Edição 254 do Brasil de Fato MG

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Thainá Nogueira Acervo / FMC

Gláucio Dettmar CNJ

Circuito na Pampulha

Encarceramento em massa

Evento gratuito vai até o ano que vem com muita música, dança e teatro

Em Minas, 60% dos presos não foram julgados. Leia história de 68 anos detida em Neves

CULTURA 14

MINAS 5

MG

Minas Gerais

Belo Horizonte, 5 a 10 outubro de 2018 • edição 254 • brasildefato.com.br • distribuição gratuita

O QUE ELES FALAM SOBRE SEU FUTURO

Marcelo Camargo / Agencia Brasil

Ricardo Stuckert

EMPREGO

DIREITOS

SAÚDE

EDUCAÇÃO Segundo as pesquisas de intenção de voto, eleições devem ser decididas no 2º turno entre Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL). Candidatos possuem projetos bem diferentes para o país. Confira as propostas e como foi a trajetória política dos presidenciáveis

Pode, não pode

Dicas para o dia 7

Preste atenção às regras eleitorais. Descumprimento pode gerar punições

Tire dúvidas e confira o que é necessário para votar com tranquilidade

VARIEDADES 12

ELEIÇÕES 11


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OPINIÃO

Belo Horizonte, 5 a 10 de outubro 2018

Editorial | Brasil

Eleições em tempos de golpes

ESPAÇO DOS LEITORES

“Edição muito bem aceita entre o povo!” José Geraldo escreve sobre o jornal da semana passada: “Polarização em Minas” “Incrível” Gabriel Reis comenta o especial “Reconstruir Minas pelas mãos do povo”, encartado na edição 253 “Para ensinar às crianças o que é Democracia” Verônica Rodrigues escreve sobre a postagem no Facebook do Brasil de Fato MG “As crianças também vieram em peso para o ato -#EleNão!” “ Pelo amor de Deus, gritem pra ONU, gente. Não deixem isso acontecer” Maria Araújo comenta a matéria “Mineradora pressiona por abertura de mina no Serro”

Escreva para a gente também: redacaomg@brasildefato.com.br ou em facebook.com/brasildefatomg

O voto popular de 2014 elegeu Dilma Rousseff para presidenta do Brasil. Dilma foi derrubada pelo voto raivoso e odiento de deputados e senadores patrocinados pelas grandes empresas, em um golpe parlamentar. Antes disso, é preciso lembrar que as elites fizeram de tudo para vencer as eleições da época, usando principalmente a mídia golpista, especialmente a Globo, para convencer a sociedade brasileira de que o PT era o principal corrupto. Tentaram favorecer eleitoralmente os tucanos. A base da grande agitação eleitoral pró-tucana nas eleições de 2014 foi orquestrada e materializada pelo juiz Sergio Moro, por meio da operação Lava Jato. Usando as prisões e delações premiadas combinadas com o sistema de co-

A mentira, o ódio e a raiva criaram Aécio e agora “o coiso” municação da mídia golpista, tentaram manipular a sociedade. Percebemos que para sua implementação, o golpe teve três atores, são eles: o Judiciário, a mídia e o parlamento. O resultado nós já sabemos. Projetou Aécio Neves e pariram o Temer, o qual logo retirou direitos e entregou grande parte das riquezas brasileiras às empresas multinacionais. O projeto deles provocou a volta da fome, do desemprego e da violência. As eleições de 2018 estão sendo realizadas sem a superação do golpe e percebemos seus atores interferindo descaradamente no processo. O Judiciário prendeu Lula, que, se-

O jornal Brasil de Fato circula semanalmente com edições regionais, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro, no Paraná e em Pernambuco. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais em nosso país e no nosso estado.

gundo as pesquisas, seria eleito em primeiro turno pelo voto popular. Ele foi preso sem provas e impedido de disputar as eleições. Novamente o povo está em uma encruzilhada O novo candidato do PT, Fernando Haddad, cresceu rapidamente nas pesquisas. Então, novamente, na última semana de campanha,

Que o amor vença o ódio para termos o Brasil feliz de novo o ator da Lava Jato entrou em cena com a mesma novela das delações premiadas contra o PT. A mídia, além de dar suporte às ações combinadas com o Judiciário para prejudicar o PT, apelou no início da semana até para a manipulação das pesquisas eleitorais, por meio de seus institutos. A mentira, o ódio e a raiva projetaram algo pior que o resultado anterior quando criaram Temer. Criaram o que está sendo chamado de o “coiso”. É certo um segundo turno entre o candidato do Lula, Fernando Haddad, e o candidato resultante da orquestra do golpe, o “coiso”. Novamente o povo brasileiro está numa encruzilhada entre um caminho gerado pela mentira, ódio e raiva e o outro que já conhecemos, mas que foi interrompido por um golpe. Na certeza de que o amor vencerá o ódio, desejamos profundamente que neste domingo seu voto escolha o caminho certo para o nosso querido Brasil voltar a ser feliz de novo!

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conselho editorial minas gerais: Aruanã Leonne, Beatriz Cerqueira, Bernadete Esperança, Bruno Abreu Gomes, Ênio Bohnenberger, Frederico Santana Rick, Helberth Ávila de Souza, Jairo Nogueira Filho, Joana Tavares, João Paulo Cunha, Joceli Andrioli, Jô Moraes, José Guilherme Castro, José Luiz Quadros, Juarez Guimarães, Marcelo Almeida, Makota Celinha , Maria Júlia Gomes de Andrade, Milton Bicalho, Neila Batista, Nilmário Miranda, Padre Henrique Moura, Padre João, Pereira da Viola, Renan Santos, Rogério Correia, Rosângela Gomes da Costa, Robson Sávio, Samuel da Silva, Talles Lopes, Titane, Valquíria Assis, Wagner Xavier. Editora: Joana Tavares (Mtb 10140/MG). Redação: Amélia Gomes, Larissa Costa, Rafaella Dotta, Raíssa Lopes, Thainá Nogueira e Wallace Oliveira. Colaboradores: Anna Carolina Azevedo, André Fidusi, Bráulio Siffert, Bruno Mateus, Diego Silveira, Fabrício Farias, Felipe Marcelino, João Paulo Cunha, Jordânia, Souza, Léo Calixto, Luiz Fellippe Fagaráz, Pedro Rafael Vilela, Renan Santos, Rogério Hilário, Sofia Barbosa, Taciana Dutra. Revisão: Luciana Santos Gonçalves. Distribuição: Felipe Marcelino. Diagramação: Tiago de Macedo Rodrigues. Tiragem: 40 mil exemplares.


? PERGUNTA DA SEMANA

Declaração da Semana

Estas eleições estão sendo marcadas pela divulgação das chamadas “fake news”, e as informações falsas têm gerado confusão sobre as reais propostas dos grupos políticos. Pensando nisso, o Brasil de Fato MG pergunta:

Qual a diferença entre esquerda e direita?

“De um lado os trabalhadores, de outro os patrões, a elite. Eu penso que esquerda são aquelas pessoas que estão lutando pelos direitos. E a gente tem que se informar para saber qual é a nossa realidade, onde estamos nesse contexto, para nos posicionarmos melhor”. Andressa Damaris Lima, pedagoga

“Pra mim, a diferença principal é pensar que as políticas da esquerda estão do lado da população mais vulnerável e as políticas de direita defendem interesses de pessoas mais ricas. Nas eleições, percebo que há uma perseguição ao que se diz “de esquerda” e muitas vezes são muitas mentiras”.

GERAL

Belo Horizonte, 5 a 10 de outubro 2018

Comentou a chef de cozinha e apresentadora Rita Lobo, em seu perfil do Twitter.

