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12 – BEIRA DO RIO – Universidade Federal do Pará – Setembro, 2011

Fotos Alexandre Moraes

Entrevista 25 Anos JORNAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ • ANO XXV • N. 97 • Setembro, 2011

Karol Khaled

Previsão do tempo mais precisa

Tráfico de pessoas é questão globalizada

"Precisamos usar a tecnologia para criar rede de combate ao crime"

Beira do Rio – Por que, apesar dos números alarmantes, o tráfico de pessoas não mobiliza a sociedade? Maria Lúcia Pinto Leal – Embora esta seja uma realidade histórica na vida brasileira desde a colonização, a questão só foi agendada publicamente pelo Estado no período de 2000 a 2002, quando realizamos a primeira pesquisa nacional sobre tráfico de mulheres, crianças e adolescentes. Verificamos 241 rotas em todo o Brasil, entre elas, 131 internacionais. Essa foi a primeira pesquisa que alertou o poder público brasileiro sobre uma realidade que estava debaixo do tapete e que, cientificamente, ainda não havia sido discutida. Apesar de ter sido instaurada uma CPI sobre tráfico de mulheres, em 1996, após a morte de uma brasileira na Espanha, essa discussão não estava em pauta – nem na sociedade civil nem no governo. Essa pesquisa teve um papel estratégico ao trazer o assunto à tona. Beira do Rio – Quais as dificuldades enfrentadas para a realização da pesquisa? Maria Lúcia Pinto Leal – Por se tratar de uma questão social que envolve o crime organizado e a corrupção, ao pesquisar essas pessoas, você mexe numa teia de aranha, ou melhor, num vespeiro. Você pode colocar em risco a vida dessas mulheres, que já estão sendo controladas e ameaçadas, e também a vida dos pesquisadores. Então, não é uma pesqui-

Beira do Rio – Quais foram os principais desdobramentos na legislação desde então? Maria Lúcia Pinto Leal – Em 2000, a apresentação dos resultados da Pestraf coincidiu com a assinatura do Protocolo de Palermo, que amplia o conceito de tráfico. De acordo com o Protocolo, tráfico seria o recrutamento, transporte e alojamento de pessoas em condições de coerção, violência, controle e cárcere privado, para fins de exploração em várias modalidades. Mais de 144 países assinaram esse documento, inclusive, o Brasil. A partir daí, o governo pede a um grupo de legisladores que repense a legislação brasileira sobre o assunto. Apesar das mudanças e dos avanços, essa questão não está bem resolvida. A discussão é polêmica e precisa abranger o poder público, a sociedade civil e os atores diretamente envolvidos com esse crime. Beira do Rio – Qual o perfil das vítimas? Maria Lúcia Pinto Leal – Mulheres entre 17 e 25 anos, de classes populares, com baixa inclusão nas políticas públicas, especialmente, na educação. A maioria com experiência de trabalho no campo da informalidade, do trabalho doméstico ou do comércio. Elas apresentam uma história de trabalho precário, sem garantia de direitos. Já passaram por alguma experiência de casamento e têm filhos. Todas ajudam financeiramente a família. Tudo isso, associado à trajetória de classe, etnia, raça e pressões sociais de pobreza, potencializa o sujeito para um quadro de violações de direitos. Essa pessoa torna-se ideal para ser recrutada e facilmente aliciada pelas redes de exploração. Como geralmente as famílias também são muito vulneráveis, é comum encontrarmos os próprios pais vendendo suas crianças. Beira do Rio – A senhora está finalizando outra pesquisa com dados mais qualitativos. O que eles mostram? Maria Lúcia Pinto Leal – Estamos finalizando uma pesquisa com a conexão ibérica – Espanha, Portugal e Brasil –, estudando diretamente a trajetória de nove

mulheres. E é mais ou menos esse perfil. O que muda é a capacidade de enfrentamento. Esse tipo de dado só é possível com as pesquisas qualitativas. É preciso considerar a relação entre qualidade e quantidade para desconstruir mitos e não trazer informações que venham subsidiar políticas higienistas e repressivas nas fronteiras internacionais. Com a crise financeira mundial, a migração para os países do hemisfério norte está sendo muito mais fiscalizada. Essa situação exige um enfrentamento transnacional: é preciso articular todos os planos de enfrentamento ao tráfico pelos países signatários e desenvolver uma política mundial de prevenção e de reforço da cidadania das mulheres. Beira do Rio – E no Brasil, o que precisa ser feito? Maria Lúcia Pinto Leal – O Estado brasileiro deve reorganizar sua política para a promoção e prevenção social dessas populações. Essas pessoas precisam de proteção. Elas são assassinadas antes de conseguirem denunciar. Por outro lado, é preciso regulamentar o mercado do sexo e isso depende de uma reorganização profunda dentro do Judiciário. Há necessidade de uma política de prevenção mundial, pois o tráfico é uma questão transnacional e globalizada. As fronteiras têm olhos e ouvidos vedados. As meninas bolivianas, por exemplo, passam para o Brasil sem que a fiscalização consiga coibir e vice-versa. Até a tecnologia contribui para globalizar o mercado do crime, mas nós não conseguimos criar uma rede contra-hegemônica de combate utilizando essas mesmas tecnologias. Quando essa população procura a rede de proteção do Estado, encontra uma rede furada, então, cai nas malhas dos exploradores. Beira do Rio – Qual a sua avaliação sobre a criação da Escola de Conselhos? Maria Lúcia Pinto Leal – É uma iniciativa importantíssima. Já sabemos que a política de conselhos deve ser universalizada. Ela tem um papel importantíssimo: o controle, a defesa e a fiscalização das políticas públicas sociais. O conselho tem um papel aglutinador, é ele quem recebe a denúncia de qualquer violação de direito. Por meio dos conselhos, podemos acompanhar o encaminhamento dado à denúncia. Além do disque 100 ou de qualquer outro, precisamos colocar em prática dois indicadores importantes: o acompanhamento e a fiscalização.

Radares e outros equipamentos de coleta de dados foram instalados na área próxima ao Aeroporto Internacional de Belém

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studos realizados em diferentes regiões do Brasil pretendem melhorar os sistemas de previsão do tempo e clima a partir da caracterização dos tipos de nuvens. Os experimentos científicos vão ocorrer até o final de 2014, em sete cidades brasileiras. Além de Belém, a equipe do Projeto Chuva já esteve em Alcântara

(MA) e Fortaleza (CE). O Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE) trabalha em parceria com a Faculdade de Meteorologia da UFPA e com outras instituições, em busca de dados que possam auxiliar, por exemplo, a previsão de tempestades em regiões metropolitanas. Pág. 3

Genética

Diversidade

Debates chegam às salas de aula Págs. 6 e 7

Nanotecnologia

Novos equipamentos impulsionam pesquisa A Rede de Genoma do Pará, sediada no ICB/UFPA, acaba de receber a mais nova tecnologia mundial de se-

quenciamento genético. O Ion Torrent é capaz de completar a leitura de um genoma em até duas horas. Pág. 4

Karol Khaled

E

mpresários da rede hoteleira de Belém estão empenhados em atender a decisão do Ministério Público do Trabalho e fiscalizar, com firmeza, situações de exploração sexual de crianças e adolescentes. Além de um código de conduta para o setor, a campanha também prevê a certificação de “hotel amigo da criança” para aqueles que conseguirem cumprir, à risca, o que foi estabelecido. Turismo sexual, tráfico para fins sexuais, prostituição e pornografia infantil são modalidades do mesmo crime: a violência sexual. O Jornal Beira do Rio conversou sobre o assunto com Maria Lúcia Pinto, professora da Universidade de Brasília (UnB) e coordenadora do Grupo de Pesquisa sobre Violência, Tráfico e Exploração Sexual de Crianças, Adolescentes e Mulheres. “É hora de transformar o discurso em prática”, afirma a professora.

sa comum e fácil de fazer. É complexa e envolve metodologias que precisam compreender todo esse cenário. Na Pesquisa sobre Tráfico de Mulheres, Crianças e Adolescentes (Pestraf), utilizamos dados secundários. Os dados primários foram levantados nas ONGs brasileiras.

