Edição 180 do Brasil de Fato MG

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OPINIÃO

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CULTURA

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TV Machismo

O mundo lúdico da Família Dionti

Quatro casos recentes envolveram famosos, assédio e violência contra a mulher. Será que a própria TV teria culpa nesse cartório?

Longa filmado na Zona da Mata mineira estreia em todo o Brasil na quinta (13) e retrata, com fantasia, o universo dos sentimentos e do cotidiano

Minas Gerais

13 a 19 de abril de 2017 • edição 180 • brasildefato.com.br • distribuição gratuita • facebook.com/brasildefatomg

Por que quem protesta está na mira? Movimento estudantil

Mulheres negras

Médicas exoneradas

Militante de Diamantina foi detida durante ato e enfrenta problemas na Justiça que a vê como culpada e não autuou policiais que a prenderam violentamente

PM leva quatro mulheres presas por questionarem batida policial no viaduto Santa Tereza, em BH. Para advogado, situação foi motivada por racismo

Em BH, entidades ligadas aos direitos das mulheres, da criança e adolescente contestam afastamento de duas coordenadoras da área da saúde

MST Fazendeiro chama trabalhadores para reunião e arma emboscada no Norte de Minas. Na mesma semana, Supremo nega liberdade a sem-terra, que é alvo de perseguição política


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OPINIÃO

Belo Horizonte, 13 a 19 de abril de 2017

Editorial | Brasil

O saco de maldades e o buraco do saco

ESPAÇO dos Leitores

“Todos à luta na retomada dos nossos direitos conquistados” Albertina Dornellas comenta o editorial “Uma prosa rápida sobre a América Latina”

“520 dias sem nenhuma punição. A Samarco será reaberta” Critica o leitor Jackson Lopes, em relação à matéria “Projeto de lei que poderia assegurar direitos dos atingidos por barragens é adiado”

“A ditadura por si só já é corrupta, corrompe o livre arbítrio...” Cândido Noal comenta a entrevista da edição 178, com o historiador Rubens Campante, que afirmou: “Esse papo de que não havia corrupção na ditadura é conversa pra boi dormir”

Escreva para nós: redacaomg@brasildefato.com.br

O saco de maldades do governo não eleito está cheio e sendo apresentado à sociedade sem nenhum debate. Os golpistas justificam que, para sairmos da crise econômica, o remédio é o ajuste fiscal, a redução de gastos com saúde, educação e a retirada de direitos historicamente construídos com muita luta pelos trabalhadores e trabalhadoras. A crise é do sistema capitalista, mas o governo não eleito e seus aliados querem que os trabalhadores e os mais pobres paguem a conta.

Não há déficit na Previdência Em parceria com os grandes meios de comunicação e o capital internacional, os golpistas inventam um déficit previdenciário; dizem que o problema está na arrecadação ou até na expectativa de vida das pessoas. Fingem não saber que as mulheres trabalham, em média, dez horas a mais por semana, e propõem igualar o tempo de contribuição e a idade para aposentadoria entre homens e mulheres. Propõem que o trabalhador do campo, apesar das suas condições muito mais difíceis de trabalho, tenha que contribuir pelo mesmo tempo que o trabalhador da cidade. Tudo isso não passa de conversa fiada. Não há déficit da Previdência. O que há é grande vontade dos bancos e seguradoras em abocanhar o mercado previdenciário. São bilhões de reais em jogo. A sociedade não pode permitir.

O jornal Brasil de Fato circula semanalmente com edições regionais, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro, no Paraná e em Pernambuco. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais em nosso país e no nosso estado.

Reação Em contraposição, há uma movimentação na sociedade que nos enche de esperança, iluminando as contradições dessas propostas contra o povo. O saco de maldades está sendo furado. Existe uma grande movimentação para barrar as inciativas do atual governo, golpista e ilegítimo.

Greve 28 de abril precisa ser de todos Além das grandes mobilizações que aconteceram nos dias 8, 15 e 31 de março, outro bom exemplo é a nota que os bispos da CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) lançaram contra a reforma da Previdência. Na mensagem, os religiosos destacam: “é indispensável que a sociedade seja ouvida e que se criem mecanismos de participação dos cidadãos nesse processo de reforma previdenciária”. Nesse ponto, eles se alinham ao discurso do Papa Francisco sobre a Previdência social, na Praça São Pedro, em novembro de 2015, quando afirmou: “nunca falte o seguro para a velhice, a doença, os acidentes de trabalho; não falte o direito à pensão”. A saída do povo trabalhador é a luta, a organização e a conscientização. Por isso, no dia 28 de abril, ninguém deve ir trabalhar. É dia de greve nacional, convocada pela Frente Brasil Popular e pelas centrais sindicais contra a reforma da Previdência, a terceirização e a reforma trabalhista.

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conselho editorial minas gerais: Adília Sozzi, Adriano Pereira Santos, Beatriz Cerqueira, Bernadete Esperança, Bruno Abreu Gomes, Cida Falabella, Durval Ângelo Andrade, Ênio Bohnenberger, Frederico Santana Rick, Gilson Reis, Gustavo Bones, Jairo Nogueira Filho, Joana Tavares, João Paulo Cunha, Joceli Andrioli, José Guilherme Castro, Juarez Guimarães, Marcelo Oliveira Almeida, Maria Júlia Gomes de Andrade, Milton Bicalho, Neila Batista, Nilmário Miranda, Padre Henrique Moura, Padre João, Pereira da Viola, Renan Santos, Rogério Correia, Rosângela Gomes da Costa, Samuel da Silva, Talles Lopes, Temístocles Marcelos, Titane, Wagner Xavier. Editora: Joana Tavares (Mtb 10140/MG). Redação: Larissa Costa, Pedro Rafael Vilela, Rafaella Dotta, Raíssa Lopes e Wallace Oliveira. Colaboradores: Alan Tygel, Anna Carolina Azevedo, André Fidusi, Bráulio Siffert, Diego Silveira, Fernanda Costa, João Paulo Cunha, Léo Calixto, Marcelo Pereira, Nadia Daian, Rogério Hilário, Sofia Barbosa. Revisão: Cristiane Verediano. Administração: Vinicius Nolasco. Distribuição: Amélia Gomes. Diagramação: Tiago de Macedo Rodrigues. Tiragem: 40 mil exemplares.


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Belo Horizonte, 13 a 19 de abril de 2017

Você acha certo que as empresas não contribuam com o INSS?

Não é correto. O governo deveria cobrar. E são valores muito altos, além de serem empresas enormes e conhecidas. No fim, isso pesa para os trabalhadores.

Gabriela Souza, atendente

Cobrar do trabalhador é uma total ignorância do governo. Se as empresas pagassem a Previdência, não seria necessária essa reforma.

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Declaração da Semana

PERGUNTA DA SEMANA

Dados da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) apontam que grandes empresas, como os bancos, a JBS e a Vale, devem R$ 426 bilhões ao INSS. Esse valor equivale a três vezes o suposto déficit do setor, apontado pelo governo como justificativa para a reforma da Previdência.

GERAL

Divulgação

Meninas, relacionamento abusivo não é saudável e não é bom! Fujam de homens abusivos!!! Isso não é amor!! E não deixem nunca de denunciar o agressor. Peça ajuda sim, peça socorro!” Twittou a funkeira Valesca Popozuda.

Assédio no metrô é crime, sabia? Mídiade NINJA Reprodução vídeo

Daniel Santos, zelador

Cantadas, piadinhas e gestos com conotação sexual é assédio. Para combater esse tipo de atitude dentro do metrô, a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) lança uma campanha para que as pessoas denunciem esse tipo de abuso. A vítima ou a testemunha deve mandar uma mensagem SMS ou WhatsApp para (31) 99999-1108. A segurança da CBTU irá agir com base em 250 câmeras instaladas nos vagões e garante o sigilo do(a) denunciante.

