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esporte | pág. 16

cultura | pág. 14

Capital dos quadrinhos Cruzeiro

Logo no mundial, Atlético não poderá contar com Fernandinho

Torcida cruzeirense quer comemorar o título: “Vai ser no Mineirão?”

BH sedia, pela oitava vez, Festival Internacional de Quadrinhos, maior evento do gênero na América Latina. A mostra homenageará Laerte Coutinho

Edição

Atlético

Uma visão popular do Brasil e do mundo

Belo Horizonte, de 08 a 14 de novembro de 2013 | ano 1 | edição 12 | distribuição gratuita | www.brasildefato.com.br | facebook.com/brasildefato

cidades | pág. 3

Faltam 67 remédios gratuitos Mídia Ninja

brasil | pág. 10

Celular sem qualidade Operadoras de celular estão entre os serviços que mais geram reclamações. As principais razões são inoperância dos serviços, problemas de oferta e dificuldade no cancelamento. OI lidera ranking

minas | pág. 6

Falta apoio para mulheres

De uma lista de 203 medicamentos que devem ser fornecidos gratuitamente pelos postos de saúde da capital, 67 não estavam disponíveis nesta semana. Usuários e servidores reclamam que o problema está acontecendo há vários meses. A prefeitura, de acordo com a portaria 1554, deve oferecer medicamentos de alto custo, essenciais à saúde dos cidadãos

Dos 853 municípios do estado, apenas 51 têm delegacia para a mulher. São somente cinco abrigos de acolhimento a vítimas em risco de morte. Falta de atuação do Estado agrava situação de violência contra as mulheres. Mesmo nos equipamentos existentes, há falta de preparo

entrevista | pág. 9

minas | pág. 5

Holocausto brasileiro

Racismo contra quilombolas

A jornalista Daniela Arbex desvenda crimes praticados no Hospital de Barbacena em livro-reportagem. Mais de 60 mil pessoas morreram na instituição psiquiátrica. “Eles foram cobaias e torturados”, denuncia

Ainda sem a titularidade da terra, negros do Brejo dos Crioulos são atacados a chicotes por jagunços de fazendeiros. Crime de racismo e lesão corporal foi denunciado, mas nenhuma providência foi tomada


02 | opinião

Belo Horizonte, de 08 a 14 de novembro de 2013

editorial | Brasil

editorial | Minas Gerais

O transporte nosso de cada dia Só o transporte público pode garantir o direito de ir e vir da população nas cidades. O transporte particular como modelo está falido. Não há como fazer caber mais carros nas ruas e estacionamentos, por mais que os aumentemos. A poluição do ar é absurda. É insustentável o gasto de energia para movimentar uma tonelada – peso médio de um carro – para transportar uma pessoa, que pesa, em média, 70 quilos. Como está hoje, o transporte pú-

O transporte é um serviço público essencial. Sem ele, não se vive nas cidades. É o transporte que garante o trabalho, o acesso à educação, à saúde, ao lazer, e a tantos outros direitos blico também não resolve. Nossa sociedade, orientada por interesses do lucro e da economia de mercado, pouco investiu em metrôs e na qualidade e quantidade dos ônibus. É muito tempo no deslocamento, que poderia estar sendo aproveitado para vida familiar, para o lazer, o estudo, para o bem estar de toda população. Um terço do orçamento dos mais pobres é gasto com transporte público. Em recente pesquisa, a profissão de motorista de ônibus foi eleita a pior profissão do Brasil. Nossos motoristas trabalham com prazos apertados, baixo salário, e uma longa e cansativa jornada de trabalho. Além disso as empresas oferecem péssimas condições de assistência médica. Eles vivem sob estresse constante, trabalham com ônibus em má estado de conservação, altos níveis de ruído, poluição e calor. Nestas condições, fica difícil de não adoecer, ficar bem humorado e atender bem ao usuário. O transporte é um serviço público essencial. Sem ele, não se vive nas cidades. É o transporte que ga-

rante o trabalho, o acesso à educação, à saúde, ao lazer, e a tantos outros direitos. Temos amplas parcelas da população que vivem segregadas nas periferias, incapazes de se locomover nos finais de semana. Mas, como diz campanha pela Tarifa Zero em Belo Horizonte, o transporte é mais que isso. Movimentos sociais estão recolhendo assinaturas para implementar em BH a gratuidade do transporte público. A lógica é simples. Os ônibus estão sempre cheios porque assim é mais lucrativo. Sendo direito social, o transporte deve ser financiado por toda sociedade. Sendo gratuito, os demais direitos estariam melhor assegurados. Teríamos menos estresse, menos acidente de trânsito, menos poluição e mais saúde. As cidades que implementaram a gratuidade do transporte público fazem boa avaliação. Sem dúvida, esse é um belo horizonte, participemos dessa construção.

Falando Nilson

O jornal Brasil de Fato circula semanalmente em todo o país e agora também com edições regionais, em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais em nosso país e no nosso estado.

contato..................brasildefatomg@brasildefato.com.br para anunciar : publicidademg@brasildefato.com.br / (31) 3309 3304

E as empresas corruptoras? O povo brasileiro tomou conhecimento de uma enxurrada de notícias sobre a corrupção de servidores públicos em diferentes esferas, que enriqueceram se apropriando de propinas pagas pelas empresas. O caso das empresas europeias Alstom e Siemens já virou uma novela, pois até o Ministério Público da Suíça se envolveu nas investigações. Foi comprovado que ambas depositaram milhões de euros em contas na Suíça para políticos do PSDB como parte das propinas em obras do transporte sob trilhos. A prefeitura de São Paulo denunciou cinco servidores que montaram uma verdadeira quadrilha desde 2006, para cobrar propinas de construtoras e sonegar o ISS sobre os prédios construídos. Estima-se que os desvios foram de R$ 500 milhões. Na periferia da economia, muitos outros casos se repetem. As obras de transposição do Rio São

Francisco, que foram orçadas e aprovadas em R$ 8 bilhões, já gastaram quase o dobro e as obras estão pela metade. É claro e notório o desvio de recursos públicos. Porém, o que ninguém comenta nem condena é a ação das empresas corruptoras. São citados servidores e funcionários. A imprensa burguesa protege seus patrões e coloca a culpa nos políticos. Chegam até a dizer que está na índole do brasileiro querer tirar proveito de tudo. No entanto, nada acontece com os capitalistas, que alimentam a corrupção e se beneficiam dela, recebendo benefícios em licitações, liberação de obras e prédios. Precisamos promover na socieda-

Precisamos promover um debate para denunciar as empresas capitalistas, que são fontes da corrupção de brasileira um amplo debate para denunciar as empresas capitalistas que são as verdadeiras fontes da corrupção, pois usam desse expediente para aumentar seus lucros e negócios. O financiamento das empresas para as campanhas eleitorais é fonte permanente de corrupção. Os financiados, de todos os partidos, se sentem na obrigação de defender as empresas e criar mecanismos para que acessem valores muito mais elevados do que pagaram dos cofres públicos. No entanto, a imprensa burguesa tem feito campanha contra a adoção de financiamento público exclusivo das campanhas eleitorais, como se fosse aumentar os custos de dinheiro do povo. Se alguém quiser de fato abandonar o cinismo e combater a corrupção burguesa, deve defender cadeia para os capitalistas corruptores. Enquanto não houver punição, estaremos apenas fazendo discursos moralistas, que em nada resolvem o problema.

conselho editorial minas gerais: Adília Sozzi, Adriano Pereira Santos, Beatriz Cerqueira, Bernadete Esperança, Bruno Abreu Gomes, Carlos Dayrel, César Augusto Silva, Cida Falabella, Cristiano Carvalho, Cristina Bezerra, Daniel Moura, Dom Hugo, Durval Ângelo Andrade, Eliane Novato, Ênio Bohnenberger, Frederico Santana Rick, Frei Gilvander, Gilson Reis, Gustavo Bones, Jairo Nogueira Filho, Joana Tavares, João Paulo Cunha, Joceli Andrioli, José Guilherme Castro, Juarez Guimarães, Lindolfo Fernandes de Castro, Luís Carlos da Silva, Marcelo Oliveira Almeida, Maria Brigida Barbosa, Michelly Montero, Milton Bicalho, Neemias Souza Rodrigues, Nilmário Miranda, Padre Henrique Moura, Padre João, Pereira da Viola, Renan Santos, Rilke Novato Públio, Rogério Correia, Samuel da Silva, Sérgio Miranda (in memoriam), Temístocles Marcelos, Wagner Xavier. Administração: Valdinei Siqueira e Vinicius Moreno. Distribuição: Larissa Costa. Diagramação: Luiz Lagares. Revisão: Luciana Santos Gonçalves Editor-chefe: Nilton Viana (Mtb 28.466). Editora regional: Joana Tavares (Mtb 10140/MG). Repórteres: Maíra Gomes e Rafaella Dotta. Estagiária: Raíssa Lopes. Endereço: Rua da Bahia, 573 – sala 306 – Centro – Belo Horizonte – MG. CEP: 30160-010. Contato: redacaomg@brasildefato.com.br


Belo Horizonte, de 08 a 14 de novembro de 2013

cidades | 03

Saúde municipal sem remédio EM FALTA Lista demonstra que faltam 67 medicamentos nos postos de saúde de BH Mídia Ninja

Edwaldo Cabidelli e Rafaella Dotta De Belo Horizonte

Usuários e trabalhadores de centros de saúde denunciam a falta de medicamentos que deveriam ser fornecidos pela prefeitura de Belo Horizonte. Para a maioria, a situação está precária, e para outros, está insustentável. A negligência da prefeitura de BH é antiga neste tema. “É o segundo mês que não tem os remédios que eu vim buscar. E não é um só, faltam sempre dois ou três”, declara Maria Aparecida Costa, que tem problemas de coração e é usuária do posto de saúde do Centro. Como ela, quase todas as pessoas presentes na fila de medicamentos receberam respostas negativas para as suas receitas, mas não receberam explicações. A servidora de um centro de saúde de BH, que não pode se identificar, declarou que a situação é verdadeira. Ela afirma que a prefeitura tem enviado medicamentos, mas sempre em quantidade insuficiente. “Nós, que trabalhamos nos postos, não sabemos o motivo de os remédios não chegarem. E isso traz muito desgaste para o servidor e para o usuário, que fica nervoso, pergunta, pede que a gente resolva”, conta. Trabalhadores e usuários dos

postos de saúde concordam em uma coisa: todos estão sendo desvalorizados. Dona Divina Ramos de Deus reclama que “o governo não dá remédio caro, só dá AAS, que é remédio baratinho. E ainda tem coragem de ir na televisão falar que dá remédio pros pobres”. De acordo com a portaria 1554, aprovada pelo governo federal, a prefeitura de BH precisa fornecer gratuitamente 203 remédios, pois são considerados essenciais e de alto custo. O Brasil de Fato MG teve acesso à lista de medicamentos oferecidos em postos de saúde na semana passada, na qual 67 medicamentos estavam em falta. Opinião de farmacêutica

