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MG Minas Gerais

Belo Horizonte, 1 a 7 de fevereiro de 2019 • edição 269 • brasildefato.com.br • distribuição gratuita Mauro Pimentel / AFP

VALE? Modelo predatório da mineração e conivência do poder público levam à tragédia que não para de crescer. Sete dias depois do rompimento, fica ainda mais claro que o interesse da mineradora é um só: lucro a qualquer custo. Leia nesta edição como as pessoas e movimentos reagiram antes e seguirão reagindo à barbárie I 2 a 9

Jaelson Lucas / SMCS

Cortes no Bolsa Atleta ameaçam carreiras Com promessa de “modernização”, atletas e paratletas de até 20 anos não receberão mais incentivo ESPORTE, 15

Ricardo Stuckert

Wagner Moura fala sobre primeiro filme que dirige

Cresce campanha de Nobel para Lula

Ator reconstrói na tela os últimos anos da vida do comunista baiano Carlos Marighella, o inimigo nº 1 da ditadura

Quase 600 mil pessoas assinaram para que ex-presidente receba a honraria, por seu trabalho no combate à fome e à pobreza

ENTREVISTA, 11

BRASIL, 10


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OPINIÃO

Belo Horizonte, 1 a 7 de fevereiro 2019

Editorial | Brasil

Vale assassina reincidente O crime ambiental e assassinato coletivo de centenas de pessoas em Brumadinho, Região Metropolitana de Belo Horizonte, era previsto e anunciado. Logo após o rompimento da barragem de Fundão em Mariana, em 2015, dezenas de especialistas, pesquisadores, políticos e lideranças dos movimentos populares expuseram que o atual modelo de exploração minerária no Brasil cedo ou tarde produziria nova tragédia.

ESPAÇO DOS LEITORES

Tudo velho, mofado, podre,...enfim...nada presta. Robert Serbinenko comenta a matéria “Quem são os nomes fortes do governo Zema?” “Estou triste por Minas Gerais” Oldack Miranda comenta o artigo de João Paulo Cunha “Tucano em ninho de tico-tico” “Zema declarou ter “90,5% de DNA semelhante ao governo Bolsonaro”, que também não tem compromisso com as pautas ambientais e já tomou medidas que trazem risco e preocupação com a fiscalização realizada pelos órgãos responsáveis” Andrea Hermogenes escreve sobre a matéria “Há 2 dias, Zema comemorou ampliar mineração em Brumadinho”

Privatização da Vale está na origem do crime, é preciso reestatizá-la Após o crime de 2015, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais constituiu comissão para mudanças nas regras de exploração e na regulamentação das barragens de rejeito. Ao ver que os trabalhos da comissão não dariam em nada, no final de 2018, o deputado relator foi categórico: “é questão de meses para que tenhamos novo rompimento”. Assim como em Mariana, em Brumadinho as sirenes não foram acionadas. Que o luto, profundo e sofrido, não nos paralise; ao contrário, que nos motive pela luta por justiça. Que as nossas riquezas deixem de estar a serviço do lucro e da ganância e possam ser utilizadas para o desenvolvimento com justiça e seguindo o interesse público. Esse crime deve ser colocado nas contas das privatizações. É preciso reestatizar a Vale já.

Venezuela sob golpe O mundo assiste a mais uma tentativa de golpe na América Latina. Dessa vez, o palco é a Venezuela. Juan Guaidó, chefe do Legislativo, ignorando o resultado das eleições que reelegeram Nicolás Maduro, declarou-se presidente do país. Guaidó conta com o apoio dos EUA e de outros países com governos de direita, como o Brasil de Bolsonaro (que vem mostrando submissão aos EUA). Os interesses dos EUA têm a ver com o petróleo venezuelano. O país latino-americano sofre com a crise econômica internacional, que assola diversas nações, inclusive o Brasil, e suporta um grave bloqueio internacional. Além disso, há controle e manipulação de preços de bens básicos pelos donos de grandes redes de supermercados, opositores de Maduro. Por isso, acreditar que uma intervenção no país é para defender a democracia mostra-se pura ingenuidade. O resultado das eleições venezuelanas, que elegeram Maduro, precisa ser respeitado: isso sim é defender a democracia. Bus-

Resultado das eleições venezuelanas precisa ser respeitado ca-se sufocar economicamente a Venezuela e fragilizar Maduro para derrubar seu governo. Não há dúvidas: a soberania da Venezuela está em jogo, o que afeta a todos nós.

Escreva para a gente também: redacaomg@brasildefato.com.br ou em facebook.com/brasildefatomg O jornal Brasil de Fato circula semanalmente com edições regionais, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro, no Paraná e em Pernambuco. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais em nosso país e no nosso estado.

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conselho editorial minas gerais: Aruanã Leonne, Beatriz Cerqueira, Bernadete Esperança, Bruno Abreu Gomes, Ênio Bohnenberger, Frederico Santana Rick, Helberth Ávila de Souza, Jairo Nogueira Filho, Joana Tavares, João Paulo Cunha, Joceli Andrioli, Jô Moraes, José Guilherme Castro, José Luiz Quadros, Juarez Guimarães, Marcelo Almeida, Makota Celinha, Maria Júlia Gomes de Andrade, Milton Bicalho, Neila Batista, Nilmário Miranda, Padre Henrique Moura, Padre João, Pereira da Viola, Renan Santos, Rogério Correia, Rosângela Gomes da Costa, Robson Sávio, Samuel da Silva, Talles Lopes, Titane, Valquíria Assis, Wagner Xavier. Editora: Joana Tavares (Mtb 10140/MG). Redação: Amélia Gomes, Larissa Costa, Rafaella Dotta, Raíssa Lopes e Wallace Oliveira. Colaboradores: Adília Sozzi, Anna Carolina Azevedo, André Fidusi, Bráulio Siffert, Diego Silveira, Fabrício Farias, Felipe Marcelino, João Paulo Cunha, Jordânia Souza, Luiz Fellippe Fagaráz, Pedro Rafael Vilela, Renan Santos, Rogério Hilário, Sofia Barbosa. Revisão: Cristiane Verediano. Administração e distribuição: Paulo Antônio Romano de Mello, Viícius Moreno Nolasco. Diagramação: Tiago de Macedo Rodrigues. Tiragem: 40 mil exemplares.


? PERGUNTA DA SEMANA

Três anos depois, a história se repete em Minas Gerais: após o crime da Samarco (Vale e BHP) em Mariana, uma nova barragem de rejeitos se rompeu, desta vez em Brumadinho. Centenas de pessoas morreram, um rio foi destruído e ainda não se sabe o tamanho do impacto sobre as vidas dos sobreviventes. Da tragédia de Marina, ficou a impunidade dos responsáveis. E agora, em Brumadinho?

O Brasil de Fato foi às ruas perguntar: os rompimentos de barragens acontecem por falta de punição?

Depende de várias coisas. Pelo que eu li há tempos atrás, teve um pouco de rompimento lá, isso já estava previsto. Eles não tomaram providência antes. Eu acho que é falta de punir alguém, poderia ter evitado. Uma coisa assim, tão séria e eles não levam a sério. Na verdade, eles não estão no lugar de quem está sentindo isso.

