Edição 267 do Brasil de Fato MG

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Carl de Souza / AFP

Minas Gerais

Indígenas sob ataque

Maria Cristina da Cruz

Biblioteca para a comunidade

Terras indígenas deixam de ser demarcadas pela Fundação Nacional do Índio (Funai) e ficam à mercê do agronegócio

Conheça o Cantinho da Leitura, projeto que incentiva o conhecimento no bairro Jaqueline, em BH

BRASIL 11

CULTURA 14

MG

Belo Horizonte, 18 a 24 de janeiro de 2019 • edição 267 • brasildefato.com.br • distribuição gratuita

O QUE ESTÁ ACONTECENDO NA VENEZUELA? MUNDO 8, 9,10

27 rádios fechadas

Quem vai ter armas?

Cemig ameaçada

MG foi o estado mais afetado pela extinção de 130 rádios comunitárias no Brasil. Decisão fere Constituição Federal

Radicalização da barbárie: segurança vira problema de mira do cidadão. Leia opinião de João Paulo Cunha

Privatização pode aumentar valor da conta de luz e colocar em risco o emprego de 5 mil trabalhadores

MINAS 4

OPINIÃO 6

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OPINIÃO

Belo Horizonte, 18 a 24 de janeiro 2019

Editorial | Brasil

Não é “grande mídia” é mídia comercial

ESPAÇO DOS LEITORES

Em relação à matéria sobre as exonerações em massa nas áreas da Comunicação e Cultura promovidas pelo governo Zema: “Precarizar a cultura é uma das estratégias de governos que não querem que o povo tenha formação e senso crítico”. E a cultura é uma importante ferramenta de formação” Jair Gopefi sobre a matéria “Exonerações de Zema geram paralisação e insegurança na cultura de Minas” “Zema não gosta, não entende e não quer cultura...” Robert Serbinenko, sobre o mesmo assunto “Mal educado ? Ou mal intencionado?” Amelinha Almeida comenta o artigo de João Paulo Cunha “Quem é mal-educado?” “São as melhores mídias de Minas” Sidney Dias escreve sobre a matéria “Como ficam a Rede Minas e a Rádio Inconfidência com o novo governo”

Escreva para a gente também: redacaomg@brasildefato.com.br ou em facebook.com/brasildefatomg

Tem crescido na sociedade a discussão sobre a influência dos meios de comunicação na vida das pessoas. Um veículo de informação, a partir de sua linha editorial, pode escolher, por exemplo, se uma greve é ou não é notícia. Se decidir que é, pode encarar esse assunto do ponto de vista do patrão ou do trabalhador. Pode decidir ouvir apenas quem se sentiu prejudicado por esse evento. Pode, em linhas bem gerais, ter uma abordagem positiva ou negativa.

Contestamos o mito da imparcialidade: nosso lado é o do povo Além disso, os instrumentos de informação e entretenimento – sejam eles em papel, áudio, TV ou internet – são caros e precisam de muito trabalho e muitos recursos. Os maiores meios de comunicação estão nas mãos de alguns poucos muito ricos. Comumente, chamamos esses instrumentos de “grande mídia”. O termo traz consigo um juízo de valor problemático: o que é grande é bom, relevante, importante, sério. Assim, coletivos, organizações e pessoas que criticam o comportamento da mídia, mas a nomeiam dessa forma, acabam fazendo um elogio. Ao mesmo tempo, fica subentendido que o oposto de “grande” é “pequeno”. Mesmo o termo “alternativa” reforça o papel central ocupado pelos ditos “grandes”: é alternativa a alguma coisa; eles seguem sendo o referencial maior. Vários jornais se autodenominam “profissionais”, desde que explodiu

O jornal Brasil de Fato circula semanalmente com edições regionais, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro, no Paraná e em Pernambuco. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais em nosso país e no nosso estado.

no Brasil o fenômeno das fake news. Ou seja, chamam para si o papel de portadores da verdade. Note-se que, nessa chave, todos os que produzem comunicação fora da “grande” mídia são “antiprofissionais”, “artesanais”, pouco sérios. Como não cair nessa armadilha? Existem várias formas de se nomear a mídia: “hegemônica”, “familiar”, “tradicional”, “empresarial”, “burguesa”, “privada”. Cada um desses termos exigem um conhecimento prévio, fazendo com que, na linguagem coloquial e cotidiana, mesmo as pessoas mais críticas sigam usando o termo “grande mídia”. Assim, gostaríamos de defender a nomenclatura “mídia comercial”. O que é comercial visa ao lucro, interessa mais vender do que qualquer coisa. O que é comercial é produto, mercadoria, não direito. O que é comercial tem dono. E do lado de cá? A comunicação fora dos marcos comerciais também tem muitos nomes: “alternativa”, “contra-hegemônica”, “independente”, “comunitária”, são alguns deles. No caso do Brasil de Fato, optamos pela nomenclatura “popular” por compreender que este termo – em disputa – simboliza, do nosso ponto de vista, aquilo que é do povo, feito para atender seus interesses e construído pelo próprio povo organizado. O termo resume nossa linha editorial, que busca “uma visão popular do Brasil e do mundo”. Assim, contestamos o mito da imparcialidade e afirmamos que nosso lado é o da classe trabalhadora, do povo.

PÁGINA: www.brasildefatomg.com.br CORREIO: redacaomg@brasildefato.com.br PARA ANUNCIAR: publicidademg@brasildefato.com.br TELEFONES: (31) 3309 3314 / (31) 3213 3983

conselho editorial minas gerais: Aruanã Leonne, Beatriz Cerqueira, Bernadete Esperança, Bruno Abreu Gomes, Ênio Bohnenberger, Frederico Santana Rick, Helberth Ávila de Souza, Jairo Nogueira Filho, Joana Tavares, João Paulo Cunha, Joceli Andrioli, Jô Moraes, José Guilherme Castro, José Luiz Quadros, Juarez Guimarães, Marcelo Almeida, Makota Celinha, Maria Júlia Gomes de Andrade, Milton Bicalho, Neila Batista, Nilmário Miranda, Padre Henrique Moura, Padre João, Pereira da Viola, Renan Santos, Rogério Correia, Rosângela Gomes da Costa, Robson Sávio, Samuel da Silva, Talles Lopes, Titane, Valquíria Assis, Wagner Xavier. Editora: Joana Tavares (Mtb 10140/MG). Redação: Amélia Gomes, Larissa Costa, Rafaella Dotta, Raíssa Lopes e Wallace Oliveira. Colaboradores: Adília Sozzi, Anna Carolina Azevedo, André Fidusi, Bráulio Siffert, Diego Silveira, Fabrício Farias, Felipe Marcelino, João Paulo Cunha, Jordânia Souza, Luiz Fellippe Fagaráz, Pedro Rafael Vilela, Renan Santos, Rogério Hilário, Sofia Barbosa. Revisão: Cristiane Verediano. Administração e distribuição: Paulo Antônio Romano de Mello, Viícius Moreno Nolasco. Diagramação: Tiago de Macedo Rodrigues. Tiragem: 40 mil exemplares.


? PERGUNTA DA SEMANA

A maioria da população é favorável ao ensino de educação sexual nas escolas, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada no início de janeiro. O levantamento mostrou que 54% das pessoas entrevistadas são a favor e 35% contra. O Brasil de Fato quer saber:

O que é educação sexual? Você defende a discussão do tema em sala de aula?

“Sou a favor, porque onde não se tem informação, a lacuna é preenchida por outra coisa. O ensino é muito importante, são esclarecimentos acerca da sexualidade”.

Belo Horizonte, 18 a 24 de janeiro 2019

GERAL

3 Satiro Sodré / CBDA

Declaração da Semana “No tocante do combate à corrupção era tudo mentira, talkei?”

