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Lições de Elke

Dicas para se livrar da candidíase

Entre um cigarro e outro, Elke, exuberante, ensina ao nosso escritor sobre respeito

Coluna “Fique Bem” traz receitinhas naturais para acabar com esse incômodo

CULTURA 14

VARIEDADES 13

MG Minas Gerais

Belo Horizonte, 11 a 17 de outubro de 2019 • edição 302 • brasildefato.com.br • distribuição gratuita Rodrigo Buendia /AFP

EQUADOR REAGE

Frente ao aumento do preço dos combustíveis em mais de 100% e outras medidas de retiradas de direitos tomadas pelo presidente Lenín Moreno, população sai às ruas, enfrenta repressão e pede mudanças na política I MUNDO 10 Karoline Barreto /CMBH

Agressões na Câmara de Vereadores em BH

Renato Cobucci /Imprensa MG

Zema não quer gerenciar hospitais

Professores e vereadores foram agredidos durante debate do Projeto de Lei Escola Sem Partido

Governador admite intenção de passar unidades da Fhemig para iniciativa privada

CIDADES 4

MINAS 6


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OPINIÃO

Belo Horizonte, 11 a 17 de outubro de 2019

Claro que é possível

Laerte /Memorial da democracia

ESPAÇO DOS LEITORES “Vamos sintonizar!” Escreveu a equipe do Sindicato dos Eletricitários-SindieletroMG sobre a novidade do Brasil de Fato MG. A partir desta semana, o programa de rádio será ao vivo, todas as quartas e sextas, na Rádio Autentica Favela Fm 106,7 Fm. “Notícia boa demais!” Comentou Cássia Braga sobre a notícia “BH recebe ‘UPA’ para animais em outubro”. “Senti-me mais forte ao final do filme! Adorei!” Sônia Portela sobre a crônica do filme Bacurau, no texto “Silvero Pereira: “Bacurau é para mim o Brasil de verdade”. “Amei o texto do Conselho Tutelar” Mandou por mensagem Leonardo Koury

Conhecer a própria história é poderoso e tem efeitos profundos. Individualmente, podemos nos livrar de traumas, amarras, medos e fobias ao entender as origens de determinados pensamentos, sentimentos, comportamentos. Conhecer as próprias limitações e possibilidades permite que sejamos mais inteiros, mais leves, que a vida seja mais simples e alegre. Coletivamente, o efeito do conhecimento da história pode mudar absolutamente tudo. Algumas estruturas sociais se mantêm porque coletivamente não nos perguntamos, simplesmente, se elas poderiam ser diferentes. Talvez seja por isso que os estratos dominantes da sociedade tenham tanto medo de debates abertos, de universidades livres, de escolas sem mordaça, de pensamento crítico, de arte e cultura, de investir no conhecimento. A censura – conforme explica o colunista João Paulo Cunha em

Há os que censuram e os que resistem seu artigo – já é prática corrente no país sob Bolsonaro. A matéria sobre a violência na votação do projeto de nome irônico (Escola “sem” partido, quando na verdade é o projeto da escola do pensamento único) demonstra como há a tentativa de controle do pensamento e como há – sempre – os que resistem. Apesar das muitas más notícias, como a nova onda de fake news sobre a culpada pelo vazamento de pe-

tróleo na costa brasileira ser – claro, como não? – a Venezuela, e o leilão das nossas reservas de pré-sal, esta edição que você tem em mãos também anuncia caminhos de esperança, de sinais concretos que tudo pode sim ser muito diferente.

Coragem já temos, precisamos nos juntar Ousar fazer Há exatos 20 anos, uma grande marcha percorreu escolas, ruas e sindicatos para conversar com o povo, para saber como pensava e o que queria a população brasileira. Não para fins eleitorais, mas para formular e construir o que seria um projeto para o país. O contexto era de neoliberalismo e a resposta foi apontar para o futuro, para a organização popular capaz de construí-lo. Agora mesmo, no vizinho Equador, a população reage contra o projeto do presidente-traidor Lenín Moreno, que aumenta os preços de tudo para agradar ao FMI. Indígenas se somaram ao grande protesto e o país vai precisar se reinventar, incluindo o povo nas decisões. Em Portugal, a esquerda venceu. Em Roma, o papa defende os indígenas e a Amazônia. E a Elke Maravilha nos ensina, como conta o cronista Z Carota, que coragem para enfrentar o dia a dia nós temos de sobra. Vamos conversar mais, juntar forças, nos apropriar da nossa história e não vai ter golpista ignorante e mentiroso que segure essa maré.

Escreva pra gente também: redacaomg@brasildefato.com.br ou em facebook.com/brasildefatomg O jornal Brasil de Fato circula com edições regionais na Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais em nosso país e no nosso estado.

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conselho editorial minas gerais: Aruanã Leonne, Beatriz Cerqueira, Bernadete Esperança, Bruno Abreu Gomes, Ênio Bohnenberger, Frederico Santana Rick, Helberth Ávila de Souza, Jairo Nogueira Filho, Joana Tavares, João Paulo Cunha, Joceli Andrioli, Jô Moraes, José Guilherme Castro, José Luiz Quadros, Juarez Guimarães, Laísa Campos, Marcelo Almeida, Makota Celinha, Maria Júlia Gomes de Andrade, Milton Bicalho, Neila Batista, Nilmário Miranda, Padre Henrique Moura, Padre João, Pereira da Viola, Renan Santos, Rogério Correia, Rosângela Gomes da Costa, Robson Sávio, Samuel da Silva, Talles Lopes, Titane, Valquíria Assis, Wagner Xavier. Editora: Joana Tavares (Mtb 10140/MG). Redação: Amélia Gomes, Larissa Costa, Rafaella Dotta, Raíssa Lopes e Wallace Oliveira. Colaboradores: Anna Carolina Azevedo, André Fidusi, Bráulio Siffert, Diego Silveira, Fabrício Farias, Izabela Xavier, João Paulo Cunha, Jonathan Hassen, Jordânia Souza, Pedro Rafael Vilela, Renan Santos, Rogério Hilário e Sofia Barbosa. Revisão: Luciana Gonçalves. Administração e distribuição: Paulo Antônio Romano de Mello e Vinícius Moreno Nolasco. Diagramação: Tiago de Macedo Rodrigues. Tiragem: 40 mil exemplares. Razão social: Associação Henfil Educação e Comunicação


? PERGUNTA DA SEMANA

12 de outubro é dia das crianças, de Nossa Senhora da Aparecida e feriado nacional. Esse é um dos quatro feriados do ano que caíram em pleno fim de semana, junto com 21 de abril, o 7 de setembro e o 2 de novembro que ainda vem por aí. Outras datas também caíram na quarta ou quinta-feira e foram um balde de água fria para quem gosta dos feriados prolongados. E vamos combinar que 2019 não está fácil de aguentar! Por isso o Brasil de Fato saiu às ruas para perguntar:

O que você acha dos feriados que caem em um fim de semana?

Para quem trabalha no fimde semana não existe feriado. A gente tem que ir do mesmo jeito, independente do feriado. Então eu acho uma sacanagem!

