Page 1

FACULDADE INDEPENDENTE DO NORDESTE - FAINOR

SAADIA SOARES PASSOS OLIVEIRA

A DEFICIÊNCIA DO MERCADO DE MODA PARA PORTADORES DE NANISMO

VITÓRIA DA CONQUISTA- BA 2017


SAADIA SOARES PASSOS OLIVEIRA

A DEFICIÊNCIA DO MERCADO DE MODA PARA PORTADORES DE NANISMO

Trabalho de conclusão de curso apresentado como requisito parcial para a obtenção do grau de tecnólogo em Design de Moda da Faculdade Independente do Nordeste da Vitória da Conquista- BA.

Orientador (a): Prof. Laís Vinhático

VITÓRIA DA CONQUISTA- BA 2017


2


3

FOLHA DE APROVAÇÃO

SAADIA SOARES OLIVEIRA

DEFICIENCIA DO MERCADO DE MODA PARA PORTADORES DE NANISMO Trabalho de Conclusão de Curso Superior de Design de Moda apresentado a Faculdade Independente do Nordeste – FAINOR, como requisito parcial para obtenção do título de Tecnóloga. Aprovado em ___/___/___

BANCA EXAMINADORA ______________________________________________________ Prof. Laís vinhático Orientador

______________________________________________________ Prof. Adriana Lopes 2° Membro

______________________________________________________ Prof. Sandra Melo 3° Membro


4

Sumário RESUMO................................................................................................................. 4 INTRODUÇÃO.......................................................................................................... 5 1.0 NANISMO........................................................................................................... 8 1.1 O conceito de nanismo...................................................................................... 8 1.2 Vivências subjetivas dos indivíduos com acondroplasia........................................10 2 O SENTIDO DA MODA......................................................................................... 13 2.1 A moda como fator de inclusão social................................................................18 2.2 Uma análise sobre a situação do mercado contemporâneo de moda para os portadores de acondroplasia.................................................................................. 20 3 ERGONOMIA....................................................................................................... 22 3.1 Conceito de ergonomia da moda.......................................................................22 3.2 Ergonomia da moda para sujeitos com acondroplasia..........................................25 CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................................... 30 REFERÊNCIAS....................................................................................................... 32


5

RESUMO

Em meio a uma sociedade plural, vários são os desafios para desenvolver um ambiente social marcado pela aceitação de todos os tipos de diferenças. Os indivíduos com nanismo, isto é, pessoas cuja estrutura corporal é relativamente menor do que as demais pessoas consideradas “normais”, fazem parte de uma parcela dessa sociedade bastante estigmatizada. Em razão dessas diferenças corporais, eles encontram várias dificuldades cotidianas, uma delas é referente a encontrar roupas que são adequadas ao seu corpo. Visto isso, a escolha deste tema de pesquisa é devido ao interesse em compreender melhor as variáveis que permeiam a moda para os indivíduos com acondroplasia. Com esse estudo, foi possível analisar que os acondroplásicos vivenciam no seu cotidiano dificuldades em encontrar roupas ergonômicas que se adaptam ao seu corpo e as suas preferências individuais. A moda tem um valor simbólico no sentido de que encontrar vestimentas adequadas produzem um sentimento de pertencimento a sociedade. A partir desse trabalho, conclui-se que a moda é uma forma de disseminar uma cultura com menos preconceitos e ela pode sim contribuir para a inclusão social. Palavras chave: moda; indivíduos com acondroplasia; adaptação; subjetividade; inclusão social.


6

INTRODUÇÃO

Homem,

mulher, branco,

negro,

índio, baixo,

alto, gordo,

magro...

Diversidades! Uma multiplicidade, de formas, cores e tamanhos que compõem os corpos que transitam pelas ruas, praças, mercados... pela vida! Constituem uma sociedade movimentada pela heterogeneidade, pelo plural, pelas diferenças, as quais são expressas por características físicas, sociais, econômicas e psíquicas. Contudo, mesmo em meio a tantas singularidades, a vida ainda é movimentada pelos padrões ditos “normais”. Aprendemos, já nos primeiros anos da infância, que mulheres devem ser altas, magras, maquiadas, com cabelos lisos e sedosos, ao passo que os homens devem ser altos, forte, musculosos. São padrões essencializados por uma sociedade normalizadora, que promovem a exclusão e a descriminação daqueles que não se adaptam nestes moldes. A exclusão de um grupo em razão de suas características genéticas é recorrente em nosso meio, porém esse fenômeno agregar ainda mais potência, quando observamos as pessoas com deficiências físicas. A sociedade, como um todo, não é pensada para essas pessoas, podemos vislumbrar um panorama desta triste realidade em coisas do cotidiano, como ruas sem calçadas, ausência de banheiros públicos para pessoas com necessidades especiais, nos ônibus, metros, nos prédios sem rampas e elevadores, nas lojas de roupas e calçados. Pequenas coisas, que aos nossos olhos parecem simplórias, mas que fazem a diferença na vida de um portador de necessidades especiais. Por isso, propiciar mecanismos que promovam a inclusão de todos é de extrema importância. Uma forma para se pensar nestas possibilidades é a criação de ambientes acessíveis a todos. Um ambiente adaptativo promove a autonomia e a inclusão dos indivíduos com alguma deficiência física, de forma que estes passam a sentir-se parte da sociedade, afastando os sentimentos de exclusão que tanto reverbera no cotidiano desse grupo. A acessibilidade nos contextos é a condição para a democratização dos espaços e a garantia dos direitos fundamentais das pessoas, preservando a autonomia de cada indivíduo. Um ambiente pode então influenciar no exercício de


7

cidadania, criando uma sociedade mais consciente diante das diferenças entre as pessoas, sejam elas portadoras de alguma necessidade especial ou não (TAVARES, CARDOSO, SANTOS, SAMPAIO, 2016). Nesse sentido, vários são os desafios para desenvolver um ambiente social marcado pela aceitação de todos os tipos de diferenças que marcam cada corpo. Com isso, é importante analisar como estão sendo incluídas as pessoas vistas como diferentes nos mais diversos contextos sociais. Pensando nessas questões, este trabalho enfocará uma parcela da população bastante estigmatizada, que são os indivíduos com nanismo. Trata-se de uma doença na qual os portadores possuem o tamanho do seu corpo bem menor que o tamanho socialmente considerado como normal. Atualmente existem dois tipos de nanismo, sendo um conhecido como Nanismo Proporcional1 e o outro acondroplasia. Esta tem como característica primordial, a estatura baixa, cujos braços e pernas possuem cumprimento pequeno, configurando uma desproporcionalidade em ralação a cabeça e o tronco do corpo. A acondroplasia é a manifestação mais comum e numerosa de nanismo (CAMARGO; VALENTE, 2011). Em razão desta anomalia, estes indivíduos acabam por encontrar várias adversidades cotidianas, dentre as quais destacamos nesta pesquisa as inúmeras dificuldades em encontrar roupas adequadas a sua estatura corporal. A roupa adquire um valor simbólico, já que é através dela que as pessoas revelam seus desejos e sentimentos e para que isso aconteça, estas devem estar adaptadas para as necessidades dos indivíduos de todas as características. Com isso, ela adquire um papel fundamental para a inclusão dos portadores de acondroplasia (KÖRBES, LASCHUK, COSTA, 2015). Contudo não podemos pensar a roupa como um elemento dissociado da moda já que não é apenas da vestimenta em si e da estética que está se falando, mas sim, todo um contexto de pertencimento social e de inclusões implícitas. 1 Este tipo de nanismo não é considerado o “nanismo verdadeiro”, pois não é de causa genética. Sua

causa é uma disfunção na glândula pituitária que causa insuficiência na produção de hormônio do crescimento. Essa insuficiência pode ter causa na inexistência, trauma ou tumor na glândula pituitária. Este tipo de nanismo também pode estar associado à deficiência de outros hormônios


8

Diante dessas problemáticas que atravessam a vida dos indivíduos com acondroplasia é que nos questionamos como a indústria da moda tem se comportado

frente

às

necessidades

reais

e

latentes

das

pessoas

com

acondroplasia? Existe um mercado que se preocupa com esse grupo? Quais as saídas encontradas por esses indivíduos quando não há a seu alcance lojas específicas para o seu tipo corporal? Isto posto, o presente trabalho tem como objetivo investigar a real situação do mercado contemporâneo de moda para os portadores de acondroplasia. A escolha deste tema de pesquisa está enraizada no desejo de conhecer as variáveis que permeiam a moda para os indivíduos com acondroplasia em suas mais diferentes peculiaridades. Socialmente, essa pesquisa se justifica pelo fato de que se precisa pensar sobre como a indústria da moda pode contribuir para uma melhor inclusão social desses indivíduos, já que cada contexto pode trazer contribuições importantes em termos de inclusão.


9

1.0 NANISMO

1.1 O conceito de nanismo

Camargo e Valente (2011) abordam que o nanismo é o conceito científico para as pessoas cotidianamente conhecidas como “anãs”. Essa condição física que afeta o tamanho da estrutura corporal do indivíduo. De um modo geral os homens alcançam a altura máxima de 1,50 m e as mulheres 1,45m, sendo que, muitas vezes, são casos únicos na família. Em relação ao número de indivíduos com essa condição no Brasil, a estimativa é em torno de 190 mil pessoas. Gonzalez e Marcondes (1982) diferenciam duas categorias de nanismo: proporcional e acondroplasia. Os indivíduos que possuem nanismo proporcional possuem o tamanho dos órgãos e membros inferiores ao do padrão da população. Todavia estas dimensões possuem uma proporcionalidade, como podemos verificar na figura I. 2

Figura I: Nanismo proporcional

2Fonte: http://revistadesafios.blogspot.com.br/2009/07/nanismo.html.


