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ESPECIAL

Lucas Godoy / A Sirene

TRAGÉDIA DE MARIANA 2 anos depois, o que (não) aconteceu? 5 de novembro será lembrado para sempre como a data em que a lama da Samarco matou 19 pessoas, toda a Bacia do Rio do Doce e os projetos de vida de milhares de famílias. Passados dois anos, como estão os atingidos pelo maior crime ambiental da história do Brasil? Leia especial do Brasil de Fato MG

Minas Gerais

Belo Horizonte, 1 a 9 de novembro de 2017 • edição 209 • brasildefato.com.br • distribuição gratuita Ricardo Stuckert

MINAS

A caravana passou. E agora? Movimentos populares consideram positivo o diálogo com o povo promovido pelo ex-presidente sobre temas como soberania e educação, mas destacam necessidade de discutir um projeto de país

Tânia Rego / Agência Brasil

Mais um caso grave de intolerância religiosa

Variedades

Sexo forçado na TV Clara apanhou de seu marido, Gael, na novela das 21he passa pela triste realidade de ser obrigada a se deitar com ele. Esta pode ser a realidade de muitas mulheres. A coluna dessa semana traz um alerta!

BRASIL MINAS A DESTRUIÇÃO DE TERREIRO NA RMBH Cinco homens armados teriam invadido Casa de umbanda na cidade de Mário Campos (MG) e quebrado objetos religiosos. Frequentadores declaram que foram ofendidos e ameaçados, e seguem com medo de retornar ao local. Denúncia foi encaminhada à PBH e está sendo acompanhada por representantes do movimento negro e dos cultos de matriz africana

Multinacionais estrangeiras levam pré-sal Leilão do pré-sal foi realizado na sexta (27) e arrecadou valor abaixo do previsto pelo governo federal. Maior vencedora foi a Shell, que só no primeiro trimestre deste ano lucrou US$ 3,4 bilhões


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OPINIÃO

Belo Horizonte, 1 a 9 de novembro de 2017

Editorial | Brasil

A caravana de Lula e as demandas da população mineira

ESPAÇO dos Leitores

“Se estatizar a Globo, o resto cai por gravidade” Lindomar Floriano comenta o artigo “Duas cabeças contra o povo”, de João Paulo Cunha. “O Brasil está triste, com a saída de Dilma a situação só piorou...” Maria Roseli comenta transmissão ao vivo, realizada pelo Brasil de Fato MG, do ato que encerrou a Caravana Lula pelo Brasil em Minas Gerais, na segunda (30) “Brasil de Fato MG, em sua edição 208, fala sobre a luta contra as privatizações, Paulo Freire, saúde pública e muito mais. Fortalecer a comunicação popular e as mídias parceiras!” Escreveu a página Jornalistas Livres ao compartilhar nossa edição 208.

Durante oito dias o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva percorreu mais de 15 municípios do interior de Minas Gerais, encerrando a caravana em Belo Horizonte. O percurso foi todo feito de ônibus e priorizou as regiões historicamente mais pobres e desiguais do estado, como a região Norte, Vale do Mucuri, Vale do Jequitinhonha, Vale do Rio Doce e Vale do Aço, onde uma larga porção do seu povo sente profundamente as mazelas de um país desigual. Por onde passou, a Caravana atraiu multidões afirmando que Lula, apesar de todos os ataques sofridos pelas elites, continua sendo um herói popular, lembrado por ter retirado mais de 30 milhões de brasileiros da miséria durante seus oito anos de governo.

Interesses populares serão garantidos com movimentos fortes Destacou-se sua passagem pela cidade de Governador Valadares, profundamente atingida pelo maior crime social e ambiental do país, que foi o rompimento da barragem em Mariana. Já faz dois anos deste crime ambiental, mas até hoje, milhares de pessoas continuam sem acesso aos direitos que foram violados. O ex-presidente deixou clara a necessidade de um referendo para revogar todas as reformas realizadas pelo governo golpista de Michel Temer, como a reforma trabalhista e a retirada de financiamento público

nas áreas da saúde, educação, moradia e assistência social. A anulação dessas medidas exigirá muita mobilização social.

Mais uma vez a história está nas mãos do povo Intensificar a educação popular Outra proposta que se destacou durante a Caravana foi a democratização dos meios de comunicação. Pois durante toda a história do Brasil, os grandes instrumentos de comunicação como editoras, jornais, rádios e redes de televisão estão sob o controle de políticos e empresas que não possuem nenhum compromisso com a busca de informação e cultura que realmente atenda aos interesses do povo brasileiro. Todos os golpes que aconteceram no país tiveram participação intensiva da mídia. Para termos uma sociedade mais mobilizada pelo próprio projeto, será necessário intensificar um movimento permanente de educação popular, que esclareça ao povo brasileiro sobre a sua força e poder de realmente transformar o país. A vitória popular contra o neoliberalismo exigirá o fortalecimento dos movimentos sindicais, sociais, estudantis e pastorais. Certos de que nada é impossível de mudar e de que o presente e o futuro do país pertencem aos trabalhadores e trabalhadoras, mais uma vez a história é colocada nas mãos do povo.

Escreva para nós: redacaomg@brasildefato.com.br O jornal Brasil de Fato circula semanalmente com edições regionais, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro, no Paraná e em Pernambuco. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais em nosso país e no nosso estado.

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conselho editorial minas gerais: Adília Sozzi, Adriano Pereira Santos, Adriano Ventura, Aruanã Leonne, Beatriz Cerqueira, Bernadete Esperança, Bruno Abreu Gomes, Cida Falabella, Ênio Bohnenberger, Frederico Santana Rick, Gilson Reis, Gustavo Bones, Jairo Nogueira Filho, Joana Tavares, João Paulo Cunha, Joceli Andrioli, Jô Moraes, José Guilherme Castro, Juarez Guimarães, Marcelo Oliveira Almeida, Makota Celinha , Maria Júlia Gomes de Andrade, Milton Bicalho, Neila Batista, Nilmário Miranda, Padre Henrique Moura, Padre João, Pereira da Viola, Renan Santos, Rogério Correia, Rosângela Gomes da Costa, Samuel da Silva, Talles Lopes, Temístocles Marcelos, Titane, Valquíria Assis, Wagner Xavier. Editora: Joana Tavares (Mtb 10140/MG). Redação: Amélia Gomes, Larissa Costa, Rafaella Dotta, Raíssa Lopes e Wallace Oliveira. Colaboradores: Alan Tygel, Anna Carolina Azevedo, André Fidusi, Bráulio Siffert, Diego Silveira, Fernanda Costa, João Paulo Cunha, Léo Calixto, Luiz Fellippe Fagaráz, Marcelo Pereira, Nadia Daian, Pedro Rafael Vilela, Rogério Hilário, Sofia Barbosa. Revisão: Luciana Santos Gonçalves. Distribuição: Felipe Marcelino. Diagramação: Tiago de Macedo Rodrigues. Tiragem: 40 mil exemplares.