Jeferson Rodrigues, tatuador

Atrapalha muito o transporte, porque eles pensam que, como é feriado, podem reduzir os horários dos ônibus e não é bem assim. Muitas pessoas trabalham no fim de semana. A gente tem que sair mais cedo de casa e acaba chegando ainda mais tarde.

Cristiana Carolina, operadora de telemarketing

Belo Horizonte, 11 a 17 de outubro de 2019

GERAL

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Número da Semana

18%

é a parte do orçamento das famílias brasileiras destinada para gastos com transporte. Pela primeira vez no país, esse valor supera o das despesas com alimentação, que é 17,5%. Habitação ainda lidera, com 36,6%. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), coletados no período de 2018 e 2019

Imunidade lá em cima! Marco Aurélio Prates

Você anda sentindo um cansaço excessivo, mais estresse que o normal, o cabelo está caindo ou as unhas estão fracas? Pode ser que sua imunidade esteja baixa e que seu corpo esteja dizendo que é hora de mudar alguns hábitos. A boa notícia é que existem alguns alimentos poderosos que são capazes de ajudar a aumentar ou manter a imunidade equili-

brada. Frutas cítricas, como laranja, limão e acerola, possuem alto teor de vitamina C e são muito benéficas para o sistema imunológico. Vegetais verde-escuros, como couve e espinafre, são ricos em diversos minerais e vitaminas. Além disso, açafrão da terra, cúrcuma, alho e gengibre são ótimos aliados contra as bactérias causadoras de doenças. Rovena Rosa / Agência Brasil

Declaração da Semana “Estamos reunidos aqui em torno da liberdade de expressão. Ninguém ou sistema nenhum vai nos calar” Disse a atriz Fernanda Montenegro ao lado do diretor do Teatro Oficina Zé Celso. Há duas semanas, ela foi atacada pelo diretor indicado por Bolsonaro, que disse que a dama do teatro brasileiro, indicada ao Oscar por “Central do Brasil”, era “sórdida” e que ele tinha “desprezo” por ela


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CIDADES

Belo Horizonte, 11 a 17 de outubro de 2019

Votação do “Escola Sem Partido” provoca agressões na Câmara de Vereadores de BH

ANÚNCIO

COMISSÃO PRÓFUNDAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO DA REFORMA AGRÁRIA DA REGIÃO METROPOLITANA DE BELO HORIZONTE EDITAL DE CONVOCAÇÃO

CENSURA Cidadãos foram retirados da galeria e hoje (10) seguem proibidos de acompanhar debate sobre o Projeto de Lei

Convoca-se todos os interessados

Karoline Barreto /CMBH

de 2019, às 14:00 horas, Área

Assembleia de sua Constituição, a realizar-se em: 10 de novembro Comunitária do Assentamento Ho

Rafaella Dotta

Chi Minh, localizado na Estrada

N

a noite de quarta (9), pessoas que não concordam com o projeto Escola Sem Partido foram agredidas durante um debate da Câmara Municipal de Vereadores de Belo Horizonte (MG). Vídeos mostram seguranças da Câmara agredindo e até arrastando professoras e professores para retirá-los da galeria destinada aos cidadãos. A ordem teria sido dada pela presidenta da casa, a vereadora Nely Aquino (PRTB), que alegou que alguém teria atirado um objeto no plenário. O professor Clayton Santos, do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (SindRede), aparece em um dos vídeos sendo agredido por cinco seguranças com um mata leão. Segundo nota divulgada por sete vereadores o professor chegou a desmaiar. A transmissão oficial da Câmara mostra que o vereador Gilson Reis (PCdoB) também foi agredido, enquanto a vereadora Bella Gonçalves (PSOL) tentava se pronunciar. O vereador Mateus Simões (NOVO) empurra Gilson, que cai. “O cara queria simplesmente tomar o microfone de uma vereadora que queria falar no plenário. Nós chegamos ao limite”, disse Gilson Reis após o episódio. O vereador afirmou que irá apresentar

em criar a cooperativa para a

Olímpio

Naves,

Zona

Rural

de Nova União, Minas Gerais, com os seguintes assuntos: 1. Análise e aprovação do estatuto social; 2. Eleição do Conselho de Administração e do Conselho fiscal; 3. Definição da Sede; 4. Assuntos gerais. Nova União - MG, 08 de outubro de 2019.

MIRILENE MUNIZ BARRETO Membro da Comissão de Constituição da Cooperativa

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queixas na Polícia Militar e na Procuradoria. Mais proibições A sessão da Câmara dos Vereadores de quinta (10) começou às 15h e dá continuidade à votação do Projeto de Lei 274/2017, do Programa Escola Sem Partido, chamado pelos professores de “Escola com Mordaça”. Os cidadãos foram proibidos de ocupar a galeria da casa e assistem ao debate às portas da Câmara, por um telão. Um assessor parlamentar afirmou que os corredores da Câmara estão sitiados de policiais, e nem os funcionários podem circular perto do plenário. O SindRede convoca os professores das escolas municipais a paralisarem suas atividades na sexta (11) contra as agressões, e organiza um ato político às 14h à fren-

te da Câmara Municipal. O sindicato lançou nota, pedindo ainda o posicionamento público da Secretária Municipal de Educação, Ângela Dalben, e do prefeito Alexandre Kalil (PSD). O Sindicato dos Trabalhadores Único em Educação (SindUTE MG), que representa os professores estaduais, também se manifestou contra as agressões sofridas na Câmara. “A violência praticada na Câmara Municipal de Belo Horizonte corresponde à violência que a Escola Sem Partido promove contra a potência crítica das escolas”. Entenda O Projeto Escola Sem Partido, ou “Escola com Mordaça”, está sendo votado há 12 sessões pela Câmara Municipal de Belo Horizonte. Os verea-

dores contrários ao projeto estão fazendo uma obstrução de pauta, que significa buscar formas para evitar que o projeto chegue à votação. Apoiados pelos professores municipais, esses vereadores consideram que o projeto é contra as leis brasileiras, ou seja, é inconstitucional, e não pode ser aprovado. A vereadora Cida Fallabella (PSOL), uma das contrárias ao projeto, afirmou que o “Escola Com Mordaça” é divisor de águas entre os vereadores, e defendeu a obstrução da pauta. “Apesar de minoritários, representamos muitas pessoas que estão lá fora, que são servidores, professores, mães e pais de alunos. É um projeto que nos fere de morte e por isso nós estamos dando a vida por ele”, declarou na sessão de quinta (10).

COMISSÃO PRÓFUNDAÇÃO DA COOPERATIVA DA AGRICULTURA CAMPONESA DA REGIÃO METROPOLITANA DE BELO HORIZONTE EDITAL DE CONVOCAÇÃO Convoca-se todos os interessados em criar a cooperativa para a Assembleia de sua Constituição, a realizar-se em: 10 de novembro de 2019, às 09:00 horas, Área Comunitária do Assentamento Ho Chi Minh, localizado na Estrada Olímpio

Naves,

Zona

Rural

de Nova União, Minas Gerais, com os seguintes assuntos: 1. Análise e aprovação do estatuto social; 2. Eleição do Conselho de Administração e do Conselho fiscal; 3. Definição da Sede; 4. Assuntos gerais.

