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esporte | pág. 16

Washigton Alves

cultura | pág. 14

Animada, mas polêmica

Campeão da Libertadores, Galo patina no Brasileiro

Artistas apontam que a PBH aproveitou os eventos já existentes na cidade para a Virada Cultural. Dizem ainda que não houve transparência e diálogo na definição do evento

Fernando Lima

Edição

Cruzeiro tem chances reais de vitória

Uma visão popular do Brasil e do mundo

Belo Horizonte, de 13 a 19 de setembro de 2013 | ano 1 | edição 4 | distribuição gratuita | www.brasildefato.com.br | facebook.com/brasildefato

minas | pág. 5

Ocupação na Cemig denuncia demissões

cidades | pág. 4

Ocupação Dandara: símbolo de luta por moradia em BH

Hoje um grande bairro, a Ocupação Dandara, que é tema de documentário, abriga mais de 1.200 famílias. Mesmo após quatro anos de luta, os moradores ainda sofrem ameaça de ação de reintegração do terreno. Conheça mais uma ocupação urbana na série especial do Brasil de Fato Apesar de concursados, trabalhadores foram demitidos por carta. Indignados, se acorrentaram na entrada da empresa. Eles trabalhavam para a Cemig Serviços, que foi extinta. Ministério Público do Trabalho pede que os demitidos sejam reaproveitados na Cemig Distribuição.

cultura | pág. 15 Ações descentralizadas da Virada Cultural irão ocorrer em várias regiões da cidade, nos 15 centros culturais e demais equipamentos da Fundação Municipal de Cultura. O eixo condutor será a Praça da Estação, a rua da Bahia e a Praça da Liberdade, onde ruas serão fechadas para o trânsito do público

minas | pág. 5

minas | pág. 7

Pescadores lutam “Descontos” em por territórios troca de apoio Comunidades ribeirinhas se organizam e elaboram Projeto de Lei para efetivar direitos dos pescadores artesanais e preservar o território. Agronegócio tem expulsado as famílias, que acabam nas periferias

Sindicato dos Auditores Fiscais denuncia relação entre empresas financiadoras de campanhas eleitorais e recebimento de benefícios fiscais. Com isso, população acaba pagando mais


02 | opinião

Belo Horizonte, de 13 a 19 de setembro de 2013

Falando Nilson

editorial | Minas Gerais

O anjo da Cemig não é santo Temos assistido muita propaganda da Cemig. Um anjo responsabiliza a população pelos acidentes. O ator Jonas Bloch esconde a verdade da população. Mas, no último dia 10 de setembro, funcionários demitidos sumariamente se acorrentaram na entrada da empresa, em mais um alerta à população. A Cemig está a serviço do lucro. Hoje, 65% das suas ações preferenciais estão com acionistas internacionais, 33% com nacionais, e só 2% com o Estado. Assim, ao invés de se preocupar com a população, a empresa tem se preocupado em gerar lucro. Em 2012, a Cemig teve um lucro recorde de R$ 4,5 bilhões. Dinheiro repassado aos acionistas e não ao povo. Só no primeiro semestre deste ano, a Cemig já acumulou um

lucro de R$ 1,483 bilhão. Para garantir os interesses privados, a gestão PSDB na empresa aumentou o número de gerentes de 135 para 267.  Todos eles com remuneração bem superior a dos demais trabalhadores. Para se ter uma ideia, um gerente chega a receber R$ 389 mil de participação nos lucros, enquanto um leiturista da Cemig S não ganha R$ 700 líquidos por mês. Hoje dois terços dos trabalhadores da empresa são terceirizados. Com isso, a Cemig é recordista em acidentes de trabalho. Foram 110 mortes entre 1999 e 2013, segundo a fundação COGE. Isso sem falar nas centenas de mutilados. A taxa de mortalidade entre as empresas terceirizadas é de 56,43 óbitos por 100 mil, sendo que do

quadro próprio é de 6,68 óbitos. A Cemig Serviços, que chegou a ter 200 funcionários concursados, demitiu seus últimos 70 trabalhadores por carta. Atitude arbitrária e autoritária. Foram tirados de um emprego que conquistaram por concurso. Daí o motivo para permanecerem, até o fechamento desta edição, acorrentados. A conta da Cemig é das mais caras do país. Entre outros motivos, pela incidência do imposto estadual, ICMS, que representa 42% da conta. Para ver o tamanho do absurdo, em SP e no DF o ICMS é de 12%. Como se vê, o anjo da Cemig é uma farsa. A preocupação da empresa é com a ganância de seus acionistas e o retorno que darão no financiamento das eleições.

editorial | Brasil

Rede Globo e o apoio à ditadura

Em editorial, o jornal da família Marinho reconheceu que foi um erro ter apoiado o golpe militar de 1964. Seriam sinais de novos tempos na Globo? Nem o mais ingênuo dos mortais acredita nessa possibilidade. O apoio ao golpe militar não foi um ato isolado. Ela apoiou, incondicionalmente, os 20 anos de ditadura em nosso país. As prisões políticas, os exílios, casos de torturas e assassinatos de militantes políticos não mereceram uma linha de repúdio do jornal. Armando Falcão, um dos ministros da Justiça da ditadura, se referia ao dono da Globo, Roberto Marinho, como o “mais fiel e constante aliado”. Desse conluio com a ditadura

nasceu o império que monopoliza as comunicações. Hoje a família Marinho tem uma fortuna de R$ 52 bilhões. Fortuna que começa com a aquisição, fraudulenta, da antiga TV Paulista pela quantia do equivalente à época a US$ 35,00 (trinta e cinco dólares). Não faltam provas sobre falsificação de documentos e outras ilegalidades cometidas por Roberto Marinho. Os descendentes da família proprietária da Rádio Televisão Paulista S/A e dos 670 acionistas que foram lesados por Roberto Marinho movem um processo contra a Globo, que se encontra no STF. Mas, ao contrário da energia que demonstra para atacar o exministro petista José Dirceu, o

O jornal Brasil de Fato circula semanalmente em todo o país e agora também com edições regionais, no Rio e em Minas. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais em nosso país e no nosso estado.

contato..................brasildefatomg@brasildefato.com.br para anunciar : publicidademg@brasildefato.com.br / (11) 2131-0800

decano da corte não apresenta nenhuma pressa para julgar o recurso. A mesma postura, de silên-

As prisões políticas, exílios, torturas e assassinatos não mereceram uma linha de repúdio do jornal cio conivente, foi adotada com as ditaduras militares que se espalharam pelo continente latino-americano nas décadas de 1960 e 1970. E se repetiu, com indisfarçável simpatia, nos golpes de Estado que depuseram presidentes de repúblicas, democraticamente

eleitos pelo voto popular, como o do Jean-Bertrand Aristide (Haiti), em 1991, Manuel Zelaya (Honduras), em 2009 e Fernando Lugo (Paraguai), em 2012. Seu reacionarismo continuou quando, em 1984, o povo brasileiro foi às ruas para exigir eleições diretas para o cargo de Presidente da República. Somente mudou de postura quando o grito das ruas — “o povo não é bobo, abaixo a rede globo” — tornou-se ensurdecedor. Dois anos antes, em 1982, envolveu-se com a empresa Proconsult, associada a antigos colaboradores do regime militar, na tentativa de impedir a vitória eleitoral de Leonel Brizola ao governo do Rio de Janeiro. Na eleição de 1989,

notabilizou-se pela edição manipulada dos seus noticiários, responsável pela vitória eleitoral de Fernando Collor de Melo. Em 2010, foi bizarra a encenação de uma bolinha de papel na testa do candidato José Serra, numa vã tentativa de provocar a derrota da candidata Dilma Roussef. Com esse histórico, só resta à Rede Globo promover, anualmente, a campanha “Criança Esperança” para tentar limpar sua própria imagem. Busca fazer caridade com o dinheiro que arrecada das outras empresas e de doações individuais. Enquanto ela mesma sonega uma quantia superior a R$ 1 bilhão de reais, em impostos devidos a Receita Federal. Tudo a ver com a Rede Globo.

conselho editorial minas gerais: Adília Sozzi, Adriano Pereira Santos, Beatriz Cerqueira, Bernadete Esperança, Bruno Abreu Gomes, Carlos Dayrel, César Augusto Silva, Cida Falabella, Cristiano Carvalho, Cristina Bezerra, Daniel Moura, Dom Hugo, Durval Ângelo Andrade, Eliane Novato, Ênio Bohnenberger, Frederico Santana Rick, Frei Gilvander, Gilson Reis, Gustavo Bones, Jairo Nogueira Filho, Joana Tavares, João Paulo Cunha, Joceli Andrioli, José Guilherme Castro, José Reginaldo Inácio, Lindolfo Fernandes de Castro, Luís Carlos da Silva, Marcelo Oliveira Almeida, Maria Brigida Barbosa, Michelly Montero, Milton Bicalho, Neemias Souza Rodrigo, Nilmário Miranda, Padre Henrique Moura, Padre João, Pereira da Viola, Renan Santos, Rilke Novato Públio, Rogério Correia, Samuel da Silva, Sérgio Miranda (in memoriam), Temístocles Marcelos, Wagner Xavier. Tiragem: 50 mil exemplares. Administração: Valdinei Siqueira e Vinicius Moreno. Diagramação: Bernardo Vaz, Gabriela Viana, Luiz Lagares . Editor-chefe: Nilton Viana (Mtb 28.466). Editora regional: Joana Tavares. Endereço: Rua da Bahia, 573 – sala 306 – Centro – Belo Horizonte – MG. Contato: redacaomg@brasildefato.com.br


cidades | 03

Belo Horizonte, de 13 a 19 de setembro de 2013

Longe de ser o melhor remédio ANSIEDADE Excesso de medicamentos é prejudicial à saúde Reprodução

