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Especial - aniversário de 3 anos Minas Gerais

12 a 18 de agosto de 2016 • edição 148 • brasildefato.com.br • facebook.com/brasildefatomg • distribuição gratuita

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Happy Birthday

Pai: responsabilidade igual ou “ajuda”? - BACKGROUND -

Reprodução

15 ESPORTES

Menina de ouro Negra, favelada e lésbica, desacreditada pela imprensa e pelos recalcados da internet, Rafaela Silva quebra paradigmas e prova que ninguém vence sozinha

9 BRASIL

Saúde em risco Governo interino quer que pobres recorram a planos de saúde privados. Especialistas afirmam que medida pode enfraquecer ainda mais o SUS

11 ENTREVISTA

BRASIL

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Domingo é Dia dos Pais. A data é uma oportunidade para refletir sobre os direitos e deveres em relação ao cuidado com os filhos. Analistas afirmam que 20 dias de licença-paternidade, apesar de ser um avanço em relação à regra dos 5 dias, ainda é muito pouco. Em outros países, além de tempo de licença ser maior, pais e mães podem escolher quem fica mais dias fora do trabalho

Sobra candidato, falta projeto BH tem 12 candidaturas a prefeito. Para analista, líderes políticos encaram eleição de 2016 apenas como meio de se projetarem para 2018


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OPINIÃO

Belo Horizonte, 12 a 18 de agosto de 2016

Editorial | Brasil

Três anos ao lado do povo

ESPAÇO dos Leitores

“Serve pra BH e todo o Vale do Aço. Perdi esperança total!!! Prefiro nem comentar...” Feliciana Saldanha comenta o artigo “Cidade também é prioridade”, de João Paulo Cunha

“Infelizmente ainda temos esses problemas no Brasil” Lamenta o leitor Raphaël Bhte, em relação à reportagem especial “Café tipo exportação, trabalho tipo escravidão”

“Eu amo café, mas ser conivente com este tipo de coisa, não dá. Vou repensar meu consumo ...” Mariane Martins escreve sobre o especial, que trata da situação dos lavradores de café no Sul de Minas

“A luta e a informação nunca param!...parabéns a todos (as) envolvidas para tornar este sonho possível.” Claudinei Poc felicita os 3 anos do Brasil de Fato MG

Escreva para nós: redacaomg@brasildefato.com.br

Nas palavras do poeta e revolucionário Carlos Marighella, “em todo o país repercute o tom de uma nota só...”. No Brasil impera um dos mais gritantes monopólios da mídia de todo o mundo. Um grupo controla praticamente toda a “opinião pública” brasileira - as organizações Globo - e, abaixo dela, mais meia dúzia de famílias-empresas. Tal é o grau de atraso do setor. A grande mídia brasileira, que em tecnologia vive no século XXI, em sua lógica se identifica mais com o século XVI e suas capitanias hereditárias. Democratizar a mídia é a tarefa que dá corpo e sentido à existência do Brasil de Fato. Ser na prática a voz daqueles e daquelas que não são ouvidos/as.

São 148 edições de visão popular de Minas, do Brasil e do mundo Nesta semana, o jornal Brasil de Fato MG comemora três anos de circulação. São 148 edições com o compromisso de difundir uma visão popular de Minas, do Brasil e do mundo. Somos um veículo de comunicação que não teme dizer que tem lado, o do povo brasileiro. Existimos porque existe uma gente organizada, que ousa lutar e resistir. Nos identificamos com todo movimento popular, sindicato, associação e artista do povo que acredita que “o Brasil é um sonho que iremos realizar”. O surgimento deste jornal coincide com o efervescente junho de

O jornal Brasil de Fato circula semanalmente com edições regionais, em MG, no Rio e em SP. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais em nosso país e no nosso estado.

2013. Os últimos tempos foram de grande agitação na política brasileira, tendo as grandes manifestações daquele ano como um marco. Ao mesmo tempo em que a juventude brasileira tomava novamente as ruas para exigir mais saúde, educação e transporte público de qualidade, a primeira edição do BF MG era preparada. Somos parte do processo recente de retomada das mobilizações, do debate político e das lutas do povo brasileiro. Em nossa curta caminhada narramos acontecimentos já históricos. Nesses três anos, noticiamos as eleições presidenciais mais dis-

Democratizar a mídia é a tarefa que nos dá sentido putadas de nossa história, em que Dilma derrotou Aécio. Cobrimos o maior crime socioambiental do país, o rompimento da barragem da Samarco em Mariana. E acompanhamos o desenrolar de mais um golpe aplicado por nossa desonesta elite, que afasta de forma ilegítima a presidenta e coloca em seu lugar o projeto derrotado nas urnas. São tempos de muitos desafios. Chegar a cada sexta-feira de forma gratuita às mãos dos/as trabalhadores/as e dos/as jovens de Minas não é tarefa fácil. Festejamos a cada semana e nesta em especial. Queremos agradecer a todos que contribuem e participam de alguma forma da construção do Brasil de Fato MG. E, principalmente, a você leitor/a, que a cada semana nos anima a quebrar a monotonia do pensamento único da comunicação no Brasil.

REDE SOCIAL: facebook.com/brasildefatomg correio: redacaomg@brasildefato.com.br para anunciar: publicidademg@brasildefato.com.br TELEFONES: (31) 3309 3314 / 32133983

conselho editorial minas gerais: Adília Sozzi, Adriano Pereira Santos, Adriano Ventura, Beatriz Cerqueira, Bernadete Esperança, Bruno Abreu Gomes, Cida Falabella, Durval Ângelo Andrade, Ênio Bohnenberger, Frederico Santana Rick, Frei Gilvander, Gilson Reis, Gustavo Bones, Jairo Nogueira Filho, Joana Tavares, João Paulo Cunha, Joceli Andrioli, José Guilherme Castro, Juarez Guimarães, Laísa Silva, Luís Carlos da Silva, Marcelo Oliveira Almeida, Milton Bicalho, Nilmário Miranda, Padre Henrique Moura, Padre João, Pereira da Viola, Renan Santos, Rogério Correia, Samuel da Silva, Temístocles Marcelos, Wagner Xavier. Editora: Joana Tavares (Mtb 10140/MG). Redação: Larissa Costa, Pedro Rafael Vilela, Rafaella Dotta, Raíssa Lopes e Wallace Oliveira. Colaboradores: Alan Tygel, Anna Carolina Azevedo, André Fidusi, Bráulio Siffert, Diego Silveira, João Paulo, Léo Calixto, Marcos Assis, Rogério Hilário, Sofia Barbosa, Coletivo Henfil. Revisão: Luciana Santos Gonçalves. Administração: Vinicius Nolasco. Distribuição: Amélia Gomes. Diagramação: Tiago de Macedo Rodrigues. Tiragem: 40 mil exemplares.


Belo Horizonte, 12 a 18 de agosto de 2016

Frase da Semana

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do seu candidato para a cidade

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Maxwell Vilela

disse Joanna Maranhão, medalhista no Pan em quatro edições, comentando os ataques preconceituosos e machistas que sofreu ao ser eliminada das Olimpíadas 2016.

Fábio Pozzebom / Agência Brasil

Referência no mundo inteiro no combate à violência contra as mulheres, a Lei 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha, completou dez anos no dia 7. Além de tipificar como crime a violência doméstica e domiciliar, a legislação criou juizados especializados, uma rede de apoio e amparo às mulheres e previu medidas protetivas visando manter a integridade física e psíquica da mulher. Contudo, passada uma década, a lei ainda não foi completamente implementada e ainda possui sérios problemas de execução e estruturas que ainda precisam avançar, como a ampliação no número de casas de proteção à mulher, a expansão das delegacias e juizados especializados e uma melhor capacitação da rede assistencial.

