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Novembro 2012 Número 107 Ano IX Tiragem 3.000 exemplares

www.jornalmartimpescador.com.br

Sebastião Quintiliano de Souza e....

... Lygia Mesquita lembram dos Natais do passado. Pág. 6

NATAIS DA MEMÓRIA Conheça o pássaro martim-pescador, que há nove anos inspirou o nome do jornal dos pescadores. Pág. 7

Conheça a Congada de Ilhabela. Pág. 8

Policiais ambientais participam de curso de especialização no Instituto de Pesca de Santos. Pág. 6


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APAS MARINHAS Três áreas de proteção ambiental (APAS) marinhas foram criadas em outubro de 2008 a partir de decretos assinados pelo governador José Serra (PSDB). O objetivo é disciplinar o uso de recursos ambientais, ordenar a pesca, o turismo recreativo e as atividades de pesquisa. Cada uma das três unidades de conservação tem seu próprio conselho

gestor, composto por 12 representantes do governo e 12 da sociedade civil. Desde sua criação em março, as reuniões têm sido mensais para debater temas relacionados a ordenamento pesqueiro, programas de educação ambiental, pesquisa, proteção e fiscalização. Além dos conselhos foram criadas Câmaras Temáticas nas áreas de Pesca, Planeja-

Pesca de emalhe é tema da Câmara de Pesca

A APA Marinha Litoral Centro -APAMLC realizou a 34ª reunião da Câmara Temática (CT) de Pesca, no dia 30 de outubro. Foi discutida a proposta de regulamentação da pesca de emalhe na área da APA Marinha Litoral Centro, baseada na Instrução Normativa Interministerial n°12. Também foi feita proposta de solicitação de Normas INMETRO para petrechos de pesca e implementação de logística

reversa para estes materiais, visto que há uma problemática ambiental causada por estes petrechos quando são de baixa qualidade e são abandonados, perdidos ou descartados no mar. A logística reversa aborda a questão da recuperação de produtos, do ponto de consumo até ao local de origem ou de deposição em local seguro, com o menor risco ambiental possível. A reunião foi finalizada

com a discussão de modelo de informativo “Pesca com uso de redes de emalhe”, e informes sobre ocorrência de peixes mortos na praia de Peruíbe e sobre a incidência de mortandades de tartarugas marinhas em Praia Grande. A próxima reunião da CT Pesca será dia 27 de novembro, às 9h, na sala de aula do Instituto de Pesca, à av. Bartolomeu de Gusmão, 192, Ponta da Praia em Santos.

Pesca responsável será estimulada em Itanhaém

No dia 30 de outubro foi realizada a 8ª reunião do Grupo de Trabalho (GT) de Pesca Responsável da APA Marinha Litoral Centro - APAMLC. O evento, que aconteceu na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), teve como assunto

principal o Plano de Ação de Pesca Responsável, que tem como objetivo trabalhar junto à cadeia produtiva do pescado nos municípios que integram a APAMLC. Itanhaém foi o município escolhido para iniciar o programa. Nas próximas reuniões

serão estruturadas as ações para futura implementação. A 9ª reunião do GT Pesca Responsável será dia 27 de novembro, às 14h, na sala de aula do Instituto de Pesca, à av. Bartolomeu de Gusmão, 192, Ponta da Praia em Santos.

A proibição da pesca do mero (Epinephelus itajara) vigente desde 2002 foi prorrogada até outubro de 2015. A medida foi tomada através da Instrução Normativa Interministerial nº 13 editada em 16 de outubro de 2012 pelo Ministério da Pesca e Aquicultura-MPA e

Ministério do Meio AmbienteMMA. A espécie, que vive no litoral brasileiro, tem seu declínio observado desde a década de 70, e hoje é considerada em risco de extinção. Além de raros, não são mais encontrados exemplares de meros com 200 quilos, como era

comum anos atrás. A espécie é vulnerável, pois não se intimida com a presença de seres humanos e costuma se agregar em locais conhecidos pelos pescadores. O mero pode viver cerca de 40 anos e chegar a mais de 400 quilos. Saiba mais em www.merosdobrasil.org.

Pesca do mero continua proibida

Veja a listagem das praias não urbanizadas, e com baixa frequência de banhistas, onde a pesca profissional com uso de redes é permitida no site www.jornalmartimpescador.com.br. As referidas praias, que estão inseridas nos limites da Área de Proteção Ambiental Marinha do Litoral Centro, constam do Anexo I Resolução SMA n° 51 de 28/06/2012.

Defesos

Cherne-poveiro (Polyprion americanus) 06/10/2005 a 6/10/2015 Mero (Epinephelus itajara) 16/10/2012 a 16/10/2015 Caranguejo-uçá (Ucides cordatus) 01/10 a 30/11 (machos e fêmeas) 01/12 a 31/12 (fêmeas) Caranguejo guaiamum (Cardisoma guanhumi) 01/10 a 31/03 Mexilhão (Perna perna) 01/09 a 31/12 Sardinha (Sardinella brasiliensis)-15/06 a 31/07/12 - 01/11/12 a 15/02/13 Piracema na Bacia Hidrográfica do Rio Paraná (IN 25 do Ibama) de 1/11/2012 a 28/02/2013 Proteção à reprodução natural dos peixes, nas áreas de abrangência das bacias hidrográficas do Sudeste (IN 195) de 1/11/12 a 28/02/13

EXPEDIENTE www.jornalmartimpescador.com.br

Órgão Oficial da Federação de Pescadores do Estado de São Paulo Presidente Tsuneo Okida

mento & Pesquisa, e Educação & Comunicação. As APAS pertencem ao grupo de Unidades de Uso Sustentável do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza-SNUC. Além das três APAS Marinhas também foi criado o Mosaico das Ilhas e Áreas Protegidas que reúne as três novas unidades de conservação e outras já existentes.