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“O bom dia de hoje vai para os casais que entenderam que a divisão de tarefas é essencial para manter a alimentação saudável e não só porque o jantar fica pronto em menos tempo: é também mais justo e mais gostoso cozinhar a quatro mãos”.

Quer substituir o pão? Coma tapioca!

Reprodução

Carolina Hugo, estudante

Muito popular no norte e nordeste do país, a tapioca é um ótimo alimento para quem quer substituir o pão. Feita de uma goma extraída da mandioca, é um alimento com baixo índice de sódio, não tem gorduras, nem glúten, além de ajudar na digestão e na redução do colesterol. Para fazer é bem fácil! É só pré-aquecer uma frigideira e polvilhar a tapioca, preenchendo toda a superfície da panela. Aqueça por poucos minutos e coloque o recheio que preferir, que pode ser doce ou salgado.

Viva a Literatura de cordel

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) conferiu, no último mês, o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil à literatura de cordel. A conquista veio após dez anos de tentativas da Academia Brasileira de Literatura de Cordel. Apesar de ter vindo dos colonizadores portugueses, o cordel faz parte da cultura nacional e é fundamental para contar, em verso, a identidade do povo brasileiro, com temas que vão do cotidiano aos dissabores da desigualdade social.


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MINAS

Belo Horizonte, 5 a 10 de outubro 2018

Comunidade tenta reabrir rádio comunitária no Taquaril BELO HORIZONTE Emissora nasceu para comunicar com moradores que ficavam ilhados no período das chuvas Arquivo Rádio Taquaril

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Rádio Taquaril FM tem 20 anos de história. Boa parte deles foram passados lutando pela legalização da emissora. Em 2017 veio a tão sonhada e suada outorga. Mas depois de ter seus equipamentos apreendidos, investimentos cancelados e estrutura corroída pelo tempo, a emissora agora enfrenta dificuldades para operar e a comunidade precisa lutar para reerguer a voz do morro. A história da rádio remonta aos anos 1990, que representaram uma década difícil para os moradores das periferias de Belo Horizonte, especialmente durante o período das chuvas. E no Taquaril, que fica na região Leste, a situação era bem grave. O índice de mortalidade causada por desmoronamento era alto. Além disso, quando chovia, uma parte da favela ficava isolada. Para tentar resolver esse problema, a associação do bairro criou uma rádio para conseguir falar com os moradores que estavam isolados e também passar informes da defesa civil. A rádio nasceu em uma estrutura onde ficava a caixa d’água que abastecia diversas obras da região. Os equipamentos foram custeados pela própria associação. A programação era feita pelos moradores do bairro e tinha desde informes da prefeitura até agenda cultural. Luta para ser legal “A gente começou a operar pela necessidade, mas organizamos toda docu-

Em 2008, a Anatel fechou a rádio, apreendendo todos os equipamentos e prendendo os locutores mentação para a legalização da rádio. Em 2003 enviamos o primeiro pedido para o Ministério das Comunicações e em 2004 já recebemos a primeira negativa”, lembra Ednéia Aparecida de Souza, do Centro de Desenvolvimento Comunitário Pró Construção e Desenvolvimento Taquaril e coordenadora da Rádio Taquaril FM. A segunda negativa veio logo

em 2005 e dessa vez eles alegaram que não seria possível legalizar a rádio porque já havia um canal na mesma frequência na cidade de Montes Claros, a 416 km de Belo Horizonte. Em dezembro de 2008, uma fiscalização da Anatel

fechou a rádio, apreendendo todos os equipamentos e prendendo os locutores que estavam no ar no momento. Mas nem o desmonte desanimou os moradores. “Em março de 2009 fizemos um seminário no Taquaril sobre comunicação para falar da

situação da rádio. O evento foi construído com a mesa de mediação de conflitos do governo de Minas e nesse encontro nós coletamos 3 mil assinaturas e entramos com uma ação judicial pedindo a reabertura da rádio”, conta Ednéia Aparecida. O julgamento do processo veio em 2013, e a vitória foi para a Associação. Na decisão, o juiz determinou que o Ministério das Comunicações tinha 30 dias para publicar um ato de funcionamento da rádio Taquaril sob pena de multa diária de R$ 500 e que a Anatel deveria devolver todos os equipamentos da emissora no mesmo prazo, também sob pena de multa diária. Apesar da sentença, a outorga só foi concedida em abril de 2017, quatro anos após a decisão judicial. Os equipamentos da emissora foram devolvidos em setembro do ano passado. Hoje a Associação tenta reconstruir a rádio e em breve a voz do Taquaril voltará a ressoar.

Anúncio CNPJ: 31181436/0001-58 / VALOR R$400,00

Amélia Gomes


Belo Horizonte, 5 a 10 de outubro 2018

MINAS

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Prisão de idosa de 68 anos escancara contradição da Justiça brasileira CALAMIDADE Entre 2006 e 2016, população carcerária aumentou 81% e 40% das pessoas presas não foram condenadas Fernanda de Paula /Ascom Seds

Larissa Costa

“N

Em Minas Gerais, quase 60% dos presos nunca passaram por julgamento quase 60% dos presos nunca foram julgados.

R. tem saúde frágil, nunca foi presa por crime violento, mas teve o habeas corpus negado violento. Ainda mais ela! R. é mais uma na estatística do encarceramento em massa, um encarceramento lotado, falido”, analisa Hélio. Calamidade A situação dos presídios brasileiros é desastrosa e dados do Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen), do Ministério da Justiça, confirmam isso. São mais de 720 mil pessoas encarceradas, o que faz do Brasil o terceiro país com maior população prisional do mundo. Entre 2006 e 2016, a população carcerária au-

mentou 81% e o déficit de vagas nos presídios atingiu o total de 358 mil. “O sistema carcerário é hoje o maior campo de violação aos direitos humanos, é a maior tragédia humanitária que acontece de forma legitimada pelo Estado”, explica Rômulo Carvalho, que também é defensor público. Cerca de 40% das pessoas presas no Brasil não foram

condenadas, ou seja, não passaram por julgamento, segundo dados de junho de 2016 do Ministério da Justiça. Números do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apontam que, em média, quando esses presos provisórios são julgados, 37% deles são absolvidos ou têm que cumprir penas alternativas. Em Minas Gerais,

CNPJ - 31.243.441/0001-48

COLIGAÇÃO JUNTOS COM O POVO: PT/PCDOB/PSB/PR/DC

Atraso Sete em cada dez mulheres que estão presas respondem por crimes sem violência, a maioria furto ou tráfico, como é o caso de R. Esse dado revela, na opinião do defensor Rômulo Carvalho, que o Brasil é um atraso mundial quando o assunto é política de drogas. Enquanto existe um abandono da “guerra às drogas” – declarada pelos Estados Unidos na década de 1970 – em diversos países do mundo, como Portugal, Argentina, Colômbia e Uruguai, que descriminalizaram o consumo, o Brasil segue optando por políticas criminais equivocadas.