Inscrições do Enem serão abertas em maio O Ministério da Educação publicou, na segunda (10), o edital do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A novidade é que a prova será aplicada em dois domingos consecutivos, nos dias 5 e 12 de novembro, e não mais em um único fim de semana. No primeiro domingo, os estudantes farão provas de ciências humanas, linguagens e redação. No segundo, as provas serão de matemática e ciências da natureza. As inscrições começam às 10h do dia 8 de maio e terminam às 23h59 do dia 19 de maio, pela internet, no site do Enem. Para se inscrever, o candidato terá que pagar R$ 82.

MACHISMO DO REI DO BAÚ Sílvio Santos humilhou publicamente, no domingo (9), durante o Troféu Imprensa

2017, a apresentadora do Jornal SBT Brasil Rachel Sheherazade. Famosa pelas opiniões preconceituosas e conservadoras, Sheherazade foi moralmente violentada pelo seu patrão, quando ele afirmou “você foi contratada para ler notícias, não foi para contratada para dar a sua opinião”. Como se não bastasse, Sílvio soltou uma bomba de frases machistas. “Chamei para você continuar com a sua beleza, com a sua voz”. Mesmo Sheherazade sendo uma ativista do “bandido bom é bandido morto”, não merece, assim como nenhuma mulher, qualquer tipo de assédio e violência.


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CIDADES

Belo Horizonte, 13 a 19 de abril de 2017

Prisão arbitrária aterroriza vida de estudante ABUSO Maria foi acusada de desobediência civil e não aceitou a culpa pelo que não fez Reprodução de vídeo

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Raíssa Lopes

ntrou em uma situação como vítima e saiu como ré do Estado”, diz a advogada Isabela Corby ao explicar a situação de Maria Mariana Batista Cangussu, jovem presa em 2015, durante o ato do Grito dos Excluídos, em Diamantina. Um vídeo mostra a forma como Maria, que era conhecida na região por já ter integrado o movimento estudantil da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), foi tratada. Enquanto participava da manifestação - que era contra o aumento da passagem e dos salários dos vereadores um policial militar a abordou para perguntar se ela era a líder do movimento e pediu para que ela se identificasse. Maria e outros manifestantes tentaram explicar que o protesto não possuía uma só pessoa no

Maria, além de negra, vem de uma família de militantes

comando. As imagens mostram a jovem sendo puxada pelo cabelo e arrastada até o camburão, onde foi colocada com a roupa rasgada, com seios à mostra, e levada até a delegacia, sob alegação de desobediência civil. A primeira audiência do caso foi realizada no dia 5 de abril deste ano, quando Maria foi defendida por Júnia Roman Carvalho, da Defensoria Pública. Foi ofere-

cido à militante um acordo para encerramento do caso, mas apenas se ela assumis-

As imagens mostram Maria sendo puxada pelo cabelo e arrastada até o camburão

se a culpa e fosse penalizada com uma multa equivalente a um salário mínimo e quatro meses de prestação de serviços comunitários. A condição não foi aceita. “Não foi por entender que Maria não cometeu delito algum. Pelo contrário, os acusados deveriam ser os policiais. Não apresentar identidade em uma manifestação não é motivo para prisão e agressão”, explica a defensora. A opinião é compartilhada pela advogada Isabela Corby, que acompanha o caso pela Assessoria Popular Maria Felipa, que promove apoio jurídico a ocupações e movimentos populares. “No início, a ação da PM é cautelosa e, do nada, se reverte, criando uma cena de abuso de poder e arbitrariedade”, relata. Caso a denúncia seja levada adiante e Maria chegue a ser condenada, ela pode viver de 15 dias a 6 meses na

cadeia, além de pagar uma quantia em dinheiro. “E a pena simbólica de ser atacada por se manifestar é muito pior”, pontua Isabela. Criminalização “A gente entende que é um momento de conjuntura política e social em que militantes estão em evidência, e eles são alvos de um sistema de Justiça seletivo e racista, um sistema que caça negros e pobres”, afirma Isabela. Maria, além de negra, vem de uma família de militantes. Sua mãe é referência na causa indígena, e seu pai atua na Central Única de Trabalhadores. Trauma Abalada, Maria mudou de estado. Ela encontrou apoio no coletivo Margaridas Sempre Vivas, da Bahia. Segundo Gine Alberta, integrante do grupo, a militante até hoje trata o ombro, que teria sido deslocado após a ação da polícia.

Quatro meninas presas por questionarem ação policial em BH Reprodução de vídeo

Rafaella Dotta

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Polícia Militar realizou, na noite de 9 de abril (domingo), mais uma ação no viaduto Santa Tereza, no Centro de BH. Cerca de 200 jovens, em sua maioria negros, se reuniam no local,

quando a PM iniciou uma revista em todos eles. Uma jovem indignou-se com a violência com que os policiais os tratavam e perguntou os motivos da abordagem. Depois disso, ela foi imediatamente arrastada, segundo vídeos gravados pelos presentes, e detida pelos militares.

O Boletim de Ocorrência feito algumas horas depois consta o motivo de “crime de desobediência” de Ayana Omi Amorim de Oliveira, de 22 anos. Ela teria dito: “Eu sou cidadã, dona de direitos. Não vou encostar e nenhum policial vai colocar a mão em mim”, conforme o BO. Para os policiais, essa fala configurou desacato. Mais três mulheres foram presas quando tentavam defendê-la. Já na delegacia, a advogada Suelaine Teixeira de Araújo declarou ter sofrido mais um abuso. “Cheguei pela porta lateral da delegacia e, quando fui passar, o policial arrancou meu celular da minha mão

violentamente e começou a vasculhar informações. Eu disse que era advogada. Ele reteve minha carteira da OAB também”, relata. “Em toda a situação a única palavra que dirigiu a mim foi ‘vadia’”, diz. O racismo O advogado Daniel Deslandes, integrante da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), argumenta que a ação da PM foi desproporcio-

nal e de cunho racista. “A polícia requereu os documentos já com truculência e as pessoas questionaram essa postura”, afirma. O problema teria sido a falta de preparação da polícia para lidar com questionamentos. As principais denúncias contra os 26 policiais envolvidos na operação são abuso de autoridade, lesão corporal e violação de privacidade, segundo o coordenador da Ouvidoria da Polícia Militar de Minas Gerais, Paulo Alckmin. Os indícios passam agora por investigação e podem ocasionar punição aos PMs.

Leia a matéria completa no site www.brasildefato.com.br


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MINAS

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Opinião

Assédio e TV: tudo a ver João Paulo

Em poucos dias, quatro personagens chamados de ‘celebridades’ mostraram o que têm de pior. José Mayer foi autor de agressão sexual contra uma funcionária da emissora em que trabalha, a Rede Globo. Sílvio Santos cometeu assédio moral ao vivo em cores contra uma jornalista do SBT, onde é o “patrão”. O cantor Victor, que apresentava um concurso de calouros para crianças, passou a ser réu no processo por violência física à mulher, grávida de seu filho. Inquérito por agressão à namorada tirou o médico Marcos Harter do BBB 17. À primeira vista, a dimensão tomada pelos casos mostrou que houve uma reação social forte, principalmente das mulheres, que se uniram para denunciar e cobrar responsabilidades contra a violência, os assédios e a agressão. Além disso, a postura das emissoras parecia emitir um sinal de autocrítica. No entanto,

o constrangimento levou a punições brandas, como afastamento provisório dos envolvidos de suas atividades ou expulsão do

Casos não são exceção, mas um padrão histórico participante do reality show, o que não foi mais que a aplicação da regra do jogo. Na verdade, foi tudo jogo de cena. Não foram casos excepcionais, mas decorrências esperadas de um padrão histórico. A televisão brasileira foi construída a partir do machismo e do preconceito. Mulher na telinha sempre foi objeto de consumo, teve seu corpo exposto como mercadoria, seu destino vinculado à capacidade de sedução, sua submissão valorizada nas tramas das novelas. Os machos brancos no poder sempre dispuseram de um salvo-conduto para assediar, e a própria figura do galã é

uma caricatura dessa relação de poder. O mesmo se dá com a questão racial, com a exibição naturalizada de uma estética branca, uso sexual das mulheres negras e identificação dos jovens negros como criminosos. Até o ano passado, uma mulher jovem, negra e nua, era símbolo do carnaval, em nítida identificação com o racismo e o turismo sexual. A mesma lógica sempre levou a TV a fazer caricatura dos homossexuais, jogá-los no gueto e festejar um beijo gay como triunfo da modernidade, depois de décadas de deboche. A televisão não é o espelho de uma sociedade injusta e preconceituosa. Ela é um ator destacado nesse processo. No jornalismo, se tornouse um partido e submeteu a informação à dinâmica do espetáculo. As ocorrências das últimas semanas não podem ser esquecidas. O assédio sexual foi assumido como erro, quando na verdade é um crime. Preconceito, violência, arrogância e discriminação. A gente vê por aqui.