APA discute descarte adequado de petrechos de pesca A 26ª reunião do Conselho Gestor da APA Marinha Litoral Centro - APAMLC aconteceu no dia 6 de novembro, na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), campus da Ponta da Praia, em Santos. Na ocasião, foi apresentada a Resolução SMA n° 85, de 23/10/2012, que fornece diretrizes para os processos de licenciamento ambiental de empreendimentos, que possam afetar Unidades de Conservação ou sua Zona de Amortecimento. A autorização do órgão responsável pela administração da Unidade de Conservação deverá ser adquirida previamente, observando as disposições da Resolução CONAMA nº 428, de 17 de dezembro de 2010, que complementam a presente Resolução. Outro tema discutido foi a formatação de solicitação via Conselho Gestor da APAMLC sobre normas INMETRO para petrechos de pesca e logística reversa destes materiais. O assunto irá continuar incluso na pauta das reuniões da CT Pesca, para

que continue a ser discutido, com a finalidade de implementar o método. A logística reversa, introduzida em 2010 pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, é instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação. No final houve informe sobre a divulgação da campanha ‘Novas regras para a pesca profissional com o uso de redes nas praias’, baseada na Resolução SMA n° 051, que foi atualizada com a inserção do anexo I contendo a listagem das praias não urbanizadas, e com baixa frequência de banhistas, inseridas nos limites da Área de Proteção Ambiental Marinha do Litoral Centro. A próxima reunião do Conselho Gestor está prevista para o início de fevereiro de 2013 (a confirmar).

153 atende população de Santos O munícipe santista pode acionar o telefone 153, que funciona 24 horas por dia e alertar a Guarda Municipal de imediato sobre a

ocorrência de atos antissociais. As pessoas que denunciarem esses atos pelo telefone 153 terão a identidade preservada.

Pescador artesanal:

Procure a Colônia de Pescadores mais próxima para ter sempre sua documentação atualizada. Além de representar e defender os direitos e interesses dos pescadores artesanais relativo ao setor da pesca, as colônias podem: • Requerer ou renovar a licença de pescador profissional (RGP) • Requerer ou renovar a licença e registro de seu barco • Requerer benefícios sociais como: aposentadoria rural, auxílio-natalidade,auxílio-enfermidade, auxílio-reclusão, seguro-defeso Av. Dino Bueno, 114 Santos - SP CEP: 11030-350 Fone: (013) 3261-2992

Acesse: www. jornalmartimpescador.com.br

Jornalista responsável: Christina Amorim MTb: 10.678/SP christinamorim@gmail.com Fotos e ilustração: Christina Amorim; Diagramação: cassiobueno.com.br; Projeto gráfico: Isabela Carrari - belacarrari@hotmail.com Impressão: Impressão:Diário Diáriodo do Litoral: Litoral Fone.: Fone.:(013) (013)3226-2051 3226-2051 Os artigos e reportagens assinados não refletem necessariamente a opinião do jornal ou da colônia


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Plano Safra abre nova linha de financiamentos para pescadores O Plano Safra da Pesca e Aquicultura, do Ministério da Pesca e Aquicultura, foi lançado pela presidenta Dilma Rousseff dia 25 de outubro. O governo vai investir R$ 4,1 bilhões até 2014 com o objetivo de dobrar a produção aquícola no Brasil, para atingir um total de 2 milhões de toneladas por ano. O Plano Safra vai aumentar o crédito, estimular a formação de cooperativas, ajudar a melhorar as condições de armazenagem e a comercialização do pescado, investir em assistência técnica e em pesquisa. O objetivo é aumentar a competitividade da

indústria da pesca e a renda das famílias de pescadores que ainda vivem na pobreza extrema. Os recursos do plano serão provenientes do Crédito Rural: Pronaf, Prodecoop, Pronamp, Procap-Agro e Moderagro. Conheça o Plano Safra na íntegra em www. mpa.gov.br O presidente da Federação de Pescadores do Estado de São PauloFepesp, Tsuneo Okida, espera que com os recursos do Plano Safra, o setor pesqueiro possa construir embarcações de grande porte para poder explorar a pesca nos 8.500 km de costa brasileira. “Esperamos

também a construção de novos terminais pesqueiros, dotados de câmaras frigoríficas, fábricas de gelo e instalações para beneficiamento de pescado”, complementa. Segundo Okida, outro importante estímulo para a atividade pesqueira no país seria a criação de escolas de pesca, objetivando a capacitação de mãode-obra nos setores da pesca marítima, fluvial e da aquicultura. Mais informações sobre obtenção de crédito para pescadores oferecido pelo Plano Safra podem ser obtidas nas Colônias de Pescadores e nas agências do Banco do Brasil.

