26ª Bienal de São Paulo (2004) - Registro de Montagem / Setting up Record

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São Paulo 2004

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Declare seu amor à cidade.

I~ripasa O

papel oficial da Bienal

Iimprensaoficial

Apoio Institucional da Prefeitura do Município de São Paulo

Lei 10923/90

Sao'Pá'ülo ~

GOVERNO DA RECONSTRUçAo

GOVERNO DO ESTADO DE

SÃO PAULO RESPEITO POR VOCÊ

LEI DE INCENTIVO

À CULTURA

MINISTÉRIO DA CULTURA

Ministério da Cultura

UM

DE

TODOS

GOVtltNO nDUAl


Fundação Bienal de São Paulo




Conselho [Council]

Conselho de Honra [Honorary Council]

Francisco Matarazzo Sobrinho (1898-1977) Presidente Perpétuo do Conselho [Perpetuai President of the Council]

Oscar P. Landmann Presidente [President] Alex Periscinoto Carlos Bratke Celso Neves Edemar Cid Ferreira Jorge Eduardo Stockler Jorge Wilheim Julio Landmann Luiz Oiederichsen Villares Luiz Fernando Rodrigues Alves Maria Rodrigues Alves t Roberto Muylaert

Conselho de Administração [Board of Directors]

Membros Vitalícios [Lifetime Members]

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Jorge Wilheim Presidente [President]

Benedito José Soares de Mello Pati Celso Neves Ernest Guenther Lipkau Giannandrea Matarazzo Gilberto Chateaubriand Hélene Matarazzo João de Scantimburgo Manoel Ferraz Whitaker Salles Oscar P. Landmann Oswaldo Corrêa Gonçalves Pedro Franco Piva Roberto Pinto de Souza Rubens José Mattos Cunha Lima Sábato Antonio Magaldi Sebastião de Almeida Prado Sampaio


Membros [Members]

Adolpho Leirner Alex Periscinoto Aluízio Araújo Álvaro Augusto Vidigal Andrea Sandro Calabi Angelo Andrea Matarazzo Antonio Bias Bueno Guillon Antonio Henrique Cunha Bueno Áureo Bonilha Beatriz Pimenta Camargo Beno Suchodolski Carlos Bratke Carlos Francisco Bandeira Lins Cesar Giobbi David Feffer David Zylbersztajn Edemar Cid Ferreira Fábio Magalhães Fernando Roberto Moreira Salles Horácio Lafer Piva Ivo Rosset Jens Olesen Jorge Wilheim Julio Landmann Luiz Sales Manoel Francisco Pires da Costa Marcos Arbaitman Miguel Alves Pereira Miguel Reale Jr. Pedro Aranha Corrêa do Lago Pedro Cury Pedro Paulo de Sena Madureira René Parrini Ricardo Renzo Brentani Roberto Duailibi Roberto Muylaert Rubens Murillo Marques Rubens Ricupero Saio Davi Sei bel Thomaz Farkas Wolfgang Sauer


Diretoria Executiva [Executive Board]

Manoel Francisco Pires da Costa

Presidente [President] Pedro Paulo de Sena Madureira Primeiro Vice-presidente [First Vice-President] Eleonora Mendes Caldeira Segundo Vice-presidente [Second Vice-President] Aluizio Araújo

Diretor [Director] Carlos Bratke

Diretor [Director]

Diretores Representantes [Representative Directors]

Embaixador [Ambassador] Celso Amorim Ministro das Relações Exteriores [Minister of Foreign Affairs] Gilberto Gil Ministro da Cultura [Minister of Culture] Claudia Costin Secretária de Estado da Cultura [State Secretary of Culture] Celso Frateschi

Secretário Municipal de Cultura [City Secretary of Culture]

Curador [Curator]

Alfons Hug




Este catálogo constitui a documentação da montagem da 26 a Bienal de São Paulo e é dedicado aos parceiros da mostra. [This book is a record of the setting up of the 26th Bienal de São Paulo, and is dedicated to the partners of the exhibition.]



26a Bienal de S達o Paulo Territ坦rio Livre: Registro de montagem [Setting up record] 25 de setembro a 19 de dezembro de 2004 Pavilh達o Ciccillo Matarazzo, Parque do Ibirapuera, S達o Paulo




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UM FEITO BRASILEIRO I A Bienal de São Paulo tornou-se um signo não apenas da cultura, mas do desenvolvimento e da modernização da cidade de São Paulo e do próprio Brasil, no sentido mais amplo desses termos. (Alguém ainda pensa que a arte se dissocia de seu tempo e de seu espaço? De sua sociedade e de sua história?). Tornou-se também um signo do diálogo entre a cultura brasileira e as culturas de outros países, processo fundamental, definidor mesmo, que revitaliza diariamente a constituição cultural do país. Ao longo de 53 anos de existência, a Bienal de São Paulo afirmou-se como referência. É não apenas o evento mais importante do Brasil em sua área, mas um dos mais significativos do mundo. No princípio, a Bienal permitiu à cidade a formação de um importante acervo de arte moderna e contemporânea. Depois, incluiu a arte visual brasileira no circuito internacional, contribuindo decisivamente para o reconhecimento da produção nacional no exterior. Talvez a Bienal tenha sido a iniciadora de muitos artistas brasileiros. Talvez tenha sido a formadora de boa parte de nossos críticos e curadores. E certamente foi a responsável pelo primeiro, ou pelo mais intenso contato de muitos de nós com a arte em suas múltiplas expressões e potencialidades. Não por acaso, portanto, a 26 a edição da Bienal de São Paulo protagoniza o calendário oficial de comemorações dos 450 anos de São Paulo, neste pavilhão construído por Oscar Niemeyer para o 4 centenário da cidade, em 1954. A Bienal está no coração da cidade. E de seus cidadãos. É um marco na vida da principal metrópole brasileira, síntese e metáfora do que há de melhor, e pior, no país. Sabe-se que no exterior o Brasil é identificado principalmente por expressões singulares como o carnaval, o futebol-arte e a capoeira. Aos poucos, porém, outros aspectos vitais de nossa diversidade cultural ganham destaque, como é o caso da arte brasileira contemporânea. Temos uma produção intensa e diversa que refaz cotidianamente o percurso do diálogo com as principais tendências internacionais, e ocupa mostras e instituições de arte contemporânea no mundo inteiro. Uma parte desta produção está aqui, assim como seus parentes e contra-parentes de outras nacionalidades, à disposição para a fruição livre, para a crítica, para o choque, para a reinvenção, para a transformação, enfim, da própria arte e do público. (Ou alguém ainda pensa que a arte se dissocia de seu público e de seu criador? De sua massa e de sua trajetória?). O Ministério da Cultura apóia e celebra a Bienal de São Paulo como uma realização, como um feito, como um marco de São Paulo e do Brasil, dos paulistanos e dos brasileiros, dos artistas e do público. E, agora, um marco ao alcance de todos, ou pelo menos de muitos, com a gratuidade e os programas consistentes de arte-educação. Parabéns, São Paulo! 0