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Eu falo sobre coisas que a maioria dos atletas não fala, eu aguento porrada, mas tudo tem limite. Quando tem desrespeito por eu ser mulher ou ser do Nordeste, aí eu vou tomar as medidas jurídicas”

Reprodução

Dez anos da Lei Maria da Penha

GERAL

BombouNaRede

Reprodução

Rainha Marta Enquanto a seleção brasileira de futebol masculino vivencia uma de suas piores fases, a seleção feminina não para de ganhar corações. As mulheres estão dando um show nos gramados e as redes estão repletas de comentários sobre isso. Internautas reclamam por não existir no mercado camisas 10 de Marta para homens vestirem. Há modelos somente femininos. Isso motivou até um post do ator Alexandre Nero que, revoltado, afirma que o pensamento de quem achou que nenhum homem usaria uma camisa de Marta é “medieval”. E é mesmo. A jogadora alagoana, de Dois Riachos, foi cinco vezes consecutivas considerada a melhor do mundo. E sem contar os gols. Marta é a maior artilheira da história da seleção brasileira, deixando o Pelé bem a trás.

Fábio Pozzebom / Agência Brasil Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

Faltam menos de dois meses para as eleições municipais, que acontecem no dia 2 de outubro. Teoricamente, os partidos discutem para escolher o melhor representante para cada cargo, a partir do perfil da pessoa, das propostas da agremiação e das demandas da cidade. Mas só teoricamente. O que se vê na maior parte dos casos são brigas mesquinhas, que demonstram que alguns políticos estão mais interessados em seus próprios planos. Parece ser o caso de Marcio Lacerda, do PSB, que retirou o apoio a seu então escolhido, o economista Paulo Brant, sem nem comunicá-lo diretamente, e passou a defender Délio Malheiros, PSD, aparentemente sob o intermédio do PSDB, o partido de João Leite e Aécio Neves. Sobre o episódio, Brant afirmou em entrevista: “Relaxar princípios em função de circunstâncias e conveniências é uma fraqueza moral. E essa fraqueza ele (Lacerda) mostrou que tem”.

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u ma o d n ma

O deputado federal Marco Feliciano (PSC) foi acusado de abusar sexualmente da jovem Patrícia Lelis, também integrante do PSC. De forma corajosa, a vítima contou que o episódio aconteceu em junho deste ano, no apartamento funcional do parlamentar, em Brasília. Segundo Patrícia, ao ser convocada para uma reunião, ela chegou ao local e Feliciano estava sozinho. “Ele me prometeu um cargo no PSC com salário de R$15 mil se eu topasse ser sua amante”, contou. “Eu neguei e ele ficou bravo. Tentou tirar minha roupa à força, me deu um soco na boca e um chute na perna”, completou. Um grupo de deputadas entregou ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), na quarta (10), uma representação por quebra de decoro parlamentar contra o deputado e pedem apuração em relação à denúncia.


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ESPECIAL aniversário

Belo Horizonte, 12 a 18 de agosto de 2016

Três anos de Brasil de Fato Minas, treze de Brasil de Fato nacional LUTA Com desafios e êxitos, jornal consolida edições regionais e busca narrar o mundo pela visão dos trabalhadores Arquivo

Raíssa Lopes

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ntre gritos emocionados de “Brasil de Fato, o povo organizado” foi lançada a primeira edição do jornal Brasil de Fato, de circulação nacional, em 2003, no Fórum Mundial de Porto Alegre. Durante o lançamento do periódico, criado para ser um veículo plural que traduzisse em um só lugar o que queriam os trabalhadores, movimentos populares e a esquer-

“A imprensa popular deve estar subordinada apenas aos interesses dos trabalhadores”, diz João Pedro Stedile

da do país, havia mulheres e homens de diversas cores e ideias, esperançosos com o futuro da mídia brasileira. Da idealização à realidade foram muitas as dificuldades enfrentadas, mas também muitas as conquistas, como a consolidação de um grande site com pautas produzidas em diversas partes do Brasil e a criação de jornais regionais em Minas Gerais, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio de Janeiro. No Ceará, já foi lançada uma edição inaugural, chamada de “edição 0”. Notícias de fato Segundo João Pedro Stédile, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e integrante do Conselho Editorial do jornal desde a edição zero, o projeto sempre foi visto como uma oportunidade de divulgar as notícias do Brasil “como elas são”, ou seja,

Lançamento do semanário nacional, no Fórum Social Mundial em 2003, reuniu militantes e intelectuais de vários países

“de fato”. Daí o surgimento do nome. Ele avalia que, em 2003, os desafios não eram muito diferentes do que são hoje. “Era difícil conseguir financiamentos que escapassem da publicidade comercial. Sabíamos que as empresas jamais iriam anunciar em um jornal de

esquerda e que a equipe não aceitaria propagandas desses locais”, pontua. Por essas e outras, ao final do primeiro ano, ficou entendido que para funcionar, o veículo precisaria de militância. E é com ela que atua até hoje. “São os problemas estruturais de fazer uma im-

prensa popular, subordinada apenas aos interesses dos trabalhadores. Devemos nos referenciar na mídia burguesa, a classe operária precisa construir seus próprios meios de comunicação, seja na internet ou demais maneiras”, declara Stedile.

Do papel à internet, com o mesmo compromisso PÁGINA Crescimento online do projeto demonstra preocupação com novidades

A

velocidade de informações nascida com a internet passou a ser um desafio para a esquerda. Com isso, em 2015 a equipe caminhou para o encerramento da edição impressa nacional e passou a veicular as notícias somente pelo site, mantendo a distribuição dos tabloides regionais. A plataforma sofreu, então, grande remodelação: foi mu-

Conteúdo é traduzido para o espanhol, em busca de integração com veículos da América Latina

dado o design, a interatividade, sessões, etc. A página do Facebook foi potencializada e hoje o Brasil de Fato está também no Instagram, Flickr, Telegram, YouTube e WhatsApp. “A gente entendeu que precisava correr atrás da diferença, vista a atuação online da direita, que tem muitos recursos financeiros e aparatos. Temos testado várias linguagens e estamos em per-

manente construção”, revela a editora do site, Bia Pasqualino. Ela ressalta que a grande provocação e dificuldade é ainda abordar temas densos com a fluidez e simplicidade que demanda o mundo da tecnologia. “A gente trabalha com análise crítica, que não é a visão pasteurizada que vemos na mídia tradicional, e queremos atingir um público que não é só militante. Isso é trabalhoso, mas faz com que saiamos da zona de

conforto. Se é pra falar de política com humor, é o que faremos”, diz a jornalista. A transformação da plataforma é resultado de esforço coletivo que envolveu jornalistas, publicitários e programadores não só de São Paulo, como dos estados em que existem as regionais. O Brasil de Fato está trabalhando também com notícias em espanhol para fazer a integração com veículos da América Latina.

Conheça o site www.brasildefato.com.br. E acompanhe as novidades em: facebook.com/brasildefato


Belo Horizonte, 12 a 18 de agosto de 2016

ESPECIAL aniversário

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Em Minas, liberdade ainda que tardia INFORMAÇÃO Edição semanal do tabloide mineiro circula toda sexta-feira, gratuitamente, em vários pontos do estado Larissa Costa / Brasil de Fato MG

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om 13 anos de atividade do nacional, o Brasil de Fato MG comemora, neste mês de agosto, três de resistência e luta nas ruas. Frederico Santana Rick faz parte do Conselho Editorial do jornal desde 2003 e é atualmente um dos que constroem o semanário mineiro. Segundo ele, o estado possui um histórico

Podemos ver em cada página a juventude, os negros, trabalhadores, as mulheres, os gays, as lésbicas”, diz militante

Dona Edna Vieira , da equipe de distribuição, entrega os jornais cedinho, na Praça da Estação, para quem sai do metrô

de censura à mídia e, com o objetivo de driblar essa barreira, o BF nasceu. “Graças ao controle exercido por Aécio Neves e o PSDB aqui, quando o grupo nacional

propôs a criação de edições estaduais encontrou solo fértil em Minas”, relata. Ele explica também que atualmente a meta principal é fazer com que o tabloide

chegue a todas as regiões de Minas e que tenha uma tiragem semanal acima de 100 mil exemplares. Hoje, são 40 mil. “Há um enorme espaço para os veículos de

comunicação que se proponham a noticiar os fatos na perspectiva dos trabalhadores”, acredita. É o que reforça Renan Santos, do Levante Popular da Juventude, que classifica o jornal como um importante “portal dos movimentos populares”. “Hoje é o único impresso de grande circulação onde nos enxergamos. Sempre que o recebemos na rua, podemos ver em cada página a juventude, os negros, trabalhadores, as mulheres, os gays, as lésbicas. Isso fortalece a identidade e a autoestima”, afirma o militante. Ele ainda chama a atenção para a gratuidade dos exemplares. “Temos muito o que comemorar nesses três anos de caminhada, é uma imensa vitória dos que lutam por um país justo e democrático”.

