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12 – BEIRA DO RIO – Universidade Federal do Pará – Junho/Julho, 2008

Entrevista

Professores e alunos com necessidades especiais enfrentam novos desafios

mácio ferreira

Coordenadora do Núcleo de Educação Especial do Curso de Pedagogia da UFPA, do campus de Marabá, a professora Hildete Pereira dos Anjos fala sobre o projeto de pesquisa “A experiência de inclusão dos alunos com necessidades especiais nas escolas públicas de Marabá (PA): primeiras avaliações”, que tem como objetivo analisar o discurso dos professores de atendimento especializado acerca da experiência da inclusão escolar dos alunos com necessidades educacionais especiais. Logo de início, ela esclarece que não se usa a expressão “portadores”, argumentando que a pessoa não é portadora de uma deficiência, “mas que sua condição faz parte de sua existência e da elaboração de sua identidade”. Por isso, ela utiliza o termo “necessidades educacionais especiais” para se referir às modificações e adaptações necessárias “nos espaços e fazeres educacionais” e utiliza “pessoa com deficiência”, afirmando que “a deficiência, culturalmente forjada, repercute sobre o bem-estar e o desenvolvimento saudável dessa pessoa”.

produzida, de fato, banaliza o tema e limita o enfrentamento dos processos de produção da deficiência. Posso ser uma deficiente tátil, mas essa limitação encontra muito menos obstáculos do que uma deficiência visual ou auditiva. Agora, por outro lado, reconhecer limitações em si mesmo pode ajudar a compreender o quanto organizamos nosso mundo e nossas atitudes com base em um modelo idealizado do ser humano. Isso ajuda em uma nova compreensão da deficiência.

Beira do Rio - Quais os pontos citacondições, para as novas aprendizados com freqüencia pelos professogens que elas proporcionam. Normalres a respeito dessa questão? mente, as reações de questionamento Hildete Pereira dos Anjos - Os prodos professores à forma como se tem fessores entrevistados oscilam, em feito a inclusão são lidas como um suas falas, entre a passividade, a insecomportamento preconceituoso e gurança e o enfrentamento dos conflireacionário; não é assim que nós as tos gerados pelo processo inclusivo. A interpretamos, e sim, como um compassividade baseia-se, geralmente, em portamento saudável, que coloca em uma crença de que essa clientela ainda cheque as condições em que as escolas pertence a um outro “ramo” da edutêm funcionado e não admite que se cação, a educação especial (historicafaça de conta que está havendo inclumente constituída como uma educação são apenas pela inserção dos alunos à parte), e, ainda que esteja inserida com deficiência na escola. A escola na escola, ainda é responsabilidade será tanto mais inclusiva, quanto mais do pessoal de atendimento especiaquestionadora for, porque permitirá lizado (considerado herdeiro daquela melhores condições de se forjar um tradição). A insegurança é compreencidadão crítico e participativo. Essa é sível, porque a presença desse novo uma necessidade muito especial neste sujeito no cotidiano da escola exige momento histórico. tanto um novo conhecimento técnico (Braile, Libras - Língua Brasileira de BR - A naturalização da deficiência Sinais - e uso de máquinas e softwaé de fato benéfica? Não há o risco de res) quanto uma reestruturação dos banalização do tema? modos tradicionais de fazer educação. Hildete - A naturalização da E os tempos da escola, ainda muito temática (que pode ser expressa na semelhantes aos da fábrica, não têm frase “somos todos deficientes”) sido modificados para não é nem um pouco que o professor tenha benéfica quando imcondições de investir na plica em desconsiderar própria formação. Alem a função da cultura na disso, o processo forprodução da deficiênmativo para a inclusão cia. Em cada cultura, é feito como acréscimo certas limitações são aos demais processos e interpretadas cultunão de forma transverralmente e elaboradas sal. Assim, há formação como deficiências, enpara a educação infantil, quanto que outras são alfabetização, para as traduzidas como qualidisciplinas específicas dades. Não precisar de “A presença desse e também para a incluninguém, por exemplo, são, mas a discussão pode ser tido, na culnovo sujeito no da inclusão ainda não capitalista como cotidiano da escola tura perpassa as demais foruma qualidade, sinal exige um novo mações. Apesar disso, de amadurecimento. percebe-se, em muitas Assim, naturalizar a conhecimento” falas, a disposição para deficiência, retirando-a o enfrentamento dessas do contexto em que é

BR - Qual o sentimento descrito pelos professores entrevistados diante do aluno portador de necessidade especial? A faculdade prepara o profissional para esse tipo de situação? Hildete - Há tanto o sentimento de impotência, o medo de cometer erros graves, o pânico diante da situação nova, quanto o desejo de aprendizagem e o encantamento diante desses seres que, há bem pouco tempo, estavam escondidos das vistas da maioria. Claro que boa parte desse encantamento tem a ver com uma baixa expectativa prévia, herdada de nossa cultura. Parece fascinante ver que pesBR – Como devem soas cegas ou surdas, agir os profissionais na aprendem, participam, sala de aula? discutem, enfim, atuHildete - Naturalam como qualquer “A discussão da mente. É para isso que pessoa.O medo tem eles estão lá. O que a inclusão ainda relação com o sentipessoa com deficiênmento de despreparo. cia busca na escola é não perpassa Existe muito a queixa educação, como todo de que a universidade mundo. A maneira como as demais não os preparou para as escolas têm feito isso formações” essa situação. Mal sacria obstáculos à aprenbem eles que a univerdizagem de quem não sidade sequer preparou ouve, não vê (ou ouve a si mesma. Eu tenho e/ou vê mal), não pode alguns questionamentos à noção de se expressar oralmente, não pode se preparação como uma tarefa teórica, deslocar com agilidade. O trabalho do desagarrada das situações reais. Hoje, atendimento especializado é reduzir colocados diante da reivindicação desesses obstáculos, atuando não apenas sas pessoas de participar da educação, junto à criança deficiente, mas também em todos os seus níveis, nós tentamos ao professor e aos demais alunos. nos incluir na tarefa de modificação Considera-se aqui que o professor do modo como sempre atuamos. Tentambém aprende, e não apenas os alutamos perceber nele fatores que pronos; aprende com a presença do aluno duzem mais exclusão e enfrentar esses deficiente na medida em que se junta fatores. Mas não vejo como faríamos ao pessoal especializado (que também isso sem a presença concreta, entre são professores, na maior parte dos nós, das pessoas cegas e com baixa casos) para criar melhores condições visão, dos cadeirantes, dos surdos, nos de aprendizagem.

orientando e nos questionando, além de serem orientadas e questionadas por nós. BR – O que os professores declaram ser da competência deles no que diz respeito à inclusão do aluno portador de necessidades especiais? Hildete - A questão das competências é ainda bastante polêmica porque, como disse anteriormente, há toda uma herança cultural que remete à deficiência a um gueto, o do atendimento especializado. Assim, dá um certo conforto pensar que há um profissional que não tem as mesmas dúvidas e medos que nós, que lida há mais tempo com essa clientela. Por isso, boa parte das tarefas da inclusão ainda é remetida ao atendimento especializado, às vezes até tarefas cotidianas, como a discussão da disciplina (quando o indisciplinado é o aluno com deficiência). Pela mesma razão, não se espera que esse profissional possa ter uma participação nas tarefas que tradicionalmente têm sido dos demais profissionais da escola regular (nas discussões gerais do projeto pedagógico da escola, por exemplo).

Segurança Alimentar

Pesquisa avalia restaurantes self service Unidades localizadas no centro de Belém são analisadas em monografia da Faculdade de Engenharia de Alimentos. Pág. 11

Infidelidade

Políticos migram pela reeleição

Pág. 9

Demarcação das terras indígenas ainda é o principal desafio

Religiosidade

Cidadania

Carismáticos são tema de livro

O psicólogo Mauricio Rodrigues de Souza analisa os mistérios da Renovação Carismática Católica (RCC) em Belém. Pág. 3

Avaliação

Deavi quer sensibilizar comunidade

Pág. 4

Coluna do Reitor

Programa Multicampi Social é lançado em Breves O Programa capacita e assessora atores sociais, com a participação de estudantes e professores dos campi

da UFPA, para a execução de políticas públicas de assistência social, educação e saúde. Pág 5

Alex Fiúza de Mello escreve sobre a internacionalização da UFPA. Pág. 2

Opinião Heliana Baía Evelin trata do envelhecimento em uma sociedade preconceituosa. Pág. 2

Entrevista A professora Hildete Pereira dos Anjos avalia a inclusão de alunos com necessidades especiais em Marabá. Pág. 12 Estudantes de Medicina orientam sobre doenças contagiosas

mácio ferreira

Hildete dos Anjos: “A escola será tanto mais inclusiva, quanto mais questionadora for”

Nas duas últimas décadas, a questão das terras indígenas continua gerando discussões, mas agora associada à questão ambiental, aos recursos hídricos e às mudanças climáticas. Vinte anos após a promulgação da Constituição-cidadã, o jornal Beira do Rio ouviu a professora e pesquisadora Eneida Assis, diretora adjunta da Faculdade de Ciências Sociais, sobre os avanços introduzidos pela Carta Magna de 1988, em relação aos povos indígenas. Págs. 6 e 7

mácio ferreira

Tamiles Costa

Índios ainda lutam por direitos fotos mácio ferreira

Realizada no Campus de Marabá, pesquisa mostra a interação nas salas de aula de escolas comuns

JORNAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ • ANO VI • No 62 • JUNHO/JULHO, 2008


Coluna do REITOR Alex Fiúza de Mello

reitor@ufpa.br

A Internacionalização da UFPA

m dos desafios do século XXI, para estados e nações, será uma nova e inexorável onda de migração entre os povos, tornando o planeta cada vez mais mestiço. Mestiçagem de hábitos, de línguas, de tradições e de mentalidades. A novidade em relação aos dois últimos séculos será o grau e a intensidade com que esse fenômeno manifestar-se-á, considerada a rapidez das mudanças em curso e seus efeitos no quotidiano das populações. Favorecida e impulsionada pelo avanço das tecnologias de informação, de comunicação e de transporte de última geração, sob a égide da interpenetração contínua e progressiva dos mercados, a circulação das elites, das camadas altas e médias e de profissionais e trabalhadores especializados das várias nações impor-se-á como dinâmica social transfronteiras, consubstanciando, para além das singularidades de cada local (que permanecerão), uma verdadeira mundialização da cultura. O conceito para todo esse processo histórico está sintetizado naquele de globalização. A idéia repousa na constatação de que o mundo se torna, pela primeira vez, efetivamente mundo, no sentido empírico-concreto. Uma verdadeira sociedade global, com suas contradições e desigualdades, trajetórias

e heranças culturais distintas, mas absolutamente – não obstante todas as diferenças – interdependente, interativa, sistêmica; carente, em conseqüência, de novos parâmetros de justiça (direitos humanos), de política (estado e espaço público) e de consciência (moral e ética). É nesse quadro que se anuncia – apesar das tensões e antagonismos – a possibilidade da realização da utopia universitas. Uma visão de mundo fundada na construção do ideal de gênero humano (em contraposição ao essencialismo artificial dos nacionalismos), de universalidade do conhecimento e dos valores de sociabilidade (em contraposição aos fundamentalismos de toda ordem), capaz de conduzir os povos a se perceberam, al di là de se stessi, partes de um todo, elementos de um único conjunto, passageiros de uma mesma nau – e com um destino comum. A busca do “universalismo universal” – parafraseando I. Wallerstein – sempre modulou a idéia de universidade, do medievo à modernidade. E será essa utopia que permitirá à academia contemporânea, uma vez e definitivamente internacionalizada, de resgatar o seu sentido teleológico e a sua função histórica na moldura do novo milênio. Para se situar no novo tempo planetário, a UFPA precisa construir, com critério, seriedade e organici-

dade, políticas sustentáveis e permanentes de cooperação acadêmica com outras instituições do continente e do exterior, em vista de sua efetiva internacionalização. Promover a circulação de professores, pesquisadores e estudantes de outros países em seu meio (e vice-versa), criando em seu cotidiano um necessário cosmopolitismo que a projete e a insira no mundo, dando-lhe referência institucional. Fomentar uma nova cultura acadêmica, menos doméstica e mais aberta ao universal, que modele as mentes e os corações de seus atores, conferindolhes uma consciência mais realista e crítica das tendências e possibilidades do devir civilizatório. Não haverá futuro para a Amazônia sem uma internacionalização inteligente e soberana de sua dinâmica social, em suas múltiplas dimensões culturais, estrategicamente promovida por seus governos e instituições. Mas isso só será possível, com efeitos positivos, se houver, como lastro de toda ação e iniciativa, a aplicação do conhecimento. A única promoção possível para a Amazônia, no século global, como a sua defesa, supõe a acumulação do conhecimento, em todos os campos do saber, e sua difusão pela sociedade. Cabe às instituições universitárias regionais, com o apoio dos governos e da sociedade civil, a lide-

rança dessa engenharia política. E a UFPA, nesse contexto, consciente de seu papel e importância, deve servir de exemplo e referência a todo esse intransferível projeto de resgate de nossa cidadania mundial. A re-fundação e reestruturação da Assessoria de Relações Internacionais – ARNI, com a expansão das Casas de Estudos e a constituição de equipes qualificadas para a tarefa da cooperação internacional; a expansão e dinamização dos convênios de cooperação com instituições estrangeiras; a criação das Cátedras Internacionais para cooperação acadêmica; assim como a construção de um Auditório de mil lugares (com tecnologias modernas de comunicação), para abrigar grandes eventos acadêmicos, incluídos os internacionais, todas essas iniciativas compõem um conjunto de medidas que expressam apenas o embrião de um longo e necessário trabalho de institucionalização de nossos mecanismos de internacionalização estratégica, condição de nossa permanente qualificação acadêmica, atual e futura. Sim, para ser uma universidade do futuro, a UFPA, aos cinqüenta anos, precisa ser uma universidade do mundo. E demonstrar que ser da Amazônia, nesse cenário planetário, pode ter, também, as suas vantagens comparativas.

OPINIÃO

Heliana Baía Evelin • Assistente Social / Professora do ICSA-UFPA

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o tratarem de temas que podem trazer constrangimentos individuais ou coletivos, os ditos populares servem ao processo de negação/acomodação. Deste modo, para se aceitar um preto, dizse que ele tem a alma branca; para conviver com alguém que não se enquadra nos padrões de beleza de dada sociedade, diz-se que por fora é feio, mas bonito por dentro. Assim, ao considerar que envelhecer é algo negativo, toma-se como positivo o ser velho de espírito jovem. Ou seja, usa-se a alma e o espírito para atenuar uma realidade representada como negativa. Ao fazê-lo, muitas vezes com o aval de especialistas, deixa-se de refletir que se faz o jogo de uma sociedade preconceituosa com relação a negros, índios, mestiços, homossexuais, pobres, gordos, baixos, aleijados, velhos, etc. - uma sociedade que gosta de inventar discursos ‘politicamente corretos’,

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ Rua Augusto Corrêa no 1 - Belém/PA beiradorio@ufpa.br - www.ufpa.br Tel: (91) 3201-7577

Velho de Espírito Jovem que acabam sendo absorvidos pelos necessitados de integração ao mundo dos “normais”. Salvo situações pontuais, crianças e jovens não são nominados por nenhum outro termo. Aos velhos destina-se uma série de termos que teve início com a terceira idade e hoje já há quem use a melhor idade. A unidade entre corpo e alma pensadas desde as primeiras construções filosóficas é negada em sociedades onde a matéria predomina. Muitas vezes, o Estado e a sociedade civil separam a alma e o espírito do corpo visível para amenizar debilidades reais ou representadas como tal. Estimulados por profissionais e familiares, velhos e velhas ao repetirem que têm espírito jovem desconstroem as suas identidades, eliminam algumas décadas de suas vidas. Platão aconselhava os indivíduos a não moverem a alma sem o corpo nem o corpo sem a alma, a fim

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Segurança Alimentar

de que, defendendo-se mutuamente, conservassem seu equilíbrio e sua saúde. Aristóteles acrescentou uma terceira categoria nesta relação: o espírito. Nessa concepção, o espírito outorgaria sentido à realidade, seria responsável pelo pensamento, pela vontade e por toda atividade inteligente, formadora e criadora. A alma estaria vinculada aos sentimentos, à vida afetiva Ser velho de espírito jovem significa não reconhecer-se na unicidade corpo, alma e espírito. O discurso da eterna juventude orienta-se pela idéia de que o pensamento, a sensibilidade e a criatividade são atributos de espíritos jovens. As ações destinadas às pessoas idosas precisam discutir o significado do envelhecer e da qualidade de vida na unicidade corpo e alma e espírito, contribuindo para a alteração de idéias vinculadas mais aos mitos do que à realidade.

Ter o corpo velho com o espírito e a alma que o acompanha desde o início da vida é indicativo necessário para o reconhecimento do princípio de identidade, no sentido concebido por Spinoza de que psiquismo e organismo não são duas substâncias diferentes, são atributos de uma única substância real, ou seja, a mente só conhece a si mesma enquanto percebe a idéia do corpo. Sem furtar-se em fazer uso das tecnologias oferecidas pela ciência para aumentar a capacidade de funcionamento bio-psico-social, os homens velhos e as mulheres velhas, que se admitem como tal, sabem o quanto é importante, bom e saudável ter ciência e consciência das alegrias e tristezas, das lutas, dos desafios, dos êxitos e fracassos durante a construção da própria história de vida, da participação positiva ou negativa na história de vida de outras pessoas e na história da sociedade.

Reitor: Alex Bolonha Fiúza de Mello; Vice-Reitora: Regina Fátima Feio Barroso; Pró-Reitora de Administração: Simone Baía; Pró-Reitor de Planejamento: Sinfrônio Brito Moraes; Pró-Reitor de Ensino de Graduação: Licurgo Peixoto de Brito; Pró-Reitora de Extensão: Ney Cristina Monteiro de Oliveira; Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-graduação: Roberto Dall´Agnol; Pró-Reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoal: Sibele Bitar Caetano; Prefeito do Campus: Luiz Otávio Mota Pereira. Assessoria de Comunicação Institucional JORNAL BEIRA DO RIO Coordenação: Luciana Miranda Costa; Edição: Raimundo Sena; Reportagem: Ericka Pinto/Walter Pinto/Ana Cristina Trindade; Fotografia: Mácio Ferreira/Manoel Neto; Texto: Hellen Pacheco/Tamiles Costa/ Alinic do Carmo/Shamara Fragoso; Comunicação Institucional: Lorena Filgueiras; Secretaria: Elvislley Chaves/Gleison Furtado/ João Luiz de Freitas; Beira on-line: Leandro Machado; Revisão: Marcelo Brasil (Editora Ufpa)/Glaciane Serrão (Ascom); Arte e Diagramação: Omar Fonseca; Impressão: Gráfica UFPA.

