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MARÇO/ ABRIL 2017 Número 146 Ano XIII Tiragem 3.000 exemplares

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Pescadores do Amanhã

Gilmar Rodrigues ensina o jovem Flávio a pescar. Págs. 10 e 11

Eduardo Hipólito já ensinou a esposa e a filha a pescar, e o filho vai aprender logo que crescer. Págs. 10 e 11

Apresentação do espetáculo Navegando do Coletivo Caiçara no Teatro Municipal Brás Cubas. Pág. 6

Abertura da Semana da Cultura Caiçara de Santos, com Catharina Apolinário, secretário Fabio Nunes, vice-prefeito Sandoval Soares e artistas. Págs. 4 e 5

Isabel Carvalhaes

Paula Azenha

Anak Albuquerque

4ª Semana da Cultura Caiçara em Santos

Os artistas Amir Oliveira, Rodolfo Vidal e Renato Marchesine da Caiçara Expedições na Semana da Cultura Caiçara. Págs. 6 e 7


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Março/Abril 2017

Câmara de Pesca discute IN 12 A Instrução Normativa no 12/2012 foi um dos principais assuntos discutidos na 47ª Reunião da Câmara Temática de Pesca da APA Marinha Litoral Centro. O evento aconteceu dia 16 de fevereiro no auditório do Parque Estadual Xixová-Japuí, em São Vicente. Um dos principais assuntos tratados foi a apresentação da Proposta Técnica de Adequação regional para a APAMLC da IN 12/2012. A proposta tem por objetivo oferecer subsídios para viabilizar uma adaptação regional da Instrução Normativa no 12 no âmbito da APA Marinha Litoral Centro, que se estende de Bertioga a Peruíbe, no litoral de São Paulo. A ideia da proposta surgiu durante as reuniões da Câmara Temática de Pesca em 2016 e se concretizou na elaboração da proposta técnica sobre esta atividade para embasar a solicitação de uma regulamentação diferenciada da IN no 12 para a APAMLC, através de um ajuste a ser solicitado ao Ministério do Meio Ambiente e MAPA na norma federal. A demanda partiu dos pescadores artesanais que explicam que a normativa proíbe esta atividade na primeira milha náutica a partir da praia, e assim inviabiliza a pesca para

a categoria. A proposta será colocada em discussão e após aprovação do Conselho Gestor da APAMLC será enviada ao Ministério do Meio Ambiente e MAPA. Enquanto a APAMLC não tiver retorno positivo do MMA e MAPA, a INI nº12 continuará valendo no território da APAMLC. Também foi discutida na reunião a Portaria MMA 445/2014 que estabelece as espécies de peixes e invertebrados aquáticos ameaçados de extinção no Brasil. A medida que voltou a vigorar a partir de 25 de janeiro de 2017 proíbe a captura e comercialização de 475 espécies marinhas e de água doce classificadas como ameaçadas de extinção. Entre elas várias espécies de raias, tubarões, lambaris, bagres e cascudos, entre outros. Na ocasião foi ressaltada a importância da lei, pois as espécies consideradas sobreexplotadas apresentaram declínio na produção. Entretanto, os pescadores artesanais presentes apontaram algumas falhas na medida. Jorge Damião, representante da Colônia Z-4 de São Vicente, explicou que várias espécies de tubarões estão proibidas pela Portaria

445. No entanto, como não existe pesca específica de tubarões eles acabam sendo capturados como captura acidental na pesca atuneira ou em redes de espera para captura de outras espécies. Neste caso, o pescador irá jogar o tubarão que vem morto de volta ao mar, o que não contribui para a preservação da espécie. O presidente da Colônia Z-23, João do Espírito Santo, afirmou que o mesmo acontece na pesca

com rede, que pode capturar as espécies proibidas como pesca acidental. Alguns pescadores ainda questionaram os critérios para se considerar uma espécie ameaçada, pois afirmam que alguns peixes, como algumas espécies de bagres, são vistos em abundância nas pescarias, embora estejam na categoria de ameaçados. A próxima reunião da Câmara Temática de Pesca será agendada posteriormente.

A Secretaria de Aquicultura e Pesca do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento-MAPA foi transferida para o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. A medida foi determinada pelo Decreto 9004 de 13 de março de 2017. Várias atribuições foram transferidas do MAPA para o Ministério da Indústria, entre elas: a política nacional pesqueira e aquícola, organização e manutenção do Registro Geral da Atividade (RGP), fiscalização das atividades de aquicultura e pesca, pesca amadora ou desportiva, concessão de licenças, permissões e autorizações para o exercício da aquicultura e das seguintes modalidades de

pesca no território nacional, compreendendo as águas continentais e interiores e o mar territorial da Plataforma Continental e da Zona Econômica Exclusiva, as áreas adjacentes e as águas internacionais. Cabe ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento-MAPA e ao Ministério do Meio Ambiente, em conjunto e sob a coordenação do primeiro, nos aspectos relacionados ao uso sustentável dos recursos, fixar as normas, critérios, padrões e medidas de ordenamento do uso sustentável dos recursos pesqueiros, com base nos melhores dados científicos e existentes, na forma de regulamento.