Gilberto Gil Ministro da Cultura


A BRAZILlAN FEAT I The Bienal de São Paulo has become a sign ofthe culture and modernization of the city of São Paulo and of Brazil itself, in the broadest terms. (Does anyone still think that art is not connected with its own time and space? With its own society and history?). It has also become a sign of the dialogue between Brazilian culture and that of other countries, which is a fundamental process, even a defining one that revitalizes our cultural identity everyday. During its 53 years of existence, the Bienal de São Paulo has been established as a reference. It is the most important event of its kind in Brazil, and one of the most significant in the world. At first, the Bienal allowed the city to bring together an important collection of modern and contemporary art. Eventually, it placed Brazilian art in the international circuit, which helped our production to be recognized abroad. It may be that the Bienal's stimulating effects gave rise to many Brazilian artists. It may figure prominently in the professional background of a good part of our critics and curators. And, for many of us, it was most certainly responsible for our first and most intense contact with art in its multiple expressions and potentialities. Thus, it is not by chance that the 26 th Bienal de São Paulo is the flagship event of the celebrations marking São Paulo's 450th anniversary, held in the same pavilion conceived by Oscar Niemeyer for the city's 400 th anniversary, in 1954. The Bienal is in the heart of the city. And in the heart of its citizens. It is a landmark in the life of Brazil's main metropolis, a synthesis and metaphor of the best, and the worst, in the nation. Around the world, Brazil is most widely known for its distinctive features such as carnivaI, the so-called art soccer and capoeira. Little by little, though, other vital aspects of our cultural diversity are gaining recognition, as is the case for Brazilian contemporary art. We have an intense and diverse production in continuously renewed dialogue with the main international trends, which is shown in exhibitions and contemporary art institutions all over the world. A part of this production is here, together with its relatives and counterparts from other nationalities, to be contemplated by the general public and art critics, to shock, to spur reinvention, in short, to transform the art world and society at large. (Or does anyone still think that art is not connected with its viewers and its creators? With its context, history and future?). The Ministry of Culture supports and celebrates the Bienal de São Paulo as a feat, a landmark of São Paulo and ofBrazil, of the city's inhabitants and of all Brazilians, of artists and art viewers. And now available to everyone, or to a great many, by way of free admission and substantial art-education programs. Congratulations, São Paulo!

Gilberto Gil Minister of Culture


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A Fundação Bienal de São Paulo foi criada por Francisco Matarazzo Sobrinho em 1962, na esteira de movimentos de modernização que, nos anos 40, levaram à criação de instit"!lições como o Museu de Arte de São Paulo (MASP) e o Museu de Arte Moderna (MAM). A união de artistas, membros da elite paulista e intelectuais, provenientes da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo, permitiu a formulação de políticas culturais que colocaram São Paulo no circuito internacional das artes. O desafio era trazer ao país e mostrar aos brasileiros as obras de artistas consagrados no exterior, vencido com galhardia. No ano em que a cidade de São Paulo comemora o seu 450 aniversário, a 26 a Bienal de São Paulo consolida o espírito inovador que a moveu desde a sua edição inaugural. Ao decidir mostrar aos brasileiros artistas contemporâneos, a Bienal continua fiel ao seu espírito original. Nos últimos dez anos, o Brasil assistiu à consolidação de museus e ao florescimento de novas instituições culturais que possuem as instalações necessárias e cumprem eficientemente o objetivo de apresentar as obras clássicas (Núcleo Histórico) à população brasileira. À Bienal fica acrescido o papel de perscrutar o novo, o futuro e a vanguarda. Ao consolidar sua importância de mais de meio século como embaixadora do Brasil no mundo das artes, ela passa a atuar em algumas frentes específicas: - Descobrir e introduzir artistas contemporâneos nos cenários nacional e internacional revelando os futuros Picassos, Portinaris; - Emprestar sua importância internacional à aproximação da cultura entre os povos e à ampliação das relações entre o Brasil e seus parceiros comerciais; - Desenvolver cursos culturais e profissionalizantes de apoio às diversas ações já existentes no país, com o objetivo de colaborar no processo de inclusão social. A Bienal não deve restringir nem limitar suas influências e o impacto das suas exposições nas diversas áreas da atividade humana. A sua atuação é e será sempre agressiva na busca da ampliação de horizontes. O destino da Bienal é contribuir sempre para a abertura de fronteiras. A arte e a cultura têm luz própria. Resguardado o espaço em que seus atores se movem livremente é desejável a criação de pontes entre a arte e as demais atividades do ser humano. A 26 a Bienal se constituirá em um ponto de convergência para atrair, além de artistas e amantes das artes, parceiros de negócios em ambiente próprio e capaz de incentivar as relações comerciais internacionais. Esse será um dos objetivos do plano de trabalho para esta edição da Bienal de São Paulo. O tema deste ano, idealizado pelo curador Afons Hug, nos remete àquele espaço em que não devem existir amarras à criação e ao desenvolvimento de nossos potenciais. Como tenho dito repetidas vezes, a Bienal é ousadia! 0

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Manoel Francisco Pires da Costa Presidente Fundação Bienal de São Paulo

