Edição 234 do Brasil de Fato MG

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Reprodução

Minas Gerais

Teatro de uma pessoa só

Ricardo Stuckert

Quero voltar a ser presidente

Produção de monólogos cresce em BH e ganha espaço exclusivo no Galpão Cine Horto

“Sou candidato para devolver aos pobres sua dignidade”, escreve Lula, preso político em Curitiba

Cultura 14

Opinião 8

Belo Horizonte, 18 a 24 de maio de 2018 • edição 234 • brasildefato.com.br • distribuição gratuita • facebook.com/brasildefatomg Cartaz da Campanha Anti manicomial

Com Temer, 11% a mais de mortalidade infantil Brasil 9 EBC

Ex-presidente da Petrobras analisa que direita não vai mais aumentar o salário mínimo Entrevista 11

Tantãs sem temer os golpes Qual a melhor maneira de tratar a loucura? O dia 18 de maio é a data mundial para as pessoas com sofrimento mental afirmarem: “não queremos manicômios, queremos tratamento em liberdade”. O método sem hospícios tem trazido inúmeros benefícios, mas está sendo atacado pelo governo federal


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OPINIÃO

Belo Horizonte, 11 a 17 de maio 2018

As fragilidades do lado de lá Desde que a direita passou a ocupar o governo federal com Temer, conseguiram impor muitas derrotas aos trabalhadores. Olhando de longe, eles parecem muito fortes, afinal, conseguiram jogar o peso da crise econômica sobre o povo mais pobre. Cresceu o desemprego, aumentou a precarização do trabalho, congelaram os recursos para investimentos sociais por 20 anos, cortaram os programas sociais criados por Lula e Dilma, a mortalidade infantil teve

ESPAÇO DOS LEITORES “Não só a desigualdade, mas também a alta criminalidade e corrupção têm suas raízes no período escravocrata” Cidade de Jequitinhonha comentou sobre a entrevista da edição 233, com Benilda Brito “Para mim, é uma alegria e uma honra distribuir semanalmente o Brasil de Fato MG na portaria da Cemig, e também, nas casas de minha comunidade no bairro Caiçara. #MaisBrasilDeFato #MenosMídiaGolpista” Jair Gopefi comentou sobre a edição 233, que teve como manchete “130 anos: cadê a abolição?” “Matéria didática e super necessária produzida pelo querido Pedro Rafael Vilela. Este tema envolve debate que não é exclusivo a profissionais da comunicação e do direito” Lizely Borges escreve sobre a reportagem “Como combater notícias falsas na internet sem implantar a censura na rede?”

Projeto da direita só aprofunda a crise aumento de 11%, o custo de vida está mais alto, entre muitos outros retrocessos. É verdade também que eles controlam os grandes meios de comunicação empresariais, boa parte do poder Judiciário e Legislativo, sem falar no poder econômico. Mas nada disso lhes dá estabilidade, segurança e garantia de continuidade da sua dominação. Seu poderio tem muitos elos frágeis, pés de barro, fissuras, telhados de vidro, chamemos como quisermos. Uma das principais fragilidades é que o programa dos ricos, das elites econômicas e políticas, não é aceito pelo povo. As pesquisas deixam claro que as pessoas não querem privatizações, um estado diminuto que não garanta saúde e a educação pública e de qualidade, a retirada de direitos, o fim da aposentadoria etc. Outra fragilidade deles é que não conseguem emplacar seus candida-

tos. Já tentaram lançar vários, de artistas a apresentadores e juízes. Não têm convencido. O principal candidato deles, o governador de São Paulo Geraldo Alckmin, não decola, ao contrário, na última pesquisa caiu para 3% das intenções de voto. Divididos, enfraquecidos e sem candidatos viáveis Além disso, eles seguem divididos entre eles. Mesmo a burguesia interna, o grande empresariado, que apostou no golpe do impeachment achando que o projeto neoliberal os ajudaria, já ensaiam pular fora desse barco. A economia piorou para eles também. Só quem segue ganhando são os bancos. Os partidos da direita se destruíram ao apostar em um golpe disfarçado de impeachment. O PSDB está em frangalhos. A principal liderança do partido em Minas, Aécio Neves,

Ninguém quer sair na foto com Aécio Neves virou uma persona não grata. Ninguém quer sair na foto com ele. E sobretudo, o projeto deles, neoliberal, aprofunda a crise e não soluciona os problemas concretos do povo. E sem resolver os problemas da economia, eles não se sustentarão. Com a unidade da esquerda em torno da candidatura de Lula - que segue em primeiro lugar nas pesquisas - com muitíssimo trabalho, e o envolvimento de todos, temos condições de derrota-los nas eleições de outubro.

Escreva para nós: redacaomg@brasildefato.com.br O jornal Brasil de Fato circula semanalmente com edições regionais, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro, no Paraná e em Pernambuco. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais em nosso país e no nosso estado.

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conselho editorial minas gerais: Adília Sozzi, Adriano Pereira Santos, Aruanã Leonne, Beatriz Cerqueira, Bernadete Esperança, Bruno Abreu Gomes, Cida Falabella, Ênio Bohnenberger, Frederico Santana Rick, Gilson Reis, Gustavo Bones, Helberth Avila, Jairo Nogueira Filho, Joana Tavares, João Paulo Cunha, Joceli Andrioli, Jô Moraes, José Guilherme Castro, Juarez Guimarães, Marcelo Oliveira Almeida, Makota Celinha , Maria Júlia Gomes de Andrade, Milton Bicalho, Neila Batista, Nilmário Miranda, Padre Henrique Moura, Padre João, Pereira da Viola, Renan Santos, Rogério Correia, Rosângela Gomes da Costa, Robson Sávio, Samuel da Silva, Talles Lopes, Titane, Valquíria Assis, Wagner Xavier. Editora: Joana Tavares (Mtb 10140/MG). Redação: Amélia Gomes, Larissa Costa, Rafaella Dotta, Raíssa Lopes e Wallace Oliveira. Colaboradores: Alan Tygel, Anna Carolina Azevedo, André Fidusi, Bráulio Siffert, Diego Silveira, Felipe Marcelino, Fernanda Costa, João Paulo Cunha, Léo Calixto, Luiz Fellippe Fagaráz, Marcelo Pereira, Nadia Daian, Pedro Rafael Vilela, Renan Santos, Rogério Hilário, Sofia Barbosa, Taciana Dutra, Thainá Nogueira. Revisão: Luciana Santos Gonçalves. Distribuição: Felipe Marcelino. Diagramação: Tiago de Macedo Rodrigues. Tiragem: 40 mil exemplares.


? PERGUNTA DA SEMANA

Belo Horizonte, 18 a 24 de maio 2018

Daryan Dornelles-Divulgação

Por que tem tanta gente sem casa?

Gabriel Oliveira, atendente

Acredito que é em função da especulação imobiliária, visando lucro, dinheiro, que tem muito lugar vazio que poderia estar habitado. É um direito básico de todo mundo, ter casa pra morar. Acho que se não tem, bora ocupar, pra mostrar por outras vias que a situação não tá favorecendo quem está sem casa. E cada vez mais tá aumentando o número de gente na rua. Eu não creio que é vontade das pessoas morarem na rua, é a necessidade. E aluguel tá caro pra danar. Flávia Mafra, produtora cultural

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Declaração da Semana

A moradia é um direito absoluto garantido pela Constituição Brasileira. No entanto, em Belo Horizonte faltam 80 mil casas para as famílias. Por outro lado, o número de imóveis vazios é de 145 mil. Por isso o Brasil de Fato saiu às ruas para perguntar:

Sendo bem sincero, isso é falta de organização do governo. É tanto dinheiro que o pessoal fica perdido e acha que se tirar, não vai fazer falta. O problema é que milhões que são retirados poderiam ser investidos em saneamento, em estruturas. Perto da minha casa tem muitos espaços abertos e sempre tem gente lá, que faz demarcação de território. Geralmente é gente que não tem condição de vida bacana.

GERAL

Twittou Gilberto Gil, no dia 13 de maio, data em que a lei da abolição da escravidão completou 130 anos.

