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FACULDADE INDEPENDENTE DO NORDESTE – FAINOR CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO

CARLOS HENRIQUE AFONSO FERNANDES

CATAR: COOPERATIVA DE RECICLAGEM DE LIXO DOMÉSTICO DO MUNICIPIO DE CACULÉ - BA

VITÓRIA DA CONQUISTA-BA, NOVEMBRO DE 2018.


CARLOS HENRIQUE AFONSO FERNANDES CATAR: COOPERATIVA DE RECICLAGEM DE LIXO DOMÉSTICO DO MUNICÍPIO DE CACULÉ - BA

Projeto Apresentado à Faculdade Independente do Nordeste – FAINOR, para obtenção do título de Arquiteto e Urbanista. Professor Orientador: Marcela Souza Aguiar.

VITÓRIA DA CONQUISTA-BA, NOVEMBRO DE 2018.


CARLOS HENRIQUE AFONSO FERNANDES CATAR: COOPERATIVA DE RECICLAGEM DE LIXO DOMÉSTICO DO MUNICÍPIO DE CACULÉ - BA

Projeto Apresentado à Faculdade Independente do Nordeste – FAINOR, para obtenção do título de Arquiteto e Urbanista. Professor Orientador: Marcela Souza Aguiar Aprovado em ___/___/______

Banca examinadora:

_____________________________________________________ Arquiteta Especialista Marcela Souza Aguiar Professora da Faculdade Independente do Nordeste – FAINOR Professor Orientador

_____________________________________________________ Arquiteta Especialista Daniel Amorim Borba Santos Professor da Faculdade Independente do Nordeste – FAINOR Avaliador Interno

_____________________________________________________ Arquiteta Especialista Micheline Gusmão Coelho Jornalista – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB Arquiteta e Urbanista – Faculdade Independente do Nordeste - FAINOR Profissional Convidado

VITÓRIA DA CONQUISTA-BA, NOVEMBRO DE 2018.


“A arquitetura começa quando você junta dois tijolos com cuidado. Aí ela começa.” Ludwig Mies van der Rohe


RESUMO

O aumento da urbanização e economia, quando atrelados a má distribuição de renda desencadeia um fenômeno social conhecido como pobreza, seu resultado é a exclusão de uma parcela substancial da população, que se vê lançada à margem da sociedade, sobrevivendo em condições precárias. O resultado da urbanização acelerada são danos irreparáveis ao meio ambiente com o descarte de resíduos em locais inadequados, somando a esse problema à má distribuição de renda temos como efeito que muitas pessoas têm buscado se sustentar através da reciclagem de resíduos sólidos, tendo isso em mente, o principal objetivo deste trabalho é analisar a atual situação das cooperativas de recicláveis, propor-lhes um espaço adequado para o manejo dos resíduos e do trabalho de uma forma segura e desenvolver diálogos sobre a problemática social envolvendo catadores compreendendo a relevância das cooperativas e o resgate da cidadania de seus colaboradores. Como efeito, este trabalho pretende promover reflexões, engrandecer as discussões e mover ações na gestão pública, busca ainda valorizar as condições de produção e trabalho dos catadores, e a conscientizando a população quanto a importância destes hábitos que são ferramentas primordiais para a problemática da sustentabilidade atual, minimizando os riscos de saúde para as pessoas geradas pelo descarte inadequado dos resíduos e o impacto que esses materiais causam no meio ambiente.

Palavras-chave: Reciclagem. Meio ambiente. Pobreza. Catadores. Cooperativas. Sustentabilidade.


ABSTRACT

The increase in urbanization and economy, when coupled with poor income distribution triggers a social phenomenon known as poverty, its result is the exclusion of a substantial part of the population, which is thrown at the margin of society, surviving in precarious conditions. The result of accelerated urbanization is irreparable damage to the environment with the disposal of waste in unsuitable places, adding to this problem to the poor distribution of income we have the effect that many people have sought to sustain themselves through the recycling of solid waste, bearing this in mind , the main objective of this work is to analyze the current situation of recyclable cooperatives, to propose suitable space for waste management and work in a safe way, and to develop dialogues on social issues involving waste pickers, including the relevance of cooperatives and redemption of the citizenship of its collaborators. As an effect, this work intends to promote reflections, to enhance the discussions and to move actions in the public management, valuing the conditions of production and work of the collectors, and the awareness of the population about the importance of these habits that are primordial tools for the problematic of the current sustainability, minimize the health risks to people generated by improper waste disposal and the impact these materials cause on the environment

Keywords: Recycling. Sustainability.

Environment.

Poverty.

Collectors.

Cooperatives.


LISTA DE FIGURAS

Figura 1: ciclo de vida dos resíduos .......................................................................... 16 Figura 2: Ciclo de vida sustentável dos resíduos ...................................................... 17 Figura 3: Tempo de decomposição de alguns resíduos ............................................ 19 Figura 4: estrutura da parede de taipa de mão ......................................................... 24 Figura 5: estrutura da parede de taipa de pilão......................................................... 25 Figura 6: Drenagem ideal da área ............................................................................. 26 Figura 7: Atuação da chuva na parede sem proteção ............................................... 26 Figura 8: Peças para montagem das formas............................................................. 27 Figura 9: Apiloamento da parede de taipa ................................................................ 28 Figura 10: Execução das aberturas de portas e janelas ........................................... 28 Figura 11: Partido arquitetônico da cooperativa de reciclagem de lixo de Linhares. . 31 Figura 12: Ambiente utilizado para separação dos resíduos coletados .................... 31 Figura 13: Embarque e desembarque da central de reciclagem ............................... 32 Figura 14: Central de reciclagem Milieustraat Recycling Center ............................... 33 Figura 15: local para embarque e desembarque dos resíduos ................................. 33 Figura 16: Fachada e interior da central de reciclagem. ........................................... 34 Figura 17: Tigre Reciclagem, Vitória da Conquista - BA ........................................... 34 Figura 18: Setor de pesagem .................................................................................... 35 Figura 19: Processo de prensagem de papeis finos ................................................. 35 Figura 20: Processo trituração do papel .................................................................... 36 Figura 21: Separação de secundaria de PET’s ......................................................... 36 Figura 22: Setor de processamento dos metais ........................................................ 37 Figura 23: Setor administrativo.................................................................................. 37 Figura 24: Sanitário ................................................................................................... 38 Figura 25: Vista aérea de Caculé .............................................................................. 39 Figura 26: Mapa de localização – Terreno trabalhado .............................................. 40 Figura 27: Imagem aérea do terreno trabalhado ....................................................... 41 Figura 28: Mapa com estudo do entorno ................................................................... 41 Figura 29: Sistema viário ........................................................................................... 42 Figura 30: Estudo topográfico ................................................................................... 43 Figura 31: Corte planialtimétrico do terreno .............................................................. 44 Figura 32: Gráfico do índice pluviométrico da cidade de Caculé Bahia .................... 44 Figura 33: Gráfico da temperatura média anual na cidade de Caculé-Bahia ............ 45 Figura 34: Estudo climático ....................................................................................... 46 Figura 35: Tabela de categoria de uso - Plano Diretor de Vitória da Conquista ........ 47 Figura 36: Tabela 3 – Anexo 1: Quadro 2.2 - Lei complementar nº 2.043................. 47 Figura 37: Tabela 1 – Anexo II: Quadro 3.1 - Critérios e restrições aplicáveis ao bairro Lagoa das Flores ............................................................................................ 47 Figura 38: Instalações de apoio ................................................................................ 48 Figura 39: Tabela 1 – Classificação das edificações quanto à sua ocupação........... 49 Figura 40: Tabela 1 – Classificação das edificações quanto à sua ocupação........... 49


Figura 41: Tabela 5 – Dados para o dimensionamento das saídas .......................... 49 Figura 42: Tabela 1 – Classificação das edificações quanto à sua ocupação........... 50 Figura 43: Tabela 5 – Dados para o dimensionamento das saídas .......................... 50 Figura 44: Tabela 6 - Distâncias máximas a serem percorridas................................ 50 Figura 45: Classificação do consumo de diário de água por pessoa ........................ 51 Figura 46: Memorial de cálculo dos reservatórios ..................................................... 51 Figura 47: Aplicabilidade dos tipos de sistema e reserva de incêndio mínima .......... 52 Figura 48: Construção utilizando a taipa de pilão ...................................................... 53 Figura 49: foto do terreno escolhido .......................................................................... 54 Figura 50: Estudo volumétrico ................................................................................... 54 Figura 51: Estudo de implantação ............................................................................. 55 Figura 52: Organograma ........................................................................................... 56 Figura 53: Fluxograma .............................................................................................. 62 Figura 54: Funcionograma ........................................................................................ 63 Figura 55: Distribuição dos blocos ............................................................................ 65 Figura 56: setorização do bloco 01 ........................................................................... 66 Figura 57: Setorização do bloco 02 ........................................................................... 67 Figura 58: Setorização do galpão tipo ....................................................................... 68 Figura 59: Faixa de desaceleração ........................................................................... 69 Figura 60: Mapa de acessos à edificação ................................................................. 69 Figura 61: Planta de edificação – Guarita 01 ............................................................ 70 Figura 62: Planta de edificação – Guarita 02 ............................................................ 70 Figura 63: Facha da B ............................................................................................... 71 Figura 64: Fachada F ................................................................................................ 71


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 10 2 EXPLORAÇÃO TEÓRICA DO TEMA.................................................................... 14 2.1 História da coleta seletiva ............................................................................. 14 2.1.1 Ciclo de vida sustentável, não sustentável do e o tempo de decomposição do produto........................................................................................................... 15 2.1.2 Classificação do lixo .................................................................................. 19 2.1.3 Resíduos produzidos pelo município de Caculé - Bahia ............................ 20 2.1.4 A relevância das cooperativas de triagem de lixo ...................................... 21 2.1.5 Sistema construtivo de taipa de pilão ........................................................ 23 2.1.5.1 Contexto histórico da taipa ..................................................................... 23 2.1.5.2 Os dois tipos de taipa e suas características .......................................... 24 2.2 Projetos Referenciais .................................................................................... 29 2.2.1 Usina de Triagem de Material Reciclável de Linhares ............................... 30 2.1.2 Milieustraat Recycling Center .................................................................... 32 2.1.3 Tigre reciclagem. ....................................................................................... 34 3 APRESENTAÇÃO DA ÁREA ................................................................................ 39 3.1 Inserção do empreendimento ....................................................................... 39 3.2 Localização ..................................................................................................... 40 3.3 Usos e atividades do entorno ....................................................................... 41 3.4 Indicação de infraestrutura urbana .............................................................. 42 3.5 Condicionantes Físicos ................................................................................. 43 3.6 Legislação ...................................................................................................... 46 4 CONCEITO E PARTIDO ........................................................................................ 53 5 PROGRAMA .......................................................................................................... 56 6 PROPOSTA/PROJETO ......................................................................................... 64 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 72 8 REFERÊNCIAS ...................................................................................................... 73 ANEXOS ................................................................................................................... 75 Anexo A – Modelo formulário disponibilizado online ................................................. 75


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1 INTRODUÇÃO Com a expansão do comércio em meados do século XVIII, sobretudo com a Revolução Industrial, surgiram complexas cadeias de produção e técnicas específicas em uma linha de consumo em massa. O consumismo passou a definir o estilo de vida das pessoas, o avanço tecnológico, científico e o progresso também vem trazendo ao longo do tempo drásticas consequências ao ecossistema, o descarte dos resíduos das industrias de forma inapropriada tornou-se um precário produto da modernidade, na qual se tornou um objeto de preocupação das indústrias, poder público e da sociedade como um todo. Atrelado a esses fatores pode-se destacar também o aumento exponencial de embalagens que são fabricadas diariamente pela indústria, a carência de educação ambiental, sobretudo nas escolas e o despreparo dos municípios para administrar essa problemática. Uma

grande

preocupação

dos

geocientistas

e

ambientalistas

é

a

disponibilidade de matéria prima na natureza. A maioria das coisas que são feitas ou produzidas ao longo dos anos pelo homem, assim como a energia que é utilizada diariamente, os minerais usados em diversos setores da indústria, entre outros, provém da terra. Com isso a sociedade depende cada vez mais dos recursos naturais e energéticos. Uma parcela desses recursos não são renováveis e sua disponibilidade e localização geográfica são variados. Segundo a organização internacional Global Footprint Network, no ano de 2018 já foram utilizados todos os recursos naturais previstos para todo o ano. Toda a água, energia, minerais e vegetais que o planeta tem capacidade para produzir e ser utilizado no período de 365 dias foram esgotados no mês de agosto de 2018, faltando assim, cinco meses de recursos à serem utilizados, além da capacidade que o planeta pode oferecer. No ritmo atual de consumo e estilo de vida, precisaríamos ter 1,7 planetas para atender às nossas necessidades no que se refere à extração desses recursos. Uma forma de combater esse consumo desacerbado dos recursos naturais é através do processo de reciclagem. Como forma de contribuir para um desenvolvimento sustentável, diminuir a extração de recursos naturais através do reuso da matéria prima e assegurar o futuro das próximas gerações a proposta é implantar uma cooperativa de reciclagem de lixo doméstico no município de Caculé Bahia, um edifício de cunho social e de caráter sustentável. O projeto contará com espaços de recebimento, pesagem,