10

Já o nanismo do tipo acondroplasia possui características inversas a do proporcional, isto porque os órgãos e os membros possuem uma estrutura corpórea relativamente maior em comparação com a cabeça e o tronco, corroborando assim com uma desproporcionalidade, como pode ser vislumbrado na figura 2. Figura II: Nanismo acondroplasia 3

3 Fonte: http://hypescience.com/tipos-de-nanismo.


11

. A forma de nanismo mais comum é a acondroplasia, onde os sujeitos possuem a estatura desproporcional. No que concerne a esse tipo de doença, Lima et al (2008) explica que:

Os acometidos pela acondroplasia eram admirados e até venerados como divindades no Egito Antigo, diferentemente do que ocorria no Império Romano, no qual os acondroplásicos eram treinados para lutar como gladiadores ou para divertirem as cortes. Em 1878 o termo acondroplasia foi induzido por Parrot, que até então acreditava que os afetados por esta doença não possuíam cartilagem de crescimento. Posteriormente, em 1892 Kaufmann denominou o termo acondroplasia fetal a partir de achados anatomopatológicos de um feto, porém, por englobar outros tipos de displasias cartilaginosas congênitas, hoje, existe um consenso no emprego do termo acondroplasia para designar a doença. (LIMA, et al, 2008, p. 75).

Em termos biológicos, A acondroplasia é causada por mutações genéticas, tendo um distúrbio autossômico dominante. As características mais comuns são: a baixa estatura e pernas e braços encurtados e desproporcionais ao tamanho da cabeça e ao comprimento do tronco, contudo, alguns de seus órgãos possuem tamanho maior em relação a sua altura e, ao contrário do que alguns pensam, essa condição não apresenta prejuízo no desenvolvimento mental. Cerca de 80 a 90% dos casos são representados por novas mutações e, dessa forma, na maioria dos casos os pais de filhos acondroplásicos não apresentam essa mutação gênica. (LIMA et al, 2008).

1.2 Vivências subjetivas dos indivíduos com acondroplasia

Um corpo estranho, isto é, que difere estruturalmente do considerado normal é tomado e julgado pela sociedade, a qual conclui que, devido a estética, estes apresentam desvantagens frente à performance exigida no cotidiano. Com isso, a sociedade cria categorias para os indivíduos que apresentam uma estrutura corporal diferenciada dos modelos postos e sedimentados como normal. Nesse sentido, os excluídos constituem-se como uma falha no tecido social entre indivíduo e sociedade, arrastando-os para fora da esfera cultural. A exclusão social firma-se de modo visível, mas também de modo dissimulado (TOMÉ, 2014).


12

A inserção social torna-se um processo vivenciado através de muito sofrimento, pois todos os sujeitos possuem o desejo, ainda que velado, de pertencer a um grupo social, historicamente aceito como normal. A invisibilidade real faz com que os indivíduos com nanismo apresentem sintomas de exclusão, em razão do sentimento irreparável de inutilidade para a sua família, amigos, professores e sociedade em geral. Brogin (2015) elucida que é preciso angariar esforços para oportunizar equidade de direitos e possibilidades para todos, independentemente do seu corpo, ou da sua raça, ou dos fatores sociais que o atravessam. A inclusão e a inserção social do coletivo em um mesmo patamar de igualdade podem proporcionar condições para diminuir essas desigualdades. No entanto, não é isso que se destacam na sociedade em razão da falta de acessibilidade as pessoas com alguma deficiência física. Com isso, eles enfrentam diversos problemas. Visto que as vivências de pessoas com nanismo são marcadas por diversas dificuldades diárias, faz-se necessário fomentar cada vez mais discussões sobre a temática, haja vista que essas situações influenciam diretamente na forma subjetiva em que eles percebem a si mesmo. Em uma época em que é aclamado o direito à igualdade, mesmo com uma produção legislativa anti-discriminatória e de políticas públicas que regulamentem a garantia de direitos para portadores de necessidades especiais, percebe-se que ainda são irrisórias as ações governamentais para inclusão deste grupo, pelo contrário, estes povos ainda permanecem no esquecimento, no plano da invisibilidade. Os valores de igualdade estão perdidos, dissolvidos em um falso discurso idealista de inclusão, o qual existe apenas no campo das intenções, porque na prática se reverbera a exclusão, nas pequenas ações, atitudes, que partem tanto de um coletivo, quanto de um particular, como, por exemplo, desenvolver ambientes mais adaptativos no cotidiano e de inclusive produzir roupas que se adaptam ao seu porte físico (TOMÉ, 2014).


13

O preconceito, ainda que velado, representa a maior de todas as adversidades a serem superadas pelos indivíduos acondroplásico. (...) Assim, ao contrário do que a maioria imagina, os principais problemas que assolam um portador de acondroplasia não estão ligados às complicações relativas à saúde e às dificuldades relacionadas à altura. Na realidade, as principais dificuldades enfrentadas por ele estão relacionadas ao preconceito sofrido; a não aceitação de sua aparência, por parte da sociedade; à falta de oportunidade de inserção social e à falta de seriedade com a qual são tratados. Pois, se não fosse assim, seria muito mais fácil encontrar um portador de nanismo exercendo uma profissão considerada de prestígio pela sociedade, a exemplo da advocacia e da medicina. Em geral, não é isso que acontece. Infelizmente a eles não é dada a mesma oportunidade que a proporcionada aos indivíduos não acondroplásicos: a oportunidade de seguir sem menosprezo, piadas, constrangimento; de estudar e trabalhar normalmente sem ser avaliado somente pela aparência; sem sofrer pré- julgamentos (CAMARGO E VALENTE, p. 3, 2011).

Percebe-se que as vivencias subjetivas dos sujeitos com acondroplasia refletem em uma sociedade que ainda nega a diferença, estigmatizando-a. Tal comportamento provoca no outro, no diferente, sentimentos negativos de inferioridade perante os demais, inseridos no discurso como normais. Essas exclusões adentram os postos de trabalho, pois ainda que cientificamente seja comprovado que os não indivíduos com acondroplasia estão capacitados para o desenvolvimento de atividades de cunho mental, as portas das empresas ainda estão fechadas para esse público em especial. A aparência física provoca nos acondroplasicos a sensação de menosprezo e isso surge porque o seu corpo é visto como estranho, fora do padrão. Os indivíduos com acondroplasia precisam lidar com a não aceitação diária dos outros e isso faz, na maior parte dos casos, com que os mesmos também se sintam mal com a sua constituição corpórea. Então, o principal problema encontrado pelos acondroplásicos, ao contrário do que muitos pensam, não está associado as suas condições físicas, mas sim, sobre as percepções do preconceito social. Trata-se de indivíduos, com o estado mental em perfeitas condições para exercer atividades de raciocínio, ou até mesmo de criação, de fabulação, de lida com o público. A partir disso, é que destacamos que são necessárias mais ações interdisciplinares que valorizem independência do portador de acondroplasia.


14

Portanto, informações a respeito da doença precisam ser mais difundidas (LIMA et al 2008). Tomé (2014) explica que essa situação de exclusão no trabalho é um tema bastante delicado, mas pouco discutido. Em uma sociedade em que o corpomáquina assume um papel fundamental no mercado de trabalho, o qual está cada vez mais competitivo, as pessoas com acondroplasia enfrentam muitas barreiras no que concerne a sua inserção, são pessoas desfavorecidas, mesmo aquela minoria que alcançou um cargo em uma empresa, enfrenta o preconceito manifestado na disparidade de salários, geralmente inferior ao do colega com a mesma função e responsabilidade. O estigma influência de forma negativa a (re)inserção e isso contribui para isolamento social, afastando-os muitas vezes até das organizações de trabalho. Além de um mercado de trabalho competitivo, em que cada vez mais se necessita de desenvolvimento profissional, os portadores de acondroplasia se deparam um obstáculo adicional, pois, além de ter que se tornarem profissionais que atendam as necessidades do mercado, eles encontram na sua deficiência uma dificuldade a mais para serem contratados. Com todas essas vivências subjetivas marcadas por preconceito perante o seu corpo diferente, surge a reflexão: qual é o espaço que o indivíduo com acondroplasia têm na sociedade? O estigma que o rodeia, faz com que se torne difícil ocupar um local na esfera social sem nenhuma complicação ou alguma vivencia negativa devido a sua aparência. Lima et al (2008) destaca que, diante dessa situação, muitos acondroplásicos poderão apresentar ao longo de sua vida distúrbios psicológicos, muitas vezes ligados ao seu sentimento de inferioridade. No entanto, existem vários sujeitos que conseguem aceitar sua condição, tornado-se pessoas felizes, e isso está intimamente relacionado com uma dinâmica familiar que contribuiu para a sua autoestima. Isto nos revela o quão à família é fundamental, pois o indivíduo com acondroplasia que é compreendido e amado pelo seio familiar a qual está inserido possui uma estrutura emocional forte, capaz de lhe dar forças para o enfrentamento


15

das situações difíceis que atravessam diariamente seu corpo, sua vida, podendo desenvolver uma maior resiliência diante de uma sociedade que os olha diferente. Assim sendo, as vivências subjetivas do acondroplásicos desde a sua infância torna-se fundamental para lutar as batalhas que surgem no percalço de sua existência, daí que se reafirma a importância de um lar saudável, com vivencias e aprendizados mútuos, os quais serão levados para toda a vida.