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na e r p m o Se ntra o c a lut smo! fasci

PT

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VALOR: R$400,00

esse dia, eu levantei, o tempo estava meio frio. Eu tomei banho e fui lá fora. Não demorou cinco minutos, o policial veio a pé. Ele me pediu a droga. Abri a boca e tirei dois pedacinhos de droga e entreguei na mão dele. Ele pediu a chave da casa, enfiei a mão no bolso e entreguei a chave na mão dele. Eu só tinha esses dois pedacinhos de crack”. O depoimento é de R. F. L. F, presa no dia 24 de agosto deste ano em frente à sua casa, na Lagoinha, região Noroeste de Belo Horizonte. R. tem 68 anos e uma saúde frágil, após ter passado por três angioplastias, dois infartos e ter perdido um dos rins. Usuária de crack há 35 anos, ela está presa provisoriamente na penitenciária feminina José Abranches, em Ribeirão das Neves, na RMBH. Conforme o termo de audiência de custódia, “mesmo sendo a Atuada tecnicamente primária”, o crime de R. foi considerado grave e de alta periculosidade, uma vez que a Polícia Militar teria encontrado 42 pedras de crack com ela. “Essas pedras surgiram dentro da delegacia”, denuncia R. em seu depoimento ao defensor público Hélio da Gama e Silva. Na última semana, R. teve o habeas corpus negado, o que significa que ela continuará na penitenciária. “Foi negado, porque, segundo o Judiciário, o fundamento maior é que ela já teve uma condenação por furto. Isso ela nunca negou. Mas furto não é um crime


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OPINIÃO

Belo Horizonte, 5 a 10 de outubro 2018

Ex-capitão promete gestão antipovo e privatista João Paulo Cunha As eleições estão aí. Nunca uma disputa rendeu tantas reviravoltas e avaliações, quase sempre pontuadas pelo espanto. Muitas pessoas se perguntam: como é possível ter chegado a esse ponto? No entanto, o mais sábio nessa hora é agir de forma determinada. A militância no Brasil sempre foi o diferencial dos partidos populares. Fez a hora, não esperou acontecer. É a tarefa nessa reta final da eleição. As mulheres, com coragem, deram a inspiração na grande mobilização do dia 29. É hora de seguir. Num contexto em que o diálogo está travado, não adianta buscar as mesmas rotas que deram no impasse. É preciso falar para o outro, não para convertidos. O desafio é chegar até a base da sociedade. Bolsonaro é um despreparado que aponta em seu programa prejuízos imediatos na vida do cidadão, como a retirada de direitos trabalhistas e aumento de impostos para os mais pobres. Não é um acaso sua recusa em falar em economia. Ele prefere assuntos

DrA sa

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Projeto econômico do ex-militar radicaliza projeto de Temer consenso político. Nada melhor para o mercado que um candidato autoritário. Entre a barbárie e o lucro fácil, a opção já foi feita. O ex-capitão gosta mesmo de falar de sexo e

Segunda-feira

segurança. No primeiro caso, o moralismo preconceituoso que apela para uma visão conservadora de comportamento. No segundo, com a defesa da violência como resposta à violência. O que sai daí é pura regressividade anticivilizatória: censura, autoritarismo, escola sem partido, população armada, truculência policial. Por outro lado, a candidatura de Haddad tem a ganhar exatamente no que exibe de racional e democrático. É preciso mostrar o que significa o projeto de desenvolvimento com justiça social, a defesa dos programas sociais, o respeito às regras de convivência política, o respaldo internacional. E, principalmente, a perspectiva de sair da crise, criar empregos e defender direitos conquistados. A batalha do primeiro turno vai deixar duas tarefas. A organização das alianças responsáveis para o segundo turno e a construção da governabilidade popular. Mas essa é outra história.

Anúncio Terça-feira

Rádio Autêntica Favela 11h às 12h 106,7 FM BELO HORIZONTE E RMBH Rádio Comunicativa 9h às 10h 87,9 FM JOÃO MOLEVADE - CENTRAL

Quarta-feira Rádio Alternativa 87,9 FM 17h às 18h CABECEIRA GRANDE - NOROESTE

Sexta-feira

Rádio Web Brasil de Fato www.brasildefato.com.br 15h às 16h

Quinta-feira Rádio Quintal FM 20h às 21h 105,9 FM VIÇOSA - ZONA DA MATA Rádio Vale FM 17h às 18h 96,7 FM ARAÇUAÍ - JEQUITINHONHA Rádio Cidade FM 18h às 19h 87,9 FM TURMALINA - JEQUITINHONHA

Sábado

Rádio Liberdade FM 9h às 10h 87,9 FM RIACHINHO - NOROESTE

Rádio Sertão FM 8h às 9h 87,9 FM CHAPADA GAÚCHA - NORTE

Rádio Formoso FM 16h às 17h 87,9 FM FORMOSO - NOROESTE

Rádio Planalto FM 12h às 13h 87,9 FM BRASILÂNDIA DE MINAS - NOROESTE

Rádio Bom Sucesso FM 17h às 18h 95,5 FM MINAS NOVAS - ALTO JEQUITINHONHA

Rádio Divinópolis FM 12h às 13h 720 AM DIVINÓPOLIS - CENTRO OESTE

Rádio 98 FM 17h às 18h 98,5 FM DIAMANTINA

Rádio Líder FM 16h às 17h 87,9 FM BONFINÓPOLIS DE MINAS - NOROESTE

Realização:

em que navega fora da racionalidade. Não parece ter ficado suficientemente claro para o eleitor que o projeto econômico do ex-militar é a radicalização do que vem sendo feito por Temer e renegado de forma veemente pela população. A recente sedução do mercado pelo candidato se dá pelo que tem de pior: ele promete a mesma gestão antipovo e privatista, ancorado pela dispensa de obter

Opinião

Participação:

(31) 9 7146-7456

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Belo Horizonte, 5 a 10 de outubro 2018 Divulgação

OPINIÃO

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Gilliam Attiq

Uma mulher no reduto de Bolsonaro

O “antipetismo” não serve de desculpa para o seu voto De acordo com a pesquisa Datafolha, Fernando Haddad, do PT, ocupa o terceiro lugar entre as maiores rejeições eleitorais, com 29%, atrás de Bolsonaro (43%) e de Marina (32%). Mas a rejeição a Haddad não se encontra decisivamente entre os setores mais precarizados da classe trabalhadora. Entre as pessoas cuja renda familiar mensal é de até dois salários mínimos, a rejeição a Haddad é de apenas 20%, bem atrás de Bolsonaro, que soma 48%. Quando a renda familiar aumenta para até cinco salários mínimos, a rejeição a Haddad cresce para 34% e a de Bolso cai para 40%. Agora, quando a renda familiar mensal é de mais de dez salários mínimos, a rejeição a Haddad se torna estratosférica: vai a 54%. Enquanto isso, a rejeição a Bolsonaro fica por volta dos 34%. O “antipetismo”, portanto, é uma política de classe. A alta classe média e as elites brasileiras convergem para o antipetismo, sobretudo em regiões do país como Sudeste e Centro-Oeste. Elas odeiam o PT. As razões para esse ódio, parece-me, podem até ter a ver com a “inclusão pelo consumo”, com aquela raiva constrangida por ter de compartilhar o voo com alguém que mal sabe localizar o seu asO antipetismo sento no avião porque, claro, até então nunca havia viajado assim. Mas ela tem a ver especialmente com a expan- é um incômodo são dos direitos, como as cotas que “tiram as nossas va- de classe gas”, como ouvi tantas vezes em sala de aula, e medidas como a PEC das Domésticas. O antipetismo resulta de um incômodo de classe gigante com a necessidade de compartilhar uma sala de aula com o filho negro da empregada doméstica. Sendo assim, se você está votando num candidato que não é Fernando Haddad por causa da existência desse “antipetismo”, eu sinto muito: sua posição está ratificando uma posição de classe perversa. Roberto Efrem Filho é professor da UFPB

Gilliam Attiq é educadora e uma das coordenadoras do grupo Mulheres Muçulmanas contra Bolsonaro Na edição 251 ...

