Edição 319 do Brasil de Fato MG

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Antonio Cruz /Agência Brasil

Banana para a civilização Gesto de Bolsonaro demonstra como ele enxerga o direito à informação no país. Leia coluna de João Paulo Cunha OPINIÃO 6

Isac Nóbrega /PR

Mar de lama A Secretaria de Meio Ambiente de MG tenta mudar pontos da lei que busca proteger as comunidades e o entorno dos projetos de mineração MINAS 5

MG Minas Gerais

Belo Horizonte, 6 a 12 de março • edição 319 • brasildefatomg.com.br • distribuição gratuita Mídia NINJA

SÓ DA LUTA BROTA A LIBERDADE CIDADES 4 Em BH, ato do 8 de março está agendado para às 9h, na Ocupação Pátria Livre ESPORTES 15 No mundo desigual dos esportes, jogadoras profissionais fazem freela de gandula para completar a renda ENTREVISTA 11 Moradora de periferia e chefe de família fala sobre os atuais desafios das mulheres na luta por uma vida digna


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OPINIÃO

Belo Horizonte, 6 a 12 de março de 2020

Bolsonaro é sinônimo de ataques às mulheres

ESPAÇO DOS LEITORES “João Paulo destruindo Zema com inteligência e elegância. Texto perfeito” Alessandra Mello sobre o artigo Zema é a cara da tristeza” -“Que merda, não da pra esperar nada diferente da Vale” Antônio Albuquerque sobre a matéria “Vale tem dias contados em Itabira (MG), mas ainda pode contaminar seus aquíferos” -“Mangueira Maravilhosa, de arrepiar e de chorar de emoção esse desfile” Junia Carvalho sobre a matéria “Com leitura crítica da biografia de Jesus, Mangueira busca o bicampeonato no Carnaval” -“É isso aí, todos caçando trabalhar pra sustentar a família honestamente” Luiza Marilac sobre a matéria “Em meio ao alto índice de informalidade, ambulantes de MG buscam regulamentação”

“Quem quiser vir aqui fazer sexo com uma mulher, fique à vontade”. “Ela é muito feia. Eu não sou estuprador, mas, se fosse, não iria estuprar porque ela não merece”. “O cara paga menos para a mulher porque ela engravida”. Essas frases fazem parte do discurso machista do presidente Jair Bolsonaro, que deixa nítido que sua política é de absoluta violência institucional contra as mulheres. No Brasil, as mulheres são mais da metade das pessoas desempregadas, atingindo 7,5 milhões. Mais de 30 milhões de lares são chefiados por elas, mas o atual governo excluiu mais de 1,5 milhão de famílias do programa Bolsa Família, em que 92% dos titulares são mulheres. Já o Minha Casa Minha Vida teve

Ataques são em palavras e em políticas 42% de corte orçamentário, sendo que 89% da titularidade era feminina. Ao mesmo tempo, são elas que sofrem mais com precarização do trabalho e que passam a se aposentar ainda mais tarde, mesmo realizando duplas jornadas e a maior parte do trabalho doméstico. São as mulheres que sentem mais com o congelamento do Sistema Único de Saúde e da educação pública, pois ficam mais sobrecarre-

gadas com os trabalhos de cuidados com os filhos e idosos. Segundo relatório recente da Oxfam, mulheres e meninas em todo o mundo dedicam 12,5 bilhões de horas, todos os dias, ao trabalho de cuidado não remunerado. Caso fossem remuneradas, isso significaria uma contribuição de, pelo menos, US$ 10,8 trilhões por ano para a economia global, o triplo do valor gerado pela indústria tecnológica, por exemplo.

É preciso construir outros padrões Luta por dignidade Não é só um governo que ataca com palavras, mas que impõe uma política econômica que aumenta a pobreza e violenta as mulheres. É por isso que neste 8 de março, Dia Internacional de Luta pelos Direitos das Mulheres, a marcha é pela vida, pela dignidade, por direitos, pela democracia, por justiça, pão e paz. Para além do enfrentamento ao governo Bolsonaro, é importante entender que o desafio para destruir todas as formas de opressão e de exploração que as mulheres sofrem passa por construir outra sociedade. Uma sociedade justa para todas as mulheres, sejam trabalhadoras, negras, indígenas, LGBTs, rurais... E serão muitos passos até chegarmos lá! Mãos à obra!

Escreva pra gente também: redacaomg@brasildefato.com.br ou em facebook.com/brasildefatomg O jornal Brasil de Fato circula semanalmente com edições regionais, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro, no Paraná e em Pernambuco. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais em nosso país e no nosso estado.

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conselho editorial minas gerais: Aruanã Leonne, Beatriz Cerqueira, Bernadete Esperança, Bruno Abreu Gomes, Ênio Bohnenberger, Felipe Pinheiro, Frederico Santana Rick, Helberth Ávila de Souza, Jairo Nogueira Filho, Jefferson Leandro, Joana Tavares, João Paulo Cunha, Joceli Andrioli, Jô Moraes, José Guilherme Castro, José Luiz Quadros, Juarez Guimarães, Laísa Campos, Marcelo Almeida, Makota Celinha, Maria Júlia Gomes de Andrade, Milton Bicalho, Neila Batista, Nilmário Miranda, Padre Henrique Moura, Padre João, Pereira da Viola, Renan Santos, Robson Sávio, Rogério Correia, Samuel da Silva, Talles Lopes, Titane, Valquíria Assis, Wagner Xavier. Editora: Joana Tavares (Mtb 10140/MG). Redação: Amélia Gomes, Larissa Costa, Rafaella Dotta, Raíssa Lopes e Wallace Oliveira. Colaboradores: Anna Carolina Azevedo, André Fidusi, Bráulio Siffert, Diego Silveira, Fabrício Farias, Izabela Xavier, João Paulo Cunha, Jonathan Hassen, Jordânia Souza, Pedro Rafael Vilela, Renan Santos, Rogério Hilário, Sofia Barbosa e Z Carota. Revisão: Luciana Gonçalves. Administração e distribuição: Paulo Antônio Romano de Mello e Vinícius Moreno Nolasco. Diagramação: Tiago de Macedo Rodrigues. Tiragem: 70 mil exemplares. Razão social: Associação Henfil Educação e Comunicação


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Belo Horizonte, 6 a 12 de março de 2020

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Viva a luta das mulheres!

PERGUNTA DA SEMANA

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GERAL

Reprodução

Divulgação

Perguntamos para as mulheres qual é a característica que elas mais gostam em suas personalidades. Também fazemos o convite a vocês, leitoras, a pensarem no que mais valorizam em si mesmas, além da aparência. Parece um exercício fácil, mas a sociedade vive ensinando às mulheres que elas nunca são suficientes. Vamos mudar isso? Para cada vez que você, mulher, se critica, que tal pensar uma qualidade que faz parte do seu jeito?

O que você mais gosta na sua personalidade?

“Me sinto uma mulher bastante atualizada, com a cabeça aberta para a modernidade. Tem coisas de hoje não aprovo para as minhas filhas, mas tento me adequar para conduzir a vida melhor para elas. Me sinto uma pessoa forte, parceira e trabalhadora”.

