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B OL E T I M E SC OL A R

Confluências

Confluências

(2ª Série) jan-fev 2016

Mudam-se os tempos, movem-se as pontes Uma exibição na Esc. Sec. de Camões. Antes mesmo da antestreia. O privilégio de ser camoniano!

O centenário! CAMONIANOS Em torno de dois grandes escritores e pensadores do séc. XX que deixaram marca(s) na Escola Sec. de Camões. Envio de trabalhos para: confluencias@escamoes.pt

Nesta edição:

Scriptomanias …..……. Evocação de Camonianos …………... Memorable Journeys .. Cinema …………………. Cidadania Ambiental . Workshop …….………… Sessão ‘Acesso ao Ensino Superior’ …….. Cerâmica ………………. Encontro Allmeet ……. Eça de Queirós, uma Peça ………………….….. Breves …………………...

pp. 2-6 p. 7 pp. 8-9 p. 10 pp. 11-12 p. 13 p. 14 p. 14 p. 15 p. 15 p. 16


Foto de António Souto

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Confluências SCRIPTOMANIAS

A dor que sinto no meu peito é inexplicável. Fecho os meus olhos e a tua imagem flutua na minha cabeça, a imagem dos teus olhos, sempre os teus Onde estás? Estás bem? olhos, o padecer que neles estava espelhado. AinSabes que o melhor que me aconteceu nos últimos da sinto aquela dor, como a sinto ainda todas as anos foste tu? Lembro-me exatamente dos teus vezes que caminho por aquela rua… olhos e da cor deles, do teu pelo e do seu cheiro, das tuas patas, das tuas orelhas, de tudo, como se Meu companheiro, fiquei contigo do início até ao fim. Do teu nascimento até à tua morte. aqui estivesses.

Espera-me

Apenas alguns segundos, e tudo mudou. O que Peço-te apenas uma coisa: onde quer que estejas, era alegria tornou-se tristeza, a sorte virou azar, espera por mim. o prazer… sofrimento.

Valéria Brites, 12ºI

Carta a um amigo poeta Amor é fogo que arde sem se ver, É ferida que dói, e não se sente. E para ser mais alto do que os homens, A ti bastava-te o amor somente. As qualidades sempre sobejaram A quem ousou ser mais que a outra gente. Mas erros e fortuna não deixaram Que vivesses alguma vez contente.

Título: Confluências Iniciativa: Departamento de Estudos Portugueses Coordenação de edição: António Souto, Manuel Gomes e Lurdes Fernandes Periodicidade: Trimestral Impressão: GDCBP Tiragem: 250 exemplares Depósito Legal: 323233/11 Propriedade: Escola Secundária de Camões Praça José Fontana 1050-129 Lisboa Telefs. 21 319 03 80 21 319 03 87/88 Fax. 21 319 03 81

Continuamente vemos novidades; Todo o mundo é composto de mudança. Tu perduraste em todas as idades, E resta ainda em nós tua lembrança. Já eu sou Leanor pela calçada Porque nunca, mas nunca, vou segura. E se não vou descalça p’la verdura É porque ando p’las ruas apressada. E nunca é triste e leda a madrugada Para quem a rotina é uma corrida… Saio sempre de casa atrasada, E volto ao fim da tarde já vencida. Mas a poesia, essa, anda comigo, Em chuva, luz, buracos e formigas, Pela calçada branca onde prossigo E nas minhas memórias mais antigas. Na escola a que deram o teu nome, Os plátanos espreguiçam-se à janela E a tua poesia permanece. Descansa tu, que eu olharei por ela. Inês Faria, 11º B


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Confluências SCRIPTOMANIAS Os doces anos (parte IV) Estava sentada no topo da colina que se elevava perto do lago transparente. Os meus cabelos esvoaçavam ligeiramente e o frio matinal parecia desaparecer aos poucos. Observava pensativamente os prados floridos, os picos das montanhas salpicados de branco, as pedras antigas que se prolongavam pelas encostas escuras. O pólen dourado pairava no ar, por cima dos tapetes de flores, brilhando ao sol. As pequenas partículas eram levadas para longe, embaladas pela brisa e criavam um ambiente quente e suave. Agora, com a chegada da primavera, os mantos de neve derretiam dando lugar aos lameiros verdejantes. Tamanha beleza… Para mim, não existia à face da terra, nenhum lugar tão belo… tão pacífico… Despertei dos meus pensamentos e desci cuidadosamente a colina, tentando não escorregar na erva fresca. Caminhava pelos trilhos silenciosos quando reparei nas bonitas mimosas que se estendiam pela estrada. Fiquei parada a observar as pequenas flores amarelas e foi então que me lembrei do velho pastor de olhos claros… e das suas palavras de despedida… “vemo-nos quando as primeiras mimosas desabrocharem!”. Agora que a serra estava coberta por pastos viçosos onde os rebanhos podem pastar, os pastores poderiam finalmente regressar a casa. A ideia de voltar a ver o meu avô era maravilhosa e fui o resto do caminho a cantarolar alegremente. Passava pouco das três da tarde quando saí de casa para ir à fonte. Com todo o cuidado, estava a tentar encher o balde de madeira quando comecei a ouvir o som de passos que se aproximavam rapidamente. Era o António. O pobre rapaz estava tão cansado que mal conseguia falar. “Ele… ele vem aí! O pastor vem aí!”. Deixei cair o balde no chão e a água fria salpicou por todo o lado. Corremos os dois em direção à casa de pedra. Os olhos escuros da minha mãe arregalaram-se quando lhe contei a novidade e em pouco tempo estávamos todos a caminho, acompanhados pela ansiedade de

