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Rovena Rosa /Agência Brasil

Dicas para Black Friday

Divulgação

Coração partido?

Fraudes em compras virtuais são cada vez mais comuns. Confira conselhos do nosso advogado popular

Nada melhor que o amor para superar o fim do relacionamento. Que venham os próximos “nunca mais”

NOSSOS DIREITOS 11

LITERAR 14

MG Minas Gerais

Belo Horizonte, 29 de novembro a 5 de dezembro de 2019 • edição 308 • brasildefato.com.br • distribuição gratuita Mauro Pimentel / AFP

LICENÇA PARA A IMPUNIDADE Para conduzir agenda antipopular de privatizações e cortes de direitos, Bolsonaro quer dar a militares poder ilimitado para matar. O nome diferente da medida, “excludente de ilicitude”, significa apenas isso. O governo já provou que não tem solução para os problemas da população, como o desemprego, a crise ambiental e alto custo de vida. Por consequência, quer proibir protestos I BRASIL 6, 8 e 9

Matrículas nas escolas estaduais estão abertas, mas exigências do governo dificultam o acesso

Congresso da CUT Minas reúne 270 sindicatos e aponta desafios para os trabalhadores

Para advogados de Lula, decisão do TRF-4 de aumentar pena do ex-presidente é perseguição política

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OPINIÃO

Belo Horizonte, 29 de novembro a 5 de dezembro de 2019

Licença para matar

ESPAÇO DOS LEITORES

“Inclusão e cidadania para pessoas em situação especial” Andrea Hermogenes comenta a matéria “Há 25 anos, Programa Superar oferece aulas esportivas para pessoas com deficiência” “Num país atrasado a cultura é sempre golpeada, resta contar com a força transformadora de agentes públicos e da população” Celso Libanio comenta o artigo de João Paulo Cunha “Zema prepara golpe contra Rede Minas” “O golpe foi pra isso mesmo. Petróleo, mineração, energia, água, etc. Os interesses de privatizaçôes iniciadas pelo PSDB com a Vale não têm limite... Vão acabar com o país” Adeliani Luz Almeida Campos escreve sobre “Vender a Codemig é vender a galinha de ovos de ouro de Minas Gerais” “Orgulho da raça negra, que é forte e não se deixa abater” Adriana Maria O. Farril de Aguiar comenta a matéria do site do Brasil de Fato “Revolta da Chibata: 109 anos de um levante contra o racismo nas Forças Armadas”

O autoritarismo busca impor a vontade de uns poucos contra muitos. Temos assistido a muitas iniciativas nesse sentido. Os mais ricos buscam a ferro e fogo manter seus privilégios, seguir concentrando renda e mantendo os pobres sempre pobres. A isso chamam de garantir a lei e a ordem. Manter “a ordem” no Brasil recordista em desigualdade social é, para essa gente e seus representantes hoje no poder (Bolsonaro, Paulo Guedes, Zema, etc.), manter os mais pobres vivendo em condições de subsistência. As recentes declarações em defesa de um novo AI 5, dadas primeiro pelo filho do presidente Bolsonaro, e nessa semana pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, buscam construir um ambiente de medo. Querem um Estado que mate e prenda a classe trabalhadora. A situação tende a se agravar, afinal, todas as medidas tomadas pelo governo Temer, e agora por Bolsonaro, agravam a situação social. Destroem saúde, educação e políticas sociais em geral, deixando o Estado com a função apenas de reprimir.

Bolsonaro teme que o povo reaja a retirada de direitos Na última semana, Bolsonaro enviou um projeto de lei que isenta de punição, militares e policiais que se envolvam em operações de Garantia da Lei e da Ordem. Ou seja, ele

quer que nós, povo brasileiro, passemos fome e dificuldades calados, sem a liberdade de nos levantarmos contra essas condições. Escalada autoritária Mas ele quer mais. O que esperar de um militar que na sua carreira política já mudou de partido várias vezes e agora para resolver de vez essa contradição criou um partido para si próprio, cujo número, 38, remete ao calibre de um revólver?

E se o povo reagisse como no Chile? Quando seu filho cita o AI-5, o ato institucional que deu liberdade de torturar e matar opositores da ditadura, ele expressou o sonho da família Bolsonaro de instalar um estado autoritário. O desejo dos de cima é poder prender sem provas, matar sem punição e eliminar a oposição. Os ricos que dominam o Brasil desde nossa origem sabem que o que estão fazendo, sucateando saúde e educação, elevando o desemprego, e retirando direitos trabalhistas e previdenciários, gerará manifestações. Temem que o povo reaja como no Chile, na Colômbia, no Equador e em tantos outros países, e por isso, buscam se antecipar garantindo a licença para matar. Mas o barco pode virar, afundando toda a corja que ganhou as eleições em 2018 graças à prisão arbitrária da principal liderança popular e o uso de mentiras.

Escreva pra gente também: redacaomg@brasildefato.com.br ou em facebook.com/brasildefatomg O jornal Brasil de Fato circula semanalmente com edições regionais, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro, no Paraná e em Pernambuco. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais em nosso país e no nosso estado.

PÁGINA: www.brasildefatomg.com.br CORREIO: redacaomg@brasildefato.com.br PARA ANUNCIAR: publicidademg@brasildefato.com.br TELEFONES: (31) 3309 3314 / (31) 3213 3983

conselho editorial minas gerais: Aruanã Leonne, Beatriz Cerqueira, Bernadete Esperança, Bruno Abreu Gomes, Ênio Bohnenberger, Frederico Santana Rick, Helberth Ávila de Souza, Jairo Nogueira Filho, Joana Tavares, João Paulo Cunha, Joceli Andrioli, Jô Moraes, José Guilherme Castro, José Luiz Quadros, Juarez Guimarães, Laísa Campos, Marcelo Almeida, Makota Celinha, Maria Júlia Gomes de Andrade, Milton Bicalho, Neila Batista, Nilmário Miranda, Padre Henrique Moura, Padre João, Pereira da Viola, Renan Santos, Rogério Correia, Rosângela Gomes da Costa, Robson Sávio, Samuel da Silva, Talles Lopes, Titane, Valquíria Assis, Wagner Xavier. Editora: Joana Tavares (Mtb 10140/MG). Redação: Amélia Gomes, Larissa Costa, Rafaella Dotta, Raíssa Lopes e Wallace Oliveira. Colaboradores: Anna Carolina Azevedo, André Fidusi, Bráulio Siffert, Diego Silveira, Fabrício Farias, Izabela Xavier, João Paulo Cunha, Jonathan Hassen, Jordânia Souza, Pedro Rafael Vilela, Renan Santos, Rogério Hilário e Sofia Barbosa. Revisão: Luciana Gonçalves. Administração e distribuição: Paulo Antônio Romano de Mello e Vinícius Moreno Nolasco. Diagramação: Tiago de Macedo Rodrigues. Tiragem: 40 mil exemplares. Razão social: Associação Henfil Educação e Comunicação


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PERGUNTA DA SEMANA

O preço da carne de boi subiu muito nas últimas semanas. Quem já foi ao supermercado viu os preços praticamente dobrarem! O Brasil de Fato MG quer saber:

Qual a sua opinião sobre essa alta da carne?

Eu moro sozinha, eu e Deus, então gasto pouquinho. Eu compro meio quilo de cada coisa, gastava R$ 45, R$ 50, e vou comprar de novo agora dia 10. Tem que abaixar esse preço porque comer ovo todo dia não dá...

Maria do Carmo, artesã

GERAL

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Número da Semana

50

milhões

de metros cúbicos é a quantidade de rejeitos de mineração que possui a barragem Casa de Pedra, em Congonhas. Em caso de rompimento, o reservatório, que é de propriedade da CSN, cobriria uma área com 54 mil habitantes. Na segunda (25), um tremor em Belo Vale, cidade a aproximadamente 40 km de Congonhas, assustou os moradores da região.