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separação e prensagem do resíduo, além de estratégias socioeducativas junto ao poder público local para a conscientização das pessoas da região quanto à importância da separação do lixo doméstico. No município de Caculé Bahia, o modelo atual de gestão de resíduos recicláveis, é aquele adotado pela coleta e destinação final de maneira informal realizada por pessoas não capacitadas. Portanto, faz-se necessário a implantação de um espaço onde aconteça o tratamento adequado dos resíduos recicláveis através de uma Unidade de Reciclagem. Obter uma alternativa para a questão do lixo no município é urgente, pois isso significará na solidificação econômica para diversas famílias, e é ecológica, pois assegura a qualidade de vida, uma vez que a cultura da reciclagem passa a aderir nos costumes da população e em seus futuros dirigentes. Além disso, a implantação deste projeto tem a intenção de sanar problemas sociais como a diminuição da pobreza, trazendo uma nova opção de renda onde as pessoas possam se auto sustentar através da reciclagem. Outra melhoria relevante para o município será a diminuição do impacto ambiental derivado do descarte de modo inadequado do lixo produzido. Dessa forma, o objetivo geral é essencialmente a implantação de um projeto que promova ações de regeneração e de controle dos resíduos sólidos urbanos, abrangendo a coleta seletiva, necessários para o amoldamento do presente sistema de descarte informal dos resíduos sólidos e propor uma outra opção de fonte de renda para as famílias carentes do município, consolidando economicamente o bem estar das mesmas. A cooperativa de reciclagem de lixo CATAR, se baseia nas pesquisas realizadas e na percepção da necessidade desta edificação para o planeta e suas melhorias à qualidade de vida das pessoas, busca proporcionar aos profissionais de reciclagem estrutura adequadas para a execução do trabalho: criar locais de armazenamento para os resíduos e impedir a coleta informal nas ruas e o armazenamento dos resíduos em logradouros públicos ou em suas residências; promover espaço adequado para as refeições dos catadores e setor administrativo para melhor gestão dos resíduos; minimizar os impactos ambientais fazendo a recuperação dos resíduos recicláveis através da cooperativa de reciclagem de resíduos; promover espaços para oficinas em que moradores possam se capacitar tanto em aulas práticas quanto em aulas teóricas para desempenho correto e


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eficiente do trabalho; promover ambiente onde serão ministradas palestras sobre a conscientização das pessoas quanto a importância da reciclagem para diminuição dos impactos gerados no meio ambiente com o descartes de resíduos sólidos inadequado. Atualmente, uma das atividades do homem que mais prejudica o meio ambiente é a construção civil. Esta, é responsável pelo desmatamento de florestas, extração de recursos naturais para fabricação de cimento e o descarte dos mesmos no meio ambiente após o uso. Segundo uma pesquisa realizada pelo Jornal Nacional, o Brasil é responsável por gerar 84 milhões de metros cúbicos de resíduos anualmente, e pensando nessa realidade danosa foi escolhida para a execução do projeto uma técnica construtiva conhecida como taipa de pilão. Esse método construtivo é biosustentável e se bem executado, garante um excelente acabamento. A abordagem metodológica a ser aplicada foi a exploratória, de forma que se tornou possível discutir com abrangência os principais aspectos referentes à função social, econômica e ecológica do processo de reciclagem. Para o presente trabalho, através do método documental direto, foram realizados estudos por meio de pesquisas bibliográficas, tais como: artigos científicos, livros, monografias, teses e dissertações, com o propósito de reunir informações concretas acerca do tema proposto. Também foram utilizadas técnicas de levantamento direto, através da observação direta extensiva em forma de questionário com a população. Segundo Prodanov e Freitas (2013, p. 53), “as pesquisas descritivas são, juntamente com as pesquisas exploratórias, as que habitualmente realizam os pesquisadores sociais preocupados com a atuação prática.”. Sendo assim, pode-se dizer que a aplicação do questionário foi primordial para a afinidade do pesquisador com o tema, o que possibilitou o entendimento da real situação e do entendimento que estão disseminados nas pessoas no que tange a reciclagem. Para Soares e Saltorato (apud Gil 1987/1999), o questionário é uma técnica de extrema importância para pesquisa aplicada a sociedade, a qual contempla um delimitado número de questões e visa colher os interesses, opiniões, expectativas, vivências e afins dos indivíduos sobre determinados assuntos.


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Além disso, foi utilizado o método de observação direta, através da pesquisa de campo para implementar a pesquisa exploratória, por meio de entrevistas com profissionais atuantes na área e moradores, habitantes das cidades de Caculé – BA e também na cidade de Vitória da Conquista – BA. Desta forma, também foi possível analisar projetos que foram utilizados como referência e realizar visitas técnicas com o intuito de reunir informações concretas, entender através de experiências reais as deficiências do processo de seleção dos resíduos e o interesse da população quanto a essa prática.


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2 EXPLORAÇÃO TEÓRICA DO TEMA 2.1 História da coleta seletiva O processo de seleção do lixo teve início no continente europeu, tendo a Alemanha e a França como as precursoras na utilização de medidas dedicadas a ponderar a demanda dos resíduos recicláveis. Segundo Santos (2011), ao decorrer dos anos oitenta e noventa houve um avanço quanto à responsabilização e preocupação por parte das empresas quanto à destinação de embalagens se tornando vigorosamente comprometida com a modernização da administração de resíduos recicláveis urbano. Isso aconteceu após a política francesa ser estabelecida em 1975. Em território germânico a política de resíduos urbanos recicláveis se firmou através de duas legislações: a de eliminação de resíduos e a lei de minimização, isso se deu no ano de 1986. A mesma fora sucedida no ano de 1994 pela lei de economia de ciclo integral e gestão de resíduos. Através dessa lei foi estabelecida a logística reversa, que por hora, passou a obrigar os distribuidores e fabricantes a obter a restituição de embalagens e vasilhas e a encaminha-las a uma restauração material desvinculada do sistema público de subtração de resíduos. Em solo brasileiro, para ser mais especifico, no Rio de Janeiro - Niterói, 1985, em São Francisco, bairro residencial de classe média, foi onde ocorreu a primeira tentativa de se reciclar o grande volume de lixo produzido pelas pessoas. Mas, somente no ano subsequente houve as primeiras tentativas verdadeiramente organizadas de coleta e separação do lixo no Brasil, no início de 1986, mas só tiveram destaque em 1990, aquelas no qual as gestões do município determinaram ligações com catadores organizados em associações e cooperativas para a gestão e aplicação dos programas (EIGENHEER, 1993 apud ROCHA, 2011), em 1993 iniciou-se os registros das experiências do Brasil na coleta seletiva com a divulgação da coleção “Coleta Seletiva de Lixo – experiências brasileiras”, e a partir de 1994, vem contando com o apoio e disseminação de experiências de organizações como a CEMPRE - Compromisso Empresarial Para Reciclagem. Atualmente, o Ministério das Cidades disponibilizou os números alusivos ao ano de 2007, relativos à manipulação de resíduos sólidos urbanos no Brasil. Baseado em informações coletadas em 306 municípios, referente a 55% da


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população urbana, a pesquisa mostra que nos locais analisados o percentual de coleta de lixo nas cidades é de 90%. Já a coleta seletiva representa apenas 56,9% dos municípios envolvidos na pesquisa, que compreende todos os centros urbanos superiores a 500 mil habitantes.

2.1.1 Ciclo de vida sustentável, não sustentável e o tempo de decomposição do produto Assim como os animais e vegetais, todas as coisas materiais que são produzidas pelo homem também estão submetidas a um ciclo de vida útil, onde “nasce, cresce e morre”. Este processo é popularizado como um sistema linear que pode ser comparado a uma reta de dois pontos com começo, meio e fim. O ponto inicial dessa reta começa com a extração dos recursos naturais do planeta para a produção e processamento dos produtos que é utilizado no cotidiano, e a maior parte destes produtos tem como matéria prima base os recursos naturais. A retirada desses recursos do ecossistema, de modo desenfreado no decorrer dos anos acarreta num impacto ambiental de proporção alarmante e hoje já irreversível. No meio dos dois pontos da reta tem-se a fase de produção quando a matéria prima é encaminhada para as fábricas, posteriormente é feita a fabricação do produto e a distribuição em lojas e comércios similares até o uso do produto pelas pessoas. E no ponto final desta reta tem-se o fim da vida útil desses produtos após uso das pessoas, em que, na maioria das vezes, esse objeto é descartado de forma inadequada. É de extrema importância salientar que o processo de fabricação dos produtos também atua diretamente na poluição do meio ambiente. Segundo o jornal Folha de São Paulo (05/06/2003), os países que mais poluem o planeta são: os Estados Unidos em primeiro lugar, a China em segundo lugar e a Rússia em terceiro. Ainda segundo o jornal Folha de São Paulo (05/06/2003) além dos Estados Unidos ser o país que mais polui em termos absolutos, o mesmo possui um dos maiores índices de emissão de gás carbônico per capita. Coincidentemente, esses países lideram o consumismo capitalista no planeta. Com o consumismo e o capitalismo em ascensão esses produtos têm retornado à natureza em forma de lixo cada vez mais rápido, sendo assim, a


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reciclagem é uma ferramenta fundamental para a diminuição de resíduos descartados. Sabemos que os recursos naturais que o planeta terra nos oferece são recursos finitos e essa prática tem desencadeado graves problemas ambientais. Figura 1: ciclo de vida dos resíduos

Fonte: Disponível em <http://www.temsustentavel.com.br/declaracao-ambiental-de-produto-e-sualigacao-com-arquitetura-sustentavel/>. Acesso em setembro. 2017.

No ciclo de vida útil sustentável este sistema é classificado como cíclico. Ao contrário do sistema linear, o processo de reciclagem permite a origem de novos produtos idênticos, por exemplo: papeis como jornais, revistas e papelão descartados são reaproveitados e transformados em novos jornais, revistas e papelão. Garrafas de vidro recolhidas em novas garrafas de vidro, ou produtos diferentes (por exemplo, a lã de vidro de isolamento a partir de garrafas de vidro recolhidas). O processo de reciclagem faz com que o produto tenha um maior tempo de utilização evitando assim o descarte do mesmo colaborando para a diminuição da extração de novos recursos naturais. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) publicou um relatório que atesta a exploração predatória do planeta e que essa prática aumentou


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exponencialmente ao longo dos anos. Em 1970, a média de extração era de 22 bilhões de toneladas de recursos naturais por ano. No ano de 2010, esse número alçou para 70 bilhões de toneladas. Totalizando assim, 318%. De acordo com o estudo realizado pelo Pnuma essa prática resulta na ampliação da poluição do ar, redução da biodiversidade, intensifica o aquecimento global e pode levar ao esgotamento dos recursos naturais. Conforme a Organização das Nações Unidas (ONU), o consumismo é a principal causa do aumento da extração de recursos naturais. Se permanecido o atual ritmo de consumo e sem a adoção de medidas para o crescimento sustentável, o ser humano extrairá 180 bilhões de toneladas de recursos naturais em 2050. Figura 2: Ciclo de vida sustentável dos resíduos

Fonte: Disponível em < http://embalagemsustentavel.com.br/2010/05/07/acv-analise-do-ciclo-devida/>. Acesso em setembro. 2017.

De acordo com a política nacional de resíduos sólidos, vigora hoje no Brasil, uma lei atual e que contém ferramentas importantes para o crescimento econômico, social e ambiental do país, em detrimento da logística inadequada ou até mesmo a falta dela com o manejo dos resíduos sólidos hoje.


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A Lei nº 12.305/10, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) é bastante atual e contém instrumentos importantes para permitir o avanço necessário ao País no enfrentamento dos principais problemas ambientais, sociais e econômicos decorrentes do manejo inadequado dos resíduos sólidos. Prevê a prevenção e a redução na geração de resíduos, tendo como proposta a prática de hábitos de consumo sustentável e um conjunto de instrumentos para propiciar o aumento da reciclagem e da reutilização dos resíduos sólidos (aquilo que tem valor econômico e pode ser reciclado ou reaproveitado) e a destinação ambientalmente adequada dos rejeitos (aquilo que não pode ser reciclado ou reutilizado)[...] (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, sem data)

Hoje, no mundo, é gerado mais de três milhões de toneladas de lixo por dia, das mais variadas naturezas, sem atribuir os resíduos industriais e de mineração que são rejeitados. Portanto, uma das formas de reverter essa situação é através da reciclagem, fazendo o reaproveitamento dos materiais recicláveis, evitando a extração de recursos e diminuindo o acúmulo de resíduo nas áreas urbanas. A reciclagem é a ferramenta mais esperançosa e a solução mais importante que surgiu nos últimos anos no setor do meio ambiente. A reciclagem e a restituição do lixo são dois parâmetros muitíssimo importantes para o cuidado com o sistema ecológico. Em sua grande maioria, especialmente os resíduos sólidos, levam décadas para se extinguir na natureza. Portanto, é de fundamental importância que os resíduos, especialmente os não orgânicos (resíduos sólidos), não sejam dispensados em rios, mar e em solos de maneira inadequada. Em decorrência do elevado tempo de decomposição dos materiais, o solo ficará contaminado por muito tempo, assim, quanto maior o prazo de decomposição, mais prejudicial será para o meio ambiente. O tempo decorrente da decomposição dos materiais pode variar de acordo com a qualidade dos materiais, tipo de tratamento que o mesmo recebe, entre outros aspectos. A distinção entre estas informações pode ocorrer por diversos motivos. O papel, por exemplo, atualmente é tratado com bactericidas a fim de aumentar a vida útil desse material e evitar que ele se estrague com facilidade, aumentando assim, o tempo de decomposição, mesmo que este material já fora descartado em um lixão. Por isso, a ação mais comum nesses espaços é fazer a combustão do papel para minimizar o seu volume, gerando gases que são lançados na atmosfera e que são altamente poluidores para o ar.


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Figura 3: Tempo de decomposição de alguns resíduos

Fonte: Disponível em < http://thales1v3.blogspot.com.br/2009/11/tabela-do-tempo-de-decomposicaodo-lixo.html>. Acesso em setembro. 2017

2.1.2 Classificação do lixo Para falar de reciclagem é de fundamental importância compreender alguns conceitos do que vem a ser lixo (Ribeiro, 2007): “De uma forma sintetizada, o lixo corresponde a todos os resíduos gerados pelas atividades humanas que é considerado sem utilidade e que entrou em desuso”. Com a mesma percepção, SEAC-SP Sustentável: Lixo é todo e qualquer resíduo, proveniente das atividades humanas ou geradas pela natureza em aglomerações urbanas. No dicionário, ela é definida como sujeira, imundice, coisa ou coisas inúteis, velhas, sem valor. Lixo, na linguagem técnica, é sinônimo de resíduos sólidos e é representado por materiais descartados pela atividade humana. (SEAC-SP, sem data).