Elionice Silva De Belo Horizonte Já reparou como todo mundo tem um medicamento preferido que quase sempre ‘receita’ para outra pessoa? É dessa forma inocente que os brasileiros têm tratado os medicamentos que nem sempre os tratam bem.  Os mineiros da Região Metropolitana de Belo Horizonte, por exemplo, estão se arriscando sem necessidade. Um levantamento do Sindicato dos Farmacêuticos do Estado de Minas Gerais avalia que só em postos de saúde da RMBH (de 10 municípios somente), o número de comprimidos distribuídos do Rivotril (Clonazepam) – contra ansiedade e nervosismo – pode chegar à casa dos 17 milhões este ano. Isso dá

uma média de 3,7 comprimidos por habitante. Na rede privada e em todo Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) confirmou que o consumo do medicamento cresceu 36% em quatro anos, de  2006 a 2010.   O consumo por longos períodos desse medicamento barato (cerca de R$ 5 a caixa com 10) pode custar caro à saúde. Em poucos meses causa dependência e outros efeitos como fraqueza muscular, vertigem e dificuldade de aprender e memorizar.   “Existe diagnóstico superestimado do quadro de ansiedade e o pior, que é a busca de resolver problemas sociais com medicamentos”, explica o farmacêutico Rilke Novato Públio, diretor do

Sinfarmig, acrescentando que o fenômeno tem nome: medicalização da sociedade. Contra essa preocupação, vêm sendo criados fóruns de discussão em todo o país

em que profissionais e cidadãos em geral podem participar. BH e Região Metropolitana acaba de criar o seu.   A primeira reunião do Núcleo sobre Medi-

Pergunta da semana

Você acha que a próxima linha de metrô de Belo Horizonte deve ir para o Barreiro ou para a Savassi? Desde o final do ano passado, espalharamse pela cidade de Belo Horizonte diversos furos da sondagem para a nova linha de metrô. O objetivo é realizar as obras da Linha 3, que deve fazer a rota Savassi – Lagoinha, prevista para ano que vem.  No entanto, ainda nem foram iniciadas as sondagens para a construção da Linha 2, que chegará até o Barreiro.   calização de BH e RMBH aconteceu em setembro, no Conselho Regional de Nutrição. “Esse fórum poderá tomar iniciativas estratégicas como mobilizar professores de escolas públicas e privadas para discutir o assunto mais profundamente’, salienta Rilke.   A próxima reunião será no dia 10 de outubro, às 19h no Sindicato dos Farmacêuticos.

Moradores de Santa Tereza não querem instalação de Escola Técnica no bairro Reprodução

Da Redação Mais de 150 moradores do Santa Tereza, região Leste da capital, debateram no última quarta-feira (11) a política urbana da cidade e seus reflexos no bairro, em Audiência Pública convocada pela Câmara dos Vereadores. No início do ano, foi publicada a permissão de uso do Mercado de Santa Tereza para a instalação de uma Escola Técnica do Setor Automotivo do SENAI/ FIEMG. A escola ocuparia uma área de 6.000 m², quando o permitido são 400 m², segundo a Área de Diretrizes Especiais (ADE), criada em 1996. O grupo Salve Santa Tereza, movimento res-

ponsável pela conquista do ADE, se mobiliza desde então. “Não queremos apenas barrar a construção, mas também manter e ampliar a ADE, para que o bairro não se descaracterize”, declara Maria Guiomar da Cunha Frota,

Escola seria instalada no lugar do antigo Mercado, e ultrapassa a área permitida, que é de 400 m2 , segundo diretrizes aprovadas integrante do movimento e moradora do bairro.

Os representantes da Prefeitura não explicaram a razão da escolha do Mercado para o projeto, e afirmaram que os moradores do bairro foram consultados. Já a comunidade afirma que nunca houve este contato.

Anderson Fernandes de Oliveira, 35, Segurança

Pro Barreiro, é lógico. O Barreiro tem muito mais gente e é mais longe. Agora, se puder fazer as duas linhas, também é bom! 

 Márcia das Dores Silva, 51, Fisioterapeuta

Pro Barreiro, é claro. Porque atende a população mais carente. Eu acho que hoje tem que ser observado isso, muitas pessoas ficam sem trabalho por causa do valor da passagem, que o empregador acaba não querendo pagar.

Ciclo de debates Mídia, hegemonia e transformação social Esse é o tema do ciclo de debates que o Brasil de Fato está organizando em Belo Horizonte. São cinco terças-feiras de debates, com palestrantes de várias organizações. Participe! A en-

trada é franca. Na próxima terça, dia 17, serão apresentadas experiências e comunicação alternativa e popular no nosso estado. A atividade será na Faculdade de Direito da UFMG, às 19h.


04 | cidades

Belo Horizonte, de 13 a 19 de setembro de 2013

A luta da Dandara MORADIA Ocupação se tornou símbolo da luta por reforma urbana na capital Leonardo Dupin

Leonardo Dupin De Belo Horizonte “Eu sou das pessoas que chegou aqui no primeiro dia e estou até hoje. No início houve muitos conflitos com a polícia e discriminação dos moradores da região. Hoje estamos com uma vitória que é a comunidade consolidada”, conta Sônia Maria Mendes, moradora da ocupação da Dandara, no bairro Céu Azul, na região Nova Pampulha. A história de Sônia e outras 1.200 famílias tornou-se um documentário:  “Dandara: Enquanto Morar for um Privilégio, Ocupar é um Direito”. O filLeonardo Dupin

me, do cineasta argentino Carlos Pronzato (confira entrevista ao lado), foi lançado no último domingo (8/9) na própria comunidade. Nele, são os moradores e apoiadores que contam a história da ocupação, que completou quatro anos e se tornou símbolo da luta contra a falta de moradia na capital. Propriedade da construtora Modelo, o terreno de 40 hectares estava abandonado quando as famílias entraram no local. A construtora o adquiriu em 1997, mas nunca pagou por ele. Também não pagava o IPTU. Quando foi ocupado, ela acumulava uma dívida de cerca de R$ 3 milhões com a Prefeitura.  Mesmo assim, os moradores enfrentaram diversas ordens de despejo, realizaram

O argentino Carlos Pronzato percorre a América Latina realizando documentários sobre temas sociais e históricos. Já realizou quase 50 filmes. Entre eles estão: “O Panelaço – a rebelião argentina (2001)”; “Bolívia, a guerra do gás (2003)”; “A Revolta do Buzu (2003)”. Durante a festa de lançamento de  “Dandara: Enquanto Morar for um Privilégio, Ocupar é um Direito”, realizada na própria comunidade, ele falou para o Brasil de Fato sobre as filmagens em BH.

Maria Objetiva

Pronzato durante as gravações na ocupação Dandara A ocupação Dandara completou quatro anos e se tornou símbolo da luta contra a falta de moradia na capital

cinco grandes marchas, (da Pampulha até o centro), levaram a discussão da falta de moradia para a Assembleia Legislativa e Câmara Municipal, e, no último mês, ocuparam a Prefeitura de Belo Horizonte, junto com outras comunidades. Com toda essa luta, a comunidade criou uma rede de solidariedade que extrapola o país. “Eu morava de favor. Quando você está debaixo do seu teto, nem que seja de madeirite ou de lona, a vida melhora demais”

“Foi ótimo conhecer testemunhos de humanidade e resistência”

A rede Dandara Em novembro de 2011, após uma ordem de despejo, uma campanha de solidariedade foi lançada pela internet. A ocupação recebeu mensagens e fotos de apoio de mais de 20 países. Além das Brigadas Populares, que apoia as famílias desde antes da ocupação do terreno, a comunidade conta também com ajuda de congregações religiosas, organizações e ONGs internacionais, movimentos sociais, sindicatos, partidos políticos e diversos grupos culturais. Plano Urbanístico Logo após a ocupação terreno, em 9 de abril de 2009, os moradores receberam assessoria de professores e estudantes da PUC e UFMG, para desenvolver um plano urbanístico para a área. As ruas foram traçadas, os lotes divididos e mais 900 casas de alvenaria foram levantadas. Foi delimita-

da uma área de proteção ambiental, construída uma igreja ecumênica e um centro comunitário. Há também uma horta comunitária, que ajuda na alimentação dos moradores. “Isso aqui foi feito por mutirão. Quando alguém precisa de uma couve ou alface, pode pegar lá à vontade e quem pode dá um dinheiro para a compra de sementes”, diz Isael Alves de Oliveira, morador da Dandara. O projeto urbanístico foi um dos quatro selecionados no estado para participar da 9ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo em 2011, sendo exposto em países com EUA e Inglaterra. Descaso do poder público Nem assim o poder público se sensibiliza. As ruas da comunidade continuam sem pavimentação. Serviços públicos como água, iluminação, saneamento e limpeza urbana ainda não chegam de forma regular. Uma ação civil pública, onde o Estado e o município são réus, pede a desapropriação da área e sua inserção no desenho formal da cidade. “As pessoas têm se mantido aqui apesar do Estado não se fazer presente. Considerando que são cidadãos, eles têm direito à moradia, água, luz, formalização com arruamento e saneamento básico. Tudo que um

bairro legalizado tem”, afirma a defensora pública Ana Cláudia da Silva Alexandre. Em contrapartida, uma ação de reintegração de posse, ajuizada pela construtora Modelo, ainda ameaça a comunidade.

Leonardo Dupin

BF: Como foi a ideia de fazer o filme sobre o Dandara? Carlos Pronzato - Eu venho trabalhando há algum tempo com o tema das ocupações urbanas, aí recebi o convite das Brigadas Populares. Viemos em abril e ficamos um mês colhendo entrevistas e conhecendo o Dandara. Hoje está sendo lançado em tempo quase recorde. Trabalhamos quase sem editais, tentando mostrar que a vida é possível fora do estado nacional. Como foi realizar este trabalho? Foi ótimo conhecer testemunhos de humanidade e resistência. Uma Prefeitura que tenta inviabilizar essa luta, um estado que também tenta não reconhecer que é um bairro insertado em BH. Era muito material para pouco tempo de filme. Espero que as pessoas se sintam satisfeitas e que sirva como um instrumento de luta. Que seja uma voz a mais deles.