Clausy Barbosa, vendedora

Reprodução

O 8 de Março é o Dia Internacional de Luta das Mulheres! Há mais de 100 anos, essa data é marcada por mobilizações em todo o mundo. Com origens no movimento de mulheres socialistas do início do século 20, o 8 de Março é um dia de mobilização por igualdade, respeito e pela construção

de um mundo mais justo. Muitos direitos atuais, que parecem tão banais, só foram conquistados porque muitas mulheres se organizaram na história. Por exemplo, o direito de estudar, de votar, de poder se divorciar. A Lei Maria da Penha também é uma conquista das mulheres.

Circuito cultural em BH

Divulgação

“Valorizo muito a minha capacidade de ser persistente, de correr atrás do que eu almejo, tanto no trabalho quanto no estudo. Conseguir conciliar as duas coisas não é fácil”.

Maria Caroline de Freitas, estudante Durante todo mês de março, o Circuito Municipal de Cultura traz uma programação especial dedicada à temática feminina. São diversos espetáculos de teatro, shows, exposições, exibições de filmes, oficinas, lançamento de livro e deba-

tes. Entre as atrações estão Teuda Bara, Dona Jacira e a sul-africana Lindiwe Matshikiza. Os eventos têm entrada gratuita. A programação completa está disponível em portalbelohorizonte.com.br/circuitomunicipaldecultura Reprodução

Declaração da Semana “A gente passa por dificuldades nesse mundo machista, mas nós somos mulheres, inteligentes, cientistas”

Ingra Morales Claro, de 28 anos. Biomédica que integrou a equipe de nove mulheres e um homem que realizou o sequenciamento do coronavírus, 48 horas após a confirmação do primeiro caso no Brasil.


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CIDADES

Belo Horizonte, 6 a 12 de março de 2020

Com empobrecimento, população de rua aumenta e serviços públicos são insuficientes

Em BH, mulheres saem às ruas para construir esperança

CRISE Na capital mineira, estima-se que existem 8 mil pessoas em situação de rua

MOBILIZAÇÃO A ação acontece no domingo (8) e tem concentração às 9h na Ocupação Pátria Livre

Mídia NINJA

Ariane Silva

Larissa Costa neira ser referência nacional no atendimento às pessoas praticamente um con- nessas condições, as ruas do senso entre estudiosos centro da cidade estão cada que períodos de crise impac- vez mais cheias. “A política pública atual tam diretamente no aumenestá falida, porque ela joga to do número de pessoas em tudo nas costas da assistênsituação de rua. Em 2017, uma pesquisa do cia social. O que a gente tem Instituto de Pesquisa Econô- no país hoje, e BH não é dimica Aplicada (Ipea) estima ferente, é um modelo de poque no país são mais de 100 lítica de atendimento e não mil pessoas vivendo nas ruas. de enfrentamento ao probleSegundo pesquisa do Insti- ma”, critica. Segundo Samuel, tuto Brasileiro de Geografia a atual política do municíe Estatística (IBGE), em 2018 pio atende entre 20 e 25% do o país tinha 13,5 milhões de contingente. Na capital, a política de pessoas vivendo em extrema atendimento aos moradores pobreza, com renda mende rua envolve abrigos persal per capita inferior a R$ manentes para mulheres, 145 e um quarto da populahomens e para famílias; abrição (52,5 milhões) ainda vigos para pernoite e os Cenvia com menos de R$ 420 por tros de Referência, chamapessoa por mês. dos Centro Pop. Claudenice De acordo com Samuel RoRodrigues Lopes, agente da drigues, do Movimento NaPastoral de Rua, ligada à Arcional da População de Rua, quidiocese de Belo Horizonem Belo Horizonte, estima-se te, avalia que se comparar a que são mais de 8 mil pessoas cidade com outras do Brasil, em situação de rua, número os serviços são bons. embasado no Cadastro ÚniAlém da ampliação do núco para Programas Sociais do mero de Centros Pop, ClauGoverno Federal (CadÚni- denice explica que a popuco). Apesar de a capital mi- lação em situação de rua é

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um público que precisa de políticas públicas intersetoriais, de modo que possibilite a superação real da condição. Ela conta que nas últimas eleições municipais, o Fórum de População de Rua de Belo Horizonte preparou um documento que foi apresentado aos candidatos. Entre as reivindicações, estavam a implementação de banheiros públicos, a abertura do restaurante popular nos finais de semana e feriados, entre outras. Serviços lotados O Centro Pop é um espaço em que os usuários podem tomar banho, lavar as roupas e serem cadastrados no Programa Bolsa Família e obterem a carteira do restaurante popular, onde possuem gratuidade. Segundo Laísa Campos, técnica social da Cáritas, atualmente são atendidos no Centro Pop Centro Sul 400 pessoas por dia. “Estamos chegando em níveis assustadores”, comenta. Segundo ela, há cinco anos, a média era de 80 usuários diariamente.

Larissa Costa

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arço é o mês em que mulheres do mundo todo saem às ruas para reivindicar direitos iguais. No Brasil, o cenário é de aumento da violência machista, de ataques aos direitos trabalhistas e previdenciários, de precarização do trabalho e informalidade causados pelo governo de Jair Bolsonaro. “A gente está vivendo um retrocesso em relação às políticas sociais e a gente sabe que isso afeta diretamente a vida das mulheres, principalmente das mulheres negras. É preciso denunciar sim, mas apontar um cenário de esperança que brota somente através da luta das mulheres”, ressalta Lorena Lemos, da Frente Brasil Popular. Com o tema “Só da luta brota a liberdade”, o 8M Po-

pular de Belo Horizonte é uma das atividades que marcam a cidade no próximo domingo (8). Com concentração marcada para as 9h, na ocupação Pátria Livre, na Rua Pedro Lessa, 435, na Pedreira Prado Lopes, o ato cultural sairá em direção à Praça Sete, onde se juntará com outras mulheres, e será encerrado na Praça da Estação. Dia de luta e carnaval A manifestação será conduzida por uma bateria feminina composta por batuqueiras do carnaval. A construção é uma parceria entre a Frente Brasil Popular e mulheres que compõem a cena musical da cidade. O evento é aberto e haverá um espação dedicado às mães e crianças que queiram participar do cortejo. Mais informações, no perfil @8mpopular no Instagram.


ANÚNCIO

Belo Horizonte, 6 a 12 de março de 2020

MINAS

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Governo de MG tenta atenuar lei e autorizar barragens acima de comunidades

INTERESSES Lei “Mar de Lama Nunca Mais” foi construída por projeto popular após o crime da Samarco, em 2015, e só foi aprovada após crime da Vale, em 2019 Google Maps

Rafaella Dotta A intenção de ter uma lei melhor para a proteção de vidas e ambiente frente à mineração pode ir por água abaixo em Minas Gerais. A Secretaria de Meio Ambiente de MG tenta mudar pontos da lei “Mar de Lama Nunca Mais” através de uma regulamentação. Assim, a lei pode se tornar flexível a ponto de continuar autorizando barragens construídas diretamente acima de comunidades. O nó da questão está neste momento nas mãos do Conselho de Política Ambiental (Copam), que recebeu da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável uma deliberação normativa. O conselho aguardava que a secretaria mandasse orientações para a regulamentação da lei, que está em vigência desde fevereiro de 2019, mas entidades e conselheiros acreditam que o órgão extrapolou seus limites. A secretaria estaria mudando a lei e não a regulamentando. Um relatório do Ministério Público de MG traz

apontamentos preocupantes. Por exemplo, a deliberação normativa orienta que a as barragens serão classificadas de acordo com o volume armazenado quando for cadastrada, e não de acordo com sua

A lei pode se tornar flexível a ponto de continuar autorizando barragens construídas diretamente acima de comunidades capacidade. Essa mudança facilitaria os processos de alteamento de barragens quando a mineração já está funcionando. Regulamenta ainda a diminuição de direitos para comunidades atingidas, libera barragens que já tenham começado o processo de licenciamento e diminui a fiscalização.

