Edição 307 do Brasil de Fato MG

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Jorne Bernal / AFP

Bolívia em ebulição

Divulgação

“Cultura abre caminhos"

Golpe está relacionado com a nacionalização do gás. População reage e pede volta de Evo

Confira entrevista com a atriz Teuda Bara, do Grupo Galpão

MUNDO 12

ENTREVISTA 11

MG Minas Gerais

Belo Horizonte, 22 a 28 de novembro de 2019 • edição 307 • brasildefato.com.br • distribuição gratuita

CARTEIRA VERDE E AMARELA REDUZ DIREITOS . A Medida Provisória (MP) 905, que cria a carteira verde e amarela, ataca 86 itens da CLT . Em casos de demissão sem justa causa, o trabalhador receberá até 80% a menos . Empregadores ficam isentos da parcela patronal para a Previdência . Governo cobrará taxas de quem recebe seguro-desemprego . Adicional por periculosidade cai de 30% para 5%, . Adicional por periculosidade só será concedido se a exposição ao perigo for em pelo menos 50% da jornada . MP 905 elimina pagamento de hora extra aos domingos . Em caso de demissão sem justa causa, a multa sobre o FGTS para os empregadores baixa de 40% para 20%


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OPINIÃO

Belo Horizonte, 22 a 28 de novembro de 2019

Opinião

Zema prepara golpe contra Rede Minas

ESPAÇO DOS LEITORES

“Alguém me leva pra BH!️” Suzi Alves comenta sobre a matéria “Vamos afrobetizar a cidade”, diz curadora do Festival de Arte Negra de BH “Bom dia. Sintonizei agora há pouco e ouvia uma abordagem diferente dos tempos vividos. Momento que dá esperança” Ageu Antunes comenta o programa de rádio do Brasil de Fato MG. Mande também sua mensagem para: (31) 98468-4731 “O que está acontecendo com o Brasil? Fico triste quando vejo brasileiros aplaudindo...” Maria Do Carmo Veloso Durães comenta a matéria do site do Brasil de Fato MG “Reitoria de universidade mineira processa estudante e trabalhadores” “Vocês fazem um trabalho de altíssimo nível, e fico feliz de poder semanalmente fazer parte, mesmo que indiretamente, da equipe BdF... Vida longa e sucesso sempre!” Tarcísio Duarte, da Rádio Favela, manda seu alô

Escreva pra gente também: redacaomg@brasildefato.com.br ou em facebook.com/brasildefatomg

Há muitas maneiras de ser desonesto e no Brasil de hoje temos experimentado todas elas de forma escancarada. A mais explícita forma de mentir é sendo aparentemente verdadeiro. É o que o governo Bolsonaro está fazendo com a Empresa Brasil de Comunicação, a EBC. Com o falso argumento de que ela não dá lucro ou audiência, passou a integrar a lista das empresas privatizáveis. Ou seja, que serão entregues de mão-beijada para o mercado a preço de banana podre. O que não é dito, na aparente transparência do processo, é que comunicação pública não existe para atender à lógica do mercado, mas da cidadania e de suas demandas específicas. Assim como saúde pública e educação pública, que tratam de direitos e não de lucro. Comunicação pública existe para prover direitos por cultura e informação plural, independente, crítica e de qualidade.

Bolsonaro é inculto, autoritário e temerário A outra forma de afrontar o dever de zelar pelo interesse coletivo é esvaziar a participação social. No primeiro momento, defende-se da boca para fora o setor e depois puxa-se o tapete das condições de funcionamento das empresas e instituições, para apresentar então

O jornal Brasil de Fato circula semanalmente com edições regionais, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro, no Paraná e em Pernambuco. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais em nosso país e no nosso estado.

o quadro inevitável de seu fechamento ou privatização. É o que o governador Romeu Zema está fazendo, no mesmo setor da comunicação pública, com a Empresa Mineira de Comunicação, a EMC, formada pela Rádio Incon-

Zema é inculto, autoritário e dissimulado fidência e Rede Minas de Televisão. Depois de anunciar o fechamento da banda AM da Inconfidência e voltar atrás pela pressão da sociedade, mudou de tática e está minando por dentro, corrompendo seus objetivos, mudando o estatuto e retirando a presença da representação da sociedade de sua estrutura, como define a lei de criação da empresa. A Inconfidência desidratou sua programação, perdeu sua identidade estética e sua relevância informativa. O segundo elemento destrutivo posto em ação foi a interrupção de programas que mesclavam música e informação, nivelando o polo musical por um gosto ultrapassado e extinguindo o polo jornalístico, inclusive cultural. Bolsonaro é inculto, autoritário e temerário. Zema é inculto, autoritário e dissimulado. Um parece tomado pela raiva, outro pelo medo. Não são sentimentos construtivos.

PÁGINA: www.brasildefatomg.com.br CORREIO: redacaomg@brasildefato.com.br PARA ANUNCIAR: publicidademg@brasildefato.com.br TELEFONES: (31) 3309 3314 / (31) 3213 3983

conselho editorial minas gerais: Aruanã Leonne, Beatriz Cerqueira, Bernadete Esperança, Bruno Abreu Gomes, Ênio Bohnenberger, Frederico Santana Rick, Helberth Ávila de Souza, Jairo Nogueira Filho, Joana Tavares, João Paulo Cunha, Joceli Andrioli, Jô Moraes, José Guilherme Castro, José Luiz Quadros, Juarez Guimarães, Laísa Campos, Marcelo Almeida, Makota Celinha, Maria Júlia Gomes de Andrade, Milton Bicalho, Neila Batista, Nilmário Miranda, Padre Henrique Moura, Padre João, Pereira da Viola, Renan Santos, Rogério Correia, Rosângela Gomes da Costa, Robson Sávio, Samuel da Silva, Talles Lopes, Titane, Valquíria Assis, Wagner Xavier. Editora: Joana Tavares (Mtb 10140/MG). Redação: Amélia Gomes, Larissa Costa, Rafaella Dotta, Raíssa Lopes e Wallace Oliveira. Colaboradores: Anna Carolina Azevedo, André Fidusi, Bráulio Siffert, Diego Silveira, Fabrício Farias, Izabela Xavier, João Paulo Cunha, Jonathan Hassen, Jordânia Souza, Pedro Rafael Vilela, Renan Santos, Rogério Hilário e Sofia Barbosa. Revisão: Luciana Gonçalves. Administração e distribuição: Paulo Antônio Romano de Mello e Vinícius Moreno Nolasco. Diagramação: Tiago de Macedo Rodrigues. Tiragem: 40 mil exemplares. Razão social: Associação Henfil Educação e Comunicação


? PERGUNTA DA SEMANA

20 de Novembro foi dia da Consciência Negra. A celebração marca a luta contra o racismo e pela garantia de direitos. É também um momento para recordar negros e negras fundamentais para a história do povo brasileiro. Por isso o Brasil de Fato saiu às ruas para perguntar:

Qual sua indicação cultural para celebrar o Dia da Consciência Negra?