? PERGUNTA DA SEMANA

Domingo (5), completam-se dois anos do rompimento da Barragem de Fundão, no município de Mariana, matando 19 pessoas, uma bacia hidrográfica inteira e inúmeros projetos de vida. Até hoje, ninguém foi punido pelo crime e famílias atingidas se queixam da falta de reparações. O Brasil de Fato MG foi às ruas perguntar:

O que você pensa sobre a situação dos atingidos pela lama? Você acredita que o problema será resolvido?

Eu acho um absurdo, pois as pessoas têm de ser ressarcidas, mas precisa de alguém forte pra conseguir entrar na Justiça, para que essas famílias recebam. Pode ser que isso aconteça, mas no longo prazo. A Justiça brasileira se prorroga demais. Luciana Jorge, auxiliar administrativa

As pessoas que têm competência já deviam ter olhado. As pessoas tinham a vida delas com criações, plantações e tudo isso acabou. O poder público não faz nada. Eu vou muito para o lado de Governador Valadares e até as pessoas lá sofrem com falta de água, aquilo é lama pura. Osmira Mendonça, professora

Dica Cultural: já viu O Jovem Marx?

Belo Horizonte, 1 a 9 de novembro de 2017

GERAL

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Declaração da Semana “É a primeira vez que sou impedido de cantar desde a ditadura”

Afirmou Caetano Veloso, após o prefeito de São Bernardo do Campo (SP) ter embargado um show que ele realizaria no acampamento Povo Sem Medo, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), na segunda (30).

Divulgação

Consumo de tâmaras pode ajudar no parto

O fruto da tamareira, palmeira típica da região norte da África, pode ser um aliado das mulheres gestantes no momento do parto. De acordo com a nutricionista Thábata Andrade, a ideia de consumir tâmaras na última fase da gestação vem de uma crendice popular e está registrada em uma passagem do Alcorão, o livro sagrado do Islã, usado pelos muçulmanos. O fruto possui uma substância semelhante à ocitocina, hormônio responsável por promover contrações uterinas, estimular a produção de leite materno e propiciar a sensação de prazer do orgasmo.

115 anos de Drummond O filme O Jovem Karl Marx estreou mundialmente em março deste ano. No entanto, foi boicotado pelos cinemas brasileiros por tratar da vida de um dos maiores pensadores de todos os tempos. Dirigido pelo haitiano Raoul Peck, o longa traz uma parte da história de Karl Marx (August Diehl) e Friederich Engels (Stefan Konarske). Ainda que ambientado no final do século XIX, a obra provoca reflexões atuais sobre o papel dos trabalhadores na luta em defesa de seus direitos. Quem se interessar, acesse goo. gl/iVunLc.

“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. Esse poema é um dos diversos produzidos por Carlos Drummond de Andrade. Se vivo, o mineiro de Itabira faria aniversário no dia 31 de outubro. Além de poeta, Drummond escreveu crônicas, contos e marcou a história da literatura brasileira e do mundo. Ele faleceu em 1987, no Rio de Janeiro.


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CIDADES

Belo Horizonte, 1 a 9 de novembro de 2017

Cinco homens invadem e quebram terreiro de Umbanda em Mário Campos CRIME Agressores ameaçaram ocupantes com armas e destruíram símbolos religiosos Reprodução

Raíssa Lopes

M

ais um caso grave de intolerância religiosa aconteceu na última semana, desta vez contra um terreiro de Umbanda que atende os municípios de São Joaquim de Bicas e Mário Campos, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. De acordo com os relatos das vítimas – que terão suas identidades preservadas na reportagem –, na terça-feira (24), cinco homens armados, entre eles um po-

Policiais orientaram vítimas a não mexer com poderosos

“A situação é muito difícil, a gente não tem mais segurança nenhuma“, afirma Makota Celinha

licial aposentado, teriam invadido uma propriedade na cidade de Mário Campos, onde estão localizados uma residência particular, um lar social e o terreiro “Casa Espírita Império dos Orixás de Nossa Senhora da Conceição e São Jorge Guerreiro”. Lá, eles teriam ofendido e ameaçado os ocupantes, assim como destruído objetos

que fazem parte dos cultos religiosos de matriz africana. Não satisfeitos, eles teriam retornado ao local na quarta-feira (25) e também nesta segunda (30) para acabar com o que restava do lugar. Quem detalha a situação é Makota Celinha, diretora do Centro Nacional de Afri-

canidade e Resistência Afro -Brasileira (Cenarab), que é quem está auxiliando as pessoas atingidas e quem pressiona as autoridades para que o caso seja tratado de forma eficiente. “Eles chamaram a polícia, mas nada foi feito. Pelo contrário, os policiais orientaram as vítimas para que não

mexessem com ‘homens perigosos e poderosos’. Os agressores gritavam dizendo que naquela região não ia ter mais macumbeiro e que começariam a construção de uma igreja protestante”, conta Makota. De acordo com ela, os moradores estão amedrontados e por receio não retornaram à casa. “A situação é muito difícil, a gente não tem mais segurança nenhuma. O Estado é omisso, e como acreditar na polícia e na Justiça?”, questiona. A denúncia foi formalizada na Secretaria de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania (Sedpac) de Minas Gerais. Segundo a subsecretária de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Cleide Hilda, os fatos já estão sendo analisados pela ouvidoria.

Lacerda é denunciado pelo MPC

PBH ATIVOS Vereadores solicitaram presença de procurador em CPI

Valter Campanato / Agência Brasil

Wallace Oliveira

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Ministério Público de Contas (MPC) de Minas Gerais denunciou o ex -prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB). O procurador Marcílio Barenco Corrêa de Mello protocolou junto ao Tribunal de Contas do Estado uma representação sobre as atividades da PBH Ativos S/A, empresa criada no mandato do ex-prefeito. A representação atende a pedido feito pela economista Eulália Alvarenga em setembro 2016. No documento, o procurador cita Lacerda, o município de Belo Horizonte

e a PBH Ativos S/A como responsáveis por irregularidades. Ele também conclui por medida cautelar, determinando que se suspendam todas as trans-

ferências de bens móveis ou imóveis do município, bem como créditos tributários e não tributários, para a PBH Ativos. Além disso, devem ser interrom-

pidas, segundo a representação, as contratações de servidores sem concurso e outros contratos. A denúncia dá um prazo de 15 dias para que os denunciados apresentem defesa escrita. Desde maio, a PBH Ativos S/A é investigada por uma CPI na Câmara Municipal. O procurador encaminhou a representação ao presidente

Desde maio a PBH Ativos S/A é investigada por CPI na Câmara Municipal

da CPI, vereador Gilson Reis (PC do B). A CPI convocou Marcílio Barenco a depor na segunda-feira (6). “A posição do Ministério Público de Contas converge com o que temos denunciado desde o início, as denúncias que objetivaram a construção da CPI, envolvendo crime de responsabilidade, contra o orçamento público e contra o servidor público. Dizem respeito à transferência de patrimônio, terrenos, recursos orçamentários para especulação financeira, e não contratação de servidores para cumprir função na empresa”, avalia Gilson Reis.