Reconhecer o racismo no Brasil é passo fundamental para enfrentá-lo de forma mais efetiva. Precisamos vivenciar uma nova extinção da escravatura. Que não fique só no papel, que conquiste as consciências”

CONHEÇA O LEITE VEGETAL

Reprodução

ALIMENTO É SAÚDE Quando se fala em leite, logo se pensa no leite de

vaca. No entanto, o leite vegetal, extraído de sementes, grãos e castanhas, está ganhando espaço na alimentação de pessoas com alergia à lactose e entre os veganos, aqueles que não consomem nenhum produto de origem animal. Rico em fibras, minerais, vitaminas, proteínas e cálcio, a bebida vegetal tem menos gordura que o leite de vaca e não causa alergias e inflamações. E é muito fácil de fazer em casa! É só deixar a castanha crua e sem sal de molho em água filtrada por cerca de 12 horas e depois bater no liquidificador com uma nova água. É uma ótima opção para diversificar a alimentação.

Tradição alimenta, não violenta

Reprodução

Um ato político de lançamento da campanha “Tradição alimenta, não violenta”, acontece na próxima quarta (23), em Belo Horizonte. Organizada pelo Fórum de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africada, a campanha busca denunciar a criminalização dos rituais da tradição de matriz africana e reivindicar políticas públicas de combate ao racismo. O evento é aberto e acontece no Terreiro Nzó Atim Obatalocy, na Rua Buriti, 93, no Serrano.


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CIDADES

Belo Horizonte, 18 a 24 de maio 2018

Ocupação Vicentão proporciona trabalho e moradia para famílias COMUNIDADE Em ocupação de prédio no centro de Belo Horizonte, moradores dividem não só um teto, mas também valores e compromissos Amélian Gomes / Brasil de Fato MG

“Eu conheci meus direitos e vim em luta pela minha moradia e minha dignidade”, afirma moradora

dignidade. Porque a partir do momento que você tem condições de dar aos seus filhos um pão e uma fruta, você tem dignidade! Os meus filhos hoje têm direitos que não tinham”. A ambulante Rafaella Costa estava desempregada e enfrentava uma depressão pós-parto quando chegou à Vicentão. “Eu perdi meu emprego fixo, estava prestes a ser despejada porque não conseguia pagar o aluguel, aí eu vim para a ocupação. Aqui eu me encontro, e encontro união e apoio. Somos uma família”, afirma.

digno e a comunhão na divisão das tarefas comunitárias”, explica o advogado popular e militante das Brigadas Populares, Luiz Fernando Vasconcelos. Todo o trabalho feito na ocupação é dividido por comissões que se revezam. Assim é possível cuidar da cozinha coletiva, da limpeza, segurança e melhorias no prédio entre outras atividades, como o cuidado com as crianças. No local ainda são ofertadas aulas de reforço escolar, pré-vestibular e ioga. Recentemente os moradores começaram um curso de defenso-

res populares, para que todos conheçam os seus direitos. A auxiliar de cozinha Catiana Silva morava de aluguel na Vila Joana Darc, no Barreiro. Com o salário que ganhava tinha que escolher entre alimentar os três filhos ou pagar o aluguel. Há cinco meses ela decidiu ir para a Ocupação Vicentão. Uma semana depois de saberem de sua mudança, os antigos patrões a demitiram. Hoje ela mora a um quarteirão do seu novo trabalho e afirma que a vida melhorou. “Eu conheci meus direitos e vim em luta pela minha moradia e minha

Despejo Na quarta-feira (16) os moradores receberam um mandado de reintegração de posse. Não foi apresentada nenhuma alternativa de realocação para as famílias que estão no local. Assim como diversas outras ocupações, a Vicentão não entrou na lista de áreas especiais de interesse social, divulgada pela prefeitura de Belo Horizonte. Na sexta-feira (18), a Ocupação Vicentão se reúne com o governo do estado para negociar uma solução para as famílias.

ciativa da professora Maria Catarina Labore, está acontecendo na cidade um comitê itinerante, que começou no dia 7 e seguirá até o fim do mês de maio. “O Congresso do Povo é um rico momento de formação popular. Organizamos etapas que envolvem o povo na luta, despertando sua consciência política. Para que nosso povo compreenda que sem mobilização e organização da so-

ciedade não conseguiremos conquistar e manter direitos, e que, desmobilizados, podemos perder o que já conquistamos”, explica. A iniciativa do congresso itinerante conta com aulas de formação política e educação sobre direitos, cartilhas sobre voto e cidadania, enquete para avaliação do município, estado e país, além de abrir espaço ao povo para comunicar suas aflições.

A etapa municipal do Congresso do Povo na cidade está marcada para o dia 19 (domingo), na Escola Estadual Padre Miguel Matias Lobato, na Praça do Santuário, com extensa programação a partir das 7h30. Visite a página da Frente Brasil Popular e confira a agenda do Congresso do Povo na sua localidade: facebook.com/frentebrasilpopularmg

Amélia Gomes

C

erca de 120 famílias ocupam o prédio na Rua Espírito Santo, 461, centro de Belo Horizonte. O local, que há cinco anos estava abandonado, hoje abriga pessoas que estavam em situação de rua, que não tinham condições de pagar aluguel e famílias despejadas de outras ocupações urbanas. No local funcionava o Banco Hércules, do empresário Tasso Assunção, que foi o primeiro brasileiro a ser condenado por crime de colarinho branco. Somente de IPTU deste imóvel a empresa deve mais de R$ 1 milhão ao governo. “Aqui na ocupação temos três objetivos: assegurar a moradia digna, o trabalho

Todo trabalho na ocupação é dividido por comissões

Desde o início das atividades, o Congresso do povo vem ganhando corpo em todo Brasil. Como já relatamos em outras edições, Minas segue na frente. Segundo o último levantamento da Frente Brasil Popular, mais de 200 municípios estão envolvidos no processo de ouvir a população e pensar saídas para o Brasil. E o povo de Divinópolis não perdeu o trem! Por ini-

Comissão da Verdade realiza audiência pública em Uberlândia em parceria com o MPF A Comissão da Verdade do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba – Ismene Mendes, órgão formado pela cooperação entre a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e a Comissão da Verdade de Minas Gerais, realizará no dia 25 de maio, juntamente com o Ministério Público Federal (MPF), uma audiência pública que visa à implementação das recomendações feitas pela comissão regional. O objetivo é apresentar às autoridades e à comunidade de modo geral as recomendações constantes do Relatório Final da Comissão, que já está disponível online. Entre tais recomendações, destacam-se o dever de se retirar as homenagens públicas feitas a agentes da Ditadura, como é o caso do nome de diversos logradouros de cidades da região, bem como a criação de um observatório local de direitos humanos. O evento A audiência acontecerá em Uberlândia, no auditório do bloco 5S, no Campus Santa Mônica da UFU, às 15 horas, e será aberta a todos os interessados.


Belo Horizonte, 18 a 24 de maio 2018

MINAS

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Querem em Minas um governo alinhado à política do golpe nacional IMPEACHMENT Denúncia apresentada pelo teólogo Mariel Marra está paralisada na Assembleia Legislativa Guilherme Dardanhan / ALMG

Wallace Oliveira

O

processo de impeachment contra o governador Fernando Pimentel (PT) está suspenso até que a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) julgue duas questões de ordem levantadas por deputados. O governador foi acusado pelo teólogo e advogado Mariel Marra

Processo está parado aguardando julgamento de questionamentos

de cometer crime de responsabilidade. A denúncia se baseia em atrasos nos repasses financeiros do governo estadual aos Poderes Legislativo e Judiciário. Também é citada a retenção de recursos que deveriam ir para os municípios. Tramitação Na quarta (16), a Mesa da Assembleia aprovou o rito

para analisar a denúncia. Mas o processo foi paralisado desde o dia 8 de maio, em função de questionamentos apresentados por parlamentares. A principal questão foi colocada pelo líder do bloco, o deputado André Quintão. Ele questionou o andamento do processo, uma vez que o pagamento dos duodécimos teria sido quitado.