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12 povos indigenas. Cada um com sua histOria, sua lingua. E todos eles vao dialogar com o Governo. O Governo do Estado de Minas Gerais promove o diálogo com as lideranças e os jovens das 12 etnias do estado. Uma articulação que busca aprimorar as ações existentes e dar continuidade à instituição da política estadual para povos indígenas no estado. Acesse direitoshumanos.mg.gov.br e saiba mais.


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MINAS

Belo Horizonte, 13 a 19 de abril de 2017

Entidades se manifestam em apoio a pediatras afastadas pelo prefeito SAÚDE Profissionais se posicionaram contra separação forçada entre mães e recém-nascidos Rodrigo Clemente / PBH

Wallace Oliveira

os últimos dias, enN tidades vinculadas à saúde e direitos das

mulheres manifestaram apoio às pediatras Sônia Lansky e Márcia Parizzi. Ambas são servidoras de

carreira da Prefeitura de Belo Horizonte e foram afastadas pelo prefeito Alexandre Kalil (PHS), na sexta (7), de suas funções de coordenação na Secretaria de Saúde. Sônia Lanzy coordenava o Comitê de Prevenção do

Óbito Materno, Fetal e Infantil, e Márcia Parizzi era coordenadora de Saúde da Criança e do Adolescente. O Conselho Municipal de Saúde convocou uma plenária no dia 17, para debater o tema.

No começo da semana, sete vereadores solicitaram ao prefeito a recondução das profissionais a seus cargos. Para a doula Polly do Amaral, a decisão representa uma perda nas políticas públicas de saúde do município. “Ambas executavam um trabalho importantíssimo, reconhecido internacionalmente, relacionado ao parto, aos direitos das mulheres e da criança e adolescente”, afirma Polly, que organizou um abaixo assinado pela recondução delas (disponível em: migre. me/wpYAg), que já con-

ta com mais de 4.500 assinaturas. A Frente em Defesa do SUS também se manifestou contra a decisão do prefeito. Em nota, a frente afirma que as servidoras foram afastadas por “seu posicionamento na defesa das mães que têm perdido a guarda de seus bebês, por se encontrarem em situação de vulnerabilidade, através de várias ações do Ministério Público da Infância”. O Brasil de Fato MG entrou em contato com a Secretaria de Saúde, mas não obteve respostas até o fechamento desta edição.

MP recomenda separação de bebês e mães em situações consideradas de “alto risco” HOB

S

egundo as entidades, as pediatras foram afastadas por serem contra uma proposição da Justiça mineira. Em 2014, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) emitiu duas recomendações, orientando os profissionais de saúde a informarem à Justiça o nascimento de recém-nascidos em situação de “alto risco”, como em casos de dependência química das mães ou no caso de serem filhos de moradoras em situação de rua. Em julho de 2016, o juiz Marcos Flávio Lucas Padula, da Vara Cível da Infância e da Juventude, publicou uma portaria que diz que os bebês poderiam ser enviados a abrigos, e as mães deveriam ser conduzidas ao tribunal para serem ouvidas.

tiva da guarda pela mãe. E não é colocada a possibilidade de acolhimento conjunto da mãe e do bebê”, comenta Fernanda Côsso, assessora do mandato da vereadora Áurea Carolina. “Medida discriminatória”

Caberia ao juiz decidir o destino do bebê. No dia 16 de março, a pedido das vereadoras Áurea Carolina (PSOL) e Pedro Patrus (PT), uma audiência pública discutiu o assunto. “Na prática, a mãe tem um prazo de 48 horas para ser ouvida pelo juiz e apresentar sua defesa, sendo que ela acabou de dar à luz e ter alta. O juiz pode determinar o acolhimento do bebê

Uma das críticas é que a medida fere o código de ética dos profissionais da saúde, que tem como preceito não denunciar ou exem abrigo e, a partir disso, por ninguém, o que não seo abrigo fazer um relatório ria diferente com usuárias que embase a perda defini- que passam por alguma situação de vulnerabilidade. Além disso, a medida teria contribuído com o aumento do número de crianças separadas das mães e enEm muitos casos, viadas para abrigo ou até fica demarcada a adoção, fato amplamente criminalização da discutido na audiência pública do dia 16 de março. pobreza”, analisa Outra crítica chama a assessora atenção para o caráter dis-

criminatório, precipitado e arbitrário das ações indicadas pela Justiça mineira. “Apesar de terem colocado como ideia a proteção, faz parte da proteção da própria criança o direito a ser educada no seio da família. A substituição da família tem que ser tratada como uma situação excepcional”, comenta Fernanda Côsso. “O que parece é que, em muitos casos, fica demarcada a criminalização da pobreza, como se determinadas mães em situação de rua não tivessem condições de criar filhos. Há previsão no Estatuto da Criança e do Adolescente [ECA] para destituição, caso o conselho confirme caso de tratamento degradante, mas há um trâmite, um processo, e uma possibilidade de defesa das mães e famílias”, conclui.


Acompanhando

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Foto da semana

OPINIÃO

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PARTICIPE Viu alguma coisa legal? Algum absurdo? Quer divulgar? Mande sua foto para redacaomg@brasildefato.com.br.

Coutinho / SCO - STF Na ediçãoRosinei 156...

País se mobiliza contra absolvição de responsáveis pelo Massacre do Carandiru ...E agora O Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu que os policiais militares envolvidos no Massacre do Carandiru terão um novo julgamento. O Ministério Público vai recorrer ao Superior Tribunal de Justiça para que as condenações sejam mantidas. Em setembro de 2016, desembargadores votaram pela absolvição dos réus. Na edição 158... Mulheres argentinas realizam primeira greve feminina no país ... E agora Assassinato de ativista no movimento Ni Una Menos choca a Argentina O feminicídio de Micaela García, universitária de 21 anos e ativista no movimento feminista Ni Una Menos, provocou protestos e trouxe mais uma vez à tona a emergência da violência contra mulheres na Argentina. Após uma semana de buscas, o corpo de Micaela foi encontrado, no sábado (8), em um bosque, com sinais de estrangulamento. O principal suspeito, que segundo a polícia confessou o assassinato e indicou onde estava o corpo, é Sebastián Wagner, que foi preso após sua mãe denunciá-lo à polícia. Em 2012, Wagner foi condenado a nove anos de prisão por dois estupros em situações similares ao desaparecimento de Micaela. Ele estava em liberdade condicional. Manifestações “por Micaela e por todas” aconteceram no país nos dias 10 e 11.

No próximo dia 28 de abril, o Brasil terá uma nova greve geral, 100 anos após a primeira, ocorrida em julho de 1917. Na primeira, a pauta tratou de questões relacionadas ao ambiente fabril, ao controle de preços de alimentos e dos aluguéis, à vedação do trabalho de menores de 14 anos e ao pagamento de horas extras. Neste mês a greve é contra a reforma da Previdência, a terceirização e a reforma trabalhista.

