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ANO XXV | NÚMERO 28 JULHO 2018 www.ceapia.com.br

Convidado Especial

ALBERTO KONICHECKIS Psicólogo, Psicanalista, Membro da Sociedade Psicanalítica de Paris (SPP), Membro da Sociedade Européia de Psicanálise da Criança e do Adolescente (SEPEA), Membro da Sociedade Francesa de Terapia Familiar Psicanalítica (SFTFP) e Professor na Universidade Paris-Descartes.

CAMINHOS DA SUBJETIVAÇÃO NA CLÍNICA

CONTEMPORÂNEA 10 e 11 de agosto de 2018


EXPEDIENTE

SU MÁRIO

EDITORIAL

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Palavra da Presidente 40 anos Depoimentos dos ex-presidentes Atualizações Linha do Tempo Entrevista com Alberto Konicheckis Vem por Aí Produções Momento Científico Espaço Cultural Encontros do CEAPIA Divulgação Programação da Jornada

DIREÇÃO 2018-2020 Presidente: Psic. Kellen Gurgel Anchieta Vice-presidente: Psic. Inta Karina Müller Secretária: Psic. Gabriela Tomazeli Diretora Administrativa: Psic. Fernanda Amorim da Silva Codiretor Administrativo: Psic. Philip Corrêa da Camara Hewson Brew Diretora de Atendimento: Psic. Cintia Agostini Berriel Codiretora de Atendimento: Psic. Ana Paula da Silva Ruga Diretora Científica: Psic. Marília Santos Krüger Codiretora Científica: Psic. Gisele Milman Cervo Diretora de Ensino: Psiq. Clarissa Zavagna Gralha Codiretora de Ensino: Psic. Renata Hesseler Kreutz Diretora da Pesquisa: Psic. Silvia Cristina Marceliano Hallberg Coordenadora da Divulgação: Psic. Iara Cristina Schmidt Editora da Revista Publicação CEAPIA: Psic. Adriana Davoglio Ribas COMISSÕES Comissão de Ensino: Anelise Mariath Rechia, Andréa Hilgert Cardoso Zelmanowicz, Caroline Milman, Clarissa Zavagna Gralha, Renata Hesseler Kreutz. Comissão de Currículo: Ana Rita Taschetto, Lisiane Cervo, Magali Fischer, Norma Escosteguy. Comissão Científica: Marília Santos Krüger, Gisele Milman Cervo, Luciane Rombaldi David, Renata Pechansky Axelrud, Luísa Steiger Pires de Oliveira, Helena Riter, Marília Schmidt, Luísa Dall’Agnol. Comissão de Pesquisa: Sílvia Cristina Marceliano Hallberg, Danielle Bellato Allem, Luísa Feijó Pinheiro Mello, Luiza Tolardo Dal Conte, Roberta Iankilevich Golbert, Sabrina Menger, Laura Wolf de Souza. Comissão de Divulgação: Iara Schmidt e Fernanda Halpern. Comissão Editorial Boletim: Coordenadoras: Marília Bordin Schmidt e Renata Pechansky Axelrud Comissão do Boletim: Fernanda Halpern e Helena Riter Design Editorial: Carolina Fillmann, por Design de Maria e Gabriela Benvegnu Revisão: Press Revisão Impressão: Gráfica Odisséia – Tiragem 500 exemplares

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SEJAM BEM-VINDOS, QUERIDOS LEITORES! Neste ano, o CEAPIA completa 40 anos! E é em clima de comemoração que damos as boas-vindas a vocês, queridos leitores! Com alegria e satisfação, seguimos neste ano com a coordenação do Boletim CEAPIA. A data dos 40 anos por si só já tem sua importância. Gostaríamos de reforçar que, mesmo em tempos de crise no país, a nossa Instituição vem crescendo e se desenvolvendo mediante consistentes atendimentos, embasados por nossos estudos, o que vem fornecendo credibilidade a quem nos procura. São tempos, também, de criação e renovação. Como esta é uma edição especial, nas primeiras páginas transmitimos a emocionante narrativa do colega e membro do Conselho Fernando Kunzler, o qual descreve a história do nosso CEAPIA. Contamos também com os depoimentos dos nossos ex-presidentes, que trazem suas marcas e vivências afetivas. Os Setores da Instituição divulgam o formato como se organizam e o trabalho realizado ao longo deste período através de uma Linha do Tempo. Assim, podemos ir percorrendo os caminhos que nos contam a história e o crescimento de cada Setor e do CEAPIA como um todo. Além disso, apresentaremos atividades que vêm sendo desenvolvidas. Contamos com a entrevista do convidado para a XXXIX Jornada Anual do CEAPIA, Alberto Konicheckis, Psicanalista da Sociedade Psicanalítica de Paris (SPP) e Professor na Universidade Paris-Descartes (Paris-França), que nos enriquece com sua interessante trajetória e trabalho realizado acerca da temática “Caminhos da Subjetivação na Clínica Contemporânea”. Trazemos, então, uma prévia das questões que foram discutidas no encontro preparatório à Jornada que ocorreu no mês de junho no CEAPIA. Aguardamos ansiosamente pela participação de todos vocês! Concluímos com um agradecimento especial às queridas e atenciosas colegas da Comissão Editorial, Fernanda Halpern e Helena Riter, com quem conseguimos construir um trabalho em equipe de muito valor. Esperamos que curtam e apreciem a leitura! Grande abraço, Marília Bordin Schmidt e Renata Pechansky Axelrud

PALAVRA DA PRESIDENTE

PREZADOS LEITORES! Primeiramente, gostaria de dizer o quanto sinto-me honrada em assumir a função de Presidente do CEAPIA. É uma responsabilidade e satisfação muito grande representar esta casa pela qual tenho muito carinho e admiração. Instituição pioneira, com tradição em promover o desenvolvimento e aperfeiçoamento de profissionais, em psicoterapia da infância, da adolescência e atendimento à comunidade. Gostaria de, desde logo, agradecer aos colegas que, juntamente comigo, aceitaram compor esta Diretoria e que, com muito zelo e vitalidade, estão comprometidos em seguir qualificando e expandindo o nosso CEAPIA. Desta forma, buscando manter este foco, estamos dando continuidade a importantes projetos de profissionalização de algumas áreas da nossa Instituição, pois esta segue crescendo. A partir deste ano, passamos a contar com uma Designer para qualificar e agilizar nossas comunicações. Com este intuito, reformularemos nosso site. A ideia é ampliar sua função, facilitando a divulgação de todo e qualquer evento promovido pelo CEAPIA. Por sua vez, a internet foi reforçada, com a realização de um upgrade dos equipamentos de rede cabeada e wireless. Nosso SIC (Sistema de Informatização CEAPIA) deverá ser finalizado ainda neste primeiro semestre. Mantendo a tradição de comprometimento com a comunidade de baixa renda, foi criado o Projeto Social. A partir de maio, todos os eventos abertos irão promover uma arrecadação voluntária. No Ciranda Cultural – livros infantis e adultos usados, no Encontro com a Comunidade – 1kg de alimento não perecível, e na Campanha do Agasalho, entre maio e julho; brinquedos, entre agosto, outubro e dezembro; material escolar, em janeiro e fevereiro, e “tampinha legal” durante todo o ano. E, neste clima, tivemos o 4º Encontro da Clínica da Adoção, no dia 16 de junho, que contou com a presença da psicanalista Cynthia Ladvocat, da Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro, uma referência no tema. Além desta, haverá nossa Jornada Anual, nos dias 10 e 11 de agosto, com o psicanalista Alberto Konicheckis, da Sociedade Psicanalítica de Paris, cujo título será “Caminhos da subjetivação na clínica contemporânea”.

Estas são algumas das programações que o CEAPIA oferecerá neste ano em que completa 40 anos de sua fundação. Uma data muito especial e significativa, já que, com esta idade, pode-se dizer, “curte-se alguns prazeres da maturidade e de uma experiência de vida”. Quarenta anos de muita dedicação, determinação, empenho, consistência de muitos colegas e outros profissionais que tornaram o CEAPIA esta instituição reconhecida e respeitada no âmbito da atividade que se propôs. Por isso, acredito que este é o momento de agradecer e comemorar. Agradecer, primeiramente, aos nossos fundadores e desbravadores: José Ottoni Outeiral, Luiz Carlos Prado e Fernando Kunzler, que, com suas ricas inquietações e coragem, inovaram criando esta casa tão fértil. Aos colegas que vieram em todos estes anos agregar e compor cada turma de alunos, cada Setor, cada Boletim, cada Revista, cada Grupo de Estudos, cada Coordenador de Seminário, cada Supervisor, cada Preceptor, cada Corpo Diretivo, cada Presidente, cada funcionário que construíram nestes 40 anos, e seguem contribuindo na expansão do nosso CEAPIA. Por isso, convidamos cada um de vocês para comemorarem esta data tão especial. No dia 11 de agosto, após a Jornada Anual, esperamos vocês na Festa de 40 anos, na Sociedade Libanesa. Um abraço e até breve!

Kellen Gurgel Anchieta

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40 ANOS

DO CEAPIA E O APARELHO PSÍQUICO Nossa instituição completa 40 anos, o que me levou a pensar na minha própria trajetória e ver que é uma história de muitos lugares, tempos diversos, vários encontros e ricos registros. Após um interesse pelo atendimento de crianças e uma escolha inicial pela Pediatria, enamorei-me pela Psicanálise. Fiz minha Formação na APA, em Buenos Aires, e, de volta ao Brasil, meu caminho começou a cruzar-se com outros.