O ministro da Pesca e Aquicultura, Marcelo Crivella, participa da cerimônia de lançamento do Plano Safra da Pesca e Aquicultura, no Palácio do Planalto

Pesca e Aquicultura Familiar - Condições de Crédito Programa Limite de Crédito Prazo Máximo Carência Máxima Pronaf-Microcrédito Produtivo de Pesca e Aquicultura-Investimento e Custeio R$2,5 mil 2 anos - Pronaf-Mulher-Microcrédito Produtivo de Pesca e Aquicultura-Investimento e Custeio R$2,5 mil 2 anos - Pronaf-Pesca e Aquicultura Familiar-Custeio R$10 mil 2 anos (1) 1 ano entre R$10 mil e R$20 mil 2 anos (1) 1 ano entre R$20 mil e R$80 mil 2 anos (1) 1 ano Pronaf-Mulher-Pesca e Aquicultura-Investimento R$10 mil 10 anos 3 anos entre R$10 mil e R$130 mil 10 anos 3 anos Pronaf-Jovem-Pesca e Aquicultura-Investimento R$15 mil 10 anos (2) 3 anos (1) O prazo de pagamento no custeio para a pesca artesanal é de até 185 dias e para a aquicultura até 2 anos, conforme o ciclo produtivo de cada espécie contida no plano, proposta ou projeto (2). O prazo de pagamento poderia ser elevado para até 5 anos, quando a atividade assistida requerer e o projeto técnico comprovar sua necessidade.

Taxa de juros 0,5% 0,5% 1,5% 3% 4% 1% 2% 1%

Representantes da pesca industrial se reúnem com ministro Representantes da pesca industrial se reuniram como ministro da Pesca e Aquicultura, Marcelo Crivella, dia 16 de novembro. O encontro aconteceu na sede do SINDMAR/CONTTMAF (Sindicato Nacional dos Oficiais da Marinha Mercante e Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Aquaviários e Aéreos na Pesca e nos Portos), no Rio de Janeiro. O presidente do SINDMAR/CONTTMAF, Severino Almeida e os representantes do setor apresentaram as reivindicações da pesca industrial ao ministro, que se comprometeu em analisá-las. "Os pleitos são justos e vamos trabalhar para

atendê-los", ressaltou Crivella. Estiveram presentes, entre outros, o presidente do Sindicato dos Pescadores e Trabalhadores Assemelhados do Estado de São Paulo, Jorge Machado da Silva, o presidente do Sindicato dos Pescadores nas Empresas de Pesca de Santa Catarina, Manoel Xavier de Maria; o presidente do Sindicato dos Pescadores do Rio Grande do Sul, Carlos Roberto Silva Medeiros; o presidente do Sindicato dos Pescadores do Estado do Rio de Janeiro e Espírito Santo, Antonio Moreira da Silva, e o superintendente federal da Pesca e Aquicultura no Estado do

Rio de Janeiro, Antônio Emílio. Segundo Jorge Machado, presidente do Sinpescatraesp, alguns dos assuntos abordados foram subsídios para o óleo diesel, investimento na frota pesqueira industrial, capacitação e formação profissional do pescador. Machado apoia o estímulo à ampliação de cursos de capacitação e formação para pescadores, mas alerta que devam ser dadas condições aos pescadores de melhorar sua formação profissional. “Muitas vezes os cursos duram mais de três meses, e sem subsídios, o profissional não pode ficar parado tanto tempo sem receber salário”, alerta.

Jorge Machado e Edgar Paixão estiveram presentes ao encontro


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Coluna

Embraport conclui 86% de suas obras civis

Infraestrututura, sistemas operacionais de ultima geração e equipamentos modernos garantirão a produtividade e segurança da operação Com 86% das obras civis concluídas, a Embraport faz a contagem regressiva para iniciar a operação em 2013. A primeira fase do projeto será concluída em outubro do ano que vem, com 650 metros de cais e 207 mil m² de área de pátio de conteineres, permitindo a movimentação de 1,2 milhões de TEUs (unidade equivalente à um contêiner de 20 pés). A conclusão da infraestrutura do viaduto (para interligação das áreas norte e sul do terminal), dos prédios administrativos e de 350 m de cais são os destaques do projeto até este mês. Para otimizar e automatizar processos administrativos e operacionais, o Terminal Embraport investe em Tecnologia de Infor-

Os equipamentos que garantirão produtividade e segurança na movimentação das cargas também já foram adquiridos. No cais, seis portêineres (guindastes utilizados para carregamento e descarregamento dos navios) terão capacidade para operar até dois contêineres de 20 pés ou um de 40 pés e dimensões Imagem aérea de outubro de 2012 que possibilita movimentar grandes embarcações, que mação e de Segurança, o que compreende o Complexo de Gates, sistemas e infraes- transportam até 8.500 TEUs. Para os pátios, trutura em equipamentos e servidores para 22 RTGs (guindastes de pátio), 42 Terminal garantir eficácia na comunicação de dados, Tractors (carretas para toda a movimentação que estão entre os mais eficazes do mundo de contêineres entre pátio e cais) dentre para a automatização de processos em outros equipamentos, garantirão agilidade no transporte das cargas. terminais portuários.

Marcos do Projeto

Fotos: Estudio 58

Do ab constante

Ditinha e os frutos da il

Na Ilha de Búzios, no Arquipélago de nasceu em 1962, Benedita Aparecida Leit tinha, gosta de aproveitar muitos prod para fazer doces. O coco rende uma b tapioca extraída da mandioca serve para o mamão verde pode ser feito ralado, casca ou sem casca e a banana pode ap nos pratos doces como nos salgados. C pescador Aristides, 54, tem dois filhos e Isaías, 25, casado com Silvana, 23, o neto Murilo, hoje com seis meses. C filho pescadores, frutos do mar são a e de Ditinha. De peixe, ela entende be dos problemas da pesca, pois é a dirigen de Pescadores Z-6, de Ilhabela, e defende c estes profissionais. Além de fazer os pra culinária caiçara com peixes, como o azul tinha divide hoje conosco sua especial rece verde, colhido na ilha.

