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Pixabay

BRASIL

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MINAS

Mulheres demitidas depois de ter filhos

Alimento saudável na Serra do Cipó

Pesquisa aponta que 50% das brasileiras são mandadas embora após licença-maternidade. Discriminação acompanha também o período de gestação, segundo estudo da FGV

Feira de produtos sem agrotóxicos faz quatro anos e cidade de Jaboticatubas ganha Armazém Raízes do Campo ainda este ano

Minas Gerais

Reprodução

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Belo Horizonte, 18 a 24 de agosto de 2017 • edição 198 • brasildefato.com.br • distribuição gratuita • facebook.com/brasildefatomg Leandro Barbosa / História Incomum

Funk não é crime

MINAS

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Proposta que configura o funk como “crime de saúde” ganha força no Senado, mesmo o ritmo gerando renda e conquistando gente por todo o país. Para quem ama e vive do gênero, perseguição vai além da música e tem a ver com o racismo que assola as comunidades. Isso também acontece com outras manifestações da periferia, como samba, pagode e capoeira

BRASIL

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CIDADES

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MUNDO

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Distritão: vitória da politicagem

Impactos da Lei Kandir

EUA ameaçam paz no continente

Congresso caminha para aprovar proposta que jogará milhões de votos no lixo, aumentará distância entre representantes e o povo, fortalecerá o personalismo e enfraquecerá partidos ‘

Isenção de ICMS prejudicou estados e municípios. Se for pagar compensação pelos prejuízos, Minas tem direito a pelo menos R$ 135 bi, sendo 25% para as cidades

Trump disse que pode intervir com tropas na Venezuela. Até o Mercosul repudiou a ameaça, que provocará a guerra na América do Sul


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OPINIÃO

Belo Horizonte, 18 a 24 de agosto de 2017

Editorial | Brasil

Qual Venezuela a mídia mostra?

ESPAÇO dos Leitores

“El Diego de la gente” Diego Silveira comenta a declaração da semana, de Diego Maradona “Esse governo fazendo tanta coisa absurda e nós de braços cruzados ainda!” Izabella Lelis comenta a matéria “Cortes do governo Temer ameaçam suspender atividades universitárias no país” “Seguimos em luta pela saúde pública e popular!” Maysa Mathias escreveu sobre a matéria “Em Minas, Escola de Saúde realiza curso com foco em áreas de Reforma Agrária”

Diariamente, a situação da res ou que simplesmente adoVenezuela é noticiada pela te- taram políticas independenlevisão. O problema é que, pela tes. Atualmente, usam de ações mídia empresarial, não se sabe violentas. de forma completa o que ocorO presidente dos EUA, Dore naquele país. nald Trump, tem se declarado Afinal, como é possível co- em tom de ameaça contra a Venhecer a realidade sobre países da América Latina, Ásia e África se o mundo é mostrado pela mídia na ótica de Washington, Não devemos permitir Londres, Buenos Aires e São mais um golpe na Paulo? O que não é mostrado é que América Latina os trabalhadores na Venezuenezuela. O interesse é econômico, pelas riquezas naturais do país. Intervenções estrangeiras são Interesse dos EUA inaceitáveis e nunca resolvena Venezuela é ram o problema dos países. Mas econômico a forma deturpada como os veículos de comunicação emprela apoiam o governo Maduro, sariais analisam outros países eleito democraticamente. Des- incentiva a chance de invasão e de 1998, quando o presidente de conflito militar. Hugo Chávez assumiu, a maioAo povo brasileiro convém luria do povo apoiou um proje- tar com unhas e dentes em deto que erradicou o analfabetis- fesa da Venezuela, pois uma inmo, deu mais acesso à cultura, gerência externa lá abre camiconstruiu moradias populares. nho para a intervenção em ouEste projeto venceu 18 entre 19 tros países, e fere o princípio eleições. básico de respeito à soberania de um povo. Intervenções estrangeiras Depois do golpe em Hondusão inaceitáveis ras (2009), no Paraguai (2012) e Por outro lado, o governo dos no Brasil (2016), agora buscam EUA incentiva oposições em di- interromper o governo popuferentes países, com o objetivo lar da Venezuela. Não podemos de desgastar governos popula- permitir.

Escreva para nós: redacaomg@brasildefato.com.br O jornal Brasil de Fato circula semanalmente com edições regionais, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro, no Paraná e em Pernambuco. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais em nosso país e no nosso estado.

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conselho editorial minas gerais: Adília Sozzi, Adriano Pereira Santos, Adriano Ventura, Beatriz Cerqueira, Bernadete Esperança, Bruno Abreu Gomes, Cida Falabella, Ênio Bohnenberger, Frederico Santana Rick, Gilson Reis, Gustavo Bones, Jairo Nogueira Filho, Joana Tavares, João Paulo Cunha, Joceli Andrioli, José Guilherme Castro, Juarez Guimarães, Marcelo Oliveira Almeida, Maria Júlia Gomes de Andrade, Milton Bicalho, Neila Batista, Nilmário Miranda, Padre Henrique Moura, Padre João, Pereira da Viola, Renan Santos, Rogério Correia, Rosângela Gomes da Costa, Samuel da Silva, Talles Lopes, Temístocles Marcelos, Titane, Wagner Xavier. Editora: Joana Tavares (Mtb 10140/MG). Redação: Amélia Gomes, Larissa Costa, Rafaella Dotta, Raíssa Lopes e Wallace Oliveira. Colaboradores: Alan Tygel, Anna Carolina Azevedo, André Fidusi, Bráulio Siffert, Diego Silveira, Fernanda Costa, João Paulo Cunha, Léo Calixto, Luiz Fellippe Fagaráz, Marcelo Pereira, Nadia Daian, Pedro Rafael Vilela, Rogério Hilário, Sofia Barbosa. Revisão: Luciana Santos Gonçalves. Administração: Vinicius Nolasco. Distribuição: Felipe Marcelino. Diagramação: Tiago de Macedo Rodrigues. Tiragem: 40 mil exemplares.


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Belo Horizonte, 18 a 24 de agosto de 2017

Qual o lado bom de ser solteiro?

“Estar só, estar com você mesmo, não é sempre estar sozinho. O lado bom é poder olhar mais pra si do que para o outro”. Vanessa Dandara, desenhista

“Já namorei cinco anos. É ruim demais. Ser solteiro é poder ser livre, fazer o que você quiser. Uma companhia faz falta, mas vale a pena ficar só também”. Glenderson Pereira, desempregado

Especial: Vai pra Cuba!

Vanessa Martina Silva

Na mesma semana em que o revolucionário Fidel Castro faria 91 anos, em 13 de agosto, o Brasil de Fato lança matérias especiais sobre Cuba. Reportagens contam o cotidiano de quatro cidades da ilha e já começa quebrando preconceitos. Logo que chegou ao aeroporto, a jornalista especial avistou um homem com uma camiseta de apoio ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ela pensou que ele fosse ter problemas para entrar no país, porém, “passou tão facilmente pela imigração como eu”, relata. Veja mais impressões em www.brasildefato.com.br/especiais/especial-vai-pra-cuba/

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Declaração da Semana

PERGUNTA DA SEMANA

Nem todo mundo sabe, mas existe o Dia do Solteiro. Ele foi comemorado na última terça (15) e homenageia aquelas pessoas que não são casadas, noivas e também não têm namorados. Geralmente considerada uma coisa ruim para a sociedade, não ter um relacionamento também pode ser legal e tem suas vantagens.

GERAL

“Eu não tô nem aí. Eu estou dentro da lei e estava recebendo a menos”

Reprodução

Disse o juiz Mirko Vincenzo Giannotte, titular da 6ª Vara de Sinop (MT), que recebeu, em julho R$ 503.928,79 de salário. O magistrado declarou que o valor representa “justa reparação” pelos anos em que deu expediente em comarcas superiores, recebendo subsídios como juiz de primeira instância.

