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Reprodução/Defesa Civil

Chuva não mata Falta de planejamento volta a fazer vítimas no estado. Problema se combate com moradia, melhoria de áreas existentes e fiscalização CIDADES 4

MG Minas Gerais

8 a 14 de janeiro • edição 335 • brasildefatomg.com.br • distribuição gratuita WANG ZHAO /AFP

Coronavac elimina casos graves

No dia em que o país ultrapassou 200 mil mortes por covid-19 e recorde de óbitos diários, Butantan anuncia que Coronavac tem eficácia de 78% para casos leves e é 100% eficaz para casos graves. Mas o governo, que gastou meses tentando terceirizar a culpa pela sua própria irresponsabilidade, agora anuncia contrato de 100 milhões de doses até o fim do ano.

Depois da festa, mais corona

Tensão no capitólio

Estádios sem cadeira

Passado o réveillon, os primeiros dias de janeiro mostram recorde nas contaminações por coronavírus no estado

Após invasão ao Congresso dos EUA, parlamentares certificam derrota de Trump. Repressão deixou quatro mortos

Lei autoriza criação de setor popular. Medida não afeta Mineirão e Independência, mas beneficia Arena do Galo

MINAS 5

MUNDO 10

ESPORTE 16

Nívea Magno /Mídia Ninja


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OPINIÃO

Belo Horizonte, 8 a 14 de janeiro de 2021

2021 será “nós por nós” O Brasil começa o ano com cerca de 200 mil mortos na pandemia. Já perdemos entes queridos ou conhecemos famílias próximas que perderam. Mesmo assim, ainda não temos vacina e aumenta a transmissão do vírus. O ano também começa sem auxílio emergencial e com mais de 14% de desemprego. Esses problemas têm a ver com o caos implantado por Bolsonaro na administração do país. O poder público está à deriva. Bolsonaro foi contra o auxílio emergencial. Após ser pressionado, propôs que fosse de apenas R$ 200. O auxílio de R$ 600 só foi possível graças à atuação da oposição e à pressão de sindi-

ESPAÇO DOS LEITORES “Boa tarde, vocês sumiram. Este jornal é muito bom, gosto de saber notícias de Minas Gerais. Sou pedagoga e me aperfeiçoo cada vez mais quando faço uma boa leitura” Nemis Furbino -“Boa tarde! Sou Elinaldo Tomaz, moro em Iguatu, Ceará. Agendei o zap de vocês, isto é, do ‘Brasil de Fato’ por quem fiquei encantado. Li o artigo de Ana Primavesi. Faz hoje um ano de sua morte. E já baixei outros artigos dela e de outros. Vou acompanhar o Brasil de Fato” Elinaldo Tomaz -“Achei bem fraca essa matéria. Sei que não é de MG, mas ficou parecendo release da Aneel. Não escuta movimentos sociais sobre um aumento repentino seguido de uma queda forte. Tem método nesta gestão ou é simplesmente a aleatoriedade que marca o governo brasileiro?” Rodrigo Freitas sobre a matéria “Aneel muda bandeira tarifária e conta de energia deve ficar mais barata em janeiro” -“Gostei imensamente de ver e ler isso... Não que eu acreditasse nessas besteiras que o presidente fala. E quero dizer que sou ouvinte da Favela desde 2007 e adoro a programação e todos vocês” Lourdinha Franco sobre a matéria “Você não vai se transformar em

Escreva pra gente também: redacaomg@brasildefato.com.br ou em facebook.com/brasildefatomg

Bolsonaro foi contra o auxilio emergencial. Após ser pressionado, propôs auxilio de apenas R$ 200 catos e movimentos populares. Ao mesmo tempo, diminuiu o investimento público. Diversas alternativas para injetar dinheiro na economia foram apresentadas logo no início, como a emissão de moeda e títulos da dívida pública. O governo optou por não fazer nada. O governo federal também insiste em privatizar o patrimônio público. Quer desmembrar a Petrobrás com a venda de refinarias e áreas de extração de petróleo da camada pré-sal. Enquanto isso, vemos o custo de vida crescer, principalmente dos alimentos, alavancado pelo preço do combustível, como resultado do sucateamento de nossa infraestrutura na produção e refino de petróleo. Em Minas, Zema segue os mesmos passos. Negou o tamanho da pandemia, sendo responsável pela subno-

O jornal Brasil de Fato circula semanalmente com edições regionais, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro, no Paraná e em Pernambuco. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais em nosso país e no nosso estado.

tificação de casos em seu início. Teve que ser forçado, por decisão judicial conquistada pelo Sind-UTE/MG, a manter as escolas fechadas. O hospital de campanha montado no Expominas não atendeu nenhum paciente, enquanto pessoas morriam nas Unidades Básicas de Saúde à espera de leitos. Agora, o hospital está desativado. Um desperdício de dinheiro público causado pela gestão empresarial de Zema. Ele também assume o mantra de privatização das empresas e serviços públicos. Por um lado, quer fazer uma reforma administrativa que vai piorar as condições de trabalho dos servidores públicos. Por outro, pressiona pela venda da Cemig e Copasa, estatais que garantem às regiões menos atrativas ao mercado o fornecimento de energia elétrica e saneamento básico. A privatização condenará o povo a ter serviços piores e à falta de água e energia nas regiões que não forem lucrativas. 2021 já começa, portanto, como um ano de luta pela sobrevivência e pela soberania. Será necessário multiplicar iniciativas de unidade e soli-

O hospital de campanha montado no Expominas não atendeu nenhum paciente dariedade, como a campanha Periferia Viva. Parlamentares, governantes progressistas, sindicatos e movimentos populares deverão atuar juntos para barrar o avanço da barbárie e da entrega do patrimônio público. Nesse período, está claro que só a luta garante a vida das trabalhadoras e trabalhadores. 2021 será “nós por nós”.

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conselho editorial minas gerais: Aruanã Leonne, Beatriz Cerqueira, Bernadete Esperança, Bruno Abreu Gomes, Ênio Bohnenberger, Felipe Pinheiro, Frederico Santana Rick, Helberth Ávila de Souza, Jairo Nogueira Filho, Jefferson Leandro, Joana Tavares, João Paulo Cunha, Joceli Andrioli, Jô Moraes, José Guilherme Castro, José Luiz Quadros, Juarez Guimarães, Laísa Campos, Marcelo Almeida, Makota Celinha, Maria Júlia Gomes de Andrade, Milton Bicalho, Neila Batista, Nilmário Miranda, Padre Henrique Moura, Padre João, Pereira da Viola, Renan Santos, Robson Sávio, Rogério Correia, Samuel da Silva, Talles Lopes, Titane, Valquíria Assis, Wagner Xavier. Redação: Amélia Gomes, Bruna Bentes , Larissa Costa, Rafaella Dotta, Raíssa Lopes e Wallace Oliveira. Colaboradores: Anna Carolina Azevedo, André Fidusi, Bráulio Siffert, Diego Silveira, Fabrício Farias, Izabela Xavier, João Paulo Cunha, Jonathan Hassen, Jordânia Souza, Pedro Rafael Vilela, Renan Santos, Rogério Hilário, Sofia Barbosa Revisão: Luciana Gonçalves. Administração e distribuição: Paulo Antônio Romano de Mello e Vinícius Moreno Nolasco. Diagramação: Tiago de Macedo Rodrigues. Tiragem: 35 mil exemplares. Razão social: Associação Henfil Educação e Comunicação


Belo Horizonte, 8 a 14 de janeiro de 2021 Rafael Passos

Declaração da Semana “Não pense que a fúria da luta contra as opressões pode ser controlada. Eu sou parte dessa fúria. Não sou seu entretenimento, sou o fio da espada da história feito música no pescoço dos fascistas. E dos neutros”

GERAL

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Número da Semana 400 a 600

é a média de abortos clandestinos por ano na Argentina. Desde o retorno à democracia, pelo menos 3 mil mulheres morreram por procedimentos inseguros. Nos últimos dias de 2020, o Senado argentino aprovou o projeto de Interrupção Voluntária da Gravidez, considerado um avanço no direito das mulheres.