2 O SENTIDO DA MODA

As construções históricas da moda acompanham o desenvolvimento das sociedades. Em tempos pré-modernos o homem tinha em Deus todo o sentido de sua vida e cabia ao homem viver de acordo com o que estava definido desde o princípio. Entretanto, a democracia transformou essa realidade, a qual surge com a modernidade (BRAGA, 2016). A modernidade foi um marco para a existência do homem. A partir dela o homem rompeu com as tradições religiosas, começando a questionar a existência divina, buscando através de outros campos de conhecimento, especial a ciência, novas possibilidades para explicar o mundo transformando a sua realidade e a sociedade na qual fazia parte (LIPOVETSKY, 2001). Nesse sentido, podemos perceber que, embora a modernidade tenha mudado os rumos da história, alguns elementos culturais que são anteriores a ela, fazem-se presentes nas sociedades pós-modernas, como o jeito de se vestir das pessoas, com isso, pode se pensar que a moda é uma construção social da própria cultura. Sousa (2011) narra que quando os colonizadores chegaram ao Brasil, houve uma incompreensão mutua entre os mesmos e os povos que aqui habitavam. Além de episódios de violência houve um estranhamento cultural, simples gestos que outrora pareciam normais no Novo Mundo era uma novidade, como, por exemplo, nas maneiras diversas de se vestir. As vestimentas europeias se confrontaram com a nudez dos índios e isso serviu como base para as futuras intervenções do catolicismo. Na figura 03, podemos perceber um breve panorama desse contraste


16

cultural entre portugueses e indígenas e, também, compreender a intenção dos portugueses de doutrinar os povos que aqui viviam ao seu ideal de moda. 4

Figura III: Contrastes de vestimentas no Brasil Colonial.

Percebe-se que a moda surge no Brasil já no seu descobrimento e vai se moldando de acordo com a sua própria história. Além disso, analisa-se o fato de que, o maior choque dos colonizadores foi no modo de vestir dos indígenas, já que estes tinham uma cultura completamente diferente das deles. Este estranhamento não ocorre somente nessa época específica, pois, qualquer pessoa que seja inserida em uma cultura e uma época diferente, produzirá um estranhamento perante a cultura daquele povo e, consequentemente, perante as vestimentas da época, destarte que recíproca é verdadeira (SILVA, 2016). Durante a idade média, dentro de um panorama mundial, Pontes (2013) aborda: Com o surgimento de um novo agente, o burguês, que, diante de uma nova estabilidade feudal, assume o papel de fazer girar a mercadoria entre as propriedades e terras dos nobres, senhores feudais. Os novos mercadores começam a acumular capital e dão origem à uma nova classe social: a burguesia, que vai financiar o surgimento de um novo referencial de mundo. Foi em meados do século XVIII que a humanidade testemunhou o surgimento da modernidade, instaurada pelo projeto do iluminismo. O iluminismo é configurado por um conjunto de idéias que, não por acaso, 4 Fonte: http://sohistoria1.blogspot.com.br/2014/08/brasil-x-portugual.html.


17

surge na França com o objetivo de instaurar uma ordem baseada em ideologias, fundando uma sociedade baseada nos indivíduos, no mercado e na tecnologia.

A burguesia marcava a sua relação com o início de um processo de luta de classes na busca por prestígio e aparências. Buscava-se mostrar publicamente o poder vestindo-se como tal, isto é, visava-se manter as aparências através de um visual elegante, já que, empobrecida, perdia seu prestígio social. Esta classe utilizava-se das roupas para difundir um jogo de representações visuais construídas através da roupa, como bem nos representa a figura 04 (LIPOVETSKY, 2001). 5

Figura IV: Vestimenta dos burgueses

A moda durante o período da Belle Époque representou transformações do artesanal para o industrial. Esse período foi marcado pela ostentação excessos, através de cores fortes e roupas excessivamente enfeitadas, como veremos mais a frente na figura 05 (GOSTINSKI, 2009). 6

Figura V: Vestimenta

Belle Époque

5 Fonte: http://pordentrodamodabymarinact.blogspot.com.br/2012/03/fim-do-seculo-xix.html. 6 Fonte: https://historiandomoda.wordpress.com/2012/11/23/belle-epoque/.


18

Analisando a moda recentemente, percebe-se que a partir da segunda metade do século XIX a moda inseriu-se em territórios singulares, marcado pela intensificação da economia capitalista e pela globalização. A moda inserida nesse período, catalisada pelo consumismo e aparência, é associada a dois polos: a vontade de criar e a necessidade de produzir (SOUSA, 2000). Os anos 2000 consolidaram-se pela globalização e a consequência disso foi uma multiplicidade de escolhas, de acordo com as subjetividades de casa indivíduo. A grande sacada dessa fase foi a capacidade de criação de novos conceitos, já que o consumidor estava sedento por novidades (OLIVEIRA; MARTINS; SILVA, 2017). Sousa

(2011)

explica

que

o

capitalismo

pós-moderno

trouxe

uma

uniformização, fazendo com que as diferenças fossem sendo aos poucos diluídas. Assim sendo, o padrão de consumo global foi mudando em resposta as novas tendências da sociedade. Por outro lado, foi nesse período que os desejos individuais começaram a se destacar. Essa ambiguidade, foi perceptível no campo da moda, onde a padronização das roupas e a criatividade veio a tona. Em toda a história foi se desenhando movimentos que influenciariam na ideia de moda vigente à época em questão. Então, percebe-se que ela está ligada com a construção das identidades dos sujeitos (ANDRADE, 2014). Apenas uma provável história da moda ou uma investigação superficial não contemplaria toda a experiência singular vivida em contextos diversos. Já uma análise da moda inserida nas diferentes épocas e movimentos, a qual é


19

ressignificada a cada instante histórico, isso sim daria conta. A moda é um objeto de um investimento criativo por parte dos indivíduos, em meio às a história (ARANTES, 2016). Com isso, estudar as tendências de um período histórico seria uma maneira de absorver e compreender a cultura de um povo. A moda é ressignificação de cada instante histórico porque ela é produto da sociedade vigente e nela se encontra resíduos importantes para entender as sociedades (OLIVEIRA; MARTINS; SILVA, 2017). Pontes (2013) salienta que a moda, imagem e identidade estão intimamente ligadas e elas se transforam a medida que a sociedade cria novas formas de pensar. A moda é mais que um símbolo de aparência, ela desenvolve juntamente com outros assuntos, com isso, ela transmite as produções, modelos, valores e estilo de vida de uma época. Ela é um emaranhado de significações que já estão dados antes dos sujeitos. Quando se produz mudanças no modo de ver as coisas, quando os valores mudam e novos assuntos são introduzidos em uma cultura, a moda sofre transformações. O significado da moda é muito mais que uma vestimenta, mas, o modo que uma sociedade consegue expressar as suas construções (SIMILI, 2016). Compreender a moda é a mesma coisa que entender como as pessoas expressam através de suas vestimentas a sua identidade. Contudo, a opção por um estilo pessoal nunca é apenas uma escolha parcial, já que são varias as situações históricas, políticas, econômicas e sociais que acabaram por determinar o que é mais adequado usar em um terminado momento (ANDRADE, 2014). O estilo pessoal de se vestir, embora tenha um toque subjetivo, nada mais é que a demonstração da sociedade vigente e da classe social que aquela pessoa está inserida (ARANTES, 2016). A moda transmite através das vestimentas a essência de uma época, com isso, as roupas são representações do desenvolvimento histórico da sociedade e ela vai sempre se manter atualizada, mutável e causará estranhamentos a medida que à sociedade criar novas formas de pensar.


