Page 1

Divulgação / CRJ

Cultura no Centro

Douglas Monteiro / Comunicação Vila Nova

82% ganham salário mínimo

Você conhece o Centro de Referência da Juventude? Local é espaço de cultura e arte

Jogar futebol não é sinônimo de riqueza. Desigualdade é pior em relação às mulheres

CULTURA 14

ESPORTE 15

MG Minas Gerais

Belo Horizonte, 10 a 16 de maio de 2019 • edição 282 • brasildefato.com.br • distribuição gratuita Matheus Gonçalves Flores / Correnteza

Educação sexual nas escolas, entenda

ONDA DE MANIFESTAÇÕES PELA EDUCAÇÃO Estudantes e professores reagem ao corte de 30% imposto pelo governo Bolsonaro. Diversas assembleias aconteceram nesta semana, como na UFMG (foto), em preparação à greve da educação, no dia 15 de maio I BRASIL 9

Mitos rondam conteúdo da disciplina, que, segundo pesquisas, é essencial para diminuir número de doenças e gravidez na adolescência BRASIL 8

100 dias depois da lama... A maioria já enfrenta problemas de saúde semelhantes aos das vítimas do crime na Bacia do Rio Doce. Morte do Rio Paraopeba também pode ter influenciado explosão de casos de dengue no estado MINAS 4 E 5


2

OPINIÃO

Belo Horizonte, 10 a 16 de maio 2019

Editorial | Brasil

A Petrobras sob ataque Como presente de grego aos trabalhadores, o governo Bolsonaro anunciou a venda de oito refinarias da Petrobras. Um novo passo no processo de esquartejamento da petroleira, uma das maiores do planeta. Juntas, as oito detêm uma capacidade de refino de 1,1 milhão de barris/dia. O presidente da estatal, Roberto Castello Branco, já confessou que seu sonho “é vender a Petrobras”.

ESPAÇO DOS LEITORES “Como sempre digo, vender geladeira é uma coisa, lidar com problemas de um estado como Minas é outra. Agora vai entender os dilemas do Pimentel. Este não cedeu para o Executivo Federal, que queria atrasar ainda mais o nosso estado”. Sidney Dias comentando a matéria “Governador de MG é proibido de nomear secretários para conselhos, ação que criticava” “Os deputados estão de parabéns.” Sonia Marco Souza comentando a mesma matéria “Novo que de novo não tem nada”. Tereza Danzer também sobre a proibição do governador de nomear secretários para conselhos “Protagonismo feminino. Exatamente por isso eles têm tanto medo da gente” Edneia Aparecida de Souza comenta artigo “Mulheres estavam na linha de frente da primeira greve geral da história do Brasil” “Uai, BH copiando abusos de Dória. Tristeza, meu Deus!!” Erica Soares Leal comentando a matéria “Vitória da população de rua”

Ataque à empresa tem sido praticado desde sua criação Sob o signo do fundamentalismo neoliberal, o projeto de destruição leva o nome de “desinvestimento”, anunciado com pompa e circunstância como se fosse inteligente entregar a maior empresa do país. Como se os grandes produtores de petróleo não mantivessem nacionalizadas as suas petroleiras, como fizeram, entre outros, a Arábia Saudita, o Irã e o Kuwait. Agem assim por saberem que o controle do seu petróleo é e continuará sendo estratégico para qualquer país. Chama a atenção a postura contemplativa e muda das Forças Armadas diante do assalto ao patrimônio de gerações. Nem parece que um general, Julio Horta Barbosa, comandou o Conselho Nacional do Petróleo, embrião da Petrobras, e defendia o monopólio estatal. A refinaria mineira que Bolsonaro pretende transferir ao capital multinacional leva o nome de Gabriel Passos. Gabriel foi Procurador Geral da República de Getúlio Vargas e Minis-

tro das Minas e Energia de João Goulart, presidentes que sabiam da importância estratégica da Petrobras. Na verdade, o ataque à empresa tem sido praticado desde sua criação, em 1953, por Getúlio Vargas. “Quis criar a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobras, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma”. A “agitação” que Getúlio cita na sua carta-testamento antes do tiro no coração era a das elites atreladas a Washington, dos seus políticos e da sua mídia. São os setores que, em 2019, repetem sua velha arenga. E que, em boa medida, estão representados em Brasília. Ao longo de sua história, a Petrobras foi defendida pelas vozes progressistas comprometidas com a soberania e o futuro do país. Está na hora, novamente, dessas vozes se fazerem ouvir. O povo precisa defender a estatal.

Países desenvolvidos mantêm suas empresas estatais Querem roubar nosso futuro Ao contrário do que dizem, a reforma da Previdência não enfrenta privilégios. Ela é cruel com os mais pobres e vai gerar, no futuro, uma legião de idosos miseráveis. Isso é bom para o Brasil? Claro que não! É injusto com aqueles que trabalharam a vida toda e têm o direito de gozar da velhice com alguma tranquilidade. Não podemos aceitar que nosso futuro seja roubado.

Escreva para a gente também: redacaomg@brasildefato.com.br ou em facebook.com/brasildefatomg O jornal Brasil de Fato circula semanalmente com edições regionais, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro, no Paraná e em Pernambuco. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais em nosso país e no nosso estado.

PÁGINA: www.brasildefatomg.com.br CORREIO: redacaomg@brasildefato.com.br PARA ANUNCIAR: publicidademg@brasildefato.com.br TELEFONES: (31) 3309 3314 / (31) 3213 3983

conselho editorial minas gerais: Aruanã Leonne, Beatriz Cerqueira, Bernadete Esperança, Bruno Abreu Gomes, Ênio Bohnenberger, Frederico Santana Rick, Helberth Ávila de Souza, Jairo Nogueira Filho, Joana Tavares, João Paulo Cunha, Joceli Andrioli, Jô Moraes, José Guilherme Castro, José Luiz Quadros, Juarez Guimarães, Marcelo Almeida, Makota Celinha, Maria Júlia Gomes de Andrade, Milton Bicalho, Neila Batista, Nilmário Miranda, Padre Henrique Moura, Padre João, Pereira da Viola, Renan Santos, Rogério Correia, Rosângela Gomes da Costa, Robson Sávio, Samuel da Silva, Talles Lopes, Titane, Valquíria Assis, Wagner Xavier. Editora: Joana Tavares (Mtb 10140/MG). Redação: Amélia Gomes, Larissa Costa, Rafaella Dotta, Raíssa Lopes e Wallace Oliveira. Colaboradores: Adília Sozzi, Anna Carolina Azevedo, André Fidusi, Bráulio Siffert, Diego Silveira, Fabrício Farias, João Paulo Cunha, Jordânia Souza, Luiz Fellippe Fagaráz, Pedro Rafael Vilela, Renan Santos, Rogério Hilário e Sofia Barbosa. Revisão: Luciana Gonçalves. Administração e distribuição: Paulo Antônio Romano de Mello e Viícius Moreno Nolasco. Diagramação: Tiago de Macedo Rodrigues. Tiragem: 40 mil exemplares.


? PERGUNTA DA SEMANA

Dia 12 de maio é Dia das Mães! A data é para celebrar e valorizar as mulheres que dedicam tempo, trabalho, cuidado e carinho para criar seus filhos. Por isso o Brasil de Fato saiu às ruas para perguntar:

Qual recado você quer deixar para sua mãe neste dia especial?

Ao longo do tempo, o Dia das Mães está sendo desvalorizado, mas muitas pessoas ainda acham muito importante, como eu. Por isso quero deixar um recado especial para minha mãe, Rosimeire da Costa Santos. Quero dizer que eu amo muito ela e avisar que o presente dela está garantido!