“Os duodécimos estão regularizados, tanto no Poder Legislativo quanto no Judiciário, não acarretando atraso de pagamento para os servidores desses poderes. Portanto, a denúncia está sem objeto. Sem objeto, ela não pode ser recebida pela Assembleia Legislativa”, explicou André Quintão. O petista acrescentou que esses atrasos não configuram crime de responsabilidade e não cabe à ALMG legislar sobre essa matéria. O crime de responsabilidade, que daria fundamento ao impeachment, é definido pela Lei Federal 1.079, de 1950.

Golpe nacional Para Pablo Dias, da Frente Brasil Popular, a denúncia contra Pimentel guarda semelhanças com o impeachment da presidenta Dilma. “As acusações são frágeis, existe uma divisão no centro e uma aproximação com a direita mineira, um momento de crise do estado de Minas Gerais e do governo. Todos esses elementos têm um potencial de se desenrolar de forma semelhante ao processo nacional, quando, mesmo sem haver provas, foi levado a cabo o impeachment”, comenta.

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MINAS

Belo Horizonte, 18 a 24 de maio 2018

18 de maio é dia de conhecer histó SAÚDE MENTAL Até os anos 70, hospícios usavam violência e torturas. Hoje, usa-se a arte e a liberdade para tratar pessoas com sofrimento mental Reprodução

Pacientes ficavam internados até se “curarem” ou até o fim da vida

dos. Os obstáculos se tornam ainda maiores quando e você tem familiares ou o fardo acaba ficando para a conhecidos que pade- pessoa e a família. Como lidar? cem de sofrimento mental, O dia 18 de maio é a data sabe que a loucura é com- escolhida para incentivar plexa e precisa de cuida- que todos conversem soRafaella Dotta

S

bre a loucura. Até meados de 1970, os hospitais psiquiátricos - os chamados manicômios - eram a única alternativa para quem apresentava sofrimento mental no Brasil. O internamento na maioria das

vezes era compulsório, ou seja, o paciente não precisava concordar, e lá ficava até que se “curasse”, ou até o fim da vida. Miriam Nadim Abou-Yd, do Fórum Mineiro de Saúde Mental e referência no tema, estima que existiram 100 mil leitos psiquiátricos no Brasil, um número maior que o de leitos pe-

diátricos na mesma época. “Milhares de hospitais privados foram abertos e quanto mais abriam, mais aumentava a demanda. Se internava todo mundo com motivo ou sem”, alerta. Como os hospitais psiquiátricos eram privados, o governo repassava a eles uma verba por cada paciente. Miriam explica que os gastos dentro dos manicômios eram muito pequenos, devido às péssimas condições dadas aos pacientes, e assim o lucro dos donos dos hospitais eram “desmedidos”. Isso ficou conhecido como “indústria lucrativa da loucura”.

Com inclusão da arte, BH se tornou referência no tratamento em liberdade ALTERNATIVA Centros de convivência se transformaram na “casa” de usuários e ampliaram em 50 vezes o número de locais para atendimento

“B

elo Horizonte se tornou um exemplo pro mundo”. É o que defende o carnavalesco e militante da luta antimanicomial José Guilherme Castro. Há 30 anos, o movimento contra os hospícios começou a revolucionar a lógica de tratamento na capital mineira, ao inserir a arte e os serviços de “muros abertos”. Os médicos, psicólogos e profissionais da área continuaram a atender, mas agora ao lado de centenas de monitores artísticos. No lugar dos manicômios, foi construída uma rede de atendimento que fornece acompanhamento psicológico, oficinas, abrigamento, distribuição de remédios e internação quando é ne-

Mídia NINJA

fazê-lo voltar, conforme explica Laura, que é também da Associação dos Usuários dos Serviços de Saúde Mental (Asussam). Saber que a liberdade está garantida faz com que as pessoas busquem mais o acompanhamento psicológico. Segundo Laura, para atender cessária. A pessoa continua trabalhando e vivendo com a família, e pode acessar os serviços quando e quantas vezes precisar. Laura Fusaro Camey é usuária do Centro de Convivência da Regional Leste e descreve o tratamento mental de BH em duas palavras: arte e afeto. “Em qualquer serviço que você entrar, uma

quantidade bem impressionante de usuários vai te afirmar com o coração que a rede de saúde mental é uma família”, diz, “as pessoas podem acessar nos momentos de maior vulnerabilidade, de pedir uma palavra amiga”. Enquanto o hospício aprisiona o paciente, os serviços antimanicomiais precisam conquistar o usuário,

Novo método estimula que pessoas aceitem e busquem apoio à demanda os serviços foram ampliados em 50 vezes desde o início do movimento antimanicomial.

Samba e liberdade Para demonstrar a feliz união entre loucura, liberdade e arte, nada melhor que carnavalizar. Assim nasceu a escola de samba Liberdade Ainda Que Tam Tam, com seis alas coloridas e 4 mil foliões usuários e profissionais da rede de saúde mental. A data do desfile é sempre 18 de maio, há duas décadas. Neste ano, o enredo “Atentas e fortes: tantãs sem temer os golpes!” traz uma lembrança à vereadora assassinada no Rio, Marielle Franco, e conclama o “voto de contragolpe”. A concentração é às 13h na Praça da Liberdade. (RD)


Belo Horizonte, 18 a 24 de maio 2018

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ória e dizer ‘não’ aos manicômios Golpe: Governos retomam internações obrigatórias Mídia NINJA

Rafaella Dotta

A

s alternativas construídas ao longo dos 30 anos de luta antimanicomial estão em perigo. A entrada do presidente Michel Temer (MDB), através de um golpe, estende à saúde mental uma série de choques também, retomando o fortalecimento das internações e desmontando o Sistema Único de Saúde (SUS). Os retrocessos estão sendo sinalizados em todos os níveis pelos governos nacional, estadual e municipal. A portaria federal número 3.588 deve causar a maior mudança, analisa a psiquiatra e integrante do Fórum Mineiro de Saúde Mental Miriam Abou-yd. A regra im-

planta no Brasil uma “nova política nacional de saúde mental”, que faz o governo voltar a investir nos manicômios privados e no objetivo de aprisionar pessoas com algum nível de sofrimento mental ou uso de drogas. Ou seja, de “nova” a política não tem nada. Para Miriam, o principal problema será o enorme repasse financeiro para as comunidades terapêuticas. Es-

sas comunidades são geralmente religiosas e trabalham com a internação de pessoas envolvidas com álcool e outras drogas. O método usado, na opinião da psiquiatra, é o mesmo do hospício: forçar a abstinência e o aprisionamento, mesmo contra a vontade do indivíduo. As denúncias estão aumentando, mas o financiamento das comunidades não diminui. Entidades que lutam

pelo atendimento em liberdade analisam que a portaria traz também o retorno dos ambulatórios, dos manicômios, retira a ênfase na reabilitação psicossocial e aumenta o número de leitos psiquiátricos em hospitais em geral, com meta de ocupação mínima de 80%. Internação em Minas O governo de Minas Gerais tentou contribuir com o repasse às entidades de internação de usuários de álcool e outras drogas. Em junho de 2017, lançou um edital que atenderia a 53 comunidades terapêuticas, no valor de R$ 8 milhões. Os movimentos antimanicomiais conseguiram anular o edital, por enquanto.

SEM SUS, NÃO TEM TRATAMENTO EM LIBERDADE O segundo grande desfalque na saúde mental será a Emenda Complementar 95. A regra diminui drasticamente o orçamento do Sistema Único de Saúde (SUS) para os próximos 20 anos. Toda a Rede de Saúde Mental funciona gratuitamente pelo SUS. Os serviços da capital mineira já começam a sentir a falta de verbas. Há sobrecarga de trabalho nos profissionais, falta manutenção e material.

Opinião

Anastasia: um homem menor João Paulo Cunha O senador Antonio Anastasia é pré-candidato tucano ao governo de Minas Gerais. Foi lançado com festa. Mas a maior presença no evento que marcou o lançamento de sua candidatura foi uma ausência. Mais que o próprio pré-candidato, o destaque foi o vazio de Aécio Neves. Homem a ser evitado, Aécio sabia que sua participação na solenidade comprometeria seu seguidor mais fiel. Anastasia quer ser esperto. No entanto, sua intenção de se descolar da figura de seu mentor é uma operação impossível. O atual postulante tucano é obra de seu criador. Sua vida pública pode ser dividida em dois momentos, antes e depois de Aécio. No primeiro momento de sua trajetória, a. A., construiu uma carreira de servidor público e professor de direito. Sempre fez questão de mostrar precocidade e inteligência. Era discreto, técnico, respeitado. Com essas credenciais, sem maior brilho que a dedicação à burocracia, conquistou postos

públicos de destaque até se aproximar de Aécio Neves, como uma espécie de âncora de credibilidade.