De acordo com o ministério do meio ambiente existem várias formas de classificar os resíduos, uma delas é por geração (por sua tipologia, por fase do processo de produção e por potencial de risco e periculosidade) e através do destino final (recicláveis e não recicláveis). Conforme o site MUNDO EDUCAÇÃO a classificação do lixo pode se dar da seguinte maneira:


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Lixo Domiciliar – gerado pelas atividades residenciais, em sua composição existe grande quantidade de matéria orgânica. É composto por restos de alimentos, produtos deteriorados, jornais, revistas, embalagens em geral, papel higiênico, etc. Lixo Comercial – originário das atividades comerciais e de serviços, como supermercados, estabelecimentos bancários, lojas, bares e restaurantes. O lixo desses estabelecimentos é composto principalmente por papeis, plásticos, restos de alimentos e embalagens. Lixo Industrial – oriundo das diversas atividades industriais. A composição desses resíduos varia conforme o tipo de indústria, podendo ser formado por cinzas, lodos, resíduos alcalinos ou ácidos, papeis, plásticos, metais, vidros, cerâmica, borracha, madeira, entre outros. Lixo dos Serviços de Saúde – produzidos por hospitais, clínicas, laboratórios, ambulatórios, consultórios odontológicos, farmácias, clínicas veterinárias e postos de saúde. São compostos por variados tipos de resíduos sépticos, seringas, agulhas, bisturis, ampolas, materiais radioativos, etc. Esse tipo de lixo deve receber tratamento especial (incineração), pois, em contato com o meio ambiente ou misturado ao lixo doméstico, poderão ser vetores de várias doenças. Lixo Público – originado nos serviços de limpeza pública, incluindo varrição de vias públicas, repartições públicas, limpeza de áreas de feiras livres, córregos, etc. É constituído principalmente por restos de vegetais, podas de árvores, embalagens, jornais, madeira, papéis e plásticos. Lixo Especial – formado por resíduos da construção civil e das atividades industriais, pode ser composto por restos de obras e demolições, pilhas, baterias, embalagens de agrotóxicos, embalagens de venenos, embalagens de remédios. Necessitam de tratamento, manipulação e transporte especial. Lixo Radioativo – resíduo resultante de rejeitos radioativos, composto de urânio enriquecido, possui elevada radioatividade. Deve ser enterrado em local com a devida estrutura de tratamento e segurança. Lixo Espacial – originado de restos provenientes de objetos lançados pelo homem no espaço. Composto principalmente por peças de foguetes, satélites artificiais e fragmentos de aparelhos que explodiram. (MUNDO EDUCAÇAO).

2.1.3 Resíduos produzidos pelo município de Caculé Bahia Na cidade de Caculé, a coleta é feita no porta-a-porta e o lixo é transportado através do caminhão compactador. A coleta do lixo é feita entre os horários de 15h às 20h. Esse serviço é realizado pela prefeitura local e é feito com a mesma frequência para todos os bairros da cidade. São gerados diariamente 5 toneladas de lixo aproximadamente, que são encaminhados para o aterro sanitário da cidade. Existe hoje na cidade uma cooperativa de catadores intitulada “Catando a Vida”, onde os catadores se sustentam através da transformação de garrafas PET em vassouras artesanais que são vendidas para a população. Com base em informações coletadas na prefeitura Municipal de Caculé, os tipos de detritos sólidos urbanos RSU’s, recolhido nesses domínios urbanos, podem ser classificados das seguintes formas: plásticos em geral, como: garrafas, garrafões, frascos dentre outras embalagens; material orgânico, como: restos de


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alimento, do seu processo de preparo; papel de diversas naturezas: jornais, revistas, caixas e embalagens; vidro: garrafas, frascos, copos; metais em geral, como: latas, alumínio, aço e similares; outros: roupas, óleos de cozinha e resíduos eletrônicos. Também é possível identificar no município e região, outros tipos de detritos diferentes dos habitualmente encontrados e que são caracterizados como tóxicos, que carecem de um destino específico, como por exemplo: pilhas, baterias, lâmpadas de qualquer natureza, restos de medicamentos e outros.

2.1.4 A relevância das cooperativas de triagem de lixo As cooperativas de catadores de resíduos recicláveis formam uma hábil alternativa para descarte adequado do volume exagerado do lixo e também para uma melhor repartição do faturamento da coletividade social. De acordo com Teixeira e Malheiros (2010), o cooperativismo é formado de princípios e de valores humanos consideravelmente nobres, sendo aptos a criar uma grandeza superior de gestão das ações econômicas de domínios do governo, e empresariais, com o sólido objetivo de fortificar benefícios sociais, e independentes, aos integrantes dos atos colaborados e suas ligações estratégicas e comerciais, praticamente livres de impostos e sem remunerações. Apesar do Brasil ter uma das melhores situações econômicas do mundo. (FUNAG, 2015), o mesmo dispõe de uma das mais precárias repartições de renda do planeta (OCDE, 2013). Em decorrência disso uma grande parcela da população tem buscado sobreviver através de meios alternativos nas ruas e por meio da seleção de resíduos recicláveis. De acordo com Silva et al. (2008), tal atividade, além de expor os cooperadores a riscos de acidente no desempenho do trabalho, ainda é uma atividade mal vista pela sociedade, pelo fato de ser desenvolvida de forma desordenada, fazendo uso dos logradouros públicos e terrenos vazios para estocar o material coletado, complicando o processo de limpeza das ruas. Por outro lado, Lima e Cordeiro (2013), diz que para mudar esse perfil estigmatizado, tais cooperadores podem se tornar associados de projetos institucionais de triagem de lixo e coleta seletiva ao se sistematizarem através de cooperativas ou corporação de colaboradores.


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Desta forma, com o aparecimento das cooperativas e a supervisão de sua gestão por parte da esfera pública e privada em suas estratégias, pode-se observar que o desempenho do trabalho destas organizações proporciona as seguintes vantagens para os envolvidos com as ações da sustentabilidade, como: maior demanda

de

emprego

e

geração

de

renda,

resgate

da

cidadania

dos

catadores/cooperados e a inserção dos mesmos na sociedade, e a retirada de catadores das condições precárias de trabalho vivenciado nas ruas e em aterros sanitários. Além disso, o trabalho com a reciclagem possibilita organizar o trabalho dos catadores nas ruas, evitando os problemas na coleta do resíduo e o armazenamento de materiais recicláveis em logradouros públicos; reduz os gastos com ações de coleta seletiva na esfera pública e privada; diminui as despesas com o processo de tratamento dos resíduos separados pelos catadores e que não serão destinados ao espaço de disposição final; melhora na saúde coletiva e o sistema de saneamento básico, como por exemplo: as bocas de lobo, fornecimento de matéria prima com custo inferior às indústrias e a diminuição na extração das mesmas na natureza. Outro fator de extrema importância é a redução nos gastos do município com o processo de destinação do lixo e a colaboração com o sistema ecológico do meio ambiente, com a minimização da matéria-prima empregada no processo, que preserva recursos e energia, tanto pela baixa no número de terrenos usados como aterros sanitário e lixões. Percebe-se que os profissionais da coleta seletiva de resíduos associados a uma cooperativa, da mesma forma que outros colaboradores, trabalham objetivando os mesmos princípios e unidos pelo mesmo propósito. Desta forma, através da valorização do trabalho e da especulação da força de serviços os cooperados visam através de suas atividades buscar a realização das suas carências financeiras e pessoais por meio da reciclagem dos resíduos. Como finalidade comercial, as cooperativas atuam na comercialização de material reciclado. Se bem administrado, esse negócio permite a negociação do valor mais acessível e também a facilidade com que esses materiais possam chegar a grandes empresas como fabricas possibilitando a utilização como matéria-prima para sua produção de maneira economicamente viável e ainda, e ainda valorizar socialmente o material oriundo da reciclagem.


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É importante citar também a relevância das cooperativas de reciclagem de lixo como agente diminuidor dos impactos ambientais. Sabe-se que o aumento da produção e do consumo em excesso traz prejuízos diretos ao sistema ecológico, aumentando assim a destruição dos recursos naturais renováveis e não renováveis do planeta, como o ar, a água e o solo. Além desta função social de resgatar a cidadania de pessoas marginalizadas que a reciclagem traz consigo, a mesma é uma grande auxiliadora no combate aos impactos ambientais gerados pela ação do homem. A reciclagem é um processo que consiste em transformar produtos usados em novos produtos que poderão retornar a cadeia de consumo sem a necessidade de retirar mais recursos naturais. Resumese em uma atividade que agrega significantemente para a preservação do meio ambiente e na redução de lixo gerado diariamente. Através desse processo também é possível diminuir a quantidade de lixo que são depositados em aterros sanitários e lixões a céu aberto contribuindo para a redução de chorume1 e gases tóxicos que são altamente prejudiciais ao meio ambiente e consequentemente a nossa saúde.

2.1.5 Sistema construtivo de taipa de pilão 2.1.5.1 Contexto histórico da taipa Segundo Margaret (06/04/ 2016) a taipa está inserida nos costumes brasileiros desde o período Brasil colônia, pois com a chegada dos portugueses em solo nacional eles se depararam com a falta de abrigo para se proteger de animais, da chuva e do povo que aqui habitava os índios. Devido à ausência de materiais que os portugueses utilizavam para construir na Europa, para a construção das primeiras edificações eles precisaram improvisar os materiais e devido a sua grande quantidade disponível esse material foi o barro e até hoje a taipa de pilão é muito utilizada no sertão do Brasil. Durante muito tempo a taipa foi vista como sinônimo de pobreza e como uma técnica construtiva obsoleta.

1

Material liquido escuro e ácido, de odor específico e desagradável, produto da decomposição da matéria orgânica.


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Mas, sabe-se que essa técnica já fora utilizada muito antes do período colonial no Brasil. Na África e no império romano e por todo o oriente essa técnica já era difundida na sociedade. Devido às propriedades incombustível, isolante térmico e resistência à mesma foi utilizada na China, especificamente em trechos da muralha da China, e já na cultura islâmica essa técnica foi empregada nas fortificações na península Ibérica.

2.1.5.2 Os dois tipos de taipa e suas características A taipa de mão, também conhecida como pau-a-pique, taipa de sabe, taipa de sopapo e barro armado são derivações da taipa, uma técnica que emprega em sua estrutura uma trama de madeira ou bambu que desempenha o papel estrutural na edificação. O barro e a água são amassados com os pés e depois de amassados são misturados com fibras vegetais como capim ou cipó. Posteriormente, essa mistura é usada para completar os espaços da trama formando a parede. Figura 4: estrutura da parede de taipa de mão

Fonte: Disponível em < https://spatialexperiments.wordpress.com/2016/02/17/rammed-earth-inbrazil/>Acesso em (18/08/2018).

Já a taipa de pilão é executada através de formas e consiste em comprimir a terra dentro das formas. O apiloamento pode ser feito manual ou mecanicamente e em camadas de 15 em 15 centímetros de altura. Para esse projeto será utilizado a taipa de pilão devido a sua melhor trabalhabilidade em edificações de grande escala.


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Figura 5: estrutura da parede de taipa de pilão

Fonte: Disponível em < http://patricultufes.blogspot.com/2012/06/tecnicas-construtivas-tradicionaisdas.html>Acesso em (18/08/2018).

A taipa de pilão é uma técnica que utiliza materiais 100% naturais, substitui o uso do concreto, atualmente o concreto é um dos maiores poluentes do planeta, porém, em alguns casos é utilizado uma pequena quantidade de cimento a fim de diminuir a espessura da parede sem perder seu desempenho estrutural. Com a modernização desta técnica, hoje é possível executar o apiloamento de forma mecânica e também dispensar a madeira utilizada nas formas, substituindo-as por cofragem pré-fabricadas sem perder a vantagem de custo benefício se comparada com outros métodos construtivos do mercado. Além do baixo custo a taipa se torna uma grande ferramenta para o desenvolvimento sustentável pois o solo é o material mais abundante e o mais amigável à terra. Assim como toda técnica construtiva, a taipa de pilão requer cuidados que devem ser observados pelo profissional responsável pela obra a fim de garantir o melhor desempenho da estrutura após ser finalizada e assegurar que a mesma resista por muitos anos contra as adversidades. Desta forma os principais cuidados que se deve ter ao construir utilizando a taipa estão relacionados à analise criteriosa do local em que se deseja construir, pois em locais com alto índice pluviométrico deve-se garantir uma boa drenagem do local com o dimensionamento correto. Em litorais a salinidade pode deteriorar as paredes, desta forma, deve-se protegê-las contra a infiltração desses grãos salinos.


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Figura 6: Drenagem ideal da área

Fonte: Disponível em < https://spatialexperiments.wordpress.com/2016/02/17/rammed-earthin-brazil/>Acesso em (18/08/2018).

Além disso, a edificação deverá contar com beirais ou sistema de pingadeiras a fim de evitar um fenômeno recorrente neste tipo de construção, que é a erosão das paredes através da chuva. Figura 7: Atuação da chuva na parede sem proteção

Fonte: Disponível em < https://spatialexperiments.wordpress.com/2016/02/17/rammed-earthin-brazil/>Acesso em (18/08/2018).

Outro aspecto, que se deve observar são as fundações. A função da fundação é distribuir de maneira uniforme no solo a carga aplicada sobre ela. Para a fundação da taipa de pilão é mais comum a utilização da sapara corrida ou isolada com sistema de viga baldrame como travamento entre elas. Para a escolha do melhor tipo de fundação deve-se analisar a resistência do solo através da sondagem SPT (standard penetration test) e a disponibilidade dos materiais na região em que for construir. Os três tipos mais utilizados são: sem cimento, concreto ciclópico e de concreto armado.


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Duas etapas primordiais irão assegurar uma boa qualidade da taipa que são: a seleção/dosagem do solo e o processo de compactação. É de extrema importância colher amostras da região (para facilitar o transporte) ou do local que irá compor a massa da taipa (se houver disponibilidade). Para a obtenção desta amostra deve-se descartar a primeira camada da terra, cerca de 30 centímetros, pois esta não é boa para a taipa. Essa amostra deve passar por um teste de granulometria para identificar a porcentagem de argila, areia e silte que compõe o solo, a primeira dá a liga necessária aos demais grãos, a segunda da resistência e o último aumenta a densidade do solo. O primeiro passo para a execução da obra é a montagem das formas. Nesta etapa as formas laterais e as formas frontais são dispostas sob a fundação com a espessura desejada, em seguida são introduzidas barras de ferro na horizontal fazendo o travamento das placas através de presilhas. Para esta etapa é dispensável o uso de pregos. As formas geralmente são feitas com chama de compensado do tipo naval resinado com 1 a 1,5m de altura, e de 2 a 4m de comprimento. Figura 8: Peças para montagem das formas

Fonte: Disponível em < https://spatialexperiments.wordpress.com/2016/02/17/rammed-earthin-brazil/>Acesso em (18/08/2018).