Tinha que começar pela fiscalização, que é negligenciada no Brasil. Se tivesse alguém sendo punido de verdade, eles teriam o que temer. Como não tem punição, continuam negligenciando a fiscalização e a segurança do povo. São capazes de pôr a própria empresa embaixo de uma bomba relógio.

Angelina Maria, auxiliar de nutrição

Felipe Gato, empresário

Belo Horizonte, 1 a 7 de fevereiro 2019

GERAL

3 Ricardo Stuckert

Declaração da Semana “Não deixaram que me despedisse do Vavá por pura maldade” Disse Lula, que, diferente de outros presos, teve seu direito de comparecer ao sepultamento do irmão praticamente negado pela Justiça, pois a autorização foi concedida quando o enterro já estava acontecendo.

COBERTURA EM TEMPO REAL

Joana Tavares / Brasil de Fato MG

O Brasil de Fato está com equipe na região de Brumadinho e com cobertura de diversos temas que envolvem o crime da Vale. Acompanhe no site – www.brasildefato.com.br – e em nossas redes sociais. Se quiser receber as notícias diretamente no seu celular, grave o nosso número e mande uma mensagem para (31) 98468-4731

Faça sua própria masala A masala é uma mistura de especiarias usada em receitas indianas que pode ser usada em diversas receitas. Não existe forma única para fazê-la, mas indica-se usar ervas como açafrão, páprica, pimenta-do-reino, gengibre seco, coentro, cominho e outras, como canela, anis, cardamomo. Uma opção é torrar levemente os ingredientes ou misturá-los até que formem um só. São muitos os benefícios para a saúde, como acelerar o metabolismo e liberar as toxinas do corpo, aumentando a sensação de bem-estar.


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MINAS

Belo Horizonte, 1 a 7 de fevereiro 2019

Protestos contra a Vale marcam o 7° dia do crime de Brumadinho REAÇÃO Organizadas pela Frente Brasil Popular, manifestações e ocupações acontecem em cinco estados do país MST

Marcos Hermanson

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m solidariedade às vítimas do crime ambiental da Vale, integrantes da Frente Brasil Popular realizam manifestações em todo o Brasil nesta quinta-feira (31). Em Mariana, a sede da Renova, entidade criada pela mineradora para administrar o processo de reparação às famílias vítimas da barragem de Fundão, foi ocupada. Na cidade de Governador Valadares, cerca de 250 pessoas ocuparam uma base da empresa. “A gente chegou aqui às 7h, fechamos os trilhos e a entrada do complexo

Movimentos populares, como o MAM, MAB e MST, estão na região há uma semana prestando apoio e ajuda com necessidades básicas

e convocamos a população para se somar conosco no ato”, disse a educadora Edilene Cenourinha. Os manifestantes de Governador Valadares denunciam violência

da polícia na desocupação da área. Cerca de 300 pessoas da Frente Brasil Popular trancaram a estrada de escoamento da mineradora Ferrous, em

Serra Azul, a cerca de 3 km de Brumadinho, no início da tarde. Os manifestantes paralisaram os trens e caminhões da mineradora. Segundo os organizadores do protesto, a empresa continua levando minério de ferro da região, mesmo após o rompimento da barragem. “A gente fica por entender, né? Porque do outro lado tem a notícia que tem centenas de trabalhadores assassinados pela lama da Vale. Ao mesmo tempo as empresas de mineração de Brumadinho continuam trabalhando”, afirma Cristiano Meirelles, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Em

Belo Horizonte, centenas de pessoas protestaram no Memorial da Vale, na Praça da Liberdade. No dia do desastre em Brumadinho, a empresa anunciou o interrompimento das atividades do museu até o dia 4 de fevereiro. Por conta do crime socioambiental promovido pela Vale, 18 artistas que expunham no Memorial decidiram retirar suas obras do espaço (leia mais na página 14). Além de Minas Gerais, foram realizados atos nos estados de Rio Grande do Sul, Ceará, Pará e Rio de Janeiro na quinta, dia que marca o 7º dia do crime. ANÚNCIO


Belo Horizonte, 1 a 7 de fevereiro 2019

CPI sobre mineração precisa de 26 assinaturas dos deputados da ALMG MODELO Para movimento, é preciso pensar territórios livres, políticas de controle e uma transição econômica para municípios mais dependentes Sarah Torres

Água contaminada e risco ambiental foram as principais reclamações

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eputados da Assembleia Legislativa de Minas Gerais tentam abrir comissão para investigar a mineração no estado. São necessárias as assinaturas de 26 dos 77 parlamentares que tomam posse na sexta-feira (1). O assunto foi debatido na terça (29), em reunião convocada pela deputada Beatriz Cerqueria (PT), com a presença de movimentos populares, da deputada estadual Andreia de Jesus (Psol), dos mandatos de deputados federais e do vereador Gilson Reis (PC do B), que preside uma CPI com o mesmo assunto em BH. Por que CPI? “Não podemos perder o foco na empresa, que é a grande criminosa. Ela controla o local da ruptura da barragem, onde só se entra se ela permitir. A criminosa controla o local do crime”, advertiu Beatriz Cerqueira.

Para ela, o controle exercido pela empresa possibilita a impunidade, a exemplo do que já aconteceu em Mariana. Na legislatura anterior, projetos contrários aos interesses das mineradoras foram barrados na ALMG. No final de 2015, uma comissão foi criada para discutir o assunto. Foi debatida a Política dos Atingidos por Barragens e a lei que versava sobre segurança das barragens e licenciamentos. Nenhum dos dois projetos passou. Dos 22 integrantes, 19 parlamentares tinham recebido doações de campanha das mineradoras. Por um novo modelo Para Maria Júlia Andrade, do Movimento Popular por Soberania na Mineração (MAM), a CPI não pode se contentar com fazer denúncias, apenas, mas apresentar propostas concretas para superar o atual modelo de mineração no país.

Ela pondera que onde há uma grande dependência com relação à atividade é preciso ampliar o controle sobre a mineração pelo Estado e a população local. Isso passa também por impor às mineradoras outras tecnologias de construção e tratamento dos rejeitos, mais caras, mas que afastam os riscos de desastres como os que a Vale vem promovendo. Deputados federais do PT também reúnem assinaturas para abrir uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o crime ambiental de Brumadinho e as barragens em todo o país. A CPMI também pretende investigar as mineradoras e as licenças ambientais. “Não podemos investigar apenas as possíveis falhas de agentes públicos, mas também a responsabilidade das mineradoras nessa tragédia”, diz Rogério Correia.