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The Fundação Bienal de São Paulo was founded by Francisco Matarazzo Sobrinho in 1962, in the wake of the modernizing movements that had led to the creation of institutions such as the Museu de Arte de São Paulo (MASP) and the Museu de Arte Moderna (MAM) in the 1940S. The gathering of artists, members of the São Paulo elite and intellectuals from the then recently founded College of Philosophy of the University of São Paulo contributed to the formulation of cultural policies that placed the city into the international milieu of the arts. The challenge was to bring works of internationally celebrated artists to Brazil and show them to the publico That goal was bravely achieved. This year, in which São Paulo celebrates its 450 th anniversary, the 26 th Bienal de São Paulo reaffirms the innovative spirit that has driven it from its very beginning. In deciding that only contemporary artists are to be shown, the Bienal remains faithfuI to its original intents. Over the last ten years, Brazil has seen the consolidation of museums and the rise of new cultural institutions with the proper facilities for exhibiting traditional works of art, and they are effectively fulfilling this role (the so-called Historical Nucleus). The Bienal's role is to investigate the new, the future, and the avant-garde. Consolidating its importance as Brazil's ambassador in the world of the arts for more than half a century now, the Bienal has taken up several specific objectives: - Discover and introduce contemporary artists within the national and international settings, revealing the future Picassos and Portinaris; - Exert its international status to foster interchange among cultures, forging stronger links between Brazil and its trade partners; - Develop cultural and technical courses in support of various programs already underway in Brazil, with the aim of contributing to the process of social inclusion. The Bienal must not limit its influences or the impact of its exhibitions on the various fields ofhuman activity. Its performance is and shall always be aggressive in the search for further horizons. The Bienal's destiny is to open up frontiers. Art and culture have a life of their own. Once the space where their actors can freely move is assured, it is desirable that links be created between art and other areas. Beyond a point of convergence for artists and art lovers, the 26 th Bienal de São Paulo will furnish a setting favorable for the stimulation of international commerce. This aim has been integral to the planning for this edition. This year's theme, proposed by curator Alfons Hug, takes us to that place where there are no restrictions for creation or the development of our potentials. As I have often said, the Bienal is daring!

Manoel Francisco Pires da Costa President Fundação Bienal de São Paulo







Alfons Hug

Território livre

o TEMA DA 26 a BIENAL DE SÃO PAULO FOI ESCOLHIDO DE MODO A PERMITIR QUE

páginas anteriores [previous pages] Paulo Climachauska, produção de [making of] Palácio, 2004, desenho com caneta permante [drawing with permanent ink], 2800x500cm

uma pletora de posições artísticas se identificasse com ele. O conceito de "território livre" tem várias dimensões: a físico-geográfica, a político-social e, por fim, a estética, que evidentemente é a que mais nos interessa no contexto da exposição. Na estética, o território livre começa onde o mundo convencional termina. Designa aquele espaço no qual a realidade e a imaginação estão em conflito. Os artistas são os guardiões das fronteiras de um reino situado além da sociedade administrada, em paragens não mais alcançadas pelo poder interpretativo das instâncias política e econômica. Enquanto todos brigam incessantemente em torno da pergunta sobre o quê pertence a quem, a arte define as relações de propriedade a sua maneira. No domínio da estética tudo é de todos. No âmbito da Bienal interessa-nos saber como as devastações do mundo real e das relações interpessoais se condensam na arte. Como as obras de arte são mais do que meros fatos, a condensação artística de fenômenos da realidade será sempre mais plurívoca e complexa do que uma mera reportagem. Essa regra vale também quando o artista se serve, na fotografia e no vídeo, de dois meios aos quais se costuma atestar uma elevada proximidade com a realidade. Mesmo inseridos em conflitos, os artistas não duplicam o mundo, mas criam espaços livres em meio à realidade. Recorrendo a metáforas e símbolos, eles transportam a matéria-prima terrena a um estado novo, só acessível à experiência sensorial. Alegórica, a obra de arte revela outra realidade. A arte existe fora da causalidade e não pode ficar presa no arcabouço férreo de mecanismos profanos de coação. Os artistas criam um território livre de dominação e, com isso, um mundo contraposto ao mundo real: um mundo do vazio, do silêncio, da parada reflexiva, na qual o delírio que nos circunda é suspendido por um instante. Mas o território da arte é também o país do enigma, no qual a avalanche de mensagens simplórias, que nos inunda a partir dos focos de produção do kitsch, é traduzida em código cifrado. Rompendo as fronteiras materiais, o artista se torna um contrabandista de imagens entre as culturas. Mais uma vez, na 26 a Bienal de São Paulo, 55 países de todos os continentes aceitaram o convite de trazer para o Brasil o que há de melhor e mais relevante em sua produção atual. A maioria dos artistas criou novos trabalhos após estudo detalhado do edifício e da


cidade. Em São Paulo há uma interação espacial entre os 56 artistas das "representações nacionais" e os 80 artistas diretamente convidados pela Bienal. Com a participação de 136 artistas, a Bienal de São Paulo é, hoje como ontem, uma das maiores exposições em termos internacionais. Em 2002, a 25 a Bienal recebeu 670.000 visitantes e foi a exposição de arte contemporânea mais visitada no mundo. De novo, uma ampla ação educativa propiciará, de forma sistemática, a toda uma geração de estudantes, o convívio com a arte contemporânea. Entre eles, muitos são oriundos dos subúrbios mais pobres de São Paulo. Para enfatizar a unidade temática da mostra como um todo, os artistas convidados e os artistas enviados pelos diversos países foram mesclados na área de 25.000 m 2 do generosamente dimensionado pavilhão de Oscar Niemeyer. Apesar de toda a complexidade das diversas vozes, cria-se desse modo um concerto coletivo. A Bienal fala, como sempre, muitos idiomas - e, na perspectiva da gramática, em dois números. Fala no plural, pois os países indicaram seus próprios curadores, que apresentam uma enorme diversidade de posições artísticas do mundo inteiro; e fala no singular, pois o curador da Bienal também tem a oportunidade de apresentar a sua visão da arte do mundo. Tradicionais em São Paulo e reservadas a artistas especialmente destacados, as chamadas Salas Especiais foram mantidas. Haverá ainda, em comemoração aos 450 anos de São Paulo, uma sala especial em homenagem a Candido Portinari, cujo centenário se celebra. O Brasil, como de costume, exibe a maior parte dos artistas e, como os demais países, também é representado por um artista no segmento da "representação nacional". Outros 19 brasileiros foram integrados à lista dos 80 artistas convidados de todo o mundo. Cada terço deles coube a São Paulo, ao Rio de Janeiro e ao restante do país. Ao lado de uma intensificação do diálogo Norte-Sul, a Bienal de São Paulo também estabeleceu como objetivo reforçar os nexos entre as culturas não-européias, por meio de um diálogo entre os países do Hemisfério Sul. Ela está predestinada a cumprir esse papel, por operar a partir de uma das maiores e mais pluriculturais cidades do planeta, onde se mesclam elementos europeus, africanos, indígenas e asiáticos em combinações fecundas. O próprio prédio da Bienal, ícone cosmopolita da arquitetura moderna, feito de concreto armado, aço e vidro, e simultaneamente encarnação da herança industrial da cidade, insere cada obra de arte em um contexto de modernidade, oferecendo na sua extensão de quatro campos de futebol os melhores pré-requisitos para a apresentação e recepção de arte contemporânea. Provavelmente ele é um dos mais belos dentre todos os prédios de bienais do mundo, inclusive por causa do seu vão de aérea leveza e da sua rampa de elegância barroca, que corta os três pavimentos em espirais irresistíveis. Por isso na 26" Bienal de São Paulo especial atenção foi dada à distribuição espacial. Levaram-se em conta critérios conceituais, estéticos e técnicos. O ponto de partida de todas as considerações foi a arquitetura do prédio, que sugere um agrupamento espacial de suportes. O espaçoso pavimento térreo, com um pé-direito de mais de sete metros e uma visão geral para o Parque do Ibirapuera, presta-se particularmente bem a um parque de esculturas com obras tridimensionais de grande porte. A primeira metade do segundo andar, em virtude da luz favorável que ali predomina, incidindo do leste e do oeste mas também difusamente de cima e de baixo, oferece as condições ideais para um salão de pintura. A outra metade desse andar médio, mais escura, foi como que criada para um multíplex de videoinstalações, um planetário onde o observador pode afundar no cosmos das imagens digitalmente geradas. Essa divisão facilita não apenas a orientação do público mas também a formação de uma massa crítica em cada grupo de suportes. Surgem, então, no edifício centros de gravitação distintos, com suas respectivas e específicas "temperaturas" estéticas. Crescendos e diminuendos se revezam. A fotografia, que permite relações diretas e indiretas com a pintura, a escultura e o vídeo, acaba formando um elo central entre as três outras técnicas e estende-se como uma corrente ou um fio vermelho pela exposição inteira.