Doce de mamão caiçara

Ingredientes: o Formosa verde Cerca de 500 g de mamã 2 xícaras (chá) de açúcar 1 xícara (chá) de água cravo e canela a gosto

Viaduto

Prédios Administrativos e Operacionais

Cais

Além de conectar as áreas da Embraport, o viaduto passará sobre a ferrovia da MRS, com uma altura livre de 7,5 metros, de forma a permitir no futuro a passagem de vagões com dois contêineres sobrepostos. O viaduto foi construído com a utilização de peças pré-moldadas e terá quatro faixas, sendo duas para cada sentido.

Os prédios administrativos e operacionais estão em fase de acabamento e compreendem os escritórios da Embraport, oficinas, vestiários, dentre outros.

Foram concluídos 350 metros de cais, que já conta com cabeços de amarração, peças de ferro onde os navios são amarrados enquanto atracados no Terminal, e defensas, estruturas que absorvem o impacto causado pela atracação das embarcações protegendo tanto o cais quanto o casco do navio.

Ouvidoria Embraport: 0800 362-7276 faleconosco@terminalembraport.com.br www.terminalembraport.com.br

Preparo: água, mexer, amelo, juntando açúcar e Preparar uma calda de car a calda dar o ponto de caramelo, l espera os. Lavar e em ao fogo baixo. Enquanto leite. Deixar por 10 minut drados. Co o r tira a par qua e fazer sulcos em rtar em rodelas, depois as sementes e a casca. Co antar fervura, e d água. Deixar apenas lev com rir numa panela e cob calda pronta e de picado, cravo e a canela na o mamão rala Escorrer. Jogar o mamão com eita xo. Se fizer a rec bai o fog em os nut mi de 10 por cima. apenas jogar água quente levar ao fogo com água,

Sabores da c

“Orgulho pantaneiro é comer carne. Carne todo dia”, afirma o chef Paulo Machado em palestra sobre cozinha do Centro-Oeste no Sesc de Santos em 25 de outubro. Além da carne fresca e carne seca, os ingredientes mais comuns na região são mandioca, pequi, abóbora, moranga, guariroba, gengibre, baru e banana-da-terra. Da mistura de alguns desses ingredientes nasceu o caribéu, guisado de carne de sol com mandioca. O chef também

chamou a atenção jacaré proveniente primeiras criaçõe pelo Instituto Bra Recursos Natura apenas o uso do perceberam que t a carne. Hoje exis nar a bem sucedi


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oces de mamão verde e bóbora são presença nstante na culinária brasileira

lha

Iracy e o sabor baiano do coco

Terezinha, para sempre mineira

A baiana Iracy Jesus de Andrade, 39 anos, aprendeu com a mãe, dona Anália, o segredo de um doce bem feito. Pois foi na pequena cidade de Jeremoabo, onde nasceu que se encantava com as cocadas, doces de leite de bola (nome que dão à ambrosia), doces de mamão e como não podia faltar, de jerimum, que os paulistas chamam de abóbora! Afinal, o nome da cidade, de origem indígena, significa plantação de jerimum, daí o fruto não poder faltar no cardápio. Todas as delícias eram saboreadas com gosto por Iracy, sua irmã e seus nove irmãos, e também pelos moradores da cidade na pequena venda de seu pai, seu Nelson. Morando em Santos há cerca de 20 anos, Iracy não se esquece das tradicionais receitas baianas feitas por dona Anália, que hoje são apreciadas pelos filhos Glauber, 24, e Cícero, 21. O doce de mamão é feito da mesma maneira que o de jerimum, com um bocado de coco para firmar a identidade baiana. É bom experimentar das duas maneiras.

Você pode sair de sua cidade natal, mas ela estará sempre com você. Assim é com Terezinha Aparecida Paes Bueno. Nascida em 1959 em Ervália, MG, mudouse com a família para o Paraná com apenas nove meses de idade. Aos 18 anos, foi para Presidente Prudente, interior de São Paulo, e aos 40 anos de idade veio para Santos, no litoral paulista. Mesmo com tantas andanças, na hora de preparar um prato, é na culinária mineira, tradição de família, que procura inspiração. Adora preparar angu, tutu, frango com quiabo, mingau de couve. Seu doce preferido, e também dos filhos Alexandre, 34 e Nair, 30, é feito com mamão verde. Outra opção, comum na época em que morou em fazendas, era aproveitar a parte interna do caule do mamoeiro para fazer doce. Essa tradição é também do furundum feito em Goiás, usando o caule do mamoeiro, ou o próprio mamão, e rapadura ao invés de açúcar. Terezinha dá aqui sua especial receita de doce de mamão verde.

Ilhabela, onde te Costa, a Didutos da terra ela cocada, a a fazer bolos, picado, com parecer tanto Casada com o s, Gisele, 31, , que lhe deu Com marido e especialidade em e também nte da Colônia com dedicação atos típicos da l-marinho, Dieita de mamão

, e depois levar lavar o mamão m seguida tirar olocar o mamão depois desligar. eixar mais cerca ado, ao invés de

Doce de mamão baia no

Ingredientes: 1 mamão Formosa verde de 1 kg 300 g de coco seco ralado 400 g de açúcar Cravo a gosto

Preparo: La va r o ma mã o e en xu ga r. Fa zer co rte s lon git ud ina is pa ra tirar o leite. Deixar por 10 minutos. Lavar novam ente e tirar a casca. Pic quadradinhos pequenos. ar em Deixar de molho na águ a por 10 minutos, e depois escorrer. Misturar o mamã deixar o e o açúcar numa panela . Deixar em fogo baixo. Ap minutos, acrescentar o coc ós 30 o e o cravo. Deixar mais 20 minutos no fogo. A mesma receita serve par a fazer o doce de abóbor a, basta substituir o mamã pela abóbora cortada em o quadrados.

