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JULHO/AGOSTO 2018 • Número 154 • Ano XIV • Tiragem 3.000 exemplares

www. jornalmartimpescador.com.br

Salve o

peixe-serra

São Pedro

Se capturar acidentalmente, registre e devolva-o às águas

A biologa Patrícia Charvet alerta para o risco de extinção do peixe-serra. Pág. 5

Pescadores da equipe Kapiloton retiram 6 toneladas de lixo da rede de praia em Bertioga. Pág. 10

A Vila dos Pescadore s presta homenagens ao padroeiro São Pe dro. Págs. 6 e 7

parte Procissão marítima fez ao s õe raç mo das come ente. padroeiro em São Vic Págs. 6 e 7 Padre Rovílio Guizzard i celebra missa em lou vor a São Pedro na Colôn ia de Pescadores Z-3 em Vic ente de Carvalho. Págs. 6 e7

Experimente o caldo de milho com camarão da Zefinha da Colônia de São Vicente. Pág. 4


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Unidade de Estabilização de Animais Marinhos foi inaugurada pela Biopesca O Instituto Biopesca deu mais um passo na consolidação de ser uma referência no desenvolvimento de pesquisas e atividades relacionadas a pesca e os animais marinhos. A ONG ganhou uma Unidade de Estabilização de Animais Marinhos. A entrega do novo setor aconteceu no dia 10 de julho, na sede do Instituto, localizada na Rua Carlos Eduardo Conte de Castro, 93, Bairro Canto do Forte, em Praia Grande. A Unidade de Estabilização tem como objetivo o atendimento inicial dos animais resgatados vivos durante o monitoramento realizado pela organização. “Os primeiros cuidados serão prestados por equipe médica veterinária e, após as avaliações, eles poderão voltar ao seu ambiente, caso apresentem condições, ou encaminhados para um Centro de Reabilitação”, explicou o médico veterinário Rodrigo del Rio do Valle, coordenador geral do Biopesca. Já em casos de óbito, a sede também é estruturada para realizar a necropsia dos animais.

Conselho Gestor da Apa Marinha toma posse O novo Conselho Gestor da Apa Marinha do Litoral Centro-APAMLC (5º biênio 2018-2020) tomou posse dia 16 de julho, na 15ª reunião na sede da entidade em São Vicente. A lista com os atuais componentes foi publicada através da Resolução 89 de 11 de julho de 2018 no Diário Oficial da União. A APAMLC, que compreende o litoral de Bertioga a Peruíbe, completa 10 anos em 2018. Neste período foram editadas várias regulamentações, entre elas a Resolução 69/2009 (sobre a proibição da pesca de arrasto, com utilização de sistema de parelha de barcos de grande porte, e a pesca com compressor de ar ou outro equipamento de sustentação artificial nas APAs Marinhas), Resolução SMA 51/2012, (que regula o exercício de atividades pesqueiras profissionais realizadas com o uso de redes nas praias na APAMLC), Resolução 21 de 20/2/2012 criando o Setor Itaguaçu. “A posse hoje representa

Participantes da posse do Conselho Gestor da APAMLC

a retomada do processo participativo”, afirmou Maria de Carvalho Tereza Lanza. “O Conselho vai ser o espaço protagonista para o Plano de Manejo”, acrescentou. Para isso estão previstas reuniões para meados de agosto, e finalização do plano em dezembro de 2018. Outro assunto abordado foi a Portaria SEAP 63, declarando encerrada a temporada de pesca de toda a frota de cerco/traineira de tainha, nos limites do Estado de Santa Cata-

rina, independente do Estado de origem do Registro Geral da Atividade Pesqueira - RGP. A medida se baseou em um relatório técnico do escritório de Santos do Ibama e de pedidos de entidades como o Instituto Maramar, também do município. “O Plano de Gestão da Tainha foi baseado em cotas consideradas sustentáveis de 5.500 toneladas anuais”, explicou Marcela Davanzo do Ibama. Quando a cota do Estado de Santa Catarina foi atingida, os barcos começaram

a se dirigir ao Paraná e São Paulo, conforme denúncias confirmadas pelo Sistema do Programa Nacional de Rastreamento de Embarcações Pesqueiras por Satélite (Preps). Foram anunciada também a retomada das reuniões da Câmara Temática de Pesca, De Planejamento e Pesquisa e de Educação e Comunicação. As próximas reuniões do Conselho Gestor estão previstas para 7 de agosto, 2 de outubro e 4 de dezembro.

Reunião da Câmara Temática (CT) de Pesca da APA Marinha Litoral Centro Suelen C. Silva

Recadastramento de pescadores terá início no Maranhão

Com um teste piloto na cidade de Pinheiros, no Maranhão, terá início o recadastramento nacional de pescadores artesanais. A Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca (SEAP) assinou em 29 de junho um acordo de cooperação técnica com os Correios que irão auxiliar na execução da tarefa. A empresa foi escolhida pois está presente em 5.570 municípios brasileiros, e com a experiência do primeiro teste poderá aperfeiçoar o método de execução da tarefa. Desde 2014 que a Secretaria não emite carteiras iniciais de pescadores, que usam o protocolo para pescar, mas não tem direito ao seguro-defeso. A preocupação dos dirigentes de Colônias de Pescadores é que as carteiras definitivas sejam emitidas em prazo curto para que o pescador não dependa do uso protocolo para pescar. EXPEDIENTE www.jornalmartimpescador.com.br

No dia 03 de agosto aconteceu na sede da APA Marinha, em São Vicente, a 48ª reunião da CT de Pesca de seu Conselho Gestor, presidida pela nova coordenadora do grupo, Ingrid Oberg, analista ambiental do escritório do IBAMA de Santos. Durante a reunião foram debatidos os assuntos prioritários que deverão retornar à pauta de trabalhos do grupo, por meio da metodologia ‘World café’, onde os participantes dividem-se em mesas para discutir coletivamente em torno de uma pergunta central. Como resultado dessa dinâmica Órgão Oficial da Federação de Pescadores do Estado de São Paulo Presidente Tsuneo Okida

foram definidos os temas prioritários para a agenda de trabalho da Câmara para os próximos meses. Ainda de maneira participativa, os temas foram organizados em ordem prioritária de importância, no caso, (1) Proposta de alteração de itens da INI nº 12 de 2012 no que se refere a pesca de emalhe artesanal na APA; (2) regulamentação das redes boieiras para algumas espécies em algumas épocas do ano; (3) revisão da Resolução SMA nº51/2012, que regulamenta a pesca a partir das praias da APAMLC; (4) a problemática dos resíduos