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A BIENAL COMO TERRITÓRIO LIVRE No Brasil não faltaram tentativas de criar territórios livres.

Lembremos apenas a fundação de Brasília e, pouco antes, há meio século, a fundação da Bie-

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nal de São Paulo. Ambas são aliadas naturais, por brotarem do mesmo espírito esclarecido e compartilharem a vocação para o recomeço. Ambas foram concebidas como fonte de imagens novas, pavimentando o caminho do país na direção da modernidade. A Bienal de São Paulo é uma área extraterritorial onde os artistas erigem as suas povoações utópicas. Concebe-se como último diferencial, no qual se acumulam a massa crítica e a energia positiva que permitem o surgimento do pressuposto da transformação da sociedade e a intuição de novas formas do convívio humano. Cada geração de artistas é chamada a fazer novamente o levantamento topográfico dessa terra de ninguém e traçar-lhe os contornos. Somente as artes dispõem de um estoque universal de signos e arquétipos, cujo intercâmbio mobiliza a memória coletiva da humanidade. Se o artista é, portanto, um contrabandista de imagens, a Bienal pode vir a ser um entreposto no reino da estética, onde a curiosidade, casada com o prazer da conquista, basta como documento de identidade; onde os sentidos despertos são aceitos como bilhete de entrada; e onde se comercializam bens preciosos, mas sem cobrança de direitos alfandegários.


QURDRO


Alfons Hug

Território livre

Paulo Bruscky, atelier de Paulo Bruscky [Paulo Bruscky's studio]. Além de sua produção, o artista possui em seu atelier um acervo internacional de arte contemporânea, com cerca de 70.000 itens, incluindo inúmeras obras dos grupos Gutai e Fluxus, com os quais manteve contatos. [Besides his own production, the artist has in his Studio an international collection of contemporary art with approximately 70.000 items including several works by the Group Gutai and Fluxus whom the artist was in contact with].

THE THEME OF THE 26TH BIENAL DE SÃO PAULO WAS CHOSEN TO ENABLE A WIDE range of artistic positions to feel comfortable. The concept of "Território Livre" (Free Territory) involves various dimensions: it has a physical-geographical, a socio-political as well as an aesthetic dimension - the latter, of course, being of greatest interest to us in the context of this exhibition. The territory of aesthetics begins where the normal world ends. It describes the space in which reality and imagination are in conflict with each other. Artists are the border guards of a realm that lies beyond the administered world, where politics and economics have no more jurisdiction over interpretation. While the whole world is constantly arguing about what belongs to whom, art darifies the ownership issue in its own way: in the realm of aesthetics everything belongs to everyone. What interests us in the context of the Bienal is how the devastations of the real world and interpersonal relations are reflected in art. Since works of art are more than bare facts, an artistic condensing of phenomena of reality will always be more ambiguous and more complex than simple reporting. This rule even applies if the artist uses photography and video, i.e., two media regarded as being very dose to reality. Although artists are embedded into conflicts, they do not copy the world, but create free spaces within reality. With the help of metaphors and symbols they transform the earthly raw material into a new condition that can be experienced by the senses. The work of art reveals the other; it is allegory. Art exists outside of causality and must not be imprisoned in the iron casing of mundane constraints. Artists create a power-free zone, a world that runs contrary to the existing world: a land of emptiness, of silence and respite, where the frenzy that surrounds us is brought to a standstill for a momento But it is also a land of enigmas, where the flood of images surging in on us from the breeding grounds of kitsch are encrypted. By breaking through the barriers of the material world, the artist becomes a smuggler Df images between cultures. In all, 55 countries from all continents have accepted our invitation to bring the best and most relevant of their present production to São Paulo. Most artists have created new work after preliminary visits to gain onsite knowledge concerning the building and the city.