O atual postulante tucano é obra de seu criador, Aécio Neves Quando duas frutas são postas lado a lado num cesto, o certo é que a podridão de uma tome conta da sanidade da outra, não o contrário. Anastasia não tornou Aécio mais ético, aprendeu com ele as lições do bolor moral. Começa, então, a fase d.A. O maior exemplo de sua submissão foi se responsabilizar pela relatoria do impeachment de Dilma Rousseff no Senado. Fez o serviço sujo, trocou a ética pela ambição. O que mais pesa contra ele não é a defesa

do impeachment, mas o fato de sustentar essa operação contra a própria consciência moral e conhecimento jurídico. Ele agiu de costas para o direito. Há um momento em que o monstro criou vida. Do bastidor para a cena principal, como governador, ele aprofundou os descaminhos fiscais do estado e aumentou a dívida em escala que até hoje impacta as contas públicas. Suas pegadas estão presentes em vários fatos graves da administração de Minas Gerais, do aumento da dívida previdenciária aos descaminhos na gestão das estatais. Sem falar do não cumprimento de metas orçamentárias na saúde, com o uso de chicanas contábeis. A campanha para o governo de Minas vai ser uma oportunidade para conhecer outras facetas de Anastasia. Há um risco, real, que se revele uma figura ainda mais condenável que seu próprio criador. Em seus méritos, nunca foi mais que medíocre. Arrisca ser igualmente convencional em seus defeitos. Mas não se iluda quem acha que é um mal menor. É um homem menor. E muito mais perigoso.


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OPINIÃO

Belo Horizonte, 18 a 24 de maio 2018 Ricardo Stuckert

Jéssica Marroques

Ser LGBT é lutar por melhores condições de trabalho e pelo direito de amar

Porque quero voltar a ser presidente Sou candidato a presidente do Brasil, porque não cometi nenhum crime e porque sei que posso fazer o país retomar o caminho da democracia e do desenvolvimento, em benefício do nosso povo. Sou candidato para devolver aos pobres e excluídos sua dignidade, seus direitos e a esperança de uma vida melhor. Na minha vida nada foi fácil, mas aprendi a não desistir. Quando comecei a fazer política, mais de 40 anos atrás, não havia eleições no País, não havia direito de organização sindical e política. Enfrentamos a ditadura e criamos o Partido dos Trabalhadores, acreditando no aprofundamento da via democrática. Perdi três eleições presidenciais antes de ser eleito em 2002. E provei, junto com o povo, que alguém de origem popular podia ser um bom presidente. Terminei meus Provei que mandatos com 87% de aprovação popular. Tiramos 36 milhões de pessoas da miséria extrema e levamos mais alguém do povo de 40 milhões para a classe média. Foi o período de pode ser bom maior prestígio internacional do nosso país. presidente Depois de uma campanha sistemática de difamação contra mim e meu partido, que reuniu a mais poderosa imprensa brasileira e setores do Judiciário, o momento do país é outro: vivemos retrocessos democráticos, uma prolongada crise econômica, e a população mais pobre sofre, com a redução dos salários e da oferta de empregos, o aumento do custo de vida e o desmonte de programas sociais. Lidero as pesquisas mesmo depois de ter sido preso em consequência de uma perseguição judicial que vasculhou a minha casa e a dos meus filhos, minhas contas pessoais e do Instituto Lula, e não achou nenhuma prova ou crime. Diante do desastre que se abate sobre o povo brasileiro, minha candidatura é uma proposta de reencontro do Brasil com a construção de um país mais justo e solidário. Luiz Inácio Lula da Silva é ex presidente da República (2003-2010). Leia íntegra do artigo em lula.com.br

Jéssica Marroques é militante do Levante Popular da Juventude.

ACOMPANHANDO

Luiz Inácio Lula da Silva

A data 17 de maio é marcada como o Dia Nacional de Combate à Homofobia. Em 1990, a homossexualidade foi excluída da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID), da Organização Mundial da Saúde (OMS). O fato de a homossexualidade deixar de ser considerada doença foi um grande passo para legitimar o afeto e as relações sociais, como expressão da sexualidade. A partir dessa ação, as pessoas LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) se tornaram sujeitas de direito. Assim, se tornou possível pensar ações e políticas públicas voltadas para os direitos civis e humanos, bem como o levantamento e criação de conselhos, comitês e leis voltadas para as demandas da população. O dia 17 de maio foi oficialmente instituído em 2010 pelo ex-presidente Lula, mas construído com pressão e participação social. Desde o ano de 2016, com o impeachment de Dilma, o povo brasileiro tem sofrido diversas retiradas de direitos pelo atual governo golpista. São ações que afetam a todos nós, trabalhadores e trabalhadoras, mas principalmente a negri- 17 de maio é dia tude, as mulheres e as pesde combate a soas LGBTs. Em Belo Horizonte, a mar- homofobia cha, que é uma ação organizada pela visibilidade da pauta contra a LGBTfobia e a morte da população, também traz nos seus eixos o debate contra a criminalização dos movimentos populares e o extermínio da juventude negra, ressaltando que a maioria dos assassinatos são de pessoas LGBTs. A prisão injusta e sem provas do ex-presidente Lula também evidencia o quanto o atual Judiciário, aliado ao Congresso Federal, tem um projeto de país em que não cabe a democracia, as escolhas e os direitos do povo.

Na edição 233.... 12 anos congelada: população deve aceitar essa explicação para aumento do metrô? E agora... Briga na Justiça tenta baixar preço do metrô de BH Uma ação popular entregue ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais pediu que o aumento da tarifa fosse cancelado. O argumento é que o aumento é abusivo e vai contra o Código de Defesa do Consumidor. O pedido foi aceito pela Justiça, mas a tarifa só voltou a R$ 1,80 na terça (15). No mesmo dia, a CBTU entrou com recurso no tribunal para manter a passagem elevada. A decisão está nas mãos do desembargador Octávio de Almeida Neves.


Belo Horizonte, 18 a 24 de maio 2018

Aumenta a mortalidade na infância com governo Temer RETROCESSO Levantamento do Ministério da Saúde indica aumento de 11% de crianças que morreram entre 1 mês e 4 anos de idade Reprodução

Do site Saúde Popular

A

pós 13 anos de queda consecutiva na taxa de mortalidade infantil (antes de completar 1 ano de vida) e mortalidade na infância (entre 1 mês e 4 anos), o número de óbitos voltou a crescer no Brasil. Um levantamento do Ministério da Saúde indica aumento de 11% de crianças que morreram entre 1 mês e 4 anos de idade. Entre as crianças até 1 ano de vida, o aumento foi de 2%. De acordo com o Observatório da Criança e do Adolescente da Fundação Abrinq, recessão econômica, escassez de recursos públicos, seca no Nordeste e cortes em determinados programas sociais, como Rede Cegonha, voltado

às mães no pré-natal, parto e nascimento, além do desenvolvimento da criança até os 2 primeiros anos de vida, foram os principais fatores. Para o médico Alexandre Padilha, ex-ministro da Saúde, o aumento de óbitos é resultado da redução nos investimentos em programas sociais, priorizados nos governos Lula e Dilma. “Primeiro, a Rede Cegonha, em 2016 e 2017 teve cortes no gover-

no Temer. Segundo, a redução dos médicos do Mais Médicos, sobretudo na área mais crítica, que é o semiárido do Nordeste brasileiro. Terceiro, a redução de investimento na merenda escolar em todo o país”, pontua Padilha, ao lembrar da proposta de “ração humana”, lançada sem êxito pelo prefeito de São Paulo João Doria. “Eu diria uma vergonha. O Brasil já voltou para o mapa

Para ex-ministro, redução nos investimentos sociais é o motivo para aumento de óbitos da fome, agora o governo Temer vai mostrar para a ONU crescimento na mortalidade infantil e da infância”, completa. Outro dado importante que somou para o aumento de óbitos é a desnutrição infantil. O percentual de crianças menores de 5 anos desnutridas aumentou de 12,6% para 13,1%, entre 2016 e 2017.