A horta comunitária, feita através do trabalho de mutirão, ajuda na alimentação das famílias

Por que trabalhar sem lei de incentivo a cultura? Penso que deveria ter uma vertente diferenciada para esse tipo de trabalho social e político, sem tanto recursos e mais dinâmica, de o recurso sair rápido e com menos burocracia.


minas | 05

Belo Horizonte, de 13 a 19 de setembro de 2013

Concursados da Cemig são demitidos sem explicação PROTESTO Trabalhadores se acorrentaram na empresa para cobrar recondução Joana Tavares de Belo Horizonte Múcio Marques Gontijo Júnior trabalhava como representante farmacêutico, em Divinópolis. Decidiu estudar para um concurso da Cemig e ficou feliz quando soube que havia sido aprovado. Sua função se-

“Quando fizemos concurso, não falaram se era Cemig S, Cemig D... Queremos ser reconduzidos pro grupo Cemig” ria de agente de unidade consumidora, também conhecida como leiturista. Quando entrou, ouviu muitas promessas. Ele nem sabia que iria trabalhar em uma empresa subsidiária da Cemig, chamada de Cemig Serviços, ou Cemig S. “Fi-

zeram muitas promessas pra quem estava entrando, de subir na carreira, de ter boas condições de trabalho”, conta Múcio. Ele começou ganhando abaixo do padrão da Cemig Distribuição. Enquanto Múcio e outros leituristas da Cemig S ganhavam R$ 770, fora os descontos, outro trabalhador na mesma função na empresa principal, ganhava mais de R$ 1400. Além de nunca se efetivar a promessa de plano de carreira ou mesmo o plano de saúde, que teoricamente já estava sendo licitado, em abril, 20 pessoas foram mandadas embora, sumariamente, somando-se às outras 70 que já haviam sido trocadas por trabalhadores terceirizados de empreiteiras. “Não nos interessa voltar pra Cemig S, já que ela está em fase de liquidação, não nos in-

teressa voltar pra lá, queremos ser reconduzidos, mas pra Cemig Distribuição”, explica Gabriel Siqueira Tavares, técnico de segurança do trabalho admitido em 2012 e demitido sem explicação em agosto de 2013.

Pressão Gabriel e outras dezenas de trabalhadores da Cemig Serviços fazem um protesto na sede da empresa, em Belo Horizonte, cobrando a recondução. Alguns chegaram a se acorrentar no hall de entrada da empresa, Benedito Maia

Trabalhadores da Cemig S denunciam que empresa foi extinta e o que o serviço será feito por terceirizados

como forma de pressionar por uma solução. A Cemig Serviços, que atuou de 2008 a 2013, foi fechada e demitiu todos seus funcionários, mais de 200. Uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) pede que os demitidos sejam reaproveitados na Cemig Distribuição, sob a alegação de que eles fizeram concurso público e obtiveram o direito de trabalhar na Cemig. Além disso, a Constituição prevê que trabalhadores da administração direta e indireta não podem ser demitidos arbitrariamente. “Quando fizemos concurso, não falaram pra nós se era Cemig S, Cemig D... Não falaram que era outra empresa. Então nós queremos isso, ser reconduzidos aqui pro grupo Cemig, pra gente poder trabalhar. A gente foi aprovado no concurso público! A gente só quer o emprego de volta, nada mais que isso”, defende Múcio.

Pescadores lutam por seus territórios Neusa Francisca do Nascimento de Buritizeiro O Movimento dos Pescadores e Pescadoras do Brasil (MPP) lançou uma campanha pela regularização dos territórios das comunidades pesqueiras no Brasil. Ela propõe um projeto de lei para garantir instrumentos legais para a preservação do território pesqueiro e para efetivação dos direitos dos pescadores e pescadoras artesanais. A campanha se movimenta para arrecadar a assinatura de 1% do eleitorado brasileiro para que a proposta seja encaminhada ao congresso nacional. Em Minas Gerais, o MPP e o Conselho Pastoral de Pescadores realizaram um encontro, no fim de agosto, na comunidade Caraíbas, em Pedras de Mª da Cruz, para discutir o projeto. A comunidade que sediou o encontro fica nas margens do rio São Francisco.  Está ali  há

mais de 200 anos, e se autodefine com remanescentes de quilombos, que eram os espaços de liberdade e convivência dos trabalhadores escravizados.

Comunidade encurralada De acordo com testemunhos dos moradores, eles conviveram em paz no seu território até final da década de 1970, MPP

quando chegaram os fazendeiros e foram derrubando suas casas, destruindo seus quintais, e plantações. Desde este tempo algumas famílias se dispersaram, sem rumo e com medo: foram para a periferia da cidade de Pedras de Mª da Cruz e cidades vizinhas. Um grupo resistiu, ficando encurralado numa área à beira do rio e outras, nas ilhas próximas. O

conflito sempre foi intenso, sobretudo, devido às estradas que passaram a ser fechadas, inclusive com cadeado. Desde maio deste ano, o mecanismo de resistência da comunidade tomou outra direção. Cerca de 31 famílias passaram a fazer parte do MPP e reforçaram a ocupação de seu território, fixando suas casas ali.

Anuncie no Brasil de Fato MG Todas as semanas

50 mil exemplares nas ruas de Belo Horizonte


Sindibel

06 | minas

Belo Horizonte, de 13 a 19 de setembro de 2013

Organizações sociais cobram redução da tarifa de energia Leonardo Dupin

PLEBISCITO Proposta é realizar uma consulta popular sobre o tema Thaís Mota Do Portal Minas Livre Formadores do Plebiscito Popular pela redução das tarifas de energia e do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em Minas Gerais vão se reunir neste sábado (14) no acampamento dos professores, em frente ao Palácio das Mangabeiras.  Até agora, as discussões sobre o valor da tarifa de energia em Minas estão sendo realizadas em 250 municípios e a expectativa é de que, até a data da votação, em outubro, esse número chegue a 500. O objetivo dos organizadores é levar a discussão ao maior número de cidadãos e, após a votação, apresentar ao governo e ao Legislativo os resultados colhidos.    “O plebiscito é uma forma de participação onde as pessoas opinam sobre aquilo que está sendo discutido. Então, nós acreditamos que isso funciona como uma forma de apelo popular para que o governo reduza a tarifa de energia e o ICMS no Estado. Vamos

pressionar para que isso de fato aconteça”, garantiu o coordenador nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e um dos organizadores do Plebiscito Popular, Joceli Andrioli.  

O plebiscito discute o valor repassado pela Cemig aos acionistas, que nos últimos dez anos somam R$ 16 milhões

Segundo levantamento feito pelo Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual de Minas Gerais (Sindifisco-MG), com os tributos que incidem sobre a tarifa de energia, a conta de luz dos mineiros sofre um acréscimo de 68%. Desse valor, 46,75% corresponde ao ICMS do Estado. Além disso, o plebiscito discute ainda o montante repassado aos acionistas, que nos últimos dez anos somam R$ 16 milhões.   É justamente nesse ponto,

segundo Andrioli, que a discussão sobre a tarifa de energia se aproxima das reivindicações apresentadas pelos professores acampados no Palácio das Mangabeiras. “A realização do seminário no acampamento nos educadores reforça o sentido de luta. Do mesmo modo que a Cemig repassou lucros altíssimos para acionistas, os professores denunciam o desvio de R$ 8 bilhões da educação nos últimos dez anos”, garante. Segundo o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), o valor é referente ao repasse do governo estadual ao setor de educação, que conforme prevê a Constituição, deve corresponder a 25% da arrecadação do Estado, mas que em Minas foi menor na última década.  Ainda segundo o coordenador do MAB, não faltam recursos para serem investidos em saúde e educação no Estado. “O que acontece é que o imposto arrecadado na conta de luz por exemplo não volta para a sociedade. A energia, assim como a educação, são bens a

Formação sobre plebiscito é aberta e acontece no sábado (14)

serviço da sociedade, mas que estão sendo transformados em mercadoria”, conclui. O   II Encontro Estadual de

Formação de Formadores acontecerá neste sábado (14), a partir de 8h30, em frente ao Palácio das Mangabeiras.

Vale quer reabrir mina em Mariana Ana Malaco

Ana Malaco De Mariana Na contramão do avanço rápido e ancorado em cifras bilionárias da atividade mineradora em Minas Gerais, fica o descaso das empresas com a população nas regiões em que as mineradoras se instalam. Uma dessas investidas é o projeto de reabertura da antiga Mina Del Rey na primeira cidade do estado, a histórica Mariana. A reabertura, prevista para 2014, foi anunciada pela Vale S/A, segunda maior empresa mineradora do mundo, em abril de 2011 e até hoje pouco se sabe sobre o projeto de exploração da mina. O mistério da extração na mina, que está localizada em importante reserva de água na

serão os impactos na região?” questiona.

Mistério do projeto de extração da mina preocupa população

Área destacada pode ser destruída por mineração da Vale

cidade, a 1 km do Parque Estadual Arqueológico do Gogô e a 4 km do centro histórico, preocupa a comunidade local. Integrante da Sociedade Reviverde e cidadã marianense, Aparecida Oliveira, não

acredita que a Vale desconheça como será a extração no local. “Como a mineradora prevê a reabertura daqui a menos de um ano e não tem projeto para a extração? Nem sabe dizer como será feita? E quais

A extração só pode acontecer com autorização do poder público. O prefeito Celso Cota afirma ainda não conhecer o projeto da Vale. De acordo com ele, somente depois de ter o projeto em mãos é possível fazer um laudo para entender melhor quais serão os impactos e, assim, decidir, juntamente com a população, o destino da mina. A lista de consequências da falta de planejamento urbano e ambiental para Mariana é extensa e já faz parte da realida-

de local: desenfreada especulação imobiliária, problemas crônicos no beneficiamento e distribuição de água, saturação do tráfego de veículos e pessoas, sobrecarga do transporte urbano, insuficiência do setor de prestação de serviços – sobretudo saúde, alimentação e educação. Os movimentos sociais enxergam a mobilização social como a única forma de impedir a reabertura da Mina Del Rey, no entanto alegam ainda é preciso conscientizar parte significativa da população. “Acredito na mobilização social e só assim vamos fazer com que empresas como esta recuem em suas estratégias prejudiciais a todos nós”, conclui Valério Viera, do Sindicato Metabase dos Inconfidentes.