Leia as edições em: https://issuu.com/brasildefatomg Acompanhe as novidades em: facebook.com/brasildefatomg

Rio de Janeiro O Brasil de Fato RJ foi lançado em 1º de maio de 2013, com a intenção de fazer a disputa ideológica das narrativas sobre a situação política, econômica, social e cultural do Rio de Janeiro. A partir de agosto de 2015, o jornal passou a circular dois dias por semana e a ideia é que seja lançada uma terceira edição até o fim deste ano. “O projeto de tabloides gratuitos em diferentes estados é algo extremamente inovador e audacioso. Só teremos real dimensão do significado e do projeto no futuro. Ao que tudo indica, viveremos uma ruptura democrática no final deste mês e, nesse contexto, o Brasil de Fato será cada vez mais necessário. Estaremos atentos para fazer as críticas e apontar saídas para a classe trabalhadora”, sustenta a editora do jornal carioca, Vivian Virissimo.

Acompanhe pela página: facebook.com/brasildefatorj

Pernambuco

Paraná

O Brasil de Fato PE surgiu em 1º de abril de 2016. A experiência é a primeira no Nordeste e foi criada para representar trabalhadores, movimentos populares e sindicais. Vive atualmente um processo de consolidação, com periodicidade quinzenal e equipe reduzida.

Foi em 2011 que a equipe do Paraná iniciou os esforços para criar o Brasil de Fato PR. A partir da movimentação de uma juventude formada por jornalistas, estudantes e comunicadores populares, a edição zero foi lançada no ano de 2014. Desde então, não parou de circular.

“Planejamos nos tornar um semanário em 2017 e alcançar todas as regiões do estado ainda no segundo semestre de 2016. Trabalhar no Brasil de Fato, pra mim, é conseguir exercer a profissão que escolhi para a minha vida com a opção política de luta pela transformação social”, avalia Monyse Ravenna, editora da edição pernambucana.

“Dentro das diversas experiências de comunicação que temos hoje, o que me dá orgulho no BF é saber que é uma construção coletiva. É um jornal que tem raiz firme na luta social, sindical, popular e também no jornalismo de qualidade”, defende Pedro Carrano, jornalista do tabloide paranaense.

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ESPECIAL

Belo Horizonte, 17 de março de 2016 Belo Horizonte, 12 a 1811 dea agosto de 2016

Opinião

Zola e o golpe João Paulo Cunha

escritor francês Émile Zola (1840-1902) O foi homem dotado de força moral, capaz de denunciar o crime que se perpetra-

va contra o oficial de artilharia do Exército francês, Alfred Dreyfus, de origem judaica, acusado de crime de traição. Numa carta aberta ao presidente francês, que tomou toda a primeira página do jornal L’Aurore, Zola acusou os generais de haverem, deliberadamente, incriminado Dreyfus de maneira falsa, estimulados pelo antissemitismo. É possível imaginar o escritor francês publicando um “J‘accuse” para o golpe parlamentar-jurídico-midiático no Brasil. Poderia começar assim: “Eu acuso Aécio Neves de conspirar contra o país. Para dar conta de sua imaturidade emocional e política, incapaz de enfrentar a derrota imposta pelos cidadãos em votação livre, prejudicou a economia e corrompeu a vida pública. Acuso o também senador Antonio Anastasia de fabricar um rela-

TSE investiga Aécio

tório mentiroso para apreciação de seus pares, eivado de chicanas para justificar o que não se revelou na realidade dos fatos. Acuso o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandovski, de vestir a toga para dar fumos de legalidade a um ato absolutamente ilegíti-

Golpistas receberão o desprezo da história mo, sem fundamento jurídico de fato. Eu acuso os senadores de deixarem de lado a lei para votar de acordo com as conveniências dos interesses políticos de momento. Traíram o eleitor e a verdade. “Eu acuso o ministro do STF Gilmar Mendes pelo partidarismo que turva seu julgamento, pela intenção deliberada em impedir a existência do PT e de outros partidos populares, pela incapacidade de manter uma régua única para seus

Anastasia é investigado por Ministério Público

Pedro França / Agência Brasil

A ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Maria Theresa de Assis Moura, determinou a investigação das contas de campanha do senador Aécio Neves (PSDB-MG) à Presidência da República, em 2014. A medida foi motivada por denúncias do PT, apontando que a campanha tucana contratou empresas que não tinham capacidade para prestar serviços, que teria havido “alto volume” de transações bancárias e indícios de uso de empresas de “fachada”. Em nota, a assessoria do PSDB negou as acusações.

O senador Antônio Anastasia (PSDB), relator do processo de impeachment de Dilma, é alvo de um inquérito do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). A investigação tem como base uma representação do deputado estadual Rogério Correia (PT). Segundo a representação, Anastasia era conselheiro e cotista do Jockey Club, entidade proprietária do terreno, e beneficiou-se com a desapropriação feita pelo governo Aécio Neves, do qual foi secretário e vice-governador. A assessoria do senador Anastasia afirma que sua cota no Jockey Club foi doada ao estado de Minas em 2008, dois anos antes do acordo.

julgamentos. “Acuso o juiz Sérgio Moro pela utilização de mecanismos de pressão e chantagem psicológica de forma seletiva, pelo excessivo personalismo, por retroagir do princípio da inocência presumida. Por defender que boas causas anistiam práticas odiosas. “Acuso José Serra de querer entregar as riquezas nacionais, por tentar destruir uma obra de civilização que é a aliança Sul-Sul e a multilateralidade do comércio mundial, para restabelecer relações de inferioridade com os EUA. Muito haveria ainda a acusar. Os que se escondem de vaias, os que proíbem vaias, os que merecem vaias. Eu acuso.” A paródia com o documento de Zola é, infelizmente, tão triste quanto verossímil. O crime que nos vigia de perto, que fez de uma mulher digna ré, é semelhante ao imputado a Dreyfus e igualmente hediondo. A França reconheceu seu erro e anulou o julgamento do capitão. Nada indica que isso vá ocorrer por aqui. Aos golpistas está reservado o desprezo da história, a vergonha dos descendentes e a desgraça. Nada menos que isso.

Serra recebeu Caixa 2, afirma Folha

Wilson Dias / Agência Brasil

De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, executivos da Odebrecht contaram à Lava Jato que a campanha do ministro interino da Defesa, José Serra (PSDB), quando foi candidato à Presidência da República, em 2010, recebeu R$ 23 milhões da empreiteira. O dinheiro teria sido obtido sob a forma de doações ilegais. A campanha de Serra também contou com outros R$ 3,6 milhões da Odebrecht, em valores declarados à Justiça eleitoral.


Belo Horizonte, 12 a 18 de agosto de 2016

Acompanhando Na edição 65...

Foto da semana

OPINIÃO

PARTICIPE Viu alguma coisa legal? Algum absurdo? Quer divulgar? Mande sua foto para redacaomg@brasildefato.com.br.

