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BEATRIZ OYADOMARI DE SOUSA A ARQUITETURA COMO UM ELEMENTO DE HUMANIZAÇÃO DO PARTO E NASCIMENTO

Trabalho Final de Graduação apresentado à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie como requisito parcial à obtenção do grau de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo.

Orientadora: Profª. Drª Paula Raquel da Rocha Jorge

São Paulo 2016


MEMBROS DA BANCA EXAMINADORA

________________________________________ Profª. Drª. Paula Raquel da Rocha Jorge Universidade Presbiteriana Mackenzie

________________________________________ Profª. Drª. Luciana Monzillo de Oliveira Universidade Presbiteriana Mackenzie

________________________________________ Profª. Drª. Wendie Aparecida Piccinini Universidade Anhembi Morumbi

15 de _____________________ São Paulo, ____ de 2016 dezembro


DEDICO Aos meus queridos e amados pais, que sempre priorizaram os meus estudos.


AGRADEÇO, Primeiramente a Deus, por ter iluminado e abençoado minha caminhada até aqui. Aos meus pais, por todo amor, apoio, incentivo, cuidado e carinho. A minha família, por todo apoio e incentivo. Aos meus amigos, pela paciência, companheirismo e abraços calorosos. A Universidade Presbiteriana Mackenzie, pela bolsa de estudos. Aos professores que contribuíram com a minha formação e meu crescimento. E a minha orientadora Paula, pela paciência, orientação, conselhos e ensinamentos durante meu período como monitora de Planejamento Urbano e durante todo o TFG.


RESUMO Os projetos arquitetônicos voltados para o parto e nascimento estão sendo revistos, juntamente com as questões relacionadas a prática obstétrica no Brasil, com a intenção de retomar o sentido humano do ato de nascer. As medidas de humanização da assistência ao parto e ao ambiente hospitalar têm a intenção de promover conforto e bem-estar às parturientes, puérperas e recém-nascidos, e proporcionar o estreitamento dos laços afetivos familiares. A ambiência contribui com o processo de recuperação do paciente e qualifica o espaço de saúde através de elementos como a cor, a forma, a relação com a natureza, a luz do sol e a proteção da intimidade do paciente que estimulam sensações e comportamentos positivos dos usuários. Geralmente, os estudos de humanização hospitalar estão relacionados a longas internações, porém, o parto é um momento de grande sensibilidade, e humanizar esses ambientes de nascer é reconhecer a arquitetura como elemento terapêutico. Vincular uma escola de medicina e um hospital universitário na implantação de um centro de parto humanizado envolve a introdução do atendimento humanizado desde a formação acadêmica. O objetivo deste estudo é propor uma arquitetura que vise a humanização do espaço da saúde. Ele foi desenvolvido através de análise bibliográfica, análise documental e visita a campo. Conclui-se que a arquitetura de fato tem elementos que se aplicados de maneira harmônica contribuem significativamente para a humanização desses espaços. Palavras chave: humanização, parto, nascimento, arquitetura, Hospital São Paulo.


LISTA DE IMAGENS Figura 1: Espectro de cores visíveis. ................................................................................. 30 Figura 2: Efeitos psicológicos das cores ............................................................................ 31 Figura 3: Planta térreo ...................................................................................................... 42 Figura 4: Planta primeiro pavimento ................................................................................ 43 Figura 5: Croqui Esquemático Conceitual ........................................................................ 45 Figura 6 e 7: Pé direito duplo do Átrio Central ................................................................. 46 Figura 8: Corte Bioclimático ............................................................................................. 47 Figura 9: Planta Esquemática de localização. 1. península norte; 2. Centro de reabilitação; 3. Hospital Sarah de Brasília. ....................................................................... 49 Figura 10: Corte esquemático. 1. galpão para esportes náuticos; 2. Internação e outros; 3. Centro de Apoio à Paralisia Cerebral; 4. Auditório. .......................................................... 51 Figura 11: Enfermagem com vista para o Lago. ............................................................... 52 Figura 12: Jardim integrado ao hall principal ................................................................... 53 Figura 13: Corte esquemático do sistema de ventilação ................................................... 54 Figura 14: Corte esquemático do sistema de ventilação do Centro de Apoio à Paralisia Cerebral. ............................................................................................................................ 55 Figura 15: área Central do Centro de Apoio à Paralisia Cerebral. .................................... 56 Figura 16: Painéis artísticos. ............................................................................................. 57 Figura 17: Fachada principal Edifício Corujas ................................................................. 59 Figura 18: Passarelas e praça central Edifício Corujas ..................................................... 61 Figura 19: Integração com o meio externo ....................................................................... 62 Figura 20: Planta da Capital do Município de São Paulo ................................................. 71 Figura 21: Estação da Companhia Carris de Ferro São Paulo a Santo Amaro em 1900. . 73 Figura 22: Ampliação da Planta Geral da cidade de São Paulo em 1905- bairros de Vila Mariana e Vila Clementino ............................................................................................... 75 Figura 23: Ampliação da Planta da Cidade de São Paulo em 1943- bairros de Vila Mariana e Vila Clementino ............................................................................................... 77 Figura 24: Expansão da Área Urbanizada Município de São Paulo -1881 a 2002. .......... 79 Figura 25: Metrô Santa Cruz na década de 70. ................................................................ 81 Figura 26: Estação Santa Cruz na década de 80. ............................................................. 82 Figura 27: Mapa de Distribuição de Unidades de Saúde por área de abrangência no Município de São Paulo. ................................................................................................... 85