Viva a Folia de Reis Verônica Manevy/ Imprensa MG

Chico César, em reposta a um fã que pediu para que ele evitasse músicas de cunho político-ideológico.

Patrimônio imaterial de Minas Gerais, a Folia de Reis existe há mais de 300 anos. Em todo o estado, são pelo menos 1255 grupos de foliões catalogados pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), o que equivale a 4 mil comunidades que mantêm a tradição viva. No cristianismo, o dia 6 de janeiro é celebrado como dia em que o recém-nascido Jesus recebeu a visita de Baltazar, Gaspar e Belchior.

Cestas básicas em BH

Zaíra Magalhães /PBH

A distribuição de cestas básicas e kits de higiene será mantida durante o mês de janeiro em Belo Horizonte. A decisão foi tomada pela prefeitura por causa da situação de emergência causada pela pandemia da covid-19. O acesso ao benefício e o público assistido não sofreram alteração. Mais informações no site https://cestabasica.pbh.gov.br.


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MINAS

Belo Horizonte, 8 a 14 de janeiro de 2021

Falta de planejamento urbano é o maior problema durante as chuvas, dizem especialistas PREVENÇÃO Nos últimos dias, houve 655 pessoas desalojadas e 203 desabrigadas no estado

Em BH, 100 famílias são despejadas em plena pandemia e período de chuvas Reprodução

Rafa Aguiar

Wallace Oliveira disso, há um grande número de vazios urbanos, imóÓrgãos de defesa civil em veis desocupados que, se Minas Gerais estão refor- fossem apropriados pelas çando os alertas no período prefeituras para moradia de chuvoso. Até a quinta (7), interesse social, poderiam em todo o estado foram re- suprir o déficit”, analisa a gistrados 8 mortes, 6 pes- deputada estadual Andreia soas feridas, 203 desabriga- de Jesus (PSOL), ressaltandos e 655 desalojados, em do que, a falta de acesso ocorrências relacionadas à moradia adequada leva às chuvas. Seis municípios muitas famílias a habitarem mineiros decretaram situa- áreas de risco. A geóloga Cláudia de ção de emergência. Os dados são do Boletim da Defe- Sanctis também defende políticas que garantam o disa Civil de Minas Gerais. Nos últimos sete anos, reito à moradia. Ela destanesses desastres, 156 pes- ca que, para fazer frente à soas morreram no esta- questão do risco, é necesdo, sendo 42% soterradas e sário um bom controle ur33% em enxurradas. Qua- bano para evitar novos case metade das mortes (47%) sos de ocupação de áreas ocorreram nas chuvas de de risco. Além disso, é ne2019/2020, quando Minas cessária uma urbanização acompanhatambém teve mais de 94 mil adequada, mento de famílias que esdesalojados e desabrigados, tão em áreas de risco, fazer superando a soma de todos obras de contenção ou dreos outros anos no período. nagem e até mesmo remanejar e reassentar moradoA chuva não mata “O que tem matado é a fal- res, quando necessário. “O programa de áreas de ta de planejamento. Os murisco tem que ser constannicípios deixaram de aplite, nunca vai acabar porcar recursos na moradia de que a cidade continua cresinteresse social, esvaziando os fundos municipais. Além cendo. Todos os municípios

que tratam com isso pecam muito na questão do controle. Mas, enquanto houver o adensamento de áreas e não houver possibilidade de fiscalizar completamente, novas situações de risco vão sendo geradas. Então, as coisas teriam que andar juntas: tanto a oferta de moradias em locais adequados, quanto a prevenção nas áreas que já são consolidadas e a fiscalização”, defende a geóloga.

Situações atípicas No período de outubro de 2019 a março de 2020, de acordo com o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), cidades como Belo Horizonte, Ibirité, Viçosa e Diamantina tiveram volume de chuvas acima do esperado para todo o ano. Na região Centro-Sul de BH, no mês de janeiro, chegou a chover 35% acima da média prevista para todo o ano. Cláudia de Sanctis afirma que essa situação, embora atípica, está relacionada à forma com que a cidade foi se formando.

MORADIA Ação foi realizada sem mandado de reintegração de posse Wallace Oliveira No início da semana, cerca de 100 famílias da ocupação Vila Fazendinha, na região Oeste de Belo Horizonte, foram despejadas em uma ação da Polícia Militar, Prefeitura de Belo Horizonte e Secretaria de Planejamento e Gestão do Estado de Minas Gerais. O despejo foi realizado sem mandado de reintegração de posse. A comunidade conta que o local ficou ocioso por cerca de cinco anos. Sete famílias ocuparam o terreno no início da pandemia, no início do ano, e promoveram uma série de melhorias, como limpeza, plantio de hortaliças para a comunidade e criação de animais para alimentação. As famílias despejadas haviam se juntado ao grupo no mês de dezembro. “Exatamente pelo momento de carestia, num gesto de solidariedade, as sete famílias que estavam

lá propuseram que ampliássemos para mais gente. Houve, então, um longo processo de preparação, compra de lonas. Várias famílias estavam ameaçadas de despejo por conta do preço dos alugueis, pois não estão dando conta de pagar. Então, a ocupação foi um ato de sobrevivência”, afirma Tiago Miranda, integrante do Movimento de Organização de Base (MOB). O morador Carlos Marcos afirma que as famílias despejadas no domingo (3) não têm para onde ir. Ele também questiona o fato de se realizar um despejo em plena pandemia e em meio às chuvas do início do ano. “Algumas pessoas estão em casas de parentes, outras embaixo de viaduto, outras morando de aluguel, mas devendo, outras morando em barraquinho improvisado. Como é que a fica em casa se não tem o lugar onde morar?”, questiona.


Belo Horizonte, 8 a 14 de janeiro de 2021

MINAS

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Após festas de fim de ano, MG bate recorde de contaminação e BH fecha novamente ALERTA Números são os mais altos desde o início da pandemia, com a notificação de mais de 4 mil pessoas contaminadas por dia Rafaella Dotta

O

s feriados de Natal e Ano Novo estão surtindo resultado preocupante no estado de Minas Gerais. Os primeiros dias de janeiro mostram um recorde no registro de pessoas contaminadas por coronavírus. De acordo com os últimos boletins epidemiológicos do governo de Minas, mais de 28 mil pessoas notificaram positivo para covid-19 desde 1º de janeiro. O reflexo final das festas pode estar ainda por chegar. Médicos e pesquisadores estimam que o período de incubação da doença varia de 1 a 14 dias. Assim, o resultado definitivo do período de Natal e Ano Novo deve aparecer até o dia 14 de janeiro.