Os problemas detectados na hora do preparo dos alimentos foram alvo de estudo de conclusão de curso na Faculdade de Engenharia de Alimentos da UFPA

Pesquisa avalia restaurantes self service

Estudo analisou as condições higiênico-sanitárias de cinco estabelecimentos de Belém Mácio Ferreira

Cristina Trindade

n Falhas no preparo dos alimentos

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inco restaurantes do tipo self service, localizados no centro de Belém, foram alvo de estudo para o desenvolvimento de uma monografia de conclusão de curso na Faculdade de Engenharia de Alimentos da UFPA. O trabalho “Avaliação das condições higiênico-sanitárias de cinco restaurantes da cidade de Belém” foi desenvolvido no segundo semestre de 2007 pela engenheira Luciene Lopes Martins. No período de agosto a novembro, ela visitou essas unidades de alimentação e nutrição, e fez a aplicação da Ficha de Verificação das Boas Práticas para Serviços de Alimentação, recurso previsto na Resolução nº 216, de abril de 2004, do Ministério da Saúde, para verificar a implantação de boas práticas nos restaurantes. Os estabelecimentos visitados são todos localizados no centro da cidade, alguns em área nobre, aparentemente de alta qualidade e que recebem diariamente um público expressivo com bom poder aquisitivo. Itens como as edificações, instalações, móveis e utensílios foram observados, assim como todas as fases do preparo dos alimentos desde a aquisição da matéria-prima, armazenamento, manipulação e exposição para consumo. “Obtivemos a autorização da Vigilância Sanitária para garantir o acesso a esses locais. Mas o trabalho não teve um caráter de inspeção para averiguar irregularidades e, sim, de detectar o percentual de conformidades exigido pela Legislação”, explica Luciene Martins. Os estabelecimentos visitados, por se encontrarem no centro da cidade, contam com boa estrutura de serviços básicos, como abastecimento de água, rede de esgoto e coleta de lixo. Mas a maioria apresenta inadequações no que se refere às instalações e edificações. “São prédios que foram adaptados para funcionar como unidade de alimentação e não possuem áreas individuais para cada tipo de atividade relacionada ao preparo do alimento. Em um deles, a entrada e saída de alimentos, clientes e lixo é a mesma, contrariando a Legislação da

Luciene Lopes Martins fez a pesquisa Vigilância Sanitária em vigor. Outros não possuem câmaras de refrigeração e congelamento, utilizando geladeiras e freezer para armazenar alimentos, comprometendo a conservação. Inclusive neste item, a temperatura de congelamento estava acima dos -18ºC estipulado pela Legislação, em todos os estabelecimentos”, exemplifica Luciene Martins.

De acordo com os especialistas, o alimento para estar isento de qualquer tipo de contaminação, deve ser monitorado em todas as etapas de seu processamento, desde a aquisição da matéria-prima até o preparo e obtenção do produto final. Quando as condições não são obedecidas, a saúde do consumidor pode estar em risco. As estatísticas mostram que os surtos de toxinfecções causados pelo consumo de produtos de origem animal e vegetal crus ou processados ocupam lugar de destaque entre as doenças veiculadas por alimentos. “Os produtos adquiridos para o preparo de alimentos, assim como os equipamentos, foram considerados bons de uma maneira geral. Os manipuladores também se apresentam de acordo com as normas. Mas adquirir gêneros de primeira qualidade e ter bons equipamentos não é tudo, porque os problemas foram detectados na hora do preparo dos alimentos, etapa na qual todos os estabelecimentos apresentaram falhas”, revela a doutora em Alimentos, Lúcia Lourenço,

Lucia Lourenço e Consuelo Lima ficaram chocadas com os resultados obtidos pela pesquisa que elas orientaram Mácio Ferreira

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BEIRA DO RIO – Universidade Federal do Pará – Junho/Julho, 2008 –

fotos arquivo do editor

LURDINHA RODRIGUES

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orientadora do trabalho. O estudo de Luciene não procurou somente mostrar as não conformidades dos estabelecimentos. A cada visita realizada, a engenheira elaborava um plano de ação corretiva, que foi entregue a cada proprietário ou responsável pelo estabelecimento para que fossem implementadas as boas práticas de fabricação de alimentos em acordo com a legislação vigente. Todo o estudo teve o aval da vigilância sanitária, que inclusive teve um técnico como membro da banca examinadora. “O consumidor, muitas vezes, se preocupa com a área externa e com a estética do ambiente. Mas o que se espera de um estabelecimento de alimentação é que ele tenha, no geral, 70% de bom atendimento em todos os itens. Dos cinco restaurantes monitorados, apenas um atingiu esse percentual”, afirma a professora Consuelo Lúcia Sousa de Lima, mestra em Microbiologia que atuou como co-orientadora do trabalho. A equipe envolvida no estudo decidiu pela não identificação dos estabelecimentos visitados, já que os objetivos não tinham caráter de autuação e nem punitivo, mas optou por encaminhar os resultados obtidos à Chefia da Vigilância Sanitária/Devisa/Sesma e ao Ministério Público para que seja verificado se as ações corretivas sugeridas estão sendo feitas.“Não podemos atuar como órgão de fiscalização, mas temos o dever de denunciar porque a questão é muito grave. Esses restaurantes têm um alto índice de freqüên­ cia e devem oferecer um serviço compatível com os preços cobrados que também são altos”, diz Lucia Lourenço.


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BEIRA DO RIO – Universidade Federal do Pará – Junho/Julho, 2008 –

Edufpa lança livro em evento internacional

Mostra do Livro Universitário da América Latina e do Caribe em Educação Superior e “Educação Profissional no Pará”, organizados por Ronaldo Marcos de Lima Araújo. Na oportunidade será lançado o livro “20 anos de desenvolvimento da Educação Superior na Amazônia. Uma contribuição para a Conferência Regional de Educação Superior – IESALC/Unesco”, organizado pelo professor Luiz E. Aragon. A publicação é trilíngüe: inglês, espanhol e português. A introdução, de autoria do professor Luiz Aragon, intitula-se “A Conferência Internacional Cooperação Amazônica e Educação Superior para um desenvolvimento Humano Sustentável”, e a da professora Ana Lúcia Gazzola, “Transformaciones Sociales e Desafios Universitarios en América Latina y el Caribe”.

Laïs Zumero

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Rituais apresentam semelhanças com os cultos evangélicos Psicólogo revela em livro identidades religiosas na Amazônia mÁcio ferreira

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Rua Augusto Corrêa, nº1, Campus Universitário do Guamá Telefax (91) 3201-7965 Fone (91) 3201-7911 Livraria da Praça: Instituto de Ciências da Arte da UFPA. Praça da República s/n Fone (91) 3241-8369

Mauricio de Souza lançou o livro no mês de abril

n Apesar das riquezas, Amazônia continua periférica ter Apolo, Nívea Luzuriaga e Carlos Valarezo; “The Development of Higher Education in Guyana: The Hole of UNAMAZ”, de Paulette Bynoe, Deryck Bernard; “Desarrollo de la Educación Superior en la Amazonía Peruana Durante Los Ultimos 20 Años”, de Jorge Eduardo Villafuerte Recharte; “Amazonian Cooperation and Higher Education for a Sustenaible Human Development: A Perspective of Suriname” de Allan Li Fo Sjoe, Margo Illes, Radjiskumar Mohan; “Educación Superior y Retos para el Desarrollo Sostenible de la Amazonía Venezolana”, de Nancy Acosta, Guyana Páez-Acosta. A partir dos vários diagnósticos, advieram recomendações para o fortalecimento da cooperação e integração amazônica, e contribuições para a conferência regional da Unesco para a América Latina e o Caribe. Conhecendo-se a capacidade científica e acadêmica da região, há possibilidades de mudanças significativas que elevem o patamar do desenvolvimento regional.