Fique por dentro da situação de Lula RÁDIO Novo programa do Brasil de Fato é transmitido direto da vigília pela liberdade do ex-presidente

E

streou nesta segunda-feira (14) a Rede Lula Livre, programa da Rádio Brasil de Fato que é transmitido ao vivo direto da vigília e do acampamento montado em Curitiba (PR), a poucos metros da Superintendência da Polícia Federal, onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está preso desde o dia 7 de abril. O programa vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 9h45 às 10h, e acompanha a atividade diária “Bom dia, Lula”, além de divulgar as novidades sobre o caso do ex-presidente e as mobilizações pela sua liberdade. Os ouvintes também podem conferir entrevistas com artistas, líderes políticos e in-

Cláudio Kbene

tegrantes de movimentos populares. Quer retransmitir? A Rede Lula Livre realiza um boletim diário de cinco minutos, gravado e disponível para veiculação nas emissoras que se interessarem. Qualquer rádio, site ou blog também pode retransmitir o programa completo. É só mandar uma mensagem no WhatsApp para o número (11) 94503-4203, com o nome da emissora, frequência, cidade e estado. Por meio do cadastro serão enviados os alertas de conteúdos disponíveis para veiculação. Dá pra ouvir tudo no site: www.brasildefato.com.br

BRASIL

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Moradores da Rocinha (RJ) vivem rotina de pavor Jaqueline Deister Sair de casa para comprar pão se tornou uma tarefa difícil para 70 mil moradores da Rocinha, no Rio de Janeiro, uma das maiores favelas da América Latina. Na última segunda-feira (14), o conflito entre policiais e criminosos fez mais duas vítimas, uma delas fatal. Francisco Nunes de França, de 75 anos, tentou se proteger atrás de um muro durante uma troca de tiros, quando foi atingido e morreu. Maria Luiza de Lima, de 22 anos, mora na Rocinha desde a adolescência e diz que a situação nunca esteve tão violenta. A preocupação é constante mesmo dentro de casa. Durante um confronto na semana passada ela não conseguiu voltar para casa. “Eu estava saindo quando no meio dos becos começou o tiroteio e eu comecei a correr. Liguei pra casa e minha irmã me falou para não voltar”, conta. Desde setembro de 2017, a Rocinha vive um clima de tensão que começou com uma guerra entre duas facções e se mantém durante a intervenção federal militar que foi instalada no estado do Rio de Janeiro. Moradores denunciam que a intervenção federal militar tem piorado a situação. Uma Comissão Popular da Verdade, que foi lançada no mês de abril, está registrando os casos da favela da Rocinha.


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MUNDO

Belo Horizonte, 18 a 24 de maio 2018

Quatro respostas para quatro acusações contra a Venezuela INVERDADES Confira dados, informações e fatos que contradizem o que a mídia diz sobre a Venezuela Celag

A

s eleições presidenciais na Venezuela acontecem em 20 de maio. Este será o quarto pleito em menos de um ano no país, dado que contrapõe a ideia de uma nação antidemocrática. Pensando em alguns dos mitos que rondam o Estado venezuelano, o Brasil de Fato apresenta uma série de quatro respostas para quatro questões comuns contra a Venezuela. 1.“Na Venezuela não tem democracia” Desde 1998, ano em que Hugo Chávez foi eleito, foram realizadas 23 eleições. Chávez iniciou um processo de alta participação do povo nas decisões sobre a política, cultura e organização, o que é chamado de Democracia Parti-

cipativa e Protagonista. No país o voto não é obrigatório, mas a participação está acima dos 70% - número maior do que nos Estados Unidos, Espanha e Colômbia. 2. “A eleição é fabricada por Maduro” O Poder Público Nacional

no país está dividido em cinco poderes: Legislativo, Executivo, Judicial, Cidadão e Eleitoral. Diferente da Argentina, onde só existem três poderes e os processos eleitorais são organizados pelo Ministério do Interior, na Venezuela existe um poder específico para a eleição. Este siste-

Frantz Fanon, filósofo negro, há décadas já escrevia sobre os motivos da intervenção militar Reprodução

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ntelectual e militante negro, Frantz Fanon é destaque no pensamento filosófico desde o século 19, com escritos traduzidos em mais de dez línguas. Frantz Fanon: um Revolucionário, Particularmente Negro é uma obra pioneira no país e foi lançada em 11 de maio em São Paulo, pela Ciclo Contínuo Editorial. O livro debate a trajetória do pensador negro, que é cada vez mais atual. “Em Os Condenados da Terra, a descrição de Fanon sobre a colônia é a mesma que podemos utilizar para falar do Rio de Janeiro. Fanon nos ajudaria muito a olhar para a ocupação militar no Rio de Janeiro e dizer: ‘isso é a expressão contemporânea do

Entenda mais sobre o pensamento do autor, acesse: www.brasildefato.com.br

colonialismo e é contra isso que precisamos lutar’”, diz Deivison Faustino, ou Deivison Nkosi como é conhecido, professor de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Federal de São Paulo e autor do livro sobre Fanon. Quem foi Frantz Omar Fanon nas-

ceu em 1925 na Martinica, uma pequena ilha do Caribe. Um episódio importante da adolescência marcou o início de suas reflexões: o contato mais próximo com a sociedade francesa. Ele escreveu uma das obras mais importantes sobre o racismo, Pele Negra, Máscaras Brancas.

ma foi reconhecido por diversas instituições como um dos mais confiáveis e modernos do mundo. 3.“A Venezuela passa por uma crise econômica” Sim, mas é preciso diferenciar as crises geradas pelos governos e as crises induzidas pelos setores dirigidos pelos EUA contra a Venezuela. Eles induzem a crise há cinco anos, mesmo assim o governo realiza ações como a entrega direta de alimentos para 6 milhões de famílias. 4. “A Venezuela produz exilados políticos e refugiados” A migração é resultado das

condições do país devido à guerra econômica. Por isso, muitos venezuelanos decidiram tentar a sorte fora de seu país, assim como cidadãos da América Central e da região andina. O que se pode dizer do México, com 41 milhões de mexicanos vivendo nos EUA? Ou sobre a Colômbia, quando se estima que cerca de 5 milhões colombianos vivem na Venezuela? Secretaria ALBA Movimentos e Plataforma Solidária

Confira a cobertura sobre as eleições na Venezuela: www.brasildefato.com.br

Mudança de embaixada dos EUA leva ao assassinato de 111 palestinos Os Estados Unidos fazem mais uma intervenção no conflito entre Palestina e Israel. O país transferiu a sua embaixada da cidade de Tel Aviv para a cidade de Jerusalém. O anúncio gerou uma onda de manifestações de palestinos, que são contra a mudança, e a morte de 60 deles. Desde que se iniciou a “Marcha pelo Retorno”, são 111 palestinos assassinados pelo Exército israelense. A ação dos EUA prejudica o processo de paz na região, assim como vai de encontro às resoluções estabelecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU). Em 2017, quando a decisão foi anunciada, 128 dos 198 países que integram a Assembleia Geral da ONU não a aprovaram. Apenas sete países ficaram ao lado de Donald Trump. A alteração da sede da embaixada também ocorre na véspera da data conhecida como al-Nakba (“A catrástrofe, em árabe), que marca o início do processo de expulsão dos palestinos de suas terras após a criação do Estado de Israel, em 15 de maio de 1948. O povo palestino não reconhece que a cidade de Jerusalém, considerada sagrada, se torne oficialmente a capital de Israel.


