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Guto Cortês

Reprodução

As cenas de João das Neves

Yakisoba fácil e rápido

Por meio de peças de arte, exposição conta a história do grande artista mineiro

Aprenda a fazer o macarrão oriental que conquista elogios

CULTURA 14

VARIEDADES 13

MG Minas Gerais

Belo Horizonte, 6 a 12 de setembro de 2019 • edição 297 • brasildefato.com.br • distribuição gratuita Midia NINJA

REFINARIA DA PETROBRAS EM BETIM NA MIRA DA PRIVATIZAÇÃO Washington Alves /Agência Petrobras

Grito acontece neste sábado 7 de setembro é dia de cobrar direitos, educação e aposentadoria. Confira locais das manifestações MINAS 6

Mineroduto gigante ameaça norte de Minas Empreendimento só perderia para o Minas-Rio, da Anglo American MINAS 5

Sociedade quer impedir privatizações

Aumento do preço do combustível e do gás, demissões e queda na arrecadação podem ser alguns dos prejuízos para a população da cidade e do estado. Segundo denúncia do sindicato, empresa tem investido menos em manutenção, colocando trabalhadores e entorno em risco I ESPECIAL

Correios, Petrobras e Eletrobras podem ser vendidas pelo governo a “preço de banana” BRASIL 6 e 11


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OPINIÃO

Belo Horizonte, 6 a 12 de setembro de 2019

Opinião

Jornalismo, profissão impossível João Paulo

ESPAÇO DOS LEITORES “O que precisa fazer é combater a evasão, ir atrás dos alunos evasivos e convencê-los a retornar à escola, entender o porquê do grande número de evasão e criar políticas que a evitem” José Aurélio Costa escreve sobre a matéria “Governo Zema fecha turmas e causa superlotação, demissões e prejuízos no aprendizado” “Amo chocolate meio amargo, alivia o sentimento de culpa pelo vício” Soraya Barbosa Batistacomenta a coluna Amiga da Saúde, que respondeu à pergunta “Comer chocolate faz mal para saúde?” “Como sempre, a Vale gasta mais em publicidade para se autopromover do que com ações efetivas para diminuir o impacto dos seus crimes” Eros Tolentino Simões Jr opina sobre a matéria “Renova estaria ‘enrolando’ tratamento médico para atingidos por barragem da Samarco”

Escreva pra gente também: redacaomg@brasildefato.com.br ou em facebook.com/brasildefatomg

Certa vez, Sigmund Freud, criador da psicanálise, destacou quais eram as profissões que ele considerava mais difíceis. Muito mais que trabalhosas, há três tarefas que são impossíveis: governar, educar e curar. São, todas elas, é bom prestar atenção, profissões que têm a palavra como instrumento e a liberdade como objetivo principal. O pensador vienense dizia que eram profissões impossíveis exatamente porque nada estava garantido nessas três áreas. Quem acompanhou a entrevista de Glenn Greenwald ao programa Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo, deve ter saído convencido de que, no Brasil de hoje, há outra profissão que corre o risco de impossibilidade: o jornalismo. Também um ofício da palavra, que visa à liberdade e trabalha com a possibilidade de intervir de forma civilizadora em seu tempo, o jornalismo foi atacado de todas as formas durante a entrevista.

Lava Jato agora golpeia o jornalismo de qualidade Criador da página Intercept, e reconhecido em todo o mundo pela consistência de seu jornalismo investigativo e denúncia de abuso dos aparatos de Estado, ele tem levado adiante a mais importante série de reportagens, conhecida como Vaza Jato. No entanto, Glenn parecia ter sido convidado para receber ataques pessoais – o que é grave – e ata-

O jornal Brasil de Fato circula semanalmente com edições regionais, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro, no Paraná e em Pernambuco. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais em nosso país e no nosso estado.

ques à sua profissão – o que é gravíssimo em um programa que se diz jornalístico. Pouco mais de 10% das perguntas foram relativas ao mais grave caso de quebra das regras do Estado de Direito no país – com as denúncias de conluio, ambição e corrupção na condução da operação Lava Jato por parte do ex-juiz Sérgio Moro e integrantes da força-tarefa do Ministério Público. Os entrevistadores, representantes da imprensa comercial,

Glenn foi atacado de todas as formas durante a entrevista deixaram o conteúdo de lado para se dedicar à forma como as informações chegaram ao jornalista. Há uma regra de ouro no jornalismo em todo o mundo e em todas as circunstâncias: se uma informação é verdadeira e tem relevância pública, ela deve ser publicada. É para isso que existe a profissão. Por isso, porque a informação é soberana, a fonte precisa ser preservada. É a regra número dois. Por fim, cabe ao jornalista dar ao seu material o máximo de confiança. Para isso, é preciso um esforço de checagem e uma dedicação ao texto apresentado ao leitor. Lição número três. Foi essa aulinha básica que Glenn Greenwald precisou dar aos seus “colegas”. O jornalista teve paciência e explicou o que era jornalismo e mostrou na prática como fazê-lo. A Lava Jato tem uma trajetória de extermínio bem traçada. O golpe contra a imprensa é mais um capítulo nessa saga devastadora.

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conselho editorial minas gerais: Aruanã Leonne, Beatriz Cerqueira, Bernadete Esperança, Bruno Abreu Gomes, Ênio Bohnenberger, Frederico Santana Rick, Helberth Ávila de Souza, Jairo Nogueira Filho, Joana Tavares, João Paulo Cunha, Joceli Andrioli, Jô Moraes, José Guilherme Castro, José Luiz Quadros, Juarez Guimarães, Laísa Campos, Marcelo Almeida, Makota Celinha, Maria Júlia Gomes de Andrade, Milton Bicalho, Neila Batista, Nilmário Miranda, Padre Henrique Moura, Padre João, Pereira da Viola, Renan Santos, Rogério Correia, Rosângela Gomes da Costa, Robson Sávio, Samuel da Silva, Talles Lopes, Titane, Valquíria Assis, Wagner Xavier. Editora: Joana Tavares (Mtb 10140/MG). Redação: Amélia Gomes, Larissa Costa, Rafaella Dotta, Raíssa Lopes e Wallace Oliveira. Colaboradores: Anna Carolina Azevedo, André Fidusi, Bráulio Siffert, Diego Silveira, Fabrício Farias, Izabela Xavier, João Paulo Cunha, Jonathan Hassen, Jordânia Souza, Pedro Rafael Vilela, Renan Santos, Rogério Hilário e Sofia Barbosa. Revisão: Luciana Gonçalves. Administração e distribuição: Paulo Antônio Romano de Mello e Vinícius Moreno Nolasco. Diagramação: Tiago de Macedo Rodrigues. Tiragem: 40 mil exemplares. Razão social: Associação Henfil Educação e Comunicação


? PERGUNTA DA SEMANA

O relógio luminoso do edifício JK, no Centro de BH, será removido em breve. Ele estava no topo do prédio há 40 anos. O painel é de propriedade do banco Itaú, que resolveu retirá-lo.

O que você acha da remoção do relógio do edifício JK?

“Eu sempre andei muito pelo Centro, pela Praça Raul Soares e esse relógio sempre foi uma referência pra mim. Achava bonito e útil pra olhar as horas. Agora, a publicidade do banco tinha que ser tirada mesmo. Mas o relógio era uma marca da cidade e seria legal manter”.

“Ah, recebo com tristeza essa informação. Considero o relógio um dos marcos da cidade, até na questão da localização. Sempre achei muito interessante andar pela região central e conseguir me localizar. É algo que é tão do dia-a-dia, algo que já está no imaginário do belo-horizontino”.