Em seguida é feita a compactação. A cada 15 centímetro de mistura depositada nas formas é feito o apiloamento até sentir que o som esteja consistente. Quando o solo compactado estiver próximo ao nível máximo da forma, é colocada


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outra sessão de forma para a compactação das próximas camadas. Vale ressaltar que as formas podem ser utilizadas diversas vezes. Figura 9: Apiloamento da parede de taipa

Fonte: Disponível em < https://spatialexperiments.wordpress.com/2016/02/17/rammed-earthin-brazil/>Acesso em (18/08/2018).

Quando a parede atinge a altura especificada em projeto é feito o processo de desforma, dispensando o tempo de cura como acontece com o concreto, agilizando assim a obra. As aberturas de portas e janelas são executadas na medida em que a parede é construída posicionando- se os caixilhos de madeira ou do aço. O caixilho irá desempenhar a função de verga e contra verga na estrutura. Figura 10: Execução das aberturas de portas e janelas

Fonte: Disponível em < https://spatialexperiments.wordpress.com/2016/02/17/rammed-earthin-brazil/>Acesso em (18/08/2018).


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Outra forma de executar os vãos de portas e janelas é completando a altura do peitoril com alvenaria convencional (como mostrado na figura 10). A cobertura em laje é apoiada sob as paredes autoportantes de taipa. Quanto as instalações elétricas e hidrossanitárias, as mesmas deverão ser instaladas no interior da edificação no exterior das paredes em taipa de pilão, pois as paredes autoportantes inviabiliza cortes e furos na estrutura. O mais aconselhável é executar paredes hidráulicas de concreto. Para este projeto as instalações serão executadas de modo aparente através de eletrocalhas, a fim de minimizar o uso do concreto na execução da obra. Algumas vantagens de se utilizar a taipa como técnica construtiva é: baixo custo; rápida execução; não necessita de mão de obra especializada; é uma técnica de construção ecológica. Em contra partida as desvantagens, são: fragilidade à umidade; limitação vertical; a contração do barro ao secar pode originar fissuras. É de extrema importância salientar que os passos de execução descritos são os processos manuais, pois o processo mecânico requer a execução de outros procedimentos.

2.2 Projetos Referenciais Para análise dos projetos referenciais foram estudadas três edificações de natureza similar. Sendo elas: A Milieustraat Recycling Center localizada em Dordrecht na Holanda, a Usina de Triagem de Material Reciclável de Linhares localizada em São Paulo e a Tigre reciclagem localizada em Vitória da Conquista. Esse estudo tem como principal objetivo entender como é feito o trabalho com o lixo, desde sua chegada até a obtenção do produto final nas cooperativas, analisar o programa de necessidades, entender o fluxo dos mesmos no espaço construído e como esses dois aspectos funcionam entre si, com o propósito de elaborar um projeto que seja funcional e que melhor atenda às necessidades dos usuários. A Milieustraat Recycling foi de extrema importância para a decisão tomada quanto à forma do partido arquitetônico. Sua morfologia é formada por galpões individuais, pois desta forma verificou-se que se obtém uma melhor ventilação no ambiente de trabalho que é caracterizado como quente devido à troca de calor dos maquinários, luminárias e pessoas. Essa morfologia também possibilita que os


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ventos percorram por todo o terreno de maneira uniforme ao contrário do que se tem na Usina de Triagem de Material Reciclável de Linhares que é composta por um galpão único e ambientes integrados promovendo assim uma área construída maior a ser ventilada. Já, a Tigre Reciclagem, contribuiu para a elaboração do programa de necessidades, dimensionamento da população usuária da edificação, para entender o processo de trabalho com os resíduos, conhecer todo o maquinário necessário para a execução do trabalho, e as carências no ambiente de trabalho. Foi possível também analisar o fluxo de veículos dentro da edificação, e essa percepção se deu através de visitas técnicas ao local e em conversa com os funcionários.

2.2.1 Usina de Triagem de Material Reciclável de Linhares De acordo com um site de notícias da cidade de Linhares, a cooperativa foi implantada em 2012 com o nome de CRIAR (Centro de Reciclagem, Inovação e Renovação). A central de triagem é conduzida por catadores e foi constituída a partir de uma sociedade entre a Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, outras empresas e instituições da região. Para a sua criação, foi empregado um valor estimado de R$ 200 mil. O CRIAR instituiu, na cidade, uma contemporânea Central de reciclagem, em uma área de 2700 m2 cedido pelo poder público de Linhares, onde o material é todo reunido em Pontos de Entrega estratégicos espalhados pela cidade, no porta-a-porta e através dos catadores os resíduos será separado. A proposta era implantar um galpão único e integrando setores como: recebimento do material, pesagem, separação e prensagem dos resíduos, entre outros procedimentos. Além disso, a instalação conta com diferentes níveis em seu interior com o intuito de facilitar a locomoção de objetos pesados e para setorizar a cooperativa.


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Figura 11: Partido arquitetônico da cooperativa de reciclagem de lixo de Linhares.

Fonte: Disponível em <http://www.sitedelinhares.com.br/noticias/meio-ambiente/lixo-linhares-teracentro-de-reciclagem-inovacao-aprendizagem-e-renovacao>Acesso em 27/09/2017. Figura 12: Ambiente utilizado para separação dos resíduos coletados

Fonte: Disponível em <http://www.linhares.es.gov.br/Noticias/Noticias. aspx?id=5008> Acesso em 27/09/2017.

Nesse espaço é feito o processo de seleção do resíduo através dos catadores por meio da esteira elevada e o galpão composto por estrutura metálica. Percebese também que os funcionários estão devidamente equipados para desempenho seguro do trabalho. Nessa etapa, o material coletado já separado de acordo com sua natureza e prensado espera para ser transportado na plataforma de embarque e desembarque. A cooperativa possui espaço adequando para a separação do lixo, a prensagem é feita de maneira correta, além disso, a espaço possui pavimentação e cobertura adequada.

Quanto

ao

embarque

e

desembarque,

apresentam

dimensões


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adequadas para atender o fluxo de veículos não gerando desconforto ao carregar os caminhões longos. Figura 13: Embarque e desembarque da central de reciclagem

Fonte: Disponível em (http://www.linhares.es.gov.br/Noticias/Noticias.aspx?id=5008). Acesso em 27/09/2017.

2.1.2 Milieustraat Recycling Center De acordo com sítio eletrônico de projetos arquitetônicos ArchDaily Brasil (2017), esse edifício foi Projetado no ano de 2012, pelo arquiteto Groosman, o centro de reciclagem Milieustraat Recycling Center fica localizado em Dordrecht na Holanda e conta com uma área de 3000.0 metros quadrados, escritório de 750 metros quadrados e estábulos de 1450 metros quadrados. Transformou-se o atual centro de reciclagem em um conjunto eficiente, moderno e avançado através de várias intervenções sustentáveis. Foram reutilizados quase 100% da estrutura e do material de pavimentação existente. Para a distribuição espacial dos ambientes o arquiteto optou implantar galpões individuais no setor de tratamento do lixo. Sendo assim, cada galpão recebe os resíduos da mesma natureza e um galpão para o recebimento e separação primaria de todos os resíduos que são recebidos na instalação.

Além disso, a

cooperativa conta com uma plataforma de carga e descarga integrada que atende todos os galpões o mesmo se encontra em um nível inferior aos galpões para facilitação do embarque dos resíduos já separados. A estação de relatórios está circundada por amplos galpões industriais na cor preta, e com sua fachada vermelha traz um contraste para a edificação, diferenciando assim o setor administrativo do setor de tratamento dos resíduos como


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uma forma de setorização. Além disso, o empreendimento apodera-se das formas puras e elegantes da arquitetura contemporânea. Figura 14: Central de reciclagem Milieustraat Recycling Center

Fonte: Disponível em <https://www.archdaily.com/771857/milieustraat-recycling-centre-groosman> Acesso em: 24/07/2017.

Figura 15: local para embarque e desembarque dos resíduos

Fonte: Disponível em (https://www.archdaily.com/771857/milieustraat-recycling-centre-groosman) Acesso em (24/07/2017).

É possível perceber, através da figura 15, a reafirmação de uma estética limpa e moderna e volumes repetitivos que traz para o edifício um aspecto visual singular. Percebe-se também na figura 16 a disposição de um ambiente organizado, limpo e bem iluminado trazendo melhor qualidade e desempenho no trabalho para os colaboradores.


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Figura 16: Fachada e interior da central de reciclagem.

Fonte: Disponível em (https://www.archdaily.com/771857/milieustraat-recycling-centre-groosman) Acesso em (24/07/2017). (Modificado).

2.1.3 Tigre reciclagem. Localizada na cidade de Vitória da Conquista - Bahia, no bairro Senhorinha Cairo, a cooperativa opera no mercado reciclando metal, vidro, papelão, plásticos, pet, entre outros. Com base em informações coletadas através de visita técnica no local, no dia 18 de novembro de 2017, notou-se que a Tigre Reciclagem opera hoje no mercado com 44 (quarenta e quatro) funcionários nessa unidade. A empresa possui mais duas unidades espalhadas pela cidade totalizando 80 (oitenta) funcionários. O edifício é dividido em seis setores, sendo eles: processamento de garrafas pet, processamento de papéis densos, processamento de papéis finos, processamento de metais, setor de pesagem e setor administrativo. Figura 17: Tigre Reciclagem, Vitória da Conquista - BA

Fonte: elaborado pelo autor, 2017.


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Foi percebido no local que o edifício não possui um sistema viário adequado para atender a demanda e possui uma via de acesso principal estreita gerando desconforto para manobras de veículos longos. A mesma também não dispõe de um estacionamento próprio, os funcionários e visitantes estacionam seus veículos em locais públicos vazios. No setor de pesagem os veículos são pesados carregados ao chegar ao local, e depois de descarregado os veículos são pesados novamente para detectar a quantidade de lixo que chega a central de reciclagem. O descarregamento dos veículos é feito em seus respectivos setores e o carregamento também. A central de reciclagem não possui um local específico para carga e descarga. Figura 18: Setor de pesagem

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

Após o recebimento dos papéis finos é feita a preparação dos fardos através da prensa eletrônica para a comercialização destes. Os materiais mesmo depois de tratados são depositados no chão de terra natural. Figura 19: Processo de prensagem de papeis finos

Fonte: elaborado pelo autor, 2017.


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Ainda no setor de papéis finos, estes são triturados através de uma máquina e prensados posteriormente. Foi verificado no local que os funcionários não são devidamente equipados para o desenvolvimento seguro do trabalho. Figura 20: Processo trituração do papel

Fonte: elaborado pelo autor, 2017.

No setor de processamento de PET’s, é feito a separação de acordo com a composição e cor do material e depois já selecionado vai para a prensagem, que é feita através de máquinas de prensa eletrônica. No processo de prensa, são feitos os fardos e estes não tem local específico para armazenamento, ou seja, um depósito adequado. Os mesmos ficam à espera de embarque no local de separação e prensa. Figura 21: Separação de secundaria de PET’s

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

Na imagem acima, é possível perceber o material já separado e a utilização de equipamentos auxiliares, como tambores que armazenam temporariamente os resíduos e uma bancada de seleção de resíduos. Nesta etapa, acontece a seleção secundária, onde os petes já foram separados dos demais materiais como madeira, papéis, metais, entre outros.


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O setor de processamento dos metais não possui cobertura e pavimentação adequada. O trabalho é realizado sem conforto para os funcionários. Para esse tipo de resíduos não é feito a prensagem. Figura 22: Setor de processamento dos metais

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

O setor administrativo é composto por um módulo que fica integrado aos setores de processamento dos materiais e possui uma sala de administração e um sanitário. Foi percebido no local que o acesso ao bloco administrativo fica comprometido por conta dos resíduos coletados, outro ponto negativo é o excesso de ruído produzido pelos maquinários neste ambiente que requer tranquilidade. Figura 23: Setor administrativo

Fonte: Elaborado pelo autor

O local, dispõe de apenas um sanitário para ambos os sexos, o mesmo possui 3 (três) cubas e 3 (três) bacias sanitárias para atender uma população de 44 (quarenta e quatro) pessoas. A cooperativa, também não possui um espaço


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específico para os funcionários, como um refeitório ou cozinha. As refeições são feitas em meio aos resíduos com rico de contaminação em potencial. Figura 24: Sanitário

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.


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3 APRESENTAÇÃO DA ÁREA

3.1 Inserção do empreendimento A cidade de Caculé, está localizada no estado da Bahia. Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística- IBGE, Caculé, é povoada por um total de 23.817 habitantes (censo 2010), com uma densidade demográfica de 33,27 hab/km². Possui uma população urbana de aproximadamente 56% (cinquenta e seis por cento) e 44% (quarenta e quatro) rural. No dia 14 de agosto de 1919, a lei estadual nº 1.365 criou o município de Caculé, território antes pertencente à cidade de Caetité. A sua instalação aconteceu no dia 1 de janeiro de 1920, desta forma o arraial de Caculé foi caracterizado como vila, transformando-se em cidade no dia 30 de março de 1938. Caculé possui uma área de 610.983 Km², uma altitude média de 587 metros, é banhada pelos rios do Antônio, Paiol e Faca. Limita-se ao norte com Caetité e Ibiassucê; ao sul com Condeúba e Jacaraci; ao leste com Rio do Antônio e Guajeru e ao oeste, com Licínio de Almeida e Pindaí. A distância até a capital baiana é de 782 quilômetros. Figura 25: Vista aérea de Caculé

Fonte: Disponível em (http://www.caculeonline.com.br/site/?p=3562). Acesso em (24/07/2018).