Av. Dino Bueno, 114 Santos - SP CEP: 11030-350 Fone: (013) 3261-2992

sólidos no mar; e (5) questões envolvendo a fiscalização de pesca. Destacou-se na reunião o grande número de pescadores artesanais, que participaram efetivamente da reunião expondo suas demandas e o desejo de tornar a atividade de pesca mais justa e sustentável para todos. Ingrid reafirmou a importância da mobilização da classe em prol da governança da pesca, onde destacou que a atuação dos pescadores junto às instituições locais que atuam junto ao segmento resultou na determinação da Secretaria Es-

pecial da Aquicultura e da Pesca (SEAP) para o encerramento da safra de tainha pelos barcos de cerco/traineira e emalhe anilhado, após a atividade ultrapassar a cota de captura estipulada para a espécie em 2018. A próxima reunião foi agendada para o dia 16 de agosto, às 14hs no auditório da sede da APA, localizado na Av. dos Tupiniquins, nº 1009, Japuí-SV. Suelen C. Silva Oceanógrafa e Monitora Ambiental da APAMLC

Jornalista Jornalista responsável: responsável: Christina ChristinaAmorim AmorimMTb: MTb:10.678/SP 10.678/SPchristinamorim@gmail.com christinamorim@gmail.com Fotos Fotoseeilustração: ilustração: Christina Christina Amorim; Amorim; Diagramação: Diagramação: cassiobueno.com.br; cassiobueno.com.br; Projeto Projeto gráfico: gráfico: Isabela Isabela Carrari Carrari - belacarrari@hotmail.com - icarrari@gmail.com Impressão: Impressão:Diário Diário do Litoral Litoral:Fone.: Fone.:(013) (013)3226-2051 3226-2051 Os artigos e reportagens assinados não refletem necessariamente a opinião do jornal ou da colônia


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Pescadores estão próximos de receber compensações sobre danos causados pelo incêndio ocorrido de 2 a 10 de abril de 2015 nos tanques de combustível da Ultracargo, no bairro de Alemoa, em Santos. Após nove dias de incêndio os prejuízos atingiram a atmosfera, a vegetação e o estuário, causando a morte de cerca de 8 toneladas de pescado. As negociações com a empresa vêm acontecendo com a abertura de inquérito no Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (GAEMA-BS), do Ministério Público do Estado de São Paulo, com participação do Ministério Público Federal.

Pescadores devem receber compensação pelos danos do incêndio da Ultracargo Pescadores artesanais afetados pelo incêndio da Ultracargo estão próximos de receber compensações por seus danos. As negociações foram conduzidas pela promotora Flávia Maria Gonçalves do GAEMA, o promotor Daury de Paula Júnior do Ministério Público Estadual (atualmente licenciado do cargo), o procurador da República Antônio José Molina Daloia do Ministério Público Federal. A parte técnica das pesquisas com os pescadores foram feitas pelo Instituto de Pesca/Secretaria de Agricultura e Abastecimento do ESP, Unisanta e Instituto Maramar. No final de julho, o promotor Daury de Paula Jr. visitou Tsuneo Okida, presidente da Federação de Pescadores do Estado de São Paulo-FEPESP para esclarecer algumas dúvidas referentes ao acordo. Daury explicou que a proibição de pesca em algumas áreas do estuário durante 12 meses irá dar um folego aos locais atingidos pelo incêndio, uma possibilidade de melhor recuperação do ambiente afetado. Ao mesmo tempo os pescadores receberão o valor de um salário mínimo paulista por não pescarem nestes locais, o que no entanto não os impede de continuar pescando em outras áreas. Okida se mostrou satisfeito com o resultado final das negociações, que foi também bem recebida pelos pescadores.

Acordo com Ultracargo será feito em três frentes: 1-Relacionada à segurança. Obtenção de equipamento para o Corpo de Bombeiros para combate eficaz de incêndio, condizente ao nível de qualidade de Porto. Criação um sistema de controle de emergência com comando público, com responsabilidade para intervir e tomar decisões que só poder público pode tomar. 2-Relacionada ao atendimento de saúde. Reforma do Hospital da Zona Noroeste de Santos e Hospital de Cubatão para atender emergências. Doação de um ônibus para atendimento de emergências com minisala de cirurgia para atender bairros. 3-Relacionada à proteção do estuário. Providenciar compensação para os pescadores. A maioria dos pescadores que entraram na justiça não conseguiram ser ressarcidos por suas perdas pois não conseguiram apresentar provas individuais dos prejuízos. Foram cadastrados cerca de 2 mil pescadores de 15 comunidades afetadas pelo incêndio. Os que aderirem ao acordo de não pescar no estuário num sistema de rodízio de áreas, receberão um salário mínimo paulista por 12 meses consecutivos. Será também providenciada estrutura física relacionada à pesca para as comunidades que solicitaram.

O presidente da FEPESP, Tsuneo Okida recebe o promotor Daury de Paula Jr.

Promotores Flavia Gonçalves, Daury de Paula Jr e procurador Antonio Daloia conduziram as negociações com a Ultracargo

Municípios recebem equipamentos que serão transferidos para as comunidades e irão arcar com os custos de manutenção. Ainda serão incluídos alguns projetos de estudos de monitoramento e qualidade de pescado à comunidade.

Prazo para assinatura do acordo A chamada de pescadores para assinar o acordo de moratória de pesca está prevista por volta da segunda quinzena de agosto. O chamado será feito por comunidade. Haverá um prazo de 30

dias para assinatura do acordo. Quem não assinar dentro do prazo estabelecido perde o direito ao benefício. Será criado um aplicativo para acompanhar o rodízio de áreas proibidas para a pesca, que estará disponível também em cartilhas. A assinatura do acordo será feita nas dependências do Gaema, na Av. Conselheiro Nébias, 756, Edifício Helbor Offices em Santos. Durante o ato de assinatura estarão presentes no local representantes do Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil-OAB e Defensoria Pública. Documentos necessários (original e cópia) 1- Identidade oficial com foto (pode ser RG ou CNH-Carteira Nacional de Habilitação) 2- Comprovante de residência (não precisa ser nominal da pessoa) 3- Dados da conta bancária (não deve ser conta conjunta) 4- Se a pessoa não puder comparecer no dia, poderá enviar alguém com procuração por instrumento público com poderes específicos para assinar acordo com Ministério Público. Deve ser justificado o motivo da impossibilidade do comparecimento e a finalidade especifica de assinar o acordo. Os documentos do requerente e do procurador devem ser apresentados. Nesse caso, o Ministério Público irá julgar se a justificativa para o não comparecimento é válida.