JOSÉ OUTEIRAL, FERNANDO KUNZLER E LUIZ PRADO

Em um outro canto dos vários lugares de tantas histórias que se cruzam, entre 1973 e 1974, aconteceu um Curso de Psiquiatria Infantil e Adolescência, ministrado por diversos analistas; entre os que cursavam, estavam José Ottoni Outeiral e Luiz Carlos Prado. Outeiral tinha feito sua Residência em Psiquiatria na Associação Encarnación Blaya (AEB). Inquieto e agregador, Outeiral convidou Prado e a mim para uma reunião no dia 12 de outubro de 1978 – dia da Descoberta das Américas e o Dia da Criança – em sua casa. Naquele local e naquele momento, colocamos a pedra fundamental do “Curso de Psicologia, Psicopatologia e Técnicas Terapêuticas da Infância e da Adolescência da AEB”, inicialmente para

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os integrantes da Pinel. A Pinel nos cedeu uma de suas pequenas casas, além de uma secretária, telefone e materiais didáticos necessários. Para dar início ao Curso, em 1979, foram convidados o neurologista Paulo Brandão e o psicanalista Alfredo Jerusalinsky, que, como eu, também estavam retornando de Buenos Aires para Porto Alegre. Por ali ficamos por quatro anos e, no dia 12 de abril de 1983 – ah, esses dias 12! – nos separamos da Clínica Pinel e nos mudamos para a rua Coronel Bordini, 434, para uma casa alugada por nós, não mais vinculada à AEB. Criamos nosso nome próprio, a partir do que intencionávamos fazer: estudar, atender e pesquisar a infância e a adolescência: nosso Centro de Estudos, Atendimento e Pesquisa da Infância e Adolescência. O CEAPIA foi refundado em 1988 por 24 colegas. Para nosso orgulho, 13 eram prata da casa – formados no próprio CEAPIA. Nesse mesmo ano, compramos a casa alugada que ocupávamos, o que foi possível por um esforço conjunto: cada um de nós emprestou 1000 dólares, e financiamos outros 24 mil dólares e, em cinco anos, a casa era nossa. Vindos de diferentes nascentes, a partir de gravidezes médicas-psiquiátricas-psicanalíticas, Outeiral, Prado, eu, Paulo e Alfredo encontramos na AEB um porto, ficando ali um registro do quinteto. Ao nos instalarmos na AEB, criamos algo novo. Pouco a pouco, foram chegando mais colegas que, ao se sentirem acolhidos e atendidos em suas necessidades e seus desejos, foram ficando e abrindo novos caminhos que facilitaram que outros viessem para também alimentar-se e deixar registros. Assim, faz 40 anos que, anualmente, chegam novos colegas, com os quais se repete este ciclo. Logo em sua nascente, o CEAPIA esteve ligado à AEB, através de sua Área de Crianças e Adolescentes, pois também no CEAPIA trabalhamos no modelo da comunidade terapêutica, ofertando atendimento a pacientes psicóticos. Além disso, o CEAPIA foi a primeira instituição de formação em Porto Alegre a abrir o ingresso de psicólogos que desejassem trabalhar com psicoterapia de orientação psicanalítica.

Nossa pretensão inicial era atender a crianças e adolescentes de baixíssima renda. Nossa pretensão estava certa: o que foi acontecendo é que o aumento da busca por pessoas que podiam pagar deu-nos condições de ir ampliando nosso serviço sociocomunitário.

mesma história e dizer, mais emocionado que ela: “Agora, eu tenho uma filha com 40 anos”. Pois é, e o CEAPIA completa 40 anos! E acho que é disso que se trata: de uma história que começa, se constrói, se solidifica e se transmite. Penso que é disso que minha mãe falava: da passagem do tempo, da transmissão de tradições, de ideias e de inovações; de registros de encontros, de perdas, mas – mais – de ganhos; de transformações e de recomeços; de mudanças, conquistas e comemorações. Hoje, temos muito o que comemorar: de seus inícios até hoje, o CEAPIA muito construiu, e é uma honra para mim estar presente em cada momento desta linda história!

Penso em algo que, em minha história com o CEAPIA, ganha outro cruzamento: em 1988, na comemoração de meus 40 anos de idade, minha mãe pediu a palavra e disse: “Escutem esta, meus filhos: quando eu era criança, um tio que estava de aniversário, pediu a palavra e disse: ‘hoje, é o dia mais feliz de minha vida; li num livro que a vida começa aos 40, e eu hoje faço 40’”. Tomada de emoção, ela prosseguiu: “Olhem a passagem do tempo; eu agora já tenho dois filhos com 40 anos”. Quando minha primeira filha fez 40 anos, eu também a surpreendi e aos meus sete irmãos, ao contar esta FERNANDO L. KUNZLER

Membro do Conselho do CEAPIA

DEPOIMENTOS DOS EX-PRESIDENTES Ter representado o CEAPIA como sua presidente em 2014-2015 foi, para mim, uma oportunidade de agradecer e retribuir o muito que recebo desta instituição há 30 anos... Retribuir aos poucos, com o que eu fui aprendendo na vida, todo o conhecimento aprendido como aluna, logo após a saída da faculdade da UFRGS. Agradeço a chance de ter me tornado professora, supervisora e coordenadora de grupo de estudos e continuar aprendendo com os alunos... De ter participado desde o início do Setor de Pesquisa (quando ainda era aluna do Mestrado na UFRGS) até vê-lo se tornar Direção de Pesquisa. De ter sido Diretora de Ensino e Editora da Publicação CEAPIA. Aqui, sempre me senti à vontade para contribuir com os conhecimentos adquiridos na

formação psicanalítica na SPPA, assim como para conhecer colegas de várias instituições diferentes. O trabalho em equipe, nesta instituição, faz com que não queiramos nos afastar do seu convívio. Dessa forma, desejo um feliz aniversário e vida longa ao CEAPIA!

CÁTIA OLIVIER MELLO

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DEP O IMENTO S

- Agora é a tua vez. Esta era a síntese de uma conversa amigável da Ineida, presidente do CEAPIA em final de gestão. Amigável, quase amorosa. Querer, eu não queria. Não tinha mais ninguém mesmo? Não, não tinha. Infelizmente. Todos aqueles que estavam no CEAPIA desde os primeiros tempos já tinham sido presidentes. Então era mesmo a minha vez. O CEAPIA começou em 1978. Chegado havia pouco tempo de Buenos Aires, entrei para o time docente em 1979. Naquela noite e nos próximos dias, eu tratava de me acostumar com a ideia de assumir as responsabilidades de presidir o CEAPIA pelos próximos dois anos. Era só 2001 e 2002. Uma responsabilidade que – mesmo colocada amigável, quase amorosamente – pesava sobre meus ombros. Mas são só dois anos, dizia comigo. Vâmo lá. Então ganhei da Ineida a chave da casa. Conseguimos formar uma diretoria a quem até hoje sou enormemente grato. Refiro-me ao Borghetti (Paulo Antonio Borghetti, vice-presidente), à Henriqueta (Sonaglio, secretária), à Claudia (Miranda Rosito, na diretoria científica), à Joyce (Goldstein, na diretoria de ensino), à Beth (Elizabeth Kuhn Deakin, na direção do ambulatório) e à Morgana (Bortolini, na direção administrativa). Foi um time extremamente dedicado e comprometido com o CEAPIA. Poupo o leitor das nossas reuniões das sextas-feiras. Das tensões diante de nossas divergências. Guardo ótimas lembranças das nossas Jornadas Anuais. Do nosso zelo para com a instituição. Era o mês de fevereiro, quando o CEAPIA fechava por férias coletivas. Preocupado, fui visitar a casa vazia – afinal, a chave estava comigo – para ver se

ABRAHAM TURKENICZ tudo estava mesmo no lugar. Ufa, estava tudo bem. Enquanto escrevo isso, as imagens e vozes estão distantes. Mesmo quando lembro que, durante o início da gestão seguinte, ocorreu uma importante crise na instituição. Considero que uma turbulência como aquela há de ter sido criada, ou pelo menos favorecida, pela nossa gestão. Mas, graças às intervenções de muitas mãos e cabeças, agora – à distância e panoramicamente –, prevalece o meu sentimento de que as coisas foram por um bom caminho. De que acertamos mais que erramos. A instituição foi maior e prevaleceu. E dava gosto de ver o CEAPIA ganhando consistência clínica e científica e, com o maior direito, poder festejar neste ano de 2018 seus vigorosos 40 anos.

NORMA

CIBELE FLECK Em 1995, iniciei minha formação no CEAPIA. Naquela época, estava recém-formada e muito desejosa pelo universo da psicoterapia psicanalítica da infância e da adolescência. Desde então, segui envolvida com esta instituição, que

neste ano completa seus 40 anos de vida. Na minha trajetória como aluna, depois terapeuta em alguns setores, entre outras funções institucionais e de ensino, posso dizer que muito recebi do CEAPIA. Aquele aprendizado que levamos para a vida toda! Hoje, passados 23 anos de convívio e trabalho nesta casa, me sinto feliz pela trajetória que o CEAPIA me proporcionou, um grande crescimento profissional e valorosas amizades. A presidência foi uma dessas experiências vividas, momento de grande desafio, uma experiência única de doação e cuidado. Me sinto honrada em fazer parte desta casa e é muito gratificante ver que, de geração em geração, ela vem crescendo, fortalecendo-se e tornando-se uma referência no estudo e atendimento psicoterápico de crianças e adolescentes. Muitos anos de vida para o CEAPIA!!

Tenho muito orgulho de ter sido um dos fundadores do CEAPIA, em 1978, de ter presidido essa instituição e de ter participado intensamente de seus primeiros dezoito anos de existência. Hoje, passados 40 anos dessa história, vejo com grande satisfação que segue sendo uma referência no ensino da prática clínica com crianças e adolescentes. Tendo sido participante ativo da construção do CEAPIA, quero parabenizar os colegas que seguiram cuidando dessa instituição, que hoje chega aos seus 40 anos de existência. Muitos talvez não me conheçam pessoalmente e eu, certamente, não tive o prazer de conhecer a maior parte dos colegas que hoje dão vida ao CEAPIA.

Mas, tenham certeza, um pedacinho de cada um de nós, os pioneiros, ainda está presente nesta casa, pela qual tenho grande consideração e carinho.

LUIZ CARLOS PRADO

ESCOSTEGUY

INEIDA ALIATTI O CEAPIA em seus 40 anos, idade de Zr (Zirconio), pensando em Oliver Sacks. Este elemento químico é forte, resistente, é um importante supercondutor. E quando cuidado e polido, brilha. Isto graças aos elementos que o compõem. O CEAPIA também a partir dos elementos, pessoas que o compõem, pôde nestes anos ser como o ZR. E foi neste lugar que encontrei um dos espaços para meu desenvolvimento pessoal e profissional. Neste “lugar”, vivi experiências importantes, neste ambiente receptivo, constante, acolhedor, embora não sem falhas, que me senti pertencendo. Nele, pude vivenciar trocas de conhecimento científico, de diferentes práticas e, sem dúvida, formação de importantes vínculos afetivos. A empatia e a reciprocidade fizeram com que meu investimento no CEAPIA se tornasse prazeroso. Sou grata a todos(as), em especial à Norma, que me introduziu nesta Casa.