Figura 28: Mapa do Sistema de Transportes Públicos Coletivos ...................................... 87 Figura 29: Sinopse por setores –densidade demográfica. ................................................. 89 Figura 30: Uso do Solo Predominante, 2014. ................................................................... 91 Figura 31: Empregos em Hospitais e laboratórios, 2006. ................................................. 93 Figura 32: Empregos em Setores de fármacos e de equipamentos médico-hospitalares e odontológicos, 2006. .......................................................................................................... 94 Figura 33: Localização da área do projeto proposto, HSP e EPM em relação à Vila Clementino. ....................................................................................................................... 98 Figura 34: Levantamento de imóveis pertencentes à UNIFESP. ................................... 100 Figura 35: Perspectiva da entrada do Centro de Parto Humanizado. ............................ 102 Figura 36: Corte AA- demonstrando o desnível do terreno ........................................... 103 Figura 37: Implantação do térreo- Níveis. ...................................................................... 104 Figura 38: Perspectiva da Setorização por Pavimento. ................................................... 107 Figura 39: Corte EE- passarelas em corte....................................................................... 109 Figura 40: Perspectiva interna da Passarela com visão para o pátio............................... 110 Figura 41: Perspectiva do Pátio- Área de convivência e contato com a natureza. .......... 112 Figura 42: Planta pavimento Térreo. .............................................................................. 113 Figura 43: Planta do 1º Pavimento. ................................................................................ 115 Figura 44: Planta do 2º Pavimento. ................................................................................ 117 Figura 45: Planta de Cobertura. ...................................................................................... 119 Figura 46: Planta do Sobressolo- Estacionamento. ......................................................... 121 Figura 47: Corte BB. ....................................................................................................... 123 Figura 48: Corte CC. ....................................................................................................... 125 Figura 49: Corte DD. ....................................................................................................... 127 Figura 50: Corte FF com indicação de detalhe ampliado. .............................................. 129 Figura 51: Detalhe ampliado do pergolado. .................................................................... 131 Figura 52: Elevação 1. ..................................................................................................... 133 Figura 53: Elevação 2. ..................................................................................................... 135 Figura 54: Elevação 3- Rua Borges Lagoa. ...................................................................... 137 Figura 55: Elevação 4-Rua Marselhesa. .......................................................................... 139


SUMÁRIO 1. Introdução ..................................................................................................................... 15 2. Humanização do Parto e Nascimento ........................................................................... 19 2.1. O que é o Parto Humanizado ...............................................................................................19 2.2. A importância da humanização e da arquitetura nos ambientes de nascer .......................21 2.2.1. Humanização e arquitetura ..............................................................................................21 2.2.2. Psicologia ambiental e conforto .......................................................................................25 2.2.3 Necessidades técnicas e de humanização .........................................................................34 3. Projetos de Referência................................................................................................... 41 3.1. Centro Médico de Primeiros Socorros de Ballarat ...............................................................41 3.2. Hospital Sarah Lago Norte ...................................................................................................48 3.3. Edifício Corujas.....................................................................................................................58 4. No entorno do Hospital São Paulo ................................................................................ 67 4.1. Histórico do bairro de Vila Clementino no contexto da Vila Mariana ..................................67 4.2. Escola Paulista de Medicina UNIFESP e Hospital São Paulo ................................................83 4.3 Vila Mariana, características do bairro ................................................................................86 5. Centro de Parto Humanizado ....................................................................................... 97 6. Considerações Finais................................................................................................... 143 Referências ...................................................................................................................... 144