Curso gratuito de português

Twin Alvarenga /UFJF

Eu como ovo, linguiça, salsicha e batata frita para substituir a carne. Estou achando carne cara demais da conta. Eu já gastava uns R$ 60 por semana... Ninguém está preparado pra esse preço.

Sheila Lucinda, trabalha na Praça Sete O Cefet-MG oferece curso de português gratuito para imigrantes, refugiados e portadores de visto humanitário. As aulas serão ministradas aos sábados, de 29 de fevereiro a 20 de junho de 2020. As vagas são limitadas e a inscrição deve ser

realizada no site www.sri.cefetmg. br, entre os dias 7 de dezembro e 17 de janeiro. Os documentos necessários são passaporte, Registro Nacional de Estrangeiro e comprovante de residência. Mais informações pelo telefone (31) 3319-7074.

Declaração da Semana Junto com o Estado mínimo na proteção social, sempre vem o Estado máximo na segurança e na repressão. Não existem duas alas diferentes no governo. Guedes hoje desenhou para quem se recusava a enxergar

Divulgação

Twittou a economista Laura Carvalho, autora do livro “Valsa brasileira – do boom ao caos econômico


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CIDADES

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Renovação de matrículas na rede estadual vai até dia 6 de dezembro EDUCAÇÃO Exigência de contas no nome do responsável e matrículas online dificultam o acesso para grande parte da população Omar Freire / Imprensa MG

Wallace Oliveira

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stá aberto, desde o dia 19 de novembro, o período de renovação de matrículas da rede pública estadual de ensino em Minas Gerais. O direito de permanência será garantido aos estudantes que renovarem suas matrículas até 6 de dezembro. Esse procedimento vale para quem já está matriculado na rede e não necessita de mudar de escola. A renovação deve ser feita na própria escola por pais

Novas exigências tornam mais difícil acesso à educação

ou responsáveis, no caso de menores de 18 anos, ou pelos próprios estudantes, se maiores de 18. Para tanto, é preciso apresentar documentos originais e cópias da carteira de identidade ou certidão de naascimento, CPF e comprovante de residência (con-

tas de água, energia ou telefone), que deve estar no nome do responsável. Já os estudantes que não estão matriculados ou que precisem mudar de unidade escolar, devem fazer, entre os dias 28 de novembro e 16 de dezembro, uma pré-matrícula

pela internet. É preciso acessar a página: matricula.educacao.mg.gov.br. No ato, o estudante deve indicar três escolas de sua preferência. Todos os estudantes que realizaram o cadastramento escolar em julho de 2019 ou os que se inscreveram na pré-matrícula deverão confirmar a vaga e concluir o processo de matrícula entre 6 e 20 de janeiro de 2020, na própria escola. O estudante que perder os prazos deverá aguardar por vagas que sobrarem no final do processo, sem poder escolher em qual unidade vai estudar. As regras para as rematrículas são da resolução 4.231/2019, da Secretaria de Estado de Educação.

Novidades e problemas Carlos Alberto /Imprensa MG

De acordo com a professora Denise Romano, coordenadora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), a obrigatoriedade da pré-matrícula online é uma medida excludente, pois muitas famílias não têm acesso à internet. De fato, em 2016, dados da Pesquisa Nacional de Amostragem por Domicílio (PNAD) mostravam que 6,5 milhões de pessoas não acessavam a internet em Minas Gerais. Dessas, 43,4% não dominam a tecnologia, 39% apontaram falta de interesse e 9,7% o alto custo. Outro problema é a exigência de conta de água, luz ou telefone no nome do responsável. Isso pode prejudi-

car quem não tem conta telefônica, quem mora em domicílios emprestados ou improvisados, apartamentos com hidrômetro ou padrão de luz compartilhados, cujo titular não é da mesma família, entre outros casos. “E nem pode ser qualquer comprovante em seu

nome, tem que ser água, luz ou telefone! E aquelas vilas e favelas que não têm CEP, nem rua? Isso é comum. Estamos falando de um estado que tem 853 municípios! Então, na verdade, o Estado está criando obstáculos”, questiona a professora.

Candidato ou cidadão? Para o Sind-UTE, a resolução 4.231 e outras medidas mostram que o governo de Romeu Zema (Partido Novo) está tratando as escolas como se fossem empresas. E isso faz com que a educação deixe de ser tratada como um direito de todos. Por isso, afirma o sindicato, o governo passa a chamar os estudantes de “candidatos”. “É um concurso, como se você se candidatasse a uma vaga, correndo o risco de não ser contemplado. Então, não é para todos. É a negação da escola como política pública. O Estado precisa ofertar, e não fazer concurso para ver quem consegue competir para entrar na escola”, critica Denise Romano.

Em defesa da democracia, juristas se reuniram na quinta (28) em BH Em defesa do Estado democrático de direito, advogados, juízes, promotores, defensores públicos e delegados se reuniram na quinta (28), na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte, no ato Moro Mente. A ação teve como objetivo dialogar com a população sobre os crimes cometidos pelo ministro da Justiça e Segurança Pública quando era juiz e protagonista da operação Lava Jato. “Nossa campanha visa a esclarecer que a atual conjuntura, de retrocesso social, de desmonte da saúde e da educação, é, em grande parte, uma consequência do que é chamado lawfare, que é a manipulação do direito e da boa fé dos cidadãos que acreditaram na luta contra a corrupção e foram enganados”, explica Maria Rosaria Barbato, integrante da coordenação executiva nacional da ABJD. Em junho deste ano, as ilegalidades cometidas por Sérgio Moro foram divulgadas pelo portal de notícias The Intercept Brasil, que apresentou uma série de reportagens com conversas que o ex-juiz mantinha com membros da força-tarefa, que culminaram na prisão de Lula, em abril de 2018.


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MINAS

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Congresso da CUT Minas deve reunir 270 sindicatos em BH TRABALHO De 29 de novembro a 1º de dezembro, encontro acontece em meio a profundos retrocessos trabalhistas João Ramos

ma de agir, acompanhando mudanças que já ocorrem no mundo do trabalho. “É preciso voltar para a base, para os territórios, procurar não só os trabalhadores filiados, mas aqueles que estão sem emprego. Os trabalhadores de aplicativo, por exemplo. Essa é a nova realidade do mundo do trabalho e nós, como sindicatos, temos que fazer algo diferente para nos aproximarmos dessas pessoas”, avalia.

Rafaella Dotta A maior central de sindicatos de Minas Gerais se reúne, em Ouro Preto, para fazer a eleição da sua nova diretoria. O Congresso da Central Única dos Trabalhadores (CUT Minas) acontece nos dias 29, 30 de novembro e 1º de dezembro. O momento é peculiar, pois as entidades sindicais, apesar de enfraquecidas por leis como a Reforma Trabalhista, se tornam cada vez mais necessárias. O coordenador adjunto do 13º Congresso Estadual da CUT Minas, Jairo Nogueira Filho, explica que a importância dos sindicatos aumenta quanto mais os direitos trabalhistas são retirados. Na opinião dele, o país passa por um profun-

do ataque aos trabalhadores. “O momento que nós estamos vivendo está retirando direitos até mesmo de quem está desempregado. A situação que a gente vive no Brasil não é boa”, lamenta.