Orgulho lésbico

Agosto é considerado o mês da visibilidade lésbica. Em diversas cidades brasileiras, acontecem manifestações que marcam a luta das mulheres lésbicas por respeito e cidadania. O mês também é marcado pela realizações de debates sobre feminismo, machismo, saúde da mulher lésbica e bissexual e violência. Em Belo Horizonte, a Caminhada das Lésbicas e Bissexuais, que acontece no sábado (26), tem como tema o “O amor entre as mulheres muda o mundo”. O evento é aberto e a concentração é às 16h, na Praça 7, no Centro.

Dicas para uma marmita saudável

Uma alimentação equilibrada depende de escolhas saudáveis. Ao preparar a própria comida, é possível escolher as quantidades de temperos, óleo, sal e gordura. São inúmeras as vantagens da comida feita em casa, mas a correria do dia a dia impede que muitas pessoas consigam cozinhar diariamente. De acordo com a nutricionista Carla Caratin, congelar os alimentos é uma opção prática que resguarda as qualidades nutricionais. Outra dica dada pela profissional é lavar e armazenar os alimentos, como verduras e legumes, em saquinhos individuais com a porção que será consumida no dia. Veja mais dicas no link https://goo.gl/VkHfuU


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CIDADES

Belo Horizonte, 18 a 24 de agosto de 2017

Municípios brigam por impostos perdidos com Lei Kandir ECONOMIA Comissão da Câmara de BH avalia que cidade tem direito a receber milhões Mídia NINJA

Wallace Oliveira

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ma comissão de estudos da Câmara Municipal de Belo Horizonte avalia os impactos da Lei Complementar 87/1996 (Lei Kandir) no município. Segundo a Comissão, cidades mineiras têm direito a receber milhões pelas perdas que a lei causou na arrecadação municipal. Para especialistas, norma provocou retrocessos na economia mineira e expressa um modelo federativo desigual. O tema foi debatido na Câmara na quarta (16), em audiência pública com parlamentares, Advocacia-Geral do Estado (AGE), Associação dos Funcionários Fiscais do Estado de Minas Gerais (AFFEMG) e Conselho Regional de Economia de Minas Gerais (Coren-MG). Efeitos na economia Aprovada no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), a Lei Kandir liberou empresas exportadoras de bens primários e industriais semielaborados de pagarem o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Recursos do imposto repassados a estados e municípios se tornaram créditos concedidos a essas empresas. Na época, o governo alegava que a medida estimularia a competitividade dos produtos brasileiros e, como consequência, a atividade econômica no país. Passados 20 anos, estados estão endividados, o setor industrial encolheu e o país depende cada vez mais da exportação de mercadorias de baixo valor agregado, cujos preços caíram nos últimos anos. “Indiretamente, destruiuse a economia mineira. Minas foi se desindustrializando

de forma gritante”, comentou, durante a audiência, o advogado-geral do Estado, Onofre Alves Batista. Para ele, a Lei Kandir corre na contramão do pacto firmado na Cons-

Minas deixou de arrecadar mais de R$ 135 bilhões com lei Kandir tituição de 1988, que previa tributação sobre produtos semi-industrializados e as commodities. “Isso tem uma razão de ser que é mundial. Se você quiser exportar produto primário, você vai ter de pagar imposto. Este é um esforço claro para que o estado se industrialize”, afirmou. Dívida dos estados O efeito mais visível dessa distorção se dá nas contas dos estados e municípios. Minas Gerais deve à União cerca de R$ 87,2 bilhões. Nos últimos anos, a dívida teve cres-

cimento real de R$ 38,56 bilhões, porque os índices contratados para refinanciamento da dívida aumentaram acima da inflação. Por mês, o estado paga R$ 400 milhões para saldar essa dívida. Em maio, o presidente não eleito Michel Temer (PMDB) sancionou lei que autoriza o parcelamento das dívidas entre estados e União, mas cobra, como contrapartidas, o congelamento de salários, privatizações e limites para a realização de concursos públicos. Por outro lado, desde 1996, quando a Lei Kandir entrou em vigor, Minas Gerais deixou de arrecadar mais de R$ 135,67 bilhões, de acordo com dados da Fundação João Pinheiro. Desse total, 25% (mais de R$ 33 bilhões) poderiam ter ido para cofres municipais. Belo Horizonte perdeu R$ 3,26 bilhões, Betim R$ 2,76 bi, Uberlândia R$ 1,5 bi, e Contagem R$ 1,49 bi, entre outras cidades. Renegociação Em 2003, uma emenda

constitucional (42) previu lei complementar que criaria compensações aos estados e municípios pela renúncia tributária. Em novembro de 2016, o Supremo Tribunal Federal definiu um prazo de 12 meses para que o Congresso regulamente os repasses da União. Se isso ocorresse, com o abatimento dos débitos com a União, Minas ainda passaria da condição de

devedora a credora. “Esse acerto de contas tira estado e municípios da condição de ter que engolir acordos nada republicanos, que são medidas severas que repassam todo o ajuste para a população mais pobre e para o setor público, precarizando os serviços de saúde e educação”, avaliou Lucas Rodrigues Espeschit, representante da AFFEMG. Reprodução

Passarela em Uberlândia divide opiniões Artur Galastri

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ouco usada desde sua inauguração no final de 2012, a passarela da avenida João Naves de Ávila, em Uberlândia, foi reinaugurada no último dia 6. Mesmo tendo decretado calamidade financeira em janeiro deste ano, o mandato do prefeito Odelmo Leão (PP) ordenou a realização das obras em regime de urgência. A reforma custou R$179 mil e foi feita sem licitação. O uso obrigatório da passarela divide a opinião dos pedestres. “Ela aumenta o trajeto, demanda mais tempo e exige um esforço maior do pedestre para sair da estação de ônibus”, afirma o professor Roberto Daud. Já para Alba Nascimento, que trabalha numa loja nas proximidades, a mudança foi positiva: “Foi muito bom porque tem os elevadores para os idosos e a gente também fica mais seguro”. Procurada pela reportagem, até o fechamento desta edição, a Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Uberlândia não se manifestou.


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MINAS

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Opinião

Confederados brasileiros precisam cair João Paulo Cunha Trump parece governar o Brasil do Temer. Além das iniciais e da vaidade antipática, eles ostentam várias semelhanças. Acham que seus países são empresas e os tratam como CEOs tacanhos e insensíveis. Indispõem-se com visões de mundo contrárias às suas, emitindo sinais de uma realidade que só existe nas suas cabeças e de seus partidários mais submissos. Reclamam da imprensa ao mesmo tempo em que criam um arsenal de fatos alternativos para uso próprio. Há mais fatos que unificam a ação dos dois mandatários. Querem interferir na autonomia dos outros países, em nome de uma democracia que não faz o dever de casa. Os dois atacam o sistema público de saúde e consideram segurança uma operação de guerra. E, para completar, convivem com o racismo e o machismo de costas para o mundo civilizado, esvaziando as políticas de igualdade. As tristes coincidências poderiam ser resultado de um momento particularmente preocupante de crise de valores por que passa o mundo. O fortalecimento da direita tem sido traduzido em ações que concentram os ganhos econômicos de forma

Trump e Temer tratam países como empresas cada vez mais extrema, que atacam as políticas de emancipação e estabelecem uma ordem excludente e discriminatória. Trump, no entanto, levou a tal grau esse método que começa a ser rechaçado até em seu próprio terreno, perdendo o apoio de alguns empresários que davam o mínimo de racionalidade à sua alienação. Mas a situação brasileira é grave o bastante para se ocupar de Trump nesse momento. Temos nossos próprios desvarios a superar. Talvez a melhor inspiração legada pela situação americana venha da saudável atitude de destruir monumentos alusivos ao passado escravista. Ao botar abaixo estátuas de generais confederados, que lutaram para manter a escravidão, não se passa a limpo o passado, mas se evidencia o empenho em não eternizar as injustiças.