Walison da Costa Santos Menor Aprendiz

Belo Horizonte, 10 a 16 de maio 2019

GERAL

3

Número da Semana R$ 243 milhões

Esse é o valor estimado que o estado de Minas Gerais irá perder com o corte de 30% das verbas para as universidades federais anunciado pelo governo Bolsonaro. Minas concentra 17,5% do total de universidades públicas do Brasil. Saiba mais na página 8.

ENSINO MÉDIO E CURSOS TÉCNICOS GRATUITOS

Eu quero dizer que eu amo muito ela, que ela é a melhor mãe que eu poderia ter no mundo. Desejo um feliz Dia das Mães!

Thaís Rodrigues Promotora de Vendas

Educação de jovens e adultos (EJA), técnico em informática, eletricista, modelagem, mecânica, bordado, manutenção de computadores... Esses são só alguns dos 20 cursos fornecidos pela Escola Profissionalizante Santo Agostinho, que está com matrículas abertas e é manti-

da pelos Agostinianos por meio da Sociedade Inteligência e Coração. Todas as aulas são gratuitas, inclusive os materiais didáticos. Para saber quais são os cursos disponíveis e realizar inscrições, acesse: www. epsa.com.br.

MANICÔMIOS NÃO! Mídia NINJA

Está chegando o ato do 18 de maio, Dia da Luta Antimanicomial. Neste ano, o desfile da Escola de Samba Liberdade Ainda que Tam Tam será realizado na sexta-feira (17) e não no sábado (18). O

tema será “ninguém solta a mão de ninguém”, em protesto contra os retrocessos e ataques recentes à reforma psiquiátrica. A concentração acontece às 14h, na Praça da Liberdade, em BH.


4

CIDADES

Belo Horizonte, 10 a 16 de maio 2019

Surto de dengue pode ter sido agravado por crime da Vale em Brumadinho Divulgação / Fiocruz

Prevenção: ainda é preciso PBH

ALERTA Fundação Fiocruz já havia alertado, que o rompimento poderia levar a aumento nos casos de dengue, febre amarela e outras doenças Rafaella Dotta

O

s registros de dengue em Minas Gerais surpreenderam neste ano. Já são 209 mil casos suspeitos de dengue no estado, segundo o último boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde de Minas Gerais. Este número que representa um aumento de 1.200% em relação a 2018, quando até a mesma data foram registrados 17 mil casos. A situação acende novamente o alerta sobre as consequências do rompimento da barragem da Mina Feijão, em Brumadinho. No início de fevereiro, a Fundação Fiocruz lançou um relatório alertando para um possível surto de dengue, febre amarela e esquistossomose na região. Um dos indícios da relação é que Betim foi a cidade com maior número de mortes confirmadas (nove) no estado e fica a apenas 10 quilômetros do Rio Paraopeba.

Falta de água e matança dos predadores Um dos motivos que podem ter agravado o surto de dengue é o corte de abastecimento de água e a contaminação do Rio Paraopeba. O professor Christovam Barcellos, coordenador do Observatório de Clima e Saúde da Fiocruz, explica que é comum que a população guarde água quando tem medo ou de fato falte fornecimento. “O que pode ter acontecido é que tenha faltado água, principalmente em Betim”, diz.

Casos aumentaram 1.200% em relação a 2018 José Geraldo Martins, militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e morador de Brumadinho desde o rompimento, conta que tem percebido um

aumento de relatos de dengue na região, principalmente entre as pessoas que moram nas margens do rio Paraopeba. Esse fato, que, segundo ele, é confirmado por enfermeiros, médicos e profissionais da saúde. Ele acredita que o surto está mais relacionado à morte do Paraopeba e dos animais que habitavam o rio. “As populações ribeirinhas encontram tamanduás, muitos macacos e cachorros mortos. Ao mesmo tempo, você não ouve o coaxar de nenhum sapo, você não vê peixe. E são os peixes, sapos e alguns insetos que fazem o controle da população de Aedes Aegypti, porque eles se alimentam das larvas do mosquito”, afirma.

Surto pode se relacionar à morte do rio de predadores do mosquito

No Rio Doce, surto de febre amarela

Agência Brasil

A Fiocruz também tinha alertado para um surto de doenças infecciosas após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana. Em 2017 o estado chegou a ter 1.700 suspeitas de febre amarela, das quais 435 se confirmaram. A fundação afirma que um dos principais motivos teria sido a matança de animais predadores dos mosquitos que transmitem a doença, sendo o principal deles o Aedes Aegypti.

O surto de dengue acontece em mais seis estados, além de Minas Gerais, o que mostra que o rompimento em Brumadinho pode ter intensificado o surto, mas não criado. O professor Christovam acredita que, já sabendo disso, o governo deveria ter investido em prevenção. O governo enfatizou muito os desaparecidos e mortos, mas além deles existem os deslocados e os afetados. É com esses grupos que estamos preocupados, pois eles são milhões de pessoas”, argumenta. De acordo com o professor, se não forem prevenidas, ainda podem aparecer doenças como chikungunya, zica, febre amarela, doenças mentais e respiratórias.


Belo Horizonte, 10 a 16 de maio 2019

Lama na saúde dos atingidos do Rio Paraopeba Isis Medeiros /Jornalistas Livres

CRIME DA VALE Atingidos pela barragem de Córrego do Feijão já apresentam feridas na pele Eloá Magalhães Campos

O

rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, no dia 25 de janeiro de 2019, lançou no Rio Paraopeba 12 milhões de toneladas de rejeitos de minério de ferro. Desde então, a população que utiliza as águas do rio para todas as necessidades e moram no entorno da área atingida, tem apresentado feridas na pele, diarreia e vômitos frequentes. Os moradores das cidades de Mário Campos, São Joaquim de Bicas, Betim, Juatuba e Igarapé, relatam que a água que chega às comunidades é de qualidade ruim e acreditam que esteja contaminada com o rejeito da barragem Mina Córrego do Feijão, que pertence à mineradora Vale. “Essas doenças e feridas que aparecem nas crianças, tenho a impressão que seja a água e a poeira do rejeito, que o vento traz para nossas casas. Nós que estamos

próximos ao rio não tínhamos histórico dessas doenças”, relata Vera Lúcia, moradora do residencial Fhemig, em São Joaquim de Bicas.

Atingidos do Rio Doce também tiveram lesões de pele Com pouco mais de três meses da chegada da lama nas comunidades, o rápido surgimento de relatos de problemas de saúde, como feridas e manchas na pele, problemas respiratórios, além do aumento no uso de medicamentos para depressão e ansiedade, acendem o alerta sobre a saúde dos atingidos da bacia do Paraopeba. Mesmo cenário pós rompimento em Mariana O cenário que pode ser visto no Paraopeba é o

mesmo encontrado no Rio Doce, atingido pelo rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana. Os reflexos do rejeito de Fundão na saúde dos atingidos em toda a Bacia do Rio Doce são inúmeros casos de doenças e contaminações confirmadas por metais pesados, como arsênio, níquel e cádmio, mesmo após três anos do crime. Para a médica Aline Bentes, que integra a Rede de Médicos e Médicas Populares, as lesões que começam a aparecer na população da bacia do rio Paraopeba são semelhantes às das comunidades do rio Doce. “Na bacia do Doce também tiveram pessoas com lesões de pele pouco depois do crime ambiental. É possível que depois da experiência que tivemos na Bacia do Doce, apenas treinamos o olhar para identificar de forma mais precoce situações de saúde relacionadas ao impacto ambiental”, alerta Aline Bentes.