Belo Horizonte, 1 a 9 de novembro de 2017

MINAS

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Opinião

O país oficial, o país real e o Ibope João Paulo Cunha Os brasileiros viveram nos últimos dias em dois mundos paralelos. No planeta oficial, os temas foram a votação que blindou o presidente, a articulação conservadora no Congresso, o leilão entreguista do pré-sal e até a próstata de Temer. Esses assuntos ganharam cobertura intensiva da imprensa familiar. O país parou para acompanhar um balcão de negócios vergonhoso, uma obstrução urinária e dancinhas ridículas. No país real, que pode ser simbolizado pela caravana de Lula por Minas Gerais, os assuntos foram bem mais relevantes. Os temas foram o corte de verbas para a educação, a reforma agrária, os direitos sociais, a desnacionalização dos recursos estratégicos, a preservação ambiental, a supressão de direitos, a convocação de um plebiscito revogatório e a regulação dos meios de comunicação. É claro que sem o mesmo interesse da mídia.

No país real, a crise se aprofunda e as pessoas preferem Lula para presidente A viagem de Lula, quando chegou aos jornais, foi para receber críticas ou ser avaliada como campanha eleitoral antecipada. Deixando o conteúdo de lado, algumas reportagens gastaram tinta para falar da quantidade de fotógrafos, das equipes de preparação e do formato do palanque. Na lógica dos meios de comunicação, quando o ex-presidente abre a boca é para pedir votos. Já Dória, Bolsonaro, Meirelles, Huck e outros menos cotados podem falar asneiras sem pejo. Têm lugar cativo para apresentar suas ideias eleitorais: ração humana, golpe militar, austeridade à custa de

corte de investimentos sociais, financiamento de candidatos aprovados em teste para fascismo, entre tantas outras enormidades. No fim da semana passada, a pesquisa do Ibope cravou que Lula vencia em todas as simulações para 2018, seguido de Bolsonaro, 20 pontos atrás. Outra enquete revelava que Temer era o pior presidente do mundo e que Aécio se desmilinguia levando com ele os candidatos tucanos. Os resultados foram apresentados com discrição e análises cheias de dedos. Querem que a população acredite que o país oficial é real. Não é. No mundo oficial a economia está crescendo, os empregos voltaram e os deputados representam o interesse popular. No país real, a crise se aprofunda, os programas sociais estão sendo dizimados, a imprensa se tornou um partido e os políticos não falam a língua do povo. Por isso não é difícil entender o resultado do Ibope. Na hora da pesquisa, os entrevistados escolhem o país real.

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de assassinatos e Os crescentes índices s mentir. A vida de muita suicídios não deixam is ais, mulheres transexua lésbicas, gays, bissexu sido fácil. E o motivo é e homens trans não tem al com a diversidade sexu simples: a intolerância Vemos reflexo da e identidade de gênero. lho, na família, na discriminação no traba o ng nas escolas, em tod comunidade, no bullyi Governo do Estado lugar e a toda hora. O promovendo o respeito combate a LGBTfobia, s LGBT. Afinal, viver aos direitos das pessoa s. é um direito de todx sem medo e ser feliz nuncie / Disque 100 e depr econceito o e cia lên vio /a BT. LG s oa ss pe / contra

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MINAS

Belo Horizonte, 1 a 9 de novembro de 2017

Caravana foi um sucesso, mas é preciso ir além da pauta eleitoral, avaliam movimentos LULA EM MG Organizações elogiam diálogo com povo, mas defendem necessidade de construir um projeto de nação Ricardo Stuckert

Joana Tavares de Belo Horizonte

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egundo a avaliação dos movimentos populares, se o objetivo da Caravana de Lula por Minas Gerais era ouvir a população e fomentar debates, ela foi bem-sucedida. Dirigentes sociais concordam que percorrer 20 cidades de Minas – passando pelo Vale do Jequitinhonha, Vale do Mucuri, Vale do Aço, do Rio Doce, Norte e região Central – revelou uma forte identificação da população dessas cidades com as políticas sociais colocadas em prática durante os governos Lula e Dilma e também uma indignação crescente com as políticas golpistas atuais. Parlamentares do Partido dos Trabalhadores que acompanharam a caravana também destacam esse elemento como central. “A caravana funciona como um processo de resistência ao golpe que segue acontecendo no Brasil. É preciso fortalecer a resistência, porque a agenda dos neoliberais não parou”, aponta Marília Campos, deputada estadual. O carinho com os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff foi reflexo do reconhecimento pela melhoria das condi-

Caravana representa processo de resistência ao golpe ções de vida, avalia o militante do Levante Popular da Juventude Luiz Paulo Macedo Alves. Além disso, a disposição em viajar pelo país e conhecer a realidade – espe-

Democratizar os meios de comunicação e plebiscito revogatório estão entre propostas apresentadas durante caravana

cialmente dos lugares mais empobrecidos – seria um diferencial em relação aos políticos que escolhem governar a partir de seus gabinetes. “No caso de Minas, temos senadores que não conversam com o povo, e votam de acordo com seus interesses privados. Os deputados federais mineiros, com raras exceções, têm votado tudo contra a classe trabalhadora”, acrescenta Beatriz Cerqueira, presidenta da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais. Referendo e democratização da mídia Além de defender a retomada de um processo de soberania nacional, Lula disse em seus discursos ao longo da caravana que pretende convocar um plebiscito revogatório para anular as medidas de Michel Temer. “Temos que ter autorização do povo, fazer um referendo revogatório para mudar o que eles fizeram”, afirmou no primeiro ato, em Ipatinga, no dia 23. Uma crítica muito forte em relação aos governos petis-

tas é a ausência de um processo de regulação e democratização dos meios de comunicação privados. “Acho que de fato quando a gente esteve no governo não atacou como tinha que atacar o monopólio, a Rede Globo. Democratizar a comunicação é algo

Para além de eleições é preciso maior diálogo com sociedade central para o próximo governo”, reconhece o senador Lindbergh Farias. Além desses dois temas – que todos concordam que são centrais em um possível governo petista em 2019 – os movimentos citam ainda diversas outras pautas, como uma reforma fiscal que reverta a desigualdade social e uma Assembleia Constituinte, para a mudança do sistema político.

a candidatura de Lula e sua eleição em 2018. No entanto, reforçam que apenas isso não é suficiente para enfrentar o contexto de golpe no Brasil. O elemento mais destacado para isso é a organização e mobilização popular. “O golpe também ocorreu porque nós falhamos em não colocar na nossa estratégia a capacidade de reação do povo. Veja o exemplo da Venezuela, com um gover-