O Brasil tem vários confederados a derrubar, que certamente serão defendidos por parcela da sociedade saudosa de privilégios e aeroportos vazios. São confederados os que negam o racismo, os que combatem as cotas, os que justificam a violência contra as mulheres. Vestem uniformes de generais escravistas os que querem destruir o SUS e a universidade pública. Os que cortam aumentos do salário mínimo. Os que desejam tornar o BNDES um apêndice do mercado, os que entregam o patrimônio público às multinacionais, os que fragilizam as relações trabalhistas e miram o ataque final à previdência. São confederados os barões da imprensa, com sua ação incivilizada de calar as vozes da pluralidade pela repetição compulsiva do mesmo. É preciso jogar por terra os partidos fisiológicos e os empresários viciados em corromper com dinheiro público. Há ainda a parcela mais daninha dos confederados morais, que jogam contra a humanidade do homem, contra a beleza da diversidade da vida e do desejo, contra a força revolucionária da arte que não pacifica as consciências. Todos ao chão.

Alimentos saudáveis na Serra do Cipó ARMAZÉM Depois do sucesso de feira, agricultores se juntam para organizar um mercado de produtos agroecológicos em Jaboticatubas Rafaella Dotta

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cada duas semanas, a pequena praça de Jaboticatubas, na Serra do Cipó, recebe centenas de alimentos saudáveis. É a Feira Raízes do Campo, com produtos da roça. Quatro anos atrás, 35 famílias agricultoras começaram a se organizar com o objetivo de diminuir atravessadores e aumentar a qualidade do produto que vendiam na cidade. Foram dois anos e mais de 60 reuniões, com o objetivo de fazer algo inovador para Jabó: uma feira de produtos agroecológicos, com alimentos frescos, sem agrotóxicos, a preço justo e produzidos com a valorização de técnicas tradicionais. Hoje, a diferença dos ali-

mentos saudáveis é visível, defende Luiz Felipe Lopes Cunha, da Associação Amanu – Educação, Ecologia e Solidariedade, uma das organizadoras da feira. “Uma alface que você compra na Raízes do Campo não fica murcha na geladeira em três dias. Ela dura até uma semana”, compara. “As pessoas ge-

ralmente consomem produtos que passaram nas mãos de cinco ou mais pessoas. Aqui, recebemos direto do agricultor e por isso é mais fresco e saudável”, explica. Um armazém de “raiz” O sucesso da Feira deu aos agricultores ânimo para construir um local fixo de

vendas. Eles estão reunindo mais de 50 voluntários, entre feirantes e arquitetos, para

Preço acessível é preocupação

Relação direta com produtor garante melhor qualidade do alimento

A produção saudável acaba por encarecer legumes, frutas e produtos - nos mercados convencionais é possível perceber isso no preço dos alimentos orgânicos. Esta foi mais uma preocupação da Feira Raízes do Campo. “Os produtores querem que o alimento saudável chegue a todo mundo, não só ao rico”, afirma Luiz Felipe. Hoje o preço é estabelecido pela média de valor de produtos comuns, não orgânicos.

formular um mercado-espaço cultural, o Armazém Raízes do Campo. Depois de inaugurado, a intenção é que a cooperação continue a ser peça fundamental do armazém. Os produtores devem fazer um revezamento para cuidar do estabelecimento. A expectativa é que o Armazém comece a funcionar até outubro.


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MINAS

Belo Horizonte, 18 a 24 de agosto de 2017

O racismo que persegue o funk e ultrapassa o ritmo PRECONCEITO Gênero musical gera trabalho e renda, mas ainda é tratado como crime Pablo Bernardo

Raíssa Lopes e compararmos a história do funk com a do samba, pagode e até mesmo da capoeira, vemos que o preconceito com o ritmo é racial. Essas manifestações da cultura negra, consequentemente periféricas, eram proibidas. A polícia as perseguiu desde o início”, disse MC Baby, autor da música “Som de Preto”, em uma entrevista concedida ao Brasil de Fato MG em 2015. Já lidando com a realidade de perseguição ao funk, mal sabia ele que, em 2017, a criminalização do ritmo poderia se tornar algo legitimado pela lei. Atualmente, o Senado analisa uma proposta que classifica o funk como “crime de saúde pública à criança, aos adolescentes e à família”. O texto do projeto, que ainda não tem data para ser examinado, associa o gênero musical a de-

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Estado quer condenar favela”, diz ativista

envolvimento com o tráfico. Eles só ouviram um lado. E essa violência tem a ver com a narrativa que fala do negro, do pobre, da periferia como agente do crime. Quando você constrói essa ideia, dá a base para a polícia agir como ela age”, argumenta Leandro. Ele ressalta, ainda, que tudo isso acontece por um “proje-

Bailão da Serra reúne 8 mil pessoas por noite e gera lucro

litos como roubo, uso de drogas e exploração sexual. Um dos motivos para o funk ser alvo de racismo e constantemente vinculado à marginalidade, de acordo com o jornalista Leandro Barbosa, é a mídia. Leandro faz parte de um grupo de cinco pessoas que toca o Observatório da Violência nos Bailes Funk em

Belo Horizonte, iniciativa que começou a funcionar depois do assassinato de um morador do Aglomerado da Serra, que tinha 14 anos e foi morto por estar se divertindo no pancadão. “Quando o episódio aconteceu, os jornais chegaram a falar que era um homem quem tinha morrido, que ele tinha

to de governo e de Estado que quer condenar a favela”. Com o intuito de transformar essa realidade, o observatório tem realizado ações para furar o bloqueio nos meios de comunicação e informar sobre as boas coisas que o funk faz, tanto para quem curte, como para quem produz o batidão. O observatório promove aulões informativos, divulga vídeos com depoimentos de MC’s e organiza dados sobre o assunto.

Que bem o funk faz? Moradora do Aglomerado da Serra e agente cultural, Cristiane de Jesus conta que, na comunidade, o funk é o ritmo que mais conquista adeptos. Nos dias de Baile do Serrão, o maior de BH, cerca de 8 mil pessoas comparecem por noite. A renda gerada paga artista convidado, DJ, equipe e também vai para o bolso de quem lá trabalha, como Cristiane, que vende comida e bebida. Mesmo assim, ela afirma que é cada vez mais difícil conseguir alvará. “Eles dificultam tudo. É uma luta pra legalizar. A gente bate é nessa tecla: funk toca em tudo quanto é lado, mas por que só criminaliza aqui?”, questiona. Nos relatos coletados pelo Observatório, também não são poucas as histórias de sucesso. Uma jovem chamada Aninha, por exemplo, conseguiu pagar implantes de dentes para a mãe com o dinheiro que ganhou com o passinho. O suporte e a disciplina da dança também mudaram suas notas na escola.

Artistas do funk não têm proteção trabalhista D

e acordo com a advogada popular Maíra Neiva Gomes, que também é integrante do Observatório e concluiu uma tese de doutorado sobre a relação entre movimentos culturais e trabalho, tornar os bailes ilegais é outra forma de justificar a ação violenta da Polícia Militar. “Por questões de racismo estrutural, o funk não é re-

Leandro Barbosa / Historia Incomum

conhecido como arte. Consequentemente não é cultura e, não sendo cultura, não é reconhecido como trabalho. Por isso, esses artistas não têm proteção trabalhista e nem do sistema jurídico”, critica.

Vira lei? Para Maíra, o projeto que tramita no Senado fere a

Constituição Federal, especialmente o artigo 215, que garante a todos “o pleno exercício dos direitos culturais”. Por uma questão puramente mercadológica, a advogada acredita que a proposta não deve seguir adiante. “Só não passa porque não é interesse da indústria fonográfica, porque o funk movimenta, gera lucro”, diz.