Vieira. n A Palavra Divina na Surdez do Rio Babel: A Amazônia de Vieira - em Cartas e Papéis. Lançamento dia 5.6.2008, às 18h, na

modos de atuação dos grupos considerados bastante influentes em Belém - e as semelhanças e diferenças entre carismáticos e evangélicos, além, da discussão sobre a constituição do sujeito pela via do ideal religioso, são também temas presentes na publicação. “A identidade religiosa na Amazônia tem muito a ver com o culto a Maria. Mas, assim como o evangélico, o católico carismático também enfatiza o dom do Espírito Santo, porém relacionando-o com Maria. E essa peculiaridade contraditória compõe a identidade religiosa do católico carismático paraense. Há capítulos nos quais discuto bastante a atuação dessas pessoas e a relação com a instituição Igreja, além das diferenças e proximidades com os grupos evangélicos e de outras propostas religiosas”, explica Mauricio.

n Obediência e aproximação de Deus

n Padre Marcelo Rossi lidera movimento

Um membro da Renovação Carismática se define tomando como referência outros movimentos religiosos, por admiração ou rechaço. Segundo o autor, o movimento está alicerçado em três vertentes: alegria, obediência e proximidade com Deus. Mauricio de Souza realizou análises em cima dessas características para definir o “ser carismático”, destacando, entre outros pontos, as proximidades com os cultos evangélicos e a obediência à cúpula da Igreja Católica. “O dom do carisma, se considerado o conceito weberiano

O Movimento Carismático foi criado em 1967, nos Estados Unidos, por um grupo de professores e estudantes universitários católicos durante um retiro espiritual. Na década de 70, chegou a São Paulo e depois em outras cidades brasileiras, dentre elas, Belém. Embora sem um apoio irrestrito da Igreja Católica, ganhou força e adeptos, particularmente em meados dos anos 90, sob a influência do padre Marcelo Rossi, grande divulgador da RCC em suas “missas-show”, em que ficaram visíveis as semelhanças com os cultos evangélicos. Estima-se que a RCC reúna aproximadamente 20

de atributo pessoal, significa uma ameaça à Igreja Católica enquanto intermediária com a divindade. Eu levanto e analiso essa noção de obediência porque o leigo tem um papel muito importante na RCC, seja na condução das reuniões, seja nos trabalhos das pastorais. O que poderia parecer um trabalho espontâneo e independente, na realidade, tem vínculos fortes com a Igreja, que mantém o movimento atrelado aos seus princípios, inclusive porque se tem conhecimento de grupos carismáticos que acabaram virando grupos evangélicos”, ressalta.

milhões de adeptos no mundo todo. Os encontros de oração promovidos pela RCC são marcados por um ritual de coreografia e expressões corporais, com ênfase na figura do Espírito Santo. Os cânticos levam os fiéis a um estado de catarse muito semelhante ao que ocorre em um culto evangélico para louvar os dons do Espírito Santo. “Na chamada Missa da Cura (ou Missa da Renovação Carismática), encontro realizado toda primeira sexta-feira de cada mês, isso pode ser constatado. Também nos testemunhos pessoais de graças alcançadas pela fé no Espírito Santo”, relata Mauricio.

A Conferência Regional de Educação Superior acontecerá em Cartagena Assim se apresenta a segunda parte do livro, intitulada Síntese e Recomendações, que contempla o produto da reflexão voltada para o desenvolvimento sustentado da região como um todo, privilegiando a educação como alicerce necessário e

PRÓXIMOS LANÇAMENTOS n Breviarium - para refletir com Pe. António

Renovação Carismática Católica (RCC) em Belém é a abordagem do livro “A Igreja em movimento: catolicismo carismático e identidades religiosas na Amazônia”, que o psicólogo e professor do IFCH (Instituto de Filosofia e Ciências Humanas) Mauricio Rodrigues de Souza lançou no mês de abril. A publicação, considerada pioneira sob a ótica da antropologia social, reúne anos de estudos, que começaram com um projeto de iniciação científica sobre a relação entre o crescimento da renovação carismática e o culto mariano. Os dados obtidos foram, posteriormente, trabalhados para compor a dissertação de mestrado defendida no Programa de Pósgraduação em Ciências Sociais, sob a orientação do antropólogo

Heraldo Maués, estudioso da temática religiosa e que assina o prefácio da publicação. O estudo de Mauricio Souza concentrou-se em dois grupos carismáticos de grande visibilidade em Belém, vinculados às paróquias dos bairros de Nazaré e de Fátima. Os grupos Amigos de Jesus (Fátima) e Glória ao Senhor (Nazaré) foram observados durante aproximadamente três anos pelo psicólogo, que freqüentou as reuniões e entrevistou coordenadores e participantes leigos, além de sacerdotes. Os aspectos históricos da Renovação Carismática Católica, desde a criação nos Estados Unidos da América (EUA) até a sua chegada no Brasil e em Belém, também são abordados no livro. A inserção do autor nos grupos para o desenvolvimento da pesquisa, a descrição dos rituais e encontros, as análises dos

Livraria da Praça (prédio do ICA - ao lado do Teatro Waldemar Henrique).

n Urgências em Endocrinologia e

Metabolismo: Diagnóstico e Tratamento na Criança, no Adulto e na Gestante.

imprescindível para o progresso da América Latina e do Caribe. Mais de três mil representantes da região participarão do evento, cônscios de sua importância como geradores do conhecimento que têm a missão de disseminá-los além das fronteiras nacionais. É mais um estímulo à leitura, à educação num processo indissolúvel com o desenvolvimento da região. A mostra ocorrerá em junho próximo. A Edufpa destaca-se no cenário literário científico editorial ao lançar uma publicação deste porte, em evento internacional, vitrine para o Mercosul.

arquivo do editor

O livro se desenvolve em duas partes distintas: da primeira constam os documentos básicos – diagnóstico do desenvolvimento da educação superior em cada uma das Amazônias Nacionais. A Amazônia, hoje, é o centro das atenções do mundo, seja pelos abundantes recursos naturais, biodiversidade, água, floresta, seja pelo papel determinante no equilíbrio climático da terra, mas, a despeito de toda esta riqueza, permanece periférica – e este é o desafio: o desenvolvimento sustentado por meio da participação da educação superior. Compõem esta primeira parte os artigos: “Educación Superior en la Amazonía Boliviana”, de Aura Tereza Barba L. e Mairício Peña Davidson; “Cooperação Interuniversitária Amazônica no Brasil: Premências, Carências e Urgências”, de Walterlina Brasil; “Educación Superior e Investigación y el Desarrollo Sostenible de la Amazonía Colombiana”, de Fernando Franco; “Desarrollo de la Educación Superior en la Amazonía Ecuatoriana”, de Max Gonzáles, Wal-

Fiéis louvam o Espírito Santo e dão testemunho de graças alcançadas

Cristina Trindade

Livraria do Campus

Organizado por Luiz Aragon, o livro foi editado em inglês, espanhol e português

arquivo do editor

Movimento Carismático

Paixão de LER

Editora da Universidade Federal do Pará/Edufpa participará, no estande da ABEU, da Mostra do Livro Universitário da América Latina e do Caribe em Educação Superior, em Cartagena de Índias, na Colômbia. Trata-se de um evento promovido pela Unesco, Ministério da Educação da Colômbia, Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e Caribe e pela Associação das Editoras Universitárias da América Latina e Caribe – Eulac, que teve a Edufpa como uma de suas fundadoras. O evento científico reunirá as obras mais representativas das instituições participantes, o que representa uma excelente oportunidade para exibir as produções editoriais, intercambiar experiências e disponibilizar os títulos mais significativos ao mercado latino-americano. Dentre os livros da Edufpa, estarão expostos para comercialização, os seguintes títulos: “Para Construir uma Universidade na Amazônia – Realidade e Utopia”, de Alex Fiúza de Mello; “José Veríssimo – Raça, Cultura e Educação”, organizado por Sônia Maria da Silva Araújo; “Pesquisa e Educação no Pará”; “Educação, Ciência e Desenvolvimento Social”

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n SERVIÇO

Na Missa da Cura, os cânticos levam os fiéis a um estado de catarse muito semelhante ao de um culto evangélico

O livro “A Igreja em Movimento: catolicismo carismático e identidades religiosas na Amazônia” pode ser adquirido na Secretaria do Mestrado em Psicologia Clínica e Social do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UFPA – Cidade Universitária Prof. José da Silveira Netto” – e nas bancas e livrarias.


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BEIRA DO RIO – Universidade Federal do Pará – Junho/Julho, 2008 –

Universidade

Partidos

Deavi busca implantar cultura de avaliação S

ensibilizar a comunidade universitária para a construção conjunta de uma cultura de avaliação institucional cíclica e permanente tem sido a meta do Departamento de Avaliação Institucional (Deavi) da Universidade Federal do Pará. A unidade coordena e executa a política de avaliação interna da instituição, definindo critérios técnicos a serem adotados nas ações de auto-avaliação. O trabalho consiste na apresentação do Programa de Avaliação Institucional junto às unidades e vem sendo desenvolvido em parceria com a Comissão Própria de Avaliação (CPA), designada para atender as exigências da Lei nº 10.861, de 14 de abril de 2004, que instituiu o Sistema Nacional de Avaliação da Educação

Superior (Sinaes). “Quando foram estabelecidos os novos parâmetros de avaliação pelo MEC, a UFPA iniciou um processo de reestruturação e ampliação de suas ações de avaliação. O que era uma Assessoria de Avaliação virou um Departamento, mas muito antes do Sinaes, no nosso Plano de Desenvolvimento Institucional, aprovado em 2002, já havia esse compromisso de se criar uma Secretaria de Avaliação para priorizar esta ação”, explica Sandra Carvalho, coordenadora do Deavi. O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) estabelece três componentes de avaliação aplicados em momentos diferentes: a avaliação das IFES (Instituições Federais de Ensino Superior) que se desenvolve por meio da auto-avaliação e da avaliação externa, a avaliação dos cursos de

Políticos migram para garantir reeleição fotos mácio ferreira

Meta do Departamento de Avaliação Institucional é tornar o processo permanente e sistemático Cristina Trindade

Sandra Carvalho: “A CPA procedeu uma revisão do Programa" graduação e o exame nacional de desempenho do estudante. É a partir desses componentes que é traçado o perfil institucional. A Lei dos Sinaes exige que toda instituição de ensino superior constitua uma Comissão Própria de Avaliação (CPA) para condução do processo avaliativo interno. A atual Comissão de Avaliação da UFPA foi criada em maio de 2007 e teve seu regimento aprovado pelo Conselho Universitário. Desde então, vem compartilhando as ações com o Deavi. À comissão compete definir as políticas e diretrizes de avaliação e sistematizar a prestação de informações para o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep). A equipe é formada por servidores técnico-administrativos, professores, estudantes e membros da sociedade civil organizada.