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Lidyane Ponciano

Prefeitura cancela autorização para mineroduto ...E agora Licenciamento ambiental da Ferrous é cancelado O processo de licenciamento ambiental da mineradora multinacional Ferrous Resources foi interrompido, na última semana, devido à insuficiência de informações em seu projeto e pela ausência de documentos que deveriam ser apresentados para a instalação do empreendimento. O projeto previa a construção de um mineroduto de Congonhas, região central de Minas Gerais, a Presidente Kennedy, no Espírito Santo. Desde 2011, movimentos populares, sindicatos, igrejas, universidades constroem a “Campanha Pelas Águas e Contra o Mineroduto da Ferrous”, como forma de denunciar os impactos iminentes da instalação do mineroduto e as sistemáticas violações de direitos humanos cometidos pela mineradora. Para Luiz Paulo Guimarães, militante do Movimento Pela Soberania Popular na Mineração (MAM), a vitória sobre a Ferrous demonstra que com organização e luta popular é possível derrotar projetos que visam o saque de bens naturais do país. “Quando a empresa chegou em nosso território, havia uma onda de pessimismo muito grande. Mas, quando começamos a trabalhar em nossa organização e fazer lutas nas ruas das cidades atingidas, conseguimos reverter esse quadro”, conta.

#FORATEMER Cerca de 5 mil pessoas saíram às ruas de Belo Horizonte, na terça (9), para denunciar o governo interino de Michel Temer. Manifestantes criticaram o golpe contra a democracia brasileira e a retirada de direitos dos trabalhadores. O ato foi convocado pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo e aconteceu em mais 14 capitais.

Ronaldo Teodoro

Pe. José Ferreira Filho mo

Por que rejeitar a proposta de planos de saúde precários

Olimpíadas e campanha eleitoral

Vejamos três motivos pelos quais a proposta do ministro interino da saúde, Ricardo Barros, para ofertar planos privados de saúde precários para os mais pobres trará grandes prejuízos à saúde pública e ao SUS. Em primeiro lugar, o setor privado de planos de saúde no Brasil só sobrevive porque recebe o repasse sistemático de recursos públicos. No caso das empresas, isso ocorre porque os custos com a assistência oferecida a seus empregados pode ser abatida do lucro tributável. Já as famílias podem ter os gastos com saúde restituídos ilimitadamente na declaração do Imposto de Renda. Em 2011, a renúncia fiscal em saúde chegou aproximadamente R$ 16 bilhões, equivalendo a 22,5% do gasto público federal em saúde. Em segundo lugar, a medida atenta contra o SUS crescente rigor da Agência está sob ameaça Nacional de Saúde (ANS) em relação à prestação de serviços precários por parte dos planos. Como consta no site da Agência, somente em julho deste ano foram suspensas a “comercialização de 35 planos de saúde de oito operadoras, em função de reclamações”. Em terceiro lugar, a indução à procura de planos precários revela ainda a orientação hospitalocêntrica de Ricardo Barros, ao invés de se preocupar com a prevenção. É consenso mundial que a prevenção evita doenças graves, contribuindo para conter a elevação dos custos de tratamento complexos. O atual ministro revela como a industria da saúde coloniza o atual ministério e faz valer seus interesses. Precisamos de uma ampla coalizão nacional de apoio ao SUS.

As Olimpíadas podem nos ensinar muitas coisas. Além da beleza do evento e sua riqueza cultural, nos oferecem lições que podem ser aplicadas na vida pessoal e coletiva. Não é novidade que há uma descrença cada vez maior em relação à política institucional nas democracias representativas. No mundo inteiro há um desencanto com aqueles que se candidatam para nos representar, seja no executivo, seja no legislativo. “Vocês não nos representam!”, bradava a juventude nas praças e ruas do país em 2013. Urgem mudanças de regras, procedimentos e atitudes que possam devolver credibilidade ao sistema político democrático representatiEm Olímpiadas e vo. Além de “escutar as ruas” é preciso dar respostas à altura. política não vale tudo “As ruas” já falaram e continuam falando, tomara que não se calem. O que as Olímpiadas e os atletas nos sugerem em suas diversas modalidades? É preciso ter regras claras e que sejam respeitadas por todos sob pena de serem severamente punidos. Não é um jogo de vale tudo! Os candidatos mesmo tendo dotes, carismas, precisam estar dispostos a treinar com rigorosa disciplina. Precisam se capacitar. O alvo de todos os candidatos é subir ao pódio! Mas exigese grandeza de alma para entender que o fato de concorrer ao pódio já é uma honra gloriosa! Não vale a pena subir ao pódio, receber medalhas e aplausos se depois se perder tudo isso por se descobrir que houve fraude! Espera-se que as Olimpíadas deixem ótimos legados para o povo do país sede. Que legado deveríamos esperar de uma campanha eleitoral? Talvez um legado importante fosse maior educação política para todos. Tomara que as Olimpíadas nos ensinem a nobreza e a grandeza de representar um povo na busca da maior vitória política, que é o bem comum.

Ronaldo Teodoro é membro do Centro de Estudos Republicanos Brasileiros – CERBRAS

José Ferreira Filho mo é padre operário da Paróquia Cristo Salvador em Contagem


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BRASIL

Belo Horizonte, 12 a 18 de agosto de 2016

Licença-paternidade: apesar de avanço, ainda não é suficiente EQUILÍBRIO Especialistas defendem que legislação deveria destinar períodos iguais para que mães e pais possam assumir, de forma justa, responsabilidades sobre o bebê Reprodução

decem apenas à determinação dos 5 dias.

Raíssa Lopes

N

o início deste ano, foi sancionada pela presidenta eleita Dilma Rousseff a lei que estabelece direito de até 20 dias à licença-paternidade. O período anterior era de apenas cinco. Com a aproximação do Dia dos Pais, comemorado no domingo (14), o debate volta à tona,

Moro é acusado de diversas violações, como prisão arbitrária

com reflexões sobre a extensão do prazo, muito abaixo daquele estipulado para a licença-maternidade (de 4 a 6 meses). Os 20 dias de afastamento do trabalho após o nascimento do filho não são destinados a todos os tra-

balhadores, como explica o advogado Rodrigo da Cunha Pereira, especializado em Direito de Família com ênfase em Psicanálise. O tempo é para aqueles pais que atuam em empresas públicas ou as privadas que sejam in-

tegrantes do Empresa Cidadã, projeto do Governo Federal que dá isenção de impostos para entidades que aceitem aumentar a licença dos funcionários. Mas as empresas não são obrigadas a aderir ao programa, então muitas obe-

Diferença pode prejudicar mulheres A

militante pelo direito das mulheres, Elaine Bezerra, que é também doutoranda em Ciências Sociais pela Unicamp, explica que a licença-maternidade pode configurar uma descontinuidade da trajetória profissional da mãe. Se uma mulher tiver três filhos, por exemplo, e usar o direito de recesso todas essas vezes, pode vir a sentir o impacto do afastamento na progressão da carreira e qualificação, além de correr o risco de ficar fora do mercado de trabalho. “Essa extensão do tempo para os pais ficarem com os filhos é importante para ampliar o debate, mostrar que não cabe aos homens só ‘ajudarem’ as mães”, pon-

tua. “Mas vivemos o fortalecimento de uma onda conservadora que tenta recolocar as mulheres de volta ao âmbito familiar, como ‘recatada e do lar’, e levá-la novamente para um lugar sem ambição no trabalho e notoriedade em espaços públicos”, complementa. Ela acredita que uma lei mais justa configuraria a li-

Lei mais justa seria licença igual, para compartilhar as responsabilidades

cença equitativa, que destinasse de 4 a 6 meses para cada responsável, ou que pelo menos desse ao casal a opção de decidir quem vai ficar em casa – experiências já postas em prática em outros países. A militante ressalta que o período de amamentação e resguardo da mãe devem ser considerados, mas não apenas por esse motivo a responsabilidade do cuidado com a criança deve ser diferente entre os cônjuges. Pais sentem falta de ficar com os filhos Alguns pais também sofrem com a realidade de voltar ao trabalho em um período tão importante

para o desenvolvimento do bebê. Há cinco meses, Marcelo Oliveira viu nascer a Alice, sua filha. Como é autônomo, planejou suas atividades para que pudesse dividir os cuidados com a esposa. Ao analisar o tempo que passaria com a criança caso dependesse da licença-paternidade, diz que sentiria falta. Além da vontade de aproveitar o bebê, ele considera errado que a preocupação com a casa recaia apenas sobre a mulher. “Para mim, essa legislação é fruto de uma relação desigual histórica, que acaba sendo reforçada. Ainda bem que tive o privilégio de poder me organizar e assumir esse período. Uma pessoa só fica sobrecarregada, com certeza”, atesta.