reencontrar o querido pastor. O sol já se tinha escondido atrás das montanhas quando chegámos à vila. Ao longe o rebanho branco saltitava pelo vale, seguido por um homem de barbas grisalhas. O meu coração começou a palpitar cada vez mais rápido e comecei a correr o mais depressa que pude. O pastor acolheu-me nos seus braços e abraçoume com força. Todos os dias sentia um arrepio quando pensava nele, sozinho, ao frio, subindo a serra com o gado, por isso era um alívio ver que tinha regressado em segurança e com saúde. Não me recordo bem dos momentos que se seguiram. Lembro-me de muitos abraços, muitos sorrisos, lembro-me dos olhos cansados do meu avô, das suas mãos cobertas de feridas e pequenas cicatrizes, lembro-me das lágrimas reluzentes que escorriam pela face clara da minha mãe e lembro-me da alegria que sentia cada vez que olhava para o pastor, para o meu herói… Decidimos voltar para casa antes que a noite caísse. Há cerca de seis meses atrás tínhamos percorrido aquele caminho em silêncio, com receio pela vida daquele homem corajoso. Agora as vozes uniam-se em canções e os mais pequenos corriam e dançavam ao som da melodia. Mais uma vez, a casa de pedra era o ponto de encontro de toda a família e amigos, todos se juntavam para festejar o tão esperado regresso. Depois da ceia o pastor sentava-se numa grande cadeira de madeira velha rodeado pelos curiosos que ansiavam ouvir as suas aventuras. Nos serões que se seguiram, passámos horas junto à lareira escutando com atenção as suas histórias. Eu ouvia atentamente cada pormenor, maravilhada pelas suas descrições das terras distantes. Nessa noite, lembro-me de admirar a lua através da janela do quarto e de sonhar com o dia em que me iria aventurar pelo vale e descobrir tudo o que estava para além das montanhas… Beatriz Santos, 11º C


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Confluências SCRIPTOMANIAS A Luz Quando era pequena, tinha medo do escuro. Agora, cresci e percebi que não é o escuro que se deve temer, é a luz. Agora, tenho medo da luz. Não, eu não sou nenhum "pseudo-vampiro" que se queima com o Sol. Não é só a luz solar que me assusta, são todas e quaisquer fontes luminosas. Tenho medo das coisas que a luz revela, daquilo que altera, das sombras que forma. Porque, quando está escuro, não há sombras, e um casaco é só um casaco. Quando a luz se acende, esse casaco transforma-se na sombra de um monstro. É a luz que nos mete ideias na cabeça, é ela que nos faz depender dos nossos olhos, das mentiras que veem e das verdades que distorcem. É a luz que nos rouba as estrelas e a Lua, é ela que nos cega quando acordamos e que não nos deixa adormecer. Quando vou dormir, não pode haver uma única linha de luz no meu quarto, senão os meus olhos não adormecem e os meus

pensamentos não descansam. É a luz que traz as sombras que tememos e que partilha os segredos que escondemos. O escuro é nosso aliado. É o escuro que nos adormece. É o escuro que protege os nossos segredos, sejam eles lágrimas ou sorrisos. É o escuro que apaga as sombras e é o escuro que acende as estrelas. No escuro toda a gente é bonita, toda a gente é igual, toda a gente é gente. Por isso, não tenham medo do escuro, porque ele não esconde monstros, ele prende-os. Ele não nos tira a visão, ele dá-nos a oportunidade de ver o que realmente importa. Por isso, tenham cuidado com a luz, porque ela expõe-nos a todos, engana os nossos sentidos e atormenta os nossos pensamentos. Ela liberta as sombras e acorda os medos. Por isso, eu tenho medo da luz. Sara Roseira Pimenta, 11º E

Um simples relato de factos? O livro que li para a ficha de leitura foi A Confissão de Lúcio, de Mário de Sá-Carneiro. A obra é uma curta narrativa, mais especificamente uma novela. Num pequeno prefácio, o narrador refere que não se trata de uma novela, mas apenas de um relato de acontecimentos. Diz que pretende ser o mais verdadeiro e fiel possível aos factos, não deixando escapar nenhum pormenor, por mais insignificante que possa parecer. A sua intenção é obter a credibilidade do leitor pela simples apresentação dos mesmos. Na prática, o narrador acaba por não concretizar as suas intenções: ele transpõe os seus sentimentos, sensações, emoções para os relatos que faz, o que confere um caráter subjetivo à obra e a torna simultaneamente num diário íntimo. Também o caráter fantástico e invulgar dos acontecimentos que o envolveram tornam difícil uma exposição concreta e lúcida dos factos, e o próprio narrador apercebe-se disso nesse mesmo prefácio: refere que a sua confissão será a menos lúcida e a mais perturbadora. Gostei bastante de ler este livro. Toda a obra tem um clima de suspense inerente aos próprios acontecimentos em que se veem envolvidas as personagens e também ao caráter do narrador, assaltado por múltiplos sentimentos e sensações e em constante mudança de estado de espírito. É impossível encontrar um sentido nos seus pensamentos. Este aspeto não só intriga o leitor como o surpreende, o que motiva a leitura da obra. Achei também muito interessantes as convicções de uma das personagens, Ricardo de Loureiro. Consigo identificar-me com algumas das suas ideias (outras são simplesmente perturbadoras), ideias essas em que nunca tinha pensado de forma tão concreta. Por estas e outras razões, esta foi uma leitura enriquecedora porque uma nova experiência num universo romanesco perturbante. Joana Monteiro, 12º B


