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especial Bacia do Piracicaba, Março / Abril de 2019 / Edição 248 – Ano XXVI / Especial Expedição Piracicaba / Distribuição Dirigida Gratuita / Nas bancas: R$ 2,00


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O rio e eu A minha relação com o Piracicaba pode se dizer ser umbilical – nasci praticamente a 20 metros de suas margens, no bairro Amazonas (mais um rio aí – o maior de todos), em João Monlevade. Com apenas um ano de idade fui morar em Rio Piracicaba, cidade homônima ao rio e em um bairro cujo nome é “Praia”, devido a esse ter sido, em tempos remotos, uma grande praia formada pelas águas do então caudaloso Piracicaba. A infância toda foi praticamente junto ao rio, mesmo porque o campinho de futebol, que é parte da vida de praticamente todo brasileiro, era do lado do Piracicaba, o que por um lado propiciou também a prática de outro esporte – natação. Sim, eu e meus amigos daquela época – amizades cultivadas até hoje aprendemos a nadar no Piracicaba, pulando de uma galha de um ingazeiro – aquecia no futebol e refrescava no rio. Além disso, tudo era junto ao Piracicaba – as duas escolas que frequentei eram praticamente juntas ao rio – sendo que o pátio do Grupo Escolar José Joaquim da Rocha terminava no rio. A minha relação era tão próxima que em uma ocasião, na pré-adolescência, quase fui levado por suas águas – em um marcante episódio de afogamento na então famosa Praia do Funil – fui pego por esse movimento das águas que formam um redemoinho – mas o Piracicaba me devolveu. E a vida continuou – fui testemunha de sua fúria em várias enchentes marcantes – que mantinha o tabu dos nove - 1969, 1979, 1989 e 2009, apesar de que houve uma grande também em 2007 e a última em 2011. Por ironia, em 1999, diante dos três noves sequenciais, quando todos esperavam uma grande cheia – o Piracicaba surpreendeu e se manteve calmo. O Piracicaba fez parte inclusive da nossa folia de carnaval, quando nosso bloco – Da Lazinha, por tradição, ao atravessar a ponte do centro da cidade – durante o desfile carnavalesco – abandonava o cortejo e todos pulavam em suas águas – uma altura de uns oito metros – loucura de juventude. O tempo passa – as circunstâncias mudam, mas a ligação se mantêm – e com essa relação tão próxima, após sair da cidade de Rio Piracicaba para estudos, trabalho, retorno e entre uma atividade e outra – ouvindo já o rio sussurrar por ajuda – em 1992 participamos do projeto S.O.S Piracicaba, do conterrâneo Edmar Batista (in memória), projeto esse abraçado pela então Samitri, onde se iniciou a recuperação da mata ciliar na área urbana. Dois anos depois crio o jornal Tribuna de Rio Piracicaba – e inicio uma campanha ferrenha cobrando da Vale (solicitação atendida em partes) a recuperação da mata ciliar do lado direito do rio bem como ao longo de sua ferrovia – que em grande parte segue o curso do Piracicaba. Logo no início da circulação do Tribuna, conheço o engenheiro Paulo Maciel, quando em 1994 desenvolvia o estudo de enquadramento das águas da Bacia do Piracicaba pela Feam – trabalho que tive o prazer de contribuir. Ainda em 1994 o Tribuna lançou uma campanha contra os lixões das cidades no entorno do rio – que culminou com a criação do primeiro Consórcio Público intermunicipal de Gerenciamento de Resíduos Sólidos de Minas Gerais – tive a honra de participar da primeira reunião para criação desse projeto – na Amepi, com os prefeitos Wilber José de Bela Vista, Antônio Cota de Rio Piracicaba e Germin Loureiro – O Bio, de João Monlevade. Esse projeto veio a sair do papel na administração Carlos Moreira, então prefeito de João Monlevade. Entre inúmeras atividades sempre com foco na vida do Piracicaba, em 1999 participo ativamente em apoio ao Trabalho da Expedição Piracicaba – 300 Anos Depois, do engenheiro ambiental Cláudio Bueno Guerra – que por termos uma afinidade comum pelo rio, nasce uma grande amizade e a partir daí a Bacia do Piracicaba passa ser o foco total das atenções, com 20 anos de trabalho em sua causa completados nesse 2019. Blindemos essa data com a Expedição Piracicaba – Pela Vida do Rio. • Geraldo Magela Gonçalves – Dindão – Editor do Tribuna do Piracicaba – A Voz do Rio, idealizador e Coordenador da Expedição Piracicaba Pela Vida do Rio.