Lula defende revogação de medidas do governo Temer

no que foi capaz de enfrentar o imperialismo e fazer democracia direta”, pontua o deputado estadual Rogério Correia. Soniamara Maranho, da coordenação do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), avalia que a caravaPara além das eleições na sinalizou para a necessiOs entrevistados destacam dade de voltar ao trabalho a necessidade de defender de base. “Essa é nossa tarefa

como movimentos populares, ajudar a construir o debate de um projeto para o Brasil”, afirma. Ela entende que não adianta mais apenas eleger um governo progressista. “É preciso força social”. A necessidade de conversar com as pessoas e insistir para um posicionamento frente ao cenário político é destacada também por Jessy Dayane, vice-presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE). “Acho que a caravana e a Frente Brasil Popular têm construído estímulos para que o povo se posicione denunciando o golpe, os retrocessos, que não é um ataque a Lula, é um ataque a um projeto”, pontua. Programa Ênio Bohnenberger, da direção do MST, sentencia: “A sociedade brasileira, os movimentos e o PT têm que entender que a vida não se resume a eleições. É uma parte importante do processo democrático, mas é uma parcela pequena da democracia brasileira”, afirma. Ele cita o processo de construção de um programa que tem sido feito pela Frente Brasil Popular – que reúne dezenas de organizações e partidos do Brasil – como um esforço necessário e que precisa se ampliar. Todos também sublinham a necessidade de caminhar juntos. “É importante que após a eleição a gente consiga manter a unidade e garantir que as mudanças sejam efetivadas”, conclui Luiz Paulo, do Levante Popular da Juventude.


Larissa Helena / A Sirene

ESPECIAL

TRAGÉDIA DE MARIANA 2 anos depois, o que (não) aconteceu? Minas Gerais

Belo Horizonte, novembro de 2017 • brasildefato.com.br • distribuição gratuita

Rompimento da Barragem de Fundão (Samarco/Vale/BHP Billiton) 640 km de cursos d’água e 200 km de litoral contaminado 22 pessoas e 4 empresas denunciadas pelo MPF Nenhum preso ou condenado 40 bilhões de litros de rejeitos 19 mortos, 1 aborto forçado 41 municípios atingidos 14 toneladas de peixes mortos 1 milhão de atingidos Nenhum reassentamento Fonte: MAB


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ESPECIAL

Belo Horizonte, novembro de 2017

Dois anos sendo atingido HISTÓRIAS Depoimentos de quem vive na Bacia demonstram que a tragédia não para de acontecer Larissa Helena / A Sirene

Rafael Drummond/ Jornal A Sirene

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á dois anos, o dia 5 de novembro marcaria a vida de milhares de pessoas que vivem ao longo da Bacia do Rio Doce. No primeiro momento, a avalanche de lama destruiu comunidades de Mariana e Barra Longa, tirou a vida de 19 pessoas e seguiu um curso de contaminação de mais 650 km até o Espírito Santo. Em Mariana, moradores de Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo e outras comunidades rurais foram obrigados a se Larissa Helena / A Sirene

“Imaginava um futuro bem diferente” Desde o início, não foi fácil. Quando a gente chegou aqui em Mariana, as pessoas foram muito solidárias, mas, com o passar do tempo, alguns começaram a nos criticar falando que a empresa não voltava por culpa dos atingidos. Pessoas já falaram que estamos nadando em dinheiro. Agora, eu me pergunto: que dinheiro? Ser um jovem atingido é perder os sonhos. Antes eu imaginava um futuro bem diferente. A gente na cidade tem que criar responsabilidade muito cedo, tomar bastante cuidado com o que está por vir. Fico muitos dias sem ver meus amigos, antes os via todos os dias. Hoje eu nem sei onde alguns moram. Júlio César Salgado, atingido de Bento Rodrigues

deslocar para a sede da cidade – onde vivem, desde então, em moradias provisórias. Lá, viram a dor aguda dos primeiros dias pós-rompimento ser substituída por um sofrimento crônico, uma angústia constante e uma saudade que não para de crescer. Hoje, os atingidos de Mariana seguem sem indenização definitiva, lutando pelo reconhecimento de direitos emergenciais. Vivem, continuamente, o rompimento da barragem. Na prática, estão aprendendo a ser atingidos – um saber indesejado e neces-

Larissa Helena / A Sirene

“Atingido é aquele cuja vida a lama sujou”

sário. Brigam na Justiça para que sejam indenizados dentro de diretrizes determinadas por seus modos de vida, compatível ao sofrimento e às perdas que somente eles sabem medir. Em meio à dor, lutam para que a lama de Fundão não arraste no tempo a vida secular de suas comu-

Dor aguda dos primeiros dias virou sofrimento crônico Wandeir Campos / A Sirene

“Vale a pena pensar alguma coisa pro futuro?”

Um dia, o engenheiro da Samarco me ligou pra ir lá em casa ver o que tinha acontecido onde eu morava. Chegou lá, ele começou a menosprezar, dizendo que era pouca lama, que tinha sujado pouco. Eu saí de lá com o astral baixo, aborrecido, porque se você olhasse, sim, era pouca lama, mas o estrago que ela tinha feito na minha vida, era imenso. A Samarco tá medindo o tanto que a pessoa é atingida de acordo com o quanto a lama sujou o que ele tem. Só que não é assim. Atingido é aquele que a lama sujou a vida. E, nesse sentido, eu tô afogado na lama.

A minha vida está totalmente parada. Sonhos, projetos, expectativas de um amanhã… Agora, que eu tô vendo que já não estou tão jovem, me pergunto: o que eu quero, de verdade, pra minha vida? O que eu quero fazer agora? Vale a pena pensar alguma coisa pro futuro? Quando isso tudo aconteceu, eu já tinha minha vida engatilhada. Eu já tinha meus projetos todos programados. Isso veio e bagunçou minha cabeça todinha. Hoje eu não posso sonhar, não posso programar… Eu fico correndo atrás de tudo, procuro me informar para não errar. Eu tô tipo um trânsito, onde alguém tenta atravessar, eu fico cercando um monte de carro. Já vivi até conflitos familiares. Parei para escutar, pois as coisas acontecem rápido e não sei qual consequência virá.