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Hoje posso afirmar que minha história com o CEAPIA é a de uma adoção bem-sucedida e verdadeira – como podem ser as adoções. Desde que ingressei na instituição, nunca mais me afastei. Tive o prazer e a honra de comemorar, na Presidência, o aniversário de 10 anos. Seminários, supervisões, jornadas, reuniões, grupos – alunos e colegas (tantos amigos!): parte integrante e essencial de uma vida já longa. Mas cabe uma palavra especial para o Conselho, criado já em 2003: suas atribuições, definidas pela experiência institucional, reservaram um lugar permanente para cada um dos que já se responsabilizaram diretamente pela Presidência da nossa Instituição, assegurando e permitindo a continuidade da nossa participação, e contribuindo para respaldar as necessárias mudanças que nosso percurso tem exigido.

ADONAY GENOVESE FILHO No meu relato eu não elencarei as realizações de uma diretoria, pois isto é o que todas fizeram mais ou menos de forma bem-sucedida, mas farei um depoimento da minha experiência como presidente do CEAPIA, uma homenagem às pessoas que são a verdadeira identidade dessa casa. Até porque, numa instituição, o sucesso não está no indivíduo, mas sim na força grupal.  Após um tempo afastado do CEAPIA fisicamente, mas

nunca emocionalmente, recebi um convite amável, mas desafiador de assumir a presidência do CEAPIA.  A partir da montagem da diretoria, começou a experiência que quero dividir com vocês. Colegas experientes, outros nem tanto, mas em todos uma vontade genuína de participar, somar e trazer as suas contribuições pessoais. Por não acreditar numa gestão centralizadora, dei a cada diretora e suas equipes autonomia para criar e responder pelas suas atribuições. E disto não me arrependo, pelo contrário, quero agradecer os momentos que passei com a Mayra, Tânia, Valéria, Luciana, Fernando, Silvia, Luciane, Cibele, Andréa, Renata, Aline e as suas equipes. Mas o CEAPIA é mais do que a diretoria, é também toda a equipe de retaguarda, a Ângela, Ana Paula, Andréia, Carina, Maria, Maria  Ilma e Marco.  Citando todos colegas e colaboradores, faço uma homenagem a todos Ceapianos pela contribuição e doação que permitem nos mantermos fortes e em crescimento nestes 40 anos, com união, respeito pelas diferenças e um genuíno desejo de ajudar nossos pacientes e dividir nossos sonhos. Obrigado a todos que fizeram o CEAPIA ser esta casa plural e pungente rumo aos novos desafios. Beijo a todos.

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ATUALIZAÇÕES

Comecei a participar do CEAPIA no final dos anos 80, a convite da Norma Escosteguy, após minha formação em Psiquiatria, na França. Desde então, o CEAPIA passou a integrar minha vida profissional e afetiva, oportunizandome aprendizagem, grandes amizades e várias realizações como publicações na nossa Revista; criação do “Grupo de Bebês”, juntamente com o Prado – embrião do atual Setor de Intervenções Precoces; introdução da Observação de Bebês (ORPB) no currículo, novamente com o Prado, hoje, melhor pensada e teorizada como Método Esther Bick Modificado; coordenação de seminários e supervisão.​ Fui presidente do CEAPIA no biênio 20062007. Constituímos uma diretoria envolvida com a instituição. Obtivemos o reconhecimento oficial do CEAPIA, junto ao CFP, graças, em especial,

DEP O IMENTO S

MORGANA BORTOLINI Falar sobre a experiência de estar à frente da gestão do CEAPIA é falar da relação com o CEAPIA. Desde os primeiros contatos, senti que teríamos uma ligação profunda. O CEAPIA é um portal de múltiplas oportunidades. Guarda uma riqueza profissional e humana raras. Aprendi muito e conheci pessoas maravilhosas. Creio que é o que se pode chamar de uma ligação amorosa. Ter tido a honra e a oportunidade de figurar na posição de presidente me propiciou uma das experiências mais intensas, com ramificações valorosas para a vida pessoal. No limbo entre o peso da responsabilidade e a possibilidade de assumir a tomada de decisões, pensando no que representa tanto para a assistência quanto para formação de novos terapeutas, venceu a segunda opção, com vantagem. Cresci com o CEAPIA.

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ao empenho da Caroline Milman e Paula Pecis. Mantivemos o CEAPIA organizado estrutural e financeiramente, graças à nossa Malu. Sinto-me gratificada e honrada em participar desta instituição comprometida com a formação dos que vêm aprimorar seus conhecimentos e com o diversificado atendimento oferecido aos pais-bebês, crianças e adolescentes que nos procuram.

ESTER LITVIN

Meu percurso profissional está permeado pela história do CEAPIA. Devo aos fundadores desta instituição, bem como aos profissionais que logo se juntaram ao grupo de supervisores e professores as bases de minha formação na área de Crianças e Adolescentes. Com alegria, constato que nosso maior patrimônio é o entusiasmo e a lealdade de nosso corpo de associados, aliado a um eficiente grupo de colaboradores. Nestes 40 anos, o CEAPIA acompanhou as mudanças e inovações da nossa sociedade, tornando-se moderno e eficiente. A parede ecológica colocada na entrada de nossa sede é um retrato de nossa instituição, neste momento. Uma Equipe Interdisciplinar, auxiliada por nossos colaboradores, constitui com sua diversidade, competência e harmonia um CEAPIA vivo, sempre em crescimento.

LIGIA ARCOVERDE BASÉGIO

ATUALIZAÇÕES NO CURSO DO CEAPIA O currículo do curso de especialização do CEAPIA sempre buscou estar em sintonia com as questões que a cultura apresenta à clínica com crianças e adolescentes. Dessa forma, o boletim se propõe a apresentar as mais recentes modificações e atualizações pensadas pela Comissão de Currículo (Ana Rita Taschetto, Lisiane Cervo, Magali Fischer e Norma Escosteguy), que passaram a integrar a formação de nossos terapeutas.

Seminário Tecnologias na Psicoterapia da Infância e Adolescência A decisão de incluir no terceiro ano do Curso do CEAPIA um seminário sobre o uso das tecnologias entre crianças e adolescentes surgiu concomitantemente em diversas mentes. Por me interessar pelo assunto, já pensava em iniciar um projeto assim em nossa casa, e, quando fui conversar sobre isso com a Direção de Ensino da época, a ideia também já circulava por lá. Do encontro desses desejos foi desenvolvido esse seminário, o qual se espera que seja recebido pelos alunos com o mesmo entusiasmo com o que foi planejado. Os seminários abordarão questões como dependência de tecnologia, situações de vulnerabilidade específicas da infância e adolescência para um uso problemático, a entrada da tecnologia nas sessões psicoterapêuticas, a relação pais e filhos nessas situações, o estudo de casos clínicos, entre outros tópicos. Que seja o primeiro de muitos anos deste novo seminário! ALINE RESTANO

Psicóloga do CEAPIA

Seminário Álcool e Drogas na Adolescência Foi com satisfação que recebi o convite para coordenar o novo seminário que irá tratar de uma temática importante de ser discutida: Álcool e Drogas na Adolescência. Participar ativamente dessa mudança no currículo do curso de especialização me agrada, visto que vejo a importância dessa renovação para acompanhar as problemáticas da atualidade. Jovens estão sendo expostos às mais variadas categorias de drogas desde muito cedo e entendo que nós, psicoterapeutas da Infância e Adolescência, temos que estar instrumentalizados com estudo

para podermos ter mais segurança no nosso dia a dia com famílias que podem estar sofrendo direta ou indiretamente questões relacionadas a essa temática. Convidados especializados na área colaborarão com nosso estudo e discussão. CRISTINA GERHARDT Psicóloga do CEAPIA

Seminário Identidades, Sexualidades e Parentalidades A inclusão do Seminário “Identidades, Sexualidades e Parentalidades” no programa do curso de especialização do CEAPIA responde a uma demanda que vem crescendo nos últimos anos. O aparecimento cada vez mais frequente nos nossos consultórios de situações envolvendo questões de identidade de gênero em crianças e adolescentes, novas formas de expressão da sexualidade em adolescentes e construção de grupos familiares diferentes da família nuclear, como, por exemplo, com pais do mesmo sexo, obriga a uma reflexão sobre questões ainda pouco estudadas. Neste sentido, o CEAPIA toma uma atitude de vanguarda e proporciona aos alunos/as o acesso a autores que formulam novas propostas para a compreensão de situações clínicas contemporâneas, tanto do ponto de vista da Psicanálise, quanto do diálogo que esta estabelece com outras disciplinas, o que, certamente, amplia a qualidade do atendimento proporcionado aos nossos pacientes. ELIZABETH ZAMBRANO Membro Titular CEAPIA

Seminário Adolescência - Grupos, Família e Escola Tendo em vista as peculiaridades que pautam as relações do adolescente nos diferentes âmbitos da sua vida e as implicações destas no desenvolvimento psíquico, surgiu a ideia de ampliar os estudos destas, em três eixos básicos e fundamentais: família, escola e demais grupos. Sendo assim, conversando com a Comissão de Currículo do nosso curso e com a colega Ineida Aliatti, chegamos à composição que foi incluída na grade de seminários a partir deste ano. São três módulos no primeiro semestre do terceiro ano do curso. Nesse primeiro ano, contamos com as psicólogas Silvana Farias, Maria Fernanda Hennemann e Ineida Aliatti para coordenar os Seminários de Adolescência com ênfase na relação com a Família, Escola e Grupos, respectivamente, e com a colega Marília Santos Krüger que, participando dos três módulos, irá tecendo as costuras necessárias. ANELISE RECHIA

Membro Titular CEAPIA Ano XXV | Nº 28 | Julho 2018 | 9


CEAP IA

INTERVENÇÕES PRECOCES

LINHA DO TEMPO

TRIAGEM AMBIENTOTERAPIA O Setor de Ambientoterapia foi criado no ano de 1985, tendo por base o referencial psicanalítico aliado a algumas técnicas comportamentais. Tinha como objetivo inicial disponibilizar, a crianças e adolescentes da comunidade, uma outra modalidade de atendimento para aqueles cuja psicoterapia individual não se fazia efetiva. O horário de atendimento era, originalmente, no turno da tarde, nas quartas e sextasfeiras. Em 2007, passou a ser realizada também no turno da manhã. Em 2013, devido à pouca procura pelo turno da tarde, a ambientoterapia seguiu somente no turno da manhã, organização que se mantém até hoje. Atualmente, atende pacientes do espectro autista, bem como transtornos afetivos, de personalidade, TDAH, entre outros. A proposta é acolher esses diferentes pacientes, oferecendo um espaço continente, onde possam ser atendidos em grupos, organizados por funcionamento e idade. Para esse trabalho, a ambientoterapia conta com uma equipe multidisciplinar, composta por psicólogos, psiquiatra, psicopedagoga, fonoaudióloga, assistente social e estagiários. Integrantes: Adriana Loureiro Ferreira, Ana Paula Gonçalves Souza, Fernanda Marinho Matte, Flávia Andreazza Hollander, Gabriela de Almeida Schmidt, Philip Corrêa da Camara Hewson Brew, Raquel Brodacz e Renata Heseller Kreutz.