Artur Colito, estagiário de Direito

Ana Cardoso, advogada

Belo Horizonte, 6 a 12 de setembro de 2019

GERAL

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Número da Semana

1,9 bilhão

Esse é o valor do corte orçamentário no Programa Minha Casa Minha Vida, o que equivale a 41% do recurso destinado ao projeto. O corte está previsto na Proposta de Lei Orçamentária (PLOA) de 2020, encaminhada pelo governo para o Congresso Nacional. Se aprovada a PLOA, apenas R$ 2,7 bilhões serão destinados ao programa no ano que vem. De 2009 a 2018, a média anual orçamentária do MCMV foi de R$ 11,3 bilhões.

Novo centro de castração! Reproducao PBH

Inaugurado novo Centro de Esterilização de Cães e Gatos em Belo Horizonte! Na unidade será realizada, gratuitamente, a castração de animais. Os interessados podem agendar atendimento, pelo telefone 3277-

9052 ou presencialmente na rua Antônio Olinto, 969, Esplanada. A castração de cães e gatos também pode ser realizada gratuitamente em outros quatro centros; no Barreiro, e nas regiões norte, oeste e noroeste.

Declaração da Semana

Carlos Silva AFP

“Não vou fugir e nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam viver e produzir com dignidade sem devastar.” Dorothy Stang

Na semana em que acontece o Grito dos Excluídos, no dia 7 de setembro, relembramos a história da Irmã Dorothy, que dedicou sua vida para a luta em defesa dos povos e da Amazônia.


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CIDADES

Belo Horizonte, 6 a 12 de setembro de 2019

Atingidos vão construir a primeira casa de Bento Rodrigues, 4 anos após rompimento da barragem PROTESTO Construção faz parte da jornada de lutas“A Vale destrói, o povo constrói!”, que acontece em BH, Mariana e Brumadinho Rafaella Dotta nada de protestos. A programação acontece rompimento da barra- de outubro a janeiro, margem da Samarco (Vale cando a data dos dois mais e BHP Billiton), na cida- graves rompimentos de barde de Mariana, já comple- ragens que Minas Gerais ta quatro anos em 5 de no- já viu, o do Rio Doce – barvembro. E o que parece ragem da Samarco/Vale/ inacreditável está aconte- BHP em Mariana – e o do cendo: até agora, nenhu- Paraopeba – barragem da ma casa foi levantada e en- Vale em Brumadinho. Os tregue aos ex-moradores atingidos denunciam a falde Bento Rodrigues, apesar ta de punição aos responda muita publicidade fei- sáveis pelos rompimenta pelas mineradoras sobre tos, que causaram a morte o “primeiro tijolo das novas de 292 pessoas; e a atitude casas” ter sido colocado em das mineradoras, que estão julho deste ano. negando direitos básicos. Como forma de denúncia, essa deve ser a primeira ação de uma jornada de lu- Atingidos convidam tas do Movimento de Atin- população A divulgação e particigidos por Barragens (MAB). pação de pessoas que não Em outubro, eles promeforam atingidas é essentem começar a construção cial, destaca a integrante de uma casa no distrito de Barra Longa, que foi afeta- do MAB, Soniamara Marado pelo rompimento da bar- nho. “É importante o envolragem de Fundão, em 2015. vimento de toda a sociedaEsse é o ponto central do de nesta jornada porque a lema “A Vale destrói, o povo mineração não afeta só as constrói”, adotado pela jor- populações locais, ela des-

Flávio Ribeiro/Portal VERTICES

Programação – Jornada de Lutas “A Vale destrói, o povo constrói!”

O

Início da construção da casa: Outubro, em Barra Longa Encontro das Mulheres Atingidas por Barragens: 25 e 26 de outubro, em Belo Horizonte

trói todas as condições para a nossa sobrevivência”, lembra. Por isso, Soniamara argumenta que mobilizar-se para esta pauta é um dever de todos. Já no lançamento da jornada na noite de quarta (4), em Belo Horizonte, o movimento contou com o compromisso de apoio de diversas entidades, como o Sindágua, o Sindieletro, o Coletivo Alvorada, o movimento Levante

Popular da Juventude, o coletivo Linhas do Horizonte, a Marcha Mundial das Mulheres, a deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT), o deputado federal Patrus Ananias (PT), a Arquidiocese de Belo Horizonte, o Movimento de Trabalhadores por Direitos (MTD), o SindUTE, o Sindicato dos Jornalistas, Sindicato do Correios, DCE UFMG, Sindipetro e o Bloco Sou Vermelho.

Encontro dos Atingidos e Atingidas: 3 a 5 de novembro, em Mariana Festival Cultural da Água “Pelos Rios, Pela Água e Pela Vida!”: 6 de dezembro, em Belo Horizonte Marcha dos Atingidos e Atingidas: 20 a 25 de janeiro de 2020, de Pompéu a Brumadinho

Vítimas que tiveram contaminação no corpo comprovada travam luta para conseguir consultas Raíssa Lopes

H

á mais de um ano, o Brasil de Fato noticiou a contaminação de onze atingidos pela barragem da Samarco em Barra Longa (MG) com alto níveis de metais pesados (como níquel e arsênio) no sangue. Ainda em 2018, falávamos sobre a dificuldade do acesso a tratamentos de saúde

que afligia as vítimas. Até o momento, parece que nada mudou. A pequena Sofia, que tinha 10 meses de vida em novembro de 2015, quando a barragem de Fundão se rompeu na cidade de Mariana e atingiu sua casa em Barra longa, hoje tem 4 anos. Ela luta desde bebê com problemas para respirar, feridas na pele, alergias, febre, diarreia, coceira. Sofia

toma altas doses de corticoide, antitérmicos e usa bombinha e nebulização. De acordo com o último exame da criança, o nível da contaminação do corpo cresceu. Simone, mãe de Sofia, está cansada física e psicologicamente. Ela diz não “aguentar mais” o descaso da Fundação Renova [empresa criada pela Samarco para reparação dos danos causados às vítimas]. Ela declara que

para toda consulta ou exame que Sofia tem que fazer é preciso travar uma briga exaustiva com a Renova, às vezes até envolvendo o Ministério Público. “A gente fica até o último segundo sem saber se vai ter exame”, relata Simone. Aline Pacheco, psicóloga da assessoria técnica que acompanha as vítimas (Associação Estadual de Defesa Ambiental e Social – Aedas), explica que “é uma ci-

dade inteira [Barra Longa] querendo saber se determinados sintomas se referem a metais pesados ou não”. Posicionamento Renova A Renova declarou que “suplementa” o município de Barra Longa com 20 profissionais que atuam no SUS e no Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e oferece uma ambulância e dois veículos para o atendimento aos atingidos.


Belo Horizonte, 6 a 12 de setembro de 2019

MINAS

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Segundo maior mineroduto do mundo pode ser construído no Norte de Minas AMEAÇA Se aprovado, projeto de empresa com capital chinês terá 482 km e poderá consumir até 54 milhões de m³ de água em região de seca por ano Midia NINJA

Raíssa Lopes

M

ais um empreendimento de mineração poderá tomar uma grande parte de Minas Gerais. O projeto é da empresa de capital chinês Sul Americana de Metais (SAM), que tenta implementar o negócio na região do Vale das Cancelas, Norte do estado, desde 2010. Anteriormente, o plano era conhecido como Projeto Vale do Rio Pardo e foi negado pelo Ibama por inviabilidade ambiental. Este projeto previa a construção de um complexo minerário (com barragens de rejeito e de água, mina, usina de tratamento de minério, etc.) e um mineroduto de 482 km que transportaria minério por 20 municípios até chegar a Ilhéus, na Bahia, de onde o produto seguiria para a China.