Tweetou a nadadora Joanna Maranhão. Ela critica a decisão do STF de suspender a investigação sobre as movimentações financeiras de Fabrício Queiroz, a pedido de Flávio Bolsonaro

MEIO PASSE ESTUDANTIL

Breno Pataro

“Eu acho que deve ser ensinada, desde que seja um conteúdo compatível com a idade da criança”. Ana Araújo, técnica de palco

Ângelo de Brito, psicólogo

Estão abertas até o dia 28 deste mês as inscrições para a solicitação do meio-passe estudantil. Os interessados devem preencher uma ficha no site da prefeitura de BH. O benefício é destinado a estudantes do Ensino Médio e da Educação de Jovens e Adultos que residam a 1 km, ou mais, da escola que frequentam. Quem já possui o benefício deve realizar a renovação do cadastro. Inscrições em www.pbh.gov.br

ATENÇÃO PARA O SISU 2019 Marcelo Camargo / Agência Brasil

Quem fez o Enem de 2018 para garantir uma vaga no ensino superior fique ligado! As inscrições para o Sistema de Seleção Unificada - SISU abrem no dia 22. Na Universidade Federal de Minas Gerais serão ofertadas mais de 6 mil vagas em cursos de graduação. Pela Lei de Cotas, todas as universidades públicas do país são obrigadas a destinar 50% das vagas para candidatos que cursaram integralmente o ensino médio em escolas públicas. As inscrições para o SISU 2019 ficam abertas até às 23h59 (horário de Brasília) do dia 25. Mais informações e inscrições em: sisu.mec.gov.br


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MINAS

Belo Horizonte, 18 a 24 de janeiro 2019

Minas teve 27 rádios comunitárias extintas e 8 multadas

Privatizar a Cemig é bom para os consumidores?

Larissa Costa /Brasil de FAto MG

REPREENSÃO Associação nacional aponta que ex-ministro extrapolou suas funções e estuda contestação na Justiça Agência Senado

“Vai ser igual aconteceu com a telefonia: vai piorar o serviço e aumentar o preço da conta”, avalia a consumidora Maria Helena Pereira

Amélia Gomes

“A Rafaella Dotta

M

ais de 130 rádios comunitárias de todo o Brasil tomaram um susto quando, em 31 de dezembro, o então ministro Gilberto Kassab extinguiu suas outorgas. Na lista estavam 27 rádios comunitárias de Minas Gerais, das quais seis esperam uma deliberação do Congresso Nacional e 19 tiveram a outorga extinta imediatamente. O estado teve o maior número de rádios extintas do país. O presidente da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço), Geremias dos Santos, avalia que a atitude do ex-ministro foi uma “sacanagem”. Na opinião dele, a decisão deveria ser tomada pelo novo governo, que assumiu no dia seguinte, e que poderia analisar melhor caso a caso. “Os 130 processos têm situações bem diferentes: tem rádios que não querem mais funcionar, tem rá-

dios que perderam o prazo, o novo governo poderia dar melhores encaminhamentos”, defende. O radialista pontua também que a Constituição Federal não foi cumprida. O artigo 223 define que o poder Executivo (presidente e ministérios) pode dar ou renovar concessões a rádios e TVs, porém, é o Congresso Nacional e a Justiça que podem não renovar ou cancelá-las. A Abraço estuda formas jurídicas de contestar a decisão. Novo governo abre onda de multas O início do governo de Jair Bolsonaro (PSL) não foi muito animador. No período de 10 dias – 7 a 16 de janeiro – o Ministério da Ciência Tecnologia Inovações e Comunicações publicou multas a 35 rádios comunitárias em valores que chegam a R$ 3mil, segundo informa a Abraço. As causas das multas vão

desde mudanças de endereço sem aviso ao Ministério até integrantes das rádios com manutenção de vínculos com partidos ou igrejas, o que é proibido. Oito dessas rádios são mineiras.

Números e motivos Em Minas, 16 rádios comunitárias foram extintas pelo “não cumprimento de exigência no processo de renovação da referida outorga”, informam as portarias do ministro. Uma rádio foi extinta pela “existência de vínculo” – não explica qual vínculo, uma eliminada por baixa do CNPJ, outra por extinção da entidade e outra por desistência da outorga. Seis esperam que o Congresso Nacional decida, e uma extinção não expõe o motivo. As rádios comunitárias estavam distribuídas em 25 cidades do estado.

minha conta de luz aumentou demais, mas nós não aumentamos o consumo. E não foi só a minha, todo mundo aqui no condomínio percebeu esse aumento. Se é uma empresa pública e já está desse jeito, imagina se vender para os estrangeiros?”, questiona Maria Helena Pereira. No último período a conta de luz da aposentada passou de R$120 para R$190, o que representa mais que 10% da sua renda. Um dos motivos do reajuste na tarifa da energia em Minas Gerais foi a venda de quatro usinas da Cemig, leiloadas em 2017 pelo governo Temer. Neste ano, o governador do estado, Romeu Zema (Partido Novo) reafirmou o que vinha propagando durante sua campanha eleitoral: a ideia da venda de empresas mineiras, principalmente a Cemig e a Copasa. Se vender, resolve a dívida do estado? Em 2017, o lucro líquido da Cemig subiu 200%, chegando a R$ 1 bilhão. Além de abrir mão de um patrimônio público, a venda da Cemig também colocaria em risco o emprego dos trabalhadores da empresa: a venda da estatal representaria a demissão de

mais de 5 mil trabalhadores, segundo o sindicato da categoria, o Sindieletro/MG. Vai abaixar o preço? Além de empresas privadas controlarem o preço da tarifa, o que pode aumentar o valor da conta, a privatização também representa o fim da tarifa social, um desconto concedido para consumidores de baixa renda. Outro setor em risco são os investimentos em ações sociais. Em 2017, cerca de R$ 50 milhões foram investidos em projetos de educação e esporte. Zema tem direito de vender a Cemig? Em 2001, foi aprovado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais uma emenda constitucional que protege as estatais mineiras. A PEC 50 prevê que as empresas só poderão ser vendidas com o voto de três quintos dos deputados estaduais. Caso seja aprovada na ALMG, a venda das empresas ainda precisa passar por um referendo popular. O Sindicato dos Eletricitários de Minas Gerais (Sindiletro-MG), juntamente com outras categorias e com movimentos populares, organizam uma série de agendas sobre o tema, como manifestações, aulões e debates com a população.


Belo Horizonte, 18 a 24 de janeiro 2019

Zema tem panorama difícil entre deputados ALMG Grande número de partidos e emendas impositivas podem complicar governador na busca por apoio Omar Freire / Imprensa MG Rafaella Dotta*

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crise financeira do governo de Minas Gerais pode acabar afetando o próprio governador. Desde 1º de janeiro, Romeu Zema (Partido Novo) tenta organizar um bloco de deputados estaduais que funcionará como a sua base, aprovando projetos seus enviados à Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Porém, sem dinheiro e com as emendas impositivas, o “toma lá dá cá” se tornou ainda mais embaraçoso. A eleição de 2018 aumentou o número de partidos na ALMG de 19 para 28. Essa fragmentação é o primeiro obstáculo para Zema, que terá que fazer articulações com mais partidos que os governos anteriores. Muitos partidos que, inclusive, são considerados fisiológicos – agem na troca de favores, como MDB, PSD e alguns muito pequenos. Informações da ALMG mostram que os deputados estão se dividindo em quatro blocos até o momento. O bloco de oposição é puxado pelo PT, que é o maior partido da Assembleia, com 10 deputados; o bloco de apoio ao governador, puxado pelo PSL, 6 deputados; o bloco puxado pelo PV e MDB, 5 e 7 deputados; e o bloco puxado por PSDB, 7 deputados. É provável que oposição e situação consigam o mínimo de 16 deputados, contando com os partidos agregados. Os outros dois blocos são mais vulneráveis e podem se dissolver ou se

(PV), que é considerado um “meio termo” na polarização partidária.