Eu gosto muito do filme “Besouro” porque ele fala dos nossos antepassados, da nossa origem. Ele fala também sobre nossas religiões, a origem da umbanda e do candomblé. É a história de um capoeirista e conta todo sofrimento que ele passou, que o povo negro passou. É muito bom e educativo.

Érica Rocha Supervisora de cobrança

A primeira coisa, na minha opinião, é conhecer a história da África. Existem estudos, até mesmo religiosos, que mostram que a história da humanidade começou por lá. Então esse deve ser o nosso ponto de partida. Aí, a partir desse assunto, cada um vai pesquisando o que se interessar mais, seja pela via política ou religiosa.

Diego Horta Modelo e fotógrafo

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GERAL

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Número da Semana

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É o número de pessoas infectadas em Minas pelo sarampo em 2019. Até o dia 30, jovens entre 20 e 29 anos devem se vacinar. São necessárias duas doses.

Ganhamos um prêmio de jornalismo!

Ernandes Ferreira

O Brasil de Fato MG recebeu duas premiações no 1º Prêmio Sindibel de Jornalismo, iniciativa do Sindicato dos Servidores e Empregados Públicos Municipais de Belo Horizonte (Sindibel). A matéria “Maternidades de BH não seguem normas que garantem autonomia na hora de parir”, de Larissa Costa, foi finalista

na categoria impresso. Já a categoria internet, a mais concorrida, foi vencida com a matéria “As pessoas que cuidam de BH e a gente nem vê”, de Rafaella Dotta. O concurso contou com mais de 80 inscrições, divididas nas categorias rádio, impresso, TV e internet, e teve como tema a importância do serviço público para BH.

Declaração da Semana “Depois de ler muito sobre a escravidão, tenho a tese de que precisamos recontar a história do Brasil. Os verdadeiros heróis brasileiros não estão nas fotos. São anônimos. Porque foram decapitados, foram enforcados”

Ricardo Stuckert

disse o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em sua primeira entrevista após sair da prisão.


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CIDADES

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O que os “Vender a Codemig é vender a galinha de ovos mineiros perdem com a venda da de ouro de Minas Gerais” SOBERANIA Além do corte anual de quase R$500 milhões na arrecadação, Codemig? caso venda Codemig, Estado também vai abrir mão de pioneirismo em setor estratégico Google Images

Amélia Gomes

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o último mês, o governador Romeu Zema (Novo) enviou para a Assembleia Legislativa dois Projetos de Lei (1.205 e 1.203/19) envolvendo a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemig). O primeiro propõe o recebimento antecipado dos recursos da exploração do nióbio com cessão dos créditos até 2032. A alegação do governo é de que o recurso auxiliaria o pagamento do décimo terceiro dos servidores. Já o PL 1203/19 trata da desestatização da Codemig. A venda de estatais é uma das principais moedas de troca para adesão do Estado ao Regime de Recuperação Fiscal, que propõe uma trégua na cobrança das dívidas dos estados com a União durante um prazo de três anos. No entanto, especialistas avaliam que ao invés de resolver o problema orçamentário do Estado, a venda da Codemig pode causar um rom-

bo ainda maior aos cofres públicos. Isso porque a empresa é dona da maior jazida de nióbio do mundo. A mina fica no município de Araxá, região do Alto Paranaíba. O nióbio é um mineral usado para fazer ligas de aço de alta resistência - com aplicações em plataformas marítimas, pontes e turbi-

Nióbio produzido em Araxá corresponde a 75% da produção mundial nas de aeronaves a jato. A reserva de Araxá tem capacidade de exploração por mais de 400 anos. Atualmente, o Estado recebe 25% sobre o valor do que é extraído na mina. Em 2018, a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), empresa privada que gerencia

a mina, repassou ao governo mineiro R$ 477 milhões em impostos sobre a exploração do bem. Na avaliação do economista e especialista em finanças de organizações públicas da Universidade Federal de Minas Gerais Ivan Beck, a venda da estatal para sanar a crise fiscal do Estado é uma leitura errada do governador. “Temos alternativas à privatização que podem resolver melhor o problema. Como repensar os subsídios que o governo dá às empresas do setor minerário e dos agrotóxicos, por exemplo”, pontua. Em uma entrevista a uma emissora de televisão o próprio governador Romeu Zema admitiu que a venda da Codemig só resolveria a situação orçamentária do estado até março de 2020. “É preciso pensar estrategicamente e a longo prazo, 25, 30 anos. O governador não pode perder a influência sobre decisões de setores estratégicos para a receita do Estado”, conclui Beck.

O nióbio produzido em Araxá responde por 75% de toda a produção mundial. Sua produção anual é de 70 mil toneladas da liga de ferronióbio. Para se ter uma dimensão da riqueza e potencial econômico deste mineral, uma tonelada de nióbio é vendida por U$$ 26 mil. O valor é cerca de 300 vezes maior do que o de minério de ferro, atualmente vendida a cerca de U$$ 76 a tonelada. Para o professor de geologia e especialista em política mi-

Tramitação dos projetos No último dia 20 o plenário da Assembleia Legislativa aprovou em 1° turno, por unanimidade, o PL 1205/19 que trata da cessão de créditos do nióbio. O texto deve ir para votação em segundo turno já na próxima semana, no entanto, antes de ir ao plenário deverá ser analisado em audiência pública pelas comissões de Minas e Energia e Administração Pública. Já o PL 1202/19 que trata da adesão do Estado ao Regime de Recuperação Fiscal, está em avaliação na Comissão de Constituição e Justiça, assim como o Projeto 1203/19, que trata da venda da Codemig. Todas as propostas devem passar por pelo menos duas comissões para que chegar ao Plenário.

neral Cláudio Scliar, o que o governo deveria fazer mediante a situação alarmante do caixa do Estado e o enorme potencial atual e futuro da extração do nióbio é se apoderar mais dessa riqueza que o Estado detém. “Para resolver o problema do Estado, o governador está matando a galinha dos ovos de ouro. A preocupação do governador deveria ser a agregação de valor a estes insumos e não a venda da Codemig”, afirma o pesquisador.