Viagens e aglomerações

O infectologista Dirceu Grecco, professor emérito da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e

Número Número de de casos casos positivos positivos de de coronavírus coronavírus registrados em Minas em Minas Gerais Númeroregistrados de casos positivos deGerais coronavírus registrados em Minas Gerais Média Média de de notificações notificações por por dia dia Média de notificações por dia

4 mil 4 mil 433 mil mil 322 mil mil 211 mil mil 1 mil

Mar Mar Abr Abr Mai Mai Jun Jun Jul Jul Mar Abr Mai Jun Jul

Ago Ago Set Set Out Out Nov Nov Dez Dez Jan/2021 Jan/2021 Ago Set Out Nov Dez Jan/2021

Número de casos positivos de coronavírus registrados em MG Fonte: Fonte: Dados Dados do do Boletim Boletim Epidemiológico Epidemiológico divulgado divulgado pelo Governo de Minas pelo Governo de Boletim Minas Epidemiológico divulgado Fonte: Dados do pelo Governo de Minas brasildefatomg.com.br brasildefatomg.com.br presidente da Sociedade ram na rodoviária brasildefatomg.com.br

Brasileira de Bioética, analisa os números como parte da primeira onda, resultado da liberação de setores não essenciais quando a pandemia ainda não estava controlada. O período de festas, aliado ao relaxamento dos cuidados, são, para ele, o principal motivo do aumento. Entre 18 de dezembro e 4 de janeiro, estima-se que 320 mil passageiros embarcaram ou desembarca-

de Belo Horizonte, capital do estado. “Tem vários problemas. Quando sai de casa, a maior parte das pessoas pega um ônibus – lugar fechado onde quanto mais tempo se fica, mais risco de ser contaminado. Chega à rodoviária e tem fila para comprar passagem. Tem o tempo dentro do ônibus até outra cidade, a festa que a pessoa participou e a volta. São muitos pontos de risco”, avalia o pesquisador.

Recorde em dezembro

O mês de dezembro já estava sendo marcado por uma alta no número de casos confirmados no estado. Em novembro, 58 mil pessoas registraram como positivo para coronavírus, enquanto dezembro fechou com 126 mil casos confirmados, sendo os dias 29, 30 e 31 de dezembro muito mais altos em relação à porcentagem de óbitos. Os primeiros dias de janeiro são ainda mais preocupantes. A média dos primeiros dias de 2021 ficou em 4.102 casos confirmados por dia. Acima da média de dezembro, que chegou a 4.083 casos por dia - os números mais altos desde o início da pandemia em Minas Gerais.

Governo de Minas dá poucas informações

Em coletiva de imprensa realizada na terça-feira (5), o secretário adjunto de Saúde de Minas Gerais, Marcelo Cabral, informou que o es-

tado comprou 50 milhões de seringas, sendo que 19 milhões já chegaram e serão distribuídas aos municípios a partir desta semana. O secretário não mencionou se o governo está em trâmites de compra de vacinas. Em todo o estado, a taxa de ocupação de leitos de UTI em geral está em 68%, e leitos de enfermaria geral em 62%. Os leitos de UTI exclusivos para covid tem ocupação de 30% e os leitos de enfermaria de covid tem 10% de ocupação, ainda segundo Marcelo Cabral.

Na capital, somente serviços essenciais Em Belo Horizonte, que apresentava uma taxa de ocupação de 86% dos leitos de UTI para covid na quarta (6), alerta vermelho, deve fechar seu comércio novamente. Em suas redes sociais, o prefeito Alexandre Kalil (PSD) informou que a prefeitura decretará o fechamento do comércio não essencial a partir de segunda (11).

Autorizada pela prefeitura, Vale ameaça desapropriar comunidade de Pires Larissa Costa A mineradora Vale, autorizada pela prefeitura da cidade, pretende desapropriar os imóveis para construir obras de uma estação de tratamento de água e esgoto na comunidade de Pires, em Brumadinho. No entanto, segundo Rejane Fernandes, moradora da comunidade, as famílias não foram notificadas oficialmente.

Rejane conta que uma sitiante da comunidade percebeu que a Vale teria marcado com piquetes seu terreno. Ao ir à prefeitura buscar informação, soube que mais ou menos 30 famílias da comunidade seriam desapropriadas, inclusive a de Rejane. “A gente vive com medo de que ela [Vale] entre na comunidade e expulse todo mundo, porque ela manda e desmanda em todo mundo”, indigna-se.

Rede de esgoto, iluminação pública e pavimentação da estrada até Brumadinho são reivindicações antigas da comunidade. Após o rompimento da barragem no Córrego do Feijão – em janeiro de 2019 –, a Vale foi obrigada a realizar essas obras como compensação pelos danos aos atingidos. A comunidade de Pires, onde moram cerca de 70 famílias, fica no trecho do Rio Paraopeba onde concentrou-se a lama

tóxica vazada pela Vale, no ponto de confluência com o córrego Ferro-Carvão.

Entenda a ameaça de desapropriação

No dia 18 de dezembro, o Ministério Público de Minas Gerais emitiu um documento recomendando o prefeito de Brumadinho que o decreto municipal 151 - que autoriza a Vale, “sob a fisca-

lização do município”, a promover a desapropriação ou a constituição de servidão seja revogado e que não sejam executadas quaisquer ações interventivas nos locais “sem antes promover ampla comunicação e discussão com a comunidade”. Procuradas, a Vale e a Prefeitura de Brumadinho não se pronunciaram sobre o caso até o fechamento desta matéria.


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MINAS

Belo Horizonte, 8 a 14 de janeiro de 2021

OPINIÃO

Discordando a gente se entende João Paulo Cunha O melhor desejo para o ano que começa é que, a cada dia, discordemos mais uns dos outros. O que o ódio separa o debate aproxima. Quando os dois lados não conversam, o ambiente é toxicamente infértil. Cada parcela da sociedade se relaciona apenas com seu umbigo ideológico. Alguns sinais parecem apontar que o debate começa a voltar à cena, mesmo que não nos entendamos em muitos aspectos. É o que se vê, por exemplo, em relação ao apoio dos partidos de centro-esquerda ao candidato à presidência da Câmara vindo de outro campo. Independente-

mente de nomes, teses políticas foram postas em confronto: frentes, apoio tático, alianças circunstanciais, afirmação de princípios etc. O mesmo se viu com a possibilidade de compra de vacinas por parte de clínicas privadas, abrindo a possibilidade de imunizar parte da população em razão de seu poder econômico. Valores morais foram emparelhados com razões de ordem sanitária, debateu-se o papel exclusivo do poder público no controle da pandemia, a complementaridade do setor privado e o incremento à desigualdade social, caso essa medida seja viabilizada. Outro exemplo diz respeito à relação do poder

“O mais fácil é lacrar. Construir consensos é mais difícil” público com a legalidade. A Justiça brasileira passou a fazer parte do repertório de análise do cidadão, que tem sido chamado a opinar sobre o uso privado das polícias, do julgamento de autoridades e parentes do presidente, da condução do Ministério Público e dos tribunais e até da nomeação de ministros do STF e de outros dirigentes. Em termos gerais, o debate está voltando, depois de um período de obscu-

rantismo impenetrável. Isso obriga a todos ter um esforço para aprimorar seus argumentos, melhorar sua capacidade pedagógica de ação política e conquistar corações e mentes. É claro que o mais fácil é anular o outro, desprezar o adversário, lacrar. Construir consensos viáveis e provisórios é mais difícil. O debate ético exige clareza de valores, definição transparente da dimensão moral do interesse público e defesa intransigente das conquistas da civilização. A discussão técnica das políticas públicas precisa se alimentar de conhecimento em vários setores, transitar

além dos interesses de grupos e dos ganhos imediatos das minorias detentoras do poder. Já a afirmação da justiça exige um respeito à legalidade. Mas a defesa de que a lei é para todos não afeta apenas o cidadão (geralmente o menos igual). Ela obriga a um aprimoramento institucional que reforma a concepção de justiça e controle. Um presidente que governa para impedir que o filho seja julgado por seus crimes é um signo melancólico da paternidade irresponsável e do poder corrompido. Pode parecer otimismo de ano-novo, mas os sinais estão dados e, pelo menos por enquanto, não temos saída melhor. ANÚNCIO