Trabalhadores e usuários denunciam que falta de remédios só vem aumentando na capital

Prefeitura alega que aumentou investimento Por meio da assessoria de comunicação, a Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte (SMSA) afirmou que a prefeitura aumentou o investimento na compra de medicamentos de R$ 19 milhões, em 2009, para R$ 27,5 milhões em 2012. No mesmo período, aumentou a oferta de medicamentos nas farmácias dos centros de saúde da capital de 142 para 291 itens. No entanto, a SMSA confirma a falta do antibiótico Azitromicina e do Losartan, indicado para controle de pressão, por problemas ligados ao fornecedor dos remédios. Sobre a lista, que apresenta 67 medicamentos em falta ou em quantidade insuficiente, uma servidora de um centro de saúde, que não pode se indentificar, afirma que a ausência de remédios não é exceção. “Esta lista é repassada semanalmente aos centros de saúde ssempre com cerca de 60 medicamentos em falta”, aponta. De acordo com ela, há dois meses a situação está em constante piora

O uso incorreto de medicamentos é o maior causador de intoxicações no país, segundo o Sistema Nacional de Informações Toxicofarmacológicos (Sinitox). “Tomar um remédio de forma errada pode comprometer todo o tratamento do paciente. Tem remédio que anula outro medicamento, por exemplo. O farmacêutico é muito importante no sistema público, mas o governo contrata pouquíssimos profissionais”, explica Júnia Dark Vieira Lelis, diretora do Sindicato dos Farmacêuticos de Minas Gerais (Sinfarmig).

Opinião de quem precisa

Os principais remédios em falta: Furosemida

para hipertensão

Losartana

para hipertensão

Metformina

para diabetes

Nortriptilina

anti-depressivo

Fluoxetina

anti-depressivo

Amoxiclina com clavulanto

antibiótico

Medroxiporgesterona

anti-concepcional

A lista de 67 medicamentos em falta nos postos de saúde, do dia 28 de outubro, foi analisada pelo médico de um centro de saúde, que apresenta acima os 7 remédios mais importantes. No entanto, a lista pode mudar a cada semana.

“A situação é muito precária. A enfermidade não marca hora pra chegar, mas quando chega, a gente nunca é bem atendido”, Levi Gerônimo Gomes, pedreiro.


04 | cidades

Belo Horizonte, de 08 a 14 de novembro de 2013

Mais uma vez, Polícia Militar violenta moradores de ocupação REPRESSÃO PM usa bombas de gás e chuva de balas de borracha contra moradores da William Rosa Maíra Gomes De Belo Horizonte

Reprodução Facebook William Rosa

Moradores da ocupação William Rosa, em Contagem, viveram uma noite de terror na última sexta-feira (1). Noticiada pelo Brasil de Fato na edição 9, a ocupação reunia mais de 3 mil famílias no bairro Jardim Laguna. Após um dia de manifestações, com direito a três horas de caminhada até a prefeitura - sem serem recebidos -, os manifestantes foram surpreendidos por um ataque violento da Polícia Militar no terreno que ocupam desde o dia 12 de outubro. Enquanto 800 moradores fechavam a Rodovia 040 em protesto à negativa da Prefeitura de Contagem em recebê-los, policiais militares e o Batalhão de Choque, apoiados pela Guarda Municipal da cidade, invadiram o terreno dando tiros de borracha e jogando bombas de pimenta e gás lacrimogêneo. “Numa hora dessa a gente fica acuado. Eu via gente caindo no chão, mas quando ia ajudar, os policiais vinham pra cima dando tiro de borracha”, conta Samanta Ferreira Santos, 27, moradora da William Rosa, que estava no local no momento da repressão policial. Ela diz que a maior preocupação era com as mais de 500 crianças presentes. Um grupo rapidamente se organizou e buscou as crianças de barraca em bar-

raca, já que todas ainda são de lona e não poderiam protegê-las do ataque. Elas foram levadas para a única construção de madeirite do local, a cozinha. Mas, ainda assim, não estavam protegidas. “Quando aparecia o helicóptero caia uma bomba lá

Lacerda Santos, um dos coordenadores do movimento Luta Popular, que organiza a ocupação, diz que o clima no local é de insegurança e incerteza. “Foi uma cena de guerra, similar ao que aconteceu no Pinheirinho”, compara. Para ele, a ação da Polícia Militar foi planejada. “Eles alegam que o início da violência se deu por terem recebido uma pedrada, mas como poderiam estar com tanto aparato assim desde o começo? Foram lá pra isso”, denuncia. Na segunda-feira (4), foi realizada uma reunião com o governo federal, responsável pelo terreno, já que a Ceasa, proprietária, é ligada ao Ministério da Agricultura. Estavam presentes o governo estadual e a prefeitura de Contagem. Segundo Lacerda, o governo federal afirmou que não pode-

ria ceder o terreno às famílias, e sugeriu o cadastro em programas sociais de habitação. “Participo do Minha Casa Minha Vida desde 2004, sem solução alguma. Vim em busca de moradia, onde possa viver com meus três filhos, estamos todos em busca de um sonho aqui”, declara Eliete Alves Moreira. Em reunião com a Polícia Militar na quinta-feira (7), foi definido que as mais de 2.900 famílias que ainda estão no terreno devem sair até o dia 12 deste mês. Lacerda diz que está bastante preocupado, pois as famílias estão dispostas a ficar. “Se tiver desocupação forçada, vai acontecer uma tragédia, o clima está muito tenso”, conta. Eliete reforça. “Medo nós temos, mas tem que lutar. Condições de comprar minha casa eu não tenho, então estou disposta a tudo”, conclui.

Arsenal recolhido pelos moradores após ação violenta da PM

Insegurança na ocupação hoje

de cima, a gente não conseguia ver nada”, diz. Os policias colocaram fogos em barracas e jogaram bombas dentro de locais de refúgio das pessoas, atingindo muitas crianças e idosos. Foram quase cinco horas de hor-

ror, que só tiveram fim quando a imprensa e apoiadores começaram a chegar. O saldo foi de mais de 100 feridos e cinco presos. A PM alega que três policiais saíram feridos.

Sindicato decidirá em plebiscito por filiação Entre os dias 18 e 22 de novembro, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Belo Horizonte (Sindibel) realizará um plebiscito para que os trabalhadores associados decidam pela filiação ou não a alguma central e/ou federação sindical. A decisão pelo plebiscito foi tomada no Congresso do Sindicato, realizado em 2012, e os critérios foram definidos com os trabalhadores em assembleia geral. Habilitaram-se a participar do plebiscito a Federação In-

terestadual dos Servidores Públicos Municipais e Estaduais (FESEMPRE) e a Central Sindical e Popular (CSP-Conlutas), a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT). Poderão votar nas urnas fixas na sede e sub-sede do Sindibel e nas nove urnas itinerantes, os servidores que são filiados ao Sindicato, no mínimo desde 25 março de 2013. (Da Redação).


minas | 05

Belo Horizonte, de 08 a 14 de novembro de 2013

Chicote contra quilombola no norte de Minas VIOLÊNCIA Para advogado, crime foi de racismo e precisa ser punido

João Renato Diniz

SEU BOLSO Veja aqui preços dos principais produtos da cesta básica para o mês de novembro

Alexandre Gonçalves De Montes Claros

Em outubro, os quilombolas como são chamados os descentes de trabalhadores escravizados que construíram territórios livres - de Brejo dos Crioulos, no Norte de Minas, comemoraram a imissão de posse de cinco fazendas que fazem parte do território étnico. Mas esperavam que a partir destas imissões, conferidas ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), teriam a possibilidade de sossegar dos conflitos, constantes na região. Mas com a demora na definitiva titularização, ainda enfrentam sérios conflitos. No final do mês, um homem, conhecido como Pernambuco, atacou duas pessoas que andavam pelas estradas da comunidade. Segundo relatos de testemunhas, ele as agrediu com chicote e ameaçou com arma de fogo. O advogado Élcio Pacheco afirma que foi feito um boletim de ocorrência, denunciando a violência, mas até agora nenhuma providência foi tomada. “O Estado se ausenta quando no banco dos réus estão os grandes fazendeiros, mas, para criminalizar os trabalhadores, ele é muito rápido”, argumenta. Élcio afirma que a forma como a agressão foi praticada configura crime de racismo, e não apenas uma lesão corporal leve, como as autoridades locais querem fazer passar. “Esse ato foi criminoso, bárbaro, tem um simbolismo que afeta a honra de toda a população negra no Brasil, uma vez que o chicote remonta às práticas utilizadas nas senzalas da sociedade escravocrata”, reforça Élcio.

preço médio:

R$12, 73

ARROZ (5kg)

marca mais barata: Camil (em média: R$12,14) Fique de olho! Camil foi a marca que mais variou de preço, em alguns lugares saía a R$10,28 e em outros a R$13,05.

preço médio:

marca mais barata: Carioca Pink (em média: R$4,86) Preço médio: R$3,17 Marca mais barata: Soya (em média: R$2,84) ÓLEO DE SOJA FEIJÃO (1kg)

Quilombolas do Brejo dos Crioulos lutam há 13 anos pela posse definitiva do território

O homem apontado como autor da violência já foi investigado pela Polícia Civil e é considerado perigoso. Segundo lideranças locais, ele tem relações com os fazendeiros contrários à desapropriação do quilombo, e poderia ser pago por eles. “É importante lembrar que já foram identificadas milícias que perseguem os quilombolas da região. Esse ataque pode ser um sinal de que voltaram a fazer isso”, adverte o advogado. Justiça seletiva

Há mais de um ano, quatro quilombolas estão presos em São João da Ponte, acusados de participação no homicídio de um jagunço, integrante de uma milícia. O advogado José Rainha contesta o tratamento diferenciado dado aos negros do Brejo. “Eles irão a júri popular, mas deveriam responder ao processo em liberdade, já que são todos trabalhadores, pais de família, possuem en-

dereço fixo e são réus primários”, destaca.

