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FACULDADE INDEPENDENTE DO NORDESTE COLEGIADO DO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO ISAAC MIRANDA

GESTÃO DOS RECURSOS MATERIAIS EM UM SUPERMERCADO DE VITÓRIA DA CONQUISTA - BA

VITÓRIA DA CONQUISTA - BA 2012


ISAAC MIRANDA

GESTÃO DOS RECURSOS MATERIAIS EM UM SUPERMERCADO EM VITÓRIA DA CONQUISTA - BA

Artigo apresentado ao Colegiado do Curso de Administração da Faculdade Independente do Nordeste – FA INOR em Vitória da Conquista – BA, como requisito obrigatório para a obtenção do Título de Bacharel em Administração. Orientador: Prof: Marcus Vinicius C. Fagundes, M.Sc.

VITÓRIA DA CONQUISTA – BA 2012


GESTÃO DOS RECURSOS MATERIAIS EM UM SUPERMERCADO EM VITÓRIA DA CONQUISTA - BA Isaac Miranda I Prof. Marcus Vinicius C. Fagundes, M.Sc. II RESUMO A administração de materiais é uma ferramenta importante para a gestão dos estoques das empresas. Entender a demanda e os fatores que interferem na decisão da gestão dos estoques é fundamental. Dessa forma, o presente estudo tem como objetivo geral “analisar os procedimentos, métodos e estratégias utilizadas na gestão de estoques na empresa Santo Antônio Ltda”. Especificamente,busca caracterizar o processo de gestão de estoques da empresa enfocada; averiguar os procedimentos e métodos de administração de estoques utilizados pela empresa escolhida; e, identificar as estratégias de gestão de estoques utilizadas pela empresa investigada. Para tanto, foi utilizada a pesquisa exploratório-descritiva, de caráter quali-quantitativo, com aplicação de questionário a gestores e colaboradores da organização tratada. Os resultados apontam que a gestão de materiais da entidade ainda não está estruturada adequadamente, embora os gestores e colaboradores da empresa estejam preocupados em manter os estoques necessários para atender a demanda. Conclui u-se, ainda, que a empresa necessita melhorar a gestão dos seus estoques, priorizando a criação de espaço físico adequado para melhor atender aos consumidores e clientes de maneira eficiente e eficaz. Palavras chaves: Gestão. Estoques. Supermercado.

ABSTRACT The materials management is an important tool for the management of stocks of companies. Understanding the demand and the factors that influence the decision of inventory management is critical. Thus, this study has the general objective "to analyze the procedures, methods and strategies used in inventory management company in San Antonio Ltda." Specifically, it seeks to characterize the process of inventory management company focused; determine the procedures and methods used for inventory management company chosen, and identifying strategies for inventory management used by the company investigated. For this purpose, we used the exploratory-descriptive study, qualitative and quantitative in nature, with a questionnaire to managers and employees of the organization treated. The results indicate that the materials management of the entity is not structured properly, although the company's managers and employees are concerned with maintaining the inventory needed to meet demand. It was concluded also that the company needs to improve its management of its inventory, prioritizing the creation of I

Graduando do curso de Administração da Faculdade Independente do Nordeste - FA INOR, Vitória da Conquista – BA. II Professor orientador do curso de Administração da Faculdade Independent e do Nordeste – FAINOR, Vitória da Conquista – BA.


adequate space to better serve consumers and customers efficiently and effectively. Keywords: Management. Inventories. Supermarket.