Aniversário do Aquário O Aquário de Santos completou 73 anos dia 7 de julho com muitas atividades lúdicas e educativas. Contação de histórias, pescaria ecológica, workshop de pintura, mesa de investigação marinha, cama elástica e piscina de bolinha fizeram parte da programação. Também aconteceu apresentação teatral do grupo Quinta Cia e Cia Los Puercos, e atividades oferecidas por um grupo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O Aquário é o segundo parque mais visitado do Estado de São Paulo, com média de 600 mil pessoas por Alex Ribeiro, coordenador do Aquário ano, ficando atrás apenas do Zoológico

de São Paulo. Para manter seu nível de qualidade a atendimento ao público o local passará por reforma a partir do mês de agosto, com previsão de três meses de trabalho. Segundo o biólogo marinho Alex Ribeiro, coordenador do Aquário, estão previstos conserto do telhado, dos forros e da iluminação interna. Outros serviços serão feitos na área interna no local de quarentena dos animais e na sala de cirurgia. O prédio deverá estar pronto para o início da nova temporada, quando voltará a funcionar em seu horário normal, de terça a sexta-feira, das 9 às 18h. Sábados, domingos e feriados das 9 às 20h. O tradicional bolo de aniversário

Isabela Carrari/PMS


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Caiçara, com tempero baiano Aracy Ribeiro, pescadora em Guaratuba, Bertioga, gosta de preparar pratos caiçaras e também de seu estado natal, a Bahia. Nascida na cidade de Poções, foi criada desde dois anos de idade em Bertioga, e pesca há 26 anos. O marido, José Alves da Silva, conhecido como Alemão do Porto, já falecido, nasceu em Paraty e a ensinou a pescar e a apreciar seus pratos caiçaras preferidos, como o peixe azul-marinho, o caranguejo e o peixe assado na brasa. O peixe com pirão é típico de nosso litoral e também do nordeste. Assim com uma pequena mudança de ingredientes o prato se transforma de caiçara a baiano bem apimentado. Peixe com camarão e pirão Ingredientes: cerca de 1,5 kg de postas de peixe (robalo, tainha, anchova, cioba)/350 g de camarão-branco ou sete-barbas limpo/tomates cereja cortados ao meio/Coentro/5 dentes de alho/1 cebola cortada em rodelas/ Sal/Óleo de soja/farinha de mandioca para engrossar o pirão Preparo: Colocar óleo no fundo da panela e ajeitar as rodelas de cebola e o alho picado. Colocar por cima as postas de peixe. Colocar camarões por cima com todos temperos. Acrescentar tomates e água para cobrir. Deixar cozinhar por cerca de 20 minutos. Tirar o excesso de molho com uma concha e, numa panela à parte, engrossar com farinha de mandioca para fazer o pirão. Se quiser dar um toque baiano nesta receita, trocar o óleo de soja por uma colher (sopa) de azeite e uma colher (sopa) de azeite de dendê, tomate cereja por 4 tomates grandes picados, acrescentar leite de coco e temperos como folhas de louro, noz-moscada, pimenta dedo-de-moça ou malagueta, cominho e açafrão da terra.

Caldo verde-amarelo da Zefinha A pescadora Josefa Efigênia Alves, Zefinha, nasceu em 1955 em União dos Palmares em Alagoas, terra do lendário quilombola Zumbi. Mas já é vicentina de coração. Chegou a São Vicente aos 12 anos de idade, aqui se casou e teve filhos, Katia Valeria e Alex. Com o marido,

falecido em 2012, aprendeu a pescar e daí seu prazer de cozinhar frutos do mar. Aprecia as tradicionais receitas caiçaras, mas também adora inventar pratos novos com os ingredientes trazidos da pesca. Aí vai uma gostosa sopa, boa para esquentar as noites de inverno!

Caldo verde-amarelo Ingredientes: 400 kg camarão-branco grande limpo/5 espigas de milho/4 xícaras (chá) de água para cozinhar o camarão/1 colher (sopa) de manteiga/sal/1/2 copo vinho branco/1/2 copo vinho tinto/1 cebola inteira cortada no meio/5 dentes de alho descascados/salsinha picada para enfeitar Preparo: Cozinhar camarão com cebola e alho em 4 xícaras (chá) de água por 10 minutos. Coar e reservar o caldo. Jogar fora os temperos e reservar os camarões. Segurar a espiga de milho em posição vertical e com uma faca afiada tirar os grãos de milho. Bater os grãos no liquidificador com a água reservada da cocção dos camarões, e coar com peneira direto na panela. Mexer até engrossar por cerca de 10 minutos. Acrescentar os camarões e o vinho. Colocar a manteiga e misturar. Enfeitar com salsinha picada.

TELEFONES ÚTEIS

SAMU(Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) ........... 192

Corpo de Bombeiros .......... 193 Disque Denúncia ............... 181 Polícia Civil ........................ 197

Polícia Militar ..................... 190 Sabesp .............................. 195 CPFL ...........................0800-0102570

Festa do Camarão na Moranga Há 23 anos Bertioga comemora a partir de agosto a Festa do Camarão na Moranga criada pela Colônia de Pescadores Z-23. O presidente da Colônia, João do Espírito Santo, explica que um dos segredos do prato é a escolha do camarão que é comprado direto de pescadores de Bertioga, Santos e Guarujá. O fluxo de turistas é grande. Em 2015 passaram pela festa em média 7500 pessoas, vindo de todo litoral, do interior, da grande São Paulo e de outros estados. O prato consiste na moranga recheada com um delicioso molho de camarão-sete-barbas, com tomate e catupiry. A moranga pode ser simples ou enfeitada com camarões-rosa, acompanhada de arroz à vontade e farofa com sementes de abóbora. Um prato serve quatro pessoas. Também são servidas porções variadas como peixes, lula, mandioca, batata, entre outros. Neste ano a festa acontece de 3 de agosto a 2 de setembro, nos fins

de semana de sexta a domingo. Na sexta o jantar é a partir das 19h. No sábado almoço e jantar a partir do 12h. No domingo almoço é a partir das 12h. O valor da moranga especial é R$159,00. Vem acompanhada de 8 camarões-rosa fritos no azeite e alho. O valor da moranga simples é R$ 120,00 Ambas morangas servem bem 4 pessoas e são acompanhadas de farofa feita com a semente da moranga e arroz à vontade. O prato individual custa R$ 35,00. O preço na sexta é promocional, com moranga especial a R$ 130,00 e simples a R$ 100,00 O evento é realizado na Praça de Eventos, na Avenida Thomé de Souza, na Praia da Enseada (Centro), ao lado do Forte São João. A Festa do Camarão na Moranga é realizada pela Colônia de Pescadores Z-23, com o apoio da Prefeitura Municipal de Bertioga. Mais informações no telefone (13) 3317-7836. Email: z23colonia@hotmail.com