As unidades do MAPA com competências relacionadas à pesca e à aquicultura que permanecem integrando a Estrutura do Ministério continuarão exercendo essas competências. O MAPA e a Secretaria de Governo da Presidência da República continuarão prestando o apoio necessário ao funcionamento das unidades transferidas. O Escritório Regional de Pesca e Aquicultura-ERPA, localizado no Terminal Pesqueiro Público de Santos-TPPS continua em funcionamento normal. Segundo a bióloga Diana Gurgel Cavalcanti, chefe do ERPA, todos os serviços como manutenção e renovação de documentos continuam sen-

do feitos normalmente. A pesca entrou em destaque nacional com a criação da Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca-SEAP em 2003. A SEAP foi transformada em Ministério da Pesca e Aquicultura-MPA em junho de 2009. Através de uma reforma ministerial em outubro de 2015 o MPA foi extinto e incorporado ao Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento-MAPA. Com o Decreto 9004/2017, as competências ficam divididas entre o MAPA e o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Conheça o Decreto 9004 na íntegra em www. jornalmartimpescador.com.br (legislação)

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Órgão Oficial da Federação de Pescadores do Estado de São Paulo Presidente Tsuneo Okida

DIA 06/04/17, ÀS 19H - NO ANFITEATRO DA CÂMARA MUNICIPAL DE CUBATÃO. DIA 10/04/17, ÀS 19H - NO AUDITÓRIO DA CÂMARA MUNICIPAL DE SANTOS. DIA 17/04/17, ÀS 19H - NO PLENARINHO DA CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO VICENTE. DIA 24/04/17, ÀS 19H - NO SALÃO DE EVENTOS DA CÂMARA MUNICIPAL DE GUARUJÁ. Áreas de Proteção Ambiental Marinhas do Estado de São Paulo

COMUNICADO (Instrução Normativa IBAMA nº 189/2008)*

Representantes da pesca artesanal Junior Mendes da Z-1, Eliana Diniz da Z-5, João Espírito Santo da Z-24, Jorge Damião da Z-4, Alexandre Mendes da Z-1

De 01 de Março a 31 de Maio Ficam proibidos a captura, o transporte, o armazenamento, o beneficiamento e a comercialização das espécies de camarão rosa (Farfantepenaeus paulensis, F. brasiliensis e F. subtilis), sete-barbas (Xiphopenaeus kroyeri), branco (Litopenaeus schmitti), santana ou vermelho (Pleoticus muelleri) e barba-ruça (Artemesia longinaris).

O defeso protege as espécies durante o período de reprodução e crescimento, garantindo a recuperação dos estoques pesqueiros para o futuro, evitando assim sua extinção, além de assegurar a manutenção da atividade pesqueira. *Essa norma não se aplica ao camarão capturado em áreas estuarinas.

Reunião da Câmara de Pesca

Pesca vai para o Ministério da Indústria

EXPEDIENTE

Audiência Pública Ultracargo

Av. Dino Bueno, 114 Santos - SP CEP: 11030-350 Fone: (013) 3261-2992

Para poder comercializar e transportar camarão no período do defeso, deverão ser fornecidas ao IBAMA a declaração de estoque e o formulário de comprovação de origem (Anexos I e II da IN) até o 7° dia corrido a contar do início do defeso. Aos infratores serão aplicadas as penalidades previstas na Lei n° 9.605/1998 e no Decreto n° 6.514/2008. Área de Proteção Ambiental Marinha do Litoral Norte (12) 3832-1397/(12) 3832-4725 apamarinhaln@fflorestal.sp.gov.br Área de Proteção Ambiental Marinha do Litoral Centro (13) 3567-1495/3567-1506 apamarinhalc@fflorestal.sp.gov.br Área de Proteção Ambiental Marinha do Litoral Sul (13) 3851-1108/(13) 3851-1163 apamarinhals@fflorestal.sp.gov.br

Defesos

Caranguejo-guaiamum (Cardisoma guanhumi) 01/10/2016 a 31/03/2017 Lagosta vermelha e lagosta cabo verde (Panulirus Argus e P. laevicauda) 01/12/2016 a 31/05/2017 Ostra 18/12/2016 a 18/02/2017 Piracema na Bacia Hidrográfica do Rio Paraná (IN 25 do Ibama) de 1/11/2016 a 28/02/2017 Proteção à reprodução natural dos peixes, nas áreas de abrangência das bacias hidrográficas do Sudeste (IN 195) de 1/11/16 a 28/02/17 Tainha (Mugil platanus e Mugil liza) 15/03/16 a 15/08/16 (proibida em todas as desembocaduras estuarino-lagunares do litoral das Regiões Sudeste e Sul). A partir de 15 de maio, a temporada anual da pesca da tainha será aberta somente no litoral, permanecendo fechada até 15 de agosto nas desembocaduras estuarino-lagunares. (veja Instrução Normativa 171 9/5/2008 em www.jornalmartimpescador.com.br/legislação)

Moratórias

Cherne-poveiro (Polyprion americanus) 06/10/2015 a 6/10/2023 (Portaria Interministerial no 14) Mero (Epinephelus itajara) 06/10/15 a 06/10/23 (Portaria Interministerial no 13) Tubarão-raposa (Alopias superciliosus)- tempo indeterminado Tubarão galha-branca (Carcharinus longimanus)tempo indeterminado Raia manta (família Mobulidae) - tempo indeterminado Marlim-azul ou agulhão-negro (Makaira nigricans)tempo indeterminado Marlim-branco ou agulhão-branco (Tetrapturus albidus) – tempo indeterminado Saiba mais sobre a legislação de pesca em: www.jornalmartimpescador.com.br (legislação)

Jornalista responsável: Christina Amorim MTb: 10.678/SP christinamorim@gmail.com Fotos Fotos e ilustração: e ilustração: Christina Christina Amorim; Amorim; Diagramação: Diagramação: cassiobueno.com.br; cassiobueno.com.br; Projeto Projeto gráfico: gráfico: Isabela Isabela Carrari Carrari - belacarrari@hotmail.com - icarrari@gmail.com Impressão: Impressão:Diário Diáriodo do Litoral: Litoral Fone.: Fone.:(013) (013)3226-2051 3226-2051 Os artigos e reportagens assinados não refletem necessariamente a opinião do jornal ou da colônia


Março/Abril 2017

Revivendo a Doroteia

Madalena Panhocc

Anak Albuquerque

Segundo Márcio Barreto, organizador do cortejo junto com Plinio Augusto e Juliana Bordallo, o objetivo foi “discutir as questões da mulher, em respeito à sua identidade cultural, suas diferenças e particularidades, alertando para a necessidade premente de uma relação com igualdade de direitos entre os gêneros”. O cortejo, inspirado no saudoso “Banho de Doroteia”, foi organizado por Bella Cia, coletivo Percutindo Mundos e coletivo Praiaças - Movimento de Palhaçaria Feminina, espaço que visa movimentar e criar diálogos, reflexão, debates e união entre palhaças da Baixada Santista. O Cortejo “Somos todos Doroteia” abriu as comemorações da 4ª Semana da Cultura Caiçara de Santos divulgando sua programação.