O Congresso da CUT, que deve reunir 270 sindicatos de Minas Gerais, vai também planejar as ações para os próximos dois anos. Na análise de Jairo Nogueira, este momento é essencial para que as entidades mudem a for-

Tragédia verde e amarela O próximo capítulo que trabalhadores vão enfrentar se chama “contrato Verde e Amarelo”. A proposta de Jair Bolsonaro, que é para jovens de 18 a 29 anos, insere a cobrança do INSS sobre o

seguro-desemprego, libera o trabalho aos domingos e feriados sem receber a mais por isso e diminui as taxas que patrões pagam. Essa medida de Bolsonaro muda 135 pontos da Constituição Federal, número maior que a reforma trabalhista, que mudou 117 pontos. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), hoje, 41% da força de trabalho do Brasil está em empregos informais. Esse é o maior número desde 2012. Para Clemente Ganz, do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o número é resultado da reforma trabalhista, aprovada em junho de 2017 pelo governo do ex-presidente golpista Michel Temer (MDB).

15 anos de luta quilombola em Minas Gerais Mídia Ninja

Agda Marina Moreia

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o próximo dia 29 de novembro, a Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais (N’Golo), criada em 2005, realiza o seminário “15 anos da luta quilombola em Minas Gerais”, na PUC Minas, em Belo Horizonte. Composta exclusivamente por quilombolas, a N´Golo é hoje a principal entidade representativa dos quilombos no estado. Quando surgiu, havia a identificação de cerca de 300 comunidades quilombolas no estado. Hoje já são mais de 850 comunidades. “Em sua trajetória, a Federação viabilizou e con-

cretizou profunda articulação entre as comunidades quilombolas em Minas Gerais, o que propiciou maior visibilidade e força política aos quilombolas mineiros”, afirma João Batista de Almeida Costa, professor da Universidade Estadual de Montes Claros.

A articulação das comunidades surgiu da necessidade de se lutar por políticas públicas e pela regularização de suas terras. A N’Golo se dedicou ao longo dos anos, juntamente com outras entidades e pesquisadores parceiros, a levantar dados que pudessem embasar

a criação de políticas públicas nas áreas da educação, saúde, geração de renda e regularização fundiária. Minas Gerais é o segundo estado em número de comunidades quilombolas, mas essa presença em todas as regiões não tem refletido na garantia de direitos. O seminário que marca os 15 anos da Federação tem por objetivo dar visi-

Minas Gerais é o segundo estado em número de comunidades quilombolas

bilidade à luta quilombola. Não por acaso, a atividade ocorre no mês da Consciência Negra. O seminário também tem por objetivo mostrar à sociedade a riqueza da cultura quilombola, detentora de saberes e fazeres próprios que guardam parte significativa de nossa história e de nosso patrimônio cultural. A Federação espera a presença de lideranças de dezenas de comunidades quilombolas no seminário, para que possam traçar encaminhamentos para garantir a sustentabilidade de seus territórios, a promoção de direitos, o acesso à infraestrutura básica e à qualidade de vida.


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CIDADES

Belo Horizonte, 29 de novembro a 5 de dezembro de 2019

A mancha se espalha pela cultura João Paulo Cunha Defender que não houve ditadura no Brasil a partir de 1964 é grave. Querer que o pior instrumento daquele tempo volte à cena é pior ainda. Mas o mais grave é querer transformar o AI-5 e suas consequências em algo natural na vida da sociedade. É o que temos acompanhado a cada dia, com relativa surpresa e pouca reação à altura, com impactos em diversos setores da sociedade. Um dos maiores equívocos tem sido tentar qualificar o governo Bolsonaro em fatias. Como se houvesse uma porção reacionária em costumes e outra moderna em economia. A ameaça velada de receber como inevitável um novo ataque à democracia, desta vez partindo do titular da economia, Paulo Guedes, mostrou como essas duas pontas estão atadas. O projeto econômico do ministro só é viável num contexto de anulação de liberdades essenciais, como ocorreu no modelo aprendido por ele em Chicago e aplicado no Chile da ditadura assassina de Pinochet.

Bolsonaro sempre foi um inimigo da liberdade, da crítica e da criação Não temos o ato institucional soprando no cangote, como em 1968, mas convivemos abertamente com algumas de suas diretrizes mais medonhas, como as diversas formas de censura ao pensamento e às artes, que tornam pálido o panorama cultural. É exatamente em direção à cultura, que atua no longo prazo da formação humana para a vida em sociedade, que as baterias do governo agora estão dirigidas. Não que seja novidade. Bolsonaro sempre foi um inimigo da liberdade, da crítica e da criação. Nunca aceitou a diversidade e tem uma visão tacanha do potencial da humanidade. O mundo ideal para ele se reduz à sua turma de boçais. Essa visão agora ganha sustentação institucional com a nomeação dos responsáveis

Opinião

por gerir a política pública de cultura no âmbito federal. Depois de extinguir o Ministério da Cultura e abrigar a pasta sob a falta de visão de um confesso ignorante (e depois deslocá-la para outro que, além de ignorante, é investigado por corrupção), Bolsonaro agora completa a obra com a escolha do estafe que vai tocar o setor. São nomes tão insignificantes que não valem a citação: ninguém os conhece. No entanto exibem todos, em seus perfis, a filiação aos princípios da extrema direita, no que ela tem de mais chauvinista, antilibertária, arrogante, convencional, proselitista e regressiva. Uma espécie de terra plana da cultura. Pode ser que a cultura tenha demorado mais tempo para compor de forma acabada seu cenário de horror, com seus algozes a postos para a tarefa da destruição. Mas também é possível que seu estrago seja mais longo e profundo. A resistência, por isso, não pode esperar a próxima sessão para se manifestar, nem deixar a luta cultural para depois de outras batalhas. O palco da democracia já estará desmontado e as luzes apagadas. ANÚNCIO

A reforma da Previdência é O FIM da Previdência Pública no Brasil Caro(a) Trabalhador(a) Talvez você ainda não tenha se dado conta, mas vem aí uma fatura e tanto para você pagar! Deputados e senadores aprovaram a reforma da Previdência. Isso quer dizer que vão fazer você trabalhar por mais tempo e receber muito menos. Não bastassem mexer no bolso de quem ganha pouco, os políticos ainda querem alterar a aposentadoria de servidores dos Estados e Municípios que já recebem atrasado e, muitas vezes, parcelado. Culparam o funcionalismo, tiraram direitos, mas não mexeram no bolso de quem ganha mais: gente que continua nadando em privilégios! E ainda teve aqueles que acreditaram que se tratava de uma reforma necessária, uma “grande economia”, que não havia outra saída... A SOLUÇÃO SEMPRE EXISTIU! Mas preferiram deixar esse ROMBO por nossa conta! A AFFEMG não concorda com essa injustiça e continua em busca de uma aposentadoria digna para todos. Faça parte dessa luta também!

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OPINIÃO

Belo Horizonte, 29 de novembro a 5 de dezembro de 2019 Reprodução /Exército Brasileiro

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Paulo Nascimento

Um grito forte

No Dia da Bandeira, mais uma continência à bandeira estadunidense Foi publicado no Diário oficial da União em 19 de novembro, dia da Bandeira, o nosso alinhamento automático aos Estados Unidos da América do Norte, com a nomeação do Subcomandante do Exército Sul dos Estados Unidos da América. Não se trata da realização de exercícios conjuntos das nossas Forças com os militares de outros países. Atuar como subcomandante significa ter um general brasileiro sob as ordens de um general estadunidense executando as missões do Exército Sul dos Estados Unidos. Esse grau de subordinação é inédito. Esse comando atua em 32 países da América Central, do Sul e Caribe, segundo eles para missões humanitárias, como a que desejavam impor à Venezuela no início deste ano. Ao ter um general brasileiro subordinado ao Comando Sul, assumimos como nossas as ações que são dos EUA. Nesse momento, a América do Sul explode em manifestações de diversos tipos, e acaba de ocorrer um golpe militar de novo tipo (onde além das FFAA se envolveram as polícias e milícias armadas) na Bolívia. O Comando Sul atuou? Como? Algumas informações já circularam, mas ainda há muito a se apurar sobre o envolvimento da Organi- Comando atua zação dos Estados Americanos (OEA) e diretamente em 32 países a dos estadunidenses. E mesmo sem ter estas informa- serviço dos EUA ções, assinamos embaixo delas? Enfim, no Dia da Bandeira, mais uma continência é batida para a bandeira estadunidense. E não é gentileza, não é cooperação, não é diplomacia militar, não é natural. O nome disso é submissão. Frederico Samora é cientista político.