Tribunal de Contas do Estado pede explicações ao governo Assim que Zema apresentou os projetos na ALMG, o Tribunal de Contas do Estado pediu esclarecimentos ao governador, à Secretaria de Planejamento e Gestão e o presidente da Codemig sobre a cessão de créditos e de privatização da empresa. A resposta aos esclarecimentos está em análise no órgão desde o último dia 21. O TCE vai analisar a legalidade dos atos do Poder Executivo, podendo impor ao governo recomendações, medidas cautelares ou sanções. Ainda não há previsão de quando o Tribunal de Contas dará o seu parecer sobre o caso.


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MINAS

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O que muda, na prática, com a carteira verde e amarela? EXPLORAÇÃO Listamos as principais alterações promovidas pela medida provisória Marcelo Camargo /Agência Brasil

que haja a compensação, ou seja, folga, em outro dia. O repouso semanal remunerado deverá coincidir com o domingo no mínimo uma vez no período máximo de quatro semanas para os setores de comércio e serviços e, no mínimo, uma vez no período máximo de sete semanas para o industrial.

Da redação

A

Medida Provisória (MP) 905 altera mais de 86 itens da CLT e tem como ponto central a criação de uma nova modalidade de contratação: a carteira verde e amarela. A proposta do governo de Jair Bolsonaro modifica diversas outras normas que dizem respeito à regulação do trabalho. Realizada pelo Senado, uma consulta pública digital, não vinculante, apontava no momento da edição desta matéria, mais de 52 mil (96,6%) votos contrários à proposta, e menos de 2mil (3,4%) a favor. Abaixo, o Brasil de Fato lista as principais mudanças propostas pela MP 905. Carteira verde e amarela A nova modalidade servirá para a contratação de jovens de 18 a 29 anos em postos que recebam até um salário mínimo e meio, ou R$ 1.497, pelo prazo de dois anos.

Empregadores não pagarão alíquotas do Sistema S, do salário-educação e da contribuição patronal de 20% para o FGTS. Empregados contribuirão com 2% para o FGTS, sendo o patamar da “carteira azul” de 8%. Em caso de demissão sem justa causa, a multa sobre o Fundo baixa de 40% para 20%. Estimativas apontam que a folha de pagamento terá uma redução de 34% nos impostos a ela vinculados. De outro lado, em casos de demissão sem justa causa, a perspectiva é que o trabalhador receba até 80% menos verbas. Empregadores também estarão isentos da parcela patronal para a Previdência. Para compensar, o governo deverá cobrar uma taxa de quem recebe seguro-desemprego.

Seguro acidente privatizado A MP abre a possibilidade de contratação de seguro privado para acidentes pessoais, a partir de acor-

do individual entre empregado e empregador. A CLT prevê apenas seguro para acidentes de trabalho de forma obrigatória. Caso a opção seja adotada, o adicional por periculosidade cai dos 30% – da CLT – para 5%, tendo como novo critério que a exposição ao perigo esteja presente em pelo menos 50% da jornada. Domingos e feriados A MP 905 elimina a diferença de trabalho aos domingos, permitindo o não pagamento da hora dobrada, desde

Bancos Bancários, exceto operadores de caixa, perdem a jornada de seis horas. As demais funções só recebem horas extras a partir da oitava hora de jornada. Alimentação O pagamento ao trabalhador a título de alimentação deixa de ter caráter salarial, não incidindo sobre o cálculo dos impostos trabalhistas. Terceira instância Na esfera administrativa – diferente da judicial – infrações relacionadas ao mundo do trabalho ganham

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Federação Interestadual dos Servidores Públicos Municipais e Estaduais

uma “terceira instância”, um conselho vinculado à Secretaria de Trabalho da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia. O modelo é similar ao da Receita Federal, que conta com o Carf, e que já sofreu críticas pela politização de suas decisões. Multas trabalhistas A Lei 8.177 de 1991 prevê que os débitos trabalhistas não cumpridos nas condições homologadas sejam acrescidos de juros de 1% ao mês. A MP fixa como critério de correção da dívida trabalhista não paga pelo executado os juros da poupança. A estimativa é que a MP 905, assim, reduza em 50% a taxa atualmente aplicada para atualizar dívidas trabalhistas, beneficiando os patrões. Profissões Corretor de seguros, radialista, publicitário, sociólogo, químico e artista são profissões que têm sua regulamentação eliminada pela MP. ANÚNCIO


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CIDADES

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20 de novembro: conheça a história do dia da Consciência Negra LUTA Celebrada desde os anos 1960 pelo Movimento Negro, data relembra a história de resistência contra a escravidão Vanessa Gonzaga

Reprodução

O

dia da Consciência Negra, 20 de novembro, marca a morte de Zumbi dos Palmares, um dos maiores lutadores contra a escravidão no Brasil. A data passou a ser celebrada pelo Movimento Negro a partir da década de 1960 como uma forma de valorização da comunidade negra e da sua contribuição para a história do país. Hoje, é oficializada pela lei federal nº 12.519/2011. Quem foi Zumbi A história conta que Zumbi nasceu livre em 1655, em Alagoas. Ainda pequeno, foi en-

tregue a um padre, quando aprendeu a falar português. Aos 15 anos decidiu voltar ao quilombo dos Palmares, governado pelo seu tio Ganga Zumba. O Quilombo dos Palmares ficava na região da Serra da Barriga, hoje território ala-

CAROLINA

DE JESUS

ABDIAS DO NASCIMENTO

DJAMILA RIBEIRO DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA

MARIELLE FRANCO

VIVA

SUELI CARNEIRO

de NovEMBRO/ 2019

goano, e é considerado por historiadores como o maior quilombo da América Latina, chegando a ter uma população de 20 mil habitantes de negros e negras que fugiram da escravidão, indígenas e pessoas consideradas “fora da lei”.

ZUMBI

A grandiosidade e prosperidade do Quilombo assustava os escravocratas. Por isso, na segunda metade do século XVII iniciaram expedições para atacar e destruir o local, mas todas sem sucesso. Para diminuir os ataques, em 1678 Ganga Zumba vai ao Recife para negociar com o então governador do estado, D. Pedro de Almeida. Logo após o acordo, Ganga Zumba é morto, sendo a principal suspeita da sua morte um envenenamento. A partir daí, seu sobrinho Zumbi passa a governar Palmares, numa época de muitos ataques e expedições financiadas pela Coroa.