ACOMPANHANDO

Roberto Efrem Filho

Nas últimas semanas, fui incluída em três grupos de whatsapp e fiquei em todos com um objetivo: curiosidade sobre o que move as pessoas em favor dessa figura. O que presenciei foi um trabalho aparentemente orquestrado por profissionais de marketing digital. Ele se beneficia diretamente da disseminação de notícias falsas. Por mais esperta que você seja, é difícil não cair na armadilha da informação, gerada, por exemplo, pela edição de vídeos. A tática é simples e deplorável: vale tudo; e os vídeos pelo “zap” têm sido cruciais, pois chegam até as pessoas enviados por seus amigos. São grupos grandes com objetivo de disseminar montagens que parecem ser verdade. Pelo que consta da última pesquisa Ibope, esse expediente deu certo contra as mulheres que foram às ruas no final de semana. Produziram vídeos editados, mostrando mulheres com seios de fora no meio da multidão, como se estivessem no evento do dia 29. Esse material é acompanhado de palavras de baixo calão contra as participantes. Escrevem: “Atenção mulheres! Vocês se sentem representadas por essas vadias?” Num dos vídeos, o evento foi ligado a um outro evento, ocorrido há muito tempo. Quem vê pensa que aconte- Notícias ceu no dia do #Elenao. falsas estão A equipe de Bolsona- influenciando as ro não está restrita a uma bolha do algoritmo do eleições Facebook ou do Instagram, como estão os defensores dos demais candidatos. Eles sabem como furar a bolha e falar para os indecisos. O sentimento que nutrem pelo candidato é quase messiânico: “esse é o homem que vai nos salvar” ou “é um enviado de Deus contra os satanistas comunistas”. Cheguei à conclusão de que a extrema-direita tem um aparato, eu diria, de especialistas na construção de mito.

Atingidos listam 900 tipos de danos morais, e Samarco admite 19 E agora... Empresas têm três meses para propor indenizações O Ministério Público de Minas Gerais celebrou acordo com as mineradoras Samarco, Vale e BHP Billiton para a indenização dos atingidos pela barragem de Fundão, em Mariana. As empresas terão três meses para fazer a proposta de indenização e a negociação tem um ano para ser concluída. O acordo prevê a reparação integral dos direitos dos atingidos, contemplando todos os direitos violados, como danos materiais e danos morais.


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ELEIÇÕES

Belo Horizonte, 5 a 10 de outubro 2018

Bolsonaro, o candidato do sistema

Wilson Dias / Agência Brasil

RUMO AO 2º TURNO Com apoio da elite econômica e das bancadas fisiológicas, o candidato de extrema-direita tem histórico de votação contra a população mais pobre

Pedro Rafael Vilela nômica do país, como empresários do ramo de serviíder nas pesquisas de in- ços e do mercado financeiro. tenção de voto, com cer- Também recebeu na última ca de 30% da preferência, o semana apoio de duas das candidato de extrema-di- maiores bancadas do Conreita Jair Messias Bolsonaro gresso Nacional: a ruralista e (PSL) – que era desconheci- a evangélica, as mesmas que do até dois anos atrás – che- atualmente formam a base gará neste 7 de outubro como de sustentação do governo um nome certo para disputar de Michel Temer (MDB) e a Presidência da República, ajudaram a aprovar a reforem pleito que só deve ser de- ma trabalhista e a emenda cidido mesmo no 2º turno, no constitucional que congelou dia 28. O adversário, segundo gastos sociais do governo por indicam as pesquisas, será 20 anos. Boa parte dos inteFernando Haddad (PT), ex- grantes dessas bancadas par-ministro da Educação e ex- lamentares respondem por crimes de corrupção. -prefeito de São Paulo. Alçado à fama nacional durante o golpe parlamen- Escândalos O próprio candidato Boltar contra a presidente Dilma Rousseff, em 2016, Bolsonaro sonaro e sua família já coleé capitão reformado do Exér- cionam um histórico de gracito, tem 26 anos de atuação ves escândalos de corrupção como deputado federal, mas e outros crimes. Uma funcioapenas dois projetos de lei aprovados. Sua carreira foi construída com base em discursos agressivos contra pobres, negros, mulheres e po- Bolsonaro pulação LGBT. São inúmeros votou a favor os ataques proferidos. Cheda reforma gou a defender, por exemplo, uma legislação que proibisse trabalhista, famílias de baixa renda de ter que permitiu a filhos e falou que daria “por- flexibilização de rada” se visse um casal de hodireitos como mens gays na rua. Apesar de se afirmar como jornada de candidato contra a corrupção trabalho, horário e antisistema, o presidenciá- de descanso e vel é hoje o que tem apoio de férias grandes setores da elite eco-

L

nária particular, responsável por cuidar de um de seus imóveis, na região de Angra dos Reis (RJ), recebeu durante vários anos um salário da própria Câmara dos Deputados, como se fosse funcionária de seu gabinete, uma prática considerada ilegal. Após denúncia da imprensa, ele demitiu a funcionária. Bolsonaro é réu em uma ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF), na qual é acusado de injúria e apologia ao estupro por ter afirmado, na Câmara, que não estupraria a deputada Maria do Rosário (PT-RS) porque ela “não merece”. É ainda investigado pelo Ministério Público por apologia à tortura, por ter homenageado o coronel Brilhante Ustra, primeiro torturador reconhecido como tal pelo Judiciário brasileiro, ao votar pelo impeachment de Dilma, em abril de 2016. Um dos filhos de Bolsonaro, Eduardo, que é deputado federal por São Paulo, aumentou o próprio patrimônio em 432% nos últimos quatro anos, com a aquisição de imóveis. O valor seria incompatível mesmo com o salário de deputado. Os outros dois filhos do deputado, que também são políticos, também ampliaram o patrimônio nos últimos anos. Contra os pobres O histórico de atuação do parlamentar no Congresso

Um dos filhos de Bolsonaro, Eduardo, que é deputado federal por São Paulo, aumentou o próprio patrimônio em 432% nos últimos quatro anos Nacional também revela o apoio a projetos que afetam a vida da maioria dos brasileiros. Apoiador das principais medidas do governo Temer, Bolsonaro votou a favor da reforma trabalhista, que permitiu a flexibilização de direitos como jornada de trabalho, horá-

rio de descanso e férias. Em declarações à imprensa, tem defendido que é preciso retirar ainda mais direitos e que o trabalhador deve escolher entre “mais direitos e menos emprego” ou “menos direitos e mais emprego”. O presidenciável também votou contra a PEC das Domésticas, que garantiu direitos trabalhistas a essa categoria. O candidato a vice-presidente em sua chapa, o general do Exército Hamilton Mourão, chegou a dizer em duas ocasiões recentes que o 13º salário é uma “jabuticaba brasileira” e um peso para os empresários. Um documento elaborado por militares que apoiam Bolsonaro sugere, entre outras medidas, o fim de todas as cotas na área de educação, inclusive as chamadas cotas raciais e sociais, e a redução da licença-maternidade de quatro meses para apenas um mês.