1 INTRODUÇÃO O tema deste estudo tem como base a questão da gestão de estoques, que, no contexto atual das organizações é parte fundamental e essencial para a redução de custos e aumento da vantagem competitiva em relação aos concorrentes. A boa gestão de estoques cria inúmeras diferenças refletidas no atendimento das necessidades e satisfação dos clientes externos, como por exemplo: redução de custos, diminuição de tempos e movimentos , dentre outros fatores que tanto contribuem para a fidelização dos clientes e aumento da confiança com o mercado. Desta forma, é imprescindível que as empresas racionalizem custos e seus estoques para o aumento da eficiência operacional e eficácia empresarial. A justificativa para a realização desta investigação implica em entender melhor a cadeia de suprimentos, a logística, os estoques e a relação de todos esses elementos na gestão dos recursos materiais. O pressuposto levantado nesse estudo é o de que as estratégias de logísticas e recursos materiais favorecem a vantagem competitiva nas organizações. Partindo dessa premissa, esse estudo tem como objeto central o de “analisar os procedimentos, métodos e estratégias utilizadas na gestão de estoques na empresa Santo Antônio Ltda”. Especificamente, pretende caracterizar o processo de gestão de estoques da empresa enfocada; averiguar os procedimentos e métodos de administração de estoques utilizados pela empresa escolhida; e, identificar as estratégias de gestão de estoques utilizadas pela emp resa investigada. Esta pesquisa está estruturada em cinco partes, além desta introdução. No próximo item são abordados conteúdos de referências teóricas sobre o tema do estudo. Em seguida, será apresentada a metodologia da investigação, seguida da análise dos dados e resultados. Por fim, são explicitadas as principais conclusões da pesquisa.


2 GESTÃO DE MATERIAIS E LOGÍSTICA A gestão de materiais é uma preocupação dos empreendedores desde os tempos mais remotos. O homem precisava ter mantimentos no tempo necessário para suprir suas necessidades e a gestão de materiais passou a ser cada vez mais aprimorada. A estrutura de armazenagem proporciona uma maior eficiência na movimentação de materiais e de controle do estoque e otimiza o espaço utilizado para serem melhor aproveitados é preciso organização e sistematização destes. A Logística é a área da gestão que tem o objetivo primordial de prover recursos, equipamentos e informações para a execução de todas as atividades de uma empresa. Entre as atividades da logística estão o transporte, movimentação de materiais, armazenamento, processamento de pedidos e gerenciamento de informações. Pela definição do Council of Logistics Management, Logística é a parte do Gerenciament o da Cadeia de Abastecimento que planeja, implementa e controla o flux o e armazenament o eficiente e econômic o de matérias-primas, materiais semi -acabados e produtos acabados, bem como as informações a eles relativas, desde o ponto de origem at é o ponto de consumo, c om o propósito de atender às exigências dos clientes (CA RVALHO, 2002, p. 31).

É uma operação integrada, se compreende atividades de movimentação e armazenagem, visando facilitar o fluxo de materiais e produtos desde a aquisição até o ponto de consumo final. A logística é dividida em dois tipos de atividades - as principais e as secundárias. Carvalho (2002, p. 37) defende que são: Principais: Transport es, Manutenç ão de Estoques, Processamento de Pedidos. Secundárias: Armazenagem, Manuseio de materiais, Embalagem, Suprimentos, Planejamento e Sistema de informação.

As principais segundo Carvalho, estão elencadas como forma de garantir o transporte e a manutenção dos estoques, já as secundárias implicam em garantir o sistema de informação bem guarnecido assim como o

planejamento de

armazenagem dos estoques. Ter um estoque rotativo, e sempre o produto a ser oferecido nas gôndolas de supermercado é um desafio constante para os empreendedores de pequeno porte pelo fato de ter um estoque reduzido, mas que não pode faltar nenhum produto. Essa preocupação com os estoques vem de tempos de guerra, a princípio a logística


era um setor de comando militar. Um dos livros mais famosos que trata desse assunto em tempos de guerra remota a mais de dois mil anos. Em “A arte da guerra”, a logística é explicada detalhadamente, assim como as diversas formas de manutenção dos estoques e armazenamento. Para Sun Tzu, apud (CLARET, 2005, p. 85) há cinco elementos importantes nas regras militares, dentre os quais a logística é imprescindível:

O primeiro é a análise do terreno: na avaliação do terreno, o general deve verificar as características físicas de um campo de batalha; O segundo é o cálculo de força de trabalho e dos recursos materiais: esse cálculo serve para as estimativas da quantidade de provisões; O terceiro é o cálculo da capacidade logística: deve atender às necessidades das provisões; O quart o é uma comparação de a sua própria força militar com a do inimigo: na balança do poder, um dos pes os é bas eado na capacidade logística; O quinto é uma previsão de vitória ou derrota: a possibilidade da vit ória é baseada na balança do poder.