Belo Horizonte, 8 a 14 de janeiro de 2021 Marcos Corrêa /Fotos Públicas

OPINIÃO

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Rubinho Giaquinto

“São só garotos”

O Brasil não está quebrado Recentemente, Bolsonaro disse que “o Brasil está quebrado” para justificar a forma irresponsável com que o governo conduz a política econômica. Pode parecer estranho o que vou dizer, mas governos não quebram quando estão endividados na sua própria moeda, como é o caso do Brasil. Diferentemente das famílias ou empresas, o Estado brasileiro imprime a própria moeda e pode gastar mais do que arrecada. Quando você contrata um encanador, o valor que você paga pelo serviço desaparece da sua carteira. O Estado, quando contrata o mesmo encanador, recebe uma parte significativa daquilo que ele gastou como pagamento ao serviço prestado. E como? O encanador vai gastar uma parte do que ele recebeu em consumo de bens ou serviços, que são altamente tributados. Dessa forma, imediatamente, o Estado recebe uma parte do gasto de volta. Além disso, ao transformar esse recurso em consumo, o encanador contribui para preservar empregos e empresas, que continuarão contribuindo com os cofres públicos, com mais consumo e mais impostos. Em síntese, o gasto do Estado é uma forma de investimento, que gera mais renda ao próprio Estado no futuro. Em segundo lugar, o Estado pode escolher a taxa de juros e o prazo com que vai pagar sua dívida. Para se financiar na crise, ele lança títulos da dívida pública, que são vendidos O que impede no mercado e depois remunerados. No Brasil, estamos com a taxa de juros mais baixa da história, o que faz com que que o governo a dívida tenha um custo fiscal baixo. Além disso, se o títu- siga pagando o lo público vencer e o país estiver com dificuldade de paga- auxílio mento, ele simplesmente rasga esse papel e emite um novo. emergencial As restrições ao gasto público são políticas, e não econômicas. O que impede que o governo siga pagando o auxílio não é a ‘falta’ emergencial não é a “falta” de dinheiro, mas o compromis- de dinheiro so do governo com outras prioridades. Gastar mais durante a crise é a melhor forma de expandir a riqueza nacional e reduzir a dívida pública de forma sustentável, com mais arrecadação. O mito de que o Brasil quebrou é uma ideologia para manter um Estado sem direitos sociais para a população. Juliana Furno Doutora em economia pela Unicamp

Leia os artigos completos no site brasildefatomg.com.br Estes são artigos de opinião. A visão dos autores não expressam necessariamente a linha editorial do jornal Brasil de Fato

ACOMPANHANDO

Juliane Furno

Estudo em uma escola de música localizada em bairro dito nobre, que abriga lojas de roupas e bolsas, de marcas famosas, ao gosto dos moradores locais.Há também um shopping frequentado pela fina flor da burguesia e um colégio católico, onde estudam os filhos da elite. Muitas vezes, passo por dentro do shopping para cortar caminho em direção à escola de música. Dia desses, estava eu na praça de alimentação, quando ouvi uma discussão. Eram três meninos com uniformes do colégio, um segurança, uma moça da limpeza e outra mulher. Um dos meninos berrava que queria outro lanche de qualquer forma. Dizia que a moça da limpeza tinha jogado seu lanche no lixo. Foi quando veio uma aten- Em breve, esses dente e enfrentou os três. meninos estarão Depois de algum tempreparados para po, comecei a entender o caso. Eles compravam um os melhores veslanche, sentavam à mesa e, tibulares e conquando estavam para ter- cursos minar, levantavam e ficavam de longe, observando o pessoal da limpeza se aproximar para limpar a mesa. Quando o pessoal retirava os restos que tinham sido deixados de propósito, o mais velho exigia que a moça da limpeza pagasse outro lanche para eles. Uma atendente interveio e disse que não era a primeira vez que eles aplicavam esse golpe. Eles ameaçaram chamar os pais e um deles disse que seu pai era juiz. Com a confusão estabelecida, foi chegando mais gente. Nesse dia, eles não tiveram êxito. Saíram revoltados e impunes. Fiquei imaginando um desses meninos ocupando postos estratégicos na sociedade, pois eles, em breve, estarão preparados para os melhores vestibulares e concursos. Porém, o que mais me impressionou foi o silêncio que se abateu sobre a praça de alimentação. Além da atendente do fast-food, não vi mais ninguém defender a trabalhadora da limpeza. Ainda impressionou-me a conversa de três mulheres, que indignadas diziam: “Que absurdo o que fizeram com estes meninos lindos! São só garotos.” ...Na edição 334... Atingidos constroem Matriz de Danos em contraposição a acordão da Vale e Estado E agora... Matriz de Medidas Emergenciais identifica prioridades das pessoas atingidas Documento, lançado pela Aedas, na quarta (6), sistematiza medidas prioritárias que devem ser adotadas com urgência para mitigar os danos provocados pelo rompimento da barragem da Vale, no Córrego do Feijão. A construção contou com a participação de mais de 7 mil atingidos de Brumadinho, Betim, Igarapé, Juatuba, Mário Campos e São Joaquim de Bicas.


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BRASIL

Belo Horizonte, 8 a 14 de janeiro de 2021

Governo diz que assinou contratou com Butantan, prevendo 100 milhões de doses da vacina chinesa CORONAVAC Segundo ministro, 54% das doses serão fornecidas até o fim do ano Silvio Avila /AFP

Da redação

N

o dia em que o Brasil ultrapassou a marca de 200 mil mortos pela Covid-19, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que o governo assinou um contrato com o Instituto Butantan para adquirir 100 milhões de doses da vacina CoronaVac, desenvolvida em pareceira com o laboratório chinês Sinovac. O contrato, segundo Pazzuello, prevê 46 milhões de doses até abril e outros 54 milhões até o fim do ano. Ainda segundo o ministro Pazuello, toda a produção do Butantan fará parte do Plano Nacional de Imu-

nização, com o objetivo de distribuir o imunizante em todo o país. Cada dose custaria pouco mais de 10 dólares. Eficácia da vacina A vacina Coronavac alcançou 78% de imunização contra o coronavírus e garantiu que infectados não desenvolvessem sintomas graves da covid-19,

Nenhum dos voluntários desenvolveu sintomas graves

de acordo com o resultado dos testes realizados no Brasil. As informações foram divulgadas nesta quinta-feira (7). Antes do pronunciamento do ministro da Saúde, o Instituto Butantan havia encaminhado um pedido de uso emergencial da Coronavac. A vacina passou por testes em 12.476 voluntários. Um grupo foi imunizado e outro tomou placebo. Segundo o Butantan, houve mais de 200 contaminados pelo coronavírus, mas menos de 60 ocorreram entre os que tomaram a vacina. Nenhum deles desenvolveu sintomas graves, não houve internações, ou óbitos e todos os pacientes se recuperaram.

Governo não tem ações para as aldeias e exclui indígenas urbanos da vacinação Altemar Alcantara / Semcom

O

governo federal tem até sexta (8) para apresentar uma versão concreta do Plano Geral de Enfrentamento à Covid-19 para Povos Indígenas ao Supremo Tribunal Federal (STF). Será a quarta tentativa de convencer o STF de que a gestão de Jair Bolsonaro tem políticas de proteção para essas comunidades. O que foi apresentado até agora é considerado genérico e exclui mais de 400 mil indígenas do grupo prioritário. O plano do Ministério da Saúde prevê a imunização de cerca de 410 mil indígenas, menos da metade dessa população, segundo dados do último censo no Brasil. O governo só pretende vacinar aqueles

Segundo útlimo censo, Brasil tem cerca de 890 mil indígenas

que são atendidos pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai). Na conta, deixa de fora quase 500 mil pessoas que não residem em aldeias e vivem em condições precárias nas cidades.