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Palavra do Presidente No momento em que o sistema de Gestão dos Recursos Hídricos, exercida pelos Comitês de Bacia, completa seus 18 anos de existência, o CBH do Piracicaba trás para o território uma serie de atividades, com o objetivo de mobilizar todos os atores em torno da Revisão do Plano de Bacia, que acontecerá no segundo semestre de 2019 e primeiro semestre de 2020. Diante desses desafios atuais e futuros, o CBH Piracicaba, o Jornal Tribuna do Piracicaba - A Voz do Rio e a Universidade Federal de Itajubá, polo Itabira, através do Mestrado Profágua da Agencia Nacional de Aguas –ANA, uniram se em torno de uma proposta de Expedição em toda a calha do rio Piracicaba, onde exerceremos uma serie de atividades ao longo da Bacia, visitando os 21 municípios que a compõem, mobilizando toda uma região em busca da revitalização do Piracicaba. Dentro do trabalho de mobilização proposto, ressaltamos ainda que serão realizadas análises de 21 parâmetros da qualidade e volume das águas, além da entrega de mais de 2.500 diagnósticos e mais de 1.500 Cadastro Ambiental Rural (CAR) aos produtores rurais, fruto do programa Rio Vivo. Além disso, serão realizadas audiências públicas em cidades estratégicas da bacia, onde abordaremos vários temas pertinentes a sobrevivência do rio. Todo trabalho a ser desenvolvido terá o acompanhamento e a certificação do IGAM em parceria com a SEMAD, sendo tudo documentado pela Equipe Registro da Expedição, composta de cinegrafistas, fotógrafos e jornalistas. Ressaltamos ainda que a Expedição Piracicaba Pela Vida do Rio talvez seja um dos maios completos diagnósticos já

realizados em uma bacia hidrográfica no Brasil. Entre os produtos resultados da Expedição Piracicaba teremos uma revista com toda cobertura da descida – cidade por cidade, uma exposição fotográfica itinerante na bacia e na capital, vídeos documentários e publicitários e um livro relatório com todos os dados levantados pela Equipe Técnico Científica da Unifei fazendo um comparativo com os trabalhos anteriores. CBH Piracicaba O CBH Piracicaba MG vem ao longo dos anos consolidando sua Política nos 21 municípios onde atua, juntamente com sua Agencia Executiva IBIO AGB Doce, onde ressaltamos o investimento de perto de 14 milhões de Reais na Construção dos Planos Municipais de Saneamento em 15 municípios da Bacia do Piracicaba, premissa da Lei Federal da Universalização do Saneamento, planejamento fundamental do abastecimento púbico de água , coleta de esgoto, resíduos sólidos e drenagem urbana. Hoje todos os municípios da Bacia possuem o seu PMSB. Outro Investimento significativo foi a entrega do direito de uso de imagens em alta resolução dos municípios da calha, no Programa de Controle de Cheias. Mas no momento, o Programa Rio Vivo é o grande investimento do Comitê, onde faremos intervenções em 3000 propriedades rurais no Território, nos programas controle de sedimentos, Saneamento Rural e Cercamento de APP e Nascentes, totalizando 55 milhões de reais nos próximos três anos. Todo este investimento só foi possível com a implementação em 2012, da cobrança pelo uso da agua em toda a Bacia.

O CBH Piracicaba, órgão consolidado na Bacia, com propósitos claros de intervenção e de parlamento das águas, vem agora propor uma repactuação de seus programas , onde a palavra de ordem é a busca de uma efetividade no uso dos recursos financeiros, com programas factíveis, buscando resultados significativos na qualidade e quantidade das aguas de nosso rio Piracicaba. E a união de todos os atores públicos e privados é necessária pela sobrevivência do Rio. • Flamínio Guerra – Presidente do CBH Piracicaba / Vice Presidente do CBH Doce e Coordenador da Expedição Piracicaba Pela Vida do Rio.

Expediente:

Tribuna do Piracicaba a voz do rio

• Diretor Responsável: Geraldo Magela Gonçalves • Diretor Geral: Rafaela Iara Pantuza Gonçalves • Comercial: dindao@bomdiaonline.com (31) 9 9965-4503 • Diagramação/Arte: Sérgio Henrique Braga • Impressão: Gráfica Bom Dia • Representante Comercial: Super Mídia Brasil - BH Redação e Administração Rua Lucindo Caldeira, nº 159, Sl. 301, Alvorada, CEP.: 35930-028 João Monlevade / MG / Brasil (31) 3851.3024 • A Voz do Rio Online: www.tribunadopiracicaba.com Circulação: Bacia Hidrográfica do rio Piracicaba FUNDADO EM FEVEREIRO DE 1994 Razão Social : Geraldo Magela Gonçalves MEI CNPJ 27.776.573/0001-68 Inscrição Estadual : Isenta Inscrição Municipal 123470CNPJ.: 24538633/0001-16 Todos os Direitos Reservados dindao@bomdiaonline.com