Se implementado seriam consumidos 6,2 milhões de litros de água por hora Com o veto do Ibama, a SAM reformulou o projeto, que hoje se chama Bloco 8, retirando o mineroduto da proposta. O mineroduto, no entanto, ainda tem previsão de ser construído e de acordo com o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) do Bloco 8, por uma “empresa independente”. Porém, movimentos sociais denunciam que a empresa encarregada da construção do mineroduto, Lotus Brasil Comércio e Logística LTDA, é sócia da SAM.

Mineroduto sendo construído em Santa Maria de Itabira

O desmembramento do projeto configuraria, então, uma estratégia da empresa para conseguir licenciamento para os dois empreendimentos, o complexo minerário e o mineroduto. Outra denúncia é de que os projetos não teriam nada de diferente do que constava no não aprovado Vale do Rio Pardo. “A empresa reformulou esse projeto e retirou o mineroduto para licenciar a cava no governo de Minas e deixar o mineroduto para o Ibama. Como o mineroduto passa por dois estados, [Minas/ Bahia], só poderia ser licenciado pelo Ibama, um órgão federal”, explica Felipe Soares, do Movimento dos Atingidos Por Barragens (MAB). Números do Bloco 8 e Vale do Rio Pardo O Bloco 8 construiria a maior barragem de rejeitos de todo o Brasil e uma das maiores da América Latina. O projeto estará localizado nos municípios de Grão Mo-

Comunidades já vivem problema sério com falta de água gol, Padre Carvalho, Fruta de Leite e Josenópolis. Segundo estudo do MAB e da Comissão Pastoral da Terra (CPT-MG), seriam 2596 hectares de barragem e aproximadamente 1,5 bilhão de toneladas de rejeito de minério armazenadas. Já o mineroduto só perderia em extensão para o maior do mundo, o Minas-Rio da Anglo American, que tem 529 km. Além disso, o complexo minerário consumiria 6,2 milhões de litros de água por hora na região, que sofre com a seca. A Sul Americana de Metais já possui uma outorga – o direito de uso – da Agência Nacional das Águas (ANA) que lhe permite retirar 54 milhões de m³ de água por ano da barragem de Igarapé, construída no rio Jequitinhonha, para

utilizar no projeto. É quantidade suficiente para abastecer por dois anos uma cidade de 400 mil pessoas. “As comunidades do Vale das Cancelas vivem um problema sério de acesso à água, até para o consumo. E a empresa está falando que a mineração vai proporcionar água. Não esclarecem o objetivo real desse projeto. Na verdade, a única coisa que consta no documento é que parte da água vai ser destinada ao Estado, que decidirá como usar”, pontua Felipe.

Projeto teria 2596 hectares de barragem e 1,5 bilhão de toneladas de rejeito de minério O que a SAM diz Em nota, a empresa informou à reportagem que se comunica com as comunidades. “Estamos constantemente em contato com cada uma das pessoas e famílias envolvidas no processo. Várias reuniões foram realizadas e continuarão a acontecer considerando e respeitando o direito à informação e à consulta prévia”. A instituição declara que o empreendimento “transformará de maneira muito positiva toda a região”.

Empresa não dialogou com população Apesar do alto número de consequências, a SAM não teria discutido o projeto com nenhuma das comunidades afetadas, como conta o gerazeiro Adair Pereira de Almeida. Aos 45 anos, ele integra o Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos de Minas Gerais (PPDDH-MG) por se posicionar contra mineradoras, grileiros e empresas de eucalipto. “A gente quer e deve ser consultado. A empresa está desrespeitando a lei. A comunidade tem que participar do planejamento”, diz. Ele conta que os atingidos já realizaram diversas manifestações, audiências públicas na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e Senado Federal e acionaram a Organização das Nações Unidas (ONU). “Será que não existe outra fonte de desenvolvimento que possa ser sustentável?”, questiona o gerazeiro.

Em que pé está? O projeto está em fase de licenciamento ambiental. A análise foi pausada apenas pela ocorrência do crime da Vale em Brumadinho, no dia 25 de janeiro deste ano. Movimentos e população aguardam uma audiência pública sem data definida.


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CIDADES

Belo Horizonte, 6 a 12 de setembro de 2019

Confira lista das cidades mineiras onde ocorrerá o Grito dos excluídos LUTA A edição deste ano traz como lema “Este sistema não Vale”, e atos reforçam luta pela educação Midia NINJA e pela aposentadoria Da redação populares

Um grito de basta contra todas as opressões e violações que o povo brasileiro vem sofrendo no último período. Com o tema: “Este sistema não vale”, o Grito dos Excluídos de 2019 vem para denunciar as mazelas do sistema econômico que coloca o lucro, o poder e a ganância acima da vida. A manifestação, organizada pelas pastorais sociais, religiosos, movimentos

e sindicatos acontece sempre no dia 7 de setembro, dia da Independência do Brasil. Centenas de cidades por todo o país organizam manifestações. Neste ano, o Grito será também de protestos convocados pela União Nacional dos Estudantes, no dia nacional de mobilização em denúncia contra os ataques do governo Bolsonaro à educação pública.

Cidades mineiras que realizam o Grito dos Excluídos de 2019 BELO HORIZONTE MONTES CLAROS JUIZ DE FORA BARBACENA 9:30h - Concentração 7:30h - Concentração 9h - Concentração na 10:30h - Concentração Viaduto Santa Tereza Praça Matriz Rua Oscar Vidal com Av. Rua Bias Fortes, 187 Rio Branco Centro

POÇOS DE CALDAS 10h - Centro

SÃO JOÃO DEL REI GOVERNADOR 9h - Concentração VALADARES em frente ao Teatro 8h - Concentração na Praça Serra Lima Municipal

UBERLÂNDIA 8:30h - Concentração Praça Sérgio Pacheco

Frente pela soberania nacional convoca atos em defesa das estatais e serviços públicos Com a participação de mais de 300 pessoas, em seminário realizado na terça-feira (4) na Câmara dos Deputados, foi lançada a Frente Popular e Parlamentar em Defesa da Soberania Nacional. A iniciativa foi convocada pela Frente Brasil Popular e demarca posição contra as políticas privatistas e neoliberais do governo de extrema

Objetivo é barrar a venda do patrimônio público direita de Jair Bolsonaro (PSL). Além de um dia intenso de debates e do lançamento de um manifesto coletivo pela soberania nacional, os deputados, senadores,

representantes de partidos políticos, movimentos populares, igrejas, ONGs e outras instituições que compõem a nova frente também anunciaram um calendário de atos pelo Brasil. Estão previstas manifestações em defesa dos Correios, da Petrobras, da Amazônia, dos bancos públicos, da reestatização da Vale, da

Base de Alcântara e da Eletrobras. A articulação prevê também a criação de um comitê nacioal. Em setembro ocorrerá no dia 20 um dia Nacional de manifestações contra a destruição do Brasil; dia 24 uma manifestação contra reforma a da Previdência no Senado; e 26 um ato em Brasília (DF) em defesa dos Correios.