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3.2 Localização O terreno, escolhido para implantação da cooperativa de reciclagem de lixo doméstico, está localizado em zona rural, de classe baixa da cidade de Caculé e propenso a crescimento de edificações de natureza industrial. Possui área de aproximadamente 18.130,85 m², incluindo a área reservada para faixa de domínio e 14.164.36 m² de área livre para ser trabalhada. Localiza-se na BA-026, 1,2 quilômetros da zona urbana, via que dá acesso ao município vizinho Licínio de Almeida. Além disso, o terreno se encontra as margens da cidade, fora do meio urbano. O terreno está situado em local estratégico, pois está entre a cidade e o local onde é feito o descarte final do lixo, coletado pelo serviço de limpeza pública da cidade (o lixão a céu aberto), facilitando assim, a locomoção do resíduo sem que haja um distanciamento da rota habitual. O mesmo não possui vegetação ativa, é possível perceber o descarte inadequado de resíduos sólidos no local escolhido.

Figura 26: Mapa de localização – Terreno trabalhado

Fonte: Elaborado pelo Autor, 2018.


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Figura 27: Imagem aérea do terreno trabalhado

Fonte: Elaborado pelo Autor, 2018.

3.3 Usos e atividades do entorno O local, foi escolhido, por estar às margens do meio urbano e possuir vários vazios que estão em crescente expansão para edificações de natureza industrial, pois a cidade não possui capacidade de acolher tais atividades no centro urbano. É possível perceber na imagem abaixo as principais atividades que são desenvolvidas no entorno do terreno escolhido, e a definição da situação atual de uso do solo na região. Figura 28: Mapa com estudo do entorno

Fonte: Elaborado pelo Autor, 2018.


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3.4 Indicação de infraestrutura urbana Á área escolhida para a inserção do empreendimento está situada fora do meio urbano, inserida em meio rural. A área conta com o maior percentual de lotes vazios em seu entorno, e o acesso ao terreno se dá através da BA-026, cuja pavimentação e se encontra em bom estado. Porém, a área não possui calçadas, o local não dispõe de equipamentos urbanos, como: lixeiras, bancos, pontos de ônibus, entre outros. Outro serviço não disponível no local é a rede de esgoto. O entorno possui sistema de iluminação fornecida pela Coelba (Companhia de Eletricidade do estado da Bahia) e a Embasa (Empresa Baiana de Água e Saneamento) por sua vez, administra o abastecimento de água e energia elétrica regularmente. A via principal BA-026, que dá acesso ao terreno, interliga as cidades Licínio de Almeida e Caculé, possui duplo sentido de tráfego e fluxo intenso de veículos. Observou-se que esta via não dispõe de sinalização adequada, faixas de desaceleração para os acessos aos terrenos e edificações existentes ao longo desta, propiciando a ocorrência de acidentes. Figura 29: Sistema viário

Fonte: Elaborado pelo Autor, 2018.


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3.5 Condicionantes Físicos Com base, na análise feita na topografia do local, é sabido que o mesmo possui um aclive de 2.20 metros, com relação ao ponto mais baixo do terreno que é a BA-026. Com isso, foi decidida a utilização da topografia original do terreno nas áreas livres, e nas partes de circulação de veículos e pedestres, uma vez que o desnível natural não influenciará na qualidade de locomoção no terreno. Nas áreas edificadas, no setor de tratamento do lixo, foi necessária a realização de corte e aterro para a facilitação do embarque e desembarque dos resíduos nas plataformas respectivas, pois foi verificado a necessidade de igualar a altura das plataformas aos caminhões para melhor desempenho do trabalho realizado. Também foi utilizado corte e aterro no setor educacional, apoio para funcionários, serviço e administrativo para que os mesmos ficassem planos. Para que essa ideia fosse possível, foi necessário o dimensionamento de rampas e escadas para dar acesso ao interior das áreas construídas. Figura 30: Estudo topográfico

Fonte: Elaborado pelo Autor, 2018.


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Figura 31: Corte planialtimétrico do terreno

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.

Caculé, está inserida na região nordeste e a maior característica dessa região é a seca, isso se dá por diversos fatores, dentre eles a localização geográfica da região. A mesma se localiza na região intertropical da terra, portanto o índice de luz solar é mais incidente nesse local. Com isso tem-se uma temperatura elevada durante o ano todo. Além disso, as chuvas não são bem distribuídas no decorrer do ano. Na região nordeste é identificado três tipos de climas: tropical, semiárido e equatorial úmido. Segundo o sistema de classificação global dos tipos climáticos mais utilizado em geografia, climatologia e ecologia de Köppen-Geiger, a classificação do clima em Caculé é BSh, o clima semiárido. De acordo com os dados fornecidos pelo mesmo, a cidade apresenta pouca pluviosidade ao decorrer do ano e tem uma temperatura média de 22.9 °C. A média anual de pluviosidade é de 736 mm. Figura 32: Gráfico do índice pluviométrico da cidade de Caculé Bahia

Fonte: Disponível em (https://pt.climate-data.org/location/43251/) Acesso em (05/07/2018).


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É possível, perceber que o índice pluviométrico é baixo no mês de julho com um percentual de 2mm nesse mês. No mês de dezembro o percentual pluviométrico é de 165mm, o que o torna o mês de maior precipitação do ano. Figura 33: Gráfico da temperatura média anual na cidade de Caculé-Bahia

Fonte: Disponível em (https://pt.climate-data.org/location/43251/) Acesso em (05/07/2018).

Como demonstra o gráfico, o mês mais quente do ano é o mês de outubro, apresentando uma temperatura média de 24.4°C. O mês de julho apresenta menor temperatura no decorrer do ano. Com base em análise feita no local verificou-se que o sol nascente (Leste) incide na fachada nordeste e sudeste do terreno e o sol poente (Oeste) incide na fachada noroeste e sudoeste do terreno. Dessa forma a edificação foi posicionada de forma estratégica para receber a insolação de qualidade, o sol nascente, no setor de trabalho dos operários, pois ambientes industriais tendem a ser mais quentes devido à emissão de calor dos equipamentos, das luminárias e instalações elétricas, entre outras fontes, com o intuito de garantir uma temperatura agradável para o desempenho do trabalho. Além disso, foi proposta uma cobertura vegetal entre os galpões para diminuir a reflexão dos raios solares na edificação além do telhado verde em alguns blocos do empreendimento. De acordo, com o estudo de ventilação para o local, notou-se a predominância dos ventos no sentido nordeste (NE) para sudoeste (SO) e no sentido sudeste (SE) para noroeste (NO), o que possibilitou dispor a edificação de maneira que o vento percorra entre os galpões de tratamento do lixo, sem que a


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própria edificação forme uma barreira impedindo os ventos de atingir os demais pontos do terreno. Além disso, os galpões contam com sistema de ventilação cruzada e aberturas próximas da laje para a retirada do ar quente, que fica na parte mais alta no interior da edificação para fora da mesma. Devido ao baixo nível pluviométrico nessa região, será proposto um reservatório ao nível do chão para armazenar a água pluvial que será captada através das calhas dos telhados. Para a solução do ramal de escoamento de esgoto, será instalada uma fossa séptica.

Figura 34: Estudo climático

Fonte: Elaborado pelo autor, outubro de 2018.

3.6 Legislação É sabido que a cidade de Caculé, não possui diretrizes que padronizam a construção civil local, então como parâmetros para determinar os condicionantes físicos para este projeto, será utilizado o Plano Diretor Urbano de Vitória da Conquista (2015), o Código de Obras (2006), a NBR 9077/2001 - Saídas de emergência em edifícios e a NBR 9050/2015 - Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos.


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Em análise ao local escolhido para a inserção do empreendimento, notouse que o bairro abrange poucas residências e possui predominância de atividades industriais, além disso, o terreno se encontra fora do meio urbano. Então serão utilizados os critérios e restrições aplicáveis a zona de uso referente a Lagoa das Flores, bairro de Vitória da Conquista, devido à semelhança entre as atividades desenvolvidas em ambos. Figura 35: Tabela de categoria de uso - Plano Diretor de Vitória da Conquista

CÓDIGO

CATEGORIA DE USO SERVIÇOS - S

S-7.12

Reciclagem de materiais

S-3.15

Outros serviços de ensino, cursos e habilitação não classificados Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.

De acordo com a lei complementar nº 2.043, a área de influência determina os seguintes dados: Figura 36: Tabela 3 – Anexo 1: Quadro 2.2 - Lei complementar nº 2.043

Área de influência: Local

Atividades e empreendimentos em área construída até 500m²

Municipal

Atividades e empreendimentos em área construída de 500 a 2.000m²

Regional

Atividades e empreendimentos em área construída acima de 2.000m² Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.

Figura 37: Tabela 1 – Anexo II: Quadro 3.1 - Critérios e restrições aplicáveis ao bairro Lagoa das Flores Ca Recuos Dimensões mínimas mínimos Zona de uso

Localização

Usos permitidos

Cab

Cam

Co

Cp

Frontal

Lateral

Guarani, Cruzeiro, Alto do Maron, Primavera I, Lagoa das Flores I

CA, CV, S -até os de Nível Local; ID-a - até o de Nível Local; R, E, IN

1,0

1,5

0,60

0,20

3,00

1,50

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.

Lote mínimo (m²) 250,0

Testada mínima 10,0


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Em estudo ao Plano Diretor Urbano da cidade de Vitória da Conquista, verificou-se que o mesmo não possui categoria específica que determina a quantidade mínima de estacionamento para este tipo de edificação. Em decorrência da ausência dessas informações, a quantidade de vagas previstas para esse projeto foi baseada na população especificada para dimensionamento dos demais elementos no projeto. Desta forma, foi levado em conta a quantidade de acentos no auditório, e a quantidade de cooperadores por turno de trabalho. Sendo assim tem-se: 50 vagas para carros, 03 vagas para idosos, duas vagas para pessoas portadoras de deficiências, 30 vagas para motocicletas e duas vagas para veículos longos do tipo ônibus. Além disso, o projeto conta com um bicicletário e 08 vagas para veículos de carga. Sobre as instalações sanitárias, foi utilizado como parâmetro o documento do ministério das cidades, Sugestões para o Projeto Dos Galpões e a Organização da Coleta Seletiva, citado pelo Urbanista Tarcísio de Paula Pinto, que específica que para cada 20 usuários será instalado 1 lavatório e um vaso sanitário e para cada 10 usuários será instalado um chuveiro, havendo também a necessidade de armários nos vestiários. Figura 38: Instalações de apoio

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.

Vale ressaltar que para lavatórios e vasos sanitários foram utilizados os mesmos parâmetros para chuveiros de uma unidade para cada 10 usuários, separados por sexo. As saídas de emergência foram previstas de acordo com as atividades desenvolvidas nos setores correspondentes, dessa forma, foi possível prever


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adequadamente as saídas de emergência para o setor de tratamento do lixo, auditório e salas e ensino prático e teórico e no refeitório. Por se tratar de uma edificação térrea não houve a necessidade de dimensionar escadas especiais. A IT 11/2016 - Saídas de emergência em edifícios, decreto 16302/2015 restringe as seguintes exigências para edificações quanto ao uso: Figura 39: Tabela 1 – Classificação das edificações quanto à sua ocupação Tabela 1 – Classificação das edificações, estruturas e áreas de risco quanto à ocupação Grupo

Ocupação

Divisão

Descrição

Exemplos Atividades industriais que

I

Industria

I-3

Locais onde há alto risco de incêndio. Locais com carga de incêndio superior a 1.200 MJ/m2

envolvam

inflamáveis,

materiais oxidantes, ceras, espuma

sintética,

tintas,

grãos,

borracha,

processamento de lixo. Fonte: IT 11/2016 - Saídas de emergência em edifícios, decreto 16302/2015 / Modificado. Figura 40: Tabela 1 – Classificação das edificações quanto à sua ocupação Tabela 1 – Classificação das edificações quanto à sua ocupação Grupo

Ocupação

Divisão

F-1 F

Descrição

Exemplos

Locais onde a objetos de valor inestimável

Museus, galeria de arte,

Locais de reunião de publico

arquivos,

bibliotecas

assemelhados. Templos e auditórios F-2

Igrejas, sinagogas. Templos e auditórios em geral

Fonte: IT 11/2016 - Saídas de emergência em edifícios, decreto 16302/2015 / Modificado. Figura 41: Tabela 5 – Dados para o dimensionamento das saídas Tabela 5 – Dados para dimensionamento das saídas Ocupação Grupo

F

Divisão

F-2, F-5, F-8

e

Capacidade de U. de passagem População

Uma pessoa por m2 de área (E) (G)

Acesso e descarga

Escadas e rampas

100

75

Fonte: IT11/2016 / Modificado

Portas

100


50

Figura 42: Tabela 1 – Classificação das edificações quanto à sua ocupação Tabela 1 – Classificação das edificações quanto à sua ocupação Grupo

Ocupação

Divisão

Descrição

Exemplos

F

Locais de reunião de publico

F-8

Locais para refeições

Restaurantes, lanchonetes, bares, cafés, refeitórios, Cantinas e outros

Fonte: IT 11/2016 - Saídas de emergência em edifícios, decreto 16302/2015 / Modificado. Figura 43: Tabela 5 – Dados para o dimensionamento das saídas Tabela 5 – Dados para dimensionamento das saídas Ocupação Grupo

Capacidade de U. de passagem

Divisão

F-2, F-5, F-8

F

População Uma pessoa por m2 de área (E) (G)

Acesso e descarga

Escadas e rampas

100

75

Portas

100

Fonte: IT 11/2016 / Modificado

Figura 44: Tabela 6 - Distâncias máximas a serem percorridas Tabela 6 - Distâncias máximas a serem percorridas Sem chuveiro automático Tipo de edificação

Grupo e divisão de ocupação

C, D, E, F, G-3, G-4, G-5, H, I

Z

Saída única

30,00m

Com chuveiro automático

Mais de uma saída

Saída única

40,00m

45,00m

Mais de uma saída

55,00m

Fonte: NBR 9077 / Modificado

De acordo com a NBR – 5626 Instalação Predial de Água Fria, este sistema pode ser classificado como água com temperatura equivalente as condições ambiente. Segundo Carvalho Junior (2007), as instalações de água fria, são compostas de tubulações, equipamentos, reservatórios e dispositivos, destinados ao abastecimento dos aparelhos e pontos de consumo de água do edifício. A NBR – 5626 Instalação predial de água fria diz que os reservatórios devem ser dimensionados a fim de atender as necessidades das edificações considerando a frequência de interrupções na servidão de água, bem como


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devem ter capacidade para atender a demanda do edifício por dois dias. A norma regulamenta também que para edificações de mais de três pavimentos deverá ser instalado reservatório inferior e reservatório superior. Segundo Creder (2006) e a NBR 5626/98, o reservatório inferior deve ter capacidade para armazenar 60% e o superior 40% do consumo. A reserva técnica de incêndio foi dimensionada com base na NBR 13.714/2000. Figura 45: Classificação do consumo de diário de água por pessoa

Prédio

Consumo (litro)

Fabricas em geral (uso pessoal)

70 por operário

Fonte: Disponível em (www.niltonneto.webnode.com) Acesso em (05/07/2018). Modificado

Para o cálculo da capacidade dos reservatórios foi utilizada a categoria de uso de fabricas em geral que especifica que para cada operário o consumo diário é de 70 litros. Sabendo disso foi possível fazer o dimensionamento dos reservatórios para melhor atender aos usuários da edificação. Figura 46: Memorial de cálculo dos reservatórios

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.