Licença-natalidade “A responsabilidade parental é conjunta”, declara Rodrigo, que usa como exemplo a Lei 13.058/2014, que trata de guarda compartilhada. A regra confere a ambos os pais a responsabilidade da criação dos filhos, mesmo após a separação do casal. Fato que para o especialista demonstra que a Justiça enxerga que pais e mães devem exercer a função de forma igualitária. Ainda segundo o advogado, deveria ser criada a licençanatalidade, já levantada pelo Estatuto da Diversidade Sexual.

Pelo mundo Suécia

Os casais têm, juntos, direito a 480 dias. Os dois são obrigados a tirar 60 dias cada e podem dividir o restante como quiserem,

Alemanha

A licença-maternidade obrigatória é de dois meses. Cada membro do casal pode pedir outros 12 meses e continuar a receber 67% do salário. O direito pode ser requerido até três anos após o parto.

Canadá

São destinados para o casal 245 dias. A divisão do tempo fica a critério dos pais, que têm direito a 55% do salário. Famílias de baixa renda ganham renda extra durante o período.


Belo Horizonte, 12 a 18 de agosto de 2016

BRASIL

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Governo Temer quer diminuir obrigações dos planos de saúde Modelo pode excluir consultas especializadas, tratamento de doenças e exames complexos Wilson Dias / Agência Brasil

Pedro Rafael Vilela* de Brasília (DF)

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m grupo de trabalho criado pelo governo interino de Michel Temer, na semana passada, estuda propor a redução das exigências mínimas de cobertura dos planos privados de saúde. A medida abriria caminho para a comercialização dos chamados “planos acessíveis”, que teriam uma cobertura muito limitada, restrita a consultas ambulatoriais e alguns exames suplementares. Alvo imediato de críticas, a proposta tem sido condenada por entidades médicas, movimentos populares e profissionais da saúde. A ideia do governo é mexer na lei que regula os planos de saúde no país e acabar com a exigência de cobertura mínima, que inclui consultas ilimitadas, internação hospitalar e em unidades de terapia intensiva (UTIs), além de cirurgias e aplicação de próteses, órteses e outros acessórios médicos. “No modelo atual, os usuários dos planos de saúde são os que mais reclamam porque não conseguem realizar exames e nem procedimentos. Agora, imagine se o governo flexibiliza ainda mais a exigência

Interinos tentam mexer na lei que regulamenta os planos de sáude e acabar com cobertura mínima

Recursos dos planos iriam para empresas privadas de cobertura para os planos”, aponta Aristóteles Cardona, médico da família e comunidade, professor da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UFVS) e membro da Rede Nacional de Médicos Populares. Impactos no SUS O ministro interino da saúde, Ricardo Barros, afirmou

que os planos acessíveis poderiam gerar um aporte de R$ 20 a R$ 30 bilhões, aliviando o SUS. O problema é que esse dinheiro todo iria para as operadoras privadas e não para o sistema público, argumentam entidades e especialistas. De acordo com o Conselho Federal de Medicina, o setor de seguros privados de saúde movimentou, no ano passado, mais de R$ 180 bilhões. Para o médico Aristóteles Cardona, o SUS continuará sendo o responsável pela realização dos exames e procedimentos mais complexos, que têm o maior custo,

Fatos em foco Parlamentares denunciam impeachment à OEA O processo de impeachment foi denunciado, na terça (9), à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que é vinculada à Organização dos Estados Americanos (OEA). A ação – protocolada pelos deputados federais do PT Paulo Pimenta, Paulo Teixeira, Wadih Damous e pelo senador Telmário Mota, do PDT – solicitou ao órgão que determine três medidas ao Estado brasileiro: a restituição imediata de Dilma Rousseff ao cargo de presidenta; a anulação de todos os atos referentes ao trâmite do impeachment; e a paralisação do processo até que a Comissão possa analisar o caso.

porém, deverá perder vultosos recursos com a implantação de planos de saúde de baixa qualidade e cobertura. “Existe um percentual de gasto com plano de saúde que é descontado do imposto de renda. Ou seja, a tendência é, inclusive, diminuir a arrecadação de impostos para financiar o sistema público, ao mesmo tempo em que se favorecem os grupos privados que vendem planos de saúde”, observa. Cardona não descarta a possibilidade de o governo ainda propor subsídios às seguradoras, usando como justificativa a ideia de tirar demanda do SUS.

Em audiência pública realizada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), na última terça-feira (9), em Brasília, o presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Ronald Santos, ressaltou que o plano de saúde acessível “não vai acabar com o subfinanciamento da saúde pública”. “Temos de alocar mais recursos e garantir o preceito constitucional da responsabilidade do Estado com o direito à saúde, bem como da universalidade, gratuidade e integralidade do SUS”, defendeu. Já o presidente nacional da OAB, Claudio Lamachia, criticou duramente a ideia da criação do “plano acessível”. “A população brasileira já paga altíssimas cargas tributárias, além disso, saúde é um prin-

Médico afirma que planos não vão desafogar o SUS cípio constitucional, é dever do Estado. Temos que encontrar outros mecanismos que não seja onerar cada vez mais o cidadão brasileiro”. *Com informações do CNS.

Votação final do impeachment está prevista para o dia 25 de agosto Em votação que se arrastou pela madrugada de quarta (10), o Senado decidiu dar continuidade ao processo de impeachment da presidenta eleita Dilma Rousseff. O parecer do relator Antonio Anastasia (PSDB-MG) foi aprovado por 59 votos favoráveis e 21 contrários. O Senado dará um prazo mínimo de dez dias para marcar o julgamento, no qual os parlamentares votarão pela saída ou não da presidenta. A expectativa é que essa sessão final comece em 25 de agosto e dure ao menos dois dias, mas isso ainda não foi confirmado.


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MUNDO

Belo Horizonte, 12 a 18 de agosto de 2016

Operação Condor corre risco de voltar, diz Prêmio Nobel Alternativo da Paz REPRESSÃO O advogado paraguaio Martin Almada foi a primeira pessoa a descobrir os arquivos secretos da atuação das ditaduras latino-americanas Mário Augusto Jakobskind do Rio de Janeiro (RJ)

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Operação Condor foi a responsável por torturar militantes políticos e ativistas na época das ditaduras brasileira, argentina, uruguaia e paraguaia. E na década de 1990 o advogado Martin Almada descobriu, pela primeira vez, documentos secretos que mostravam os planos de perseguição, espionagem e execução de centenas de pessoas. Em entrevista ao Brasil de Fato, Almada analisa a situação atual dos países do Cone Sul (Argentina, Brasil, Para-

guai e Uruguai) nesse momento de avanço de governos de direita, que priorizam os interesses das elites. Brasil de Fato - O senhor tem dito que o condor continua voando, ou seja, que a Operação Condor segue ativa. Poderia explicar melhor? Martin Almada - A Operação Condor dos anos 70 foi criada em Santiago do Chile, em 25 de novembro de 1975, com o objetivo de assassinar pessoas com consciência crítica. Na região do Cone Sul foram “eliminadas” mais de 100 mil vítimas. Os efeitos causados pelas ditaduras da

região foram muito parecidos a uma bomba atômica, como em Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945, durante a Segunda Guerra Mundial. Brasil de Fato - Para onde caminha a América Latina e o Caribe? A Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) entrou em crise, ao ponto de que muitos já a consideravam um projeto morto. Entretanto, esse projeto está sendo ressuscitado com a chegada de Horacio Cartes ao poder no Paraguai, Mauricio Macri na Argentina e Michel Temer no Brasil, governos que des-

carregam a crise sobre os trabalhadores e o povo. A mencionada Aliança, que oferece um “mundo de oportunidades” somente a empresários, está levando ao precipício a economia mexicana por esta política neoliberal selvagem e criminosa. Isto nos mostra que os Estados Unidos mudaram sua máscara, mas não

Os Estados Unidos mudaram sua máscara, mas não o rosto”

o rosto. Por isso sentimos o rumor de guerra em todos os rincões dos países empobrecidos. Brasil de Fato - O que pode ser feito para evitar projetos de governo que afetam principalmente os trabalhadores? Na América Latina e Caribe, os movimentos sociais organizados, em especial a classe trabalhadora, incluindo estudantes e professores de colégios e universidades, deverão converter-se em laboratórios de resistência para impedir o regresso do Condor.