Karol Khaled

Rosyane Rodrigues

Alternativas para geradores a diesel

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Entrevista "Fronteiras têm olhos vedados para o tráfico de mulheres", afirma Maria Lúcia Pinto. Pág. 12

Coluna da Reitoria O reitor Carlos Maneschy fala dos acertos das atuais políticas para o ensino superior. Pág. 2

Opinião Livros e cartilhas auxiliam professores

No Brasil, UFPA e UFRJ são pioneiras na aquisição da tecnologia

Denise Machado Cardoso fala sobre educação e diversidade sexual e de gênero. Pág. 2


Mácio Ferreira

2 – BEIRA DO RIO – Universidade Federal do Pará – Setembro, 2011

BEIRA DO RIO – Universidade Federal do Pará – Setembro, 2011 –

Coluna da REITORIA Carlos Maneschy

Nanotecnologia kkk

Materiais cerâmicos produzem energia

reitor@ufpa.br

O acerto das atuais políticas para o ensino superior

Alexandre Moraes

analistas em economia e educação questiona a validade das atuais políticas públicas que destinam, segundo eles, parcela muito considerável de investimentos para o ensino superior, indicando que a prioridade deveria estar concentrada nos ensinos fundamental e médio. Experiências acumuladas por nações em que o modelo de educação apresenta êxitos servem de contraponto a essa concepção, porque demonstram que o sistema de ensino deve ser concebido como uma rede integrada que se inicia na creche, com desdobramentos até o grau mais elevado da pós-graduação. A complementaridade entre os diferentes níveis de ensino deve ser o princípio a balizar as ações voltadas à educação como elemento de transformação qualitativa da realidade nacional. No nosso país, em particular, toda a rede de virtudes desencadeadas pela intervenção das universidades no desenvolvimento, embalada pela missão de formar recursos humanos de maior qualificação e de produzir ciên-

cia em um patamar que nos posiciona em 13° lugar no ranking da produção científica mundial, solapa essa falsa questão que coloca o financiamento da educação superior como barreira para a melhoria do ensino básico. Precisamos, mesmo, é de ainda mais recursos para a educação, em todos os estágios. Assim, devemos colocar todo esforço para que a meta estabelecida no Plano Nacional de Educação, em debate no Congresso, de destinar 7% do PIB para o setor até 2020, seja cumprida no menor tempo possível. Indicadores mostram que nunca as universidades federais tiveram atuação tão interiorizada, permitindo a cada vez mais estudantes o acesso ao ensino superior no seu lugar de origem. Numa reversão de tendência, sobe, percentualmente, o número de matrículas no ensino público quando comparado ao da rede particular. Prédios e laboratórios são melhorados para atender à comunidade universitária. Especificamente na UFPA, o

que se está registrando é auspicioso. No próximo vestibular, serão oferecidas mais de 7600 vagas, aumento de mais de 30% em relação a 2009, com preponderância para os campi do interior, distribuídas em dezenas de novos cursos de graduação. Há mais de 40 obras em execução ou sendo licitadas. Na esteira das realizações alcançadas nos dois últimos anos, foram iniciados sete novos cursos de doutorado e 12 de mestrado. Numa síntese, são esses apenas alguns dos êxitos recentes da UFPA a mostrar o atual momento de pujança que atravessa. À luz dessa realidade, salta aos olhos a certeza de que o fluxo de grandes investimentos na universidade pública não deve ser alterado. Persistindo nessa rota, o País estará conformando um futuro quando poderá realizar o desejo de maior inserção econômica internacional, melhor aproveitamento das riquezas com sustentabilidade ambiental, mais justiça na distribuição da renda e amplas oportunidades a todos os brasileiros.

Denise Machado Cardoso

denise@ufpa.br

Educação Formal e Diversidade Sexual e de Gênero

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ Rua Augusto Corrêa n.1 - Belém/PA beiradorio@ufpa.br - www.ufpa.br Tel. (91) 3201-7577

ensino está ocorrendo de maneira transformadora? A igualdade prevista na Constituição Federal de 1988 está sendo referenciada nas ações de quem faz a educação escolar? Ao que tudo indica, as diferenças étnico-raciais e de gênero ainda são motivos para discriminação e preconceito. Explicar como essas regras sociais se manifestam é tarefa primordial na superação de práticas discriminatórias. De modo semelhante, há situações que demandam ações que possibilitem enfrentar discriminação relacionada a marcadores sociais diversos. Os alunos e as alunas têm uma infinidade de relações e conhecimentos que os ajudam a cristalizar a diferença entre os gêneros, dentre outras. Entretanto, e na maioria das vezes, essa “bagagem” é ignorada e/ ou acentuada pelos (as) educadores (as). E, mesmo sabedores que esse é o momento oportuno para reforçar a união, “quebrando” a discriminação pelas diferenças, e para mostrar como isso pode contribuir com a superação das desigualdades baseadas na distinção de cor, gênero, religião etc., essa oportunidade é negligenciada pela

Perspectiva revolucionária

Novo equipamento, ainda em teste, poderá substituir geradores que funcionam a óleo diesel Glauce Monteiro

OPINIÃO

educação apresenta uma importância significativa no cotidiano das sociedades, pois ela é um processo fundamentado na busca que as pessoas fazem de sua própria identidade. Na escola, as questões étnico-raciais e de gênero são constantemente marcadas pelo preconceito e discriminação. Pessoas negras, homossexuais e mulheres, por exemplo, são tratados nos livros didáticos e nas relações interpessoais como sendo inferiores. Diante disso, as Ciências Sociais contribuem para a explicação e para o enfrentamento dessas realidades a partir de seu arcabouço teórico e das suas ferramentas metodológicas. Ao considerar que as sociedades humanas estabelecem os modos de agir dos indivíduos, e essas regras são estabelecidas de maneiras e momentos diversos, é pertinente questionar para quem está sendo pensada a educação escolar? Como e de que maneira estão sendo processados esses ensinamentos? Além disso, torna-se necessário observar os sentidos que estudantes estão dando a esses ensinamentos. Será que esse

Pesquisador aperfeiçoa materiais para geração de eletricidade

Alexandre Moraes

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os últimos cinco anos, as universidades federais vivem um intenso processo de expansão, fruto dos investimentos na contratação e qualificação de docentes e de pessoal técnico-administrativo, e na melhoria e ampliação das estruturas físicas e dos equipamentos. As universidades retomam plenamente o protagonismo no cenário de desenvolvimento nacional, a elas negado pela equivocada retração de recursos destinados à educação superior, observada, sobretudo, a partir da segunda metade dos anos 80. No Brasil, as instituições universitárias e de pesquisa, principalmente as públicas, respondem por quase toda a produção científica e por grande parcela da inovação tecnológica. Os avanços na indústria aeronáutica, na exploração de petróleo em águas profundas, no sistema de comunicação e informatização dos bancos e na modelar cadeia produtiva agroindustrial são exemplos em que a participação dessas instituições foi decisiva para colocar o País em destaque internacional. Apesar disso, uma corrente de

maioria das pessoas envolvidas na educação formal. Portanto, compreender os fenômenos que perpassam o processo educacional inclui uma análise abrangente, posto que reflete a complexidade das realidades sociais. As práticas educacionais necessitam ser ajustadas para que haja adequação às realidades que permeiam a vida social, econômica, política e cultural de estudantes e docentes. Atores sociais da educação formal devem ser reeducados para superar o “encastelamento” de professores e professoras em suas disciplinas. Desse modo, a concepção de educação, segundo Paulo Freire, é inspiradora, pois ele a considera como um processo contínuo em que mulheres e homens se formam mutuamente. É, sobretudo, um compromisso, um ato político. E nessa perspectiva, o papel de educadores e educandos (as) é o de conhecedores e transformadores das suas realidades, de tal maneira que todas as pessoas possam ter condições dignas e equidade social. Várias práticas, nesse sentido, estão sendo materializadas na Uni-

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versidade Federal do Pará a partir da oferta de cursos presenciais e a distância. No primeiro caso, cursos da Pós-Graduação em Ciências Sociais e realização de projetos de pesquisa e extensão que envolvem as temáticas gênero, diversidade, educação e outras afins são exemplares. O Grupo de Estudos sobre Mulher e Gênero Eneida de Moraes (GEPEM) realiza pesquisas e eventos com o intuito de chamar a atenção de que a conquista de direitos é um processo possível e desejável. Em relação aos cursos a distância, como é o caso do Gênero e Diversidade na Escola e Gestão de Políticas Públicas de Gênero e Raça, oferecidos pelo Grupo NOSMULHERES, são ações que têm contribuído, de modo significativo, com a proposta de superação da discriminação em contexto escolar. Denise Machado Cardoso é docente pesquisadora do Laboratório de Antropologia do IFCH. Atua como membro do Comitê de Ética em Pesquisa da UFPA. É membro dos grupos NOSMULHERES, GEPEM, GEPI e Pet/GT/CS.

Reitor: Carlos Edilson Maneschy; Vice-Reitor: Horácio Schneider; Pró-Reitor de Administração: Edson Ortiz de Matos; Pró-Reitor de Planejamento: Erick Nelo Pedreira; Pró-Reitora de Ensino de Graduação: Marlene Rodrigues Medeiros Freitas; Pró-Reitor de Extensão: Fernando Arthur de Freitas Neves; Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação: Emmanuel Zagury Tourinho; Pró-Reitor de Desenvolvimento e Gestão de Pessoal: João Cauby de Almeida Júnior; Pró-Reitor de Relações Internacionais: Flávio Augusto Sidrim Nassar; Prefeito do Campus: Alemar Dias Rodrigues Júnior. Assessoria de Comunicação Institucional JORNAL BEIRA DO RIO Coordenação: Luiz Cezar S. dos Santos; Edição: Rosyane Rodrigues; Reportagem: /Dilermando Gadelha/Ericka Pinto/Flávio Meireles/Glauce Monteiro (1.869-DRT/PA)/Igor Souza/Jéssica Souza(1.807-DRT/PA)/Paulo Henrique Gadelha/Rosyane Rodrigues (2.386-DRT/PE)/Yuri Rebêlo; Fotografia: Alexandre Moraes/Karol Khaled; Secretaria: Silvana Vilhena; Beira On-Line: Leandro Machado/Diogo Adriel; Revisão: Júlia Lopes/Cintia Magalhães; Arte e Diagramação: Rafaela André/Omar Fonseca; Impressão: Gráfica UFPA; Tiragem: 4 mil exemplares.