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Confluências SCRIPTOMANIAS - CARTAS A CAMÕES Querido Luís de Camões, Primeiro, devo pedir-te desculpa por vir incomodar-te desse descanso em que tens estado desde há 435 anos, mas achei que te devia informar sobre a situação do nosso país. Um país mais teu do que meu, pois tu, meu amigo, enriqueceste este país, não a nível monetário, como é óbvio, mas a nível cultural. A tua obra Os Lusíadas é conhecida em todo o mundo e é muito lida em Portugal. És até alvo de estudo na escola: no 9º ano estuda-se Os Lusíadas, e no 10º ano alguns dos teus poemas líricos. No entanto, a poesia tem vindo a perder popularidade na sociedade, as pessoas agora estão mais viradas para o Rap que, caso não saibas, é uma espécie de poesia que se ‘canta’. Mas tal mudança não é de estranhar porque, tal como disseste, “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”. Não é só na poesia que houve alterações, outro tema sobre o qual tu adoravas escrever também tem vindo a mudar: o amor. Nos tempos de hoje, o significado de amor tem-se tornado superficial, sendo que a maior parte das pessoas confunde uma simples atração com um verdadeiro Amor. Para além disso, do ponto de vista masculino, o amor é por vezes visto como um símbolo de fraqueza; não sei se tal acontecia na tua época, mas atualmente é assim – um homem ao amar profundamente uma mulher, ou a chorar por ela, é por vezes considerado um fraco. Agora falando sobre o teu país, devo informar-te que oito anos depois da tua morte, D. Sebastião desapareceu numa batalha e isso fez com que, durante 60 anos, Portugal fosse governado pelos nossos ‘amigos’ espanhóis. Felizmente, em 1912,

despedimo-nos desses problemas ao dizermos adeus à monarquia e ao recebermos a república. No entanto, esta trouxe-nos outros problemas: passados poucos anos instalou-se uma ditadura que durou 48 anos – o país foi durante muitos anos liderado por um senhor chamado Salazar, um senhor não tão mau quanto o Hitler (que tu também não deves saber quem é), mas mesmo assim bastante rígido. No entanto, no presente não existem ditaduras, apenas políticos corruptos e um país em crise, já para não falar do facto de o nosso ex-primeiro ministro estar na cadeia, certamente a dizer para consigo “Erros meus, má fortuna…”. Resumindo, pode dizer-se que o país está uma miséria, e, para ser sincera, gostava de poder fazer como tu fizeste – ir para a Índia. Agora existem aviões, o que facilita bastante as viagens, mas, entre as greves das transportadoras aéreas e os pilotos com problemas mentais, acho que é preferível ir a nado com as coisas na mão. Tirando estas desgraças todas, o país elogiou-te de forma grandiosa: tens ruas, praças, institutos e até mesmo uma escola com o teu nome. Uma escola que, atualmente, se encontra como tu no teu fim de vida: a ameaçar ruína, com uma longa história, mas com um bom conteúdo (no teu caso, o teu talento, e no caso da escola, os alunos e os professores). E era isto que te queria dizer, meu amigo, este desabafo sobre o mundo que me rodeia, mostrando-te a tua sorte (ou azar) por não teres vivido num mundo assim. Com carinho, Inês Duarte, 11º A

03 de fevereiro (Caves da Escola, 20h30)

Tertúlia À volta de Vergílio Ferreira: um mestre sem discípulos “Um diário. Uma carta. Ou simplesmente as memórias. Nós lemo-las com um prazer diferente de uma obra de arte ou mesmo da arte que está nelas. Não é bem o de saber o que aconteceu, mas o de estarmos nós acontecendo nisso que aconteceu. Ou seja, de prolongarmos a nossa vida até lá.” Vergílio Ferreira, «Escrever»


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Confluências SCRIPTOMANIAS Dias de Hoje Penso que se tem dado, nos dias que correm, uma extrema importância à economia. Uma importância lucrativa e não social. O mundo tornou-se “egoísta”, os governos de um determinado país, tal como as nossas mentes, formataram-se para aquilo que é a economia. Vivemos num mundo de ‘interesses’ que pode ser visto como uma hierarquia, e é no fundo desta hierarquia que se encontram as pessoas. Estaremos perante uma injustiça? Todos nós merecemos e temos direito ao

melhor de instituições sociais que, porque o são, estão ao nosso dispor, como os hospitais (saúde) ou as escolas (educação), por exemplo. Constata-se, contudo – e tem-se vindo a tornar habitual –, uma total indiferença por parte da sociedade, o que acaba por nos prejudicar rapidamente a todos. Cremos que deveria existir uma maior reflexão a este propósito, nomeadamente por parte dos responsáveis governamentais, para que todo o tipo de desequilíbrios e problemas relacionados com as medidas economicistas e o bem público possam ser finalmente resolvidos. Gonçalo Tristão 10.º I