Acompanhando

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Foto da semana

MINAS

PARTICIPE Viu alguma coisa legal? Algum absurdo? Quer divulgar? Mande sua foto para redacaomg@brasildefato.com.br.

7 Guilherme Cury

Na edição 197... BH recebe VI Congresso da ABGLT ... E agora Travesti será presidenta da associação A paranaense Symmy Larrat foi eleita presidenta da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas Travestis e Transexuais (ABGLT). Esta é a primeira vez que uma travesti ocupa o cargo. Desde 1995, data da criação da entidade, apenas homens gays haviam ocupado a presidência da Associação. Symmy já esteve à frente da Promoção dos Direitos LGBT da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, mas entregou o cargo após o golpe de 2016. A ABGLT reúne mais de 300 entidades e está presente em todos os estados do país. Na edição 190... Camelôs reagem: “Não queremos shopping popular” ... E agora PBH oferece benefícios a empresários que receberão camelôs A Prefeitura de BH dá mais um passo rumo ao que chama de “realocação” de camelôs em shoppings populares. A Câmara aprovou a Operação Urbana Simplificada, que prevê benefícios aos empresários que concordem em receber camelôs em seus centros comerciais. Esses empresários recebem autorização para construir prédios com mais andares do que a legislação permite. Os camelôs terão de pagar R$ 10 por m² nos primeiros três meses, chegando a R$ 185 no quinto ano. Depois, o preço do aluguel é liberado. Camelôs afirmam que medida beneficia apenas donos de empreendimentos.

JUSTIÇA Cerca de 2 mil indígenas Guarani Kaiowá organizaram uma manifestação contra o marco temporal, na segunda (14), na terra indígena Yvy Katu, município de Japorã, fronteira do Mato Grosso do Sul com o Paraguai. Para barrar a aprovação, também houve um acampamento em Brasília, junto a comunidades quilombolas. A sessão que definiria a situação dos povos tradicionais, no entanto, foi adiada por prazo indeterminado. O marco temporal, se autorizado, definirá que as comunidades tradicionais só têm direito aos seus territórios caso estivessem em posse deles na data da promulgação da Constituição Federal, em 1988.

Eni Carajá Filho

Aloísio Lopes

Na imprensa e nas redes sociais circula a notícia de que a promotora de Justiça da Saúde Josely Ramos Pontes entrou com uma Ação Civil Pública via Ministério Público para apurar irregularidades no Hospital Galba Ortopédico. O objetivo seria averiguar o atendimento às pessoas que sofreram traumas no trânsito, deram entrada no João XXIII e foram transferidas para o hospital Galba Ortopédico. Esse serviço atende a uma prerrogativa de acolher os pacientes traumatológicos em especial na área de ortopedia, liberando leitos e macas que ficavam no corredor do HJ XXIII. Os trabalhadores e o Sind-Saúde MG denunciaram durante muito tempo que as instalações não eram propícias para realizar com conforto e segurança o trabalho, e ainda questões relacionadas à segurança do paciente e dos profissionais que ali trabalham. A Fhemig não cumpriu as exigências do Ministério Público, e parece que tinha a intenção velada de feCom luta, Galba char os serviços ao inOrtopédico fica vés de corrigir as irregularidades. A decisão governamental de fechar o serviço ocorreu sem consultar as entidades sindicais, os conselhos e os próprios trabalhadores da unidade. Por que fechar um serviço de tamanha relevância? Várias audiências públicas foram marcadas buscando convencer a Fhemig de que ela errou em sua sanha de decidir sem diálogo, rompendo com a máxima do governador, que é “ouvir para governar”. Por isso mesmo o Sind-Saúde MG com apoio dos Conselhos Estadual e Municipal de Saúde, pressionaram e obtiveram um recuo tático da Fhemig e as ações no Galba Ortopédico serão normalizadas. Não confiaremos em promessas. Seguiremos monitorando para que essa unidade funcione dentro dos princípios e diretrizes do SUS.

Minas são muitas, mas as oportunidades para expressar tanta diversidade, nem tanto. É visível a dificuldade de aproveitamento adequado dos canais de integração entre as regiões do estado. Falo, principalmente, da ausência de uma estratégia de comunicação alinhada com o planejamento estatal e com a diretriz política escolhida pela população no pleito de 2014: “ouvir para governar”. Fernando Pimentel fez mudanças na administração estadual, promovendo um reordenamento territorial que está em fase de consolidação. Nesse processo, os 17 Territórios de Desenvolvimento se constituem, também, em Territórios de Cidadania. Alcançar esse patamar depende de instrumentos eficazes. Um deles, a comunicação pública, surge como um caminho natural e necessário. Por ela, as vocações de cada região se fortalecem, os saberes são intercambiados. Estimula-se a expressão da diversidade cultural, econômica, Empresa Mineira política e étnica de nosde Comunicação é sa população. Isso não é oportunidade feito pela mídia comercial: depende de política pública para acontecer. O Estado tem instrumentos para construir uma virtuosa rede de comunicação pública. Por meio dos veículos da nova Empresa Mineira de Comunicação (EMC), abre-se uma grande oportunidade de desenvolver a colaboração com outros veículos do campo público. (comunitários, universitários, educativos), presentes em todos os territórios. Mais que isso, estimulam-se os pequenos empreendimentos de comunicação. É provável que o governador ainda não tenha sido alertado para o potencial nessa área. Implementar uma política pública de comunicação, de modo intersetorial e cooperativo, depende muito mais da sensibilidade para se pensar o futuro além de um mandato eletivo, do que de recursos financeiros.

Eni Carajá Filho é diretor do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais.

Aloísio Lopes é jornalista e atua no Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).

O ataque ao Hospital Ortopédico Galba Veloso

Comunicação pública como estratégia


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Belo Horizonte, 18 a 24 de agosto de 2017

50% das mães são demitidas até dois anos após licença-maternidade, diz FGV MACHISMO Mulheres relatam o assédio e preconceito sofrido no trabalho durante e após a gestação Sidney Oliveira /Ag. Pará - Fotos Públicas

Julia Dolce

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elo menos metade das brasileiras foram demitidas no período de até dois anos depois da licença-maternidade, segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas . Realizado com 247 mil mães entre 25 e 35 anos, o estudo aponta que, após seis meses de estabilidade, a probabilidade de demissão de mulheres que acabaram de se tornar mães é de 10%. De acordo com Mariana Salinas Serrano, advogada trabalhista e cofundadora da Rede Feminista de Juristas, o alto número de demissões é fruto de discriminação. “Quando o filho fica doente, o patronato entende que isso é um dever da mãe, sendo que a responsabilidade é dos dois”, defende. Mesmo ouvindo diferentes justificativas para as demissões, as entrevistadas acreditam que a maternidade foi o principal motivo para a dispensa. É o caso da advogada Graziella Branda, que foi despedida três dias depois de voltar da licença. Já arquiteta Ana Bueno* foi surpreendida por uma demissão após o fim do seu período de estabilidade. “Minha chefe falou que estava

ter o fluxo de trabalho, mas, quando não conseguia, a acusavam de “corpo mole”. Em um dos piores momentos, passou mal dentro da empresa e teve de sair de táxi, porque seus chefes afirmaram que não eram responsáveis pela situação. Negligência Para Renata Silva*, que preferiu não identificar sua profissão, a falta de compreensão da empresa em que trabalhava foi ainda pior. Seu filho nasceu com um problema de má-for-

mação e faleceu alguns meses após o fim da licença-maternidade. “Levei falta durante toda a internação do meu filho”. Renata foi demitida três meses depois da morte de seu bebê. (*Nomes fictícios)