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energia elétrica que faz funcionar os eletrodomésticos ou acender as lâmpadas em nossas casas pode ser gerada de várias formas. No Brasil, a mais famosa é a hidroelétrica, mas também são conhecidas as fontes eólica, solar e de biomassa. Na Região

Norte, em localidades de difícil acesso e onde a rede de distribuição de energia ainda não chega, a eletricidade é obtida por meio de geradores que funcionam com óleo diesel. O pesquisador Adriano Alves Rabelo, professor da Faculdade de Engenharia de Materiais do Campus da Universidade Federal do Pará em Mara-

bá, propõe o uso de uma nova fonte de energia na região: células a combustível, uma espécie de pilha em que a energia elétrica é gerada por meio de reações químicas entre os gases fornecidos. A vantagem deste sistema é que ele não é poluente, pois utiliza como combustível o hidrogênio que reage com o oxigênio e gera como resíduo vapor d´água.

Células de combustível atuam como baterias Todas as substâncias conhecidas são formadas a partir de átomos, considerados a menor porção de um elemento. O mundo dos átomos pode ser comparado ao dos astros, no qual cada átomo é um sistema solar. Assim como a terra mantém uma trajetória ao redor do sol, elétrons mantêm órbitas ao redor do núcleo dos átomos, no qual estão os nêutrons e os prótons. Porém os átomos, ao contrário do sistema solar, estão constantemente em contato uns com os outros. Nestes encontros, eles podem ganhar ou perder elétrons. Quando isso acontece, eles passam a ser conhecidos como íons até que outro "encontro" aconteça. A energia elétrica ou corrente elétrica é exatamente o movimento

dos elétrons ou de íons. Quando o átomo perde elétrons, ele se torna um íon positivo, chamado de cátion. Quando ganha, ele passa a ser um íon negativo, conhecido como ânion. As extremidades de uma pilha ou célula de combustível são chamadas de polos ou eletrodos. De acordo com a passagem dos íons por elas, cada uma recebe um nome. O polo que está constantemente doando elétrons é o ânodo. O que está recebendo é o cátodo. As células a combustível funcionam como baterias produtoras de energia elétrica enquanto existir fornecimento de combustível. Nelas, o ânodo e o cátodo estão separados por uma cerâmica, que conduz íons em temperaturas a partir de 500°C. Adriano Alves Rabelo

explica como funciona o processo de produção de energia elétrica nas células a combustível com o uso de hidrogênio: as células mais eficientes trabalham com o gás hidrogênio puro, de origem industrial, que custa caro, ou extraem esse gás de um combustível, como etanol ou gás natural, entre outros. "As moléculas de oxigênio são quebradas na superfície da cerâmica no lado do cátodo. Os elétrons, de carga negativa, são liberados do hidrogênio, que é injetado e quebrado no lado do ânodo. Eles migram por um interconector para o cátodo, gerando eletricidade. Os íons de hidrogênio com carga positiva que sobram recebem os íons de oxigênio que atravessam para formar água, o 'resíduo' das células a combustível".

Neste nível da pesquisa, temperatura é desafio As pesquisas realizadas pelo professor se voltam para a análise dos eletrodos e do ânodo. Geralmente, eles são constituídos de materiais cerâmicos associados entre si ou com outros elementos. "O Projeto de pesquisa 'Componentes Nanoestruturados de Célula a Combustível para Temperaturas Intermediárias' pretende contribuir para conhecermos os diferentes caminhos e processos para obtenção de microestruturas adequadas às células a combustível, as quais possuem componentes cerâmicos estabilizados, a fim de proporcionar

uma maior eficiência elétrica", resume Adriano Alves Rabelo. Os eletrólitos das células a combustível mais utilizados são à base de zircônia (ZrO2), enquanto os eletrodos são, normalmente, uma mistura denominada de "compósitos", a qual, no ânodo, envolve cerâmicos e metais e, no cátodo, apenas materiais cerâmicos. "Todos os óxidos sólidos são considerados materiais cerâmicos e apresentam condutividade iônica em temperaturas relativamente elevadas, daí a necessidade de adicionar metais

para conseguir conduzir elétrons no ânodo. É a composição da interface eletrólito - ânodo que pesquiso", explica o professor. "A condução de íons no meio cerâmico, à base de zircônia, somente é apreciável em temperaturas altas, entre 800 e 1000°C. O desafio é diminuir a temperatura de operação das células para uma faixa de 500 a 700°C, sem diminuir a eficiência na produção de energia, ou seja, precisaríamos de menos 'investimento' para gerar uma maior produção de eletricidade".

Adriano Rabelo defende que o uso de tecnologia com microestruturas em dimensões nanométricas, ou seja, um milhão de vezes menor que um metro, representou uma revolução em relação aos materiais cerâmicos, "a revolução acontece em relação às propriedades mecânicas das cerâmicas que são materiais frágeis, porém com excelente desempenho em relação ao desgaste erosivo, corrosão química e refratariedade, por exemplo. Quanto às propriedades elétricas e magnéticas, ainda não há um consenso entre os pesquisadores sobre o entendimento dos fenômenos quando os grãos que formam a chamada microestrutura passam a ter somente algumas dezenas de átomos. No entanto, na maioria dos casos, os resultados apontam para melhorias das propriedades elétricas em materiais nanoestruturados". Segundo o pesquisador, o atual estágio da pesquisa tem como meta "obter, por meio de sínteses químicas, microestruturas cerâmicas com tamanho médio de grãos inferiores a 100 nanômetros. As teorias que explicam as propriedades elétricas nestas microestruturas ainda são um pouco controversas e não totalmente estabelecidas". "No momento, estou dedicado ao método convencional de mistura de óxidos que necessita de temperaturas de até 1600°C para a preparação do componente, mas já conseguimos reduzir esta temperatura para 1350°C, o que evita uma série de problemas para algumas composições específicas. Os resultados parciais das sínteses químicas também já apontam cuidados específicos no processamento pós-nanométrico, que possui uma tendência a se aglomerar. Embora sejam mais caros, os métodos químicos para prevenir este fenômeno ainda são os que apresentam melhores resultados", diz o professor. Na avaliação do professor, embora as células combustíveis tenham diversas aplicações, a mais interessante delas é a geração de eletricidade em pequena e média escalas. "A alta temperatura de operação limita o uso automotivo desta tecnologia, mas ela pode ser empregada para aplicações espaciais, em telecomunicações e em transporte. No entanto o maior destaque para a utilização da célula a combustível é a produção de energia a partir da instalação de estações remotas em áreas de difícil acesso ou que funcionem como nobreak e complementos para a produção de energia em núcleos urbanos menores. Usos que são extremamente interessantes para uma região como a nossa", explica.


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BEIRA DO RIO – Universidade Federal do Pará – Setembro, 2011 –

Meteorologia

Ensino

Geometria no laboratório de informática

Projeto investiga nuvens na região Dados coletados irão melhorar sistemas de previsão do tempo

Ericka Pinto

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Atualmente, 15 alunos do terceiro ano do ensino médio da Escola Benvinda de Araújo Pontes utilizam o Programa GeoGebra

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oftware, download, e-book. Esse vocabulário representa o universo das tecnologias que surgiram nas últimas décadas. Com o passar do tempo, profissionais de diversas áreas perceberam que algumas ferramentas poderiam ser bastante benéficas para a sua área de conhecimento. Na sala de aula, por exemplo, elas poderiam tornar os conteúdos mais atraentes e inteligíveis. Utilizar ferramentas tecnológicas disponíveis para facilitar o pro-

cesso ensino-aprendizagem e torná-lo mais eficaz é a proposta do Projeto de Extensão "Uso de softwares livres para o ensino de Geometria nas escolas públicas", coordenado pelo professor Manoel Lima Corrêa, da Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia do Campus Universitário de Abaetetuba da Universidade Federal do Pará (UFPA). As atividades acontecem na Escola Estadual de Ensino Médio Benvinda de Araújo Pontes, localizada no mesmo município. "Ao perceber que havia recursos tecnológicos disponíveis que

poderiam ajudar no ensino da disciplina, achei pertinente a proposição do Projeto, levando em consideração que muitos alunos reclamam das dificuldades encontradas nas aulas de Matemática. Além disso, o laboratório de informática – onde as atividades estão sendo desenvolvidas – seria utilizado com mais frequência," explica o professor Manoel Lima Corrêa. Desta forma, os momentos em sala de aula são complementados com as vivências no laboratório de informática. De acordo com o

docente, essas ações referem-se aos conteúdos de Matemática representados, especificamente, pela Geometria Plana. No laboratório, os estudantes, orientados por Elizete Rego Sabino, bolsista do Projeto e aluna de graduação do curso de Licenciatura Plena em Matemática, constroem figuras, como triângulos, retas, semirretas e retas perpendiculares, usando o software GeoGebra, instalado especialmente para atender às demandas das novas atividades. Eventualmente, os discentes também acessam a internet.

Coordenador planeja continuidade de ações para 2012 De acordo com o professor, quinze alunos do terceiro ano do ensino médio da Escola Benvinda de Araújo Pontes participam do Projeto. As atividades realizadas por eles tiveram início em março deste ano e devem ser encerradas em novembro. De acordo com Manoel Lima Corrêa, as vivências acontecem no laboratório, três vezes por semana. Em um desses dias, o coordenador comparece à escola para orientar os alunos e a bolsista no que for preciso, bem como para avaliar o andamento das atividades.