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Israel quer muro subterrâneo em Gaza

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Ministério da Defesa de Israel abriu licitação para construção de um muro subterrâneo de 60 quilômetros que deverá cercar a Faixa de Gaza também por baixo da terra. A informação foi divulgada nessa quarta-feira (3), por portais de notícias internacionais. A obra estaria sendo desenvolvida para impedir que militantes do grupo Hamas cheguem até o território israelense. De acordo com o jornal YNet, um comunicado confidencial foi enviado a 20 empresas israelenses, convidando-as a integrar a licitação do projeto. No entan-

to, para concluí-lo, seria necessária a realização de parcerias com organizações estrangeiras. Inicialmente, a distância coberta será de 10 km e a construção deve ser iniciada em outubro deste ano. A barreira projetada deve incluir proteções na superfície e debaixo da terra, além de sensores para detectar atividades de escavação nas imediações. O muro, que deverá custar 570 milhões de dólares, foi cogitado após ataques de militares palestinos que, em resposta à ofensiva de Israel, utilizaram túneis para realizar atentados em território israelense.


Belo Horizonte, 19 a 25 12 de afevereiro de 2016 Belo Horizonte, 18 de agosto de 2016

Entrevista

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“Não vemos um projeto claro para a cidade” BELO HORIZONTE Professor da PUC analisa eleições na capital Arquivo pessoal

Wallace Oliveira

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oi dada a largada para as eleições municipais. Atrás de uma aparente diversidade de candidaturas pode estar uma competição desprovida de propostas que modifiquem profundamente a vida da cidade para melhor. Será a eleição de 2016 mero meio para definir a disputa de 2018? O Brasil de Fato MG conversou com Claudemir Francisco Alves, professor de filosofia e membro da coordenação do Núcleo de Estudos Sociopolíticos (NESP) da PUC Minas. Brasil de Fato - Como a disputa política que transcorre no âmbito nacional vai interferir nas eleições municipais?

Tendemos a ver um aumento de votos brancos e nulos Claudemir Alves - O primeiro reflexo é o fato de que, ao que tudo indica, não teremos uma polarização imediata, no primeiro turno, entre PT e PSDB. É claro que essas forças ainda estão por trás de diversas candidaturas, mas há uma dispersão em 12 diferentes chapas, com diversos interesses particulares. A polarização pode reaparecer em um eventual segundo turno. É provável que, por exemplo, Délio Malheiros (PSD), que tem como vice Josué Valadão (PSB) e o apoio do prefeito Marcio Lacerda, penda para o lado do PSDB no segundo turno. Por outro lado, há outro agrupamento que é uma incógnita, composto por diversas can-

Claudemir: “O que torna um resultado mais imprevisível é a descrença na política”

didaturas, como a de Eros Biondini (PROS) ou Paulo Lamac (Rede). Não sabemos se elas iriam para o lado do PSDB, do Aécio Neves, ou para o lado do governador Pimentel. O mais relevante nesse contexto é a ausência de um projeto claro para a cidade. E qual a interferência das eleições de 2018 nesse contexto? Os candidatos olham para este ano pensando daqui a dois anos. Por exemplo, a movimentação do prefeito Lacerda, se separando do PSDB, defendendo uma candidatura supostamente técnica (como se fosse possível separar a técnica da política) com Paulo Brant, não conseguindo construir alianças para sustentar essa candidatura, e migrando para o Délio Malheiros (com várias indicações anteriores de que não apoiaria o Délio), mostra que o olhar do prefeito não está em 2016. Este ano representa para ele a chance de se legitimar como liderança para

Candidatos participam em 2016 com olho em 2018

2018, com uma possível candidatura a senador ou governador de Minas, contando com o apoio de Aécio Neves (PSDB). Quanto ao senador Aécio, vencer em BH em 2016 é importante, após as derrotas que ele sofreu em 2014 no estado com Pimenta da Veiga, e ele próprio para presidente. Ele foi derrotado em Minas, mas não em Belo Horizonte, e pretende resgatar seu lugar de liderança política. Creio que ele não desistiu de voltar a concorrer à Presidência da República, apesar das denúncias de corrupção envolvendo seu nome. Quanto ao PT, a candidatura de Reginaldo Lopes aparece muito mal colocada nas primeiras pesquisas de in-

tenção de voto e não sabemos ao certo qual é seu projeto, mas há uma sensação de que 2016 não é o fim, mas o meio. A esquerda sofreu um grande desgaste com a crise econômica e política e o processo de impeachment da presidenta Dilma. Tendem a diminuir de tamanho nestas eleições? Temos que pensar, de maneira mais ampla, no desgaste da política, no sentido que as pessoas mais simples entendem a política: uma atividade exercida pelos políticos. Isso ficou expresso, por exemplo, nas manifestações de 2013 ou nas vaias ao presidente interino Temer. Há um desgaste da política instituída e tendemos a ver um aumento de votos brancos e nulos. Agora, olhando o voto da esquerda, estamos ao fim desse momento histórico em que o PT foi um partido votado pelas massas. Mas há um eleitorado que continua a apoiar propostas menos conservadoras. Uma parcela pode ir para brancos e nulos, mas outra vai para outro lugar. A partir destas eleições estão proibidas as doações

COM A ENTREGA DO PRÉ-SAL

QUEM PERDE É O BRASIL Com o proejto de lei a ser aprovado na camara, o PL 4567/16, de autoria de José Serra, o Brasil pode perder R$ 32 bilhões por ano na educação e na Saúde.

empresarias. Ao mesmo tempo, há uma dispersão de candidaturas. O resultado das eleições está mais imprevisível? Essa é a aposta que os próprios candidatos, inclusive os menores, têm feito. Como não há um candidato natural, abrem-se brechas para várias candidaturas. Por outro lado, a restrição ao financiamento das empresas é muito nova e não necessariamente as elei-

É preciso aprimorar os meios para evitar o caixa dois ções ficarão mais transparentes. Será preciso aprimorar os meios para evitar o caixa dois, por exemplo. Na minha avaliação, o que torna o resultado mais imprevisível é a descrença na política, que não deixa um “candidato natural”. O risco nesse quadro é termos um populista, que faça promessas vazias ou cative o eleitor por ser uma celebridade. Assim, uma pessoa já conhecida tende a se beneficiar.

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12 12 VARIEDADES

Belo Horizonte, 12 a 18 de agosto de 2016

Novela Joaquim Vela quimvela@brasildefato.com.br Divulgação

Mais uma da Globo: novela fala de orientais, mas orientais não fazem parte da novela

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gente já discutiu bastante sobre as representações equivocadas dos negros nas telenovelas brasileiras. E, pior ainda, atores negros são personagens coadjuvantes ou que servem a outros, brancos. As representações reforçam preconceitos e discriminações. Reforçam o racismo, esse absurdo da nossa sociedade. Outro grupo étnico também é muito mal representado nas tramas da TV: os orientais. Eles têm uma presença marcante na formação cultural do povo brasileiro, sobretudo após a imigração japonesa do século XX. Mas não ganham o relevo merecido na telinha. E mais: a gente sequer percebe isso.