Belo Horizonte, 5 a 10 de outubro 2018

Haddad promete revogar medidas aprovadas por Temer

ELEIÇÕES

9 Ricardo Stuckert

RUMO AO 2º TURNO Candidato do PT fala em retomar política de valorização real do salário mínimo e priorizar políticas sociais Pedro Rafael Vilela

O

petista Fernando Haddad aparece isolado em segundo lugar nas pesquisas, atrás de Jair Bolsonaro (PSL), e deve enfrentar candidato da extrema-direita em um provável 2º turno, no dia 28 de outubro. Buscando resgatar o legado dos governos Lula (20032010), Haddad fala em retomar algumas iniciativas que foram descontinuadas pelo atual presidente Michel Temer, como a política de valorização real (acima da in-

Haddad promete reforma tributária para que os pobres paguem menos impostos flação) do salário mínimo. Dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), de 2003 a 2017, mostram que o salário mínimo foi incrementado em 77% somente com ganhos reais. Para se ter uma ideia, quando esse ciclo começou, o valor nominal do benefício era de R$ 240. De acordo com o Diee-

se, quase 50 milhões de pessoas têm rendimentos referenciados no salário mínimo, sendo que a maior parte (23 milhões) é de beneficiários do INSS. O ex-ministro da Educação, responsável pela criação de 18 novas universidades federais e pela duplicação de vagas no setor, pretende reverter uma das principais medidas de Temer no último período: a chamada regra do teto de gastos, que virou uma emenda constitucional. O teto de gastos, que pode vigorar por até 20 anos, proíbe que o orçamento federal seja reajustado acima da inflação média, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A medida é criticada por especialistas justamente porque, com o tempo, pode não apenas congelar, mas reduzir investimentos públicos em áreas estratégicas como saúde e educação e cuja inflação anual do setor é maior do que a média geral. “Queremos revogar a emenda constitucional 95 [do teto de gastos] no bojo da reforma tributária. Aprovar as duas coisas juntas para dar confiança também para as pessoas de que as finanças públicas vão estar arrumadas”, explicou Had-

dad em recente agenda no Rio de Janeiro. O candidato disse que a ideia da reforma tributária é os pobres pagarem menos impostos. Taxar grandes bancos e empresas Ele prometeu isentar quem ganha até cinco salários mínimos do pagamento do Imposto de Renda e disse que o governo deve taxar lucros e dividendos e grandes bancos e empresas, para poder reduzir impostos sobre o consumo, que pesa sobre a população mais pobre. A pro-

Para o candidato petista, a recuperação dos empregos deve se dar com a retomada de obras públicas e adoção de programas de crédito popular posta vai na linha contrária do que tem sugerido o principal assessor econômico de Bolsonaro, o economista Paulo Guedes, cotado para ministro da Fazenda, que fala em manter uma faixa única do Impos-

to de Renda, o que beneficiaria quem ganha salários e rendimentos maiores. Outra medida que promete ser revista é a reforma trabalhista, aprovada ano passado pelo governo Temer e que flexibiliza direitos como jornada de trabalho, férias e horário de descanso. Para o candidato petista, a recuperação dos empregos deve se dar com a retomada de obras públicas paradas e adoção de programas de crédito popular, para estimular o consumo.

No setor de saúde, o programa de Haddad fala em consolidar o Mais Médicos, que levou atendimento de saúde primária a cerca de 60 milhões de pessoas e a implantação de clínicas de média complexidade, para exames e atendimentos mais especializados. Na área de agricultura familiar, a criação de um programa de redução no uso de agrotóxicos, aquisição pelo governo de alimentos dos pequenos agricultores e retomada da reforma agrária.


10 ELEIÇÕES

Belo Horizonte, 5 a 10 de outubro 2018

“Eu sentia que estava do lado certo da história”

Rafaella Dotta Brasil de Fato MG

ELEIÇÕES Para ex-ministra da igualdade racial, golpe escancarou a estrutura racista, de ódio às mulheres e violenta do país

“O poder patriarcal tenta nos tirar da vida pública, da cena pública, nos colocar dentro de casa” Da redação

D

ois anos após o afastamento da presidenta Dilma pelo golpe de 2016, ela lidera com folga a disputa para o Senado por Minas. Sua candidatura pode representar, agora, uma resposta política contundente aos golpistas, que mostraram que não admitiram uma mulher na presidência da República. Essa é a análise da educadora Nilma Lino Gomes, entrevistada nesta semana no programa Eleições 2018. Nilma foi a primeira brasileira negra a comandar uma universidade federal, em 2013, quando tornou-se reitora da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira. Em 2015, foi nomeada por Dilma ministra-chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e, depois, do Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Huma-

nos. Confira alguns trechos da conversa.

Brasil de Fato - Como ministra, você viu o golpe por dentro do governo. Como foi essa experiência? Nilma Lino - Eu sentia que estava do lado certo da história e continuar essa luta contra o golpe marca a minha carreira. Esse período começou no pós-eleição, quando o candidato derrotado [Aécio Neves] mostrou para o Brasil que não ia aceitar o resultado das urnas e, naquele momento, já declarou guerra à presidenta Dilma. E não só ele, mas outros partidos, aquilo que se chamava de centro, mas é direita, se alinhou para inviabilizar um governo popular. Vieram as “pautas bombas”, a crise econômica internacional, ajustes e uma crise política imensa. Pude ver como é ter o campo da direita articulado na contramão de processos democráticos. Era uma repressão maciça. Essa experiência me permitiu comprovar coisas que eu já escrevi como pesquisadora: o quão violenta, racista, machista é a estrutura do nosso país. A gente sempre denunciava o mito da democracia racial e éramos confrontados por colegas que diziam: “não é assim, vo-

cês veem racismo em tudo”. Eu acho que agora isso está dando as caras.

O que faz com que as mulheres se tornem a principal força de re- gar de vocês não é no cargo manifestações das mulhesistência ao avanço máximo do Poder Executi- res: há cenas, casos, situada extrema direita? vo”. Quando Dilma retorna, ções tão fortes, de pessoas Existem momentos em que somos nós, mulheres, mesmo que não sejamos ativistas, que vamos às ruas. O poder patriarcal tenta nos tirar da vida pública, da cena pública, nos colocar dentro de casa, como se o espaço doméstico fosse o único espaço das mulheres. Quando o grau de opressão e repressão vem fortemente, eclode no sujeito mulher o ato de falar: nós temos que ir a público colocar o nosso corpo, a nossa voz, para dizer que não aceitamos mais opressão.

Depois de tudo o que aconteceu, desde o início do golpe, o que significa a candidatura de Dilma ao Senado? O golpe queria passar um recado: “mulheres, o lu-

ela mostra que esse é, sim, o nosso lugar. Para mim, a melhor coisa do mundo será ela entrar de cabeça erguida no Senado e eles terem que conviver com uma mulher contra a qual, injustamente, eles tramaram um golpe.

se unindo, estando juntas... Isso mostra que temos muita força quando nos unimos. É preciso pensar como Paulo Freire, na “Pedagogia da Indignação”: tem que se mover em nós uma raiva contra a opressão, que nos mobilize a

Como vencer o golpe?

“O fato de não sairmos vitoriosos de determinadas situações não significa que perdemos para sempre”

Primeiro, temos que derrotar o “coiso”. Os olhos do mundo estão sobre o Brasil. Depois, o fato de não sermos vitoriosos não significa que perdemos para sempre. Os processos de luta têm altos e baixos. Este é o momento em que todas as questões estão em disputa de maneira muito forte, muito tensa. Nós estamos aprendendo a lutar e resistir em contextos como esse. A esperança tem a ver com o que a gente viu nas

seguir em frente, a não ficarmos parados.