O professor acredita que o software GeoGebra é um chamariz, já que o recurso tecnológico estimula os estudantes a se interessarem ainda mais pela Geometria, ampliando os conteúdos presentes no livro didático. "O GeoGebra oferece um conjunto de possibilidades muito interessante. O Programa possibilita que o aprendizado aconteça ao mesmo tempo em que os alunos se divertem com as figuras que eles mesmos constroem na tela do computador. Desta forma, aquela aula clássica de Geometria,

com o professor utilizando apenas o quadro e o livro, considerada, muitas vezes, difícil e desinteressante, passa a ser complementada e enriquecida pelos novos recursos", avalia Manoel Lima Corrêa. "As ferramentas estão aí, prontas para serem utilizadas. Mesmo que haja adversidades para se ter acesso a essas mídias, é real e evidente a opção de aperfeiçoar uma aula de Geometria, por exemplo, utilizando um software adequado para isso. O que está faltando é a iniciativa de se apropriar desses

elementos com mais frequência", pondera o professor. Mesmo com o Projeto ainda em andamento, o coordenador já pensa na sua continuidade em 2012. De acordo com Manoel Corrêa, por enquanto se trata de uma ideia embrionária. A proposta é levar as atividades desenvolvidas na Escola Benvinda de Araújo Pontes para outra instituição do município. Um novo programa poderia ser utilizado para que os participantes realizassem cálculos matemáticos.

Sem números oficiais, Projeto já mostra bons resultados Como as ações só devem ser concluídas no final do ano, ainda não há avaliação quanto ao rendimento dos alunos participantes do Projeto, nem quanto ao grau de satisfação de todos os envolvidos na iniciativa. Esses dados serão apresentados pela bolsista Elizete Rego Sabino,

a qual supervisiona as atividades na Escola Benvinda de Araújo Pontes. A estudante está produzindo relatórios parciais baseados nas observações durante as vivências no laboratório de informática. Ao final das atividades, os alunos também devem preencher um formulário avaliativo.

Para Manoel Lima Corrêa, já é possível fazer um balanço, mesmo de maneira informal. O professor mostra-se entusiasmado, "ainda estamos no meio das atividades, porém já é possível fazer uma avaliação prévia do Projeto. Os estudantes que estão em contato com o software mostram-se

muito motivados em aprender Geometria de outra forma. O interesse deles em participar e interagir é evidente. O reflexo disso já pode ser verificado nas notas de Matemática, as quais estão melhorando. A comprovação da evolução irá acontecer naturalmente", finaliza.

studos realizados em diferentes regiões do Brasil pretendem melhorar os sistemas de previsão do tempo e clima a partir da caracterização dos tipos de nuvens. Os experimentos científicos vão ocorrer até o final de 2014, em sete cidades brasileiras. A capital paraense foi a terceira a receber o grupo de pesquisadores do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC-Inpe/ SP). As pesquisas estão sendo desenvolvidas por meio do Projeto "Processos de nuvens associados aos principais sistemas precipitantes no Brasil: uma contribuição à modelagem da escala de nuvens e ao GPM (Medida Global de Precipitação)", mais conhecido como "Projeto Chuva". O trabalho é coordenado pelo meteorologista e pesquisador titular do CPTEC, Luiz Augusto Toledo Machado, e tem entre os principais objetivos a criação de um banco de dados com informações sobre as estruturas microfísicas das nuvens, a formação de descargas elétricas, os efeitos radiativos e a interação com aerossóis (partículas suspensas na atmosfera). Os experimentos recebem apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e iniciaram em março de 2010, em Alcântara, no Maranhão. A segunda cidade foi Fortaleza (CE) e, recentemente, nos meses de junho e julho/2011, os estudos ocorreram em Belém (PA). Para a coleta de dados, os pes-

Fotos Karol Khaled

Acervo do Pesquisador

Professor usa software para tornar conteúdo mais atraente

Paulo Henrique Gadelha

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Sítios de instrumentalização foram instalados no Aeroporto Internacional de Belém, na Ilha do Outeiro e em Benevides quisadores contam com equipamentos de alta tecnologia que permitem captar maiores detalhes no interior das nuvens. Entre esse aparato tecnológico, está o radar móvel de dupla polarização, instalado em uma torre na Faculdade de Meteorologia do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Pará (UFPA). "É um dos mais modernos e não existem medidas científicas com esse tipo de equipamento. Ele é diferente de um

radar convencional, pois realiza uma tomografia da nuvem, caracterizando o que ela tem em cada camada", explica Luiz Machado. A partir da operação desse radar, que acompanha a evolução das chuvas na região metropolitana, foi implantado um projeto piloto do Sistema de Observação de Tempo Severo - SOS Belém -, o qual oferece informações e alertas sobre a previsão de tempestades. "Qualquer pessoa

poderá ver onde está chovendo em Belém, em tempo real. Isso vai ajudar, sobretudo, o trabalho da Defesa Civil e os serviços meteorológicos de alguns órgãos, como o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), a Embrapa, as universidades, entre outros, demonstrando que é extremamente útil o dado do radar, em tempo real, disponível à população", ressaltou Luiz Machado.

Próxima parada: São Luiz do Paraitinga, em São Paulo Os pesquisadores realizaram experimentos em três localidades chamadas de sítios de instrumentação: na área do Aeroporto Internacional de Belém, na Ilha do Outeiro (Icoaraci) e em Benevides. Nestes locais, foram instalados radar de apontamento vertical, radiômetro de micro-ondas, pontos de radiossondagem, entre outros equipamentos para a coleta de dados. Além da instalação de equi-

pamentos em regiões próximas e em instituições integrantes do Projeto em Belém, como INMET, Universidade Federal do Pará, Sipam, Destacamento de Controle do Espaço Aéreo (DTCEA) e Secretaria do Meio Ambiente do Pará, foram realizados experimentos com balões meteorológicos, coordenados pela professora Júlia Cohen, da UFPA, e pelo professor David Fitzjarrald, da Universidade de Nova York.

Dois balões foram lançados em Tomé-Açu, a 113 quilômetros da capital paraense, para a coleta de informações, como pressão, temperatura, umidade, direção e velocidade dos ventos, as quais serão comparadas com as do modelo de previsão do tempo CATT-BRAMS, do CPTEC/ INPE. O objetivo é que esses balões conduzidos pelos ventos penetrem na região amazônica e contribuam para o

detalhamento da estrutura das linhas de instabilidades, típicas na região, que provocam chuvas intensas nesta época do ano. A campanha científica do Projeto Chuva em Belém encerrou em julho e segue com os experimentos, a partir de outubro, em São Luiz do Paraitinga, em São Paulo. Na sequência, estão Foz do Iguaçu (PR), Brasília (DF) e Manaus (AM). Outras campanhas devem acontecer até 2014.

Alunos são incentivados a utilizar base de dados Os estudantes da Faculdade de Meteorologia da UFPA envolvidos na campanha científica em Belém acompanharam as etapas de trabalhos dos pesquisadores. Eles também participaram do minicurso "Processos Físicos das Nuvens", que teve mais de 200 inscritos. As aulas ocorreram durante o período dos experimentos e foram ministradas por pesquisadores das instituições que integram o Projeto Chuva. "Nós estimulamos bastante os pesquisadores locais e estudantes a utilizarem a base de dados coletados para que sejam

feitas pesquisas. São equipamentos modernos que ainda precisam ser explorados. Pensando nisso, oferecemos o curso", disse Luiz Machado. O pesquisador explica, ainda, que as informações coletadas servirão para o desenvolvimento de trabalhos científicos, além de ajudarem a melhorar a previsão do tempo, a entender o clima nas regiões do Brasil e a ter um banco de dados caracterizado, o qual servirá como referência para os estudos de modelagem (simulações), os quais necessitam de comparação.

Estudantes puderam acompanhar as etapas da campanha científica em Belém


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BEIRA DO RIO – Universidade Federal do Pará – Setembro, 2011 –

Extensão

Genética

O

sequenciamento do genoma de um brasileiro está sendo realizado na Universidade Federal do Pará, por meio da Rede de Genoma do Pará, sediada no Instituto de Ciências Biológicas (ICB). Trata-se do genoma de um ameríndio, o primeiro a ser sequenciado no mundo. Estudos antropológicos apontam que o sequenciamento do genoma de um índio pode indicar os caminhos para responder a grandes questionamentos da humanidade, como: "de onde nós viemos?" ou "como os índios chegaram ao continente americano?", uma vez que, quando a América foi descoberta, os índios já estavam aqui. O sequenciamento genético se dá pela decodificação, ou seja, pela extração de informações sobre quais são os nucleotídeos que compõem uma molécula de DNA. Independentemente da etnia, seres humanos sem má formação gené-

Karol Khaled

ICB está pronto para fazer sequenciamento genético de ameríndio

Ion Torrent está em funcionamento na UFPA, desde junho tica são – genomicamente falando – todos iguais. O que muda são essas pequenas especificidades

do genoma, não a sequência dos genes em si. A Rede Paraense de Genoma, um dos centros de com-

petência em genômica reconhecido nacional e internacionalmente, e o grupo de pesquisa em genética humana coordenado pelos professores Sidney e Ândrea Santos colaboram para a obtenção de tais avanços científicos. Realizando pesquisas na área de genética há mais de dez anos, a Rede de Genoma do Pará é uma das mais completas do Brasil em termos de pesquisadores especializados e equipamentos de ponta. Recentemente, inclusive, o ICB adquiriu a mais nova tecnologia mundial de sequenciamento de DNA, o Ion Torrent: uma máquina do tamanho de uma impressora, associada a um chip de 1x1 cm, a qual pode completar a leitura genética de um genoma em até duas horas. O equipamento foi criado pela empresa americana Life Technologies, lançado este ano no Brasil, ao custo de US$ 142 mil, e com capacidade de ler até cem milhões de nucleotídeos, que são as bases constituintes do genoma de um ser vivo.