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Expedição Pela Vida do Rio - Bacia do Piracicaba terá diagnóstico atualizado

Ele nasce em São Bartolomeu, Ouro Preto, puro, limpo, classe especial, oferece suas águas para todo tipo de uso e durante seu percurso vai sendo poluido

O Tribuna do Piracicaba - A Voz do Rio com apoio do CBH Piracicaba, realizará entre os dias 26 de maio a 5 de junho de 2019, a Expedição Piracicaba - Pela Vida do Rio, que percorrerá o rio, da nascente em Ouro Preto até sua foz em Ipatinga. Junto à Expedição está a UNIFEI, responsável pela Coordenação Técnica Científica com o objetivo de elaborar um diagnóstico atualizado da bacia do Piracicaba. O projeto, além da mobilização social sob coordenação da UEMG, nas 21 cidades da bacia; fará a entrega de mais de 2.500

diagnósticos de propriedades rurais e mais de 1.500 CAR (Cadastro Ambiental Rural) através do Projeto Rio Vivo do CBH Piracicaba. Além disso a Expedição produzirá filmes documentários, publicitário, exposição de fotografias virtual e itinerante, revista com a participação de cada cidade e dos parceiros e livro-relatório técnico científico com a descrição dos trabalhos e conclusões da equipe técnica. A Expedição Piracicaba - Pela Vida do Rio irá mobilizar as cidades da bacia em prol da revitalização do rio e colher

dados e levantar informações para fazer um comparativo com os trabalhos desenvolvidos pelo CETEC, em 1986, trabalhos da Cooperação Franco Brasileira (1989) que constaram, basicamente, de um monitoramento da qualidade da água (sob o enfoque dos parâmetros físico-químicos), os da UFMG de 1993 que iniciou uma pesquisa multidisciplinar e ainda com o trabalho desenvolvido pela “Expedição Piracicaba 300 Anos Depois”, realizada há 20 anos e por fim demonstrar que a situação da qualidade e quantidade das águas está cada vez mais ameaçada por ações antrópicas que colocam em risco a segurança hídrica da bacia, bem como a vitalidade de seu depositário, Rio Doce, que nunca precisou tanto de uma boa contribuição. O trecho de abrangência da ação, além de focar no rio em si, cobrirá também uma região que é caraterizada por ser uma zona de recarga fluvial fundamental para toda a bacia e seus 800 mil habitantes e que abriga significativos aquíferos que contribuem diretamente para a manutenção do ciclo hídrico da região, como a RPPN Caraça e o recém-criado Parque Nacional Serra do Gandarela. Junto à Expedição a UNIFEI, que será responsável pela Coordenação Técnico Científica da Expedição, onde professores, profissionais da área ambiental e estudantes farão coletas de materiais e avaliação de parâmetros de qualidade da água em pontos estratégicos do trajeto para elaborar um diagnóstico atualizado do Piracicaba. A jornada, que está programada para ser iniciada no dia 26 de maio

com o lançamento da Expedição na Praça Minas Gerais em Mariana, primeira cidade e primeira capital do estado, buscará promover uma grande manifestação pelas águas – em parceria com o CBH Rio Das Velhas que é irmão gêmeo do Piracicaba, nascendo na mesma localidade, São Bartolomeu, em vertentes contrárias. Já no dia 5 de junho a Expedição faz sua última escala, em Ipatinga, onde entidades ambientais irão realizar um grande encontro em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, intitulada “O Piracicaba ainda vive”. Após o encontro do Piraci-

caba com o Doce a equipe de navegação se encontra com a de terra e juntos se dirigem a local (provavelmente a antiga estação que está sendo recuperada pela Usiminas - caso ela tenha condições de receber as manifestações na ocasião) onde acontece uma concentração marcando o encerramento da Expedição. Vários movimentos ambientais, ONGs, instituições de ensino e entidades que atuam e se preocupam com a questão socioambiental estarão presentes O projeto já conta com o apoio da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento - Semad / Agência Nacional de Águas - ANA / Fede-

ração das Indústrias de Minas Gerais - FIEMG / Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Doce - CBH Doce / C Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio - CBH Velhas / Polícia Militar de Minas Gerais - PMMG através da Policia Militar Ambiental / Ministério Público de Minas Gerais – MPMG através da Coordenadoria de Meio Ambiente da Bacia do Rio Doce / Associação dos Municípios do Médio Piracicaba - AMEPI / Associação dos Municípios do Vale do Aço - AMVA / Fóruns Nacional dos Comitês de Bacias Hidrográficas e Fórum Mineiro dos Comitês de Bacia Hidrográficas.