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Moradores de Brumadinho se organizam há 23 anos contra mineração Rafaella Dotta

Wallace Oliveira

MINAS

ão é hora de valorizar a vontade popular? Levantamento feito pelo Brasil de Fato mostra que os moradores de Brumadinho já se mobilizavam contra a mineração há pelo menos 23 anos. Em reuniões, protestos e audiências públicas levavam o alerta de que “mineração não se bebe” e “mineração mata”. A história começa em 1996, quando foi fundado o Movimento Águas de Casa Branca. O grupo tem denunciado que a mineração nas proximidades do Parque Estadual da Serra do Rola Moça e de seis mananciais pode comprometer o abastecimento de 40% da Região Metropolitana. Um abaixo-assinado chegou a ser feito para barrar a mineração, hoje com 140 mil assinaturas. Em 2007, graves problemas com a água levaram também o bairro Tejuco a se manifestar contra a mineradora Mineral do Brasil Ltda. e a Vale. A população sofria há três anos com a falta d’agua, não podendo tomar banho, lavar roupas e nem utilizá-la para consumo, segundo informações do Observatório dos Conflitos Ambientais de Minas Gerais. Foi feito um abaixo-assinado e aberto um inquérito no Ministério Público. Como o problema não foi resolvido, moradores do bairro novamente se mani-

festaram em 2018, participando de audiência pública na Câmara de Brumadinho junto a outros quatro bairros. A presidente da Associação dos Moradores do Tejuco, Josiele Rosa, levou à audiência uma garrafa com amostras de água colhida no dia, “puro barro, avermelhada, contaminada por minerais pesados, coliformes e outros”, segundo matéria da Câmara. Contra mais minas no Parque 2018 foi um ano que várias licenças ambientais foram autorizadas em Minas, e os moradores lutaram contra isso. Mesmo assim, em dezembro o Copam liberou a reativação de minas na região.

Água do Paraopeba em risco As Secretarias de Estado de Saúde (SES), de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMAD) e de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SEAPA) comunicaram que a água do Rio Paraopeba já apresenta riscos à saúde humana e animal e está contaminada até o município de Pará de Minas. A nota alerta ainda que as pessoas devem se afastar no mínimo por 100 metros das margens.


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MINAS

Belo Horizonte, 1 a 7 de fevereiro 2019 Sarah Torres

Tudo sob controle (da Vale) INFLUÊNCIA Os primeiros dias pós-rompimento mostram que a mineradora continuou no comando em Brumadinho Rafaella Dotta

A

s imagens no Whatsapp e na televisão mostraram o quanto o desastre da Vale foi imenso, e naquela sexta-feira (25) não teve um brasileiro que não se solidarizou: “como será que estão essas famílias de Brumadinho?” O Brasil de Fato se fez a mesma pergunta e foi ao local acompanhar os desdobramentos. No Espaço Conhecimento, da mineradora Vale, foi montado um centro de atendimento às famílias e vítimas. Lá se fazia o relato de algum desaparecido, informações de familiares, cadastro de uma família atingida, e também atendimento psicológico e de assistência social. Tudo sob coordenação e controle da Vale.

E os desaparecidos? Vanderlei Paulo Caetano, de Nova Lima, esteve no Córrego do Feijão pessoalmente. Ele procurava o irmão, um primo e um amigo que trabalhavam na mineradora, mas não estavam na lista de de-

saparecidos. “Essa lista está falha, não passa informação concreta”, lamenta. Seus parentes foram finalmente incluídos entre os desaparecidos no domingo (27). Questionados, os funcionários (da Vale e da Defesa Civil) e voluntários que trabalhavam no local garantiram que recebiam os nomes de desaparecidos e depois enviavam à empresa. A Vale inclui na lista ou não de acordo com critérios não explicados. A Polícia Civil, por exemplo, divulgou explicitamente em seu site: “A PCMG divulga nos arquivos anexos a relação, cedida pela mineradora Vale, dos desaparecidos e localizados”.

ameniza o problema, ao torná-lo individual, o que impede a consciência crítica. Mariana Tavares, coordenadora da comissão de psicologia de emergências e desastres do Conselho Regional de Psicologia, lembra que as orientações técnicas do conselho federal são de que os psicólo-

Psicólogos

gos devem agir com a Defesa Civil e órgãos públicos, evitando as ações improvisadas. “O fortalecimento e a condução deve ser feita pelo poder público. No caso de Brumadinho, os três níveis de governo”, afirma. O código de ética dos psicólogos, artigo 2º, adverte ainda que eles devem trabalhar para garantir os direitos dos atingidos.

Na Estação Conhecimento, da Vale, voluntários e psicólogos davam auxílio emocional às vítimas. A reportagem do Brasil de Fato presenciou, por mais de uma vez, alguns psicólogos atuarem com frases como “Está tudo bem” e “Aconteceu porque tinha que acontecer”. Uma postura criticada por especialistas, já que

Lista de desaparecidos, apoio psicológico, informações: empresa está em todas

Informações para indenizações O terceiro e talvez mais preocupante controle de informação é no cadastro das famílias. Assim que o rompimento aconteceu, a mineradora começou a abrigar as vítimas em hotéis e atender aos familiares dos desaparecidos. Porém, era obrigatório preencher um formulário com informações sobre perdas. A comunidade de Parque da Cachoeira ficou revoltada com a obrigação do cadastro. Cerca de 200 pessoas foram atendidas somente dois dias depois do rompimento, mesmo tendo 25 casas atingidas diretamente, e se negavam a informar, naquele momento, suas perdas. “Não queremos cadastro, queremos informação, queremos abrigo”, indignou-se a moradora Lauriane de Souza Pereira. A rejeição ao cadastro vinha do conhecimento sobre o que aconteceu no crime da Samarco, em Mariana. Segundo o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), muitas famílias de Mariana que realizaram o ca-

dastro no primeiro momento não conseguiram ou esqueceram de inserir bens e perdas, por conta da fragilidade psicológica, e suas indenizações foram rebaixadas. Na terça (29), o Ministério Público passou a impedir que a Vale realize esse cadastro.

Análise Na opinião de Joceli Andreoli, do MAB, o controle de informações por parte da Vale é “lamentável”. “A Vale ganha milhões na construção da sua imagem, para seus acionistas. Ela precisa ter controle dos atingidos para depois mostrar uma boa imagem que não é real”, avalia. Ele ainda lembra da sonegação de informações quanto aos riscos das barragens, que acabam ficando apenas dentro das quatro paredes da empresa.

Outro lado A Vale foi questionada sobre a lista de desaparecidos, o atendimento psicológico e os cadastros, mas não respondeu até o fechamento da matéria.


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OPINIÃO

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Opinião

Ajuda israelense teve motivação teológica João Paulo Cunha Os soldados, técnicos e oficiais israelenses chegaram rápido a Brumadinho, ainda no domingo. Trouxeram toneladas de equipamentos sofisticados e inservíveis. Assim como chegou, a tropa de cerca de 130 homens e mulheres voltou celeremente para seu país, na quinta-feira. Boa parte dos equipamentos não foi desencaixotada. A relação com as equipes locais foi tensa e criou um indesejável duplo comando. Mas é preciso agradecer a ajuda e o trabalho dos israelenses, que deixaram seu país para colaborar com o resgate de cidadãos brasileiros atingidos pela ganância da empresa. Foi um exemplo de solidariedade internacional que vai contra as ondas recentes de nacionalismo e mesmo da história recente do país. No entanto, é necessário também lembrar que a motivação da ajuda do Estado de Israel foi tanto humanitária como ideológica ou, mais propriamente, religiosa. Desde a campanha eleitoral o presidente Bolsonaro vinha patrocinando a pauta evangélica ultraconservadora, enviando sinais de atração a Israel. Pro-