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Em 1694, é feita a maior investida contra o Quilombo. Em meio ao combate, Zumbi é ferido, mas consegue fugir. Só em 1695, no dia 20 de novembro, Zumbi é entregue por um antigo companheiro, é morto e tem sua cabeça exposta no Pátio do Carmo, em Recife, para desmentir os rumores da época de que o líder de Palmares era imortal.

Leia o especial da Consciência Negra no site brasildefato.com.br ANÚNCIO


Nilmar Lage

ESPECIAL

Minas Gerais

MG

Belo Horizonte, novembro de 2019 • brasildefato.com.br • distribuição gratuita

Energia nova no Vale Conta de luz pode ficar mais cara no campo Usina fotovoltaica será pioneira em tecnologia Projeto envolve comunidades do Jequitinhona e do Rio Pardo Depoimentos de quem vive a novidade


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ESPECIAL

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Conta de luz das residências rurais pode aumentar quase R$ 500 nos próximos cinco anos ENERGIA Medida de Temer, mantida por Bolsonaro, acaba progressivamente com os descontos Divulgação/MME

BAIXA RENDA NA MIRA DO GOVERNO

Larissa Costa A conta de luz dos produtores da agricultura familiar pode aumentar quase R$ 500 nos próximos cinco anos, como demonstram estudos realizados pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). No início deste ano, entrou em vigor o decreto 9.642/2018 que acaba progressivamente com o subsídio na energia elétrica das residências rurais. Segundo o movimento, cerca de 4,46 milhões de famílias de agricultores serão prejudicadas e mais de R$ 2 bilhões serão acrescidos aos cofres das empresas do setor elétrico. Aline Ruas, integrante do MAB,

avalia que o fim do subsídio rural pode causar um problema grave, pois pode prejudicar a produção agrícola. “O corte pode levar à saída do povo do campo. Como as famílias vão garantir a produção de alimentos com a energia caríssima?”, questiona. Dados de 2017, da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead), apontam que a agricultura familiar é responsável por 70% do que se consome no país. História A estratégia de acabar com os subsídios para a população camponesa iniciou com o impeachment que derrubou a então presiden-

O Brasil de Fato circula semanalmente com edições regionais, em quatro estados. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais em nosso país e no nosso estado. Este especial é uma parceria do Brasil de Fato MG com o Projeto Veredas Sol e Lares.

ta Dilma Rousseff (PT). Após o golpe, para aumentar suas taxas de lucro, os empresários do setor elétrico entregaram uma pauta ao governo Temer cobrando o fim do subsídio rural e da tarifa social, aplicada a famílias de baixa renda. O desconto aos consumidores rurais está garantido por meio do decreto nº 7.891, de 23 de janeiro de 2013. A lei garantia descontos – que são os subsídios – nas tarifas enquadradas como “classe rural”. Essa categoria possui vários grupos de consumidores, que incluem residências rurais, serviço público de irrigação, cooperativa de eletrificação rural e serviço público de água, esgoto e saneamento. Os descontos finais na

conta de luz variavam entre 15% e 40%. A mudança que acaba com os descontos aconteceu por meio do decreto nº 9.642/2018, que foi assinado pelo golpista Michel Temer (PMDB). Logo no começo deste ano, o governo de Jair Bolsonaro (PSL) lançou um novo decreto, de nº 9.744/2019 mantendo a decisão.

Como as famílias vão garantir a produção de alimentos com a energia caríssima?”

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Apesar de não haver nenhuma medida que acabe com a tarifa social, Aline afirma que esse direito também pode ser retirado da população no próximo período. “Existe uma necessidade do campo e da cidade se unirem para garantir e entender que o acesso à energia é um direito, que a tarifa social se constituiu como um direito a partir das lutas do povo, assim como o subsídio rural”, afirma.

O QUE É A TARIFA SOCIAL A tarifa social de energia é um desconto para famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único ou pessoas que recebem o Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC) e varia de 10% a 65%.


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ESPECIAL

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“Projeto é uma conquista da luta dos atingidos e atingidas pelas barragens” UNIÃO Universidade, jovens do Vale do Jequitinhonha e movimento popular inovam na construção de desenvolvimento Nilmar Lage

Amélia Gomes

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econhecer o território, a partir do olhar de quem vive na região. Esse é o objetivo do diagnóstico que está sendo desenvolvido em conjunto por moradores/pesquisadores de 77 comunidades das microrregiões de Baixo Jequitinhonha, Araçuaí, Chapada do Norte, Rio Pardo e Grão Mogol e pesquisadores do projeto Veredas Sol e Lares. Nesta entrevista, Aline Weber, Elisiane Jahn e Natália Faria de Moura, da coordenação da pesquisa social, explicam o que já descobriram até aqui e dão detalhes sobre a metodologia. Como a pesquisa tem envolvido as pessoas? Os jovens envolvidos no projeto estão se construindo para se tornarem pesquisadores populares, num bonito e desafiador processo que envolve estudo, qualificação técnica, pesquisa, escrita, análise da realidade e a participação em eventos científicos, com publicação de trabalhos e artigos. Relatos indicam que o principal aprendizado até agora, para os jovens, foi ver a realidade em que estão inseridos com outro olhar e perceber os problemas que vivenciam de outra forma. Qual a realidade encontrada neste um ano de pesquisa? A pesquisa social nesses territórios tem como premissa ser feita de dentro desse contexto, com pesquisadores dos próprios municípios ou comunidades, como protagonistas no processo de estudar e conhecer a realidade

Nilmar Lage

vivida. Em relação aos problemas, identificou-se um agravamento na situação da falta de água, principalmente para consumo humano, em comunidades urbanas e rurais. Outro problema foi a baixa qualidade de energia elétrica, que às vezes é insuficiente para atender à demanda doméstica ou produtiva das unidades consumidoras e outras vezes passa por cobranças indevidas na conta de luz. Estas questões têm relações com o processo histórico de ocupação da região e do papel margi-

Há um agravamento na falta de água, principalmente para consumo humano, em comunidades urbanas e rurais

gligenciadas, e outros. Além da mineração, outros grandes projetos que ameaçam a região são a monocultura de eucalipto e bananal (que secam as nascentes e rios) e as barragens de água e rejeitos (que impactam de forma direta as pessoas que residem próximas das áreas de construção). Outra questão é a limitação das políticas públicas em atender à especificidade da realidade das comunidades.

nal atribuído aos povos e comunidades, muitas delas tradicionais.