Os elementos citados pelo autor implicam em ter uma estratégia que favoreça a análise do terreno, todas as técnicas podem ser direcionadas para a administração empresarial, pois os elementos são os mesmos. A necessidade de informações, de gerenciamento, de ter um planejamento adequado, e a gestão dos recursos materiais foi adotado pela administração empresarial dos termos militares (CARVALHO, 2002). A armazenagem e o estoque de materiais são importantes, sendo que ter uma otimização do espaço, a minimização dos custos e atingir aos objetivos adequadamente, exige do administrador um conhecimento prévio sobre o que vem a ser segurança, flexibilidade e capacidade de armazenamento da estrutura de armazenagem. Para tanto, é preciso ainda que existam equipamentos de movimentação como os carrinhos que podem ser elétricos ou não, as palhetas de movimentação, empilhadeiras e guindastes que facilitam a movimentação de materiais, e, sobretudo é preciso também que exista o conhecimento em relação à otimização dos espaços no processo de armazenagem dos estoque (CARVALHO, 2002).


2.1 Estratégias de administração de estoques e logística Para se fazer um planejamento adequado é preciso que se tenha em primeiro lugar um objetivo a ser alcançado e um problema a ser resolvido. Assim se pode planejar o que se quer fazer, onde se quer chegar e como se fazer com que as metas sejam alcançadas. Para Welsch, (1983), o planejamento e controle de resultados, justificam-se somente na medida em que facilita o desempenho do processo administrativo, o planejamento e controle têm finalidade estritamente interno. Segundo Oliveira (1999 p. 47 - 48), o planejamento estratégico é: “O processo administrativo que proporciona sustentação metodológica para se estabelecer a melhor direção a ser seguida pela empresa, visando ao otimizado grau de interação com o ambiente e atuando de forma inovadora e diferenciada”. Toda empresa precisa de um planejamento estratégico para atender as necessidades de manter o lucro e atender o cliente como satisfação, para atender aos requisitos se faz necessário que a empresa tenha um plano, uma metodologia para seguir conseguir. Assim o planejamento tem um papel significativo para as empresas contemporâneas. Bateman (1998, p. 34) caracteriza a vantagem competitiva como os fatores que a permitem acontecer: Qualidade: As expectativas dos clientes sobre um produto ou se rviço devem ser atingidas e excedidas. Os administradores devem assegurar atratividade, ausência de defeit os, confiabilidade e segurança em tudo o que a organização produz. Custo: Os bens e serviços devem conter valor a preços que o cliente esteja disposto a pagar. para atingir esse objetivo, os administradores devem manter os custos sob controle, a fim de permitir que a empresa estabeleça preços justos, que cubram os custos e realizam lucros. Inovação: Os administradores devem empenhar -se constantemente para criar rapidamente novos bens e serviços competitivos que os clientes valorizem. Essa prática é a chave para estar a frente dos seus concorrentes .

A evolução das práticas e conceitos associados ao planejamento estratégico está intimamente relacionada à intensificação do ritmo e da complexidade das mudanças ambientais. Nas décadas anteriores a de 60, as empresas tinham grandes lideres generalistas que atuavam em três níveis da organização: estratégico, pessoal e organizacional. A última etapa do processo de administração estratégica é o controle estratégico, que tem o papel de acompanhar o desempenho do sistema através da


comparação entre as situações alcançadas e as previstas, principalmente quanto aos objetivos e desafios, e da avaliação das estratégias e políticas adotadas pela organização. O produto final do processo de controle é a informação. No momento atual, as empresas têm feito grande uso da tecnologia da informação como instrumento gerencial. Estas informações são utilizadas para repor estoques, abastecer depósitos e outros ativos físicos, economizando tempo e como dinheiro. Administrar o

conhecimento

como

faturas, mensagens, patentes,

processos, habilidade dos funcionários, conhecimento dos clientes, fazendo uso intensivo de máquinas, computadores, para tal, determina o sucesso ou fracasso da empresa nos tempos de hoje. Para Toffler (1980, p. 34) No momento at ual, que é identificado pela Terceira Onda, é a E ra do Conhecimento, onde se permite uma grande descentralização de tarefas. Esta fase é caracterizada pelo poder do cérebro, na qual a informação assume o papel de principal recurso ec onômic o.