Além de se curvar para os EUA, Brasil de Bolsonaro dobra a espinha no campo moral meteu mudar a sede da embaixada brasileira para Jerusalém (seguindo o exemplo dos EUA de Trump), intensificar o comércio entre os dois países e adquirir tecnologia para enfrentar a seca no Nordeste com projetos de dessalinização da água do mar. As três medidas se mostraram polêmicas e ficaram apenas na retórica. Faltava inaugurar a nova fase com uma ação exemplar. O crime da Vale, de forma hedionda, deu o argumento. Sem maiores conversas com os responsáveis brasileiros pelas ações de resgate, foi

anunciada a chegada de uma missão israelense na região. O fato de ter na sua base a influência evangélica conservadora é um precedente perigoso. Não se trata de uma aproximação marcada pela racionalidade dos negócios ou da política, mas pelos desvios teológicos ou teocráticos que caracterizam o governo Bolsonaro. A relação dos evangélicos com Israel não passa pela geopolítica, mas pela religião. Para os neopentecostais, Jerusalém não é apenas o lugar que abrigou o templo sagrado no passado, mas a cidade que vai dar nascimento à retomada da profecia. Além de se curvar para os EUA em matéria de economia, o Brasil de Bolsonaro, por meio de suas igrejas neopentecostais, dobra a espinha no campo moral. Assim como o ultraconservadorismo abriu o campo para a vitória eleitoral, a nova institucionalidade saberá cobrar seus interesses na hora certa. Mesmo que para isso tenha que entregar sua maior reserva de dignidade. Deus não está na goiabeira. Se ele existe, deve estar na lama onde o puseram. ANÚNCIO


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BRASIL

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Hidrelétrica Retiro Baixo

Entre 5 e 10. fev

Hidrelétrica Três Marias Encontro com o rio são Francisco

BARRAGENS DA VALE EM TODO BRASIL ESTÃO COM ALGUM NÍVEL DE PREOCUPAÇÃO DE ROMPIMENTO**

Entre 15 e 20. fev

RIO SÃO FRANCISCO PODE SER ATINGIDO PELA LAMA DE REJEITO ATÉ O DIA 20 DE FEVEREIRO

110 MORTOS

238

DESAPARECIDOS*

LAMA DESTRÓI BRUMADINHO E AMEAÇA REGIÃO DA BACIA DO RIO PARAOPEBA

56

BAHIA, SERGIPE E ALAGOAS TAMBÉM PODEM SOFRER COM A LAMA CASO O REJEITO CHEGUE AO VELHO CHICO

▶▶Três anos depois do maior desas-

tre ambiental da história do Brasil, o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), o mundo assiste a mais uma tragédia. Desta vez o número de mortos é infinitamente maior e a destruição ambiental de proporção semelhante. No último dia 25 de janeiro, por volta da uma da tarde, 13 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração foram despejados sobre comunidades e rios, após o rompimento da barragem Mina do Feijão, localizada em Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte. Para o pesquisador da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Luiz Jardim, um dos maiores especialistas

APENAS 780, DAS 24 MIL BARRAGENS NO BRASIL, PASSARAM PELA VISTORIA DE ALGUM ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO EM 2017**

em mineração do Brasil, o episódio de Brumadinho, assim como o de Mariana, não podem ser classificados apenas como uma tragédia, mas sim como um crime socioambiental. A maior culpada é a própria mineradora Vale. Isso porque, segundo o professor, o desastre foi consequência de uma tentativa de manter altas margens de lucro com a exploração do minério de • XX ferro. Para isso, as MORTOS mineradoras E XXX aumentam a produçãoDESAPARECIDOS* ao mesmo tempo em que passam a cortar custos, que vão desde a demissão de funcionários a descuidos com o monitoramento ambiental. "O tipo de comportamento corporativo é que leva essas barragens a romperem", afirma.


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BRASIL

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Privatização da Vale: o lucro acima da vida

Histórico de violações da Vale vai muito além de Mariana e Brumadinho

▶▶A privatização da antiga Companhia

▶▶Maior mineradora do Brasil e terceira

Vale do Rio Doce, em 1997, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), provocou a demissão de milhares de trabalhadores da companhia. Até então a Vale era uma das mais lucrativas estatais brasileiras. A venda do controle acionário da empresa para o Consórcio Brasil, liderado pela Companhia Siderúrgica Nacional, do empresário Benjamin Steinbruch, foi fechada em R$ 3,3 bilhões, o que representava apenas 27% do capital total da empresa. O recurso utilizado para a compra foi disponibilizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a juros subsidiados. Na época, o valor de mercado da empresa era avaliado em mais de R$10 bilhões.

São José da Varginha 29.jan

R

io

RIO PARAOPEBA PRIMEIRO CURSO D’ÁGUA ATINGIDO; AFETA 35 MUNICÍPIOS E UMA POPULAÇÃO DE MAIS DE 1,3 MILHÃO DE HABITANTES. ELE É UM DOS PRINCIPAIS AFLUENTES DO RIO SÃO FRANCISCO.

Somente as suas reservas minerais eram calculadas em mais de R$100 bilhões. O então presidente FHC convidou dois bancos internacionais para avaliar a companhia que seria leiloada. Um dos critérios determinados pelo governo foi de que a avaliação deveria se restringir apenas ao fluxo de caixa existente naquele momento, não levando em conta as reservas de minério de ferro. A Companhia Vale do Rio Doce foi criada em 1942 com recursos do Tesouro Nacional. Durante 55 anos, foi uma empresa mista e o seu controle acionário pertencia ao governo. Uma das principais mudanças na gestão da empresa, após a privatização, foi a imposição de um modelo de mineração predatório, resultando no aumento substantivo da produção e extração minerais e diminuindo a participação dos trabalhadores e das comunidades no planejamento da empresa. Hoje a Vale atua em 30 países ao redor do mundo e em 13 estados brasileiros.

P a ra

o p eb

maior do mundo, a Vale S.A carrega vários crimes ambientais e tragédias humanas em sua história recente. Em 2015, o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), liberou cerca de 62 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração, matando 19 pessoas. A barragem era de propriedade da mineradora Samarco, da qual a Vale é uma das donas, junto com a anglo-australiana BHP Billiton. Mesmo depois do crime de Mariana, e de uma política de reestruturação societária em 2017, as ações da Vale se valorizaram 83%. Em 2018, a empresa chegou ao seu maior valor de mercado dos últimos sete anos: cerca de R$ 300 bilhões. Neste mesmo ano, a mineradora anunciou um lucro líquido de R$ 5,75 bilhões no terceiro trimestre, com o recorde de produção de 104,9 milhões de toneladas de minério de ferro. Mesmo antes das catástrofes socioambientais em Mariana e em Brumadinho, as contaminações da atividade mineradora já eram objeto de denúncia. Publicado em 2014, o livro “Recursos

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a

milhões de metros cúbicos de rejeito de mineração despejados

Mina do Feijão

Juatuba

Centro administrativo da Vale

19 MUNICÍPIOS DE MINAS GERAIS DEVEM SER DIRETAMENTE ATINGIDOS

Minerais e Comunidade: impactos humanos, socioambientais e econômicos”, organizado pelo Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), catalogou 1,5 mil documentos e relatou o estudo de caso de 105 territórios, espalhados em 22 estados brasileiros, que sofreram impactos da mineração.