A partir de 2019 o governador é obrigado a executar todas as emendas aprovadas na Lei de Orçamento Anual reorganizar em um terceiro bloco. A política de alianças na ALMG só deve ser firmada em março ou abril, como foi com o ex-governador Pimentel. PV deve ter presidente da ALMG Enquanto isso, os deputados estaduais decidem quem será presidente da ALMG já em 1º de fevereiro. A maioria dos partidos se pronunciou pela candidatura de Agostinho Patrus

Análise O governo tem tudo para formar uma base na teoria, mas na prática depende de atender ou não às demandas dos deputados durante o ano. Zema pega uma crise financeira e pode ter dificuldade para incluir seus aliados em projetos com verba expressiva. Além disso, a partir de 2019 o governador é obrigado a executar todas as emendas aprovadas na Lei de Orçamento Anual. Antes, ele poderia aplicar as que preferisse e acabava favorecendo aliados, uma barganha central na busca de apoio. Segundo a área técnica de orçamento da ALMG, cada parlamentar terá R$ 5,574 milhões para aplicar em emendas neste ano, sen-

do que 50% deve ser encaminhado para a saúde. O restante, o político aplica onde quiser, por exemplo, na construção e reforma de escolas. “As emendas impositivas dão uma autonomia para a Assembleia”, avalia o deputado estadual Cássio Soares (PSD), relator do projeto da LOA de 2019. A cientista social Liliam Daniela lembra que, apesar disso, a base de apoio é fundamental para o governo. “Todas as principais pautas que Zema elencou na campanha eleitoral, como a privatização e aquelas relacionadas ao funcionalismo público, demandam aprovação da Assembleia. Zema vai ter que construir uma maioria se quiser ter êxito”, pondera. (*com informações de Marcelo Gomes)

MINAS

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Como funciona o “toma lá dá cá”? Os deputados se organizam em blocos: o bloco da oposição, o bloco independente e o bloco de apoio ao governador, podendo aparecer outros. Os parlamentares do bloco votam de forma parecida, aprovando ou não os projetos de lei, e se fortalecem. Eles vão se encaixando nos grupos de acordo com seus ideais, seus partidos e as ofertas do governador. Em busca de adesão, o governador pode oferecer cargos aos partidos, que podem ser nas secretarias estaduais, nas empresas estatais e no “segundo escalão” das secretarias. Essa barganha pode ser honesta, caso os partidos tenham programas comuns, mas na maioria das vezes é a base do “toma lá” e “dá cá”.

R$ 443 milhões liberados pela Justiça O governo de Minas Gerais, teve, enfim uma decisão positiva do Supremo Tribunal Federal sobre os R$ 443 milhões que estavam bloqueados. O governo federal pediu o bloqueio como pagamento de um empréstimo, em represália a Fernando Pimentel (PT) que não havia concordado em privatizar algumas empresas mineiras. O valor foi liberado pelo ministro Dias Toffoli.


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MINAS

Belo Horizonte, 18 a 24 de janeiro 2019

Opinião

Vai ficar pior a cada dia João Paulo As pessoas têm duas mãos, mas poderão ter até quatro armas em casa. Entendeu? O Estado fez sua parte, a partir daí a segurança é problema de mira ou de uma fraquejada do cidadão. A resposta a essa situação absurda é um método que, na falta de melhor nome, poderia ser batizado de teoria da redundância regressiva. Não basta andar para trás na escala de civilização, é preciso radicalizar a barbárie. Há outros exemplos desse projeto em andamento. Por exemplo, como a educação está deficiente, a saída é fechar as escolas mantidas pelo MST, reconhecidas mundialmente pelo seu trabalho pedagógico, crítico e inclusivo. Enquanto isso se opera o absurdo da “escola sem partido” e das propostas anticientíficas, para consagrar a perspectiva de arrasar o saber em nome do moralismo de ordem unida e das superstições de toda ordem. Ou ainda: inviabilizar o atendimento à saúde nos contextos mais carentes, atacando o programa

Mais provável é que a banda podre cresça Mais Médicos e os profissionais cubanos, desassistindo populações sem capacidade de reação. No momento seguinte, passa-se à defesa da extinção de programas de combate à Aids e do trabalho de educação sanitária, em nome de postura tacanha que atribui a doença a um comportamento de natureza moral. No caso da reforma da Previdência, a lógica é mais ou menos a mesma. Os privilégios de segmentos que contam – em razão do valor de seus benefícios e das discrepâncias sociais – serão mantidos para que os direitos da maioria sejam cortados rentes à possibilidade de se aposentar dignamente. A primeira onda foi naturalizar a reforma. O passo

seguinte foi culpar o trabalhador pela crise fiscal. Agora é tempo das corporações, militares à frente. O método vem sendo reproduzido em todos os setores. Mas há um ponto em comum: trata-se de uma política de governo, ampla, articulada e atenta aos seus patrocinadores eleitorais: o mercado financeiro e o cidadão enredado pelas redes e pelo ressentimento. Por isso não cabe uma divisão do governo em duas frentes de direita, aparentemente distintas: de um lado os conservadores e, de outro, os liberais. O que o berço ideológico separa, a constância do autoritarismo unifica. O decreto das armas deixou isso claro. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, foi chamado a dar forma ao documento que depois foi assinado pelo capitão. O mais provável é que a banda podre cresça e leve de roldão os falsos espertos. Eles não estão no governo, eles são o governo. E vai ficar pior a cada dia. Afinal, o dono da bic é Bolsonaro.

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Belo Horizonte, 18 a 24 de janeiro 2019 Fernando Brazão / Agência Brasil

OPINIÃO

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Neila Batista

Crise urbana em tempos de ultraliberalismo

Carta aberta de um trabalhador ao novo presidente da Petrobras Caro Roberto Castello Branco, Em seu discurso de posse como presidente da nossa querida Petrobras, patrimônio erguido pelo povo brasileiro, algumas afirmações me deixaram bastante preocupado. Na parte inicial, você afirma que “quanto maior a intromissão do Estado na economia, mais restrita é a liberdade, menor o crescimento”. Acredito que essa afirmação foi uma generalização infeliz e não dá conta, por exemplo, A depender do do contexto do crescimento econômico norueguês, presidente da que inclusive teve como base a indústria do petróleo, ou mesmo a situação do atual gigante Petrobras não teríamos o econômico que é a China. Sigamos: “Projetos de investimentos devem pré-sal competir por capital. Serão alocados para os mais meritórios do ponto de vista de risco e retorno esperado. Nunca por critérios vagos como: é estratégico, gera empregos… Ser estratégico é gerar valor”! Quando os geólogos da Petrobras suspeitaram do pré-sal, as empresas privadas recusaram o investimento no que ainda era apenas uma possibilidade. Isso porque era de alto risco, demandava um desenvolvimento tecnológico caro e etc. Contudo, o Estado brasileiro confiou e investiu na tecnologia necessária para a extração em águas profundas, assumindo sozinho todos os riscos. Mas, seguindo o seu pensamento, não teríamos hoje o pré-sal, e o Brasil seria extremamente dependente de importação de petróleo. Gostaria muito que, antes de amantes da competição, do liberalismo ou de qualquer outra coisa, sejamos amantes do desenvolvimento industrial e econômico nacional. Temos capacidade e vontade. Os trabalhadores e trabalhadoras da Petrobras querem continuar construindo essa gigante onde tenho orgulho de trabalhar! Confesso, sou um amante da nossa empresa e de nossas capacidades. Alexandre Finamori é petroleiro e diretor do Sindipetro-MG. Leia íntegra do artigo em brasildefato.com.br

Neila Batista é assistente social, gestora pública e ex-vereadora em Belo Horizonte. Na página do Brasil de Fato:

ACOMPANHANDO

Alexandre Finamori

Moradia, mobilidade, segurança e emprego. Podemos tomar essas questões como o ‘coração’ do urbano, que espalha o sangue para os demais ‘órgãos’ desse corpo febril: saúde, educação, meio ambiente, a questão racial, a feminista, a LGBTI+, os direitos dos idosos, da juventude, dos deficientes, das crianças, dos animais, o acesso à cultura, ao lazer etc. Se é verdade que muito se avançou com os governos democráticos e populares recentes no Brasil, também é verdade que há muito mais a fazer. A vitória do capitão da reserva, Jair Bolsonaro, para a presidência da República torna-se um elemento paralisante, desorganizador e desestruturador dos avanços. Em termos de estrutura de governo, suas atitudes agridem diretamente as quatro questões destacadas como “o coração” da crise urbana. A transformação da Caixa Econômica Federal em mero banco comercial é um duro golpe para as demandas de moradias de caráter social e de baixo custo. Refém de seus compromissos com as máfias do transporte coletivo, o governo fede- Silêncio da equiral usará a crise fiscal do Esta- pe de Bolsonaro do como pretexto para paralisar sobre empregos obras necessárias para enfrené revelador tar os desafios da mobilidade. Na segurança, tratada exclusivamente pelo vetor da repressão policial e recrudescimento judicial, sua principal política é facilitar a aquisição e posse de armas de fogo. A liberação de armas transfere para os próprios cidadãos as responsabilidades por sua segurança. Finalmente, o emprego. O silêncio de sua equipe econômica sobre compromissos e metas para geração de empregos, no curto, no médio e no longo prazo é revelador. Bolsonaro e sua equipe fingem não enxergar a crise urbana. É preciso, pois, fazer da crise o próprio motor para a resistência e posterior contra-ofensiva.

BF

Trabalhadores da educação estão paralisados por não receberem seus salários E agora... PMs manifestam contra Zema e pelo pagamento do 13º

Os funcionários públicos de Minas ainda não receberam. Na quinta (17), policiais militares fizeram um protesto em frente ao batalhão do bairro Prado, em BH, pelo pagamento do 13º salário a todo o funcionalismo. O governador Romeu Zema (Partido Novo) anunciou que em 14 de janeiro os servidores receberiam até R$ 2 mil. Servidores com salários maiores receberiam mais R$ 1 mil em 21 de janeiro e o restante em 28 de janeiro. Porém, servidores denunciam que ainda não receberam.


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MUNDO

Belo Horizonte, 18 a 24 de janeiro 2019 AVN / Telesur

Entenda a crise na Venezuela POLÍTICA País depende da exportação de petróleo e importa alimentos, remédios e outros bens Wallace Oliveira

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eeleito presidente da Venezuela com 67% dos votos válidos, Nicolás Maduro enfrenta sérias ameaças a seu segundo mandato. Ele tomou posse no dia 10 de janeiro. No dia 12, seu principal opositor no Legislativo, o deputado Juan Guadió, atribuiu a si mesmo o status de presidente da República. No dia 13, a esposa do deputado disse pelo Twitter que ele foi preso e liberado horas depois. No dia 14, discursando para a Assembleia Constituinte, Maduro taxou a suposta prisão de “manobra desestabilizadora”, feita para “criar um show, intensificar a guerra midiática e impor uma opinião que justifique uma intervenção militar”. De fato, desde que Donald Trump se tornou presidente dos Estados Unidos, a Venezuela vive o pesadelo de um possível ataque armado a seu território, com o apoio da oposição. Até agora, porém, as principais movimentações dos inimigos do regime acontecem na economia, na relação entre governos e na política interna. Crise econômica: as sabotagens e o petróleo Desde 2017, os EUA lançam

uma série de sanções contra empresas que atuam na Venezuela, proibidas de fazer transações em dólar. Contas nos setores industrial e farmacêutico foram fechadas e recursos públicos bloqueados no exterior. A economia do país, que depende da importação de alimentos, remédios, peças para carros e máquinas, afundou ainda mais em uma crise que já dura cinco anos. “Há um sistema de saúde pública excelente, com postos nas comunidades pobres, um programa equivalente ao Mais Médicos, hospitais públicos de qualidade. Porém, faltam remédios porque o governo não consegue comprar. Importar remédios se dá por contratos que passam por bancos, e esses bancos sofrem pressão para não fazerem negócios com a Venezuela”, exemplifica Igor Fuser, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC. O centro da crise é o petróleo, que responde por mais de 90% das exportações venezuelanas. O país caribenho é um dos 15 principais produtores da matéria-prima no mundo. Enquanto o preço do barril crescia ou rondava os US$ 100, o PIB venezuelano

também cresceu acima da média da América Latina. A partir de meados de 2014, antes mesmo das sanções econômicas, a Venezuela se viu às voltas com

economia muito carente na consolidação de sua indústria química e metalúrgica, que são a base para o desenvolvimento das outras indústrias, explica a economista do Instituto Tricontinental Olívia Carolino.

Nicolás Maduro foi reeleito com 67% dos votos, mas enfrenta sérias ameaças, da oposição e dos EUA

Ofensiva oposicionista e reviravolta A crise econômica desgasta o governo, dando sinal verde para grupos oposicionistas. Em 2015, nas eleições para a Assembleia Nacional Legislativa (o Congresso venezuelano), a oposição ganhou 112 das 167 cadeiras parlamentares. Maduro reconheceu o resultado. Simultaneamente, adversários realizaram protestos e sabotagens no comércio, escondendo produtos básicos, como alimentos. No dia 1º de maio de 2017, Maduro convocou uma Assembleia Nacional Constituinte para enfrentar a crise. Prevendo que, com a Constituinte, o chavismo reconquistaria o apoio popular, a oposição conclamou o país ao boicote e, no dia 18 de julho, anunciou um poder paralelo. Grupos armados atacaram edifícios públicos.

a queda da cotação do petróleo no mercado internacional. Uma profunda recessão atingiu em cheio a economia do país. A inflação e o desemprego dispararam. Com uma economia pouco diversificada e sem uma indústria pujante, a Venezuela se viu vulnerável diante da crise. “[Por décadas] o petróleo fez com que o país tivesse uma renda grande. Tornou-se mais conveniente, no cálculo econômico, comprar externamente as mercadorias industrializadas do que produzi-las internamente. A renda do petróleo fez com que a Venezuela não desenvolvesse a indústria nacional, uma indústria regional. Então, a Venezuela ainda é uma

Opositores se recusaram a disputar as eleições para deputados constituintes. Embora o voto seja facultativo, cerca de 8 milhões de pessoas (41% dos eleitores) compareceram voluntariamente às urnas. O chavismo virou o jogo. Os protestos da oposição refluíram nas ruas e, nas urnas, o PSUV, partido de Ma-

Partido de Maduro ganhou as eleições locais, ficando com 17 dos 23 governadores e 300 prefeituras duro, venceu as eleições estaduais, ficando com 17 dos 23 governadores. Em dezembro, conquistou 300 das 335 prefeituras. Em maio de 2018, Maduro reelegeu-se presidente com 5,8 milhões de votos, 4 milhões a mais que o militar Henri Falcón, segundo colocado. O militar não aceitou o resultado e pediu novas eleições. Em dezembro, o PSUV elegeu cerca de 90% dos vereadores.


MUNDO

Belo Horizonte, 18 a 24 de janeiro 2019

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Estão de olho no petróleo

ECONOMIA Estados Unidos tem uma trajetória beligerante em regiões produtoras da matéria-prima Wallace Oliveira

H

erdeiro político do ex-presidente Hugo Chávez, Nicolás Maduro chegou ao governo em meio à comoção pela morte do líder que, além de impulsionar a chamada Revolução Bolivariana, colocou a economia venezuelana no mapa geopolítico mundial.