Existe algum projeto parecido no Brasil? Por envolver um conjunto de ações e de atores, o projeto pode ser compreendido como uma proposta inovadora de pesquisa e desenvolvimento tecnológico (P&D), no âmbito da produção energética, por meio de uma proposta de trabalho de caráter popular. Ao mesmo tempo, insere-se como perspectiva inédita de cooperação. Essa parceria só foi possível porque o projeto é uma conquista da luta dos atingidos e atingidas pelas barragens de Minas Gerais e vem sendo acompanhada pelo seu principal interlocutor, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

Além da água, o que mais vocês perceberam como problema? Outra realidade grave é a expropriação, com um “encurralamento” das comunidades e famílias em pequenas áreas, para implantação de grandes projetos de mineração. Percebemos o desrespeito às comunidades, aos ritos legais como consultas prévias a comunidades tradicionais, promessas nunca cumpridas, informações ne-

Quais os principais desafios que vocês enxergam neste momento do projeto? O desafio que se coloca, para o próximo período, além da produção de dados e da construção dos modelos de negócios e novos marcos regulatórios, é que além de energia - objeto central da ação -, esse projeto produza água (necessidade concreta da região), organização das famílias e comunidades,

Mineração, barragens, monocultura de eucalipto e de bananal impactam a região

para a resistência e permanência, com reprodução da cultura e valores dos povos camponeses e tradicionais.

O principal aprendizado até agora é perceber que os jovens estão vendo sua realidade com outro olhar

O QUE É O PROJETO

O projeto de pesquisa e desenvolvimento Veredas Sol e Lares tem como objetivo a instalação de uma usina híbrida – que usa duas formas diferentes para gerar energia – em Grão Mogol, no Vale do Jequitinhonha. Na Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Santa Marta, será construída uma usina de geração fotovoltaica, conhecida popularmente como placa de energia solar. O Veredas atua em comunidades de 21 municípios do Vale do Jequitinhonha e do Vale do Rio Pardo desde 2018. Até hoje, foram realizadas 184 atividades, com o envolvimento de mais de 2700 pessoas. Pelos próximos dois anos, as ações continuarão mobilizando e buscando a participação popular no debate sobre acesso à energia e desenvolvimento regional.


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Belo Horizonte, 22 a 28 de novembro de 2019

Veredas proporciona inovação técnica, social e ambiental na geração e distribuição de energia SEMIÁRIDO Uma das novidades é a instalação de sistema fotovoltaico sobre a água de reservatório Nilmar Lage

ATÉ HOJE, O QUE VOCÊ APRENDEU COM O PROJETO? “A minha comunidade faz parte do projeto Veredas, que vem esclarecendo todas as nossas dúvidas em relação ao direito à energia. Tivemos conhecimento do desconto da tarifa quilombola, que a gente não sabia que existia. A gente vinha pagando um valor exorbitante nas contas de energia elétrica. Hoje, já começamos a ver a diferença a cada mês no valor a ser pago e logo teremos acesso a uma energia bem mais barata, porque energia também é um direito” Rosana Santos,

DA COMUNIDADE QUILOM-

BOLA BAÚ, LOCALIZADA EM ARAÇUAÍ, NO VALE DO JEQUITINHONHA.

Wallace Oliveira

U

m dos principais focos do projeto Veredas é a instalação de um sistema com módulos fotovoltaicos sobre uma estrutura que vai flutuar na água do reservatório da Hidrelétrica de Santa Marta, em Grão Mogol, no Norte de Minas. Nessa estrutura de placas sobre o espelho d’água, a usinar vai gerar energia elétrica a partir de energia solar, conduzir a energia elétrica para uma estrutura de potência em terra firme, transformá-la e conectá-la a uma rede de distribuição da Cemig para atender a 1250 famílias atingidas por barragens, em 21 municípios do semiárido mineiro. O lugar foi escolhido, entre outros motivos, por contar com uma estrutura de baixa potência já construída, com valor depreciado e já amortizado. “A ideia é utilizar a própria estrutu-

ra da Usina de Santa Marta, que está ociosa, reduzindo o custo da energia produzida. Onde já temos 2 mil quilowatts instalados, vamos colocar facilmente, no espelho d’água, mais de 5 mega”, explica Dênio Alves Cassini, mestre em engenharia mecânica com foco em sistemas fotovoltaicos. Luiz Henrique Shikasho, coordenador de projetos da Aedas – Associação Estadual de Defesa Ambiental, também aponta como vantagem o posicionamento favorável do semiárido quanto à irradiação solar. “É uma região inserida de maneira favorável no mapa que mede os pontos para geração de energia solar. Isso pode servir como um indutor de desenvolvimento do Vale do Jequitinhonha”, acrescenta. Inovações O projeto traz algumas inovações tecnológicas e ambientais. O engenhei-

ro Dennio Cassini destaca a criação de um tipo de software exclusivo para gerir e operar uma usina solar fotovoltaica. Outra inovação é o envolvimento dos usuários da energia na gestão eficiente do processo. “Serão capacitados alguns usuários como multiplicadores. Na medida em que se economiza, é possível trazer mais pessoas para o projeto sem ter que alterar a capacidade da usina”, destaca. O engenheiro elétrico Leonardo Perera, gerente da Creral - Cooperativa de Geração de Energia e Desenvolvimento, elenca ganhos do ponto de vista ambiental. “Os módulos fotovoltaicos não utilizam área de solo, que pode servir para lavoura e gado e também eliminam a necessidade de corte de vegetação. Outro beneficio é a redução na evaporação da água de lagos e reservatórios”, pontua.

“Até o momento, o projeto trouxe informações sobre o consumo de energia e como buscar o direito de uma energia mais barata. Nas reuniões, nos ensinam a fazer leitura das tarifas que estamos pagando e orientam sobre como buscar nossos direitos. Com o projeto Veredas concluído, vai ter uma grande mudança na minha vida, com uma energia com menor custo, uma energia limpa. E ajuda também a comunidade, porque está sendo construído com a participação do povo, assim podemos nos sentir donos do projeto. Esse pode ser um modelo para a região” Lucas Alves, MORADOR DA COMUNIDADE TESOURAS, LOCALIZADA EM ARAÇUAÍ

“Sabemos que a energia é fundamental para o nosso desenvolvimento econômico e social. Mas o simples consumo de energia elétrica nos impossibilita de ter essa melhoria pelo alto preço das taxas e a péssima qualidade que chega até nossas casas. O Veredas é um projeto inovador, que nos permite apropriar desse conhecimento com os pesquisadores na nossa comunidade e nos traz uma esperança de energia de qualidade e baixo custo. Nós, atingidos por barragens, vamos ter a oportunidade de nos desenvolver, com o uso da energia para produzir alimentos sem agrotóxicos e sem medo da conta de luz no fim do mês” Andrea Santana,