A cada ano o volume de suas águas vem caindo vertiginosamente, em breve ele pode deixar de ser perene

Em Capela Branca, Bela Vista de Minas, o Piracicaba recebe o rio Santa Bárbara

Em Ipatinga ele encontra com o rio Doce, praticamente dobrando o volume de seu depositário


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Expedição quer chamar a atenção das cidades para a necessidade de revitalização do rio A preservação de qualquer nascente, da cobertura vegetal evitando o desmatamento, replantando árvores e evitando o assoreamento dos cursos d´água são ações que podem ajudar a salvar o Piracicaba Mais de oitocentas mil pessoas vivem na bacia do Piracicaba e, apesar de a maioria nem perceber, suas vidas dependem, direta ou indiretamente da vida do rio. Atualmente a qualidade e quantidade das águas do Piracicaba se encontram cada vez mais ameaçadas por ações antrópicas, advindas da ocupação desordenada, esgotamento sanitário, pastagens, mineração e outras atividades que colocam em risco a segurança hídrica da região, bem como a vitalidade de seu depositário, Rio Doce, que nunca precisou tanto de uma boa contribuição. Diante da atual situação, foi pensada a expedição que tem como objetivo mobilizar as cidades da bacia em prol da revitalização do rio e colher dados para conhecer a realidade da bacia. Especificamente, além da mobilização social, será elaborado ainda um diagnóstico atualizado do Piracicaba, sendo que esse será um dos maiores e mais detalhados levanta-

1 RPPN Caraça, local onde nascem dezenas de riachos e córregos, um dos principais locais de recarga da bacia do Piracicaba

mentos técnico científico já realizado em uma bacia hidrográfica no Brasil. Será apresentado também o risco hídrico que a população de 800 mil habitantes da bacia corre caso não seja efetivamente e urgentemente tomadas precisas e pontuais ações. A iniciativa se faz necessária e urgente diante do quadro crítico em que a

bacia se encontra, sendo que a cada dia o rio vem perdendo volume e qualidade de suas águas. A bacia abastece uma população de aproximadamente 800 mil pessoas, sendo que ele é vital para o abastecimento de todo o Vale do Aço. Deve-se levar em conta que em sua bacia se encontra o maior parque siderúrgico da América Latina. Além

Mesmo em épocas de chuvas, o nível do rio não se mantêm, permanecendo o mais baixo já visto. Na foto na cidade homônima

disso, o Piracicaba é o mais importante afluente do Rio Doce, que nunca precisou tanto de uma boa contribuição. Além da mobilização social, registros e o levantamento técnico científico que servirá para promover o comparativo sobre as mudanças pontuais ao longo dos últimos 30 anos, diante a atual tecnologia disponível, o tra-

balho se tornará um dos mais completos – senão o mais – já feito em uma bacia hidrográfica no Brasil, fornecendo subsídios para uma infinidade de trabalhos e ações, principalmente às Políticas Públicas, voltadas à recuperação da bacia. Risco iminente Uma ameaça iminen-

te que a bacia corre é do rompimento da Barragem Sul Superior da Mina de Gongo Soco, da Vale, em Barão de Cocais, que coloca mais de 10 mil pessoas em alerta máximo e ainda fez acender a luz vermelha de varias cidades que poderão ter seus abastecimentos de água comprometidos, atingindo mais de 500 mil pessoas diretamente.

Serra do Gandarela, recentemente transformado em Parque Nacional, local também onde nascem dezenas de cursos d´água que contribuem com o Piracicaba


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Expedição fará o maior diagnóstico já realizado na bacia do Piracicaba A Unifei, além de utilizar parâmetros das últimas pesquisas realizadas, muitos outros serão analisados, formando um verdadeiro Raio X da Bacia

Novas tecnologias contribuirão para melhores resultados dos trabalhos

Unifei Campus Itabira, conta com nove cursos de engenharia e já se encontra em expansão

A Expedição Piracicaba Pela Vida do Rio promoverá o maior diagnóstico já realizado na Bacia, envolvendo equipes multidisciplinares, laboratórios certificados e pessoal da Semad / Igam que estarão certificando também os métodos de coleta do material a ser analisado, tudo isso para que os trabalhos possam ter validade técnico científico e que sejam reconhecidos como parâmetros para uma infinidade de uso. Para coordenação téc-

nica científica da Expedição, foi convidada a Universidade Federal de Itajubá – Unifei, polo Itabira, através do Curso de Engenharia Ambiental e Mestrado Profágua. A instituição será responsável por todo o trabalho de coleta, análises laboratoriais e elaboração de relatórios referentes aos estudos realizados durante o evento. Equipada com um dos mais modernos laboratórios de engenharia ambiental do Brasil, a

Unifei estará disponibilizando também para a Expedição profissionais qualificados e alunos do curso de Mestrado Profágua da Agência Nacional de Água – ANA.

sólidos totais, DBO5, N-NH4+, N-NO3, Nitrogênio total, Fósforo total, Coliformes termotolerantes.