Paulo Nascimento é jornalista.

Na edição 255...

ACOMPANHANDO

Frederico Samora

O Brasil tem muitas contas a acertar com ele mesmo. E o dia 20 de novembro é uma excelente data para relembrar como essa conta chegou ao vermelho e nem dá sinal de que vai sair tão cedo. Dia 20 lembra Zumbi dos Palmares, que em kimbundu, uma língua bantu, quer dizer algo como um fantasma que vaga na noite. Uma ideia que segue aparecendo em cada esquina, nos corpos e nas histórias. Foi em 20 de novembro de 1695 que Zumbi terminou assassinado após a campanha de destruição do quilombo de Palmares. O guerreiro cultivava uma imagem de invencibilidade, quase imortalidade. Ao ser capturado, teve sua cabeça arrancada, salgada e exposta no centro do Recife. “Para atemorizar os negros que supersticiosamente julgavam Zumbi um imortal”, registrou Caetano de Melo e Castro, então governador da capitania, em carta ao rei de Portugal. Várias cabeças Passados 324 anos, pouca de Zumbi coisa mudou e várias cabeças de Zumbi seguem “servindo seguem de exemplo”: Marielle Franco e “servindo de Anderson Gomes; os cinco jo- exemplo” vens metralhados com 111 tiros por policiais militares; o catador de recicláveis Luciano Macedo; o músico Evaldo Rosa, alvo de 80 tiros de militares do Exército; Preta Ferreira; DJ Renan da Penha; a dançarina Bárbara Queiroz, presa apenas por conta do seu cabelo crespo; o menino amarrado a um poste por ditos justiceiros. Gente preta à qual já foi negada a dignidade de conhecer seus antepassados, que foram trazidos pelo Atlântico nos tumbeiros. Gente preta com vidas destruídas por braços do Estado, resistente como Dandara, a esposa de Zumbi, que pulou da cachoeira para não voltar ao suplício da escravidão. Para esse dia 20, só resta citar o samba da Unidos de Vila Isabel de 1988: “Valeu, Zumbi! O grito forte dos Palmares que correu terras, céus e mares”.

“Mestre Moa espalhava o mais belo das nossas artes” E agora... Homem foi condenado a 22 anos de prisão pelo assassinato O barbeiro Paulo Sérgio Ferreira, de 36 anos, foi condenado a 22 anos de prisão pelo assassinato do mestre de capoeira Moa do Katendê, em 2018. A decisão foi tomada no dia 21 de novembro, em um júri popular e é passível de recurso. O crime aconteceu em um bar, em Salvador (BA), horas após a votação do primeiro turno das eleições de 2018. Em meio a uma discussão sobre política, Moa foi assassinado por um eleitor de Jair Bolsonaro (PSL) após ter declarado voto em Fernando Haddad (PT).


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BRASIL

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Excludente de ilicitude é inconstitucional e sem paralelo até com a ditadura, diz MPF AUTORITARISMO Em nota técnica, procuradores alertam que a proposta instituiria um regime de impunidade Marcello Casal Jr /Agência Brasil

Orlando Brito / Divulgação

Erick Gimenes

O

Ministério Público Federal (MPF) afirmou, na terça-feira (26), que o projeto de lei apresentado pelo governo Bolsonaro para abrandar punições a agentes de segurança em situações de Garantia da Lei da Ordem (GLO) é inconstitucional e não se compara nem a atos institucionais da ditadura militar. “Há uma autorização implícita, mas efetiva, para que as forças de repressão possam, sob o manto de uma operação de GLO, fazer uso abusivo e arbitrário da violência, com grave risco de adoção de medidas típicas de um regime de exceção, incompatíveis com os padrões democráticos brasileiros e do direito internacional”, alertam os procuradores. O MPF aponta que, caso aprovada, a lei instituiria um regime de impunidade

a militares e policiais. “Trata-se de instituir um permanente espaço de exoneração de responsabilidade das forças estatais de segurança pública. E isso quando o país experimenta as mais aviltantes taxas de letalidade policial, com um aumento de 4% apenas no 1º semestre de 2019, especialmente no estado do Rio de Janeiro, no qual se superará em 2019 o recorde de mortes provocadas por confrontos com a polícia. Justamente após essa letalidade ter aumentado 19,6 % de 2017 para 2018, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública”, reforçou o Ministério Público. O documento ainda chama a atenção para o parágrafo único do artigo 2º do PL, que considera que o militar ou agente pode agir em legítima defesa no caso de “injusta agressão”, termo classificado de forma abrangente no texto como práticas capazes de

gerar morte ou lesão corporal, assim como atos de terrorismo nos termos da Lei nº 13.260/2016. “Esse dispositivo é descabido por presumir a licitude de uma conduta que é, em si, ilícita. Na realidade, esse preceito inverte o sistema jurídico constitucional e criminal, ambos baseados no máximo de contenção das forças de segurança, de modo a evi-

Garantia constitucional de manifestação é fundamental contra privilégios e desigualdades tar o evento morte”, manifestou-se o MPF. Ainda conforme a nota técnica, nos artigos 3º e 4º do PL, há mais evidências do propósito de garantir impunidade específica aos agentes públi-

cos. O primeiro prevê que, mesmo quando houver excesso doloso do agente na legítima defesa, o juiz poderá atenuar a pena. Já o artigo 4º veda a prisão em flagrante de militares e policiais quando se aponte o exercício de legítima defesa. “Eles são amplos e pretendem garantir que militares e policiais, em regra, não serão presos em flagrante quando alegarem que agiram em legítima defesa e, ainda, que suas penas por eventual excesso doloso poderão ser atenuadas pelo juiz”. Por fim, o MPF reforçou aos parlamentares que a Constituição Federal assegura os direitos de reunião, associação, manifestação e protesto, e que “essas são garantias absolutamente fundamentais em países como o Brasil – de um longo passado de privilégios e de desigualdades abissais”.

AI-5 O quinto Ato Institucional (AI-5) dos anos de chumbo resultou no fechamento do Congresso Nacional e das assembleias legislativas dos estados, permitiu a cassação de mais de 170 mantados legislativos, instituiu a censura prévia da imprensa e de produções artísticas e deu ao presidente a possibilidade de intervenção nos estados e municípios. Com o AI-5 também tornaram-se ilegais as reuniões políticas não autorizadas pela polícia e toques de recolher tornaram-se frequentes. O AI-5 permaneceu dez anos em vigor e institucionalizou torturas, assassinatos, perseguições e violações de direitos humanos do regime militar.


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Escalada autoritária do governo: confira as reações à declaração de Guedes sobre AI-5 DITADURA NEOLIBERAL Ministro da economia é mais um nome do governo a cogitar reedição de ato da ditadura PIIE /Jeremey Tripp

Emilly Dulce e Nara Lacerda “Não se assustem se alguém pedir o AI-5”, afirmou o ministro da Economia Paulo Guedes a jornalistas em Washington, nos Estados Unidos, na segunda-feira (25). No dia seguinte, ele voltou à polêmica e disse que a edição de um novo Ato Institucional seria necessária em caso de radicalização de manifestações de rua – que classificou como “bagunça” e “convulsão social”.