(900ml)

Quilombolas em Minas

Segundo levantamento do Centro de Documentação Eloy Ferreira (Cedefes), existem aproximadamente 500 comunidades quilombolas em Minas Gerais. O processo até a titularização é complexo. Após o autorreconhecimento e o certificado da fundação cultural Palmares, a comunidade precisa solicitar ao Incra seu processo de regulamentação. Cerca de 130 comunidades, apenas em Minas Gerais, têm processo aberto. “O processo é demorado. Apenas no caso do Brejo, já dura 13 anos”, denuncia José Carlos, quilombola do Brejo. “São mais de 13 anos lutando, sofrendo violências, enfrentando os pistoleiros e mesmo assim o governo não cumpre seu papel. Até hoje Brejo não está titularizado”, lamenta.

R$6,38

Fique de olho! O Óleo de Soja da marca Liza teve uma variação de preço de 90%. Em alguns lugares foi encontrado a R$2,89 e em outros a R$5,48.

Preço médio:

R$6,77

CAFÉ (500g)

Marca mais barata: Fino Grão Extra Forte (em média: R$5,65) Fique de olho! O café Fino Grão teve baixa nos últimos 15 dias. O preço médio era de R$6,67 e baixou para R$3,59 nas pesquisas do dia 1º de novembro.

Preço médio:

FARINHA DE TRIGO (1kg)

R$3,00

Marca mais barata: Boa Sorte (em média: R$2,54) Preço médio:

R$2,52

Livro critica governo neoliberal do estado “Desvendando Minas: descaminhos do projeto neoliberal” é uma obra coletiva que busca analisar diversos aspectos da política no estado, nos últimos anos. O livro, lançado na última quinta (7), traz 14 artigos de temas como política, educação, economia, saúde, movimentos sociais e outros. “O conjunto de textos que se agrupam vão se desmontando,

‘abrindo caminho com a machadinha afiada da razão’, as Minas Gerais do agora, sem opacidades e encobrimentos das possibilidades do vislumbre de um outro caminho, que só pode ser se guiado por outra via e de outra modernidade”, apresenta o prefácio do livro, assinado por Sérgio Miranda Rocha. Diversos elementos da gestão

tucana no estado são analisados nos artigos, como a gestão para resultados, o governo técnico, o suposto consenso forjado em torno do neoliberalismo. O livro esclarece o que há por trás das expressões “choque de gestão” e “déficit zero”, amplamente utilizados pelos governos tucanos em todo o país.

Marca mais barata: Itambé (em média: R$2,45)

LEITE LONGA VIDA INTEGRAL Fique de olho! Desde agosto de 2012, o leite (1L) Itambé teve um aumento de R$ 0, 51. A partir de janeiro de 2013, as marcas de leite longa vida tiveram aumento em quase todos os meses.

Data da pesquisa de preços: outubro e novembro/2013. Dados retirados do site www.mercadomineiro.com.br.


06 | minas

Belo Horizonte, de 08 a 14 de novembro de 2013

Violência também fora de casa

Vinte e cinco de novembro é marcado como o Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher. Durante todo o mês, o jornal Brasil de Fato apresenta uma série de reportagens sobre o tema.

Denuncie a violência

DESCASO Faltam equipamentos públicos para amparar as mulheres vítimas de abusos Mídia Ninja

Maíra Gomes De Belo Horizonte

Violência contra a mulher não é apenas física e sexual. E não acontece apenas dentro de casa. A forma como as mulheres são tratadas na sociedade, a manutenção da concepção de que elas são inferiores, a falta de direitos e assistência são também abusos. E é sobre a última que trataremos hoje, na continuação da série especial do Brasil de Fato MG sobre a violência contra a mulher. Em agosto de 2006, as mulheres viveram um importante momento na luta contra a violência, que foi a criação e aprovação da Lei 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha. No entanto, militantes apontam que ainda há um longo caminho até sua efetivação. “A criação da lei é um avanço, mas para que funcione não basta só a mulher denunciar e o agressor ser condenado. A Lei prevê que existam equipamentos para permitir uma saída para as mulheres, como os abrigos, lugares onde se pode resgatar a autonomia”, declara Sofia Barbosa, militante da Marcha Mundial das Mulheres (MMM). A criação e manutenção dos equipamentos é de responsabilidade do poder público, em âmbito fe-

Fique atenta! A violência começa com atos aparentemente ‘naturais’, como proibição do uso de roupas e, gradualmente, começam a aparecer xingamentos e ameaças, até chegar à violência física. A Lei Maria da Penha prevê cinco tipos de violência: física, moral, sexual, patrimonial e psicológica. Caso você, ou alguém que conheça, esteja vivendo qualquer tipo de violência, denuncie!

Disque 180 - Central de Atendimento à Mulher

Belo Horizonte é um dos 51 municípios do estado que contam com uma delegacia especializada

deral, estadual e municipal. Sofia conta que, de acordo com pesquisas da Marcha, os maiores entraves se encontram nos equipamentos que devem ser implementados e geridos pelos governos estaduais. Daniele Caldas, gerente do Centro de Referência para mulheres em si-

tuação de violência, o Bem Vinda, aponta que os aparelhos existentes na região ainda não se adaptaram. “A lei [Maria da Penha] foi implementada sem que os serviços fossem adequados para recebê-la”, explica. Ela destaca também falhas na capacitação.

CARÊNCIA DE EQUIPAMENTOS NO ESTADO Em Minas Gerais, as mulheres representam 50,80% da população. Em relatório de CPMI sobre a violência contra a mulher apresentada em julho deste ano, o estado ocupa o 19º lugar no ranking de violência contra a mulher, com taxa de 3,9 homicídio a cada 100 mil mulheres. Dos 853 municípios, apenas doze dispõem de organismos de políticas para as mulheres. São somente quinze os Centros de Referência de Atendimento à Mulher e apenas 51 municípios oferecem uma Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher. No campo jurídico, existem apenas três varas criminais especializadas e todas estão na capital. As quase dez milhões de mulheres mineiras contam com apenas cinco abrigos.

Machismo precisa ser debatido A militante da MMM Sofia Barbosa aponta que é um grande desafio combater o machismo e o patriarcado, causas da violência contra a mulher. “Além da garantia do aparato para quem está em situação de violência, o governo deve investir na questão ideológica que mantém essa situação de dominação. Deve construir campanhas de desnaturalização das agressões. Deve também ajudar a tornar visí-

As vítimas de violência têm dificuldade em reconhecer que estão sendo agredidas.

vel a violência psicológica. O Estado não cumpre esse papel, são raras as campanhas, e, quando existem, são muito pontuais”, destaca. A chefe da Divisão de Atendimento à Mulher, ao Idoso e à Pessoa com Deficiência, Margareth de Freitas Assis, acredita que o Estado tem papel fundamental na luta contra a violência à mulher. “Protegidas pela legislação elas já estão, mas ainda há muito a conquistar. O

dia a dia é que precisa ser mudado, precisa evoluir. Faltam mais políticas públicas”, diz. A delegada acredita que o Estado pode garantir que temas como o machismo e o patriarcado sejam discutidos. “Na educação, na escola, desde o ensino fundamental até o superior. Falar sobre o que é violência de gênero, por que acontece, suas consequências, como lidar com isso”, conclui.

Atendentes capacitadas nas orientações sobre o enfrentamento à violência contra a mulher e na forma de receber a denúncia e acolher as mulheres. 24 horas por dia, de segunda a domingo, inclusive feriados. Gratuito

Delegacias Especializadas Minas Gerais tem 51 delegacias especializadas. Na capital, o plantão funciona 24 horas, de segunda a domingo, inclusive feriados. (Endereço: Avenida Amazonas, 558, Centro. Telefone: 3270.3245)

Centro de Referência Bem Vinda Orientação e informação e apoio à vítima de violência. Funcionamento das 8h às 18h. Rua Hermilo Alves, 34, Santa Tereza. Telefones: 3277.4380 / 3277.4379

Defensoria Pública Órgão que garante o auxílio de um advogado gratuito. Rua Paracatu, 304, sala 215, Barro Preto. Telefones: 3349.9526 / 3349-9400


Belo Horizonte, de 08 a 14 de novembro de 2013

Estrangeiros são bem aceitos pela população do interior MAIS MÉDICOS Em Marliéria, médica cubana foi recebida com festa Mariângela Castro

Mariângela Castro De Marliéria

As polêmicas e críticas sobre a chegada dos médicos estrangeiros ao Brasil, sobretudo em relação aos profissionais cubanos, vão ficando para trás agora que eles começaram a trabalhar. Em várias cidades onde estão médicos de Cuba, um dos países que enviaram profissionais para o Brasil, a população só tem elogios e não vê ineficiência no atendimento e nem barreiras na comunicação, devido ao idioma. Em Minas, na primeira fase do Programa Mais Médicos, 30 municípios receberam profissionais cubanos, segundo o Ministério da Saúde. Em dois deles, Sabará, na região metropolitana, e Marliéria, no Vale do Aço, os médicos já são bem aceitos pela população. Jorge Alberto Gil de Monte Santana é elogiado pela atenção extrema a seus pacientes de Sabará. Após a consulta, ele acompanha a pessoa até a saída do posto de saúde, des-

Médica cubana Liliana Lazo foi bem recebida e não teve dificuldades com a comunicação

pede com tapinhas nas costas e pede para ela voltar se não melhorar ou tiver outros sintomas. Já em Marliéria, município de quatro mil habitantes, a cubana Liliana Taño Lazo foi recebida com festa. A população deu boas-vindas oferecendo comida e bebida típicas. Quando começou a trabalhar, vieram os convites para almoços e jantares. Nos momentos de descanso,

ela já participa de encontros de moradores na praça e na única pizzaria da cidade, com total desenvoltura na linguagem e na amizade. A reportagem conversou com a médica. Liliana disse que a população “é magnífica”. Com mais de 24 anos de experiência na medicina da família, ela já trabalhou com comunidades pobres da Guatemala e Venezuela.