5

Mineradoras ignoram direito à saúde dos atingidos H

Moradores de Mário Campos, São Joaquim de Bicas, Betim, Juatuba e Igarapé acreditam que água esteja contaminada

MINAS

á mais de três anos o problema da saúde dos atingidos da Bacia do Rio Doce tem sido ignorado pela Fundação Renova, empresa responsável pela reparação das comunidades, após o rompimento em Mariana. A Renova é controlada pelas mineradoras Samarco, Vale e BHPBilliton.

“Nós não tínhamos histórico dessas doenças”, afirma atingida O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que acompanha a luta pela

garantia dos direitos dos atingidos, denuncia que o descaso das mineradoras com a saúde da população é intencional. “A garantia de direitos não está no orçamento da Vale, não gera lucro. A empresa sabe que a pauta da saúde abre um grande leque de problemas que ela quer ignorar por estarem interligados a tantos outros - água, segurança, alimentação, moradia, trabalho, e muitos mais. A mineradora se respalda na falta de informação do povo que ela mesma reforça, na fragilidade do Estado em atuar nessa questão, e na impunidade que segue acontecendo”, denuncia Camilla Brito, da coordenação estadual do MAB.

No final de fevereiro, o Movimento dos Atingidos por Barragens-MAB lançou o filme “Renova, o crime é periódico”, denunciando a contaminação dos moradores de Barra Longa, cidade atingida pelo crime no Rio Doce, por diversos metais pesados presentes nos rejeitos da mineração. A produção mostra os mesmos sintomas ao longo de toda a Bacia. O filme pode ser visto em https://tinyurl.com/y52dmq49


6

OPINIÃO

Belo Horizonte, 10 a 16 de maio 2019

Opinião

Vingadores não gostam de justiça

7x1: Sete ex-ministros do Meio Ambiente recriminam fortemente o governo Bolsonaro

NelsonAlmeida AFP

Divulgação

A

João Paulo

O

filme Vingadores: Ultimato, ocupa a maioria das salas de cinema no Brasil. Despertou a necessidade de voltar a discutir a cota de tela para filmes brasileiros, como estratégia de afirmação cultural e de preservação da diversidade. Além disso, o filme evidencia um rebaixamento de expectativa intelectual do nosso tempo. A política no Brasil imita a arte. O presidente Bolsonaro cabe bem no figurino do vingador clássico, que paga com o mal, o mal que real ou imaginário um dia recebeu. Como foi expulso do Exército, vinga-se da instituição com um comportamento ambíguo. Cerca-se de oficiais mais graduados que ele, para mostrar poder, e solta a boca suja de Olavo de Carvalho para disparar imbecilidades contra colegas de farda. O presidente também se vinga do meio ambiente, escolhendo um ministro inepto, criticando a legislação e atacando os órgãos de fiscalização e controle de sua pró-

pria administração. Tudo por causa de uma multa que recebeu por pescar numa região controlada por regras claras. Foi atrás do funcionário, mudou o status da região para permitir sua exploração comercial e turísti-

A política no Brasil imita a arte ca e, para não deixar dúvida, atacou a própria instituição pública responsável pelo meio ambiente no Brasil. Fez o mesmo com multas de trânsito, depois de ter divulgada a imensa lista de infrações pessoais e familiares, ampliando o número de pontos necessários para punições mais severas. Para um homem que carece de formação intelectual e que não foi dotado pela natureza de inteligência destacada, não há maior inimigo que pessoas ilustradas. É preciso perseguir os artistas e intelectuais e atacar as escolas e universidades.

O vingador não sossega. Como foi sempre considerado um parlamentar sem brilho, que em quase 30 anos de política foi incapaz de apresentar um único projeto significativo, derrama seu desprezo em relação ao legislativo e com os partidos. A liberação da posse de armas, seguida da ampliação do porte para muitas categorias profissionais e da autorização para que crianças sejam educadas para as armas (enquanto as verbas para educação são cortadas) estabelecem um padrão. Não é desprezível a manifestação do ministro da Justiça, Sergio Moro, que afirmou que o decreto que autoriza a posse e o uso de armas não é questão de segurança pública. Moro é, hoje, Ministro de Estado da Vingança. Mas o que interessa o que pensam filósofos, sociólogos e psicanalistas? Mais vale ir ao cinema, sonhar com o Capitão América e acordar com uma pistola em cada mão.

s atitudes do governo de Jair Bolsonaro (PSL) sobre o meio ambiente são “senha para mais desmatamento”. É o que diz um comunicado de sete ex-ministros do Meio Ambiente, dos últimos 30 anos, que se reuniram em São Paulo. Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente, afirmou que o governo é “exterminador do futuro”. O ex-minis-

tro Carlos Minc disse que o atual “ministério é do anti-meio ambiente”. Afirmam que o governo federal está desmontando as instituições ambientais, em especial o Ibama e o ICMBio. Denunciam ainda os prejuízos aos indígenas e o fato de que “não há desenvolvimento sem a proteção do meio ambiente”, alertaram.

Nossos direitos COMPREI UM PRODUTO E ELE ESTRAGOU LOGO APÓS O FIM DA GARANTIA... Há alguns tipos de defeito de fabricação que não conseguimos perceber aos nossos olhos, ou que aparecem somente após certo tempo de uso do produto. São os vícios ocultos. Ainda que a garantia tenha acabado, o Código de Defesa do Consumidor em seu artigo 26 diz que após ser percebido o problema, o comprador tem 90 dias no caso de bens duráveis, para reclamação. Assim, mesmo que a garantia tenha terminado, o vendedor ou fabricante pode ser

acionado. Se ele se recusar a resolver, é possível ajuizar uma ação no Juizado Especial Cível para garantir os direitos previstos no artigo 19 do CDC que são: abatimento proporcional do preço, substituição do produto ou devolução da quantia paga. Não é obrigatório contratar advogado. Nesse caso, você deve procurar o setor de atermação do Juizado Especial em sua cidade portando documentos pessoais e aqueles que comprovam a compra.

Jonathan Hassen é advogado popular


Belo Horizonte, 10 a 16 de maio 2019 Mídia Ninja

OPINIÃO

7

Clemente Ganz Lúcio

Um ano depois: reforma trabalhista promove o emprego inseguro

Direitos às diversas gentes, de mãos dadas contracorrentes Quando, em 1987, surgiu o Movimento Nacional da Luta Antinamicomial e sua insígnia “Por Uma Sociedade Sem Manicômios”, fomos convocados a construir um novo olhar da sociedade sobre a loucura, intervindo numa lógica secular, fundamentada no preconceito e na exclusão. Enfrentamos o hospício, idealizamos uma rede de atenção substitutiva ao manicômio, elaboramos e aprovamos leis de reforma psiquiátrica, desconstruímos saberes autoritários e os trocamos por interdisciplinares. Garantimos direitos de cidadania àqueles historicamente cerceados em sua liberdade e autonomia. Desde então, a beleza de toda essa conquista manifesta-se publicamente nas comemorações do Dia Nacional da Luta Antimanicomial, o já famoso 18 de maio, festejado em todo o Brasil, das mais diversas formas e maneiras mas sempre convidando a cidade a testemunhar a força de uma idéia, a potência de 18 de maio: uma criação e a ousadia de um fazer coletivo. dia da luta Em Belo Horizonte, construímos algo singular para antimanicomial presentear a cidade a cada 18 de maio, que é o desfile da Escola de Samba Liberdade Ainda Que Tam Tam, cujo tema neste ano de 2019 inspirou-se na palavra de ordem que viralizou logo após a última eleição presidencial: “ninguém solta a mão de ninguém”, delimitando com quem queremos andar na luta contracorrentes. Neste momento duro e sofrido da nossa história, com tantos ataques e propostas de retrocessos, em particular no campo da Reforma Psiquiátrica, o Fórum Mineiro de Saúde Mental e a Associação dos Usuários dos Serviços de Saúde Mental de Minas Gerais propõem o enfrentamento. A coragem nos pauta. O orgulho do que construímos nos dá forças. Venham participar da resistência conosco. Já nos adverte o poeta: “Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas”. Miriam Abou-Yd é médica psiquiatra, psicóloga e militante do Fórum Mineiro de Saúde Mental