Quem pode criar e mudar leis, conforme o MP, são os deputados estaduais, que aprovaram o PL 12.334 por unanimidade, e não o poder executivo. População avançou, governo quer retroceder A conselheira do Copam pela ONG APPA, Maria Teresa Corujo, opina que apesar da regulamentação parecer “questão técnica”, o resultado vai beneficiar inúmeras barragens e projetos minerários que, inclusive, representam riscos diretos à população local. “Com essa deliberação normativa, as barragens que já iniciaram exploração minerária vão conseguir ampliação e alteamento mesmo existindo comunidades na zona de autossalvamento”, argumenta. Outro prejuízo às comunidades, na opinião de Teca, é que as mineradoras ficam autorizadas a construir barragens nos territórios em que elas se apresentarem como proprietárias. Isso pode aumentar o assédio que moradores sofrem para vender suas propriedades.


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MINAS

Belo Horizonte, 6 a 12 de março de 2020

Banana para a civilização João Paulo Cunha A atitude de Bolsonaro de convocar um humorista para distribuir bananas para a imprensa no momento em que seria questionado pelos resultados chinfrins da economia ganhou repúdio universal, mas precisa ser analisada em suas muitas e preocupantes dimensões. O presidente, medidas todas as atitudes irresponsáveis, apenas deu um passo além na infâmia que caracteriza sua trajetória pública. Por isso o ato diz menos de Jair Bolsonaro do que das organizações da mídia empresarial, que têm esticado a corda da covardia e conivência com a estupidez em nome da reverência aos interesses do mercado. Até então, o presidente fazia no varejo da opinião pública o papel de bobo da corte – mesmo com cenas explícitas de intimidação – que não prejudicava a entrega no atacado da economia. O novo gesto fez dos profissionais da imprensa familiar os idiotas da vez. Entre os atos boçais emanados do presidente em direção ao jornalismo estão as constantes agres-

É em nome da democracia, e não das empresas, que os governantes devem respostas à sociedade sões a profissionais, sobretudo mulheres, com insinuações de natureza sexual e machista. Já xingou a mãe de mais de um profissional em rede nacional e mandou vários calarem a boca quando perguntado sobre temas de interesse público. De acordo com levantamento feito pela Federação Nacional dos Jornalistas, foram 121 agressões diretas do ex-capitão desferidas aos jornalistas apenas em 2019, um humilhante recorde mundial. A atitude dos jornalistas que deixaram o local da performance do humorista Carioca e da participação lamentável do presidente que lhe serviu de escada, é no mínimo um

Opinião

início de reação. E talvez aponte para um fato importante no contexto do jornalismo: a primazia da honra profissional de servir à verdade e ao interesse público como valor supremo do ofício. A informação é devida ao público, não aos proprietários dos meios de comunicação. Essa é uma realidade aparentemente controversa, mas que precisa ser debatida e que, no limite, sustenta a defesa da liberdade de expressão. É em nome da democracia, e não das empresas, que os governantes devem respostas à sociedade. A solidariedade devida aos profissionais comprometidos com a verdade e ao princípio da liberdade de informação não deve ser confundida com a defesa dos meios de comunicação empresariais. O que está em jogo agora é a civilização. Jornais e emissoras de rádio e TV comprometidas com o atual governo desde o golpe que destituiu Dilma, rifaram o país ao capital financeiro, entronizaram a casta jurídico-policial e naturalizaram as reformas antissociais em curso. Deram a Bolsonaro um punho fechado e um braço para manobrar as ofensas. ANÚNCIO

SÓ DA LUTA BROTA LIBERDADE Participe do 8 de Março Popular em Belo Horizonte! Nos encontramos na Ocupação Pátria Livre, na rua Pedro Lessa 435, às 9h! Se você mora na região metropolitana, fique atento às mobilizações próximas a você! Confira tudo no nosso instagram: @sindieletro Foto: Maxwell Vilela


Belo Horizonte, 6 a 12 de março de 2020 Mídia Ninja

OPINIÃO

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Andreia Roseno (Makota Kinanjenu)

O ódio de classe da política bolsonarista aprofunda o racismo e o patriarcado

Só da luta brota liberdade! Ao retirarem com um golpe parlamentar a primeira mulher eleita presidenta do Brasil, quiseram dar um recado de que as mulheres não podem ocupar os espaços de poder. As medidas que seguiram com o governo Temer abriram as portas para uma maior precarização da vida de todas as mulheres trabalhadoras, pois são elas que mais utilizam as políticas públicas, sobretudo as de proteção social. A ocupação militar no Rio de Janeiro e o assassinato de Marielle explicitaram o caráter racista e misógino do projeto que viria ocupar o governo federal com Bolsonaro e o estadual com Zema. Passado mais de um ano de governo Bolsonaro e Zema, vivenciamos a concretização desse projeto. No ano de 2019, a Secretaria da Mulher, órgão do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, teve seu orçamento reduzido de R$ 119 milhões para R$ 5,3 milhões. Os recursos para o atendimento às mulheres em situação de violência recuaram de R$ 34,7 milhões para apenas R$ 194,7 mil. Em contrapartida, os casos de feminicídios crescem consideravelmente. Minas Gerais, em 2018, foi o estado braResistimos sileiro com maior número de mulheres vítimas de femipara ter vida e nicídio no Brasil. Mais do que nunca precisamos estar juntas e nos for- direitos, e para talecermos! Enfrentamos esse projeto ocupando as ruas derrotar para denunciá-lo, precisamos conversar com cada mu- Bolsonaro lher, nossas vizinhas, amigas, colegas de trabalho, de ese Zema cola, faculdade, para que sejamos milhares. Resistimos para ter vida e direitos, nos organizamos para derrotar Bolsonaro e Zema e produzir pelas nossas mãos um projeto popular, feminista e antirracista! A liberdade que queremos alcançar em nossas vidas virá pelas nossas mãos e pela nossa luta. Aprendemos com a história que só da luta brota a liberdade! Bernadete Monteiro é militante da Marcha Mundial das Mulheres e Liliam Anjos é militante do Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos

Andreia Roseno (Makota Kinanjenu) é assistente social, cantora do Afoxé Bandarerê e militante da Rede de Mulheres Negras de Minas Gerais

ACOMPANHANDO

Bernadete Monteiro e Liliam Anjos

Analisar a conjuntura fascista requer reconhecer a experiência daqueles e daquelas que sobreviveram à travessia atlântica. Existe um projeto sendo construído com o intuito de encobrir de vez esse legado, que impõe apagamento, silenciamento, expulsão, criminalização e extermínio dos espaços e territórios de resistência do povo. É absurdo como o feminicidio só aumentou no último período e como este governo esvazia a política de enfrentamento à violência de gênero com a retirada de recursos. Outro absurdo são as investidas da bancada da bíblia e da bala nos territórios quilombolas e indígenas. Sem contar o pacote anti-crime que institucionaliza o extermínio da juventude negra. A política de congelamento de investimentos da área da saúde, educação, cultura e so- Nosso esforço cial impacta ainda mais a po- segue sendo em pulação negra. A desvalorizanos manter ção do salário mínimo é outro fator preponderante, já que é firmes sentindo por aquelas e aqueles que estão em empregos precarizados e subalternizados. Neste 8 de março, todo o nosso esforço segue sendo em nos manter firmes. É possível a partir deste processo construir um projeto popular que não nos folclorize, mas que contemple toda a diversidade da qual nos constituímos e, que o racismo nos impossibilita de viver.