Para problematizar a representatividade dos jovens asiáticos, descendentes de japoneses, taiwaneses e coreanos lançaram, nas últimas semanas, blogs e canais para debater estereótipos e falta de visibilidade. Tudo isso porque a próxima novela das 18h, “Sol Nascente”, que estreia em 29 de agosto, tem como tema central a história de um casal de imigrantes, ele italiano, ela japonesa. Até aí tudo bem, não fosse o fato de que a personagem de família oriental ser interpretada por Giovanna Antonelli. A quase nenhuma semelhança com o povo nipônico se justificaria pelo fato de a moça ser adotada. O problema é que outros personagens importantes do elenco também não

têm características japonesas. Criticada por grupos e coletivos mobilizados em prol da valorização e da representatividade dos traços orientais na cultural brasileira, a Rede Globo vem sendo acusada de racismo e “yellowface”, em alusão à prática do “blackface” (quando um branco pinta o rosto para atuar como personagem negro). Os grupos também pedem a superação das caricaturas e dos sotaques exagerados de personagens nipônicos. Vale a pena ouvir essas demandas. Nossa vasta diversidade étnica e cultural deve ser reconhecida em toda sua riqueza e extensão. Até semana que vem!

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Amiga da Saúde Amiga, é verdade que a vacina contra a dengue será vendida? E quem não pode pagar, como faz?

Helena Miranda, 46 anos, faxineira. Esta é uma pergunta importante, Helena. Atualmente existe uma vacina contra a dengue sendo vendida no Brasil. É a Dengvaxia, produzida pelo laboratório Sanofi Pasteur, da França. É indicada para pessoas entre 9 e 45 anos e precisa de 3 doses para que garanta uma proteção de cerca de 65% (baixa, comparado com outras vacinas). Alguns estados estão comprando doses para ser distribuídas gratuitamente a alguns grupos de risco, porém, não há previsão de que o Ministério da

Saúde adquira esta vacina para campanhas em massa. A justificativa apresentada pelo ministro interino, além do baixo orçamento, é que o Brasil tem uma vacina em fase final de testes, desenvolvida pelo Instituto Butantan, que já recebeu investimento de R$ 300 milhões recentemente. Acredito que somente com grande pressão popular seja possível acelerar o acesso a uma vacina gratuita e de qualidade, pois o atual governo interino não parece estar interessado na saúde do povo.

Mande sua dúvida: amigadasaude@brasildefato.com.br Sofia Barbosa Aqui você pode perguntar o que quiser para a nossa Amiga da Saúde Coren MG 159621-Enf.

COOPERATIVA DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS DA AGRICULTURA CAMPONESA - COOPERTRAC CNPJ: 07.661.249/0001-97

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NIRE: 31400047930

Edital de Convocação para a Assembléia Geral Ordinária. A Cooperativa dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Agricultura Camponesa COOPERTRAC, inscrita no CNPJ: 07.661.249/0001-97 e atualmente composta de 55 sócios, vem através da sua Coordenação Colegiada, observado os artigos n° 23 e 24 de seu Estatuto Social, convocar seus sócios para a Assembléia Geral Ordinária, a se realizar no dia 25 de Agosto de 2016, no Centro de Formação Delson & Ezequias, localizado no Km 14 da Estrada da Produção, Município de Montes Claros/MG. A assembléia terá como ordem do dia: 1) Leitura e aprovação da ordem do dia 2) Apresentação do balanço e deliberação sobre a prestação de contas do exercício anterior, compreendendo o relatório da gestão e o balanço geral; 3) Analisar e aprovar o planejamento anual da cooperativa; 4) Discutir e deliberar sobre a mudança de endereço da Cooperativa; 5) Eleição da nova Coordenação Colegiada e do novo Conselho Fiscal. A 1ª convocação será para as 08h00, sendo o quorum mínimo necessário para a instalação da assembléia geral de 75% dos cooperados; a 2ª convocação será para as 09h00, sendo o quorum mínimo necessário para a instalação da assembléia geral de 60% dos cooperados; e a 3ª convocação será para as 10h00, sendo o quorum mínimo necessário para a instalação da assembléia geral de 10 cooperados. Sem mais para o momento, ficam todos os sócios(as) convocados a participar. Atenciosamente,

Marília Carla de Mello Gaia Coordenadora Geral da COOPERTRAC Belo horizonte, de 10 de Março de 2016.


Belo Horizonte, 12 a 18 de agosto de 2016

13 VARIEDADES 13

www.malvados.com.br

por Alan Tygel

Dicas Mastigadas Compostagem Caseira

Hoje a receita é para alimentar as plantas que cultivamos em casa, e de quebra diminuir o lixo que produzimos no nosso dia a dia. Na cidade produzimos muito lixo e quase tudo vai para destinos impróprios, causando poluição das águas, do solo e do ar. Mesmo existindo no Brasil uma política para tratar dos resíduos sólidos (Lei 12.304/2010), há lugares onde e não existe a coleta do lixo, deixando a população exposta a muitas doenças. A compostagem caseira é uma maneira fácil de transformar o lixo orgânico em adubo e de quebra diminuir a quantidade de coisas que desperdiçamos e jogamos no ambiente. O primeiro passo para começar a sua compostagem é separar o lixo orgânico. Para facilitar, pegue uma vasilha que pode ser desses potes de sorvete e deixe próximo de onde se cozinha. Sempre que necessário deposite ali seu lixo orgânico bem picadino para facilitar o processo. Quando o pote encher é hora de levar até a composteira! Mas, o que pode e o que não pode ir na compostagem? • O que pode ir na compostagem: Cascas de frutas, cascas de legumes, casca de ovo, verduras, borra de café e serragem ou pó de serra. • O que não pode ir na compostagem: nenhum tipo de comida cozida, como arroz, feijão, carne, leite, queijo, pão, legumes cozidos e restos de saladas temperadas. Na compostagem não deve ir sal e gordural, também não é aconselhável colocar papel ou caroços grandes de frutas. O lixo orgânico vai ser depositado dentro da composteira, que pode até ficar dentro de casa ou apartamento. Na próxima edição, vamos continuar essa dica ensinando como construir sua própria composteira em casa, a um custo baixíssimo! Não perca.

Participe enviando sugestões para receita@brasildefato.com.br.


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CULTURA

Belo Horizonte, 12 a 18 de agosto de 2016

Viva Fidel

Reprodução

BH tem Museu dos Quilombos e Favelas Urbanos Jorge Quintão

De 11 a 19 de agosto, Belo Horizonte irá celebrar os 90 anos de Fidel Castro em grande estilo. Durante os nove dias, serão realizados debates e atividades culturais em diversos locais da cidade. A comemoração irá ocupar a Casa dos Jornalistas, Praça Sete e Núcleo de Estudos de Cultura Popular (NECUP). Além disso, o Bloco Soviético comandará foliões em Carnaval fora de época na rua. Com exceção da grande festa que acontece no dia de aniversário do líder revolucionário, sábado (13), todo o restante da programação tem entrada franca. Artistas como Aline Calixto, DJ Cubanito, Chico Amaral e Fabinho do Terreiro são alguns dos 25 nomes já confirmados. De segunda (15) a sexta (19), acontece também o Cine Club Cubano, que disponibilizará ao público curtas e longas-metragens produzidos em Cuba. Saiba mais pelo endereço: www.migre.me/uCvEn.