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FONOAUDIOLOGIA A Fonoaudiologia no CEAPIA surgiu no início dos anos 80 a partir da necessidade de que alguns pacientes em atendimento psicoterápico pudessem também ter atendimento fonoaudiológico. Em 1994, duas das três profissionais do setor tiveram a necessidade de se desligar da Instituição, ano em que se formava a primeira turma de Fonoaudiologia de Porto Alegre. Surgiu então a ideia de fazer seleção para estágio de profissionais recémformados. Uma das duas estagiárias na época é hoje a coordenadora do setor no CEAPIA. Atualmente, o setor conta com uma fonoaudióloga responsável tanto pelos atendimentos no ambulatório quanto pelo trabalho em ambientoterapia. No ambulatório, os pacientes não mais precisam estar em atendimento psicoterápico, podendo ser encaminhados exclusivamente para o setor se esta for a demanda. Integrante: Raquel Brodacz

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82 ESTÁGIO As atividades de estágio se iniciaram em 1982, sob a coordenação da psicanalista  Valéria  Quadros, a qual refere que  o  principal objetivo  era  oferecer aos graduandos de Psicologia a  experiência  clínica com crianças  e adolescentes, através das várias modalidades terapêuticas,  acompanhados por uma equipe de profissionais. Iniciou com  estágio  de Psicologia Clínica, tendo como atividades: entrevista de triagem, psicodiagnóstico, psicoterapia, reuniões de equipe, supervisões e seminários. Hoje,  o  setor  conta  com a parceria de diversas  universidades  e  ainda com  estágio  de Psicopatologia. Além das atividades citadas, somouse a prática na Ambientoterapia, discussão de casos clínicos, apresentação de trabalhos em jornadas e participação opcional nas Comissões de Pesquisa, Científica  e  Núcleo  de Estudantes. O  setor  segue priorizando a qualidade e  profundidade nos atendimentos e nas demais atividades. Integrantes: Anelise Rechia e Cristiane Feil

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O Grupo de Espera e Triagem (GET), como era chamado, iniciou suas atividades em meados de 1987. Foi criado com objetivo de diminuir a lista de espera de atendimento de crianças e adolescentes, agilizando o atendimento e priorizando as urgências e os casos mais graves. Os pais e os pacientes participavam desse grupo de triagem; por isso, também era considerado um grupo de espera, já que era composto por famílias que aguardavam atendimento por vezes há dois anos. No momento em que a lista de espera começou a diminuir, as triagens passaram a ser feitas individualmente por uma dupla de terapeutas, modalidade que segue sendo oferecida até o presente momento. A triagem é o primeiro contato do paciente e de seus familiares com a nossa instituição. A Equipe de Triagem de Infância atende a crianças de zero a 11 anos, e a Equipe de Triagem de Adolescentes atende a pacientes dos 12 aos 20 anos. Além do atendimento ao paciente, a triagem proporciona um espaço de aprendizagem para alunos do curso de formação e estagiários de Psicologia e auxilia o Setor de Pesquisa na coleta de dados nas entrevistas. Integrantes: Bruno Squeff Fries, Clarissa Silva Matos, Gabriela Tomazeli, Juliana Santos, Letícia Garcia Orengo, Lúcia Terezinha Rubim Soares, Luciane Rombaldi David, Milene Wolff, e Renata Pechansky Axelrud.

Em 1989, foi inaugurado no CEAPIA o Grupo de estudos pais-bebê pelo Dr. Luiz Carlos Prado e pela Dra. Ester Litvin, com a finalidade de implementar um trabalho pioneiro, o atendimento a pais e seu bebê. Em 1994, sob a coordenação da Dra. Ester Litvin, o grupo passou a chamar-se Setor Pais-Bebê, e a técnica utilizada era de coterapia e sala de espelhos. Em 2003, o setor passou a ser coordenado pela psicóloga Adriana Ribas, passando a denominar-se Setor de Intervenções Precoces. Foram desenvolvidas atividades de integração com os outros setores, assim como cursos e discussões teórico-clínicas. Em 2014, a psicóloga Inta Muller iniciou a coordenação deste setor. Por uma maior conscientização da importância deste atendimento, tão bem desenvolvida durante estes 29 anos, recebemos mais encaminhamentos e a equipe aumentou. Atualmente, o setor é referência em nosso meio, sendo uma indicação confiável para atendimento a pais e bebês com diferentes necessidades. Integrantes: Daniela Maltz Raskin, Daniela Hahn Lajus, Débora Rodrigues Laks, Desirée de Nardi Tróis, Fabíola Corrêa Alba, Fernanda Amorim da Silva, Giuliana Chiapin, Inta Karina Müller, Juliana Garofalo Gonçalves, Luísa Steiger e Viviane Botelho Amaro da Silveira,

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88 PESQUISA As primeiras pesquisas desenvolvidas no CEAPIA datam dos anos 1980. O Setor de Pesquisa foi criado em 1988, sob coordenação da psicanalista Lisiane Milman Cervo e visava responder a demandas dos ceapianos sobre a população atendida em seu ambulatório. Em 2009, o setor passou a funcionar como uma Comissão ligada à Direção de Ensino. Em 2014, o CEAPIA ganhou uma Direção de Pesquisa. Atualmente, o CEAPIA possui uma Direção e Comissão de Pesquisa. A Direção coordena e divulga ações de pesquisa no CEAPIA. A Comissão avalia e acompanha projetos vinculados a grupos de pós-graduação que desejam realizar estudos no CEAPIA. A Comissão também desenvolve suas próprias pesquisas e organiza eventos científicos relacionados à pesquisa em nossa Instituição. Integrantes: Danielle Bellato Allem, Laura Wolf de Souza, Luísa Feijó Pinheiro Mello, Roberta Iankilevich Golbert, Sabrina Menger e Sílvia Cristina Marceliano Hallberg,

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ENCONTRO DA COMUNIDADE CEAP IA

A Comunidade teve início em 1993 com o auxílio de uma assistente social vinda de Baltimore (EUA), que tinha a intenção de levar o CEAPIA até a comunidade. O primeiro movimento neste sentido se deu através de atividades junto às escolas dos alunos que eram atendidos no CEAPIA, posteriormente sendo ampliado para outras escolas, com o objetivo de auxiliar conflitos, discutir e integrar os professores com os profissionais que atendiam os pacientes. Em 2006, os encontros passaram a ocorrer mensalmente, nos sábados, contando então com a presença de profissionais de outras áreas. Ao longo destes anos, o trabalho da Comunidade vem sendo ampliado e tem se fortificado. Atualmente, os Encontros da Comunidade são coordenados pela psicóloga Fernanda Porto, e cocoordenados pelas psicólogas Luciane Rombaldi David e Priscilla Sternberg. O principal objetivo desta comissão é poder criar um espaço de trocas e reflexões sobre assuntos atuais e de interesse da própria comunidade. Soma-se a isso o projeto da coordenação vigente de aproximar o CEAPIA de outras instituições, através de palestras e encontros que irão acontecer fora do CEAPIA, nas escolas ou em instituições. Os encontros dentro do CEAPIA ocorrem aos sábados, mensalmente, das 9h às 11h30. As inscrições são realizadas via telefone ou presencialmente na recepção. A atividade é gratuita e aberta a toda a comunidade. Costuma ter a presença de estudantes, psicólogos, psiquiatras, professores, assistentes sociais, pais, entre outros. Integrantes: Fernanda Porto da Silva, Luciane David e Priscila Sternberg.

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CONSULTORIA - FAMÍLIA O Setor de Família é, de certa forma, “herdeiro” do Curso de Formação em Terapia Familiar, que encerrou suas atividades no CEAPIA em 1997. A coordenação do setor ficou com a psicóloga e psicoterapeuta de Famílias e Casais, Rosa Lúcia Severino. De início, as famílias e/ ou casais encaminhados para psicoterapia eram atendidos na instituição, modificandose, posteriormente, para atendimento em consultório após Consultoria Familiar realizada por solicitação dos terapeutas que atendiam crianças ou adolescentes individualmente. Atualmente, o setor permanece sob a mesma coordenação e mantém as atividades de Consultoria Familiar, participação em discussão de casos clínicos, psicoterapia de Casais e Famílias quando encaminhados pelos terapeutas do CEAPIA. Integrante: Rosa Lúcia Severino

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ATENDIMENTO A PAIS BOLETIM

PSICOPEDAGOGIA Chegamos aqui fruto de uma longa história, quase com o mesmo número de anos que o próprio CEAPIA, no qual profissionais de primeira grandeza deixaram heranças significativas tanto de conhecimento como de perseverança, ética e respeito com o outro. Aproveitamos, então, para agradecer a todos que por este setor passaram e ajudaram nessa construção, em especial a psicopedagoga Jaqueline Gazola, criadora e coordenadora desse setor entre os anos de 1989-1994, e Vera Lucia Teixeira, coordenadora do setor entre 1994 e 2006, que plantaram uma semente que gerou muitos frutos e que temos nos dedicado a manter, enraizar e fortificar cada vez mais. Atualmente, o setor conta com uma equipe fixa de 6 profissionais e 3 estagiárias voluntárias, e se reúne semanalmente para supervisões e estudos, a fim de possibilitar aprofundamento e constante atualização. Mantém seus tradicionais atendimentos e avaliações das dificuldades e transtornos de aprendizagem de crianças e adolescentes, bem como presta consultoria aos diferentes setores da Instituição sempre que isso se faz necessário. Integrantes: Adriana Loureiro Ferreira, Márcia Wolff Fridman, Marisa Schroeder, Nadine Levy Lermann, Nívea Schoberth Damiani e Rita Graziele Moraes de Souza.