There is a spatial interaction between the 56 artists of the "national representations" and the 80 artists invited directly by the Bienal. With a total of 136 artists, the Bienal de São Paulo remains one of the biggest international exhibitions. The 25th Bienal turned out to be the most highly attended exhibition of contemporary art in the world in 2002 with 670,000 visitors. This year there will again be a major, systematic program of guided tours to introduce contemporary art to a whole generation of pupils and students, including many from the poorer suburbs of São Paulo. In order to emphasize the thematic unity of the overall exhibition, the invited artists and those representing the countries are mixed together on the 25,000 square meters of the spacious pavilion designed by Oscar Niemeyer. So, despite the complexity of individual voices, the end result will be a common concerto The Bienal speaks, as always, many languages - and, as far as grammar is concerned, in two numbers. It speaks in the plural, as the participating countries have indicated their own curators, and in the singular, for the Bienal chief curator has the opportunity to present his vision of the world art. The so-called Special Rooms which are traditional in São Paulo, were maintained and highlight some celebrated contemporary artists. There will also be a special room to pay hommage to Candido Portinari, whose 100 years of birth is celebrated together with the 450th annivesary of the city of São Paulo. As always, the biggest contingent of artists comes from Brazil: like all the countries it has one artist in the "national representations" segment, while another 19 Brazilians were integrated into the list of 80 invited artists from all over the world. The regions São Paulo, Rio de Janeiro and the rest of the country are equally represented, each providing one-third of the invited Brazilian artists. In addition to an intensification of the North-South dialogue, the Bienal's aims include the promoting oflinks between non-European cultures along a South-South orientation. It is predestined for this task, being based in one of the largest and most pluricultural cities in the world, where European, African, indigenous and Asian elements mix and enter into productive relationships. The Bienal Building itself - a cosmopolitan icon of modern architecture made of concrete, steel and glass that also embodies the city's industrial heritage - automatically places each work of art into a context of modernity and offers perfect conditions for presenting and appreciating contemporary art over an area measuring the equivalent of four soccer pitches.lts airy vault and its projecting ramp that cuts, baroque-like, through all three floors in irresistible spirals make it a privileged venue. Special attention was therefore devoted to the allocation of space. Conceptual, aesthetic and technical criteria were taken into account. The point of departure was the architecture of the building itself, which suggests a spatial grouping of media. The spacious ground floor, with a ceiling height of over seven meters and panoramic view of Parque do Ibirapuera, is particularly suitable for a sculpture park with large, free-standing threedimensional works. The first half of the second floor offers ideal conditions for a salon of painting, thanks to the favorable light that comes in from the east and west and, diffusely, from above and below. The second, darker half of this middle floor is perfect for a "multiplex" of videoinstallations, a planetarium in which viewers can lose themselves, undisturbed, in the cosmos of digitally generated pictures. This arrangement not only helps the visitors to keep their bearings, but also makes it easier to reach a criticaI mass within each medium. Various gravitational centers with their respective specific aesthetic "temperatures" thus develop in the building. Crescendi and diminuendi alternate abrupt1y. Photography, which allows cross-references to painting, sculpture and video, forms a central connecting link between the other three techniques and runs like a thread through the entire exhibition.

I There has never been a lack of attempts to create free territories in Brazil. We simply have to remind ourselves ofthe founding ofBrasÍ-

THE BIENAL AS AN EXTRATERRITORIAL ZONE

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lia, and before that, a good fifty years ago, of the Bienal de S達o Paulo. Both are natural allies, as they were created by the same enlightened spirit, and share the call to change. Each was conceived as a quarry of new images, and together they have smoothed the country's path towards modernity. The Bienal de S達o Paulo is an extraterritorial zone where artists erect their utopian settlements. It is a sanctuary where the streams of goods run dry and political strategies are to no avail. The Bienal sees itself as a place for retreat where criticaI mass and positive energy can be concentrated and combined to create basic formulas for transforming society and conjuring up premonitions offuture forms ofhuman sociallife. Each generation of artists is called upon to make a new survey ofthis no-man's-land and to draft its contours. The arts are unique in that they possess a universal reservoir of signs and archetypes which, through exchange, mobilize the collective memory of mankind. If the artist is an image smuggler, therefore, the Bienal can act as an emporium in the realm of aesthetics, where curiosity and the desire to discover suffice as a passport, and an alert mind serves as the entrance ticket to a place where priceless goods are traded yet no customs duties are levied.





Ana Gonçalves Magalhães

Os Bastidores da Bienal

páginas anteriores [previous pages] Ivens Machado, produção de [making of] Sem título [Untitled], 2004, instalação [installation], 25x4,5x6m

Rui Chafes & Vera Mantero, produção de [making of] Comer o coração, 2004, escultura em ferro, performance, vídeo [iron sculpture, performance, video], 690x700x400cm

UMA DAS COISAS MAIS MÁGICAS DE UM EVENTO COMO A BIENAL DE SÃO PAULO talvez seja acompanhar seu processo de produção e montagem, etapa inacessível aos seus visitantes, que muitas vezes nem imaginam o que está por trás de todas as paredes erguidas no pavilhão, das obras já bem dispostas, das etiquetas e textos de parede, das luzes bem distribuídas, das salas escuras com projeções que nos fazem entrar num outro mundo ... O visitante também não está habituado a ver o pavilhão vazio. As pessoas que trabalham para que um evento como estes se realize o vêem, a cada dois anos, se moldar, se transformar e ganhar sempre nova forma. Esta metamorfose é orientada a partir do projeto expositivo, para o qual trabalha uma equipe de arquitetos em estreita colaboração com a curadoria, que em seguida conta com um time de montadores especializados para se erguer. Ter um registro do processo de montagem do pavilhão para uma edição da Bienal de São Paulo não só introduz o visitante à intimidade de seus bastidores e faz com que ele se dê conta das necessidades sempre monumentais da mostra, mas também permite que se documente obras, principalmente as ditas site specific, que não foram instaladas em tempo hábil para serem reproduzidas no catálogo geral. Se há um espaço em que os artistas podem pensar em projetos de grande porte e experimentar com coisas novas, este é o de uma bienal. Com seus 25.000 metros quadrados, o pavilhão da Bienal de São Paulo é um dos maiores espaços expositivos do mundo, e só um evento como este reúne os elementos necessários para que um artista possa pensar em um projeto de grandes dimensões. Aquilo que, eventualmente, apareceu para o leitor na forma de um esboço, um croqui, ou apenas uma referência no catálogo geral da Bienal, aqui pode ser acompanhado desde a matéria-prima que entra no pavilhão até ganhar forma definitiva. Há ainda a documentação de obras que, embora existentes previamente à Bienal, e que também são site specific, devem ser adaptadas e remodeladas ao espaço do pavilhão que lhes é concedido. No catálogo geral, estas obras aparecem, às vezes, montadas em outros espaços. Mais ou menos um ano e meio antes da abertura da Bienal, recebemos a visita dos primeiros artistas, que trabalham em projetos site specific, para conhecer o espaço do pavi-