O presidente da Colônia Z-23, João do Espírito Santo e o filho Rodrigo convidam para a Festa do Camarão na Moranga

Defesos

Caranguejo-uçá (Ucides cordatus) proibição de pesca no Decreto SMA 60.133 de 07/02/2014- Exceções ao Decreto na resolução SMA 02/2015 (conheça as leis na íntegra em www.jornalmartimpescador.com. br legislação) Sardinha-verdadeira (Sardinella brasiliensis) (traineiras) 15/06 a 31/07 (recrutamento) e 1/11 a 15/02 (desova) Sardinha-verdadeira (Sardinella brasiliensis) (atuneiros) 15/06 a 31/07 (recrutamento) Moratórias Cherne-poveiro (Polyprion americanus) 06/10/2015 a 6/10/2023 (Portaria Interministerial no 14)

Mero (Epinephelus itajara) 06/10/15 a 06/10/23 (Portaria Interministerial no 13) Tubarão-raposa (Alopias superciliosus)- tempo indeterminado Tubarão galha-branca (Carcharinus longimanus)-tempo indeterminado Raia manta (família Mobulidae) tempo indeterminado Marlim-azul ou agulhão-negro (Makaira nigricans)- tempo indeterminado Marlim-branco ou agulhãobranco (Tetrapturus albidus) – tempo indeterminado Saiba mais sobre a legislação de pesca em: www. jornalmartimpescador.com.br (legislação)


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Peixe-serra, até quando? Um peixe sagrado na Antiguidade chega ao século 21 ameaçado de extinção. O peixe-serra com sua beleza imponente sempre foi admirado pelo rostro, espécie de bico, ladeado de dentes que lhe conferem um ar combativo. Essa parte peculiar de seu corpo era encontrada nas oferendas de sepultamento de astecas, povos que viveram no México de 1.300 a 1521, e em sítios arqueológicos de povos da Pré-História datados de cerca de 8 mil anos. Conhecido também como tubarão-espadarte, é na realidade uma raia da família Pristidae, que ocorre em 70 países tropicais e subtropicais em estuários, mangues e rios. Seu belo rostro que pode ser uma arma para atordoar e capturar peixes ou buscar alimento no fundo, é também seu ponto fraco, que o torna suscetível a qualquer espécie de pesca. Pode facilmente se prender em linha de mão, arrasto, rede de espera e qualquer tipo de espinhel. Dele se aproveitava a carne, muitas vezes vendida como cação, o rostro, chamado de catana, como objeto de decoração, ou apenas os dentes que afixados às patas do galo serviam para dar maior agressividade às rinhas.

“O peixe-serra está ameaçado de extinção no Brasil e em diversas partes do mundo”, explica a bióloga brasileira Patrícia Charvet, do Grupo de Especialistas em Tubarão (Shark Specialist Group-SSG), da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN na sigla em inglês). Existem registros de ocorrência de duas espécies no Brasil, Pristis pectinata e Pristis pristis. A primeira espécie ocorria do sul (SC) ao nordeste. Mais associada a arrecifes, águas mais transparentes e fundos arenosos, podia chegar a 2 metros e pesar 400 quilos. A segunda espécie, P. pristis, alcança uma tonelada e mais de 3 metros, sempre associada a estuários, mangues e rios (chega a entrar no Amazonas, em fundos mais lodosos). “As duas espécies estão em extinção”, explica Patrícia. No país não existem registros há décadas da Pristis pectinata. Pristis pristis ainda aparece em capturas no Piauí até a região das Guianas. A pesquisa de Patrícia foi apresentada durante a III Sharks International Conference na Paraíba em junho. Sonja Fordham, vice-presidente do SSG na IUCN e presidente da Sha-

Patricia Charvet, Nick Dulvy e Sonja Fordham na III Sharks Conference

Patricia Charvet

rk Advocates International, projeto da Ocean Foundation, afirma estar esperançosa que os esforços para salvar o peixe-serra no Brasil sejam um exemplo para que outros países valorizem e protejam estas espécies. Várias propostas foram estabelecidas para que autoridades governamentais, cientistas e conservacionistas trabalhem em prol da preservação das espécies. Algumas das medidas sugeridas são reforçar

espécies de peixe-serra, P. pristis e P. pectinata, capturados incidentalmente é de suprema importância. “A ideia é fotografar, se possível, antes de liberar o animal na água”, acrescenta. Conscientizar o pescador que o peixe está em extinção e um ato tão simples como soltá-lo são ferramentas valiosas para que as próximas gerações conheçam estes magníficos animais admirados pelo homem desde a Antiguidade.

as proteções brasileiras ao peixe-serra, criar esforços para a redução das capturas acidentais, possibilitar testes genéticos para a detecção de carne de peixe-serra erroneamente etiquetada, estimular o desenvolvimento de projetos para desestimular o uso dos dentes de peixe-serra nas rinhas de galo em países vizinhos. Para a bióloga Patrícia Charvet, uma campanha no Brasil conscientizando os pescadores a soltar as duas

Peixe-serra estava presente desde a Era dos Dinossauros Existem registros de peixes-serra desde o fredo Medeiros, Lays Stheffâny de Oliveira Período Cretáceo, há mais de 100 milhões de e Jorge Luiz Nunes, estudou 22 dentes de 1,5 anos. Dentes fossilizados, que se localizam cm coletados na Ilha do Cajual, Formação na parte lateral do rostro (espécie de bico), Geológica Alcântara, no Maranhão. Segundo da extinta espécie Atlanticopristis equato- Jorge Luiz Nunes, os dentes eram longos, rialis foram encontrados por cientistas da Universidade Federal do Maranhão. A espécie é uma raia que havia sido descrita em 2008 pelos paleontólogos portugueses Atlanticopristis Agostinha Pereira e Manoel Ilustração de Tainá Alfredo Medeiros. Agora a equipe formada por Manuel Al- Constância de França

com protuberâncias laterais. Esta estrutura está relacionada com os hábitos alimentares da espécie, que costuma remexer o fundo aquático com o rostro em busca de alimento, e também para estocar sua presa. O rostro também está presente nas espécies atuais de Pristis. Segundo Nunes, o estudo é útil para guiar comparações de dentes rostrais do gênero Atlanticopristis e uso de habitat em pesquisas futuras. O trabalho dos pesquisadores foi apresentado na III Sharks International Conference na Paraíba em junho.