EM 2012, A VALE FOI ELEITA A PIOR EMPRESA DO MUNDO Em janeiro de 2012, a mineradora foi eleita a pior empresa do mundo pelo Prêmio Public Eye People's, premiação realizada desde o ano 2000 pelas ONGs Greenpeace e Declaração de Berna. O motivo: uma “história de 70 anos manchada por repetidas violações dos direitos humanos, condições desumanas de trabalho, pilhagem do patrimônio público e pela exploração cruel da natureza”. O impacto negativo da empresa não se restringe ao Brasil. Em Piura, no Peru, onde a empresa explora fosfato, o transporte mal feito da substância causou a contaminação do ar e da água, afetando milhares de moradores e pescadores da região. Em Moçambique, mais de 1,3 mil famílias foram atingidas pela poluição atmosférica decorrente da exploração de carvão. Em Nova Caledônia, um arquipélago que fica na Oceania, foi constatado o vazamento de substâncias químicas em um rio próximo a uma unidade da empresa, causando a morte de cerca de mil peixes. A reportagem do Brasil de Fato entrou em contato com a assessoria da Vale para comentar esses casos, mas não obteve retorno.

Inhotim

Brumadinho

*Até o fechamento desta edição * Fonte: Agência Nacional de Águas (ANA)

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Belo Horizonte, 1 a 7 de fevereiro 2019

Ricardo Stuckert

Nobel da Paz para Lula tem mais de 500 mil assinaturas CAMPANHA Protagonizada pelo Nobel da Paz de 1980, Pérez Esquivel, campanha ganhou apoio de personalidades dentro e fora do país

Em nota, 429 juristas condenam decisão que impediu Lula de ir a enterro do irmão N

a quarta (30), dez minutos antes do enterro de Vavá, como era conhecido o irmão de Lula, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, autorizou o ex-presidente a deixar a prisão para encontrar com familiares em unidade militar em São Bernardo do Campo (SP). Lula está preso há 299 dias em Curitiba (PR) e decidiu permanecer na Superintendência da Polícia Federal devido ao atraso e às restrições impostas pela Justiça. O fato da decisão ter sido publicada dez minutos antes do sepultamento de Vavá causou indignação entre colegas e juristas. “A história não apagará esse ato de pura crueldade. Sérgio Moro armou um circo”, publicou o deputado federal Paulo Pimenta (PT), em sua conta no Twitter. Genival Inácio da Silva, de 79 anos, conhecido como Vavá, morreu na terça (29) em São Paulo (SP), em de-

corrência de um câncer no pulmão e foi sepultado na tarde de quarta-feira (30). Um grupo de 429 advogados e professores universitários divulgou uma nota de repúdio à postura do Judiciário. “O ex-Presidente Lula não estaria preso se o STF não alterasse indevidamente a interpretação da Constituição Brasileira. Não deveria estar preso se tivesse direito a um juiz imparcial em primeira instância. Mas se nada disso importasse, uma única norma deveria ser a ele assegurada: ninguém pode ser submetido a torturas, nem a penas ou tratamentos desumanos ou degradantes”, diz o texto. Contexto O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) e a juíza de primeira instância Carolina Lebbos, de Curitiba, (PR) rejeitaram a solicitação da defesa de Lula. O artigo 120 da Lei de Execução Penal (LEP) prevê que “os condenados que cum-

prem pena poderão obter permissão para sair do estabelecimento, quando ocorrer falecimento ou doença grave do cônjuge, companheira, ascendente, descendente ou irmão”. O advogado criminalista Fernando Hideo criticou a decisão. “O direito só tem valido para os amigos, aos inimigos resta a guerra”. O professor de direito processual penal, Sérgio Graziano também lamentou a decisão. “A pessoa, quando está presa, perde alguns direitos. Como o direito à liberdade. Mas ela não perde a sua condição de ser humano”, interpreta. Na ditadura, Lula pôde velar a mãe Preso político na ditadura, Lula soube que a mãe, Eurídice Ferreira de Mello, havia morrido de câncer aos 65 anos. O então delegado e ex-senador Romeu Tuma intercedeu para permitir que o sindicalista pudesse ir ao enterro. (Da redação)

A

campanha internacional para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja contemplado com o Prêmio Nobel da Paz em 2019, reuniu quase 600 mil assinaturas e se encerrou no dia 31 de janeiro. O movimento foi iniciado pelo ativista argentino Adolfo Pérez Esquivel, que recebeu o prêmio em 1980. Conforme regulamentação do Prêmio, as assinaturas são de professores universitários, eméritos e associados das áreas de história, ciências sociais, direito, filosofia, teologia e religião, diretores de institutos de pesquisa da paz e de política externa, além de chefes de estado e membros de assembleias e congressos nacionais. Esquivel e os demais apoiadores consideram que Lula foi um lutador incansável contra a fome e a pobreza, e que sua trajetória o transformou em um líder mundial pela paz e pela dignidade humana. Esquivel justifica a indicação afirmando que “não há tempo a perder na luta contra a fome. Devemos pro-

Ricardo Stuckert

teger os mais vulneráveis e reconhecer aqueles que dão tudo, inclusive sua liberdade, para construir a Paz”. Durante os dois mandatos de Lula como presidente, de 2003 a 2010, a pobreza caiu 50,64% no Brasil – conforme pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

A pessoa quando presa não perde a sua condição de ser humano Cronograma As propostas serão analisadas por uma Comissão especial, composta por cinco acadêmicos, eleitos de três em três anos. Até março, será definida uma lista final de cinco nomes (ou grupo de nomes), dos quais um será escolhido até o final de setembro. O nome do vencedor é revelado durante a primeira semana de outubro.


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ENTREVISTA 15 11

“Nosso filme vem para dizer que a ditadura foi horrível e que teve gente que teve coragem de enfrentar” BIOGRAFIA Longa sobre comunista baiano estreia no festival de Berlim com dificuldades de financiamento José Eduardo Bernardes

Mariana Pitasse e José Eduardo Bernardes São Paulo (SP)

ria, um articulista de direita disse: “Esse Wagner está querendo agora ‘empretecer’ Marighella”. Ele reivindicou a branquitude de Marighella. Seu Jorge de fato tem a pele mais escura do que de Marighella, mas ele era preto, neto de escrava sudanesa.

É

a primeira vez que Wagner Moura, conhecido por seu papel como Capitão Nascimento no filme “Tropa de Elite”, trabalha como diretor e, de cara, tem como desafio reconstruir parte da trajetória de Carlos Marighella: poeta, militante comunista desde a juventude, deputado federal e fundador do maior grupo armado de oposição à ditadura militar, a Ação Libertadora Nacional (ALN). O filme terá estreia na 69ª edição do Festival de Berlim, na Alemanha, entre os dias 7 e 17 de fevereiro. Pela escolha do personagem e do recorte, Wagner Moura afirma que o filme encontrou barreiras para conseguir financiamento. A produção também não tem previsão de exibição nos cinemas brasileiros.

Brasil de Fato: Por que resolveu contar a história de Marighella nos cinemas?

Wagner Moura: Eu sou baiano, suponho que o nome de Marighella seja igual no Brasil inteiro, mas em Salvador, a gente cresceu tendo Marighella como referência de resistência. Também sou muito amigo, no mundo do teatro, de Maria Marighella, que é neta dele. Quando Mário Magalhães, lançou a sua biografia, em 2012, eu estava em Salvador, e a Maria me falou: “Saiu a biografia do meu avô, cara. Temos que fazer um filme”. Na hora eu concordei.