Anak Albuquerque

Quem não se lembra do saudoso Banho da Doroteia que fez sucesso na folia santista de 1923 a 1997? A comemoração que foi interrompida por alguns episódios de violência deixou saudade por sua originalidade. Um grupo decidiu este ano reviver um pouco dessa alegria com o cortejo “Somos todos Doroteia” que percorreu as ruas do Centro Histórico de Santos no dia 8 de março, das 12h às 13h30. Foram 40 palhaças que, entre mulheres e homens, participaram dessa festa em homenagem ao Dia Internacional da Mulher e, em especial, à mulher caiçara. Não faltou animação, com muita música, dança, performances teatrais e circenses, levando mensagens importantes sobre a mulher e discutindo a violência entre os gêneros.

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Orquestra alegra Ilha Diana

Madalena Panhocc

Anak Albuquerque

A apresentação da Orquestra na Rua animou os moradores de Ilha Diana dia 4 de março. Os ensaios e o concerto gratuito aconteceram às 16h30, na Praça Principal da Ilha. No repertório, ‘Santos Poema’ de Zwarg, ‘Ode À

Alegria’ de Beethoven, ‘Ária Na Corda Sol’ de Bach, ‘Jesus Alegria Dos Homens’, de Bach, ‘Ave Verum Corpus’ de Mozart, ‘O Que Será?’ de Chico Buarque, ‘Carinhoso’ de Pixinguinha, ‘Gaúcho’ de Chiquinha Gonzaga, ‘Trem

Das Onze’ de Adoniran Barbosa, e ‘Asa Branca’ de Luiz Gonzaga. O som dos violinos, violas, violoncelos e contrabaixos se espalhou pela comunidade trazendo momentos de confraternização entre os moradores.


Christina Amorim

S Q E P

Isabel Carvalhaes

Anak Albuquerque

Márcio Barreto e Antonio Celso

Café caiçara do Rei do Café

Anak Albuquerque

Lelé artesão

Isabel Carvalhaes

Artesãs na Casa da Frontaria Azuleijada

Restaurante Estação Bistrô

S N N Q E

S C D N P

V M V

Visita turística a Caruara

J D E

C

Oficina de Gastronomia

parte profissionais da educação, receberão certificado após formação. Na Concha Acústica, Lendas Caiçaras, com as atrizes Gigi Fernandes e Claudia Torres, contou histórias de Santos e lendas indígenas. O arquiteto e construtor naval caiçara No Sesc, Eduardo Manoel Tambor e Katharine Diniz, artista e modeladora, fizeram um trabalho criativo

Oficina de música

Christina Amorim, Terezinha e Hélio França

descrevendo o método tradicional da canoa caiçara e transformando-o num modelo digital 3D. O trabalho contou com a mediação de Márcio Barreto e o apoio de Antonio Celso Souza do Sesc. O curta metragem Seu José levou à programação o debate sobre a consciência ambiental e a relação do homem com o meio ambiente.

Christina Amorim

Brigadeiro de banana de Caruara

Anak Albuquerque

com um delicioso escondidinho de banana com chocolate e café. Uma das oficinas desvendou os mistérios do azul-marinho, prato típico caiçara.Vários restaurantes também aceitaram o desafio de inserir em seus menus um prato especial para a ocasião. Um Roteiro Gastronômico incluiu cinco restaurantes: Obba Gastronomia Saudável, Fish Bar, Boteco Valongo, restaurante e lanchonete do SESC Santos e o Restaurante-Escola Estação Bistrô. O Rei do Café também contribuiu com o Café Caiçara, uma mistura de café de alta qualidade com melado de cana-de-açúcar. A Pizzaria 7ª Avenida preparou pizza de siri. Quem quis conferir o sabor na área continental de Santos embarcou no passeio de turismo comunitário para o bairro de Caruara realizado pelo Sesc com roteiro da Caiçara Expedições (www. caicaraexpedicoes.com). No teatro Municipal Brás Cubas, a peça Navegando propôs um diálogo de continuidade e reflexão entre o ancestral e o contemporâneo. O espetáculo multilinguagem com artistas e pesquisadores de diversas áreas veio para celebrar e debater a cultura caiçara através da música, teatro, dança, literatura. Com Márcio Barreto, Plinio Augusto, Juliana Bordallo, Gigi Fernandes, Danilo Nunes, André Barros Nunes e Ricardo Menezes. Fandango, congada e danças típicas agitaram a Casa da Frontaria Azulejada, com a presença de artistas da região e convidados de Cananeia e Ilhabela.Na oficina de Danças Tradicionais Caiçaras, ministrada pelo professor Adriano Leite, cerca de 60 pessoas, grande