Bolsonaro quer isentar militares e policiais mesmo que ajam com excessos

Escalada autoritária As declarações, somadas às últimas movimentações do governo federal, apontam para uma escalada autoritária que mira, principalmente, os movimentos populares e os mais pobres. Na semana, passada Jair Bolsonaro enviou ao Congresso Nacional um projeto

de lei (PL) com regras sobre o chamado “excludente de ilicitude”. O texto isenta de punições militares das Forças Armadas e integrantes de forças de segurança, que atuam em operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). “Ladrão de celular tem que ir para o pau. afirmou o presidente.

Nesta semana, Bolsonaro foi além e afirmou que estuda enviar ao Congresso um projeto prevendo a aplicação de ações da GLO em processo de reintegração de posse no campo. Nas palavras dele, o mecanismo “para chegar e tirar o cara da propriedade”, processo que, segundo o capitão reformado, vem sendo protelado por governadores.

O representante da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Alexandre Conceição, afirma que a utilização da GLO para reprimir movimentos populares é uma atitude ditatorial e que o governo brasileiro constrói um arcabouço jurídico de criminalização. “Essa tentativa de GLO mostra a incompetência do governo de resolver esse problema social”, afirma. Rubens Siqueira, da Coordenação da Comissão Pastoral da Terra (CPT), avalia que as afirmações do presidente acirram a violência no campo. “Existe hoje um padrão de reintegração de posse, dialogada, com preocupação explícita com as famílias e as pessoas. Querem deixar de lado isso para facilitar o uso da força e a violência legalizada contra os pobres do campo”, aponta.

Governo tem sido recorrente em propor repressão José Cruz /Agência Brasil

Há menos de um mês, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL) também sugeriu a reedição do AI-5 ao falar de uma possível “radicalização da esquerda”. Mais tarde, o filho do presidente se retratou e disse que “talvez tenha sido infeliz” na declaração. Após as repercussões negativas, a equipe de Guedes também tentou reparar a fala do ministro. Segundo os assessores, além de “infeliz”, a declaração não reflete o que o ministro pensa. Repercussão negativa A declaração de Guedes foi duramente reprovada pelos presidentes da Câmara dos

Deputados, Rodrigo Maia (DEM), e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli. Para eles, os

comentários de Guedes não condizem com a democracia. “O AI-5 é incompatível com a democracia. Não se

constrói o futuro com experiências fracassadas do passado”, afirmou o presidente do STF, ministro Dias Toffoli. Maia disse que o uso recorrente dessas ameaças por integrantes da gestão de Jair Bolsonaro gera insegurança sobre o intuito do governo. “Tem que tomar

Escalada autoritária mira principalmente movimentos populares e mais pobres

cuidado, porque se está usando um argumento que não faz sentido do ponto de vista do discurso, e como não faz sentido, acaba gerando insegurança em todos nós sobre qual é o intuito por trás da utilização de forma recorrente dessa palavra.” Bolsonaro, por sua vez, não comentou as declarações do ministro da Economia. Ele disse que preferia falar sobre o seu novo partido, o Aliança pelo Brasil. Caso o partido seja criado, o número da legenda na urna eletrônica deve ser o 38. “Eu falo de AI-38. Quer falar de AI-38? Eu falo agora contigo”, disse o presidente.


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BRASIL

Belo Horizonte, 29 de novembro a 5 de dezembro de 2019

O país da violência doméstica MACHISMO Por que o Brasil ainda é um lugar tão violento para as mulheres? Tomaz Silva / AG Brasil

Pedro Rafael Vilela de Brasília

N

a semana em que se observa o Dia Internacional de Combate à Violência contra as Mulheres, celebrado no último dia 25, a trajetória desse problema segue alarmante no Brasil. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o total de mulheres vítimas de feminicídio foi de 1.206 apenas em 2018. O levantamento, realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), aponta que quase 60% das mulheres assassinadas tinham entre 20 e 39 anos. Entre as vítimas, 61% são mulheres negras e 70,7% tinham até o ensino fundamental de escolaridade. Em 88,8% dos casos, o autor foi o companheiro ou ex-companheiro. A cada hora, são registrados 536 casos de agressão

física a mulheres no Brasil. O número de mulheres que sofreram espancamento chega a 1,6 milhão. Todos esses dados, divulgados no início do ano pelo Instituto Datafolha, a pedido do FBSP, remetem à violência doméstica, já que 76,4% das mulheres conhe-

A cada hora, são registrados 536 casos de agressão física a mulheres

ciam o autor e a maior parte aconteceu dentro de casa. Essa assustadora estatística tem se mantido nos mesmos patamares ao longo da última década, apesar dos avanços na legislação, como a aprovação da Lei Maria da Penha, em 2006. E o que explica o Brasil ser um lugar tão violento para as mulheres é justamente a cultura da violência doméstica e familiar. “Por muito tempo prevaleceu a ideia de que em briga de marido e mulher ninguém mete a colher, que o Estado não tinha que intervir, que era um assunto privado, que não era algo de políticas públicas”, afirma Priscilla Brito, assessora técnica do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFemea). Retrocesso Com a descontinuidade do atual governo federal

na elaboração e monitoramento dos planos de políticas para as mulheres, além da drástica redução do orçamento previsto para essas políticas, o país corre o risco de retroceder na agenda de enfrentamento à violência contra a mulher. Para a assessora técnica do CFemea, o horizonte da política atual não aponta um processo de emancipação das mulheres, que quebre o ciclo de violência. “É uma perspectiva mais voltada para a segurança pública, para o armamento e para o Judiciário, e menos para a construção da autonomia das mulheres, com políticas públicas adequadas. A política tem que apoiar as mulheres para que elas conquistem autonomia, autonomia econômica, autonomia para romper com o ciclo de violência, que ele não se perpetue”, completa.

DECISÃO DO TRF-4 É AFRONTA AO SUPREMO E REFORÇA PERSEGUIÇÃO A LULA, DIZ DEFESA LAVA JATO “Foram apresentados argumentos políticos em vez de argumentos jurídicos” Pedro Stropasolas

Nara Lacerda A defesa do ex-presidente Lula vai recorrer contra a decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), que manteve a condenação de Lula no caso do sítio de Atibaia. Por 3 votos a 0, o TRF-4 rejeitou a possibilidade de anulação da sentença e ampliou a pena para 17 anos e um mês de prisão. O advogado do ex-presidente, Cristiano Zanin, afirmou que o julgamento afronta o Supremo Tri-

bunal Federal (STF) e é mais um exemplo de que há uma perseguição política em curso contra Lula desde 2016.

“É preciso lembrar que esse julgamento ocorre 19 dias após o ex-presidente Lula ter deixado a prisão

onde ele ficou 580 dias ilegalmente detido. É um recurso que foi analisado, mais uma vez, em tempo recorde. A outra questão que precisa ser colocada é que hoje nós vimos argumentos políticos sendo apresentados em vez de argumentos jurídicos e a questão do direito ficou evidentemente desprezada”, explicou Zanin. Sentença plagiada Uma das alegações do pedido de anulação da defesa de Lula é de que a juí-

za Gabriela Hardt, substituta de Sergio Moro, teria plagiado a sentença, proferida em fevereiro. Os juízes do TRF-4 consideraram que não há indícios de “cópia e cola” na sentença, apesar de análises periciais apontarem o contrário. O relator do processo, desembargador João Pedro Gebran Neto, chegou a elogiar a peça da magistrada, usando as palavras “alentada” e “minucioso” para classificar a sentença e o trabalho de Gabriela.