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O primeiro Boletim do CEAPIA foi desenvolvido em junho de 1995, elaborado por Fernando Kunzler, na época presidente da Instituição. Funcionava como um meio de divulgação interna para alunos e membros, informando novos espaços, aquisições e perspectivas que aconteciam na casa, além de referir atividades que já haviam ocorrido. Em 1999, começou a ser aberto à comunidade em geral, com um formato de Jornal, passando a ser divulgado de 3 em 3 meses. Uma grande mudança de formato e layout aconteceu em 2007: abriuse um importante espaço para reflexões e produções de textos sobre uma variedade de assuntos. Neste novo formato anual, desenvolvendo-se junto às transformações tecnológicas, o Boletim foi sendo ampliado e aperfeiçoado, com o toque de cada direção e comissão editorial. Integrantes: Fernanda Halpern, Helena Riter, Marília Bordin Schmidt, e Renata Pechansky Axelrud,

O Setor de Atendimento a Pais existe desde 1998 e tem como propósito trabalhar com as funções e identidades parentais. O trabalho é em psicoterapia de orientação analítica focal e visa desenvolver a capacidade de reflexão, autoconhecimento e empatia dos pais em relação a si e aos filhos, ampliando o repertório interno de possibilidades de atitudes facilitadoras do vínculo entre esses. Para tanto, o psicoterapeuta que acolhe os pacientes/pais realiza uma avaliação da motivação, demanda e condições das funções mentais e, em havendo condições mínimas para iniciar o atendimento, faz indicação de atendimento psicoterápico ao(s) paciente(s) em questão. Quando necessário, encaminha para uma avaliação psiquiátrica dentro do próprio setor, que conta com uma colega desta área psiquiátrica para auxiliar e tratar medicamentosamente e que trabalha de modo integrado com os psicoterapeutas.    O Setor de Atendimento a Pais recebe mães/pais que procuram a Instituição pedindo auxílio para si, enquanto pais, bem como acolhe aqueles vindos indicados pelos terapeutas do próprio CEAPIA. Integrantes: Aline Bruschi, Daniela Hahn Lajus, Carolina Goldman Bergmann, Fernanda Amorim da Silva, Fernanda Porto da Silva, Helena Riter, Luísa Steiger, Raquel Sivieiro Caron Wainberg,, Renata Pechansky Axelrud e Tânia Wolff.

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CORPO CLÍNICO

CEAP IA

SERVIÇO SOCIAL O Serviço Social surge no CEAPIA oficialmente em 1999, com a contratação de uma profissional para prestar assessoria aos demais profissionais. O atendimento para as famílias encaminhadas era na modalidade de consultoria. Atualmente, o setor é composto por uma profissional e tem entre as suas principais atribuições: realizar a acolhida dos pais e/ou responsáveis pelos pacientes, com o objetivo de fazer uma avaliação socioeconômica; orientar os demais profissionais da Instituição quanto ao referenciamento e encaminhamento de situações de violação de direitos das crianças e adolescentes atendidos, bem como de seus familiares; articulação com a rede de garantia de direitos da infância; participação no grupo de pais do Setor de Ambientoterapia. Integrante: Ana Paula Gonçalves Souza

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PSICODIAGNÓSTICO

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NÚCLEO DE ESTUDANTES O Núcleo de Estudantes foi criado em 2010 com o propósito de estabelecer um elo entre o CEAPIA e os estudantes de graduação do curso de Psicologia e oportunizar novas frentes de participação aos estagiários dentro da Instituição. É um espaço onde os estagiários podem comunicar seus interesses de estudo e de atuação, possibilitando a criação de grupos de estudos, seminários e outros eventos voltados para o público universitário. Evidenciase como um vínculo importante para a constante atualização do CEAPIA. Gradualmente, este espaço foi sendo aperfeiçoado, a partir da própria demanda surgida ao longo destes 8 anos nas reuniões. A Jornada dos Estagiários destinava-se apenas aos estudantes de clínica e passou a ser direcionada também aos estagiários de Psicopatologia, sendo um espaço de trocas e valorização às produções clínicas. Atualmente, nossa equipe conta com 18 integrantes ativos, a reunião é realizada mensalmente, além de estar sendo desenvolvido um Grupo de Estudos que se propõe ao aprendizado de vários autores escolhidos pelos alunos. Integrantes: Gabriela Tomazeli e Marília Bordin Schmidt.

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Neste momento de rememorar a construção do nosso CEAPIA, percebemos que já se passaram 15 anos que criamos o Setor de Avaliação Psicológica, inicialmente batizado de “Laboratório de Psicodiagnóstico”. Naquela época, as solicitações eram esporádicas e as avaliações eram realizadas essencialmente por estagiários de Psicologia e/ou alunos do curso que tivessem interesse neste trabalho. Mas a demanda foi crescendo, o que motivou um grupo de colegas psicólogas, coordenadas pela Denise Bystronski e pela Paula Pecis, a criarem um grupo de discussão de casos, supervisionando coletivamente as avaliações. Em 2003, em função da crescente procura, o Laboratório virou Setor. E assim fomos crescendo e passamos a oferecer o psicodiagnóstico também para pacientes que não estivessem ligados a outros atendimentos na Instituição. E fomos também aprimorando nosso estudo, sendo que componentes do setor têm buscado participar de cursos para ampliar seu conhecimento das técnicas e dos mais diversos testes validados pelo Conselho Federal de Psicologia. Ao longo desta nossa história, convidamos profissionais destacados na área para ministrar cursos de atualização, buscando, com isso, oferecer avaliações que efetivamente auxiliassem os demais profissionais na compreensão de seus casos, bem como na ajuda aos pacientes para o reconhecimento de suas dificuldades e potencialidades. Integrantes: Cintia Agostini Berriel, Cristiane Friedrich Feil, Fabíola Corrêa Alba, Laura Gonçalves Arnoni, Mariana Farina Santin, Patrícia Sanberg , Paula Pecis, Renata Pechansky Axelrud, Viviane Botelho Amaro da Silveira.

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TRANSTORNOS ALIMENTARES

O Corpo Clínico do CEAPIA foi fundado em 2001, iniciando com a coordenação da Dra. Ieda Portella. Durante esses 17 anos, diversos colegas coordenaram as atividades do setor, estando atualmente nessa função as psicólogas Andréa Zelmanovicz e Anelise Mariath Rechia. O setor foi idealizado a partir da necessidade de suprir o atendimento de pacientes da Instituição, em especial aqueles com quadros graves, que exigem profissionais mais experientes; atender os pacientes dos alunos que se formam no Curso de Psicoterapia da Infância e da Adolescência do CEAPIA e não seguem atendendo na Instituição; realizar trabalhos teóricoclínicos; fazer pesquisas, além de participar do seminário teórico-prático dos alunos do primeiro ano do nosso curso, realizando avaliação de pacientes em sala de espelho. Ao longo dos anos, os objetivos do setor se mantiveram os mesmos, e outras coordenações e colegas puderam participar deste grupo. Atualmente, os membros do setor são psicólogos, com formação no Curso de Psicoterapia da Infância e da Adolescência do CEAPIA, todos membros associados da Instituição. As avaliações, assim como os atendimentos do Corpo Clínico são apresentados e discutidos no grupo sistematicamente. Integrantes: Ana Paula da Silva Ruga, Cintia Agostini Berriel, Débora Zaffari Lora, Fernanda Marinho Matte, Fernanda Porto da Silva, Gabriela Tomazeli, Iara Cristina Schmidt e Luciane Rombaldi David,

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ADOÇÃO No ano de 2006, iniciamos um grupo de estudos sobre a temática da adoção. Alguns pais adotivos buscavam atendimento na Instituição, com diversas queixas relacionadas a esta temática. Eram muitas as inquietações, questionamentos e incertezas em como lidar com o universo da adoção. O nosso grupo de estudos, posteriormente, passou a ser constituído como um setor da instituição com atendimento a pais e filhos adotivos. Com o intuito de compartilhar e aprimorar nossos conhecimentos, passamos a organizar anualmente, desde 2014, Encontros da Clínica da Adoção com convidados de outros Estados que atuam nesta área. No ano de 2015, a convite do Ministério Público do Rio Grande do Sul firmamos uma parceria, que tem se revelado promissora, para trabalharmos, juntamente com o Instituto Amigos de Lucas, na seleção e acompanhamento dos candidatos ao programa de Apadrinhamento Afetivo. Integrantes: Ana Luiza Masiero Berni, Andréa Kotzian Pereira, Clarissa Silva Matos, Fernanda Halpern, Fernanda Marinho Matte, Letícia Garcia Orengo, Marília Bordin Schmidt, Mauro Marta Ferreira, Norma Utinguassu Escosteguy, Paula Fernandes Moretti, Priscilla Wagner Sternberg, Renata Hesseler Kreutz e Rosa Lúcia Severino.

A história de interesse pelo estudo e atendimento de pacientes com Transtornos Alimentares dentro do CEAPIA começou com o GEATA (Grupo de Estudos e Assistência em Transtornos Alimentares), que era coordenado pela médica Maria Angélica Nunes. O mesmo permaneceu na Instituição de 2004 a 2012. Assim teve início o atendimento ambulatorial para pacientes com anorexia nervosa, bulimia nervosa e transtorno da compulsão alimentar, para todas as faixas etárias. Devido à relevância desta modalidade de atendimento, em 2013 a médica Clarissa Gralha e a psicóloga Cristina Gerhardt, ex-alunas do curso de especialização do CEAPIA e ex-integrantes do GEATA, formaram o Setor de Transtornos Alimentares. As reuniões de equipe acontecem semanalmente, com rounds clínicos que enriquecem o trabalho multidisciplinar, assim o indivíduo pode ser visto de forma integral. Além da assistência aos pacientes, o setor também funciona como grupo de estudos em TA. Integrantes: Ane Beatriz Quintana, Clarissa Gralha, Cristina Gerhardt, Fernanda Crestana, Luciana Rocha, Paula Gasperini e Raquel Gargioni.

13 CONSULTORIA PSIQUIATRIA Sempre buscando atender o melhor possível a demanda dos terapeutas, bem como dos pacientes atendidos no ambulatório do CEAPIA, a psiquiatria deixou de ser um Setor e passou a funcionar como Consultoria em 2013. O terapeuta que considerar necessária esta avaliação para o seu paciente, deverá marcar uma hora com as Psiquiatras Drª Flávia Andreazza Hollander ou Drª Bruna Velasco Velazquez para encaminhar adequadamente o caso e esclarecer a demanda. Desta Consultoria, a psiquiatria decidirá, em acordo com o terapeuta, o próximo passo do encaminhamento. Os horários disponíveis para a Consultoria estão à disposição na secretária ou recepção. Integrantes: Bruna Velasco Velazquez e Flávia Andreazza Hollander.