MORADORA DA COMUNI-

DADE MUSELO, EM INDAIABIRA


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“A cultura é o que diz quem somos e para que viemos” DRAMATURGIA Teuda Bara, atriz do Grupo Galpão, comenta o momento atual no Brasil Wallace Oliveira / Brasil de Fato MG

Wallace Oliveira

A

os 78 anos de idade, raramente uma pessoa irradia tanta potência quanto a atriz mineira Teuda Bara. Trombonista, ex-professora primária, estudante de Ciências Sociais na década de 60, mãe, livre, artista. Com mais de 50 anos de carreira, coleciona dezenas de personagens, enredos e passagens pelo cinema, TV, circo e, principalmente, teatro, onde, até hoje, vai tecendo a história da dramaturgia brasileira. Nos anos 80, ajudou a fundar o mundialmente reconhecido Grupo Galpão, do qual ainda faz parte. Em breve, a atriz volta aos palcos de BH com dois de seus mais recentes trabalhos: “Doida”, peça que ela encenou ao lado de seu filho, e “Luta”, inspirada no conteúdo do livro “Comunista demais para ser chacrete”, biografia escrita pelo jornalista João Santos. Brasil de Fato – Cobriram com tinta preta um mural que o grupo Minas de Minas pintou na rua Guaicurus, em homenagem a você. Esse episódio pode ser tomado como símbolo do momento careta que estamos vivendo? Teuda Bara- Eu só fiquei sabendo quando o mural estava pronto. Elas estavam botando as últimas estrelinhas. Eu fiquei muito feliz. Sentamos lá, tomamos cerveja. O povo parava pra ver, olhava pra mim, olhava pro mural, ficava rindo. Esse moço, sei lá o que ele achou. Ele chegou lá e falou: “não estou ganhando nada com isso, esse prédio é meu”. Foi lá e pintou tudo de preto. Eu fiquei irada, acho que há uma

“Eu preocupada porque o meu Cruzeiro vai cair para a Segunda, mas a Cultura já caiu para a quinta!” para o espetáculo “KÀ”, do Cirque du Soleil.

grande ignorância, essa coisa do dinheiro, que às vezes vale mais que a vida humana. Pois, se vemos a Vale fa-

Na época da fundação do Grupo Galpão, fomos pra rua pedir dinheiro, pedir eleições diretas, de perna de pau” zer conta se vale mais a pena conter a barragem ou pagar indenizações, então, passa batido. É um símbolo dessa época horrorosa. A maioria das notícias sobre você fazem referência ao Grupo Galpão, que você ajudou a fundar, e ao Cirque du Soléil. Como foi atuar nesses dois grupos? Bom, sobre o Galpão, você

pode imaginar o que é começar um grupo de teatro sem patrocínio, sem dinheiro, sem nada, em plena ditadura. Fomos pra rua pedir dinheiro, pedir eleições diretas, de perna de pau. Não tínhamos onde ensaiar, ensaiávamos em salas de DA, em escolas. Aquela dificuldade e a gente fazendo... Um belo dia, já em outro momento, fomos apresentar “Romeu e Julieta” em Londres. Lá o diretor Robert Lepage me convidou

E como foi atuar no circo? Muito diferente do Galpão. Eu morava em um apartamentozinho. Quando ia ensaiar, atravessava a rua e dava com três galpões imensos onde eles ensaiavam. Tinha hora pra tudo, nutricionista, aula de fisioterapia, pilates, preparação física, musculação, aula de inglês e não sei o que mais... Havia desafios que eu ainda não tinha ultrapassado. Era uma trupe de circo com um espetáculo construído em um prédio com cinco palcos, um em cima do outro. Eu fazia uma cena lá em cima, amarrada a uma cordinha grossa como um cadarço de sapato. Eu subia pela mão e quase morria.

Conta pra gente um pouco sobre o espetáculo “Luta”? O nome é porque estamos em um momento de muita luta. A censura está aí. Acabar com o Ministério da Cultura é uma afronta. E eu preocupada porque o meu Cruzeiro vai cair para a Segunda, mas a Cultura já caiu para a quinta! Começou uma caça às bruxas. Demonizaram a Lei Rouanet. Eu também acho que há erros nessa lei, mas ela não é culpada pela corrupção no país. A cultura é ótima, ela é que nos identifica, é o que vai ficar, é o que diz quem somos e para que viemos. Para que demonizar isso? A cultura é uma fonte de emprego imensa, gera uma quantidade enorme de empregos diretos e indiretos. E como o setor pode contribuir para enfrentar esse momento político do país? Falando a verdade, dançando, cantando, abrindo toda oportunidade que tiver de se falar, representar, de se fazer com poesia. ANÚNCIO

tas equipes, combinado com a crise política no Catar. As fronteiros do país com alguns países no Oriente Médio, como a Arábia Saudita, estão fechadas. A entidade chegou a cogitar dividir algumas partidas com vizinhos do Catar.


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BRASIL

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Nacionalização de gás e interesse no lítio estão por trás do golpe na Bolívia BOLÍVIA Evo Morales parte para asilo no México: “Em breve voltarei com mais força e energia” Ronaldo Schemidt

População reage Os conflitos começaram quando Morales venceu as eleições em primeiro turno. A oposição, liderada pelo ex-presidente Carlos Mesa (Comunidade Cidadã), que foi derrotado por pouco mais de dez pontos percentuais, não aceitou o resultado e incitou parte da população a ir às ruas. As manifestações se intensificaram desde o dia 12 de dezembro, quando Morales deixou o país em direção

ao México, onde está exilado. Os eleitores dele, principalmente indígenas, pedem seu retorno à presidência e exigem a renúncia do governo autoproclamado de Jeanine Áñez. A violência e repressão policial instituídas por Áñez, resultaram em 24 mortos, mais de 715 feridos e 50 detidos. Os dados foram divulgados tanto pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), quanto pela Defensoria do Povo da Bolívia.

Nossos direitos Da redação O presidente deposto pelo golpe cívico-militar na Bolívia, Evo Morales, divulgou na semana passada mensagem de despedida do povo boliviano, momentos antes de partir para o México. “Irmãs e irmãos, parto rumo ao México, agradecido ao governo desse povo irmão que nos concedeu asilo para proteger nossas vidas. Dói sair do país por razões políticas, mas sempre estarei à disposição. Em breve, voltarei com mais força e energia”, afirmou o ex-presidente nas redes sociais. O presidente do México, López Obrador, concedeu asilo a Evo Morales, por razões humanitárias, informou o secretário de Relações Exteriores.