“Somos formados pelos hábitos de solidariedade e humanidade” A médica destacou que, apesar dos problemas que os brasileiros vivenciam no SUS (Sistema Único de Saúde), o atendimento à saúde é mais desenvolvido, organizado e com grande poder de solução para as demandas do povo. “No Brasil, o acesso aos serviços é universal, mas nos outros países não há uma política que garante tratamento gratuito a toda população”, pontua. Na Guatemala, por exemplo, 80% da população vive na miséria. São pessoas que dependem de médicos estrangeiros para ter, pelo menos, um serviço de prevenção e tratamento de doenças que poderiam ser evitadas com o saneamento básico. Em comparação a Cuba, disse Liliana, a política de saúde do Brasil sai perdendo. Isso porque, no país caribenho, o atendimento é inteiramente gratuito e a população não enfrenta filas e demora para conseguir consultas, exames, medicamentos e internação. As críticas de que os médicos de Cuba estão sendo explorados e atuando em regime de trabalho escravo porque o salário do Programa

Mais Médicos vai quase todo para o governo cubano foram contestadas por Liliana. Ela disse estar orgulhosa em contribuir para que seu país invista na educação e saúde do povo. “As pessoas pensam e vivem conforme foram educadas. No nosso país somos formados pelos hábitos de solidariedade, humanidade e internacionalismo. Não há ganância, há sim uma grande vontade da gente ajudar, apoiar e cooperar com os investimentos sociais”, enfatizou. A médica também avaliou o embargo econômico imposto a Cuba pelos Estados Unidos, que impede vários investimentos do governo e mantém a população privada do progresso tecnológico. Segundo Liliana, o bloqueio econômico imposto é insistente e forte porque os EUA não conseguem mais intervir e dominar o país. “Aos que questionam o Fidel Castro, digo que, quem dera todo país pudesse ter um governo como foi o dele. Ele foi um presidente de uma sensibilidade humana marcante, fez muito pelo povo cubano”, afirmou.

Ganho para a saúde de Marliéria A secretária municipal de Saúde de Marliéria, Lúcia Maria da Silva Castro, também está comemorando a chegada da médica cubana no município. “Ela já é muito querida na cidade. O programa Mais Médicos significa um grande ganho para a nossa população”, elogiou. Em Marliéria há dois postos de saúde, um na cidade e outro no distrito de Cava Grande. Liliana, além de realizar consultas e visitas às famílias marlierenses, vai a Cava Grande duas vezes por semana. “Avançamos na qualidade do atendimento. O rendimento e a atenção da médica com os pacientes são muito bons. A população está satisfeita com toda a equipe da saúde e não encontrou obstáculo algum no contato com a Liliana”, concluiu.

minas | 07

fatos em foco Governo deve mais de R$ 19 bilhões Em dez anos, Minas Gerais contraiu dívidas que contabilizam, ao todo, R$ 19 bilhões. O dinheiro foi recolhido a partir de empréstimos em bancos privados e instituições de fomento. Hoje, Minas é o segundo estado mais endividado do país, com R$ 79 bilhões em débitos, ficando atrás somente de São Paulo. Especialistas e deputados apontam um cenário nebuloso na economia mineira dos próximos anos e colocam em dúvida o rigor fiscal do PSDB, partido que governa o estado há 11 anos. O Secretário da Fazenda, Leonardo Colombini, admitiu, em entrevista ao jornal Hoje em Dia, que a economia mineira não anda bem, mas garantiu que o Estado reduzirá o custeio.

Aumenta o número de estupros no Brasil O número de estupros no Brasil subiu 18,17% em 2012, em comparação com o ano anterior, aponta o 7º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Em todo o Brasil, foram registrados 50,6 mil casos, o que corresponde a 26,1 estupros por grupo de 100 mil habitantes. Em 2011, a taxa era de 22,1. Os estados com as maiores taxas de estupro para cada 100 mil habitantes foram Roraima, Rondônia e Santa Catarina. As menores taxas, por sua vez, ocorreram em Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande de Norte.

Criança só entra no estádio com a família Por determinação da Vara Cível da Infância e Juventude, a partir de 4 de dezembro deste ano, crianças menores de cinco anos só poderão entrar em estádios, ginásios e campos desportivos acompanhados dos pais, curadores, tutores ou guardiões. De 5 a 14 anos, será permitido assistir partidas de futebol ou outros eventos esportivos com a presença dos pais ou a autorização por escrito dos responsáveis. Acima dessa idade, o jovem poderá entrar e permanecer sozinho no evento somente com a autorização por escrito. Caso as regras não sejam cumpridas, os responsáveis pelo estádio ou evento podem permanecer presos de seis meses a dois anos, e pagar multa de três a 20 salários mínimos.


08 | opinião

Belo Horizonte, de 08 a 14 de novembro de 2013

Acompanhando

Foto da semana

Foto do leitor Paulo Emílio Torga Bellardini

Na edição 11 ... Ocupação em forma de estrela

... e agora “Tirei esta foto na estação do Metrô da Lagoinha, que dá acesso à Rodoviária de BH. Muito lixo jogado nos trilhos do metrô e uma porta de entrada nada agradável para quem chega na capital mineira pelo terminal rodoviário, além do incômodo para os usuários e funcionários da CBTU”

Participe Viu alguma coisa legal? Algum absurdo? Quer divulgar? Mande sua foto para redacaomg@brasildefato.com.br. Lembre-se de mandar o endereço onde foi registrado o fato e seu contato

Padre João

Idalina Barion

Pela Agricultura Familiar

Plebiscito Popular é luta pela vida

A agricultura familiar é o que mais gera emprego no campo atualmente. No entanto, a desmotivação dos trabalhadores, sobretudo os jovens, tem sido uma constante. É preciso aprimorar a legislação e implementar mais políticas públicas para os nossos agricultores, que praticam um trabalho tão penoso e são muito pouco reconhecidos. Para avaliar a situação, foi realizada uma audiência na Assembleia Legislativa, sobre o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O objetivo é pautar as políticas para o campo, visando melhorias para o trabalho nas lavouras. Precisamos dar mais condições aos trabalhadores, através da liberação de créditos com juros baixos, equipamentos agrícolas e assistência técnica. O apoio é necessário para que as famílias possam produzir, agregar valor, escoar e comercializar seus produtos com mais rentabilidade. Esta é a forma de assegurar vida digna aos jovens e famílias na roça. As famílias sobrevivem do que produzem. É preciso estruturar e fortalecer o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Por meio do PAA, Minas já apoia 12 mil agricultores e quase 1.200 entidades recebem os produtos agrícolas, que chegam a cerca de três milhões de consumidores. O fortalecimento do PAA e do PNAE passa por readequá-los, criando mecanismos para melhor receber as demandas dos agricultores, desburocratizando e investindo em mais funcionários para poder gerir melhor os benefícios. É nosso papel apoiar e cobrar mais empenho do governo junto aos ministérios. É preciso também a união dos agricultores, através de seus sindicatos e entidades, fortalecendo o associativismo e o cooperativismo.

Estava mais do que na hora de realizar um Plebiscito Popular pela redução da tarifa de energia. O povo está cansado de ser roubado com a cobrança dos impostos absurdos na conta de luz. Todas as pessoas que nós entrevistamos, ao dar o seu voto, diziam: “Está mais que na hora da realização de um plebiscito popular” para abrir nossos olhos e podermos protestar contra essa exploração. Foi uma votação consciente e prazerosa. Igrejas, católicas e evangélicas, aderiram com muito interesse, divulgando e até usando da Palavra de Deus para justificar esse ato cidadão e cristão. Pois Jesus disse: “Eu Vim Para que todos tenham Vida e Vida em Abundância”. O plebiscito popular respondeu às exigências evangélicas: foi uma luta pela vida do povo. Bonito de ver tantas pessoas se organizando para colocar urnas, fazer os debates, chamar as pessoas a votar. A oportunidade de diálogo com a população, de colher sua opinião, de escutar seus clamores. As manifestações foram entusiasmadas pela redução da tarifa. Foram muitos os depoimentos de sacrifício de famílias para conseguir arcar com as despesas. O plebiscito mostrou ainda que o povo gosta de participar. Sabe das coisas e exige seus direitos. Foi comum cidadãos votarem porque sabiam que Minas tem uma das tarifas mais caras do Brasil. Agora, na fase da apuração dos votos, nos maravilhamos ao contabilizar tantos “sim” pela redução da tarifa e do ICMS. E percebermos a força da participação consciente. Agora é entregar o resultado para os órgãos públicos: governo do Estado, Tribunal de Contas, Assembleia Legislativa, ANEEL e Ministério Público. E seguirmos pressionando para que o clamor do povo seja ouvido.

Padre João é deputado federal pelo PT

Idalina Barion é freira da Congregação das Carmelitas da Caridade de Vedruna

O Espaço Comum Luiz Estrela continua a resistência contra a reintegração de posse do prédio abandonado da rua Manaus, bairro Santa Efigênia, a pedido da Fundação Educacional Lucas Machado, mantenedora da Faculdade de Ciências Médicas (Feluma). Na quarta-feira (6), foi realizada audiência pública na Assembleia Legislativa de Minais Gerais para discutir a destinação da casa, que, no entanto, ainda está indefinida. Uma nova reunião foi marcada com assessores do governo do Estado para terça-feira, dia 19 de novembro. Na quinta (7), os bombeiros compareceram ao local para avaliar o estado de conservação do imóvel. Nenhum parecer ainda foi divulgado pela corporação.

Na edição 11... Consumidores de Minas Gerais votam pela redução da conta de luz

... e agora Depois de 16 dias de trabalho em mais de 300 cidades do estado, chegou ao fim o Plebiscito Popular para reduzir o preço da conta de luz em MG. Desde o dia 3, quando acabou a votação, os organizadores estão se concentrando na contagem e apuração dos votos. O resultado parcial mostra que 95% das pessoas escolheram a opção ‘sim’, para reduzir o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e para baixar o preço da energia. A divulgação do total de votos está prevista para a próxima sexta-feira (15). Os organizadores da consulta informam que os votos serão entregues a diversos órgãos públicos.


Belo Horizonte, de 08 a 14 de novembro de 2013

entrevista | 09

Livro conta a história dos internos do maior hospício do Brasil VIOLÊNCIA “Holocausto Brasileiro” denuncia as barbáries sofridas no Hospital Colônia de Barbacena Lívia Bacelete De Belo Horizonte O Hospital Colônia de Barbacena começou a funcionar em 1903, projetado para atender 200 pacientes. Foi quando atingiu o status de maior hospício do Brasil, a partir de 1930, que sua história revelou o que há de pior nas instituições totais, no que diz respeito à violação dos direitos humanos e descaso à vida. Entre os anos de 1930 e 1980, 60 mil pessoas morreram no hospital psiquiátrico, devido ao frio, fome, doença, eletrochoques e outras atrocidades. Nos períodos de maior lotação, 16 pessoas morriam a cada dia, em sua maioria, internadas à força, sem sequer serem diagnosticadas como portadoras de sofrimento mental.