20

2.1 MODA COMO FATOR DE INCLUSÃO SOCIAL

De acordo com Valente e Camargo (2011), uma das formas de preconceito com maior significado vivenciado pelos acondroplásico é a falta de acessibilidade em geral. Então, proporcionar formas mais adaptativas no ambiente de maneira reverbera uma inclusão de fato, é o mecanismo mais apropriado para se resolver esse problema. Uma forma citada anteriormente é a própria moda, já que ela é marcada por simbolismos de uma era e, a sensação de encontrar roupas adequadas para o corpo é uma maneira do sentimento de pertencimento social. Pensa-se que se as tendências de vestimentas de um determinado período da história propiciam roupas ergonômicas para diversos tipos de corpo, pode-se concluir que ela contribui para a inclusão social de pessoas vistas como diferentes e logo, auxilia na erradicação do preconceito existente. Woltz (2007) entende que o fato de uma pessoa ser impedida de utilizar um determinado tipo de roupa em razão de sua estatura, acaba limitando a sua personalidade, considerando que vestimenta reproduz no corpo humano aquilo que está essencializado. A dificuldade de encontrar uma roupa de acordo com os seus gostos pessoais, implica em um sentimento de inferioridade e de exclusão social. Como consequência, os sujeitos sentem-se ainda mais excluídos, haja vista que muitas vezes acabam comprando roupas que não expressam as suas individualidades, elas escondem todo o potencial criativo, enclausurando os corpos acondroplasicos em uma identidade que não lhe pertence, pois foi imposta pela ausência de vestimentas que se adéqüem a sua estrutura corporal. O vestiário ergonômico é uma forma visível para que os acondroplásicos sejam incluídos no ambiente, afastando as diferenças ou rótulos para que os outros também os vejam como pessoas bem vestidas e elegantes, mesmo que tenham alguma deficiência física. Aspetos que demonstram o quanto a moda é inclusiva. (WOLTZ, 2007). A satisfação em encontrar roupas com os padrões estéticos da atualidade de acordo com a numeração adequada ao corpo produz no ser humano o sentimento


21

de identificação com os padrões sociais e isso resulta em uma melhor qualidade de vida. Mesmo que muitos considerem a moda como algo artificial, ela pode contribuir para a inserção social dos acondroplásicos, já que a fabricação de roupas com a ergonomia adequada fará com que muitos sejam incluídos. Se uma pessoa utiliza positivamente os recursos da moda a seu favor, ela pode romper algumas barreiras do preconceito, passando a sentir-se mais aceita (VALENTE, CAMARGO, 2011). Defendemos, portanto, que a moda pode ser, além de outras coisas, inclusiva proporcionando aos acondroplásicos uma sensação de identificação consigo mesmo, com o seu interior. A possibilidade de ter vestimentas para escolher e que se adaptam ao corpo é uma forma de ser incluso pelo menos em um dos meios sociais, sendo esse a moda. Peclat (2002) delineia que o deficiente físico, mais especificamente o acondroplásico, apresenta necessidades diferentes justamente pelo seu porte físico e as roupas desenvolvidas para este grupo em especial, podem facilitar suas individualidades e minimizar as suas diferenças. De acordo com Woltz (2007), o vestuário Inclusivo não pode ser considerado a solução para as pessoas com acondroplasia, mas já é uma forma de fazer com que eles tenham uma melhor qualidade de vida, de forma a representar uma maior participação na vida social. Então, como podemos perceber a moda ergonômica para os acondroplásicos não é solução para o problema de inclusão social, mas já é um grande passo para a sua aceitação. Mesmo que a moda não seja de longe a única alternativa para promover a inclusão social, ela já é uma possibilidade a mais para inserir os diferentes na sociedade. A moda é a expressão de uma cultura em sua historicidade, esta começar a incluir, cada vez mais, todos os sujeitos em suas tendências. A sociedade em si começará a perceber esses sujeitos de uma forma mais ampla, para além de suas diferenças físicas.


22

Peclat (2002) resulta que a moda pode resultar em melhorias na qualidade de vida do homem, em pequenas coisas, como a simples possibilidade de escolher suas próprias roupas. Essas possibilidades trabalham tanto o campo da autoestima, como da autonomia, restaurando sua dignidade e fazendo com que realmente façam parte da comunidade. Os resultados do estudo de campo de Brogin (2015), no qual proporcionaram vestimentas de moda inclusiva, reforçam a concepção de que a moda é um produto inclusivo na medida em que ela contribui para a autoestima e para a independência dos sujeitos com alguma deficiência e isso faz com que os mesmo sintam-se mais estimulados ao convívio social. No entanto, o autor relata que ele encontrou algumas dificuldades na pesquisa, referentes ao amparo de instituições para auxiliar no projeto, A moda ergonômica a todos os indivíduos é o diferencial e, mesmo que não seja a solução, já é um movimento que traz repercussões sociais, contribuindo para uma cultura menos preconceituosa. 2.2 UMA ANÁLISE SOBRE A SITUAÇÃO DO MERCADO CONTEMPORÂNEO DE MODA PARA OS PORTADORES DE ACONDROPLASIA

Através de uma análise de mercado de roupas verificou-se que há uma escassez de vestimentas adaptadas aos indivíduos com acondroplasia, já que a moda trabalha com um público alto, magro e com curvas perfeitas. As alternativas que restam são as sessões de roupas infantis ou comprar peças de tamanhos convencionais e adaptá-las ao tamanho desejado. Como se pode notar, nenhuma destas alternativas é considerada satisfatória, já que a primeira parte do princípio do uso de roupas voltadas a uma faixa etária diferente da qual seu corpo realmente necessita, ao passo que a segunda opção compromete os acabamentos das peças (CAMARGO; VALENTE, 2011). Em virtude destas premissas, percebe-se que a moda contemporânea não abarca as diferentes estaturas corporais, há uma predominância vestimentas


23

voltadas para públicos específicos, na maior parte das vezes pessoas magras e altas. Considerando a pluralidade de pessoas e diferença de medidas corporais que se ramifica pelos segmentos sociais e culturais, há de se pensar como está se incluindo as diferenças através da moda, já que esta tem influência social. Na pesquisa de Körbes, Laschuk e Costa (2015), acerca de como os indivíduos com acondroplasia compram suas roupas, quatro das entrevistadas assinalaram as lojas como primeira opção, outras três relataram que recorrem a costureiras, tanto para começar uma roupa do zero, quanto para adaptar uma roupa, a qual geralmente é adquirida em lojas virtuais. No entanto, todos os entrevistados falaram desconhecer uma marca de roupa que produz vestimentas adequadas para suas necessidades e acabam sempre precisando ajustar as roupas. Como era de se esperar, os estudos apresentam dados negativos acerca desse fato. Por isso, é necessário desenvolver medidas que atenda as mais diferentes estaturas corporais, como a dos indivíduos com acondroplasia. Em uma pesquisa realizada por Moreira (2015), foi gerado uma lista de requisitos a serem contemplados nas vestimentas a ser projetados para os acondroplásicos. A partir da análise dos dados, foi possível que ele chegasse em um quadro de croquis final. Além das pesquisas, também se faz necessário cada vez mais disseminá-las para a indústria da moda para que futuramente possa realmente solucionar essa questão. Os resultados através das vestimentas produzidas no estudo de Moreira (2015)

mostraram-se

satisfatórios,

pois,

as

peças

foram avaliadas como

confortáveis, visualmente agradáveis (encaixando-se nas tendências atuais da moda) e com um tamanho adequado. Com isso, as pesquisas aplicadas relacionadas as pessoas com acondroplasia são fundamentais para compreender melhor os tamanhos adequados e para motivar a indústria da moda a produzir peças de acordo com as necessidades desses indivíduos. Körbes, Laschuk e Costa (2015)trazem tamanhos comparativos que solucionariam esse empasse:


24

De acordo com as imagens geradas no programa de encaixe de tecidos é possível mensurar a redução de tecido. Com relação à blusa, obtêm-se redução de 29,11% em relação ao tamanho padrão, já na calça a reduçãoé de 43,35% e na saia,de 40,09%, em relação ao plano de corte convencional. Ao apresentar esse comparativo de planos de corte, observase que a redução de tecido pode se mostrar uma grande vantagem ao pensar em desenvolver roupas ergonomicamente adequadas para esse público. (p. 89).

Outra situação referente à inclusão da moda contemporânea, que vai além da própria vestimenta, é trazida por Brogin (2015) que diz respeito aos provadores inclusivos, pois algumas lojas não apresentam um ambiente adequado a todas as pessoas e muitos acabam comprando sem provar, em razão do desconforto real da situação. Os dados trazidos nas pesquisas mostram uma solução numérica para desenvolver roupas para esses indivíduos. Porém, a indústria da moda necessita olhar para essas questões e realmente promover ações concisas, políticas que de fato atendam a essa lamentável realidade e a pluralidade das pessoas. É necessário que as empresas mudem a sua forma de pensar a inclusão, entendendo a moda inclusiva como peça chave para o negócio e para a confiança e fidelidade dos clientes, visto que, empresas que buscam atender as necessidades de seus clientes, são mais bem vistas no mercado. (BROGIN, 2015). Além de mudar a questão do tamanho, as lojas também deveriam adaptar o seu ambiente da forma mais plural possível, pois seus clientes precisam sentir-se bem e incluídos no ambiente. 3 ERGONOMIA

3.1 Conceito de ergonomia da moda


25

Atualmente, a moda interfere diariamente de uma forma intensa a vida das sociedades. Então, pode-se pensar que a moda não apenas ocupa um espaço estratégico nas sociedades, mas também influência as formas de estetização, com isso, as suas tendências produzem uma forma de ver o mundo (LIPOVETSKY, 2001). Mas além de discernir tendências para o mercado consumidor, para desenvolver qualquer produto, a indústria da moda precisa conhecer as necessidades dos usuários, adotando uma prática que vise atender o aspecto social e prático do cotidiano das pessoas, com isso o conceito de ergonomia precisa ser estudado por eles. Ergonomia, de acordo com Lida (2005), seria o estudo do relacionamento entre o homem e seu trabalho, resolvendo e abordando os problemas inseridos nesse relacionamento, de uma forma multidisciplinar, fazendo o uso de diversas áreas de conhecimento. A ergonomia tem o objetivo de satisfazer as necessidades dos usuários. Conforme os dados da Associação Brasileira de Ergonomia (ABERGO, 2011): Ergonomia (ou Fatores Humanos) é uma disciplina científica relacionada ao entendimento das interações entre os seres humanos e outros elementos ou sistemas, e à aplicação de teorias, princípios, dados e métodos a projetos a fim de otimizar o bem estar humano e o desempenho global do sistema. Os ergonomistas contribuem para o planejamento, projeto e a avaliação de tarefas, postos de trabalho, produtos, ambientes e sistemas de modo a torná-los compatíveis com as necessidades, habilidades e limitações das pessoas.