A chegada de Hugo Chávez à presidência, em 1998, marcou o fim do modelo de Punto Fijo (ponto fixo), acordo entre as elites que davam as cartas desde os anos 60. Esse sistema se baseava na distribuição da renda do petróleo em uma ampla rede de troca de favores entre políticos, sindicatos atrelados ao Estado e empresários. Apenas dois

GEOPOLÍTICA DO PETRÓLEO É impossível entender a crise venezuelana sem pensar nos Estados Unidos, maior consumidor de derivados do petróleo no planeta: combustíveis, cosméticos, plásticos, roupas, parafina, asfalto e outros. Mesmo após se tornar o maior produtor, eles são o segundo maior importador, atrás apenas da China. Apesar de comprarem petróleo venezuelano, seus principais parceiros estão no Oriente Médio. Porém, a proximidade geográfica com a Venezuela faz com que o percurso de transporte do óleo seja dez vezes mais rápido. Em nome do petróleo, os EUA promoveram guerras no Golfo Pérsico, Síria, Iraque, Líbia e outros lugares. Agora, a Venezuela é o alvo prioritário. “Estão pensando em uma ofensiva dessa natureza sobre o petróleo. Então, é muito importante o domínio político e econômico sobre a Venezuela, que tem uma das maiores reservas do mundo”, comenta Olívia.

partidos de direita se alternavam na presidência: a Acción Democrática (AD) e o Comité Electoral Partidario Independente (Copei). “A direita estava muito desgastada naquele momento [eleições de 1998]. Ela sempre foi muito fechada, um clubezinho de famílias que têm suas propriedades, sua vida social e a maior parte de seus inves-

timentos em Miami (EUA). Tratava-se, então, de romper com essa visão de fora para dentro”, comenta o professor Gaby Clauss Fernandes. Desde 2002, ele viaja periodicamente à Venezuela para acompanhar a situação do país. Para a economista Olívia Carolino, o projeto bolivariano tentou inverter essa lógica. “Chávez quebra com

o Pacto de Punto Fijo, fazendo com que o povo entre na história do desenvolvimento e da construção nacional. A isso ele chamou de desenvolvimento voltado para dentro, com participação dos venezuelanos. A principal empresa pública, a PDVSA, passou a estar subordinada a isso. Esse processo é muito recente, não está completo”, afirma.

ARTICULAÇÕES

CHINA E RÚSSIA

Para concretizar a ofensiva e derrubar Maduro, os Estados Unidos precisam contar com aliados na América do Sul. Por isso, em agosto passado, o chefe da Defesa estadunidense, General James Mattis, cumpriu um roteiro de visitas à Argentina, Brasil, Chile e Colômbia. O objetivo foi comprometer as forças armadas desses países com o cerco ao vizinho caribenho. Os quatro integram o famoso Grupo de Lima, articulação composta também por Canadá, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai e Peru, sob comando norte-americano. O presidente da Argentina, Maurício Macri, cogitou implantar bases militares ianques na região de fronteira com Bolívia e Chile. O governo colombiano negocia o estabelecimento de uma base da Organização do Tratado Atlântico Norte (OTAN) em seu território. No Brasil, o governo Bolsonaro, além de ofertar território nacional para uma base dos EUA, elegeu-se com um discurso agressivo, pregando uma guerra contra o país vizinho.

Na medida em que fica isolado no cenário regional, por outro lado, mais o governo Maduro estreita a parceira com China e Rússia, principais contrapontos aos Estados Unidos nos planos econômico e militar, respectivamente. Em dezembro, em Moscou, ele selou vários contratos de cooperação comercial com Vladimir Putin, garantindo US$ 5 bilhões em investimentos na área petrolífera, além de US$ 1 bi na mineração e outros recursos para agricultura e armamentos. Dias depois, os dois países realizaram exercícios militares conjuntos no norte venezuelano. Na China, Maduro firmou 28 acordos e 700 projetos. Destaque para o que previu ampliar para 1 milhão o número de barris diários exportados para a potência asiática. Outro contrato prevê investimentos chineses na produção de ouro no sudeste da Venezuela, onde se encontra a quarta maior reserva do mundo.


14 MUNDO 10

Belo Horizonte, 18 a 24 de janeiro 2019

Medidas para enfrentar a crise Reprodução

Wallace Oliveira

C

omo explicar que, mesmo mergulhado em uma gravíssima crise e sofrendo ataques da oposição e dos Estados Unidos, o governo Maduro ainda não tenha sido derrubado por um levante popular? A resposta, em parte, é o engajamento da população nas medidas que o governo lançou para tentar resistir à crise. Conheça algumas delas. Recuperação econômica Em outubro, o país passou a adotar uma moeda digital, o Petro, a fim de captar recursos para o pagamento de bens e serviços. A criptomoeda é ancorada no preço do barril do petróleo e surgiu para combater o bloqueio financeiro imposto pelos EUA. Desde então, o Bolívar, moeda oficial, passa a ser cotado no valor do Petro. BF BF

BF BF

Em agosto, o governo iniciou um plano de recuperação econômica prevendo, entre outras coisas, a reconversão da moeda, eliminando cinco dígitos. Para os primeiros meses, também ficou estabelecida uma política de reajustes do salário mínimo. No último deles, no dia 14, um aumento de 300%, passando de 4,5 mil para 18 mil bolívares. Os reajustes são uma tentativa de fazer frente à alta inflação no país, que é a maior do mundo na atualidade. Pagamento de gasolina Desde o dia 24 de dezembro, entrou em vigor um novo sistema de pagamento de gasolina. O objetivo é dificultar o tráfico de combustível para os países vizinhos, especialmente a Colômbia. O combustível passou a ser vendido pelo Cartão da Pátria, um dispositivo eletrônico que reúne pro-

Reprodução

gramas sociais e de distribuição de renda oferecidos pelo governo. Também foi lançado um sistema de subsídios para compra de gasolina, atendendo a cerca de 10% da população mais pobre do país. Repatriamento Em setembro, a Assembleia Nacional Constituinte lançou o Plano Volta à Pátria. A finalidade é facilitar o retorno de migrantes venezuelanos que deixaram o país por causa da crise e se encontram em situações ainda piores em outros lugares, como o Brasil. De acordo com o vice-ministro de Comunicação do Ministério de Relações Exteriores da Venezuela, William Castillo, nos três primeiro meses, mais de 10 mil pessoas retornaram voluntariamente. Plano da Pátria No dia 14, o governo venezuelano apresentou um programa para o período de 2019 a 2025, intitulado Plan de la Patria. O programa é fruto de discussões em assembleias populares e tem como principais metas: - 4 milhões de empregos - 5 milhões de casas populares - 4 milhões de partos humanizados - Fortalecimento de programas de alimentação - 100% de estudantes matriculados na educação primária e média.

COBERTURA ESPECIAL O Brasil de Fato acompanha passo a passo as disputas na Venezuela, com correspondentes no país, e traz tudo em nossa página, no especial: “O que está acontecendo na Venezuela”. Para ler o especial, basta acessar: brasildefato.com.br/especiais/o-que-esta-acontecendo-na-venezuela.

O legado chavista Caio Clímaco

A

o longo de quase 20 anos de governo – primeiro com Chávez e agora com Nicolás Maduro – o chavismo sustenta 23 vitórias eleitorais – só foi derrotado duas vezes. O número expressivo de vitórias se explica pelas transformações políticas, econômicas e sociais proporcionadas. Os indicadores socioeconômicos da Venezuela melhoraram exponencialmente durante esse período: O Gini – índice usado pelo Banco Mundial para medir a desigualdade social – passou de 0,498 para 0,394 (quanto mais próximo de zero, melhor). No mesmo período, o índice brasileiro ficou em 0,520 (3º pior da América Latina).

O Índice de Desenvolvimento Humano da Venezuela –

medida utilizada pela Organização das Nações Unidas para classificar os países pelo seu grau de “desenvolvimento humano” –ficou na

colocação 71º entre 188 países, à frente do Brasil e da média dos índices dos países latino-americanos. O desemprego caiu de 14% em 1999 para 5,5% em 2014. A taxa de analfabetismo foi reduzida de

9,1% (antes do chavismo) para 4,7% em 2015.