“Essas pessoas passaram fome, sofrerem eletrochoques, não com finalidades terapêuticas, mas para a contenção e a intimidação” Recusando-se a aceitar que essa barbárie caísse no esquecimento, a jornalista e escritora mineira Daniela Arbex investiga a história de vida dos homens, mulheres e crianças, sobreviventes, funcionários e médicos do Colônia. Em seu livro “Holocausto Brasileiro – vida, genocídio e 60 mil mortes no maior

hospício do Brasil”, da Editora Geração Editorial, Arbex retoma um passado de segregação dos indesejáveis, que insiste em bater à porta das políticas públicas brasileiras atuais, travestido de medidas higienizadoras e internações compulsórias. Brasil de Fato - Por que a escolha da palavra ‘holocausto’ para o título do livro?

mas há relatos, em documentos oficiais, de superlotação na unidade desde 1911. Muito cedo esse hospital teve sua finalidade desviada e, aliado a isso, sabemos que os psicofármacos começaram a ser produzidos somente na década de 50. O tratamento da loucura em si era difícil. Até aí tudo bem, o que não dá para aceitar é a violação dos direitos humanos mais básicos. É manter pessoas num frio de temperatura negativa sem roupa, dormindo em montes de capim. Essas pessoas passarem fome, sofrerem eletrochoques, não com finalidades terapêuticas, mas para a contenção e a intimidação. Isso nada justifica. Podemos até pensar que a limpeza social era cultura da época, mas até hoje essa cultura permanece. Continuamos segregando e tirando dos olhos, como disse Guimarães Rosa: para os pobres os lugares são mais longe. Incomoda ver, então, continuamos fingindo que não vemos. Essa é a questão. Infelizmente, as coisas mudaram, mas não mudaram na velocidade que elas mereciam.

Daniela Arbex - Primeiro, porque foi um extermínio em massa. Segundo, porque a forma como os “pseudo-pacientes” eram enviados para o hospital se assemelha muito à como os judeus eram encaminhados para os campos de concentração nazista, em vagões de carga. Quando eles chegavam ao hospital, passavam por um banho de desinfecção, tinham suas cabeças raspadas, eram uniformizados, tinham sua humanidade confiscada. Eles foram explorados em tudo, na mão de obra, foram cobaias e torturados. Acredito que não há outro título para contar essa história. O que difere o hospital dos campos de concentração nazista é a presen- Por que o Colônia continuou traça de pessoas negras. tando as pessoas dessa forma, mesmo após inúmeras denúnQuem eram os pacientes do Cocias? lônia e quais os critérios para que eles fossem mandados para lá? Não dá para a sociedade brasileira dizer que não sabia. Isso veio Na verdade, não existia critério à tona algumas vezes na histómédico para internar essas pesso- ria, com veículos importantes, coas. Elas eram enviadas para lá por- mo foi a revista O Cruzeiro, com a que haviam perdido o documento, emblemática série de matérias do porque eram meninas que haviam Hiram Firmino. O que eu acho que perdido a virgindade antes do ca- fez os brasileiros virarem a página é samento, eram homossexuais, negros, pobres, alcoolistas e também “A omissão gera a barbárie, por serem insanos. Eles eram todo a indiferença gera o o grupo que compunham os indesejáveis sociais. Acabo de ouvir a extermínio” história de um rapaz dizendo que sua tia foi mandada para o hospital, exatamente essa ideia de que há viporque, quando era menina, levan- das que valem menos. É muito cotou a saia da irmã, deixando apare- mum se uma pessoa da classe mécer suas partes íntimas. Como pu- dia ou alta for morta, a sociedade ir nição, ela foi mandada para o Co- para a rua, se mobilizar. Você já viu lônia. Infelizmente, o hospital aca- passeata em qualquer grande cenbou sendo um depósito de indese- tro para chorar ou pedir justiça se jáveis sociais. for uma pessoa da favela? Não, porque isso não mobiliza, porque conComo essas pessoas eram tratatinuamos fingindo que não vemos. das? Existia algum tipo de trataEssa é uma realidade e, na verdade, mento psiquiátrico? a omissão gera a barbárie, a indiferença gera o extermínio. Acredito que a proposta do hospital era muito bem intenciona- Você traz a história das pessoas da, quando ele foi criado, em 1903, indesejáveis, que eram segrega-

Reprodução

Jornalista Daniela Arbex, autora do livro

“Precisamos, realmente, treinar nosso olhar e estar sempre vigilante, porque, se esquecermos, o passado volta com força” das e, hoje, vemos ela se repetindo, com outros atores, que também sofrem com a segregação. Não aprendemos nada com nossa história? Temos que tomar cuidado, porque se nos acomodarmos as coisas voltam com muita força, sob outra característica. É só olhar para os craqueiros de hoje e a internação compulsória. Não será uma reedição dos abusos do passado sob forma de política pública? Por isso, temos que estar vigilantes para não repetirmos esses erros. Não dá para nos acomodarmos achando que progredimos. Olha o que está acontecendo nos centros de socioeducação para os adolescentes em conflito com a lei, o que acontece, diariamente, nos presídios desse país com tortura e mortes inexplicáveis. Verdadeiras barbáries que não tocam ninguém. Como se essas pessoas merecessem passar por isso, porque são criminosas ou cometeram atos infracionais. Mas qual ser humano merece passar por isso? Precisamos, realmente, treinar nosso olhar e estar sempre vigilantes, porque se esquecermos, o passado volta com força.


10 | brasil

Belo Horizonte, de 08 a 14 de novembro de 2013

Sem competição, operadoras de celular oferecem serviço sem qualidade TELEFONIA Para pesquisadora do IDEC, Anatel precisa ser mais firme na regulação do setor Tania Rego_ABr

Guilherme Almeida De São Paulo

As operadoras de celular fazem parte de um dos setores da economia que mais crescem no país, mas estão entre os serviços que mais geram reclamações em instituições de defesa do consumidor. Dez por cento de todas as reclamações no Procon são para as operadoras de telefone móvel. As principais reclamações estão relacionadas à inoperância do serviço, problemas de oferta e dificuldade de cancelamento de contratos. Para a advogada e pesquisadora Veridiana Alimonti, do Instituto Brasileiro de Defesa ao Consumidor (IDEC), a falta de competição entre as empresas é um dos motivos para o baixo nível do serviço oferecido pelas operadoras. “O mercado de telecomunicações é bastante concentrado. São quatro empresas [Vivo, Tim, Claro e Oi] com mais ou menos 20% do mercado cada uma”, analisa. Veridiana defende uma atuação mais firme da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), responsável pela regulação do setor desde 1997, quando as telecomunicações passaram por um processo de privatização durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. “ A regulação é importante para tornar o mercado mais competitivo”, defende. A Anatel tem um sistema de metas para investimentos, cobertura e atendimento às reclamações, que serve de base para a fiscalização e punição das operadoras com multas. “A Oi deve em multas da Anatel não pagas mais do que seu valor de

Reclamações

Operadoras de celular expandem negócios, mas representam 10 por cento de todas as reclamações no Procon

mercado”, destaca a pesquisadora. No entanto, as operadoras dão o calote na Anatel e não pagam. “Só 9% das multas dos últimos três anos foram pagas. A maioria está no judiciário”, afirma Veridiana. O Tribunal de Contas da União (TCU) recomendou para a Anatel aplicar métodos mais eficazes que as multas para punir operadoras pelo serviço ruim, como impedir a comercialização de chips.

Por 1000 Assinantes na Anael

Oi lidera ranking de reclamações em junho Diante do acelerado ritmo de consumo de celulares, tanto as empresas montadoras de aparelhos quanto as operadoras de linhas têm problemas para manter a qualidade. A Oi ficou em primeiro lugar em junho em reclamações na central de atendimento da Anatel. A Claro ficou em segundo lugar, seguida pela Tim e pela Vivo. Em um ano, a média de reclamações da Tim subiu 96%. A operadora é líder há mais de três anos em vendas de celular (em média, 3,2 milhões de chips por mês). De 2012 até o primeiro trimestre de 2013, a Samsung teve aumento de 69% de

reclamações no Procon. Em julho do ano passado, a Anatel suspendeu por 11 dias a venda de chips das empresas Claro, Tim e Oi em vários estados, em resposta aos problemas com o serviço, que geram insatisfação nos usuários. Depois dessa medida, a Anatel começou a fazer um acompanhamento trimestral das operadoras. Um dos problemas para a atuação da agência é a dependência de informações das empresas para parâmetros de qualidade. “A Anatel recebe informações das próprias operadoras e não tem acesso aos dados brutos”, critica Veridiana Alimonti.

As reclamações e denúncias contra operadoras, além de sugestões ou pedidos de informações, podem ser realizados pela central de atendimento da Anatel, que funciona de segunda a sexta-feira, nos dias úteis, das 8h às 20h, no telefone 1331. Fonte: Anatel (reclamações por 1000 assinantes na Anatel, com base nas reclamações na Central de atendimento da agência)


brasil | 11

Belo Horizonte, de 08 a 14 de novembro de 2013

Negros terão 20% de vagas em concursos públicos federais IGUALDADE RACIAL Projeto do governo federal precisa ser aprovado no Congresso em regime de urgência Da Redação A presidenta Dilma Rousseff afirmou que tem apoio de deputados e senadores para aprovar o projeto de lei que garante 20% das vagas de concursos públicos federais para os negros. “Nós queremos, com essa medida, iniciar a mudança na composição racial dos servidores da administração pública federal, tornando-a representativa da composição da população brasileira”, disse a presidenta. Ela disse que foi “com orgulho” que mandou a mensagem aos parlamentares com o projeto de lei em regime de urgência constitucional. Com isso, há um prazo de 45 dias para a votação do projeto na Câmara e o mesmo período para o Senado, caso contrário tranca-se a pauta da Casa e proíbe-se a votação de outra matéria.

“A sociedade brasileira tem que arcar com a consequências do longo período escravocrata”, afirmou Dilma. O texto foi assinado pela presidenta na 3ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, que começou na terça-feira (5). A medida do governo prevê a reserva de 20% das vagas em “concursos públicos para provimento de cargos efetivos e empregos públicos no âmbito da administração pública federal, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista controladas pela União”. De acordo com o projeto, a reserva será aplicada sempre que o número de vagas oferecidas em concursos públicos for igual ou superior a três. Pessoas que se autodeclararem pretas ou pardas na inscrição do concurso público, con-

Valter Campanato / Agência Brasil

A abertura da 3ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial contou com a presença da presidenta Dilma e ministros

forme quesito cor ou raça utilizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), poderão concorrer.