Algumas pessoas têm identificado no filme “Tropa de Elite” a figura do Capitão Nascimento como o Bolsonaro, o que acha disso? Que Marighella é esse retratado no seu filme? O recorte temporal é do golpe de 1964 até a morte dele em 1969 - os últimos cinco anos de sua vida. É o cara que resolve ir para a luta armada, como a única possibilidade de lutar pela democracia, justiça social, liberdade, igualdade. Nosso filme é um drama histórico, mas ao mesmo tempo tem elementos muito poderosos do cinema de ação. A escolha por esse recorte também atende a vontade de que o filme seja popular, que muita gente veja, sobretudo as pessoas pelas quais Marighella lutava, o que é uma questão quando

Quero que o filme seja popular, que muita gente veja, sobretudo as pessoas pelas quais Marighella lutava”

Não tem no Brasil alguém mais Marighella do que Brown. Poeta e guerrilheiro, amoroso e agressivo” você pensa que o cinema é um divertimento elitizado.

Eu não votaria no Capitão Nascimento para presidente do Brasil. Ele é um personagem de ficção, por mais realista que seja o filme. Eu rejeito categoricamente a ideia de que o filme dá força ao comportamento do Capitão Nascimento.

Eu não votaria no Capitão Nascimento para presidente

O Mano Brown foi anunciado inicialmente para o papel. Por que Seu Jorge assumiu?

Como você vê esses escândalos envolvendo as milícias e a família BolNão tem no Brasil alguém sonaro?

mais Marighella do que Brown. Poeta e guerrilheiro, amoroso e agressivo. A gente começou a ensaiar com ele, mas deu um azar muito grande, foi o mês que o Racionais fez mais shows. Não deu para ele. Seu Jorge é uma das pessoas mais talentosas do mundo. Engraçado, quando saiu a notícia que ele interpreta-

As milícias, e isso o filme explorou muito bem, são crime organizado. O crime organizado no Brasil mesmo é o PCC e as milícias, que possuem currais eleitorais, elegem políticos, é uma máfia criminosa e perigosa. A relação de Flávio Bolsonaro com milicianos é pública. Ele nunca escondeu isso.

A relação de Flávio Bolsonaro com milicianos é pública Não estou entendendo a surpresa com relação a isso. Ele não disse uma palavra sobre a morte de Marielle, que era sua colega parlamentar. Não estou dizendo que ele tem uma relação direta com a morte dela, mas que ele tem uma relação com os policiais que cometeram crimes e tem relações com as milícias.

Qual a importância de que “Marighella” seja lançado neste ano? A gente vive um momento em que um ministro do Supremo fala que não é golpe de 1964, é movimento de 1964, outro diz que a ditadura não foi tão má assim. Nosso filme vem para disputar essa narrativa. Para dizer que foi ruim, que foi horrível, que teve gente que teve coragem de enfrentar aquilo. A forma como o enfrentamento se deu foi radical. Pessoas que, naquele momento, cerceadas de todos os seus direitos básicos, optaram por enfrentar com força quem estava oprimindo. Isso é um direito de qualquer povo: defender-se do totalitarismo e da opressão. MATÉRIA COMPLETA NO SITE WWW. BRASIL DEFATO.COM.BR


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CIÊNCIA, COISA BOA! 7,6 BILHÕES (E CRESCENDO). POR QUE SOMOS TANTOS?

Amiga da Saúde É pecado se masturbar? Maria Vitória, 19 anos, estudante.

Muitas vezes olhamos pro mundo e parece que tudo vai de mal a pior. Ouvimos dizer que no passado é que a vida era boa, e que a humanidade está perdida. Mas será que é isso mesmo? Falarei hoje de dois fatores que chamam bastante atenção e que podem contribuir nessa reflexão. O aumento populacional e da expectativa de vida das pessoas. A espécie humana existe há pelo menos 100 mil anos. Demoramos esse tempo todo para sermos um bilhão de pessoas vivas. Isso aconteceu por volta de 1800. E em apenas 200 anos esse número já saltou para os 7 bilhões em 2010! Somos muitos principalmente porque hoje vivemos mais. Estima-se que a expectativa de vida da população mundial no início do século XX fosse de algo entre 30 e 35 anos. Em pouco mais de um século dobramos isso. Espera-se que hoje as pessoas vivam em média até A expectativa de os 70 anos de idade. vida da população O que aconteceu que possibilitou o aumundial no início mento tão impressionante desses índices do século XX era em tão pouco tempo? entre 30 e 35 anos Como já foi dito nesta coluna, questões complexas nunca possuem respostas simples. Tal avanço não é fruto de apenas um fator. Mas a ciência sem dúvida contribuiu muito para isso. Quando pensamos em medicina de ponta, logo nos vêm à mente complexas cirurgias, tratamentos inovadores e caros. Mas o que fez com que a humanidade vivesse mais foram descobertas simples da ciência que possibilitaram o desenvolvimento de iniciativas acessíveis e de baixo custo. Até o século XIX, a principal causa de morte das pessoas eram as doenças infectocontagiosas. Morríamos basicamente por doenças causadas por outros seres, como viroses e parasitoses. Com o avanço da ciência, essas doenças perderam o posto de inimigo número 1 da humanidade. Deixamos de morrer de infecções pois criamos hábitos de higiene pessoal e saneamento básico. Isso foi possível devido às descobertas da biologia sobre a existência dos microrganismos. Além disso, o desenvolvimento das vacinas e dos primeiros antibióticos no início do século XX permitiu grande controle dessas infecções. Assim, ao conhecer as causas daquilo que mais nos matava, foi possível evitar e tratar essas doenças, o que contribuiu em grande medida para o aumento populacional e nossa expectativa de vida. E hoje? Do que morremos? Viver mais é sinônimo de viver melhor? Quais as perspectivas para o crescimento da população humana? E nossa expectativa de vida, crescerá mais? Até quando? Essas perguntas ficam pro nosso próximo encontro! Um abraço e até a próxima! Renan Santos é professor de biologia da rede estadual de Minas Gerais

Querida Maria, precisamos respeitar a opinião e crença de cada pessoa. A masturbação é vista de diferentes formas em cada cultura religiosa. Porém, vale ressaltar que a masturbação faz parte de um processo de autoconhecimento muito importante. Se tocar, conhecer os locais do corpo que despertam mais prazer (zonas erógenas), elaborar fantasias sexuais são experiências que contribuem para uma vivência mais saudável e prazerosa das relações sexuais. Principalmente para as mulheres, que, estatisticamente, têm mais dificuldade de atingir o orgasmo. É muito importante investir no autoconhecimento. Mande sua dúvida: amigadasaude@brasildefato.com.br Sofia Barbosa é enfermeira do Sistema Único de Saúde I Coren MG 159621-Enf.