ACOMPANHE A COBERTURA

DAS ELEIÇÕES 2018 ACESSE EM: BRASILDEFATO.COM.BR/ELEICOES-2018


BRASIL

Belo Horizonte, 5 a 10 de outubro 2018

Fique por dentro do que fazer no dia da eleição DEMOCRACIA O eleitor escolhe seis candidatos nesse primeiro turno, dia 7 de outubro Elza Fiúza / ABr

Voto Branco, nulo ou na legenda

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oda pelas redes sociais uma mensagem sobre o eleitor não poder anular seu voto para apenas um candidato. O Tribunal Regional Eleitoral explica que a notícia é falsa. O voto branco e nulo pode ser dado a todos os candidatos ou a alguns. Para o voto branco o eleitor aperta a tecla “Branco” e

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“Confirma”. Para nulo, o eleitor digita uma legenda inexistente e aperta “Confirma”. Esses votos serão invalidados, porém, a eleição continua valendo ainda que a maioria da população anule. Já o voto em legenda, que a pessoa vota no partido ao invés de votar no candidato, pode ser feito para presidente e governador apertando o número do partido e “Confirma”. Para deputado estadual, federal e senadores, o eleitor digita apenas os dois números do partido e clica em “Confirma”. Os votos de legenda vão para as coligações, que se somam aos votos diretos e contabilizam quantos candidatos são eleitos.

O que fazem? Conheça as funções que os políticos vão exercer Da redação

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o domingo o Brasil realiza o primeiro turno das eleições 2018. As sessões eleitorais ficam abertas de 8h às 17h e você vai escolher seis candidatos, na ordem: Deputado Federal, Deputado Estadual, Senador 1ª vaga, Senador 2ª vaga, Governador e, por último, Presidente. Atenção para os votos nos senadores, que precisam ser em dois candidatos diferentes para não ser invalidado. Somando, serão 19 números para guardar na memória. Por isso, a dica é levar uma colinha. Escreva em um papel o número de todos os seus candidatos para não passar apertado na frente da urna. Não confie em gravar no celular, pois é proibido usar telefone e máquina fotográfica no momento da votação.

DOCUMENTOS Além da colinha, o eleitor precisa levar um documento oficial com foto. Pode ser carteira de identidade, passaporte, carteira profissional reconhecida por lei, certificado de reservista, carteira de trabalho, documento de identidade ou carteira de motorista. Tenha em mãos o seu título de eleitor ou baixe no celular o aplicativo e-Título, da Justiça Eleitoral.

te

ciosa, o cidadão tem direito de manifestar sua preferência a um candidato ou partido.

DEPUTADO FEDERAL 513 deputados federais representam a população brasileira, sendo 53 eleitos por MG. Eles criam leis de assuntos nacionais e fiscalizam os recursos públicos. Trabalham na Câmara Federal, em Brasília.

BIOMETRIA

DEPUTADO ESTADUAL 77 deputados estaduais representam a população mineira. O deputado deve propor novas leis ou mudanças na legislação estadual já existente. No nosso estado, eles trabalham na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, em Belo Horizonte.

Segundo o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), em Minas Gerais 84 cidades terão a biometria como sistema obrigatório. Entre elas estão Betim, Contagem, Uberaba e Uberlândia. Em Belo Horizonte e nos demais municípios de Minas, o recadastramento biométrico ainda não é obrigatório.

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PROPAGANDA E ADESIVOS A propaganda eleitoral com entrega de panfletos e uso de alto-falantes é proibido, mas o uso de adesivos ou camisetas é permitido. Desde que seja uma manifestação individual e silen-

LOCAIS DE VOTAÇÃO Para ter certeza de onde você vai votar, e não perder viagem, consulte o site do TRE: www.tre-mg.jus.br.

SENADOR São 81 senadores eleitos em todo o país, sendo 3 eleitos por Minas Gerais. Eles analisam e votam leis, assim como os deputados, mas só senadores podem processar e julgar presidentes e cargos altos da República. Eles trabalham no Senado, em Brasília. GOVERNADOR O maior cargo do estado e deve governar Minas Gerais, juntamente com os secretários de cada tema. O governador pode propor leis para os deputados analisarem, pode emitir decretos, pode remanejar gastos. Trabalha na Cidade Administrativa, em BH. PRESIDENTE Governa com ministros, que ele mesmo escolhe, para executar as leis. Ele propõe leis nacionais para os deputados analisarem, pode emitir decretos e remanejar gastos. Também comanda as Forças Armadas. Trabalha no Palácio do Planalto, em Brasília.


12 12 VARIEDADES

Belo Horizonte, 5 a 10 de outubro 2018

Amiga da Saúde

BAFAFÁ VILÃS TÊM O SEU PASSADO DESCOBERTO

Reprodução

Meu chefe está me assediando, sei que é assédio sexual. O que devo fazer? Anônima. Assédio sexual é crime. Peça ajuda a pessoas de sua confiança. Acione a polícia pelo 190 ou denuncie no Disque 180. Faça um Boletim de Ocorrência (BO) na delegacia mais próxima. Se houver uma delegacia de mulheres acessível, melhor ainda. Para isso, leve o máximo de informações que conseguir (data e horário das agressões, fotos, conversas em redes sociais, contato de testemunhas, etc). Após o BO, é necessário abrir inquérito para que o crime seja investigado e o agressor possa ser punido. O seu sindicato também poderá ajudar, inclusive com apoio jurídico.

Os próximos capítulos da novela “Segundo Sol” prometem grandes emoções e surpresas, já que serão reveladas as origens familiares das vilãs Karola (Débora Secco) e Laureta (Adriana Esteves). Karola vem sofrendo muito na trama, pois todas as suas armações estão sendo descobertas. A personagem busca recomeçar e vai atrás do seu passado. Abandonada em um convento quando criança, ela não conheceu seus pais. Ela descobre que foi Laureta quem a tirou do orfanato. “Me tirou de lá pra me fazer trabalhar pra você num bordel. Que ato mais humanitário”, Parece que dirá Karola. Ao que responderá Laureta: o autor quer “Seus pais eram dois viciados, miseráveis”. E completará: “Eu lhe quis, não lhe quis? humanizar Lembra como você era quando lhe conhea trajetória ci lá? Pele e osso, com os dentes estragade Laureta, apresentando dos, uma songa monga. Chega de drama”, no melhor estilo Laureta. sua infância O passado de Laureta também virá à tona. A mãe da cafetina surgirá na trama e será interpretada por ninguém menos que Renata Sorrah (a eterna Nazaré Tedesco). Fugindo da polícia, Laureta buscará esconderijo na casa da mãe Dulce – até então desconhecida do público. A história é a seguinte: Nestor (Francisco Cuoco) o pai de Laureta, no passado traiu Dulce com Naná (Arlete Sales). Profundamente abalada, a mãe de Laureta começa a sofrer de doenças mentais, é abandonada pelo companheiro e cai na extrema pobreza junto com a filha. Especula-se que a intenção do autor da trama, João Emanuel Carneiro, é humanizar e justificar o mau caráter de Laureta, hoje rica e poderosa cafetina. Com certeza, valerá muito a pena ver essas duas grandes atrizes contracenando. Em sua reta final, “Segundo Sol” promete ainda muitas emoções e revelações do passado de seus personagens. Nada de novo para quem conhece nossas novelas. Mesmo assim, a gente ainda se surpreende, se emociona e fica na expectativa para descobrir os próximos segredos dessas complexas relações familiares. Um abraço! Felipe Marcelino é professor de filosofia.

Mande sua dúvida: amigadasaude@brasildefato.com.br Sofia Barbosa é enfermeira do Sistema Único de Saúde I Coren MG 159621-Enf.