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ENT REVISTA CO M ALB ERTO KO NICHECKIS

DIREÇÃO CIENTÍFICA É com muito entusiasmo que em 2018 assumimos a Direção Científica do CEAPIA. Já iniciamos o ano preparando a 39ª Jornada e podemos dizer que três pessoas nos inspiraram para decidirmos quem seria nosso convidado especial: o colega Celso Gutfreind, a colega Paula Milagre e o querido Victor Guerra. Os três construíram vínculos e estudaram com o professor e psicanalista Alberto Konicheckis, a quem convidamos para a Jornada deste ano “Caminhos da Subjetivação na Clínica Contemporânea”. Estamos com ótimas expectativas para a Jornada e para todas as demais atividades habituais que já estão sendo realizadas, como: Reuniões Clínico-Científicas, Cirandas, Grupos de Estudo e Encontros com a Comunidade. Nos grupos de estudo, inauguramos neste primeiro semestre o grupo “O Pensamento Freudiano”, sob a coordenação do professor e psicanalista Fernando Kunzler. Contamos com todo o empenho

da nossa querida Comissão, que se dedica com engajamento para que as atividades científicas do CEAPIA tenham um bom andamento e possibilitem ótimas reflexões. Nos Encontros da Comunidade, contamos com uma comissão de colegas que vêm organizando eventos sobre assuntos atuais e estimulantes. E, neste momento, estamos planejando o Ciclo de Atualização para que seja um encontro com importantes trocas de experiências clínicas. Temos nos dedicado a pensar as atividades científicas da instituição buscando proporcionar um ano cheio de experiências que enriqueçam a todos, sem esquecer que o CEAPIA comemora seus 40 anos nessa etapa, e este fato é motivo para encontros de estudo seguidos de muitas comemorações! Abraços afetuosos, MARÍLIA SANTOS KRÜGER E GISELE MILMAN CERVO Psicólogas do CEAPIA

ALBERTO KONICHECKIS VOCÊ PODERIA NOS CONTAR UM POUCO DA SUA HISTÓRIA E FORMAÇÃO?

Entrevista realizada e traduzida do francês para o português pela colega e psicóloga Paula Milagre.

A entrevista na íntegra se encontra no site do CEAPIA: www.ceapia.com.br

16 | Boletim CEAPIA

No que diz respeito à minha formação, finalizei o Ensino Médio no Uruguai e, em seguida, fiz uma parte da minha graduação em Psicologia e Filosofia em Israel (equivalente à Licence na França), onde vivi por quatro anos. Depois, me mudei para a França, onde dei seguimento aos meus estudos e fiz Mestrado em Psicologia Clínica na Universidade Paris Diderot (Paris VII). Ao mesmo tempo, comecei uma análise pessoal em Paris, com uma psicanalista argentina. Comecei a trabalhar como psicólogo clínico em um serviço de psiquiatria voltado a adultos. Paralelamente, iniciei minha Tese de Doutorado com Jean Laplanche, intitulada “Análise de uma transmissão freudiana: o jogo do Fort Da”. Já se passaram 40 anos, mas hoje me dou conta que dois dos meus grandes interesses – os quais apresentarei na Jornada do CEAPIA – já estavam presentes na minha Tese, no sentido de que há uma criança com primeiras modalidades de simbolização e, através destas, ocorre a transmissão psíquica. Enfim, minha questão principal era: o que acontece que os psicanalistas de todas as sociedades psicanalíticas, de todos países do mundo, se referem sempre ao jogo da bobina? Minha Tese era me interrogar sobre como se transmite a Psicanálise, como ela passa de uma geração para outra e como o jogo do Fort Da é um

ENTREVISTA CONVIDADO ESPECIAL

indicador desta transmissão. Quando terminei minha Tese, continuei a participar dos seminários de Laplanche e comecei a trabalhar com crianças, fazendo supervisão e formação de psicanálise com crianças com Florence Guignard. Participei de muitas atividades da SEPEA (Sociedade Europeia de Psicanálise de Crianças e Adolescentes), fundada na época por F. Guignard, Annie Anzieu, D. Houzel et Jean Begoin. Participavam também psicanalistas ingleses, como Jammes Gammill e Donald Meltzer. Fiz também supervisão com Jean Begoin. Na mesma época, comecei a trabalhar no meu consultório particular e também em instituições voltadas ao atendimento de crianças, na região parisiense. Trabalhei no Centre Étienne Marcel e também no Centre Minkowska. Neste, recebíamos pacientes na sua língua de origem e eu trabalhava, então, no departamento de espanhol. Havia muitas pessoas refugiadas e vindas da América Latina, em decorrência dos regimes ditatoriais. Em 1992, fui nomeado Mestre de Conferências na Universidade de Aix-En-Provence, na qual comecei meu percurso universitário. Eu fazia parte de uma equipe de pesquisa dirigida por Monique Pinol-Douriez, que era bastante reconhecida por seu trabalho voltado aos bebês. Foi nesta época, portanto, que deixei Paris e me instalei em Aix-en-Provence. Além de dedicar-me à Universidade, abri um consultório na cidade e comecei a trabalhar em estruturas

voltadas a bebês e à primeira infância: PMI (Proteção MaternoInfantil), Unidades pais-bebê, creches. Ainda, em 2000, junto com colegas, inauguramos uma rede de apoio à parentalidade. Trata-se de uma rede comunitária voltada ao acompanhamento de mães em dificuldade, ligada ao Hospital de Aix-en-Provence, particularmente ao Serviço de Maternidade e de Pediatra. Neste contexto, quem me inspirou muito foi Salvador Célia, uma referência para mim, com sua abordagem de vida comunitária. O que criamos, embora não seja exatamente como o proposto no Brasil, em decorrência das diferenças culturais, sociais e institucionais, mantém sua ideia de trabalho em comunidade. Outra referência importante para mim na época foi Myriam David. Na Universidade, minhas aulas voltavam-se aos fundamentos da Psicanálise, o que penso que seja uma herança dos ensinamentos de Laplanche, e à clínica com bebês e crianças. Depois, quando Monique Pinol-Douriez se aposentou, Philippe Guttona sucedeu. Trata-se de um pioneiro e grande especialista da adolescência na França, que fundou a Revue Adolescence. Junto com ele, aprendi muito sobre a abordagem psicanalítica com adolescentes, embora esta não seja minha especialidade. Paralelamente, em 2000, comecei minha formação como psicanalista na Sociedade Psicanalítica de Paris (SPP), a qual finalizei nos anos 2008-2009, me tornando Membro da Sociedade. Nesta mesma época, estabeleci uma forte ligação com o Brasil e o Uruguai, e também com a Argentina. Em parceria com Salvador Célia e Victor Guerra, elaboramos uma especialização (diplôme universitaire) em conjunto com o Brasil e com o Uruguai. Durante cerca de quatro, cinco anos, professores da França iam ao Brasil e ao Uruguai, e vice-versa, havendo uma troca constante entre todos. Foi nesse movimento que Victor Guerra começou a preparar sua Tese. Infelizmente, houve seu falecimento, mas sua Tese, quase finalizada, será por nós transformada em um livro. A partir dos anos 2000, também fiz uma formação de terapia familiar, e me tornei terapeuta familiar, membro da Sociedade Francesa de Terapia Familiar Psicanalítica (SFTFP). A partir de 2010, me tornei professor na Universidade Paris Descartes (Paris V), onde leciono até os dias de hoje. Fui responsável pelo Serviço de Psicologia Clínica durante cinco anos e também fui coordenador do programa de criação do Mestrado em Psicologia Clínica, Psicopatologia, Psicanálise, do qual você faz parte. Meu trabalho para tornar-me professor chamava-se: “De geração em geração, a subjetivação e os vínculos precoces”, que deu origem a um livro publicado na coleção Fil Rouge. Para finalizar, na Paris Descartes, particularmente no laboratório de Doutorado em Psicologia Clínica, Psicopatologia e Psicanálise, sou corresponsável do que chamamos de “tema”, intitulado “Grupo, família, instituição”. VOCÊ MENCIONOU ALGUMAS DE SUAS PRINCIPAIS INFLUÊNCIAS E CENTROS DE INTERESSE. PODERIA NOS CONTAR UM POUCO MAIS SOBRE ESTES?

Sim. Para mim, foi muito importante o trabalho com Laplanche, com quem pude aprofundar meus conhecimentos sobre os fundamentos da Psicanálise, trata-se de uma herança freudiana. Em seguida, os pós-kleinianos foram bases para mim. Posteriormente, houve meu interesse na família, na grupalidade psíquica. Estou agora me aposentando, logo vou parar meu trabalho na Universidade e me instalar definitivamente em Aix-en-Provence. Conduzo há cerca de três anos um seminário sobre a clínica atual e os fundamentos da psicanálise, ao qual darei continuidade. Na Sociedade Psicanalítica de Paris, eu frequentava os seminários de

André Green, um dos quais se chamava “casos difíceis”. Nestes, os participantes falavam, sobretudo, sobre casos que não correspondiam às neuroses clássicas, diante dos quais enfrentavam dificuldades. A técnica clássica era colocada em questão, particularmente a forma como se trabalha psicanaliticamente com pacientes difíceis. Para mim, trata-se de um fio condutor integrar aspectos familiares e transgeracionais e como os processos primários e a sensorialidade que encontramos no bebê mostram-se também presentes nos pacientes que apresentam um funcionamento dito limite. Penso que os profissionais do CEAPIA sejam sensíveis a isto também. POR FIM, QUAIS SÃO SUAS EXPECTATIVAS EM RELAÇÃO À JORNADA DO CEAPIA?

Existem as expectativas, mas também o que já está se produzindo e se passando na organização da Jornada. Tenho a impressão de que muitas das coisas com as quais venho trabalhando nos últimos anos já existem no CEAPIA. Em outras palavras, hoje tenho a impressão de que não vou propor algo completamente diferente e novo, pois muitas reflexões semelhantes já vêm sendo feitas pelos profissionais desta instituição que se baseiam em muitos dos autores importantes para mim, como Bick, Bion, Ferro, dentre outros. Penso, então, que já tenha se criado um encontro entre nós. Pensamos juntos em uma temática e em mesasredondas que refletem assuntos de importância não apenas para mim, como também para os profissionais do CEAPIA. Para mim, portanto, esta Jornada é a ocasião de escutar e estabelecer um diálogo, de aprofundar temas e pontos de interesse comuns. Embora haja sempre o desconhecido de todo encontro, espero que nestes dois dias de trabalho um pensamento se desenvolva. Vou estar encarregado de apresentar meu trabalho, mas gosto muito de trabalhar com trocas, com questionamentos, relances. Compartilhar meu pensamento, encontrando pessoas com as quais possa discutir e trocar ideias, para mim é muito agradável. VOCÊ FALA EM TRANSMISSÃO PSÍQUICA. FARIA A JORNADA DO CEAPIA PARTE DE UM TRABALHO DE TRANSMISSÃO?