Serie de reportagens sobre o tema continua em www.brasildefato.com.br Maxwell Vilela

me mandando embora para eu cuidar do meu bebê”, diz. Abusos A maioria das entrevistadas aponta que as demissões são consequência do machismo, além do fato de que a maioria dos chefes são homens. A discriminação contra gestantes e mães, muitas vezes, é acompanhada de ameaças para a saúde. Graziella Branda conta que continuou trabalhando no escritório de advocacia até o dia em que sua filha nasceu. “Eu trabalhava 12 horas por dia. Às vezes, ficava até 00h, com os pés inchados”, diz. Já Ana Bueno não foi dis-

Discriminação é acompanhada de ameaças à saúde das gestantes pensada de frequentar as obras que coordenava em uma construtora. “Eu tinha que ficar com os telefones ligados 24 horas, à disposição da empresa aos finais de semana. Eu tinha contrações, pressão alta, sangramentos”. Ela conta que tentava man-

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Atingidos por Barragens realizam encontro nacional

“Você já imaginou perder sua casa de repente? E os seus vizinhos? Como num dilúvio?” Essas são perguntas feitas pelo Movimento de Atingidos por Barragens (MAB) para tentar ilustrar como se sentem as famílias afetadas pelas milhares de barragens construídas Brasil afora. O MAB organiza seu 8º Encontro Nacional, que acontece de 1 a 5 de outubro no Rio de Janeiro, com expectativa de receber 4 mil pessoas. As principais discussões serão a resistência a novas barragens na Amazônia; a reconstrução da Bacia do Rio Doce, impactada pelo rompimento da barragem de Mariana; organizar e empoderar as mulheres atingidas; além do permanente debate sobre 16 direitos humanos violados sistematicamente na construção de barragens pelo país.

Campanha financeira

Para realizar o encontro, os atingidos fazem uma campanha de doação. Interessados podem doar diretamente à Associação de Proteção ao Meio Ambiente (APEMA): Banco do Brasil, Conta Corrente 29.908-1, Agência 2883-5, CNPJ 04.473.311/0001-29.


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BRASIL

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Distritão piora a política, diz especialistas REFORMA POLÍTICA Projeto votado na Câmara pode trazer muitos retrocessos para o sistema de representação Lula Marques / AGPT

O texto diz ainda que o distritão, no qual são eleitos os candidatos individuais mais votados em determinado local e não os partidos com maior apoio do eleitorado, tornará as campanhas mais caras. Para a Associação, o distritão “facilitará o renascimento de oligarquias regionais”.

Da redação*

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roposta em tramitação na Câmara dos Deputados aponta a adoção do distritão em 2018. Já o distrital misto, no qual metade das vagas é proporcional e a outra metade dos candidatos individuais mais votados, começaria a partir de 2022. Pelo distritão, cada estado ou município é considerado um distrito. São eleitos os mais votados, independente do desempenho dos partidos ou coligações. A discussão e votação no Plenário da Câmara sobre a reforma política começaram na quarta-feira (16), mas foram para terça-feira (22), por falta de quórum. Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) a reforma precisa ser aprovada pelo plenário da Câmara em dois turnos e ter o apoio mí-

Distritão vai radicalizar defeitos da política

Proposta diminuirá presença de mulheres, negros e pobres na política

nimo de 308 dos 513 deputados para seguir para o Senado, onde também terá de ser submetida a duas votações. Dentro da Câmara, o distritão é combatido tanto por parlamentares da oposição quanto da base. Compõem a Frente Parlamentar contra o modelo PT, PC do B, PSOL, PR, PRB e PHS. Parte do PSD, PSB, PDT e Rede também são contrários. A Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP) lançou nota repudiando a possível adoção do modelo. A ABCP aponta que a adoção do distritão representa “um verdadeiro retrocesso institu-

Especialistas são contra Além da carta da ABCP, cerca de 60 cientistas políticos do Brasil lançaram um documento ainda em 2015 contra o distritão. Os especialistas definem o distritão como “aberração institucional”. Para eles, o modelo exalta o personalismo dos candidatos, encarece a campanha (o que pode aumentar o financiamento ilegal) e transforma os partidos em meras siglas de registro de candidaturas, enfraquecendo a democracia. “Não conheço um colega da área que seja favorável a esse modelo” afirma João Paulo Viana, signatário do documento.

cional. Os candidatos correrão por conta própria, a título individual, enfraquecendo os partidos políticos e em nada contribuindo para minorar o personalismo. Além disso, diferentemente do atual modelo, milhões de votos serão jogados fora, visto que somente serão válidos os votos dos eleitos”, afirma o documento.

Eleições ficarão mais vulneráveis à força do dinheiro

Menor renovação e governabilidade Leon Victor de Queiroz Barbosa, cientista político da Universidade Federal de Campina Grande, argumenta que os votos que seriam jogados no lixo gerariam “uma distorção gigantesca no sistema representativo”. Para ele, um efeito imediato da reforma seria “o aumento da fragmentação partidária”, o que resultaria por sua vez no “início do fim dos partidos políticos como instituições agregadoras de preferências, passando a ser meras legendas (como algumas já são)”. Os que apoiam a reforma “pretendem personificar ainda mais o sistema”, opina Barbosa. O efeito dessa fragmentação na governa-

Diminuiria participação das mulheres A campanha “Mais Mulheres na Política” tem denunciado que a aprovação do “distritão” representaria um retrocesso para as candidaturas femininas. “Como ele encarece ainda mais a campanha, ele vai alijar ainda mais as mulheres, os negros, os pobres, aquelas camadas mais desprovidas da sociedade”, afirma a senadora Vanessa Grazziotim (PCdoB – AM). O Brasil ocupa uma das piores posições no ranking mundial de equidade de gênero no Parlamento, atrás de todos os países da América Latina.

Reforma facilitará o renascimento de oligarquias regionais bilidade seria perverso, uma vez que dificultaria ainda mais a formação de maiorias no Congresso. “O distritão não nos traz nada de positivo a não ser simplicidade: não tem cota, não tem sobra, não tem coligação. Vamos jogar milhões de votos no lixo e enfraquecer os partidos”, pondera o cientista político e especialista em sistemas eleitorais Jairo Nicolau, em entrevista ao IHU On-Line. Segundo ele, “o distritão vai radicalizar os nossos defeitos. Um candidato eleito de forma independente tem muito mais motivos para não ser fiel a um partido em termos de comportamento, e barganhar com o chefe do Executivo com um preço mais alto”. (Com IHU – Unisinos)

Mais personalismo Luis Felipe Miguel, da UNB, acredita que “a eleição fica muito mais vulnerável à força da popularidade prévia, do dinheiro e dos esquemas de currais eleitorais”. “Aumenta o peso das igrejas, do crime organizado, das subcelebridades e dos que já têm mandato e têm o poder da máquina partidária”, explica. Será reforçado o personalismo e enfraquecido o debate de ideias e de projeto de sociedade. Aumentarão os coronéis regionais e a visão fragmentada da política.