Nova União - MG, 07 de outubro de 2019. FÁBIO RAMOS NUNES Membro da Comissão da Constituição da Cooperativa Membro da Comissão de Constituição da Cooperativa


Audiência discute aumento da passagem do metrô de BH TRANSPORTE Tarifa saiu de R$ 1,80 e chegará a R$ 4,25. Segundo o sindicato, o objetivo é o metrô ser mais lucrativo para o empresário que o comprar Da Redação O Sindicato dos Metroviários de Minas Gerais organiza uma audiência na segunda (14) para debater o reajuste que já está acontecendo no preço da passagem de metrô na capital. A tarifa saiu de R$ 1,80, em abril deste ano, e já está em R$ 3,40 atualmente. Para o sindicato, o aumento da passagem é uma estratégia para privilegiar futuros compradores do metrô. Na avaliação da entidade, o plano do governo federal seria demonstrar que, com as pas-

sagens mais caras, os trens são lucrativos e assim conseguir um preço melhor na sua privatização. A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) entrou na lista das empresas que o governo federal quer privatizar. “Caso o metrô seja privatizado, estaremos na contramão da história e da mobilidade urbana”, diz uma nota do Sindimetro. O sindicato relembra a situação do metrô de Londres (Inglaterra), que foi entregue a uma Parceria Público Privada em 2003 e em 2010 teve que ser reestatizado, ou seja, voltar às mãos

do governo. “Mesmo com as passagens mais caras da Europa, a concessionária quebrou e não fez investimentos na sua ampliação”. Mobilização A audiência pública acontece dia 14 de outubro (segunda-feira), às 10h30, na Câmara Municipal de Belo Horizonte. No dia 16 de outubro (quarta-feira), às 18h, acontece uma reunião para formar um comitê de usuários e trabalhadores do metrô em defesa da tarifa social e do metrô estatal, na Praça da Estação.

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MINAS

Belo Horizonte, 11 a 17 de outubro de 2019

Nossos direitos MINHA APOSENTADORIA ESTÁ SENDO CONSUMIDA POR EMPRÉSTIMOS Hoje, é muito grande a oferta de empréstimos, principalmente para idosos, em função da facilidade do pagamento. No caso do consignado, ou seja, aquele em que as parcelas são descontadas diretamente do benefício do INSS ou do salário, os bancos conseguem oferecer condições melhores, já que realizam o débito das parcelas diretamente. Entretanto, aproveitando da vulnerabilidade das pessoas idosas, tem sido comum os bancos oferecerem vários

empréstimos que comprometem boa parte do benefício. A Lei 10.820/2003 determina que o percentual máximo de descontos para o empréstimo consignado é de 30% do valor dos rendimentos. Assim, se um percentual maior for comprometido, é possível ajuizar ação para regularizar os descontos. Mas atenção: a regra é válida para os empréstimos consignados em folha, que são diferentes dos empréstimos em que é acordado o débito automático das parcelas, desvinculado dos rendimentos.

Jonathan Hassen é advogado popular

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CIDADES

Belo Horizonte, 11 a 17 de outubro de 2019

Opinião

O retorno do cálice Gustavo Bezerra

Zema ameaça entregar hospitais para inciativa privada RETROCESSO Modelo é mal avaliado nos 23 estados administrados pelas OSs Reprodução /Fhemig

João Paulo A censura está de volta ao Brasil. Ela voltou de forma objetiva, estrutural, legalizada, incorporada à máquina pública. Não é uma antessala da ditadura que espreita das sombras, é a expressão de sua presença na vida da sociedade. A censura é uma das ações mais perversas de anulação das liberdades democráticas. Não molda apenas o sistema de cultura e das artes, mas a forma como a sociedade se concebe, reduzindo a pluralidade à voz única dos donos da voz. É uma forma de violência simbólica que avaliza outras violências bastante reais. Própria dos regimes autoritários, ela age pela proibição, pelo direcionamento de recursos púbicos, pelo dirigismo e pela exclusão da diferença. Corta, desidrata, direciona e nivela. Os tempos são outros e o retorno da censura ganha novos contornos, possivelmente ainda mais insidiosos. Não existe mais a figura do censor, que proibia filmes, peças e canções e que habitava as redações dos jornais com suja tesoura ignóbil, como durante a ditadura civil-militar. Numa operação higiênica e admi-

nistrativa, o poder de veto do neofascismo passou a ser apenas a obediência a novas regras que disciplinam a ação da área cultural, a partir do direcionamento dos recursos públicos. A nova censura não veta, proíbe ou corta: cumpre as determinações do edital. As agências, autarquias, fundações e empresas pú-

A censura voltou de forma objetiva, estrutural, legalizada, incorporada à máquina pública blicas do setor já definiram normas que farão de seus funcionários uma espécie híbrida de burocratas da censura e investigadores da vida pessoal dos artistas. O proponente cultural não deverá apenas ser de direita, e oferecer um conteúdo de direita, mas parecer de direita. E, mais ainda, ter histórico comprovado de conservadorismo para passar debaixo do sarrafo ideológico dos editais atravessados por filtros.

A proibição explícita, que também tem mostrado suas garras, se tornará até mesmo desnecessária se as regras de financiamento público impedirem, já na raiz, a aprovação de projetos não alinhados com o governo. A autocensura, tão grave como a censura em si, pode, se tornar uma presença constante na vida cultural brasileira. O que é revisionismo histórico na educação, se tornará silêncio na cultura. O que é moralismo conservador em costumes, se transformará em barreira ao caráter contestador da arte. Ficaremos mais burros e menos livres. Há o momento da conciliação possível. Há a hora da tentativa de preservação do espaço conquistado. E também o tempo da oposição sistemática. Mas é chegado o momento da ruptura. Do confronto. Do último ato de resistência. De baixar as cortinas da tolerância e partir para a briga. Com censura, não há conversa.

Leia íntegra no site brasildefatomg.com.br

Lyvia Prais e Mariana Arêas

A

possibilidade de transferência de unidades da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig) para a iniciativa privada tem movimentado setores de defesa da saúde pública que denunciam a natureza mercadológica da proposta. Representantes do governo Romeu Zema admitem a intenção de repassar a gestão de hospitais para as chamadas Organizações Sociais (OSs). O Conselho Estadual de Saúde deverá deliberar sobre a proposta em reunião na segunda (14). Pela legislação, o conselho é responsável pela aprovação de políticas públicas na área. Apesar da expansão desse modelo de gestão de saúde, Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) denunciam desvios de recursos públicos em São Paulo, Goiás e Mato Grosso, além de outros estados com ações judiciais por causa de irregularidades, como Tocantins, Pa-

raíba e Amazonas e Uberlândia, em Minas Gerais. São Paulo foi o primeiro estado a aderir à lei e após dez anos de implementação enfrenta problemas. “Dos 46 hospitais gerenciados pelas organizações, 19 estão endividados, um total de mais de R$72 bilhões de dívida para o estado”, diz o diretor do Sind-Saúde/SP Mauri Bezzerra. Segundo a Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag), o que motiva a terceirizar o gerenciamento da Fhemig são as “amarras burocráticas que dificultam e impedem o funcionamento de qualidade das instituições de administrações diretas”. O vice-presidente do Conselho Estadual de Saúde Ederson Alves da Silva afirma que o governo deve acatar a decisão dos conselheiros. “Em nossa Conferência Estadual de Saúde, foi deliberado pela não aprovação de parcerias público-privadas na Fhemig”, destaca Ederson.