1. Introdução O parto cirúrgico tem sido a forma com que a prática obstétrica vem sendo adotada no Brasil, o que pode ser percebido com os altos números de cesarianas realizadas no país, muitas vezes sem a real necessidade. Com a revisão desta prática através das propostas de humanização do parto e nascimento, os projetos arquitetônicos desses espaços, vêm sido revistos para que proporcionem o devido bem-estar e conforto a seus usuários (BITTENCOURT; BARROSO-KRAUSE, 2004). Este trabalho analisa elementos de humanização dos espaços de saúde recomendados pelo Ministério da Saúde, através da ambiência – cor, textura, forma, conforto ambiental, iluminação e ventilação naturais, integração da natureza com a arquitetura (BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2010), e de arquitetos que estudam as relações e reações psicológicas do paciente com o ambiente hospitalar. O objetivo deste estudo é propor uma arquitetura que vise a humanização do espaço da saúde. Apesar de geralmente a humanização da arquitetura hospitalar estar associada a casos graves de internação, a intenção deste estudo voltado para parturientes e puérperas, se dá pelo momento de grande sensibilidade que é o parto e nascimento

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Introdução

(ROCHA, 2010), e também pelo benefício que a assistência humanizada ao nascimento proporciona ao facilitar o vínculo mãe-bebê e os laços afetivos familiares (SILVA, 2015). Para isso, a metodologia utilizada foi de análise bibliográfica, análise documental, e visita técnica. A análise bibliográfica foi feita em livros, teses e artigos; sendo os principais autores utilizados Masarolo (1971), Ponciano (2002), Vasconcelos (2004), Rocha (2010), Bittencourt e Barroso-Krause (2004) e Lukiantchuki e Souza (2010). A análise documental foi feita através da análise das Portarias do Ministério da Saúde de nº 985, de 1999; nº 569, 570, 571 e 572, de 2000, nº 1459, de 2011 e Manual de Orientações da Rede Cegonha (2013); e RDC da ANVISA de nº 50, de 2002 e nº 36 de 2008. A visita técnica realizada foi ao Amparo Maternal, no mês de abril de 2016.

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2. Humanização do Parto e Nascimento 2.1. O que é o Parto Humanizado

Historicamente o nascimento é um evento natural, em que os partos eram realizados em casa, por parteiras em um ambiente familiar. Com os avanços da medicina, questões sociais e higienistas, o nascimento foi transferido para o contexto hospitalar (COELHO, 2003). Atualmente, a forma que a prática obstétrica vem sendo adotada está sendo revista, e tem surgido várias tentativas para resgatar o sentido humano do parto (SILVA, 2015). As medidas de humanização buscam alternativas concretas de parto seguro, ampliando a gama de escolhas para as parturientes, de forma a integrá-las novamente no ato de nascer (D’OLIVEIRA, 1996 apud COELHO, 2003). No modelo atual, a humanização do parto implica na mudança da atitude, filosofia de vida e percepção de si e do outro como ser humano. A sensibilidade, a informação, a comunicação, a decisão e a responsabilidade devem ser compartilhadas entre mãe-mulher, família e profissionais de saúde. O parto humanizado consiste em um conjunto de condutas e procedimentos que têm por finalidade a promoção do parto e nascimento saudáveis e a prevenção contra morbimortalidade materna e perinatal (TEIXEIRA, 2009, p. 4)

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As medidas de humanização da assistência ao nascimento fazem com que os laços afetivos familiares e o vínculo mãe-bebê sejam facilitados (SILVA, 2015). O estímulo à presença do acompanhante durante o pré-parto, parto e puerpério; o desenvolvimento de ambiente único para o pré-parto, parto e puerpério; alojamento conjunto (AC); estímulo a amamentação; berçário canguru são práticas incorporadas a humanização da assistência do nascimento (SANTOS et al, 2002). Com base nas propostas recentes de humanização da assistência do parto e nascimento, o desenvolvimento dos projetos arquitetônicos está sendo revisto para propiciar o devido conforto ambiental às parturientes, recém-nascidos e equipe de saúde. Os projetos devem ser dinamicamente adequados, evoluindo e adaptandose às modificações determinadas pela demanda e pelas alterações legislativas (BITENCOURT; BARROSO-KRAUSE, 2004).