Não vás!... Entraste sem bater, mas não me importei. Convidei-te para te sentares e não negaste o meu convite. Conversámos durante horas e horas, e não faltou assunto. Encantaste-me com esse teu sentido de humor e com os teus gostos musicais. Tínhamos tanto em comum… Chegava a parecer que nos conhecíamos há muitos anos. Fizeste-me rir, elogiaste-me, senti-me especial com as tuas doces e macias palavras, ensinaste-me coisas que não sabia, ajudaste-me, aconselhaste-me, eras um amigo sempre presente, um dos que eu pensei que ia ficar para sempre. Mas não, afastei-te com ideias, medos e suposições. ‘Não vás!…’. Expulsei-te por onde entraste, e tu, sem te despedires, foste embora, bateste com a porta à saída, nunca mais voltaste. Espero que o mais íntimo de ti, por que me encantei, seja o mesmo, ainda que o físico o não seja. Adeus, FX. Pélcia Rosa, 11º I

Breve reclamação contra as palavras Palavras. Palavras caras, sujas, ditas e reditas. Palavras inúteis, digo, inúteis! Para que vos quero, palavras, se o que digo não cabe em vós? Quem sou eu, palavras? Quem sou se o que sou é nada e vós sois tudo? Para que mundo viajo? Quem amo, palavras, se palavras odeio e a quem amo não o posso dizer? Amo estrelas? Ao menos elas falam. Sei, sei. Oiço a voz caminhante destes astros enquanto tento escrever da vida. O papel, branco, sob as minhas mãos imaculadas, freme na vã esperança do amanhã.

Palavras! Qual a razão de todo o mal da Terra? Com que sal me banhais os lábios cobertos de fendas, enegrecidos, revoltosos, metamórficos? Porque nadam caravelas no meu ventre, porque mente o vento, qual a razão do medo? Apodreço, palavras, eu. Apodreço. A inutilidade de dizer quem sou, de tentar aliviar o peso do mundo, encurralamme, alada. Sonhos, sonhos. Brote a esperança das raízes do meu ser, que o entardecer adormeça no colo do manto noturno. Que a lua brilhe, palavras! Ao menos, se no embalo da vigília a memória se me recuperar, já nada terá sido em vão. E se a ordem não se repetir, e se a regra se quebrar? O sol nascerá, enfim. Mas tudo isto, palavrinhas, só será possível se me ajudardes. Colaborai,

colaborai! Sinto falta do desenhar das letras, do efémero renascer da caligrafia no papel e do leve rumor da manhã. Agarro-me à esperança da luz das estrelas, esse fio inaudível, agora, porque no horizonte nasce já o rio. Tragam de volta a madrugada, palavras! A saudade não cabe já no peito. Grito. Peço-vos, renovai a sombra! Peço-vos, como pediu o poeta Pedro Támen, que a vós cedeu, rendidíssimo: “Aqueço-me com isto. Ao seu calor o nosso sangue é um e amadurece Boa noite, meu amor. Boa noite, que amanhece.” Joana Flor, 12º L


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Confluências EVOCAÇÃO DE ‘CAMONIANOS’ EM ANO DE CENTENÁRIO Vergílio António Ferreira 28 de janeiro de 1916 (Gouveia) – 1 de março de 1996 (Lisboa) “Eis-me escrevendo como louco, aos tropeções nas palavras, enrodilhado, contraditório talvez, a boca amaldiçoada de secura, um frio íntimo nos ossos, um arrepio no ventre. Sofia... Saíste já alta noite, vim ver-te descer a colina, correr ao longo da estrada no rasto de uma pequena luz. A paz não está em nós, não está a minha em ti, não está em mim a tua. Mas tu queres amar o teu próprio desespero como uma embriaguez, eu sonho a plenitude de umas mãos dadas com a vida. Talvez, porém, que para lá da minha verdade que procuro esteja a tua loucura. Não quero pensar agora – agora não. O luar verde de Março sobe no horizonte da minha noite de vigília, esta noite infinita em que escrevo. Olho-o pela janela na montanha e uma alegria profundamente triste embacia-me o olhar. Minha mulher dorme. Tremo de pensar que o sossego que às vezes me visita esteja só na sua bênção, na paz que irradia do seu silêncio. Estarei só e condenado? O reino da vida está cheio ainda do rasto dos deuses, como num país velho perdura a memória dos senhores antigos e expulsos. Mas o homem nasceu – nasceu agora da sua própria miséria e eu sonho com o dia em que a vida fique cheia do seu rasto de homem, tão certo e evidente e tranquilo como a luz da tarde de um dia quente de Junho...” Aparição (pp. 195-196), Bertrand Editora, Lisboa, 2003