Nossos direitos Guarda compartilhada Na separação dos casais, a guarda dos filhos menores de idade deve ser pensada de forma que o bem-estar deles seja prioridade. O pedido de guarda pode ser feito inclusive antes mesmo do processo judicial de separação. Atualmente, a guarda compartilhada tem sido uma opção bastante utilizada pelos pais, pois garante aos dois genitores direitos e deveres iguais no poder de decisão sobre os filhos. Neste caso, a criança terá uma residência fixa, e os pais compartilharão igualmente os gastos e as res-

ponsabilidades de educação, lazer, saúde e todos os momentos importantes da vida da criança ou jovem. Por esse convívio necessário entre os pais, é importante que os casais que optem pela guarda compartilhada entendam que as discordâncias devem ser discutidas com diálogo. Por isto a regra básica é sempre pensar no bem dos filhos e filhas. Nos casos em que estejam ocorrendo dificuldades ou problemas devido a essa dinâmica, o mais adequado é recorrer às equipes multidisciplinares (serviço psicológico e social) das varas de família.

Adília Sozzi é advogada da Rede Nacional de Advogados Populares – RENAP


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www.malvados.com.br

Dicas Mastigadas QUICHE RÁPIDA DE FRIGIDEIRA

Reprodução

Ingredientes 1 xícara (chá) de farinha de trigo 1 copo de leite 2 ovos Sal a gosto Meia colher de manteiga 1 xícara de bacon picadinho 1 cebola pequena 3 dentes de alho 1 copo de folhas e talos de brócolis Folhas de rúcula 100 gramas de queijo (mussarela/canastra/gorgonzola)

Modo de Preparo 1. Bata os ovos numa vasilha e em seguida misture o leite, o sal, a farinha, a manteiga e misture até formar uma massa homogênea, meio líquida. 2. Pique e separe, em vasilhas diferentes, o brócolis, a cebola, o alho e o bacon. 3. Frite o bacon, retire o excesso de gordura e em seguida refoge as folhas e talos. 4. Despeje a massa sobre as folhas e talos refogados, cubra com lascas de queijo e folhas de rúcula e deixe fritar ou assar em fogo baixo 5. Frite ou asse por 3 minutos de cada lado e sirva. Obs: As folhas, talos e carnes podem ser substituídas conforme o que tiver na sua geladeira. Tire a carne e tenha uma opção vegetariana. Participe enviando sugestões para redacaomg@brasildefato.com.br.


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PRÉ-CARVAVAL AGENDA Está aberta a temporada de ensaios dos blocos! Que tal sentir um gostinho de como será o carnaval de BH? O Brasil de Fato MG selecionou alguns dos eventos que rolam nesta semana com entrada gratuita. Fique ligado: MÍDIA Ninja

Prédio do Memorial Minas Vale faz parte do complexo cultural da Praça da Liberdade

Artistas retiram trabalhos do Memorial Minas Vale como protesto em BH GESTO DE LUTO Em nota, grupo que participava de exposição critica poder de empresas, como a mineradora, inclusive sobre a cultura Raíssa Lopes

A

rtistas mineiros que participavam de exposição no Memorial Minas Vale, em Belo Horizonte, optaram por retirar os trabalhos da instituição após o crime da empresa em Brumadinho. Em carta publicada na quarta-feira (30), o grupo afirmou que a ação acontece em solidariedade a todas as vítimas do rompimento da Barragem do Feijão e em repúdio à mineradora. O Memorial Minas Vale, um dos prédios públicos mais importantes da capital mineira, está localizado na Praça da Liberdade e, por meio de Parceria Público-Privada (PPP), tem a Vale como principal patrocinadora. Tal modelo de gestão cultural também foi cri-

ticado pelos artistas. “Esse tipo de fomento institucional de artes visuais é dominante em nosso país […], o que permite que empresas ocupem espaços que deveriam ser de uso amplo e democrático”, escreveram na nota.

Fomentos das artes é dominado pelas grandes empresas Eles afirmam, ainda, que a retirada das obras é realizada porque a empresa falha em “compromissos elementares” com a sociedade, como a “garantia de segurança” para o meio ambiente, seus trabalhadores e população.

“A tragédia é irrepresentável” Em entrevista ao Brasil de Fato MG, o grupo de artistas manifestou o desejo de questionar a forma como a mineração está no dia-a-dia do povo brasileiro. “As empresas não estão presentes só na mina, no interior. A Vale tem o maior museu de BH. É uma indignação notar que uma empresa como essa consegue se apropriar de tantos mecanismos de cultura e iniciativas sem conflito algum”, responderam os integrantes. Sobre encenar de alguma forma a tragédia, os artistas afirmam que “é irrepresentável, não tem o que consiga dar conta. Portanto, optamos pela recusa e pelo silêncio como gesto de luto, não só como artistas, mas como cidadãos”.

Alô Abacaxi e Tchanzinho

No sábado (2), das 14h às 20h, os dois blocos vão se encontrar na Ocupação Pátria Livre (Rua Pedro Lessa, 435 – Santo André). Vários ensaios acontecerão no local até o carnaval. Acompanhe a página: facebook. com/mtdmotu.

Santa Heresia

O bloco ensaia no domingo (3), das 15h às 22h, na Rua Capitão Bragança (número 15 – Horto). No evento também vai ter feirinha de brechó.

Bethânia Custosa

O bloco em homenagem à cantora Maria Bethânia acontece no domingo (3), das 11h às 19h, no antigo clube da ACM da av. Tereza Cristina (número 8590, antes do posto da PM – Betânia). O evento é uma reivindicação para que seja preservada a área verde do local.

Abra-te Sésamo e Não me entrego para os caretas

Ambos tocam no Armazém do Campo (av. Augusto de Lima, 2136 - Barro Preto). Abra-te Sésamo ensaia na segunda (4) e Não me entrego para os caretas na terça (5). O horário é o mesmo: das 19h às 22h.

Pula Catrata

Bora brincar e protestar contra a tarifa ao mesmo tempo? O bloco amarelo e rosa toca na quarta (6), embaixo do Viaduto Santa Tereza (Centro), a partir das 19h. Os ensaios acontecem todas as quartas-feiras até o carnaval.

Faraó

Quinta-feira (7) rola o bloco Faraó na Feira do Mineirinho (av. Antônio Abrahão Caran, 1000, Pampulha), das 17h às 00h.


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ESPORTE

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Curto e Grosso

na geral

As eternas desigualdades do futebol brasileiro

Sanderson

Bahia adota nome social como nome oficial No Dia da Visibilidade Trans, 29 de janeiro, o Bahia deu mais uma dentro. O clube liberou o uso do nome social em crachás, carteiras de sócio e outros lugares. O “nome social” é o que as pessoas transexuais ou travestis optam por adotar, em substituição ao nome que

lhes foi atribuído no nascimento. “O Brasil é o país que mais mata travestis e pessoas trans no mundo (...) Respeitaremos o nome social das pessoas trans sejam elas sócias do Bahia, funcionárias, torcedoras do Bahia ou de outros clubes (ou de nenhum)”, afirma o clube, em nota oficial.