Clemente Ganz Lúcio é sociólogo e diretor técnico do Dieese. Leia íntegra em dieese.org.br

ACOMPANHANDO

Miriam Abou-Yd

Já faz mais de um ano que, no Brasil, o emprego inseguro e instável passou a ser incentivado por meio da nova legislação trabalhista (Lei 13.467/17). Segundo o Caged - Cadastro Geral de Empregados e Desempregados -, entre novembro de 2017 e janeiro de 2019, o contrato de trabalho intermitente correspondeu a cerca de 0,4% dos novos vínculos estabelecidos e a 0,1% dos desligamentos. Os vínculos de contrato intermitente representaram 27% do saldo final entre admitidos no período, descontados os demitidos. O contrato intermitente ocorre para diversos tipos de ocupação, mas é mais frequente entre assistentes, serventes, auxiliares, faxineiros, atendentes, recepcionistas e operadores de telemarketing. O contrato em jornada parcial representou aproximadamente 0,4% das contratações registradas e responde por 9% do saldo entre admitidos e demitidos no período. Somados, os contratos de trabalho intermitente e de jornada parcial equivalem a 80.666 e são responsáveis por 36% do saldo total de empregos gerados com carteira de trabalho assi- Retrocessos nada no período. sociais estão A demissão por acordo, outra novidade da legislação, re- confirmados presentou cerca de 1% dos 18,6 milhões de vínculos rompidos e tende a crescer. O trabalho temporário já representa cerca de 12% da força de trabalho ocupada. Lentamente, a flexibilidade ocupa cada vez mais espaço nas relações laborais, com avanço da precarização das condições de trabalho, da insegurança e da queda da remuneração do trabalho. Os retrocessos sociais e trabalhistas estão confirmados pelas estatísticas.

Na edição 243... O que você precisa saber para não cair na conversa dos “defensivos” agrícolas E agora... 166 agrotóxicos liberados em 2019 O governo Jair Bolsonaro (PSL) bateu um novo recorde de liberação de agrotóxicos: são 166 novos venenos somente em 2019, após a concessão de 12 novos registros no último dia 30. O país atualiza o número total de agrotóxicos para 2.232, considerando os herbicidas em circulação no mercado. Entre os novos produtos liberados este ano, 24 são considerados “altamente tóxicos” e 49 estão dentro da escala dos “extremamente tóxicos”. Juntos, eles representam 43,9% do total.


8

BRASIL

Belo Horizonte, 10 a 16 de maio 2019

Educação sexual previne muitas violências, dizem professores ESCOLA Conhecimento pode contribuir para evitar abusos, gravidez na adolescência, feminicídio e evasão Reprodução

Precisamos dar informação, para prevenir suicídio

Raíssa Lopes

E

m mesas de bar, na mídia ou em jantares de família uma coisa é certa: a educação sexual pode gerar muita polêmica. Após o tema ser usado por Jair Bolsonaro (PSL) como mote de sua campanha à Presidência da República em 2018, muitas confusões foram espalhadas por aí. Mas, será mesmo que os professores andam pelas salas de aula incitando a destruição da família? Ou eles ensinam crianças a se tornarem homossexuais? Um esboço do que é o ensino atual da sexualidade começou no Brasil na década de 1980, com foco no aumento dos índices de gravidez indesejada entre adolescentes e de contaminação pelo HIV. Hoje, além de instruir para o uso de contraceptivos e doenças sexualmente transmissíveis, a educação sexual para os jovens segue orientações técnicas da Organização das Nações Unidas para a Educação, Cultura e Esporte (Unesco). As diretrizes foram criadas

a partir de políticas públicas aplicadas em diferentes países e levantam pontos como privacidade, consentimento, orientação sexual e igualdade de gênero. O órgão cita que os conteúdos podem ser aplicados dos 5 até os 18 anos e devem ser adequados às idades das crianças e jovens. Violência contra as mulheres “Na minha aula levo, por exemplo, pesquisas que falam do número de abusos contra mulheres, quem são os abusadores e as abusadas, pergunto por que a incidência de vítimas é maior entre a população feminina, etc.”, diz a professora de sociologia da rede estadual de Minas Gerais Isabela Gonçalves. Ela destaca que o objetivo é a prevenção. De acordo com registros do Sistema Único de Saúde (SUS) divulgados em novembro de 2018, 49,5 mil meninas de 10 a 19 anos foram estupradas de 2011 a 2016 – média de 23 por dia. Em 58% das ocorrências, o crime aconteceu dentro de casa: 36% dos

autores eram familiares ou companheiros das vítimas. “Já tive relato de aluna que reconheceu um abuso depois de uma aula de gênero e se-

Brasil adota diretrizes da UNESCO xualidade. Só aí ela teve coragem de conversar com alguém”, lembra Isabela. Outro aluno descobriu durante a aula que as meninas se sentiam desconfortáveis com suas cantadas na rua. “Ele mudou a atitude com as colegas”. Na contramão Apesar dos dados, o presidente Bolsonaro defende que “quem ensina sexo para a criança é o papai e a mamãe”, como afirmou em rede social. Para o professor Thales Santos, esta não seria uma boa estratégia pedagógica. “Assim como qualquer outra disciplina, podemos ter profissionais que não trabalham a temática de forma adequada, mas não

é por isso que devemos deixar de falar sobre sexualidade. Se a gente tem um professor de matemática que ensina equação de segundo grau de um jeito péssimo, não vamos simplesmente cortar esse conteúdo da escola”, opina. Ele, que também é da rede pública do estado de Minas Gerais, declara que a maioria de seus alunos confidenciou não ter liberdade para tratar do assunto em casa por vergonha, religião ou por ser um tabu para a família. “Para uma criança saber que foi abusada, ela precisa saber antes o que é abuso. A sala de aula é um espaço de conversa que previne muitas violências”, diz Thales, que procura discutir com os adolescentes a existência de vários tipos de identidades para acolher as diferenças que já existem na sociedade. “Precisamos dar informação, não é para estimular nada, mas prevenir o suicídio, que é uma das princi-

58% dos estupros ocorreram dentro de casa pais causas de morte dos jovens e que acontece muito por causa da homofobia”. O suicídio é a quarta principal causa de morte entre jovens brasileiros de 15 a 29 anos. Pessoas LGBT teriam seis vezes mais chance de tirar a própria vida quando inseridos em ambientes homofóbicos, aponta um levantamento do Grupo Gay da Bahia.

Experiência O projeto Saúde e Prevenção nas Escolas, existe desde 2003 no país e sua última pesquisa, de junho de 2018, revelou que nos últimos dez anos o número de jovens que usou camisinha na primeira relação passou de 48% para 68%. Segundo dados do Ministério da Saúde, de 2004 a 2015 a educação sexual contribuiu para diminuir a gravidez na adolescência, com uma queda de 17%.

Naturalização da sexualidade Vários países possuem o ensino da educação sexual na grade escolar. Na Alemanha, é lei vigente em todos os 16 estados. Na Holanda se procura tratar do assunto desde os 4 anos de idade, correspondendo às dúvidas de cada faixa etária. Na Irlanda, o ensino básico conta com a disciplina Educação Social, Pessoal e para a Saúde que, entre outras questões, fala de sexualidade. Na Inglaterra, as escolas do 1º ao 6º ano têm no programa o ensino de educação sexual e de relacionamento.