...No site, em novembro de 2019

BF

Em greve, professoras da rede municipal de Belo Horizonte cobram reajuste salarial E agora... Nova greve, mesmas reivindicações

As professoras e professores da rede municipal da capital mineira estão em greve desde sexta-feira, 27 de janeiro. A principal reivindicação da categoria é o pagamento do piso salarial nacional do magistério público, de R$ 2.886,24 para 40 horas semanais (valor que consta na Constituição Federal). As educadoras(es) cobram, ainda, a garantia de um terço da jornada de trabalho para atividades extraclasse, como planejamento, reuniões de equipe, correção de provas, estudos. A exigência também consta na Lei do Piso (11.738/2008).


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BRASIL

Belo Horizonte, 6 a 12 de março de 2020

Mais de 3,5 mil mulheres sem-terra ocupam Brasília MÊS DE LUTA Encontro reúne camponesas de todo o país na capital e terá uma grande marcha marcando o Dia Internacional da Mulher Juliana Adriano /MST

Marina Duarte de Souza

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om o lema “Mulheres em Luta: Semeando a Resistência”, cerca de 3,5 mil mulheres ocupam Brasília (DF), entre os dias 5 e 9 de março, durante o 1º Encontro Nacional das Mulheres Sem Terra. Esta é a primeira vez na história do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que um encontro é protagonizado exclusivamente por mulheres camponesas. “Nós temos, desde a Amazônia até o Sul do país, as nossas experiências de resistência e, com certeza, nesses dias teremos um importante diagnóstico e, mais do que isso, uma projeção sobre como as mulheres participam e vão participar ainda mais da luta”, diz Kelli Mafort, integrante da coordenação nacional do MST, que explica que o Encontro também servirá para orientar os movimentos sobre a questão de gênero. As integrantes do MST estão se mobilizando há dois anos para viabilizar o evento. Mulheres sem-terra de acampamentos e assentamentos em

24 estados participaram de debates e formações sobre vários temas, como a produção agroecológica, produção de alimentos saudáveis, enfrentamento à violência, autonomia econômica das mulheres e resistência nos territórios. Mafort destaca que o encontro está estrategicamente posicionado em uma conjuntura de ataque do governo Bolsonaro às políticas de reforma agrária e pautas das mulheres e que um dos objetivos é traçar uma perspectiva de médio prazo para a luta política do país. “A conjuntura exige uma ação de radicalidade para a gente poder enfrentar e derrotar esse projeto que está no poder. Essa luta radical, vem daqueles e daquelas que lutam por terra, por direitos, mas também lutam em defesa da vida, e quando a gente fala da luta das mulheres, a gente fala da luta de seres humanos que lutam para se manter vivos. Então falamos de situações extremas de violência de feminicídio, violências que ainda são piores em

relação às mulheres do campo, às mulheres negras”, aponta Mafort. Povo sob pressão Entre os focos das denúncias do encontro está a Medida Provisória (MP) 910, que pretende legalizar, até 2022, cerca de 600 mil imóveis rurais. Terras públicas que serão apropriadas por grileiros e grandes proprietários rurais, segundo a visão do MST. Outro ponto de discussão do Encontro, destacado pela dirigente do Movimento, é o decreto 10.252, de fevereiro de 2020, que inviabiliza a continuidade do Programa Nacional de Educação da Reforma Agrária (Pronera). Em 20 anos, o Pronera garantiu a 192 mil jovens e adolescentes escolarização desde a educação básica até o nível de pós-graduação. Na programação, estão mesas e debates sobre capitalismo, patriarcado, racismo e violência. Além de oficinas, atividades artísticas e culturais e uma grande marcha que unirá campo e cidade pelas ruas do distrito federal, no dia 8 de março.

Fatos em Foco Doze deputados do PSL foram suspensos das funções parlamentares

A punição, que será de um ano, foi assinada na terça (3) pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). A decisão de Maia acatou pedido do próprio partido, que decidiu suspender nomes alinhados a Jair Bolsonaro depois de disputa com o presidente do partido, Luciano Bivar. Os punidos perdem o direito de votar e serem votados nas reuniões, ocupar cargos partidários, além de diversas prerrogativas da função. A bancada do partido foi reduzida de 53 para 41 deputados, deixando de representar 10% da Casa e, por isso, não poderá mais apresentar alguns requerimentos. A bancada volta ao normal assim que acabar o período da penalidade.

Nordeste recebe apenas 3% dos novos benefícios do Bolsa Família em janeiro

A região Nordeste, que responde por 36,8% das famílias em situação de pobreza ou extrema pobreza na fila de espera do Bolsa Família, foi preterida pelo governo Bolsonaro na lista das verbas concedidas em janeiro deste ano. A região recebeu apenas 3% do total liberado pelo Executivo federal no período, enquanto Sul e Sudeste ficaram com 75%. O Nordeste, cujos atuais governadores são de oposição, foi o único território do país que, nas eleições presidenciais de 2018, deu maioria de votos a Fernando Haddad (PT) na disputa contra Bolsonaro.

Congresso cede e mantém veto de Bolsonaro a orçamento após acordo

Um acordo entre líderes partidários e governo, no Congresso Nacional, manteve os vetos do presidente Jair Bolsonaro a trechos que tratam do “orçamento impositivo” na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), nesta quarta (4). O principal efeito da manutenção é retirar a exclusividade de decisão sobre o uso de R$ 30 bilhões em emendas das mãos do relator do Orçamento, Domingos Neto (PSD-CE). Com isso, o Executivo espera ter autonomia sobre metade do valor. Os chefes do Legislativo confirmaram o acordo, porém Bolsonaro negou, via Twitter, ter cedido a negociações.


Belo Horizonte, 6 a 12 de março de 2020

O voo do pintinho: reflexões sobre o PIB de 2019 ARTIGO Taxas de crescimento são tão medíocres que não dão respiro para a depressão econômica Valter Campanato/ Agência Brasil

Juliane Furno Entre os economistas é comum a expressão “voo da galinha” para se referir à performance da economia brasileira, pelo menos desde os anos 1980, momento em que passamos a alternar períodos de baixo, muito baixo ou mediano crescimento econômico. Ou seja, estamos sob um modelo econômico que não “deslancha”. Ainda que eventualmente alce voo, seu trajeto é sempre curto, esbarrando em restrições de ordem externa ou interna, fruto do próprio modelo de desenvolvimento com negligência da industrialização que adotamos desde a crise da década de 80. Ocorre que a performance atual da economia brasileira – desde o golpe de 2016 – está mais para pintinho do que para galinha. Isso porque as taxas de crescimento são tão medíocres que nem conseguem lograr uma situação de respiro da depressão econômica. No dia 4 de março, foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o Produto Interno Bruto (PIB) do agregado do ano de 2019, que nos relegou a vergonhosa marca de crescimento de 1,1%, contra-

riando todas as previsões dos economistas amigos da Globo, do mercado financeiro e de Paulo Guedes. Eles não se pouparam ao ridículo de projetar taxas irreais, na ordem de 2,8% de crescimento econômico, mais uma vez na crença de que o mercado se autorregula, corroborando a ideia falaciosa de que menos Estado significa mais investimento privado. Ao invés de uma autocrítica do modelo liberal, centrado na contração fiscal e do gas-

Ao invés de fazerem autocrítica, liberais culpam coronavírus to público, os liberais de carteirinha não poupam esforços em encontrar, rapidamente, um culpado. Guerra comercial, coronavírus, atrasos na aprovação/execução das reformas... Talvez tenham se esquecido das aulas de Contabilidade Social, em que aprendemos que o PIB= C(consumo) + G(Gasto do Governo) + I(investimentos) + (X[exportação] – M[importação]).