DIAGNÓSTICOS A SEREM REALIZADOS

As amostras serão coletadas de forma simples e técnicos do Igam estarão presentes certificando e validando as coletas e análises. As variáveis pH, temperatura, oxigênio dissolvido, condutividade elétrica e turbidez serão realizadas em

Dentro do item Qualidade de água as variáveis que serão analisadas são: PH, temperatura, turbidez, condutividade elétrica, oxigênio dissolvido;

O laboratório móvel da Unifei que acompanhará a Expedição Piracicaba

Coleta

Equipamentos modernos para analises precisas

campo no laboratório móvel da Unifei. Outros parâmetros Além dos parâmetros que serão analisados para a verificação do IQA, também é proposto analisar: *Alcalinidade, *sílica solúvel, *amônia, *nitrito, *as total, *hg, *cd, *pb, *cr. Coleta e análise de sedimentos. (Ainda em avaliação de quais parâmetros serão possíveis analisar). Uso e ocupação do solo

Para a interpretação dos resultados a utilização de mapas de uso e ocupação do solo será de suma importância, bem como levantamento de informações a respeito de possíveis fontes poluidoras, como industrias e pontos de lançamento de efluentes. A logística de amostragem será definida a partir do cronograma da expedição, respeitando-se os limites de tempo para a realização de cada uma das análises.

Caminhonetes 4 X 4 da Unifei que serão utilizadas pelos profissionais da instituição.


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Governos, instituições, empresas e associações abraçam projeto A necessidade de um trabalho técnico científico voltado especificamente para a Bacia do Piracicaba e a consistência do projeto Expedição Piracicaba Pela Vida do Rio fez com que diversos segmentos ligados à bacia abrasassem imediatamente a causa. Desenvolvido por em-

presas e instituições sérias com grande trabalho prestado em relação as questões hídricas e sócio ambientais, como o Tribuna do Piracicaba, há 25 anos atuando na região e o CBH Piracicaba, com 18 anos de luta pela causa hídrica, o projeto conquistou

parceiros por onde foi apresentado, destacando a UNIFEI, polo Itabira, instituição que sem econtra no coração da bacia. Hoje o projeto já conta com o apoio da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável - Semad / Agência Nacional

de Águas – ANA, através do Mestrado Profágua / Federação das Indústrias de Minas Gerais - FIEMG / Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Doce - CBH Doce / Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas - CBH Velhas / Polícia Militar de Minas Gerais - PMMG

através da Policia Militar Ambiental / Ministério Público de Minas Gerais – MPMG através da Coordenadoria de Meio Ambiente da Bacia do Rio Doce / Associação dos Municípios do Médio Piracicaba - AMEPI / Associação dos Municípios do Vale do Aço - AMVA /

Fóruns Nacional dos Comitês de Bacias Hidrográficas e Fórum Mineiro dos Comitês de Bacia Hidrográficas, inúmeras ONG´s por toda a bacia, todas as prefeituras dos 21 municípios e muitas Câmaras Municipais, que que na próxima edição serão relacionadas.


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Aves do Piracicaba

Assim como o rio, o Mutum-do-sudeste está próximo do fim Fotos: João Sérgio

Por João Sérgio Caríssimos leitores, hoje vamos apresentar a vocês a ave mais ameaçada da bacia do Piracicaba. Originalmente o mutum-do-sudeste ou mutum-de-bico-vermelho (Crax blumenbachii) ha-

bitava a Mata Atlântica do sul da Bahia até o Rio de Janeiro, porém, com a destruição desenfreada do seu bioma, aliado à caça ilegal, essa bela ave extinguiu-se em quase toda sua área de ocorrência, e, atualmente, encontra-se globalmente

em perigo de extinção, conforme levantamento realizado pela respeitada IUNC (União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais). Organizações da sociedade civil e do governo realizaram um workshop

para discutir e elaborar ações prioritárias para conservação do mutum-do-sudeste. Como resultado, foi publicado o primeiro plano de ação para a conservação de uma espécie ameaçada de extinção no Brasil, sendo reconhecida como a primeira edição da “Série Espécies Ameaçadas” do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA)”. Alguns projetos visando sua reintrodução na Natureza, em locais onde fora extinto, como em Minas e no Rio de Janeiro, foram realizados. Em 1.999 um desses projetos foi implementado na bacia do castigado Piracicaba, mais especificamente na Estação Ambiental de Peti, em São Gonçalo do Rio