Por trás do golpe As razões que motivam o golpe na Bolívia são também econômicas. A nacionalização do gás e todo o desenvolvimento que foi criado a partir dessa fonte energética incomoda as elites que se contrapõem a Evo Morales. A pobreza diminuiu substancialmente durante as três gestões de Morales. Ele recebeu o país com 60% de pobres e baixou esse índice para 34%. A Bolívia é também atualmente um dos grandes poderes em lítio no mundo. O lítio é a matéria-prima das baterias e, portanto, um insumo estratégico para o desenvolvimento da mobilidade com veículos elétricos. Estima-se que uma sexta parte das reservas mundiais de lítio estejam na Bolívia.

ESTOU GRÁVIDA. POSSO PEDIR PENSÃO DURANTE A GESTAÇÃO? A maioria das mulheres conhecem o direito de requerer a pensão alimentícia para a criança após o nascimento, porém, muitas não sabem que existe a possibilidade de se pedir alimentos durante a gestação. A Lei 11.804/2008 criou os alimentos gravídicos, com o objetivo de amparar a mulher com as despesas relacionadas à gestação, tais como alimentação especial, assistência médica e psicológica, exames, internações, medicamentos e prescrições preventivas/terapêu-

ticas, além de demandas tais como o enxoval do bebê. Para requerer, é necessário demonstrar indícios sobre a paternidade, como fotos com o pai, cartões, cartas, etc. Após o nascimento da criança, os alimentos gravídicos são convertidos em pensão alimentícia, podendo haver a revisão do direito se necessário. A Defensoria Pública pode ser acionada para ajuizar a ação de alimentos gravídicos se você não puder contratar um advogado/a particular.

Jonathan Hassen é advogado popular

VIVAS NOS QUEREMOS! 25 de novembro é marcado como o dia internacional de combate à violência contra as mulheres. A data foi escolhida em 1981 no I Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe, em homenagem às irmãs Mirabal, vítimas do feminicídio e da ditadura da República Dominicana nos anos 1960. Em Belo Horizonte, o festival “Vivas nos queremos” denuncia o aumento recorde de violência contra as mulheres no estado e critica o governo Bolsonaro, que estimula o ódio, o preconceito e defende a liberação de armas. Com música e arte as mulheres dizem “ele não” e lutam por justiça, dignidade e direitos. O evento é gratuito, das 10h às 20h, no Armazém do Campo, na Av. Augusto de Lima, 2136, no Barro Preto.


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Dicas Mastigadas DOCINHO DE COCO

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Ingredientes • 1 xícara de água quente • 3/4 de xícara de aveia em flocos • 1/2 xícara de açúcar demerara (o mascavo e o melado deixariam a massa muito escura) • 1/2 xícara de coco ralado fresco ou comprado a granel sem açúcar.

Modo de Preparo 1. Bata todos os ingredientes no liquidificador. É importante bater bem, não pode ficar nenhum pedaço da aveia. 2. Logo em seguida, jogue tudo em uma panela e mexa por 2 ou 3 minutos, até formar a consistência firme de um beijinho tradicional. 3. Leve para geladeira por 1 hora, depois faça as bolinhas e passe no coco ralado.

Participe enviando sugestões para redacaomg@brasildefato.com.br.

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roteiro MIL VOZES POR LULA

GRAFFITI DELAS Corina Moreira / Minas de Minas

Para comemorar a vitória parcial, demonstrar unidade e solidariedade ao ex-presidente Lula, o coral “Mil vozes por Lula livre” convida para um novo encontro. Será no domingo (24) às 10h, na Praça Afonso Arinos, no Centro de Belo Horizonte. O evento é organizado pelo coletivo Alvorada e terá a presença do trompetista Fabiano Leitão e do maestro Hudson Brasil. Após a apresentação do coral, haverá um samba na Casa do Jornalista, na Avenida Álvares Cabral, 400. A entrada é gratuita.

A 4ª edição do Encontro DELAS - Mulheres no graffiti, idealizado pela crew Minas de Minas, acontece nos dias 23 e 24 de novembro, em Contagem. O evento, que desta vez será nacional, conta com a presença de 30 artistas de diversas regiões do Brasil. No dia 23, das 9h às 18h, acontece uma oficina de graffiti, ministrada por Prisca Paes, para os alunos da Escola Estadual Helena Guerra. As atividades são gratuitas e mais informações estão na página facebook.com/ minasdeminas.

FORUMDOC. BH.2019 Denilson Baniwa

Começa na sexta (22), às 19h30, em Belo Horizonte, o forumdoc.bh.2019, o Festival do Filme Documentário e Etnográfico - Fórum de Antropologia e Cinema. A programação, que é extensa, segue até o dia 1 de dezembro e conta com exibições, debates, seminários e mostras especiais. A lista completa das atividades pode ser conferida em www.forumdoc.org.br. As entradas são gratuitas e o local é o Cine Humberto Mauro, na Avenida Afonso Pena, 1537, no Centro.

“A ampliação da creche foi ótima pras crianças. Minha filha fica segura em horário integral e eu posso trabalhar tranquila.” Luciana Aparecida e sua filha Laura.

Onde tem ação dos deputados, tem gente vivendo melhor. Com as emendas parlamentares, os deputados destinam recursos para resolver problemas das comunidades mineiras, como a necessidade de ampliação da creche no CEMEI Professora Maria José de Padua Ducca.

FAN ACONTECE EM BH ATÉ DOMINGO (24) O Festival de Arte Negra (FAN) de Belo Horizonte tem o objetivo de ser um quilombo urbano, com muita troca de saberes. O evento ocorre até 24 de novembro, em mais de 20 espaços da capital mineira. São oficinas, aulas públicas, seminários, exposi-

ções, minicurso e um grande show com artistas de peso. Tudo com entrada gratuita e com a sugestão de que é necessário descolonizar nossos olhares para que possamos ver um mundo mais nosso, e muito rico. Como parte da programação, Chico César lança seu mais recente dis-

co, “O amor é um ato revolucionário”, e Bnegão estreia em terras mineiras a apresentação das canções praieiras de Caymmi, que falam do mar e dos seus 1001 mistérios. A programação conta com mais de 100 atrações e pode ser acessada em www. fan.pbh.gov.br.

Isso é Minas demais.