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Figura 47: Aplicabilidade dos tipos de sistema e reserva de incêndio mínima

Fonte: IT11/2016 / Modificado

De acordo com a IT 22/2016, a reserva mínima para incêndio é de 48 metros cúbicos como mostra a figura 44. Uma vez que o empreendimento está classificado como L-3, industrial e a metragem quadrada total se encontra entre 2.500 e 5.000 metros quadrados. Como foi citado anteriormente, o terreno escolhido se encontra paralelo a rodovia BA-026, submetido ao cumprimento do decreto-lei nº 3.365, de 21 de junho de 1941, que constitui-se no processo de nº 10/006585 da repartição de infraestrutura de transportes da Bahia - DERBA, sobe o registro de nº 0900100015073 da secretaria de infraestrutura do estado da Bahia, O governo do estado da Bahia, no emprego de suas responsabilidades e à vista do disposto no art. 105, inciso v, da constituição estadual, no art. 5º, fica estabelecido que nessa condição é imprescindível o uso de uma faixa de domínio de até 60,00 (sessenta) metros de largura, sendo 30,00 (trinta) metros para cada lado, medidos do eixo central dos trechos das rodovias ficam declaradas de utilidade pública, o descumprimento desta lei implica em desapropriação as áreas de terra e qualquer ambiente construído quando houver necessidade de ampliação da rodovia.


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4 CONCEITO E PARTIDO O conceito de geocentrismo e heliocentrismo na astronomia foram desenvolvidos pelos astrônomos Cláudio Ptolomeu e Nicolau Copérnico.

No

início da era cristã, o astrônomo grego Claudio Ptolomeu desenvolveu a teoria Geocêntrica, também conhecida como sistema ptolomaico. Em seu livro, intitulado Almagesto, ele defendia a teoria de que a terra está no centro do sistema solar, e os demais astros orbitam ao redor dela, fazendo assim alusão a estrela mais importante do espaço, a Terra.

Mas, após 14 séculos, Nicolau Copérnico

elaborou uma outra conformação do sistema solar, o heliocentrismo, que contestava a teoria geocêntrica. Nessa conformação, segundo Copérnico, a Terra e os demais planetas se movimentam ao redor de um ponto próximo ao sol, sendo este, o verdadeiro centro do sistema solar. Fazendo uma analogia direta deste estudo estabelecido, o conceito adotado será o heliocentrismo, pois pode-se perceber, no quadro atual da arquitetura mundial, projetos magníficos, mas que no entanto contradizem esteticamente e historicamente com a paisagem natural onde os mesmos se inserem, voltando assim toda a atenção para si. Então, partindo desta premissa, a proposta é desenvolver um projeto que respeite e se misture ao máximo com o local escolhido. Para atingir tal feito, o partido adotado está na utilização de uma das técnicas construtivas mais antigas da história da construção civil que é a taipa de pilão. Esta técnica construtiva além de ser biotecnológica e sustentável se torna viável economicamente, pois sua matéria prima base é o solo natural onde será construído, e também, atribui ao projeto um melhoramento substancial no desempenho térmico da edificação. Figura 48: Construção utilizando a taipa de pilão

Fonte: Disponível em (https://br.pinterest.com/pin/722546333936712020/?lp=true). Acesso em (05/07/2018)


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Na figura 49, é evidente a ausência do contraste de cores entre o ambiente construído e a paisagem natural, fazendo assim, com que a edificação se encaixe na mesma, além disso, agrega esteticamente e funcionalmente a construção. Também foi observado na paisagem natural do local escolhido a predominância de linhas retas, sobretudo, a linha do horizonte, logo, essas características também foram adotadas a fim de consolidar a intenção conceitual. Figura 49: foto do terreno escolhido

Fonte: Google Maps. Acesso em (05/07/2018)

O estudo volumétrico foi desenvolvido principalmente em função do clima e do relevo do local escolhido, além disso, os volumes foram estudados dentro das limitações da técnica construtiva escolhida, a taipa de pilão. Outra característica importante para a definição da volumetria, foi manter a fidelidade do conceito estabelecido, desta forma o volume escolhido para a edificação foi a opção 03 como mostra a imagem 50. Figura 50: Estudo volumétrico

Fonte: Elaborado pelo autor, outubro de 2018.


55

Figura 51: Estudo de implantação

Fonte: Elaborado pelo autor, outubro de 2018


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5 PROGRAMA Para a elaboração deste projeto, foram desenvolvidas as seguintes estruturas

organizacionais:

organograma,

programa

de

necessidades,

e

funcionograma e fluxograma. A princípio o organograma possibilitou estabelecer com base nas atividades que serão desenvolvidas no empreendimento, cinco setores que comunicam entre si de maneira orgânica e funcional. Sendo assim tem-se o setor administrativo, que se comunica com o setor de tratamento do lixo, apoio para funcionários, setor educacional e o setor de serviço. O setor de tratamento do lixo está ligado ao setor educacional e o setor de apoio aos funcionários. Com base no exercício das funções exposto, foi desenvolvida a hierarquia da composição dos espaços. Figura 52: Organograma

Fonte: Elaborado pelo Autor, 2018.

Foram utilizadas duas ferramentas primordiais para o entendimento do funcionamento de uma edificação dessa natureza ao elaborar o programa de necessidades e o pré-dimensionamento deste projeto. São elas: os projetos referenciais, onde foi possível realizar visitas técnicas e consequentemente avaliações na estrutura do local, e o manual de microempresas sugerido pela SEBRAE. Além disso, este equipamento foi dimensionado para atender 30 funcionários por turno de trabalho, serão estabelecidos dois turnos de trabalho por dia, desta maneira é possível incluir um número maior de pessoas envolvidas no processo de trabalho. Esse número foi baseado em um projeto referencial, a cooperativa de recicláveis, Tigre Reciclagem, que hoje opera no mercado com 80 funcionários na cidade de Vitória da Conquista.


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Segundo o ministério das cidades (SNSA), sob a gestão do urbanista Tarcísio de Paula Pinto a capacidade de um triador é de 200 KG/dia. Sabe-se que é produzido diariamente 5 toneladas de lixo em Caculé, considerando 30 funcionários/turno a produção diária para cada triador e de 167 KG/dia. Ainda segundo Tarcísio a produção diária de um enfardador é de 600 KG/dia. Sendo assim, os depósitos foram dimensionados para comportar três dias de produção. PROGRAMA DE NECESSIDADES E PRÉ-DIMENSIONAMENTO Setor

TRATAMENTO DO LIXO

Ambiente

Plataforma de descarga

Quantidade

População fixa

Área mínima estimada

01

Sanitário masculino e feminino

01

DML

01

30 m²

5 m²

Descrição do ambiente É nesse ambiente onde se tem o primeiro contato com os resíduos. Nele acontece a descarga e a triagem primaria dos sólidos Destinado aos funcionários coma finalidade de atender suas necessidades fisiológicas Local para guarda de materiais de limpeza e similar

Galpão 01 (RECUPERAÇÃO DE PET’s E DEMAIS PLASTICOS)

TRATAMENTO DO LIXO

Separação secundária

02

100 m²

Setor de Prensagem

02

70 m²

Deposito 01

03

15 m²

Deposito 02

01

15 m²

Lugar onde é feita separação do material por cores e natureza dos plásticos e garrafas PET Local onde é feita a prensagem dos resíduos e montagem dos fardos. Local de armazenamento dos fardos onde o mesmo irá aguardar para ser transportado Local destinado a guarda de materiais de trabalho


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Plataforma de embarque

01

35 m²

Local onde é feito o carregamento dos caminhões

Galpão 02 (RECUPERAÇÃO DE PAPEIS)

TRATAMENTO DO LIXO

Separação secundária

02

100 m²

Setor de Prensagem

02

70 m²

Deposito 01

03

15 m²

Deposito 02

01

15 m²

Plataforma de embarque

01

35 m²

Lugar onde é feita separação do material por cores e natureza dos plásticos e garrafas PET Local onde é feita a prensagem dos resíduos e montagem dos fardos. Local de armazenamento dos fardos onde o mesmo irá aguardar para ser transportado Local destinado a guarda de materiais de trabalho Local onde é feito o carregamento dos caminhões

Galpão 03 (RECUPERAÇÃO DE METAIS)

TRATAMENTO DO LIXO

Separação secundária

02

100 m²

Setor de Prensagem

02

70 m²

Deposito 01

03

15 m²

Deposito 02

01

15 m²

Plataforma de embarque

01

35 m²

Lugar onde é feita separação do material por cores e natureza dos plásticos e garrafas PET Local onde é feita a prensagem dos resíduos e montagem dos fardos. Local de armazenamento dos fardos onde o mesmo irá aguardar para ser transportado Local destinado a guarda de materiais de trabalho Local onde é feito o carregamento dos caminhões


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Galpão 04 (RECUPERAÇÃO DE VIDRO)

TRATAMENTO DO LIXO

Separação secundária

Setor de Prensagem

02

100 m²

02

70 m²

Deposito 01

03

15 m²

Deposito 02

01

15 m²

Plataforma de embarque

01

35 m²

Lugar onde é feita separação do material por cores e natureza dos plásticos e garrafas PET Local onde é feita a prensagem dos resíduos e montagem dos fardos. Local de armazenamento dos fardos onde o mesmo irá aguardar para ser transportado Local destinado a guarda de materiais de trabalho Local onde é feito o carregamento dos caminhões

Galpão 05 (RECUPERAÇÂO DE MADEIRA E MATERIAIS NÃO RECICLAVEIS)

TRATAMENTO DO LIXO

Separação secundária

02

100 m²

Setor de Prensagem

02

70 m²

Deposito 01

03

15 m²

Deposito 02

01

15 m²

Plataforma de embarque

01

35 m²

Lugar onde é feita separação do material por cores e natureza dos plásticos e garrafas PET Local onde é feita a prensagem dos resíduos e montagem dos fardos. Local de armazenamento dos fardos onde o mesmo irá aguardar para ser transportado Local destinado a guarda de materiais de trabalho Local onde é feito o carregamento dos caminhões


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PROGRAMA DE NECESSIDADES E PRÉ-DIMENSIONAMENTO Setor

Ambiente

Quantidade

SETOR ADMINISTRATIVO

Sala de administração

População fixa

Área mínima estimada

Descrição do ambiente

01

15m²

Local para gerenciamento da edificação

Sala para reuniões

01

20 m²

Almoxarifado

01

8 m²

Local para reuniões formais coletiva Local para guarda de documentos

Recepção

01

25 m²

Sala de primeiros socorros

01

12 m²

Sanitário Masculino

01

5 m²

Sanitário Masculino

01

5m²

Local para atendimento e espera de pessoas Local onde é feito os primeiros cuidados médicos Para utilização dos funcionários Para utilização dos funcionários

PROGRAMA DE NECESSIDADES E PRÉ-DIMENSIONAMENTO Setor

Ambiente

Quantidade

Área mínima estimada

Descrição do ambiente

SETOR EDUCACIONAL

Sala para ensino teórico

01

50m²

Sala para ensino pratico

01

50 m²

Auditório

01

90 m²

Recepção

01

70 m²

DML

01

4 m²

Sanitário Masculino

02

15 m²

Local para capacitação de catadores Local para capacitação de catadores Local para palestras e ações sociais Local para atendimento e espera de pessoas Local para armazenamento de matérias para limpeza Para utilização dos funcionários

Sanitário Masculino

02

15m²

População fixa

Para utilização dos funcionários


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PROGRAMA DE NECESSIDADES E PRÉ-DIMENSIONAMENTO Setor

Ambiente

Quantidade

Área mínima estimada

Descrição do ambiente

Setor de apoio para funcionários

Refeitório

01

70m²

Descanso

01

70 m²

Local especifico onde serão feitas as refeições Local para descanso e descontração dos funcionários

Vestiários

01

40 m²

Copa

01

30 m²

DML

01

10 m²

Área de serviço

01

5 m²

População fixa

Local para uso dos funcionários. Local para guarda e manuseio de alimentos Local para armazenamento de matérias para limpeza Local para limpeza de utensílios de apoio da copa

PROGRAMA DE NECESSIDADES E PRÉ-DIMENSIONAMENTO Setor

Ambiente

Quantidade

Área mínima estimada

Descrição do ambiente

SETOR DE SERVIÇO

Casa de gás

01

8 m²

Guarita 01

01

8 m²

Guarita 02

01

8 m²

Casa de 01 maquinas Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.

20 m²

Local para abrigo de cilindro de gás Local para controle de acesso de pessoas e veículos a edificação Local para controle de acesso de pessoas e veículos Local para abrigar maquinário

População fixa


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Figura 53: Fluxograma

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.

O fluxograma apresenta a organização e a trajetória idealizada para o processo de tratamento dos resíduos sólidos, facilitando a disposição dos ambientes no projeto arquitetônico, este foi de extrema importância para o dimensionamento do setor de tratamento do lixo, para que haja funcionalidade e processo ocorra sem a necessidade de deslocamentos desnecessários. A seguir, será apresentado um funcionograma, que trará detalhadamente os ambientes previstos e distribuídos por setores. Esse sistema é uma ampliação do fluxograma, auxilia no entendimento do projeto e elucida o funcionamento dos fluxos, acessos e organização de cada ambiente.