A expectativa de vida aumentou de 72 anos em 1996 para 75 anos em 2014. A pobreza foi reduzida de 49,4% para 26,4% em 2010. A Venezuela passou a ser o 2º país na América Latina com maior proporção de estudantes universitários, cerca de 10,5 milhões ou 34% da população, ficando atrás apenas de Cuba. Caio Climaco é cientista do estado pela UFMG, mestrando em Ciências para el Desarrollo Estrategico na Universidade Bolivariana da Venezuela


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BRASIL

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Bolsonaro abre caminho para acabar com demarcação de terras indígenas Esvaziamento da Funai vai permitir exploração de áreas atualmente protegidas

Evaristo Sa /AFP

Pedro Rafael Vilela, de Brasília*

A

tendendo a um desejo antigo da bancada ruralista no Congresso Nacional, o presidente Jair Bolsonaro retirou da Fundação Nacional do Índio (Funai) a prerrogativa sobre a identificação, delimitação, demarcação e registro das terras indígenas no país. Agora, essas atribuições pertencem ao Ministério da Agricultura, pasta voltada aos interesses do agronegócio, muitos dos quais se chocam exatamente com os direitos originários dos indígenas previstos na Constituição Federal de 1988, que reconhece o direito à terra dessa população tradicional. A mudança foi confirmada na Medida Provisória nº 870, o primeiro ato de governo do novo presidente, assinado no dia de sua posse, no dia 1º de janeiro. Durante a campanha, Bolsonaro já havia declarado, mais de uma vez que, caso eleito, não daria “nem um

centímetro a mais de terra indígena”. A reação das organizações indígenas à nova medida foi imediata. Em nota, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) condenou as mudanças, alertando para os riscos, inclusive, em relação à preservação do meio ambiente no país. A APIB ingressou com uma representação na Procuradoria Geral da República contra a MP, e o caso poderá ser levado ao Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com os dados do

Investigação sobre o “caso Queiroz” suspensa O ministro do STF Luiz Fux determinou a suspensão da investigação sobre as movimentações financeiras de Fabrício Queiroz, a pedido de Flávio Bolsonaro (PSL). Queiroz, que é ex-assessor do deputado, movimentou cerca R$ 1,2 milhão em sua conta bancária entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. Parte dos depósitos vieram de outros assessores, e uma das destinatárias foi Michelle Bolsonaro, cônjuge do presidente da República. A decisão de Fux deve permanecer até o fim deste mês e, em fevereiro, quando encerra o recesso do Tribunal, a ação ficará a cargo do ministro Marco Aurélio Mello.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem aproximadamente 900 mil indígenas, representando 305 povos diferentes e 274 línguas. Ao todo, as cerca de 600 áreas indígenas reconhecidas no país correspondem a apenas 13% do território nacional. Dados sobre o desmatamento também revelam que as áreas indígenas são as que mais preservam as matas e florestas. Segundo levantamento do Instituto Socioambiental (ISA), entre 2016 e

2017, por exemplo, apenas 2% dos desmates em toda a Amazônia ocorreram em áreas indígenas. Interesses obscuros Mesmo fatiada e perdendo as principais atribuições, a Funai será comandada, no governo Bolsonaro, pelo general da reserva Franklimberg Ribeiro de Freitas, que atuou como presidente da autarquia entre maio de 2017 e abril de 2018. Ele foi escolhido por Damares Alves, ministra da Mulher, da Família e

Carlos Humberto / STF

dos Direitos Humanos, e sua volta ao cargo acende um sinal de alerta entre os movimentos indígenas e indigenistas. Durante o segundo semestre do ano passado, poucos meses depois de pedir demissão da Funai, Freitas atuou como conselheiro consultivo para assuntos indígenas, comunitários e ambientais da mineradora canadense Belo Sun Mining. A companhia lidera um dos maiores projetos de mineração do país, que pretende, ao longo de um período de 12 anos, extrair 60 toneladas de ouro da região da Volta Grande do Xingu, no Pará. O empreendimento afetaria diretamente as tribos indígenas Juruna e Arara, assim como outras comunidades tradicionais já impactadas negativamente pela Usina Hidrelétrica de Belo Monte. E depende do aval da Funai para ser colocado em prática. *Com informações de Lu Sodré

Decreto de Bolsonaro flexibiliza posse de armas no país Jair Bolsonaro (PSL) assinou, na terça (15), um decreto que define novos critérios para obtenção de posse de armas no Brasil. Pessoas com mais de 25 anos, sem antecedentes criminais, exames psicológicos e treinamento são critérios que continuam valendo. A partir do documento, a “necessidade” da posse de arma (que antes era avaliada por um delegado da Polícia Federal) passa a considerar o índice de violência do estado e da cidade onde a pessoa mora. De acordo com especialistas, o decreto deveria ter sido acompanhado por medidas para ampliar a fiscalização e pode aumentar violência. Leia mais em brasildefato.com.br.


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CIÊNCIA, COISA BOA! RELIGIÃO, POLÍTICA, CIÊNCIA E MUITA PACIÊNCIA...

Amiga da Saúde Minha filha de 3 anos disse que o avô passou a mão em sua “pepeca”. Ela dá detalhes, mas o avô é pastor e ninguém acredita nela. O que eu faço? Anônima

“Perdemos espaço na ciência quando deixamos a teoria da evolução entrar nas escolas”, afirmou a ministra Damares Alves. O ministro Marcos Pontes rebateu a colega: “não se deve misturar ciência e religião”. A tréplica veio do pastor Silas Malafaia, que disse que “se a teoria da evolução fosse verdade comprovada, se chamaria lei”. A surpreendente e atrapalhada polêmica envolvendo a cúpula do governo federal demonstra a que nível preocupante cheDamares, gou a crise brasileira. Malafaia, Marcos Na ciência, o termo “teoria” possui um Pontes: uma aula significado diferente daquele do dia a dia. do que não fazer Uma teoria científica é algo já bem aceito como verdade a partir dos estudos feitos. Quando o pastor Malafaia usa equivocadamente o termo em contraposição a “lei”, como se uma teoria fosse uma mera “hipótese”, demonstra conhecer muito pouco sobre a linguagem e o método científico. A evolução biológica é hoje um fato amplamente aceito pela comunidade científica internacional. É embasada por inúmeras evidências, e seu entendimento possibilitou o desenvolvimento de várias áreas. Sua importância é tamanha ao ponto de, em 1973, o biólogo Dobzhansky afirmar que “nada em biologia faz sentido exceto à luz da evolução”. Em larga medida o desenvolvimento da biotecnologia aplicada a áreas como agricultura e medicina hoje só é possível se aceitarmos que a evolução é real. Se ela não existisse, muito do que comemos ou usamos para nos tratar hoje não existiria. A evolução biológica ocorre quando há qualquer alteração das características herdáveis dos seres entre gerações. Em outras palavras, dizer que a evolução existe é dizer que a vida se modifica ao longo do tempo. Isso é perfeitamente observável por meio da análise de fósseis, ou de microrganismos, plantas e animais vivos. Mais precisamente, ao conhecermos o DNA e seu funcionamento, foi possível atestar como a evolução biológica ocorre. A ministra combate a evolução, pois entende que a ideia de que os seres se modificam e que a vida existe na Terra há bilhões de anos contrasta com aquilo que diz sua religião. Assim como o fato de nossa espécie descender de outras. É possível conservar uma fé ao reinterpretar e ressignificar suas crenças à luz das evidências que a realidade dá. Espera-se isso sobretudo daqueles que ocupam cargos importantes em um Estado laico. A quem não é capaz disso resta se valer do poder para encaixar o mundo em suas verdades. Um abraço e até a próxima! Renan Santos é professor de biologia da rede estadual de Minas Gerais

Cara ouvinte, você nunca deve desvalorizar a fala da criança. Elas podem imaginar algumas coisas, mas normalmente não inventam histórias coerentes com riqueza de detalhes. Comece não deixando que ela fique sozinha com o avô. Leve-a num atendimento hospitalar especializado em violência sexual e ouça a opinião de especialistas. Faça denúncia do caso na polícia para investigação. Infelizmente, na grande maioria dos casos de violência sexual sofrida por crianças, os agressores são pessoas da família, fora de qualquer suspeita. Fique atenta! Mande sua dúvida: amigadasaude@brasildefato.com.br Sofia Barbosa é enfermeira do Sistema Único de Saúde I Coren MG 159621-Enf.