lhão. Ficam sempre boquiabertos com a luz, a rampa sinuosa desenhada por Niemeyer, os arredores do parque - uma espécie de oásis verde no meio do tumulto de São Paulo. Para nós, estas visitas são sempre reveladoras de novos elementos, pequenos detalhes, coisas que passaram despercebidas pelos nossos olhos até aquele momento. Ainda predomina o silêncio: dentro do pavilhão da Bienal, nada se ouve, apenas o rumor distante e indefinido da cidade. Inicia-se o planejamento da montagem propriamente dita. A equipe da produção aumenta; nossa sala começa a se agitar de um entra-e-sai de pessoas. Nossas atividades se ampliam para o pavilhão. Lotes e mais lotes de madeira entram no edifício para a construção das paredes. Ouvimos, ao longo do dia, o barulho das empilhadeiras distribuindo as placas de aglomerado pelos andares do pavilhão. Depois vem o som das serras elétricas cortando a madeira. O pavilhão ganha um cheiro próprio: primeiro da serragem, depois da tinta, eventualmente de verniz. O ar se modifica. Há momentos em que, por causa do processo de polimento das paredes (para preparação da aplicação de tinta), vê-se contra a luz que atravessa os brise-soleil do pavilhão no final da tarde um turbilhão de pó dourado, muito fino, que sobe da madeira. Agora, ele não está mais em repouso: em seu interior agita-se o ar, circulam centenas de pessoas, ele se preenche de cores e materiais os mais diversos. Esta pulsação chega ao seu ápice na abertura da Bienal, e mesmo depois dela, ao longo dos meses de exposição, o edifício inteiro permanece em constante reverberação. Aí, é o ruído dos projetores em funcionamento, dos visitantes dentro do pavilhão, da fala distante dos monitores acompanhando grupos de estudantes. Uma vez a exposição encerrada, tem início a desmontagem. De novo, centenas de pessoas trabalham no pavilhão retirando obras, equipamentos, desmontando paredes. O trabalho começa já na madrugada que se segue ao encerramento da Bienal. São pelo menos duas semanas de atividades - período menor que o de montagem da exposição. Terminada esta fase, o pavilhão mergulha mais uma vez em seu silêncio.

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Thiago Bortolozzo, produção de [making of] Vital Brasil, 2004, estrutura de madeira [wooden structure], dimensão variável [dimensions variable]




Ana Gonçalves Magalhães

Bienal/s Backstage

Jennifer Tee, produção de [making of] [Feasting on thej E*V*O*L E*Y*E

- LAND *$* - END an Outburst of Passion in Limbo, 2004, técnica mista [mixed media], dimensões variáveis [dimensions variable], cortesia [courtesy] Fons Welters Gallery, Amsterdam Mondrian Foudation & Banco Real ABN AMRO

ONE OF THE MOST MAGICAL THINGS ABOUT AN EVENT SUCH AS THE BIENAL DE São Paulo is having the chance to follow its process of production and setting up, a stage which is not accessible to visitors, who often cannot possibly realize what is behind all the built-up walls in the pavilion, the well displayed works, the labels and wall texts, the lights well arranged, the dark rooms with projections that take us to another world ... The visitor is not used to seeing the empty pavilion either. Every two years, people who work hard for this event to happen watch it shape itself, transform itself, and acquire new formo This metamorphosis is always guided by the exhibition design project, for which a team of architects work in dose collaboration with the curatorship, which subsequent1y counts on a group of highly qualified art handlers to build it. To record the process of setting up the pavilion for an edition of the Bienal de São Paulo not only introduces the visitor to the intimacy of its backstage and makes him/her realize the monumental demands of the show, but also allows the works to be documented, mainlythe site specific ones, which could not be finished in time to be presented in the general catalogue. The Bienal is the right place for an artist to think about a huge project and to experiment with new things. With its 25,000 square meters, the Bienal de São Paulo pavilion is one of the largest exhibition venues in the world, and only an event of this magnitude can gather the necessary elements so that an artist can conceive a great-dimension project. What appeared as a sketch or a reference to the reader in the Bienal catalogue, here can be seen in its shaping, from the raw material to the final touch. There is also the record ofworks that, though previously existent and site specific as well, have to be adapted and reshaped in the pavilion area. In the general catalogue, these works appear sometimes displayed in different places. About one year and a half before the opening of the Bienal, the first artists pay us a visit - artists who work with site specific projects -, so that they can get acquainted with the pavilion area. They are always enraptured by the light and the sinuous ramp designed by Oscar Niemeyer and the park surrounding the pavilion: a kind of green oasis in the midst of the hubbub of São Paulo. For us, these visits always reveal new elements, small details, things that had gone unnoticed by our eyes up until that very momento Silence still pre-


dominates: inside the Bienal pavilion nothing can be heard, only the distant and indefinite rumor of the city. The setting up schedule begins. The production team gets larger; soon our room starts to bustle with people coming and going. Our activities reach the pavilion. Large batches of wood enter the building for the walIs to be erected. During the day, we hear the noise of the forklifts distributing the sheets of plywood along the pavilion stories. Then comes the sound of the power saws cutting the wood. The pavilion acquires a smelI alI its own: first, the smelI of sawdust, then, paint, occasionalIy, lacquer. The air changes. There are moments when, on account of the polishing of the walIs (to be painted), one can see, against the light that comes through the brise-soleil at sunset, a whirl ofverythin golden dust that rises from the wood. Now, the pavilion is restless: in its interior the air is agitated, hundreds of people get around, it is filIed with the most diverse colors and materiaIs. This beating reaches its peak at the Bienal opening, and even afterwards, during the exhibition months, the entire building is in constant reverberation: the rumor of the projectors at work, the visitors in si de the pavilion, the distant talk of the guides accompanying groups of students. Once the exhibition is over, the dismantling process begins. Again, hundreds of people work in the pavilion taking the art pieces and the equipment away, bringing the walIs down. This starts at dawn, just after the exhibition is closed down to the publico Then at least two weeks of activities ensue, a period shorter than that of the setting up. As this process ends, the pavilion plunges into silence once again.

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Mike Nelson, instalação [installation], 2004, madeira, gesso e portas de vidro

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registro de montagem [setting up record]


Thiago BORTOLOZZO

I Brasil

Produção de [making of] Vital Brasil, 2004, estrutura de madeira [wooden structureJ, dimensão variável [dimensions variable]

42 43





Paulo BRUSCKY

I Brasil

Produção da réplica do atelier de Paulo Bruscky [Making of the replica of Paulo Bruscky's studioJ

46 47





CAI GUO QIANG

I China

50

51

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Produção de [making of] Uneasy Bird, 2004, escultura em cipó, vime, bambu, material perfuro-cortante e luminárias [sculpture in vime and sharp objects], 300 )(600 x 900 cm



Rui CHAFES & Vera MANTERO

I Portugal

52 53

Produção de [making of] Comer o coração, 2004, escultura em ferro, performance, vídeo [iron sculpture, performance, videoJ, 690x700x400cm





Paulo CLlMACHAUSKA

I Brasil

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Produção de.[making of] Palácio, 2004, desenho com caneta permante [drawing with permanent ink], 2800x500cm