Catharina Apolinário

Dança, gastronomia, fotografia, teatro, artesanato e oficinas. Em sua quarta edição, a Semana da Cultura Caiçara em Santos (15 a 21 de março) abriu um leque de opções para os interessados no assunto. Além das apresentações, as oficinas de dança e gastronomia possibilitaram o aprendizado para aqueles que além de se habilitar no assunto querem se tornar agentes multiplicadores. Tudo para que esta tradicional cultura não fique esquecida. A festa aconteceu em vários pontos da cidade, mas o Centro Cultural Caiçara, sediado na Casa da Frontaria Azulejada, foi o local que mais concentrou eventos, segundo a jornalista Catharina Apolinário, curadora do evento. Ali, a Quituteria Pra Iaiá serviu uma coxinha bem criativa feita com jaca e o Grupo Caruartes também misturou sabores, com seu brigadeiro de banana. Em Ilha Diana e Caruara, a produção era de comida tradicional, com foco nas receitas de azul-marinho (peixe cozido com banana verdolenga e pirão), salada quilombola e muitos frutos do mar. Comida para todos os gostos e bolsos. O Diva's Food Park trouxe o food truck Caiçara, que inseriu na famosa comida de rua ingredientes alternativos, como camarão, salmão e marisco. Outros pontos da Cidade contaram com projetos, como escolas municipais, SESC Santos e o SinHoRes (Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Santos). O SinHoRes realizou quatro oficinas de culinária com grande procura por parte do público. A mistura do tradicional com o contemporâneo foi evidente na oficina de comida japonesa, com peixes caiçaras (tainha e sardinha) e na oficina de doces,

Catharina Apolinário

Evento resgata identidade tradicional caiçara com uma semana de atividades

Márcio Barreto na barca para Ilha Diana Catharina Apolinário

Somos todos caiçaras!

Isabel Carvalhaes

Março/Abril 2017

Paula Azenha

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Eduardo Tambor e a canoa caiçara

Do aluno do curso de audiovisual da Unimonte, Sileno Alexandre, o filme foi apresentado no Cine Roxy Pátio Iporanga, seguido de bate-papo. Na abertura da exposição Rastros Caiçaras – Sabores, da fotógrafa e jornalista Christina Amorim, a degustação, preparada pela especialista em gastronomia caiçara, trazia licor de banana e


Paula Azenha

Anak Albuquerque

Anak Albuquerque

Maria Aparecida Nobre, Christina Amorim e Luciana Cirilo na Exposição Rastros Caiçaras Diogo Fernandes Lopes

Restaurante Obba Gastronomia Saudável

Rodolfo Vidal e Madalena Panhocci em Ilha Diana Christina Amorim

Vamos com mão forte Mão de pescador Velas içadas para vento sul Ou norte Jogar as redes aos mares De cimento E buscar o que ficou

Rodolfo Vidal Isabel Carvalhaes

Se muito se apagou Celebramos o que ficou Deitando raízes novas No solo bruto Para produzir novo fruto

Christina Amorim

Anak Albuquerque

Diogo Fernandes Lopes

mini bolo de roda feito pelo chef Daniel Stucchi do restaurante Oca. A mostra prestou uma homenagem póstuma a Antônia Bittencourt de Sousa (1918-2011), primeira moradora de Ilha Diana, na área continental de Santos. Receberam a homenagem seu sobrinho Hélio França e esposa Tereza. Algumas atividades tiveram

Santorias-Museu de Pesca

que ser adiadas devido às fortes chuvas e da greve dos servidores públicos municipais. A 3ª Remada Caiçara foi transferida para o dia 9 de abril, assim como a Instalação do artista Maurício Adinolfi, Projeto URUBUQUEÇABA, e o 2º Festival de Castelos de Areia. A contação de histórias Lendas Caiçaras de Santos com a artista Gigi

O professor Antonio Carlos Diegues do NUPAUBUniversidade de São Paulo, fez palestra na abertura do evento no dia 15 de março no Sesc-Santos. Rodolfo Vidal, de Cananeia, apresentou a viola caiçara com o show “Toques e Cantos, som que vem da terra tem raiz”. Estiveram presentes o vice-prefeito de Santos, Sandoval Soares, o secretário do Cultura, Fábio Nunes e o secretário adjunto de Cultura e Turismo de Praia Grande, Moisés Gomes, entre outras autoridades. A Semana da Cultura Caiçara de Santos foi instituída pela lei 2.920 de 2013 de autoria de Sandoval Soares, na época vereador de Santos.

Modelagem de canoa caiçara

Isabel Carvalhaes

Oficina de dança de Adriano Leite

Lendas Caiçaras com Gigi Fernandes e Claudia Torres

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Curta-metragem seu José no Cine Roxy

Viola caiçara

Isabel Carvalhaes

Somos todos caiçaras Na fome de peixe e pirão Na devoção ao santo Que resiste bravo e teimoso Em oração

Diogo Fernandes Lopes

Somos todos caiçaras Quer queiram ou não Essa vontade de sentir o vento Pressentindo se vem chuva e trovão

Diogo Fernandes Lopes

Março/Abril 2017

Fernandes foi reagendada para o dia 26 de março, às 15h, na Concha Acústica Vicente de Carvalho. As atividades que aconteceriam com a participação de artistas locais nas escolas municipais - Projeto Santorias na UME Monte Cabrão e Duo Caiçara na UME Padre Leonardo Nunes - serão reagendadas. A apresentação do filme Seu José, na Sala

Exposição de fotos, Rastros Caiçaras/Sabores

Toninho Dantas, também terá nova data, privilegiando a participação das crianças da rede municipal de ensino, bem como a oficina de Culinária Caiçara na cozinha experimental da UME Santista, com o chef Daniel Stucchi. A Semana da Cultura Caiçara foi realizada por uma parceria entre as Secretarias Municipais de Cultura,

Educação e Turismo, subPrefeitura da Área Continental de Santos, Instituto Victório Lanza, SinHoRes - Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares da Baixada Santista e Vale do Ribeira, com o apoio da Fundação Arquivo e Memória de Santos, Sesc-Santos, Instituto de Pesca, Rei do Café, Boteco Valongo e jornal Martim-Pescador.