Nunes apresentou a pesquisa na III Sharks Conference

Garoupa verdadeira tem defeso A garoupa verdadeira, Epinephelus marginatus, terá defeso de 1 de novembro a 28 de fevereiro em águas jurisdicionais brasileiras, de acordo com Portaria Interministerial 41 de 27/07/2018. Neste período está proibida a pesca direcionada, o transporte, o desembarque e a comercialização da espécie e de seus subprodutos para todos os métodos de captura

e todas embarcações. A retenção a bordo e o desembarque serão tolerados até dia 5 de novembro de cada ano. O tamanho mínimo de captura está estabelecido em 47 cm e o máximo de 73 cm. Os exemplares capturados acidentalmente em desacordo com a norma deverão ser liberados vivos ou descartados no ato da captura. A captura e liberação devem ser registradas. Todas

embarcações com comprimento igual ou maior de 8 m inscritas na modalidade 1.7 (espinhel horizontal de fundo) do anexo I da Instrução Normativa Interministerial MPA/ MMA de 2011 ficam obrigadas a usar e manter em funcionamento equipamento de rastreamento por satélite instalado a bordo da embarcação nos moldes do Programa de Rastreamento de Embarcações

Pesqueira- PREPS, durante as operações de pesca e entregarem os mapas de bordo. As datas de adesão ao sistema vão até 1 agosto 2019 (para embarcação menor ou igual a 15m, e maior ou igual a 12 m que tenha Arqueação Bruta (AB) menor ou igual a 20), 1 de agosto de 2020 (para embarcação maior ou igual a 10m), 1 de agosto de 2021 (embarcação maior ou

igual a 8m). As embarcações que atuarem em desacordo com as medidas estabelecidas na Portaria 41, independente de outras sanções, terão suas autorizações de pesca canceladas ou suspensas por prazo definido por órgão competente, não podendo ser inferior a seis meses. Veja a Portaria 41 na íntegra em www.jornalmartimpescador.com. br (legislação)


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COLUNA

DP World Santos realiza mais uma edição da Campanha de doação de sangue

São Pedro na Vila

a Vila dos Pescadores em Como manda a tradição, Pedro dia de seu padroeiro São Cubatão comemorou o são cis pro s, óis e dos pescadore com missa, bênção dos anz “O a peç a u Teatro Enos enceno terrestre e marítima. O as, ssi Me o eild Ad direção de Cântaro Abandonado”, com . lho ma Ra l nie Da de uza e Trilha maquiagem de Bruno So de ia io da Capatazia da Colôn A festa contou com o apo Pesdos a Vil da a ári nit mu ão Co Pescadores Z-1, Associaç a da azi pat ipal de Cubatão. A Ca cadores e Prefeitura Munic s ore cad pes os a Barros, recebeu Z-1, coordenada por Santin I. VL da io apo al do evento, com com um churrasco ao fin

Na primeira semana de julho, a DP World Santos realizou a terceira edição da campanha “Integrante Sangue Bom”, uma atividade de voluntariado e realizada anualmente pela empresa. Cerca de 30 integrantes das áreas administrativas e operacionais do terminal dedicaram uma parte de seu tempo em prol deste importante este ato de solidariedade, contribuindo assim para aumentar os estoques de sangue do Hemonúcleo da Santa Casa de Santos. A iniciativa ocorre sempre no período entre junho e julho, época do ano em que

os hospitais da região sofrem uma baixa em seus estoques. A campanha, que integra o calendário do Programa Voluntário DP World Santos, é realizada desde 2016 e as últimas duas edições somaram a participação de aproximadamente 80 integrantes de diferentes áreas da empresa. Como apoiadora da causa, a empresa forneceu transporte para que os voluntários pudessem se deslocar do trabalho até o hospital. Além disso, a empresa também abonará um dia do integrante doador, conforme determina a Lei Federal nº 1.075, de 27 de março de 1950.

OUVIDORIA DP WORLD SANTOS 0800 779-1000 ouvidoria.ssz@dpworld.com www.dpworldsantos.com

vor i selebrou missa em lou O padre Rovilio Guizzard Viem Z-3 s ore cad colônia de Pes a São Pedro na sede da de sco rra chu um ceu nte uida aco cente de Carvalho. Em seg de io rdenação do presidente Fab a confretenização, sob a coo ári ret sec Luciano Sant´anna e da Oliveira, do tesourerio I. VL da io apo evento contou com Ana Paula Rodrigues. O


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ageia São Vicente homen o santo e seu mais antigo pescador

am em São Vicente acontecer Os festejos de São Pedro ndo sai to san com a imagem do num domingo, 1 de julho, rro do Marina Dona Rosa, no bai da para a procissão marítima ducon foi m age im lionários. Dali a Japui, até a Praia dos Mi foi m, age im da a gad é. Após a che zida para o bolsão do Itarar ano Dioces pal celebrada pelo Bispo realizada uma missa cam seguiu em m age im a s, poi De 16h. D. Tarcísio Scaramussa às às19h foi e São Pedro Pescador, ond procissão até a Igreja de cese de Dio da pelo Bispo emérito realizada missa presidida ação ebr cel a te sco Braido. Duran Santos, D. Jacyr Franci 13(19 a nch La o nic tuma ao seu To foi feita homenagem pós or cad pes igo ant is ma o s itos ano o 2012), considerado por mu rism Tu e o apoio da Secretaria de , de São Vicente. A festa tev Z-4 s ore ente. A Colônia de Pescad a da Prefeitura de São Vic , bre No a cid sidente Maria Apare sob a coordenação da pre ado, de confraternização, no sáb sco Nenê, realizou um churra da VLI. 30 de junho, com apoio

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COLUNA

O Porto na Comunidade

DP World Santos realiza Ecoférias na Ilha Diana com o tema “Resgatando o brincar”

Durante o mês de julho, a DP World Santos realizou a 15ª edição do evento Ecoférias, que contou com uma programação especial voltada para as crianças da Ilha Diana. Com o tema “Resgatando o brincar”, esta edição do evento, que acontece anualmente no período de férias escolares, teve como objetivo resgatar a importância do processo de brincar para o

desenvolvimento social, emocional e cognitivo na infância. Os quatro encontros contaram com a participação de cerca de 15 crianças, que realizaram atividades baseadas em brincadeiras que faziam parte da rotina infantil, mas que se perderam com o passar do tempo, como por exemplo, confecção de brinquedos, oficinas de culinária

e contação de histórias. Os pequenos se divertiram muito com as atividades que estimularam a aprendizagem, construção da autonomia, reflexão e criatividade, demonstrando que o ato de brincar vai além de momentos de recreação, e que também faz parte do processo de conexão das crianças com o mundo.