Doce de mamão mineiro Ingredientes: de 500g 1 mamão verde de cerca 350 g de açúcar Cravo e canela Preparo: a tirar o leite. Deixar cerca er riscas com uma faca par para Lavar bem o mamão. Faz e, secar, dividir ao meio o leite. Lavar novament lho, mo de os nut mi 15 r de meia hora para sair bem , com casca. Deixa sso gro o ral em ar ela ral e pan car numa tirar as sementes pano seco. Colocar o açú num r rce To a. o águ mã de es ma o trocando três vez Daí acrescentar panela, até formar calda. a nas ape ca do cer xen me por o xo, em fogo bai her e deixar no fog gosto, mexer com uma col ralado, cravo e canela a de vez em quando. de 40 minutos, mexendo

cozinha do Centro-Oeste

o para o crescente uso de carne de e de criadouros. Ele explica que as es com regras e manejo definidos asileiro do Meio Ambiente e dos ais Renováveis-Ibama visavam o couro. Mais tarde os criadores também poderiam comercializar ste uma cooperativa para coordeida atividade, a Cooperativa dos

Criadores de Jacaré do Pantanal-Coocrijapan. No final da década de 80, o Ibama estabeleceu regras e determinou sistemas de manejo adequados para a região, pois o jacaré é animal silvestre, protegido por lei. Machado também falou sobre a grande variedade de peixes que enriquecem a culinária local, como pacu, pirarucu, dourado, pintado, corimbatá, entre outros. Machado citou a influência na culinária do Centro-Oeste do tripé cultural formado

pela cultura negra, portuguesa e indígena. O evento faz parte do projeto Identidade do Gosto do Sesc, iniciado em 2011. Após apresentar especialistas em diferentes culinárias regionais brasileiras, o ciclo de palestras termina dia 22/11 com Sabores dos Pampas. Durante o evento há apresentação de músicas e danças típicas e degustação de pratos. As reservas podem ser feitas no telefone: (13)3278.9800. O Sesc-Santos fica na rua Conselheiro Ribas, 136.

Chef Paulo Machado

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Natais da Memória

Sebastião Quintiliano de Souza, de Ilhabela, e Lygia Mesquita, de Itapema, em Guarujá, recordam o Natal “das antigas”

Lygia e o Natal entre amigos

Sebastião e o Natal de dançar até o nascer do sol Peixe assando na fogueira e o som da roda de viola são as mais fortes recordações de Natal de Sebastião Quintiliano de Souza, o Louro. Nascido em 1941 na praia da Serraria, em Ilhabela, lembra-se das comemorações de sua infância da festa religiosa, quando o pessoal cantava e dançava até o raiar do dia. Uma boa galinha, porco ou pato da roça assado no forno a lenha também podiam fazer parte da ceia. A farinha de mandioca e o milho cozido complementavam a comilança. O doce de mamão verde era bastante apreciado. Sebastião passou a vida pescando, e hoje está aposentado. “Pesquei de tudo”, conta com orgulho. “Muita sardinha na época da fartura”, afirma se referindo aos anos em que a espécie era abundante no litoral norte. A Folia de Reis, festa religiosa comemorada dia 6 de janeiro, também era tempo de muita festança. Sebastião tem saudades destes tempos antigos de muita simplicidade. “A gente bebia água de cachoeira e fazia camiseta com saco de farinha”, recorda-se.

Lygia Mesquita é artesã, e com o Natal chegando começa a fazer anjinhos comemorativos da data. Nascida em 1941, no saco da Imbira em Itapema, Guarujá, lá viveu até os 47 anos. Depois mudou-se para Caruara, na área continental de Santos, onde criou, com as amigas Vanda Goes e Edwiges Cerqueira o Grupo Caruartes, de artesanato com descartes da natureza, como conchas, bambus e folhas de coqueiros. Foi nos tempos de infância em Guarujá que viveu os Natais que ficaram para sempre na memória. “A festa começava no dia 24, e era comemorada junto com os vizinhos”, conta. “Quem passava, entrava, sentava e comia”, afirma Lygia, que se acostumou desde pequena com a casa cheia, com sete irmãos e a presença constante de amigos e vizinhos. O pai, Estênio Victor, era mecânico de um estaleiro, mas pescou a vida inteira muito parati, tainha, camarão, caranguejo, marisco e ostra. A mãe, Tereza Narcisa, descendente de caiçaras de Ilhabela, gostava de preparar tainha no Natal, recheada com farinha de mandioca e camarão, enrolada na folha de bananeira e assada

na fogueira. Galinha catão, criada no quintal de casa, muitas vezes era feita à cabidela. Os doces preferidos, de dar água na boca, eram feitos com mamão verde, laranja amarga, abóbora, e as frutas do quintal eram saboreadas frescas como bananas, amora e mamão. As memórias mais fortes da infância de Lygia são o fogão a lenha, a água na nascente de pedra da Base Aérea de Guarujá carregada para casa em barris de madeira, e a ausência da televisão, que dava espaço para mais conversa entre parentes e amigos.