Março/Abril 2017

Coluna Isabel Carvalhaes

específico. Ao final dos oito módulos, no mês de novembro, os alunos serão levados até a Embraport com o intuito de conhecer o terminal e ver na prática o que foi ensinado durante as aulas. A programação incluirá um passeio de Catamarã pelo Porto de Santos, uma visita de ônibus à área operacional do terminal, além da entrega de certificados. Paulo Gabriel Setten, responsável pela Comunicação Corporativa e Sustentabilidade, destaca que apesar de a cidade de Santos ser sede do maior Porto da América do Sul, existe um desconhecimento muito grande por parte da população sobre as atividades realizadas no cais, as quais são fundamentais para a economia e desenvolvimento de toda a região da Baixada Santista. “Por meio dessa iniciativa, queremos aumentar a consciência dos jovens sobre o trabalho portuário e as práticas sustentáveis adotadas nas operações nos dias de hoje. Além disso, é uma forma de fazer com que as crianças conheçam a dinâmica e a rotina portuária e se interessem pelo assunto para que um dia possam fazer parte dela”, finaliza.

Madalena Panhoci, Márcio Barreto e Rodolfo Vidal em Ilha Diana Anak Albuquerque

A Embraport iniciará em 2017, um programa que irá levar conhecimento sobre logística portuária para crianças e jovens de 13 a 15 anos da Unidade Municipal de Ensino de Monte Cabrão, na área continental de Santos. Chamado de Programa Global de Educação, o projeto é uma iniciativa da DP World, uma das empresas acionistas Embraport, e está sendo realizado em mais de 30 países onde a empresa opera em todo o mundo com o objetivo de levar educação para mais de 34 mil jovens até 2020. Uma aula experimental já foi realizada com os próprios alunos da UME no mês de dezembro de 2016. Com oito módulos que abordam temas como: localização, infraestrutura portuária, matemática marítima, tipos de contêineres, segurança nas operações, sustentabilidade, processos aduaneiros e mercado de trabalho, o programa relaciona o aprendizado sobre o porto com disciplinas escolares e atividades lúdicas, visando o entendimento pleno do assunto abordado. Outro ponto importante do Programa é que cada módulo contará com o apoio voluntário de um gerente ou diretor da Embraport que irá até a escola para falar sobre um tema

Márcio Barreto e Rodolfo Vidal em Ilha Diana Isabel Carvalhaes

Empraport realizará Programa de Educação portuária para crianças de Monte Cabrão

Restaurante Escola Estação Bistrô

OUVIDORIA EMBRAPORT: 0800 779-1000 faleconosco@embraport.com www.embraport.com

Anak Albuquerque

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Março/Abril 2017

Diogo Dias Fernandes Lopes

Anak Albuquerque

4ª Semana da Cultura Caiçara em Santos

Navegando Coletivo Caiçara no Teatro Municipal Brás Cubas

Catharina Apolinário

Abertura da Semana da Cultura Caiçara no Sesc

Diogo Dias Fernandes Lopes

Paula Azenha

Curta-metragem seu José no Cine Roxy

Visita a Caruara realização Sesc e Caiçara Expedições

Diogo Dias Fernandes Lopes

Catharina Apolinário

Comida japonesa com ingredientes caiçaras

Diogo Dias Fernandes Lopes

Oficina de doces SinHoRes

Catharina Apolinário e Adriano Leite com o prefeito de Ilhabela, Márcio Tenorio (centro)

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Março/Abril 2017

Coluna

O Porto na Comunidade

“Aprendi a amar o que faço e isso me faz vir trabalhar com mais prazer” Ivonete Marcolino, ex-moradora da Ilha Diana, trabalha no Porto há quatro anos e fala com orgulho de suas conquistas e planos para o futuro

Ivonete Marcolino dos Santos nasceu e cresceu na comunidade da Ilha Diana, e há quatro anos faz parte do time Embraport. Hoje, com 38 anos, ela trabalha no Gate como Vistoriadora de Cargas, mas sua história na empresa começou de uma maneira bem diferente. Quando começou a trabalhar no porto, em 2013, Ivonete era auxiliar administrativa e atuava como controladora de fluxo, função que é responsável por auxiliar os barcos e os ônibus dentro do terminal. Agora, sua rotina mudou. “Um Vistoriador de Cargas avalia as condições que o contêiner chega ao terminal, verificando se existem avarias como cortes, furos ou partes amassadas. Nós checamos se a carga pode entrar no terminal e se os danos no contêiner não vão estragar a carga”, explica. Na função que exerce hoje, Ivonete trabalha em horário de turno, junto com outras quatro equipes existentes no terminal. Feliz por sua evolução, ela relata as oportunidades de crescimento que teve no porto. “Posso dizer que entrei sem saber de nada e hoje aprendo um pouco mais a cada dia. Já aprendi muito, mas ainda tenho mais para aprender. A Embraport oferece muitas

oportunidades para o funcionário, basta vestir o uniforme e fazer um bom trabalho”. Almejando crescer profissionalmente, Ivonete tem um objetivo dentro da empresa; “Hoje sou Vistoriadora de Cargas nível 1, porque entrei na função há menos de oito meses. Tudo o que eu faço é um degrau. Quero chegar a Vistoriadora de Cargas nível 3, que trabalha no costado, parte de operação dos navios”. “Eu gosto de trabalhar, aprendi a amar o que faço. Gosto muito das pessoas que trabalham comigo, todas elas me acolheram e me ajudam sempre que preciso. Isso me faz vir trabalhar com mais prazer. Minha equipe é muito humana”, conta Ivonete. Outra realização que o ambiente de trabalho trouxe para Ivonete foi pessoal; a conquista de muitos amigos “A minha família é aqui. A gente vive muito tempo dentro do trabalho. É bom vir para cá e fazer amizades’. Mãe de dois filhos, um jovem de 21 anos e uma menina de 12, Ivonete fala com muito orgulho de sua maior conquista pessoal. “A compra da minha casa. Não é um palacete e nem fica em um condomínio fechado, mas eu posso dizer que cada gota de suor do meu trabalho foi um grãozinho de areia que ajudou a erguer a minha casa. Hoje posso deitar a cabeça no travesseiro ao lado dos meus filhos sabendo que minha maior conquista foi em função do meu trabalho”, finaliza.