Mário Dionísio Mário de Sá-Carneiro 16 de julho de 1916 (Lisboa) – 17 de novembro de 1993 16 de maio de 1890 (Lisboa) – (Lisboa) 26 de abril de 1916 (Paris) “Há quem escreva páginas e páginas a fio – quinze ou vinte dum fôlego, que miragem! – numa invejável fogosidade sthendaliana e só emende depois. Para esses, a emenda (ou o recuo) não faz parte do processo interior de criação, é uma vigilância posterior e exterior que evita os excessos e as faltas, conserta o ritmo e a eficácia do discurso. Há, pelo contrário, quem não consiga abandonar um período sem o dar por concluído, enredando-se em cada dificuldade, inventando-as talvez, não podendo de modo algum continuar sem que tudo esteja ali definitivamente resolvido (tudo "limpo"). Sabendo embora que o novo período virá pôr outra vez tudo em questão. É o que se passava com o Flaubert, ao que parece, e continua a passar-se com uma legião de desgraçados que só nisso se assemelham ao criador de Bovary. Trate-se de uma página de romance, trate-se de varrer um jardim…”

Fim Quando eu morrer batam em latas, Rompam aos saltos e aos pinotes, Façam estalar no ar chicotes, Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro Ajaezado à andaluza... A um morto nada se recusa, Eu quero por força ir de burIn, «Liberdade, liberdade», Monólogo a Duas Vozes (p. 180), ro. Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1986


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Confluências MEMORABLE JOURNEYS

Another MEMORABLE JOURNEY Three years ago, in the Summer holidays, my best friend, her parents and I went to Sintra to get to the top of Serra de Sintra. I was very excited, because I had just read a lot of ghost stories that happened in different spots on the hill and I have always been a fanatic and a believer of this parallel spiritual universe. Even though I was very excited and thrilled for going on this adventure with my best friend, I was also apprehensive since I was never an athletic person at all and I get out of breath very easily. So, I needed to go well prepared and started filling my backpack with snacks, water, clothes for a hot day as well as a coat in case it rained, a very comfortable pair of sneakers and a camera to film the whole thing. The day came and we woke up very early and went on our way. In the car ride to the hill, I told

my friend all the stories I'd read and quickly we started to see that trip as a ghost hunt, which sounds really stupid now, but we were young and impressionable and we wanted to find out the truth for ourselves. We got there, parked the car and followed some visible tracks that led to the top. I remember feeling really at peace with myself because of the fact that we were surrounded by Nature: the fresh smell of the trees, all the green contrasting with the clear blue sky and the only sound remaining was the wind passing through the leafs creating a beautiful scenery that I have never forgotten. I filmed most of the journey and seeing the footage now I can still relive all the happy and funny moments. It wasn't as hard to reach the top of the hill as I thought it would be, most of all because I had great company that made the way so much fun and effortless. Half way through we even completely forgot about the "ghost hunt", we were just so amazed with the ambience itself, we were just enjoying that time together. And in the end it was all worth it just to see that amazing view at the top joined with a great feeling of completion. I was very proud of myself. Mafalda Pereira, 11º C

A MEMORABLE JOURNEY This year I've been to The Azores, and I know that it will always be a memorable journey to me. Before the journey I packed my bag with some summer clothes and some jackets too, because I had read that it's rainy and hot at the same time. I went with my mom, a friend and his family. On the five days I spent there I saw the beauty of nature like I had never seen before. We saw the most visited lagoons but we also saw the hidden ones, which were my favourite places of the journey. We went to the top of a mountain and from there I saw the most beautiful view ever, which I will never forget. It took a lot of work but it was worth it. Before the journey I was a little unsure because I didn't know what to expect but during the journey I felt so happy to be there and now I just hope to go back to see that beauty again. It was a great journey! Maria Rodrigues, 11º B


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Confluências MEMORABLE JOURNEYS MY TRIP TO SERRA DA ESTRELA Eight years ago I went to Serra da Estrela with my sister, her husband and my niece. I was thrilled because I have always loved the cold and I had never seen snow before! Before my journey I packed everything I thought it could be useful and that could help me during my time in the snow, like plastic bags, for example, since I had read that putting them on top of my socks would keep my feet warm and dry, and that proved to be really effective. We travelled by car. It was a long journey but also very funny because we were all singing and giggling on the way there. I had very high expectations and I didn't want to feel disappointed once we got there, and fortunately that didn't happen. The view was breathtaking, I couldn'y believe

how high the mountains were; everything was white and I couldn't stop thinking that I might have entered Narnia, I was completely blown away. We stayed in a little cottage near the Bread Museum and cooked all our meals at home. Local people were very welcoming and helped us with everything we needed. We visited all the local attractions and obviously had a lot of fun in the snow, which included snow ball fights that ended up being my favourite activity during our time there. During those days I had lots of new experiences and gained a few knowledge about living in a place like that. Unfortunately my niece got ill and we had to come home earlier, but it still was an amazing journey and I have unforgettable memories from that time. Mariana Mota, 11º C