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Figura 54: Funcionograma


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6 PROPOSTA/PROJETO O projeto está traçado na implantação de uma cooperativa de reciclagem de lixo na cidade de Caculé. Este se baseia na necessidade de um empreendimento desta natureza, não só para a cidade, mas para o planeta, no que se refere aos impactos causados ao meio ambiente em decorrência das ações dos seres humanos. O projeto foi idealizado através da conciliação de uma antiga técnica construtiva com grande potencial ecológico e pouco utilizada na construção civil. A modernização deste modelo de construção aliada à influência da arquitetura possibilitou a saída da convenção sistemática, amparando-se na crescente inovação que os centros urbanos têm vivenciado. Para o presente projeto, foi definida utilização da taipa de pilão apenas nas paredes externas da edificação. Para direcionar o início do projeto, foram determinados alguns preceitos: o estudo topográfico, a implantação do terreno, as restrições legais (como legislações municipais e nacionais), estudos de ventilação e iluminação, definição dos setores e organização dos espaços internos da edificação, estudo do sistema viário, acessibilidade aos usuários do empreendimento e, por fim, a proposta de um projeto funcional, agradável e que propicie experiências laborativas no ambiente de trabalho. Na grande maioria de empreendimentos nessa modalidade, a exemplo do Catar, dispõe de componentes como a iluminação, layout, vegetação e design de interior atribuindo valor no local de trabalho, assim como outras características primordiais para esta tipologia, como conforto acústico, iluminação e ventilação natural, entre outros. A intenção deste projeto foi possibilitar aos trabalhadores um ambiente prazeroso para o desempenho das atividades. A planta de edificação foi distribuída em dois blocos. No bloco 01 foram priorizados os setores: administrativo, de ensino e apoio aos funcionários. Já no bloco 02 foi projetado o setor de tratamento do lixo. A comunicação entre os blocos foi pensada de maneira que facilitasse o acesso em ambos e, priorizando também, a comunicação funcional entre eles, dentro das limitações impostas pelo processo de manuseio do lixo.


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Desta forma, com base nos estudos de ventilação daquela região, foi possível minimizar a incidência de ruídos e odores (uma vez que eles são transportados pelos ventos), no bloco 01, onde estão localizados os setores de apoio. Figura 55: Distribuição dos blocos

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.

A distribuição dos ambientes do bloco 01 partiu de um espaço comum, uma recepção, esta possui sanitários feminino e masculino, ambos dispõem de sanitários PCD. A recepção, monitora o acesso ao setor administrativo e de ensino. O setor administrativo é composto por ambientes como: sala de reunião, sala de primeiros socorros, escritório, almoxarifado, sanitários, sanitários PCD, e uma pequena recepção. Já o setor educacional conta com um auditório, uma sala de ensino teórico e uma sala de ensino prático. A proposta é que no auditório aconteçam palestras e debates, sobretudo com os alunos das escolas da região, acerca da importância da reciclagem do lixo para o planeta. Na sala de ensino prático, as pessoas poderão aprender a reciclar os resíduos de maneira correta e segura; ainda nesta


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sala será feita a capacitação de novos catadores do empreendimento. Para que isso seja possível a sala será equipada com bancadas em aço, pias para higienização e armários de apoio.

Figura 56: setorização do bloco 01

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018

O setor de apoio aos funcionários está localizado no bloco 01 e conta com uma copa, um refeitório, um espaço de descanso coberto e descoberto, DML, área de serviço, sanitário e vestiário masculino e feminino. Possui acesso externo e interno; o acesso externo foi pensado de forma que direcionem os catadores a passarem pelos banheiros através de um corredor, forçando os funcionários a se limparem antes de ter acesso ao refeitório e a área de descanso. A copa conta com geladeira, fogão para preparo de café e micro-ondas para armazenamento e manuseio das refeições. No bloco 02, acontece todo o trabalho com a separação dos resíduos. Este bloco foi separado em cinco galpões tipo e uma área de recebimento e separação primaria dos resíduos. A proposta foi dividir os galpões de acordo com o respectivo material que será manuseado, ou seja, cada galpão irá tratar de um


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material específico. Sendo eles o plástico, papéis, metais, vidro e madeira. Desta forma obtêm-se um local de trabalho organizado e com referência espacial. Para o setor de tratamento do lixo, é de extrema importância que se mantenha um fluxo linear na hierarquia da linha de produção, pensando nisso este setor foi projetado de maneira que, os resíduos mantenham uma trajetória contínua desde a chegada destes na cooperativa, até a obtenção do produto final. Foi analisado também, a importância de um ambiente de trabalho sem diferenças de nível, desta forma, evita-se a presença de rampas e degraus no trajeto dos resíduos facilitando a locomoção destes. Para isso houve a necessidade de trabalhar com corte e aterro uma vez que o terreno se encontra em aclive. Figura 57: Setorização do bloco 02

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.

No galpão, a matéria pré-selecionada é submetida a uma separação secundaria, feita por cores e densidade como no caso das garrafas PET’s. Após,


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a seleção secundaria o resíduo é direcionado para o setor de trituramento e em seguida o mesmo é prensado transformando-o em fardos para estocagem. Posteriormente, os fardos são armazenados nos depósitos onde aguardará para ser comercializado. Este procedimento pode variar de acordo com cada resíduo. Os equipamentos utilizados para o desempenho do trabalho são: bancada para seleção, toneis para armazenamento, triturador industrial, balança, empilhadeira e prensa elétrica, além dos equipamentos de segurança como luvas, botas, óculos de proteção, equipamento para proteção auditiva, entre outros. Figura 58: Setorização do galpão tipo

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.

Vale salientar, que todo o projeto foi desenvolvido de maneira que pessoas com deficiência possam ter acesso a qualquer lugar da edificação através de rampas, conforme a NBR 9050 (2015). As saídas de emergência foram dimensionadas conforme a NBR 9077 (2001), de acordo com a natureza da utilização de cada ambiente. Para atender as exigências desta norma, foi dimensionado um castelo d’água que se divide em células superior e inferior e barrilete. A reserva destinada a incêndio está integrada ao reservatório superior. O acesso ao terreno se dá através da BA-026, com fluxo de veículos intenso, o que trouxe a necessidade de criar uma infraestrutura no sistema viário. Para a entrada de forma segura na edificação, foi projetada uma faixa de


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desaceleração conforme as exigências do Departamento de Infraestrutura de Transportes da Bahia, sob as instruções técnicas para apresentação de projetos e implantação de acesso nas faixas de domínio sob jurisdição do DERBA.

Figura 59: Faixa de desaceleração

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.

A faixa de desaceleração foi projetada dentro da faixa de domínio. Conforme o art. 105, inciso v, da constituição estadual, no art. 5º, citado anteriormente

neste trabalho, fica

estabelecido

que

nessa

condição

é

imprescindível o uso de uma faixa de domínio de até 60,00 (sessenta) metros de largura, sendo 30,00 (trinta) metros para cada lado, medidos do eixo central dos trechos das rodovias para fins de utilidade pública. Figura 60: Mapa de acessos à edificação

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.


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Para a solução do sistema viário, foi necessária a implantação de duas guaritas. Na guarita 01, é feita a identificação dos caminhões de carga que irá transportar o lixo já manipulado, ainda nesta guarita é feita a pesagem dos veículos através de uma balança específica para veículos longos contando com o apoio de uma sala de monitoria. Figura 61: Planta de edificação – Guarita 01

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.

Na guarita 02 é feita a identificação dos funcionários, visitantes e também dos veículos de descarga do lixo. Esse ambiente dispõe de um lavabo de apoio. Na etapa de descarga do lixo não é feita a pesagem dos caminhões, pois os resíduos, só serão pesados após a manipulação e comercialização.

Figura 62: Planta de edificação – Guarita 02

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.

A escolha dos materiais das fachadas, foi pautada dentro da idealização do conceito e partido estabelecido para esta edificação. As paredes serão em taipa de


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pilão aparente, e os demais elementos das fachadas como esquadrias, guarda corpo, revestimento cerâmico, muro de arrimo, entre outros, optou-se por tons presentes na natureza como a cor terracota e a pedra natural.

Figura 63: Facha da B

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.

Figura 64: Fachada F

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.


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7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O objetivo desse trabalho é propor a implantação de uma cooperativa de reciclagem de lixo doméstico no município de Caculé, com o intuito de incentivar a valorização do trabalho dos recicladores e a promoção do desenvolvimento sustentável, em um local de fácil acesso; uma edificação que convide as pessoas a vivenciarem as esferas da reciclagem como algo prazeroso e não depreciativo, e projetar uma edificação que remeta ao conceito principal. Conclui-se assim, que a cooperativa de reciclagem, além de extrema importância para o meio ambiente é uma ferramenta fundamental para resgatar famílias da extrema pobreza, devolvendo-as o direito à cidadania. Embora a reciclagem seja algo que desperte o interesse nas pessoas, verificou-se, por meio de questionário e entrevista, que a cidade não dispõe de infraestrutura adequada para tal atividade, isso impede a realização de trabalho de forma segura para os catadores da cidade. A concepção da proposta é valorizar os catadores outrora excluídos do contexto e, cooperar com o desenvolvimento sustentável ao mesmo tempo em que sirva como influencia para a população na prática de reciclagem do lixo. Contudo, estima-se uma maior demanda na inserção de pessoas no modelo formal de descarte de resíduos recicláveis.


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8 REFERÊNCIAS ARCHDAILY. Milieustraat Recycling Centre / Groosman. Disponivel em: https://www.archdaily.com/771857/milieustraat-recycling-centre-groosman. Acesso em: 23 de outubro de 2017. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9050: informação e documentação - referências - elaboração. Rio de Janeiro, 2015. Acesso em: 12 de outubro de 2017.

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http://oglobo.globo.com/economia/brasil-tem-segunda-pior-distribuicao-de-rendaem-ranking-da-ocde-7887116. Acesso em: 05 de maio de 2015. PRODANOV, Cleber; FREITAS, Ernani. Metodologia do Trabalho Cientifico: Métodos e Técnicas da Pesquisa e do Trabalho Acadêmico. 2º Edição. Novo Hamburgo: Universidade Feevale, 2013. Ribeiro, Thiago. Mundo Educação. O Lixo. Disponível em: <http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/o-lixo.htm>. Acesso em: 22 de outubro de 2017. ROCHA, Vanessa José. Trabalho dos Catadores (as), Cooperativismo e as Políticas Públicas (Sociais): Experiências da Coleta Seletiva Solidária no Município de João Pessoa. Revista Eletrônica de Ciências Sociais Número 16. Março de 2011. Pág. 164 –175. Disponível em< www.cchla.ufpb.br/caos 164 >. Acessado em 15 de jun. de 2011. SAÍDA DE EMERGENCIA PARA EDIFICIOS. NBR 9077: informação e documentação: citações em documentos: apresentação. Rio de Janeiro, 2001. SANTOS, Ziraldo. Coleta seletiva e responsabilidade social: o caso da cooperativa de reciclagem trabalho e produção - cortrap, em Brasília. Brasília-DF. Monografia (Especialista em Gestão Ambiental) 2011. SEAC-SP sustentável. O que é lixo. Disponível em: <https://www.seacsp.com.br/sustentavel/index.php/curiosidades/o-que-e-lixo>. Acesso em: 17 de setembro de 2017. SILVA, E. R.; YAMAMURA, F. Y.; AGUIAR, L. V.; MONTENEGRO, M.; ALUISIO, U. Avaliação das condições ambientais e de trabalho de uma cooperativa de catadores no Rio de Janeiro. In: V Congresso Nacional de Excelência em Gestão, Anais... 2009, Niterói. Site da Prefeitura Municipal de Caculé. Dados municipais. Disponível em: <http://governodecacule.ba.gov.br/exibir.php?cod_menu=12&cod_conteudo=83&t oken=1f7eb70f9926ff0c2ab8ff40cfd1df06&nome=dados%20municipais >. Acesso em: 01 de dezembro de 2017. TEIXEIRA, M., MALHEIROS, T. M.M. Cooperativas de catadores de lixo – um processo de inclusão social. Rio de Janeiro, 2010. VITÓRIA DA CONQUISTA, Prefeitura Municipal de. Código de obras e plano diretor do Município. LEI COMPLEMENTAR Nº 2.043, DE 26 DE JUNHO DE 2015. Disponível em: <http://www.pmvc.com.br> Acesso em: 13 mar. 2018.


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ANEXOS Anexo A – Modelo formulário disponibilizado online 1- Qual sua idade? Resposta: Gráfico 1– Faixa eraria de idade

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.

2- Qual seu sexo? Resposta: Gráfico 2 – Gênero dos respondentes

Fonte: elaborado pelo autor, 2018.

Com o total de 76 respostas, de acordo o gráfico 02 que expões o percentual de gênero que responderam o formulário, é possível perceber a predominância do sexo feminino com 77,6% de participação. Outo ponto a se destacar é que a maior percentual das pessoas que responderam tem idade entre 15 e 25 anos, ou seja, a preocupação com o atual problema é mais recorrente nesta idade.


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3- Você mora em Caculé Bahia? Resposta: Gráfico 3 – Naturalidade dos respondentes

Fonte: elaborado pelo autor, 2018.

No gráfico 3 é possível perceber, que não muito, dispares, a maior parte do público respondente é natural da cidade de Caculé Bahia. Com isso, foi possível conhecer e analisar o quadro da reciclagem de lixo doméstico na cidade nos dias atuais. 4- Você conhece ou já ouviu falar no processo de reciclagem de lixo? Resposta: Gráfico 4 – Notoriedade do processo de reciclagem

Fonte: elaborado pelo autor, 2018.


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Em análise as respostas à pergunta 4, percebesse que a reciclagem de lixo atualmente é um assunto já disseminado no cotidiano das pessoas, apesar de muitas pessoas não praticarem a reciclagem uma grande parte das pessoas conhece o processo e a importância do mesmo para a população e para o meio ambiente. 5- Se sim, você costuma separa o lixo reciclável que é produzido em sua residência? Resposta: Gráfico 5 – Pratica da reciclagem

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.