Há estudos indicando vulnerabilidade maior ao novo coronavírus entre indígenas, como mostrou um inquérito sorológico da Universidade Federal de Pelotas. O grupo tem 6,4% mais chances de ser infectado do que a po-

pulação branca. Os motivos têm a ver com falta de acesso a moradia, água tratada, esgoto e serviços de saúde. De acordo com Dinaman Tuxá, coordenador da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o descaso é um padrão da gestão de Bolsonaro. Dinaman usa o termo “genocídio” para classificar a situação. “Nós já fomos muito violentados. Já passamos por um processo bastante violento no passado, o que nos leva a crer que esse processo nunca foi sanado e o governo brasileiro está aguçando essa sensação de extermínio”. O ministro Luís Roberto Barroso disse que fal-

tam elementos essenciais ao documento do governo. Não há previsão de mecanismos para monitorar a implementação das medidas propostas e nem mesmo avaliar se elas estão em prática ou tiveram sucesso. Desde julho, o STF pede que o governo garanta a instalação de barreiras para evitar o acesso de contaminados às aldeias indígenas. Para a nova versão do plano, o tribunal exige que o Ministério da Saúde informe quantos cidadãos e cidadãs são atendidos por região e o número de equipes de saúde atuando nesses locais. Segundo mapeamento da Abip, o vírus chegou por meio desses profissionais


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BRASIL

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Entenda por que o cargo de presidente da Câmara é tão visado no jogo político LEGISLATIVO Orçamento da casa em 2020 ultrapassou R$ 6 bilhões Najara Araújo /Câmara dos Deputados

vontade dos estados – o Senado representa os entes da Federação, enquanto a Câmara representa a população”. Por conta disso, o líder máximo da Câmara é o segundo na linha sucessória do chefe do Executivo, ficando atrás apenas do vice-presidente da República.

Cristiane Sampaio Ponto de destaque nas disputas nacionais, a corrida rumo à presidência da Câmara dos Deputados volta a mexer com o cenário político neste começo de 2021, quando um novo nome deverá ser eleito para suceder Rodrigo Maia (DEM-RJ) no próximo biênio. O cargo é um dos mais estratégicos do país, especialmente porque o ocupante da cadeira tem o poder de bater o martelo sobre as pautas que irão à votação no plenário da Casa, a chamada “ordem do dia”. O analista e consultor político Antonio Augusto de Queiroz, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), lembra que as principais proposições legislativas têm a Câmara como primeira Casa de avaliação da medida. Não sendo chancelada pelos deputados, uma pauta tende a não prosperar. Esse rito ajuda a dar importância para o car-

go de presidente, principal articulador político e regente do chamado colégio de líderes. “Além disso, ele tem o poder da palavra, de passar a palavra, distribuir para relatores as matérias de plenário, conduzir os acordos”, acrescenta Queiroz. Isso se dá porque o titular do cargo lidera a chamada “mesa diretora” da Casa, responsável por todos os trâmites administrativos e legislativos. Juntamente com a mesa do Senado, o órgão responde pela promulgação de emendas à Constituição e pode propor mudanças no regimento interno da instituição. O presidente também integra o Conselho de Defesa Nacional e o Conselho da República. Este último delibera, por exemplo, sobre a necessidade de se decretar intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio. O líder máximo da Câmara tem ainda a prerrogativa de encaminhar as

conclusões das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) da Casa para outros órgãos, estimulando o surgimento de medidas a serem tomadas diante das acusações em questão. O presidente da Câmara também tem acesso a um orçamento anual de valores astronômicos – em 2020, por exemplo, foi de R$ 6,2 bilhões. Recebe o mesmo salário que os demais deputados (atualmente, R$ 33.760), mas tem o diferencial de morar em uma mansão, a “residência oficial”, e pode contar com um jato da Força Aérea Brasileira à sua disposição. O analista de risco político Creomar de Souza pontua ainda que a Câmara costuma ter mais voz que o Senado. “Quando você tem algum tipo de discordância entre as Casas, prevalece a posição da Câmara em contraposição à do Senado. Isso quer dizer que a vontade popular é maior que a

O presidente da Câmara tem o poder de dar sinal verde para pedidos de impeachment do presidente da República Impeachment Uma das prerrogativas do cargo de presidente da Câmara é o poder de dar sinal verde para pedidos de impeachment do chefe do Executivo. No cenário como o atual, por exemplo, em que Jair Bolsonaro acumula mais de 50 propostas dessa natureza engavetadas na Casa. “Caso o governo tenha presidentes da Câmara e do Senado hostis a ele, a situação tende a se tornar muito grave, então, o poder de dar andamento a um pedido de impeachment conta. Isso tem muito peso no próximo biênio. Lembrando que 2021 é o ano em que as forças políticas vão se articular para aquilo que vem a ser a eleição ano que vem”, realça Creomar de Souza.

Nossos direitos NÃO É NECESSÁRIO RECONHECER FIRMA OU AUTENTICAR DOCUMENTOS PARA ÓRGÃOS PÚBLICOS Está em vigor a Lei 13.726/2018, que retira a obrigatoriedade do reconhecimento de firma e autenticação de documentos no âmbito do poder público. Isso significa que nos órgãos públicos, não pode mais haver a exigência desses procedimentos realizados em cartório, sendo o próprio servidor público o responsável por analisar as assinaturas para atestar a autenticidade. Nos casos da apresentação de cópias de documentos, o servidor também fará a conferência com o documento original, não sendo necessária a autenticação da cópia pelo cartório. Na mesma lei, também foi inserida a possibilidade da apresentação da carteira de identidade ao invés da certidão de nascimento, quando solicitado. No caso da autorização de viagem para menores de idade, se os pais estiverem presentes no embarque, não é necessário o reconhecimento de firma.

Jonathan Hassen é advogado popular


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MUNDO

Belo Horizonte, 8 a 14 de janeiro de 2021

Após invasão ao Capitólio, Congresso certifica eleição de Biden nos EUA Saul LOEB / AFP

aos delegados do Arizona; a segunda, em relação aos da Pensilvânia. Dessa maneira, Biden e Harris agora podem oficialmente tomar posse no dia 20 de janeiro.

Lockdown

O

Congresso estadunidense certificou, nesta quinta (7), a eleição do presidente Joe Biden e de sua vice, Kamala Harris. A decisão veio com a retomada da sessão, após

o Capitólio ter sido invadido por apoiadores do presidente Donald Trump. Os parlamentares rejeitaram duas objeções aos resultados reportados pelos estados: a primeira, em relação

Na tarde da quarta (6), centenas de manifestantes se concentraram em frente ao Congresso para participar de ato convocado por apoiadores de Trump e pelo próprio presidente. Trump chegou a discursar aos manifestantes e convocou “uma marcha” até o Congresso para “encorajar” senadores e deputados a rejeitarem a vitória de Biden. Minutos depois, os manifestantes se dirigiram ao Capitólio e as primeiras invasões foram registradas. Pessoas

quebraram vidraças e portas para entrar no prédio. O Senado anunciou a suspensão da sessão e deputados e senadores começaram a ser evacuados do local usando máscaras de gás. A prefeitura de Washington D.C. decretou toque de recolher a partir das 18h local (20h de Brasília) para tentar conter os manifestantes. Batalhões da Guarda Nacional foram convocados. Uma mulher foi baleada dentro do Capitólio durante a invasão e morreu no hospital. Além disso, 13 pessoas foram presas.