n Estudantes devem se envolver nas ações “Fizemos uma revisão do programa de avaliação existente, incorporando algumas experiências, como o Programa de avaliação da graduação desenvolvido pela Proeg. Detalhamos, desde então, a metodologia de execução das ações de autoavaliação institucional. A versão final do Programa de Auto-avaliação já está no site da UFPA e pode ser acessado por todos. O próximo passo é clarear os objetivos junto à comunidade para obter o engajamento. Vamos também

aplicar formulários de pesquisa para levantamento de informações”, ressalta Sandra Cravalho. Para a coordenação do Deavi, o trabalho junto à comunidade tem obtido bons resultados, pois já se verifica uma mudança de postura com relação à avaliação institucional. “A avaliação já não é mais vista somente como um levantamento de dados para privatização da universidade ou como um ação de caráter punitivo”, constata. No entanto, ainda se verificam

entraves para uma avaliação que corresponda à realidade institucional, como o boicote nacional realizado durante a prova do Enade, a cada ano. “Aqui na UFPA estamos argumentando junto aos estudantes sobre a necessidade do envolvimento deles nas ações de auto-avaliação. Eles têm representatividade na CPA, como está previsto no regimento. Qualquer estudante pode ser representante desde que indicado pelo Diretório Estudantil”, esclarece a coordenadora do Deavi.

n Trabalho inclui perfil dos egressos

A “Pesquisa Eletrônica com os Egressos”, lançada em 2006, é uma das ações do Deavi. A finalidade é conhecer a opinião sobre a formação acadêmica e a atuação profissional dos ex-estudantes que passaram pela instituição, tanto os que concluíram a graduação, quanto os que saíram por abandono ou desligamento. A pesquisa visou conhecer o perfil dos egressos por meio de um questionário que contém quatro blocos: informações pessoais, acadêmicas (graduação e pós-graduação), profissionais e adicionais. O objetivo mais amplo é investigar a qualidade do ensino de graduação e de pós-graduação ofertado pela UFPA, com o intuito de garantir uma formação adequada às exigências do mercado de trabalho e identificar as causas determinantes que levaram o egresso a abandonar ou se desligar da instituição sem concluir o curso. “O acompanhamento dos egressos é uma das ações inerentes à avaliação institucional, um dos componentes do Sinaes. A iniciativa teve grande procura e a idéia é avançarmos para lançar um Portal dos Egressos a fim de estreitar uma relação desses ex-alunos com a Universidade”, anuncia Sandra.

n Os princípios da Avaliação Institucional na UFPA Democracia e participação A natureza democrática e participativa da avaliação é fundamental para o desenvolvimento e aprimoramento do sistema de avaliação institucional e esta participação deve ser exercida por todos os atores envolvidos. A proposta é garantir uma auto-avaliação participativa, dinâmica e ativa.

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Globalidade

Gradualidade

Legitimidade

As experiências anteriores reportam somente à avaliação do ensino da graduação. A proposta atual é de avaliar a Universidade como um todo e não em partes fragmentadas, o que permitirá uma visão geral e abrangente da UFPA. Neste caso, a avaliação far-se-á em todas as dimensões do ensino, da pesquisa e da extensão, da gestão, dos docentes, dos técnico-administrativos, dos alunos e de todos os atores e todas as atividades desenvolvidas pela UFPA.

A avaliação interna na UFPA não se reduzirá ao simples levantamento de dados, sua análise e a produção de um relatório final. A proposta é de construção de um processo gradual, permanente e sistemático, capaz de mensurar a relação entre o Projeto Pedagógico Institucional, o Plano de Desenvolvimento da UFPA e a sua prática, e de garantir, igualmente, a qualidade de suas atividades visando uma melhor eficiência das ações futuras da instituição.

A avaliação institucional na UFPA deve revestir-se de elevado grau de seriedade e correção, utilizando critérios avaliativos com ampla legitimidade técnica (que requer o uso de metodologias adequadas, de modo a garantir a identificação de indicadores de natureza qualitativa e quantitativa) e política (conquistada pela efetiva participação de toda a comunidade na construção do processo avaliativo e no uso dos resultados por ele gerados).

Respeito à Identidade Institucional O desempenho institucional deve ser analisado em função de sua missão, sua visão, seus princípios, seus projetos, sua relevância social, sua cultura institucional e sua realidade social, econômica e política.

Transparência A auto-avaliação, em suas diferentes etapas, fases e procedimentos, deve ser a mais transparente possível, assegurando o debate e a divulgação dos seus resultados a toda a comunidade. Para acessar o Programa completo visite http://www. proplan.ufpa.br/ deavi/inicial.htm

Monografia analisa troca de legenda a partir da composição de comissões legislativas

arquivo

Walter Pinto

Q

uestão relacionada à infidelidade partidária, a migração de parlamentares de uma legenda para outra, foi objeto de estudo do graduado em Ciências Sociais Paulo Sérgio dos Santos Ribeiro, no Curso de Especialização em Ciência Política: partidos e eleições na democracia contemporânea, oferecido pelo Programa de Pós-graduação lato sensu em Ciência Política, do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UFPA. Estruturada em três capítulos, a monografia, apresentada na conclusão do curso, traz uma reflexão sobre a migração parlamentar no Brasil e se detém sobre o arranjo partidário ocorrido no Pará, após as eleições de 2006, com ênfase à composição das comissões legislativas permanentes da Assembléia Legislativa do Estado do Pará em relação à participação dos parlamentares que trocaram de legenda. Os 41 deputados estaduais, eleitos em 2006, assumiram o mandato em 1º de janeiro de 2007 e estão em pleno exercício da 16ª legislatura na Assembléia Legislativa. O interesse de Paulo Ribeiro foi o de compreender como a migração parlamentar impacta

Para os parlamentares, ter uma boa atuação política nem sempre garante a reeleição, principalmente para os de oposição

sobre a composição das comissões permanentes, entre as quais, a Comissão de Constituição e Justiça, a Comissão de Meio Ambiente e a Comissão de Segurança Pública, entre outras. O estudo teve como fontes os mapas eleitorais do Tribunal Regional Eleitoral e as atas das sessões de composição das comissões. O pesquisador apoiou-se também num referencial teórico composto por analistas da Ciência Política que tratam da questão da migração parlamentar, entre eles, Jairo Marconi Nicolau, autor de obras como “Multipartidarismo e democracia: um estudo sobre o sistema partidário brasileiro”; Bolívar Lamounier, co-autor de “Partidos políticos e consolidação democrática”; e R. Meneguello, co-autor de “partidos conservadores no Brasil”. Paulo Ribeiro

foi orientado pelo professor Edir Veiga. A 16ª legislatura apresentou como característica um baixo número de migração partidária, com os seguintes registros: Josefina Carmo (PFL para PMDB), Adamor Aires (PL para PR), Júnior Hage (PL para PR), Alessandro Novelino (PSC para PMDB) e Martinho Carmona (PDT para PMDB). Todos os deputados acima pertenciam à base aliada do governo estadual anterior (Simão Jatene, do PSDB). O caso mais emblemático, conforme aponta Paulo Ribeiro, é o do deputado Alessandro Novelino que trocou de partido três vezes no mesmo dia. Eleito pelo PSC, migrou para o PMDB em troca de apoio para se tornar presidente da Assembléia Legislativa, horas depois retornou ao PSC por não ter conseguido o apoio desejado.

n Mandato é do partido e não do parlamentar Todas essas trocas de partido foram realizadas em tempo hábil, sem prejuízo para os mandatos. Em maio passado, o Tribunal Superior Eleitoral, respondendo à consulta formulada pelo antigo PFL, atual DEM, sancionou que o mandato pertence ao partido e não ao parlamentar, decisão posteriormente ratificada pelo Supremo Tribunal Federal, com o ministro Marco Aurélio de Mello declarando que a interpretação tinha por objetivo organizar o ambiente institucional partidário, bastante tumultuado pela intensa troca de legenda. Atualmente, a migração só é possível um ano antes da eleição, salvo em casos excepcionais, de cunho ideológico, por exemplo. Na avaliação do especialista, a interpretação do TSE é benéfica, mas, adverte: “há que se ter muito cuidado para que o Judiciário não venha sobrestar as decisões do poder Legislativo. Tratou-se de uma decisão legítima porque havia uma

paralisia decisória do Legislativo, em relação às regras que iriam disciplinar a questão da infidelidade partidária”. Ao analisar a questão da causalidade, Paulo Ribeiro atribui a migração a fatores como brigas internas e disputas ideológicas no interior dos partidos e à necessidade do parlamentar de se reeleger. Neste caso, a migração ocorre, principalmente, quando o deputado pertenceu à base de apoio de um governo que perdeu o poder, como nas eleições de 2006, em que a vitória de Ana Júlia interrompeu a hegemonia tucana. Nestas condições, o deputado opta por apoiar as bases de sustentação do novo governo, conseguindo, assim, meios para atender às demandas de seus redutos eleitorais. “No Pará, os deputados de oposição não dispõem desses meios e são virtuais candidatos a não reeleição”, analisa o especialista.