MUNDO

Belo Horizonte, 29 de novembro a 5 de dezembro de 2019

Protestos seguem na Colômbia contra retirada de direitos

Luana França Agência Saiba Mais Desta vez é a Colômbia que vai às ruas protestar seguindo a maré de levantes populares que têm tomado a América Latina. Dia 21 de novembro, o país avançou em marcha convocada por um comitê amplo que inclui mais de 50 entidades, como a Confederação de Trabalhadoras da Colômbia (CTC), a Central Unitária de Trabalhadores (CUT), Confederação Geral do Trabalho (CGT) e a União Nacional de Estudantes da Educação Superior (Unees). A pauta de reivindicações escancara o rechaço dos colombianos às políticas sociais e econômicas do presidente Iván Duque, do partido Centro Democrático, sucessor do atual senador e ex-presidente Álvaro Uribe, uma das figuras mais influentes da direita no país. A população protesta contra o “Paquetazo” de Duque, eleito com 54% dos votos, no cargo desde agosto de 2018.

Uma das medidas rejeitadas pela população é a reforma trabalhista, que altera a jornada de salário e remunerações, diminui em 25% o salário mínimo para os jovens, diferencia o salário por região, estabelece o contrato por hora e elimina horas extras por trabalho em domingos e feriados. Outra medida é uma reforma nas aposentadorias que implanta e o modelo de poupança. Outras pautas são o desinvestimento na educação superior pública; o aumento de 35% nas tarifas de energia elétrica e privatizações; e a reforma tributária, que diminui encargos para grandes empresas e multinacionais. Mas, para além dessas pautas, o povo colombiano também marcha por paz e justiça diante de um cenário de violência e assassinatos de lideranças sociais e indígenas. Desde que Duque assumiu o posto de mandatário do país, cerca de 135 indígenas foram assassinados, de acordo com a Organização Nacional Indígena da Colômbia (ONIC).

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Chile: Human Rights Watch acusa polícia e Exército de abuso e uso desproporcional da força Claudio Reyes /AFP

AFP

A ONG Human Rights excessivo de força nas ruas e Watch se reuniu com o pre- abusos na detenção. As manifestações, que sidente do Chile, Sebasitán ocorrem há mais de um mês, Piñera, na semana passada, são pacíficas, mas a respospara apresentar um relatório sobre a repressão protago- ta das autoridades chilenas nizada pelos carabineros (a é desproporcional. Ao todo, polícia chilena) e pelas For- já foram registrados 26 morças Armadas. Segundo a or- tos e mais de 2.300 feridos, ganização, foram cometidas segundo o Instituto Naciograves violações dos direitos nal de Direitos Humanos Para a Defensoria do humanos, que incluem uso (INDH). Povo, órgão do governo colombiano, foram cerca de 462 líderes sociais assassinados, mas movimentos sociais e ONGs afirmam que esse número chega a aproximadamente 800 nos últimos quatro anos. Os protestos não acabaCUIDADO COM A FRAUDE NAS ram. Os colombianos seguem nas ruas desde o dia COMPRAS VIRTUAIS DA BLACK FRIDAY 21. Os próximos dias dirão.

Nossos direitos

ONU pede esclarecimentos sobre morte de jovem O Alto Comissariado dos Direitos Humanos da ONU na Colômbia pediu nesta quarta-feira (27), às autoridades colombianas, esclarecimentos sobre a responsabilidade do Estado pela morte de Dilan Cruz, estudante de 18 anos que faleceu após ser atingido na cabeça por uma granada de gás lacrimogêneo lançada pela polícia durante a repressão à greve.

As fraudes ocorrem cada vez mais em compras virtuais, e em períodos especiais como da Black Friday, em que há alteração em diversos preços, é preciso tomar mais cuidado. Nas compras virtuais, antes de aproveitar as ofertas, é importante conferir algumas coisas. A própria página de internet da loja (até daquelas mais conhecidas) é verdadeira? Pois a alteração do link de acesso é uma das ocorrências de fraude mais usuais. Sobre a forma de pagamento, não é comum,

por exemplo, uma página de compras na internet exigir transferência bancária direta de valores. Além disso, não devem ser informados dados bancários como senhas ou chaves de acesso, além das informações habituais para compras com cartão. Em se tratando de uma página de internet onde não é de seu costume comprar, pesquise se há reclamações/denúncias sobre ela, assim você pode descobrir denúncias de fraude. Por fim, suspeite de um prazo de entrega curto demais.

Jonathan Hassen é advogado popular


VARIEDADES

Belo Horizonte, 29 de novembro a 5 de dezembro de 2019 www.malvados.com.br

FIQUE

BEM NĂƒO SE ESQUEÇA DE OLHAR PRA CIMA Preencha os espaços vazios com algarismos de 1 a 9. Os algarismos nĂŁo podem se repetir nas linhas verticais e horizontais, nem nos quadrados menores (3x3). www.coquetel.com.br

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Solução

Nosso olhar costuma ser tĂŁo condicionado, que hĂĄ um estudo que comprova que se um homem fantasiado de gorila entrar num campo de futebol, um monte de gente vai estar com o olho fixo na bola e nĂŁo vai nem notar. Um bom exercĂ­cio para romper com isso ĂŠ olhar pra cima, muitas vezes por dia, e reparar. Pode ser no teto da sua sala no trabalho, pode ser o telhado de um prĂŠdio, pode ser o cĂŠu. Procure fazer isso por alguns minutos e perceba o monte de coisas que existem acima da linha do olhar!

TOME SOL

      

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Nessa temporada de calorĂŁo, a gente tende a fugir do astro rei, mas tomar sol ĂŠ a principal fonte de vitamina D. Esse elemento ĂŠ fundamental para absorção de cĂĄlcio e fosfato, que deixam nossos ossos fortes. AlĂŠm disso, tomar sol tambĂŠm pode te ajudar a regular melhor o sono. Isso porque a exposição Ă luz solar ao longo do dia equilibra o chamado ‘ritmo circadiano’, ou relĂłgio biolĂłgico. HĂĄ indĂ­cios tambĂŠm de que tomar sol melhora o humor, jĂĄ que aumenta os nĂ­veis de serotonina (substância quĂ­mica que gera bem-estar). Mas lembre-se: para fazer efeito, vocĂŞ tem que pegar aquele solzinho sem o protetor, por isso o horĂĄrio ideal ĂŠ somente atĂŠ Ă s 10 da manhĂŁ e apĂłs as 16h.

AMIGA DA SAĂšDE Sofia Barbosa ĂŠ enfermeira do Sistema Unico de SaĂşde I Coren MG 159621

A camisinha feminina Ê melhor que a masculina? Vilma, 28 anos, tÊcnica em edificaçþes. Quanto a mÊtodos contraceptivos, não dizemos que um seja melhor ou pior que o outro. O que Ê bom para mim pode não ser para outra pessoa. Então falamos em vantagens e desvantagens. As camisinhas, feminina e masculina, têm a dupla função de prevenir a gravidez indesejada e as infecçþes sexualmente transmissíveis (ISTs). A feminina oferece uma proteção extra contra as ISTs porque cobre a região dos låbios vaginais, reduzindo o contato. AlÊm disso, ela pode ser introduzida antes do início do ato sexual e pode trazer mais autonomia para a mulher decidir sobre o uso. Entretanto, ela custa mais caro e não hå um programa de distribuição gratuita e contínua nas unidades de saúde, como ocorre com a camisinha masculina.

Mande sua dĂşvida para amigadasaude@brasildefato.com.br


Belo Horizonte, 29 de novembro a 5 de dezembro de 2019

13 VARIEDADES 15

CIÊNCIA, COISA BOA!