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Ivens MACHADO

I Brasil

Produção de [making of] Sem título [UntitledJ, 2004, instalação [installationJ, 25 x 4,5 x 6 m

60

61





Lars MATHISEN

I Dinamarca [Denmark]

64

65

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·1

Produção de [making of] Cat, Microwave, Tinfoi/, 2004, instalação [installationJ, [seeond floor]l

0

780 x 600 em (térreo [groud floor])

0

780 x 495 em (segundo andar



Mike NELSON

I Grã-Bretanha [Great-Britain]

Produção de instalação [making of installationJ, 2004, madeira, gesso e portas de vidro [wood, plaster and glass doorsl

66

67





Jennifer TEE

I Países Baixos [The Netherlands]

70

71

Produção de [making of] [Feasting on the] E*V*O*L E*Y*E - LAND *5* -END an Outburst of Passion in Limbo, 2004, técnica mista [mixed media], dimensões variáveis [dimensions variable], cortesia [courtesy] Fons Welters Gallery, Amsterdam Mondrian Foudation & Banco Real ABN AMRO



Piotr UKLANSKI I Polônia [Poland]

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73

(,

Produção de [making of] Sem título [Untitled] (Black and white Pope. Karol Wojtytal, 2004, Impressão a jato de tinta sobre papel [Ink-jet print on paper, dimensões variáveis [dimensions variable], cortesia [courtesy]lnstitute of Art Promotion Foundation, Warsaw. Prokom Software SA, Gdynia, The Ministry of Culture of the Republic of Poland, Warsaw. Galerie Emmanuel Perrotin, Paris



Pablo VARGAS-LUGO

I México

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75

Produção de [making of] Visión Antiderrapante, 2002, concreto, gesso, plantas [concrete, gypsum and plants], dimensões variáveis [dimensions variable], cortes·ia [courtesy] La Colección Jumex, México




parceiros [partners]


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GOVERNO FEDERAL.

27.08

I 15h14

~ ~ BANCO DO BRASIL

79



80

B R A

S I

L

Bolsa de Mercadorias & Futuros

27.08

I 16h16

81



82 83

SOVESPA Bolsa de Valores de S達o Paulo

27.08

I

18h21



84

BrasilConnects Cultura & Ecologia

02.09

I 16h11

85



86 87

FAAP

01.09

I 16h17



88

giroRex

08.09

I 14h40

89



90

11.09

I 14h45

91



92

1Good Food, Good

03.09

I 16h34

93



94

PETROBRAS

03.09

I 17h42

95



96

o papel oficial da Bienal

01.09

I 16h37

97



98 99

V Votorantim

1

I I

27.08

I 17h27

~



100

CEBRAC-E

02.09

I 18h08

101



102

Áustria

Bélgica [Belgium]

Argentina

Austrália

Ministério das Relações

Artspace, Austrália

Serviço Cultural da

Exteriores da Argentina

The MSW Ministry of the Arts,

Comunidade Francesa da

[Ministry of Foreign Affairs,

Austrália

Bélgica [Cult ural Service of the French Community in

Argentina] Consulado Geral da Argentina

Belgium]

em São Paulo [General

Consulado Geral da Bélgica

Consulate of Argentina, São

Australian Governrnent

[Belgium General ConsulateJ, São Paulo

Paulo]

Bulgária

Canadá

União dos Artistas da Bulgária

Art Gallery Hamilton

Ministério das Relações

[Union of Bulgarian Artists]

Departamento de Relações

Exteriores, Chile [Ministry of

Chile

China

Exteriores e Comércio

Foreign Affairs, Chile]

Internacional e o Conselho

Consulado Geral do Chile em

Canadense de Artes

São Paulo [General Consulate

[Department of Foreign Affairs

of Chile in São Paulo]

CHINA IN TERNATIONAL EXHIBITION AGENCY

Croácia [Croatia]

Cuba

Dinamarca [Denmark] The National Workshops for

and International Trade and the Canada Council for the Arts]

Cingapura [Singapore]

~-"a NATIONALARTS COUNCll SINGAPORE

SI NGAPORE ART M USEUM a Narional l\·lusclun

08.09

103

I 16h35

Ministério da Cultura da

Centro Wifredo Lam, Havana

Croácia [Ministry of Culture,

Conselho Nacional de Artes

Arts and Crafts, Copenhagen

Croatia]

Plásticas, Cuba [Arts National

The Danish Film Institute

Council, Cuba]

Workshop, Copenhagen

"



104

Estados Unidos [United States]

Emirados Árabes Unidos

Equador [Ecuador]

Espanha [Spain]

Bienal de Pintura de Cuenca

Direção Geral de Relações

105 ·

[United Arab Emirates] Departamento de Cultura e

Culturais e Científicas -

The Fund for U.S. Artists at

Informação dos Emirados

International Festivais and

Árabes [Department of

Ministério das Relações

Exhibitions

Culture and Information,

Exteriores, Espanha [General

United Arab Emirates]

Office for Cultural and Scientific Exchange -

Ministry

of Foreign Affairs, Spain] Embaixada da Espanha, Brasil [Spanish Embassy, Brazil]

Finlândia [Finland]

França [France]

Grã-Bretanha

Grécia [Greece]

[Great Britain]

FRAIV'E Finnish Fund for Art Exchange

Association Française

Minist ério Helênico da Cultura

d'Action Artistique Ministere

[Hellenic Ministry of Culture]

des Affaires Étrangeres

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7 11 ::1···8 7

ee BRITISH ee COUNCIL

Di retório Geral de Cultura Moderna [Gene ral Directorate of Modern Culture] Diretório de Artes Visuais [Directorate of Visual Arts]

Liberté • Égalité • Frate rniti

RÉPUBLIQUE FRANÇAISE

Consulado Geral da França em São Paulo

Irlanda [lreland]

Israel Ministério da Cultura, Israel

~arts council !?5chomhairle ealaíon

08.09

I 16h38

[Ministry of Culture, Israel]

Japão [Japan]

JAPANFOUNDATlON~

Letônia [Latvia] Ministério da Cultura, Letônia [Ministry of Culture, Latvia]



106

Noruega [Norway]

Lituânia [Lithuania]

México

Centro de Art

INBA -

Contemporânea, Vilna

Belas Artes, México [National

Nova Zelândia [New Zealand]

Instituto Nacional de

[Contemporary Art Centre,

Institute of Fine Arts, Mexico]

Vilnius]