Localizado na Vila Estrela, o MUQUIFU - Museu dos Quilombos e Favelas Urbanos é sede de programas sociais e culturais que visam resgatar a identidade negra e garantir o reconhecimento das favelas do estado. Lá, são realizadas exposições com memórias das comunidades e moradores, que ajudam a reviver a história doando objetos, fotografias e relatos. Foi no MUQUIFU que também surgiu o projeto Gastronomia no Morro e Coro e Orquestra Infanto-Juvenil, que oferece oficinas de música a crianças e adolescentes. O local funciona toda terça-feira, das 14h às 20h. Nos demais dias, os horários devem ser agendados com antecedência. O endereço é Rua Santo Antônio do Monte, 708 - Santo Antônio. Para mais informações, acesse: www.muquifu.com.br.

Auditores fiscais protestam contra parcelamento dos salários Auditores fiscais da Receita Estadual de Minas Gerais têm protestado em todo o Estado contra a recusa do governo estadual em negociar a pauta de reivindicações emergenciais da categoria. Eles estão mobilizados pela correção das distorções salariais na carreira, através da incorporação de parcela da Gepi/conta reserva ao vencimento básico, e das perdas inflacionárias, que já chegam a quase 30%, bem como pelo pagamento integral dos salários dos servidores públicos estaduais no quinto dia útil do mês, já que o governo de Minas Gerais tem atrasado e parcelado o pagamento. No dia 5 de agosto, eles estiveram reunidos em frente a uma das unidades da Secretaria de Fazenda, em Belo Horizonte, para se manifestar. Durante o protesto, foram exibidas faixas, chamando atenção para os problemas salariais, e distribuídos panfletos à população, que alertam sobre a omissão do governo de Minas com o combate à sonegação de tributos e a injustiça tributária no Estado. O objetivo é mostrar que, ao negligenciar o combate à sonegação e ao conceder benefícios fiscais, através de regimes especiais de tributação, a grandes empresas, enquanto o trabalhador paga altas alíquotas sobre serviços essenciais, como energia elétrica (30% de ICMS), por exemplo, o governo abre

sindifiscomg.org.br

mão de recursos que permitiriam não só arcar com a folha de pagamento do funcionalismo, mas, também, realizar importantes investimentos sociais. Para se ter uma ideia do que isso representa, basta dizer que os benefícios fiscais concedidos pelo governo de Minas somam cerca de R$ 12 bilhões ao ano, enquanto a sonegação de tributos pri-

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va o Estado de algo em torno de R$ 16 bilhões anuais. Ou seja, o governo de Minas está abrindo mão de, pelo menos, R$ 28 bilhões, enquanto reclama da crise financeira que atinge o Estado. “Chega de omissão! A injustiça tributária não pode continuar”, denunciam os auditores fiscais mineiros. Ísis Medeiros


Belo Horizonte, 12 a 18 de agosto de 2016

Lições de ouro de Rafaela Silva

ESPORTES

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Curto e Grosso

OLIMPÍADAS Conquista brasileira ajuda a quebrar preconceitos

Para depois da Olimpíada

Wallace Oliveira

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Ricardo Stuckert / CBF

primeiro ouro brasileiro é da judoca Rafaela Silva, negra, lésbica e filha da Cidade de Deus. Em agradecimento, ela escreveu: “Esta vitória é minha e de todos os que contribuíram para a realização deste sonho.” Porém, a conquista tem sido usada por algumas pessoas para reafirmar velhas bobagens, como a de que “basta o pobre se esforçar para ganhar tudo na vida”, por exemplo. Um meme circula na internet com os dizeres: “Nunca precisou do feminismo ou de cotas”. A verdade é que a vitória de Rafaela é uma quebra de paradigmas.

Sim, as faveladas podem Nas cidades brasileiras, o preconceito contra favelados é gritante. Mas, para quem acha que a favela é como mostra a novela, o sucesso de Rafaela prova que, apesar das dificuldades, essas pessoas contribuem enormemente na construção do país. A escritora e moradora do Complexo da Maré Ana Paula Lisboa comentou: “Rafaela é brilhante, mas muitos de nós, tão brilhantes quanto ela, ficamos pelo caminho por conta de balas perdidas, falta de financiamento, violência policial e racismo”.

Ninguém vence sozinha Em 1900, seis feministas forçaram a organização das Olimpíadas a admitir participação feminina no evento. O desempenho de Rafaela em 2016 também é fruto do trabalho coletivo. Ela contou com benefícios da Bolsa Atleta, do Ministério do Esporte. Isso, evidentemente, não diminui o mérito da judoca que batalhou para ser reconhecida como atleta promissora e receber o incentivo.

Marcelo Pereira

A Francisco Medeiros / ME

Os BABACAS da internet e Da mídia tradicional Quando foi eliminada nos Jogos de Londres 2012, a judoca foi chamada de “macaca” no twitter. Algumas pessoas pediram que ela fosse banida do esporte. Ela respondeu dizendo que tinha capacidade para representar o país. Mas o jornal Folha de S. Paulo publicou: “Após ser eliminada, judoca brasileira xinga torcedores no twitter”.

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esportemg@

brasildefato.com.br

O SINDIBEL realiza em sua sede, ao longo dos meses de agosto e setembro, encontros com os candidatos à Prefeitura de Belo Horizonte nas próximas eleições. Será uma oportunidade de conhecer as propostas de cada um para o funcionalismo público e de expor as principais demandas dos servidores públicos municipais. Os encontros têm início no dia 18 de agosto e serão abertos a todos. Verifique a data de cada um dos candidatos no site www.sindibel.com.br e compareça! Mais informações: 3272-9865

SINDIBEL

Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Belo Horizonte

seleção feminina de futebol está “mitando” nas Olimpíadas, o que tem motivado uma avalanche de apoio ao time de Marta nas redes sociais. Este sucesso, aliás, não é novidade nenhuma, já que as meninas frequentam as finais olímpicas desde Pequim, em 2008. Só que essa repercussão toda tem que virar apoio ao esporte quando a Vila Olímpica do Rio de Janeiro ficar vazia. Nosso Campeonato Brasileiro dura apenas quatro meses, envolve 20 equipes e existe desde 2013. Qual leitor/a sabe se seu time do coração conta com uma equipe feminina? Apoio e interesse do público gerariam atenção da mídia e patrocínios. Com um calendário que garantisse jogos oficiais durante o ano todo, teríamos profissionalização para manter nossas atletas no Brasil, evitando, assim, o êxodo que leva quase todas as nossas craques. É o caso da Marta, que há anos joga na Suécia.


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Belo Horizonte, 12 a 18 de agosto de 2016

ESPORTES

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DECLARAÇÃO DA SEMANA Divulgação

É um horário muito ingrato com a atleta. As pessoas têm que começar a pensar mais pelo lado da atleta, não só da mídia. Thaísa Menezes, jogadora da seleção feminina de vôlei, sobre o horário dos jogos do Brasil, que começam às 22h30 e terminam na madrugada.

Gol contra

Vanderlei Cordeiro de Lima acendeu a pira olímpica dos Jogos do Rio 2016! Nos jogos de Atenas (2004), ele vencia a maratona com folga, mas, a menos de 5 km do fim, um padre irlandês o tirou da liderança. Vanderlei se superou e conquistou o bronze mais dourado da história olímpica.

A Constituição proíbe a censura, mas a organização das Olimpíadas proibiu protestos contra Michel Temer no evento. Por exemplo, 12 pessoas foram retiradas à força do Mineirão, sábado (6), por formarem um mosaico escrito “Fora Temer”. A censura nas arenas é feita pela Guarda Nacional.

MG

Gol de placa

Festa de aniversário do Brasil de Fato MG! Dia 12 de agosto, a partir das 17h Programação: 17h - Ornamentação e Aquecimento do Sarau 18h - Sarau Menos Golpe Mais Poesia, com a participação de Andreia Roseno

3 anos Resistência E boas notícias

19h30 - Apresentação de Cida Barcelos 20h30 - DJ Rafael Mendonça 21h30 - Djambê 22h30 - DJ Ruix

Local: debaixo do Viaduto Santa Tereza Mais informações: https://goo.gl/EsnAjH

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Edição 148 do Brasil de Fato MG  

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