Marino D’Angelo, Paracatu de Cima

Luzia Queiroz, atingida de Paracatu de Baixo


Belo Horizonte, novembro 2017

ESPECIAL

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Atingidos de Mariana dizem “não” a cadastro da Samarco PREJUÍZO Questionário aplicado a 23 mil pessoas tinha equívocos e famílias conquistaram na Justiça o direito de reformulá-lo Lucas Bois

Rafaella Dotta

A

empresa Samarco divulga, em suas peças publicitárias, o cadastramento de 23 mil famílias e indivíduos ao longo da Bacia do Rio Doce. O cadastro tem a função de mapear os bens materiais e imateriais perdidos com o rompimento da barragem de Fundão, há dois anos, pelos quais a mineradora terá que pagar. Mas o método não está resolvendo. Ao contrário, pode se transformar no motor de mais injustiças, segundo atingidos. A mineradora começou a realizar cadastros logo após o rompimento da barragem, através de empresas terceirizadas. Em março de 2016, a Samarco criou a Fundação Renova, controlada por ela, Vale e BHP Billiton, que assumiu os trabalhos referentes à reparação e indenização dos atingidos, inclusive o Cadastro Integrado. Perguntas que excluem O Grupo de Estudos em Temáticas Ambientais (GESTA) da UFMG estudou o cadastro e elaborou um parecer com os principais problemas. Um deles seria que perguntas e opções de resposta se voltam a uma lógica urbana, impossibilitando que um trabalhador rural descreva corretamente suas perdas. Outro seria a orientação “patrimonialista”, ou seja, que mede as propriedades perdidas, mas não as perdas sentimentais, culturais e sociais. Maloca ou barraco? As famílias da cidade de Mariana passaram a

colas, etc.), perdas imateriais e danos morais, e metodologia de aplicação e quem poderá responder o cadastro. O último ponto pode ser um dos balizadores para um acesso justo à indenização, segundo Ana Paula Alves, assessora técnica da Cáritas Brasileira regional Minas Gerais. “O primeiro direito a ser garantido é de a pessoa poder fazer o cadastro, porque só poderá receber indenização quem

está cadastrado”, explica Ana Paula. Em todo o restante da Bacia, a decisão de quem poderia responder ao questionário ficou com a própria Samarco. Essa situação pode ter enxugado o número de pessoas que poderiam requerer a reparação. Em Mariana, os atingidos conquistaram o direito ao cadastro amplo em 5 de outubro, no âmbito de uma ação civil pública.

Daqui em diante ser a principal resistência ao questionário aplicado pela Samarco e empresas contratadas por ela. Luzia Nazaré é uma das atingidas da comissão composta por 8 comunidades da região e lembra que no ca-

Samarco decide quem pode responder ao questionário no restante da Bacia dastro original existiam absurdos como o mapeamento de pés de açaí, que não é próprio da região, e a indução ao erro na questão sobre moradia. A Fundação Renova responde que “o fundamento das críticas [ao cadastro] assenta-se em uma premissa equivocada, pois o cadastro não é a única ferramenta de levantamento de informações utilizada”. Afirma ainda que 90% das demandas dos atin-

gidos foram incorporadas. Atingidos não confirmam a informação, que ainda está sob análise. Vitórias Os atingidos conseguiram na Justiça, em outubro de 2016, o direito de suspender a aplicação do cadastro em Mariana. A partir de então, a Comissão passou por seis meses de trabalhos e reuniões intensas para reformular o cadastro, bem como elaborar novos instrumentos para levantar dados, com metodologias participativas. O objetivo foi garantir o direito do atingido falar sobre suas perdas. “Foi uma guerra. Várias vezes os atingidos passavam mal porque víamos que a Samarco tratava nossa propriedade como lixo”, comenta Luzia, lembrando de quando ela própria passou por isso. O cadastro passará a ser feito em cinco eixos: perdas materiais, atividades econômicas, bens coletivos perdidos (igreja, es-

Os atingidos conquistaram também, em audiência judicial de 18 de outubro, o direito de que o cadastro seja aplicado por quem faz sua assessoria técnica, a Cáritas, acompanhada de um técnico operacional da Renova, que não poderá interferir na aplicação. A expectativa é que os trabalhos comecem no início de 2018. Segundo a Cáritas, em Mariana há aproximadamente 900 famílias a serem cadastradas.

Famílias organizadas podem garantir melhores indenizações A militante do Movimento de Atingidos por Barragem Letícia Oliveira explica que a organização das famílias é uma das poucas garantias que os atingidos podem ter. “Há muitos acordos já conquistados, mas a empresa continuará abordando as famílias com propostas diferentes, mais rebaixadas. Se a família não está organizada, não tem a informação dos acordos e pode ficar prejudicada”, alerta.

EXPEDIENTE Esta edição especial é uma produção do Brasil de Fato MG Contatos: (31) 3309 3314 / 3213 3983 / redacaomg@brasildefato.com.br


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ESPECIAL

Belo Horizonte, novembro de 2017

Fundação da Samarco fala de “impactados”, mas atingidos criticam o termo CRIME Conceito foi adotado a partir de acordo entre empresa e governos, sem participação dos atingidos Nilmar Lage

Wallace Oliveira

N

o ano passado, as empresas responsáveis pela barragem de Fundão assinaram um acordo com o poder público, sem a participação dos atingidos, prevendo medidas para reparar ou compensar os danos. Para definir o foco das ações, adotaram o conceito de “impactados”. Segundo os atingidos, tal medida é uma forma de tentar diminuir a gravidade do que ocorreu e nega uma reivindicação histórica das vítimas da mineração. Atingidos ou impactados? No início de 2016, as empresas responsáveis pelo rompimento da barragem assinaram um Termo de Transação de Ajustamento de Conduta (TTAC) com os governos federal, de Minas e Espírito Santo, além de institutos e agências de regulação ambiental. À época, o acordo foi muito criticado por movimentos, que o consideraram uma negociação entre as empresas e governos, com metodologia própria da Samarco, feita pelo interesse da mineradora (documento disponível em: goo.gl/Q7YbzK). Do TTAC surgiu a Fundação Renova, entidade vinculada à Samarco, cuja finalidade seria restabelecer as comunidades ou compensar as perdas. O documento também definiu como foco das ações os “impactados”, isto é, “pessoas físicas ou jurídicas e respectivas comunidades, que tenham sido diretamente afetadas pelo evento”. E listou, na sequência, um conjunto de situações como a perda de familiares, bens, capacidade pro-

Termo ‘atingido’ indica que são vítimas de grandes projetos”

João Banana mora em Paracatu de Baixo e é um dos milhares de atingidos pela lama da Samarco

dutiva, assim como danos à saúde e outros. Também foram definidos os “indiretamente impactados”, ou seja, aquelas pessoas que “residam ou venham a residir na área de abrangência e que sofram limitação no exercício dos seus direitos fundamentais”. Consultada pela reporta-

Querem que acreditemos que foi acidente, mas foi crime” gem no último mês, a Renova defendeu “que não se faz necessário o cadastramento, por meio do Cadastro Integrado, de todos os grupos especificados no conceito de atingidos, especialmente aqueles cuja reparação deve ser feita por meio de ações coletivas” e que “o cadastro não é a única ferramenta de levantamento de informações utilizada pela Fundação”. Críticas A definição de “impac-

tados”, por outro lado, recebeu muitas críticas de movimentos e moradores. “O termo ‘atingido’ indica que são vítimas de grandes projetos que têm suas vidas transformadas de forma negativa. Ao se chamarem de atingidos, elas se tornam sujeitos políticos”, afirma Thiago Alves. Ele acrescenta que, se aceitasse esse termo, a empresa reconheceria seu conteúdo e, portanto, a opção por outro conceito tem uma intenção política clara. “Além disso, não existe impactado direto ou indireto. Há diferentes impactos. Seja o impacto da lama que destruiu a casa, da lama que matou um atingido, da lama no mar que atrapalha a pesca, o surf. Para cada impacto, uma resposta. Mas esses diferentes impactos atuam no sujeito, na pessoa. Não existe pessoa direta ou indireta. O impacto é múltiplo, mas o sujeito é o que nos interessa. E o sujeito é o atingido”, conclui. Não foi acidente Para atingidos, tratá-los como “impactados” é uma forma de minorar o que aconteceu. “Eles [as empre-

sas] não aceitam como crime. Querem que a gente acredite que é um acidente, mas não é. É crime”, comenta Odete Cassiano, aposentada, moradora de Barra Longa. A lama da barragem

chegou a seu quintal, subiu sete metros no primeiro andar da casa, arrastou o pomar, objetos que estavam no porão e a horta. Agora, o principal efeito se dá na saúde dos pais idosos. “Eles sofrem muito com a poeira da lama, sempre vamos para a UPA, com tosse, alergia na pele, nos olhos. A lama ficou, está estacionada aqui perto, e a gente sofre”, conta.