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MUNDO

Belo Horizonte, 18 a 24 de agosto de 2017

Países da América Latina rejeitam ameaça de ação militar de Trump contra Venezuela IMPERALISMO Peru, Colômbia, México, e Mercosul se opõem a ação sugerida pelo presidente dos EUA Reprodução

Do Opera Mundi

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repúdio à violência e a qualquer opção que envolva o uso da força é inarredável e constitui base fundamental do convívio democrático, tanto no plano interno como no das relações internacionais”, afirmou o Mercosul em comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Os países do Mercosul, completa a nota, continuarão insistindo, de forma individual e coletiva, para que a Venezuela “cumpra com os compromissos que assumiu, de forma livre e soberana, com a democracia como única forma de governo aceitável na região”. O bloco diz que a democracia no país foi afetada – o que Caracas nega. A Venezue-

Ministro da Defesa venezuelano diz que ameaça militar de Trump é ‘loucura’

la está suspensa do Mercosul. A Colômbia seguiu o mesmo tom. “Rejeitamos medidas militares e o uso da força no sistema internacional. Todas as medidas devem ocorrer sob o

respeito da soberania da Venezuela e através de soluções pacíficas”, indicou o Ministério de Relações Exteriores, em nota. Para o México, a crise na Venezuela não pode ser resolvida com ações milita-

res. “O governo do México expressa sua rejeição ao uso ou à ameaça de uso da força nas relações internacionais, e afirma que a crise na Venezuela não pode ser resolvida através de ações militares, internas ou externas”, afirmou a Secretaria de Relações Exteriores (SRE) em comunicado. “Da mesma forma, os países que assinaram a Declaração de Lima rejeitaram de maneira enérgica a violência e o uso da força”, completou a nota da chancelaria mexicana. O Peru, que atravessa uma crise diplomática com a Venezuela, também rechaçou as ameaças. “Toda tentativa interna ou externa para recorrer à força solapa o objetivo de restaurar a governabilidade democrática na Venezuela, bem como os

princípios consagrados na Carta das Nações Unidas”, disse o Ministério de Relações Exteriores. Pelo Twitter, o presidente da Bolívia, Evo Morales, também expressou seu rechaço. “Trump revela descaradamente seu plano de intervenção militar contra a Venezuela”, afirmou. Em meio à escalada de tensões na Venezuela, Trump disse, na sexta (11) que cogita uma “opção militar” para resolver a situação no país. “Temos muitas opções para a Venezuela, incluindo uma possível opção militar, se necessário”, disse o presidente americano. “Temos tropas por todo o mundo, em lugares muito, muito afastados. A Venezuela não está muito longe e as pessoas estão sofrendo e morrendo”, completou.

Petróleo é a chave para se entender a crise política na Venezuela Telesur

Da redação

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Venezuela enfrenta uma das maiores crises políticas desde que conquistou a independência, em 1811. Em maio, o presidente Nicolás Maduro convocou uma Assembleia Constituinte para tentar solucionar os conflitos, mas o clima de instabilidade se agravou: foram mais de 100 mortos em protestos a favor e contra o governo. Os opositores de Maduro atribuem a ele a responsabilidade pelos assassinatos. Setores governistas acusam

a oposição de terrorismo e alertam para o risco de um golpe “financiado pelo capital estrangeiro”. A nação liderada por Maduro desperta interesse internacional porque concentra as maiores reservas de petróleo do mundo. Desde que o presidente anterior, Hugo Chávez, estatizou cerca de 60 companhias petrolíferas na região, países importadores como os Estados Unidos declararam guerra à Venezuela. Não com trincheiras, bombas e canhões, mas sim, uma guerra midiática.

Apesar de pouco divulgados, dados indicam que a estatização do petróleo melhorou a qualidade de vida da população. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da Venezuela em 2015 foi considerado “alto” e aumentou 20,9% em relação a 1990 Chávez assumiu o país em 1999 e Maduro, em 2013. Durante os 14 anos de governo Chávez, o desemprego caiu de 14,5% para 8% e o PIB per capita aumentou de US$ 8,2 mil para US$ 13,2 mil.


Belo Horizonte, 18 a 24 de agosto de 2017

ENTREVISTA

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“Governo atua para resolver apenas as demandas do mercado financeiro” CRISE Presidenta do Sindicato dos Economistas de Minas Gerais analisa conjuntura brasileira Rafael Gaia / Divulgação

sa estratégia tem na economia?

Wallace Oliveira

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nova gestão do Sindicato dos Economistas de Minas Gerais (Sindecon-MG) tomou posse em julho, com o desafio de contribuir com o enfrentamento da difícil conjuntura política e econômica que o país atravessa. Aumento do desemprego, expectativas de recessão prolongada, retirada de direitos e uma política de desmonte do Estado são opções – ainda que não abertamente declaradas – de um governo ilegítimo, que escolheu governar apenas para Valquíria Assis: “Existem opções além das políticas apresentadas pelo governo” o setor financeiro. Para anade dar no enfrentamento a lisar esse cenário, o Brasil de esse discurso? Fato MG conversou com a O sindicato quer mostrar presidenta do Sindecon, Valque existe algo além da políGoverno, trabaquíria Aparecida Assis. tica econômica de austeridalhadores e emde que está sendo apresentada pelo governo. Sabemos Qual o significado de se presários vivem ter uma mulher à frente de que outras políticas são possíum sindicato de economis- ciclo vicioso” veis, com a intervenção do Estas? tado para promover o desenValquíria Assis - Eu sou a trabalho. É importante nossa volvimento econômico. Nesatuação no meio sindical, que quarta mulher na presidência se momento, o governo devedo sindicato. Isso é importan- é muito machista. ria atuar para gerar empregos. te para mostrar que uma categoria em que há predomi- A sua gestão acontece em Temer adota uma agenda nância masculina também é um momento de afirmação do pensamento neode congelamento de gasfeita por mulheres. Ao mesliberal, que se apresenta tos, desmonte da Petromo tempo, juntamos força a de maneira muito pronun- bras e dos bancos públioutras categorias na discus- ciada na mídia. Que concos, privatizações, retirada de direitos. Que efeitos essão das mulheres perante o tribuição o sindicato po-

O atual ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, garantiu que a confiança dos empresários voltaria quando o golpe fosse consumado e, como resultado, haveria o retorno dos investimentos e o crescimento econômico. Nada disso aconteceu. Pelo contrário, os investimentos caíram de forma aguda. Estamos vivendo um período de recessão, aumento do desemprego. Mês passado, tivemos deflação, em parte afetada pelo não consumo. Hoje, temos uma agenda totalmente voltada para o mercado financeiro. O governo não investe porque não quer gastar e porque diz não querer ocupar o lugar da iniciativa privada. Os empresários não investem porque não têm expectativa de retorno e estão mais

O governo deveria atuar para gerar empregos”

preocupados em defender o que têm. O governo tem exibido as baixas taxas de inflação como um trunfo. Dá para dizer que inflação baixa é sinal de uma economia saudável?

A expectativa de inflação, que era de 3,7%, passou para 3,64%. As famílias não estão consumindo, há um alto índice de desemprego e quem está empregado evita, na medida do possível, gastar, com medo de ficar sem emprego. E o que fazer para sair desse cenário?

Sabemos que a economia não volta a crescer em 2017, a indústria só está retraindo. Governo, empresários e trabalhadores estão nesse círculo vicioso. Quem poderia reagir a isso é o governo, com um programa emergencial de combate ao desemprego e liderança política, fazendo investimentos públicos. Mas, hoje, não vemos essa preocupação por parte do governo. Ele atua para resolver apenas as demandas do mercado financeiro.

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episódio #3:

Tem Base? SINDIFES PODCAST

assédio moral Um debate sobre o assédio moral no serviço público. acompanhe! nas plataformas: •SOUNDCLOUD •DEEZER •iTUNES •tuneIN Radio

www.sindifes.org.br

•PODFLIX


12 12 VARIEDADES

Belo Horizonte, 18 a 24 de agosto de 2017

Amiga da Saúde

Nossos direitos

Boa tarde! Tomar banho após as refeições é perigoso? Minha mãe sempre disse isso, mas eu desconfio que seja mito.

Direito ao kit gratuito de TV digital A televisão é um dos principais meios de entretenimento do povo brasileiro, mas o sinal analógico de TV está dando lugar ao sinal digital, mais moderno. Para quem não tem condições de comprar o conversor, existe o direito ao Kit Gratuito de TV Digital. Todos os brasileiros inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), como o Bolsa Família, podem solicitar o kit na internet, pelo site www.sejadigital.