Florence Poznanski

Eleições na França Daqui a duas semanas, os franceses já conhecerão o nome dos dois candidatos que disputarão o segundo turno para eleger o sucessor de François Hollande na Presidência da República. A eleição mostra perda de espaço dos partidos tradicionais. Os quatro candidatos favoritos estão com diferença entre eles de cerca de 5 pontos, com 40% da população ainda indecisa. Jean-Luc Mélenchon, líder do movimento “França Insubmissa”, que apresenta um projeto ecosocialista centrado em torno da melhoria das condições de vida dos franceses, comprometimento com a ecologia e novas alianças internacionalistas, é o candidato que mais cresceu no último período. Mélenchon passou de 10%, no início de março, para 19% um mês depois. Pela primeira vez, um candidato de esquerda fora da socialdemocracia pode alcançar o segundo turno. O socialista Hollande resolveu não se candidatar a reeleição. Sua eleição em 2012 se deu após 17 anos de governos direitistas, culminando com o ultraliberal e polêmico Nicolas Sarkosy. Hollande Candidato de esquerda termina o mandato cresceu 9% em um mês com péssima avaliação e promessas de campanha não cumpridas. Ele aprofundou a política econômica e social de austeridade de Sarkosy. O jogo segue embolado com Benoit Hamon do Partido Socialista, com 9%; François Fillon do Partido dos Republicanos, representante da direita conservadora, com 17%; Emmanuel Macron do movimento centrista “Em marcha” com 24%; Marine Le Pen da Frente Nacional de extrema direita também com 24%; e Jean -Luc Mélenchon com 19%. Florence Poznanski é conselheira consular dos franceses do Brasil e militante da França Insubmissa. Leia íntegra em brasildefato.com.br

Roberto Amaral

A reforma política necessária não é possível A reforma política, há tanto requerida por gregos e troianos – sua necessidade e urgência talvez seja a única unanimidade de nossos tempos – far-se-á em momento inadequado e, não será, ainda, a reforma necessária. Esta deverá esperar outras circunstâncias, como uma Constituinte com condições políticas de passar o País a limpo. Na realidade, o que nos é apresentado são tentativas de correção do processo eleitoral, sem qualquer incursão na legislação partidária, e muito menos nas funções e competência do Poder Judiciário, mormente o Tribunal Superior Eleitoral. Qualquer que seja o alcance dessa reforma em gestação no Congresso, será, portanto, uma minirreforma capenga. Uma ‘pinguela’ para podermos chegar a 2018. Os momentos de crise, e crise profunda como a que o País está vivendo, são os menos indi- A crise é de legitimidade cados para refordos poderes mas políticas, e ainda menos aconselhável é que essas reformas fiquem à conta de um Parlamento e de partidos que nada representam: a crise fundamental é de legitimidade dos poderes. Nesses termos, a reforma política necessária ainda não está na ordem do dia. A Constituinte necessária dependerá da organização popular. Ou seja, dependerá de partidos políticos e políticos, líderes e não gestores, capazes de construir uma nova hegemonia – esta, democrático-popular – que terá substituído a súcia que tomou de assalto a República, grupo poderoso de oportunistas do agronegócio, com o clero evangélico-mediático e o capital financeiro rentista, nacional e internacional. Roberto Amaral é escritor e ex-ministro de Ciência e Tecnologia. Leia íntegra em brasildefato.com.br


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BRASIL

Belo Horizonte, 13 a 19 de abril de 2017

Emboscada contra o MST será apurada por Comissão da Câmara Federal COVARDIA Cinco sem-terra ficaram feridos pelos tiros disparados por funcionários da fazenda Capitão Eneias, na região Norte de Minas Cristiane Sampaio De Brasília

Divulgação / MST

O

colegiado da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal anunciou, na segunda (10), a abertura de um procedimento para apurar a ação armada que culminou no ferimento de cinco sem-terra na Fazenda Norte América, no município de Capitão Eneias, região Norte de Minas Gerais. Segundo relato do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), um grupo com cerca de 300 pessoas foi ao local no domingo (9) pela manhã para participar de uma reunião, a pedido do administrador da fazenda, mas foi recebido com tiros disparados por funcionários do estabelecimento. O encontro trataria da venda da propriedade, como parte do processo de reforma agrária. Os sem-terra narraram que o suposto proprietário da fazenda, Leonardo An-

drade, não só assistiu à cena do tiroteio, como estaria dirigindo o carro no qual estavam os pistoleiros. Três trabalhadores foram baleados, e duas crianças saíram feridas com tiros de raspão. O incidente foi interpretado pelo MST como uma emboscada. Em seguida, duas pessoas foram presas pela Polícia Militar. Lideranças da região denunciaram o ocorrido à CDHM, que designou dois parlamentares da bancada de Minas Gerais para acompanhar o caso. “Houve, de fato, intenção de matar, por

isso os responsáveis precisam ser punidos. Estamos acompanhando os desdobramentos e cobrando das polícias e do governo do estado todas as providências”, disse o deputado Padre João (PT-MG). Função social da terra O parlamentar esteve no local há cerca de 15 dias e vem acompanhando a situação do acampamento Alvimar Ribeiro, que foi montado na fazenda, em janeiro deste ano pelo MST, como primeiro passo da luta pela desapropriação do imóvel.

“Recebi essa notícia [da emboscada] com muita indignação, porque lá já está numa fase de negociação. Os herdeiros sempre são indenizados e bem pagos, então, eles não ficam no prejuízo. Além

Houve intenção de matar, por isso os responsáveis precisam ser punidos”, diz deputado

disso, a fazenda não cumpre a função social e as famílias que acamparam estão dando uma função à propriedade, com uma produção sem agrotóxicos. Então, foi covardia dos que estavam lá na fazenda e dos mandantes dos jagunços. Isso não pode ficar impune”, declarou o deputado. Samuel Costa Santos, da direção estadual do MST, destaca que a propriedade, apesar de não ser improdutiva (pelo fato de ter criação de equinos), estaria desrespeitando a Constituição Federal de 1988 por não cumprir a função social da terra. “É uma das poucas fazendas com potencial para produção de arroz no Norte de Minas. Queremos que ela seja desapropriada, porque tem um grande potencial produtivo e é usada apenas para engorda de animais”, disse Samuel. Em janeiro, havia 150 famílias no local; hoje já são cerca de 600.

STF rejeita liberdade a militante INJUSTIÇA Edson Fachin reconhece que MST não é organização criminosa, mas negou habeas corpus a sem-terra preso

O

MST criticou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em rejeitar o pedido de habeas corpus do militante do movimento Luiz Batista Borges. O ministro Edson Fachin negou também, na segunda (10), o pedido de cancelamento dos mandados de prisão em aberto contra os militantes Diessyka Lorena Santana e Natalino de Jesus. Fachin retirou a acusação de envolvimento dos militantes em organização criminosa, mas manteve na acusa-

Lula Marques EBC

ção de outros supostos crimes cometidos pelos sem-terra. Luiz completa um ano de prisão preventiva na sexta (14), e Diessyka e Natalino estão exilados. Eles são do acampamento Padre Josimo, no município de Santa Helena (GO). O caso Em 14 de abril de 2016, juízes da comarca de Santa Helena expediram quatro mandados de prisões preventivas contra os três pequenos agricultores e o geógrafo Valdir Misnerovicz.

Os mandados foram baseados na Lei nº 12.850/2013, que tipifica as organizações criminosas, e se referem à ocupação de uma parte da usina Santa Helena. Cerca de 1,5 mil famílias ligadas ao MST ocupam a área. Em outubro de 2016, o STJ concedeu habeas corpus a Misnerovicz. A usina faz parte do Grupo Naoum que, segundo o MST, deve mais de R$ 1 bilhão à União e aos trabalhadores, além de ser acusada de crimes ambientais.