Dilma anunciou que o Ministério da Saúde terá uma instância específica para coordenar as questões voltadas para a população negra.


12 | mundo

Belo Horizonte, de 08 a 14 de novembro de 2013

Desigualdade: 0,7% detém 41% da riqueza mundial PESQUISA PIB mundial atinge maior valor da história, mas divisão segue desigual Dodô Calixto de São Paulo

Cinco anos depois do início da crise econômica mundial, marcada pela quebra do banco Lehamn Brothers, os indicadores financeiros seguem apontando para uma concentração da riqueza no mundo. De acordo com o relatório “Credit Suisse 2013 Wealth Report”, um dos mapeamentos mais completos sobre o assunto, 0,7% da população concentra 41% da riqueza mundial. Em valor acumulado, a riqueza mundial atingiu em 2013 o recorde de todos os tempos: US$ 241 trilhões. Se este número fosse dividido proporcionalmente pela população mundial, a média da riqueza seria de US$ 51.600 por pessoa. No entanto, não é o que acontece. A Austrália é o país com a média

de riqueza melhor distribuída entre as nações mais ricas do planeta. Apesar de ser o país mais rico do mundo em termos de PIB (Produto Interno Bruto) e capital produzido, os EUA têm um dos maiores índices de pobreza e desigualdade do mundo. Se dividida, a riqueza seria, em média, de mais de US$ 110 mil dólares. No entanto, é atualmente de apenas US$ 45 mil dólares - menos da metade. Entre os países com patrimônio médio de US$ 25 mil a US$ 100 mil, se destacam emergentes como Chile, Uruguai, Portugal e Turquia. No Oriente, Arábia Saudita, Malásia e Coreia do Sul. A Líbia é o único país do continente africano neste grupo. A África, aliás, continua com o posto de continente com a menor riqueza acumulada. Mesmo com o crescimento da ri-

queza mundial, a desigualdade social continua com índices elevados. Os 10% mais ricos do planeta detêm

atualmente 86% da riqueza mundial. Destes 0,7% tem posse de 41% da riqueza mundial. Rafael Stedile

CUT/MG contra o fator previdenciário No dia 12 de novembro, a CUT e demais Centrais Sindicais voltam às ruas de todo país pelo fim do fator previdenciário, que é um critério utilizado para calcular o valor das aposentadorias, considerando o tempo de contribuição, idade e expectativa de vida. O que é e como funciona o Fator Previdenciário: O FATOR PREJUDICA

TODOS/AS OS TRABALHADORES/AS, especialmente quem começou a trabalhar muito jovem – o que é muito comum no Brasil entre as famílias de menor renda, ou seja, a maioria dos brasileiros/as. ACABAR COM O FATOR É FAZER JUSTIÇA a quem teve que começar a trabalhar mais cedo, é pensar no futuro dos nossos jovens e das novas gerações. CORREÇÃO DA TABELA DO IMPOSTO DE RENDA JÁ! Quem ganha menos deve pagar menos; quem ganha mais deve pagar mais. Pela tabela atual, defasada desde 1995 em mais de 70%, quem recebe mais de 2,52 salários mínimos (cerca de R$ 1.700) paga Imposto de Renda. Esta defasagem reduziu o limite de isenção do IRPF, fazendo com que trabalhadores/as com rendas mais baixas passassem a ser tributados. Um exemplo: um/a trabalhador/a que recebia R$ 1.600 (nesta faixa estava isento de imposto) e teve um aumento salarial de 10%, passou a receber R$ 1.760, mas também passou a pagar o IR, na faixa de 7,5% (R$ 132). Ou seja, se a tabela do imposto não for revista, o aumento conquistado na campanha salarial pode ir todo para o IR e não para o bolso do trabalhador/a. Já quem recebe mais de R$ 4.271,59 mensais é tributado em 27,5%. Porém, quem QUEM LUTA CONQUISTA! R

www.cutmg.org.br

recebe muito mais do que isso, mesmo que supere dezenas de milhares de reais, também é tributado em 27,5%. Isso é muito injusto. O/a trabalhador/a assalariado/a (registrado em carteira) tem o IR descontado direto na folha de pagamento. Já quem recebe seus rendimentos por meio de outras fontes consegue “fugir” do imposto, porque a cobrança é menos rigorosa. Por isso, exigimos a atualização da tabela.

Outras bandeiras defendidas pelas Centrais Sindicais: • • • • • • • • • • • • • •

Fim do Fator Previdenciário; Correção da Tabela do Imposto de Renda; Redução da Jornada de Trabalho para 40 horas semanais; Contra o PL 4330, da terceirização; Pela justa correção do FGTS; Regulamentação da Convenção 151 da OIT, sobre o direito à negociação dos servidores públicos; Fim do Trabalho Escravo; Reforma Agrária e fortalecimento da agricultura familiar; Regulamentação do emprego das/os trabalhadoras/es domésticas/os; Aprovação do Saúde + 10 (PLP 321/2013); Contra a privatização do Pré-Sal; Redução dos juros e do Superávit Primário; Ratificação da Convenção 158 da OIT, pelo fim da demissão imotivada; 10% do PIB para Educação.


Belo Horizonte, de 08 a 14 de novembro de 2013

PALAVRAS CRUZADAS DIRETAS

www.coquetel.com.br Marca das relações entre torcidas organizadas

variedades | 13

A novela Como ela é

© Revistas COQUETEL 2013

Presidenta da Argentina (2013) Estilo de vida do preguiçoso

(?) Angeles Lakers, equipe de basquete da NBA cuja sede fica na Califórnia

Núcleo de povoamen- A Mata to de Fernando de Atlântica, Noronha (Geog.) segundo a Sujeição; vinculação Unesco

Soldado (abrev.) Óleo, em inglês

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Reprodução

Fantasiosos

Pátio central de casas gregas e romanas

Estado da cidade de Mossoró (sigla)

Grito comum na cadeira do dentista

Secreção que dilui Ouvido, em inglês o suco gástrico PALAVRAS CRUZADAS DIRETAS Iguarias www.coquetel.com.br © Revistas COQUETEL 2013 de chocoNúcleo de povoamen- A Mata Presidenta da (?) Angeles Lakers, Marca das da to de Fernando de Atlântica, Argentina (2013) equipelate de basquete relações Noronha (Geog.) segundo a da NBA cuja sede Estilo de vida Páscoa entre torciMonte egípcio citado na Bíblia

Bebida matinal Sem, em espanhol

Sujeição; vinculação Unesco

dos Sexos” Pátio central de casas gregas e romanas

Estado da cidade de Mossoró (sigla)

“O segredo é a alma do (?)” (dito)

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“Transtorno”, em (?) Pires, TOC atriz de (Psiq.) “Guerra

Secreção que dilui o suco gástrico Iguarias de chocolate da Páscoa

A região entre dois países A região entre dois países

feito com (gíria) fibras Tara artificiais (abrev.)

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Imita a voz do gato Capacete de antigos guerreiros

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(?) Lopes, em inglês sambista Prefixo de “enlatar”

(Psiq.)

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Capacete de antigos guerreiros

(?) Lopes, sambista Prefixo de “enlatar”

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a equação Canal a de Einstein (Fís.) cabo de notícias dos EUA Tecido Obrigado! Canal a (gíria) feito com cabo de notícias fibras Tara dos EUA artificiais (abrev.) Tecido Obrigado!

Grito comum na cadeira do dentista

Ouvido, em inglês

dos Sexos”

Bebida matinal Sem, em espanhol

No interior Construção hidráulica essencial para a existência da Holanda

Observação (abrev.) Sim, em francês

Cicatriz, em inglês

O mais nobre dos metais (símbolo) O mais

Observação (abrev.) Sim, em francês

Arma luminosa do universo “Star Wars”

nobre dos metais (símbolo)

Arma luminosa do universo “Star Wars”

3/ear — oil — oui — sin. 4/café — scar. 5/átrio — dique. 3/ear — oil — oui — sin. 4/café — scar. 5/átrio — dique.

BANCO

Seu passado te condena?

Cifra do acorde de ré maior (Mús.)

Imita

a voz Abreviatura de “rei”, do gato na notação do xadrez

inglês

Utilize; empregue

Serviço solicitado na mudança Surpresos

BANCO

fica na Califórnia

atriz de Fanta“Guerra siosos

Monte egípcio citado na Bíblia

Serviço solicitado na mudança Surpresos

do preguiçoso

das organizadas (?) Pires,

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Solução Solução

Por Joaquim Vela

R D E E S E A R I VA

Mande sua dúvida: amigadasaude@brasildefato.com.br Aqui você pode perguntar o que quiser para a nossa Amiga da Saúde

Tenho 64 anos e sou viúva há 13 anos. Desde que meu marido faleceu não tive mais ninguém. Tenho três filhos, todos casados. Estava ficando muito sozinha então comecei a namorar um amigo há 3 meses. Só que não faço sexo há muitos anos e tenho muita vergonha de ter relações íntimas com ele. É possível sentir prazer na minha idade? O que devo fazer? Anônima Parabéns por ter resolvido se relacionar novamente, querida! É possível sim, você ter prazer. O prazer não tem limite de idade e para nós mulheres ele virá mais fácil se estivermos bem e nos sentirmos à vontade com o parceiro e se tivermos dispostas a ter relações sexuais. Converse com seu namorado sobre isso. Com a idade, por conta da alteração dos hormônios, você pode ter um