Belo Horizonte, 10 a 16 de maio 2019

Em MG, estudantes convocam atos contra o corte nas universidades públicas REAÇÃO Governo Bolsonaro anunciou que ensino superior terá verba de 30% a menos neste ano. A justificativa seria política Ariane Silva / Levante Popular da Juventude

Rafaella Dotta

cerca de 160 mil alunos, de forma gratuita.

s universidades federais, que oferecem ensino superior de graça, foram o alvo do governo Jair Bolsonaro (PSL) nesta semana. O ministro da Educação, Abraham Weintraub, anunciou que três universidades teriam sua verba diminuída em 30%, o que depois estendeu-se para todas as universidades públicas do país. Em Minas, isso significa que 11 universidades federais terão R$ 243 milhões a menos para este ano, previsão orçamentária levantada pelo jornal Estado de Minas (com exceção da Universidade Federal de Viçosa). As instituições, que já vinham passando por cortes nos últimos anos, estão ameaçadas de fechar. O orçamento foi diminuindo progressivamente e chega a 34% do que foi em 2013. As universidades públicas mineiras atendem a

Atos em sete universidades Em reação, os estudantes universitários estão se organizando rapidamente. Pelo menos sete universidades terão assembleias e protestos de estudantes até o dia 13 de maio. Gabriel Reis, da Universidade Federal de Juiz de Fora, afirma que o clima entre os estudantes é de revolta e que os recursos, somando a verba do ministério e outros, só bastam para este ano. “O campus de Governador Valadares, por exemplo, precisaria de R$ 17 milhões para funcionar, mas o ministério liberou apenas

A

Universidades públicas mineiras atendem a 160 mil alunos

R$ 2 milhões”, exemplifica. A primeira reunião de estudantes na UFJF reuniu 400 alunos e outros atos estão

99

BRASIL

15 DE MAIO: Greve em todas as universidades

Como protesto, os professores, servidores e estudantes universitários organizam uma greve geral para o dia 15 de maio, uma quarta-feira. A convocação é feita pelas entidades nacionais das categorias: Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), União Nacional dos Estudantes (UNE) e Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-administrativos (Fasubra). ANÚNCIO

COOPERATIVA DOS TRABALHADORES E TRABALHADORASDAAGRICULTURA CAMPONESA COOPERTRAC - CNPJ: 07.661.249/0001-97 NIRE: 31400047930

Entidades convocam greve geral da educação para 15 de maio marcados. Segundo Gabriel Reis, que é integrante do Diretório Central dos Estudantes, a universidade teve R$ 23 milhões bloqueados já na semana passada e só conseguiria se sustentar por mais um ano. Já a Universidade Federal de Minas Gerais, divulgou nota em 3 de maio afirmando que “não há eficiência administrativa que supere um corte de tamanho monte”. A reitoria Sandra Goulart afirma que os serviços de clínica de dentista e do Hospital Veterinário, oferecidos à população, também serão atingidos.

EDITAL DE CONVOCAÇÃO PARA A

ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA A Cooperativa dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Agricultura Camponesa - COOPERTRAC, inscrita no CNPJ: 07.661.249/0001-97 e atualmente composta de 23 sócios, vem através da sua Coordenação Colegiada, observado os artigos n° 23 e 24 de seu Estatuto Social, convocar seus sócios para a Assembléia Geral Extraordinária, a se realizar no dia 21 de Maio de 2019, na Sede Social da Cooperativa dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Agricultura Camponesa – COOPERTRAC, localizada na Rua Nova Friburgo, 645, Bairro Bom Jesus, CEP: 31230-450, Belo Horizonte/MG. A assembléia terá como ordem do dia: (1) Leitura e aprovação da ordem do dia; (2) Discutir e Deliberar sobre a Mudança de endereço da Cooperativa; (3) Discutir e Deliberar sobre a Alteração do Estatuto Social da Cooperativa. A convocação será para as 08h00, sendo o quorum mínimo necessário para a instalação da Assembléia Geral de 75% dos cooperados. Sem mais para o momento, ficam todos os sócios(as) convocados a participar.

Maíra Pereira Santiago - Coordenadora Geral da COOPERTRAC Belo horizonte, de 08 de Maio de 2019.


14 MUNDO 10

Belo Horizonte, 10 a 16 de maio 2019

“Alerta máximo”na fronteira VenezuelaColômbia

O

presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, determinou na quarta (8) que as tropas que estão situadas na região fronteiriça com a Colômbia estejam em “alerta máximo”. A decisão foi toma-

da após o governo colombiano ter denunciado uma suposta violação do seu território. Caracas nega veementemente que isso tenha acontecido, classificando o episódio como “parte do plano mi-

Efe /Prensa Miraflores

serável de Iván Duque, presidente colombiano que, arrastado pelo governo de Donald Trump [dos EUA], põe a Colômbia a serviço de uma agressão contra sua irmã Venezuela”, declarou Maduro.

Venezuela celebra 2,6 milhões de moradias construídas

Agência Venezuelana de Notícias

A Grande Missão Vivenda é parte das políticas de inclusão social, promovidas pelo ex-presidente venezuelano Hugo Chávez desde que assumiu o poder e deu início à chamada Revolução Bolivariana. Em 1999, primeiro ano do governo chavista, o déficit habitacional era de 1,5 mi-

lhão de casas. Desde 2011, quando foi criada a missão, 2.621.000 casas foram construídas em oito anos. O governo venezuelano trabalha com a meta de superar a marca de 3 milhões de moradias entregues até o fim deste ano, e 5 milhões até o final do mandato de Nicolás Maduro, em 2025. ANÚNCIO

No dia 15/05, vamos todos apoiar a Luta contra a Reforma da Previdência e em Defesa das Universidades Públicas! País que não valoriza a educação não cresce e não se desenvolve. Nesta semana, o Ministério da Educação anunciou novos cortes no já reduzido orçamento das universidades federais. O maior deles retira 30% do orçamento usado para pagamento de contas de água e energia elétrica, por exemplo. Antes do corte anunciado esta semana, o governo já havia retido mais de 42% do orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação, além de quase 32% do Ministério da Educação. Todos esses cortes foram realizados sobre um orçamen-

to que já havia sido reduzido a um terço do que era em 2014. Por todas essas razões, os professores da Universidade Federal de Minas Gerais decidiram, por unanimidade, em Assembleia realizada no dia 09/05/2019, pela paralisação das atividades regulares e pela participação no Dia Nacional de Luta Contra a Reforma da Previdência e em Defesa das Universidades. No dia 15, entre 06 e 08 horas da manhã, junto com o DCE/UFMG e o SINDIFES, nós, professores, faremos panfletagem em pontos de grande circulação de pessoas. A par-

tir de 8 horas teremos um encontro na porta da Faculdade de Medicina em um espaço criado para conversas entre os professores e para panfletagem nas imediações do Campus Saúde. A partir das 9h30 sairemos em passeata até a Praça da Estação, onde faremos ato conjunto com todos os Sindicatos da Área de Educação de Minas Gerais e Movimentos Populares que apoiam esta luta. De lá, sairemos, também em passeata, para a Praça Sete. Juntem-se a nós! Sindicato dos Professores de Universidades Federais de Belo Horizonte, Montes Claros e Ouro Branco – APUBH


Belo Horizonte, 10 a 16 de maio 2019

ENTREVISTA 15 11

“Esse é um governo que está desprezando o Legislativo” BALANÇO Deputado André Quintão analisa modelo de governo de Zema e apresenta as principais pautas do bloco parlamentar de esquerda para a política estadual Sarah Torres