Março/Abril 2017

Coluna

Você conhece o Porto?

Conheça o processo de Amarração de um navio Amarrar um navio ao cais é uma atividade milenar, realizada da mesma maneira em todo o mundo. Para realizar a tarefa, aproximadamente 10 cabos de amarre (cordas espessas) são utilizados para a amarração, partindo da proa (frente) e da popa (ré) do navio. Estes cabos possuem em um de seus extremos um laço que é atirado em direção aos cabeços do cais, enquanto o outro extremo é fixado em estruturas no casco do navio. Cada cabo de amarre tem uma finalidade. As lançantes de proa (fixadas na frente do navio) e as lançantes de popa (fixadas na traseira) mantêm o navio encostado no cais, e as springs (cordas fixadas no meio do navio de forma paralela ou cruzada) evitam que ele se movimente demais durante a operação. Sempre que uma embarcação se aproxima do cais, uma equipe de amarradores se posiciona no local para o primeiro contato com a tripulação, que lança um cabo de guia, uma corda esguia, de fácil manuseio, que possui um peso em sua ponta para atingir uma longa distância. Os amarradores recolhem o cabo de guia até alcançarem os cabos de amarre. Uma vez que o laço é recebido em terra, eles o colocam em volta dos cabeços. Essa operação demanda grande esforço braçal dos integrantes, que devem puxar e recolher os cabos de amarre da superfície do mar. Os guinchos de bordo (máquinas movidas a motor) estão posicionados em alguns pontos da embarcação e são utilizados para desenrolar, tensionar e recolher as cordas, como uma espécie de carretel. Estes três movimentos se alternam conforme a operação acontece, mantendo a tensão da corda constante independente da altura do navio em relação ao cais com a carga e descarga de contêineres. Vale lembrar que o número de cordas e cabeços utilizados varia sempre de acordo com o tamanho e ano da embarcação que atraca no Terminal.

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Consumo saudável de pescado O pescado é um alimento que vem cada vez mais sendo aceito pelos consumidores. Principalmente na Semana Santa, o consumo de pescado aumenta, porque ocorre a substituição da carne vermelha por carne branca por motivos religiosos ou culturais. O pescado “in natura” segundo o RIISPOA – Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal do MAPA, pode ser comercializado na forma fresca, resfriada e congelada. Esse Regulamento determina no seu artigo 442 as condições que devem ser comercializada essa matéria-prima. O consumidor deve ter conhecimento dessas características de frescor: escamas firmes e brilhantes, guelras vermelhas e limpas, olhos brilhantes e preenchendo toda a órbita, ânus fechado, abdômen flexível, ausência de odor forte. Quando estes atributos estão presentes significa que não há deterioração do produto. O consumidor deve estar sempre atento para adquirir produtos. Dessa forma a origem do pescado é fundamental para dar garantia da qualidade. Todo produto deve estar rotulado e ter o selo de inspeção,

que pode ser federal (SIF), estadual (SIE) ou municipal (SIM). Na ausência dessa informação o produto não deve ser adquirido, pois sua origem é clandestina. A não ser no caso de pescado fresco, os produtos não apresentam rótulos, porém no local da exposição de venda deve estar presente todas as

informações referentes a esse produto. Todo pescado deve ser inspecionado, e em hipótese alguma o pescado recém-capturado deve ser comercializado, pois este pode estar contaminado e transferir agravos à saúde pública. Quando o Serviço de Inspeção está presente, peixes que por algum motivo morreram, serão impedidos de chegar ao consumidor, pois o consumo de peixes nesse estado é prejudicial à saúde, mesmo que sejam colocados em gelo, assim que retirados da água e que apresentem características de pescado fresco. Portanto, quando ocorre mortandade de peixes, a pesca ou a captura devem ser proibidas pelos órgãos competentes e ser motivo de preocupação do setor da saúde, uma vez que muitos pescadores recolhem os peixes mortos para consumo ou venda. Assim sendo, o serviço de Vigilância Sanitária deve fiscalizar os estabelecimentos comerciais para checar a procedência do pescado. Além disso, para alertar pescadores e consumidores deve-se instrui-los através de ferramentas educativas como palestras, publicações para não ocorrer abusos, e propiciar melhoria da qualidade do pescado.

Na rota dos atuns Projeto coloca marcas em peixes para estudar sua migração Fabio Hazin-UFRPE e em Cabo Frio-RJ, pelo professor Eduardo Pimenta-Universidade Veiga de Almeida-UVA. O objetivo é marcar 13 mil atuns (albacora-de-laje e albacora-bandolim), incluindo bonito-listrado. A cavala impigem será marcada também, eventualmente, mas em quantidades bem menores. O esforço de marcação deverá ser feito em praticamente em toda a costa brasileira, do nordeste ao sul/sudeste. De Itarema, no Ceará, a Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Em Cabo Frio, Rio de Janeiro, as marcas Marca tradicional com numeração e endereço de devolução serão colocadas Para melhor conhecer os atuns e seus hábitos de migração uma entidade internacional faz parceria de estudos com instituições brasileiras. O Programa de Marcação de Atuns no Oceano Atlântico Tropical é financiado pela ICCAT (Comissão Internacional para a Conservação do Atum Atlântico) e administrado no Brasil pela FADURPE- Fundação Apolônio