Belo Horizonte, 11 a 17 de outubro de 2019 Nilmar Lage

OPINIÃO

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Makota Célia

Indígenas de Brumadinho sofrem com falta de água

Massacre de Ipatinga vai perdendo suas testemunhas Naturalmente a vida vai levando os que sobreviveram ao tiroteio promovido pela Polícia Militar contra trabalhadores na porta da Usiminas em 7 de outubro de 1963. José Horta, Enias, Deusdedith, Geraldo Ribeiro, Tenente Xavier. Todos esses com os quais conversei fizeram a passagem e suas histórias foram pouco exploradas por uma política de silenciamento de um dos mais graves ataques O episódio não contra os direitos dos trabalhadores do Brasil. Perto de é tratado nas completar 56 anos do acontecido, vi Adil Albano camiescolas com o nhando com aquele que pode ser seu bisneto pelas ruas e me questionei: será que aquela criança terá noção da devido cuidado relevância da experiência daquele senhor para a história do país? Após tantos anos do acontecido e mesmo com algumas publicações sobre o tema, que vão de livros, teses, músicas, peças de teatro e documentários, o Massacre de Ipatinga não é tratado com o devido cuidado nas escolas da região. Seja da rede municipal, estadual ou particular, o padrão é não falar sobre o assunto, raros são os professores que abordam o tema em suas aulas. Por isso, é muito comum encontrar pessoas, principalmente jovens, que sequer ouviram falar do massacre. Os envolvidos e envolvidas diretamente estão morrendo. São senhores e senhoras que estão na faixa acima de 70 anos e que nem sempre se dispõem a falar sobre o assunto, pois o medo de retaliações ainda os persegue. Mas graças àqueles que se permitem, existe um movimento de resistência à amnésia provocada. Esse grande vizinho que cerca a população de Ipatinga, apesar de tentar esconder seu passado, é parte marcante na vida da família de sete trabalhadores e de uma criança que são reconhecidos oficialmente como assassinados, além de pelo menos outros três desaparecidos e inúmeras dúvidas que pairam há 56 anos sobre essa região. *Nilmar Lage é jornalista e documentarista, nascido em 7 de outubro de 1981.

Makota Célia Gonçalves Souza é jornalista e coordenadora nacional do Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira (CENARAB).

ACOMPANHANDO

Nilmar Lage

Recentemente, fomos a Brumadinho, precisamente à Aldeia Pataxó. Não estava preparada para revisitar uma página tão triste de nossa atualidade: o desprezo à vida e à dignidade das pessoas. Deparei-me com uma aldeia onde residem 150 pessoas, entre adultos e crianças, mulheres e homens abandonados à própria sorte, pela irresponsabilidade de um Estado omisso e assassino de sonhos, de esperanças e da dignidade de seus cidadãos. Levávamos alimentos, roupas, leite, fraldas e um pouco de água. Quando me falaram da falta de água potável, fiquei meio sem entender a extensão do problema. Fiquei chocada, entrei em pânico, tive muito ódio e me senti impotente, quando ouvi da boca do Cacique que o maior problema ali era o temor da sede, pois a água fornecida pela Copasa é altamente clorificada, e estava fazendo mal à saúde deles. Vale precisa ser Como doeu ouvir os rela- responsabilizada tos e imaginar que a principela vida das pal dor ali era a da ausência dos direitos básicos à água e à pessoas terra! Aquela aldeia, caso não se resolva a situação, está condenada à morte lenta e gradual. Falta-lhes o básico dos básicos, o direito a tomar água. A que ali deixamos é muito pouca, pensamos em paliativos, mas esses não resolvem o problema do desrespeito. Ali moram homens, mulheres e muitas crianças, sem contar os inúmeros cães, que segundo um morador também têm muita sede. A Vale precisa ser responsabilizada pela vida daquelas pessoas, precisa garantir sua sobrevivência, dignidade e qualidade de vida. Eles não querem a vida de pedintes, querem tirar da terra seu sustento, ter acesso a água com qualidade, querem poder expor e vender seus produtos artesanais. Por fim, eles querem e têm direito à cultura e às suas tradições.

Na edição 255... Não caia nas fake news E agora... Especialistas defendem anular eleição após WhastApp admitir disparo ilegal O WhatsApp admitiu que a eleição brasileira de 2018 teve uso de envios de mensagens em massa, com sistemas automatizados contratados de empresas. A informação é de um gerente do aplicativo. Segundo o advogado José Carlos Portella, a anulação das eleições é prevista em lei, caso seja comprovado que regras eleitorais foram violadas, já que o TSE veda o uso de softwares de disparo em massa. “As práticas que levaram Bolsonaro ao poder são ilegais, configuradas como crimes eleitorais”, afirma.


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BRASIL

Belo Horizonte, 11 a 17 de outubro de 2019

“É impossível vir direto da Venezuela”, diz oceanógrafo sobre óleo em praias do NE MEIO AMBIENTE Governo brasileiro se apressa em culpar país vizinho sobre derramamento de petróleo, mas esconde relatórios sobre o caso AFP / ADEMAS /Marcos Rodrigues

A hipótese de um vazamento direto do país vizinho, no entanto, não pode ser levada a sério, já que as coordenadas geográficas da Venezuela levariam o petróleo para bem longe do Brasil. “Seria impossível vir da Venezuela, porque lá predomina a corrente do Caribe, que vai em direção ao Golfo do México, e os ventos alísios do Norte, que vão para a direção oeste”, afirma o oceanógrafo Thiago Oliveira. Impactos Segundo o Ibama, que trabalha na limpeza das praias, até agora foram re-

Juca Guimarães O governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) demorou um mês para se manifestar sobre o vazamento

de petróleo em todo o litoral do Nordeste, mas foi rápido para encontrar um “suspeito”. Baseado em suposto relatório da Petrobras e da Marinha – que está sob sigilo e

não foi divulgado oficialmente – o governo informou que o óleo está vindo “muito provavelmente da Venezuela”, sem explicar como teria chegado ao litoral brasileiro.

Chegada do óleo ao São Francisco preocupa ambientalistas

tiradas 130 mil toneladas de óleo nos quase 140 pontos de contaminação. O volume equivale à capacidade de um navio petroleiro, entre 140 mil a 175 mil toneladas de óleo cru. A área atingida tem cerca de 2 mil quilômetros de extensão e vai do norte da Bahia ao meio do litoral do Maranhão Além do litoral, a chegada do óleo ao rio São Francisco também preocupa técnicos e ambientalistas. O rio, com uma das principais bacias hidrográficas do Brasil, também foi atingido pelo vazamento. Entrega Nesta semana, o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou as regras do leilão do pré-sal previsto para novembro. Grandes petroleiras internacionais devem arrematar 36 blocos de petróleo brasileiro.