Raíssa Lopes

A

ndré Quintão (PT) é deputado estadual e líder do bloco “Democracia e Luta”, que reúne, além do PT, os partidos Psol, PR, Rede, PCdoB e Pros. Em conversa com o Brasil de Fato, ele adianta alguns pontos de embate entre Governo de Minas e parlamentares da oposição na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Brasil de Fato – Como você analisa os primeiros meses do governo Zema? André Quintão – O governo Zema começou muito mal. Ele não apresentou propostas estratégicas de enfrentamento da crise fiscal e se mostrou subserviente às ações do governo federal. Zema não expôs as demandas referentes ao que Minas tem a receber do Executivo nacional, ou seja, não exerceu o papel de um líder em defesa dos interesses do estado. O maior exemplo disso é a timidez política na cobrança daquilo que o governo federal deve em relação aos recursos da lei Kandir. O Executivo tem um débito acumulado de R$ 100 bilhões com Minas Gerais e o posicionamento do governador está sendo muito submisso. Inclusive, ele tem colocado todas as expectativas de recuperação fiscal em uma hipotética adesão ao plano de recuperação fiscal do governo federal, que, entre outras coisas, prevê a privatização da Cemig, da Copasa e a demissão de servidores públicos. Além disso,

Na prática, ele repete o que combateu no período eleitoral

Estado precisa de líder político, não um destruidor da política

Governo Zema começou muito fraco e mal

‘terceirizada’: o secretário de governo é do PSDB, o líder de governo é do PSDB, o líder do bloco de apoio é do PSDB. Na prática, ele repete o que combateu no período eleitoral.

está com uma fraca articulação na Assembleia Legislativa, um diálogo ruim. Tanto é que ele tem dificuldade de fazer tramitar as suas matérias. É um governo que já começou muito enfraquecido.

Governador se mostrou submisso ao governo federal

A ‘nova política’ que Zema prometeu aos mineiros está acontecendo? Foram várias as promessas de campanha que não se viabilizaram. Era de que a equipe não receberia salário até o fim do parcelamento da remuneração dos servidores públicos, de que secretários não seriam indicados para conselhos, que não haveria nomeação de políticos, mas nada do que foi apresentado como um diferencial durante a campanha está acontecendo. Os secretários recebem salários, utilizam as aeronaves do estado... Zema tem na Assembleia uma base de apoio

Isso do candidato apolítico também foi muito usado por Bolsonaro na campanha presidencial. O governo Zema e o governo Bolsonaro são semelhantes? O caminho escolhido por Zema é muito parecido com o de Bolsonaro. É o desmonte das políticas públicas. Todas as medidas que o governo Zema tomou até agora apontam exatamente neste sentido. Ele cortou bolsas da Fapemig, prejudicando 5 mil bolsistas, chegou a anunciar o corte de milhares de vagas na escola em tempo integral, cortou os ser-

viços ofertados nas Unidades de Atendimento Integral [UAI’s], cortou a segurança nas escolas. É um governo que vem debilitando a capacidade de atuação do Estado. Quais são as pautas mais importantes para a oposição neste momento? A prioridade agora na Assembleia será enfrentar a adesão do pacote de recuperação fiscal nos termos que o governo federal exige. Nós discordamos da privatização da Cemig, da Copasa, da demissão dos servidores, da não realização das políticas públicas. Queremos outro debate. Queremos a recuperação fiscal, por exem-

Na prática, ele repete o que combateu no período eleitoral. plo, revendo os regimes especiais de tributação. Só de renúncia fiscal, Minas deixa de recolher mais de R$ 4 bilhões por ano. Nós queremos discutir as renúncias fiscais, o término da lei Kandir e o acerto de passivo que o governo federal tem com Minas. A prioridade vai ser apresentar, além da alternativa

de recuperação fiscal, outro modelo de funcionamento do Estado, não esse Estado mínimo, esse estado afastado do público e do social. Queremos um Estado com capacidade de atuação em todas as regiões. Rever o atual modelo de desenvolvimento, centrado nas commodities e exportação dos produtos primários, no agronegócio, na mineração.

Falta experiência política ao governador Zema segue alardeando que faz ‘escolhas técnicas’. Existe, de fato, uma escolha técnica e não política nesse cenário? Ele não diminuiu o número de cargos em comissão de recrutamento amplo, não cumpriu a proposta de não nomear políticos, pelo contrário, nomeou vários. Existe uma insatisfação geral dos deputados da Assembleia em função da relação de pouco diálogo do Zema. Está desprezando o Legislativo. O governador é eleito para governar o estado, não para demonizá-lo. Precisa ser um líder político, não um destruidor da política. Falta experiência política. Ele só tem experiência empresarial.

ENTREVISTA COMPLETO NA PÁGINA wWW. BRASIL DEFATO.COM.BR


14 VARIEDADES 12

Belo Horizonte, 10 a 16 de maio 2019

DE OLHO NA MÍDIA

FIQUE

BEM DICAS PARA DORMIR BEM

Propagandas pelo fim da aposentadoria O maior projeto de destruição da seguridade social no Brasil, a proposta de “reforma” da Previdência do governo de Jair Bolsonaro, vai fazer com que os brasileiros trabalhem por mais tempo, se aposentem ganhando menos e percam vários outros direitos, como a valorização do benefício. Apesar de toda a propaganda – e torcida – de praticamente toda a imprensa comercial (“se não fizer a reforma o Brasil quebra”), ela continua sendo impopular. Para tentar superar a desconfiança da população, o governo investe pesado em publicidade para tentar maquiar o pacote de maldades. Fariam parte dessa estratégia as entrevistas e aparições de Bolsonaro em programas de Silvio Santos, Luciana Gimenez e Ratinho. Os profissionais receberiam por essa singela contribuição ao governo.

Rede TV! pede para o STF, mas não exibe entrevista de Lula O ex-presidente Lula teve seu direito de liberdade de expressão negado por mais de um ano, ao ser impedido de falar com a imprensa. No final de abril, a Folha de S. Paulo e o El País, depois de muitas idas e vindas judiciais, publicaram a primeira entrevista com ele. Em maio, o jornalista Kennedy Alencar, também via autorização judicial, gravou outra entrevista com Lula, na PF em Curitiba. No entanto, a emissora para a qual ele trabalha, a Rede TV!, apesar de ter entrado com o pedido no STF solicitando a entrevista - decidiu não exibir o material. A entrevista entrará no ar na BBC, da Inglaterra, às 0h30 de sábado (11). Para o público brasileiro, a alternativa é acompanhar pela internet.

Curso reúne 32 jornalistas O Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais promove um curso para mostrar que “apesar das imensas dificuldades e desafios, é possível fazer um bom jornalismo em Minas Gerais”. A aula experimental, com a presença de Leonardo Sakamoto e o colunista do Brasil de Fato João Paulo Cunha, será no dia 14 de junho, às 19h, no teatro da UNA (rua Aimorés, 1451), e aberta ao público. As demais aulas acontecem sempre aos sábados, com temas variados, como jornalismo esportivo e cobertura investigativa. Confira a programação completa, valores e datas em: http://g. tinyurl.com/y3sgrf8g Joana Tavares é editora do Brasil de Fato MG Escreva suas sugestões e impressões para: joana@brasildefato.com.br

Uma boa noite de sono pode repor nossas energias e ainda descansar a mente dos pensamentos e emoções do dia. Vale a pena investir em atitudes simples que podem mudar a qualidade do seu sono. A primeira delas é não deixar o celular perto da cama. De preferência, interrompa o uso de qualquer aparelho com tela uma hora antes de deitar. Outra é aquecer bem os pés. Aliás, um escalda-pés sempre cai bem. Para ajudar a relaxar, você pode pingar algumas gotas de óleo essencial de lavanda direto no travesseiro (mas não na fronha). Evite bebidas alcoólicas e alimentos pesados à noite. Ao se deitar, faça duas ou três inspirações profundas e boa noite!