Nossos direitos Assistência farmacêutica: um direito de todo usuário do SUS A quantidade de pessoas que buscam a Justiça para conseguir tratamentos de saúde no Brasil aumenta a cada ano. Isso porque a Constituição Federal garante a todos os brasileiros tratamento gratuito de saúde, através do SUS – Sistema Único de Saúde. Apesar de ser um direito universal, muitas vezes faltam medicamentos, exames e tratamentos públicos. Assim, a alternativa para muitas pessoas é acessar a Justiça,

para ter o seu direito integral à saúde garantido. Em Minas Gerais, é possível acessar de forma gratuita a Justiça por meio da Defensoria Pública, ou Ministério público, portando seus documentos pessoais e a prescrição médica, em documento assinado e carimbado por um médico do SUS. Desta forma, a decisão do juiz irá obrigar o poder público a atender à sua necessidade de saúde. Fique ligado, e não perca seus direitos!

Adília Sozzi é advogada da Rede Nacional de Advogados Populares – RENAP


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13 VARIEDADES 15

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Dicas Mastigadas SALADA DE MACARRÃO COM SARDINHA Reprodução

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CAÇA-PALAVRA

© Revistas COQUETEL

Procure e marque, no diagrama de letras, as palavras em destaque no texto.

A febre Mayaro Além de doenças como DENGUE, zika e CHIKUNGUNYA, o mosquito AEDES aegypti pode espalhar outro VÍRUS: o da febre MAYARO. O vírus foi identificado, pela primeira vez, em 1954, em áreas RÚSTICAS ao redor da região AMAZÔNICA. A questão é que, há alguns anos, ele era transmitido apenas por MOSQUITOS vetores SILVESTRES, mas, agora, já se espalhou pelo meio URBANO, principalmente com a ajuda do Aedes aegypti e do Aedes albopictus. A FEBRE Mayaro tem SINTOMAS muito parecidos com os da dengue e da chikungunya. Começa com febre e CANSAÇO, sem muitos SINAIS aparentes. Depois, podem surgir MANCHAS vermelhas pelo CORPO, acompanhadas de dor de CABEÇA e dores nas ARTICULAÇÕES. Pode ocorrer , ainda, dor nos OLHOS e, em alguns casos, INTOLERÂNCIA à luz. A principal DIFERENÇA é que, na febre Mayaro, as dores e o INCHAÇO das articulações podem ser mais limitantes e levar MESES para passar. ilustração: fernando S M A Y A R O C B T C Y B L

U R B A N O L N C O R P O L

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B U M T I D N C T S L R M Z

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M T E S O T I U Q S O M H R

A Ç N E R E F I D E N T R D

S T A I C N A R E L O T N I

L C S E Õ Ç A L U C I T R A

R R N S E R T S E V L I S B

C A B E Ç A N O Ç A H C N I

INGREDIENTES • • • • • • • • •

250g de macarrão parafuso 4 colheres (sopa) de suco de limão Azeite de oliva a gosto 1 pimenta dedo-de-moça sem sementes, cortada em tirinhas 1 cebola roxa cortada em meias-luas finas 1 e meia xícara (chá) de tomates-cereja 1 pote de iogurte natural (170 g) 3 latas de sardinha sem espinhas escorridas e picadas Sal e coentro a gosto (pode ser salsinha também)

MODO DE PREPARO

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Solução U S I N M R C H I K U N G U N Y A A B Y A S A C I T S U R A N I R O L H O S A O A N E E I R D S B V M E S E S E I S F R U M A N C H A S N O Z A M A C O R P O

A C I

1. Coloque o macarrão para cozinhar em água fervente com sal. O ponto é al dente 2. Misture os demais ingredientes e reserve. 3. Escorra o macarrão, passe em água fria para interromper o cozimento e misture ao molho (que é a mistura dos outros ingredientes). 4. Sirva gelado

O Ç A S N A C

T O M A S Ç N E R E F I D

D E N G U E S O T I U Q S O M

A I C N A R E L O T N I S E Õ Ç A L U C I T R A S E R T S E V L I S

Participe enviando sugestões para redacaomg@brasildefato.com.br.

C A B E Ç A

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14 CULTURA 14

Belo Horizonte, 18 a 24 de janeiro 2019 Maria Cristina da Cruz

Samba, comida e cerveja

Biblioteca incentiva socialização e sonhos das crianças no bairro Jaqueline, em BH

O sábado (19) vai ser do jeito que o povo gosta no Espaço Cultural Pátria Livre! A partir das 16h tem samba de roda e ensaio do bloco Leões da Lagoinha. Vai ter muito tira-gosto e bebidas pra vender! A entrada é gratuita. Anote: rua Pedro Lessa, 435 – Santo André.

EXEMPLO Projeto foi criado por trabalhadora doméstica que via poucas oportunidades para os jovens da região

Show a R$ 2

Raíssa Lopes

N

ão são poucas as iniciativas que mostram o poder transformador dos livros em Belo Horizonte. A capital mineira conta com um grande número de bibliotecas públicas e comunitárias que podem ser aproveitadas por toda a população. Um dos locais que faz a diferença para a comunidade é a Biblioteca Comunitária Cantinho da Leitura, instalada no conjunto habitacional Residencial das Flores, no bairro Jaqueline, região Norte da cidade. Ela foi criada pela moradora Maria Cristina, enquanto ela ainda exercia a profissão de doméstica, há nove anos. Recém-chegada ao conjunto e com dois filhos pequenos, Maria percebeu, na época, que a ociosidade era grande entre as crianças e decidiu que deveria incentivá-las a sonhar. “É sobre plantar sementes. E de girassóis. Para seguir a luz”, define o projeto. Semeando e colhendo A biblioteca começou com uma salinha pequena cedida pelo centro comunitário, mas

a idealizadora buscou parcerias, doações, ONGs e órgãos municipais. Maria chegava a trabalhar em feiras de livros para ganhar exemplares e incrementar o acervo. Hoje, o canto da leitura está com a infraestrutura reformada e atende todo o entorno do residencial, além de ser um espaço de convivência e troca. Maria tem 53 anos e, talvez não por coincidência, nasceu em 20 de março, Dia do Contador de Histórias. Ela se alegra ao falar do trabalho, que é feito de forma voluntária no horário em que ela não está em seu emprego formal. Atualmente, com os filhos já criados, ela ensina, como monitora, a reciclar e a plantar em uma escola municipal – assim como faz no Cantinho – e deseja ingressar na faculdade para estudar pedagogia. “Os meninos que frequentavam o lugar no início agora são pais, e as crianças deles usam a biblioteca. É tudo deles, desses pequenininhos. Quero estimular eles a serem pedreiros, aviadores, professores, juízes”, diz Maria, que tira força e inspiração da obra “A Águia e a Galinha”, do teólogo, escritor e professor Leo-

nardo Boff. “Ele chegou a visitar a nossa biblioteca. Quando veio, em 2009, disse pra gente que saber cuidar é cuidar da mãe terra. Me impulsionou. Foi esse livro que me fez voar”, relembra.

Saiba mais:

Para saber mais sobre o Cantinho da Leitura, dê uma olhada na página: facebook.com/bibliotecacomunitariacantinholeitura.

O festival Verão Arte Contemporânea 2019 estreia na próxima quarta (23). No dia vai ter showzão com Aline Calixto e as cantoras da banda As Bahias e a Cozinha Mineira no Sesc Palladium (av. Augusto de Lima, 420 – Centro). O ingresso está R$ 2. Saiba mais: facebook.com/veraoarte.

Bibliotecas públicas municipais

Feira de artesanato do Vale do Jequitinhonha

São muitas, e elas estão catalogadas no portal da Fundação Municipal de Cultura (prefeitura.pbh.gov/ fmc). A maioria está dentro dos centros culturais.

Na sua região

A prefeitura de BH disponibiliza um mapa com todas as instituições cadastradas no sistema. Acesse: mapaculturalbh. pbh.gov.br.