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COLUNA

Você conhece o Porto?

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Unipar Carbocloro promove capacitação de membros do CCC

Você sabe como funciona uma área de Cross-docking?

O setor de Cross-docking de um terminal portuário é destinado, principalmente, ao processo de estufagem de cargas que chegam ou saem aravés dos Portos. O procedimento, que consiste em carregar os contêineres com os produtos específicos que ele transportará, começa quando a carga de um determinado cliente chega ao terminal nos caminhões. Após a entrada na empresa, a carga é encaminhada até o setor de Cross-docking, onde é removida do caminhão e colocada no container específico, termo chamado dentro da área logística de “estufagem”. Após este processo,é gerado um “booking”, que é um documento que contém todas as informações de um contêiner ou de um grupo de contêineres, como armador, peso, tara e tipo de container. O Cross-docking também pode realizar uma operação chamada DDC (descarga direta para caminhões), que é o processo inverso da estufagem. Neste tipo de operação, o container importado é descarregado do navio e, a pedido do cliente, é levado até o Cross-docking, onde ele é aberto e toda a carga é retirada e colocada em uma carreta própria do cliente.

Líderes comunitários aprendem técnicas para aprimorar a comunicação de ações socioambientais, de saúde e segurança em Cubatão Lideranças comunitárias de Cubatão participam neste mês de junho de uma capacitação ministrada pelo Serviço Social da Indústria (Sesi-SP), com o objetivo de aprimorar o relacionamento e a eficiência das atividades dos participantes junto aos moradores da região. A iniciativa de promover o

curso é da Unipar Carbocloro, com base em uma demanda surgida em 2016, no VI Encontro Nacional dos Conselhos Comunitários Consultivos (CCC), promovido pela Comissão de Diálogo com a Comunidade da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). A proposta é que os demais CCCs do país também passem por treinamentos semelhantes. Os conselheiros, todos voluntários, são moradores ou pessoas que atuam profissionalmente em diferentes áreas na

cidade. Ao longo dos anos, o grupo já desenvolveu inúmeros projetos, como: simulados de evacuação do bairro no entorno da fábrica, exercícios de emergência com crianças de duas escolas de educação infantil de Cubatão, projetos de educação ambiental e workshops de saúde, segurança e meio ambiente para a comunidade. O curso aconteceu de 9 a 30 de junho. Nas aulas, são ensinadas técnicas de comunicação, imagem pessoal, postura, liderança e trabalho em equipe.

A importância da aquicultura como fonte de proteína Com a queda sensível dos recursos pesqueiros, a pesca vem sendo cada vez mais substituída pela produção de peixes, camarões, moluscos, rãs, jacarés e até mesmo pela criação de tartarugas em cativeiro, com a finalidade de suprir as necessidades de proteínas do ser humano. O pescado é considerado um alimento nutricionalmente importante por conter aminoácidos essenciais para a vida e por apresentar excelente digestibilidade. Segundo a FAO, a quantidade de pescado a ser ingerida varia com a idade, sexo e até mesmo com as condições fisiológicas das pessoas. Assim, bebês até 1 ano necessitam de 10 g/dia, os adolescentes do sexo masculino 52g/dia, os homens adultos 56 g/dia, as mulheres 46g/dia, enquanto que as grávidas ou que estão amamentando necessitam de 71g de proteínas por dia. Dessa forma o que vem se observando é que o cultivo de peixes no mundo vem crescendo e durante o ano de 2017 o Brasil ocupou a quarta posição mundial, em produção de tilápias (357.600 toneladas), ficando atrás da China, Indonésia e Egito, segundo o Anuário da Piscicultura

Brasileira. No cenário nacional, destaca-se a produção de tilápias que representou 51,7% da produção brasileira seguida das produções brasileiras como tambaqui e pacu. AAssembleia Geral das Nações Unidas (ONU) acredita que o ano de 2022 será considerado o “Ano Internacional da Pesca e da Aquicultura Artesanais”. A FAO justifica essa ação por considerar a pesca e a aquicultura como atividades humanas responsáveis pela produção de alimentos de alta qualidade, por proporcionar benefícios sociais e econômicos, reduzir a pobreza, garantir o desenvolvimento rural e ainda contribuir com a nutrição e a segurança alimentar. O objetivo destas instituições é aumentar a consciência dos governos sobre a importância da aplicação de políticas públicas para promover a pesca e a aquicultura artesanais de forma sustentável, prestando atenção nos pescadores e nos pequenos aquicultores, que têm uma grande participação na atividade pesqueira mundial. Para a União Europeia, para que haja sustentabilidade, tanto o pescado como o marisco devem ser

Augusto Pérez Montano - Médico Veterinário, membro da Comissão de Aquicultura do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo

provenientes da aquicultura e a solução seria que a produção ocorresse localmente para reduzir a dependência de importações. Isto com certeza permitiria uma maior segurança sobre os alimentos consumidos e requisitos ambientais mais ajustados aos padrões locais.