Nossos direitos

COMO FAZER CONTATO COM PESSOAS PRESAS? Ao contrário do que muitos pensam, os presos são dotados de direitos que visam a assegurar seu tratamento humanitário, integridade e contribuir com a sua ressocialização. Dentre os direitos previstos estão o de visita pela família, amigos, e o de receber e escrever cartas. Por vezes a família está distante da unidade prisional não tem condições de realizar visitas ao preso, e para isso, a carta pode ser usada para comunicação. A carta deve ter no máximo 20g (três folhas), não podendo conter qualquer tipo de objeto além das folhas. As cartas estão sujeitas a vistoria. O endereçamento é para a unidade prisional em que a pessoa estiver. Caso seja possível a visita pessoal, é necessário o prévio credenciamento no NAF (Núcleo de Assistência à Família do Preso), que está presente nos postos UAI em diversas cidades no estado. Onde não existir o NAF, o credenciamento é feito na unidade prisional em que a pessoa estiver. Jonathan Hassen é advogado popular


ESPECIAL

Minas Gerais

MG Belo Horizonte, setembro de 2019 • brasildefatomg.com.br • distribuição gratuita

OS RISCOS POR TRÁS DA PRIVATIZAÇÃO DA REGAP

O que é a Gabriel Passos Cheiro de enxofre e acidentes Grupo Total de olho na refinaria


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ESPECIAL

Belo Horizonte, 6 a 12 de setembro de 2019

Desfazer da Regap pode levar a aumento do desemprego e do preço do combustível PRIORIDADES Refinaria de Betim está no segundo grupo de lista de “desinvestimento” da Petrobras Tomaz Silva - Agência Brasil

Joana Tavares

D

escoberta do pré-sal. Grampos ilegais envolvendo a presidenta do Brasil. Aumento do preço dos combustíveis e do gás de cozinha. São muitos os exemplos e indícios de que a Petrobras está no centro de muitas decisões e operações políticas dos últimos anos. Desde o governo golpista de Michel Temer, as tentativas de vender a empresa estão cada vez mais nítidas. Em abril de 2019, sob governo da extrema direita de Jair Bolsonaro, a empresa lançou comunicado de venda de oito refinarias. “Os desinvestimentos representam, aproximadamente, 50% da capacidade de refino nacional, totalizando 1,1 milhão de barris por dia de petróleo processado”, diz nota oficial da companhia. A primeira fase, que inclui a venda das refinarias Rnest (PE), Rlam (BA), Repar (PR), e Refap (RS), assim como seus ativos logísticos correspondentes, está em an-

damento. A segunda, que inclui as refinarias Regap (MG), Reman (AM), Six (PR) e Lubnor (CE) e ativos logísticos correspondentes, também de acordo com a nota, será divulgada ainda este ano. “Os desinvestimentos em refino estão alinhados à otimização de portfólio e à melhoria de alocação do capital da companhia, visando à maximização de valor para os nossos acionistas”, justifica a companhia. Segundo a Secretaria Municipal de Finanças, Plane-

O que é a Regap Minas Gerais abriga quatro unidades da Petrobras, sendo a maior delas a Refinaria Gabriel Passos (Regap), localizada em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte. A planta completou 50 anos em 2018 e tem capacidade de processamento de 150 mil barris de petróleo por dia. Entre seus principais produtos estão a gasolina, diesel, combustível

marítimo, querosene de aviação, e outros. “A Regap produz cerca de 60% da capacidade de abastecimento do estado de Minas Gerais”, pontua Cloviomar Cararine, do Dieese. Além do estado, a unidade atende parte do mercado do Espírito Santo. Segundo estimativa do Dieese, a refinaria conta com 760 trabalhadores próprios e cerca de 1100 terceirizados.

jamento, Gestão, Orçamento e Obras Públicas de Betim, a Refinaria Gabriel Passos - Regap passa em média R$ 30 milhões por mês para o município. “Não há nenhum estudo específico sobre o impacto da privatização, mas a atual gestão acredita que, com a privatização, o recebimento de impostos será superior”, diz, em nota, a Prefeitura da cidade.

1998

2001

Menos produção e menos emprego “O que a empresa, o governo e alguns especialistas de mercado têm comentado é que a privatização da refinaria teoricamente não mudaria nada: ela continuaria produzindo e pagando os impostos que já paga. A questão é que as empresas privadas costumam pedir isenção de impostos”, argumenta Felipe Pinheiro, diretor do Sindicato dos Petroleiros de Minas. Outra possível consequência da privatização levantada pelo dirigente sindical diz respeito à redução das atividades. “Uma empresa privada pode, em um determinado momento do ano, conforme o valor do preço do petróleo, decidir reduzir a produção ou mesmo não operar. Se a empresa for privatizada, a Re-

Vazamento de nafta na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim, matou cinco pessoas e deixou várias feridas

Explosão da P-36, maior plataforma de produção de petróleo em alto-mar à época, causando a morte de 11 pessoas na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro

gap não tem mais necessariamente o interesse de abastecer o mercado de Minas e região. O interesse é lucro”, destaca. Com a diminuição da produção, os preços dos combustíveis podem aumentar, assim como o desemprego. Cloviomar Cararine, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), acrescenta que a privatização leva a mudanças na arrecação dos royalties, que podem ser até zerados. “O petróleo utilizado na produção da refinaria poderá ser importado e não produzido no Brasil”, exemplifica. A segurança do trabalho é outro fator que pode piorar com a venda da unidade para uma empresa privada. “Eles vão querer que a gente trabalhe com produção acima de tudo, inclusive da segurança, com risco de perder vidas”, diz Érica Nunes, que trabalha como operadora na Regap.

ACIDENTES GRAVES NA PETROBRAS Vazamento de 1,3 milhão de litros de óleo combustível nas águas da Baía de Guanabara (RJ)

Explosão do tanque de águas ácidas seguida de incêndio na Refinaria de Paulínia (Replan), a maior da Petrobras

2000

2018


Belo Horizonte, 6 a 12 de setembro de 2019

ESPECIAL

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Sucatear para privatizar: velha fórmula é aplicada na Gabriel Passos DENÚNCIA Sindicato avalia que Petrobras tem reduzido os investimentos em manutenções, aumentando risco de acidentes Reprodução/Petrobras

Thaís Mota

A

ntes mesmo do anúncio oficial da venda da Refinaria Gabriel Passos (Regap), a unidade já tem operado em condições bem abaixo das ideais. A denúncia é feita pelo Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (Sindipetro/MG), que é taxativo ao afirmar que a unidade tem sido sucateada já com vistas à sua privatização. “Nos últimos anos, a Petrobras tem reduzido muito os investimentos em manutenções preventivas e isso tem levado a acidentes graves, alguns deles com potencial para se tornarem grandes tragédias”, alerta Alexandre Finamori, diretor do Sindipetro/MG e também da Federação Única dos Petroleiros (FUP).

Neste ano, moradores sofreram com forte cheiro de enxofre no entorno da refinaria Um desses casos ocorreu em 12 de junho deste ano, quando dois vazamentos de produtos inflamáveis ocorreram em uma mesma unidade da refinaria. Em um deles, houve um princípio de incêndio que foi rapidamente controlado, porém, ambos tinham grande potencial para provocar incêndios de maiores proporções ou até uma explosão. Também este ano, Finamori explica que o sindicato já denunciou mais de uma vez um vazamento de um

Dois vazamentos de produtos inflamáveis ocorreram em junho, em uma mesma unidade produto chamado dimetil dissulfeto. Esse vazamento estaria ocorrendo por más condições de acondicionamento do produto - que é altamente tóxico e, inclusive, teria provocado licença médica de um trabalhador. Esse mesmo vazamento motivou uma denúncia de moradores do entorno da refinaria, que em julho deste ano registraram cinco boletins de ocorrência em razão do forte odor do produto químico na região. “Era um cheiro tão forte, de enxofre, que provocava náuseas, dor de cabeça, secura na boca, nos olhos. Piorava de madrugada, entre 3h e 4h da manhã e a gente precisava sair de casa”, relata a advogada Verena Maria Marques da Silva, que, junto com um grupo de mais de 200 pessoas de bairros vizinhos à refinaria, buscou diversos órgãos para denunciar a situação, como o Ministério Público estadual e federal, Câmara de Vereadores, Polícia Militar e Ambiental. Segundo a advogada, o cheiro diminuiu após essa pressão, mas eles estudam entrar com outras ações para pedir reparação pelos danos. Perguntada sobre o assunto, a Petrobras não se manifestou.