Curso aborda São Sebastião identificação de espécies recebe plataforma marinhas e de água doce educativa Policiais ambientais do estado de São Paulo participaram de curso de especialização em “Pesca, recursos pesqueiros e identificação de espécies marinhas e de água doce com foco na fiscalização”. As aulas teóricas e práticas foram ministradas no Museu de Pesca por pesquisadores científicos do Instituto de Pesca de Santos-IP, Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) de 17 a 19 e 24 a 26 de outubro. Duas turmas de alunos, totalizando 50 policiais ambientais vindos de todas as regiões do Estado de São Paulo, receberam informações biológicas e ambientais de especialistas do IP. Segundo o 2º tenente da PM Leandro Oliveira Silvestre de Queiroz, o curso é uma das metas do policiamento ambiental que supre a necessidade de especialização dos policiais na identificação das espécies. Já existe também parceria com órgãos competentes para casos mais complexos, quando são solicitados laudos

O médico veterinário Roberto da Graça Lopes ministra aulas durante o curso

para subsidiar a ação do policial. As aulas abordaram os temas: Pesca e recursos pesqueiros e Identificação de peixes ósseos marinhos, por Roberto da Graça Lopes; Espécies de elasmobrânquios ameaçadas e sua identificação, por Alberto Ferreira de Amorim; Identificação de moluscos bivalves de interesse pesqueiro, por Celina Maria Marcondes Pimentel e Márcia Santos Nunes Galvão; Identificação de crustáceos marinhos de interesse pesqueiro, por Pedro Mestre Ferreira

Alves; Tecnologia pesqueira e Artes de pesca, por Luiz Miguel Casarini; e Introdução à nomenclatura e aspectos básicos para identificação dos principais grupos de peixes de águas continentais do estado de São Paulo, por Paula Maria Gênova de Castro e Lídia Maruyama. Segundo Roberto da Graça Lopes, médico veterinário e pesquisador científico do IP Roberto Lopes, o papel da fiscalização na cadeia produtiva do pescado é vital, tendo em vista uma pesca responsável.

A Plataforma Educativa Repsol Sinopec fará uma parada especial em São Sebastião, São Paulo, entre os dias 12 e 26 de novembro. A pedido da Marinha, parceira da Plataforma Educativa em diversas atividades, o caminhão do programa ficará na cidade para que os pecadores da cidade possam participar do curso POP (Pescador Profissional). As aulas são ministradas, em sistema itinerante, em uma unidade móvel de 12 metros de comprimento, com capacidade para 25 alunos por turma e equipada com computadores e kit multimídia. Entre os cursos oferecidos estão o de “Pescador Profissional (POP)”, “Mecânica de motores”, “Gerenciamento de resíduos” e “Processamento de pescados”. Durante a estadia, também será ministrado um curso de motores, realizado pela Yanmar, outra parceira do programa, exclusivo para a equipe de resgate da Delegacia da Capitania de São Sebastião. Conhecida pelos cursos

e atividades que desenvolve desde julho de 2009, a Plataforma Educativa Repsol Sinopec é uma iniciativa da Repsol Sinopec Brasil em parceria com o Instituto Atlantis. O programa, que já atendeu a mais de 10 mil pessoas, visa promover a capacitação profissional da comunidade litorânea, com o apoio de uma rede de parceiros — Yanmar, Marinha do Brasil, instituições de ensino, prefeituras e secretarias municipais de Educação, Meio Ambiente e Turismo. Um trabalho prévio com a população local objetiva levantar as principais demandas da comunidade, de forma que a unidade móvel também possa ser utilizada para atividades paralelas, como campanhas de vacinação, exames de hipertensão e diabetes, doação de alimentos e agasalhos, palestras e esclarecimentos diversos à população. Há 15 anos no país, a Repsol Sinopec é uma das maiores empresas de petróleo e gás da América Latina.


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Os mercados públicos e a comercialização de Pescado-II Ao Estado cabe o papel de estruturar o comércio de pequeno e médio porte e fortalecer as instalações públicas como mercados, sacolões, varejões e feiras livres, pois são os canais de distribuição de pequena produção (artesanal e familiar), para que o alimento chegue com a qualidade desejada aos consumidores. Os mercados públicos estão submetidos ao Centro de Vigilância Sanitária do Estado de Paulo, através da Portaria CVS – 6/99 que estabeleceu o Regulamento Técnico sobre os parâmetros e critérios para o controle higiênico-sanitário em estabelecimentos de alimentos. A Resolução RDC n. 33/99, regulamenta a necessidade de prevenir e reduzir riscos à saúde e ao meio ambiente e propõe gerenciamento no destino correto dos resíduos dos serviços de saúde. Os resíduos de serviços são classificados em cinco grupos, sendo que o Grupo D incorpora os resíduos comuns, que devido às suas características, não necessitam de processos diferenciados relacionados ao condicionamento, identificação e tratamento, devendo ser considerados resíduos sólidos urbanos – RSU. Existe ainda para amparar a população, a Resolução CONAMA 5/93 que classifica os resíduos em sólidos e semissólidos. São resultantes de atividades da comunidade de origem: industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviço e de varrição. Os resíduos de pescado são considerados resíduos sólidos, e são os resíduos sólidos, de um modo geral, que têm gerado maior preocupação, pois o crescimento da população, o desenvolvimento industrial e a urbanização acelerada contribuem para o aumento dos recursos naturais e consequentemente para a geração dos resíduos. O problema esta na continuação do ciclo, pois este lixo é devolvido ao meio ambiente levando à contaminação do solo e da água, trazendo sérios prejuízos, ambientais e socioeconômicos. O estabelecimento gerador dos resíduos deve identificar e colocá-lo em recipientes adequados para que se dê a destinação adequada. No Brasil a responsabilidade pelo gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos é da administração pública, enquanto que o gerenciamento de outros tipos de resíduos sólidos é de responsabilidade de quem está gerando, desta forma o resíduo das indústrias de pescado é de responsabilidade dos proprietários dos estabelecimentos. Neste ano, 2012, o Brasil já produziu aproximadamente 61 milhões de toneladas de resíduos