Preta Ferreira e outros ativistas pelo direito à moradia ganham liberdade Marcelo Cruz

A

pós 109 dias de uma prisão, três ativistas do movimento de moradia de São Paulo foram libertos, na quinta (10), mediante habeas corpus (HC) concedido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. A cantora e apresentadora Preta Ferreira, seu irmão Sidney Ferreira e a liderança Maria do Planalto vão responder ao processo em liberdade. Ednalva Franco, outra ativista presa, ainda aguarda o julgamento de seu HC.

“É um momento de muita felicidade. O desafio agora será persistir na luta contra a criminalização dos movimentos sociais. Mais do que nunca, a assertiva de que lutar não é crime tem que ser a palavra de ordem desses tempos”, afirmou Dimitri Sales, presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe). Preta é acusada de extorsão e associação cri-

minosa por supostamente coagir moradores a pagarem taxas nas ocupações do centro da cidade de São Paulo. Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, ela conta que foi chamada a prestar um depoimento e não voltou mais para casa. “Eu pergunto aos governantes, a quem me colocou aqui: cadê as provas? Qual foi a extorsão que eu pratiquei? É uma prisão política. A sociedade está vendo o que está acontecendo”, afirmou.


BRASIL

Belo Horizonte, 11 a 17 de outubro de 2019

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A marcha da ousadia popular completa 20 anos HISTÓRIA Em 1999, milhares de pessoas marcharam do Rio até Brasília para pensar um novo projeto de país Douglas Mansur

Pedro Rafael Vilela, de Brasília No dia 26 de julho de 1999, cerca de 1.100 homens e mulheres saíram em caminhada do Rio de Janeiro com destino a Brasília, o que foi chamado de Marcha Popular pelo Brasil. Eles percorreram mais de 1.600 quilômetros, cruzando os estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás, até adentrarem na capital do país, exatos 72 dias depois da partida, no dia 7 de outubro. A marcha foi uma iniciativa articulada pela Consulta Popular, organização ligada aos movimentos do campo, que tinha apenas dois anos de existência, e contou com o envolvimento de militantes vinculados a diversas outras organizações populares, principalmente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). “A ideia da Marcha era desencadear a importância da

questão de um projeto popular para o Brasil. Por isso que, simbolicamente, fez questão de sair da sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, e veja

A marcha foi uma resposta ao neoliberalismo de FHC

como isso é importante agora também, às vésperas da entrega do nosso pré-sal às multinacionais”, explica o advogado Ricardo Gebrim, integrante da Consulta Popular que participou da construção da marcha. Ao chegarem a Brasília, milhares de outras pessoas se somaram à caravana. A Marcha Popular então deu lugar à As-

sembleia dos Lutadores e Lutadoras do Povo, que durou mais dois dias, terminando em 10 de outubro, com a participação de 5 mil pessoas. Foi na Assembleia que se aprovou a “Carta aos lutadores do povo”, dando ao projeto popular cinco eixos principais: soberania, solidariedade, desenvolvimento, sustentabilidade e democracia popular. Anos mais tarde, a Consulta Popular incluiria também a bandeira do feminismo entre os eixos principais do projeto popular. Atualidade O ano de 1999 guarda algumas semelhanças com o atual momento do país. O governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), já no seu segundo mandato, enfrentava uma forte crise econômica e tentava avançar com uma agenda neoliberal de privatizações e corte de direitos.

“O momento que a gente vivia era de aprofundamento das políticas neoliberais e as consequências dessa política para a população eram muito sensíveis, desemprego e arrocho salarial eram tônicas constantes que a gente ouvia na cidade”, afirma Flávio José Vivia, militante da Via Campesina que atuou na coordenação de alimentação durante o percurso da marcha. Ricardo Gebrim traça um paralelo entre as conjunturas que separam esses 20 anos, ao reforçar que a ofensiva neoliberal foi retomada. “A marcha tem alguns elementos muito atuais. O governo FHC foi a primeira ofensiva neoliberal, porque agora estamos enfrentando uma segunda, que é muito mais profunda, e que tenta completar e esgotar o conjunto de privatizações e desmonte de direitos que aquela primeira ofensiva não conseguiu”.

Contato com o povo e pedagogia do exemplo Douglas Mansur

Por onde a marcha passava, ao longo do seu percurso até Brasília, os marchantes se envolviam com as comunidades locais, por meio de reuniões, aulas públicas, participação e atos religiosos e cívicos. Esse processo de aproximação e desenvolvimento de um trabalho pedagógico foi o aspecto mais transformador, na avaliação de quem viveu essa experiência. Ao sair do Rio de Janeiro, a organização da marcha só contava com provisões alimentícias e de bens essenciais para 15 dias. Foi a so-

[para doar], todo mundo ia para a beira da estrada ver a marcha passando”, lembra Diva Braga, da direção nacional da Consulta Popular.

lidariedade do povo que garantiu o prosseguimento do grupo. “A gente montava um cronograma de onde a mar-

cha ia chegar e parar. Realmente, a recepção da marcha foi estrondosa. O pessoal levava 1 quilo de arroz

Ousar fazer Como legado, a marcha deixou a pedagogia do exemplo, materializada na entrega e abnegação dos seus marchantes, que emocionou o povo nas cidades. Para Diva Braga, naquela época, também havia uma sensação de vazio na esquerda, por conta da derrota ideológica do socialismo.

O fato de a marcha ter sido uma resposta diferente na luta contra a exploração também marcou o período. “A esquerda ousou fazer. Isso foi um ato de ousadia, e é preciso trazer à memória essa capacidade de reação, de fazer algo novo. Sair fazendo as mesmas escolhas não pode funcionar, não dá pra responder a uma situação nova fazendo a mesma coisa. A marcha pode ser esse exemplo, que é mais que um exemplo para o povo, mas um exemplo para as forças organizadas, que estejam juntas”, completa Diva.