O caso exemplar é o da exdeputada Sandra Batista, do PC do B. “Tratava-se de uma deputada de grande disciplina partidária, com forte apego às suas convicções ideo­ lógicas e que teve um bom desempenho parlamentar. Entretanto, não se reelegeu, provavelmente porque não conseguiu apoio suficiente para atender as demandas de suas bases e também por causa de questões estruturais partidárias”, afirma Paulo Ribeiro. Na avaliação do especialista, o eleitor brasileiro é altamente racional. “Ele analisa o que o deputado fez pelo seu município durante o exercício do mandato e, dependendo desse desempenho, pode ou não votar por sua reeleição”, diz. Neste contexto, um grande eleitor é o prefeito, capaz de carrear muitos votos para um determinado deputado que colocou emendas no orçamento e possibilitou a realização de obras no seu município.

n Migração atinge mais a esquerda Sobre o baixo número registrado de trocas de partido após as eleições de 2006, Paulo Ribeiro acredita que está diretamente relacionado ao perfil do partido que está no exercício do executivo estadual, o PT. “O compromisso do governo atual é mais ideológico. Os parlamentares que migraram, optaram pelo PMDB, partido com inserção no governo e que, tradicionalmente, cumpre com os arranjos estabelecidos. Por outro lado, os deputados mais próximos ao PSDB não migraram porque sabiam que não teriam suas demandas aprovadas pelo poder Executivo estadual. O compromisso do governo atual é pragmático com suas bases e tende a manter as mesmas composições feitas no passado”. O especialista conclui que os parlamentares praticam a migração porque pensam prioritariamente na reeleição. Segundo observa o pesquisador, o eleitor percebe mais os casos de deputados de esquerda que migram para a direita. A tendência do eleitor é não mais apoiar tal parlamentar. No caso do parlamentar de direita ou de centro, a migração não causa nenhum impacto. “Esse eleitor quer ter obras, ver atendidas as suas demandas, não importa a coloração partidária do deputado”, afirma. Para o pesquisador, a lista aberta, aquela em que os parlamentares são escolhidos diretamente pelos eleitores, e o sistema multipartidário, facilitam a migração. Não há um consenso entre a lista aberta e a lista fechada, aquela em que os eleitores votam no partido, a quem cabe nomear os parlamentares. “Há cientistas políticos que consideram a lista fechada, o remédio contra a desorganização institucional existente no Brasil. Por outro lado, há os que consideram a lista aberta uma característica marcante do sistema político brasileiro”, conclui.


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BEIRA DO RIO – Universidade Federal do Pará – Junho/Julho, 2008 –

Cidadania

Madeira

Combustor diminui emissão de fuligem O

projeto “Câmara de Combustão Ciclônica para Resíduos das Indústrias Madeireiras” é uma iniciativa do Grupo de pesquisa Energia, Biomassa e Meio Ambiente (EBMA), vinculado à Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Federal do Pará (UFPA) e teve como objetivo fundamental diminuir o impacto ambiental que a poluição das indústrias madeireiras causam sobre o ambiente. Municípios do interior do Estado do Pará, como Breves, Melgaço, Portel, Tucuruí, Tailândia, Paragominas, Rondon do Pará, Tucumã e Jacundá apresentam crescimento cada vez maior no setor industrial madeireiro e junto a esse processo vincula-se uma enorme produção de resíduos. As grandes empresas investem em câmaras de leito fixo ou incineradores, que podem chegar até R$ 120 mil, na tentativa de diminuir a quantidade de madeira perdida que voltaria para o ambiente de forma poluidora. O pesquisador do grupo EBMA, Manoel Nogueira, que coordenou a pesquisa, explicou que entre a madeira bruta e a madeira

arquivo do editor

A câmara de combustão ciclônica polui menos que o incinerador

Shamara Fragoso

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A câmara de combustão ciclônica beneficiada se perde cerca de 50% de material. “Para cada quilo de material beneficiado é produzido um quilo de resíduo”, esclareceu. As pequenas e médias empresas não têm como pagar por esse equipamento, então, ou queimam o material a céu aberto, o que é proibido por leis ambientais, ou o jogam em aterros e no leito dos rios. Por isso, ficam sujeitas a multas altíssimas, que variam entre R$ 25 mil e R$ 250 mil, podendo chegar até o fechamento da empresa.

Com o objetivo de amenizar esse problema, a equipe de pesquisa buscou desenvolver uma estrutura mais barata e mais eficiente, especialmente voltada para as madeireiras de pequeno porte. Foi quando se idealizou a câmara de combustão ciclônica, tecnicamente chamada de combustor de suspensão. A diferença entre o combustor de leito fixo e o de suspensão é que o primeiro queima somente a serragem que está na parte superior de sua estrutura, tornando o processo lento e ineficiente, enquanto que no segundo, devido a um sistema de ventilação em que o ar e a serragem são injetados ao mesmo tempo no combustor, as pequenas partículas circulam na câmara em movimentos circulares, sendo queimadas completamente. Por esse processo, que produz pequenos redemoinhos, o combustor recebeu o nome de câmara ciclônica. “O protótipo construído pelo grupo possui oitenta centímetros de diâmetro e consome 200 quilos por hora de serragem, quantidade igual a consumida por um incinerador de 6m de diâmetro, sendo que o valor da câmara de suspensão é de R$ 15 mil, até oito vezes mais barato que as câmaras de leito fixo”, afirmou Manoel Nogueira.

n Calor também vai poder ser aproveitado Recentemente, o grupo ganhou apoio financeiro para desenvolver uma forma de aproveitar o calor produzido na combustão na câmara de combustão ciclônica, que pode variar de 1.200 até 1.800 graus Celsius. Os pesquisadores estimam que pode ser construída uma parede do outro lado desse combustor e nela ser depositada água, quando a alta temperatura entrar em contato com o líquido ele se transformará em vapor, que ao ser injetado dentro de uma turbina poderá gerar energia elétrica. O combustor será transformado numa espécie de caldeira. Outro objetivo do produto era melhorar as condições de vida dos trabalhadores das serrarias, mas devido à falta de iniciativa e de condições financeiras das empresas, o protótipo não chegou a ser instalado em nenhuma firma do setor madeireiro, por isso, esses aspectos foram previstos, mas ainda não puderam ser comprovados. Os testes feitos com o protótipo, que está no laboratório da Faculdade de Mecânica da UFPA, obtiveram resultados promissores.

FITOTERAPIA

Plantas da Amazônia ajudam combater câncer Alinic do Carmo da Silva A utilização dos recursos naturais da Amazônia no tratamento de diversas doenças tem se tornado mais do que uma prática do costume popular. No Laboratório de Neuroquímica Molecular e Celular da Universidade Federal do Pará, o que era apenas um hábito do amazônida tem sido objeto de estudos científicos, a fim de valorizar o conhecimento popular relacionando-o à sistemas tradicionais da Farmacologia. O laboratório, tradicional nos estudos relacionados ao potencial bioquímico da flora amazônica, realiza atualmente uma pesquisa sobre a utilização das propriedades existentes nas espécies: Brosinum acutifolim e Physalis angulata, conhecidas popularmente como “Mercúrio Vegetal” e “Camapú”, no tratamento de neoplasias (câncer), especialmente do câncer cerebral que corresponde à área de estudos do laboratório: a Neurociência. A partir da pesquisa, algumas substâncias purificadas no Laboratório de Química da UFPA estão sendo suplementadas para análise dos efeitos em sistemas biológicos. A pesquisa, aprovada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em 2007, fundamenta-se na Etnofarmacologia, ciência que investiga os conhecimentos tradicionais buscando comprovar cientificamente seus benefícios.“Quando verificamos a fundamentação científica do conhecimento popular, garantimos um tratamento mais barato e acessível, por isso, o interesse científico é muito grande: o resultado está ligado à prevenção e tratamento de muitas doenças, dentre elas, o câncer cerebral”, disse Anderson Herculano, professor e pesquisador do laboratório. Ele integra o grupo coordenado pelo professor José Luiz Nascimento, com a participação de Luís Antônio Maués, aluno de doutorado em Neuroquímica Molecular e Celular, e Tatiane Mota, aluna

arquivo

n Droga diminui reprodução de células doentes

Plantas da Amazônia são alvo de estudo de cientistas de iniciação científica e acadêmica de Biologia. A proposta do projeto é avaliar o efeito antiproliferativo e antineoplásico das espécies Brosimum acutifolium e Physalis angulata in vitro e in vivo, tornando possível a utilização das drogas purificadas dessas plantas como terapia alternativa de neoplasias.

As plantas foram escolhidas com base em dados de uso popular em parceria com o museu Emilio Goeldi, que cataloga e classifica por espécies. O gênero Brosimum, também conhecido popularmente como “mururé de terra firme”, apresenta composto químico da classe dos flavóides, que possui ação antimicrobiana e antimicótica exercendo certa influência na atividade antineoplásica. A espécie Angulata, já caracterizada como sendo antiflamatória, também revelou um potencial antineoplásico. Mas, apesar das propriedades dessas plantas, a utilização delas na terapia vai depender do padrão de morte que elas geram. O câncer é uma doença caracterizada biologicamente pelo crescimento desordenado de células que podem invadir a corrente sanguínea e migrar para outras regiões, causando danos para o organismo. Dessa forma, a morte celular é um evento de grande relevância para os estudos relacionados ao câncer. As drogas devem gerar um padrão de morte celular que não seja descontrolado mas, sim, específico. O trabalho foi feito inicialmente in vitro e os testes analisaram as reações das substâncias nas células neoplasicas em placas. A partir daí, a avaliação foi feita em uma célula normal, pois tanto nas células normais como nas células neoplasicas, a morte deve ser induzida por apoptose, quando a falência das células ocorre sem lesão e não por necrose, e a morte celular produz danos secundários ao tecido. “Os testes in vitro revelaram um forte efeito antineoplásico, ou seja, a droga não só induziu a morte como também diminuiu a proliferação das células neoplásicas”, disse Anderson Herculano.