E se a Petrobras se tornasse uma nova Vale? Reprodução/Sindipetro

Os crimes da Vale em Brumadinho e Mariana, além da ameaça de repetição em outras cidades mineiras, acenderam um alerta na sociedade brasileira sobre os riscos da privatização. Isso porque a iniciativa privada procura a maximização de lucros acima de qualquer coisa, inclusive da segurança de trabalhadores, do meio ambiente e da população. No caso da Regap, um documento ao qual o Brasil de Fato teve acesso traça alguns dos possíveis cenários de acidentes. Um dos piores deles seria a explosão de um tanque de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) - mais conhecido como gás de cozinha - atingindo até 1,5 quilômetro do local do acidente. Outro cenário traçado no documento é o de vazamento de gás combustível e sul-

Explosão na refinaria de Paulínia, em SP, em 2018

feto de hidrogênio (H²S) que levantaria uma nuvem tóxica que pode ser fatal. A contaminação pode chegar a um raio de até 2 quilômetros do local - atingindo comunidades no entorno da refinaria, como é o caso dos bairros Petrovale, Petrolina e Cascata, em Ibirité. Também há um cenário de rompimento de uma barragem de água - conhecida como Lagoa da Petrobrás

- mantida pela Regap para abastecimento da indústria. A represa tem capacidade para armazenar 20 milhões de metros cúbicos de água e, em caso de queda, atingiria os municípios de Betim, Mário Campos, Sarzedo, São Joaquim de Bicas. Em alguns deles, como é o caso de Mário Campos e Sarzedo, a água poderia atingir mais de 500 residências em cada uma das cidades.


14 ESPECIAL

Belo Horizonte, 6 a 12 de setembro de 2019

Venda de partes da Petrobras vai na contramão das tendências do mercado INTERESSES Grandes petrolíferas têm atuado em todos os ramos do petróleo, enquanto governo defende “enxugamento” Reprodução

Wallace Oliveira

A

o declarar, no mês de julho, o interesse na venda da Regap e de outras refinarias, o presidente da Petrobras, Roberto Castelo Branco, disse haver interessados potenciais na aquisição das unidades. Analistas sugerem que um grande comprador da unidade de Minas Gerais, a Regap, pode ser o grupo Total S.A., presente em 130 países e com sede na França. Os negócios do grupo abrangem toda a cadeia do petróleo: exploração, produção, prospecção, refinamento, distribuição, trading e transporte marítimo. Em novembro de 2018, o grupo Total ingressou na distribuição de combustíveis no sudeste brasileiro, ao adquirir por R$ 500 mi-

lhões a Zema Petróleo, a Zema Diesel e a Zema Importação, pertencentes ao hoje governador de Minas, Romeu Zema (Novo). Em 2014, a Zema, agora propriedade do grupo Total, iniciou operações juntamente com outras três distribuidoras, no Condomínio RBZ, que possui ligação direta com a Regap. Verticalização A presidência da Petrobras alega que, ao vender as refinarias, vai poder se concentrar na exploração e produção de petróleo e gás, abrindo mão de outras áreas, como o refino, transporte e distribuição, tornando a empresa “enxuta”, com menos investimentos e menos trabalhadores empregados. Segundo o economista Rodrigo Leão, diretor técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural

Rede Total, da França, adquiriu no ano passado os postos Zema e é um dos interessados na compra da Regap

e Biocombustíveis (Ineep), essa ideia vai na contramão do que têm feito as grandes petrolíferas em todo o mundo. Elas buscam atuar verticalmente, desde a retirada do petróleo do mar ou terra até a venda de derivados. Em primeiro lugar, as petrolíferas fazem isso para aumentar o potencial de acu-

mulação de capital. “À medida em que avança dentro da cadeia petrolífera, você está agregando valor aos produtos. Gasolina, diesel e outros derivados custam mais caro que o petróleo cru”, explica. Ainda segundo o economista, no setor petroquímico, algumas áreas são mais sensíveis do que outras a flu-

tuações nos preços e demandas. “É preciso atuar em todos os segmentos para ter flexibilidade. Isso pode ajudar a sofrer menos com mudanças no mercado. Hoje, a Petrobras está desconsiderando esses aspectos e fazendo uma aposta de alto risco no preço do petróleo em um patamar x, ficando só na área de extração”, adverte.

Redução da dívida poderia ser feita de outro modo José CruzAgência Brasil

Durante o governo de Dilma Rousseff (PT), a dívida da Petrobras cresceu consideravelmente. Entre os fatores que levaram a um maior endividamento, está o fato de que mais de 80% da dívida está cotada em moeda estrangeira, sobretudo o dólar, que passou de R$ 1,56 em 2011 para R$ 3,97 em 2015. Além disso, houve uma queda razoável no preço do barril. Ademais, a Petrobras também fez grandes investimentos para viabilizar o pré-sal e adotou uma política de preços que gerou certo ônus para a empresa, mas proporcionou combustíveis mais ba-

“Não existe nada inegociável, tudo depende do preço”, disse presidente da Petrobras escolhido por Bolsonaro, Castello Branco

ratos para a população. Desde a gestão de Pedro Parente, no governo Temer (MDB), seguido por Castello Branco, no governo Bolsonaro (PSL), alega-se que a fórmula para diminuir a dívida no curto prazo é vender ativos, entre os quais as refina-

rias. Porém, se com Parente predominou a estratégia de priorizar o lucro dos acionistas da Petrobras - o que envolveu uma política de preços que encareceu o gás, a gasolina e diesel para os brasileiros - atualmente, a estatal é reduzida a mero fundo

financeiro para captar receitas. Para o economista Rodrigo Leão, há sérios equívocos nessa política de redução da dívida no curto prazo. “O processo de redução de dívida pode acontecer de maneira mais suave do que vem ocorrendo.

O problema é que a Petrobras decidiu reduzir essa relação muito rápido, em três anos. Para fazer isso, você tem que vender um volume de ativos para gerar receita”, observa. O governo teria alternativas mais racionais do que abrir mão de segmentos importantes. “Há instrumentos públicos como os bancos para financiamento, sem necessidade de vender ativos”, aponta.