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2.2. A importância da humanização e da arquitetura nos ambientes de nascer

2.2.1. Humanização e arquitetura

O edifício hospitalar normalmente está associado a um local de doença, porém, a origem da palavra hospital vem do latim hospitalis, adjetivo que significa ser hospitaleiro, acolhedor. Portanto, deve ser um local que transmita um sentimento receptivo, de bem-estar; e a humanização parece ser a solução para tornar esses espaços mais acolhedores (LUKIANTCHUKI; SOUZA, 2010). A humanização hospitalar constitui-se num conjunto de ações sobre diversas práticas e condições na prestação dos serviços de saúde. A arquitetura pode ser um instrumento terapêutico se contribuir para o bem-estar físico do paciente com a criação de espaços que [...] desenvolvam condições de convívio mais humano (CORBELLA, 2003 apud MARTINS, 2004, p.2).

O arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé, vê em elementos da arquitetura moderna brasileira (a relação com a natureza e a integração da arquitetura e obras de arte) possibilidades de contribuir para a humanização do ambiente físico hospitalar. Segundo Lelé, os edifícios hospitalares são extremamente rigorosos em relação a

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funcionalidade (referente a distribuição espacial e fluxos), mas a beleza não deve ser excluída. Suas obras são provas de que é possível existir um hospital mais humano, sem abrir mão da funcionalidade. ”É funcional criar ambientes em que o paciente esteja à vontade” (LIMA, 2004 apud LUKIANTCHUKI; SOUZA, 2010). O fato do paciente sentir-se à vontade remete à ideia de lar e intimidade. Segundo o arquiteto Jorge Costa (2001), “o hospital é o símbolo da possibilidade de reformulação corporal e mental e, portanto, seus espaços devem ser configurados a partir do ponto de vista de seus usuários”. Para o autor, o acolhimento em um hospital é muitas vezes traumatizante pelo fato de o indivíduo passar do domínio privado do ambiente familiar e entrar no domínio público do hospital (LUKIANTCHUKI; SOUZA, 2010). Pensar nesse espaço significa compreender as impressões que foram deixadas no corpo do homem. As marcas resultantes (corpóreas e psíquicas) relatam as experiências que o paciente sofreu durante sua trajetória terapêutica. O corpo humano e o espaço formam, em conjunto, o lugar na memória de experiências de vida (COSTA, 2001). Com a intenção de valorizar o parto normal e propor soluções mais humanizadas aos ambientes altamente medicalizados da obstetrícia, o Ministério da Saúde (MS) vem valorizando a implantação de edificações simplificadas, sendo um de seus

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modelos, a maternidade simplificada, formalmente denominada de Centro de Parto

Normal

(CPN)

(BITENCOURT,

BARROSO-KRAUSE,

2004).

Os

parâmetros legais para a implantação dos CPN são estabelecidos pela Resolução do MS (Portaria nº 985, de 5 de agosto de 1999) (BITENCOURT, BARROSOKRAUSE, 2004). Em termos arquitetônicos, esses ambientes de saúde devem atender às necessidades da assistência obstétrica, e é fundamental que sejam planejados para atender à saúde da mulher e da criança, no parto e no nascimento (BITENCOURT, BARROSO-KRAUSE, 2004). Não é previsto na estrutura física dos CPN a instalação de ambientes cirúrgicos, mas é previsto ter uma ambulância para a retirada imediata em caso de complicações no parto e com o recém-nascido. O movimento de humanização no Pré-Natal e Nascimento foi instituído pelo MS (Portaria nº 569, de 1º de junho de 2000), e analisa as necessidades específicas da assistência Obstétrica e Neonatal. O profissional de saúde reconhecer a individualidade de cada mulher, abrindo mão do comando da situação, faz com que o atendimento tenha uma relação mais humana (BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2002). O parto deve ser visto como um momento de alegria e não como doença; a mãe deve ser tratada com delicadeza, segurança e conforto; há o incentivo do acompanhamento seja pelo pai, familiares ou amigos (COELHO, 2003).

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O desenvolvimento de ambiente único para o pré-parto, parto e puerpério (PPP), evita a transferência da parturiente de uma sala para outra, e propicia a ela bemestar e segurança. As salas PPP são quartos individuais, com sanitário anexo podendo ter banheira ou não, cama e espaço suficiente para a parturiente movimentar-se (deambulação). Também deve haver um local destinado para cuidados do recém-nascido e poltrona reclinável para o acompanhante. A tendência é que essas salas se aproximem de um ambiente familiar, como um quarto de uma casa (COELHO, 2003). Após o parto, mãe e bebê (desde que sadios), são transferidos para um outro espaço, que segue o sistema de alojamento conjunto (AC). O AC também faz parte das medidas de humanização do parto e nascimento, e visa o estreitamento dos laços afetivos e estimulo ao aleitamento materno, pois mãe e bebê permanecem juntos durante a internação (ROCHA, 2010). A política de humanização preocupa-se tanto com o atendimento, quanto com a qualidade do espaço físico dos espaços de assistência à saúde. O MS considera que a humanização dos serviços deve ser acompanhada pela ambiência (ROCHA, 2010).