14 MUNDO 10

Belo Horizonte, 11 a 17 de outubro de 2019

Presidente do Equador, Lenín Moreno, obedece a ordens diretas do FMI, afirma economista REAÇÃO Há uma semana, população equatoriana realiza manifestações contra medidas que retiram direitos dos trabalhadores Reprodução / Gobierno de Ecuador

Lenín Moreno (ao centro) em reunião com representantes do FMI em 2017

Lucas Estanislau Do Opera Mundi A jornada de protestos que tomaram as ruas do Equador, desde a última semana, responde aos anúncios econômicos feitos pelo presidente do país, Lenín Moreno, que retirou o subsídio dos combustíveis e gerou uma alta de mais de 100% nos preços do diesel e da gasoli-

na. Diante da escalada das manifestações, o mandatário não recuou, transferiu a sede do governo de Quito para a cidade de Guayaquil e disse que não abrirá mão de seu pacote econômico. Para o economista equatoriano Danilo Albán, Moreno obedece a ordens diretas do Fundo Monetário Internacional (FMI), órgão com quem o governo firmou, em fevereiro, um

acordo de US$ 4,2 bilhões que exige, como contraproposta, reformas tributárias, trabalhistas e monetárias no país. “Moreno precisa desse dinheiro, já que não fez as correções no setor externo por conta da ideologia neoliberal de deixar o mercado livre”, afirma. De acordo com o economista, os reflexos do pacote econômico de Moreno serão sentidos pela população

equatoriana, que vai perder cada vez mais o seu poder de compra. “O peso real é um aumento na inflação e queda do poder aquisitivo. O salário mínimo não vai aumentar até dezembro, porque os empresários não querem. Na verdade, eles estão pedindo mais flexibilidade na lei trabalhista para demitir trabalhadores por causa da recessão econômica”, analisa.

gundo o sociólogo Francesco Maniglio, professor da Universidade Técnica de Manabí, no Equador, baseado em números da Coordinadora Ecuatoriana de Contrainformación, são sete mortos, entre os quais um recém-nascido. Além disso, são 94 feridos graves, mais de 500 feridos leves; 83

desaparecidos, entre eles, 47 menores de idade. Já são 800 detidos, a maior parte sem julgamento e 57 jornalistas agredidos pela polícia, 13 presos, além de 9 meios de comunicação sob intervenção. A Defensoría del Pueblo, órgão do Estado, fala em 5 mortos.

Violência policial Tiago Angelo Em resposta às manifestações, Moreno decretou, já em 3 de outubro, estado de exceção, o que significa que o governo passa a ter o poder de limitar a liberdade de ir e vir da população e de im-

por censura prévia à imprensa. A medida vale por 60 dias, podendo ser prorrogada por mais 30. A diligência também autoriza o uso de militares para fazer a segurança e também o fechamento de portos e aeroportos. As manifestações foram duramente reprimidas pelos militares. Se-

Entre 1996 e 2007, população equatoriana derrubou três presidentes Na quarta (9), as mobilizações no Equador foram intensificadas por uma greve nacional que unificou sindicatos, movimento indígena, estudantes e organizações da sociedade civil. Milhares de pessoas saíram às ruas, bloquearam estradas, saquearam fábricas contra as reformas econômicas de Lenín Moreno, o que se somou a uma crise de representação em curso no país. A população equatoriana questiona o governo de não trabalhar em prol da maioria, uma vez que há um processo de precarização dos serviços públicos, um aumento do desemprego e a perda da soberania política e econômica. Não é a primeira vez que a população se move contra os governos. Entre 1996 e 2007, diversos protestos provocaram a queda de três presidentes, sendo que dois deles tentaram realizar ajustes econômicos que retiravam direitos.


MUNDO

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Papa defende autonomia Partido socialista aos povos indígenas ganha eleições Divulgação / Vatican News

Sínodo da Amazônia começou no domingo (6) e vai até o dia 27. A edição é marcada pelas queimadas na Amazônia e o tom de hosti-

lidade às organizações indígenas tradicionais do Brasil durante discurso de Jair Bolsonaro na Assembleia da ONU.

O Papa Francisco afirmou que o mundo deve respeitar as populações indígenas, e condenou imposições culturais e ideológicas sobre os povos originais. “Que nos aproximemos [dos indígenas] sem o afã empresarial de fazer programas pré-confeccionados de disciplinar os povos amazônicos, disciplinar sua história e cultura. Isso não”, disse. Sínodo O Sínodo da Amazônia acontece no Vaticano e discute a situação da Igreja na região amazônica, além de questões voltadas à proteção do meio ambiente e aos povos indígenas.

em Portugal O Partido Socialista (PS), do atual primeiro-ministro António Costa, venceu as eleições legislativas de Portugal que aconteceram no domingo (6). A direita tradicional, representada pelo Partido Social-Democrata (PSD), perdeu espaço no Parlamento. O PS conquistou 106 assentos, 20 a mais que nas eleições de 2015. Em segundo lugar ficou o PSD, de centro-direita, que conseguiu 77 cadeiras, 30 a menos que em 2015, quando concorreu com a coligação “Portugal à Frente”.

Ao contrário da maior parte da Europa, onde a extrema direita cresceu como tendência, os ultranacionalistas nunca tiveram força em Portugal. Nesta eleição, no entanto, a sigla Chega!, que representa este espectro político, conseguiu eleger seu primeiro deputado. A abstenção foi alta – 45,68% –, a maior desde 1975, quando foi realizada a primeira eleição após a Revolução dos Cravos.

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PROJETO DE LEI COMPLEMENTAR 23/19 Construído pela Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa garantirá o cumprimento do mínimo constitucional de 25% dos impostos vinculados, para que o dinheiro de fato chegue às escolas e demais políticas públicas da educação. O deposite em conta DETERMINA QUE O ESTAD s da educação. específica os recursos próprio r os 25% ao longo do OBRIGA O ESTADO a aplica genciar recursos. ano, não podendo mais contin

ADO de declarar as IMPEDE MANOBRA DO EST cancelá-las. despesas como 25% e depois nto e manipular o IMPEDE MAQUIAR investime ucional no ano. stit cumprimento do mínimo con

02/10/2019

Luiz Santana/ALMG

Deputada Estadual


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DE OLHO NA MÍDIA O que são fake news? A expressão se popularizou mundialmente durante a disputa pela presidência dos Estados Unidos em 2016. O problema parece ser maior do que o julgamento sobre a verdade ou falsidade de um conteúdo. Até porque notícias falsas não são novidades. A surpresa do cenário atual é a velocidade da circulação e difusão das fake news a partir da internet.

Internet não é sinônimo de diversidade Assim como na mídia tradicional brasileira off-line, a internet está longe de ser um espaço de liberdade. E assim como não temos a vivência de participação social, quando transportamos para o universo digital, o comportamento dos usuários é pouco ou quase nada crítico para receber e reproduzir notícias, por exemplo.

E como estamos participando mais do espaço online, automaticamente produzimos uma enorme quantidade de dados sobre nós mesmos, que são armazenados por quem controla a internet. Como mostrou a pesquisa Monitoramento da Propriedade da Mídia (MOM), o país possui um sistema de mídia com alto grau de concentração, estruturado em grandes redes articuladas a grupos regionais controladores de diversas mídias, muitas vezes ligados a elites políticas. De acordo com o MOM-Brasil, os veículos online informativos de maior circula-

ção pertencem aos grandes conglomerados que dominam as maiores audiências também no mundo off-line.

Cartilha discute desinformação O Coletivo Intervozes lançou recentemente a cartilha “Desinformação: ameaça ao direito à comunicação muito além das fake news”, que traz à reflexão alguns desafios importantes nesta luta e isso inclui estar bem informado e informar através de uma in-

ternet acessível e de qualidade. Inclui ainda a promoção de políticas de comunicação que garantam a pluralidade e diversidade de vozes, uma educação crítica da mídia, além do emprego de instrumentos legais já existentes no país, relacionados a limites à liberdade de expressão, calúnia, discurso de ódio e remoção de conteúdos sob demanda judicial. *Raquel Baster jornalista e educadora popular. Associada ao Intervozes Coletivo Brasil de Comunicação Social ANÚNCIO

PÚBLICA

Venha debater a metodologia e os critérios que serão adotados pela Secretaria de Educação para o processo de designação de 2020. PARTICIPE!