Sim, mas, ao mesmo tempo, o que é mais importante não é o que é transmitido, mas, sim, o que constitui um processo de subjetivação. Posso transmitir minhas ideias, a forma como penso as coisas, mas a transmissão ocorre verdadeiramente através de um processo de subjetivação, ou seja, de como cada um vai se apropriar e internalizálas. Isso se estabelece em um processo de continuidade.

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PRODUÇÕES

SETOR DE ADOÇÃO

VEM P O R AÍ

Nos anos de atividade do Setor de Adoção do CEAPIA, nossa equipe tem gradativamente ampliado nossa visão da complexidade do universo que cerca a adoção, em especial em sua interrelação estreita com o sistema judiciário – com reflexos de variadas dimensões sobre a clínica específica com que nos defrontamos: múltiplas dificuldades de desenvolvimento e de integração das crianças e adolescentes adotados, na relação com os indivíduos ou famílias adotantes. A partir de 2014, passamos a participar do Programa de Apadrinhamento Afetivo, estabelecendo uma parceria com o Ministério Público e com o Instituto Amigos de Lucas. Esta experiência, que prossegue, oportunizou a apresentação de uma reflexão inicial, incluindo revisão bibliográfica, publicada em nossa revista. Em 2017, ampliou-se nosso entrelaçamento, como parte da equipe multidisciplinar, preconizada pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), e o Ministério Público, a partir da organização de um Ciclo de Estudos sobre Adoção, para os técnicos do setor jurídico, promovido pelo Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (CEAF) do Ministério Público do RS, tendo como facilitadoras as

coordenadoras do Setor. Composto por quatro encontros, em que foram enfatizadas as situações oriundas de nossa prática comum, puderam ser discutidas as seguintes questões: 1. A Pluralidade dos Processos Legais e Psicológicos na Adoção: introdução de questões legais e psicológicas; diferenças, oposições, integrações possíveis. 2. Previsibilidade, Desfechos Negativos e Soluções: discussão de casos sob o ponto de vista psicológico e legal – previsibilidade e discussão de soluções.

3. Controvérsias, Divergências e Questionamentos: discussão de casos sob o ponto de vista legal e psicológico – pareceres divergentes e dúvidas. 4. Indicadores Favoráveis no Encontro Pais x Criança: discussão de casos sob o ponto de vista legal e psicológico – identificação de características favoráveis no encontro crianças x responsáveis pela adoção.

Nossa experiência clínica, que nos confirma sempre que “cada caso é um caso”, indica a necessidade de buscas de soluções individualizadas, que são, muitas vezes, desafiadas pelas prescrições legais – cujo caráter complexo, mas intrinsicamente protetor, temos a responsabilidade de conhecer e valorizar.

REVISTA DO CEAPIA São duas histórias que se entrelaçam: 40 anos do CEAPIA e 30 anos da Revista Publicação CEAPIA. Em 1978, foi fundada nossa Instituição, um marco na área de infância e adolescência para a comunidade psi em Porto Alegre. A Instituição estava crescendo, havia o curso de especialização, as jornadas anuais, os grupos de estudos... que se consolidavam a cada ano. Mas, faltava algo importante, um meio através do qual pudéssemos compartilhar e registrar nossas experiências clínicas e reflexões teóricas. E assim, 10 anos depois da fundação do CEAPIA, nascia a Revista Publicação CEAPIA, em outubro de 1988. Na edição de número 1, a Comissão

Neste ano de 2018, novas propostas se apresentam: por iniciativa do Ministério Público, na pessoa da Dra. Cinara Vianna Dutra Braga, uma nova parceria se iniciará – serão encaminhados ao CEAPIA para atendimento psicoterápico, incluindo avaliação psicodiagnóstica e psicopedagógica, crianças e adolescentes que passaram pelo trauma da devolução, ou que se aproximam da idade-limite (18 anos), sem terem sido adotados, devendo se defrontar com a perspectiva de organizarem sua vida de forma autônoma. Trata-se de um projeto-piloto, com a duração inicial de 1 ano, que detém a possibilidade eventual de ser entrelaçado à nossa experiência positiva com o programa de Apadrinhamento Afetivo. São novos desafios que estimulam a prática clínica multiprofissional de nossa equipe, com o objetivo de obter resultados que possam significar uma participação decisiva no encaminhamento das necessidades complexas que essa população especial apresenta, para a construção de seu destino psíquico e social, com a maior preservação possível e o desenvolvimento do seu potencial humano.

Editorial, formada pelos colegas Norma Escosteguy, Fernando Kunzler, Alice Bugin e Rosana Igor, escreveu no Editorial: “Através desta publicação desejamos trocar experiências com outros colegas e Instituições que se dedicam à mesma tarefa que nos reúne. Alcançando este objetivo, teremos cumprido mais esta etapa que dedicamos a todos que conosco têm compartilhado desta enriquecedora experiência de assistência, ensino e aprendizagem”. (p.6) É com muito prazer que escrevo este artigo e, como testemunha do reconhecimento da Revista em nosso meio, posso dizer que os objetivos iniciais foram plenamente alcançados. A Publicação CEAPIA, hoje, é uma revista indexada e referência entre os periódicos da área como um veículo que busca promover conhecimento, integração e a criatividade através da escrita. Nossa gratidão aos fundadores do CEAPIA e aos colegas editores que nos proporcionaram, junto com os autores e uma grande equipe envolvida na publicação da Revista, o privilégio de sermos considerados, segundo as palavras da Norma, “o coração do CEAPIA!”. ADRIANA D. RIBAS Editora da Revista

PROJETO SOCIAL Há 40 anos, um grupo de profissionais voltados à infância, adolescência e família encontrou um desejo comum: sair de seus consultórios privados e dedicar-se também ao ensino, à pesquisa e ao atendimento da comunidade, criando assim o CEAPIA. Nossa instituição, que não tem fins lucrativos, desde o princípio teve um olhar para o social, buscando atender por valores em conformidade com a renda e também promovendo encontros gratuitos à população. Mesmo assim, acreditamos que o CEAPIA tem uma responsabilidade social maior e, por isso, o desejo em promover mais atividades ou ações que possam beneficiar a comunidade, especialmente aqueles que, por diferentes motivos, não conseguem usufruir de nossos serviços. Assim nasceu o projeto CEAPIA Social, que busca fazer arrecadações de alimentos, agasalhos, livros, brinquedos e materiais escolares para entregar em mãos para quem necessita. O CEAPIA Social tem ainda uma parceria com o Grupo Vocal e,

desta forma, além das doações, oferecemos um pouco de música e afeto aos beneficiados e, é claro, recebemos também. A elaboração deste projeto tem sido fonte de muita gratificação, e estamos abertos, buscando ainda mais colegas para participar. Se você tem interesse nesse projeto, entre em contato com ceapiasocial@ceapia.com. br. Acreditem, os maiores beneficiados somos nós mesmos.

FERNANDA AMORIM

Diretora Administrativa

NORMA ESCOSTEGUY E ANDREA PEREIRA Coordenadoras do Setor de Adoção 18 | Boletim CEAPIA

Ano XXV | Nº 28 | Julho 2018 | 19


ESPAÇO CULTURAL

MOMENTO CIENTÍFICO

UMA VIDA INTENSAMENTE RECRIADA

MO MENTO CIENT ÍF ICO

OS BEBÊS E AS TECNOLOGIAS As tecnologias touchscreen, como smartphones e tablets, estão muito presentes no cotidiano, principalmente para a atual geração de crianças que já nasceu imersa em um ambiente digital. Você já notou que os bebês, antes mesmo de fazer 1 ano de idade, já têm contato com algum tipo de tecnologia? Foi pensando nesse fenômeno que decidi investigar o impacto do uso das tecnologias touchscreen no desenvolvimento dos bebês e na relação mãe-bebê. Embora muitas famílias não saibam, existem diretrizes pediátricas orientando sobre o tempo de uso, conforme a faixa etária da criança. Para bebês menores de 2 anos, a orientação é evitar o oferecimento de telas digitais. Já para crianças com idades entre 2-5 anos, sugere-se que o uso seja limitado a 1 hora por dia. No entanto, identifica-se que essas recomendações não são seguidas pelas famílias. Estudos têm apontado que pais oferecem dispositivos móveis para acalmar seus filhos, para distraí-los quando precisam se ocupar com algo e para evitar momentos de estresse, por exemplo, durante as refeições. Além disso, quando os pais fazem uso de tecnologias, durante as interações com seus filhos, os estudos referem que eles mostram-se menos sensíveis e responsivos frente

às solicitações das crianças por atenção.

Vale destacar que, no começo

da vida, os bebês estão em uma posição de profunda dependência e imaturidade física e psíquica. Sendo assim, necessitam de trocas de olhares, afeto, cuidado e interação presencial, e não de contato precoce com tecnologias touchscreen.

Causa preocupação que o uso destas já esteja associado a uma diminuição das interações pais-bebê, deslocando e diminuindo conexões significativas nas relações iniciais. Penso que as interações precoces e presenciais entre pais-bebê, que são tão cruciais para o desenvolvimento, não devem ser substituídas nem mediadas por interações virtuais. Assim, sugiro mais olho no olho e menos olho nas telas. ELISA CARDOSO AZEVEDO

Psicóloga, aluna do 3º ano do curso CEAPIA e doutoranda na UFRGS

TRABALHO DESTAQUE CEAPIA

AUTOMUTILAÇÃO NA ADOLESCÊNCIA: O DESAMPARO E AS TENTATIVAS DE EXISTIR Cada trabalho elaborado durante o curso no CEAPIA representa a possibilidade de transformar as diferentes e intensas experiências desse percurso em algo que nos faça sentido e que integre o que foi vivido. Assim, ter meu trabalho escolhido como destaque foi algo muito especial.

O trabalho “Automutilação

na adolescência: o desamparo e as tentativas de existir” buscou discutir o fenômeno da automutilação sob a ótica do traumatismo primário e das defesas ligadas ao afastamento da experiência subjetiva.