VOCÊ MAIS CENTRADA “Você tem a sensação de não aproveitar bem o tempo? Sente-se estressado e sem energia?”. Essas são algumas das perguntas que apresentam o trabalho da página na internet “Você mais centrado”, que traz uma série de dicas e reflexões. Uma das ferramentas da página é o podcast “Autoconsciente”, que já está no número 32 e pode ser ouvido em diversas plataformas de áudio. Tire uns 20 minutos por dia para relaxar e aprender mais sobre atenção plena, você não vai se arrepender!

AMIGA DA SAÚDE Minha libido sumiu! Tenho um bebê de 7 meses, amamento e uso pílula anticoncepcional. Voltei recentemente pro trabalho, uma correria! O que faço? Tainara Silva, 37 anos, fotógrafa Isso acontece com muitas mulheres. A prolactina (hormônio responsável pela produção do leite) pode reduzir a libido (desejo sexual). Muitas pílulas anticoncepcionais também. Por isso, é interessante manter a amamentação, mas buscar experimentar contraceptivos não hormonais, como, o DIU de cobre. Entretanto, as questões da vida e do relacionamento costumam ter um peso maior sobre o desejo sexual. O cansaço, o distanciamento entre o casal, os cuidados permanentes com o bebê, entre outros, são elementos importantes para entender o contexto. Para manter a libido viva, é preciso alimentá-la trocando toques, carícias, cuidados, pensando em sexo de vez em quando.

Mande sua dúvida: amigadasaude@brasildefato.com.br Sofia Barbosa é enfermeira do Sistema Unico de Saúde I Coren MG 159621-enf


Belo Horizonte, 10 a 16 de maio 2019

13 VARIEDADES 15

www.malvados.com.br

Dicas Mastigadas PASTEL COM MASSA DE AMIDO Preencha os espaços vazios com algarismos de 1 a 9. Os algarismos não podem se repetir nas linhas verticais e horizontais, nem nos quadrados menores (3x3). www.coquetel.com.br

© Revistas COQUETEL

1 4

6

9 1 4

8 3

6

7

6003422

2 5 4 3 9 6 8 1 7

8 1 3 5 7 2 4 9 6

9 4 1 7 3 5 2 6 8

3 2 7 8 6 4 9 5 1

6 8 5 1 2 9 3 7 4

Solução

8 Ingredientes

4

7 9 6 4 1 8 5 3 2

5

3

7

4 7 9 2 5 1 6 8 3

4

7

1 6 8 9 4 3 7 2 5

8

2

5 3 2 6 8 7 1 4 9

3

1

1

2 7

Massa: 1 xícara de farinha de arroz; 6 batatas médias cozidas e descascadas; 3 colheres (sopa) de óleo; 1 xícara de água gelada; 1 xícara de amido de milho; Sal a gosto. Recheio: 100 g de presunto, salaminho ou bacon picado; 100 g de queijo mussarela picado; Fatias de couve e rúcula; Orégano a gosto; Óleo para fritar.

Modo de Preparo Massa: Comece amassando as batatas. À medida que vai alisando, acrescente o óleo, a farinha de arroz, a água, o amido de milho e o sal. No final, a massa deve desgrudar das suas mãos. Estique-a sobre o papel-filme e cortem discos. Recheie com presunto, queijo e orégano ou com as folhas e frite em seguida.

Participe enviando sugestões para redacaomg@brasildefato.com.br.


Divulgação

14 CULTURA 14

Belo Horizonte, 10 a 16 de maio 2019 Divulgação

Roteiro

Comida boa e música

Centro de Referência da Juventude é uma conquista para a cidade de Belo Horizonte CULTURA Espaço é totalmente aberto, gratuito e acolhe artistas, coletivos e entidades que lutam pelos direitos dos jovens Larissa Costa

E

ntrar no prédio do Centro de Referência da Juventude (CRJ), no Centro de Belo Horizonte, é deparar, imediatamente, com incontáveis atividades acontecendo ao mesmo tempo. Dança, música, poesia, circo, ensaios de espetáculos, capoeira, yoga, rodas de conversa e até educação de jovens e adultos, são alguns exemplos do que acontece nas diversas salas, aquários, arena e auditório do CRJ. Sem contar as exposições de grafite e fotografia nos halls e corredores que tornam o local extremamente agradável. E tudo de graça. “O espaço é literalmente uma mãe. E o simples fato do abrirem as portas para qualquer pessoa que queira fazer sua arte, já é algo incrível. Qualquer pessoa é bem-vinda. A única restrição é ter respeito, com os mano, com as mana, as mona, as trans”, conta Anderson Martins Ferreira, que faz parte do coletivo Vertentes Urbanas. Anderson, conhecido

como Magu, é MC e ministra aulas abertas de hip hop no CRJ. O artista circense e diretor de teatro Valber Palmeira é professor do curso de formação em circo, cujas aulas acontecem todas as noites no CRJ. São ofertadas aulas de acrobacia aérea, acrobacia de solo, equilibrismo, malabares e palhaçaria. “É o espaço de maior importância para grupos pequenos que não têm o seu espaço próprio, que é a maioria dos grupos”, comenta. Pioneirismo O CRJ foi inaugurado em 2016, a partir de uma ocupação protagonizada por coletivos de juventude e de artistas. Na época, o pré-

dio estava fechado havia dois anos, mesmo tendo sua construção concluída pelo governo do estado em parceria com a PBH. O CRJ possui orçamento municipal e sua gestão é realizada em diálogo constante com a sociedade civil, através de um Comitê Gestor, instância consultiva e paritária, formada por representantes do poder público – prefeitura e governo do estado –, representantes dos conselhos de juventude, tanto o estadual quanto o municipal, e entidades que fazem trabalho em prol da juventude.

Para fechar a quaresma e abrir os caminhos, no sábado (20), acontece um encontro festivo com toadas de Bumba Boi do Maranhão, Tambor de Crioula, calango, coco, batuque,

Mídia Ninja

maracatu, baião e muitos outros ritmos da cultura popular. A partir das 18h, no Espaço Multicultural Ateliê Boi do Além, na Rua Mafra, 912, no Coqueiros, BH. A entrada é gratuita.

Aquilombô!

Até o dia 19 de maio, BH recebe mais uma edição do Fórum Permanente das Artes Negras, o Aquilombô. São duas semanas de programa-

Guto Muniz

ção intensa, com artes visuais, música, literatura e performances. Acompanhe a programação no link: bit.ly/2Vpx61G.

De graça, na praça

Divulgação

SERVIÇO

É o espaço de maior importância para grupos de cultura

O CRJ fica localizado na Praça da Estação, na Rua Guaicurus, 50, no Centro de BH. Mais informações, acesse facebook. com/crjbh.

No dia das mães, domingo (12), vai ter um sambinha gratuito com o Grupo Teresa na praça Carlos Marques, no Calafate,

em BH. É a partir das 14h. A Teresa é uma banda de samba e pagode formada exclusivamente por mulheres.


Belo Horizonte, 10 a 16 de maio 2019

Raio X da desigualdade salarial no futebol brasileiro SÉRIA A Cifras milionárias se concentram na elite dos clubes. No futebol feminino, situação é ainda mais grave Bruno Teixeira /Corinthians Futebol Feminino Oficial

Liga dos Campeões e Libertadores: uma paixão, duas realidades

UEFA / Divulgação

Apenas 0,83% dos atletas, os que jogam nas grandes equipes, ganham mais de R$ 50 mil. Os números foram divulgados em 2019, pela Pluri Consultoria.