Embaixada do México no

Consulado da Lituânia em São

Brasil [Mexico Embassy in

Paulo [Lithuania Consulate in

Brazil]

São Paulo]

Consulado do Méx ico em São

OFFICE FOR CONTEMPORARY ART NORWAY ARTS COUNCIL OF NEW ZEAlAND TOl AOTEAR.OA

Paulo [México Consulate in São Paulo]

Países Baixos [The Netherlands]

Polônia [Poland]

República Eslovaca [Slovak Republic]

Portugal

Ministério da Cultura da Ministério da Cultura da

Polônia [Poland Minist ry of

República Eslovaca [Ministry

Culture] MINIS TÉRIO DA CULTURA

of Culture of the Slovak Republic] Galeria Nacional Eslovaca

Mondriaan Sticht i ng (Mondriaan Foundation)

B

Fundacja Instytut Promocji Sztuki

Instituto das Artes

Suíça [Switzerland]

Ucrânia [Ukraine]

Venezuela

Departamento Federal de

Centro de Arte

CONAC -

Cultura, Suíça [Federal Office

Contemporânea, Kiev [Centre

de Cultura, Venezuela

of Culture]

for Contemporary Art, Kiev]

[Venezuela National Cultural

Consulado Geral da Suíça, São Pa ulo [General Consulate of Switzerland, São Paulo]

01.09

I 16h22

107

Council]

Conselho Nacional

[Slovak National Gallery]



Alemanha [Germany]

108

Auswartiges Amt

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I

Institut für Auslandsbeziehungen e. V.

KUNSTSTI FTUNG

G

= NRW

GOETHE-INSTITUT

Para programação paralela à 26 a . Bienal de São Paulo, veja-se site [for the parallel events of the 26 th Bienal de São Paulo, see] : www.goethe.de/saopaulo 02.09

I 15h36

109



Diretor Administrativo e Financeiro [Executive Director and Financiai Manager] Gerência Geral [General Management]

Informática [Technology Department]

Gerência de Exposições [Exhibition Management]

110

Flávio Bartalotti Maria Rita Marinho Lúcia Aparecida Rizzardi Marize de Almeida Nóbrega Martins Bruna Nogueira de Azevedo Lisânia Praxedes dos Santos Josefa Gomes José Lindomar Cabral José Leite da Silva Maria da Glória Araújo Anderson de Andrade Valdemiro Rodrigues da Silva Jacopo Crivelli Visconti Ana Elisa de Carvalho Silva Ana Gonçalves Magalhães Liliane Fratto Calazans Salim Melina Cardoso Valente Mônica Shiroma de Carvalho Rinaldo Quinaglia Vânia Mamede C. Shiroma

Gerência de Controle e Contabilidade [Auditing and Accounting Management]

Gerência Financeira [Financiai Management]

Gerência de Recursos Humanos [Human Resources Management]

Arquivo Histórico [Historical Archive] Wanda Svevo

Maurício Marques Netto Amarildo Firmino Gomes Emerson Pinheiro Brito Souza Kátia Marli Silveira Adriana Cristina de Lima Pereira Thiago Macedo Leonardo Marinho Adriano Righetto

Mário Rodrigues da Silva Cleise Pereira Araújo Valdemiro Rodrigues da Silva Tabajara de Souza Macieira Vinícius Robson da Silva Araújo Hildimar Francisco José Pereira Costa Iraildo Brito Silva Grimário Lira da Silva Tiago dos Santos Sebastião Bezerra de Souza Dalton Delfini Maziero Juliana Nascimento da Silva

Banco de Dados [Data Bank]

Jorge Lody

111


Curador [Curator] Assistentes de Curadoria [Assistants to the Curator]

Alfons Hug Ana Gonçalves Magalhães Jacopo Crivelli Visconti Melina Cardoso Valente

Produção [Production] Coordenação de Produção [Production Coordination] Produtores [Producers]

Jacopo Crivelli Visconti Ana Elisa de Carvalho Silva Bartolomeo Gelpi Camila Henman Belchior Liliane Fratto Calazans Salim Melina Cardoso Valente Mônica Shiroma de Carvalho Osmar dos Santos Rinaldo Ouinaglia Vânia Mamede C. Shiroma Luiza Valle (estagiária [trainee])

Coordenação de Projetos Especiais [Special Projects Coordination] Ciclo de debates e palestras [Debate Panels and Conferences] Projeto Museográfico [Exhibition Design] Arquiteto [Architect] Assistentes [Assistants]

Letícia Pires

Iris Kaufmann

Isay Weinfeld Adriana Aun Pablo Alvarenga Domingos Pascale

Comunicação Visual [Communication Layout] Projeto Luminotécnico [Light Design]

Bookmark Branding Datore Luci Carmine d'Amore

Assistentes [Assistants]

Márcio Barbosa Flávia Angélica Gonçalves Teima Harumi Aragaki

Coordenação de Montagem [Art handlers Coordination] Transporte [Transportation] Assessoria de Imprensa [Press Office] Assessor de Imprensa [Press Manager] Assistentes [Assistants]

Nonai Gil Metropolitan

Antonio Gaspar Filho Gleise Fortes Santa Clara Bruna Nogueira de Azevedo lIana Tzirulnik

Monitoria [Guided Tours] Assessoria Jurídica [General Counsel] Publicidade [Publicity]

FAAP AzevedoCesnikOuintino & Salinas Advogados Voung & Rubicam


112

Editor Editora Assistente [Editorial Assistant] Coordenação de Produção [Coordination of production] Tradução [Translation]

Alfons Hug Ana Gonçalves Magalhães Ana Elisa de Carvalho Silva Robert Culverhouse [alemão>inglês] Luiz Repa [alemão>português]

Revisão [Revision]

John Norman [inglês] Rosalina Gouveia [português]

Proofreading Projeto Gráfico [Graphic Design]

Regina Stocklen Rodrigo Cervino Lopez Cássia Buitoni Tatiana Machado

Fotografia [Photography]

Murillo Medina

Pré-impressão [Pre-print]

Retrato Falado

Impressão [Print] Papel [Paper] Capa [Cover] Miolo [Body] Produzidos pela [Produced by]

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SI A Celulose e Papel em harmonia com o

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Endereço [Address]

Fundação Bienal de São Paulo Parque do Ibirapuera, Portão 3 04094-000, São Paulo, Brasil T (5511) 55745922 F (5511) 5549 0230 bienalsp@bienalsaopaulo.org.br www.bienalsaopaulo.org.br

PB


ISBN 85-85298-23-5

9788585298234