Mundo reage

O governo da Venezuela disse que os EUA padecem do mesmo mal que suas políticas de agressão geraram

em outros países.”A Venezuela condena a polarização política e o espiral de violência que não faz outra coisa senão refletir a profunda crise que o sistema político e social dos Estados Unidos atravessam atualmente”, afirmou o governo venezuelano. Para o ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, o governo de Trump tentou colocar “em prática um autogolpe para permanecer no poder”. No Brasil, o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva afirmou que o episódio foi um “alerta” para o Brasil “sobre o que ainda pode acontecer de pior aqui, se não for contido o autoritarismo de Bolsonaro”. ANÚNCIO


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Belo Horizonte, 8 a 14 de janeiro de 2021

ENTREVISTA 11

“O luto pela covid é um processo coletivo”, reflete psicóloga ENTREVISTA Mariana Tavares explica a importância dos cuidados paliativos e incentiva questionamentos sobre lógica individualista do luto Raíssa Lopes

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ariana Tavares é psicóloga, integra o Conselho de Psicologia de Minas Gerais (CRP-MG) e recentemente se especializou em cuidados paliativos. Saindo da noção da saúde mental como um processo inteira e unicamente individual, a especialista chama a atenção para a influência da realidade social na vida dos sujeitos. Em conversa com o Brasil de Fato, também reforça o poder indispensável das políticas públicas para superar coletivamente os traumas expostos e criados pelo coronavírus. Brasil de Fato - O que são cuidados paliativos? Mariana Tavares - Cuidados paliativos constituem uma assistência feita por uma equipe com o objetivo de melhorar a qualidade de vida do paciente e da família diante de uma doença ameaçadora à vida. Deseja prevenir e aliviar o sofrimento das pessoas frente a essas doenças.

O Brasil é um dos piores países para morrer, porque não se preocupa com a morte

É importante entender que a qualidade da morte tem a ver com a qualidade da vida. O Brasil é um dos piores países para morrer, justamente porque tem uma baixa preocupação com a qualidade da morte. Isso tem a ver com a ideia de que a medicina vai apenas salvar vidas, e tem dificuldade de lidar com a morte. A morte é vista como um fracasso. Existe todo um medo, um tabu nas sociedades ocidentais. Então o mundo dos cuidados paliativos vai procurar fornecer assistência psicológica para a família, incentivar as conversas com o “eu te amo”, “eu te perdoo”... É uma visão muito maior do que é enfrentar essa terminalidade. A nossa sociedade lida muito mal com a morte, e os profissionais de saúde lidam muito mal com a morte. A gente é mal formado para pensar sobre isso. E o luto dentro dessa situação? O luto é a perda de um vínculo, não necessariamente a perda de uma pessoa e nem necessariamente por morte. Imagine então a quantidade de luto que está por aí… Pessoas que iam se casar, que perderam emprego, renda. É uma série de sofrimentos invisíveis. Ao mesmo tempo, o luto é uma vivência muito individual. Mas no momento não é o caso de vermos o luto como um processo absolutamente subjetivo. Existe um conceito de luto complicado, que é quando a pessoa enfrenta mal, não

Reprodução-CRP

O suporte social comunitário ajuda na prevenção do luto complicado criar maneiras de suprir essa falta da ritualização tal como a gente conhece.

A nossa sociedade, inclusive profissionais de saúde, lida muito mal com a morte dá conta de retomar a vida, adoece, deprime. Esse luto é comum em mortes violentas, solitárias, injustas, precoces. E a morte pela covid tem várias dessas características - é uma má morte, tem dor, sofrimento, falta de ar, é solitária, sem despedida. Então fomos investigar se existem formas de prevenir o luto complicado... E sim, tem jeito. Estudei vários artigos e o que encontrei, resumi em dois pontos: é possível precaver ao melhorar a qualida-

de da morte e garantir suporte social. E é nesse contexto que os cuidados paliativos são enormemente relevantes. Como seria isso? Na melhoria da qualidade da morte entram, por exemplo, os dispositivos eletrônicos. A telemedicina, as videoconferências com os familiares, os grupos com psicólogos focados nas conversas com a família etc. Sobre o suporte social, uma das coisas que mais alivia a morte nas sociedades são os rituais. Eles existem como uma forma de nos consolar e foi outra coisa que a covid cortou, né? Os velórios devem ser rápidos e sem aglomeração, até mesmo para aqueles que não morreram pela covid. É preciso, então,

Tipo criar um ambiente em casa para celebrar e se despedir da pessoa que se foi? Aí é que está. Não com as pessoas sozinhas, não com ações individuais. É exatamente onde entra um suporte social comunitário, para tirar essa morte da situação de invisibilidade. Porque é particular, mas também é público. É preciso ressaltar: o luto pela covid não é um processo apenas individual, é um processo coletivo. Por exemplo, em outros países e em algumas cidades daqui, todo dia é realizado um minuto de silêncio, é tocada uma música, ou passa algo na televisão sobre as pessoas que faleceram. É para dizer que não, essas pessoas não estão despercebidas, e nem sozinhas.

Leia entrevista completa no site brasildefatomg.com.br


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VARIEDADES

Belo Horizonte, 8 a 14 de janeiro de 2021

DE OLHO NA MÍDIA

FIQUE

BEM Olá pessoal! Seguem as dicas desta semana.

PÕE A CARA NO SOL! A principal forma de adquirir níveis adequados da vitamina D é tomando sol! Essa vitamina é importante para o fortalecimento de ossos e dentes, prevenção de diabetes, melhora do sistema imunológico, redução da inflamação do organismo. Para produzir as quantias ideais de vitamina D devemos nos expor aos raios solares até as 10h ou a partir das 15h, quando o sol não está tão forte! Cuidado para não se queimar. Mesmo em isolamento, não podemos deixar de tomar sol!

CUIDADO COM O ÁLCOOL GEL! Difícil encontrar os melhores adjetivos para descrever Jair Bolsonaro. Infantil? Mitômano? Genocida? Quando o país volta a números alarmantes de mortes por covid-19, ele acha por bem dizer, sobre o Brasil estar quebrado: “Eu não consigo fazer nada. Eu queria mexer na tabela do Imposto de Renda, teve esse vírus potencializado pela mídia que nós temos, pela mídia sem caráter que nós temos”. Culpar a mídia por dar visibilidade a uma tragédia como a pandemia, depois de novamente colocar as pessoas em risco com seu comportamento irresponsável, demonstra, mais uma vez (como se precisássemos de mais tristes exemplos), que tipo de pessoa é o presidente da República. Para quem se interessar em saber mais sobre sua história e tentar entender como funciona sua mente tacanha, o podcast “Retrato Narrado”, da jornalista Letícia Duarte, é uma excelente pedida.

“ESTOU JURIDICAMENTE MARCADO PARA MORRER” A declaração forte é do jornalista Luis Nassif, em texto publicado no seu site GGN, no dia 24 de dezembro. Ele cita as inúmeras decisões judiciais contra ele e seu portal, comparando com outros exemplos de veículos da imprensa comercial e demonstrando como há uma perseguição e mesmo censura contra jornalistas que atuam fora do espectro ideológico permitido pelo judiciário. Um trecho: “Tempos atrás, Joyce Hasselman fez um ataque torpe a uma filha minha, para seus mais de 1 milhão de seguidores, confundindo-a com uma homônima. Sua condenação foi de metade do valor da que recebi por ter publicado uma foto incorreta em uma mera fotomontagem”. Preocupante a situação não só de Nassif, mas de todos os interessados em defender uma imprensa séria, uma justiça não partidarizada e a democracia.