Lida (2005) cita 3 finalidades da ergonomia: qualidade técnica: é a parte relacionada a execução das funções e a parte mecânica; qualidade ergonômica: é a característica que garante uma boa interação e compatibilidade do produto com o usuário; qualidadeestética: é a que proporciona as características desejáveis e atraentes ao consumidor (LIDA, 2005). Na ergonomia da moda, Martins (2016) elucida que o usuário é o ponto de partida para o desenvolvimento de qualquer produto. Então, as indústrias de moda


26

devem estudar a ergonomia, a qual compreende as interações entre os seres humanos e suas necessidades. Esse método tem como objetivo aperfeiçoar o bemestar humano a partir da fabricação de vestimentas que primam o aspecto social dos indivíduos e projetando a moda como meio de propiciar melhor qualidade de vida e conforto aos usuários. O objetivo de desenvolver uma ergonomia de vestimentas é proporcionar aos usuários uma roupa mais confortável e adaptável ao seu cotidiano, tendo como resultado uma melhor qualidade de vida, já que, quando melhor o indivíduo se sentir com a roupa, melhor ele vai passar o seu dia. A função da ergonomia das roupas, é que, através da pessoa que está desenhando o modelo, construir soluções e um molde de qualidade, conhecendo o corpo que irá vesti-lo. Com isso, o profissional precisa ter uma série de conhecimentos sobre o corpo e sua movimentação para desenvolver peças que respeitem os limites do corpo (CARVALHO, 2011). Tecnologia, conforto e saúde aplicados ao vestuário são fundamentais, pois isso significa adequação das peças ao corpo humano, com o objetivo de melhorar seu desempenho, sem lhe causar danos. Em outras palavras, preservar a saúde e a beleza, cuidando do equilíbrio estético visando ao conforto. (...). Mas, assim como desenvolver máquinas e equipamentos adaptados ao ser humano não é tarefa simples, também não o é desenvolver peças de roupa que se constituirão na Segunda Pele do homem. (MARTINS, p.87, 2016).

Em relação a sua fabricação, os modelos precisam cada vez mais ser adaptados as diferentes modelagens dos corpos, para que elas respeitem os limites e satisfazem as necessidades de cada pessoa. A roupa deve ser modelada considerando a estrutura física e suas articulações corporais. Porém, com a produção em série, algumas empresas acabam deixar de lado essas questões trazidas até aqui, produzindo peças generalizadas e mal modeladas. Como consequências disso, os produtos afetamo bem estar físico e em algumas situações também o psicológico dos usuários (CARVALHO, 2011). A roupa produz efeitos negativos para o psicológico das pessoas na medida em que padrões de roupas fazem com que algumas pessoas que não se encontram


27

dentro dos padrões de corpo da sociedade, se sentem excluídos, por terem dificuldades de encontrar roupas que atendam as suas necessidades singulares. Por isso, é necessário analisar sobre a função da moda para as pessoas que não possuem um corpo considerado padrão, já que, estes também necessitam encontrar roupas que servem, mas encontram algumas dificuldades cotidianas a respeito da ergonomia da moda. Em relação aos indivíduos com acondroplasia, essa é uma realidade a ser estudada. Devido a sua estatura, eles encontram dificuldades para encontrarem roupas que se adaptam aos seus corpos e também vestimentas que vão de acordo com as suas preferências pessoais. Outra questão vivenciada diz a respeito de estender a moda do momento a todas as medidas corporais. Como já foi abordado, é difícil encontrar roupas ergonômicas que se modelam ao corpo dos indivíduos com acondroplasia e aos seus desejos subjetivos, imagina então ter vestimentas produzidas com os hits do momento. Segundo Brogin (2015) essa temática relaciona-se ao fato de a vestimenta ser ajustada a realidade do usuário, sem causar dificuldades no uso cotidiano, mas também, sem causar estranhamentos perante a estética da roupa, já que esta tem um valor incontestável e todos querem ter a possibilidade de encontrar hits da moda do momento que se modelam ao seu corpo. 3.2 Ergonomia da moda para sujeitos com acondroplasia

As pessoas Portadoras de Necessidades Especiais (PNE) totalizam um público que carece de produtos acessíveis que atendam as suas demandas e expectativas. Em todo um contexto social, é bem difícil encontrar serviços que vão de encontro com suas necessidades (BROGIN, 2015). De acordo com Lima et al (2008), nos dias atuais, aqueles que não se enquadram no padrão físico estipulado pela sociedade faz parte de um grupo de indivíduos estigmatizados, que são excluídos dos modelos socialmente estipulados tanto da moda, como da falta de acessibilidade em serviços diversos. Sujeitos com


28

acondroplasia fazem parte desse grupo e essas atitudes de preconceito são indícios de desconhecimento diante das diferenças. Em virtude de suas diferenças físicas, os portadores de acondroplasia encontram dificuldades para realizar tarefas impostas por situações diversas que são inerentes do cotidiano humano. Perante as suas diferenças, são nas dificuldades de acessibilidade e de encontrar roupas que preencham critérios de ergonomia e de gostos pessoais, que eles se deparam com o preconceito de algumas pessoas diante de sua estatura corporal (TOMÉ, 2014). A adaptação do vestuário para portadores de acondroplasia é um tema imerso no campo de debate da inclusão social, no que se referem aos indivíduos que não se encaixam nos moldes das roupas comercializadas nas grandes e pequenas lojas. Todavia, encontra-se uma falta de estudo no meio científico, englobando o design de moda, o que inclui fatores estéticos e ergonômicos. Por isso, torna-se fundamental se debruçar sobre o estudo de modelagem de vestuário para os portadores de acondroplasia (KÖRBES, LASCHUK, COSTA, 2015). Quando se estuda a moda em uma perspectiva mais ampla, encontra-se uma dificuldade para adaptá-la as mais diversas particularidades dos seres humanos e, quando olhamos para os indivíduos com acondroplasia, percebemos que essa realidade não é diferente (MARTINS, 2016). Os portadores desse biótipo, além de conviverem com o preconceito devido ao seu porte físico, também vivenciam um conflito cotidiano para encontrar uma roupa capaz de moldar-se e adaptar-se a ergonomia dos seus corpos, testemunhando assim, uma quase que inércia da indústria da moda perante as suas particularidades (GONÇALVES; LOPES, 2006). Os acondroplasicos sofrem com as mais diversas formas de discriminações diárias e a escolha de uma peça de roupa tem intrínseca relação com a falta de reconhecimento social de suas necessidades e consequentemente a escassez, no mercado, de roupas com modelagens adaptadas ao seu corpo. Visto que os mesmos não estão inseridos no padrão de um corpo alto, magro e com curvas perfeitas, ao contrário ficam a margem desse sistema e tem muita dificuldade de


29

encontrar roupas ergonômicas para o seu perfil, tendo que, infelizmente, muitas recorrer às sessões infantis para dar conta disso (LIMA et al, 2008). A roupa tem mais do que um valor estético, pois encontrar uma vestimenta no mercado que tenha a modelagem adequada ao corpo é uma forma simbólica de pertencimento social, onde o indivíduo passa a fazer parte do todo, pois é incluso socialmente pelo simples fato de saber que existe uma preocupação externa com o seu biótipo corporal (GRAVE, 2010). No entanto, muitos indivíduos com acondroplasia têm dificuldades de encontrar roupas que ficam bem em seus corpos, o simbolismo disso pode revelar um preconceito velado acerca de suas diferenças físicas. Isto posto, lançamos a mão da seguinte indagação: quais sentimentos atravessam a vida de um indivíduo adulto que precisa recorrer as sessões infantis para encontrar roupas com as medidas de seus corpos? É Certo que tem algumas roupas adultas que se adaptam, mas e quando não tem? Essas são questões interessantes a serem debatidas, já que, os referenciais teóricos apontam a roupa como objeto de expressão da essência do ser, ela faz transparecer suas características pessoais. Então, nada melhor do que encontrar uma roupa que se adapte ao perfil ergonômico do corpo, associado com seus gostos pessoais, para fazer com que a roupa seja uma expressão de si mesmo (MARTINS, 2006). Tem-se uma inexistência de uma padronização de medidas para o nanismo, porém, isso seria importante para a indústria de vestiário elaborar uma, até para atrair mais consumidores devido a sua qualidade de produtos. Mas, são poucos os profissionais que se preocupam em olhar e contribuir para a inclusão para esse público consumidor e nesse sentido, qualquer esforço para isso já é vista como válida, já que a moda traz contribuições que reforçam a inclusão (CAMARGO e VALENTE, 2011). Adaptar a moda para pessoas com nanismo é muito mais do que proporcionar apenas uma roupa ergonômica de qualidade, mas também de fornecer meios para o sentimento de inclusão na sociedade.