Belo Horizonte, 13 a 19 de abril de 2017

Governo cobra dívida, mas tem débito gigantesco com estados KANDIR Lei para favorecer agronegócio derrubou arrecadação de impostos de estados e municípios, que nunca foram recompensados pela União Valter Campanato

Pedro Rafael Vilela, de Brasília (DF)

E

nquanto o Congresso Nacional tenta aprovar um projeto de lei complementar que cria o Regime de Recuperação Fiscal para Estados em situação de falência, a União acumula débitos de centenas de bilhões de reais com as unidades federativas e os municípios. Esses débitos, caso fossem regularizados, fariam com que muitos estados – que hoje mal conseguem pagar os salários dos servidores públicos – se tornassem credores do governo federal. Essa dívida vem sendo acumulada há mais de 20 anos, desde a aprovação da lei Kandir, durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). A lei Kandir permitiu a desoneração do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) de produtos primários e semielaborados destinados à exportação, tais como óleo de petróleo, minério de ferro, soja, café e tabaco. O ICMS é um imposto recolhido pelos estados. O objetivo era baratear esses produtos no exterior, impulsionando o agronegócio. O problema é que, além de favorecer a desindustrialização do país, que passou a apostar mais na venda de produtos primários do que dos manufaturados, a lei resultou em um aumento da degradação ambiental, com o avanço das monoculturas e da pecuária. Além disso, derrubou a arrecadação de impostos de estados e municípios, que nunca foram devidamente recompensados pelas perdas de receita.

No fim do ano passado, por unanimidade, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) julgaram válida a ação movida pelo es-

Minas deveria receber R$ 135 bilhões de compensação tado do Pará e determinaram ao Congresso Nacional a definição, em até doze meses, dos critérios e regras de compensação aos estados exportadores pelas perdas decorrentes da desoneração das exportações, como prevê a própria lei Kandir. Estados falidos, mas credores Os estados mais prejudicados são justamente aqueles que têm na economia agroexportadora sua principal fonte de receita e que hoje sofrem de uma grave crise fiscal. É o caso, por exemplo, do Rio de Janeiro (petróleo), Minas Gerais (minério), Rio Grande do

Sul (soja e tabaco), Pará (minério e soja) e Mato Grosso (soja), entre outros. Além de não recompensar os estados, o governo federal tenta impor, no projeto de recuperação fiscal, contrapartidas duríssimas aos estados, como o congelamento de salários, aumento de impostos, fim de concursos públicos e privatização de empresas estatais, mesmo aquelas mais rentáveis. O Rio de Janeiro, que depende hoje de um acordo de recuperação financeira com o governo federal, deixou de arrecadar, em duas décadas, mais de R$ 49,2 bilhões. Esse montante é muito superior aos R$ 19 bilhões de rombo nos cofres públicos do estado, que sofre com atrasos sucessivos no pagamento de salário dos servidores, de fornecedores e o desmantelamento dos serviços públicos básicos, como saúde e educação. O Rio Grande do Sul é outro estado em crise, mas que deveria receber ao menos R$ 43 bilhões de compensação. Em vez de pressionar a União, o governador Ivo Sartori (PMDB), aliado de Temer, tem priorizado um for-

te ajuste fiscal nas contas estaduais, com a venda de diversas empresas estatais e fechamento de fundações. Salários de servidores e serviços públicos também têm sido fortemente afetados. Em 20 anos, o estado do Pará também deixou de arrecadar cerca de R$ 67,5 bilhões. Outro estado bastante afetado pela perda de impostos é o Mato Grosso, principal exportador de soja do país. O estado deixa de arrecadar, por ano, R$ 7 bilhões em ICMS desonerados do setor do agronegócio. Minas também sai prejudicada Em Minas Gerais, o governador Fernando Pimentel (PT) afirma que o estado teria a receber cerca de R$ 135 bilhões de compensação pela lei Kandir, enquanto deve R$ 88 bilhões ao governo federal. Isso permitiria ao Estado mineiro não apenas quitar a dívida com a União, como ainda se tornar credor. Em recente entrevista ao jornal Valor Econômico, Pimentel rejeitou adotar as contrapartidas exigidas pelo governo federal no projeto de recuperação fiscal dos estados, como o congelamento de salários. O governador também garantiu que não vai vender a Cemig e a Codemig, empresas públicas com participação acionária do Estado mineiro.

Lei Kandir há 20 anos permite desoneração de ICMS

BRASIL

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Samarco terá que pagar R$ 1 milhão por atraso em retirada de rejeitos O Comitê Interfederativo, que fiscaliza os trabalhos de reparação dos danos causados pelo crime da Samarco em Mariana, manteve a multa aplicada à mineradora pelo descumprimento de acordo que previa a retirada dos rejeitos na Usina de Candonga, em Santa Cruz do Escalvado (MG). A empresa terá que pagar R$ 1 milhão, mais R$ 50 mil por dia de atraso na remoção dos sedimentos. Essa multa foi aplicada em fevereiro, mas a empresa recorreu. O recurso foi julgado há duas semanas e negado.

Convergência Negra contra a reforma da Previdência Entidades que compõem a Convergência Negra, articulação que luta contra o racismo no Brasil, lançou, neste mês, uma nota em repúdio às medidas propostas pelo governo golpista de Michel Temer. A nota afirma que a reforma da Previdência é uma “versão contemporânea da Lei dos Sexagenários”, de 1885, que concedia liberdade aos escravos com mais de 60 anos. “Eram raros os que atingiam essa idade, devido à vida sofrida do trabalho escravo; os que atingiam essa idade já não tinham força e nem condições de trabalho”.


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MUNDO

Belo Horizonte, 13 a 19 de abril de 2017

Putin diz que relação com EUA piorou após chegada de Trump SÍRIA Para o presidente russo, novos ataques químicos são preparados pela oposição, a fim de culpar Bashar al-Assad Reprodução

Da redação

internacional”, recordou. A Rússia suspendeu a cooperação militar com os EUA na Síria, após o ataque contra uma base aérea ordenado por Trump. Na quarta (12), o secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, se reuniu com o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, em Moscou, para uma conversa sobre o futuro das relações entre as duas potências.

E

m entrevista exibida na quarta (12) à emissora de TV Mir, o presidente russo, Vladimir Putin, disse que a confiança entre Rússia e Estados Unidos “tem se degradado” desde que Trump chegou à Casa Branca. “Podemos dizer que o trabalho de confiança, especialmente no campo militar, não melhorou, mas piorou”, declarou. Na terça (11), Putin já havia dito que novos ataques químicos estão sendo preparados na Síria, por grupos oposicionistas, com o objetivo de culpar o governo de Bashar al-Assad. Ele

comparou a situação com o conflito no Iraque, em 2003, quando o governo estadunidense alegou o uso de armas químicas por Saddam Hussein. “Depois disso, co-

meçou a campanha militar no Iraque, que terminou com a destruição do país, um aumento da ameaça terrorista e o surgimento do Estado Islâmico na cena

Esquenta clima entre EUA e Coréia do Norte A China alertou Trump para que tenha calma ante a Coreia do Norte. Em pronunciamento à TV esta-

tal chinesa, o presidente Xi Jinping defendeu uma solução pacífica para a crise. Na terça (11), Trump havia declarado que estava disposto a resolver o problema com a Coréia sem a ajuda dos chineses. Por sua vez, a Coreia do Norte avisou que pode usar armas nucleares contra os Estados Unidos, caso seja atacada. A tensão entre os dois países aumentou na última semana, depois que os Estados Unidos enviaram para a costa da Coréia do Norte um grupo naval de ataque.

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Lei da Terceirização: ruim para o trabalhador, ruim para o país Há pouco mais de meio século, em 31 de março de 1964, um golpe arquitetado por oficiais das Forças Armadas com o apoio da elite empresarial do país pôs fim à democracia e excluiu do processo político centenas de líderes sindicais que lutavam pela aprovação das chamadas “reformas de base” com as quais o presidente João Goulart pretendia criar um novo ambiente para a expansão do capitalismo . Naquela época, entidades sindicais foram fechadas, seus dirigentes perderam o direito de exercer seus mandatos e muitos deles acabaram presos, torturados e, em alguns casos, exilados. O pano de fundo para o arrocho salarial que marcou os anos de ditadura estava dado. Curiosamente, em 2017, o dia 31 de março mais uma vez foi marcado por um golpe sobre as entidades sindicais e os trabalhadores brasileiros: a sanção presidencial da Lei 13.429/2017, que autorizou a terceirização da atividade-fim das empresas e dá margem à interpretação de que o procedimento pode se estender também ao serviço público – medida que, além de abrir espaço para a piora das condições de trabalho no país, trará consequências ainda incalculáveis para a economia. Em primeiro lugar porque, embora os contratos de terceirizados também tenham que ser regidos pela

CLT, é evidente que seus salários serão inferiores aos dos diretamente contratados, conforme já ocorre nas atividades-meio (alimentação, limpeza e segurança), cuja remuneração chega a ser até 30% menor, segundo cálculo do Dieese. Além disso, como a experiência também prova, mesmo em funções que envolvem risco à saúde, terceirizados não recebem o mesmo treinamento que os efetivos e, por isso, se tornam mais vulneráveis a acidentes – em alguns casos, fatais.