Belo Horizonte, 18 a 24 de maio 2018

ENTREVISTA 11

Sérgio Gabrielli: “Vivemos a explicitação da luta de classes no Brasil” Ex-presidente da Petrobras fala em entrevista ao Brasil de Fato sobre momento político e as articulações pré-eleitorais Roberto Parizotti /CUT

Leonardo Fernandes De São Paulo

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ano de 2018 já está marcado por incertezas no campo econômico e principalmente político. Mesmo preso, Lula segue na preferência do eleitorado, de acordo com as últimas pesquisas divulgadas. A direita ainda patina no cenário, sem conseguir

Aquela fase em que foi possível que todos melhorassem, os de baixo e os de cima também, passou emplacar um nome forte para a disputa. Enquanto isso, setores da esquerda se reúnem em torno à discussão programática, de reversão do processo de destruição do Estado, mas sem discutir a possibilidade de uma candidatura unitária. Esses são alguns dos temas abordados pelo ex-presidente da Petrobras durante os governos Lula e Dilma (2005-2012), o economista baiano Sérgio Gabrielli, em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato. Brasil de Fato: Qual a sua avaliação desse momento histórico que o Brasil vive?

Sérgio Gabrielli: Eu acho que o que nós vivemos hoje é a explicitação de um estágio atual da luta de classes brasileira. Aquela fase em que foi possível que todos melhorassem, ou seja, que os de baixo melhorassem, mas que os de cima também, passou. Não temos mais a situação internacional que favoreça isso,

não temos mais a capacidade ociosa que possibilite essa retomada sem precisar de mais reformas estruturais. Che- Mais de 30% dos gamos a um ponto em que, para continuar melhorando a eleitores estão vida dos de baixo, é preciso ti- dizendo que rar um pouco dos de cima. E querem votar para isso, vai haver conflito, o no Lula que vai exigir uma redefinição De que modo essa posição das forças políticas. Como a esquerda está se preparando para enfrentar esse desafio de reconstruir o Brasil?

Nós tivemos um manifesto comum dos partidos, as fundações estão formulando diretrizes gerais. Eu acho que esse processo precisa se intensificar. Precisamos fazer uma discussão de contraponto ao programa que, na prática, está sendo implementado pela direita, ou seja, temos que dar alternativas para o país voltar a crescer, para reduzir a pobreza, para reduzir a desigualdade, para reassumir um papel de soberania nacional, alternativas para a reconstrução do Estado brasileiro e ampliação da democracia, e não a redução dela.

Precisamos fazer uma discussão de contraponto à direita

comum da esquerda estaria refletida nas candidaturas, no processo eleitoral?

Nós temos objetivamente quatro candidaturas de centro-esquerda, talvez três de esquerda e uma de centro, mas temos quatro candidaturas. Isso é fato e temos que trabalhar com essa realidade. Então é preciso ter a capacidade política de viabilizar uma discussão programática para governar e até para, se caso perder a eleição, ser oposição, e viabilizar as eleições legitimamente com a presença de candidatos tanto a deputados, como governadores e presidente, comprometidos com esse programa. Se vamos ter uma candidatura única ou se vamos ter várias candidaturas no primeiro turno, é o processo que vai dizer. Mas acho que temos que manter a candidatura de Lula e trabalhar com a discussão programática. Temos que manter a candidatura do Lula não só porque o PT quer, mas porque o povo quer e as pesquisas mostram. Mais de

30% dos eleitores estão dizendo que querem votar no Lula. E se não for pra votar no Lula não sabem o que fazer.

A dívida pública brasileira consome boa parte do orçamento brasileiro O sr. acredita que, caso a esquerda vença as eleições, terá força para enfrentar o rentismo e apontar novamente à redistribuição de renda no país?

Eu acho que nós temos que construir essa força. Acho que os governo Lula e Dilma não conseguiram de fato enfrentar essa questão de forma significativa. Em 2011, a Dilma tentou reduzir um pouco o rendimento do capital rentista, foi rapidamente derrotada, e essa questão para mim é hoje central em termos de finanças públicas. Nós temos uma disputa clara entre o pagamento de juros da dívida via emissão de novos títulos de dívida ou via transferências do Tesouro, mas o fato é que a dívida pública brasileira consome boa parte do orçamento brasileiro. Se nós não enfrentarmos esse problema não vamos conseguir enfrentar o desafio de retomar o crescimento com distribuição de renda. Precisamos continuar a luta para reduzir a desigualdade, para extinguir a pobreza absoluta no país, para expandir os serviços públicos a favor de quem mais necessita, e isso não é possível com tantos recursos sendo carreados para quem vive de renda no país.

E como o sr. avalia a movimentação da direita nessa fase pré-eleitoral?

Eu acho que a direita tem um programa mais ou menos definido. De forma bem esquemática, ela tem o objetivo de manter a renda dos rentistas no Brasil, o que significa manter a independência do Banco Central, manter a política de juro real alto, a não tributação sobre os ganhos financeiros. Um outro objetivo da direita é reduzir o custo do trabalho, o que significa que vão evitar o aumento do salário mínimo, evitar o aumento real do salário das diversas categorias, vão tentar desmontar o movimento sindical, vão tentar aumentar a precarização das relações de trabalho. Um terceiro objetivo é de subordinação do Brasil aos interesses dos centros dinâmicos internacionais, particularmente com a submissão na política energética brasileira aos interesses americanos, uma diminuição da política externa autônoma. E finalmente, para conseguir tudo isso, é preciso fazer uma redução do espaço democrático e da participação social. O senhor acredita que, diante da possibilidade de derrota, a direita possa tentar inviabilizar as eleições?

Eu acho que vivemos uma crise geral. A direita pode querer inviabilizar as eleições. Se nós continuarmos com esse apoio popular claro, eles podem tentar adiar as eleições. E aí nós vamos agravar a crise e aprofundar a contradição, o conflito, e dificilmente teremos uma saída viável no curto prazo.


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Belo Horizonte, 18 a 24 de maio 2018

BAFAFÁ NOVELA NOTIFICADA, SUCESSO NA ESTREIA E UMA CENA PARA HISTÓRIA...

Amiga da Saúde Uma vizinha minha morreu por causa da gripe. Meus filhos ficam gripados com frequência. Como saber se é mais grave, se tenho que tratar? Andreia Ribeiro, 35 anos, motorista.

Divulgação

A TV Globo foi notificada, no último dia 11, pelo Ministério Público do Trabalho pela ausência de atores negros em sua nova novela “Segundo Sol”. A recomendação é que a emissora deve respeitar a diversidade racial do local onde é ambientada a trama, ou seja, a Bahia, estado com maior percentual de negros no Brasil. A notificação cobra mudanças na novela, além de prever um conjunto de ações para promover a igualdade racial em todo o ambiente de trabalho da empresa. A Globo terá dez dias para comprovar as mudanças no roteiro e na produção da novela “Segundo Sol”. Aguardemos! Na última quarta-feira (16), o SBT estreou mais uma novela infanto-juvenil: “As aventuras de Poliana”. A novela é escrita por Íris Abravanel e se baseia no livro infantil estadunidense “Pollyanna”, de 1913, que conta a história de uma menina que sempre olha o lado bom das coisas. “A ideia é mostrar que nós podemos mudar a nossa maneira de pensar e aprender lições a partir das coisas ruins que acontecem conosco”, diz Abravanel. A trama promete ficar, por enquanto, dois anos no ar, apostando mais uma vez em um elenco com atores mirins e adolescentes. “As aventuras de Poliana” estreou com tudo, atingindo a excelente média de 15 pontos, com pico de 17,3 no Ibope, deixando a principal concorrente, a Record, a ver navios, muito atrás, com a novela ApoGlobo terá dez dias calipse. O SBT, entre as suas pitorespara inserir negros cas apostas de programação, parece que acertou em propor novelas desem Segundo Sol se tipo para o seu horário nobre. E não poderia deixar de comentar uma das cenas que entraram para a história da teledramaturgia brasileira. Brilhante e emocionante foi a morte de Dona Caetana (Laura Cardoso) no último capítulo de “O outro lado do paraíso”. Para quem não viu (a cena está no YouTube), o inusitado velório da cafetina foi no bordel, cercado por uma festa, animada pela cantora Pabllo Vittar. A alma de Dona Caetana aparece dançando em meio às pessoas, sendo levada ao alto e envolvida por uma luz. A cena bombou nas redes! Atuação perfeita de Laura Cardoso, que aos seus 90 anos, foi, talvez, o maior destaque da novela! Um abraço!

Felipe Marcelino é professor de filosofia.