Belo Horizonte, de 13 a 19 de setembro de 2013

Benefícios fiscais podem se tornar moeda de troca nas campanhas

fatos em foco

Prisões violentas e arbitrárias marcam o 07 de setembro

PRESSÃO Para presidente do Sindifisco-MG, sociedade deve exigir mais transparência na concessão desses benefícios

Várias empresas que recebem benefícios fiscais aparecem nas prestações de contas de financiamento de campanhas eleitorais. Esse diagnóstico é feito pelo Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual de Minas Gerais (Sindifisco-MG), que analisou a regulamentação de benefícios fiscais em Minas Gerais, levantando os principais setores contemplados, e as prestações de contas dos candidatos mineiros nas eleições de 2002, 2006 e 2010.

Enquanto as empresas locadoras de veículos tiveram redução de IPVA, proprietários de veículos pagam 4 vezes mais Um exemplo do levantamento é a redução da alíquota de ICMS (principal tributo estadual), de 18% para 12%, do ferro, aço e alguns materiais de construção. Em 2002, ano anterior à publicação do Decreto 43.493/2003, que estabeleceu essa redução de alíquota, grandes empresas do setor doaram dinheiro para campanhas eleitorais, tendo sido do-

adoras também nas eleições 2006 e 2010. Conforme o levantamento do sindicato, as mesmas empresas também foram beneficiadas com os Regimes Especiais de Tributação (RETs), mais um tipo de benefício fiscal concedido pelo governo. Outro exemplo é o das locadoras de veículos. Essas empresas tiveram redução do IPVA e pagam apenas um quarto (1%) do que outros proprietários de veículos (4%). “Algumas locadoras também foram doadoras de campanhas nas eleições 2002. Seria essa outra coincidência? Enquanto todos os anos, os trabalhadores se esforçam para poder pagar o IPVA, essas empresas são beneficiadas. Isso não acontece apenas em Minas. Em todo o país, há exemplos de vários setores, sendo que algumas empresas chegam a doar dinheiro para mais de um candidato, inclusive, a candidatos adversários, para poder garantir seus benefícios fiscais, independente do resultado das eleições”, diz o presidente do Sindifisco-MG, Lindolfo Fernandes de Castro. Ele explica que, após as campanhas, as empresas recuperam os valores doados, por meio dos benefícios recebidos, e depois continuam a engrossar seus lucros, enquanto os trabalhadores pagam altas alíquotas de tributos em bens

e serviços essenciais, como a energia elétrica e a gasolina. “É hora de lutarmos para que os governos abram a caixa-preta dos benefícios fiscais”, afirma.

O QUE É Benefício fiscal? É um tratamento diferenciado no pagamento de tributos; ou seja, alguns recebem “descontos” e/ou facilidades para pagar os tributos, enquanto outros devem pagá-los integralmente.

Qual o impacto desses benefícios nos cofres de Minas? Cerca de R$ 30 bilhões (valores atualizados), apenas nos anos de 2010 a 2012, conforme dados do Sindifisco-MG

124 pessoas Apenas

NÚMERO DA VEZ

Da redação

minas | 07

concentram

mais de

12% do PIB do

Brasil Reprodução

Quinze manifestantes foram detidos após manifestações no Dia da Independência. Destes, a Justiça concedeu liberdade provisória para 13, mas os proíbe de participar de novas manifestações. Os advogados contestam: “Impedir o cidadão de exercer um direito é inconstitucional. Nós vamos recorrer dessa decisão. A liberdade não pode ter uma condicionante dessas. Temos que preservar o direito de se manifestar”, afirmou a advogada Glória Trogo. Os outros dois jovens continuam presos por serem reincidentes

PF prende políticos de Minas A PF prendeu, no dia 9/9, 22 dirigentes da organização Instituto Mundial de Desenvolvimento e Cidadania (IMDC), empresários, servidores públicos federais, estaduais e municipais e até um ex-prefeito de Januária. Os danos chegam a R$ 400 milhões com fraudes em licitações de prestação de serviços, construção de cisternas e produção de eventos turísticos e artísticos. Os envolvidos citaram o deputado federal Ademir Camilo (PSD-MG) como intermediário de verbas federais do ProJovem aos municípios. As fraudes ocorriam no DF e em 11 estados.

Lei da Polícia Civil

Empresas de aço, ferro e materiais de construção tiveram alíquotas de ICMS reduzidas

A votação do projeto de Lei Orgânica da Polícia Civil se arrasta há vários meses na Assembleia Legislativa e foi novamente adiada, após uma emenda apresentada pelo governador. A proposta consiste na remuneração da categoria por meio de subsídio, ao invés de aumento real. Entretanto, a medida foi rechaçada por cerca de 500 policiais que acompanhavam a votação. Segundo o diretor do Sindpol/MG, Adilson Bispo,”o texto que foi acordado com os sindicatos, não está sendo respeitado.”

Adriano Chafik está solto Após três semanas de prisão, o fazendeiro Adriano Chafik conseguiu um habeas corpus e deixou na terça-feira (10) a Penitenciária de Segurança Máxima Nelson Hungria, em Contagem. Ele teve sua prisão preventiva decretada no dia 12 de agosto, quando o júri popular do réu e outros três acusados de participação no crime foi adiado pela terceira vez. Chafik é réu confesso do assassinato de cinco trabalhadores semterra em 2004, no episódio conhecido como “Massacre de Felibsurgo”. O julgamento definitivo de Chafik e dos outros réus será no dia 10/10.

Violência contra professores é tema de debate no acampamento do Sind-UTE Violações aos direitos humanos em casos de violência contra educadores da rede pública de ensino é tema de audiência pública da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta sexta-feira (13), às 15h. O debate será no acampamento dos professores estaduais em frente ao Palácio das Mangabeiras, moradia oficial do governador Antônio Anastasia.

Fórum de Direitos Humanos A edição mineira do Fórum Mundial dos Direitos Humanos começa no próximo dia 19, com a solenidade  de abertura e inscrições. A ideia é promover, dentro do perímetro estadual, a discussão de experiências de participação social na reivindicação, defesa e manutenção dos direitos humanos. Na manhã seguinte, a agenda continua no Ministério Público, com estudos e debates sobre direitos humanos, construção de propostas e orientações gerais sobre o Fórum Mundial de DH.  As inscrições para participar do evento estão abertas.


08 | opinião

Belo Horizonte, de 13 a 19 de setembro de 2013

Foto denúncia

Leonardo Dupin

Acompanhando

na edição

Professores acampam na casa do governador

“A legislação permite a esses profissionais treinados para te proteger a usar esse uniforme”, afirmou no sábado (7), o tenente-Coronel Alberto Luiz Carvalho. “Se alguém foi contido de forma arbitrária eu não sei”, completa.

e agora...

“Quem cobre o rosto não está bem intencionado”, diz um trecho da decisão da juíza Maria Luíza de Andrade Rangel Pires, que limita a liberdade de manifestação dos manifestantes presos no último sábado (7). Quinze pessoas foram detidas e duas continuam presas. Sete dos liberados ficam proididos de participar de manifestações.

Maria Júlia Gomes Andrade

Rogério Correia

Para sair do debate subterrâneo

Tá tudo dominado: Governo veta CPIs na Assembleia

É dito comumente que a vocação de Minas Gerais é a mineração. A expansão do setor nos últimos anos parece reforçar esse argumento. Mas a nossa identidade cultural estará definida na atividade da mineração? Existem outros usos possíveis para os nossos territórios, que podem ser, inclusive, economicamente viáveis? As nossas riquezas são os minérios ou, também, os nossos monumentais mananciais de água, a eficiente agricultura familiar, a diversidade dos biomas e o mosaico de culturas? A forma pouco democrática como a discussão do novo marco da mineração do Brasil está acontecendo inviabiliza a busca destas respostas. Retomando os últimos acontecimentos: em junho, a presidenta encaminhou ao Congresso, em caráter de urgência constitucional, o projeto de lei que irá revogar a lei atual, de 1967. O governo pode até retirar a urgência, mas já foi noticiado que existe um acordo para que a votação aconteça no dia 15 de outubro. É razoável que uma nova legislação de um setor tão importante para o nosso estado e para o nosso país

aconteça de uma forma tão expressa e impositiva? Não só em Minas a mineração está em ascensão: entre 2001  e  2011, a produção brasileira cresceu 550% e a participação da indústria extrativa mineral no PIB saltou de 1,6% para 4,1%. E mais de 90% do que se extrai é voltado para a exportação. Mas a mineração não se reduz apenas ao setor produtivo. Os empreendimentos atravessam as populações. Há uma série de impactos diretos e indiretos associados à mineração que não devem ser desprezados. Vão desde a contaminação da água à desestruturação socioeconômica de comunidades inteiras. No texto do novo código as comunidades atingidas não são sequer citadas! Audiências públicas, como a que está marcada para o dia 30 de setembro, não são suficientes. O urgente é que se garanta tempo adequado para um debate verdadeiramente amplo. Maria Júlia Gomes Andrade é militante do Movimento Nacional pela Soberania Popular Frente à Mineração

3...

Por medo de escândalos e de verdades que possam vir à tona através de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI), o Governo de Minas, representado pela sua base na Assembleia Legislativa, veta a abertura dessas comissões na Casa, engavetando investigações importantes como o rombo de R$ 16 bilhões causado pelo descumprimento da aplicação do mínimo constitucional que deveria ter sido investido na educação (25%) e na saúde (12%) nesses 10 anos de governo tucano no estado. Esse é apenas um exemplo. Desde 2003, quando Aécio Neves assumiu o governo de Minas, apenas três CPIs foram instauradas na Casa, sendo que nenhuma diz respeito ao Estado. Na verdade não faltam assuntos que mereciam uma apuração mais aprofundada por parte do parlamento, se ele não estivesse proibido de fazê-lo. Em Minas, para se instalar uma CPI são necessárias 26 assinaturas. Os pedidos são arquivados por motivos políticos, já que a maioria dos deputados são da base do governo. É a ditadura tucana!