30

No entendimento de Camargo e Valente (2011), essa situação faz com que o público acondroplásico busque por alternativas diversas de consumo, como as encomendas sob medida. Diante desta premissa Körbes; Laschuk; Costa, (2015) elaboraram um estudo que atendesse a anatomia de mulheres com acondroplasia. Através desta pesquisa, eles desenvolveram tabelas com um padrão médio para estimular a indústria da moda a criar essas roupas. Um esboço destas métricas podem ser vislumbradas nas figuras 06, 07 e 08.

7

Figura VI: Molde de blusa feminina básica tamanho M ABNT/Nanismo

Figura VII: Molde de calça feminina básica tamanho M ABNT/Nanismo. 7 Fonte: ESTUDO DE MODELAGEM PLANA PARA PESSOAS COM NANISMO.


31

8

Figura VIII: Molde de saia feminino bรกsico tamanho M ABNT/Nanismo. 9

8 Fonte: ESTUDO DE MODELAGEM PLANA PARA PESSOAS COM NANISMO. 9 Fonte: ESTUDO DE MODELAGEM PLANA PARA PESSOAS COM NANISMO.


32

Esse estudo já foi um passo importante para o desenvolvimento de vestimentas que se adéqüem ao corpo acondroplasico, pois ele estabeleceu algumas medidas variáveis, por meio de tabelas, que podem servir de referencial para elaboração de outras roupas, e outros modelos, outras cores, outros tons, com peças cada vez mais diversificadas e, principalmente, com mais frequência no mercado de roupas ergonômicas para este público tão sofrido e excluído da sociedade, da moda, da vida (MONTEMEZZO, 2003). A real expectativa é que mais estudos acerca da moda para portadores de acondroplasia sejam fabricados e divulgados no meio científico, de forma a estimular a indústria da moda a criar roupas de acordo com os padrões físicos dessa parcela da população. Destaca-se ainda que é de fundamental importância analisar como está a inserção dos indivíduos com acondroplasia e de todos os outros que possuem alguma deficiência nos demais segmentos da sociedade. A ergonomia atual das vestimentas não contribui de forma significativa para que estas pessoas tenham vontade de buscar nas lojas roupas ou outros acessórios que se adéqüem as suas necessidades. A problemática da falta de produtos ergonômicos que atendam a todos, mostra-se como um fio condutor para uma inserção mais global. Não são somente as roupas e seus tamanhos, tecidos e modelagem, mas também a forma de venda e de assistência que também deixam a desejar (BROGIN, 2015). A partir dessa situação, pode-se perceber que ao estudar a ergonomia da moda, depara-se com todo um contexto mais amplo que vai desde a vestimenta não adequada, até um atendimento falho na hora da compra. Tudo isso acarreta afeitos na vida do indivíduo com acondroplasia.


33

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os acondroplásicos vivenciam no seu cotidiano diversas formas de preconceito e de invisibilidade social, enraizado em uma sociedade que ainda têm muito a melhorar em termos de uma inclusão real de pessoas com alguma deficiência física. Nesse sentido, destaca-se que pessoas com acondroplasia possuem a tendência natural de sentir-se inferior as demais, em razão das exclusões que lhe são postas diariamente nos pequenos detalhes. São ações que passam despercebidas pelo restante da população, mas que reforçam a exclusão dos diferentes, dos ditos anormais. Essas questões estigmatizadas e carregadas de preconceito afetam as vivencias subjetivas dos portadores de necessidades especiais e, principalmente, na forma como percebem a si mesmo e as pessoas a sua volta. Nesse sentido, é difícil se adaptar a um mundo, o qual o aceita pelas suas particularidades. Com isso, a família é fundamental neste processo, pois, um indivíduo com acondroplasia devidamente orientado para lidar com as adversidades que certamente irão atravessar seu cotidiano poderá desenvolver uma maior resiliência diante de uma sociedade que os olha diferente. Porém, nem todas as famílias propiciam esse suporte e alguns acondroplásicos não se sentem incluídos nem na família e isso acaba se estendendo mais tarde para a vida social. Como foi visto, a moda, de uma forma mais ampla, seria uma alternativa que pode contribuir para a inclusão social dos acondroplásicos, já que o significado da moda ultrapassa a simples questão de vestimenta e adquire um valor simbólico. A moda é a expressão da sociedade vigente e representa todo um desenvolvimento histórico social de uma época.


34

Quando se produz mudanças no modo de ver as coisas, quando os valores mudam e novos assuntos são introduzidos em uma cultura, a moda sofre transformações e, ao mesmo tempo, ela influência a forma com que se vê as coisas. Com isso, a moda desenvolve tendências e contribuiu para a forma com que a sociedade percebe as diferenças. Visto que a moda é a expressão de uma cultura, se esta considera as diferenças e produz suas tendências adaptadas as mais diversas estaturas e peculiaridade dos indivíduos, ela estará contribuindo para incluir o diferente. Mesmo que a indústria da moda está longe de ser a única forma de inclusão, esta pode auxiliar para discernir uma cultura voltada para as diferenças. Então, esse mercado precisa conhecer as necessidades dos usuários, adotando uma prática que vise atender o aspecto social e prático do cotidiano das pessoas, com isso o conceito de ergonomia adaptada a todo e qualquer indivíduo precisa ser estudado por eles. A partir desse trabalho, conclui-se que a moda é uma forma de disseminar uma cultura com menos preconceitos, fazendo com que as diferenças sejam contempladas por todas as esferas da sociedade. Então, percebe-se a necessidade de falar cada vez mais sobre isso e de realizar estudos que comportam isso, já que a primeira forma para se compreender é analisar as possibilidades existentes. Para estudos futuros, indica-se pesquisas que realizem entrevistas com os acondroplásicos, ouvindo e relatando como eles se sentem perante ao panorama exposto.


35

REFERÊNCIAS

ANDRADE, R. M. Historicizar indumentária (e moda) a partir do estudo de artefatos: reflexões acerca da disseminação de práticas de pesquisa e ensino no Brasil. ModaPalavra e-Periódico, v. 7, n. 14, p. 72-82, 2014. ARANTES, Ana Cristina. Ideários de mulher: história social, o corpo, a moda e as atividades físicas em São Paulo no início do século passado. dObra [s]–revista da Associação Brasileira de Estudos de Pesquisas em Moda, v. 2, n. 4, p. 84-90, 2016. BRAGA, J. Histórias: a alunissagem e a alucinação da moda. dObra [s]–revista da Associação Brasileira de Estudos de Pesquisas em Moda, v. 3, n. 7, p. 30-32, 2016. BROGIN, B. Gestão de design para moda inclusiva: diretrizes de projeto para experiência do usuário com deficiência motora. Tese de Doutorado. Universidade Federal de Santa Catarina, 2015. CAMARGO, P. A. K. P.; VALENTE, E. L. A Moda como fator de inclusão social das mulheres portadoras de acondroplasia. In: 7º Colóquio de Moda, 2011, Maringá. 7º Colóquio de Moda, 2011. CARVALHO, M. H. R de. Ergonomia e Modelagem: a função da modelista perante o corpo. Colóquio de Moda, v. 7, 2011. GONZALEZ, C.H.; MARCONDES, E. Caso em foco: acondroplasia. Pediat. São Paulo: 4:62-66, 1982.


36

GONÇALVES, E; LOPES, L. D.. Ergonomia no vestuário: conceito de conforto como valor agregado ao produto de moda. Florianópolis: UDESC/CEART. Modapalavra. Estação das Letras Editora Ltda, v. 4, 2006. GOSTINSKI, C. Relevâncias da história da moda: dos anos 10 à virada do século xx. Intelecto. v.2-n.5, p.48-91, 2009. GRAVE, M. F. A moda-vestuário e a ergonomia do hemiplégico. Escrituras Editora e Distribuirdora de Livros Ltda., 2010. KÖRBES, R; LASCHUK, T; COSTA, T. N. Estudo de modelagem plana para pessoas com nanismo. Icônica, v. 1, n. 01, 2015. LIDA, I. Ergonomia: projeto e produção. 2ª edição. São Paulo: Editora Blucher, 2005. LIMA, R. L. O. SILVA, M. C. P.; CERVAN, M.P. COSTA, R. F. Artigo de revisãoAcondroplasia: revisão sobre as características da doença. ArqSannyPesqui Saúde, v. 1, n. 1, p. 83-89, 2008. LIPOVETSKY, G. O império do efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. MARTINS, S. B. Ergonomia e moda. dObra [s]–revista da Associação Brasileira de Estudos de Pesquisas em Moda, v. 3, n. 7, p. 83-88, 2016. MARTINS, S. B. Ergonomia e moda: uma conexão necessária. 2º Colóquio Nacional de Moda, 2006. MONTEMEZZO, Maria Celeste de Fátima Sanches. Diretrizes metodológicas para o projeto de produtos de moda no âmbito acadêmico. 2003. MOREIRA, L.F. Desenvolvimento de vestuário ergonômico para mulheres portadoras de nanismo. XI Semana de Extensão, Pesquisa e Pós-Graduação SEPesq Centro Universitário Ritter dos Reis, 2015. OLIVEIRA, N. P. C; MARTINS, A. C. S; SILVA, M. J. PUBLICAÇÕES ACERCA DA HISTÓRIA DA INDÚSTRIA DE VESTUÁRIO/MODA NO PARANÁ: UMA ANÁLISE. 5º CONTEXMOD, v. 1, n. 5, p. 326-337, 2017. PONTES, M. Moda, imagem e identidade. Achiote.com-Revista Eletrônica de Moda, v. 1, n. 1, 2013.