Studium/2019

COMISSÃO DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA ALMG - Rua Rodrigues Caldas, 30 Santo Agostinho/BH *Raquel Baster - jornalista e educadora popular. Associada ao Intervozes Coletivo

www.sindutemg.org.br Brasil de Comunicação Social.

24 OUT/2019 • 9h:30 Isis Medeiros/Sind-UTE/MG

AUDIÊNCIA


Belo Horizonte, 11 a 17 de outubro de 2019

13 VARIEDADES 15

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FIQUE

BEM REMEDINHOS NATURAIS CONTRA CANDIDÍASE Preencha os espaços vazios com algarismos de 1 a 9. Os algarismos não podem se repetir nas linhas verticais e horizontais, nem nos quadrados menores (3x3). www.coquetel.com.br

© Revistas COQUETEL

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Solução

Os sintomas da candidíase vaginal, como ardência, coceira e secreção que parece uma coalhada, podem ser aliviados com várias receitas caseiras. A infecção é causada por um fungo que vive na nossa flora vaginal e é muito comum. Como possibilidade terapêutica natural, uma boa opção é o banho de camomila. É só fazer o chá e lavar delicadamente a vagina internamente com seringa. Você pode também fazer um banho de assento, cobrindo toda a vagina, com água e bicarbonato de sódio, em uma proporção de uma colher de sopa para ½ litro de água. Podem-se adicionar dez gotas de óleo essencial de melaleuca a essa mistura. Óleo de coco também ajuda a aliviar a coceira e refazer as células que foram descamadas. É só passar uma colher de chá de óleo com os dedos após lavar com bicarbonato.

CONHEÇA SEU CORPO Cada mulher é única e reage de forma diferente aos tratamentos naturais. É importante estar atenta, olhar e tocar cada parte, com muita paciência, para sabermos avaliar como estamos reagindo. Conhecer o próprio corpo ajuda, inclusive, a avaliar nossa rotina, nossa alimentação e nossos relacionamentos. Saber o que faz bem e o que faz mal é o início de uma vida saudável. Ah! E é claro que a automedicação não é recomendada!

AMIGA DA SAÚDE Sofia Barbosa é enfermeira do Sistema Unico de Saúde I Coren MG 159621

Existe diferença entre transexual, homossexual e veado? Anônima Existe diferenças, sim. A transexualidade diz sobre uma identidade de gênero (masculino/feminino), que se refere a como a pessoa quer ser vista, como quer estar no mundo. A expressão de gênero supera os limites do corpo biológico. A homossexualidade diz sobre orientação afetivo-sexual voltada para pessoas do mesmo gênero. Já o termo veado é uma forma pejorativa que culturalmente as pessoas utilizaram para denominar os homens homossexuais. As identidades de gênero e orientações afetivo-sexuais são diversas, então, a melhor forma de saber como se referir a alguém é perguntando como gosta de ser chamada. Somos todos diferentes, mas devemos lutar por direitos iguais.

Mande sua dúvida: amigadasaude@brasildefato.com.br


14 CULTURA 14

Belo Horizonte, 11 a 17 de outubro de 2019

Crônica

no meio deste ano, fui convidado a integrar o júri de um concurso para revelar novos talentos da literatura nos gêneros Prosa, Conto e, meu alpendre literário, Crônica. apesar do bom cachê, hesitei, afinal, sendo escritor, tendo vivido, no início de minha carreira, a ansiedade por aprovação e, na mesma dose para tombar elefante, o pavor da reprovação, a roupa para julgar o sonho alheio me apertou e pinicou, mas a memória de uma passagem vivida com Elke Maravilha me fez aceitar o convite. em 2011, eu trabalhava como assessor de comunicação da extinta Secretaria do Audiovisual, do também já extinto Ministério da Cultura, e fui designado a representar a secretaria na 11ª edição do Mostra Curtas Goiânia, que teria como apresentadora a Elke, a quem eu adorava desde a adolescência, assistindo ao programa do Chacrinha e vendo-a em todas as suas exuberâncias, especialmente a exuberância de vida, então, seria uma alegria enorme, vencendo a minha timidez, dizer-lhe – e cheguei a

Roteiro

ensaiar a fala – “Adoro você, de verdade. Obrigado por fazer desse país um lugar melhor”, mas quem venceu foi a timidez, travei, apenas recebi dela o mesmo e estalado beijo dado em todos que a ladeavam no espaço destinado a quem ia falar na cerimônia – mas eu ainda não sabia que a sorte estava do meu lado. após o evento, houve festa de confraternização, e hora lá saí pra fumar. no que dei o primeiro trago, ouvi atrás de mim, inconfundível, exuberante, a sua voz: - Criança! Ocê fuma! Aliás, acho que só ocê e eu fumamos aqui. - Talvez – respondi e ri todo desengonçado – Ah, boa noite. - Menino, como pode artista que não fuma? Esqueci meu cigarro no hotel, ocê importa de me abastecer nessa festa? Depois te pago uma carteira. - Sem essa. É prazer e solidariedade entre fumantes – respondi (sem desmaiar, juro). - Toda hora que vier fumar, ocê me chama, tá, criança? - Pode deixar. e assim, entre fumaças, conversamos um bocado,

até chegarmos ao tema pelo qual eu queria manifestar a principal razão de minha admiração por ela: - Elke, a lembrança mais carinhosa que tenho de você é a da maneira como tratava os calouros, sem nunca humilhá-los, ao contrário de outros jurados e, até, do Chacrinha. - Ah, ocê sabe por quê? Vou te contar. Eu nasci pobre, na Rússia, mas isso, lá, naquele tempo, não fazia diferença, pois todo mundo era russo e pobre, mas quando a gente chegou em Itabira, aí ser russo e pobre foi outra história, porque esse país sempre teve problema não só com o pobre, mas com o diferente, então, se preto, bicha, mulher, até russo, e tudo pobre, precisa de muita coragem pra sair de casa pra ganhar o de comer, imagina a coragem desse povo pra vestir sua melhor roupa, sair de casa e enfrentar uma multidão pra poder sonhar? Tem que respeitar, né? tem, e adotando esse proceder aprovei e reprovei candidatos, alguns me ligaram para agradecer pelo respeito. fui chamado para julgar a etapa final do concurso e manterei o critério. de novo e sempre, obrigado, Elke. Z Carota é jornalista e escritor

Nelson Almenida / AFP Reprodução

CULTURA NA SEXTA O Armazém do Campo promove a Ação Literária, na sexta (11), junto com editora Expressão Popular, que comemora seus 20 anos de existência. O evento conta com o lançamento do livro “Desenhos da Resistência”, com a presença da autora Marlene Crespo, que lutou contra a ditadura militar. Sandra Lane e Vilmar Oliveira animam a noite com música e contação de histórias. A entrada é gratuita e o endereço é Av. Augusto de Lima, 2136, Barro Preto, em BH.