Entre as vantagens, estão rapidez, precisão e baixo custo A UFPA e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) são as primeiras a possuírem o Ion Torrent no País. No Pará, o equipamento com outro sequenciador, o Solid – já em atividade na Universidade e também fabricado pela Life Technologies – , vão permitir o aprimoramento das pesquisas da Rede Paraense de Genômica e Proteônica, coordenada pelo biólogo Artur Luiz Silva, professor do ICB. A Rede investiga as causas do câncer gastrointestinal na região amazônica e a ação de pragas que acometem culturas de agroindústria locais, como os fungos que danificam

a pimenta-do-reino. O Ion Torrent é considerado uma revolução na área, porque se trata do primeiro sequenciador capaz de fazer a conexão entre informações químicas e digitais por meio de semicondutores, dobrando a capacidade de processamento de genomas. O objetivo da máquina é saber quais são os genes que compõem o código genético, os quais constituem todas as características de um ser vivo e, a partir daí, decodificar cada uma das letrinhas referentes aos elementos adenina, timina, citosina e guanina, conhecidas simplesmente como A,

G, T, C. Segundo Artur Silva, o equipamento traz rapidez e precisão no alcance de leituras genéticas inteiras e o mais importante: a um baixo custo. "Para se ter uma ideia, se o que gastávamos com o sequenciamento de uma bactéria, há três anos, girava em torno de U$20 mil, hoje, com o Ion, faz-se isso com U$1,5 mil", comemora o professor. Já com relação ao sequenciamento do genoma humano, cujo primeiro procedimento foi realizado ao custo de U$200 bilhões, pode-se chegar a uma redução de custo de até U$800 milhões.

"Além disso, o processo químico do Ion é completamente inovador", continua o pesquisador. A máquina detecta o hidrogênio liberado no acoplamento do nucleotídeo na cadeia nascente de DNA. Justamente a detecção do íon de hidrogênio no DNA, feita por meio do chip que consta no seu sistema, é que barateia o custo do procedimento, daí o seu nome ser Ion Torrent. De acordo com Artur Silva, os outros sistemas, como o Solid, são tecnologias que funcionam à base de lasers, fluorescências e espelhos, os quais tornam as máquinas e os próprios sequenciamentos mais caros.

Uso simultâneo de tecnologias Prevenção e tratamento O equipamento foi adquirido pelo ICB, com o apoio financeiro da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), por meio de um convênio firmado entre o órgão e a UFPA, para a implantação do futuro Centro de Genômica e Bioinformática da Instituição. O Ion está em funcionamento desde o mês de junho, quando engenheiros de São Paulo e dos Estados Unidos visitaram a UFPA para realizar a instalação da máquina. Houve, também, um treinamento para professores e pesquisadores do ICB para a utilização e o manuseio do equipamento. O professor Artur Silva afirma que o pioneirismo da UFPA em adquirir o equipamento demonstra a competência da Instituição nos estudos e nas pesquisas sobre genética. "A pesquisa genômica não é pesquisa aplicada, mas pesquisa básica. Se descobrirmos, por exemplo, um gene que pode gerar uma proteína ou uma enzima benéfica para o ser humano ou para a natureza, já é um ganho

imensurável", prevê o coordenador da Rede Genômica. Apesar de o Ion Torrent ser o que há de mais moderno em tecnologia de genoma, o novo equipamento não extingue outras tecnologias. Na Rede de Genoma do Pará, ele atuará simultaneamente com o Solid, que também está sendo recebido pela UFPA em uma versão atualizada. Os dois equipamentos deverão se complementar para integrar a plataforma de sequenciamento da Instituição. Eles têm a mesma função, a de sequenciamento, mas, para isso, desempenham processos químicos diferentes. "O Solid é como um avião jumbo, feito para voos de larga escala e muitos passageiros. Já o Ion é como um avião 737, para percursos menores e poucos passageiros, isto é, para pequenos e rápidos sequenciamentos", explica o professor. O Ion e o novo Solid são os primeiros equipamentos desse nível que funcionam na América Latina.

A tecnologia de genoma é uma das grandes descobertas científicas dos últimos tempos. Por meio do sequenciamento genético, muitos avanços na área da Medicina e da Biologia foram obtidos. Graças à decodificação do genoma humano, cientistas do mundo inteiro podem desenvolver medicamentos potentes para certos tipos de câncer, além de testes que ajudam a identificar, previamente em um organismo, a propensão para doenças como o Alzheimer. Uma vez que se conhece o código que está dentro do núcleo de uma célula, fica mais fácil manipulálo, prever a existência de doenças ou a forma como essas doenças interagem com os seus hospedeiros, obtendo, assim, mecanismos para tratá-las ou curá-las. O conhecimento detalhado do genoma humano pode ajudar, também, na prevenção de doenças e na fabricação de remédios específicos, com base na genética de cada pessoa. Essa é a chamada Medicina Personali-

zada, que consiste na identificação de tratamentos exclusivos e específicos de acordo com as características de um organismo. "O que temos hoje é a indicação de remédios e posologias de forma generalizada. O que acontece é que as pessoas são diferentes. A resposta de cada pessoa a um medicamento varia conforme o organismo", explica o professor Artur Silva. Nesse processo, o Ion Torrent ajuda, principalmente, a redução de custos para o sequenciamento genético. "A intenção não é criar remédios ou descobrir a cura para as doenças, mas, sim, criar as bases para que se encontrem soluções para muitos problemas, ou seja, cortar os males pela raiz", explica Artur Silva. “Se estamos em uma região que é o centro de biodiversidade do planeta, é fundamental que o aproveitamento dessa biodiversidade se dê por meio da tecnologia de genoma”. Os resultados da investigação devem ser divulgados em primeira mão, este ano, em congressos científicos.

Educação ambiental no nordeste do Pará Programa realiza atividades em Resex de São João da Ponta e Curuçá

Flávio Meireles

A

tualmente, muito se discute acerca de educação ambiental. Alerta sobre cuidados com o lixo e a reciclagem, preservação de florestas e reflorestamento de locais degradados são temáticas presentes desde as feiras de ciências escolares até os grupos de pesquisas das Instituições de Ensino Superior. Na Universidade Federal do Pará, o Programa de Extensão "Educação Ambiental nas Resex Marinhas de São João da Ponta e Mãe Grande, Curuçá", tem como proposta construir o conhecimento a partir de experiências da população das Reservas Extrativistas (Resex) dos dois municípios, promovendo, assim, uma melhor conservação dessas unidades. Segundo Márcia Pimentel, coordenadora do Programa e diretora da Faculdade de Geografia e Cartografia da UFPA, à qual o Programa está vinculado, todas as atividades educativas são elaboradas a partir de demandas dos próprios pescadores. Foi assim em São João da Ponta, município a 120 quilômetros de Belém. Na verdade, apesar de o Programa ter iniciado, oficialmente, este ano, as visitas ao local começaram ainda em 2010, quando Márcia Pimentel foi convidada a participar de uma reunião do Conselho Deliberativo da Associação dos Usuários

Fotos Acervo do Pesquisador

Novos equipamentos impulsionam pesquisa Jéssica Souza

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Alfabetização cartográfica e educação ambiental são conteúdos debatidos durante as ações na reserva daquela reserva. Naquele momento, a coordenadora constatou que as principais complicações eram o descarte incorreto de resíduos sólidos, sobretudo de garrafas PET, o desmatamento das cabeceiras dos igarapés

e seu processo de assoreamento. "Foi conhecendo o Conselho e os pescadores da Associação que pude saber quais eram os problemas ambientais que afligiam a unidade. Por isso pensei: 'por que não fazer

 Oficinas com professores, alunos e pescadores De acordo com a professora, a opção pelo Programa garante um financiamento maior, pois compreende uma equipe mais ampla e multidisciplinar. "O Projeto é algo mais direcionado. Assim, temos vários subprojetos dentro do Programa", explica. A atividade realizada em junho, intitulada "Entre Marés, compartilhando saberes", faz parte de um desses subprojetos. Com o apoio da Prefeitura de São João da Ponta e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o evento ofertou diversas

oficinas. Professores e técnicos do Projeto capacitaram professores da rede municipal de ensino para a elaboração de projetos interdisciplinares e para a alfabetização cartográfica. Já os alunos da graduação e pós-graduação que compõem a equipe ministraram oficinas aos estudantes de ensino fundamental, com temáticas relacionadas ao meio ambiente. "Ao longo desses anos, estabelecemos uma relação de amizade com os pescadores que, hoje, são

parceiros do Programa. Durante as oficinas no município estavam presentes, em sala de aula, ao lado dos alunos do curso de Geografia", esclarece Márcia Pimentel. O Programa também atende a reserva de Mãe Grande, em Curuçá, onde as atividades educativas acontecerão após reunião com o Conselho Deliberativo da Resex do município. Com 52 comunidades, o trabalho na Unidade precisará de um número maior de colaboradores. As atividades estão programadas para começar ainda em 2011.