Confira os especiais: Privatização da Petrobras aumenta preço da gasolina e gás de cozinha: -tinyurl.com/y38osrdu Com alta dos combustíveis, preço dos alimentos disparam - tinyurl.com/y572qkjm


Belo Horizonte, 6 a 12 de setembro de 2019

BRASIL

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Bolsonaro vai vender setor que ele mesmo afirmou ser vital para qualquer “país sério” SOBERANIA Quando deputado, o capitão reformado apontava o risco de se privatizar áreas como a de energia Agência Brasil

Pedro Biondi “A ‘questão’ (sic) de energia elétrica no Brasil: isso simplesmente é estratégico, é vital. País sério nenhum no mundo faz isso – entregar isso para outros países”, enfatizava um então deputado federal de extrema direita caricata há exatos dois anos, em vídeo no qual se declarava favorável a privatizar “várias coisas”. “E você estar tirando de uma estatal brasileira para botar nas mãos de uma estatal chinesa?! Ou seja, eles vão decidir o preço da nossa energia e onde, com toda certeza, no futuro, estará chegando essa energia.” Como previsto, muito patrimônio foi entregue na “Ponte para o futuro” do governo Michel Temer (MDB), mas o capitão reformado não mudou “isso daí”. Pelo contrário. Grupos empresariais controlados por (ou

Na contramão do mundo

com forte participação de) governos de outros países seguem comprando subsidiárias e lotes nos leilões dos setores elétricos e de petróleo e gás, e despontam como favoritos a arrematar a Eletrobras, caso o governo consiga levar adiante a entrega do patrimônio público. Uma possível compradora seria justamente a chinesa State Grid. Com 23 concessionárias em 14 estados

Lula faz alerta sobre soberania: “Os pobres são os que mais sofrem com essa traição”

e 11.169 quilômetros em linhas de transmissão, a State Grid declara-se a maior distribuidora de energia do país. A chinesa também é apontada como candidata a arrematar a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), que o governador Romeu Zema (Novo) pretende passar adiante, apesar de ter registrado seu melhor balanço semestral – um lucro líquido de R$ 2,1 bilhões.

Mapeamento de 2017 contabiliza 884 serviços devolvidos ao controle público em todo o mundo desde o ano de 2000. São concessões não renovadas, contratos rompidos ou empresas compradas de volta em função de insatisfação popular com as tarifas e o atendimento. Mais de 80% dos casos aconteceram de 2009 em diante. Nailor Gato, da FNU, lembra do exemplo da Enel Goiás, eleita pior distribuidora do país nos últimos dois anos, depois de demitir mil funcionários – metade

Em agosto, queimadas devastaram área 300% maior do que em 2018 AMAZÔNIA Com a explosão de focos de incêndio, destruição da floresta já supera total registrado no ano passado inteiro Joao Laet/AFP

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou na quarta-feira (4) uma carta aos participantes do “Ato e Seminário pela Soberania Nacional e Popular”, em Brasília (DF). O texto expressa preocupação com os processos de privatização e entrega do patrimônio nacional encabeçados pelo governo Jair Bolsonaro (PSL). “Os

pobres são os que mais sofrem com essa traição. O povo brasileiro terá mais uma vez que tomar seu próprio caminho. Antes que seja tarde demais para salvar o futuro”, escreve o ex-presidente na carta, ao citar especificamente a destruição da Amazônia, da Petrobras e das cadeias produtivas do óleo e do gás.

do quadro – da antiga Companhia Energética de Goiás (Celg). “Eles estão tentando devolver a concessão para a União, porque não dão conta de cumprir as condições do contrato”, diz, mencionando, ainda, condições exaustivas e alto índice de acidentes de trabalho. Após o governador Ronaldo Caiado (DEM) pressionar pelo cancelamento da concessão, em 26 de agosto a empresa assinou um acordo comprometendo-se a melhorar os serviços no estado.

O volume de áreas queimadas na Amazônia em agosto deste ano foi 300% superior ao do mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). No mês, os incêndios destruíram 24.944 km² da floresta, contra 6.048 km² em agosto de 2018. Com o crescimento, a área perdida na Amazônia neste ano, até aqui, é de 43.573 km², maior

do que o total de 2018 inteiro, que foi de 43.171 km². Um dado alarmante é que,

dentro da série histórica do Inpe, o mês de setembro é o que tradicionalmente registra o maior número de queimadas – chegando, em alguns anos, a alcançar o dobro de agosto. Nos dois primeiros dias de setembro, os sistemas do Inpe identificaram cerca de mil focos na região Amazônia. Os municípios com mais focos de incêndio são também aqueles que sofreram maior desmatamento neste ano.


14 BRASIL 12

Belo Horizonte, 6 a 12 de setembro de 2019

Justiça decreta prisão de seguranças acusados de torturar jovem em mercado Reprodução

Da redação Os seguranças Waldir Bispo dos Santos e Davi de Oliveira Fernandes, acusados de torturar um adolescente de 17 anos numa unidade do supermercado Ricoy, em São Paulo, tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça na noite de quarta-feira (4). A tortura do jovem aconteceu no mês passado na Cidade Ademar, Zona Sul, e veio a público nesta semana com a divulgação de um vídeo de celular feito pelos próprios agressores. O jovem agredido no supermercado Ricoy vive em situação de rua desde os 12 anos de idade. Ele sobrevi-

ve como catador de latinhas. O conselheiro do Condepe conta que o rapaz vem de uma família de sete irmãos, e é orfão de pai. Mesmo quase um mês depois da tortura, a vítima ainda tem marcas das feridas feitas com o chicote. O Brasil de Fato teve acesso também a um segundo vídeo e imagens (foto) mos-

trando outros casos de tortura física e psicológica na rede Ricoy. As pessoas torturadas são acusadas de tentativa de furto ao supermercado. Elas então são recolhidas a uma sala, amarradas e recebem chicotadas. Os seguranças que tiveram a prisão decretada têm histórico de passagens pela polícia, um por agressão à mulher, outro por roubo.

SIND-UTE/MG CONVOCA TRABALHADORES E TRABALHADORAS EM EDUCAÇÃO NAS ESCOLAS, SRE'S E ÓRGÃO CENTRAL

“Vivemos a ascensão da barbárie”, diz membro do Condepe sobre tortura em mercado Ariel de Castro Alves, integrante do Conselho Estadual de Direitos Humanos de SP (Condepe), acompanha as investigações. “Nós estamos em uma ascensão de incivilidade, de barbárie no Brasil. Uma parcela da sociedade brasileira acha que foi pouco o que o menino sofreu em razão de um furto famélico, de valor insignificante, uma barra de chocolate”, afirmou o conselheiro do Condepe. “Os discursos de ódio - favoráveis à tortura, à violência policial, à violência por parte de seguranças - são estimulados por políticos, como o governador de São Paulo, o do Rio de Janeiro e o próprio presidente da República. Eles também influenciam para que uma parcela da sociedade brasileira seja favorável à tortura, à violência e ao racismo”. ANÚNCIO

12 SET/2019 14h CONTRA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA E O REGIME DE RECUPERAÇÃO FISCAL PISO SALARIAL EM DEFESA DO EMPREGO EM DEFESA DAS NOMEAÇÕES PELO PAGAMENTO DO ADVEB, PROMOÇÕES E PROGRESSÕES

PARALISAÇÃO TOTAL DAS ATIVIDADES

FIM DO ATRASO E PARCELAMENTO DE SALÁRIOS. PELO PAGAMENTO DO 13º SALÁRIO DE 2019

www.sindutemg.org.br Pátio da ALMG - R. Rodrigues Caldas, 30 - Stº Agostinho - BH/MG


Belo Horizonte,6 a 12 de setembro de 2019

13 VARIEDADES 15

CIÊNCIA, COISA BOA!

Dicas Mastigadas

ÓLEO DE COCO É BOM PRA QUÊ?