O conhecimento é o motor que rege a nova era da informação, o treinamento nesse contexto implica em ampliar o conhecimento dos indivíduos para melhorar sua capacidade de produção, redução dos acidentes de trabalho e ainda a motivação e a qualidade de vida dos colaboradores das empresas em geral. Conhecer significa ter em mente o passo a passo para o desenvolvimento de atividades a partir de informações relevantes adquiridas com o treinamento específico para desenvolver atividades com capacitação adequada para atender os objetivos da empresa em questão. Para Drucker (1996, p. 56):

Atualmente, com a sociedade do conhecimento, nos três fatores tradic ionais de produção (recursos naturais, mão -de-obra e capital), acrescenta-se o conhecimento e a inteligência das pessoas, agregando valor aos produtos e serviços, o conheciment o passou a ser o recurso, ao invés de um recurso.

Com o advento das novas tecnologias de informação a gestão de conhecimento passou a ser um ponto crucial da administração de recursos materiais e, mesmo, recursos humanos. Sobre este último, sabe-se que os colaboradores são a maior riqueza das organizações e estas, por sua vez, têm buscado a gestão dos conhecimentos como meio de ganhar vantagem competitiva, pois o conhecimento e


a informação interferem de forma significativa na tomada de decisão da empresa como um todo. O processo decisório é de uma importância relevante dentro da organização, pois uma decisão qualquer pode acarretar consequências imediatas para a empresa, dessa forma um administrador que não tenha o domínio dos princípios fundamentais para desempenhar seu papel com eficiência pode condenar seu empreendimento ao fracasso. Um processo decisório pode ser influenciado por uma serie de fatores como: raciocínio, valores, crenças e mitos entre outros, essas variáveis contribuem para formar uma base de conhecimentos e a eliminação de crenças ou mitos e isso pode encaminhar o administrador para a tomada de decisões acertadas. Segundo Paiva (1999, p. 38), O conhecimento passou a representar um importante diferencial competitivo, para as empresas que sabem adquiri-lo, mantê-lo e utilizá-lo de forma eficiente e eficaz. Esse conheciment o passou a gerar o Capital Intelectual que, às vezes, é bem mais importante que o Capital Econômico.

O conhecimento é um fator tão importante para as organizações que passou a ser considerada como um diferencial, e assim o é devido a capacidade de se gerar informações que possam influenciar a tomada de decisão de forma acertada, para a empresa a decisão acertada implica em obter uma vantagem significativa sobre seus concorrentes. Segundo Montgomery e Poter (1998), o desafio enfrentado pela gerênci a consiste em escolher ou criar um contexto ambiental em que as competências e recursos da empresa possam produzir vantagens competitivas. Quanto

aos

fatores

estruturais

relacionados

à

competitividade

das

empresas, Poter (1985. p. 4) indica que cinco forças determinam a dinâmica da competição em uma indústria: “a entrada de novos concorrentes, a ameaça de substitutos, o poder de barganha dos clientes, o poder de barganha dos fornecedores e a rivalidade entre os concorrentes atuais”. A vantagem competitiva não pode ser compreendida observando-se a empresa como um todo. Ela tem sua origem nas inúmeras atividades distintas que uma empresa executa no projeto, na produção, no marketing, na entrega e no suporte de seu produto. Cada uma dessas atividades pode contribuir para a posição de custos relativos de uma empresa, além de criar uma diferenciação (POTER,


1985). No contexto atual da gestão estratégica de estoques e logística, criar, processar e compartilhar informação e conhecimento torna-se imprescindível para a conquista e manutenção de mercados, de modo competitivo e diferenciado. Uma das técnicas e, ou estratégias mais usuais na gestão de estoques e recursos materiais nas empresas é a chamada Curva ABC. A Curva ABC apresenta resultados da demanda de cada item nas seguintes áreas: giro no estoque; proporção sobre o faturamento no período; margem de lucro obtida. Segundo CARVALHO (2002, p. 227), os itens são classificados como: de

Classe

A:

de

maior

importância,

valor

ou

quantidade,

correspondendo a 20% do total (podem ser itens do estoque com uma demanda de 65% num dado período); de Classe B: com importância, quantidade ou valor intermediário, correspondendo a 30% do total (podem ser itens do estoque com uma demanda de 25% num dado período); de

Classe

C:

de

menor

importância,

valor

ou

quantidade,

correspondendo a 50% do total (podem ser itens do estoque com uma demanda de 10% num dado período). Os parâmetros acima não são uma regra matematicamente fixa, pois podem variar de organização para organização nos perce ntuais descritos. A definição das classes A, B e C obedece apenas a critérios de bom senso e conveniência dos controles a serem estabelecidos e é definida pelo gestor, conforme Figura 1. Figura 1: Curva ABC

Fonte: Cavalho, 2002.