A T R E L

R A D E T E S R E E A R L I VA A D M I A E B N E I T R O O B S A F O S E U R I Ç A

nas bancas AMIGA DA saúde e livrarias

A V D A L I D M N B O IL A A E S D B O O NI ES AI TL ORR OI V E O OBM SL U S E A F E D EN O SI E L A D O R S U V I S C I Q UÇ AA F R O N T E I R

nas bancas e livrarias

V I V A L I D R A B O LA N D S D R I O O N A I S A C G L O R I R I V F E VM EI R A S M O M LD A T R I N U SS EI N A N EG E T E D N C A F E G L KI M O C A DS OI N S F R E T C V I S C GC Q UC H O AC I N N C O N T E EI I R

para você se lembrar de tudo

C R M I S A T S I N C A K S I F R C C H N N E F R

jogos

e exercícios jogos para você se lembrar de tudo e exercícios

Você tem algum segredo daqueles bem “cabeludos” guardado a sete chaves? Daqueles que você nem gosta de lembrar que tem? Que contou para uma ou pouquíssimas pessoas, só para desafogar a garganta? Eu tenho! Mas não vou revelá-lo aqui não! Na novela das 19h, Além do Horizonte, que estreou na segunda-feira (4), um grande segredo revelado no início vai ser fundamental para o desenrolar da história. Heloísa, a mãe de Lili, teve seu segredo descoberto pela filha: o pai da menina não estaria morto, mas sim desaparecido. Com a ajuda de Willian, Lili decide ir em busca da verdade sobre o passado do pai. Mas, em novela, nem sempre os segredos são revelados logo no princípio. Por exemplo, em Amor à Vida, folhetim das 21h, dois grandes segredos só foram revelados esta semana. Um deles, nem o público sabia: Ordália, depois de ter passado por uma decepção amorosa com Hebert, viveu um período de pegação com muitos homens, e dessa confusão nasceu Gina. Ninguém podia imaginar que a boa mãe e enfermeira tivesse uma história tão diferente, que ela precisou reencontrar ao revelar o segredo. A família Khoury também descobriu esta semana o passado de César e Edith. Ele era cliente dela e a pagou para seduzir e conquistar Félix, o filho gay. Segredo chocante! O pai pagar para alguém tornar o filho heterossexual. Até eu mesmo preferia não ter sabido. Segredos quase sempre têm a ver com o nosso passado. Por isso a gente guarda. Na vida acontece muita coisa e a gente pode escolher se quer que alguém saiba ou não. Mas cuidado com o seu segredo! A qualquer momento ele pode vir à tona e será preciso estar preparado para enfrentar a revelação e o passado, mesmo que ele te condene. Não se esqueçam de mandar email para quimvela@brasildefato. com.br com sugestões, comentários, críticas. Até a próxima semana!

ressecamento da vagina. Se isso acontecer, use um lubrificante vaginal à base de água, que você encontra em qualquer farmácia e não tem contraindicações. Isso deixará o sexo mais gostoso.

Oi Amiga da Saúde! Ultimamente tenho sentido muitas dores na coluna e nas pernas. Adoro usar salto alto no meu trabalho, pois me sinto mais bonita e sensual. Ouvi dizer que salto alto pode estar relacionado a dores como a que estou sentindo. Isso tem mesmo alguma lógica?

Querida Amiga da Saúde, já faz um tempo que apareceram umas feridinhas na minha vagina que coçam muito. Minha amiga me indicou passar vinagre para aliviar a coceira, pois poderia ser cândida. Porém não adiantou e as feridinhas estão aumentando e a coceira também. O que pode ser?

Cristina de Souza, 27 anos, atendente de loja

Aline, 19 anos, estudante

Tem lógica sim, Cristina. O uso permanente de salto alto está relacionado com problemas na coluna lombar, encurtamento dos músculos da panturrilha e problemas nos pés. Isso tudo vem acompanhado de dores. O ideal é usar saltos mais baixos e dar preferência para os anabelas, que diminuem o impacto no calcanhar. Fazer alongamentos e massagens também ajuda a reduzir as dores. Salto al-

Cara Aline, sem um exame é difícil saber exatamente do que se trata, mas essas feridinhas podem ser sintoma de alguma DST (Doença Sexualmente Transmissível). Podemos contrair várias doenças ao ter relações sexuais sem proteção, inclusive com o sexo oral. Além de tudo, nós mulheres temos uma preocupação a mais por conta do HPV (Papiloma Vírus Humano), que é muito comum e está relacionado ao câncer de colo de útero. Procu-

to, só de vez em quando! Nessa sociedade que nos impõe padrões de beleza, é comum as mulheres terem preocupação o tempo todo em estar bonitas, mas o mais importante e bonito é nos sentirmos livres e à vontade. Pense nisso.

re o mais rápido possível uma unidade de saúde para ser avaliada. E lembre-se sempre de usar camisinha!


14 | cultura

Belo Horizonte, de 08 a 14 de novembro de 2013

BH sedia festival internacional GRATUITO FIQ traz mais de 80 convidados e faz homenagem ao cartunista Laerte Começa na quarta-feira (13), a 8ª edição do Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte (FIQ). Promovido pela Fundação Municipal de Cultura, o festival é o maior evento do gênero na América Latina, e traz a Belo Horizonte uma intensa programação, totalmente gratuita, com mais de 80 convidados. Todas as atividades são gratuitas e serão realizadas na Serraria Souza Pinto. O homenageado da vez será o consagrado cartunista Laerte Coutinho, considerado um dos mais importantes quadrinistas da atualidade. A exposição em sua homenagem irá apresentar os principais elementos que compõem sua obra, e também pautar algumas de sua atuais discussões. O FIQ acontece até 17 de novembro e, durante os cinco dias de evento, o público poderá comparecer a exposições, oficinas, lançamentos de livros, conferir a presença de artistas de diferentes estilos,

Serviço FIQ - Festival Internacional de Quadrinhos 13 a 17/11, na Serraria Souza Pinto (Av. Assis Chateaubriand, 809 Floresta). Mais informações: fiqbh.com.br Sebo Casa da Revista, que terá um estande no Festival

Viva Noel “Belo Horizonte, deixa que eu conte o que há de melhor pra mim... Não é o bordão deste meu violão, nem é a prima que eu firo assim. Não é a cachaça, nem a fumaça que no meu cigarro vi. Belo Horizonte, deixa que eu conte, bom mesmo é estar aqui”. É com esta composição, lançada em 1935, que o sambista Noel Rosa descreve, em música, sua paixão pela caReprodução

pital mineira. O malandro carioca, criado no tradicional bairro Vila Isabel e conhecido por suas canções sobre a vida boêmia, viveu alguns meses de sua vida em terras belorizontinas. Em sua homenagem, a cidade recebe, na próxima quinta (14), o percurso sonoro Noel Rosa. A atividade integra a programação do “Seminário Internacional Som e Memória: Paisagens Sonoras da Cidade”, organizado pelo GRISsom, grupo de pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais dedicado a produções simbólicas do som, ruído e canção. A atração, desenvolvida pelos alunos do curso de Comunicação Social, pretende reviver os passos do poeta durante o tempo que passou em BH. O público será guiado por um circuito pelos lugares mais frequentados pelo músico. Para compor o passeio, serão disponibilizados arquivos mp3 para download, a fim de auxiliar os participantes a vivenciarem a capital de uma nova forma, reconstruindo ecos e sons da época vivenciada pelo cantor lenda da música popular brasileira. Reflexão sobre o som

Percurso homenageia sambista carioca

Mídia Ninja

além de participar de debates com profissionais de todo o mundo. Entre os destaques estão George Pérez, autor de “Vingadores”, “Quarteto Fantástico”, “Os Novos Titãs”, e “Mulher Maravilha”. Sede do evento por oito anos consecutivos, Belo Horizonte transformou seu cenário cultural e se tornou mundialmente conhecida como a capital internacional dos quadrinhos. A estimativa é que 25 mil pessoas interessadas na nona arte - como muitos se referem aos quadrinhos - compareçam à mostra. (Da Redação)

O seminário, que será realizado entre os dias 12 e 16, preten-

de facilitar e aumentar o acesso a produções artísticas que promovam a reflexão sobre o som como lugar de memória privilegiado. Contará com palestras, shows, mostra de filmes e também um al-

moço especial no edifício Arcângelo Maletta. Para conferir a programação completa e realizar inscrição, acesse o blog do projeto: http://sommaismemoria.wordpress.com. (Da Redação)

Sanfona para todos Todo mundo conhece o Luiz Gonzaga de Asa branca. Mas nem todo mundo sabe que o compositor e sanfoneiro foi autor de choros, valsas, mazurcas e polcas instrumentais, que ele tocava nos anos 1940. E é esse repertório cheio de criatividade e balanço que o acordeonista carioca Marcelo Caldi mostra nesta sexta (8), na Praça Floriano Peixoto, em Santa Efigênia, a partir das 20h. A entrada é franca. O nome do espetáculo não podia ser mais convidativo: “Tem sanfona no choro”. Marcelo Caldi é um jovem sanfoneiro que vem renovando a linguagem do instrumento, tocando com nomes da MPB, como Gilberto Gil, Chico César e Elba Ramalho. O que o músico promete com o show de hoje é revelar um novo Gonzagão, que mesmo sem as letras das canções que retratam o sertão, põe todo mundo para dançar agarradinho. (Da Redação)

Sérgio Bondioni

Marcelo Caldi toca de graça na sexta

Serviço Show de Marcelo Caldi Trio. Sexta (8), às 20h, na Praça Floriano Peixoto, em Santa Efigênia. Entrada franca.


Belo Horizonte, de 08 a 14 de novembro de 2013

AGENDA DO FIM DE SEMANA

é tudo de graça!

2ª edição do Duelo de MC’s no Cena Música. A proposta é reunir MCs de diferentes regiões da cidade e promover mais um encontro da cultura Hip Hop de Belo Horizonte e região. Sexta (8), às 20h, no Centro Cultural Urucuia (Rua W3, 500, Urucuia) LITERATURA

“Sempre um Papo” convida José Paulo Cavalcanti Filho, autor do livro “Fernando Pessoa: o Livro das Citações”. Sexta (8), às 19h30, no Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1537, Centro).

Segunda a quinta-feira EXPOSIÇÃO

MÚSICA

TEATRO

A 47ª edição da Feira do Vinil e CDs Independentes acontece em comemoração aos oito anos da loja Discoteca Pública. Sábado (9), às 10h, na Galeria Inconfidentes (Rua Pernambuco, 1.000, Savassi). CINEMA

A Cia Circo Teatro El Individuo apresenta “Circo Sobre Rodas”. Uma kombi serve de palco móvel e leva o espetáculo aonde o público está. Domingo (10), às 10h e 16h, na Praça Floriano Peixoto (Santa Tereza).

Documentário “Mestre Conga - O inconfidente do samba” traça um paralelo entre o Mestre Conga e o carnaval de BH. Sexta (8), às 19h, 20 e 21h no Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1046).

cultura | 15

MÚSICA

A exposição “Estereótipo Cúbico” apresenta obras do artista plástico Elias de Sevla. Segunda a sexta, de 8h às 18h, no Sinpro Minas (Rua Jaime Gomes, 198, Floresta). Até dia 20/12. DANÇA

INFANTIL

“Vodoun”, espetáculo dos bailarinos Marcel Gbeffa e Wagner Faria, acontece quarta (13), às 20h30, no Sesc Palladium (Av. Augusto de Lima, 420, Centro).