GOING ABROAD I have been to Spain. The reason why it is so memorable has nothing to do with the destination itself but with the feeling of finally going abroad. It was two years ago. In the Summer holidays, while I was spending some days in the Algarve, my parents decided to travel to Spain and to visit some places near the border. I was in Spain only for one day, and because I didn't spend the night I didn't take anything in particular. I travelled with my parents and my sister. She wasn't so excited as me because she had already left Portugal once. It is not what I saw or what I did there that has stayed with me until these days, because nothing actually amazed me that much. The buildings, the beaches, the traditional shops, although I enjoyed them, I didn't see anything that was more beautiful than what I'd seen before in Portugal. It was simply that moment when I was getting out of the car and my father standing outside filming, so that he would keep that memory forever. And the feeling of stepping on foreign ground was just unexplainable, not for the action itself, but for what it meant to me. I could finally tell my friends and myself that I had left Portugal, and it felt so good to be true. Beatriz Fonseca, 11º B


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Confluências CINEMA 13 de janeiro, Auditório Camões. Numa sessão que antecedeu a antestreia da longa metragem GELO, prevista para o mês de março, a Escola Secundária de Camões teve o privilégio de exibir este último filme de Luís Galvão Teles (realizado numa parceria com o seu filho Gonçalo) - numa tela de grandes dimensões inaugurada na ocasião, como sublinhou o diretor do estabelecimento, Dr. João Jaime Pires.

O agrado pelo argumento parece ter cativado os alunos. O realizador, ex-aluno da Escola, fez questão de estar presente e de mostrar disponibilidade para, no final da projeção, ouvir e conversar com alguns alunos, respondendo a algumas das questões suscitadas.

ARTES - TRABALHOS DO ANO TRANSATO


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Confluências CIDADANIA AMBIENTAL

O que pensam os jovens sobre o lixo marinho

demora a degradar-se. Tem impactos amplos na vida e saúde dos animais marinhos: asfixiamento de animais e enredamentos. Outro problema é a bioacumulação de componentes de plástico na cadeia alimentar dos animais, acabando por atingir a saúde do homem. No Seminário CoastWatch 2015, realizado na nossa Escola a 14 de janeiro, os alunos Bruno Cardoso (2º N), André Ferreira e Cristiana Franco (10º J) apresentaram uma comunicação: “Representações dos Jovens sobre o Lixo Marinho”. Através de uma entrevista por questionário, à qual responderam 37 alunos da escola, com idades entre os 14 e os 19 anos, pretenderam saber o que pensam os jovens sobre o lixo marinho. A análise do conteúdo temático, através das respostas dadas, permitiu definir as conceções dos jovens sobre o lixo marinho, tal como se apresenta no Quadro abaixo.

O lixo marinho tornou-se um problema global, que se associa à diversidade de atividades humanas. Tem atraído a atenção e interesse de estudo pelas comunidades científicas (Candeias, 2015). Por exemplo, em Portugal, foi criada, em 2014, a Associação Portuguesa de Lixo Marinho (APLM), tendo como objetivos, entre outros, desenvolver estudos científicos sobre o lixo e seus impactos nos ecossistemas marinhos, estuarinos e fluviais, mas também promover ações e projetos de educação ambiental dos cidadãos. O lixo marinho é tema de investigação nas universidades e centros de investigação em todo o mundo. O Projeto MARLISCO – Marine Litter in European Seas: Social Awareness and COResponsibility – é disso um exemplo. É coordenado em Portugal pela Faculdade de Ciências e TecnoloQuadro 1: Significado de lixo marinho gia da Universidade Nova de Lisboa (FCT-UNL). Por lixo marinho entende-se todo o detrito que é % O que significa o lixo marinho lançado propositada ou acidentalmente nos oceaConceção moral e ética 29 nos e zonas costeiras. É constituído por vários Conceção política e social 20 materiais, essencialmente os que se degradam Quadro de vida / experiência pessoal 20 muito lentamente no ambiente (vidro, 1. 000.000 Atividade económica /empresas 06 anos; sacos de plástico, 40 anos; madeira pintada, 15 anos; papel, 3 a 6 meses). Segundo Candeias Poluição 25 (2015), o plástico é o principal poluidor dos oceanos, quer pela quantidade, quer pelo tempo que (Continua na página seguinte)


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Confluências CIDADANIA AMBIENTAL Uma conceção de lixo marinho associada às atividades económicas, buscando temas como efluentes para a natureza e descargas nos oceanos (este grupo reúne apenas 6% das unidades de enumeração). Uma concecão de lixo marinho como resultado de poluição, integrando uma valorização abstrata do termo poluição, contaminação das águas, bioacumulação, deposição intencional de resíduos na costa, resíduos decorrentes de naufrágios.

(Continuação da página anterior)

A análise de conteúdo permitiu o agrupamento das respostas em 5 domínios diferenciados. Desta forma, chegou-se a 5 conceções sobre lixo marinho partilhadas pelos jovens entrevistados. Uma conceção moral e ética de lixo marinho, que integra noções de vida/morte, saúde/doença/ sofrimento dos animais marinhos, proteção do ambiente, ação do homem/ sociedades humanas, aquecimento global, destruição de habitats, extinção de espécies, afetação dos ecossistemas e redução do consumo de bens pelo homem. Uma conceção política e social que agrega termos como ações de sensibilização, campanhas, participação e iniciativa dos cidadãos, mais regras legais e multas para os poluidores, mais ecopontos nas praias. Uma conceção de lixo marinho ligada ao quadro de vida quotidiano e experiência pessoal, agregando termos como sujo/limpo, hábitos de separação doméstica de resíduos, redução do consumo de bens, pessoas cuidadosas/negligentes, hábitos de higiene ambiental/abandono de resíduos nas praias.