Foram várias as CPIs que não emplacaram, como as que pediam apuração de denúncias relacionadas ao Mineirão, ao IPSEMG, à Rádio Arco Íris, do senador Aécio Neves, entre outras. As negativas, no entanto, não paralisam a nossa função fiscalizadora. Nessa terça-feira, 10/09, o Bloco Minas Sem Censura pediu a abertura de uma CPI sobre o desvio de recursos públicos por meio do Instituto Mineiro de Desenvolvimento (IMDC). Pela falta de CPIs, os deputados de oposição têm levado à Comissão de Direitos Humanos da Assembleia temas que deveriam ser vistos com mais rigor por parte do parlamento. Essa alternativa tem sido importante instrumento de reação e de luta. É preciso pressão popular para reverter o estado de inércia do parlamento mineiro diante das denúncias contra o governo Aécio/Anastasia e colocar fim à mordaça imposta pelos tucanos no estado. Rogério Correia é Deputado Estadual pelo PT

Os professores da rede estadual de ensino ainda não receberam nenhuma resposta do Governo de Minas. Eles estão mobilizados desde junho e cobram o cumprimento de promessas antigas e da própria legislação, como no caso do Piso Salarial Nacional definido por lei, que não é pago no estado. Além disso, a categoria denuncia que o governo não investe o mínimo constitucional de 25% da arrecadação em educação no Estado. “Aguardamos uma resposta do governo, que prometeu apresentar proposta em agosto e até agora nada”, disse a coordenadora-geral do Sind-UTE/ MG, Beatriz Cerqueira.  na edição

3...

População saúda médicos estrangeiros e agora...

Médicos cubanos vão trabalhar em 26 dos 52 municípios mineiros inscritos para participar do programa Mais Médicos, completando as vagas que ainda não haviam sido preenchidas. No total, o estado recebe 27 profissionais. Dos 400 médicos cubanos que chegaram ao Brasil, no final do mês passado, a maioria irá para os municípios em situação de extrema pobreza.  Outros 40 cubanos irão para 13 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs). Pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT), 73,9% da população apoia a vinda de profissionais de outros países.


Belo Horizonte, de 13 a 19 de setembro de 2013

entrevista | 09

A sociedade também precisa reconhecer os erros da ditadura ENTREVISTA San Romanelli, assessora do mundo do trabalho na Comissão da Verdade, fala sobre repressão e ação Maíra Gomes de Belo Horizonte San Romanelli Assumpção é assessora da Comissão Nacional da Verdade (CNV), no grupo de trabalho Ditadura e Repressão aos Trabalhadores e ao Movimento Sindical. A mineira é cientista política, e mora em SP há 14 anos. Ela esteve em Belo Horizonte esta semana no lançamento da Comissão pela Memória, Verdade e Justiça da Central Única dos Trabalhadores

(CUT), que terá como missão contribuir no debate e investigação dos crimes ocorridos na ditadura contra sindicalistas e trabalhadores. Brasil de Fato - Como foi a criação do Grupo de Trabalho sobre trabalhadores na Comissão Nacional da Verdade? San Romanelli Assumpção - A Comissão Rubens Paiva, da Assembleia Legislativa de São Paulo, atesta que 57% dos mortos e desaparecidos

oficiais são trabalhadores, então a criação do GT se deu pelo excesso de trabalho e reflexão necessários. Sua criação foi uma reivindicação das centrais sindicais, que também elaboraram uma lista com onze pontos que são o norte das nossas investigações. Por que os trabalhadores foram tão agredidos pela ditadura? Os sindicalistas eram importantes, realizavam muitas greves, havia também a banMaíra Gomes

deira das reformas de base. Existiam muitos motivos para as forças conservadoras e autoritárias reprimirem pesadamente os trabalhadores. Acho que é uma questão de poder e dominação. Qual é o caso mais emblemático de agressão ao trabalhador em Minas? Eu não sei se dá pra dizer se há um que seja o mais grave de todos, mas o Massacre de Ipatinga é um caso muito simbólico, sem dúvida (veja quadro ao lado). Foi um caso ligado a uma empresa estatal, tinha a

“Existiam muitos motivos para as forças conservadoras e autoritárias reprimirem pesadamente os trabalhadores. Acho que é uma questão de poder e dominação” polícia e o Exército. É uma violação vinda de muitos poderes diferentes, é uma mostra do que a convergência de poderes políticos e econômicos injustos juntos pode ser catastrófico.

40 anos do golpe contra Salvador Allende 11 de setembro de 1973 O golpe militar no Chile, que derrubou e ocasionou a morte do presidente socialista Salvador Allende (1908-1973), eleito democraticamente em 1970, completou 40 anos na última quarta-feira (11/9). A data é marcada pelo início da ditadura militar de Augusto Pinochet (1973-1990), que deixou mais de 3 mil mortos e 37 mil vítimas de prisões e torturas. Liderados pelo general Augusto Pinochet e financia-

dos pelo governo dos Estados Unidos, militares contrários ao governo Allende deram o golpe. O presidente permaneceu dentro do palácio e se matou com um tiro na cabeça pouco depois de seu último discurso: “Pagarei com minha vida a lealdade do povo. A semente que entregaremos à consciência de milhares e milhares de chilenos não poderá ser cegada definitivamente. Trabalhadores de minha Pátria! Tenho

Qual é a importância da participação da sociedade no debate? Se a sociedade participa, ajuda a afirmar que graves violações de direitos humanos são inadmissíveis. É importante que isso seja feito pela Comissão Nacional da Verdade para que o Estado reconheça oficialmente erros do passado. Também é importante que a sociedade esteja junto, dizendo que também reconhece esses erros. E cabe à sociedade se apropriar disso tudo para decidir o que ela entende por justiça e reparação às vitimas e familiares.

Massacre de Ipatinga Em 7 de outubro de 1963, trabalhadores da Usiminas, após uma série de manifestações contra a vigilância e as condições de trabalho e moradia oferecidas pela empresa, fizeram uma paralisação e entraram em confronto com a PM. No início da manhã, os trabalhadores saíam da usina e os vigilantes começaram a revistar suas marmitas. Os quase 4 mil operários presentes ouviram a ordem: “Senta a pua!”. Um policial, de cima de um caminhão e com uma metralhadora giratória, começou a atirar para todos os lados. Até hoje não se sabe ao certo o número de atingidos, mas estima-se mais de 80 mortos e 3 mil feridos. fé no Chile e em seu destino. Sigam vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrir-se-ão de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor.” Protestos para recordar a data e cobrar mudanças políticas ocorreram nesta semana no Chile, na Venezuela e no Brasil.


10 | brasil

Belo Horizonte, de 13 a 19 de setembro de 2013

Lei proíbe uso de máscaras Câmara proíbe cartazes para em manifestações no Rio evitar protestos Da Redação A lei que proíbe o uso de máscaras em manifestações políticas no Rio de Janeiro foi publicada na quinta-feira (12) no Diário Oficial do Esta-

do. Sancionada pelo governador Sérgio Cabral, a Lei 6.528, regulamenta o Artigo 23 da Constituição estadual. Em seu artigo 2º, a lei estabelece: “É especialmente proibido o uso de máscara ou

qualquer outra forma de ocultar o rosto do cidadão com o propósito de impedir-lhe a identificação”. A lei também obriga o aviso-prévio à autoridade policial sobre a realização de manifestações, sendo que, se o protesto tiver sido marcado pela internet com 48 horas de antecedência, o aviso à polícia ficará dispensado. “O direito de se manifestar é constitucional. Tal decisão corresponde a uma violação inaceitável. Se a repressão no Rio continuar nesse ritmo, logo proibirão até as máscaras de carnaval”, aponta o professor Talles Reis.

A Câmara dos Deputados aprovou medida que restringe o acesso de visitantes às dependências da casa, além de banir o porte de banners, cartazes e faixas. As novas normas foram regulamentadas por ato da mesa diretora, aprovado por unanimidade na terça-feira (10), e entraram em vigor imediatamente. O presidente da Câmara, deputado Henrique Alves (PMDB) disse que a medida visa dar mais segurança e conforto aos visitantes. Até a semana anterior, a Câmara registrava uma circulação de 8 mil a 10 mil pessoas por dia. Agora, só podem ter acesso 1.770 mil cidadãos por dia. (*Com informações da Agência Carta Maior)

S O Ê D A C , A I ANASTAS

S E Õ H L I B R$ 8 O Ã Ç A C U D DA E

Esse dinheiro é do povo e tem que ser investido em educação!

www.sindutemg.org.br

Da Redação

FILIADO À


Belo Horizonte, 13 a 18 19 de setembro de 2013 Rio de Janeiro, de 12

brasil | 09 11

Globo se desculpa por apoio à ditadura Drago/Mídia NINJA

MÍDIA Protestos, denúncias e dificuldades comerciais colocam em xeque o poderio da emissora, que tenta se recolocar no mercado Patrícia Benvenuti da Redação Quase 50 anos depois do golpe que derrubou João Goulart, a Rede Globo assumiu, publicamente, ter apoiado a manobra. O reconhecimento veio por meio de um editorial publicado no site do jornal O Globo, em 31 de agosto e lido dois dias depois no Jornal Nacional. “A lembrança é sempre um incômodo para o jornal, mas não há como refutá-la. É História”, afirma o texto. Como justificativa para amparar a ação dos militares, que culminou com o início da ditadura civilmilitar (1964-1984), a Rede Globo alega “temor de um outro golpe, a ser desfechado pelo presidente

No dia 30 de agosto, a sede da Rede Globo, em São Paulo, foi alvo de esterco atirado por manifestantes

“[O texto] tenta justificar o golpe de 1964 com o clamor das massas, quando ela [Globo], na verdade, ajudou a preparar o golpe”