Ítalo Pereira, 19 anos, motoboy.

com.br, ou pelo telefone, no número 147 (ligação gratuita, de segunda a sexta, de 8 às 18h) O cidadão interessado deve informar o número do CPF/NIS do responsável familiar e agendar a retirada do seu kit. Na maioria das cidades, o kit está sendo entregue nas agências dos Correios. Na data agendada, será necessário apresentar NIS (Número de Inscrição Social), documento de identidade com foto e o protocolo de agendamento.

Adília Sozzi é advogada da Rede Nacional de Advogados Populares – RENAP

Caro Ítalo, sua mãe tem razão. Quando nos alimentamos, é necessário uma concentração maior de sangue na região do aparelho digestivo. Os banhos, se forem frios, fazem com que o sangue se desloque para as extremidades, a fim de manter o corpo aquecido. Isso prejudica a digestão. Banhos de chuveiro, rápidos e mornos, não costumam fazer mal. O problema maior são os banhos de piscina ou rio, que, além da água fria, envolvem atividade física. Nesse caso os músculos também necessitam de sangue, agravando o problema. Na

maioria das vezes os sintomas são mal estar, dores abdominais, náuseas, etc. Porém, em alguns casos, pode haver até morte por choque hipovolêmico (baixo volume de sangue nos órgãos vitais), além de aumentar o risco de infarto em portadores de doenças cardiovasculares. O ideal é aguardar no mínimo duas horas para entrar na água após as refeições principais. Recomenda-se também fazer refeições mais leves, com mais frutas e sucos e poucas proteínas e gorduras, caso não queira abrir mão do banho.

Sofia Barbosa I Coren MG 159621-Enf. Aqui você pode perguntar o que quiser para a nossa Amiga da Saúde Mande sua dúvida: amigadasaude@brasildefato.com.br

PROCESSO SELETIVO

DO CONSELHO DA JUVENTUDE. TOTALMENTE ON-LINE PARA CONECTAR O MELHOR DE MINAS.

O processo seletivo para entidades da sociedade civil participarem do Conselho Estadual da Juventude vai começar. E este ano, com uma novidade: todo o processo acontece on-line, da candidatura às votações. A iniciativa é da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania, por meio da Subsecretaria de Juventude, e visa estimular a adesão da sociedade civil criando uma rede de apoio e defesa dos direitos das Juventudes em todo o Estado.

INSCREVA-SE. VOTE. PARTICIPE. As políticas públicas que queremos ver são uma construção de muitas mãos.

Inscrições até 21 de agosto, pelo site www.direitoshumanos.mg.gov.br.

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Belo Horizonte, 18 a 24 de agosto de 2017

13 VARIEDADES 13

www.malvados.com.br

Dicas Mastigadas

por Alan Tygel*

SALADA DE FEIJÃO-DE-CORDA

CAÇA-PALAVRAS

www.coquetel.com.br

© Revistas COQUETEL

Procure e marque, no diagrama de letras, as palavras em destaque no texto.

Eles estavam errados Veja algumas frases famosas com previsÕes sobre a tecnologia que não se cumpriram: “Eu acredito que há mercado para talvez cinco computadores.” (Thomas Watson, presidente da IBM, em 1943) “Os americanos precisam do telefone; nós, não. Nós temos muitos garotos mensageiros”. (Sir William Preece, chefe da agência britânica de Correios, em 1876) “A televisÃo não vai conseguir se segurar no mercado por mais de seis meses. As pessoas logo vão se cansar de olhar para uma caixa de madeira todas as noites.” (Darryl Francis Zanuck, produtor de cinema e um dos fundadores do estúdio 20th Century Fox, em 1946)

Ingredientes Salada

“Eu prevejo que a internet vai crescer como uma supernova e então, em 1996, sofrer um colapso catastrófico.” (Robert Metcalfe, fundador da 3Com, em 1995)

• 3 xícaras de chá de feijão-de-corda • 1/4 de abóbora pequena • 1/2 cebola • 5 colheres de sopa de pimentão verde • 2 tomates pequenos • 2 folhas de alface • 2 colheres de sopa de cebolinha.

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“Não há praticamente nenhuma chance de satÉlites espaciais de comunicaçÃo serem utilizados para melhorar os serviços de telefonia, telégrafo, rÁdio e Televisão dentro dos Estados Unidos.” (Tunis Augustus MacDonough Craven, representante da Comissão Federal de Comunicação dos EUA, em 1961)

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6 unidades de pimenta-de-cheiro 1 pote de iogurte desnatado 2 colheres de café de sal 2 colheres de sopa de mel

Modo de Preparo 1. Cozinhar o feijão-de-corda em água até ficar macio e reservar; 2. Cortar a abóbora em cubos pequenos e cozinhar em água; 3. Cortar a cebola, o pimentão verde e o tomate em cubos bem pequenos e acrescentar ao feijão e à abóbora; 4. Misturar as folhas de alface rasgadas e a cebolinha picada. Molho:

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1. Retirar as sementes da pimenta-de-cheiro e bater com todos os outros ingredientes no liquidificador; 2. Servir a salada com o molho à parte.

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(Esta receita foi retirada do livro Alimentos Regionais Brasileiros, do Ministério da Saúde, disponível para download em http://e.eita.org.br/alimentosregionais)

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* Alan Tygel é da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida

Participe enviando sugestões para receita@brasildefato.com.br.


14 CULTURA 14

Belo Horizonte, 18 a 24 de agosto de 2017

Escreva, negra, escreva! ESTÍMULO Projeto incentiva que mulheres tenham confiança para se aventurar na literatura

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a quinta-feira (23), vai rolar o primeiro encontro do Preta Poeta, projeto criado por mulheres negras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O evento acontece na arena da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich). A ideia consiste em incentivar que as mulheres

negras, muitas vezes silenciadas pelo machismo e racismo da sociedade, se sintam confiantes para escrever, além de encorajar aquelas que já escrevem a divulgarem seus trabalhos. Para isso, será realizado um minicurso que, além do dia 23, acontece em mais outras seis datas. As reuniões também resga-

A luta da mulher quilombola em imagens

Divulgação

tam e difundem a literatura criada por autoras de hoje e do passado. O resultado do aprendizado poderá ser conferido em um zine e um sarau, que serão produzidos no mês de novembro. Para saber mais e se inscrever, acesse: www.facebook. com/pretapoeta.

Até o início do mês de setembro, a rodoviária de BH, no Centro, recebe a exposição fotográfica “Mulheres Quilombolas em Marcha”. A mostra já está no hall de entrada do terminal, é gratuita e aberta ao público. As imagens são de autoria da fotógrafa Ana Carolina Fernandes, em parceria com a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq). Elas retratam a organização das mulheres quilombolas para garantia de seus direitos, sua vivência compartilhada, os hábitos e a cultura das comunidades. A exposição também se junta à mobilização nacional para que o Supremo Tribunal Federal (STF) mantenha a titulação de territórios quilombolas no Brasil. Divulgação

Grandes nomes no FLI-BH

O Festival Literário Internacional (FLI-BH) está confirmado e a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) já anunciou as primeiras das mais de 100 personalidades previstas para participar do evento. Como atrações principais, estão confirmadas as renomadas Conceição Evaristo e Maria Valéria Rezende, ambas vencedoras do Prêmio Jabuti. Além delas, estarão presentes a professora e ativista indígena Eliane Potiguara e a americana Porsha Olayiwola, campeã mundial de slam. O FLI, que rola entre os dias 14 e 17 de setembro, também vai contar com uma grande feira de editoras independentes com títulos com até 50% de desconto.