sólidos. Desse total, 41% vão para local inadequado. Para minimizar os problemas resultantes da geração de lixo é necessário que a população seja esclarecida dos riscos, quando a este não é dado o destino correto. São cinco os princípios básicos que devem ser adotados pela sociedade: minimizar a geração de resíduos, maximizar a reutilização e reciclagem ambiental adequadas, selecionar processos industriais de produção de materiais menos agressivos ao meio ambiente; adotar formas de destinação final ambientalmente adequadas e expandir serviços relacionadas ao lixo para toda a população. Segundo o Plano de Gerenciamento de Resíduos Urbanos da Prefeitura de Santos é obrigatório, onde houver rede pública coletora de esgotos, o uso de caixa coletora de gordura que contiverem resíduos gordurosos provenientes de copas e cozinhas. Este artigo poderia também ser validado para os boxes dos mercados públicos que comercializam pescado, que também são geradores de resíduos sólidos gordurosos. Esse Plano exige também o Certificado de Limpeza e Esgotamento de Caixas Coletoras de gordura, fossas sépticas ou filtros aeróbicos, emitido pelo órgão municipal ambiental. A preocupação deste órgão é tão grande que a Seção I deste Plano é constituída de artigos para a destinação dos resíduos sólidos.

Martim e o pescador Que amizade tão estreita Tem pescador e natureza Ave espreita Homem imita Lê sinais De sabedoria dos animais Segue passada na coroa onde tem lama É risco pra todo lado Tem saracura, batuíra, martim-pescador Na barrada da manhã Muito o martim-pescador ensinou No galho, rentinho com água Onde ele está é terra de peixe Não vá fazendo barulho por aqui Pode ter robalo, manjuba e parati

Há cinco diferentes espécies de martinspescadores. O menor deles, Choloceryle aenea, chega a 12,5 centímetros, sendo 2,7 de bico, sua potente arma de pesca. O maior chega a 42 centímetros e cerca de 300 gramas. Pousam em ramos à beira d´água, observado a vida aquática. Com o bico apontado para baixo, atacam peixes, besouros d´água e larvas de insetos, em alturas de mais de dez metros. Algumas espécies pousam nas praias para apanhar caranguejos. Outros podem atrair peixinhos deixando suas fezes cair na água. Produzem sons semelhantes a estalos, que podem se assemelhar a um matraquear estridente. O grupo

O pássaro que deu nome ao jornal

Augusto Pérez Montano - Médico Veterinário, membro da Comissão de Aquicultura do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo.

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Os pescadores artesanais sempre aprenderam a ler os sinais da natureza. Em tempos em que não havia GPS, ecossonda e radar, o que poderia fazer um homem sozinho a remo numa canoa? Muitas vezes acompanhar os pássaros que indicavam onde o peixe estava. O martim-pescador sempre foi uma boa indicação da presença de peixes no mangue ou no mar. Seu Enéas Xavier, nascido em Bertioga na década de 30, conta que em sua juventude o martim-pescador era sempre seu companheiro nas pescarias. Ele, como muitos artesanais, seguiam o pássaro que era indício de águas piscosas. Seu Enéas, orgulhoso bisneto da índia tupiniquim Margarida, seguia a tradição de uma família de pescadores, como seu pai, Alfredo, nascido na

que pertence à família Alcedinidae, é cosmopolita de origem oriental, mas a maioria das espécies ocorre em zonas tropicais e subtropicais. No sul do Brasil são também conhecidos como pica-peixe, flecha-peixe e ariramba. As cinco espécies são: Martim-pescador-grande (Ceryle torquata), martimpescador-verde, ariramba-verde (Chloroceryle amazona), Martim-pescador-pequeno (Chloroceryle americana), Martim-pescador-da-mata (Chloroceryle inda) e arirambinha (Chloroceryle aenea). Fonte: Ornitologia Brasileira-Helmut Sick Editora Nova Fronteira.

Seu Enéas Xavier acompanhava o martim-pescador nas pescarias da juventude

praia de Iporanga em Guarujá. Como presidente da Colônia de Pescadores Z-23, em Bertioga de 2002 a 2010, sugeriu a criação de um jornal para os pescadores artesanais, e batizou com o nome de seu antigo companheiro de pescarias, martimpescador. O jornal, que completou nove anos em outubro, deixa aqui sua homenagem, a seu Enéas e o pássaro que o inspirou.


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Congada Novembro 2012

Trazida a Ilhabela no século 18, ainda hoje a festividade é comemorada no mês de maio, em louvor a São Benedito

Foi o escravo Roldão Antônio de Jesus, devoto de São Benedito, que iniciou a Congada em Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, no século 18. De forte aculturação africana banto, a festa acontece nas ruas da Vila. Com danças e cantos, é feita uma apresentação teatral mostrando uma desavença entre o grupo dos fidalgos do rei do Congo, considerados cristãos, vestidos de azul, e os mouros do exército do embaixador de Luanda, tidos como pagãos, em trajes vermelho e rosa. A festa, inicialmente era comemorada dia 3 de maio. Depois passou a acontecer na época de lua cheia, quando os pescadores não saiam para pescar, o que permitia sua participação na festa. No ano 2000, com a sanção da Lei da Cultura Caiçara, a Congada passou a ser comemorada no terceiro final de semana de maio. Os festejos acontecem de sexta a domingo. Todos que chegam comem na Ucharia, nome que significa despensa da Casa Real, local onde é servido almoço aos congueiros, festeiros, familiares e toda a comunidade durante a festa. A primeira chefe da Ucharia foi Benedita Es-