Abaixo. Inicialmente 7 casais foram soltos na área, porém, dez anos depois, somente 3 fêmeas eram avistadas. É que para sobreviver, o mutum-do-sudeste necessita de matas primárias, ou seja, florestas que o homem ainda não explorou. Despeço-me deixando uma reflexão. Até quando nossa espécie continuará sua nefasta e inútil gana pelo acúmulo?! Começamos dizimando matas e montanhas. Não importa, o lucro é mais importante. Animais são extintos, desde que os lucros aumentem. Rios são assassinados e o lucro continua sendo prioridade. Mas, até quando?! Será que nós, homens, só daremos o devido valor à Natureza quando ela se tornar

mera recordação numa fotografia? Nota da Redação Quando se mata um rio, já mataram as árvores, as montanhas, as aves. Todos estão ligados. Precisamos retomar o equilíbrio urgente. Esse ano completa-se também 20 anos da tentativa de reintrodução do mutum-do-sudeste no ambiente e recuperar a espécie.


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Mobilização social atingirá as 21 cidades da Bacia do Piracicaba Geral - Apesar do Piracicaba atravessar territorialmente somente 11 cidades, no total 21 fazem parte de sua bacia, com importantes tributários que o alimentam, na maioria das vezes, com águas de qualidade. Durante a Expedição, os navegantes e equipe de terra passarão em todas as localidades que compõem a bacia, nas 21 cidades, onde serão recebidos pelas comunidades locais com eventos de cunho socioambiental e cultural. O trabalho se dará em parceria com escolas, órgãos e instituições públicas e ONGs, sob coordenação das Secretarias de Meio Ambiente de cada município. Em cada cidade serão realizadas a entrega de diagnósticos de propriedades rurais e o Cadastro Ambiental Rural, produzido pelo Projeto Rio Vivo – do CBH Piracicaba, além de debates sobre os problemas das localidades, com foco nos temas – saneamento urbano (ETE), sedimentos e conservadores de água, buscando ouvir os produtores rurais, atores principais na manutenção do ciclo hídrico. Público alvo O público alvo é a população em geral da Bacia - especificamente será trabalhado o conservador de água, ou seja, os produtores rurais e ainda estudantes de nível médio. A expectativa de público para os 10 dias de expedição gira em torno de 20 mil pessoas nos locais, entretanto, através da estrutura de mídia e divulgação do evento, com transmissões simultâneas, cobertura das mídias locais, regional, estadual e nacional e com os desdobramentos da

Expedição com as veiculações dos filmes, revistas e livro relatório - esse número sobe exponencialmente elevado para mais de 400 mil pessoas, não só na bacia. Reciprocidade aos parceiros Cerca de 800 mil pessoas vivem na bacia do Piracicaba, onde se encontra o maior parque siderúrgico da América Latina. Ser parceiro nesse projeto e relacionar o nome da empresa / instituição com um trabalho que busca a manutenção do abastecimento de água da região e na mobilização de toda a bacia em prol da saúde do Piracicaba, por si só já é uma grande e nobre ação. Além disso, a empresa / instituição ainda estará participando de um dos maiores e mais completos diagnósticos técnico científico realizado em uma bacia hidrográfica no Brasil. O nome da empresa / instituição estará em destaque em todas as peças publicitárias da Expedição e vinculado a todos os produtos resultados do trabalho – Filmes, matérias, exposições fotográficas, revista e livro relatório. Sem contar a exposição na imprensa nacional, estadual, regional e local que estará dando ampla cobertura ao projeto, antes, durante e depois.

mentários; Filme publicitário; Teaser´s. Exposição fotográficas Todas as imagens produzidas durante a expedição serão disponibilizadas para o público através de galerias de imagens nos sites parceiros bem como na página da Expedição. Será selecionadas ima-

gens mais impactantes que serão impressas em formatos especiais para totens e a realização de uma exposição itinerante que percorrerá, ao longo dos anos de 2019, 2020, todas as cidades da bacia do Piracicaba, algumas da bacia do Doce e posteriormente em pontos estratégicos do estado.

Revista - Será editada uma revista que circulará na bacia com exposição da participação de cada cidade no projeto, bem como espaço para os parceiros - apoiadores e patrocinadores. Livro-relatório – Será editado o livro Expedição Piracicaba Pela Vida

do Rio com a descrição dos trabalhos desenvolvidos e conclusões da equipe técnica. O livro apresentará todos os dados levantados durante os trabalhos da UFMG de 1991 a 1997, a Expedição de 1999 e a Expedição de 2019, produzindo um banco de dados dos últimos 30 anos.