Mineradoras não pagam ICMS Em 1996, o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) aprovou a Lei Complementar 87/1996. Conhecida como Lei Kandir, a norma isentou empresas que exportam bens primários e industriais semielaborados de pagarem o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Recursos do imposto, que seriam repassados a estados e municípios, tornaramse créditos concedidos a essas empresas. Entre as principais beneficiárias da Lei Kandir, as mineradoras respondem por cerca de 4% do PIB brasileiro e 8% do PIB de Minas Gerais, que é o principal estado produtor mineral do país. Segundo dados do governo estadual, durante a vigência da lei, Minas Gerais deixou de arrecadar ao menos R$ 135 bilhões com ICMS, sendo que 25% desse valor (R$ 33,61 bilhões) poderiam ter ido para os municípios mineiros. “Mineradoras só pagam a CFEM, que tem uma alíquota muito baixa sobre receita líquida [3% para alumínio, manganês, sal-gema e potássio e 2% para ferro, fertilizante, carvão e outras substâncias]. Ora, na receita líquida, as mineradoras usam preços de transferência. Então, imposto de renda e outros valores não chegam”, comenta a economista Eulália Alvarenga, integrante da Justiça Fiscal na América Latina e Caribe.


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BRASIL

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Leilão favoreceu empresas estrangeiras PRÉ-SAL Preços baixos, isenção fiscal e não participação integral da Petrobras foram alguns dos benefícios a multinacionais Renato Moreira /Agência Petrobras

Da redação

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rês dos quatro campos de exploração do pré-sal brasileiro foram leiloados na última sexta (27). Com duas rodadas, o governo Temer arrecadou R$ 6,15 bilhões, valor que corresponde a apenas 79% da receita esperada. A empresa com a maior participação foi a Shell, que levou três blocos. Nos últimos leilões participaram 16 multinacionais, entre elas três gigantes do Estados Unidos: Chevron, Exxon Mobil e British Petroleum, que juntas faturaram cerca de R$ 5,4 bilhões no segundo trimestre deste ano. O leilão foi marcado por disputa judicial. O juiz Ri-

cardo Sales, da 3ª Vara Federal Cível da Justiça Federal do Amazonas, havia paralisado a 2ª e a 3ª Rodada de Partilha da Produção, organizada pela ANP. No entanto, no mesmo dia, a Advocacia Geral da União (AGU) entrou com um recurso e conseguiu anular a decisão. A ação do juiz contra os leilões foi baseada na existência do risco de prejuízo ao patri-

mônio público, já que o lance inicial do contrato era considerado baixo, e não previa a obrigação de que a Petrobras deveria ser a única operadora do pré-sal ou que a empresa participaria com, no mínimo, 30% de atividade em cada campo de exploração. Para o coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria, a liminar do juiz do Amazonas

foi um avanço, mas a maioria das autoridades se mostram coniventes com a entrega do patrimônio nacional.

Valor arrecadado corresponde a apenas 79% do esperado Entenda os leilões As duas últimas rodadas funcionaram no modelo de partilha. Ganha quem oferece uma maior porcentagem sobre o valor de venda. Algumas dessas gigantes do ramo petrolífero já apostaram na exploração do petróleo brasileiro, mas abandonaram os campos por dificul-

dades na extração. Desta vez, o que trouxe novamente o interesse delas foi o alto rendimento já comprovado das reservas do pré-sal, além de algumas benesses entregues pelo presidente não eleito Michel Temer. José Maria afirma que o governo entregou o óleo às multinacionais por menos de R$ 0,01 o litro. Essa política se soma à Medida Provisória (MP) 795, que dá isenções tributárias para multinacionais importarem plataformas e outros equipamentos – o que acaba com a política de conteúdo local. “Nossa soberania está indo para o ralo, junto com nossos empregos e o desenvolvimento do país”, declarou o petroleiro.

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NOVELA Novela expõe relacionamento abusivo

Amiga da Saúde Oi Amiga, não posso usar anticoncepcionais porque tenho problema de coagulação do sangue. Sempre uso o coito interrompido e deu certo, mas todos dizem que é perigoso engravidar. É isso mesmo? Lucimara, 29 anos, artesã

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esde quando estreou a novela “O outro lado do Paraíso”, chama atenção as diversas cenas que mostram a forma abusiva como Gael (Sérgio Guizé) tratava a sua namorada e agora esposa Clara (Bianca Bin). No espectador, causou forte impacto a cena de estupro, em que Gael violenta a sua esposa, na noite de núpcias, exibida na semana de estreia do folhetim. Mas existe estupro dentro do casamento? Sim, existe, quando a mulher é forçada a manter relação sexual. O estupro marital é reconhecido pela Lei 10.015 de 2009. Um crime comum em relacionamentos abusivos, que precisa ser denunciado. O autor da novela, Walcyr Carrasco, promete aprofundar essa discussão na trama, como escreveu em seu twitter: “Amigos, relaEstamos em novos cionamento abusivo existe. O tema nunca foi debatido como vou detempos. É hora de bater agora.” E o autor complea mulher dizer: menta: “Existe uma ideia geral de

É isso mesmo, Lucimara. O risco de engravidar com a prática do coito interrompido é grande. É assim porque, mesmo antes de o homem ejacular, ele libera um líquido lubrificante que já contém espermatozoides (células reprodutoras masculinas). O coito interrompido reduz as chances de a gravidez acontecer, uma vez que a mulher recebe menos espermatozoides que quando o homem ejacula dentro dela. Porém, como o risco é grande, muitos

profissionais nem consideram o coito interrompido como método anticoncepcional. Além do mais, ele também não previne as doenças sexualmente transmissíveis e pode gerar muita ansiedade no casal pelo risco de não conseguirem retirar o pênis no momento correto. Mais indicado para quem não quer ou não pode usar hormônios é a camisinha. Ela é mais segura, mais saudável e é distribuída gratuitamente pelo SUS.