perança da Silva, sucedida por sua filha Eva, e depois por sua neta Izanil. “Todo cozinheiro que se preza tem um São Benedito na cozinha. Com São Benedito nunca falta comida até mesmo nestes almoços da Ucharia quando chega mais gente que o esperado”, afirma Maria Lúcia Prado, conhecida como Nega Malu. O hasteamento do mastro de São Benedito em frente à igreja matriz marca o início dos festejos na sexta-feira. “Viva! Viva! Viva São Benedito!”, gritam os congueiros batendo uma salva de palmas. Depois todos irão saborear a “concertada”, bebida típica de Ilhabela, uma espécie de licor, feito à base de folhas de laranjeira e limoeiro, canela e cravo socados, rapadura e um pouquinho de cachaça. O primeiro baile tem início quando o embaixador de Luanda chega à cidade de Congo com seu exército para tomar o trono do rei, que é seu pai. O povo do Congo está iniciando uma festa em homenagem a São Benedito, e o embaixador também quer participar. Aí é iniciada uma guerra, representada com cantos e danças. O embaixador chega perto do rei e pede

Muitos congueiros começam a participar da festa ainda meninos, e continuam depois de adultos. É o caso de Alcedino José da Cruz, o Dino, nascido no bairro da Ponta das Canas em Ilhabela, que começou aos cinco anos de idade, e aos 52, não pensa em parar. “Fui embaixador por 14 anos, depois passei o posto para o Gilmarzinho Pinna”, conta Dino. “Ele sempre teve o desempenho e a dedicação necessária”, explica. “Hoje sou soldado do Congo vermelho”, conclui, mostrando que após tantos anos seu interesse na festa e sua fé em São Benedito continuam vivos.

bênção. O rei abençoa em língua africana banto (bimbiazam in a pongo aquiriri). Ao final, o rei reconhece o embaixador como seu filho bastardo e tudo termina em paz. Às 18h de domingo a procissão com a imagem de São Benedito e uma missa encerram as festividades. Fonte: Congada de São Benedito-Fundação Arte e Cultura de Ilhabela-FUNDACI.

“Soberano Rei de Congo Já sabe que hoje é chegado o dia, O tempo e a ocasião De festejar Benedito Santo Que tenho por devoção Aquele Santo que é tão exaltado Pra ver se assim posso Confessar os meus pecados” Cantiga dos congueiros quando iniciam a festa

Paulo César de Carvalho Muniz entrou na congada-mirim aos seis anos. Hoje aos 19 já foi cacique, congueiro do rei azul e rei. Agora é fidalgo do rei do Congo azul. Entrou na festa atendendo à promessa da mãe, para curar doença de infância. De família caiçara, nasceu na Santa Casa da Vila e mora até hoje no bairro de Santa Tereza, no Centro. “Sou neto de congueiro João Segismundo de Carvalho, já falecido” diz com orgulho. “E vou ser congueiro até o fim da vida”, completa. “A Congada é uma coisa que eu gosto demais”, conclui.

São Benedito, também chamado de “o preto” ou “o mouro”, foi santificado em 25 de maio de 1589. Nascido na Sicília, ilha ao sul da Itália, em 1524, filho de escravos etíopes, é venerado desde o início do século 17.

Sebastião Donizette Bernardo, o Sebá, sai da rotina do dia a dia quando vem chegando o mês de maio. É tempo de se preparar para a Congada, especialmente cuidar da vestimenta para participar dos cantos e danças. Camisa azul de cetim, calça branca, chapéu enfeitado, capa florida, espada, tudo feito no padrão que a festa pede, mas com detalhes ao gosto de cada um. Assim os devotos arrumam as fitas coloridas no chapéu, escolhem o tecido para a capa e decidem se a espada será de madeira ou metal. Sebá entrou na Congada aos 12 anos de idade. Como muitos dos devotos de São Benedito, atendia a uma promessa de sua mãe dona Benedita dos Santos Bernardo, feita ao santo para curá-lo de um problema de saúde de infância. Aos 41 anos, continua firme e explica que gosta da Congada em muitos sentidos. “Sou uma pessoa ligada à música, ao folclore, enfim, à cultura de Ilhabela”, complementa. Para extravasar seu talento artístico, montou a banda Evolução onde é baterista e vocalista. Nascido na praia da Armação, em Ilhabela, é filho de pescador e durante muitos anos se dedicou à profissão. Hoje não pesca mais, mas prossegue a tradição da Congada, um dos orgulhos da cultura da ilha.

Comunidades preparam artesanato de Natal

O Natal vem chegando, é tempo de enfeitar a casa de um jeitinho especial. Quem estiver procurando artesanato feito com muito capricho e imaginação pode procurar nas próprias comunidades pesqueiras. Uma das opções é com o Grupo Caruartes, das artesãs Lygia Mesquita, Vanda Goes e Edwiges Cerqueira, moradoras no bairro de Caruara, na área continental de Santos. As peças do Grupo Caruartes e Ideart´s

estão em exposição na rua Euclides da Cunha, 28, no bairro do Gonzaga, em Santos. Outra opção é o trabalho das alunas do curso de artesanato ministrado na Colônia Z-3, em Vicente de Carvalho, Guarujá. Para mais informações e encomenda de peças, feitas em feltro, bordado ou fuxico, é só ligar para a professora Silvana Soares no telefone: (13) 3363.2656. Não perca tempo, que o Natal já está chegando!

O Grupo Caruartes vende anjinhos de Natal e luminárias Aldeci Alves dos Santos exibe artesanato da Ideart´s

Professora Silvana mostra enfeite de Natal feito pelas alunas da Colônia de Pescadores Z-3

JORNAL MARTIM-PESCADOR 107  

novembro 2012 - Número 107 - Ano IX - Órgão Oficial da Federação de Pescadores do Estado de São Paulo.

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