Nossos direitos O que PODE e o que NÃO PODE no dia da eleição No dia das eleições, é preciso ficar atento a algumas regras eleitorais, que se descumpridas podem gerar punições criminais. É proibido: uso de qualquer equipamento eletrônico na cabine de votação; venda de bebidas alcoólicas das 6 às 18h; concentração de pessoas com publicidade padronizada; uso de camisa de candidatos ou partidos; distribuição de panfletos ou santinhos; utilização de carros de som; oferecer transporte, alimentação ou qualquer vantagem ao eleitor; fazer boca de urna; im-

pedir o voto de outro eleitor. É permitido: o uso de bandeiras, broches e adesivos, desde que feitos de forma silenciosa e individual, ou seja, em grupo não pode. Também é permitido levar anotado no papel o número dos seus candidatos e ajudar a Justiça Eleitoral a fiscalizar as seções. Para comunicar irregularidades procure os postos especiais para isso ou denuncie pelo celular ou tablet, por meio do aplicativo PARDAL, desenvolvido pela Justiça Eleitoral.

Adília Sozzi é advogada da Rede Nacional de Advogados Populares – RENAP


Belo Horizonte, 5 a 10 de outubro 2018

13 VARIEDADES 13

www.malvados.com.br

Dicas Mastigadas PÃO ARTESANAL (OU PÃO DE CRISTO* )

Reprodução

PALAVRAS CRUZADAS DIRETAS

Um dos efeitos colaterais do tarja preta

© Revistas COQUETEL

Situação criminosa comum na (?) Ribeiro, política brasileira autora de A primeira Tornar Núcleo, "O Profeta" (TV) irrealizável em inglês hora

Cientista que Fritada de ovos estuda os animais Afirma O profissional traidor, que não segundo os italianos

Ingredientes • • • • • •

Telefone da Polícia Militar Musa da Tropicália Sucesso de Leoni Diz-se do gesto previamente estudado

Apóstata (Rel.) Guilherme (?), ator Poema lírico de tema bucólico

Abreviatura em inglês de "também conhecido como" Matou Golias (Bíb.) Diz-se de boi gordo, pronto para o corte

Modo de preparo

Gaivota (bras.) Modo como nada o cavalomarinho Saara (?), território do norte da África

Canal que liga o rim à bexiga (Anat.)

Que passou por uma prova (a aluna)

A arte dos irmãos Caruso Kummel ou anisete 901, em romanos Baton (?), capital da Louisiana (EUA) Tipo de pele Semelhante

Município paulista 2, em romanos

Identificação na laje tumular O âmago

Interjeição própria de Minas Gerais

Anúncio, em inglês "Central", em CIA

Forma definitiva do inseto

Em uma bacia grande adicione os ovos, o açúcar, o óleo, o sal e o fermento. Misture com uma colher, vá acrescentando a farinha de trigo aos poucos e misturando bem com as mãos. Sove bem a massa dentro da bacia até soltar completamente das mãos. Cubra com um pano de prato e deixe crescer até dobrar de tamanho (aproximadamente 13 horas). Após crescer bem enfarinhe uma mesa firme e vire toda a massa e divida-a em três ou quatro partes. Sove bem cada parte. Unte uma forma grande com óleo de soja ou manteiga e coloque a massa. Para cada pão utilize uma forma. Cubra as formas com panos de pratos e deixe os pães crescerem novamente: eles irão dobrar de tamanho. Quando atingir um tamanho bom, asse os pães em fogo médio. Cada receita rende aproximadamente 4 pães grandes ou 20 pães pequenos. *Receita enviada pelo Armazém do Campo. Você pode encontrar o pão e o fermento no Armazém do Campo. Toda semana tem Cultura na Sexta para você. Confira nossa programação e mais informações em: facebook. com/armazemdocampobh

No olho da (?): despedido

Participe enviando sugestões para redacaomg@brasildefato.com.br. 66

Solução Ã

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E E SQ U T E M A D E C B O R R P U P Ç

U E M N A T R K A A V R A A R N C E M N I E I V I

O C I M O V E R A L E N E I T I E D O I C A L I C I D O E R N O I T U M A G O L E

E N T Z E R G A G A D A U R E T O O T U R O R S E C T A M E R U O A N C I

A V A L I A D A Z O O L O G O

BANCO

El (?), herói (Lit.) Nome da letra "N"

N

Ao (?) da letra: literalmente Atitude pregada por pacifistas em passeatas

Código do Canadá na internet

3/aka — bon — cid. 4/core. 5/imago — karan — rouge.

(?) Jovi, banda de rock de "Always" Pensar muito em (algo) Castiguei

Uma medida de fermento caseiro (500ml) 3 ovos 12 colheres ( de sopa) de açúcar Um copo (americano) de óleo Uma pitada de sal 1 kg e 1/2 de farinha de trigo.

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14 CULTURA 14

Belo Horizonte, 5 a 10 de outubro 2018

“Incômodo Cotidiano” provoca a olhar para dentro de si e para o entorno coletivo

Circuito cultural na Pampulha Divulgação

RESENHA Com poesia e fotografia, livro nos convida a questionar a nós mesmos e o mundo em que vivemos A abertura do Circuito Cultural Pampulha, no dia 11, terá um grande encontro de Titane com Chico César, a partir das 19h, na praça Geralda Damata Pimentel. A programação é gratuita e segue até o ano que vem, com diversos shows e peças de teatro. Como objetivo, o evento busca promover a interação da população com o Conjunto Moderno da Pampulha, que é Patrimônio Cultural da Humanidade. Mais informações em circuitoculturalpampulha.com.br.

Buñuel no cinema em BH Divulgação

Raíssa Lopes

“V

ocê já pensou que pode ser uma pessoa privilegiada desde que nasceu?” É a partir dessa pergunta que a escritora Alanna Fernandes, de Uberlândia, apresenta o seu livro de estreia, o “Incômodo Cotidiano”. Com poesia, a autora fala do que está no dia a dia, do que está ali, aqui e lá. Do que está o tempo todo, mesmo que muita gente insista em negar: a desigualdade, a violência, o racismo, a exploração, o moralismo. A provocação inicial instaura um clima de análise de si, do exterior que nos cerca e faz olhar para o outro. A conclusão a que cada um chega provavelmente depende do lugar que ocupa no mundo, mas uma vez na posição de se questionar, é difícil voltar atrás. “Um passo à frente e você não está mais no mesmo lugar”, diria Chico Science.

A publicação parece agir como uma espécie de denúncia, porém, é um grito individual, e também coletivo, nunca nos deixando esquecer que fazemos parte de um povo, uma classe. Que a empatia é importante e que existe luta. Que nem tudo é natural, que existem outros projetos de mundo e vários tipos de existência possíveis. A poesia de Alanna também vem em foto. O livro é todo ilustrado com a obra fotográfica da artista. Elas não só complementam, elas falam. Mostram a rotina da vida, às vezes mais ardida que serena. Mostram a ação do Estado sobre nós, sempre presente, mesmo que ora sutil, ora escandalosa. Mas não se engane, Alan-

Alanna fala do que está ali, aqui e lá. Ela fala de resistência

na fala do que está ali, aqui e lá. Ela fala de resistência. E a resistência está em cada pedra de cada ladeira erguida por torturados em cidades históricas, em cada estrada construída por explorados em capitais. Ela fala do que está o tempo todo: do feminismo, da emancipação, do amor, do Nordeste, da batalha, da esperança por democracia, de não se acomodar. A resistência é cotidiana.

O Cine Humberto Mauro traz em sua programação 19 longas produzidos pelo cineasta espanhol, radicado no México, Luis Buñuel. A obra cinematográfica de Buñuel é conhecida pelo surrealismo e por abordar temas polêmicos, o que o tornou um dos cineastas mais controversos do mundo. As sessões são gratuitas, com retirada de ingressos com uma hora de antecedência. A programação completa pode ser vista no link goo.gl/SqijtP. Anúncio


Belo Horizonte, 5 a 10 de outubro 2018

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ESPORTE

Miriam Jeske / ABraCan

na geral

Mineira é ouro em mundial de canoagem

Natural de Iturama, Triângulo Mineiro, a canoísta Ana Sátila brilhou no Campeonato Mundial de Canoagem Slalom Rio 2018. Ela conquistou a medalha de ouro na categoria K1 Extremo, feito inédito para o Brasil em um mundial sênior. Em 2017, Ana já havia faturado a prata no Campeonato Mundial de Canoagem Slalom, em Pau, na França.

