Ano 4 • Número 153
R$ 2,00 São Paulo • De 2 a 8 de fevereiro de 2006
Fórum reforça ofensiva antiimperialista L
uta contra o imperialismo em todas as suas facetas. Eis o sentimento dominante da edição Américas do 6º Fórum Social Mundial (FSM), encerrado em Caracas, capital da Venezuela, dia 29 de janeiro. Nesse último dia, a agenda 2006 aprovada na Assembléia Mundial dos Movimentos Sociais mostra que as mobilizações programadas pretendem infligir pesadas derrotas ao neoliberalismo, aos tratados de livre-comércio e ao intervencionismo militar estadunidense. A posse presidencial do indígena Evo Morales, na Bolívia, e a consolidação da revolução bolivariana, na Venezuela, renovaram o ânimo dos participantes do mais político de todos os FSM. Outros fatos dão fôlego à luta, como lembrou o sociólogo argentino Atilio Borón. Ao pedir a retirada das tropas do Iraque, os EUA admitem que sua força tem limite. Pela primeira vez, os EUA não conseguem impor o presidente da Organização dos Estados Americanos. Na ONU, 182 a 4 foi o resultado da votação favorável à suspensão do bloqueio a Cuba.“O império virou uma máquina de guerra”, ilustra Borón. Renovamse as esperanças dos oprimidos por um modelo perversamente excludente e concentrador de renda. Por isso, os movimentos sociais prometem não dar tréguas ao maior inimigo da humanidade, o império. Págs. 2, 9, 10, 11 e 14
Hélvio Romero/AE
Entusiasmados com cenário de avanço progressista, militantes se preparam para derrotar políticas neoliberais
Encerrada no dia 29 de janeiro, a etapa Américas do 6º FSM, que teve como sede a Venezuela, vai ficar marcada como a mais política do evento desde a sua criação
Ocidente reage à vitória do Hamas nas urnas
Para lembrar os 250 anos do martírio do líder guarani Sepé Tiaraju, morto em combate dia 7 de fevereiro de 1756, o Brasil de Fato traz, nesta edição, um caderno especial sobre o herói indígena que liderou seu povo na defesa das suas terras ancestrais e na luta contra Por-
tugal e Espanha. Reportagens e entrevistas inéditas mostram a resistência de hoje e a histórica experiência das Missões Guarani. Milhares de pessoas vão se reunir para celebrar a data, em São Gabriel (RS), entre os dias 4 e 7. Encarte
Luix Costa
As exigências dos Estados Unidos, da União Européia (UE), da Rússia e da Organização das Nações Unidas (ONU) para manter a ajuda econômica à Autoridade Nacional Palestina (ANP) foram rechaçadas e consideradas “chantagem” pelo Hamas – que dia 26 de janeiro foi o grande vencedor das eleições legislativas na Palestina. O grupo de potências exige do Hamas o reconhecimento do Estado de Israel e a renúncia ao uso da violência. Pág. 16
Especial: Sepé Tiaraju
O lado oculto da política de privatização
Alarcón alerta: eis a chance da América Latina
Entre dezembro de 1994 e novembro de 2005, a dívida líquida do setor público cresceu de R$ 109 bilhões para R$ 928 bilhões, segundo dados do Banco Central. O crescimento supera em 245% o suposto “ganho” alcançado com a liquidação das estatais. Pág. 7
Presidente da Assembléia Nacional do Poder Popular, o cubano Ricardo Alarcón afirma, em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, que o governo de George W. Bush está decadente. Uma oportunidade que as forças progressistas não devem deixar passar. Págs. 12 e 13
Juízes bloqueiam fazendas Em São Paulo, juízes estão desrespeitando a lei do rito sumário. Como conseqüência, 2010 famílias que já poderiam estar assentadas em 34 mil hectares de terra continuam vivendo em barracos de lona. A lei prevê que, uma vez depositado em juízo o dinheiro referente à inde-
Indigenista denuncia: querem fechar a Funai Pág. 4 Maringoni
E mais: CAVEIRÃO – Terror das favelas, blindado da Polícia Militar do Rio de Janeiro tem sido responsável por ações violentas de intimidação aos moradores dos morros. Pág. 5 EDUCAÇÃO – Com carga horária insuficiente e substituição de professores por universitários, programa do governo forma no ensino médio em três semestres, com aulas aos sábados ou domingos. Pág. 6
Índia guarani da aldeia Itapuã, em Porto Alegre (RS): descendente de Sepé
nização de uma fazenda, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) deve ser obrigatoriamente imitido na posse do imóvel. Já foram depositados mais de R$ 153 milhões. Mesmo assim, os juízes se negam a cumprir a lei. Pág. 3