Sofia Barbosa é enfermeira do Sistema Único de Saúde I Coren MG 159621-Enf. Mande sua dúvida: amigadasaude@brasildefato.com.br

Nossos direitos

‘Eu não aceito isso‘

que a mulher é obrigada a fazer tudo o que o homem quer, principalmente quando casada. Ela é obrigada a servir sexualmente o homem. Nós estamos em novos tempos. É hora de a mulher se colocar, e dizer ‘Eu não aceito isso’’. Outra cena protagonizada pelo casal foi a do espancamento de Clara por Gael, motivado por ciúmes, que termina com a mocinha caindo escada abaixo. O realismo das cenas impressionou quem assistiu. Preocupado, o marido a leva ao hospital com o braço deslocado. O médico Renato (Rafael Cardoso), ao atendê-la, percebe o espancamento e insiste que ela faça uma denúncia à polícia, citando inclusive a Lei Maria da Penha. Ao final desse capítulo, foi exibida a seguinte mensagem: “Violência contra a mulher é crime. Denuncie!”. De acordo com um estudo da ONU, três de cada cinco mulheres já foram vítimas de relacionamentos abusivos, números que impressionam e afirmam a necessidade de trazer esse tema, mais uma vez, para a telinha. Aguardemos os próximos capítulos e que essa dura realidade vivida por Clara na novela e tão presente em nossa sociedade seja superada. Fiquemos atentos! Um abraço *Felipe Marcelino é professor de filosofia.

Furtos nos estacionamentos Muitas vezes chegamos a estacionamentos de shoppings ou supermercados e deparamos com uma placa dizendo: “Este estabelecimento não se responsabiliza por danos causados a veículos ou pertences nele deixados”. Nestes casos o cliente nem imagina que está diante de uma prática abusiva e lesiva do direito do consumidor. Mesmo o estacionamento sendo gratuito, o proprietário tem a responsabilidade legal de fornecer segurança ao serviço de estacionamento que está oferecen-

do. Isto porque, indireta ou diretamente ele acaba embutindo o custo do estacionamento no valor dos produtos ou serviços que prestam. Portanto o dono do estabelecimento deve arcar com a responsabilidade de fornecer a segurança aos seus clientes O fato de ele estar advertindo não o exime de sua responsabilidade. Caso ocorra uma perda ou lesão no veículo, o consumidor deverá informar a administração do estabelecimento e realizar um boletim de ocorrência para ser ressarcido de qualquer dano.

Adília Sozzi é advogada da Rede Nacional de Advogados Populares – RENAP


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www.malvados.com.br

Dicas Mastigadas Molho de jabuticaba

Preencha os espaços vazios com algarismos de 1 a 9. Os algarismos não podem se repetir nas linhas verticais e horizontais, nem nos quadrados menores (3x3). www.coquetel.com.br

© Revistas COQUETEL

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Solução

Ingredientes • • • • •

180 g jabuticaba 170 ml água 100 ml iogurte desnatado 1 colher de sopa de mel Sal a gosto

Modo de Preparo 1. Colocar as jabuticabas e a água em uma panela e cozinhar em fogo alto por 15 minutos; 2. Peneirar a jabuticaba para retirar os caroços e aproveitar as cascas; 3. Bater no liquidificador a calda com as cascas, o iogurte, o mel e o sal por um minuto.

O molho pode ser usado em carnes e saladas.

Participe enviando sugestões para receita@brasildefato.com.br.


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Vem aí o Co-fluir: encontro de fotografia de rua BELO HORIZONTE Fotógrafos buscam arrecadar 27 mil reais para realizar a programação, que conta com exposições e saídas fotográficas Gustavo Minas Aline Frazão

Um momento propício para o diálogo”, conta. Segundo Gustavo, existem poucos festivais de fotografia de rua e esse pode ser um dos únicos do Brasil.

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ias e noites de intensa produção, reuniões, estudos, além de incessantes pedidos de apoio financeiro a amigos, parentes e conhecidos. O coletivo de fotógrafos precisa atingir uma meta de 27 mil reais para viabilizar as propostas do Co-fluir, encontro de fotografia de rua que será realizado em Belo Horizonte, entre os dias 15 e 19 de novembro. A programação conta com debates, oficinas, saídas fo-

Integrantes de 8 a 78 anos integram orquestra de viola

tográficas, exposições, colagem de lambe-lambe, feira aberta e uma festa de encerramento. A maior parte é gratuita e será realizada no Espaço Comum Luiz Estrela, no bairro Santa Efigênia. As oficinas acontecem na Casa do Jornalista, no Centro. Dentre os convidados, o R.U.A Foto Coletivo, que

dará uma oficina exclusivamente voltada para os moradores das Ocupações da Izidora; o Mamana Foto Coletivo, formado por mulheres, Gustavo Minas e outros fotógrafos e fotógrafas da nova geração. Fotografia de rua Gustavo Miranda, mem-

bro do Co-fluir, explica que o projeto nasceu para tentar dar visibilidade a um dos nichos mais antigos da área fotográfica, a fotografia feita no ambiente urbano. “Uma das coisas que motivou o evento é o compromisso do fotógrafo de retornar para a rua, o lugar que dá a ele sua matéria prima.

Financiamento coletivo A poucas semanas do encontro, faltam aproximadamente R$ 20 mil para que o coletivo consiga bater a meta. É possível apoiar o projeto com valores a partir de R$ 10, que incluem recompensas, que vão desde fotografias assinadas por fotógrafos de rua, eco-bags, até a prestação de serviços fotográficos para fins diversos. Até sexta (3), as contribuições podem ser feitas no link goo.gl/EuJxjZ.

A Congada em Uberlândia: uma celebração de 141 anos CONSCIÊNCIA NEGRA Tradição e fé se misturam na festa em homenagem a Nossa Senhora do Rosário e a São Benedito Luiz Fellipe Fagaraz

Luiz Fellippe Fagaraz e Núbia Tortelli Mendonça

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este ano, as festividades, consideradas Patrimônio Imaterial do município há nove anos, reuniram cerca de 20 mil pessoas. Elas começam em agosto, com as campanhas e ensaios visando à preparação de uma grande festa, realizada no segundo domingo de outubro. Os participantes da Congada são divididos em grupos chamados de ternos. Em Uberlândia, existem cerca de 25 ternos, que se organizam de formas distintas. Os gru-

pos de Congo, por exemplo, celebram os santos de forma bem alegre e animada, já os de Catupés reforçam em seus cantos críticas sociais, e ainda há os grupos de Marinheiros, que reali-

zam os trança-fitas, e os de Moçambique. Iara Aparecida Ferreira, integrante da Moçambique Estrela Guia, disse se sentir honrada, assim como os demais participantes de seu gru-

po, em participar da Festa da Congada. Ela destaca o fato de que o Largo da Igreja do Rosário, onde há 101 anos é realizada a apresentação dos ternos, foi escolhido pelos fazendeiros à época por estar localizado no fim da cidade. Porém, com o passar dos anos, a área urbana expandiu muito, fazendo com que este local virasse a região central. Iara cita ainda a importância do evento para o turismo de Uberlândia: “Vários hotéis ficam lotados, várias pessoas vêm até de outros países para assistir a essa festa que é uma das maiores de cultura popular no Brasil”, destaca.