Atualmente, 64% do Produto Interno Bruto vem da variável consumo. Assim, em que pese uma política monetária com juros básicos mais baixos e a liberação desmedida dos saques do FGTS, ela se faz quase incólume frente a uma massa de desempregados e subempregados. Além disso, a política de teto dos gastos e cortes em programas sociais não somente contribuiu negativamente no PIB pela ótica do gasto do governo, como também inibe ainda mais o consumo, já que quem não recebe não gasta. O gasto é função direta da renda. Estamos retrocedendo na nossa capacidade produtiva nacional. Ou seja, os resultados pífios, mas ainda positivos, da indústria no ano de 2019 (1,1%) significaram, apenas, que estamos ocupando “capacidade ociosa”, não que estamos expandindo o setor. Esse é um grave problema que aponta para a redução das nossas condições de voltar a sonhar com um modelo de desenvolvimento econômico que rompe com as barreiras do subdesenvolvimento e que projeta as condições de uma sociedade com pleno emprego e com distribuição de renda.

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BRASIL

MTST denuncia assassinato de militante pela PM de Minas Gerais Reprodução /MTST

Da RBA O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) de Minas Gerais denunciou o assassinato de um membro do movimento social na cidade de Uberlândia, no Triângulo Mineiro. De acordo com informações do MTST, Daniquel Oliveira dos Santos, de 41 anos, foi morto com um tiro disparado por um policial militar na madrugada desta quinta-feira (5).

No início da manhã, moradores da ocupação bloquearam a BR 050 em protesto pelo assassinato. O MTST mineiro afirma que a ação não intimidará as ações de luta por moradia. “Não é com tiro que irão interromper a luta do povo brasileiro. Daniquel era e será exemplo para os lutadores sem-teto por sua dedicação à luta e a coletividade. Milhares de lutadores como ele seguirão em frente, para que essa injustiça jamais seja esquecida.”

Dólar a R$ 5 O ministro da Economia Paulo Guedes disse nesta quinta que a cotação do dólar pode ir a R$ 5 caso “muita besteira” seja feita. “Pode chegar a cinco? Ué, se o presidente pedir para sair, se todo mundo pedir para sair... É um câmbio que flutua, se fizer muita besteira, ele pode ir para esse nível”, afirmou em evento na Fiesp, em São Paulo. O dólar foi ao seu 11º recorde nominal (sem contar a inflação) seguido em uma sequência de 12 altas consecutivas, a maior des-

de janeiro de 1999, quando o Banco Central encerrou a política do câmbio fixo. Em fevereiro, em um discurso permeado pelo preconceito de classe, feito no Seminário de Abertura do Ano Legislativo da Revista Voto, em Brasília, Guedes disse que o dólar alto “é bom para todo mundo” e que em outros tempos, quando a economia brasileira estava melhor e o real mais valorizado, era uma “festa danada”, pois empregadas domésticas iam à Disneylândia.


14 MUNDO 10

Belo Horizonte, 6 a 12 de março de 2020

Disputa entre Joe Biden e Bernie Sanders se intensifica após Super Terça

Presidente argentino apresentará projeto de legalização do aborto nos próximos dias

A eleição que determinará o novo presidente americano acontecerá somente em novembro. Porém, a corrida para determinar o morador da Casa Branca a partir de março de 2021 já começou. Na terça (3), ocorreu o primeiro grande evento da disputa eleitoral, a Super Terça, um dos dias mais tradicionais do calendário político dos EUA.

Alberto Fernández, presidente argentino, deve enviar aos parlamentares um novo projeto de legalização do aborto dentro de dez dias. O anúncio foi feito no domingo (1). O presidente foi amplamente aplaudido por políticos dentro da Câmara dos Deputados; e por manifestantes, do lado de fora. “No século 21, toda sociedade precisa respeitar a decisão

Reprodução

O ex-vice-presidente dos EUA Joe Biden venceu em pelo menos 9 dos 14 estados onde houve a disputa. Apesar disso, o senador Bernie Sanders mostrou força nos dois locais com o maior número de delegados em disputa (Califórnia e Texas), além de sair vitorioso em Colorado, Vermont e Utah. “Não se pode vencer Trump com a política de sempre. Quando entramos nesta disputa, disseram que seria im-

possível. Mas tenho absoluta confiança: vamos derrotar o presidente mais perigoso da história deste país”, afirmou Sanders, após os resultados. Já Biden disse que os resultados mostram que sua campanha está “viva”. “Poucos dias atrás, a imprensa disse que a nossa campanha estava morta. Veja onde estamos agora. Essa campanha vai levar Donald Trump a fazer as malas”, disse.

individual de seus membros de dispor livremente de seus corpos”, afirmou. O chefe do Executivo argentino também deve enviar ao Congresso Nacional o “Plano dos 1000 dias”, cuja ideia é que nenhuma mulher recorra ao aborto por não ter condições financeiras.

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Foto: Gil de Carvalho - Sind-UTE/MG

GOVERNADOR,

O E N O I C N SA A E 0 2 0 2 / PL 1.451 0 2 0 2 / 2 A EMEND

AFP


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ENTREVISTA 15 11

“Eu fico me perguntando: se hoje está assim, como será o futuro dos nossos filhos?” DIREITOS Moradora de periferia, chefe de família e trabalhadora da educação fala sobre os desafios das mulheres na luta por uma vida digna Amélia Gomes

Amélia Gomes

E

m BH, milhares de mulheres se reúnem em marcha no próximo domingo, para denunciar os ataques do governo Bolsonaro contra as brasileiras. Neste ano, o ato do 8 de março vai se concentrar na Ocupação Pátria Livre, na Pedreira Prado Lopes. Organizado pelo Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos - MTD, hoje esse espaço garante o direito à moradia para 14 famílias, majoritariamente chefiadas por mulheres. Uma delas é a auxiliar de apoio de EMEI e coordenadora da ocupação Leidiane Silva. Nesta entrevista, ela fala sobre os impactos que as medidas do governo têm gerado para a vida das mulheres das periferias do Brasil.

Brasil de Fato - Você tem percebido retrocessos no seu dia a dia desde a eleição de Bolsonaro? Na sua avaliação, como está a vida das mulheres hoje? Leidiane Silva - Eu não vejo nenhuma melhoria para a vida das mulheres. A gente sabe que historicamente as mulheres sempre tiveram que lutar para conseguir garantir algum direito. Porque sempre somos discriminadas. E hoje é complicado até mesmo uma mulher conseguir afirmar que tem o privilégio de ser mãe, porque está praticamente impossível conciliar a jorna-

Para quem não tem estudo está ainda pior, parece que nós estamos voltando ao tempo da escravidão da de trabalho com a convivência com nossas famílias. Não estamos tendo possibilidade alguma de melhorar de vida. Mesmo aquelas que têm estudo, que são capacitadas, estão encontrando grandes dificuldades. E para quem não tem estudo está ainda pior, parece que estamos voltando ao tempo da escravidão. A verdade é que nós, mulheres brasileiras, não sabemos como será o dia de amanhã. E eu fico me perguntando: se hoje está assim, como será o futuro dos nossos filhos? Eles estão acabando com a saúde, com a educação e com as leis trabalhistas. Estamos sem saber o que vai ser do Brasil. Porque se não houver educação, como vamos ter um amanhã melhor?