YAKISOBA Reprodução

Ingredientes • • • • • • • • • • •

300 g de macarrão para yakisoba 1 cebola grande picada em pedaços médios 1 colher (sopa) de óleo 1/2 maço pequeno de brócolis 1/2 maço pequeno de couve-flor 250 ml de molho para yakissoba 6 colheres (sopa) de molho shoyu 100 g de champignon 1 cenoura cortada na diagonal 4 folhas de acelga cortadas na diagonal Opcional: 400 g de tirinhas de carne (mignon, patinho ou alcatra)

Modo de Preparo 1. Cozinhe o macarrão em água salgada e reserve. Em uma panela grande, coloque o óleo e refogue a cebola. Acrescente o brócolis, a couve-flor, a cenoura, a acelga, o champignon e tempere com shoyu. Se quiser fazer com carne, coloque junto com os legumes e refogue. 2. Despeje o molho para yakisoba e deixe cozinhar até os legumes ficarem cozidos em ponto al dente. Adicione o macarrão, misture bem e sirva logo a seguir. Caso não encontre o molho para yakisoba, utilize apenas o molho shoyu com um toque de óleo de gergelim.

Participe enviando sugestões para redacaomg@brasildefato.com.br.

Já falei em outras edições que devemos desconfiar de dietas, tratamentos e substâncias milagrosas. Sempre que algo oferecer mil benefícios pra saúde, fique ligado que provavelmente se trata só de mais um modismo. Introdução feita, atendo hoje ao pedido de uma querida leitora, curiosa acerca do que a ciência sabe sobre o óleo de coco. Numa rápida busca na internet descobri que entre a lista de milagres atribuídos a ele estão: emagrecimento, ação antimicrobiana, tratamento de doenças (como Alzheimer e cardiovasculares), fortificante e hidratante da pele e do cabelo... Há estudos científicos disponíveis sobre grande parte desses assuntos. Porém, eles ainda são bastante inconclusivos. Ou seja, Óleo de coco são necessários mais tempo e estudos para que tenhamos certezas aqui. possui bem mais gorduras Fato é que o óleo de coco é muito rico em gorduras saturadas, como as encontradas saturadas do gorduras de origem animal. Isso inclusique a manteiga,nas ve que dá a consistência mais pastosa desse a banha de óleo em comparação com o de outros vegeporco e de boi tais, como o de soja, milho ou oliva, ricos em gorduras insaturadas. Surpreendentemente, o coco possui bem mais gorduras saturadas do que a manteiga, a banha de porco e de boi! A Organização Mundial da Saúde desaconselha o consumo de gorduras saturadas, por sua relação já conhecida com doenças cardiovasculares e obesidade. Assim, é preferível utilizar óleo de soja ou azeite do que o de coco no preparo de alimentos. Há quem afirme o contrário. Que os tipos de ácidos graxos presentes no coco têm a capacidade de diminuir o colesterol ruim e auxiliar no emagrecimento, além de curar doenças. Frente a essa polêmica, importantes entidades como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, as Associações Brasileiras de Nutrologia, e de Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica e a Americana do Coração não aconselham o consumo frequente de óleo de coco, haja vista falta de evidências científicas sólidas sobre seus benefícios e ao risco conhecido do consumo de gorduras saturadas. Sobre a ação antimicrobiana e terapêutica, a maioria dos estudos não apontou evidências suficientes para justificar a utilização do óleo para tais fins. Já na hidratação da pele e cabelo, o óleo é indicado. Os estudos mostram uma boa capacidade de absorção, o que auxilia no combate ao ressecamento. Porém, a quem possui pele oleosa é indicada a retirada completa do óleo de coco após o tempo de aplicação, visto que ele pode aumentar a acne ou a caspa se mantido no corpo ao longo do dia. Um abraço e até a próxima! Renan Santos é professor de biologia da rede estadual de Minas Gerais


14 CULTURA 14

Belo Horizonte, 6 a 12 de setembro de 2019

Outro mundo é possível: a sensibilidade e criatividade de João das Neves CULTURA Exposição homenageia e resgata trajetória de um dos maiores nomes do teatro brasileiro Titane

Amélia Gomes

H

á um ano, em agosto de 2018, João das Neves deixava os palcos da vida. No legado, mais de seis décadas de dramaturgia, escritos, narrativas e questionamentos. O ator, diretor, escritor e roteirista foi um dos fundadores do Grupo Opinião, que articulava protestos, estudos e difundia a dramaturgia nacional. Na exposição Outro mundo é possível, os visitantes vão poder passear por algumas peças que marcaram essa trajetória. O primeiro momento da mostra é intitulado “Anos de Chumbo”, o segundo momento é intitulada “Deslocamentos” e aborda o vanguardismo do artista em abando-

“João nunca abriu mão de pensar em uma saída para o povo”

nar os palcos convencionais do teatro e produzir suas peças em parques, prédios, nas ruas, túneis e até em uma pedreira. Em “Camaradas”, a exposição traz as cenas mais recen-

tes interpretadas pelo artista, abordando conflitos atuais na sociedade. No último espaço, os visitantes vão poder conhecer um pouco mais sobre a vida íntima de João das Neves.

João das Neves: atual e necessário Titane lembra que as obras de João são extremamente atuais para o momento vivido pelos brasileiros. “Ele nunca abriu mão de pensar em uma saída para o povo e isso é muito claro no trabalho dele”, afirma a cantora. Além da exposição, a curadoria também está organizando aulas temáticas que se entrelaçam com a trajetória de João das Neves. E ou-

tro fruto da exposição é a retomada da peça Lazarillo de Tormes, última trama encenada pelo artista. Quem quiser conferir, a peça estará em cartaz na Funarte entre os dias 3 e 6 de outubro, de quinta a sábado, às 20h e no domingo, às 19h. Exposição: “Outro Mundo é Possível” - dedicada ao dramaturgo, escritor e diretor João das Neves Visitação: Academia Mineira de Letras, rua da Bahia, 1466, Lourdes -Belo Horizonte, de terça a sexta-feira - 11h às 21h30 | Sábados e domingos - 10h às 16h Entrada gratuita - exposição acessível para surdos e cegos e dispõe de serviço de visitas guiadas.

Completando 6 anos, Brasil de Fato MG participa de audiência pela democratização da mídia DIREITO À COMUNICAÇÃO Consolidação do jornal ajuda a democratizar o ambiente de informações em Minas Gerais

N

a próxima terça, 10 de setembro, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais convoca uma audiência pública para debater um tema essencial: a democratização da mídia. A reunião é uma realização da Comissão de Direitos Humanos da ALMG, a pedido da deputada Beatriz Cerqueira, no mês em que o Brasil de Fato Minas Gerais completa seis anos. Em terras mineiras, o jornal tem contribuído para equilibrar o campo da informação. Para a presidenta do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, Alessandra Mello, que par-

ticipa da mesa da audiência, debater a democratização da mídia é tão importante quanto conversar sobre outros direitos. “Porque no final, tudo passa pela comunicação, que é um poder muito grande. Enquanto não se discutir a democratização no Brasil, vamos continuar sendo vítimas de golpes, que acontecem inclusive com o apoio midiático”, defende. A editora-chefe do Brasil de Fato MG, Joana Tavares, lembra que os quatro maiores grupos de mídia do país chegam a concentrar 70% da audiência. “É mais que urgente a criação, expansão e fortalecimento de instru-

mentos que defendam outros pontos de vista”, afirma. Democratização na prática “Quando lançamos o jornal em Minas, em 2013, o cenário da comunicação comercial no estado era crítico”, lembra Joana. Minas Gerais é marcada pela concentração midiática, e a comunicação mineira, país afora, é lembrada pelas interferências que a família Neves fazia nas redações de jornais, chegando a demitir quem escrevesse contra Aécio. É neste ambiente que o Brasil de Fato MG nasce, para publicar “o lado de lá” dos trabalhadores, dos mo-

vimentos populares e sindicais. Hoje, além dos 40 mil exemplares semanais gratuitos, o sistema Brasil de Fato conta também com uma página Brasil de Fato Minas [https://www.brasildefato. com.br/minas-gerais/], um Twitter [https://twitter.com/ brasildefatomg], uma página no Facebook [https:// www.facebook.com/brasil-

defatomg/], no Instagram [https://www.instagram. com/brasildefatomg/] e um programa semanal de uma hora na Rádio Autêntica Favela Fm 104,5 [https://www. brasildefato.com.br/radioagencia/programa-semanal-mg/]. E caso você queira receber o jornal impresso em sua casa, não deixe de conhecer o plano de assinaturas.