O que importa é que a análise destes parâmetros propicia o trabalho de controle de estoque do analista cuja decisão de compra pode se basear nos resultados obtidos pela curva ABC. Os itens considerados de Classe A merecerão um tratamento preferencial. Assim, a conseqüência da utilidade desta técnica é a otimização

da

aplicação

dos

recursos

financeiros

ou

materiais, evitando

desperdícios ou aquisições indevidas e favorecendo o aumento da lucratividade.

3 METODOLOGIA

A metodologia utilizada para a realização dessa pesquisa, quanto aos fins, é definida como sendo exploratório-descritiva. Segundo GIL (2007), a pesquisa exploratório-descritiva trata de fatos como tem de ser e com apoio bibliográfico. O mesmo autor defende ainda que a pesquisa bibliográfica oferece suporte para a realização de estudos pelo fato de informações sobre o tema ser pesquisado com dados e tendências históricas. Quanto aos meios, este estudo é quali-quantitativo. Do ponto de vista metodológico, não há contradição, mas existe a continuidade, entre investigação quantitativa e qualitativa. Ambas são de natureza diferente. A investigação quantitativa atua em níveis de realidade e tem como objetivo trazer à luz dados, indicadores e tendências observáveis. A investigação qualitativa, ao contrário, trabalha com valores, crenças, representações, hábitos, atitudes e opiniões (GIL, 2007). A amostra estudada correspondeu à população de colaboradores que lidam com a gestão de estoques no supermercado estudado, localizado em Vitória da Conquista, Bahia. Portanto, estudou-se uma amostra de 20 colaboradores. O instrumento de coleta de dados foi um questionário estruturado formulado com dez questões fechadas.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO Inicialmente, buscou-se atender ao primeiro objetivo específico da pesquisa, ou seja, caracterizar o processo de gestão de estoques da empresa enfocada. Com os dados coletados no questionário, os participantes do estudo afirmaram que não existem produtos que tenham uma época de maior demanda, pois os produtos


oferecidos são gêneros alimentícios e de primeiras necessidades. Em épocas festivas, tal como no natal, ainda ocorre a demanda por produtos específicos; na páscoa, por produtos doces e chocolates, e na semana santa a procura por peixe e produtos correlatos aumenta em torno de 20%. Por isso e por questões relacionadas ao sigilo de informações empresariais, não foi possível quantificar os produtos com a curva ABC a partir dos dados e informações oferecidas pelos pesquisados. A logística é um segmento da administração que favorece a empresa ter o produto certo na hora certa e no local que o cliente precisa que esteja, sendo que esse é um processo que demanda custos, mas com o planejamento adequado ele pode ser realizado de forma otimizada e minimizar os custos com o armazenamento e distribuição dos produtos da empresa (CARVALHO, 2002). Os resultados coletados na pesquisa estão em concordância com Carvalho e Paladini (2000), quando defendem que a qualidade dos serviços prestados favorece ao cliente o atendimento de suas necessidades e garante ao gestor maior eficácia em sua administração, favorecendo que a empresa atinja a qualidade nos serviços que tanto almeja (GRÁFICO 1). GRÁFICO 1- Qualidade dos serviços de logistica 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30%

20% 10% 0% Ruim

Bom

Muito bom

Ótimo

Fonte: Pesquisa de campo, 2012.