Novas ações envolverão mulheres das unidades Hoje, a equipe é formada por professores de Geografia, Sociologia, técnicos do ICMBio, além de alunos da graduação e da pósgraduação. "Ao todo, 15 estudantes compõem o quadro fixo, mas, nos eventos maiores, contamos com os alunos colaboradores, num total de 40, incluindo os calouros de 2011. Os recentes resultados do nosso trabalho têm incentivado a procura de alunos para colaborar com o Programa", avalia. Márcia Pimentel ressalta, também, que muitos alunos que integram a equipe já eram colabo-

radores em 2010, quando ainda não havia financiamento. Vale enfatizar que os atuais projetos de pesquisa da pós-graduação, sob a coordenação da professora, são frutos desse trabalho. Outros seis alunos tiveram o Programa como base de seus Trabalhos de Conclusão de Curso. Como uma forma de dar continuidade ao trabalho em 2012, a equipe decidiu realizar atividades de educação ambiental com mulheres das Reservas Extrativistas. Em reuniões com os usuários das reservas, uma das demandas dos pescadores era que houvesse um trabalho específico

voltado às moradoras das Unidades. Apesar disso, como explica Márcia Pimentel, o Programa não deixará de trabalhar com crianças e com outros grupos. "As mulheres percebem primeiro os problemas ambientais, como a qualidade da água e a falta do alimento. Sabemos que há um grande grupo à nossa espera", afirma Márcia Pimentel. Compartilhar conhecimento é o principal aprendizado do Programa. Os alunos de Geografia ampliam sua visão de mundo conhecendo as diversidades cultural e de paisagens na Amazônia.

um projeto de extensão que pudesse contribuir com as demandas dessas comunidades ribeirinhas e, ao mesmo tempo, criar um campo de pesquisa para a Geografia?'", ponderou a professora.

Saiba mais Definidas por lei desde janeiro de 1990, as Reservas Extrativistas (Resex) são espaços territoriais destinados à exploração autossustentável e à conser vação de recursos naturais renováveis pelas populações extrativistas tradicionais. Os moradores destas áreas são responsáveis por criar um Plano de Utilização do local, o qual deve ser aprovado pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Nele, há desde a capacitação de moradores para determinadas atividades até a implantação de alternativas de renda que contribuam para a melhoria das condições de vida das famílias. Segundo o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), até julho de 2009, foram criadas 53 Resex federais na Amazônia, sendo 20 somente no Pará. Dessas 20, nove são Resex Marinhas, ou seja, as atividades estão voltadas predominantemente para a pesca. A Resex de São João da Ponta possui 3.203 hectares, enquanto a de Mãe Grande, em Curuçá, ultrapassa 36 mil hectares, o equivalente a 36 mil campos de futebol, aproximadamente.


8 – BEIRA DO RIO – Universidade Federal do Pará – Setembro, 2011

BEIRA DO RIO – Universidade Federal do Pará – Setembro, 2011 –

Pesquisa

Rede RUTE

Igor de Souza

T

ecnologia e comunicação, quando unidas, dão-nos infinitas possibilidades de diversão, aniquilam distâncias, proporcionam interatividade e informação. Na esteira desse processo, as grandes áreas científicas não poderiam ficar para trás, tendo em vista a potencialidade de ensino e aprendizagem que as tecnologias de informação possuem. Na área da saúde, por exemplo, existem a Telemedicina e a Telessaúde, caracterizadas por ofertarem, por tecnologias de comunicação, serviços e informações ligadas aos cuidados com a saúde a partir de uma perspectiva multidisciplinar. Com as propostas de aprimorar os projetos sobre Telemedicina existentes nos hospitais universitários do País e de estimular a criação de novos trabalhos integrando projetos entre as instituições participantes, a Rede Universitária de Telemedicina e Telessaúde (RUTE) surgiu a partir de uma iniciativa do Ministério de Ciência e Tecnologia. Entre os componentes da RUTE no Pará, está o Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB) que, desde 2009, compõe a Rede com videoconferências e videocursos sobre temas ligados à educação em saúde, propagando informações sobre diagnósticos, prevenção e tratamento de doenças. Coordenada pela Rede Nacional

Alexandre Moraes

Hospital Barros Barreto comemora resultados obtidos com a Telemedicina

H

Recursos possibilitam formação continuada de profissionais que atuam em municípios do interior do Estado de Ensino e Pesquisa (RNP) e apoiada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e pela Associação Brasileira de Hospitais Universitários (Abrahue), a RUTE possui três fases de implantação: as fases I e II correspondem à instalação de seu espaço físico nos hospitais universitários, transformados em "Pontos RUTE", cuja coordenação,

no caso do HUJBB, está, atualmente, sob a responsabilidade da professora Teresa Cristina Bordallo Farias. A fase III corresponde à instalação da RUTE em centros de referência que não sejam, obrigatoriamente, hospitais de ensino, tal como está acontecendo na Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará. "Encontramos

a RUTE em vários Estados do Brasil, tais como São Paulo, Paraná e Sergipe. A estratégia de fixação dos 'Pontos RUTE' não obedece, necessariamente, aos critérios de extensão territorial e/ou de dificuldade de comunicação entre os municípios para estabelecer suas atividades", explica a coordenadora Teresa Bordallo.

cussões da sala de aula, o que acaba sendo um instrumento pedagógico importante na nossa formação", comenta a discente Ana Rosa Tavares da Paixão, do curso de Enfermagem da UFPA e participante da última videoconferência do 1º semestre de 2011, a qual tratou de Urgências em Cardiologia. Com uma duração média de 45 a 70 minutos, os videocursos acontecem, pelo menos, duas vezes ao mês, sempre às terças-feiras, e são transmitidos pela internet para o auditório do HUJBB, para os campi da UFPA e para outras instituições de ensino, como o Campus da Universidade do

Estado do Pará (UEPA) em Tucuruí. Com a estrutura de comunicação da RUTE, os participantes podem fazer perguntas aos ministrantes do videocurso, com exceção dos participantes via web. Nos campi do interior, as perguntas são viabilizadas pelos telecentros instalados nos locais. "Participar dos videocursos é um pouco diferente, pois não temos uma interação direta com o professor. A vantagem é debater, de forma específica, um determinado tema que, talvez, tenha sido abordado superficialmente em sala de aula", opina Jociclelma de Moraes, estudante do curso de Enfermagem da UFPA.

Os temas tratados nos videocursos e nas videoconferências correspondem, prioritariamente, às grades de referência do Hospital, tais como Infectologia, Pneumologia, Cardiologia, entre outras. Porém o núcleo da RUTE no HUJBB atende, também, sugestões dos participantes. "Nós não focávamos a saúde materna infantil, mas diante do grande número de solicitações, fizemos uma videoconferência com a professora Sônia Moreira, da Faculdade de Medicina. Foi a segunda videoconferência com maior frequência neste ano", exemplifica a professora Teresa Bordallo.

Fórum discute acidentes com animais peçonhentos A integração do Hospital Barros Barreto com a RUTE vai além dos videocursos e das videoconferências. Em 2010, o Hospital criou o seu primeiro Grupo de Interesse Especial (em inglês, "Special Interactive Group" – SIG), chamado "Acidentes com animais peçonhentos", coordenado por Pedro Pardal, médico infectologista e docente da UFPA . Os SIGs são fóruns de discussão de temas específicos, nos quais os profissionais de saúde das instituições pertencentes à RUTE montam uma agenda para debate e discussões de caso. Alguns grupos também realizam diagnósticos e aulas a distância.

UFPA faz diagnóstico em municípios paraenses

Yuri Rebêlo

Profissionais do SUS e estudantes podem participar Em 2010, o núcleo da RUTE no HUJBB realizou 20 videocursos, com 1.189 participantes, dos quais, 70% vieram do interior do Estado. Neste ano, 10 videocursos já foram realizados, direcionados, principalmente, a profissionais que atuam ou possuem interesse na área da atenção primária, a qual compõe a estrutura física básica de atendimento aos usuários do Sistema Único de Sáude (SUS). As atividades também são direcionadas aos discentes de todos os cursos da área de Saúde da UFPA e de outras instituições. "Com os videocursos, nós expandimos as dis-

Esporte e lazer na Região Norte

Atualmente, existem mais de 30 SIGs espalhados pelo Brasil, porém o SIG do HUJBB é o primeiro com o tema "Acidentes com animais peçonhentos" no País, tendo como parceiras as Universidades Federal Fluminense, Federal do Rio Grande do Sul e Federal de Campina Grande. "Os SIGs são parte da estratégia da RUTE em promover educação em saúde, mas, neste caso, não é uma atividade aberta a profissionais e estudantes. Os SIGs são espaços de conexão e trocas de informações entre as universidades que trabalham com um determinado tema, inspirando pesquisas, dissertações e teses. No