Saiba mais almg.gov.br/emendas


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ESPORTE

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Há 25 anos, Programa Superar oferece aulas esportivas para pessoas com deficiência ACESSIBILIDADE 16 modalidades são ofertadas gratuitamente para quase mil alunos Amélia Gomes / Brasil de Fato MG

Amélia Gomes

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udô, patinação, atletismo, bocha, dança, futsal, goalball, rúgbi em cadeira de rodas, voleibol sentado e parataekwondo são algumas das 16 modalidades esportivas ofertadas pelo Programa Superar, organizado pela Prefeitura de Belo Horizonte. O projeto surgiu em 1994 e atualmente, atende a cerca de 950 alunos de diversas regiões da capital. São pessoas com deficiência física, visual, intelectual, auditiva, múltipla e autismo. Nas aulas, profissionais da educação física e estagiá-

rios especializados fazem o acompanhamento diário dos alunos. Ana Paula Rodrigues dos Santos, que há seis anos acompanha o filho nas aulas de natação e judô, afirma

que, se o Programa não existisse, não teria condições de arcar com o custo das aulas, que foram uma recomendação médica. “Aqui, todo mundo é igual, não tem dis-

criminação. Além das aulas, meu filho fez vários amigos também”, declara. Referência Os atletas do Superar são destaque nacional e detêm coleção de medalhas. O time de Bocha Paralímpica venceu recentemente um campeonato nacional. Já a equipe do Rúgby em cadeira de rodas é tetracampeã brasileira na competição. Outro destaque do programa é a Corrida Rústica, evento que, este ano, realizou sua 22ª edição. Diversas associações do interior vêm para o evento, que já é marco no calendário da

cidade. A última edição contou com mais de 700 participantes. “A gente mostra que a pessoa com deficiência também é um cidadão e dá sim conta de fazer muitas coisas. É um evento muito importante para a gente”, exalta Lucas Sampaio, analista de políticas públicas do Superar. Como participar? Para ingressar no programa é preciso ter mais de 6 anos de idade e apresentar laudo de deficiência. Informações pelo email superar@ pbh.gov.br ou pelos telefones 3277- 4546 e 7681.

Orgulho Leopoldinense! Os alunos da Escola Estadual Luiz Salgado Lima são finalistas do Prêmio Nacional de Educação Fiscal 2019. O projeto da escola foi selecionado entre 331 trabalhos de todo o país e está entre os 10 melhores.

Estamos na torcida!

AFFEMG

Saiba mais em www.premioeducacaofiscal.org.br

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PAPO

Wikimedia Commons

ESPORTIVO

Os dois melhores do continente

Fabrício Farias Salve, galera! Sábado (23), temos a primeira final da Libertadores em jogo único e campo neutro, uma tentativa da Conmebol de colocar um “envelope” moderno na mais tradicional competição de futebol do continente. Para sorte da entidade que comanda o esporte bretão por essas bandas, teremos em campo os dois melhores times do continente em 2019: River Plate e Flamengo.

Em sua terceira final de Liberta nos últimos cinco anos, o River chega a mais uma decisão amparado em um projeto vencedor, está fundado na figura de Marcelo Gallardo, ídolo do clube que possui amplos poderes sobre todo o departamento de futebol. O “muñeco” Gallardo é muito mais que um técnico para o clube portenho. Sua filosofia inclui o desejo de, em breve, colocar em campo 11 jogadores formados no próprio River Plate. Não à toa, o clube tem buscado talentos continente afora,

Para coroar a superação

ESPORTES

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DECLARAÇÃO DA SEMANA Ponte Press / Luiz Guilherme Martins

contando, inclusive, com dois brasileiros em sua base. Já o Flamengo do “mister” Jesus colhe os frutos em campo de um projeto de saneamento financeiro iniciado em gestões passadas. Ainda que Jesus tenha sido contratado sem que os dirigentes rubro-negros soubessem exatamente o que esperar, é inegável que o técnico português alçou o futebol jogado pelo time a um patamar similar ao que é jogado nas principais ligas do mundo. A final deste ano da Libertadores deixa claro que a “modernidade” tão desejada para o futebol sul-americano deve ir muito além de medidas de fachada, como jogo único e campo neutro. Organização e planejamento podem trazer muitos reflexos para dentro das quatro linhas. Até a próxima!

Hoje, estou tendo a felicidade de assumir a presidência da Ponte Preta, no mês da Consciência Negra, e isso aumenta minha responsabilidade”

Museu de grandes novidades

Sebastião Arcanjo, primeiro presidente negro da história da Ponte Preta, em 119 anos de existência do clube. Ele também é o único presidente negro entre os 40 clubes das séries A e B do futebol brasileiro.

Ainda há tempo

Bráulio Siffert

Rogério Hilário

Izabela Xavier

O espírito aguerrido, competitivo e eficiente que o América apresentou desde a chegada do técnico Felipe Conceição fez o time chegar às duas rodadas finais como um dos quatro concorrentes às vagas que restam para o acesso à Série A. Se o América Decacampeão vencer os dois jogos restantes, bastará que Atlético goianiense e Coritiba não vençam seus dois compromissos. Seria a coroação de uma campanha histórica, que é fruto de vários fatores individuais e coletivos. Mas há um atleta que personifica essa persistência: o volante Juninho, que jogou todas as partidas, fez quatro gols e, em todos os jogos, corre o tempo inteiro, protege a zaga e sempre aparece como elemento surpresa para finalizar.

O Galo se salvou neste mês com a decisão da diretoria sobre o ato racista de dois torcedores no clássico no Mineirão e por usar o uniforme todo preto contra o Fluminense, em homenagem ao Mês da Consciência Negra. Tem, contra o Athletico-PR, domingo (24), a chance de Galo doido! melhorar seuÉdesempenho sofrível no Brasileirão. Não busca nada na parte de cima da tabela e ainda não saiu do grupo de risco. O noticiário é tão tedioso que uma possível transferência de Guga ou o aproveitamento de Victor se tornaram destaques. Nem mesmo do estádio falam mais – será que tem novidade? Pararam de invocar até com o Cazares. O desânimo, ao que parece, é geral. Coisa de praxe. Um museu de grandes novidades.

A cinco rodadas do fim do Campeonato Brasileiro, a angústia do torcedor cruzeirense parece não ter fim, após mais um revés, dessa vez contra o Avaí. São 15 empates dolorosos que revelam uma equipe que, ao contrário daLa queBestia escapouNegra do rebaixamento em 2011, não esboça qualquer reação para honrar a tradição azul. Apesar de o time ser recheado por medalhões, quem veste a camisa são os jovens da base: a dupla de zaga formada por Cacá e Fabrício Bruno, Éderson, Maurício. Popó também pede passagem. A camisa do Cruzeiro realmente não é para qualquer um. Que aqueles que se entregam com verdade possam defender nossas cores em campo, pois ainda há esperança de que se salve o ano celeste.

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