E você, que é chefe de família, tem percebido que as despesas com manutenção da casa têm aumentado? A alimentação, a energia e a água estão um absurdo! As pessoas que sobrevivem com um salário mínimo estão passando dificuldades. Na minha família, por exemplo, nós somos três pessoas e se eu quiser garantir uma boa alimentação para os meus filhos, tenho que gastar todo o meu pagamento com isso. É impensável que num país rico como o nosso, os brasileiros estejam com tanta dificuldade de ter acesso a itens básicos. E com essas privatizações as coisas vão piorar ainda mais. Eles estão vendendo os nossos bens para os estrangei-

Hoje tenho direito à moradia graças a um movimento social

ros e nós mesmos, que plantamos, que somos brasileiros, estamos gastando muito dinheiro para ter acesso à alimentação, ao transporte, à água, à energia… Bolsonaro praticamente zerou os repasses de programas sociais como o Minha Casa Minha Vida e o Bolsa Família. Como você vê essa medida? Hoje tenho direito à moradia graças a um movimento social. E por estar em uma ocupação eu aprendi sobre quais são os meus direitos e os dos meus filhos. Antes de vir para a ocupação, eu morava de aluguel, aqui na comunidade mesmo. Eu não tinha condições de comprar uma boa comida para os meus filhos. Depois que eu vim morar na Ocupação Pátria Livre é que eu consegui comprar uma cama para os meus filhos, uma televisão, manter minha geladeira cheia. A Pedreira Prado Lopes foi berço de muitas lutas das mulheres, seja na cultura ou para garantir o direito à creche para as crianças, moradia, etc. Porque é importante que as mulheres da Pedreira e das periferias lutem? Belo Horizonte só foi construída porque teve muita luta dos operários e das mulheres. Todas as mulheres da Pedreira e de todas as periferias deveriam se unir para lutar pelos nossos direitos. Porque nós temos muito potencial. Se conseguimos erguer uma capital, conseguimos construir um futuro melhor.

Nossos direitos DIREITOS E BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS DO MEI O microempreendedor individual, se estiver em dia com as suas obrigações, declarações anuais e contribuições mensais (Documento de Arrecadação do Simples Nacional) possui cobertura previdenciária para diversas situações. Dentre os direitos previdenciários, estão: auxílio maternidade (são necessários ao menos dez meses de contribuição); auxílio doença, se houver alguma doença ou acidente que incapacite a pessoa temporariamente para o trabalho (é necessário ter ao menos 12 contribuições); aposentadoria por idade (180 contribuições para ter direito); e aposentadoria por invalidez (ao menos 12 contribuições). Também é garantida pensão por morte aos dependentes do microempreendedor, porém, sua duração varia de acordo com a quantidade de contribuições realizadas e a idade dos dependentes. Em todos os casos deve-se recorrer ao INSS para ter acesso ao direito. Jonathan Hassen é advogado popular


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VARIEDADES

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FRANGO XADREZ

www.malvados.com.br

Reprodução

PALAVRAS CRUZADAS DIRETAS

www.coquetel.com.br Diretor e (?), funções de Jorge Furtado

© Revistas COQUETEL

Assentimento do Legislativo em Seu maior apoio ao programa do Executivo vencedor é Árvore, no sistema parlamen- o Real Maem inglês tarista Conclusão drid (fut.)

Objeto do dia a dia, serve como instrumento de percussão em rodas de samba

Sulcar (o terreno) antes da semeadura

Que não se sustenta bem nas pernas (fem.)

Artur Xexéo, jornalista carioca

Número de rainhas na colmeia

Hiato de "coelho" Prótese da pessoa banguela "O ataque (?) a melhor defesa" (dito) Rural Recipiente de metal utillizado em cerimônias nas igrejas católicas

O maior dos cervídeos de regiões frias

Homem, em inglês

De (?) para lá: de um lado para outro

Estado natal do cantor Frank Aguiar

Que pertencem a mim

Trabalha no matadouro Entrada; acesso

Ditongo de "tiziu"

Planície típica do RS Bom, em inglês

• • • • • • •

Sereia que vive no rio Amazonas (Folc.)

"Game of Forma da Thrones" curva de (sigla) retorno

15h (Catol.)

• • • • •

Que está no lugar mais profundo

Subtrações e (?): operações básicas (Mat.)

3/man — noa. 4/good — tree. 10/incensário. 15/caixa de fósforos.

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Solução V R O T O D E C O I N F I M A N A Ç A

G O O D A L C E T R E E

L E I R I O P E G U M A N T A D A T O M P E S O C E N S A T M P A M P I S T E A Õ U G U E S I TO

O

S T A A U R A T R A R I E U A R I A I R M A

C A I X A D E F O S F O R O S

BANCO

Guimbas

Ingredientes

O metal mais usado (símbolo) Atividade de professores

Equilibrar (carga) em embarcação

Língua indígena

4 Filés de peito de frango descongelados e cortados em cubos 4 colheres (sopa) de amido de milho 1 colher (sopa) de óleo vegetal 1 cebola descascada e picada em cubos médios 1 pimentão verde sem sementes cortado em cubos médios 1 pimentão vermelho sem sementes cortado em cubos médios 2 colheres (café) de gengibre descascado e picado finamente ou ralado 2 xícaras (chá) de brotos de feijão 1 ½ xícara (chá) de água 5 colheres (sopa) de molho de soja 1 xícara (chá) de amendoim torrado 4 ramos de cebolinha picados

Modo de preparo 1. Em um recipiente, coloque os cubos de frango, polvilhe a metade do amido de milho e misture; 2. Em uma panela grande, aqueça o óleo e doure o frango; acrescente a cebola, os pimentões, o gengibre e os brotos de feijão e deixe refogar; 3. Separadamente, misture o restante do amido de milho com a água e acrescente o molho de soja. Incorpore essa mistura à panela, abaixe o fogo e mexa até engrossar levemente; 4. Junte o amendoim e finalize com a cebolinha picada. Sirva em seguida.


Belo Horizonte, 6 a 12 de março de 2020

FIQUE

BEM MULHERES, CUIDEM-SE! Domingo é dia internacional das mulheres. A data é uma ótima “desculpa” pra gente refletir sobre algumas situações. A nossa dica de hoje é para você olhar com mais carinho para as mulheres ao seu redor. Às vezes (nós mulheres) somos muito críticas com nossas mães, avós, irmãs, amigas, colegas de trabalho… Que tal fazer o exercício de ser mais paciente, compreensiva e solidária com as mulheres que te cercam? Elogie-as, aprenda com elas. Além de melhorar suas relações, pode ser muito bom para você conhecer mais sobre si mesma!