37 anos do Luizote em Uberlândia Comemorando os 37 anos do bairro Luizote de Freitas, acontece mais uma edição do Festival Pérola Negra. A atividade ocorre num dos maiores conjuntos habitacionais da América Latina e coincide com o aniversário da cidade. As atrações ocorrem durante todo o dia 31 e entre elas está previsto um desfile cívico, teatro, danças e shows. O evento é gratuito e aberto a toda a população. As atividades começam às 9h e devem se estender até as 22h. Acontece na avenida José Fonseca e Silva, 600, em Uberlândia.


Belo Horizonte, 18 a 24 de agosto de 2017

ESPORTE

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Olimpíadas deixaram dívidas sociais para o Rio de Janeiro LEGADO Um ano após jogos, cidade exibe comunidades removidas, instalações olímpicas fechadas e aumento da repressão Akemi Nitahara / Agência Brasil

Mariana Pitasse, do Rio de Janeiro

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aria da Penha sentiu na pele as dívidas sociais deixadas pelos jogos olímpicos. A Vila Autódromo, comunidade localizada ao lado do Parque Olímpico, na zona oeste do Rio, onde ela mora, já teve 700 famílias e hoje tem apenas 20. “Mesmo conseguindo resistir, minha comunidade não é a mesma. Temos muito espaço livre, isso mostra que não pre-

O legado olímpico é bem diferente do prometido pelo COI

“Mesmo conseguindo resistir, minha comunidade não é a mesma”, afirma Maria da Penha

cisavam tirar as pessoas que estavam ali. Nós fomos violentados pelo governo e pelo COI. Eles têm que aprender a respeitar o território dos cidadãos de cada país”, protesta. Para pessoas como Maria da Penha, o legado olímpi-

Botafoguense é detido por racismo

Reprodução de vídeo

A Polícia prendeu em flagrante, na quarta (16), um torcedor do Botafogo, acusado de proferir insultos racistas contra o atacante Vinicius Junior, do Flamengo. O incidente ocorreu durante clássico pela Copa do Brasil, no Estádio Nilton Santos. O jogo terminou com empate sem gols. O ato foi condenado pelos próprios torcedores alvinegros, que chamaram a polícia. Os dois clubes também repudiaram a atitude do torcedor. Segundo a lei brasileira, para esse tipo de crime, existem punições por injúria racial (artigo 140 do Código Penal) e racismo (Lei 7.716/1989).

co é bem diferente do prometido pelo Comitê Olímpico Internacional, o COI. Histórias como a da Vila Autódromo fazem parte da publicação “Rio Olímpico: qual o legado um ano depois dos Jogos?”, lançado nesta semana pelo Insti-

Não temos local de treino e nem de competição”, conta educadora física

tuto Políticas Alternativas para o Cone Sul, o PACS. Para a educadora física Edneida Freire, os jogos não trouxeram nada de positivo para o esporte da cidade. Ela fazia parte da equipe de treinadores de projetos sociais do Estádio de Atletismo Célio de Barros, fechado em 2013 para abrigar entulhos das obras de reforma do Complexo do Maracanã. “Estamos perambulando por aí, não temos local de treino e nem de competição. Viramos pedintes na

cidade olímpica. Não estou reivindicando só equipamento, luto por transformação e resgate de projetos com crianças e adolescentes que dava muito certo. Foi uma perda inestimável”, lamenta. Antes do fechamento, o Célio de Barros chegou a receber mais de 800 pessoas por dia, entre atletasprofissionais, amadores e alunos de projetos sociais. Além de um balanço sobre os equipamentos esportivos, a maior parte deles abandonados, a publicação apresenta também dados sobre o endividamento da cidade e do estado do Rio, que atingiu em 2017 mais de um bilhão de reais. O livro também cita a ineficácia das políticas de despoluição da Baía de Guanabara e de mobilidade urbana, bem como o aumento da violência, com a militarização promovida na esteira dos jogos. Acesse o livro pelo link: goo.gl/Bnz5yR.

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Belo Horizonte, 18 a 24 de agosto de 2017

CBF vai antecipar estaduais e fatiar férias de jogadores

ESPORTES

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DECLARAÇÃO DA SEMANA Keith Allison

Tupi FC

CBF deve divulgar, na próxima A semana, o calendário do futebol brasileiro para a temporada de 2018.

Uma das possíveis mudanças é a divisão das férias dos jogadores, ficando uma parte em dezembro deste ano e a outra em junho do ano que vem. Isto

porque em 2018 tem Copa do Mundo masculina, na Rússia. Além disso, várias federações estaduais deverão antecipar o início de seu campeonato estadual para o mês de janeiro, o que deve diminuir a prétemporada dos clubes.

“O ódio sempre existiu nos Estados Unidos. Sim, nós sabemos disso, mas Donald Trump acaba de fazer com que entre na moda novamente” Lebron James, astro de basquete dos EUA. Ele criticou Donald Trump, que disse que a violência na cidade de Charlottesville, com morte de uma pessoa não é culpa dos manifestantes racistas.

Gol de placa Gatito Fernández, goleiro do Botafogo, é o maior pegador de pênaltis da temporada. Até o meio desta semana, antes do jogo contra o Flamengo, pela Copa do Brasil, o arqueiro havia defendido 58% dos pênaltis contra o Fogão no ano. Nada mais, nada menos que 12 defesas!

Você tem críticas, comentários, sugestões?

ESCREVA PARA NÓS esportemg@brasildefato.com.br

Gol contra Pela segunda vez na história, o basquete feminino do Brasil está fora do Mundial. A seleção perdeu as três vagas para o torneio oferecidas na Americup: foram quatro derrotas, entre as quais uma para Porto Rico, na disputa do terceiro lugar, e outra para a seleção de Ilhas Virgens.

Decacampeão

É Galo doido

La Bestia Negra

Bráulio Siffert

Rogério Hilário

Leo Calixto

O América contratou o experiente lateraldireito Ceará, ex-Cruzeiro e ex-Inter, para compor o elenco que estava carente de opções de ofício na posição. O time contava apenas com Norberto, que vem desfalcando a equipe por sucessivas lesões, e garoDecacampeão tos da base que ainda não foram testados. Nos últimos jogos, os volantes Juninho e Zé Ricardo foram improvisados na posição mas, naturalmente, não renderam muito bem no ataque. Embora com 37 anos, Ceará pode ajudar a equipe não só com a resolução dessa carência, mas também com sua experiência para contribuir com a manutenção da paciência e da regularidade que marcaram a equipe no primeiro turno e que precisam ser mantidas para a conquista do acesso.

Deu vontade de chorar, ao ver como manchete do Atlético a comemoração de Micale pelo tempo para montar o time. Afinal, só sobrou uma semana de trabalho por causa das eliminações na Libertadores e Copa do Brasil. No início da temporada, eu alerGalodedoido! tava para os É perigos encarar tantos desafios simultâneos. Embora o elenco fosse considerado suficiente, o desgaste se tornou evidente. Antes, os torneios eliminatórios terminavam no primeiro semestre. Agora, se estendem por todo o ano. O Corinthians pôde se concentrar no Brasileiro, após sair da Copa do Brasil. Toda vez que os dirigentes inventam, a situação piora. E, para sobreviver, só negociando os candidatos a craque para o exterior.

Anúncio Uma vitória nos últimos nove jogos oficiais; ataque inoperante em jogos contra times pequenos; sistema defensivo que, embora funcione bem, sofre apagões durante os jogos e toma gols inconcebíveis. Este é o Cruzeiro de Mano dentro de campo, um time Laprincipalmente Bestia Negra sem vibração, em jogos importantes, como diante do Grêmio pela Copa do Brasil. Fora de campo, enquanto empresários constroem seu feudo no clube, se perpetuando no comando e excluindo cada vez mais a torcida com um estatuto arcaico, a torcida organizada Resistência Azul Popular (RAP) convoca a China Azul para um debate sobre a gestão do futebol celeste, no dia 19, às 14h, no Centro de Referência da Juventude (CRJ).

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Edição 198 do Brasil de Fato MG  

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