Cortes no Bolsa Atleta ameaçam carreiras esportivas no Brasil Hedeson Alves / Agência Paraná

Daniel Lamir, de Recife (PE) O termo “modernização” voltou a ser utilizado para justificar cortes de orçamento em programas sociais e perda de direitos. Na quarta-feira (25), diante da retirada de bolsas para atletas e para-atletas de até 20 anos de idade, o ministro da Casa Civil Onyx Lorenzoni prometeu “modernizar” o programa Bolsa Atleta para incentivar jovens atletas. O termo “modernizar” foi muito utilizado pelo governo anterior de Michel Temer (MDB). Entre discurso e realidade de planejamento, o orçamen-

to do Bolsa Atleta para este ano foi reduzido em 47,5%, a partir de medida tomada por Michel Temer, no dia 28 de dezembro de 2018. A redução de recursos resultou no corte da bolsa para os atletas e para-atletas que têm direito ao benefício. As pessoas afetadas estão nas categorias “Estudantil” e “Base”, além de parte da categoria “Nacional”. O orçamento de 2019 acentuou um curva decrescente no Bolsa Atleta nos últimos anos. Antes da medida para 2019, o governo Temer já tinha reduzido o Programa em 34,4 % na comparação entre 2017 e 2018.

Diego Silveira O início de temporada, com os estaduais bombando, é um bom momento para destacar as desigualdades do futebol nacional. Aqui em Minas, Galo e Raposa sempre despontam como favoritos e, na maioria dos estados, existe um pequeno pelotão de elite, de no máximo quatro clubes, que arrancam como principais candidatos. Mas os favoritos dos estaduais de Pernambuco e Minas Gerais, por exemplo, nunca estão em pé de igualdade no Campeonato Brasileiro da série A. Por que isso acontece? Principalmente por causa da circulação de dinheiro. Os clubes mais ricos do Brasil se concentram no sul e no sudeste, regiões mais desenvolvidas do que outras. Por causa disso, historicamente, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul obtiveram as maiores conquistas esportivas, o que ajudou a aumentar o número de torcedores dessas equipes. Some-se a isso que, hoje em dia, a torcida passou a ser vista por clubes e em-

presários que lidam com o futebol como um mercado consumidor. O maior número de consumidores/torcedores, concentrados nas regiões mais povoadas e desenvolvidas, faz com que os contratos de patrocínio e as cotas de televisão para os grandes clubes só aumente a diferença destes para os demais clubes de seus estados ou do Brasil. Vamos a exemplos concretos. Em Minas, Cruzeiro e Atlético receberão R$12,7 milhões, cada um, de cotas da TV Globo no Campeonato Mineiro 2019. Logo abaixo, o América receberá R$ 3 milhões (cerca de quatro vezes menos). A cota dos demais clubes é de R$ 900 mil. Agora, comparemos esses números com os do Campeonato Pernambucano: Santa Cruz, Sport e Náutico, o trio de ferro do Recife, receberá R$1 milhão de cotas, cada um. R$143 mil é a cota dos outros sete times do Pernambucano. Como se vê, o mérito esportivo sempre conta com o auxílio fundamental dos recursos provindos dos patrocinadores e da TV. Nesse cenário, a competitividade fica limitada, embora não impeça que apareçam os azarões de sempre. ANÚNCIO


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CTE seleciona adolescentes para equipe de atletismo

Assessoria /EEFFTO

CTE é fruto de parceria entre a universidade e o Estado de Minas Gerais, tendo como objetivo promover o esporte de alto rendimento e recolocar Minas no cenário esportivo nacional (Fonte: Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional).

ESPORTES

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DECLARAÇÃO DA SEMANA Bruno Haddad / Cruzeiro

Onde Avenida Alfredo Carate, 617. B. São Luiz, BH

O

Centro de Treinamento Esportivo (CTE) da UFMG seleciona adolescentes entre 12 e 16 anos para compor equipe de atletismo. Não é obrigatório ter expe-

riência. Para participar, é necessário passar por testes de corrida, saltos e lançamentos. Os candidatos devem comparecer com roupas e calçados para atividade física, acompanhados de responsável. O

Quando 16 de fevereiro, das 9h às 12h Mais informações (31) 3409-2325 Até o fechamento desta edição, ainda não tinha terminado o jogo entre Boa Esporte e Cruzeiro, pelo Campeonato Mineiro.

Não é possível que em três anos tenhamos duas tragédias dessa magnitude e não se tomem providências para que as pessoas não percam suas vidas em condições como essas. Temos que ser mais rigorosos” Mano Menezes, sobre rompimento da barragem da mineradora Vale, em Brumadinho-MG. No clássico do domingo (26), treinadores e jogadores de Cruzeiro e Atlético manifestaram pesar pelo ocorrido.’

Gol de placa A Mancha Alvi Verde, maior torcida organizada do Palmeiras, iniciou uma série de ações nas ruas, arquibancadas e internet contra os preços dos ingressos e do plano de sócio-torcedor do clube. “Abaixo a elitização” e “ingressos populares” são as palavras de ordem da reivindicação.

Gol contra A Polícia Militar de Pernambuco usou spray de pimenta contra torcedores do Sport, que subiram no alambrado da Ilha do Retiro para comemorar o terceiro gol do Leão, na vitória sobre o Náutico, pelo Campeonato Pernambucano.

Início promissor

Difícil falar de futebol

Boas possibilidades no ataque

Bráulio Siffert

Rogério Hilário

Fabrício Farias

O início de temporada do América é animador. Foram três vitórias e um empate, com nove gols marcados e só dois sofridos. A eficiência e as opções do ataque são o destaque do time. Além dos quatro jogadores ofensivos, também mostraram qualiDecacampeão dade na subida ao ataque os dois laterais e os dois volantes, com gols, assistências e finalizações. A defesa ainda é uma incógnita: como o América dominou quase todas as partidas, ela foi pouco testada, mostrando certo potencial de evolução, mas também alguns pontos a melhorar. De toda forma, apesar de ser início de temporada, o time já parece mostrar certo padrão de jogo, com marcação alta, recomposição geral e descidas rápidas.

O Atlético, como em todo início de ano, é um misto de agonia e êxtase. O clássico de domingo (27) foi um jogo de compadres. Na quarta (30), contra a URT, das novidades Jair e Guga -, o primeiro apresentou qualidades. Há empolgação com os gols de Ricardo É Galo mas doido! Oliveira e companhia, o perigo mora ao lado. A Pré-Libertadores começa na próxima terça-feira (5), contra o Danúbio, no Uruguai. O confronto de volta será no dia 12 de fevereiro. Veremos como Levir superará o desafio. Fica também a esperança do retorno de Tardelli e Otero. Serão úteis nestes tempos sombrios. Confesso: perante a desolação e revolta com o crime da Vale em Brumadinho, está difícil falar de futebol.

Salve, nação azul! Este ano, as tramas do ataque celeste passaram pelos pés de Rodriguinho e Thiago Neves. O ex-TN30, agora TN10, vai precisar manter uma maior constância em suas atuações, a fim de que a dupla com Rodriguinho funcione. SinBestia ceramente, La acredito que Negra os dois jogadores possam atuar juntos, principalmente devido ao fato de que Rodriguinho pode jogar mais avançado, chegando mais próximo a Fred. Para que tudo dê certo, é fundamental que o sistema defensivo siga compacto, uma vez que, com Rodriguinho, perdemos um pouco a combatividade sem a bola. A temporada ainda está engatinhando, mas já é possível vislumbrar boas atuações do nosso novo trio de ataque. Saudações celestes!

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Edição 269 do Brasil de Fato MG  

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