Hospital Barros Barreto, ainda temos a proposta de criação de outro SIG sobre Nutrição e Oncologia", explica a coordenadora Teresa Bordallo. Para o segundo semestre de 2011, estão planejados oito videocursos a partir de setembro, com os temas: Planejamento Familiar, Neoplasia de Estômago, Imunização da Criança, entre outros. "Eu acredito que o maior impacto dessas atividades, no âmbito da saúde, será o preparo dos profissionais. As unidades de atenção primária, por exemplo, são as primeiras a serem procuradas pelos pacientes, e os profissionais que lá trabalham devem saber, no mínimo,

os riscos que os pacientes apresentam em suas enfermidades para efetuar a orientação e o encaminhamento correto", conclui a coordenadora Teresa Bordallo. Envie sua sugestão O núcleo da RUTE no Hospital Universitário Barros Barreto aceita sugestões de temas para os videocursos e as videoconferências, as quais podem ser feitas pelos e-mails: rutehujbb@gmail.com, rute_hujbb@ hotmail.com, rute_hujbb@yahoo. com.br, e pelo blog www.rutehujbb. blogspot.com.

oje, todos reconhecem a importância que a atividade física tem em nossa vida. Os benefícios para a saúde incluem o bom funcionamento do corpo e a diminuição do risco de doenças. Além disso, a prática de exercício promove a socialização e o entretenimento. Mas será que a Região Norte está bem provida de projetos e políticas públicas que incentivem esse tipo de atividade? Esse é o questionamento principal da pesquisa "Diagnóstico do esporte e lazer na Região Norte brasileira: o existente e o necessário", coordenada pela Faculdade de Educação Física (FEF) da Universidade Federal do Pará (UFPA). O levantamento foi solicitado pela Secretaria Nacional do Esporte e Lazer do Ministério do Esporte, com a intenção de mapear projetos e políticas públicas de esporte e lazer na região. No Pará, a pesquisa foi desenvolvida pelo professor Paulo Lima, da UFPA, e pelo Grupo de Estudos e Pesquisa em Cultura Corporal, Educação, Arte e Lazer (LACOR). Os Estados do Amazonas e de Rondônia também participaram do levantamento com pesquisadores da Universidade Federal do Ama-

Alexandre Moraes

Diagnóstico, prevenção e tratamento

EM DIA Rádio A professora Luciana Miranda, Facom/UFPA, terá artigo publicado no livro Panorama do rádio no Brasil, o qual traça um inventário das emissoras de todas as 27 regiões metropolitanas no País. Organizado pela professora mineira Nair Prata, o livro será lançado durante o 34º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação.

Intercâmbio I

Academia ao ar livre é opção em alguns bairros da capital zonas (UFAM) e da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA-RO), respectivamente. No Pará e no Amazonas, a extensão territorial dificultou um diagnóstico completo, por isso os municípios foram escolhidos por amostragem de forma que representassem a diversidade cultural, étnica e regional. Em Rondônia, dois municípios foram analisados; no Amazonas, sete; e, no Pará, quatro (Belém, Santarém, Castanhal e Soure).

Nos municípios selecionados, as equipes entraram em contato com os órgãos públicos responsáveis pelo esporte, pelo lazer e pelo turismo. Os órgãos de turismo negaram, por documento, realizar qualquer tipo de ação que promovesse o lazer. "Talvez a nossa concepção de lazer não seja a mesma da de quem gerencia os órgãos de turismo. Nós respeitamos as informações, apesar de as nossas impressões nos levarem para outros caminhos", explica Paulo Lima.

O governo federal lançou o Programa Ciência sem Fronteiras, o qual oferece 100 mil bolsas de intercâmbio acadêmico para estudantes e pesquisadores brasileiros cursarem graduações e pós-graduações nas principais universidades do mundo.  A UFPA é uma das instituições de ensino superior beneficiadas pelo Programa.  

Intercâmbio II O Programa deve atender, inicialmente, áreas definidas como prioritárias, entre elas, Engenharias, Computação, Produção Agrícola, Ciências da Saúde e Biomédica, Tecnologia Aeroespacial, Energia e outras. Para obter mais informações sobre o Programa, escreva para cienciasemfronteiras@cnpq.br

Belém: apenas 8,2% da população é atendida

Concurso

A partir da identificação dos projetos existentes, os pesquisadores passaram a verificar as formas de acesso considerando: a relação espaço-tempo dos espaços, ou seja, em que locais o projeto acontece, com que frequência, se existem equipamentos sendo utilizados; se a inclusão social está sendo garantida; qual o público-alvo, se ele está sendo atingido e se há participação popular no planejamento, na execução e na avaliação das atividades "Neste caso, a acessibilidade não é simplesmente o fato de abrir as portas para que um grande número de pessoas participe, mas garantir o acesso das categorias

Estão abertas, até o dia 10 de outubro, as inscrições para a 4ª edição do concurso de monografias promovido pela Secretaria de Orçamento Federal do Ministério do Planejamento. Cada candidato poderá concorrer com apenas um trabalho sobre um dos seguintes temas: “Qualidade do Gasto” e “Novas Abordagens do Orçamento Público”. Além do prêmio em dinheiro, os três primeiros colocados também receberão certificado e terão a monografia publicada. Mais informações pelo e-mail: premiosof.df.esaf@fazenda.gov.br

socialmente excluídas, como a população de baixa renda e as sociedades quilombolas", explica o professor. Neste segundo momento, foi necessária uma estrutura física, proporcionada pelo Ministério do Esporte, além de 22 bolsas destinadas aos alunos de graduação da UFPA que participaram da pesquisa nos quatro municípios selecionados. Entre os resultados, alguns dados merecem atenção: no município de Belém, os projetos de esporte e lazer atendem 114 mil pessoas, apenas 8,2% do total de habitantes da capital, um número mínimo, levando-se em consideração a

importância de um trabalho como este. Em Castanhal, apenas 9,5 % da população é atendida, enquanto Santarém tem 11,9 % dos habitantes participando deste tipo de ação. Em Soure, 100% da população é atendida. Paulo Lima explica que "as ações de lazer em cidades turísticas ganham a participação significativa da população local e daqueles que estão visitando esses lugares". As atividades promovidas pelo governo do Estado atendem apenas 12% da população. Uma grande decepção, segundo Paulo Lima, considerando--se a vocação turística, a diversidade cultural e os recursos naturais.

Ferramentas de inclusão social são inadequadas Quanto ao público-alvo, percebeu-se que a maioria dos projetos visa atender crianças, adolescentes e idosos. Porém, se consideradas as atividades de caráter contínuo, como oficinas, escolinhas e vivências, a quantidade de atividades voltadas para idosos ainda é insuficiente diante das necessidades dessa faixa etária. Os dados coletados indicam que muitos projetos têm a intenção de promover a inclusão social. Entretanto as ferramentas utilizadas para isso são falhas. "Eu posso ter um futebol para homens e para mulheres, mas, se as regras do jogo não forem flexibilizadas em prol das características femininas, a dominância masculina

vai, naturalmente, excluí-las", explica o pesquisador. Quanto à participação popular, ela está relacionada à participação da atividade fim, sem relação com o planejamento, a execução e a avaliação. Na relação espaço-tempo, foi constatado que 40% dos projetos acontecem nos meses de férias escolares, quando a população está mais disponível para participar. Apenas 15% dos projetos informaram aproveitar os recursos naturais disponíveis no Estado. "Há uma tendência a se buscar práticas de lazer a partir da existência de equipamentos e espaços específicos", explica Paulo Lima. O estudo deixou claro que

existe uma grande dificuldade em conceber o lazer como uma ação mais ampla, envolvendo as atividades já praticadas pela população, as quais poderiam ser potencializadas com um caráter mais educativo, inclusivo e social. É evidente, também, a necessidade de ampliação dos projetos, para que uma quantidade maior de pessoas seja atendida. "Por um lado, se os projetos atendem diversas faixas etárias, por outro, nós temos uma clara dificuldade de atendimento aos grupos étnicos. Assim, o lazer será um direito social quando for entendido como uma necessidade humana e garantido para a comunidade de forma democrática", conclui Paulo Lima.

Tireoide A Pesquisa “Polimorfismo D727E no gene TSHR em pacientes com carcinoma bem diferenciado da Tireoide”, desenvolvida pelo médico e mestrando Alberto Mitsuyuki Kato, do Programa de Pós-Graduação em Genética e Biologia Molecular, foi premiada no XXIII Congresso Brasileiro de Genética Médica, realizado em Cuiabá. Sob orientação do professor Luiz Carlos Santana, o trabalho demonstrou que há relação entre a presença da mutação D727E e o câncer da tireoide, especialmente na forma benigna, denominada Bócio Nodular Coloide.