AUMENTAR A IMUNIDADE É O MELHOR REMÉDIO Se ame mais! Já deu aquela olhada boa no espelho? Uma olhada sincera, sem os filtros críticos que os padrões de beleza nos impõem? Não?! Pois então se olhe. Perceba cada detalhe do seu rosto, do seu corpo. Entenda como você é única e preciosa. Beijo da Jana!

*Janaína Cristina escreve sobre dicas de bem-estar e autocuidado

13 VARIEDADES 15

AMIGA DA SAÚDE Sofia Barbosa é enfermeira do Sistema Unico de Saúde I Coren MG 159621

É possível contrair alguma doença na coleta de sangue quando o profissional não troca a luva? Aline Pires, 33 anos. (pelo whatsapp) Sim, é possível. O risco de acontecer será maior se as luvas estiverem sujas de sangue. Num procedimento de coleta de sangue, o profissional deve usar luvas para sua própria proteção e deve trocá-las a cada paciente, justamente para evitar que leve microrganismos de um paciente a outro. Além de fazer a troca das luvas, é recomendado também higienizar as mãos a cada paciente atendido, pois no momento da retirada da luva, pode haver contaminação. Essas ações são regulamentadas, além de serem fundamentais para a saúde dos profissionais e para a segurança dos pacientes.

Mande sua dúvida para amigadasaude@brasildefato.com.br ANÚNCIO


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Alpendre

Roteiro

a ditadura voltou as receitas de bolo, também Feira das mulheres

A Feira Repagina realiza uma edição especial “Mulheres Empreendedoras” no sábado (7) para mostrar trabalhos feitos por só mulheres. O evento começa às 10h e conta com brechó, venda de artesanatos, alimentos e doces. Também terá música ao vivo. O local é rua Sapucaí, 303, no bairro Floresta. A entrada é gratuita.

dia desses, em meu perfil no Facebook, publiquei umas receitas do caderninho da Turca (minha mãe), herança de minhas saudosas avós paterna (a calabresa Dona Pina) e materna (a mineiríssima Dona Filhinha), que criaram, ou também herdaram, tais receitas de suas mães e avós, e seja como for, um tesouro cultural e afetivo com uns 200 anos de história. o resultado foi uma troca de carinho muito grande, com muitas pessoas rememorando as suas histórias com ca-

derninhos de receitas de suas mães, avós, bisas e sogras, outras mais copiando e fazendo as receitas que passei, me enviando fotos das mesmas depois de prontas, agradecimentos à Turca e até elogios à sua caligrafia, que gerou um erro gostoso. na receita que ilustra esta crônica, na tela piquititinha do celular, muita gente leu, em vez de “cremoso”, “amoroso”, e minha resposta a quem confessou essa doce confusão foi a de que, dadas as reações ANÚNCIO

EDITAL DE CONVOCAÇÃO PARA A CONSTIRUIÇÃO DA COOPERDOCE Os membros da Comissão Organizadora convocam a todos os interessados para participar de Assembleia Geral de Constituição da Cooperativa dos Assentados da Reforma Agrária do médio Rio Doce, a realizar-se no Assentamento Oziel Alves Pereira, Rodovia BR 116, Km 411, Bairro Santa Paula, CEP: 35109-000, Município de Governador Valadares- MG, no dia 20 de março, com início às 09:00 horas em primeira convocação, e às 10:00 em segunda convocação, para, com um mínimo de 20 pessoas, deliberar sobre os respectivos assuntos: 1. Leitura, análise e aprovação do estatuto social; 2. Eleição da diretoria executiva, conselho de administração e conselho Fiscal; Governador Valadares, 27 de fevereiro de 2020. Aguinaldo da Silva Batista Coordenação da comissão

provocadas pelas receitas – e pela letra redondinha de minha mãe –, o bolo de fubá não deixava de ser, além de cremoso, amoroso. lembrei-me de que, na ditadura militar, sob as patas imundas da censura, muitos jornais cobriam os espaços proibidos pela estupidez publicando receitas de bolos. de novo, estamos sob ditadura, e ainda pior do que a anterior, porque miliciana, fascista, nazicrente e, como tal, orgulhosa de sua estupidez (amplo sentido), rancorosa de qualquer forma de expressão de dois valores humanos que irmanam e fazem progredir qualquer sociedade, a cultura e o afeto, então achei por bem publicar receita neste jornal. enquanto a censura não volta oficialmente, é, antes de tudo, uma receita de resistência à brutalidade como método, à ignorância como virtude e ao ódio como arma de destruição da massa – não a do bolo, digo. façam essa receita, comam bolo e tomem cafezinho com quem amam, assim mantendo vivos o afeto e a cultura que o fascismo, para se manter, precisa destruir. Z Carota é jornalista e escritor, autor de “a beleza que existe – crônicas com uma tonelada de leveza” (Páginas Editora) e “dropz” (Editora Penalux).

Sempre vivas

Entre os dias 6 a 11 de março, acontecem diversas atividades na Assembleia Legislativa de Minas Gerais para marcar o mês das mulheres. A agenda conta com rodas de conversa sobre direitos sexuais e reprodutivos, democracia e resistência; além de audiência pública e feira Rainha Tereza de Benguela. Mais informações em almg.gov.br.

Se liga nessa dica! Leia Gioconda Belli

Como seria um país governado somente por mulheres? Com presidenta, ministras, exército e todos os altos cargos compostos por mulheres? É esse o assunto que a escritora nicaraguense Gioconda Belli aborda no romance “O país das mulheres”. Em Fáguas, pequeno país latino-americano, as amigas Viviana, Martina, Eva Salvatierra, Ifigenia, Juana de Arco e Rebeca decidem montar o Partido de Esquerda Erótica (PEE) e concorrer à presidência. E elas ganham democraticamente. Como primeira ação, elas enviam os homens para cuidar da casa, dos filhos e das atividades que, antes da revolução, eram exercidas só por mulheres. Imaginem a polêmica. Mas a presidenta sofre um atentado em meio a um discurso. Quem atirou em Viviana? O que vai acontecer com o PEE? Uma leitura fácil, com linguagem simples e divertida. Aproveite!


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Personagem da semana

PAPO ESPORTIVO

ESPORTE

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A desigualdade de gênero nos esportes CarlosPedro Gregório Jr. / Vasco Souza /Atlético

na geral

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ítima de um infarto fulminante, morreu, aos 79 anos, no dia 29, o baiano José Rui de Mattos Amorim, popularmente conhecido como Rui Chapéu. Começou a jogar sinuca na infância, mas virou profissional em 1970, aos 30 anos, quando largou o trabalho de caminhoneiro para se dedicar à sua grande paixão. Rui cruzou o Brasil exibindo

sua maestria nos salões e em programas de TV, por meio dos quais ajudou a quebrar o estigma de que a sinuca seria esporte de vagabundo, de gente sem o que fazer. Derrotou os maiores jogadores do Brasil e teve como principal feito de sua carreira bater, em 1986 e 1987, o inglês Steve Davis, campeão mundial da modalidade.

na geral

Mineiro é convocado para seleção de vôlei sentado

O educador físico Thiago Rodrigues, da equipe mineira Sada/AM Paradesporto – PBH, foi convocado como auxiliar técnico de treinamento da Seleção Brasileira masculina de voleibol sentado. Ele participará de atividades que acontecem na próxima semana no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, em São Paulo. Thiago tem 29 anos e, há oito, treina a única equipe minei-

Reprodução

ra de vôlei sentado de Belo Horizonte, que é mantida com apoio da Prefeitura e recursos da Lei de Incentivo ao Esporte. O vôlei sentado é um esporte que pode ser praticado por mulheres e homens que tenham deficiência física relacionada à locomoção. As partidas são disputadas com seis jogadores em cada equipe, divididos por uma rede de tamanho reduzido.