João Goulart, com amplo apoio de sindicatos”. O presidente do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé, Altamiro Borges, faz críticas ao editorial. Ele lembra que a participação da imprensa no período foi além de um simples apoio. “[O texto] tenta justifi-

car o golpe de 1964 com o clamor das massas, quando ela [Globo], na verdade, ajudou a preparar o golpe. Não teve nada de erro editorial, foi um crime que eles cometeram”, acusa o jornalista, que ressalta a participação de outros veículos no episódio. “Com exceção do jornal Última Ho-

ra, toda a imprensa - Folha, Estadão, Zero Hora e Estado de Minas - criou o clima e orquestrou para o golpe”, pontua. Crise O lançamento do editorial ocorre em um momento difícil para as Organizações Globo. Depois de décadas produ-

zindo noticiários, nos últimos tempos, a corporação virou, ela própria, tema de reportagens. Sua imagem foi associada às denúncias de pagamento de propinas envolvendo o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e da Fifa, João Havelange. Em junho, a empresa foi alvo das mobilizações que se iniciaram com os protestos contra o aumento das tarifas de transporte público. Os protestos contra a emissora continuaram nos meses seguintes. Em 30 de agosto – um dia antes da publicação do editorial houve atos em pelo menos sete cidades. Recentemente, outro episódio colocou a Globo em uma posição incômoda: a suspeita de sonegação de R$ 183 milhões em impostos referentes à exibição da Copa do Mundo de 2002. Somados os juros e multas, o valor chega a R$ 615 milhões. A queda de audiência é outra preocupação. Em 2012, a emissora amargou a pior de sua história. Segundo o Ibope, a Globo teve, em média, 14,7 pontos (cada ponto equivale a 60 mil domicílios) contra 16,3 em 2011. Rafael Stedile

A hora da regulação Crise da Globo é chance para avançar com marco regulatório da Redação A Rede Globo enfrenta, nesse momento, talvez a pior fase de sua história, acuada por denúncias, protestos e dificuldades comerciais. Diferentes episódios – como a publicação do editorial em que reconhece seu apoio à ditadura civilmilitar - chamam a atenção não só para a crise da emissora, mas para a necessidade de se avançar no debate sobre a regulação dos meios de comunicação.

Para o professor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), Laurindo Leal Filho, Lalo, o cenário é positivo para trabalhar com esse tema. O lançamento do editorial, na sua avaliação, é resultado da pressão e da força das organizações populares, que devem fortalecer as mobilizações em favor de uma mídia mais democrática. “A tendência, nesse ritmo, é de que os movimentos pela democratização da mídia cresçam,

se ampliem e cheguem a outros setores da sociedade que ainda não estão envolvidos nisso”, afirma. Iniciativa popular Além da realização de protestos, os movimentos estão concentrados na coleta de assinaturas para o Projeto de Lei de Iniciativa Popular para as Comunicações, a Lei da Mídia Democrática. O objetivo do PL é propor a regulamentação dos artigos da Carta Magna que garantam a pluralidade e diversidade. Pa-

A Rede Globo enfrenta seu pior momento

ra o coordenador do Coletivo Intervozes, Pedro Ekman, o PL é um passo a frente para a consolidação da democracia no país. “Com uma comuni-

cação mais democrática, todas as pautas sociais no Brasil terão condições de serem debatidas e efetivadas”, diz. O conteúdo do tex-

to, que precisa de 1,3 milhão de assinaturas, pode ser acessado no endereço eletrônico http:// paraexpressaraliberdade.org.br. (PB)


10 12 || mundo mundo

Rio Janeiro, de Belode Horizonte, de12 13aa18 19de desetembro setembrode de2013 2013

Petrobras foi alvo de espionagem dos EUA SOBERANIA Em resposta, NSA afirma que coleta informações para prever crises econômicas que afetem mercados internacionais

FATOS EM FOCO

Golpe contra o Chile Tiago Silva

de São Paulo (SP) Novos documentos vazados da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA) afirmam que a rede privada de computadores da Petrobras foi alvo de espionagem do governo estadunidense. As informações foram divulgadas no domingo (08) pelo programa Fantástico, da Rede Globo. Os documentos foram obtidos pelo jornalista estadunidense Glenn Greenwald através do ex-agente Edward Snowden, exilado na Rússia, e que divulgou outros milhares de registros em junho. Segundo a reportagem, o Google e o Quai d’Orsay, sede da diplomacia fran-

“Não à guerra”

cesa, também foram alvo de ataque. Os documentos, classificados como “ultrassecretos” mostram uma apresentação interna de maio de 2012 relatando um treinamento para funcionários da agência sobre como espionar “redes privadas de computadores”. Este treinamento citou a estatal brasileira como um dos “muitos alvos” que “usam redes privadas”. Embora tenha

sido citada por diversas vezes nos textos, não há informação de que tipo de documentos a agência estava buscando. A NSA respondeu à reportagem dizendo que não usa sua capacidade de espionagem para roubar segredos de empresas estrangeiras. Questionada sobre o motivo de ter espionado a Petrobras, a agência dos Estados Unidos informou que isso é tudo o que tem

a dizer no momento. No entanto, após a reportagem, o órgão enviou uma segunda nota de imprensa, desta vez assinada pelo diretor nacional de inteligência dos Estados Unidos, James Clapper. Segundo ele, o governo estadunidense coleta informações econômicas e financeiras “para prevenir crises que possam afetar os mercados internacionais”.

As redes privadas do Ministério das Relações Exteriores da França e da Swift (Sociedade para Telecomunicações Financeiras Interbancárias Globais, na tradução do inglês), cooperativa que reúne mais de 10 mil bancos de 220 países, também foram analisadas. Qualquer remessa de recursos que ultrapassa fronteiras nacionais necessita ser analisada pela Swift.

Pré-sal é o foco principal SUSPEITA O leilão de Libra contará com a participação de todas as empresas petrolíferas dos Estados Unidos de São Paulo (SP) A reportagem irritou profundamente a presidenta Dilma Rousseff, também alvo de espionagem dos Estados Unidos, que afirmou, durante reunião ministerial, que o pré-sal seria o alvo das investigações – e não questões de se-

O golpe militar no Chile, que derrubou e ocasionou a morte do presidente socialista Salvador Allende, completa 40 anos nesta quartafeira (11). A data é marcada pelo início da ditadura militar de Augusto Pinochet (1973-1990), que, segundo organizações não-governamentais, deixou mais de 3 mil mortos e 37 mil vítimas que sofreram prisões e torturas.

gurança ou combate ao terrorismo. O leilão no campo petrolífero de Libra, avaliado em 15 milhões de dólares e marcado para outubro, contará com a participação de todas as empresas petrolíferas estadunidenses. Dilma cogita cancelar a visita de Estado que

faria a Obama, em outubro, caso as explicações não sejam satisfatórias. Na semana passada, ela se reuniu com o presidente estadunidense, em Moscou, durante reunião de cúpula do G20. Segundo Dilma, ele teria assumido responsabilidade pessoal pela investigação do ocorrido.

Samuel Tosta/Agência Petroleira de Notícias

Ato do Sindipetro-RJ, no dia 30 de agosto, em frente à Petrobras

Cerca de 200 pessoas se reuniram na frente da Casa Branca, em Washington, no sábado (07). “Nós somos contra a guerra”, bradaram os manifestantes em referência à possível intervenção militar na Síria. Além da capital estadunidense, Nova York, Los Angeles, San Francisco e outras metrópoles europeias e asiáticas reuniram milhares de pessoas. “Eles dizem mais guerra, nós dizemos não” foi o grito oficial da marcha mundial, que acredita que um novo ataque ao Oriente Médio seria “construído em uma mentira”.

Desperdício de alimentos A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) advertiu, na quarta-feira (11), que os desperdícios com alimentos no mundo podem causar cerca de 750 bilhões de dólares anuais de prejuízos. Pelo relatório, 1,3 bilhão de toneladas de alimentos desperdiçadas por ano provocam estragos no solo e no meio ambiente. O estudo alerta que o mau uso do lixo alimentar gera prejuízos, também, à qualidade de vida.


variedades | 13

Belo Horizonte, de 13 a 19 de setembro de 2013

A novela Como ela ĂŠ

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Em Amor Ă  Vida, precisa-se de Mais MĂŠdicos

Preencha os espaços vazios com algarismos de 1 a 9. Os algarismos não podem se repetir nas linhas verticais e horizontais, nem nos quadrados menores (3x3).