O espetáculo “Pluft! O Fantasminha” conta a história de uma divertida família de fantasmas. Quarta (13), às 14h30, no Centro Cultural Alto Vera Cruz (Rua Padre Júlio Maria, 1577, Alto Vera Cruz).

Banda Angenor toca composições do sambista Cartola. Quarta (13), às 12h30, no Conservatório UFMG (Avenida Afonso Pena, 1534, Centro).

DANÇA

O Espetáculo “Circo Negro Conta Benjamim de Oliveira” narra a história do primeiro palhaço negro do Brasil. Quarta (13), às 19h30, no Centro Cultural Vila Marçola (Rua Mangabeira da Serra, 320, Serra).

Virada Cultural da UFMG A UFMG prepara uma virada cultural para o final de semana. Serão 90 atrações - que ocorrerão na sexta (8), no campus Pampulha e no sábado (9), no Centro – incluindo circuito de oficinas,

apresentações de dança, teatro e muita música. Entre as bandas que animarão o evento estão Absinto Muito, RAM e Renegades of Funk, que apresenta repertório de covers do Rage Against the

Machine. O rap também tem lugar garantido, com apresentações de MC’s e shows das bandas Zimun e C.A.O.S, comandada pelos cantores Mário HotApocalypse e Fabrício FBC. As oficinas incluem autodefesa e masturbação femi-

na geral Final rubro-negra na Copa do Brasil Atlético-PR e Flamengo farão a grande final da Copa do Brasil. Enquanto o time carioca derrotou o Goiás (sem Walter) por um duplo 2x1, o Furacão passou pelo burocrático Grêmio com os resultados 1x0 e 0x0. O Flamengo vai fazer sua sexta final na competição (é atualmente bicampeão 1990-2006 e trivice 1997-2003-2004). Já o Atlético -PR vai fazer sua estreia em finais. Será a terceira final seguida com a participação de um clube do Paraná, já que o Coritiba esteve presente (e perdeu) nas últimas duas edições da competição. Esta coluna considera o Atlético-PR uma equipe tecnicamente bem superior ao Flamengo, porém o time da Gávea terá a seu favor o fator torcida, já que tem colocado no Maracanã mais de 50 mil por jogo nesta reta final do ano. O torneio este ano ganhou uma turbinada de qualidade e emoção com a entrada dos times que disputaram a Libertadores da

nina, agricultura urbana, grafite, malabares, culinária viva, entre outras. Quem for comparecer ao campus Pampulha deve ficar atento ao horário, pois a UFMG permitirá a entrada de não alunos somente antes da meia-noite. esporte |

América. Entretanto, ironicamente, nenhum desses times, que tiveram as melhores campanhas de 2012, chegaram à finalíssima. Se o Atlético-PR for o campeão, terá garantida a vaga na Libertadores em 2014, e o G4 do Brasileirão vira G5.

América vacilão O América perdeu mais uma boa oportunidade de colar no G4 da Série B ao apenas empatar com o São Caetano, penúltimo lugar da competição, por 1x1, na última terçafeira (5) na cidade do ABC Paulista. Com o resultado, a equipe chegou aos 52 pontos. Dependendo dos resultados da continuação da rodada, poderá ficar no 9º lugar, bem longe do sonho da Série A. O Coelho volta a campo na próxima terça-feira (12) para enfrentar o América-RN, que briga para não cair para a Terceirona, às 21h50 no Nazarenão, em Natal. Já o Boa, que segue na “zona do limbo” da competição, equidistante do G4 e do rebaixamento, vai enfrentar nesta sexta (8) à noite o Pa-

raná Clube, às 21h50, no Estádio do Melão.

Pelé calado é um poeta, já diria o Romário O Pelé continua fazendo de tudo para que o grande público esqueça sua incomparável genialidade quando foi jogador de futebol ao dar mais uma declaração bizarra. Em entrevista recente, o ex-craque, depois de chamar o astro mundial Cristiano Ronaldo de “Cristiano Leonardo”, disse que as reivindicações do Bom Senso FC com relação à mudança do calendário do futebol “não vão dar em nada”. Perdeu uma excelente oportunidade de ficar calado. Aliás, mais uma. Em junho, no meio da grande efervescência do levante popular que sacudiu o Brasil inteiro, Pelé pediu ao povo para “esquecer as manifestações” e torcer para a seleção na Copa das Confederações, numa genuína demonstração de subserviência à FIFA e à CBF. Esta coluna concorda cada vez mais com o deputado

federal Romário, o verdadeiro craque fora das quatro linhas: Pelé calado é um poeta.

Alex Cabeção, quem diria, mandou mal Alex, do Coritiba, um dos líderes do Bom Senso FC, escorregou em declaração recente, ao comentar a existência de homossexualidade e homofobia no futebol. Para ele, pouco importa se o colega de profissão “é veado ou bate na mulher”, contanto que ele resolva dentro de campo. Isso mesmo, caro leitor. Nosso querido Cabeção comparou, em pé de igualdade, homossexuais e pessoas que cometem violência contra as mulheres. E para ele, pouco importa que os jogadores perpetuem a sociedade machista e homofóbica em que vivemos, desde que façam seus gols. Vindo do Alex, que está longe de ser um ignorante, soa assustador. Se um dos jogadores mais articulados do nosso futebol tem esta opinião, imagine, cara leitora, os demais!


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Belo Horizonte, de 08 a 14 de novembro de 2013

OPINIÃO Atlético

Fifa e Lei de Murphy assombram o Galo Bruno Cantini

OPINIÃO Cruzeiro

Retirada de Fernandinho do mundial é uma prova da Lei de Murphy

Rogério Hilário

Como diziam os adeptos da tal da Lei de Murphy: pão de pobre cai sempre com a manteiga para baixo. Quando estávamos, nós atleticanos, nos regozijando (estou impossível) com o retorno de Ronaldinho Gaúcho aos treinos, quando não mais que de repente vem a paulada: Fifa tira Fernandinho do Mundial Interclubes. Assim é demais! Alvinegro não pode se alegrar? Esperamos tantos anos pelo título da Copa Libertadores e agora querem dificultar o caminho para a conquista do Mundial. É, mas não vão conseguir. Por falar em sina, outro dia em um bar caí na gargalhada lembrando da minha penúria quando iniciei a vida no jornalismo. Daí a alusão à Lei de Murphy. No ressuscitado “Diário de Minas”, segundo diário em que trabalhei, pagamento de salário era raro como canto do Uira-

puru. É sabido que o lendário pássaro só trina uma vez por ano. Como eu também labutava no Diário do Comércio, próximo ao quinto dia útil eu precisava me esquivar dos companheiros de infortúnio para não ter que emprestar dinheiro. Um deles já me assediava, ameaçador: “Eu sei que você tem grana, o DC paga em dia”. Mas no bar, veio a lembrança dos anos de infortúnio no “Diário de Minas” quando vi um coitado pedindo pra tira-gosto uma porção de batata cozida, acompanhamento de uma maçã de peito. Meu Deus, nem carne cozida dava pra pagar. E ele ainda estava acompanhado. A conjuntura econômica estava pior do que torcer para o América, que nem coluna tem neste jornal. Só faltou o prato com a iguaria do casal cair no chão. E ainda tem a Lei de Murphy, que assombra nossa vida e o nosso futebol.

Futebol contra o racismo Yaya Touré, meio-campista costa-marfinense do Manchester City, se irritou profundamente com as bárbaras demonstrações de racismo da torcida russa do CSKA em jogo recente da UEFA Champions League, vencido pela equipe inglesa por 5x2. Durante o jogo, torcedores russos imitavam macacos cada vez que o craque do City pegava na bola e chegaram a jogar bananas em sua direção. Irritado, o atleta interrompeu o jogo, reclamou com o juiz e exigiu que a partida fosse encerrada, o que acabou não acontecendo. No final do jogo, deu uma declaração enraivecida e acertadíssima. Ameaçou organizar um boicote de jogadores negros à Copa de 2018, que será realizada na Rússia. A coluna aplaude a decisão do jogador. Seu gesto já causou consequências. O presidente da FIFA, Joseph Blatter, já se movimenta para tomar medidas mais enérgicas contra o racismo nas arquibancadas. Percebeu que as famosas faixas “tire o racismo do futebol”, que entravam em campo em competições FIFA, não passam de desencargo de consciência da entidade e não mudam nada. É preciso tomar atitudes fortes. Já se estudam formas de proibir torcedores que cometem gestos racistas de ir ao estádio.

“Seremos campeões, não se esqueça” Whashigton Alves

Não faz mais sentido perguntar se virá, mas quando virá o título

Wallace de Oliveira Após quatro partidas ruins, o Cruzeiro já tinha resgatado, contra o Criciúma, o bom futebol que o levou à liderança. Na Vila Belmiro, novamente vimos quem manda no Brasileirão. O magro placar disfarça o jogo de um time só, que perdeu muitos gols e pôs o Santos na roda, com um toque de bola envolvente. Enquanto você lê este texto, o Cruzeiro balança as redes em algum canto do mundo. Com o novo golaço de Everton Ribeiro, o melhor ataque do campeonato já completou 66 gols. Outros números situam a Raposa no topo ou, no mínimo, entre os primeiros de qualquer ranking do ano: vitórias como mandante ou visitante, defesas menos vazadas, finalizações, passes certos, etc. Enquanto você lê este texto, algum invejoso diz que o Brasileirão está fácil, só porque o líder é muito superior ao restante. Quanta la-

múria! O torneio é equilibrado e difícil. Basta olhar a dura disputa pelo segundo lugar. Baixo nível técnico? Vejam a Libertadores 2013, que teve como finalista o “poderoso” Olímpia, terceira força do futebol paraguaio atual. Finalíssima?

A torcida espera comemorar o título no Mineirão, contra o Grêmio. É difícil prever se o tricolor jogará para não perder, mantendo a retranca implantada por Renato Gaúcho, ou se buscará a vitória atacando, já que ainda não garantiu vaga na Libertadores. Como o Cruzeiro é melhor, tanto técnica quanto fisicamente, torço pela segunda possibilidade. De qualquer forma, não faz mais sentido perguntar se o título virá, mas quando virá o título. Quem será o adversário? Com quantos gols venceremos? A circunstância também pouco importa. Seremos campeões, é o que interessa.


Edição 12 do Brasil de Fato MG