De acordo com os respondentes, 51.3% costuma separar o lixo em suas residências, um baixo percentual se relacionando com a importância e os benefícios obtidos através da reciclagem. Na resposta seguinte é possível entender como os respondentes realizam esse processo em suas residências. 6- Se não, como é feito o descarte de lixo que é produzido em sua residência? (Fale com suas palavras). Resposta: Coleta de lixo 3 vezes semanalmente; separa apenas objetos de corte etc; Descarte sem separação. O recolhimento é por parte dos órgãos competentes da própria prefeitura; Jogo tudo no mesmo lixo; tudo misturado; orgânicos e recicláveis; é separadas em sacos plásticos, é colocadas na parta de casa; Através de sacos de lixo, descartados na porta de casa e recolhido através do sistema público de coleta; só o orgânico que fica separado do resto do lixo. Através de sacolas; de qualquer jeito; separamos recipientes plásticos, de alumínio, vidro, dos demais lixos orgânicos; errado; é feito normalmente, todos os


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tipos de lixo são colocados juntos; São descartados em sacolas diferentes; normalmente no mesmo saco de lixo; O lixo orgânico é separado dos demais; tudo em uma sacola. Tudo misturado. Carro de lixo passa e pega!!; Em sacos separando os úmidos do seco; Não tem em Vitória da Conquista coleta seletiva; De maneira aleatória ( todo lixo misturado ); Colocamos todos o tipo de lixo no saco apropriado e colocamos pra fora da residência no horário e dia do carro recolhedor de lixo da cidade; Recolho todo o lixo e em sacolas depósito no local em que os garis fazem a coleta; De forma inadequada, todos juntos, sem nenhum tipo de separação; Eu reciclo; Coloca tudo em uma sacola; Em sacolas plásticas ou caixas, tudo misturado; Em sacolas plásticas; Sempre separo Sim; Coloco em sacos de lixo, e coloco na hora do carro passar; tudo para sacola; separo lixo reciclável; separo para reciclagem e levo para Caculé. Pois, moro em sítio. Mas, levo separadinho e depósito em um ponto de coleta na cidade de Caculé; costumo separar; Aleatório, tudo junto inclusive com o lixo orgânico; O lixo é colocado em sacola plástico e coletado pelo caminhão do lixo pela prefeitura; separadamente; Separo o lixo reciclável; Queimado; Separando o lixo reciclável do lixo orgânico; em sacolas plásticas, todos misturados; Através da coleta de lixo da cidade; Reservo lixo que é coletado pelo serviço público de coleta; São todos separado e embalado para o descarte adequado; Faço a separação do lixo reciclável; Não há nenhuma forma de separação. Todos são descartados da mesma forma; não há separação. Todo o lixo é descartado num mesmo recipiente; separo todo lixo; São separados os orgânicos, recicláveis; geralmente eu coloco tudo junto porem sei que está errado vou começar a me educar separando direitinho; separo todo; não são todas as vezes que separo. Boa parte das vezes sim. Em sacos separados para os orgânicos e outro para não orgânicos; aqui e feito a separação do lixo; O lixo orgânico é reservado para a criação de galinhas e o lixo restante é recolhido normalmente pelo serviço público; Reciclagem; Separado em sacolas; em recipientes adequados; separado em dois sacos, um para o lixo do banheiro e outro maior para os demais resíduos; Realizado da maneira convencional, no meu bairro não possui coleta de material reciclável; Lixo Orgânico / Não orgânico; Eu separo; Nós separamos o lixo; O caminhão de lixo passa e pega; Junta o lixo da casa e o carro de lixo pega e leva pro aterro; No lixão da cidade; Sim, eu separo; A coleta é feita diariamente, e seleciono todo o lixo para o carro pegar.

7- Você conhece alguém que costuma separar o lixo reciclável em suas respectivas residências? Resposta:


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Gráfico 7 – Influência do processo de reciclagem

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.

O principal objetivo da pergunta de número 7 é saber se existe um diálogo acerca do assunto abordado neste trabalho entre as pessoas e se o processo de reciclagem é de interesse público. 8- Você acha que o processo de reciclagem de lixo pode colaborar com a diminuição dos impactos ecológicos gerados pelas ações do homem? Resposta: Gráfico 8 – Importância da reciclagem para o meio ambiente

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.


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De acordo com a pergunta de número 8, quase 100% dos respondentes consciência da importância da reciclagem para o meio ambiente. Em contrapartida, o índice de pessoas que praticam a reciclagem ainda é pequeno. Isso se dá por falta de políticas publica no incentivo desta pratica e ausência de infraestrutura para a realização deste trabalho. 9- Você acha que, através do trabalho com a reciclagem de lixo. As pessoas que vivem em extrema pobreza podem se reintegrar à sociedade, à medida que resgata sua cidadania? Resposta: Gráfico 9 – Importância social de uma cooperativa de reciclagem

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.

Sabe-se que a reciclagem além de colaborar para menor agressão ao meio ambiente ela tem uma função social muito ampla como uma ferramenta de combate a extrema pobreza no qual muitas pessoas estão submetidas. Com pouco mais de 90% dos respondentes pode-se perceber que através da reciclagem este fato pode ser revertido.

10- Você conhece ou já ouviu falar na existência de um ponto de coleta de lixo reciclável no bairro em que você mora? Resposta:


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Gráfico 10 – Existência de ponto de coleta de lixo

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.

A cidade de Caculé, não oferece estrutura adequada para que possa ser realizado o trabalho com a reciclagem, em decorrência disso este trabalho é feito de maneira informal e não segura pelos catadores. Muitas vezes armazenando os resíduos coletados em suas próprias casas ou até mesmo nos logradouros público. Outro fato decorrente desta falta de infraestrutura é o desamparo dos moradores da cidade que separam o seu lixo mas não tem local para recebimento dos mesmos. 11- Você é a favor da implantação de uma cooperativa de reciclagem de lixo? Resposta: Gráfico 11 – Sobre a aceitação de um projeto dessa natureza

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.


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11 SE SIM, POR QUÊ? SE NÃO, POR QUÊ? (FALE COM SUAS PALAVRAS) Descarte inadequado do lixo, além de oportunizar empregos há pessoas de baixa renda. Com a implantação desse tipo de projeto teríamos menos lixo em nossas ruas, além de ser uma oportunidade de empregar pessoas em situação de rua; Ajuda na preservação do meio ambiente; Evita a retirada de mais matéria prima da natureza; Diminui custos; Gera emprego e renda a partir de produtos que seriam descartados diretamente para a natureza, contribuindo para a sua degradação; Porque gera mais empregos; Primeiro que iria diminuir o acúmulo lixo nas ruas ,terrenos baldios, atraindo vetores de doença, entupido bororos; Ao reciclar esse lixo iria gerar empregos, e diminuiria os impactos ambientais no nosso planeta que já não suporta mais tanta agressão pelo o homem; Sim porque através da coleta seletiva gera emprego e assim muitas oportunidades de uma vida melhor; Sim na minha cidade tem e ajuda na limpeza na da cidade ajudar as pessoas enfim todos sai ganhando ideia perfeita; Claro que sim. Melhoria do meio ambiente; Sim, pq através da cooperativa da cidade muita coisa mudou; O projeto de reciclagem já existe em Caculé com muitos impactos positivos gerando emprego e colaborando combo meio ambiente; Higiene; Ajuda o meio ambiente; Só irá trazer benefícios a nossa cidade, inclusive diminuir a taxa de desemprego; Não há iniciativa pública em relação a esse tipo, o único ponto de coleta se localiza na feira livre, onde passa o caminhão que se desloca até o Lixão da Cidade; Porque acho de extrema importância; Favorece o meio ambiente e pode ser economicamente lucrativo; Sim pois melhora o meio ambiente e também gera emprego; Pois, quando separamos o lixo, além de estar cuidando do meio ambiente, colaboramos para o surgimento de novos empregos.; Sim, pois além de ajudar o meio ambiente, ainda ajuda na renda de várias famílias.; Sim, pois a reciclagem é um passo importante para a saúde e futuro do nosso planeta; Acho que ajudará o meio ambiente e promove emprego para a comunidade.; É muito importante a reciclagem de lixo, e em muitos lugares há separação de lixo, mas o descarte é igual os demais, de forma que a residência separa, mas depois junta o lixo todo pra jogar fora; É possível diminuir os impactos ambientais no planeta; Sim, pela importa da abrangência da separação e reciclagem do lixo, criação da cooperativa gerando benefícios para sociedade e maior conscientização dos moradores no aspecto ecológico; Além de fazer o bem para o meio ambiente, estará gerando emprego; Sim. Pois ajuda a gerar renda para as pessoas. Reduz o impacto ambiental. 12 ACERCA DO SEU CONHECIMENTO SOBRE O TEMA ABORDADO, VOCÊ PODERIA CITAR PELO MENOS UM BENEFÍCIO (SEJA ECOLÓGICO, SOCIAL OU FINANCEIRO) OBTIDO COM O PROCESSO DE RECICLAGEM DO LIXO DOMÉSTICO? Reaproveitamento do lixo usado de maneira pratica; Reutilização do lixo, diminuição de lixo colaborando com o meio ambiente, gerar emprego;


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Reutilização de materiais; Menos impacto ao meio ambiente; Diminuição de descarte de plástico na natureza; Menor degradação ambiental As empresa que ações sustentáveis, que usa papéis reciclagem, em nosso bairros podem diminuir lixos nas ruas, é consequentemente evitando o entupimento de bueiros; Diminuição de lixos nas cidades, diminuindo a poluição e agravantes a natureza; Poupa os recursos naturais e o que seria jogado fora voltaria ao ciclo produtivo; Através do processo de reciclagem, várias pessoas consegue obter uma renda; Preservação das praias; Redução dos impactos ambientais, reinserção de pessoas na sociedade e a utilização desses materiais para produzir algo de utilidade; Reaproveitamento; Não sei; Aumenta a renda de quem produz através de reciclados; ajuda o meio ambiente, etc.; Renda para pessoas envolvidas; Diminuição da poluição, gerar emprego; O maior benefício é cuidar do lugar onde moramos e amenizar os impactos ambientais provocados pelo homem; Os cooperadores irão receber seus salários e ajudar a existência de vida na terra; Geração de renda para famílias carentes, diminuição de chorume e da contaminação do solo e lençol freático; Evitar que todo o lixo que poderia ser reciclado vão parar no solo, nas águas...; Ambiental, preservação, financeiro, social Em minha cidade existe a produção de vassouras feita com pet um trabalho que gera lucro e emprego. A retirada de metais pesados do meio ambiente. Que por consequência das chuvas podem vir a acometer os lençóis freáticos, pondo em risco esse elemento natural bem como a saúde de que depende deste recurso; Horta orgânica; Gerar emprego; Bem estar do planeta Gera empregos para muitas pessoas; Surgimento de emp8; Cuidar do planeta; Catando a vida; Meio ambiente; Educa as pessoas certos Lixo pode ser reciclável; Limpeza do ambiente e reaproveitamento de materiais; Diminuição de impacto ambiental decorrente do acúmulo de lixo, geração de renda e possibilidade de novos produtos úteis à sociedade como um todo; Redução de resíduo; Sustentabilidade; Melhora o meio ambiente e renda familiar; Do seu lixo q seria jogado fora as pessoas podem produzir vassouras, sabão e muitas outras coisas; Além de gerar emprego, o nosso planeta sofre menos com os impacto ecológico; Geração de emprego; Diminuição dos prejuízos naturais; Transformar o que seria lixo em outra coisa pra ser reaproveitada; Diminuição da degradação ambiental; Beneficia os catadores, que sustentam suas famílias através de lixo reciclável; Diminuição do impacto ecológico, geração de emprego, fonte de renda pra pessoas em extrema necessidade; Trazer benefícios para os catadores; Uma saúde de qualidade; Produção de sacolas plásticas biodegradáveis, reutilização de garrafas pet; As pessoas em situação rua vivem em ambientes cheios de lixo, podendo causar doenças a elas. Com a implantação de um coleta seletiva, eles teriam condições de vida um pouco melhores, Além de também poder ser uma oportunidade de trabalho aos mesmos; Menos danos a natureza, como, poluição da terra, mananciais, rios. Ajuda como fonte de renda para famílias que não tem trabalho. Melhora a qualidade de vida do lugar em que as pessoas vivem; Limpeza das ruas, geração de empregos; Geraria empregos, diminuiria os


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impactos ambientais; Financeiro muitas pessoas em minha cidade conseguiram emprego depois da coleta seletiva; Em todos os sentidos aqui na cidade foi a melhor coisa que emplacamento đ&#x;&#x2018;?đ&#x;&#x2018;?; Evitar poluição. Renda para famĂ­lias carentes; Aproveita; Meio de vida para muitos que recolhem o lixo reciclĂĄvel por meio da cooperativa tirando trabalhadores da zona de pobreza; Natureza; Renda; Diminui a poluição ambiental; Reutilização dos compostos orgânicos para o cultivo de fazendas; Beneficia de maneira ecolĂłgica para diminuir o impacto ambiental. E social por promover novas oportunidades a pessoas marginalizadas pela sociedade; Pode ser convertido em artigos vendĂĄveis; Gera emprego; Surgimento de empregos; AlĂŠm de favorecer o meio ambiente, ainda ajuda na renda de vĂĄrias famĂ­lias; Diminui os resĂ­duos que poluem o planeta e fere os animais, alĂŠm de gerar mais empregos; Emprego; Diminui a contaminação do solo, contribuindo para diminuição dos impactos ambientais; EstarĂ­amos melhorando a qualidade de vida e beneficiando as geraçþes futuras; Geração de emprego, conscientização e mudança de hĂĄbitos na separação e reciclagem do lixo; EcolĂłgico e social; Reciclagem ĂŠ vida, gera emprego e renda. Observação: As respostas estĂŁo escritas, fielmente como foram respondidas, nĂŁo foram alterados elementos grĂĄficos.

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FERNANDES, Carlos Henrique Afonso  

Monografia FAINOR

FERNANDES, Carlos Henrique Afonso  

Monografia FAINOR

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