Filmes dos países gelados Você já assistiu a filmes da Noruega, Suécia, Finlândia ou da Dinamarca? A Mostra de Cinema Nórdico, que acontece no SESC Palladium, em BH, traz 14 dos melhores filmes desses países, segundo a organização do evento. São documentários, dramas e comédias. De 7 a 19 de novembro, com entrada gratuita. Avenida Augusto de Lima, 420.


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Divulgação

ESPORTE

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Curto e Grosso

Pode comemorar, que a Fifa reconheceu Atletas de UDI brilham em SP Nos dias 28 e 29 de outubro, aconteceu em São Paulo a última etapa nacional do Circuito Loterias Caixa Paralímpico de Atletismo, Halterofilismo e Natação. Uberlândia enviou 83 representantes para o torneio, entre atletas, treinadores e auxiliares. Destaque para a equipe de halterofilismo da Fundação Uberlandense do Turismo, Esporte e Lazer – Futel, que conquistou o bicampeonato. A cidade faturou outras 50 medalhas, contando com atletas das associações Aparu, Virtus, CDDU, Apuv e outras.

Fabrício Farias Salve, salve, meu povo! Olha, após estampar as manchetes dos jornais com seus casos de corrupção e otras cositas mas, na última semana, a Fifa voltou a ser notícia, ao anunciar que reconhece os vencedores da Copa Intercontinental como campeões mundiais. Quem acompanhou futebol nos anos 80 e 90 se lembra bem daqueles confrontos entre o campeão da Libertadores e o campeão europeu e, claro, os clubes brasileiros que venceram aquela competição: Santos (anos 60), Grêmio, Flamengo e São Paulo. Todos se sentiram verdadeiros campeões mundiais quando bateram os europeus, em jogo único realizado no Japão. A dúvida passou a existir quando, nos anos 2000, a Fifa criou seu próprio mundial e, assim, reconheceu apenas os campeões de seu torneio. Agora, será mesmo que o tal reconhecimento de uma en-

tidade pra lá de corrupta tem mesmo importância para o sentimento dos torcedores ou jogadores em relação a um título? No Brasil, muitas vezes, tentamos diminuir ou valorizar um título do passado a partir do que seria seu equivalente nos tempos atuais. Assim, ser campeão da Taça Brasil não vale nada, se não for equivalente ao Campeonato Brasileiro. Ser decacampeão mineiro não vale nada porque foi ganho em um período de amadorismo ou, então, ser campeão do gelo não vale nada porque não existe tal competição nos dias de hoje. Ora, se a paixão pelo futebol passa de geração para geração, devemos valorizar a conquista pelo que ela representou em sua própria época, e não pelo que pode valer nos tempos atuais. Cada conquista ajudou a construir a trajetória de um clube ao longo da história. Por essas e outras, entidades como Fifa e CBF erram até quando querem acertar. Anúncio


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Mineirão recebe clássico de futebol americano

ESPORTES

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DECLARAÇÃO DA SEMANA

EWC Divulgação

“Vocês vão perder o campeonato para o Palmeiras. Aí, sabe quem vai aguentar? Eu que vou aguentar. No meu condomínio os caras vão dizer: ‘Aí, chupa, Neto”

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o dia 16 de dezembro, o Gigante da Pampulha vai receber uma partida de futebol americano, entre Brasil e Argentina. Foi o que anunciou, em entrevista coletiva na última semana, a Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA). Durante a coletiva, tam-

bém foram divulgados os nomes dos 45 atletas que representarão o Brasil na modalidade, sendo nove deles da equipe mineira do Sada Cruzeiro. O time conquistou, nesta semana, o título da Conferência Sudeste do Brasil Futebol Americano.

Neto, apresentador e ex-ídolo do Corinthians, desesperado com o mau desempenho do time, que rendeu muitos “memes” na internet.

Gol de placa O britânico Lewis Hamilton se sagrou tetracampeão de Fórmula 1, ao final do Grande Prêmio do México. Recordista em vários quesitos na F1, como em pole positions, o piloto vai demorar alcançar o maior campeão da categoria, Michael Schumacher, detentor de sete títulos.

Gol contra No campeonato italiano, a facção fascista da torcida da Lazio usou camisas com a foto de Anne Frank, adolescente vítima do holocausto nazista. Na foto, a jovem vestia uma camisa da Roma. Com a intenção de “insultar” os romanistas, a torcida da Lazio os chama de “judeus”.

Decacampeão

É Galo doido

La Bestia Negra

Bráulio Siffert

Rogério Hilário

Léo Calixto

No empate com o Boa Esporte, em Varginha, o América cometeu erros que não se podem cometer neste momento decisivo: relaxar quando está ganhando jogo fácil, abrir mão da proposta ofensiva, não aproveitar as oportunidades de matar o jogo e não manter Decacampeão atenção na defesa. Se tivesse conseguido a vitória, que escapou aos 49 minutos do segundo tempo, o América estaria bem mais tranquilo na caminhada pelo acesso e novamente na briga pelo título, colado no Inter. Mas também não há razão para desespero: a distância com relação ao quinto colocado ainda é substancial e o Coelho tem plenas condições de mantê-la nos seis jogos faltantes, contra times da parte do meio e de baixo da tabela.

O desempenho oscilante de alguns jogadores e as escalações equivocadas são dramas constantes no Atlético. Contra o Botafogo, no Independência, resgatou-se a incerteza. Afinal, o que está acontecendo com o, teoricamente, melhor elenco do Brasil? Não É Galo doido! bastassem tantas partidas de baixíssimo nível no Brasileirão, os clubes ainda se envolvem com um sem número de competições, sem se estruturar para uma temporada tão exaustiva. E dá-lhe o chavão: priorizar. Renato Gaúcho cansou de fazer isso no Grêmio e sobrou mesmo a Libertadores. O Corinthians que, a priori, só teria o Brasileiro, corre o risco de morrer na praia. Planejamento fica somente na teoria e nas divagações da imprensa.

Existe uma máxima no futebol,Anúncio de que em time que está ganhando não se mexe. Não concordo muito com ela, por acreditar que existem milhares de motivos para uma vitória ou derrota. O que temos de analisar é o contexto e as ações realizadas pela equiLa O Bestia Negra pe de trabalho. presidente eleito Wagner Pires de Sá está montando sua equipe aos poucos e, ao que se vê, não serão as mesmas caras, como havia confirmado durante a campanha. O que a China Azul espera é que a nova gestão se aproxime mais do torcedor e da torcedora celeste, que se preocupe em construir um Cruzeiro forte, com gestão transparente, para que possamos lutar pelos títulos dos torneios que disputaremos, como a Libertadores.

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Edição 209 do Brasil de Fato MG  

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