É impossível não prever o estrago que a nova regulamentação trará à economia do país; se o trabalhador passa a ganhar menos, cai seu poder de compra. Já a permissão para que o prazo de contratação por prazo determinado seja estendido dos atuais seis meses para nove meses será um estímulo à rotatividade da mão de obra e, em consequência, à precarização, uma vez que trabalhadores temporários podem ser demitidos a qualquer momento – ou seja, sem aviso prévio – e não recebem os 40% da multa sobre o saldo do FGTS, que é paga em caso de dispensa sem justa causa.

Para os sindicatos, os prejuízos também serão incontáveis, a começar pelo fato de que alterações no enquadramento funcional dos trabalhadores futuramente terceirizados levarão à pulverização da representação sindical – e ao enfraquecimento de suas entidades de classe. Como se não bastasse, a nova regra também abre espaço para que, em caso de greve, trabalhadores temporários possam ser contratados para substituir grevistas nas situações previstas em lei, o que, na prática, inviabilizará essa ferramenta de luta e a conquista de melhores condições de trabalho. Por outro lado, é impossível não prever o estrago que a nova regulamentação trará à economia do Brasil. Afinal, se o trabalhador passa a ganhar menos, cai seu poder de compra. E, se o consumo encolhe, decrescem na mesma medida a produção e o emprego, conforme assistimos atualmente no país. É por essas e outras que o Sindifisco-MG se posicionou contrariamente à Lei da Terceirização e conclama os trabalhadores a saírem às ruas no dia 28 de abril em defesa dos direitos trabalhistas e sociais. Venham conosco.

sindifiscomg.org.br


Belo Horizonte, 13 a 19 de abril de 2017

ENTREVISTA

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“Essa crise é construída pelo liberalismo econômico, sem ideia de nação” PROJETO NACIONAL Para o economista Luiz Carlos Bresser-Pereira, “5% do PIB é roubado do patrimônio público e entregue a rentistas” Caros Amigos

Por Rede Brasil Atual

Se é que vai ter…

D

esde o governo Collor, o Brasil se entregou aos interesses, ideias e ao comando estrangeiro, ao liberalismo econômico, que é dominante no Brasil desde então”, diz o economista Luiz Carlos Bresser-Pereira. Fundador do PSDB, ex-ministro dos governos José Sarney e Fernando Henrique Cardoso, o economista acredita que a legenda tucana “é o verdadeiro sucessor da UDN no Brasil, e, portanto, é um partido golpista”.

RBA - No final de 2015, o senhor disse que o Brasil tem dois grandes problemas: a “alta preferência pelo consumo imediato” e a perda da “ideia de nação”. Depois do golpe, a ideia de nação se perdeu definitivamente?

Luiz Carlos Bresser-Pereira - Veja, o Brasil não tem uma ideia de nação desde os anos 1990. Desde o governo Collor, o Brasil se entregou aos interesses, ideias e ao comando estrangeiro, ao liberalismo econômico, que é dominante no Brasil desde então. E liberalismo significa dependência, para nós. Houve nos governos Lula e Dilma uma certa retomada da ideia de nação. Nada muito forte, mas houve um esforço nessa direção. De repente vem o

O PSDB é um partido da direita antinacional e dependente”

“Uma classe média ressentida não se sentiu apoiada pelos governos de Lula e Dilma”

golpe, um golpe ultraliberal, absolutamente contrário à ideia de nação e que agravou profundamente a crise em que nós já estávamos, uma crise provocada por esse liberalismo. O Brasil está dominado pelo liberalismo econômico desde 1990. Mudaram o regime de política econômica, de um regime desenvolvimentista para um regime liberal, que é inviável no país. De forma que o Brasil vai de mal a pior. Qual sua avaliação do atual cenário e da conjuntura econômica, do futuro no curto e médio prazo?

Tivemos uma crise que se desencadeia no final de 2014 e que, se fosse contra-atacada com uma política expansiva, feita por um ministro competente, keynesiano, talvez o Brasil estivesse fora dela há bastante tempo. Mas não. Foi ainda a Dilma que chamou o Joaquim Levy, e ele adotou uma política que afinal agravou a recessão substancialmente. Veio o Nelson Barbosa e tentou

Com golpe temos 13 milhões de desempregados” consertar a coisa dizendo: “Não, nós não podemos reduzir investimentos, podemos reduzir despesa corrente, mas, em hipótese alguma, investimento. Pelo contrário, devemos expandir”. Mas veio o golpe, e outra vez veio o liberalismo econômico mais radical, a ortodoxia. Estamos com mais de 13 milhões de desempregados. Realmente a crise se aprofundou. E é uma crise construída pelo liberalismo econômico, sem ideia de nação. Considerando que a derrubada do governo foi, no mínimo, incentivada por interesses internacionais, era possível ter evitado o golpe?

Sem dúvida que podia ter sido evitado. Foi uma decisão lamentável do Congresso, foi uma mano-

bra de um grupo de oportunistas do PMDB, na qual o PSDB embarcou docemente, demonstrando que é um partido liberal, o verdadeiro sucessor da UDN no Brasil, e que, portanto, é um partido golpista como era a UDN. O PMDB não é nada, não é um partido. É um conjunto de pessoas, algumas até muito boas, e outras péssimas. Já o PSDB é um partido, como o PT, mas é um partido da direita e da direita absolutamente antinacional e dependente. Isso ficou demonstrado quando eles se associaram ao golpe, que não os adiantou em nada. Uma classe média de direita ressentida não se sentiu apoiada pelo governo; os ricos ficavam mais ricos, os pobres eram apoiados pelo governo e essa classe média ficava solta no ar. E aí houve uma radicalização muito violenta na sociedade brasileira, e passou a haver no Brasil uma coisa que nunca se tinha visto, que foi o ódio. Mas vamos ter eleição em 2018.

Vai ter. E o Lula possivelmente vai ser candidato. Não creio que eles consigam impedir que ele seja candidato. Digamos que o outro seja o Doria. Quem desses candidatos tem capacidade de reunir a sociedade brasileira? Quem tem capacidade de fazer os compromissos, entendimentos etc., e voltar a transformar essa sociedade, não digo numa grande nação, mas pelo menos num país que volte a se repensar, com menos ódio e com mais ideia de cooperação e colaboração entre todos? Certamente não é um Doria. E, a meu ver, o Lula tem todas as condições para isso. O que dizer às pessoas hoje desiludidas, de várias gerações, que passaram a acreditar que o país podia ser autônomo, ter soberania, mas outra vez sofreu um golpe?

Não há nada mais importante do que isso. Devemos lançar, até o final do mês, um manifesto que chamo de Projeto Brasil Nação, e espero que seja seriamente lido, estudado e apoiado pelas pessoas, porque conclamase os brasileiros a voltarem a se unir em torno da ideia de nação e em torno de um programa econômico viável, responsável, do ponto de vista fiscal e cambial.