Salles de Desenvolvimento Educacional, com parceria da Universidade Federal Rural do Semiárido-UFERSA (Mossoró-RN), Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE, Universidade Veiga de Almeida-UVA (Cabo Frio-RJ), Instituto de Pesca da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do ESP e Projeto Albatroz. O Programa é coordenado pelo professor

por pesquisadores numa embarcação alugada que opera com artes de captura menos predatórias. Quem encontrar um peixe marcado deverá reportar para a FADURPE. Em breve será disponibilizado um telefone específico para que essas informações sejam passadas. Os dados com a data e local da liberação do peixe ficam registrados em computadores e se o animal for recapturado através do número de série da marca é possível localizar o registro e saber os dados da liberação. O pescador que encontrar a marca e reportar (onde, quando e como o peixe foi pescado incluindo-se peso e comprimento) recebe uma recompensa e um brinde.


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Março/Abril 2017

De pai para filho O pescador Eduardo Hipólito Filho, de Ilha Diana, quer ensinar o filho a arte da pesca Kaic completou apenas quatro meses em abril, mas seu pai já tem planos para ele. Ensinar o menino a pescar desde pequeno. Para Eduardo, 45 anos, o aprendizado foi instintivo. “Via meu pai chegar da pesca e ficava curioso”, conta. “Com seis anos de idade já tinha uma tarrafinha”, acrescenta. “Meu pai chegava da pescaria, ensinava tarrafeando. Eu pensava, isso que eu quero ser quando crescer”, conta com orgulho. Hoje Eduardo pesca de todas as formas: rede, tarrafa, jerivá e vara. “Não dá pra viver de uma cultura só”, explica. “Água salgada é o sangue do pescador”, diz com convicção. Na família Hipólito, tradicional de pescadores de Ilha Diana na área continental de Santos, todos aprenderam a profissão, os irmãos Carlos Alberto, 39 anos, Clodoaldo, 43 anos, e as irmãs Maria, 32 anos e Camila, 37. “Ele arrasta todo mundo para pescar”, diz a esposa Flavia que também aprendeu a pescar com o marido. “Ele não só gosta, ele é viciado em pesca”. A filha Beatriz Eduarda, formada em Comércio Exterior, aprendeu de pequena a pescar um robalo na linha de mão. Eduardo confessa que sua vida não tem rotina. “Sou meu patrão, se tem boa pescaria na semana, descanso domingo”, complementa. “Quando a maré está boa, tem que aproveitar”, acredita, pois muitas vezes períodos de até 15 dias de chuvas comprometem pesca. “Quando vem o sol tem que repor tempo perdido”, conclui. Eduardo

sai sozinho ou com um companheiro em sua lancha de alumínio de seis metros. Muitas vezes sai para pescar de manhã, vende ou congela o peixe, e sai novamente à noite para pescar. “Já teve mais peixe”, afirma Eduardo referindo-se à diminuição das capturas.Mas ainda assim, a pesca continua sendo sua paixão e seu sustento. E ainda é um meio simples de trazer mais mistura à mesa. “Você dá uma tarrafada e pega três paratis, três carapevas, é maravilhoso”, explica. A arte da pesca é além de uma profissão, dá a opção de trazer o pescado na alimentação do dia a dia. Por isso Eduardo quer passar esse valioso conhecimento para as gerações futuras.

Pescadores do amanhã A rede ávida se cala No final da noite O frio é açoite O peixe é regalo Qual galo Que anuncia a manhã Dos raios de luz Visitando tímidos as águas Mão afoita colhe a rede Tem sede de água salgada Quanto resistirá? Mão forte, rede ávida O homem, o barco, o peixe A vida dirá Christina Amorim

Eduardo quer ensinar o filho Kaic a pescar bem novo


Março/Abril 2017

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A herança da pesca Pescador da praia de Parnapuã em Peruíbe transmite a sabedoria da pesca às novas gerações

A arte da pesca é um legado que passa de pai para filho. Por isso o pescador Gilmar Rodrigues, 53 anos, sonhava em passar todos os ensinamentos que havia aprendido com seu pai e avós para o filho Fabrício, de 18 anos. Nascido na praia de Parnapuã, em Peruíbe, dentro da Estação Ecológica de Jureia-Itatins, aprendeu bem jovem a pescar e nunca mais parou. Quando o filho decidiu seguir a carreira de bancário viu-se num dilema: a quem iria repassar todo seu conhecimento na pesca? Já havia ensinado a arte a alguns sobrinhos e um primo, quando seu vizinho Flávio Ribeiro da Costa Junior, 16 anos, começou a se interessar pelo assunto. A esposa de Gilmar, Palmira, que conhecia o menino desde pequeno incentivou o marido na empreitada, pois via grande potencial no jovem. “Sempre quis tentar a pesca, agora apareceu a oportunidade”, diz Flávio. Ele logo aprendeu a tirar marisco na pedra, puxar picaré, usar tarrafa e linha. “Tem que aprender de tudo”, diz o professor. Flávio diz que marisco é fácil de tirar com um instrumento chamado sarapoa. “O mais difícil é passar a rede, precisa de técnica”, explica. O aprendiz de pescador se orgulha de já ter pego um pampo de dois quilos na linhada, que logo foi saboreado assado. Flávio também já perdeu mais de 30 peixes que fugiram do picaré, o que rendeu boas risadas. As histórias engraçadas são o assunto dos encontros depois das pescarias