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Parceria com a pesquisa estimula pesca sustentável Estudar os elasmobrânquios, grupo de peixes com esqueleto cartilaginoso formado por tubarões e raias, tem um objetivo especial para um grupo de pesquisadores paulistas. “Nosso projeto monitora a captura incidental de tubarões e raias na pesca artesanal, identifica, coleta material biológico para análises laboratoriais, marca e solta de volta ao mar. Esperamos em breve preencher algumas lacunas sobre a biologia destes animais”, explica o biólogo Alexandre Rodrigues da UNESP de Botucatu. As marcas utilizadas, feitas de material biocompatível, são fixadas na parte dorsal do peixe, e no caso deste indivíduo ser reencontrado, ajudará a estabelecer, por exemplo, o padrão migratório da espécie e sua taxa de crescimento durante o período entre a primeira e a segunda captura. O trabalho está sendo desenvolvido junto à pesca de arrasto de praia em Bertioga, no extremo norte da Baixada Santista, litoral de São Paulo, tendo como parceiro o pescador artesanal Wesley Shkola e sua equipe Kapiloton. A cooperação destes profissionais é muito importante no processo de implantação do Monitoramento Pesqueiro Participativo (MPP) de raias e tubarões de Bertioga, que segundo Alexandre, é considerada uma ferramenta estratégica para a implantação de um melhor manejo da pesca e a conservação das espécies ameaçadas. A pesca de arrasto em Bertioga tem como objetivo a captura de peixes ósseos como, o robalo, a corvina e a tainha, já os elasmobrânquios, grupo formado por raias e tubarões, possuem baixo interesse comercial, fato que contribui para a devolução destes animais ao mar. Desde o início da pesquisa em novembro de 2015 até fevereiro de 2018, já foram devolvidas ao mar mais de mil raias e tubarões, comprovando o

sucesso da parceria. Entre as 11 espécies catalogadas pela equipe, quatro estão classificadas como ameaçadas de extinção pela Portaria/MMA nº 445, são elas a raia-viola, raia-borboleta e raia-ticonha e o tubarão-martelo. Para Alexandre, a parceria entre pesquisadores e pescadores com a implantação do Monitoramento Pesqueiro Participativo é fundamental, pois, aproxima os pescadores dos processos conservacionistas, como atores primordiais no processo de coleta de dados, fundamentais, na construção do conhecimento e conservação das espécies marinhas. “Além disso, é importante para o pescador reconhecer a importância de sua colaboração e responsabilidade, no processo de criação de uma pesca sustentável”, acrescenta. Os resultados preliminares obtidos com o apoio do MPP estão descritos no trabalho “Participatory Fisheries Monitoring of the bycatch of elasmobranchs by beach seine fishing of Bertioga, Guaíbe Sector, São Paulo coast, Brazil”, apresentado na III Sharks International Conference em junho na Paraíba. A equipe de estudiosos é composta ainda por Bianca de Sousa Rangel, Renata Guimarães Moreira do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, Alberto Amorim do Instituto de Pesca da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do ESP, Fausto Foresti, Vanessa Paes da Cruz, Aisni Adachi, Giovana Ribeiro e Bruno Campos do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista de Botucatu. A parceria entre estes pesquisadores e o pescador Wesley já rendeu outros 11 trabalhos científicos apresentados em congressos e a publicação de dois artigos. Tal experiência, mostra que a união entre o conhecimento acadêmico e o conhecimento tradicional dos pescadores é de extrema importância para a conservação da fauna marinha.

Rodrigues apresentou o trabalho na III Sharks Conference

O pescador Wesley Shkola e o biólogo Alexandre Rodrigues.

De olho no meio ambiente Existe melhor guardião do meio ambiente do que o pescador? Ele está todo dia no mar, navega por todo o canto e descobre as mudanças que acontecem. Escolhemos aqui três exemplos de pescadores que observam e reportam tudo o que vêm, e na hora do aperto, põem a mão na massa para um mundo melhor.

Wesley: revertendo a maré que não está pra peixe!

Muita decepção ao puxar a rede de arrasto e trazer seis toneladas de lixo na praia da Enseada em Bertioga! Mas a equipe da embarcação Kapiloton, do pescador Wesley Shkola, não desanimou. Ajudou a encaminhar todos detritos para dois caminhões que retiraram a sujeira da praia. Além deste imprevisto, a Prefeitura recolhe todo dia três toneladas da faixa de areia de 30 quilômetros de praia em Bertioga. Muito material é proveniente da sujeira que jogam

nos rios que acabam desaguando no mar. Wesley, 39 anos, seis de pesca profissional, acredita que a conscientização da população é essencial para reverter essa maré de lixo. “É preciso respeito pela natureza, que vem com a educação”, afirma. Desanimado com o prejuízo que o lixo trouxe à sua rede de pesca, que ficou muito rasgada, achou um bom motivo para ver uma luz no fim do túnel. Convidado pela gestora da Área de Proteção Marinha, Maria de Carvalho Lanza para fazer palestras nas escolas públicas do município falando de sua arte de pesca e o respeito ao meio ambiente, achou uma maneira eficiente de passar seu recado às novas gerações.

Com trabalho árduo retiraram todo o lixo

Juliano: repórter do meio ambiente

Juliano de Almeida, 40 anos, 20 anos de pesca profissional, mora em Mongaguá, litoral sul de São Paulo. Sempre atento ao que acontece, gosta de postar nas redes sociais desde a incômoda presença de lixo no mar e na praia até a feliz ocorrência de baleias e golfinhos. “Estamos todo o dia no oceano, sempre zelando pelo meio ambiente”, afirma. “Se a gente não cuidar vai acabar tudo”, justifica. Para isso é necessário praticar a pesca responsável. Estar atento às mudanças no meio ambiente é também uma maneira de agir a favor da conservação. O aumento da quantidade de lixo no mar vai se tornando evidente dia a dia, e também a maneira que afeta a vida marinha. Compartilhar estas observações é uma maneira de despertar a consciência de todos dos malefícios que o lixo descartado na natureza pode causar aos animais marinhos. Assim aconteceu numa saída de pesca, dia 15 de junho, quando o pescador encontrou um peixe já morto na rede com

uma argola plástica presa à boca. Juliano fotografou e filmou a captura e entregou o exemplar, identificado como maria luiza, Paralonchurus brasiliensis, à equipe do Projeto Biopesca na Praia Grande, que faz o monitoramento costeiro no local. Para Juliano, despertar a consciência é muito importante para diminuir a poluição causada pelo descarte incorreto de lixo, tanto no mar, como na praia. “Não adianta limpar, e no dia seguinte está tudo sujo de novo”, exemplifica. Para isso são necessários programas de educação ambiental, para tentar uma transformação. O pescador também comenta que quando a maioria cuida, todos se sentem motivados a cuidar. As postagens de animais marinhos que observa durante suas viagens tem bom valor para a pesquisa. As fotos e filmes de uma fêmea de baleia franca com o filhote, enviadas para uma rede de observadores efetivada operando em Ilhabela, Santos e Mongaguá dia 29 de julho, ajudaram o Instituto Baleia Franca confirmar a presença dos animais no local. Juliano ao enviar estas informações do mar é considerado um Cidadão Cientista, uma pessoa que colabora espontaneamente com a ciência.