A armazenagem e o estoque de materiais são importantes, sendo que ter uma otimização do espaço, a minimização dos custos e atingir aos objetivos adequadamente, exige do administrador um conhecimento prévio sobre o que vem a


ser segurança, flexibilidade e capacidade de armazenamento da estrutura de armazenagem. Quanto ao segundo objetivo específico deste estudo, buscou-se averiguar os procedimentos e métodos de administração de estoques utilizados pela empresa escolhida. Para tanto, partiu-se da percepção dos funcionários sobre a efetividade das técnicas de estoque utilizadas, coletando-se informações sobre a qualidade dos serviços do setor de depósito e almoxarifado. Assim, um percentual pequeno de 10% afirmou que é ruim, sendo que outros 20% disseram ser bom, seguidos de 30% que consideram muito bom, e a maioria significativa de 40% que contemplam os serviços como ótimos (GRÁFICO 2). GRÁFICO 2 – Percentual sobre a qualidade dos servi ços de estoque

100% 90% 80% 70% 60%

50% 40%

30% 20% 10%

0% Ruim

Bom

Muito bom

Ótimo

Fonte: Pesquisa de campo, 2012.

Observou-se que através dos dados coletados, a satisfação dos gestores e colaboradores com os serviços prestados em relação a logística é considerada alta, pois a maioria de 70% classifica como muito bom e ótimo. Os serviços de qualidade são atualmente uma necessidade das empresas competitivas e globalizadas, eles podem ser sentidos, por isso são intangíveis. Juran (1990) defende que os serviços podem ser sentidos pelo cliente que tem suas necessidades resolvidas, seus objetivos atingidos e até mesmo com suas expectativas superadas.


Atualmente não é suficiente ter um bom produto ou serviço, é preciso que este supere as expectativas do cliente de forma a manter os mesmos satisfeitos para se manter atuante no mercado globalizado. E nesse aspecto, o planejamento direcionado é a alternativa mais acertada para este fim (DEMING, 2004). Os dados coletados revelam, ainda, em termos complementares aos objetivos da pesquisa, que os colaboradores da empresa entendem a importância da qualidade dos serviços como sendo ótimo para a maioria significativa de 60%, eles acreditam que estão atendendo de forma adequada a todas as necessidades do cliente e realizando um trabalho de logística satisfatório e de qualidade, seguidos de outros 30% que afirmaram ser muito bom, somente 10% classificaram como ruim, um percentual muito baixo de insatisfação com os serviços de qualidade ( GRÁFICO 3). GRÁFICO 3 – Percepção dos c olaboradores sobre a importância da gestão dos estoques. 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30%

20% 10% 0% Ruim

Bom

Muito bom

Ótimo

. Fonte: pesquisa de campo, 2012.

Como se observa é cabível lembrar que a qualidade sentida e percebida difere da qualidade oferecida, o cliente pode perceber de forma diferenciada a qualidade dos serviços prestados, porém a satisfação dos colaboradores não deixam margem para dúvidas de que os serviços são de qualidade inquestionável. A logística é uma das estratégias mais adequadas para as empresas vencerem seus desafios principais, a capacidade de evolução e de adaptação as


diversas modificações que acontecem no mercado constantemente (CARVALHO, 2002) A associação entre qualidade, desempenho e logística são os fatores essenciais para o sucesso de uma empresa de médio porte, as mesmas precisam se manter competitiva com a realização de um planejamento estratégico direcionado para atender a demanda do mercado globalizado e exigente (MOURA, 2003). Por fim, buscou-se identificar as estratégias de gestão de estoques utilizadas pela empresa investigada. Como a organização estudada não possui estratégias formais e profissionalizadas de administração de estoques, tentou-se identificar quais os fatores mais importantes no processo de gestão de estoques e logística (GRÁFICO 4). Gráfico 4 – Percent ual dos colaboradores quanto aos fatores que influênciam a gestão dos estoques.

100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Armazenamento

Frequencia dos pedidos

Demanda

Fonte: pesquisa de campo 2012.

Os fatores que influenciam a gestão dos estoques são na opinião dos participantes do estudo o armazenamento com 60% de representação, seguidos de frequência dos pedidos com 30% e outros 10% disseram que é a demanda por produtos. Os resultados apontam que os colaboradores e gestores estão mais preocupados com o armazenamento dos produtos, é preciso ter sempre o que o cliente precisa, embora muitos autores defendam que a demanda é o fator mais relevante.