20 | Boletim CEAPIA

A partir de um caso clínico, busquei discutir o quanto essas defesas revelam falhas importantes na sensação de existência e de identidade do sujeito, assim como propor que a automutilação pode ser uma das expressões desse tipo de funcionamento marcado pelo traumatismo primário e em que o ato de cortar a pele pode ter a função de se fazer existir. Ainda, acredito ser importante que, enquanto terapeutas de adolescentes, mantenhamos uma postura questionadora no que diz respeito ao diagnóstico de pacientes que apresentam automutilação, uma vez que esse sintoma por si só não parece ser definidor de um ou de outro diagnóstico. A meu ver, cabe a nós a tarefa de significar esse ato no encontro com cada paciente e de maneira singular. HELENA RITER

Psicóloga, aluna do 3º ano do curso do CEAPIA

Quando pedi ajuda numa livraria para encontrar Meus Desacontecimentos, de Eliane Brum, logo escutei: “Tu sabes que ele é autobiográfico?”. Percebi quase como um alerta vermelho. Estava buscando ler cada vez mais livros dessa autora que tanto já havia me emocionado em Uma Duas e A Menina Quebrada. Resolvi arriscar – foi o que entendi pelo olhar da vendedora. Sabia que iria navegar pelas profundezas de Eliane e nada me parecia mais empolgante. Quem deseja aproximarse da essência humana em sua forma mais crua e bela vai gostar desse livro, como de toda obra da autora. Ela escreve conseguindo traduzir para o papel seus mais genuínos desassossegos. Foge do senso comum. Corre para longe das associações esvaziadas e reducionistas. Seu texto é forte e tem vida própria, como as pessoas que nos apresenta nesse livro. Talvez

fique mais claro de onde essa gaúcha de Ijuí trouxe toda sua empatia e consistência literária. Ao contar sobre sua época de pequena, diz que “da infância, somos todos sobreviventes”. Parece triste, mas é humano. Parece duro, mas é real. Você está preparado para esse mergulho autobiográfico?

PAULA MORETTI

Psiquiatra e Membro do CEAPIA

THIS IS US Ao celebrarmos um aniversário, comemoramos mais um ano de vida. Esta é uma data que carrega consigo variados significados. Em seu primeiro capítulo, a série This is us, nos apresenta seus protagonistas no dia em que comemoram 36 anos de idade, e nos permite acompanhar a forma como cada um vivencia essa nova etapa. O interessante, e talvez o diferencial dessa série, é a forma como são contadas essas histórias. A trama principal se passa no presente, mas a todo instante somos convidados a revisitar o passado desses personagens, em suas vivências emocionais mais primitivas, e com isso ter mais elementos para acompanhá-los ao longo de todas as suas experiências. Na minha concepção, essa série não se contenta em fazer rir ou chorar, ela representa o que há de mais simples e mais complexo em nossas vidas cotidianas.Questiono o motivo dela ter se tornado tão popular. Talvez a resposta esteja na forma tão sincera e real como são apresentados os fatos e com isso, na multiplicidade de sentimentos despertados em cada um de nós ao longo do

caminho. Capitulo a capitulo, somos sensivelmente convidados a sofrer, vibrar e se emocionar com as vivências dos personagens ali apresentados e, na medida, em que vamos nos aproximando dessas histórias, somos convocados a nos conectarmos com nossos próprios afetos, sentimentos e experiências emocionais.

FERNANDA HALPERN

Psicóloga, aluna do 3º ano do curso do CEAPIA

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ENCONTROS DO CEAPIA

DIVULGAÇÃO

CIRANDA CULTURAL Com a temática “Adolescência, cinema e psicanálise”, o Ciranda Cultural de 27 de abril contou com a presença dos convidados Diana e Mario Corso e de uma plateia de encher a casa. Os convidados trouxeram as ideias centrais do seu novo livro:, Adolescência em Cartaz, e compartilharam suas motivações para estudar e escrever sobre esse tema. A adolescência está sempre presente na vida daqueles que convivem ou trabalham com ela. O adolescente, com a sua atitude “à deriva” – quase fora, mas sempre observador – nos confronta expondo os limites da vida adulta, tanto no que construímos pessoalmente, mas também no que temos como sociedade. Expõe aquilo que um dia sonhamos com e aquilo com que um dia sofremos por. Para seguir adiante, tivemos que fazer essa travessia como foi possível: aos trancos e barrancos, com lacunas e excessos. As marcas desse processo nos acompanham na vida adulta

Julho/2018 a Outubro/2018 e interferem na forma como olhamos para os adolescentes. Para entendê-los, é preciso fazer as pazes com isso e também reconhecer a potencialidade desse período. Temos muitos livros sobre a teoria do adolescer, mas, ao colocarmos a adolescência em cartaz, tratamos de “ativar a lembrança do que foi a adolescência de cada um, para, a partir daí, pensar”, como escrevem os autores. A arte, seja o cinema, seja a música, facilita essa lembrança.

Introdução ao Pensamento de Wilfred Bion Coordenação: Anelise Mariah Rechia Quintas-feiras, das 8h15min às 9h30min Público-alvo: Estudantes de Psicologia

ELISA BETTANIN

Psicóloga do CEAPIA

Grupo de Estudos sobre o Pensamento Freudiano Coordenação: Fernando Kunzler Segundas-feiras, das 9h às 10h30 Público-alvo: Psicólogos associados e não associados

Próximos Cirandas Datas: 31.08, 28.09, 26.10, 30.11

A Formação da Subjetividade. Coordenação: Cátia Mello Sextas-feiras, das 14h às 15h15 Público-alvo: Associados do CEAPIA

ENCONTRO DA COMUNIDADE Neste ano, inauguramos o Encontro da Comunidade com um tema de extrema relevância na nossa prática clínica, no ambiente escolar, familiar e social: Gênero e Escola. Contamos com a participação especial da Professora Jéssica Moraes, ganhadora do Prêmio RBS de Educação na Categoria Destaque Gênero, além do Grupo de Estudos sobre Gênero e Sexualidade do CEAPIA. As integrantes do nosso Grupo de Estudos nos ajudaram a diferenciar alguns

Documentação necessária: • Curriculum vitae • Carta de motivação • Foto 3×4

Próximos Encontros Datas: 30.08; 15.09; 06.10; 10.11

Discussão Clínica conceitos que ainda se misturam no imaginário coletivo, tais como sexo, gênero e orientação sexual. Mostraram, também, através de relatos de experiências de alunos e professores, o quanto as dificuldades nessas áreas geram sofrimento, interferem no desenvolvimento do indivíduo, podendo, inclusive, resultar na evasão escolar. A Professora Jéssica contou sobre sua experiência de trabalho com crianças da Educação Infantil, que envolve o despertar de questionamentos relacionados às diferenças. Para isso, ela utiliza histórias, vídeos e brinquedos que facilitam tais reflexões por parte das crianças e suas famílias, no intuito de experimentarem um brincar livre de estereótipos de gêneros. Contamos com a presença de um público multidisciplinar disposto a repensar certezas, condutas e a importância do brincar livre em prol do desenvolvimento saudável e feliz de nossas crianças. RACHEL CARON WAINBERG

Psicóloga do CEAPIA

Coordenação: Caroline Milman Sextas-feiras, das 15h30 às 16h40 Público-alvo: Associados do CEAPIA

Save the date Lançamento da Revista Publicação CEAPIA Revista de Psicoterapia da Infância e da Adolescência.

Dia 18.10 Horário 20h

Save the date 20.10 • 9h

Edição Especial em homenagem aos 40 anos do CEAPIA e 30 anos da revista

Para mais informações, acesse nossos canais: ceapia.com.br

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curtaceapia

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Ano XXV | Nº 28 | Julho 2018 | 23


Convidado Especial:

Alberto Konicheckis

Psicólogo, Psicanalista, Membro da Sociedade Psicanalítica de Paris (SPP), Membro da Sociedade Européia de Psicanálise da Criança e do Adolescente (SEPEA); Membro da Sociedade Francesa de Terapia Familiar Psicanalítica (SFTFP); Professor na Universidade Paris-Descartes.

sábado

11.08

sexta-feira

10.08

CAMINHOS DA SUBJETIVAÇÃO NA CLÍNICA CONTEMPORÂNEA 14.00-16.00 TEMAS LIVRES

19.00 ABERTURA JORNADA

Coordenação: Silvia Hallberg, Helena Riter, Laura Wolf e Luísa Dall´Agnol (CEAPIA)

Kellen Gurgel Anchieta (Presidente) Marília Santos Krüger (Diretora Científica)

17.00-18.30 PENSANDO A INFÂNCIA EM DIFERENTES PAÍSES E CULTURAS (atividade aberta)

19.15 ENTREGA DO PRÊMIO TEMAS LIVRES

Gisele Cervo (CEAPIA/Grupo Hospitalar Conceição, Porto Alegre,

Brasil),

Giuliana Chiapin (CEAPIA/Clínica Tavistock, Londres, Inglaterra), Inta Müller (CEAPIA/Universidade de Málaga, Málaga, Espanha), Paula Milagre (Universidade Paris-Descarte, Paris, França) Coordenação: Fernanda Porto (CEAPIA)

9.00-10.30 DISCUSSÃO CLÍNICA Apresentação: Fernanda Amorim (CEAPIA) Convidado: Alberto Konicheckis (SPP) Coordenação: Alice Milman Bugin (CEAPIA/SPPA)

10.30-10.45 COFFEE BREAK 10.45-12.15 INTERLOCUÇÕES ENTRE OS PENSAMENTOS DE VICTOR GUERRA E ALBERTO KONICHECKIS Convidados: Alberto Konicheckis (SPP) e Celso Gutfreind (SBPdePA) Coordenação: Tania Wolff (CEAPIA/SPPA)

12.15-14.00 INTERVALO PARA ALMOÇO

19.30-20.45 CONFERÊNCIA: MOVIMENTO, SENSORIALIDADE E OS PERCURSOS DA SUBJETIVAÇÃO Convidado: Alberto Konicheckis (SPP) Coordenação: Cátia Mello (CEAPIA/SPPA)

14.00-15.30 TRANSGERACIONALIDADE E FILIAÇÕES PSÍQUICAS Convidados: Alberto Konicheckis (SPP) e Ana Rosa Trachtenberg (SBPdePA) Coordenação: Flavia Maltz (CEAPIA/SPPA)

15.30-15.45 COFFEE BREAK 15.45-17.15 COMO A CLÍNICA COM OS BEBÊS PODE CONTRIBUIR PARA A PSICANÁLISE CONTEMPORÂNEA? Convidados: Alberto Konicheckis (SPP) e Ester Malque Litvin (CEAPIA/SBPdePA) Coordenação: Adriana Ribas (CEAPIA/SPPA)

17.20 ENCERRAMENTO Marília Santos Krüger (Diretora Científica) Gisele Milman Cervo (Codiretora Científica)

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CEAPIA BOLETIM 2018  

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