Produtos da expedição Uma série de produtos serão desenvolvidos e produzidos durante e após a expedição. Entre eles destacamos: Vídeo – Será registrado em vídeo todo percurso e todas as atividades sendo editados e desdobrados em: Filmes docu-

Capa do livro da Expedição Piracicaba 300 Anos Depois, trabalho que inspirou a Expedição Piracicaba Pela Vida do Rio.


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ROTEIRO Expedição percorrerá as 21 cidades que compõem a bacia A Expedição Piracicaba Pela Vida do Rio contará com duas equipes distintas – Água e Terra, que serão subdivididas em técnico científicas e Registro. As equipes, formadas por profissionais da área ambiental e social, cinegrafistas, fotógrafos e jornalistas, entre outros profissionais, percorrerão os 21 municípios que compõem a bacia, sendo uma equipe por terra e outra por água e durante a Expedição, os navegantes e equipe de terra passarão em todas as localida-

2º dia

des onde, enquanto os técnicos desenvolvem suas pesquisas, outros profissionais participam de eventos de cunho socioambiental. O trabalho se dará em parceria com escolas, órgãos públicos e ONGs. Em algumas cidades, onde a equipe pernoitará, serão realizados debates, fóruns, conferências sobre os problemas ambientais das localidades, principalmente sobre a necessidade da preservação dos cursos d´água como responsáveis pelas vidas das pessoas.

Roteiro e Detalhamento Das Atividades Um roteiro está sendo proposto, conforme segue e deverá ser debatido, retificado ou ratificado no início de maio.

Roteiro detalhado (previsto)

1º dia

Mariana

Mariana, Praça Minas Gerais

26 de maio (domingo) Mariana / São Bartolomeu / Ouro Preto 09h: Evento de abertura oficial da Expedição, com ações de mobilização social na Praça Minas Gerais, em Mariana, envolvendo o CBH Piracicaba e o CBH Velhas. Participação de todos os atores da Expedição Piracicaba Pela Vida do Rio, entre participantes, patrocinadores e apoiadores. Presença do Secretário da Semad, Germano Vieira e da diretora do Igam, Marília Carvalho de Melo. Em seguida carreata para São Bartolomeu onde acontecerão atividades de mobilização e visita ao Marco Zero – nascente do Piracicaba, que fica localizado em área de propriedade da Samarco, onde juntamente com pessoal da empresa acontecerá uma solenidade de instalação de um totem demarcando o nascedouro do rio. Pernoite em São Bartolomeu.

3º dia

Catas Altas

Santa Bárbara

Alvinópolis 27 de maio (segunda-feira) São Bartolomeu / Mariana / Santa Rita Durão / Alvinópolis / Fonseca 07h: Início da navegação / descida pelo leito, seguindo para Santa Rita Durão, passando em áreas de mineração. Equipes iniciam trabalhos de coleta e análises. 09h: Mobilização em Santa Rita e após deslocamento para Fonseca, distrito de Alvinópolis. Corpo técnico desenvolve trabalhos nos pontos pré-definidos repetindo sempre os mesmos pontos de trabalhos anteriores. 15h: Mobilização em Fonseca. Equipes de trabalho se dividem, com a científica coletando amostras no Piracicaba e a de registro e mobilização social envolvendo com a comunidade. Em seguida deslocamento para Morro D´Água Quente em Catas Altas.

Barão de Cocais

28 de maio (terça-feira) Catas Altas / Caraça / Santa Bárbara / Brumal / Barra Feliz e Barão de Cocais 09h: Mobilização em Catas Altas, em seguida visita ao Caraça, nascedouro de inúmeros e importantes cursos d´água. No retorno mobilização em Brumal, Santa Bárbara. 15h: Mobilização em Barra Feliz, no encontro do rio Conceição com o rio São João, formando o rio Santa Bárbara nas divisas das cidades de Barão de Cocais e Santa Bárbara; 19h: Audiência Pública em Barão de Cocais – Saneamento, assoreamento, barramentos e o futuro das águas. Especialistas convidados além de membros da Expedição.


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ROTEIRO 4º dia

João Monlevade

30 de maio (quinta-feira) São Gonçalo do Rio Abaixo / Bom Jesus do Amparo e Itabira 07h: Expedição se desloca até São Gonçalo do Rio Abaixo. 09h: Mobilização na Praça Central de São Gonçalo, às margens do rio Santa Bárbara, em seguida expedição se dirige a Bom Jesus do Amparo. 14h: Mobilização em Bom Jesus do Amparo. 19h: Audiência Pública em Itabira - Barramentos e a crise hídrica.