Cara Andreia, essa é uma questão muito importante. Gripe e resfriado fazem parte da vida de todos nós. A princípio parecem doenças inofensivas. E realmente são, na grande maioria dos casos. A influenza (mais conhecida como gripe) é uma infecção causada por vírus. Afeta o sistema respiratório, causando febre, tosse, coriza nasal, dor no corpo etc. É geralmente benigna e autolimitada (sara sozinha, sem precisar de remédios). Para saber se o caso é mais grave, devemos considerar os seguintes fatores: 1) grupos de risco – existem pessoas que têm o sistema de defesa mais fraco, correndo mais risco de agravar a gripe. São elas: gestan-

tes, mulheres com parto recente, crianças menores de 5 anos, idosos, pessoas com doenças crônicas, como diabetes, asma, tuberculose, hipertensão, problemas de coração, aids etc.; 2) Presença de quaisquer sinais de alerta – sintomas que mostram que a pessoa não está bem: febre alta persistente, falta de ar, prostração, desidratação, confusão mental, queda de pressão etc. Em qualquer um dos casos, seja pela presença de fatores de risco ou de sinais de alerta, é necessário avaliação médica o quanto antes para que se acompanhe a evolução da gripe e encaminhamento à internação, caso o quadro fique mais grave.

Sofia Barbosa é enfermeira do Sistema Único de Saúde I Coren MG 159621-Enf. Mande sua dúvida: amigadasaude@brasildefato.com.br

Nossos direitos Direito de protestar As manifestações e protestos sociais populares foram consagrados, ao longo da história, como um direito de reivindicar a garantia de direitos civis, sociais, econômicos, políticos e culturais. Certamente, a grande maioria dos direitos que temos hoje, como a educação, a proibição do trabalho infantil, o direito ao voto, dentre outros, foram obtidos por meio da manifestação pública por essas demandas sociais. A legislação internacional e também as leis do Brasil asseguram o Adília Sozzi é advogada popular

direito de manifestação, como consequência do direito à liberdade de expressão. Mas infelizmente, muitos agentes estatais não reconhecem estas leis, e tentam transformar os manifestantes em criminosos. Segundo as orientações da ONU (Organização das Nações Unidas), as polícias não podem impedir as reuniões, marchas, trancamentos de ruas, ocupações, desde que sejam pacíficas, ou seja, não tenham o objetivo de causar dano físico a nenhuma pessoa. Fique ligado. Só a luta garante nossos direitos.


Belo Horizonte, 18 a 24 de maio 2018

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Dicas Mastigadas BOLO DE FUBÁ Reprodução

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CAÇA-PALAVRA

© Revistas COQUETEL

Procure e marque, no diagrama de letras, as palavras em destaque no texto.

Dicas de arrumação • Arrume tudo de uma vez. Afinal, organizar a casa é uma REVISÃO de ESTILO de vida, que exige uma RUPTURA radical, sem protelação. • Concentre itens do mesmo tipo — como roupas, livros ou papéis — no mesmo CÔMODO ou armário. Isso permite ter uma NOÇÃO geral dos próprios PERTENCES e evita o surgimento de novos focos de BAGUNÇA. • Selecione tudo o que realmente não usa, sem APEGO emocional ou ILUSÃO de que será utilizado um dia, e descarte no LIXO ou para DOAÇÃO. • Siga um CRITÉRIO de organização e deixe seus objetos ACESSÍVEIS e à VISTA para que tenha ideia do que realmente possui, evitando COMPRAS desnecessárias. • Prefira fazer essa TAREFA sozinho(a), sem a presença de amigos ou parentes, que podem ter IMPACTO psicológico NEGATIVO no momento do desapego.

Ingredientes 1k de fubá de moinho d’água Leite até dar o ponto 1 pacote de coco ralado 4 ovos 4 colheres de sopa de manteiga ½ copo de óleo 1 pitada de sal

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• Tenha o RITUAL de colocar cada peça em seu devido LUGAR assim que chegar em casa no final do dia, ajudando a manter a ORDEM.

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com Almerinda Dias da Cunha, que era responsável pela lida

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com o fogão em todas as festas. “– Ao biscoitão, Sô João!’’ era a

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senha que fazia as crianças correrem! Essa receita é parte do livro

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“Sabores do Quilombo – Quitandas das Minas Gerais”.

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Belo Horizonte, 18 a 24 de maio 2018

A experiência de estar só em cena TEATRO Desafiar seu próprio limite e dificuldades de patrocínio levam artistas a apostarem em monólogos Divulgação

Thainá Nogueira

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om a proposta de estimular a produção de monólogos – espetáculos com apenas uma pessoa em cena em Belo Horizonte, foi lançada, na última quinta-feira (17), a Sala Solo do Galpão Cine Horto. O espaço foi inaugurado com a estreia de “Ciclos”, do Grupo Teatro Invertido, com atuação de Rita Maia sob a direção de Juliana Pautilla, sobre uma mulher que quer ser mãe aos 44 anos. A atriz conta que também foi sua estreia em um monólogo: “É a primeira vez que eu me arrisco e acho muito importante fazer essa experiência de estar sozinha em cena. Um ator precisa conseguir segurar um espetáculo dessa forma”, defende. De acordo com a atriz, Belo Horizonte tem cultura dos

“A Mulher Que Andava Em Círculos” estreia a nova sala do Gapão Cine Horto

grupos e coletivos de teatro, mas os monólogos estão surgindo como uma potência: “Quando vamos para um monólogo a tendência é ir no interior do seu universo, mesmo que você crie uma ficção, mas é preciso que você tenha muita propriedade sobre o que está falando”, explica. Em junho, o espaço recebe outras duas montagens: “A Mulher que Andava em Círculos”, do Grupo Mayombe, que retrata a memória do teatro na América Latina através

das questões políticas, afetivas e existenciais da protagonista; e “Um Anjo Passando Aqui”, concebida e interpretada por Lenine Martins, uma narrativa de amor, seus encontros e desencontros. Estímulo Para incentivar a produção de monólogos, o Cine Horto oferece, nos dias 26 e 27 de maio, a oficina “Dirigindo Monólogos”, com o diretor carioca Daniel Herz. Com 20 vagas, o curso recebe inscrições

Quadrinhos em Uberlândia

Monólogo “Meu Saba” estreia em BH

Nos dias 23, 24 e 25 de maio, no campus Santa Mônica da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), acontecerá o primeiro Encontro UFU de histórias em quadrinho, realizado pelo Instituto de Arte (IARTE) e pela Faculdade de Educação (FACED). O evento contará com oficinas, palestras, conversas e convidados especiais sobre o mundo das Histórias em Quadrinhos. É gratuito e as inscrições podem ser feitas no site encontroufuhq.wixsite.com/2018.

O premiado monólogo “Meu Saba” entra em cartaz na quinta (24), no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB), em Belo Horizonte. A peça é inspirada na homenagem que Noa Ben-Artzi Pelossof prestou ao primeiro-ministro de Israel Ytzhak Rabin, que era seu avô (saba, em hebraico). Em 1994, Rabin recebeu o Prêmio Nobel da Paz por defender a autonomia palestina na faixa de Gaza. Um ano depois, ele foi assassinado por um israelense que discordava de sua visão sobre o conflito. Os ingressos podem ser adquiridos pelo eventim.com.br, a R$ 20 a inteira e R$ 10 a meia.

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para ouvintes ou participantes. “Nos últimos anos, muitos atores e atrizes viram no monólogo a oportunidade de chegar ao espectador, diante de várias limitações que nos têm sido impostas”, conta Chico Pelúcio, coordenador do Galpão Cine Horto. Segundo o coordenador, uma das limitações vem da crise de financiamento e patrocínios para as montagens, além da dificuldade de circulação de grupos e espetáculos de maior porte. O monólogo pode percorrer com mais facilidade as cidades carentes de casas de espetáculo. Um outro aspecto do crescimento dos monólogos é a busca e criação dos próprios atores em cena. “A urgência desses atores e atrizes de pesquisarem e falarem de temas próprios de sua existência artística” , aponta Pelúcio.