Por gênero, abismo é ainda maior

É

grande a desigualdade econômica entre os 20 clubes que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro, que iniciou em 27 de abril. A folha de pagamento mensal mais cara é a do Palmeiras, totalizando R$ 8,5 milhões. Supera a soma das seis menores, que fica nos R$ 7,4 milhões:

82% dos jogadores brasileiros ganham um salário mínimo CSA, Avaí, Ceará, Fortaleza, Chapecoense e Goiás. O levantamento foi divulgado em março, no blog do jornalista Mauro Cezar Pereira, comentarista da ESPN, extraído dos registros dos jogadores no sistema da CBF.

82% ganham salário mínimo Um dos sonhos do brasileiro para a riqueza é ser jogador de futebol. Pudera, os quatro maiores salários pagos mensalmente no mundo são astronômicos: Neymar, do PSG ganha o equivalente a R$ 13 milhões; Griezmann, do Atlético de Madrid, R$ 13,9 milhões; Cristiano Ronaldo da Juventus, R$ 19,9 milhões; e Messi, do Barcelona, R$ 35 milhões. Jogando no Brasil, o mais bem pago é Ricardo Goulart, do Palmeiras, com R$ 3 milhões por mês. Mas a realidade da maioria é diferente. 82% dos jogadores brasileiros ganham apenas um salário mínimo.

0,83% dos atletas ganham mais de R$ 50 miL

15 15

CURTA E GROSSA

Izabela Xavier

Marcelo Ferreira

ESPORTE

As duas equipes finalistas do brasileirão feminino de 2018, Corinthians e Rio Preto, não contam nem com elenco profissional. As atletas corinthianas, campeãs, têm ajuda de custo do clube para saldar a folha de R$ 85 mil por mês. Já as vices dividem R$ 37 mil, pagos pela prefeitura de Rio Preto. Somando, o valor fica abaixo dos R$ 300 mil pagos à equipe com menor orçamento na Série A masculina, o CSA.

N

a semana em que todos estão encantados com a vistosa Liga dos Campeões, também se aproxima a fase mata-mata da Libertadores. Lá estão os melhores atletas, arenas com gramados irretocáveis. Já do lado de cá, alguns estádios bonitos, altitude, buracos, mas uma torcida imensa e apaixonada. As duas competições têm lado bom e ruim, mas não se pode esquecer de que os colonizadores europeus deixaram um legado de desigualdade social nos países sul-americanos e que tais diferenças estão sendo ignoradas pela Conmebol. Não bastasse a proibição de bandeirões e de sinalizadores, o novo modelo de final única é extremamente excludente.

Comparando trabalhadores que recebem salário mínimo, o inglês precisa de 130 euros para comprar passagens aéreas para Madrid, cidade-sede da final. Menos de 2 dias trabalhados. Já o brasileiro que for à final em Santiago gastará R$ 1600 com passagens, quase 2 meses de trabalho. O que funciona lá, não necessariamente funciona aqui. A verdade é que só os ricos conseguem ir à final da Libertadores. Isso mostra o descaso pelos populares que, além de sofrerem retaliações ao seu jeito de torcer, são impedidos de acompanhar o time. Que o futebol sul-americano não se torne um espetáculo apropriado por patrocinadores e torcedores de altas castas. Manda subir o bandeirão que o futebol é do povo! ANÚNCIO


16

Belo Horizonte, 10 a 16 de maio 2019

ESPORTES

16

Alexandra Martins / Secopa MG

DECLARAÇÃO DA SEMANA Ricardo Bufolin /CBG

Quem é o dono dos estádios mineiros? A

administração do Mineirão e do Independência, em BH, continua gerando polêmica. A responsável pelo estádio do Horto pediu rescisão contratual, alegando que está no prejuízo. A Minas Arena, que gerencia o gigante da Pampulha, pode ser alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), na Assembleia de Mi-

nas, para investigar suspeitas de irregularidades nas obras de reforma e modernização do estádio para a Copa do Mundo de 2014. O custo da reforma do Mineirão foi de R$ 695 milhões, quase inteiramente financiado pelo BNDES para a Minas Arena, tendo o governo de Minas como avalista.

Na audiência da Comissão de Transportes, Comunicação e Obras Públicas, realizada no dia 8 de maio, torcedores do Cruzeiro protestaram contra o contrato e cobraram providências sobre a morte de Eros Dátilo, torcedor que morreu durante um jogo do clube celeste após ação de seguranças do Mineirão.

“Eu vivi a solidão de não ter ninguém com quem eu pudesse compartilhar os dilemas de ser uma pessoa gay numa sociedade preconceituosa. Por mais que todo mundo tenha a impressão de que tem muito gay na ginástica, não tem” Diego Hypólito, em depoimento sobre sua sexualidade ao UOL Esporte

Gol de placa O ex-goleiro colombiano René Higuita fez um golaço fora de campo! O ídolo do Atlético Nacional de Medellín defendeu dois torcedores homossexuais que foram vistos se beijando durante uma partida do time, respondendo aos comentários homofóbicos que a imagem do casal gerou nas redes sociais.

Gol contra O lateral colombiano Yoni González, do Fluminense, foi vítima de insultos racistas da torcida do Grêmio, no domingo (6). O tricolor carioca venceu o gaúcho por 5x4, num jogo inesquecível, mas a torcida do Imortal estragou o espetáculo dentro de campo.

Pensamentos modernos e necessários

Sem brilho, mas com eficiência

Estilo cauteloso e matreiro

Bráulio Siffert

Rogério Hilário

Fabrício Farias

Por fim a diretoria americana acertou ao contratar um treinador da nova geração já com alguma experiência em importantes times do futebol nacional. Maurício Barbieri traz pensamentos modernos – e necessários – ao América: treinamentos tátiDecacampeão cos intensivos, muita análise de desempenho, observação detalhada dos adversários e conversas individualizadas com os jogadores sobre posicionamento e organização. Um perfil radicalmente contrário ao do treinador anterior, Givanildo Oliveira, mais adepto do arroz com feijão de coletivos e sem muita preocupação com análises cuidadosas sobre o time e os adversários. Mas só o novo modelo não é necessário: o time ainda precisa de pelo menos três reforços de qualidade.

A vaga na Sul-Americana serve de consolo num momento, aparentemente, de ascensão do Atlético. São cinco jogos sem derrota, quatro vitórias. Segue vivo em três competições que, no mínimo, podem garantir nova participação na Libertadores. Vem jogando para o É Galo doido! gasto, propósito assumido por Rodrigo Santana. Sem brilho, mas com eficiência. A prova de fogo acontece neste domingo, contra o Palmeiras, um dos candidatos ao título. Detalhe: o aclamado diretor Rui Costa ainda não disse a que veio. Treinador novo, deixou para lá; reforços: como? Não se pode vestir essa camisa sem o mínimo de brio, de determinação, de raça, para superar as deficiências e carências, notórias por sinal, em todo os níveis. Quer saber? seguimos em frente com o que temos.

Salve, nação azul! Após três meses navegando em águas tranquilas, o início do Brasileiro e o último jogo da fase de grupos da Libertadores mostram que a temporada agora começou pra valer. Com a classificação garantida, perdemos a chance de serLa Bestia Negra mos o primeiro lugar geral na derrota para o Emelec por 2x1. Agora vamos ao sul enfrentar o Inter em um confronto bastante difícil e dois jogos contra o Flu, incluindo aí a estreia em busca do tri consecutivo e inédito da Copa do Brasil. O jogo contra o Fluminense colocará frente a frente dois estilos de jogo opostos, o que pode favorecer o estilo cauteloso e matreiro da raposa, ainda mais fora de casa. Vamos torcer e esperar vitórias que serão muito importantes nesses três jogos.

Profile for Brasil de Fato MG

Edição 282 do Brasil de Fato MG  

Edição 282 do Brasil de Fato MG  

Advertisement