O evento começa na quarta (23) e vai até o dia 26 de janeiro na cidade de Almenara. Além da beleza dos produtos do Jequitinhonha, vai ter feirinha, música, poesia e muito mais com entrada gratuita. Saiba mais: facebook.com/rededeartesanatojequitinhonha


Belo Horizonte, 18 a 24 de janeiro 2019

Veja como fazer exercícios físicos com ajuda de aplicativos

ESPORTE

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na geral

UFMG seleciona jovens para Triátlon Levi Schultz

U.S. Air Force / Caleb Worpel

SAÚDE Tecnologia pode ser aliada para abandonar sedentarismo sem gastar dinheiro Nathan Cowley

Flora Castro, do Rio de Janeiro

U

ma das promessas mais frequentes no início do ano é a mudança de hábitos para se ter uma vida saudável. Porém, a questão financeira pode ser uma barreira para alcançar esse objetivo. Em plena crise econômica, muitos brasileiros não têm recursos para custear uma academia ou atividade física particular. Entretanto, a tecnologia pode ser aliada para evitar altos gastos. “Hoje, com o telefone na mão, se consegue ter um acesso maior ao esporte e aos exercícios para fazer em casa”, explica o educador físico João Lucas Lima. Ele indica alguns aplicativos, sites e canais do Youtube, tais como: “Exercícios em casa – sem equipamento, “Sportractive Correr e Caminhar”, “Treino em Casa – Dieta e Personal Trainer”, os sites Treinomes-

tre.com.br e Dicasdetreino. com.br e o canal do Youtube “Saúde na Rotina”. Há tanto modalidades para fazer em casa, como alongamentos e treinos funcionais, quanto atividades na rua, como caminhadas, pedaladas e corridas. Lima lembra que o mais importante é começar devagar. “O ideal é

O início do ano é uma data excelente para a atividade física, mas ela deve ser feita o ano inteiro” que se comece com uma intensidade menor para respeitar o tempo do corpo e os princípios do treinamento esportivo”, enfatiza. O professor também aconselha a desconfiar de aplicativos que prometem resulta-

dos milagrosos. “Isso é balela. São coisas impossíveis, de acordo com a literatura científica. Mas as bases de exercícios que podemos fazer em casa, com peso corporal, movimento correto, são bem interessantes”, explica. Outro ponto de destaque é a regularidade. A educadora física Kamilla Ventura lembra que escolher uma modalidade prazerosa, que seja algo que se goste de praticar, também é importante. “O início do ano é uma data excelente para começar a atividade física, mas ela deve ser feita o ano inteiro. Já tem vários benefícios comprovados da importância delas, tanto física quanto mentalmente”, explica. A prática regular de exercícios tem sido apontada, ao lado da alimentação saudável, como um dos principais fatores de promoção da saúde e na prevenção de doenças, como Alzheimer, diabetes e esclerose múltipla.

O Centro de Treinamento Esportivo (CTE) da UFMG seleciona jovens de 13 a 20 anos para compor sua equipe de Triathlon, alto rendimento. É necessário ter bom nível de natação, disponibilidade para os treinos e participar de um teste em piscina de 50 metros. Os candidatos deverão comparecer com roupa e material para natação. Quem for selecionado contará com a estrutura física do CTE e o acompanhamento de equipe profissional. (Com informações da EEFFTO) Onde: Av. Alfredo Camarate, 617. B. São Luiz, BH Quando: de 21 e 24 de janeiro, das 16h30 às 19h Mais informações: (31) 3409-2325

De graça: pedalinhos da Futel todos os dias Divulgação Futel

No período da férias escolares, até o dia 31, a Fundação Uberlandense do Turismo, Esporte e Lazer (Futel) disponibiliza os pedalinhos do Parque do Sabiá todos os dias. O uso dos cinco aparelhos é gratuito. Onde: R. Haia, s/n. Tibery, Uberlândia Quando: de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h; sábado e domingo, das 10h às 16h


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Belo Horizonte, 18 a 24 de janeiro 2019

Campeonato Mineiro começa sábado N

o sábado (19), tem início a 105ª edição do campeonato estadual de Minas Gerais, Módulo I. O torneio vai até o dia 21 de abril e conta com a partici-

pação de 12 equipes. A fórmula de disputa é a mesma dos anos anteriores. O Cruzeiro estréia contra o Guarani, em Divinópolis, às 16h30. No domingo (20), o América visita a Calden-

ESPORTES

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Divulgação / FMF

DECLARAÇÃO DA SEMANA

se em Poços de Caldas, às 11h. Às 17h, o Atlético recebe o Boa Esporte no Independência. Uma novidade será o uso de assistente de vídeo, o Var, nas semifinais e finais.

Gol de placa

“No Brasil, a cada 7 segundos, uma mulher é agredida. A cada 2 horas, uma mulher é assassinada. A 5ª posição no ranking mundial de feminicídio é uma posição inaceitável diante da qual precisamos nos posicionar e manifestar nosso repúdio” Manifesto lançado por Corinthians, Palmeiras e São Paulo para marcar a adesão dos times ao programa “Tem Saída”, da Prefeitura de São Paulo, que oferece recolocação no mercado de trabalho a mulheres vítimas de violência.

O Palmeiras pagou as passagens de volta ao Rio Branco (AC), clube que o alviverde paulista eliminou da Copa São Paulo de Futebol Jr., no domingo (13). O Galvez tinha passagens para retornar logo após a primeira fase, mas não contava que fosse avançar na competição e perdeu os bilhetes.

Gol contra Na semana passada, o racismo deu as caras novamente: na Inglaterra, o sul-coreano Son foi vítima de torcedor de seu próprio time, o Tottenham, após a derrota para o Manchester United; na Itália, o preconceito contra africanos e judeus foi cantado de novo pela torcida da Lazio.

Decacampeão

É Galo doido

La Bestia Negra

Bráulio Siffert

Rogério Hilário

Izabela Xavier

O América começará a temporada de 2019 com um elenco que, ao menos no papel, é semelhante ou até melhor do que o do ano passado, quando disputou a Série A. Em tese, portanto, é um time com chances de vencer o Campeonato Mineiro, avançar um Decacampeão pouco mais na Copa do Brasil e ser tricampeão da Série B. Espera-se que os destaques sejam a dupla de zaga Messias e Diego Jussani e o ataque, com Matheuzinho, Marcelo Toscano, Neto Berola e Junior Viçosa. Esses jogadores já mostraram bons serviços em outras temporadas. Também vale apostar nos 11 jogadores da base recém promovidos ao time profissional. Basta ver se, dentro de campo, o time corresponderá a esse otimismo da torcida.

Até o momento, o Atlético parece se pautar pelo imponderável. As contratações pouco acrescentam. Falta o craque, o líder, o jogador capaz de fazer a diferença. O momento pode ser improvável para contratar o Componente X e, nessa circunstância, vale contestar ou Galo doido! valorizar um É dos clichês do mundo esportivo: futebol não é uma ciência exata. As probabilidades de quem gasta mais, e bem, seriam maiores. Em campo, contudo, o desempenho dependeria das circunstâncias. A paixão alvinegra pode levar milhões a pensar assim. Ultimamente, contudo, o poder econômico tem valido mais. O novo, no Galo, pode ser tão falho quanto nos outros anos mais recentes. A resiliência e a paixão serão fundamentais.

Início de temporada e todos os olhos se voltam para os reforços do time, quem está de malas prontas, quem renovou. Contudo, as novidades sempre se referem ao futebol masculino. Embora a Conmebol tenha alterado o regulamento, obrigando os Laequipes Bestiafemininas Negra para que clubes a terem disputem torneios como a Liberadores, pouco foi o investimento. O caso do atual bicampeão da Copa do Brasil é ainda mais grave: o Cruzeiro é um dos cinco times da Série A que sequer iniciaram projeto. Provavelmente, irá fazer parceria com uma equipe pronta, apenas para cumprir a regra. Que a diretoria se posicione já, pois as mulheres são igualmente capazes de vestir e honrar nosso manto azul!


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