Podemos concluir que o lixo marinho para os jovens inquiridos é concretizado em termos de ausência de responsabilidade dos cidadãos, por práticas de abandono de lixo nos ambientes litorais ou através dos efluentes domésticos. A dimensão associada à indústria está pouco presente no seu pensamento. Desta forma, é necessário mudar atitudes, comportamentos e práticas das pessoas. Para o efeito, a dimensão política e cívica deverá ser concretizada: informação, campanhas de sensibilização das pessoas e mais regras e punições. O lixo marinho para os inquiridos é, essencialmente, o que percecionam no ambiente próximo, portanto muito ligado a ações concretas do quotidiano. Falam “lixo das praias”, “as pessoas não reciclam”, “o lixo que atiram para a costa”. Não transportam uma conceção global do problema, nem muita consciência dos seus efeitos (e processos) nos ambientes biofísicos. Referência: Candeias, J. 2015. Marine litter occurrence patterns along the Portuguese coast in the past decade. (Dissertação de Mestrado), Universidade de Lisboa.

Beatriz Pais e Bruno Cardoso, Curso Profissional de Técnico de Informática de Gestão, 2º ano


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Confluências WORKSHOP JOVENS EM FORMAÇÃO PROFISSIONAL No Workshop "Como se Comportar numa Entrevista de Emprego?", realizado a 23 de novembro, no auditório da Escola Secundária de Camões, foi-me pedido que registasse em texto os assuntos apresentados por Raquel Almendra Torres, especialista em marketing e comunicadora neste evento. Pela segunda vez, através da ONG na Dress For Success, se discutiu um tema com interesse para os jovens do ensino profissional que se debatem com a procura do primeiro emprego. (No ano anterior, o tema foi “Como se Vestir para uma Entrevista de Emprego?”.)

q u a d a para uma entrevista. É um fator dissuasor da a n s i e da de. 5. A procura ativa de emprego, com ‘criatividade’, é essencial para conseguir um lugar numa empresa. 6. ‘Criatividade’ é procurar emprego para além dos sítios mais comuns (como a “Net-empregos”, por exemplo). 7. Nunca esquecer de cumprimentar o entrevistador e todas as pessoas da empresa com as quais se cruza no escritório e/ou corredores. 8. A forma de se apresentar deverá estar de acordo com o Dress Code da empresa a que se candidata. Deverão ser ponderadas cores, padrões, acessórios, calçado e perfumes. Se exuberantes, desviam o foco de atenção do entrevistador. 9. A cor das unhas, o cabelo, as tatuagens e os piercings merecem uma atenção muito cuidada. 10. Ficam, entretanto, para os candidatos a um emprego, as seguintes interrogações: – O que fazer com as mãos? – Que distância manter entre o entrevistado e o entrevistador?

1. A sessão iniciou-se com uma estratégia de “quebra-gelo”. Raquel Torres (RT) lançou para a plateia 80 bolas de ténis, que os alunos apanharam e seguraram. A bola teve aqui, também, um valor simbólico. Apanhar e segurar desenvolve um sentimento de segurança. É com este sentimento de segurança nas suas capacidades que os candidatos se devem apresentar a uma entrevista de Pensem na entrevista como um jogo, desafiou emprego. 2. A entrevista serve apenas para o entrevista- Raquel Torres, quem decide o vencedor são vocês! dor conhecer, pessoalmente, o candidato ao Gabriel Vaz, 2º N emprego, e isto porque o entrevistador já conhece (Curso Técnico de Informática de Gestão) o perfil profissional do candidato através do curriculum vitae (CV), já terá escrutinado tudo quanto lhe interessava. O candidato, no momento da entrevista, deverá ter presente esta ideia para se sentir tranquilo na interação com o entrevistador. 3. O CV é para estar elaborado e sempre atualizado, mesmo antes de tencionar procurar emprego. RT desafiou os alunos a iniciarem a construção do seu CV antes de terminarem o curso. Quando surge uma oportunidade de emprego, o facto de o CV não estar construído é um fator adicional de stress emocional, devendo o CV “estar sempre à mão e pronto a usar”, sublinhou. 4. Igualmente, pela mesma razão, é importante ter sempre preparado um cabide com a roupa ade-


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Confluências SESSÃO ‘ACESSO AO ENSINO SUPERIOR’ 1 de fevereiro. Com o Auditório repleto, e durante mais de uma hora, os alunos assistiram a uma entusiasmada apresentação de todo o processo conducente ao Acesso ao Ensino Superior. O animador da Popular Inspiring Future, em ambiente de notória informalidade, a que não faltaram pequenos ‘incentivos’ de humor, esclareceu todas as dúvidas que habitualmente assolam os estudantes no final do Ensino Secundário. Depois, os alunos puderam escolher a(s) ação(ões) que mais lhes poderia(m) interessar em função dos cursos pretendidos. Nos intervalos, o contacto direto, no Ginásio, com representantes de vários estabelecimentos do Ensino Superior.