Rio Piracicaba

5º dia

29 de maio (quarta-feira) Rio Piracicaba / João Monlevade

São Gonçalo do Rio Abaixo

07h: Equipe água parte de Fonseca para Rio Piracicaba, passando pela zona rural passando por Ponte Nova Roça, Guedes, Fundão, Bicas em direção a cidade homônima, Rio Piracicaba. 09h: Encontro da equipe água com a equipe terra para uma grande mobilização na Praça Maria do Rosário Caldeira. Corpo técnico desenvolve trabalhos nos pontos pré-definidos repetindo sempre os mesmos pontos de trabalhos anteriores. Em seguida equipes continuam a descida até João Monlevade. 15h: Mobilização no estacionamento da Matriz de São José Operário quando acontece o encontro das equipes água e terra com a comunidade monlevadense. Corpo técnico desenvolve trabalhos nos pontos pré-definidos repetindo sempre os mesmos pontos de trabalhos anteriores. 19h: Audiência Pública em João Monlevade – Saneamento, sedimentos e diversificação no abastecimento de água para a população.

6º dia

Bela Vista de Minas

Bom Jesus do Amparo

Capela Branca

Nova Era

31 de maio (sexta-feira) Bela Vista de Minas / Capela Branca / Nova Era

Itabira

07h - Expedição segue para Bela Vista de Minas, comunidade rural de Capela Branca. 09h – Mobilização e atividades no encontro do rio Santa Bárbara com o Piracicaba. Corpo técnico desenvolve trabalhos nos pontos pré-definidos repetindo sempre os mesmos pontos de trabalhos anteriores. Em seguida expedição segue para Nova Era. 15h – Mobilização em Nova Era às margens do Piracicaba. Corpo técnico desenvolve trabalhos nos pontos pré-definidos repetindo sempre os mesmos pontos de trabalhos anteriores.

7º dia

São Domingos do Prata

Antônio Dias

Teobaldo 1 de junho (sábado) São Domingos do Prata / Antônio Dias / Teobaldo / PERD 07h - Expedição segue para São Domingos do Prata. 09h – Mobilização em São Domingos do Prata e em seguida parte para Antônio Dias. 15h - Mobilização em Antônio Dias. Corpo técnico desenvolve trabalhos nos pontos pré-definidos repetindo sempre os mesmos pontos de trabalhos anteriores. Visita à Lagoa do Teobaldo.


março / abril de 2019

11

ROTEIRO Marliéria

8º dia

9º dia

03 de junho (segunda) Timóteo

Jaguaraçu 2 de junho (domingo) Jaguaraçu / Marliéria / PERD 07h - Expedição segue para Jaguaraçu. 09h – Mobilização em Jaguaraçu. e em seguida equipes partem para Marliéria. 15h - Mobilização em Marliéria e em seguida a Expedição se dirige ao PERD quando equipes participam de atividades técnico-cientifica junto ao corpo técnico do parque.

10º dia

11º dia

Timóteo

Coronel Fabriciano

07h - Expedição segue para Timóteo 09h – Mobilização em Timóteo. Corpo técnico desenvolve trabalhos nos pontos pré-definidos repetindo sempre os mesmos pontos de trabalhos anteriores. 15h – Visita as obras da ETE Consorciada entre Timóteo e Coronel Fabriciano. 19h - Audiência Pública em Timóteo com o tema Barramentos e risco de desabastecimento de água.

Santana do Paraíso

04 de junho (terça) Coronel Fabriciano / Santana do Paraíso Ipatinga

09h – Mobilização na cidade de Coronel Fabriciano. Corpo técnico desenvolve trabalhos nos pontos pré-definidos repetindo sempre os mesmos pontos de trabalhos anteriores. 15h – Mobilização em Santana do Paraíso.

Foz do Piracicaba

05 de junho / Ipatinga (quarta-feira) Fim da Expedição 07 h – Saindo de Coronel Fabriciano a Expedição se dirige ao Encontro do Piracicaba com o Doce / Dia Mundial do Meio Ambiente. 09h - Mobilização e encerramento da Expedição. Encontro do Piracicaba com o Rio Doce Dia Mundial do Meio Ambiente. Corpo técnico desenvolve trabalhos nos pontos pré-definidos repetindo sempre os mesmos pontos de trabalhos anteriores. Fim da Expedição. Realização de grande encontro em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente. O ato terá o nome de “O Piracicaba ainda vive”. Ultrapassado o local onde o Piracicaba deságua no Rio Doce, equipes se encontram marcando o encerramento da Expedição com manifestações.


marรงo / abril de 2019

12

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Tribuna do Piracicaba - A Voz do Rio  

Bacia do Piracicaba - Edição 248 - Abril de 2019

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Bacia do Piracicaba - Edição 248 - Abril de 2019

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