com os amigos no Bar do Fernandinho em Guarau. Os erros de principiantes são relevados, pois Gilmar se orgulha de ser um professor paciente. “Meu pai não tinha paciência, ou aprendia ou apanhava”, recorda. Gilmar vem de muitas gerações na pesca, atividade que suas três irmãs e um irmão também praticam. Seus professores foram o pai Avelino Rodrigues, o avô materno português João Serra e o avô paterno espanhol Silvino Rodrigues que morreu com mais de 100 anos. Os avós chegaram a Peruíbe em circunstâncias bem peculiares. Ambos trabalhavam nos correios e vinham à região para entregar correspondência pela Trilha do Telégrafo, estrada construída no século 19 por ordem do imperador D. Pedro II, também conhecida como Caminho do Imperador. O caminho possui uma extensão de 114 quilômetros ligando Guaraqueçaba no Paraná a Cananeia no Estado de São Paulo. Chegando à região ambos se casaram com índias

que moravam no local e ali ficaram, deixando descendentes. Por muitas gerações sua família levou uma vida típica caiçara, pescando e cuidando da roça. “A roça ia da beira da praia até o topo do morro”, lembra-se. “Plantavamos amendoim, feijão, arroz, taioba, inhame, mandioca”, acrescenta. Hoje ainda planta abacate, goiaba, pitanga roxa. Mandioca não pode mais plantar, pois hoje o local está dentro da Estação Ecológica de Jureia-Itatins, onde não é possível desbastar para fazer plantação. “A gente colhia muito arroz, feijão, milho. Também trocava uma coisa pela outra”, diz. Todo mundo ajudava na roça, e o mutirão terminava em fandango, quando o dono da casa bancava a comida e a festa. Um modo de vida simples que em parte se perdeu, restando a pesca. Por isso Gilmar gosta de ensinar o ofício para aqueles que amam viver em contato com o mar. O pescador diz que desde pequeno pensava “que seu destino ia ser água”. “Amo nadar,

Gilmar Rodrigues e Flávio Ribeiro da Costa Junior

mergulhar é minha vida”, acrescenta. “Pesco quase todo dia, só não vou quando o mar está revolto”, justifica. Embora os peixes hoje estejam mais escassos ele não desanima. “Um barco industrial pega o que precisa e o que não precisa”, se queixa. Antigamente

Gilmar e a esposa Palmira (à dir.) no Bar do Fernandinho

havia muita pescada cambucu, pescada amarela, badejo. Hoje tem que sair mais vezes para pegar bastante peixe. Ainda assim Gilmar não perde sua paixão pelo mar e pela pesca. Um entusiasmo tão grande com força para contagiar as novas gerações.

Delícias da Renascença A culinária italiana é rica em massas, carnes, frutos do mar, mas e os doces? A sopa inglesa, tradução de zuppa inglese, é uma receita muito tradicional que foi trazida para a Itália por um diplomata italiano por volta de 1500. Apesar de o nome sugerir um prato salgado, trata-se de uma espécie de pavê muito apreciado nas festas de fim de ano. Grazia Pavone Martins, filha de mãe bolonhesa e pai siciliano, é apaixonada pela gastronomia de seus ancestrais, e gosta de servir a sobremesa para seus hóspedes, na Pousada das Aves, no bairro de Guarau, na cidade de Peruíbe, litoral

sul de São Paulo. Ela, descendente de italianos, e o marido, Rubens Martins, descendentes de portugueses, dirigem o local e primam pela boa gastronomia. Aqui vai a preciosa receita que já passou por tantas gerações! Sopa inglesa Ingredientes: 1 pacote de biscoito champanhe de boa qualidade (ou pão-de-ló cortado em retângulos) Rum/Marraschino/Vinho do Porto/Groselha 3 claras batidas em neve com pouco açúcar para a cobertura

Creme (ingredientes e preparo) 6 copos de leite 3 gemas 6 colheres (sopa) rasas de maisena 3 colheres (sopa) de açúcar Baunilha a gosto Casca de 1 limão siciliano Levar ao fogo, mexer. Apagar assim que borbulhar. Dividir o creme ao meio. Reservar uma metade num recipiente à parte. A outra metade, levar ao fogo com 3 colheres (sopa) de chocolate em pó. Preparo: Despejar vinho do porto, Marras-

chino, rum e groselha cada um separadamente num prato fundo. Molhar os biscoitos champanhe ou pedaços de pão-de-ló alternadamente em apenas um dos líquidos. Mergulhar levemente, sem encharcar. Ajeitar uma camada de biscoitos numa travessa de pirex. Mais uma camada de creme branco. Outra de biscoitos seguida de creme de chocolate. Cobrir com as claras batidas em neve. Levar ao forno apenas para dourar a cobertura. Deixar esfriar e levar à geladeira. Servir gelada. www.pousadajardimdasaves. com.br -Rua do Telégrafo 776 –Guarau-Peruíbe - (13)3457.9541

Grazia gosta dos pratos tradicionais italianos


Março/Abril 2017

Anak Albuquerque

Isabel Carvalhaes

Catharina Apolinário

Anak Albuquerque

Oficina de dança na Frontaria Azulejada

Catharina Apolinário

Amir Oliveira e Alexandra Linda no Sesc

Isabel Carvalhaes

Catharina Apolinário

Isabel Carvalhaes

Anak Albuquerque

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Oficina de dança de Adriano Leite Isabel Carvalhaes

Anak Albuquerque

Visita a Caruara realizada pelo Sesc com roteiro da Caiçara Expedições

Anak Albuquerque

Amir Oliveira e Rodolfo Vidal

Turismo de Base Comunitária em Caruara

Anak Albuquerque

O chef Daniel Stucchi do restaurante Oca

Anak Albuquerque

Terezinha Lima

Artesãs na Frontaria Azulejada

Christina Amorim e Sandra Machado na exposição Rastros Caiçaras

Isabela Carrari

Anak Albuquerque

Oficina de dança de Adriano Leite

JORNAL MARTIM-PESCADOR 146  

Março/Abril 2017 - Número 146 - Ano XII - Órgão Oficial da Federação de Pescadores do Estado de São Paulo.

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