O Brasil vai de mal a pior”


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Belo Horizonte, 13 a 19 de abril de 2017

Nossos direitos

Amiga da Saúde

Racismo é crime A lei brasileira define punição criminal para condutas de racismo e de injúria racial. Para conhecer melhor nossos direitos, vamos entender melhor essa diferença: A injúria racial está prevista no artigo do Código Penal e consiste em ofender a honra de uma pessoa, valendo-se de elementos referentes à raça, cor, etnia, religião ou origem, e pode ser punida com pena de reclusão de um a três anos e multa. Um exemplo de injúria racial ocorreu no episódio em que torcedores do time do Grêmio insultaram um golei-

ro de raça negra, chamando-o de “macaco”. Já o crime de racismo está previsto na Lei n. 7.716/1989 e trata de punição para atitude discriminatória dirigida a determinado grupo. Temos como exemplo a condenação de um homem que fez apologia ao racismo contra judeus, negros e nordestinos em página da internet. Caso você seja vítima de tal discriminação, ou conheça alguém que a sofreu, o melhor é denunciar para que, assim, a sociedade brasileira se conscientize cada vez mais da igualdade entre todas as pessoas.

Adília Sozzi é advogada da Rede Nacional de Advogados Populares – RENAP.

Oi, Amiga da Saúde! Estou me achando muito gorda. Será que eu consigo fazer uma cirurgia de redução do estômago pelo SUS? Paloma Ferreira, 32 anos, do lar Querida Paloma, a cirurgia de redução do estômago é feita pelo SUS. Entretanto, para que ela seja autorizada, é preciso preencher alguns critérios. O principal é o peso. Em geral somente casos de obesidade mórbida serão encaminhados para cirurgia. Outro critério é o acompanhamento contínuo em serviço especializado, com avaliação por uma equipe de profissionais, incluindo o psicólogo. Isso é fundamental, pois a redução do estômago é um proce-

dimento de risco e, no pós-operatório, pode haver depressão relacionada à alteração drástica do padrão alimentar. Por isso, o preparo emocional precisa ser feito com rigor. Antes de partir para cirurgia, é preciso também experimentar uma mudança no estilo de vida, e algumas pessoas conseguem, assim, reduzir tanto o peso que a cirurgia se torna desnecessária. Procure sua equipe de referência no Centro de Saúde para uma avaliação.

Sofia Barbosa I Coren MG 159621-Enf. Aqui você pode perguntar o que quiser para a nossa Amiga da Saúde Mande sua dúvida: amigadasaude@brasildefato.com.br

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Belo Horizonte, 13 a 19 de abril de 2017

13 VARIEDADES 13 por Alan Tygel

Dicas Mastigadas www.malvados.com.br

sorvete caseiro

Preencha os espaços vazios com algarismos de 1 a 9. Os algarismos não podem se repetir nas linhas verticais e horizontais, nem nos quadrados menores (3x3). www.coquetel.com.br

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6 bananas bem maduras 1 limão Geleia de frutas 1 colher de gengibre (opcional)

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Ingredientes:

Modo de fazer

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Corte a banana em rodelas e o limão em cubos, e leve ao congelador. Na hora em que for comer, bata todos os ingredientes em um processador até virar um creme. Sirva na hora! Usando bananas bem maduras, não é necessário colocar açúcar nesta receita.

Sem gordura vegetal hidrogenada 5 9 7 1 4 2 3 6 8

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Solução

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Sorvetes industrializados, assim como vários outros alimentos processados, são feitos com gordura vegetal hidrogenada. Essa gordura é o resultado de um processo físico e químico realizado em óleos naturais ricos em ácidos graxos poli-insaturados, que são transformados em materiais pastosos ou sólidos. O procedimento é a solução encontrada pela indústria de alimentos para substituir a gordura animal e manter seus produtos com aparência mais fresca ou crocante, por exemplo, as batatas fritas dos fast foods. Seu consumo resulta no aumento dos níveis do mau colesterol (LDL) e na redução do bom colesterol (HDL). Essa é uma combinação que aumenta bastante os riscos de doenças cardiovasculares.

* Alan Tygel é da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida

Participe enviando sugestões para receita@brasildefato.com.br.


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CULTURA

Belo Horizonte, 13 a 19 de abril de 2017

Com muita poesia, filme nacional retrata o interior de Minas Gerais ESTREIA Filmado na Zona da Mata mineira, “A Família Dionti” mescla realidade, fantasia e sonho Divulgação

Larissa Costa

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ineiridade, poesia e realismo fantástico são elos fortes do filme “A Família Dionti”, que estreia em todo o Brasil na quinta-feira (13). O longa, ambientado na Zona da Mata mineira, conta a história de Kelton (Murilo Quirino), seu pai Josué (Antonio Edson) e seu irmão Serino (Bernardo Santos) que juntos vivem em uma casa simples na roça. Trabalhador de uma olaria, Josué espera há tempos que sua esposa volte com as chuvas fortes, porque ela se foi, “virou água”. Os meninos vão à escola de bicicleta, o mais velho trabalha e o mais novo, Kelton, adora jogar futebol com seus grandes bonecos de pano. Até que um dia um circo chega à vila e traz Sofia (Anna Luiza Marques), uma menina forte e cheia de assuntos para contar. É por Sofia que Kelton desenvolve os

mesmos sintomas da mãe e começa a se derreter. Literalmente, virar água. Altamente preenchido com metáforas, a “A Família Dionti” é uma reflexão filosófica da vida, do cotidiano, da morte, da inexistência, ainda que o realismo fantástico perpasse toda a narrativa. “A

Produção estreia na quinta em todo o Brasil

grande qualidade do filme é a delicadeza”, afirma o ator Antônio Edson. O diretor e roteirista Alan Minas busca referências no poeta Manoel de Barros e no escritor Guimarães Rosa. “O filme transita entre realidade, fantasia e sonho sem, necessariamente, determinar limites”, argumenta. Há um cuidado com a construção da história, de forma que haja brechas para a interpretação do público. Minas são muitas Elisa Almeida assistiu à pre

-estreia do filme e saiu encantada com a produção. “Apesar de o diretor ser carioca, ou talvez por isso mesmo, acho que ele entrou na questão da mineiridade de uma forma muito verdadeira. E tem muita poesia. Captar essa poesia do mineiro tem a ver com o tempo, com esse tempo lento, de falar uma frase e parar um pouquinho. E isso me emociona”, afirma. Além da forma de falar dos personagens, a cultura mineira aparece na música, na fotografia e nos hábi-

Novo telescópio é Lançamento de atração no Espaço do Encontro Afro BH Conhecimento UFMG Em abril, BH ganhou mais um telescópio para fazer a alegria de quem é apaixonado pelos astros. O equipamento compõe o terraço astronômico do Espaço do Conhecimento da UFMG (Praça da Liberdade), que voltou com as atividades de observação do céu durante todos os sábados, das 19h às 21h. A entrada é gratuita, mas senhas devem ser retiradas uma hora antes do evento. Com dois telescópios funcionando, agora é possível ver objetos diferentes na mesma noite, como planetas, lua e constelações.

No sábado (15), acontece a primeira edição do Encontro Afro em Belo Horizonte. O evento se trata de um projeto itinerante que nasceu para valorizar a diversidade racial na cultura. Serão realizadas apresentações musicais, oficinas de turbante, palestras sobre cabelo crespo e feira de exposição de produtos com a estética do povo negro. Para marcar a estreia, o encontro vai ser realizado no Centro Cultural Pampulha (Rua Expedicionário Paulo de Souza, 185 Urca), das 14h às 17h.

tos do interior, expressa em cenas como a que Josué vai fazer compras em uma mercearia na vila. Alan conta que os locais escolhidos – as cidades de Cataguases, Guiricema, Leopoldina, Recreio e Muriaé – interferiram na composição dos roteiros. “É difícil construir essa verossimilhança [na retratação do universo local] no realismo fantástico. Contei com o trabalho conjunto”, afirma. Murilo Quirino explica que durante os quatro meses de ensaio e estudo do roteiro, o elenco ajudou Alan a entender mais sobre a cultura mineira. “Por exemplo, gírias que ele trazia que a gente não fala. Aí a gente ia dando elementos para ele, sobre o nosso jeito de falar, a nossa velocidade de falar. Então teve bastante troca”, conta o ator. Para mais informações sobre o longa, acesse: www.familiadionti.com.br

Um espaço para o rap na Zona Norte Acontece mais uma edição do Rap da Lagoa no domingo (16). O evento é uma proposta de ocupação do Parque Lagoa do Nado e da Zona Norte de BH com batalhas de rimas, grafite, dança e mais intervenções que fazem parte da cultura Hip Hop. Dessa vez, também serão realizados pocket shows de quem se inscrever para participar. O parque fica na Rua Desembargador Lincoln Prates, 240, entre os bairros Planalto e Itapoã. As batalhas acontecem das 15h às 18h.