CERÂMICA Aluno Nuno Falcão (10º F), em ‘técnica de cerâmica’.

Foto 2: Preenchimento do molde

Foto 1: Preparação de terracota branca

Sinto ao fazer escultura maior concentração. Gosto de fazer bem o trabalho, porque quero agradar à professora.

Foto 3: Preparação de uma estrutura escultórica


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Confluências Encontro Allmeet na Escola Secundária de Camões – A Multiculturalidade O projeto ALLMEET – Actions of Lifelong Learning Addressing Multicultural Education and Tolerance in Russia, realizou na Escola o Encontro – ALLMEET in Lisbon, no dia 25 de novembro, das 10h às 17h, com a participação de alunos de proveniência de vários países. Este projeto, financiado ao abrigo do programa Tempus (2013-2016), visa a partilha de boas práticas e a implementação de plataformas educativas interculturais em seis regiões da Federação Russa (Moscovo, Arkhangelsk, Yoshkar-Ola, Krasnoyarsk, Kazan e Nabereznye Chelny). O projeto é coordenado pela Universidade de Bolonha e conta também com a parceria da Universidade de Glasgow e do European Center-Valuation of Prior Learning (Holanda). A delegação portuguesa do projeto ALLMEET, integrada no CICS.NOVA - Prof. Doutor Luís Baptista, Prof. Doutora Maria do Carmo Vieira da Silva, Doutora Cláudia Urbano, Dra. Inês Vieira. Após a receção pelo Diretor, fez-se uma visita à escola (biblioteca, galerias, pátios, laboratórios, avenida das tílias, museu e arquivo). A professora Adriana Remédio Pires fez uma intervenção sobre a sua lecionação em PLNM, seguida de testemunhos de alguns alunos de PLNM; nesta sessão esteve presente a Drª Lina Varela, representando a Direção

Geral de Educação. Da parte da tarde, houve as intervenções da coordenadora do CQEP, Rosário Caetano e da Drª Ana Cotrim sobre a missão, objetivos e intervenções do Centro. A Drª Hermínia Firmino, representante do ACM – Alto Comissariado para as Migrações, apresentou as linhas de atuação dos gabinetes que apoiam os migrantes assim como a colaboração que este organismo mantém com a Escola. Seguiu-se a intervenção da professora Madalena Contente que abordou, sumariamente, a organização dos Cursos de PPT – Português para Todos, a sua lecionação, o acolhimento e a integração dos migrantes na escola, a sessão culminou com a intervenção de formandos de PPT que testemunharam a sua participação nestes cursos. Um agradecimento especial a todos os colegas, funcionários e alunos que participaram neste encontro. Só com um trabalho colaborativo conseguimos abrir as portas da nossa Escola a professores universitários portugueses e estrangeiros a fim de que levassem da nossa escola uma visão global das nossas instalações seculares, do ensino e aquisição da do Português Língua Não Materna, assim como da inserção, na Escola, destes alunos e formandos. Profªs Dulce Sá Silva e Madalena Contente

Eça de Queirós, uma peça em terracota da autoria de Rafael Bordalo Pinheiro No número anterior do Confluências, publicámos um texto do Prof. José Luís Vasconcellos. Nele, o A. faz referência ao busto de Eça de Queirós, peça em terracota, da autoria de Raphael Bordalo Pinheiro (Fábrica de Faianças Artísticas de Bordalo Pinheiro), adquirida pelo Lyceu de Camões em 1919.

(…) Exactamente nos mesmos «baixos» da estantaria da sala anexa à biblioteca, misturados / perdidos no meio dos livros, opúsculos e separatas, tomei conta de dois testemunhos documentais de particular interesse para a história centenária do Lyceu de Camões em geral e da sua excepcional «livraria» em particular (documentos que, neste momento, estou a transcrever e estudar). O primeiro é um pequeno volume de 150 requisições e pagamentos de livros, objectos e serviços da biblioteca entre 1919 e 1929, sendo director o prof. Alberto Rica e reitor do liceu o engº. Claro da Ricca. Através dele fica -se a saber que obras e materiais foram adquiridos, a que fornecedores e a que preços: livros (manualística, ficção, história, etc.) comprados à Livraria Ferin, no Chiado; múltiplas encadernações realizadas por um tal Paulo de Carvalho; material de escritório à Papelaria da Moda ou à Gomes & Rodrigues (depois estabelecida no largo D. Estefânia, onde hoje está a pastelaria Tarantela) e até à «chegada» à escola dos bustos de Camilo e Eça de Queirós (este está hoje no gabinete de Biologia). (…) (O Autor não segue o AO de 1990)


ESCOLA SECUNDÁRIA DE CAMÕES http://www.escamoes.pt BE/CRE http://esccamoes.blogspot.com/

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Confluências

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ATIVIDADES QUE VÃO CATIVANDO OLHARES E INTERESSES NA ESCOLA SECUNDÁRIA DE CAMÕES (O PROFESSOR LINO DAS NEVES REGISTA A MAIOR PARTE DELAS)

www.escamoes.pt A todos quantos colaboraram com a cedência de textos, fotos e cartazes para este Boletim, uma palavra de agradecimento. Com o generoso apoio do Grupo Desportivo e Cultural do Banco de Portugal

Public confl 33  
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