De acordo com Paiva (1999) a demanda por produtos é o que vai oferecer dados com relação ao que vai ser comprado. É a administração d e materiais voltada para o futuro próximo, a gestão de estoques requer estimativas de demanda para se planejar adequadamente o estoque que se precisa ter para garantir o mínimo para atender aos consumidores. A previsão é uma forma de garanti o menor risco nos resultados. Com relação aos processos logísticos da empresa, os colaboradores levam em conta a armazenagem, a compra e o estoque. Não há um modelo determinado de gerenciamento dessas atividades. O que se percebe é que o gestor, juntamente com os colaboradores da empresa , buscam atender aos consumidores com base nos produtos de maior saída como se observa na (GRÁFICO 5) . GRÁFICO 5 – Perc entual dos colaboradores quanto aos fatores que influênciam a gestão dos estoques.

100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Transporte

Compra

Estoque

Fonte: pesquisa de campo 2012.

Para os aprticipantes do estudo a gestão tem como estratégia o transporte com 40% dos resultados, seguidos de compra de mercadorias com 30% de representação e outros 30% no controle dos estoques. A compra é um ponto relevante, pois não se pode armazenar mercadorias por muito tempo sem gerar custos para a empresa. Drucker (1996) defende que é preciso um conhecimento prévio para desenvolver ações que favoreça a gestão adequada dos estoques das empresas.


Welsch, (1983) e Oliveira (1999) acreditam que há a necessidade de um planejamento estratégico para atender a demanda. Porém, os participantes desse estudo afirmaram que não estabelcem um estoque grande inclusive por falta de espaço, os custos com transportes também são relevantes, e por isso, o planejamento é a curto prazo, não se pode estocar por muito tempo. E não há uma previsão definida de como será a saída a cada mês, a não ser quando é começo de mês em que se observa uma maior demanda por produtos de primeira necessidade. 4 CONCLUSÕES O objetivo geral deste estudo foi o de “analisar os procedimentos, métodos e estratégias utilizadas na gestão de estoques na empresa Santo Antônio Ltda ”. Especificamente, pretende caracterizar o processo de gestão de estoques da empresa enfocada; averiguar os procedimentos e métodos de administração de estoques utilizados pela empresa escolhida; e, identificar as estratégias de gestão de estoques utilizadas pela empresa investigada. A gestão de estoque na empresa estudada é entendida como ferramenta importante, porém não há informações relevantes que demonstre a sazonalidade de terminados produtos e suas representações com relação ao estoque. Mesmo assim, os objetivos desse estudo foram atingidos satisfatoriamente, uma vez que se verificou que os fatores que interferem ou influenciam na gestão dos recursos materiais, são o armazenamento, as compras e o estoque em si, que deve ter o mínimo necessário para atender aos consumidores. Se constatou que o transporte foi entendido como encarecedor do produto final, e a falta de espaço para armazenar demandas que atendam maior número de pessoas é reduzida. O estudo também aponta que os participantes não sabem quantificar diretamente a sazonalidade dos produtos em certo períodos do ano ou do mês, apenas afirmaram que os produtos essenciais são os mais vendidos, mas em poucas épocas do ano se tem um produto diferenciado, direcionado para aquela época como é o caso da páscoa ou do natal. Os procedimentos e estratégias de gestão dos estoques são na verdade comprar os produtos que saem com maior frequência, sabendo que as compras apresentam uma demanda maior no início de cada mês com produtos essenciais da


sexta básica, as compras são realizadas para garantir as mercadorias quando o consumidor chega pra comprar. Sendo assim, conclui-se que existe a necessidade de uma melhor gestão e planejamento das atividades de gestão dos estoques da empresa estudada. Sob esse aspecto o trabalho realizado foi relevante por que mostra a importância de se ter uma gestão adequada e o planejamento direcionado para que a empresa consiga atingir as metas com maiores resultados. A sugestão que fica é que seja feita uma análise comparativa entre dois mercados de pequeno e médio porte para fazer um comparativo da gestão de estoque de ambas as empresas. REFERENCIAS BATEMAN, Tomas S. Administração: Construindo vantagem competitiva. São Paulo: Atlas, 1998. CARVALHO, José Meixa Crespo de - Logística. 3ª ed. Lisboa: Edições Silabo, 2002. CLARET, Martin. A Arte da Guerra. São Paulo, Associação Brasileira de Direitos Reprográficos: Ed. Martin 2005.

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TOFFLER, Alvin. A terceira onda. 16. ed. Rio de Janeiro: Record, 1980.

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