Belo Horizonte, 13 a 19 de abril de 2017

Novo Hamburgo na geral é denunciado por racismo

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Reprodução

procurador do Tribunal de Justiça Desportiva do Rio Grande do Sul (TJD-RS), Alberto Franco, denunciou o clube gaúcho Novo Hamburgo por injúria racial. A denúncia tem como base o jogo com o São José, no sábado (8), pelas quartas-de-final do Gauchão. O zagueiro do São José, teria sido chamado de “macaco” por um torcedor do Novo Hamburgo, que jogava em casa. Na segunda-feira (10), os dois clubes divulgaram nota oficial repudiando a ação do torcedor. O Novo Hamburgo afirma que está tomando medidas para identificar o agressor.

Marcio Rodrigues / MPIX / CPB

A pernambucana Natália Mayara conquistou, no último sábado (8), o Aberto de Tênis em cadeira de rodas do Chile. Ela e sua parceira, a chilena Macarena Cabrillana, venceram as argentinas Maria Florencia Moreno e Antonella Pralong por 2 sets a 0. Em março, Natália classificou o Brasil para o Mundial de Cadeira de Rodas, ao vencer a Argentina na final do torneio classificatório. (Com informações do CPB)

O treinador da equipe 138 Unidos da Vale, de Vila Velha (ES), foi preso com a acusação de estupro de vulnerável. No ato da prisão, de acordo com a Delegação de Proteção à Criança e Adolescente de Vitória, a polícia teria apreendido um vídeo pornográfico com uma das vítimas, no celular do treinador. Ao menos cinco adolescentes entre 12 e 13 anos podem ter sido abusados por José Luís, que está preso na penitenciária de Vila Velha. Segundo a polícia, ele se apresentava como olheiro, prometendo vaga em uma equipe grande, e convencia os menores a dormirem em sua casa.

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Curta e Grossa

Na Espanha, mulheres enfrentam preconceitos no profissional Divulgação

Pernambucana fatura aberto de tênis em cadeira de rodas

Técnico é preso por pedofilia

ESPORTES

Núbia Tortelli Na Espanha, atletas do futebol feminino não podem se profissionalizar em diversas modalidades, pois apenas times masculinos ganham esse status. Não bastando isso, para trabalharem como atletas, são obrigadas a assinar contratos com cláusulas diferentes dos atletas masculinos. As mais absurdas são as cláusulas anti-gravidez, que dão a um time que contrata uma mulher o direito de despedi-la sem indenização, caso fique grávida. Enquanto isso, um time de futebol formado por meninas mostra que mulheres têm as mesmas capacidades esportivas que os homens. O clube AEM de Lleida criou um time com meninas entre 12 e 14 anos. A equipe passou a competir em campeonatos masculinos e, mesmo com olhares preconceituosos, venceu um campeonato masculino da Segunda Divisão com quatro rodadas de antecedência. A goleira Laura Martí foi a menos vazada do campeonato, e a atacante Andrea Gómez foi a artilheira da Liga, com 37 gols em 21 partidas.

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Os servidores municipais de Belo Horizonte em CAMPANHA SALARIAL mandam o recado para o Prefeito Kalil:

PARA AVANÇAR, TEM QUE VALORIZAR! SINDIBEL

Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Belo Horizonte


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Belo Horizonte, 13 a 19 de abril de 2017

Prefeitura interdita obra no Independência

Prefeitura de Belo Horizonte inA formou, nesta quarta (12), que a empresa LuArenas, concessionária do

Estádio Independência, foi notificada sobre a interdição das novas arquibancadas do estádio. As instalações eram realizadas para o jogo desta quinta (13), entre Atlético e o Sport Boys Warnes, pela Libertadores. Segundo a Pre-

ESPORTES

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DECLARAÇÃO DA SEMANA Reprodução

Reprodução

feitura, a empresa concessionária não apresentou todos os documentos necessários. Na terça (11), o juiz Armando Ghedini Neto havia ordenado a suspensão das obras, proibindo a venda de ingressos no setor em construção. Ele apontou falta de autorização do estado de Minas Gerais e do América, dono da arena.

“Eu me sinto como Benjamin Button: nasci velho e morrerei jovem” Zlatan Ibrahimovic, jogador do Manchester United, comentando seu bom rendimento aos 35 anos. No filme “Curioso caso de Benjamin Button”, o protagonista nasce idoso e morre como um bebê.

Gol de placa A Juventus aplicou um incontestável 3 a 0 no mágico Barcelona, em Turim, pelo jogo de ida das quartas-de-final da Liga dos Campeões. O maestro do meio-campo, Pjanić, o atacante Paulo Dybala, autor de dois gols, e o lendário goleiro Buffon arrebentaram. Será que o Barça vira essa também?!

Gol contra O Atlético é o segundo clube que mais deve à Previdência Social, com uma dívida ativa de R$ 55 milhões. Só perde para o Flamengo, devedor de R$ 84 milhões. Fluminense, Botafogo e Vasco completam a lista dos cinco maiores devedores. A dívida do Cruzeiro é de R$ 13 milhões.

Decacampeão

É Galo doido

La Bestia Negra

Bráulio Siffert

Rogério Hilário

Leo Calixto

Nas duas últimas vezes em que se encontraram na semifinal do Campeonato Mineiro, em 2012 e no ano passado, o América despachou o Cruzeiro. Em 2012, o Coelho venceu os dois jogos: o primeiro por 3 a 2, com show do atacante Alessandro, e o segundo porDecacampeão 2 a 1. Na campanha do título de 2016, o time de Givanildo Oliveira ganhou por 2 a 0 o primeiro duelo e segurou o 0 a 0 no segundo. Esse histórico recente mostra que a missão é plenamente possível, desde que o time jogue com coragem, sabedoria e vontade de vencer. Em clássicos, as forças se equivalem e, além disso, o Cruzeiro não é nenhuma grande maravilha. Na primeira fase, só conseguiu vencer graças a um pênalti muito duvidoso.

Chega de perder. Duas derrotas seguidas bastam para encontrar as soluções do Atlético. Para o Campeonato Mineiro, o artilheiro Fred só poderá atuar na final. Quanto à Libertadores, o elenco completo mostra deficiências. Tudo bem, Luan esÉ Galo doido! tá recuperado. Cazares e Otero disputam posição na concepção do técnico Roger Machado. Mas, para a defesa, a marcação, a armação e o ataque, a preocupação perdura. O nível cai muito, até mesmo nas laterais e no miolo de zaga. No gol, nem se fala. A princípio, o Galo tinha um elenco incomparável no atual futebol brasileiro. Daí, como acontece nestes tempos de golpe, as convicções são questionáveis. Aguardemos, com aflição, mas confiança.

Semana de 9 a 15 de abril: marquem na agenda, pois ela é a cereja do bolo dos amantes do futebol no primeiro semestre. Com jogos pela Libertadores, Copa do Brasil, Champions League e Europa League, quem ganha somos nós. E o maior de MiLa Bestia Negra nas não poderia ficar de fora desta festa do esporte bretão. O primeiro confronto contra o São Paulo, pela Copa do Brasil, será na capital paulista e, embora jogando fora de casa, deveremos ter um comportamento de time que quer ser campeão. A organização tática celeste será preponderante contra um time que ataca muito bem, mas ainda peca no setor defensivo. A expectativa é de um bom jogo, para coroar a semana de overdose de futebol.