

“Voltamos a ser um país de terceiro mundo. Há três, quatro anos, pelo menos não havia tanta diferença entre ricos e pobres. Brasil era uma referência para a Europa”. Roberto Carlos, ex jogador da seleção brasileira e do Real Madrid, pentacampeão do mundo e considerado um dos melhores laterais esquerdos da história.

COPA DO MUNDO RÚSSIA 2018 OITAVAS DE FINAL

FASE FINAL / 30 JUN A 14 JUL / QUARTAS DE FINAL

30.jun

11h

França

x

Argentina

6.jul

11h

Uruguai ou Portugal

x

França ou Argentina

30.jun

15h

Uruguai

x

Portugal

6.jul

15h

Brasil ou México

x

Bélgica ou Japão

2.jul

11h

Brasil

x

México

7.jul

11h

Espanha ou Rússia

x

Croácia ou Dinamarca

2.jul

15h

Bélgica

x

Japão

7.jul

15h

Suécia ou Suíça

x

Colômbia ou Inglaterra

1.jul

11h

Espanha

x

Rússia

1.jul

15h

Croácia

x

Dinamarca

3.jul

11h

Suécia

x

Suíça

3.jul

11h

Colômbia

x

Inglaterra

SEMI DE FINAL 10.jul

15h

Venc. Quartas 1

x

Venc. Quartas 2

11.jul

15h

Venc. Quartas 3

x

Venc. Quartas 4

DISPUTA 3º LUGAR 14.jun

11h

Perd. Semifinal 1

x

Perd. Semifinal 2

FINAL 15.jun

12h

Venc. Semifinal 1

x

Venc. Semifinal 2