37

PECLAT, S. A. – An innovative aproach to clothing design for the wheelchair user. Manchester. Universidade Metropolitana de Manchester, Dissertação de mestrado, 2002. SILVA, M. L. F. et al. REFLEXÕES SOBRE LEITURA DE ILUSTRAÇÕES DE MODA A PARTIR DO SÉCULO XIX. Blucher Design Proceedings, v. 2, n. 9, p. 56135624, 2016. SIMILI, I. G. Educação e produção de moda na Segunda Guerra Mundial: as voluntárias da Legião Brasileira de Assistência. cadernos pagu, n. 31, p. 439-469, 2016. SOUSA, K. K. C. Reflexões sobre a história da moda. Revista Espaço Acadêmico, v. 11, n. 130, p. 127-134, 2011. TAVARES, A. S.; CARDOSO, R. L. S. A.; SANTOS, J. F. dos; SAMPAIO, G. Y. H. Acessibilidade para pessoas com deficiência: algumas dificuldades em projetar para indivíduos com nanismo. Blucher Design Proceedings, v. 2, n. 7, p. 609-620, 2016. TOMÉ, R. J. M. Deficiência, Nanismo e Mercado de Trabalho–Dinâmicas de Inclusão e Exclusão. 2014. Tese de Doutorado. Instituto Universitário de Lisboa. WOLTZ, S. A. S. Vestuário inclusivo: a adaptação do vestuário às pessoas portadoras de necessidades especiais motoras. Dissertação de Mestrado em Design e Marketing, Universidade do Minho, Portugal, 2007.

SAADIA SOARES OLIVEIRA


38

PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO DA COLEÇÃO LITTLE LOOK

Vitória da Conquista, Ba 2017 SAADIA SOARES OLIVEIRA

COLEÇÃO LITTLE LOOK


39

Memorial descritivo apresentado a Banca Examinadora do Curso Superior em Design de Moda da Faculdade Independente do Nordeste como requisito parcial para a obtenção do grau em Design de Moda sob a supervisão da professora Laís VInhatico

Vitória da Conquista, Ba 2017

Créditos

“Por que Dele e por Ele para Ele são todas as coisas”. A caminho dessa conquista, vivi muitas experiências, ampliei a visão e o conhecimento. Aprendi a conviver, a não desistir, a tentar novamente, a superar e a surpreender. Agradeço aos meus pais Nilson e Noadia pelo suporte incondicional, aos meus irmãos Sinara e Davi, pelo carinho e paciência, a meu namorado Leonardo por ter dividido esse sonho comigo, a professora Laís Vinhático pela orientação e generosidade. As minhas companheiras e amigas de sala Leticia, Laura, Raquel e Caio pelo compartilhamento dos sorrisos, das lágrimas, dos sonhos e das decepções. As


40

minhas lindas modelos por dividirem comigo suas expectativas e dessa forma contribuírem a desenvolver uma coleção pensada nas suas necessidades.

Sumário Apresentação do projeto ...............................................................................................5 Justificativa ....................................................................................................................6 Objetivos .......................................................................................................................7 Métodos ........................................................................................................................8 Briefing .........................................................................................................................9 Requisitos e restrições ...............................................................................................10


41

Cronograma de execução ..........................................................................................11 Senário de mundo .....................................................................................................12 Segmento de moda ....................................................................................................13 Formas e volumes ......................................................................................................14 Analise de similares.....................................................................................................15 Referência cromática ..................................................................................................16 Identidade da marca ...................................................................................................17 Lifestyle ......................................................................................................................18 Macrotendência ..........................................................................................................19 Microtendência ...........................................................................................................20 Materiais .....................................................................................................................21 Beleza .........................................................................................................................22 Público alvo ................................................................................................................23 Geração e desenvolvimento de alternativas ...............................................................24 Coleção .......................................................................................................................25 Fichas técnicas ...........................................................................................................26 Orçamento detalhado .................................................................................................27 Música/ trilha sonora....................................................................................................28 Proposta para editorial/ desfile ...................................................................................29 Release da coleção ....................................................................................................30 Profissionais envolvidos/ fornecedores ......................................................................31 Considerações finais ..................................................................................................32 Referências.................................................................................................................33 Apêndice.....................................................................................................................34


42

Título da coleção: Little look Tema: Little look

Apresentação da coleção


43

O projeto tem como objetivo a demonstração da moda como ferramenta de inclusão social para indivíduos com nanismo. De acordo com Woltz (2007), corrobora que a partir do momento que uma pessoa não pode utilizar a roupa que gostaria devido a sua estatura, ela acaba não expressando a sua personalidade através de sua vestimenta. Partindo dessa afirmativa foi desenvolvida peças que atendam às necessidades ergonômicas sociais e que expressão a personalidade de cada indivíduo. Diante disso, considerando a roupa como uma linguagem de demonstração da personalidade do indivíduo, foi desenvolvido uma coleção ergonomicamente para o biótipo especifico. Dessa forma, poderão desenvolver as atividades laborais de maneira confortável e facilitada.

Justificativa da coleção


44

O interesse por esse assunto surgiu ao decorrer da graduação do curso de Design de moda pela Faculdade Independente do Nordeste, mediante as observações realizadas sobre as vertentes de exploração do ramo da grade curricular, observou que como o mercado tem a finalidade da criação de peças para pessoas que se encontra dentro do desvio padrão, que consequentemente alcançando o maior lucro, cabe os estudantes e pesquisadores a desenvolver produtos e serviços para pessoas que estão marginalizados do alvo das grandes empresas. A coleção versa sobre a modelagem de roupas para pessoas que sofrem de nanismo, devido a utilização de roupas inadequadas para o seu porte físico, justifica a escolha dessa coleção sobre tudo pela a importância da inclusão social das pessoas com essa deficiência na sociedade para que possam melhorar sua vida com a ferramenta da moda, pois necessitam-se de roupas adequadas e projetadas para atender as necessidades desse público, que são desassistida pela indústria da moda, pois a roupa é o reflexo da personalidade de cada pessoa, quando ocorre a não usabilidade de um determinado vestimenta em decorrência de uma ergonomia erronia ou inapropriada, o indivíduo perde a sua identidade, causando grande conflitos psicológicos. Uma grande parte da população que sofre de algum tipo de deficiência, dentre elas, o nanismo, observar-se que é um público que não é assistido pela sociedade, portanto é totalmente viável o desenvolvimento e criação de vestuários para o público citado, sendo necessários o estudo e construção de uma coleção com modelagem especifica para o público alvo.

Objetivos


45

 Geral

Atender as necessidades dos portadores de nanismo, suprindo suas carências no vestuário, trazendo a satisfação e conectividade com a moda.  Especifico

Adaptar o uso de tecidos planos para o público. Pesquisar e desenvolver modelagem ergonômica para o público alvo. Desenvolver peças que supram as necessidades do público, respeitando sua identidade e faixa etária.


46

Métodos A pesquisa se iniciou ainda no primeiro semestre nas aulas de modelagem ministradas pela professora Analívia Lessa, observou o quanto a modelagem pode abranger os mais diferentes tipos de corpos. Ao longo do curso fui apresentada a uma moda que é utilizada como ferramenta de inclusão, surgindo então o interesse pela moda inclusiva. Juntamente com a então professora Analívia iniciou uma pesquisa em busca de empresas que trabalhassem com inclusão social através da moda, encontramos moda Plus Size e a moda ergonômica para deficientes em várias áreas. Vale ressaltar que nas pesquisas foi encontrado um editorial denominado “A moda está em baixa”, utilizando como principal referência para a criação desse trabalho, haja vista que é a única empresa no Brasil que trabalha com moda inclusiva para anões. O segmento escolhido teve como as principais revisões bibliográficas os doutores: Vatente e Camargo. Dessa maneira me permitiu um melhor entendimento das necessidades ergonômicas do público alvo, outras dúvidas foram sanadas ao longo da construção da coleção, relacionando e entendendo comitantemente os desejos e as necessidades.


47

Briefing

Título: Grande olhar Inspiração criativa: Alfaiataria masculina e militarismo Segmento do design: Design de moda Produto: Coleção de moda inclusiva para anões Caráter da coleção: Coleção acadêmica Sazonalidade: Outono\inverno Segmento de moda: Moda social Confecção das peças: Ângela marques Público-alvo: Portadores de nanismo Benefícios: Coleção com modelagem, cores e acabamentos que demostrem a força dessa classe tão pouco assistido pelo mercado da moda.


48

Requisito e restrições

Requisito A coleção é de peças para mulheres portadoras de nanismo, tem como proposta a criação de vestuário que se adapte de forma ergonômica a cada modelo. As peças seguem a linha de uma modelagem feita sob medida. Contem cortes elegantes e de fino acabamento, zíper colocados estrategicamente para facilitar a usabilidade em decorrência do tamanho dos membros superiores. Restrições A coleção não pode apresentar corte que inibam a mobilidade das modelos e não pode apresentar objetos infantilizados, tais como fitas, botões de plásticos, cores claras entre outros.


49

Cronograma de execução

CRONOGRAMA DE ATIVIDADES DO PROJETO 2016 ATIVIDADES Revisão

JAM.

FEV.

Bibliográfica Leitura e

MAR.

ABR.