GOLPE NOS EUA E COBERTURAS DIFERENTES Toda a situação dos Estados Unidos merece nossa atenção e leitura crítica. Procure veículos fora dos marcos comerciais para acompanhar a situação. Algumas dicas: Telesur (www.telesurtv.net), Opera Mundi (operamundi.uol.com.br), Democracy Now (www.democracynow.org). Tem outras sugestões de sites ou temas para a coluna? Manda pra nós! Um abraço e bom ano novo! Joana Tavares é diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais

Quando estiver em casa, prefira higienizar as mãos com água e sabão! Use o álcool gel quando não tiver acesso a uma pia e sabão, porque o álcool é inflamável e pode ser o causador de acidentes, como queimaduras. Não se coloque em risco!

TROQUE SUA ESCOVA DE DENTE! As escovas de dente devem ser trocadas de três em três meses, ou quando as cerdas se deformarem, assim elas continuam funcionando para limpar todos os cantinhos! Um beijo da Jana!

Janaína Cristina escreve sobre dicas de bem-estar e autocuidado

AMIGA DA SAÚDE Sofia Barbosa é enfermeira do Sistema Unico de Saúde I Coren MG 159621

Meu xixi tem um cheiro muito forte. O que pode ser? Beatriz Xavier, 30, auxiliar de serviços gerais A urina geralmente fica amarelo-clara e com cheiro habitual quando ingerimos a quantidade de água adequada ao longo do dia (aproximadamente dois litros, variando conforme o peso). A primeira urina do dia costuma ser mais escura e com cheiro forte pelo tempo que passamos sem ingerir líquidos. Mas se o cheiro está mais forte que o habitual, isso pode ser por baixa ingestão de água ou ter relação com algum medicamento ou alimento em uso. Se esse cheiro alterado vem junto com dor em baixo ventre ou sangramento, pode se tratar de infecção urinária. De qualquer forma, caso o cheiro forte seja algo persistente, é importante procurar um serviço de saúde para avaliação.

Mande sua dúvida para amigadasaude@brasildefato.com.br


Belo Horizonte, 8 a 14 de janeiro de 2021

15 VARIEDADES 13

www.malvados.com.br

SALADA DA BOA SORTE

Reprodução

PALAVRAS CRUZADAS DIRETAS

www.coquetel.com.br

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Pedido de fãs em shows (?) de mascar: chiclete Iodo (símbolo)

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Ofício de pedreiro Expressão de gratidão

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Trabalhoso; difícil

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Talher cortante

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(?) Esponja: mora em um aba17 caxi (TV)

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14 Recintos de escolas

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Bolsa, em inglês

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(?) aegypti: o mosquito da dengue

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A voz 16 da soprano Que 8 13 bom! 13 Telefone, na linguagem internauta 17 8 17 Carvão do churrasco Reduzir 14 a pó 2 3

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Sílaba de "tanto"

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Gosta muito de Conserva 9 em sal

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Banco internacional (sigla)

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14 Para o; em direção a

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Solução

F E R A S

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Parte de um filme Causa do bocejo

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S A L A S

Minúcias; pormenores

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A O

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Animais bravos Há 3 (pop.)

R N E T E C E A M S U A C A L H E G U D A T E R A S D B O B A R I G A D

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O alfabeto Capítulo (abrev.)

Oficina para recapear 2 pneus

B I T I M U D E C E A P F E T A N A O N O S B O M A O V E N B R I

1

Quartosala conjugado Fazer calar

© Revistas COQUETEL

Louça Instituto sanitária Militar de (?) AndraEngenharia da, ator 1

Q Q U E A B R C A D C E S B I G I A L O

Pode acarretar a anulação do contrato

Ingredientes • • • • • • •

1 xícara (chá) de lentilha cozida 1/2 xícara (chá) de cenoura 1/2 xícara (chá) de queijo de sua preferência 1 cebola roxa 1 tomate Sal a gosto Azeitonas pretas a gosto

Molho • • • •

1 colher (sopa) de vinagre de vinho tinto 2 colheres (sopa) de azeite de oliva 1 colher (sopa) de água 2 colheres (chá) de raspas de limão

Modo de preparo • • • •

1. Corte todos os ingredientes em cubos pequenos; 2. Misture com a lentilha e adicione o sal; 3. Regue com o molho e mexa com cuidado. 4. Sirva frio.


14 CULTURA 14

Belo Horizonte, 8 a 14 de janeiro de 2021

AMARELO

SALVE ZÉ KETI!

PODCASTS PARA CRIANÇAS

Está disponível na Netflix o documentário "AmarElo - É tudo pra ontem", um projeto de Emicida com produção de seu irmão e sócio, Evandro Fióti, e direção de Fred Ouro Preto. O filme usa os bastidores do show que o rapper fez no Theatro Municipal de São Paulo, em 2019, para viajar pelos últimos cem anos da cultura negra e dos movimentos negros no Brasil. Além de arte, a obra é uma aula de história, baseada em fatos, registros e visão de pensadores que foram ignorados ao longo do tempo pelo nosso país.

Neste ano de 2021 é celebrado o centenário do grande Zé Keti, figura importante do samba brasileiro. O cantor na cidade do Rio de Janeiro e nos anos 1940 começou os trabalhos como compositor, na escola de samba da Portela. São dele os versos que você vai começar a cantarolar: "eu sou o samba / a voz do morro sou eu mesmo, sim, senhor". Zé Quieto, como era apelidado por ser muito tímido, também participou do Cinema Novo, fez teatro e foi ligado ao Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes.

Os podcasts infantis podem distrair e desenvolver o conhecimento e a imaginação. O Coisa de Criança é para aqueles pequenos curiosos que querem saber como as coisas funcionam. O Conta pra Mim é de contação de histórias, que ganham todo um mundo particular com os efeitos sonoros e trilhas. Já para crianças um pouco mais velhas, aposte no Histórias de Ninar Para Garotas Rebeldes. Meninos e meninas poderão conhecer mulheres inspiradoras que marcaram o mundo. Todos os podcasts estão disponíveis no Spotify.

SIND-UTE/MG COBRA DO GOVERNO DO ESTADO: Que seja garantida a imunização de todos/as os/as Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação de Minas Gerais. Cronograma vacinação para categoria, uma vez que pertencemos a um dos grupos prioritários para vacinação. Que o governo divulgue com transparência todas as medidas adotadas para a vacinação de Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação. www.sindutemg.org.br

ANÚNCIO

EM DEFESA DA EDUCAÇÃO E DA VIDA!

i O Ofício fo hado encamin ador ao govern ia d no último

1).

(5/1/202

ÃO #VACINAÇ

JÁ!


Belo Horizonte, 8 a 14 de janeiro de 2021

ESPORTE

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Bruno Haddad /Cruzeiro

Um olhar para os próximos 100 anos HISTÓRIA Livro com vários autores aborda a relação entre o Cruzeiro e o povo mineiro

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ste ano de centenário contaremos várias histórias em livro, mas não um livro qualquer. Um material fruto de pesquisas e análises empíricas na relação entre torcedores/as e a sua paixão: o Cruzeiro. Não se trata de algo meramente contemplativo, como são as paixões narradas em romances, mas um sentimento que ajudou a forjar a própria identidade de quem ama, o seu torcedor e, consequentemente, do povo mineiro. Essa relação dialética entre o Cruzeiro e o povo mineiro é algo em processo e constante modificação no que tange à sua forma de interação com o mundo. Ao longo da história, o/a cruzeirense já foi o imigrante italiano, que vindo do interior com a dificuldade de se fixar na terra, em razão da estrutura latifundiária do país e a crise do ouro, com a consequente transferência da capital de Minas Gerais de Ouro Preto, chega para construir a nova capital, Belo Horizonte. Uma boa parte dos servidores públicos chega da antiga capital para se situarem na região Centro-Sul de BH, onde

foi deslocada a sede administrativa do Estado, em bairros mais nobre à época, que ficaram conhecidos como bairro Funcionários, região da Savassi, etc. Inclusive, nessa região, no bairro de Lourdes, está situada a sede do maior rival na capital. Enquanto isso, a mão-de-obra que veio do interior, seja de imigrantes ou de negros empobrecidos, atuava na construção civil para colocar Belo Horizonte de pé e foi se

Hoje, somos milhões que querem participar, cada vez mais, dos rumos do próprio Cruzeiro situando em áreas mais afastadas. Com o passar dos anos, e a não recepção dessa parcela da população nos espaços sociais já estabelecidos na capital, viu-se a necessidade de criar um clube, que recebesse a comunidade italiana, majoritária na capital àquela época, na região do Barro Preto, área um pouco mais afastada do centro administrativo.