Dicas Mastigadas

A TESTOSTERONA AUMENTA A AGRESSIVIDADE? Reprodução

CREPIOCA DE BANANA Reprodução

A testosterona é o hormônio responsável pelas características sexuais masculinas. Regula, por exemplo, a formação do pênis no embrião e a produção do esperma a partir da puberdade. Além disso, sua presença leva ao desenvolvimento de caracteres secundários masculinos, como o crescimento de pelos e da massa muscular. A partir do século 20, a ciência buscou entender a relação entre a fisiologia e o comportamento animal. Diversos estudos sugeriram a existência de uma relação entre a testosterona e a agressividade (e outras características tipicamente “mascuA violência linas”, como impulsividade e competitividanão é de). Simples e fácil de ser observado experiincontrolável mentalmente: castra-se um touro bravo e ele fica manso; injeta-se testosterona em ratos e eles ficam mais violentos. E logo concluímos que diversos fenômenos sociais complexos, como o crime, a violência e o machismo poderiam ser explicados por um mecanismo simples. A culpa seria de uma única substância produzida pelo corpo. Dessa forma, naturaliza-se (e justifica-se) o comportamento dos homens. Matamos, estupramos e competimos por culpa de nossos testículos! Mas, lembre-se sempre: a realidade é complexa. Respostas simples nunca explicarão corretamente fenômenos complexos. Assim, estudos mais recentes vieram questionar aquelas conclusões. O que se observou nos últimos anos é que sim, há uma relação entre a agressividade e os níveis de testosterona de um indivíduo. Porém, parece que o que o hormônio faz é muito mais reforçar comportamentos já existentes do que criá-los. Aprendemos em sociedade a ser violentos. A forma como exercemos essa violência é regulada (também) por nossos hormônios. Por exemplo, um estudo com macacos demonstrou que machos que recebiam testosterona sintética só apresentavam comportamento agressivo com os indivíduos do bando hierarquicamente inferiores a eles. Nunca com os seus superiores. Ora, então quer dizer que a violência não é assim tão incontrolável, não é mesmo? Ainda é cedo para conclusões aqui. É preciso mais estudos para entendermos como determinado hormônio nos afeta. Apesar disso, acho que algumas afirmações já são possíveis: somos seres sociais inseridos em culturas milenares; ao mesmo tempo, somos animais, sujeitos a determinações biológicas. Nosso comportamento é síntese complexa da relação entre nossos genes, nosso ambiente e nossa história social. Nada nunca será tão simples quando se tratar de seres humanos. Um abraço e até a próxima! Renan Santos é professor de biologia da rede estadual de Minas Gerais

Ingredientes • • • • • •

1 ovo 2 colheres (sopa) de aveia em flocos 1 banana pequena amassada 1 colher (sopa) de goma para tapioca Manteiga para untar Canela e banana para servir.

Modo de Preparo 1. Misture o ovo, a aveia, a banana amassada e a goma de tapioca até obter uma massa uniforme; 2. Unte uma frigideira com manteiga e despeje a massa, doure dos dois lados; 3. Sirva com banana em rodelas e canela.

Participe enviando sugestões para redacaomg@brasildefato.com.br.


14 CULTURA 14

Belo Horizonte, 29 de novembro a 5 de dezembro de 2019

Literar

Roteiro

nunca mais, sempre

Feira Frida

na noite anterior, a Paula e o Ângelo finalmente verbalizaram o que há muito já sentiam encarcerado naquela silenciosa dor que separa os pronomes – e, a reboque, os casais: eles já não eram mais, nem seriam novamente, nós. aqueles defeitos que, no início dos relacionamentos, são divertidos, apaixonantes e perdoáveis, com a erosão do convívio tornam-se irritantes, broxantes e inesquecíveis: o barulho que ele faz ao chupar tangerinas; o hábito dela de colocar as roupas para lavar sempre e somente por cima da tampa do cesto, nunca dentro deste; o mau humor dele ao acordar e a energia dela ao acordar; a mania dele de não laçar os cadarços; o cheiro do “shampoo que eu uso desde os 16 anos” dela; a péssima memória pisciana dele e a implacável memória canceriana dela. enfim, atalhos que levam os casais ao penhasco das relações, quando, entre amigos, passam a se referir um ao outro como “esse aí...”, “essa aí...”. mas Paula e Ângelo firmaram um trato: um dia, se terminassem, o fariam com respeito e carinho iguais, ou até maiores, do que os sentidos quando começaram, para que não degradassem a história que escreveram juntos, repleta de momentos e cumplicidades que não mere-

ciam ser maculados por rancor, posse, sarcasmo etc. e, lágrimas à parte, a conversa selando o rompimento, proposto por ela, foi feita com respeito e carinho. na manhã seguinte, ainda na cama, em silêncio, Ângelo observava Paula fazendo as malas, quando, de repente, o encontro de uma determinada luz com um certo ângulo do rosto de Paula lhe trouxe a memória de um dia especialmente bom, da primeira viagem que fizeram juntos, quando iguais luz e ângulo se encontraram a primeira vez, além de outras primeiras descobertas: um olhar que ela expressava quando fazia alguma provocação ou bagunça, que ele apelidou “olhão de fiz merda”; o shortinho jeans que ela usara na viagem e usava agora, na partida, lhe valorizava a silhueta das coxas; ver suas mãos, fosse passando esmalte, segurando os talheres com elegância ou, habilidade que ele não tinha, consertando o que fosse preciso na casa; a beleza dos cabelos que, soltos, libertavam outros poderes dela/ nela, e presos, como agora, arrumando a mala, desnudavam a nuca, dando à luz delicadezas da pele e das penugens do pescoço; a pintinha que ela tem no busto direito, que viu pela primeira vez na praia, naquela viagem, e vira agora, rapidamente, quando

Para comprar arte, desapegos, comidinhas deliciosas e ainda curtir uma boa músiela, por força do hábito, tirara ca, a opção é a Feira Frida. O a camisola em sua frente, mas, evento, que reúne artistas e dando-se conta de um pudor produtoras locais da econoredivivo, “desculpe!”, e virou-se de costas, o que o fez largar tais memórias.

mia solidária, acontece no sábado (7) e domingo (8), às 11h, na Casa Dosha, localizada na rua Ponta Porã, 104, no bairro Santa Efigênia, em BH.

Angola no Armazém

acendeu um cigarro e lembrou-se de ter lido nalgum livro, ou visto nalgum filme, que as pessoas que amamos sempre estão mais belas na partida, pensamento que, a princípio, ainda emocionado pelos detalhes lembrados, endossou, mas pouco depois, refletindo mais, questionou. são as mesmas pessoas do início, com os mesmos encantos, mas talvez eclipsados por outros detalhes aos quais passamos a dar mais importância, como a roupa na tampa do cesto, o mesmo shampoo e demais itens do kit “essa aí...”, ou, quem sabe, banalizados ANÚNCIO pelo convívio, os redescobrimos encantadores, inesquecíveis, naquela fração de tempo que antecede o nunca mais. seja como for, não se repetirão, e isso, tempo passado, revela-se bom, trazendo a depreensão de que todo nunca mais encerra algo de positivamente único em si, e em quem o viveu, logo, é privilégio, não desgosto, viver e lembrar um nunca mais. passadas as dores, que venham, sempre, os próximos e tão únicos nunca mais. Z Carota é jornalista e escritor

Dowglas Silva

Em ritmo de carnaval, o bloco afro Angola Janga realiza mais um ensaio de sua bateria no Armazém do Campo de Belo Horizonte. Será no domingo (1), a partir das

15h e a entrada é gratuita. O endereço é Avenida Augusto de Lima, 2136, no barro Preto. Mais informações, acesse facebook.com/armazemdocampobh.

Livro infantil

A escritora pernambucana Lina Rosa lança em BH, no sábado (30), seu livro infantil ‘Bichos Vermelhos’, sobre animais da fauna brasileira ameaçados de extinção. O evento acontece na

Helder Ferrer

Livraria da Rua, das 11h às 14h, onde a autora vai mediar uma leitura pública e autografar exemplares. O endereço é Rua Antônio de Albuquerque, 913, no Funcionários.