Paloma foi resgatada essa semana de um hospital psiquiĂĄtrico depois de internada de maneira abrupwww.coquetel.com.br Š Revistas COQUETEL ta, deixando seus familiares e amigos um tanto assustados. A operação de resgate, encabeçada por Bruno e Dr. Lutero, contou com a Reprodução participação de mĂŠdicos residentes e da mĂŁe de Bruno, enfer- se esqueceram do jura- de Dra Amarilys (barriga os espaços com algarismos de 1 a 9. meira de longa carrei- Preencha aluguel), inseminar mento que fizeram vazios na de ra. Pois bem, o episĂł- OscerimĂ´nia seu prĂłprio Ăłvulo: atĂŠverticais o de formatura algarismos nĂŁo podem se repetir nas linhas e doutor coadjuvante fere dio nos provocou re- em medicina.  horizontais, nem nos quadrados menores (3x3). os princĂ­pios de sua proflexĂľes. fissĂŁo! É certo que o prin- Vamos lĂĄ!  Š Revistas COQUETEL Dr. Jacques www.coquetel.com.br topa qualcipal cenĂĄrio da novela ĂŠ o hospital San Dra Glauce registra quer negĂłcio para assuMagno, por isso gran- um bebezinho encontra- mir cargos mais altos no de parte dos persona- do no lixo como nascida hospital, atĂŠ mesmo se gens sĂŁo mĂŠdicos e, no hospital, falsifica um envolver com outro hopara dar “caldoâ€? pa- laudo de morte, troca o mem: alpinista social ou ra a histĂłria, devem vi- exame de DNA da Pauli- michĂŞ? AtĂŠ Dr. Lutero, que ver tramas, dilemas e nha: a mĂŠdica mais mal parece ser o Ăşnico mĂŠsituaçþes cotidianas. carĂĄter da novela! Mas, ao relembrarmos A mĂŠdica psiquiĂĄtri- dico sĂŁo do San Magno, alguns acontecimen- ca interna Paloma e a omitiu sua tremedeitos da novela, parece- diagnostica, sem avalia- ra durante as cirurgias: nos que “os doutoresâ€? çþes  profundas,  como ainda bem que o bisturi esquizofrĂŞnica: e dĂĄ-lhe nĂŁo feriu Paloma duraneletrochoque na coitada! te seu transplante para Como se nĂŁo bastasse a Paulinha. Mande sua dĂşvida: amigadasaude@brasildefato.com.br AMIGA DA saĂşde Se esses sĂŁo os mĂŠvelocidade de um diagAqui vocĂŞ pode perguntar o que quiser para a nossa Amiga da SaĂşde nĂłstico tĂŁo sĂŠrio, recor- dicos que temos num reu a uma prĂĄtica, jĂĄ ex- hospital privado e bem Estou com um caroço no ânus que parece estar tinta pelo SUS e abomi- equipado como o de Doutora, fiz sexo anal com meu marido e nĂŁo inflamado e que dĂłi apenas quando me limpo nada como solução para Amor Ă  Vida, quem diusamos camisinha. Corro o risco de engravidar? apĂłs ir ao banheiro. O que pode ser? O que detratamento de qualquer rĂĄ nos diversos rincĂľes vo fazer? Maria Helena, antropĂłloga, 31 anos problema. Retrocesso de desse paĂ­s. É, precisa30 anos na reforma psi- mos mesmo de outros e AnĂ´nimo um profissional para quiĂĄtrica, pra dizer o mĂ­- mais mĂŠdicos no Brasil.  AtĂŠ a prĂłxima semaQuerida Masaber qual ĂŠ o seu prodar nessa situação. nimo! ria Helena, somenCaro amigo, ĂŠ difĂ­blema e tratar o quanDe qualquer forma, O mĂŠdico ginecologis- na! te com o sexo anal, cil saber exatamente to antes. Pode ser um fique atenta, pois o ta responsĂĄvel pela fertiPor Joaquim Vela se nĂŁo houve penequal o seu problema mĂŠdico clĂ­nico ou um sexo anal, apesar de lização do bebĂŞ de Eron tração na vagina em proctologista. Na ree Niko aceita, a pedido sem um exame clĂ­niser prazeroso, pode nenhum momento, de do SUS, o primeico. O mais comum aumentar o risco de a chance de engraro passo ĂŠ procurar o nesta situação ĂŠ a contrair doenças sevidar ĂŠ praticamencentro de saĂşde mais doença hemorroidĂĄxualmente transmiste nula. A Ăşnica posprĂłximo de sua casa e ria (mais conhecisĂ­veis. Por isso, prisibilidade seria se, da como hemorroisolicitar agendamenmeiramente ĂŠ imto com o mĂŠdico de no momento da ejada). É uma dilatação portante que o casal famĂ­lia da sua equiculação (quando o das veias do canal esteja com os exape de referĂŞncia. Ele homem goza), o esanal (parecido com mes em dia. AlĂŠm mesmo pode tratar, perma (aquele lĂ­quivarizes), pode haver disso, usar camisido amarelado) cair dependendo da gravisangramentos dunha, mesmo nos relasobre o orifĂ­cio de dade, ou lhe encamicionamentos estĂĄveis, rante a evacuação e entrada da vagina. mesmo a dor. O mais nharĂĄ para um espeĂŠ mais seguro e ainda Mesmo assim, seria importante ĂŠ que vocialista se houver nete ajuda a evitar a grabem difĂ­cil engravicĂŞ procure ajuda de cessidade. videz indesejada.









 



   





















  



Solução



                           





                        

Solução



                               

        

Solução



       







  

                                       







                         

 







     







   

 



     

   


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Belo Horizonte, de 13 a 19 de setembro de 2013

Em sua primeira edição em BH, Virada Cultural é alvo de críticas e expectativas TRANSPARÊNCIA Grupos e bandas da cidade denunciam falta de transparência na produção e programação do evento Maíra Gomes De Belo Horizonte Nos dias 14 e 15 deste mês, Belo Horizonte vai receber pela primeira vez a Virada Cultural, com 24 horas ininterruptas de atrações. Em curso em São Paulo há nove anos, a proposta visa unir diversos gêneros artísticos, como música, teatro, dança, circo, filmes, literatura, artes plásticas, moda, gastronomia, além de apresentar inúmeros conceitos da produção de arte. Com início às 17 horas do sábado, o evento vai ocupar os espaços públicos da cidade, convidando a população a fazer o mesmo. A virada tem sido alvo de diversas críticas no cenário cultural da cidade, principalmente pela falta de diálogo e transparência nas escolhas das atrações. “A Virada foi constituída como um projeto de lei sem diálogo com a sociedade, apresentada como ação marqueteira por um vereador que não tem relação alguma com a cena cultural. Isso já coloca uma série de limita-

ções para o espaço. Foi um início torto”, declara o ator e membro do grupo Espanca! Gustavo Bones. A Lei 10.446/2012, de autoria do vereador Daniel Nepomuceno (PSB-MG), foi aprovada no final de 2012, pouco antes das eleições municipais. Tem novidade na virada? Foram selecionados através do edital específico apenas artistas regionais, totalizando 98 nomes. As outras apresentações, mais de 400, devem ser de artistas convidados, grupos que receberam incentivo e devem uma contrapartida, além de programação associada em teatros, museus, centros culturais e cinemas. Gustavo avalia que o evento deveria contemplar mais atividades da própria virada, e não outras que já ocorrem na cidade. “Contrapartidas, programação natural de BH e selecionados do edital. Isso é o que a Prefeitura tem espertamente chamado de programação cultural da Virada”,

critica o ator. O grupo Espanca!,por exemplo, não foi selecionado através do edital, mas consta na programação por uma apresentação que já estava agendada. “Nós vamos estar na Virada, mas sem ajuda de custo ou nenhum outro tipo de financiamento do projeto, estamos por conta própria. Assim como muito outros grupos e bandas”, denuncia Gustavo.

ficará por conta do maracatu, com um cortejo junto com outros grupos do gênero. O músico afirma que a falta de eventos deste tipo faz com que festivais tomem uma conotação maior em Belo Horizonte. “A Virada Cultural é uma coisa nova, assim como o resgate do carnaval tem sido uma coisa muito bonita e agrada todo mundo”, diz. O ator Gustavo Bones afirma a importância

de uma política pública de cultura de mais fôlego para a cidade, que não tem nem mesmo uma Secretaria de Cultura. “Este momento coletivo de celebração é muito importante, mas não pode ser Para reforçar as críticas à política da PBH para a Virada Cultural, grupos do cenário cultural da cidade estão realizando eventos paralelos, como Alaranjara

a única política pra cultura da cidade, pois o caráter do evento é efêmero”, reforça. (veja programação na página ao lado)

virada, Revirada de BH, Viada Cultural. Os eventos podem ser encontrados no Facebook, com os mesmos nomes.

Música na rua Outro grupo a se apresentar é o Baque de Mina, coletivo de maracatu onde só as mulheres tocam, invertendo a lógica tradicional, em que elas apenas dançam. A trupe foi selecionada através do edital e não teve problemas com a Prefeitura. “Foi muito legal saber que estamos tocando na Virada. O valor de cachê que costumamos pedir foi correspondido e estamos muito animados”, conta Celso Soares (Corisco), coordenador musical do Baque de Mina. A abertura do evento

Janela aberta pro samba Divullgação

Dinah Cesare

Novo disco autoral da banda Odilara pode ser ouvido na internet

João Paulo De Belo Horizonte

Grupo Espanca! não foi selecionado através do edital mas consta na programação da virada

É samba. É pop. E tem balanço. O segundo disco do Odilara, “Janela pro mundo”, que acaba de ser lançado, honra o nome que escolheu para apresentar seu trabalho mais autoral. Em 12 faixas, 11 delas inéditas e compostas pelos integrantes da banda, sempre com a assinatura de Eurípedes Neto entre os autores, o álbum tem estilo. Para um grupo que surgiu há sete anos e se firmou na batalha dos

shows, da noite e dos bares, a conquista de um estilo é mais que uma janela para o mundo: é atestado de maturidade. O trabalho reúne as influências confessas da turma, MPB com pitadas de rock, numa dicção sambalanço moderna, dançante, com arranjos feitos na medida para destacar as composições. Se Odilara fez sua carreira cantando sambas alheios com graça, o desafio estava na passagem para o repertório próprio, do começo ao fim do disco. Uma coisa é agradar

cantando clássicos com criatividade, outra é fisgar o ouvinte para uma dicção nova, para um jeito de corpo próprio, para uma levada mais pessoal. “Janela pro mundo” marca um gol, com suas melodias modernas, sua poesia do cotidiano, seu lirismo contemporâneo, sua alegria em descobrir que o samba está vivo e se renova em boas mãos. Quem quiser conferir as faixas do novo disco do Odilara é só acessar www.odilara.com.br.


cultura | 15

Belo Horizonte, de 13 a 19 de setembro de 2013

agenda do fim de semana

é tudo de graça!

Segunda a quinta-feira

NA VIRADA MÚSICA Sábado Patu Fu - Música de Brinquedo, 17h. Praça da Estação

DURANTE A SEMANA

Cineclube traz “Bodas de sangue”, filme de Carlos Saura Terçafeira, 19h. Local: Cineclube Joaquim Pedro de Andrade - Rua Tupinambás, 179 - 14º andar, Centro.

Domingo Elza Soares e Otto, 0h. Mercado das Borboletas (Mercado Novo), Av. Olegário Maciel, 742, 3º piso, Centro. Flor de Minas, 8h. Praça da Administração II (Parque Municipal)

Graveola e o Lixo Polifônico, 21h. Palco da Rua Rio de Janeiro

CINEMA

Uakti Instrumental Beatles, 20h Praça Floriano Peixoto – Santa Efigênia

Vesperata de Diamantina, 17h. Praça da Estação

Visita Noturna ao Aquário, Sábado, das 17h às 22h. Parque Ecológico da Pampulha

ATRAÇÕES

INFANTIL

Contação de histórias de terror, Sábado, 23h30. Praça da Liberdade (Tablado)

Viradinha de Brinque dos e Brincadeiras, domingo das 8h às 17h. Bairro Aarão Reis

CINEMA Sessão comentada de “Toda nudez será castigada”, de Nelson Rodrigues. Casa UNA de Cultura, Rua Aimorés, 1451, Bairro Lourdes. Domingo, 02h.