Aline Calixto ao vivo em BH

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Para comemorar dez anos de carreira, a sambista Aline Calixto grava seu primeiro DVD ao vivo em Belo Horizonte, no sábado (26). O show conta com músicas marcantes de seus CDs, como “Enfeitiçado” e “Flor Morena”, e canções inéditas. Entre os convidados, estão Maurício Tizumba e Tambor Mineiro, Monarco e a Velha Guarda da Portela, Beth Carvalho e músicos de diversos blocos de carnaval de BH. A entrada é gratuita, mas é necessário retirar convites pelo site da Sympla. O show acontece a partir das 16h, na Rua Sapucaí, no bairro Floresta.

Monólogos em cartaz no Cine Horto CICLOS 17 de maio a 3 de junho Qui a Sáb - 19h Dom 18h (em 31/05, feriado, não haverá espetáculo) A MULHER QUE ANDAVA EM CÍRCULOS 8 a 10 de junho . 20h UM ANJO PASSANDO AQUI 14 a 24 de junho Qui a Sáb - 19h Dom 18h Preço: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15 (meia)

Teatro negro em cartaz

Pablo Bernardo

Nos dias 19 e 20 de maio, o grupo Teatro Negro e Atitude apresenta o espetáculo “A toque de caixa”, no Teatro Francisco Nunes. A peça conta a história de um catador de papelão, preto e pobre, que desperta sua identidade cultural e racial, evocando sua ancestralidade. Nos palcos desde 1993, a companhia dá protagonismo à periferia e propõe uma reflexão sobre a condição de negros e negras no mercado de trabalho. A entrada é gratuita e endereço é Parque Municipal, Av. Afonso Pena, Centro de BH.


Belo Horizonte, 18 a 24 de maio 2018

na geral

Brasil é ouro em Aberto de Tênis de Mesa

Divulgação CBTM

ESPORTE

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Curto e Grosso Sobre torcida única... de novo Vinnicius Silva / Cruzeiro

No Aberto Paralímpico da Eslovênia, o amazonense Guilherme Costa e o goiano Iranildo Espíndola conquistaram a medalha de ouro no tênis de mesa paralímpico, na classe 2 (para atletas com redução da atividade no braço que joga). Na final da competição, eles venceram os franceses Fabian Lamirault e Vincent Boury. Já no feminino, a equipe brasileira, formada por Bruna Alexandre, Danielle Rauen e Jennyfer Parinos, venceu a Indonésia na semifinal, garantindo a prata. Na decisão, elas perderam para a equipe turca por 2 a 1.

Mineira vai narrar Copa do Mundo

Rede Minas

A mineira Isabelly Morais, estudante da UFMG, vai narrar a Copa do Mundo da Rússia. Isabelly, que é natural de Itamarandiba, foi uma das vencedoras do concurso “Narra quem sabe”, promovido pela Fox Sports. No ano passado, a locutora já havia entrado para a história, ao narrar vitória do América-MG por 2 a 0 sobre o ABC, no Independência. A transmissão foi feita pela rádio pública Inconfidência.

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Luiz Fellippe Fagaráz Há alguns meses, eu já havia escrito sobre a controversa imposição do então Secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Alexandre de Moraes, de obrigar torcida única em clássicos paulistas. Me posicionei contrariamente a essa iniciativa mostrando suas falácias e sugerindo novas medidas, como a torcida mista. Pois bem. Recentemente, acompanhamos novamente o clássico campineiro entre Guarani e Ponte Preta, após cinco anos sem o “derby”. Como todo o clássico paulista, ele foi realizado com torcida única. Dez dias antes do confronto no estádio Brinco de Ouro da Princesa, nove pessoas foram presas devido a uma briga entre as bugrinos e pontepretanos. No dia do clássico, uma tragédia ainda pior ocorreu. Um torcedor da Ponte Preta foi baleado e morto. Nenhuma dessas brigas ocorreu dentro do estádio. Na última semana, o Ministério Público do Paraná foi além, ao tentar implantar um projeto que obriga a torcida única em qualquer jogo realizado em Curitiba. Essa aberração foi testada na partida entre Atlético PR 1 x 2 Cruzeiro, pela Copa do Brasil. É claro que algo tem que ser feito para conter a violência no futebol, mas tem que ser bem pensado, algo que realmente seja efetivo e não apenas sirva para lavar as mãos da autoridades ou para inglês ver.

SUGESTÕES, CRÍTICAS, COMENTÁRIOS?

ESCREVA PARA NÓS esportemg@brasildefatomg.com.br


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Brasil vai encarar pedreira no Torneio das Nações

ESPORTES

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DECLARAÇÃO DA SEMANA Marcelo Camargo Agência Brasil

Fernanda Coimbra / CBF

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ntre os dias 26 de julho e 2 de agosto, a Seleção Brasileira feminina de futebol disputa o Torneio das Nações, nos Estados Unidos. Pela frente, três grandes adversárias no cenário mundial. No dia 26, as brasileiras estreiam contra a Austrália, tricampeã da competição. No dia 29, encaram a seleção japonesa, vice-campeã do mundo. Já no dia 2 de agosto, o desafio é com a equipe anfitriã, os EUA, vencedora da última Copa do Mundo.

“Isso aí [Cartola FC] é chato pra caramba” Gabigol, atacante do Santos, respondendo a um repórter da Globo sobre o Cartola FC, jogo que simula a pontuação de times criados pelos participantes a partir da atuação de jogadores no Brasileirão.

Gol de placa Segundo o portal Uol, o São Paulo Futebol Clube terá um time de futebol feminino profissional a partir de 2019! O gerente de futebol do clube, Raí, seria o maior incentivador do projeto, que atende a exigências do Profut e da Conmebol.

Gol contra A Associação de Futebol Argentino (AFA) elaborou uma cartilha que ensina os argentinos a “pegarem” mulheres russas. Entre as pérolas, afirma-se que nem todas as russas “são boas o suficiente para você” e que muitas “não gostam de ser vistas como objeto”. Segundo a AFA, houve erro de impressão.

Decacampeão

É Galo doido

Bráulio Siffert

Rogério Hilário

Para permanecer na primeira divisão e se tornar um time realmente grande, o América precisa parar de pensar como time pequeno. Nos jogos em que terminou o primeiro tempo ganhando, voltou para o segundo recuado. Contra Sport e Vitória, seDecacampeão gurou o resultado, mas, contra o Vasco, tomou a virada e, contra o Ceará, cedeu o empate. Quando estava atrás no placar, contra Flamengo e Palmeiras, o América voltou muito bem para o segundo tempo e criou várias chances de gol. É preciso que o time acredite em seu potencial, sem nunca se abster de atacar. Dentro das possibilidades, o elenco é qualificado, com todas as condições de disputar o campeonato em pé de igualdade contra quase todos os times.

Muitos desconfiavam, mas poucos assumiam a preocupação com o fim do sonho da Copa do Brasil. No primeiro jogo sem gols, no Independência, a apreensão surgiu. Seguiram-se os bons resultados no Brasileiro e o alerta da eliminação da Suldoido! -Americana É foiGalo amenizado pela escalação de reservas. Os heróis de ocasião resolveriam o problema. Justamente eles falharam em Chapecó. Resta o Brasileirão, com a perspectiva de uma vaga da Libertadores de 2019. Falta elenco. E pode ficar ainda mais desfalcado no período de recesso da Copa do Mundo e a janela de transferências. No horizonte, temos a possibilidade de redenção no clássico deste sábado. Um consolo, dentro do vendaval de fracassos.

La Bestia Negra Léo Calixto

Anúncio Duas partidas. Atlético Mineiro e Racing, pelo Brasileirão e Libertadores, respectivamente, são os dois últimos jogos que encerram a sequência decisiva de maio. Iniciada na vitória contra o Vasco no Rio, esta sequência servirá para a equipe de MaBestia Negra no MenezesLa adquirir mais corpo. Mesmo com desfalques importantes - Thiago Neves e Edílson ainda estão fora - o Cruzeiro se porta em campo como um time que, de fato, quer brigar por títulos. A recente vitória contra o Atlético Paranaense pela Copa do Brasil em Curitiba é exemplo concreto deste processo. Ao enfrentar equipes com diferentes sistemas de jogo e se sair bem, o time celeste dá um passo importante para se firmar na temporada.