Basquete popular no bairro

Divulgação

Aulas gratuitas de basquetebol, para todas as idades e gêneros, no Parque Vencesli Firmino da Silva. Comparecer com tênis, short, roupa leve e, se tiver, uma bola. O professor atende ao público infantil pela manhã e juvenil e adulto à tarde. Quando: sábado (6), das 9h às 18h Onde: Rua dos Agrônomos, 285. Alípio de Melo, BH

CBF remarca clássico

Curto e Grosso

Bozo, o jogador mau-caráter

Reprodução

Bruno Mateus Ninguém me falou que haveria dias como estes, dias realmente estranhos como estes, cantou John Lennon em “Nobody told me”. E completou: “Tem alguns nazistas no banheiro logo abaixo dos degraus”. Nesse período de trevas, me lembro de Bozo, um jogador brasileiro de futebol que, de uns anos pra cá, ganhou notoriedade e alcançou o estrelato gracas à falência ética e moral da nossa sociedade. Ele nunca amou realmente esse jogo que desperta sentimentos tão contraditórios em milhões de torcedores Brasil afora. Bozo despreza o futebol feminino, diz que tem que ser “muito homem” para defender uma camisa. Ele xinga árbitros, adversários, humilha funcionários do clube pelo qual joga. Ainda assim, veja você, Bozo tem muitos admiradores. Bozo é o antiesporte. Ele reúne tudo que há de pior em um atleta - mau-caráter, violento, desleal, individualista e desonesto. Bozo faz o que for para sair vencedor de uma partida. Ele nunca aprendeu com as derrotas que lhe foram impostas pelo simples fato de que os adversários foram melhores. Esse sujeito desconhece o significado da palavra mérito e quando a usa, subverte para o que lhe convém. Bozo tem uma arma em casa e acha que “bandido bom é bandido morto”. Como atleta, ganhou muito dinheiro, jogou na Europa e conheceu diversos países. Mas, um dia, quando criança, ele não tinha muito o que comer. Hoje, pode pagar um salário mínimo em um jantar. Justiça social, respeito à diversidade e senso de direitos humanos são valores que não merecem atenção na vida do nosso personagem desta coluna escrita a caminho do trabalho. Bozo é uma figura desnecessária ao esporte brasileiro. Desprezível, covarde e, sobretudo, desumano.

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Divulgação

O clássico entre Atlético e América, inicialmente programado para acontecer no dia 13, foi remarcado para o dia 14, um domingo, às 19h. O jogo no Independência é válido pela 29ª rodada do Brasileirão. O mando de campo é atleticano. Antes do clássico, os dois times vão à região Sul, neste fim de semana. O Coelho encara o Atlético-PR na Arena da Baixada, neste sábado (6). No mesmo dia, o Galo pega a Chapecoense na Arena Condá.

CNPJ 31.243.070/0001-02 Valor : R$ 400,00

D E P U TA D A

E S TA D U A L

COLIGAÇÃO UNIDOS COM O POVO: PT, PR, PSB COLIGAÇÃO DO LADO DO POVO: PT, PR, DC, PC DO B, PSB COLIGAÇÃO O POVO FELIZ DE NOVO: PT, PRÓS, PC DO B


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Belo Horizonte, 5 a 10 de outubro 2018

Acusado de homicídio, Blanco assume governo no México

ESPORTES

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DECLARAÇÃO DA SEMANA Divulgação / Renato de Aguiar

Uncredited US Army Reserve staff

O ex-atacante Cuauhtémoc Blanco (45) assumiu, na segunda (1), o governo do estado de Morelos, região central do México. Blanco, agora político do Partido Encontro Social (PES), uma agremiação de direita, defendeu a seleção mexicana nas copas de 1998, 2002 e 2010, tornando-se ídolo no país. Recentemente, o ex-jogador foi acusado

de ordenar o assassinato do líder mexicano Juan Manuel García. Blanco também é investigado por pagar propina a parentes e receber dinheiro ilegal em campanha. Esses escândalos não impediram que ele vencesse as eleições estaduais, com 52,69% dos votos.

Não temos o direito de nos cansar, até que haja uma resposta. 204 dias. Quem matou Marielle? Quem matou Anderson? Quem mandou matar?” André Rizek, apresentador do programa esportivo Seleção SporTV.

Gol de placa Neymar só não fez chover no jogo do Paris Saint-Germain contra o Estrela Vermelha, pela Liga dos Campeões, na terça (2). O craque brasileiro marcou três tentos na goleada de 6 a 1 dos franceses sobre os sérvios. Não houve corte de cabelo que fizesse a imprensa criticá-lo.

Gol contra A Rede Globo não transmitirá partidas do Brasileirão no fim de semana. A desculpa da emissora é a cobertura das eleições, mas na verdade é a chance para ela ganhar mais dinheiro com o Pay-Per-View. O monopólio global no Brasileirão tira do povo até o futebolzinho do fim de semana.

Decacampeão

É Galo doido

La Bestia Negra

Bráulio Siffert

Rogério Hilário

Fabrício Farias

Em tempos de eleição, é válido refletir sobre o terreno do futebol. No caso do América, a aproximação pode ser feita por sermos minoria. Ser minoria significa ser muitas vezes marginalizado e desrespeitado, ter suas pautas sem espaço nos grandes veDecacampeão ículos de comunicação e no debate público. O torcedor americano que não se enquadre em nenhuma minoria social, racial ou de gênero e, portanto, não se sinta ofendido com o ódio de determinado candidato, pode fazer um exercício de pensar como se sente quando o assunto é futebol. Se já é ruim ser inferiorizado por uma coisa pouco importante assim, imagine por uma característica, posição ou situação que diz da condição de existência das pessoas!

Na goleada sobre o Sport, o Atlético cumpriu, em parte, o ideal da torcida. Vacilou pouco e se impôs. Seria o mínimo para estar em melhor posição no Brasileiro e, talvez, mais próximo do título. Uma atuação valorizada pela coletividade e pela estratégia. Explorou fragiÉ Galoe poderia doido!até ampliar o lidades do adversário marcador. Até Emerson fez um golaço. E Ricardo Oliveira esnobou, ao comemorar plantando bananeira. Porém, fugir do script é impossível: sábado (6) tem pedreira em Chapecó, contra outro desesperado. Como a bola de cristal está na manutenção, meu prognóstico vale pouco ou nada. Como sempre, valem a esperança e os sonhos, que, para o atleticano, nunca se apagam.

Salve, salve, nação azul! Nos protestos capitaneados pelas mulheres contra a candidatura da extrema direita, no dia 29 de setembro, não apenas nossa torcida marcou presença como também um dos maiores ídolos que tivemos nos últimos anos: Juan Bestia Negra Pablo Sorín.La O nosso eterno lateral esquerdo se juntou ao povo, na luta contra esse mal que insiste em reaparecer: o fascismo e os ideais totalitários. Que nós saibamos dedicar à defesa da democracia e dos direitos o mesmo fervor que mostramos ao defender as cinco estrelas pelos gramados do Brasil. Que a luta não esmoreça no campo e nas ruas nessa reta final de temporada (e de ano), pois decisões difíceis se aproximam! Saudações estreladas!