MAI. X

X

sistematização via Referencial

X

teórico Estruturação do projeto Desenvolvimento

X X

de croquis peças da coleção Provas das peças

X

nas modelos Projeto e coleção entregues para avaliação

X

JUN.

JUL.

AGO.

SET.

OUT.

NOV.

DES.


50


51

Ce ná rio d e M u nd o

A co l eç ã o é de s en v ol v id a em um m om e nto qu e o c en á ri o de m un d o e m arc a do po r gra n d es m ud a n ça s. A im p la n taç ã o da TV di g i ta l n o pa ís, e sc â nd a l os p o lí ti co s, p o lê m ic a s en v ol v en d o os gra n d es fri go rífic o s co m a d i stri bu i çã o d e c arn e s es trag a d as , a ON U fa z reu n i ão em Bras íli a co m m ai s de 4 0 l i de ra n ça s pa ra di s cu tir a s us ten ta bi l i da d e da ág u a e o s a ss u nto s a n ti g o s co mo a ig u a ld a d es en tre h o me n se m ul h e res e a tra ns fob i a vo l ta m a o to p o d a s di s cu ss õ es .

12


52


53

Se gm e nt o d e M od a

O s e gm e n to d e m o da e sc ol h i d o é o fe mi n i no , al fa i ata ri a c o m co rte s c on te mp o râ ne a . A fa i xa etá ri a p re ten d i d a s ão mu l h e res de a pa rti d o s 1 5 an o.s

13


54

Formas e Volumes

As p eç a s d a c ol e çã o sã o co n stru íd a s a tra vé s d e fo rma s re ta s: ca l ça s , s ho rts, b la z e rs e p arc a s co m c o rte s l e v es e a ce n tua d a s.

14


55

Anlise de similares

Co m o cri a do r e i n sp i rad o r, el e g eu -s ea ma rca ‘ AM od a e stá em Bai x a’ e te m co mo p ri nc i pa l ca ra cte rís tic a si mi l a ro d e si g ne sp e ci fi co d a sro u pa s

23


56


57

Pain el de Core s

15

As co re s v erd e mi l i ta r, bra n c o, m ars a la e do u ra d o fo ra m e sc o lh i d a s p a ra a co l e çã o co m o i ntu i to d e tra z er fo rça e re q u i nte .


58

Id en tida de d a m a rca A co l eç ã o te ra c om o i d e nti d ad e pri n c ip a l a s b o tõe s m i li ta res , b o rd ad o s d i g it a i s e a c o ntra p oc i ça o d e te c id o s fl ui d o s co m te c id o s e n co rp ad o s

16


59

L ife sty

O s p orta d or es de n an i s mo te m e s ti l o s d e v i da d i ve rso s . a rti sta s re no m a do s ,a tle ta s a nĂ´ n i mo s e d on a s d e c a sa .

17


60

M a cro te nd ên cia

Am ac ro te n d ên c ia e sc ol h i da foi o m i li ta ris mo . Ess a é vo l tad a p a ra a i ns e gu ra n ça do mu n d o c on te mp o rân e o , o s c on fl it o s o co rre m p ri n ci p al m en te n o Ori en te M é di o . Es se ce n á rio re fl e te e m to do s o s c a mp o s d e n e gó c i o e cl a ram e nte no mu n d o d a M o da ,

18


61

M icro te nd ê ncia

19

Pa ra a s M i cro te nd ê n ci a s, fora m se l ec i o na d a s a s a p la c a çõ e s d e p e d ra s e p a tch e s q u e sã o ca ra cte rísti ca d a d é ca d a d e 7 0 e 8 0


62

Ma te ria is . z i p e r i n vi s Ă­v e l . b o tĂľ e s m i li ta re s . b o rd a d o s . p e d ra s . l i n h a p a ra c o stu r a . te c i d o p a lh a d e s e d a . te c i d o cr e p e . s a rj a a c e tin a d a

20


63

21

Beleza

As mo d el o s u s ara m m a qu i a g em pe s ad a e q u e tra g a fo rรงa a o o l ha r o s c ab e l os


64

Pú blico -a lvo

A c ol e çã o te mc om o p ú bl i co -a lv oo s p o rta d o res de na n i sm o, q u e na su a ma i ori a u til i za m ro u pa s in fa nti l pa ra se se n ti re mi n tro d u zi do s no mu n do da mo d a.

22


65

G er açã o e Des en volvim e nto de Alter na tiva s

25


66

Ge raรง รฃo e Dese nv olvim en to d e Alte rn ativa s

25


67


68

G era ção e Dese nvo lvim ent o d e Alter na tivas

25


69

Cole ção

26


70

Ficha técnica

Ref erê nc ia M od e l o: 00 1 Se g me nto : fe mi n in o ta ma n ho : s o b me d i da

Ma te riais :

Avi am ent os

zíp er

1 1/2 de pa l h a d e s ed a l i nh a co rren te v in h o z íp e r in vi s ív e l fi os de ol v erl o ck Qu a n t

1

l i nh a co rren te

1

V a lo r u n i t

V a l o r to t a l

2.5 0

2 .50

5 .00

5 .00

To ta l

o b s e rv a ç ã o

7 .5 0

F icha técnica

Re fe rên cia M od e l o:0 02 Se g me nto :fe m in i no ta ma n ho : s o b me d i da

M at eria is:

Avi am en tos

Q uant

bo tõ es

6

z íp e r

1

bo ra d o

To ta l

Valor unit

Valor tot al

obser vação


71

2 7

F i ch a té cn i c a

Referência M o de lo : 00 3 S eg m e nt o: fe m i ni no t am anh o: sob m ed id a

Mater ia is: 1m de pa lh a de s ed a 30 c de t r ic ol i ne

Av i ament os

Q

a n t u

pe dr a sd i ver sa s 1 0

b o tõe

To tal

6

V a lo r u n i t

0.7 0 2. 50

Va l o r t o ta l

7 .0 0 15

22.00

o b s e r v a ç ã o


72

ORÇAMENTO DETALHADO Descrições

Unid medida

Qtdade

Valor unitário

Valor Total

Sarja acetinada

metro

1.50

R$ 27.00

R$ 40.50

Palha de seda

metro

1

R$ 13.00

R$ 13.00

unidade

6

R$ 2.50

R$ 15.00

metro

½

R$ 7.00

R$ 3.50

1

R$ 80.00

R$ 80.00

Botões militares Entretela Mão de obra

R$ 150.00

Descrições Palha de seda

Unid medida metro

Mão de obra

Qtdade

Valor unitário

Valor Total

2

R$ 6.00

R$ 12.00

1

R$ 80.00

R$ 80.00 R$ 92.00

Descrições

Qtdade

Valor unitário

Valor Total

metro

1

R$ 6.00

R$ 12.00

Botões militares

unidade

6

R$ 2.50

R$ 15.00

Pedras

unidade

10

R$ 0.70

R$ 7.00

1

R$ 80.00

R$ 80.00

Palha de seda

Mão de obra

Unid medida

R$ 114.00


73

Música trilha sonora

Music : FIND OUT THE TRUTH Link da trilha sonora: Disponível em : https://www.palcomp3.com/leveleight/ Acesso em 04 abril 2017 A escolha da música foi feita a patir das batidas que são mais curtas não exija passadas mais compridas das modelos


74

Proposta de editorial

Os valores de igualdade parecem perdidos quando se tratam de pequenas coisas como desenvolver ambientes mais adaptativos e a produção de roupas que se enquadrem ao um determinado porte físico, em conformidade com Tomé, 2014. A coleção foi criada com a proposta de atender a demanda de mercado para um os portadores de nanismo, tão desassistidos pelo mercado da moda. O conceito da coleção envolve a valorização e a feminidade. O editorial será desenvolvido em ambientes totalmente adaptável feito em estúdio com fundo branco em contrate as cores da coleção e a utilização mobília de tamanho proporcional das modelos.

Proposta de desfile

Como proposta para desfile, um ambiente clássico com luzes em foco na modelo trazendo a sensação de calmaria e conforto, para que as tais sintam conforto para enfrentar o público.


75

Profissionais envolvidos e levantamento de fornecedores

Mestres Orientador do projeto Acessórios: Rogéria Maciel Coleção: Laís vinhático

Colegas parceiras e auxiliares: Laura Gabriela, Letícia Souza, Raquel Alcântara, caio prata Costura: Ilma e Cel Transporte, suporte e patrocínio: Davi Sores, Edinilson Passos, Noadia Passos e Leonardo Ramos Modelos e seus responsáveis: Samara Oliveira Fernanda Almeida Itâmara Leal


76

Fornecedores: Skala Tecidos Moura tecidos Trem Bom Armarinho Armarinho Treze

Referências

CAMARGO, P. A. K. P.; VALENTE, E. L. A Moda como fator de inclusão social das mulheres portadoras de acondroplasia. In: 7º Colóquio de Moda, 2011, Maringá. 7º Colóquio de Moda, 2011.

TOMÉ, R. J. M. Deficiência, Nanismo e Mercado de Trabalho–Dinâmicas de Inclusão e Exclusão. 2014. Tese de Doutorado. Instituto Universitário de Lisboa. LIDA, I. Ergonomia: projeto e produção. 2ª edição. São Paulo: Editora Blucher, 2005.

OLIVEIRA, Saadia Soares  

Monografia FAINOR

OLIVEIRA, Saadia Soares  

Monografia FAINOR

Advertisement