Leonardus Saraiva

Lorena Lemos Domingo, dia 8 de março, é comemorado o Dia Internacional de Luta das Mulheres. Nessa data, unidas, as mulheres reafirmam como é necessária a igualdade de gênero. Por causa da concepção patriarcal de nossas sociedades, as condições para as mulheres são piores. É o que acontece, por exemplo, na menor oferta de oportunidades de emprego, salários rebaixados em comparação com os homens, o preconceito em relação à maternidade, o baixo número de mulheres em posição de chefia, entre vários outros aspectos. Todas essas disparidades se refletem também nos esportes, não apenas pelo impacto da desigualdade na vida das atletas, mas também nos cargos ocupados na gestão esportiva, na cobertura da imprensa especializada, na torcida, no valor ou número de marcas interessadas em patrocínios, nos prêmios recebidos. O preconceito também aparece quando pensamos nos uniformes esportivos que objetificam ou são uma tentativa de tor-

nar as atletas mais “femininas”, como as saias usadas no tênis e os biquinis usados no vôlei de praia. Quando as mulheres são assunto na mídia esportiva, outro aspecto negativo que precisa ser lembrando é o fato de a aparência e as roupas que uma esportista usa terem destaque, de forma pejorativa e vulgar, de modo que o debate não gire em torno do seu desempenho, mas

Na mídia esportiva, se fala mais das roupas que uma esportista usa do que de seu desempenho do seu corpo, da sua idade, se ela é solteira ou casada. Além de todas essas coisas, sabemos como a nossa construção social do gênero faz com que popularmente algumas práticas físicas também sejam divididas como “de homens” ou “de mulheres”. Exemplos: futebol, artes marciais e as lutas em geral são incentivadas desde a primeira infância para os meninos. Já para as mulheres ficam como marca o ballet, vôlei e as danças.

Um fato ocorrido no jogo masculino do Campeonato Mineiro, entre Atlético-MG e Tupynambas, no dia 26 de janeiro, demonstra como precisamos avançar. As jogadoras do futebol feminino do Galo foram usadas de gandulas, recebendo R$ 90 pelo trabalho. Deixo os seguintes questionamentos: será que algum atleta do time masculino recebe tal tipo de proposta para complementação de renda? Com bons salários, as atletas precisariam desempenhar tal função? Em um mundo onde as mulheres são cotidianamente apagadas da história, devemos questionar e nos posicionar diariamente sobre a necessidade de promoção da igualdade entre homens e mulheres. Assim, teremos cada vez mais mulheres ocupando as praças e quadras dos bairros nos fins de semana, fazendo atividades físicas, ampliando a transmissão e cobertura de campeonatos e torneios femininos, aumentando de postos e salários nas chefias e gestões esportivas e, consequentemente, em todas as áreas que se relacionam com os esportes.


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Carnaval não tem futebol

ESPORTES

DECLARAÇÃO DA SEMANA

FIFA

Com seis vitórias e três empates à frente da Seleção Brasileira feminina de futebol, a técnica Pia Sundhage agora tem pela frente dois grandes desafios. Pelo Torneio Internacional da França, sábado (7), o Brasil pega a Seleção Francesa, às 17h,

em Valenciennes. Na terça-feira (10), é a vez de as nossas jogadoras enfrentarem a forte equipe do Canadá, em Calais. Na última quarta-feira (4), a Seleção Brasileira empatou em 0 a 0 com a vice-campeã do mundo, Holanda, manten-

do uma invencibilidade de cinco jogos. O torneio está sendo usado por Pia Sundhage para preparar a equipe para o principal desafio do ano, os Jogos Olímpicos de Tóquio, que começam em julho.

Gol de placa

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Ministerio Publico/ PY

“Os números de passaporte pertencem a outras pessoas. São passaportes originais, mas com dados falsos. Esses passaportes foram tirados em janeiro” Federico Delfino, promotor que acompanha o caso dos passaportes falsos, que levaram à prisão do ex-jogador Ronaldinho Gaúcho e de seu irmão, Roberto, Assis, na quarta (4). Recentemente, Ronaldinho foi nomeado embaixador do turismo do governo Bolsonaro.

Torcedores antifascistas do Colo-Colo disseram não à contratação do técnico Luiz Felipe Scolari. Em 2013, Felipão disse que o assassino e ex-ditador chileno Augusto Pinochet “fez muitas coisas boas também”. Que o protesto da torcida colocolina sirva de exemplo para os brasileiros.

Gol contra Copa Libertadores, quarta-feira (4), Defensa y Justicia 1 x 2 Santos. Durante a vitória do Peixe, um torcedor argentino foi flagrado imitando um macaco em direção aos brasileiros, no estádio Norberto Tomaghello. Mesmo filmado, o torcedor racista continuou com os gestos.

Fruto de muito trabalho

Sampaoli e o óbvio ululante

Na régua

Bráulio Siffert

Rogério Hilário

Izabela Xavier

O fato de o América ser líder do Campeonato Mineiro e o único time que ainda não perdeu não é reflexo somente da má fase de Cruzeiro e Atlético, mas sobretudo de suas próprias qualidades. A equipe não sentiu o baque da troca de técnico. Pelo contrário, Decacampeão com Lisca, evoluiu em alguns aspectos, como na marcação alta e na construção das jogadas. A zaga tem se mostrado segura, mesmo com o goleiro Airton falhando corriqueiramente. Na armação do jogo, Alê, Zé Ricardo e os laterais estão, enfim, conseguindo abastecer o ataque. Na frente, Ademir e Rodolfo são os destaques, com mobilidade, eficiência e qualidade no passe e na finalização. Além disso, parece que há boas peças para a composição do elenco.

Sampaoli, o novo treinador, já exigiu o óbvio: contratações. Até o mais fanático alvinegro reconhece as deficiências do elenco. A zaga é irregular, o meio-campo não cria e o ataque é inoperante. Sem reforços, é impossível montar uma equipe competitiva. No BrasileiÉ Galo doido! rão, a expectativa é buscar a vaga na Libertadores. O clássico no final de semana pode significar o renascimento das esperanças. O treinador argentino observará o time e tirará mais conclusões. Que seja bem-sucedido. Ou que atrapalhe menos. Por falar nisso, como tudo nesta terra do retrocesso, já houve tentativa de proibir provocações e outras manifestações na partida. Quando as forças de segurança extrapolam suas atribuições, boa coisa nunca vem.

O Cruzeiro avançou à 3ª fase da Copa do Brasil com vitória mais que complicada contra o Boa Esporte. Apesar do bom retrospecto contra a equipe de Varginha, a equipe avançou por detalhe, após a bola do pênalti derradeiro passar caprichosamente La Bestia Negra por debaixo do goleiro. O autor da cobrança, o jovem Maurício, parecia nem acreditar: foi na régua. Apesar do triunfo, que garante mais algum dinheiro aos defasados cofres do clube, o alerta já foi ligado. Para voltar à Série A, o time precisa melhorar muito seu futebol. A torcida ainda confia em Adilson Batista, mas não deixemos que o jogo contra o rival nos tire a atenção de que há muito a ser feito para que o Cruzeiro retorne ao lugar de que nunca deveria ter saído.

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