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BEIRA DO RIO – Universidade Federal do Pará – Setembro, 2011 –

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Educação

Escola é o espaço ideal para iniciar discussões sobre as diferenças

Projetos estão capacitando professores e eleborando material didático adequado sobre a diversidade étnico-racial e de gênero Alexandre Moraes

Professores são capacitados para atender novo currículo Ao final da capacitação, os professores inscritos irão elaborar materiais didáticos adequados para a discussão da diversidade em sala de aula. Um dos materiais já produzidos, o qual, posteriormente, será transformado em livro para distribuição nas escolas, traz personagens que direcionam os conteúdos apresentados a partir de suas trajetórias de vida, como o jovem indígena; a mulher negra chamada Ananse; a mulher esclarecida e Joana, uma personagem transexual. As ilustrações do material também estão relacionadas com a di-

versidade. O primeiro guia, relativo ao Módulo 1 do Projeto, é decorado com motivos indígenas que dizem respeito à pintura corporal dos povos que vivem no Pará. Outros guias serão decorados com motivos da cultura negra e também da cultura portuguesa, que é o maior contingente estrangeiro entre migrantes que se deslocaram para a Amazônia desde a colonização. "Vamos fazendo a fixação a partir da imagem gráfica e das discussões", afirma a professora Jane Beltrão. Outro polo da UFPA que trabalha a diversidade nas escolas é o

Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Formação de Professores e Relações Étnico-Raciais (Gera), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGED) e ao Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH). O Núcleo objetiva capacitar professores do ensino básico tendo em vista a Lei nº 9.394/96, buscando o aprofundamento do conhecimento sobre relações étnico-raciais na análise de questões relacionadas à formação educacional e cultural contemporânea a partir da realidade amazônica. Em 2003 e 2008, essa Lei

sofreu duas alterações: a primeira obrigava o ensino das histórias e culturas afro-brasileira e africana nas escolas do Brasil, e a segunda acrescentava à primeira alteração da obrigatoriedade do ensino da história e cultura indígenas. Com o novo formato do currículo educacional, o qual já deveria ter sido implantado no Brasil desde 2008, o Gera busca dar subsídios teóricos e metodológicos para que os professores de escolas públicas do Pará consigam implementar, de forma eficaz, a discussão sobre diversidade étnicoracial na sala de aula.

Dilermando Gadelha

O

Brasil é um país constituído por várias culturas, tanto a daqueles que estavam aqui quando da colonização - os povos indígenas - quanto a dos colonizadores europeus ou mesmo a dos povos que foram transplantados compulsoriamente, como alguns povos africanos. Mesmo a diversidade fazendo parte da história do País há mais de meio milênio, ainda hoje, é muito difícil conviver com ela. A criação de medidas públicas no intento de dirimir o preconceito, a discriminação por orientação sexual,

o racismo e vários outros "ismos" que impedem o estabelecimento de um Brasil plural não apenas na sua constituição, mas também no modo de viver e conviver em sociedade faz-se essencial. A audiência pública realizada pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) do Ministério Público Federal, em maio deste ano, em Brasília, é uma dessas medidas. A audiência tinha como objetivo analisar a eficácia de materiais educativos sobre diversidade sexual, criados para jovens e crianças, para uso nas escolas da rede pública. Os manuais foram analisados por especialistas convidados. Entre eles, estava a

professora Jane Beltrão, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFPA. "Quando os manuais (sobre diversidade sexual) vieram a público, o Ministério recebeu uma representação solicitando providências para impedir que eles chegassem às escolas. Aos especialistas, os membros do MPF perguntaram se aquele material era adequado ou não, se ele serviria para ser usado na escola. Então, basicamente, o que fizemos foi analisar o material e mostrar as dificuldades que eles apresentavam do ponto de vista da diversidade", explica Jane Beltrão. Segundo a professora, o resul-

tado dos pareceres, que estão disponíveis on-line na página do PDFC, foi unânime: "Todos nós concordamos que o lugar de se tratar a questão da diversidade é na escola!", afirma. Entretanto os materiais analisados - cinco ao todo - apresentavam algum tipo de dificuldade, como no caso dos manuais Menina esperta vive melhor e Menino esperto vive melhor, os quais tratavam apenas sobre os gêneros masculino e feminino, preterindo os gêneros não conformes (pessoas que possuem um sexo biológico, mas seu gênero não corresponde a esse sexo), reproduzindo a "ideologia da heterossexualidade compulsória", nas palavras da antropóloga.

Para tentar modificar a maneira como as discussões sobre diversidade são conduzidas nas escolas públicas do Pará, a professora Jane Beltrão em parceria com outros professores da UFPA realizam, desde 2010, o curso de capacitação Produção de Materiais Didáticos para a Diversidade, que acontece em modalidade a distância para quatro municípios do Estado: Belém, Cametá, Capanema e Parauapebas. O Projeto, subsidiado pelo Ministério da Educação (MEC), atinge cerca de 300 professores de escolas públicas de ensino básico desses municípios. Os professores se inscreveram por meio da Plataforma Freire e tiveram o direito de participar dos quatro módulos oferecidos. Entretanto, de acordo com a professora Jane Beltrão, bem mais de 300 pessoas tiveram acesso às atividades do curso, realizadas por meio da we-

bconferência e de alguns encontros presenciais. "Quando realizamos eventos presenciais, chamamos os estudantes do campus que está sendo atendido. Por exemplo, eu chamo meus alunos de graduação para eles aprenderem o que se discute. Então, temos no curso tanto as pessoas que estão inscritas na Plataforma quanto as que não estão", explica. Nos quatro módulos, são abordados vários temas, como diversidade, educação e gênero; etnocentrismo; relações étnico-raciais; cidadania e educação para o respeito às diferenças; sexualidade e raça; identidade e diversidade; para criar um panorama o mais completo possível das relações étnico-raciais e de gênero no Brasil. Também são realizadas ações relacionadas ao uso de linguagens diferenciadas para a discussão da diversidade, como o cinema, a mú-

sica e a internet. Um dos exemplos foi a discussão sobre produção de documentários em vídeo feita pela professora com o diretor de vídeo documentário Alan Guimarães. Durante o evento, os professores interessados em utilizar essa ferramenta em sala de aula aprenderam a produzir um vídeo de qualidade utilizando as ferramentas disponíveis, como celulares e máquinas fotográficas. "É essencial os professores se familiarizarem com essas novas linguagens, porque, hoje, é possível filmar com o celular e animar a aula. São recursos muito diferentes dos que existiam em gerações passadas. A ‘molecada’ está na internet e é preciso transplantar esse tipo de recurso para a sala de aula, porque se não existir em sala, o estudante vai buscá-la em outros lugares, portanto a escola é o lugar adequado", avalia a professora.

Alexandre Moraes

Discussão ganha reforço com uso de novas mídias

Profa. Jane Felipe Beltrão

Profa. Wilma Baía de pesquisa, ensino e extensão. As pesquisas realizadas no Núcleo são relacionadas à educação e às rela-

ções étnico-raciais na Amazônia. Um exemplo é a pesquisa nacional realizada em 2009, a qual verificou a implantação da Lei nº 9.394/96 na Região Norte. Os resultados não foram satisfatórios uma vez que a maior parte dos professores da região apresentou conhecimento superficial sobre a Lei. Os resultados do Norte eram cerca de 40% inferiores aos de outras regiões do Brasil, como o Sul, o Sudeste ou o Nordeste. Três experiências em três Estados da Região Norte apresentaram bons resultados, mas de maneira pontual. O Pará foi um deles, com uma escola no município de Ananindeua, as outras duas escolas ficavam no Tocantins e no Amapá. A tentativa de aumentar o conhecimento e a aplicação dessas leis nas escolas do Pará é o mote dos cursos ministrados pelo Núcleo a professores da rede pública de alguns municípios do Pará. Em

junho, a equipe do Gera, em missão de extensão vinculada ao Centro Interdisciplinar de Direitos Humanos, realizou a primeira atividade do evento Formação Étnico-Racial para o Brasil Plural para professores, funcionários e alunos da Escola Enedina Sampaio Melo, localizada em Igarapé-Miri, no nordeste paraense. A educação continuada também é um dos eixos norteadores do Núcleo, o qual trabalha de diferentes formas na contribuição para produções de monografias, dissertações e teses que possam servir de documento para a aplicação de mudanças na abordagem da diversidade nas escolas. Um desses cursos foi a Especialização em Relações Raciais para o Ensino Fundamental, oferecido pelo Gera, em 2010, a qual certificou 35 professores da rede pública de ensino de vários municípios paraenses.

Transformando experiências em obras de referência O livro Educação para a diversidade: olhares sobre a educação para as relações étnico-raciais , lançado em 2010, é o primeiro produto elaborado a partir do curso de especialização. A obra reúne artigos escritos pelos professores que atuaram no curso e alunos de mestrado e doutorado de vários campos disciplinares, como Direito, História, Educação e Antropologia, os quais abordam a diversidade a partir de sua área de atuação. As monografias produzidas pelos alunos deram origem ao livro Visibilidades e Desafios: estratégias pedagógicas para a abordagem da questão étnico-racial nas escolas . O livro foi lançado em maio deste ano. As duas obras podem ser adquiridas na sala do Gera, localizada no segundo andar do ICED.

Karol Khaled

Alunos do ensino básico serão beneficiados com resultados de projetos que envolvem professores da rede pública em todo o Estado

A diversidade, segundo a professora Wilma Baía, coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Formação de Professores e Relações Étnico-Raciais (Gera), não deve ser tratada a partir do senso comum, mas sim com um olhar crítico e conceitual. "Para trabalhar essa temática no espaço educacional, não é suficiente a boa vontade, não basta a indignação do professor ante o preconceito e a discriminação. Alguns equívocos recorrentes devem ser evitados, por exemplo, o de que a diversidade étnico-racial deve ser trabalhada exclusivamente por professores negros, pelo movimento negro e para alunos negros. Trata-se de uma questão de âmbito nacional, relacionada a toda a sociedade brasileira, por isso deve ser enfrentada pedagogicamente por meio de conhecimento teórico- -metodológico específico", explica a professora. O Gera é dividido em ações

Karol Khaled

"É preciso exercitar um olhar crítico e mais conceitual"

Obras reúnem artigos e projetos escritos por professores e alunos do curso de especialização


Beira 97  

Beira do Rio edição 97

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