O cruzeirense também já foi o trabalhador braçal que em 1923, sem qualquer ajuda do poder público, diferentemente dos outros clubes da capital, ajudou a erguer o seu próprio estádio no Barro Preto. O Estádio no Barro Preto, que tempos mais tarde se chamaria Estádio Juscelino Kubits-

pilha e, sobretudo, após a fundação do Mineirão, vai visitar a capital para ver o seu time jogar naquele grandioso estádio. Ir a BH passava a ser um animado programa de família. Não se pode esquecer das mulheres cruzeirenses, que se tornaram milhões de apai-

Arquivo Cruzeiro

Gladstone Leonel Jr.

check, sediava os jogos com a maior média de público da capital mineira até a construção do Independência. Na década de 40, a perseguição à colônia italiana era tamanha, que grupos tentaram incendiar o estádio, mas foram repelidos à época, sobretudo, pela ação defensiva do povo palestrino das redondezas. Tem também o caipira, o matuto, ou o mero morador do interior, que acompanhava o Cruzeiro no radinho de

xonadas por todo o estado. Essas, chamadas por alguns, pejorativamente, de Marias, para nós significam luta, raça, gana e sonho sempre, como referenciou música de Milton Nascimento, todas as mulheres que se interessam por futebol e lutam por reconhecimento e participação em um esporte que jamais deveria ter sido privilégio de homens. O crescimento da torcida cruzeirense é proporcional ao interesse e participação das mulheres na própria

esfera social e esse é um dos motivos pelo qual a torcida se transformou em China Azul. Hoje, somos milhões que querem participar, cada vez mais, dos rumos do próprio Cruzeiro, até porque ele não é mais aquela pequena associação de imigrantes da capital em construção. Hoje, ele é patrimônio material e imaterial do povo mineiro, pois se manifesta desportivamente e, muito além disso, tem forte papel cultural construtor de subjetividades no meio familiar e identidades populares que também devem influenciar na sua própria transformação. O Cruzeiro do século 21 é negro, é branco, é indígena, é católico, é do candomblé, é mulher, é homem, é pobre, é rico, é gay, é hétero, é trans, é cantor ou é camelô, é da roça e da cidade, é de Belo Horizonte ou de Piumhi, é de Minas Gerais, é do Brasil e é do Mundo. Todas essas formas vivas de manifestação do que é ser Cruzeiro tem o papel, e devem ter o protagonismo, de refundar o Cruzeiro dos próximos 100 anos.


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Belo Horizonte, 8 a 14 de janeiro de 2021

ESPORTES

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Lei cria espaço sem cadeiras nos estádios mineiros Arena da MRV

do estádio e os ingressos serão mais baratos. A lei favorece a Arena MRV, futuro estádio do Atlético, cujo projeto contempla setores sem cadeiras atrás dos gols. Por outro lado, ela não se aplica a estádios que estão sob concessão à iniciativa privada, como o Mineirão, entregue à Minas Arena até 2037, e o

Da redação Foi publicada no Diário Oficial do Estado, nesta quinta (7), a lei 23.772, que autoriza a criação de áreas sem cadeiras nos estádios de Minas Gerais, onde os torcedores poderão acompanhar as partidas em pé. Esses espaços poderão ocupar até 20% da capacidade

Independência, nas mãos da empresa Luarenas até o ano que vem. Existem experiências de setores sem cadeiras em diferentes partes do mundo. No Brasil, o primeiro estádio a adotar a medida foi a Arena do Grêmio.

DECLARAÇÃO DA SEMANA Reprodução / Instagram

Gol contra O Santos foi prejudicado pela arbitragem na partida de ida da semifinal da Libertadores, em Buenos Aires, contra o Boca, na quarta (6). O Peixe sofreu um pênalti claro que o VAR, após análise, classificou como “choque de jogo”. O Santos enviou ofício à Conmebol, CBF e Federação Paulista de Futebol.

Gol de placa O Palmeiras goleou o River Plate na Argentina, na terça (5), na partida de ida da semifinal da Libertadores. Contrariando o favoritismo inicialmente atribuído ao time de Buenos Aires, o Alviverde se impôs e, agora, é o favorito à vaga na final, a ser decidida na próxima terça (12), em São Paulo.

Coelhão de Série A

Esperança e responsabilidade

“Este é um novo capítulo na história que estamos escrevendo juntas” Marta, atacante do Orlando Pride, comunicando seu noivado com sua colega de time, a zagueira Toni Deion Pressley.

Tentativa e erro

Bráulio Siffert

Rogério Hilário

Fabrício Farias

Afora as consequências trágicas da pandemia da Covid-19, o ano de 2020 foi espetacular para o América. A histórica campanha na Copa do Brasil, chegando às semifinais, arrecadando R$ 17 milhões e vendendo caro a eliminação para o Palmeiras, colocou Decacampeão o Coelhão em outro patamar, com mais visibilidade, respeito e reconhecimento. Na Série B, o acesso à primeira divisão foi praticamente assegurado com seis rodadas de antecedência e o time vai brigar pelo inédito tricampeonato da segundona. Tudo isso está sendo possível em virtude de vários fatores, em especial a boa estrutura do clube, o planejamento sério, o comprometimento dos jogadores, diretoria e funcionários e a competência de Lisca e sua comissão técnica.

Depois das derrotas de São Paulo e Flamengo para Bragantino e Fluminense, respectivamente, o Atlético tem a chance de se aproximar do líder, segunda-feira (10), em confronto com o carrasco do tricolor, em Bragança Paulista. Aproveitar esta oportunidade é funÉmanter Galoodoido! damental para sonho do bicampeonato. Mas sempre surgem adversidades no Alvinegro mineiro. Complicar é mais fácil. Assumiu um novo presidente, Sérgio Coelho. Ele demitiu Alexandre Mattos, cujo currículo campeoníssimo dispensa comentários. Porém, atendendo aos “mecenas” de ocasião, aliados ao projeto de Sampaoli e aos seus próprios interesses – não tenham dúvidas, a conta vai ser cobrada -, optou por outro diretor de futebol. Veremos o que vai acontecer.

Salve, nação celeste! Começou o ano do Centenário e, até o momento, o que temos para comemorar foi a festa da torcida no Barro Preto e o foguetório na cidade. Em termos de rumos do clube, a primeira notícia é a chegada de André sexto responsável LaMazzuco, BestiaoNegra pelo futebol do Cruzeiro. Neste momento difícil, parece que a reconstrução passa mais pela tentativa e erro do que por ações objetivas. Mazzuco chega com a tarefa de reformular o elenco que tentará recolocar o Cruzeiro na primeira divisão do Brasileiro. O que nós torcedores esperamos é que, de fato, tenha sido uma contratação pautada na confiança no que o clube precisa. Caso contrário, pode representar o início de uma temporada errante. Saudações celestes!

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Edição 335 do Brasil de Fato MG  

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