O que: Audiência pública para debater a democratização da comunicação, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais Quando: 10 de setembro, às 18h30 Onde: Auditório da ALMG (rua Rodrigues Caldas, 30, Santo Agostinho BH)


Belo Horizonte, 6 a 12 de setembro de 2019

ESPORTE

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Saulo Cruz / Exemplus CPB

na geral

Futebol no cinema em BH

Personagem da semana

Divulgação CINEfoot

Mineiro de Corinto, região central do estado, o nadador Gabriel Araújo conquistou cinco medalhas na classe S2 nos Jogos Parapan-americanos de 2019, em Lima (Peru). Ele faturou o ouro nos 50m e nos 100m nado livre, prata nos 200m livre e bronze nos 50m costas e 50m borboleta. Com 17 anos, Gabriel treina em Juiz de Fora, no Clube Bom Pastor. Nos 50m borboleta, competindo com atletas de outras classes (S3 e S4), o mineiro bateu o recorde mundial da S2.

Entre os dias 11 e 15 de setembro, Belo Horizonte recebe sua primeira edição do CINEfoot, festival de cinema latino-americano com filmes de futebol. Serão exibidas 30 produções de 13 países, longas e curtas-metragens. A entrada é gratuita e os ingressos vão ser distribuídos 30 minutos antes de cada sessão. Os filmes serão exibidos no Cine Belas Artes, no bairro de Lourdes. A abertura acontece na quarta-

-feira (11), às 19h30, com o filme “A Copa dos Trabalhadores”, longa-metragem sobre imigrantes asiáticos e africanos que constroem os estádios e instalações da Copa do Mundo de 2022, no Catar. Submetidos a condições de trabalho análogo à escravidão, eles são usados pelas empresas em um evento de marketing. Mais informações: cinefoot.org/programacao/ cinefoot-belo-hor izonte-2019.

Copa Centenário: final do feminino é domingo (8) Divulgação PBH

SUGESTÕES, CRÍTICAS, COMENTÁRIOS?

ESCREVA PARA NÓS esportemg@brasildefatomg.com.br

Um dos principais torneios de futebol amador do Brasil, a Copa Centenário, em BH, tem decisão do módulo feminino adulto no dia 8 de setembro. Em campo, as equipes do Manchester e Bahia dispu-

tam o título no Estádio Mário Ferreira Guimarães, o Baleião, no Aglomerado da Serra. Contando todas as modalidades, participaram da edição de 2019, segundo a Prefeitura, mais de 5400 pessoas, entre atletas e co-

missões técnicas, de 220 clubes. Os módulos infantil, juvenil e feminino sub17 já foram concluídos. Os campeões do masculino Máster e Adulto serão definidos até novembro. (Com informações da PBH)


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Belo Horizonte, 6 a 12 de setembro de 2019

Copa do Brasil: finais acontecem nos dias 11 e 18

ESPORTES

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DECLARAÇÃO DA SEMANA CBF

Thaís Magalhães/CBF

O Internacional eliminou o Cruzeiro, o Athletico eliminou o Grêmio. Os dois clubes do Sul agora decidem o título nas próximas semanas. Na próxima quarta-feira (11), o Furacão recebe o Inter na Arena da Baixada; no dia 18 de setembro, é o Colorado quem joga em casa, no Beira Rio. O Inter já venceu a competição em 1992 e luta por seu segundo título. O Athletico tenta o título inédito. Por terem entrado nas oitavas de final, pois

disputavam a Libertadores, os dois clubes já receberam R$ 12,35 milhões em premiações. Quem vencer a de-

“Vamos apoiar como sempre fizemos, ué! Mas ‘tamo’ virando uma sede do Cruzeiro em SP” cisão ganhará, ao todo R$ 64 milhões, enquanto o vice terá direito a R$ 33,35 milhões.

Marcos, ex-goleiro e ídolo do Palmeiras, após o anúncio de Mano Menezes como novo treinador do time paulista.

Gol de placa O Brasil terminou líder absoluto do quadro de medalhas nos Jogos Parapan-Americanos de Lima: 308 no total, 124 de ouro. Desde os Parapan do Rio, em 2007, o Brasil é líder do quadro de medalhas, sobretudo em função do Bolsa Atleta, programa de incentivo ao esporte, criado por Lula em 2005.

Gol contra A segurança privada do Metrô do Rio de Janeiro espancou torcedores do Fluminense, no dia 31 de agosto, em um trem que estava parado na estação Maracanã. Na era Bolsonaro, os agentes de segurança se sentem ainda mais livres para atacar a população.

Subida é difícil

Morreu, mas passa bem

A temporada começa hoje

Bráulio Siffert

Rogério Hilário

Izabela Xavier

Engraçado como as coisas mudam rápido no futebol. Bastou um jogo péssimo do América, no empate sem gols contra o Operário, para frear a empolgação da torcida com uma possível briga pelo acesso. O desânimo é justificável: para subir, o AméDecacampeão rica precisa vencer cerca de 12 dos 17 jogos restantes. O cálculo mais fácil seria ganhar as nove partidas que fará no Independência e mais três fora de casa. Mas, não conseguindo criar praticamente nenhuma chance de gol em casa contra um time do meio da tabela, o América mostrou que a realidade é mais difícil do que a frieza da matemática. É preciso muito mais criatividade, volume de jogo e capacidade de criar alternativas quando as coisas não fluem.

Em que pesem três partidas sem conquistar pontos no Campeonato Brasileiro, a novidade é apenas a contratação do goleiro Wilson, para posição que, de uma hora para outra, se tornou carente. Antes do final do primeiro turno, o Galo terá pela frente o Botafogo, dominGalo doido! go (8), no Rio;É e Internacional, dia 15, no Horto ou arredores. Os confrontos com o Colón, pela Sul-Americana, acontecem depois: dias 19, na Argentina, e dia 26, no Mineirão. Até lá, veremos quais serão os obstáculos que Rodrigo Santana terá que ultrapassar. E o Atlético, para não encerrar uma temporada como o paciente que, no final, o médico, ao anunciar o resultado, apresenta o eufemismo clássico: morreu, mas morreu curado.

Após presumida, mas dolorosa desclassificação, o Maior de Minas agora vai se organizar para recomeçar. A renovação passa por contratações, pela absorção do estilo de jogo de Ceni, mas principalmente por uma verdadeira faxina na Negra parte administraLa Bestia tiva. O Cruzeiro sempre foi uma instituição séria e, agora, tão importante quanto a permanência na Série A, é a expulsão, de uma vez por todas, dos ratos que se apropriaram do clube. Que o cenário de corrupção que vemos no governo e em tantos clubes de futebol não nos assole. O Cruzeiro pertence à torcida e temos que lutar pelo direito de escolher os que cuidarão da nossa casa. Direito a voto aos sócios já!

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Edição 297 do Brasil de Fato MG  

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