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Conselho de Pesca se reúne em Bertioga

Rodrigo Fascini, o doutor dos animais

Médico veterinário e pescador profissional de 32 anos, chamou atenção pelo cuidado que usou para libertar uma tartaruga encontrada com uma garateia (tipo de anzol múltiplo) presa à nadadeira. A profissão de médico veterinário lhe deu habilidade para realizar a tarefa com sucesso. O vídeo da devolução do animal ao mar viralizou, com mais de 13 mil views. Seu objetivo ao divulgar o vídeo foi de mostrar aos pescadores que é possível devolver em boas condições ao mar, animais que foram capturados acidentalmente. Como exemplo diz que conseguiu retirar sacos plásticos da boca de uma tartaruga e de uma gaivota, salvando suas vidas. Suas ações não se restringem apenas aos animais. “Sou fundador também de uma ong chamada Tropa do Bem, que participa de ações sociais junto Rodrigo tem um cuidado a moradores de rua, alegra creches e especial com as tartarugas asilos, e crianças em hospitais da região como doutores palhaços”, complementa. “Todo meu conhecimento de pesca, devo ao meu avô, que com 80 anos, confecciona nossas próprias redes e pesca até hoje”, afirma. Ele acredita que o pescador possui papel ecológico importante na preservação ambiental. Além de ser um indicativo direto de condições, é ativamente um dos principais recolhedores de lixo de nossas praias. “O pescador legal, que respeita as normas tem muito a contribuir perante a sociedade”, afirma. “Acho importante ressaltar aos pescadores, principalmente o senso de preservação, tanto da fauna pescada, quanto daquela que acidentalmente se depara com artefatos pesqueiros”, exemplifica. Para Rodrigo os cuidados e a soltura imediata devem ser prioridade na despesca, e o descarte correto dos petrechos pesqueiros, afim de evitar que se tornem armadilhas fatais para os animais tanto da fauna pescada, quanto daquela que acidentalmente se depara com esses artefatos

Juliano está sempre de olho no meio ambiente

O Conselho Municipal de Desenvolvimento de Pesca (CDM-Pesca) se reuniu dia 17 de julho na sede da Ong Boraceia Viva, em Bertioga. O presidente Thomas Schmidt (Ong Crescer) coordenou a reunião, que contou com a presença dos conselheiros João do Espírito Santo (Colônia Z-23), Felipe Sofiat (diretor de Turismo de Bertioga), Ubirajara e Emília Lima (Ong Boraceia Viva), professor Alberto Amorim (Instituto de Pesca/SAA) e Nelson Jorge de Castro (Diretoria de Operações Ambientais-DOA). A boa notícia é que Bertioga agora tem uma cadeira de titular dentro do Conselho Gestor da Área de Proteção Marinha, representada por Nelson Jorge de Castro. Outros assuntos tratados na reunião incluiram a necessidade de criar uma política pública municipal para o rio Itapanhau, o problema das invasões em áreas de conservação do município e também a necessidade de melhor divulgação dos pontos turísticos da cidade. Em relação ao rio Itapanhau destacou-se o perigo da prática irresponsável dos esportes náuticos, tendo como exemplo embarcações que navegam em alta

velocidade, causando assoreamento no local. Assim será montado um grupo de trabalho dentro do Conselho para criar um Plano de Manejo para o rio. Outra questão abordada foi a das invasões nas áreas de preservação que totalizam 90% do município. Estas geram crescimento desordenado, causando degradação das áreas, poluição e problemas de saúde para a população. Foi citada a necessidade de conter as invasões e também criar uma política de construção de conjuntos habitacionais em locais adequados, pois a moradia é um direito do cidadão. Em relação ao turismo foi destacada a importância de divulgar os diversos pontos turísticos da cidade aos visitantes. Finalizando a reunião foi anunciada a criação de um mutirão de fiscalização que irá ocorrer dia 19 de agosto em marinas e rampas públicas, coordenada pela Diretoria de Operações Ambientais, com intuito de advertir os infratores e também realizar educação ambiental. As reuniões do CDM-Pesca todas as terças-feiras mensalmente às 9h na Casa de Conselhos de Bertioga e são abertas ao público.

Caiçara Expedições: Roteiros Diferenciados

Saiba a programação da Caiçara Expedições de agosto a dezembro. Conheça mais opções de visitas agendadas através do site ou por telefone. Muitos passeios para quem gosta de conhecer comunidades tradicionais da Santos, como Ilha Diana e Caruara estão à disposição. Informações:www.caicaraexpedicoes.com /contato@caicaraexpedicoes.com Tel: 3466.6905

Peixe preso numa argola plástica de relógio

Programação 19/08 Trilha Cabuçu (saída Santos) 26/08 Estrada Velha de Santos (Santos) 16/09 Estrada Velha de Santos 16/09 Estrada Velha de Santos 8 a 12/10 Romaria a Aparecida Mogi das Cruzes e Aparecida 14/10 Trilha Cabuçu 21/10 Estrada Velha de Santos (Santos) 11/11 Estrada Velha de Santos (Santos) 18/11 Trilha Cabuçu (Santos) 23 a 25/11 Bueno Brandão-MG 9/12 Estrada Velha de Santos (Santos) 15/12 Trilha Cabuçu (Santos)


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JULHO/AGOSTO 20182018 JULHO/AGOSTO

Festa Julina em Ilha Diana

Os moradores de Ilha Diana, na área continental de Santos, comemoraram a Festa Julina, num sábado ensolarado, dia 7 de julho. Muita brincadeira e comilança, e também muita dança ensaiada com perfeição pelos professores de plantão.

Alegria Julina Alegria de menina Que sonha com pipoca, pé de moleque paçoca Vamos provar um melado? Infância é doce exagerado Pra comer e ficar lambuzado.

JORNAL MARTIM-PESCADOR 154  

Julho/Agosto 2018 - Número 154 - Órgão Oficial da Federação de Pescadores do Estado de São Paulo.

JORNAL MARTIM-PESCADOR 154  

Julho/Agosto 2018 - Número 154 - Órgão Oficial da Federação de Pescadores do Estado de São Paulo.

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