Multicampi Social é lançado em Breves

Programa capacita atores sociais na execução de políticas públicas de educação mácio ferreira

Ericka Pinto

A

s atividades de assistência social, educação e saúde desenvolvidas por alunos e professores da Universidade Federal do Pará, além do Encontro Regional de Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-Juvenil - que reuniu representantes de entidades, instituições de ensino e órgãos dos governos municipal e estadual -, marcaram o lançamento do Programa Multicampi Social, da Pró-Reitoria de Extensão da UFPA, no município de Breves. As ações foram realizadas em maio e contaram com o apoio da prefeitura local. O Programa abrange três projetos: “Escola que Protege”, “Educação em Direitos Humanos” e “Escola Aberta” e tem como meta melhorar a qualidade de vida da população local, por meio da capacitação e do assessoramento dos atores sociais na execução de políticas públicas educacionais. Uma das etapas do Projeto “Escola que protege” foi colocada em prática por mais de 20 alunos engajados no Programa que, por meio de ações acadêmicas integradas, desenvolveram atividades de acordo com as suas áreas afins. São acadêmicos de Pedagogia, Serviço Social, Odontologia, Farmácia, Enfermagem e Medicina. A programação em Breves foi composta de palestras, orientações e debates sobre a violação dos direitos humanos no município e a atuação dos Conselhos. Os estudantes se dividiram em grupos que atuaram na Escola Maria de Lourdes, no Hospital Municipal e na Casa do Trabalhador. Os acadêmicos de Medicina e Enfermagem trabalharam temas

Homenagem

A Universidade Federal do Pará foi uma das homenageadas nas comemorações dos 74 anos do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Pará (CREA-PA). Durante a solenidade de aniversário, no último dia 30, foram 15 os homenageados, sendo a UFPA a única instituição da lista. Estudantes e professores participam do Programa Multicampi Social como a transmissão de doenças, entre elas, leptospirose, febre tifóide, verminoses, hepatites virais, AIDS, doenças do quadro infantil (catapora, sarampo, rubéola, diarréia, asma e rinite), doenças sexualmente transmissíveis e infectocontagiosas. O público alvo foi formado por agentes comunitários de saúde, catadores, líderes comunitários, associações e a comunidade em geral. Também foi abordado e orientado pelos acadêmicos, o uso de equipamentos de proteção individual para os catadores de lixo e agentes comunitários de saúde. Fora da programação, os estudantes ainda visitaram o Centro Espírita Boa Nova, a convite da diretora administrava da entidade, Ângela Iketany. Com o foco na educação em saúde, a estudante do 6º ano de medicina, Vívian da Costa, acredita que o grupo conseguiu alcançar boa parte dos seus objetivos, prestando orientações à comunidade.

É o que confirma a dona de casa, Rafaela Ataíde da Silva, que assistiu à palestra dos alunos da UFPA. “Meu filho está com diarréia, então, aqui, eu aprendi como fazer o remédio caseiro e cuidar da alimentação dele”. Os estudantes de odontologia também mostraram de forma educativa a professores e monitores de programas sociais como é possível prevenir as doenças bucais. Eles utilizaram como ferramenta didática uma cartilha contendo orientações para manter os dentes saudáveis. “Eu achei super importante essa iniciativa da UFPA porque são orientações que eu vou poder trabalhar em sala de aula com os meus alunos”, declarou a professora Ivanilda Barbosa. No encontro dos alunos de Pedagogia e Serviço Social com os conselheiros, o professor da UFPA, Carlos Maciel, falou sobre a prostituição infanto-juvenil, um dos problemas sociais que mais atinge o município de Breves.

n Experiência enriquecedora para estudantes Para os alunos envolvidos no Programa Multicampi Social, a experiência foi enriquecedora tanto do ponto de vista profissional como humanístico. O trabalho voluntário é que faz a diferença desses futuros profissionais. Para o acadêmico de Medicina Ewerton Benassuly, essa é uma experiência que poucos estudantes dessa área vão ter. “Você abrir mão do seu conforto, de ficar longe da família, por amor à Medicina, por amor à saúde é algo que traz uma enorme gratificação, porque você vê no rosto, no olhar das pessoas a satisfação em adquirir conhecimento e poder multiplicá-lo em suas comunidades”, declara. Outra experiência vivida foi a dos alunos de Farmácia durante a visita ao Hospital Municipal. Eles, que já tinham a teoria sobre gerenciamento de estoque, armazenamento e distribuição de medicamentos, puderam conhecer de perto como funciona uma Farmácia

EM DIA

Hospitalar e as dificuldades para atender os pacientes. “Essa prática é que está sendo válida no Multicampi e a área da gestão hospitalar mexeu comigo”, disse a estudante, Andressa Perdigão. Para a vice-coordenadora do Multicampi Social, Émina Santos, “a extensão tem esse cunho que é de intervir na sociedade, mas também de contribuir para a formação desses alunos, isto é, formar um profissional para a sociedade”. ENCONTRO REGIONAL - As atividades do Programa Multicampi Social em Breves encerraram com o Encontro Regional de Enfrentamento a Violência Sexual Infanto-Juvenil, realizado no dia 18 de maio, no Centro Educacional de Desenvolvimento Profissional (Cedep). O evento também marcou as comemorações do Dia Nacional de Combate à Violência Sexual Infantil, com a assinatura de um Termo

de Cooperação entre várias entidades, instituições e órgãos governamentais no combate à violência e à exploração sexual de crianças e adolescentes. “Esse documento é simbólico, porém tem um valor moral e ético importante, que compromete todos os que assinaram a desenvolverem juntos ações que fortaleçam a rede de proteção no município”, afirma o coordenador do Multicampi Social, Alberto Damasceno. O próximo passo do Programa Multicampi Social por meio do projeto “Escola que Protege” será este mês de junho, com as oficinas de capacitação dos agentes que trabalham com a rede de proteção à criança e ao adolescente nos municípios de Breves, Chaves e Gurupá. No Projeto Escola Aberta, a UFPA, em parceria com a Seduc, inicia em julho o curso de Especialização em Sociedade e Cidadania em Políticas Públicas, em Belém e Breves.

Direitos Humanos

O Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos da Universidade Federal ofertará seu primeiro curso em âmbito internacional: o Curso Latino-Americano de PósGraduação em Direitos Humanos e Democratização, financiado pela Comissão Européia. Esta é a primeira vez que a entidade financia um projeto na América Latina.

Peregrinos da Paz

O abandono, a rejeição, o preconceito e a omissão são alguns fatores que podem alimentar sentimentos violentos, principalmente em crianças e jovens. A cientista política Kátia Mendonça criou o Projeto “Peregrinos da Paz”, que junto a um grupo de alunos de graduação da UFPA, desenvolve atividades voltadas para o resgate dos valores sociais de base. Mais informações sobre o projeto acesse o site: www.peregrinosdapaz. ufpa.br

Saúde

A Progep iniciou as atividades do programa de prevenção ao câncer de mama, no cólo do útero e na próstata e a campanha anti-fumo, que aconteceu no dia 26 de abril, quando também foi lançado o Projeto “Qualidade de Vida: alimentação saudável”.

França

O reitor da Universidade Federal do Pará, Alex Fiúza de Mello, recebeu, no dia 8 de maio, a visita de representantes da Universidade Joseph Forier (UJF), da França. O objetivo foi propor um acordo para o intercâmbio de docentes e discentes de mestrado e doutorado entre as instituições, sobretudo nas áreas de Matemática, Engenharias e Ciências Sociais

Itália

Também recebeu no dia 20, a visita do prefeito de Pontassieve (Itália), que estava acompanhado da coordenadora da Casa de Estudos Italianos, Heloísa Bellini. A visita foi uma retribuição à recepção que o reitor recebeu na última vez em que esteve naquele país. A pauta foram os possíveis acordos de cooperação.


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BEIRA DO RIO – Universidade Federal do Pará – Junho/Julho, 2008 –

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Índios

Avanços e retrocessos vinte anos depois da Constituição de 88 Embora a legislação atual seja avançada, os povos indígenas do Brasil ainda lutam por antigas reivindicações fotos mácio ferreira

Walter Pinto

n Terra ainda é prioridade

A

pesar dos avanços introduzidos pela atual Constituição brasileira, a questão indígena ainda apresenta a posse da terra como um tema prioritário. Até os anos 90, a grande bandeira de luta era a questão da demarcação das terras indígenas. Se é verdade que muitas terras foram identificadas, não se pode ignorar que muitas não foram homologadas, principalmente depois do decreto Nº 1.775, que instituiu o direito ao contraditório, garantindo a qualquer pessoa questionar a demarcação proposta. Nas duas últimas décadas, a questão das terras indígenas continua gerando discussões, mas agora associada à questão ambiental, aos recursos hídricos e às mudanças climáticas, novos tópicos na velha pauta. Vinte anos após a promulgação da Constituição-cidadã, o jornal Beira do Rio ouviu a professora e pesquisadora Eneida Assis, diretora adjunta da Faculdade de Ciências Sociais, mestre em Antropologia e doutora em Ciência Política, sobre os avanços introduzidos pela Carta Magna de 1988, em relação aos povos indígenas, e como a legislação atua sobre este novo momento da história. Eneida Assis vem se dedicando ao estudo da questão indígena desde os tempos de graduação e é, atualmente, a única cientista política trabalhando com o tema na Amazônia, região onde vivem em torno de 220 povos indígenas. “Posso afirmar que a história dos povos indígenas se escreve antes e depois da Constituição de 88”, assinala a pesquisadora, para quem o processo de renovação e entendimento sobre a questão indígena no Brasil deslanchou a partir da década de 1970, quando a retomada do processo democrático frente ao Estado autoritário exigiu a organização da sociedade. Os povos indígenas, como parte da sociedade, não poderiam ficar à margem desse despertar, em que se destacaram atores como a Igreja Católica, movimentos religiosos menos evidentes e entidades de classe, entre as quais, a Associação Brasileira de Antropologia, a Associação Lingüística e, sem dúvida nenhuma, a Ordem dos Advogados do Brasil.