BILLIE HOLIDAY EM MUSICAL O musical Canção - “um espetáculo à flor da pele”, sobre os últimos dias da cantora e compositora estadunidense de jazz Billie Holiday, chega a Belo Horizonte nos dias 11 a 13 de outubro. No monólogo, Billie, interpretada pela atriz Tânia Maria, expurga suas dores, amarguras e ressentimentos da vida. Será no Teatro da Cidade, na Rua da Bahia, 1341, no Centro de BH. Os ingressos variam entre R$ 25 e R$ 50. ANÚNCIO


Belo Horizonte, 11 a 17 de outubro de 2019

PAPO ESPORTIVO

Luiz Ferreira Condenado a 20 anos e 9 meses de prisão pelo assassinato de Eliza Samudio, o goleiro Bruno fez a sua estreia com a camisa do Poços de Caldas FC neste final de semana, numa vitória por 2 a 0 sobre o Independente Juruaia, uma equipe

ESPORTE

15 15

Bruno, Richarlyson e os ídolos que escolhemos Renata Caldeira/ TJMG

amadora de Minas Gerais. A partida contou com a presença de pouco mais de 200 torcedores que não ligaram para as manifestações contrárias à sua contratação pelo Vulcão e tietaram bastante o goleiro. Richarlyson tem 36 anos e foi campeão por grandes clubes do futebol brasileiro

ao longo de pouco mais de 15 anos de carreira. Atualmente sem clube, o ex-jogador de São Paulo, Atlético-MG, Guarani e Seleção Brasileira trabalha como auxiliar no time de vôlei feminino do SESI-Bauru a convite do técnico Anderson Rodrigues. Richarlyson sempre foi persegui-

do por ataques e piadas homofóbicas. Em 2017, quando foi anunciado como reforço do Guarani para a disputa da Série B, a torcida do clube protestou com bombas e xingamentos nas redes sociais. Richarlyson jamais se envolveu em grandes polêmicas, mas foi rejeitado por ser gay sem nunca ter se assumido publicamente. Nos Estados Unidos, Colin Kaepernick nunca mais conseguiu fazer parte de nenhum time da NFL depois de protestar contra a violência contra os negros durante o hino nacional. Ao mesmo tempo, jogadores com histórico comprovado de violência doméstica e assédio sexual continuam sen-

do contratados e tratados como grandes ídolos por torcedores e imprensa. Bruno tem direito a exercer sua profissão como qualquer outro cidadão brasileiro. A grande questão tratada aqui é que estamos falando de alguém que jamais demonstrou qualquer sinal de arrependimento pelos crimes cometidos em 2010 e que sempre se colocou como “vítima”. Será que outros presos não poderiam ganhar uma oportunidade? Por que Bruno e não outros? E outras? A contratação do goleiro Bruno pelo Poços de Caldas FC e o esquecimento de outros nos dizem muito sobre a sociedade em que vivemos.

/SINDIELETRO

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Belo Horizonte, 11 a 17 de outubro de 2019

ESPORTES

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Reprodução

DECLARAÇÃO DA SEMANA Reprodução

“Precisamos olhar para o futebol sul-americano. Parece que existe apenas a Europa no mundo. Não entendo como o Marcelo Galhardo, do River Plate, não é indicado entre os melhores treinadores do mundo”.

Ela mudou as regras da Nike Lorena Lemos Na primeira semana deste mês, várias manchetes de jornais no Brasil e no mundo traziam a notícia da conquista de 12 medalhas de ouro pela americana Allyson Felix no Campeonato Mundial de Atletismo. Porém, este não é o único feito inédito e de repercussão internacional da atleta, já que ela expôs a empresa que a patrocinava e o machismo sofrido durante o processo de negociação de sua reno-

Pep Guardiola, treinador do Manchester City, sobre as premiações da Fifa valorizarem apenas quem trabalha na Europa.

vação de contrato quando estava grávida. As regras da empresa mudaram, mas isso aconteceu depois da denúncia feita pela atleta na mídia americana sobre a oferta da Nike, de redução de 70% do valor de seu contrato, em decorrência da gravidez. Allysson perdeu o patrocínio, mas após dez meses da gestação de sua primeira filha, Cammy, a norte-americana de 33 anos derrubou a marca de 11 medalhas de ouro em mundiais, registrada em 2013.

De repente, aconteceu

O desempenho da recordista internacional, que superou o consagrado ex-velocista jamaicano Usain Bolt, demonstrou não apenas o árduo trabalho da atleta, mas também a importância da luta das mulheres no esporte de alto rendimento por melhores salários, por visibilidade e reconhecimento na mídia e pelo enfrentamento do preconceito em relação à maternidade no mundo esportivo. Sigamos juntas!

Chama eterna

O que nos resta

Bráulio Siffert

Rogério Hilário

Fabrício Farias

O que há dois meses parecia impossível, aconteceu. Após ficar na zona de rebaixamento nas primeiras 16 rodadas da Série B, o América deu uma arrancada impressionante, com 10 vitórias e 4 empates nos últimos 15 jogos; e com uma convincente vitóDecacampeão ria de 2 a 0 sobre o líder Bragantino, entrou no G4. Um dos principais responsáveis por esse feito é, sem dúvida, o técnico Felipe Conceição, que conseguiu dar motivação, padrão tático e espírito competitivo a praticamente o mesmo elenco que não havia rendido nada com os técnicos Givanildo e Barbieri. Aos poucos, os jogadores retomaram a confiança e passaram a jogar com raça, coragem e vontade de vencer, voltando a dar orgulho à torcida americana.

Quando se fala na ausência de jogadores no Atlético, seja servindo a seleções, por suspensões, contusões, eu me pergunto: afinal, qual é o time titular? Rodrigo Santana vem fazendo das tripas coração para responder esta indagação. Com uma miscelânea de opções, apelou É Galo doido! na esperanpara o esquema de três zagueiros, ça de pelo menos evitar sofrer gols. A confiança nos volantes evaporou. Nos atacantes, segue no mesmo caminho. Os laterais beiram o desânimo. O clube deveria estar planejando a próxima temporada, pouco promissora. A reformulação do elenco é inevitável para quem almeja mais do que uma vaga na Copa Libertadores, depois de dois anos perdidos e de um momento em que até empate é comemorado como sinal de evolução. Mas o atleticano é um eterno otimista, não se entrega nunca.

Qualquer um sabe a situação complicada em que se encontra o cabuloso. Contra o Fluminense, mais uma vez o VAR nos tirou a possibilidade de vitória. Parece até capricho do destino. Por mais que o gol tenha sido mal anulado, todos sabemos que não esLa Bestia Negra tamos nessa situação em função de um jogo apenas. Do mesmo modo que fomos prejudicados, já fomos beneficiados também. O problema é que não conseguimos uma sequência de vitórias e com isso o ânimo dos jogadores vai sendo minado. Racionalmente sabemos da situação do clube, que Abel pouco vai acrescentar, que boa parte do elenco já esteja pensando para que clube irão em 2020. E nós torcedores? Em nós reside a esperança...saudações celestes!

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