Belo Horizonte, 29 de novembro a 5 de dezembro de 2019

Personagem da semana

PAPO ESPORTIVO

ESPORTE

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E a espanholização do futebol brasileiro parece um bom negócio... Adidas Brasil

Natural de BH, o atacante Bruno Henrique sagrou-se campeão da Libertadores e do Brasileirão, no último fim de semana, pelo Flamengo. De tabela, o atleta também foi eleito o melhor jogador da Libertadores 2019. Com 21 gols no Campeonato Brasileiro, ele ainda disputa a artilharia com seu colega de equipe, Gabigol. Bruno Henrique começou a carreira no Inconfidência Esporte Clube, time amador de seu bairro de origem, o Concórdia, na região Nordeste da capital. O jogador teve passagens curtas pelo Cruzeiro (2012), onde não chegou a atuar, e o Uberlândia, clube pelo qual entrou em campo 29 vezes, antes de ir para o futebol goiano e depois ser vendido para o futebol alemão. Jogou no Wolfsburg em 2016. Em 2017, foi repatriado pelo Santos. Em 2018, assinou contrato de três anos com o Flamengo. Douglas Magno Exemplus /CPB

na geral

Diego Silveira A retumbante temporada do Flamengo, com tríplice coroa e possibilidade de título mundial, reacendeu o debate sobre a espanholização do futebol brasileiro. Por “espanholização” entende-se o predomínio de dois ou pouco mais clubes, tal como acontece com Real Madrid e Barcelona na Espanha. Mas, se até pouco tempo atrás esse predomínio parecia envolver o rubro-negro e o Palmeiras, a reorganização administrativa, o trabalho cirúrgico da diretoria da Gávea, a superioridade técnica do time e suas rápidas e múltiplas conquistas apontam um futuro mais flamenguista e menos espanhol.

Não é a primeira vez que se teme a redução do número de clubes competitivos no país. No tricampeonato brasileiro do São Paulo, na década passada, muitos disseram que a gestão profissional do tricolor manteria o clube em alta por longa data. Poucos anos depois, arriscou-se o mesmo sobre o Palmeiras, de estádio e patrocinador novos. Hoje, tricolores e alviverdes vivem em crise, enquanto o Flamengo festeja uma pilha de canecos. Porém, o Flamengo tem alguns trunfos – entre eles, a maior torcida do país. Esse ativo, para usar a linguagem empresarial, garante alto faturamento em bilheteria, venda de materiais esportivos, patrocínio e cotas de te-

levisão pela transmissão de seus jogos. Ainda com base nesse lastro de 40 milhões de torcedores, outros tipos de recursos são aportados para o rubro-negro. Por exemplo, o apoio e a repercussão que os veículos de comunicação nacional dão ao clube carioca, de olho na audiência milionária da nação rubro-negra, ajudam a estimular os já motivados atletas. São muitos os impulsos para a conquista de títulos. Se as primeiras impressões não estiverem nos enganando, tudo indica que os demais clubes vão ter que se aprumar logo. Caso contrário, é possível que a gente tenha pela frente várias temporadas da série “O Flamengo é o novo Brasil”. ANÚNCIO

Paralimpíadas Escolares: Minas fatura 75 medalhas As Paralimpíadas Escolares terminaram no dia 23. A delegação mineira participou com 70 jovens, em competições de atletismo, bocha, futebol de 5, futebol de 7, goalball, judô, natação, parabadminton e tênis de mesa. Minas Gerais subiu ao pó-

dio 75 vezes, conquistando 27 ouros, 28 pratas e 19 bronzes. Ao todo, o evento contou com a participação de 1.220 paratletas de todo o país, entre 12 e 17 anos, 12 modalidades para estudantes com deficiências físico-motoras, visuais e intelectuais.

A Regap corresponde a 56% do ICMS de Betim, o que é que investido em serviços públicos para o município. DIGA NÃO À PRIVATIZAÇÃO!


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ESPORTES

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DECLARAÇÃO DA SEMANA Ponte Press / Luiz Guilherme Martins

Observatório vai lançar cartilha contra racismo no futebol O Observatório da Discriminação Racial, em parceria com clubes brasileiros, vai lançar uma cartilha contra o racismo no futebol brasileiro. O material terá como público-alvo tanto atletas quanto torcedores. Nesta semana, uma ocor-

rência de injúria racial foi registrada contra uma mulher em Caxias do Sul (RS). Ela teria proferido injúrias raciais contra uma criança da categoria sub-13 do América de Rio Branco e o Caxias/UCA. O árbitro interrompeu a partida e co-

municou o ocorrido à família do menino, que acionou a polícia. Até o fechamento desta edição, ainda não havia terminado a partida entre Cruzeiro e CSA, pela 35ª rodada do Brasileirão.

“Acho que todos deveriam deixar o campo. É assim que você apoia outra pessoa. Por que seguir o jogo?” Georginio Wijnaldum, volante do Liverpool, manifestando apoio a Balotteli, que é vítima permanente de agressões racistas no futebol italiano.

Gol de placa Em seu jogo de número 700 pelo Barcelona, Messi brilhou novamente. A vítima foi o Borussia Dortmund, pela quinta rodada da fase de grupos da Champions League. Na vitória por 3 a 1, o endiabrado argentino balançou a rede uma vez e deu assistência para os gols de Suárez e Griezman.

Gol contra Em 2019, o futebol brasileiro já alcançou número recorde de ofensas racistas. Foram 53 casos envolvendo clubes do Brasil, sendo 47 em campeonatos nacionais e 6 em torneios da Conmebol. Em 2018, foram 44 casos. Os dados são do Observatório da Discriminação Racial no Futebol.

Coelho, volver!

Melancolia e infinita tristeza

Contra os prognósticos

Bráulio Siffert

Rogério Hilário

Fabrício Farias

O América está a um passo de fazer história! Se vencer o já rebaixado São Bento no Independência, conseguirá uma façanha espetacular que nenhuma outra equipe jamais conseguiu: sair da zona de rebaixamento na 14ª rodada para terminar o camDecacampeão peonato entre os quatro primeiros classificados. Um salto impressionante, possibilitado, sobretudo, pelo ajuste do time feito pelo técnico Felipe Conceição, mas também pelo empenho e eficiência dos jogadores e pela tradição e experiência do América em disputar bem a Série B. Se conseguir, será o quarto acesso nessa década. Que em 2019, o fim da temporada também seja como em 2010, 2015 e 2017, com a torcida soltando o grito de “o coelhão voltou!”.

Numa temporada com Estadual, Copa do Brasil, Libertadores, Sul-Americana e Brasileiro, sobraram poucos momentos de euforia. E, ainda por cima, veio o imbróglio com Guga, infeliz na comemoração do título do rubro-negro. A empolgação do lateral valeu multa e Galo doido! afastamento. É Uma derrota (Athletico-PR) e um empate (Bahia) foram o que restou. Faltam três jogos. Porém, o quanto antes, 2020 precisa entrar logo na agenda do Galo. Sem Vagner Mancini, a meu ver sem chance de continuar, e oferta para Fabio Carille, as especulações correm à solta. E, quanto ao estádio próprio, antes a cura para todos os males, ninguém mais fala. Que final de temporada arrastado e desanimador!

Salve, nação celeste! A decisão da diretoria de proibir os jogadores de falarem com a imprensa é ruim por dois motivos. O primeiro é que, de fato, a crise do time atingiu seu ápice quando nem os próprios jogadores e dirigentes manter um disLa conseguem Bestia Negra curso coeso perante a torcida. O outro motivo seria que, agora, ficaremos restritos às informações oficiais do clube, eliminando a possibilidade do contraditório. Tal medida em nada vai contribuir para o desempenho em campo de um time que já parecia moralmente rebaixado. Segunda-feira (2) tem o encontro decisivo com o Vasco do Pofexô. Veremos se, longe dos nossos domínios, conseguiremos superar os prognósticos. Saudações celestes!

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Edição 308 do Brasil de Fato MG  

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