A pauta indígena começa ainda com a questão da terra. Além da necessidade de não se interromper o processo de identificação, demarcação e homologação das terras, que não podem ser vistas de forma isolada, “o problema das terras está associado à sustentabilidade e às questões internacionais em função das mudanças climáticas e dos recursos hídricos”, afirma a pesquisadora Eneida Assis. Ela toma, como exemplo, a terra indígena do Alto Guamá, que apesar de estar cercada de fazendas e assentamentos do Incra, ainda é uma grande ilha, com a floresta relativamente em pé. Outro exemplo é o Parque Indígena do Xingu, onde as cabe-

ceiras do rio Xingu estão praticamente assoreadas por conta das fazendas que derrubaram a mata ciliar. Cita ainda a situação dos Kaiowa-Guarani, obrigados a arrendar suas terras para pequenos agricultores como única forma de ganhar algum dinheiro. A degradação do meio ambiente reduz à sustentabilidade das terras em que vivem os índios. Há mais de dez anos parado por conta da questão da mineração em terras indígenas, o Estatuto do Índio traz uma legislação que, na avaliação da pesquisadora, precisa ser rediscutida e modificada, conforme também a opinião do movimento indígena.

Os jovens são a esperança dos povos indígenas na luta pelo acesso ao ensino e atendimento de saúde de qualidade

n UFPA abrigava Grupo de Apoio ao Índio Naquela fase, as ONGs ainda não existiam, mas surgiram associações especificamente voltadas à causa indígena, como por exemplo, o Grupo de Apoio ao Índio (GAI), com sede na Universidade Federal do Pará, e que teve como última presidente, a antropóloga Anaíza Vergolino. O GAI encerrou suas atividades em 1981, tornando Eneida Assis uma espécie de curadora da sua documentação. Todas essas entidades desempenharam um papel importante nos anos 70 e 80, fornecendo o instrumental necessário para a formação daqueles que iriam participar da Assembléia Nacional Constituinte em 1988. “A relevância desse papel foi muito grande, principalmente porque a questão indígena era bastante

Os Tembé despontam como o povo mais organizado na região do Alto Guamá

desconhecida no Brasil, como afirmou a historiadora e antropóloga Manuela Carneiro da Cunha, então presidente da Associação Brasileira de Antropologia. Cabia ao pessoal que fazia parte dessa “comissão-de-frente” fornecer a documentação informativa para que os deputados pudessem trabalhar”, relata Eneida Assis. Em termos concretos, os esforços de entidades, antropólogos, lingüistas e lideranças indígenas, ficaram expressos nos vários artigos do capítulo 7 da Constituição, que compõem o cenário legal que favorece os índios. “Não há dúvida que a Constituição de 1988 representou um avanço real e um diferencial quanto à questão indígena. Historicamente, as Constituições Republicanas sempre reconhece-

ram a questão, mas com base no princípio da integração. A atual inovou ao reconhecer o princípio da diferença”, avalia a pesquisadora. Eneida Assis lamenta, porém, que a mobilização não tenha conseguido fazer com que os indígenas pudessem participar como constituintes, o que para ela, demonstra a dificuldade do Brasil em lidar com a questão multicultural, ou seja, lidar com outras formas de pensar, agir e legislar. Apesar dos avanços expressos na Constituição, a pauta de reivindicação dos povos indígenas ainda está apoiada no tripé terra, saúde e educação. O nível de organização de cada grupo reflete a maneira como eles podem influenciar nas agendas das políticas públicas, sobretudo nas estaduais.

As cores da guerra contra a devastação

n Atendimento de saúde continua precário

As crianças Tembé, da região do alto rio Guamá, são instruídas a manter as tradições dos seus ancestrais

n Nível de organização é baixo no Pará

n Ensino precisa se voltar para cultura indígena

O maior contingente populacional indígena do Brasil está na Amazônia. São em torno de 220 povos, com uma sociodiversidade muito grande e níveis diferentes de organização. Alguns grupos, como os de Roraima, Mato Grosso e Amazonas, possuem excelente nível organizacional e alta representatividade por meio de associações indígenas. No outro extremo, há os grupos que só agora começaram a se organizar, entre os quais, os do Tocantins, Santarém e os Tembé. Quanto mais organizado o grupo, maior a possibilidade de fazer valer seus direitos constitucionais. Eneida Assis, porém, observa que o Estado do Pará não tem demonstrado interesse em favorecer os grupos que ainda estão iniciando o seu processo de organização, ao contrário do

Quanto à educação indígena, a antropóloga Eneida Assis observa que, embora impecável quanto ao ensino fundamental, a Legislação resvalou no ensino médio, a porta de entrada à universidade. Em pleno debate sobre a importância do ensino médio para os grupos indígenas, o MEC implantou o programa “Diversidade na Universidade”, levando a discussão para a forma de acesso dos índios nas universidades. A reivindicação por cotas, muito ligada ao movimento negro, manteve os indígenas à parte. No entanto, a proposta de acesso por cotas não é hegemônica entre os índios, havendo os que defendem condições de acesso e sabem da importância do ensino médio de qualidade. Entre alguns povos do Sul,

que ocorreu no Estado do Amapá. “É preciso levar em consideração o fator organizacional para se pensar a questão indígena na Amazônia e no Brasil”, afirma. Um dos efeitos da falta de organização é percebido na área educacional. Segundo a pesquisadora, “existe uma legislação fantástica em termos de educação escolar, sobretudo no nível básico e fundamental, mas não houve a efetivação de políticas públicas favorecendo realmente um processo de educação que pudesse atender às necessidades dos grupos. Há ilhas de excelência, com alguns grupos já atingindo o nível universitário, mas a grande maioria continua na escola básica ou fundamental. Isso, de certa forma, reflete o processo organizativo dos povos indígenas”.

é possível encontrar indígenas até com título de doutor, como entre alguns kaigang. Os grupos que estão tendo acesso à universidade falam o português. Na região Norte, porém, ainda são raros os casos de índios que chegam à universidade Os parkategês estão entre os primeiros. Beneficiaram-se de condições sociais e políticas que possibilitaram estudo em escolas formais de Marabá. Mas, para o restante dos grupos do Pará, o problema ainda está no ensino fundamental. Recentemente, os Tembé conseguiram a implantação do ensino médio em sua aldeia, mas trata-se de escola de ensino formal, muito diferente da escola preconizada pela resolução nº 0399 que valoriza a cultura e dá direito aos

índios de elaborar o seu próprio projeto político-pedagógico, de estabelecer um calendário e de definir como o professor será contratado. “Na verdade, a resolução aponta para a criação de um subsistema de educação indígena. Mas, na prática, isso não ocorre porque as escolas que funcionam em aldeias são agregadas a uma determinada escola formal municipal”, explica. Por trás disso tudo, Eneida Assis observa a ignorância dos governos. “Os próprios setores das secretarias que cuidam da educação indígena são escolhidas entre funcionários sem nenhum preparo na questão, muitos só esperando a hora da aposentadoria, ou que incomodavam, ou entre pessoas sem nenhuma experiência”.

Apesar dos avanços na legislação de saúde, principalmente por meio da criação dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), que garantem atendimento às populações que estão fora de um determinado município, Eneida Assis aponta distorções, como a ausência de capacitação para técnicos que prestam esse atendimento. “Construindo um pequeno histórico sobre a saúde indígena, deparei-me com Noel Nutels, figura notável na história da atenção à saúde, que pregava o atendimento ao índio por pessoas realmente capacitadas, treinadas não só na área médica, como também antropológica”, explica a pesquisadora. No entanto, com o desmonte da FUNAI (Fundação Nacional do Índio) e com a situação vivenciada pela própria área da saúde, os técnicos mais capacitados começaram a ser substituídos por pessoas ainda em processo de formação. O outro problema é a própria situação das secretarias municipais de saúde. Não raramente, alguns gestores são obrigados a devolver os recursos repassados para a saúde indígena por falta de pessoal qualificado para realizar as atribuições do Distrito Sanitário. Parte dessa verba poderia ser usada para capacitar o agente de saúde, mas nem sempre o agente tem escolaridade suficiente. “Todos esses fatores mostram que, quando você vai discutir um tema dentro da questão indígena, não pode descuidar de outros, pois eles estão todos relacionados”, conclui Eneida Assis.

Beira 62  

Beira do Rio edição 62

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