Uma tela no meu bairro, com o drama de David Lynch “Veludo azul” Quinta-feira, 18h30. Local: Programadora Brasil - Rua Jaime Gomes, 198, Floresta.

ARTES VISUAIS Festival Internacional

de Linguagem Eletrônica apresenta projetos inovadores nas áreas de artes e tecnologia. Até 13 de outubro, das 11h às 21h. Local: Oi Futuro BH - Avenida Afonso Pena, 4001, Mangabeiras.

FOTOGRAFIA “Mwana Mwana: pérolas do Índico”, a brincadeira ainda está presente na infância das crianças moçambicanas. Até 30 de setembro, das 9h às 17h. Local: Centro Cultural Vila Santa Rita - Rua Ana Rafael dos Santos, 149, Vila Santa Rita.

E muito mais! Visite: www.viradaculturalbh.com.br

esporte |

na geral Machismo na capa

O jornal argentino “Olé” perdeu o senso.  Ao lado de uma foto com um jogador ensandecido ao comemorar a vitória sobre o Paraguai, ameaçou: “Garotas, aí vamos nós. Comecem a guardar dinheiro que no ano que vem disputaremos a Copa no Brasil”. Espera-se que a Polícia Federal esteja a postos. Turismo sexual é crime.

Cartola na defesa Foi aprovada na Câmara dos Deputados

brasileirão | 21ª rodada uma emenda que limita a quatro anos e uma reeleição o mandato de dirigentes de federações e confederações esportivas. A lei, apoiada pela Associação Atletas pela Cidadania, segue para o Senado, onde deve ser votada na próxima semana. A medida só vale para entidades que recebem dinheiro público. Dessa forma, exclui confederações como a CBF. O último presidente da entidade, Ricardo Teixeira, ficou 23 anos no poder, até renunciar após ser alvo de denúncias de corrupção.

Zagueiro no ataque Depois de questionar corajosamente o atual presidente da CBF, José Maria Marin, sobre mudanças na gestão dos clubes brasileiros, o zagueiro Paulo André publicou

um artigo onde pede reforma política no esporte. Ele contestou o sistema de eleição do presidente da CBF e os investimentos públicos em estádios para a Copa do Mundo. “É dado o momento de nos posicionarmos. Chega de cartas marcadas. Chega de presidentes que se perpetuam no poder”. Se, com a afronta, ele abdica do sonho de jogar na seleção, ele se aproximado que se espera de um cidadão.

Campeã de reclamações O patrocínio da Unimed ao Fluminense é também político, foi o que relevou a ESPN. Ela paga salário não só de jogadores, mas também do vice-presidente, Sandro Lima, e repassa recursos ao escritório do presiden-

te do clube, Peter Siensem. Garante, assim, poder sobre o conselho diretor do clube. Se os planos de saúde são os campeões de reclamações no Procon, os maus resultados do clube em 2013 indicam que em breve a Unimed passará a ser alvo de reclamações também das arquibancadas.

Ironia Da coluna de humor ‘Piauí Herald’: “Em queda desde o início do ano, Rogério Ceni agora esbarra num índice de rejeição de 98%. ‘O índice só não é maior porque o Ceni gosta muito de si mesmo’, disse um especialista, que completou: ‘É o terceiro índice de rejeição mais alto do país. Perde apenas para José Serra e para o Vasco, que vem em segundo’.

Cruzeiro X Atlético PR Sáb | 14/09 | 18h30 | Mineirão

Fluminense X Portuguesa Sáb | 14/09 | 21h00 | Maracanã

Corinthians X Goiás

Dom | 15/09 | 16h00 | Pacaembu

Coritiba X Bahia

Dom | 15/09 | 16h00 | Couto Pereira

Vasco X São Paulo

Dom | 15/09 | 16h00 | São Januário

Criciúma X Internacional

Dom | 15/09 | 16h00 | Heriberto Hülse

Ponte Preta X Flamengo

Dom | 15/09 | 16h00 | Moisés Lucarelli

Vitória X Náutico

Dom | 15/09 | 18h30 | Barradão

Grêmio X Atlético-MG

Dom | 15/09 | 18h30 | Arena do Grêmio

Santos X Botafogo

Dom | 15/09 | 18h30 | Vila Belmiro


16 | esporte

Belo Horizonte, de 13 a 19 de setembro de 2013

Cruzeiro Washigton Alves

Para sair campeão Wallace Oliveira O Cruzeiro começou o Brasileirão 2013, segundo a Pluri Consultoria, com elenco apreciado em R$139,9 milhões, atrás de Santos, Corinthians, SPFC, Atlético/MG, Fluminense, Grêmio e Inter. Dado que o combustível do futebol profissional é o dinheiro, por que o oitavo time mais caro da série A está no topo da tabela? É claro que alguns dos clubes mencionados tanto se envolveram na Libertadores que isto prejudicou seu rendimento inicial no Brasileiro, mas não podemos esquecer os méri-

tos do Cruzeiro. Primeiro, a contratação de jovens e promissores atletas, como Egídio, e de medalhões que, por problemas temporários, não jogavam seu melhor futebol em outros clubes, como Dagoberto. Também houve sucesso em tirar bons reforços da base, como Mayke e Lucas Silva. Marcelo Oliveira é um bom treinador atrás de inédito grande título. Ele precisa interferir nas partidas com o mesmo acerto com que treina e faz escalações. Também deve ser mais ágil em substituições. Se preencher essas lacunas, o time tende a

melhorar. A via mais curta e difícil para o troféu é bater os primeiros adversários do returno, que são fortes candidatos ao G-4.  Se o Cruzeiro fechar com boa vantagem a 24ª rodada, contra o Inter, será campeão. Um mau rendimento abrirá caminho para Botafogo, Grêmio e Atlético Paranaense e deixará brechas a quem não se firmou na disputa, como o Corinthians. Mas isto não elimina a chance de título, se o time não tiver grandes desfalques nem perder muitos pontos fora de casa. Depois de ganhar do Goiás, Cruzeiro pega Atlético-PR

Atlético

Artigo

Obrigada, pai!

Lutar, lutar, lutar ou vencer, vencer, vencer Rogério Hilário Até levar o time à conquista inédita da Copa Libertadores, a torcida do Atlético, mesmo pelo sofrimento com muitas decepções, sempre se destacou pela fidelidade, pela paixão, pela esperan-

ça, pelo fanatismo. Mas, nunca deixou de expressar certa apreensão.   No entanto, para conhecidos meus atleticanos, o histórico título continental, as duas conquistas deste ano não foram capazes de evitar o retorno da preocupação.

O fim da invencibilidade no Horto, a eliminação na Copa do Brasil e o desempenho sofrível no primeiro turno do Campeonato Brasileiro tiram o sono de muitos alvinegros. Para estes, o verso mais relevante do hino é “lutar, lutar, lutar”. Bruno Cantini

publicidademg@brasildefato.com.br

No domingo, Atlético enfrenta Grêmio

Luisa Monteiro   Outros, contudo, tornaram-se insaciáveis e, por querer um título a cada disputa,    passaram a ver deficiências no time e a criticar jogadores. Nem mesmo Ronaldinho Gaúcho, poupado em algumas partidas, escapou. Nesta confraria, só vale o lema “vencer, vencer, vencer”. Entendo os dois lados. Discordo de ambos. Pelo que conheço, nenhum time conseguiu ganhar no mesmo ano Libertadores, Copa do Brasil e Brasileiro. O modelo de Copa do Brasil inventado neste ano para mim é pura demagogia do presidente da CBF, réplica de Ricardo Teixeira. Depois da agonia seguida de êxtase na competição continental, nada mais natural que o relaxamento do Atlético que, a meu ver, deveria se concentrar mesmo no Mundial. O Brasileiro, pelo visto, só servirá mesmo de preparação para a disputa que interessa.

Eu sou a primeira de quatro filhas. Domingo, além de almoço em família, sempre foi dia de futebol. No início eu ia sem entender muito o que estava acontecendo. Colocava minha pequena camisa do time e, com meus cinco anos, já ia para estádio com meu pai. Na época, era apenas um lugar de brincadeiras, onde eu podia correr e pular. Eu estava lá pela paixão dele, que eu mal sabia que ia se tornar minha. Tinha dia em que eu não queria ir, mas como forma de motivação, papai me deixava escolher o que eu quisesse para comer: de bolinho de feijão a um suculento picolé de chocolate. E lá ia eu, pequenina e torcedora, à espera do brinde. Com o passar do tempo, já me sentia orgulhosa de ir ao campo. Já tinha entendido o que era impedimento, gol de placa, sabia todos os nomes dos jogadores e já tinha até xingado juiz. Já tinha amigos das arquibancadas, entrado com joga-

dores de mãos dadas, ganhado e perdido títulos. Já havia experimentado a sensação de abraçar os desconhecidos que estão sentados do seu lado. Já tinha vivido a espera ansiosa pela partida do final de semana, os engarrafamentos quilométricos para chegar ao jogo e as rixas de torcida. Hoje, vinte quatro anos depois de ter ido ao campo pela primeira vez, posso até saber um monte de coisas de futebol, mas ainda não sei explicar o que significa essa loucura que é torcer, gritar, sonhar e chorar pelo seu time. Sei que torcer não tem gênero. Não me sinto uma mulher na massa, me sinto uma apaixonada, como todos aqueles que estão ali do meu lado. E, mesmo sabendo de tudo de sujo e mafioso que circunda esse esporte, torcer é algo que passa pelo sangue, pelo coração e ultrapassa qualquer tipo de explicação. É algo que me faz guardar os domingos e as quartas para viver todas essas sensações e muitas outras que a magia do futebol me traz. 


BF MG 04