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2.2.2. Psicologia ambiental e conforto

Os estudos de humanização do ambiente hospitalar geralmente estão relacionados a estudos de caso de internações longas, ocasionadas por grandes cirurgias ou doenças graves. Porém, essa forma de olhar para o ambiente hospitalar pode contribuir com a qualidade do espaço para receber parturientes, que embora muito frequentemente ficam pouco tempo internadas, estão em um momento de grande sensibilidade. Assim, foram utilizados os trabalhos de Vasconcelos (2004) e Rocha (2010), que utilizam principalmente Ulrich (1981, 1990, 1995) como fonte. Segundo definições da Política Nacional de Humanização (PNH), do MS, ambiência é o tratamento dado ao espaço físico para proporcionar atendimento acolhedor, resolutivo e humano (BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2010). Uma ambiência

acolhedora,

que

reduza

o

estresse

ambiental,

contribui

significativamente com o processo de cura e o bem-estar do paciente, e ainda reduz os custos dos tratamentos (ULRICH, 1990 apud VASCONCELOS, 2004). O estresse no ambiente hospitalar é um problema presente tanto para os pacientes e familiares, quanto para a equipe médica. Pode ser causado pela doença, por procedimentos médicos contra a dor e pelo ambiente físico-social (barulho, falta

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de privacidade). O estresse pode deixar marcas no corpo e na mente do paciente (ULRICH, 1990 apud VASCONCELOS, 2004). “O momento do parto para a mulher é, sobretudo, um momento de apreensão: o medo do desconhecido, da dor do parto” (ROCHA, 2010). Apesar de não existir fórmula prescrita para o desenvolvimento de um espaço que promova a cura, há diversos fatores apontados por estudiosos que causam reações fisiológicas no corpo humano que auxiliam na recuperação de pacientes hospitalizados (VASCONCELOS, 2004). Para promover o bem-estar e conforto, é importante que os estabelecimentos de saúde sejam projetados para reduzir o estresse (ULRICH, 1990 apud VASCONCELOS, 2004), e acima de tudo, não serem o causador do estresse (ZEISEL, 2001 apud ROCHA, 2010). A Cartilha de Ambiência da PNH aponta alguns elementos que atuam como modificadores e qualificadores do espaço de saúde, estimulando sensações que influenciam no comportamento do usuário: a luz, a cor, o som, o aroma, a textura, a arte, a forma, o tratamento de áreas externas, a proteção a intimidade do paciente e a confortabilidade. Quando utilizados com harmonia e equilíbrio, promovem ambiências acolhedoras que atuam como promovedoras de saúde (BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2010).

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Humanização do Parto e Nascimento Humanizar os ambientes de nascer, e principalmente, os espaços de recuperação pós-parto, significa também reconhecer a capacidade do meio físico de amenizar o estresse causado pelo evento do nascimento e aumentar o bem-estar da mãe, dos acompanhantes e do recém-nascido (ROCHA, 2010).

Roger Ulrich (1990, apud VASCONCELOS, 2004) aponta componentes promotores de bem-estar como atributos para a redução do estresse e promoção do bem-estar: o controle do ambiente, o suporte social possibilitado pelo ambiente e distrações positivas do ambiente. As pessoas sentem necessidade de poder controlar o ambiente que as cerca. A sensação de controle é um importante fator que influencia o nível de estresse e o bem-estar em diversos grupos de pessoas, principalmente em pacientes hospitalizados que já estão fragilizados física e psicologicamente (ULRICH, 1990 apud VASCONCELOS, 2004).

A possibilidade de o paciente poder controlar a iluminação e temperatura do quarto; ter o controle do canal e do volume da televisão tanto nos quartos como nas salas de visitas; ter acesso a jardins ou pátios que possam ser usados, são algumas soluções que podem ser adotadas para proporcionar ao paciente a sensação de controle do ambiente (VASCONCELOS, 2004).

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O contato prolongado e frequente com familiares e amigos e a participação de um sistema de apoio social traz benefícios tanto físicos como emocionais, comprovados pela medicina comportamental e psicologia clínica (VASCONCELOS, 2004). O ambiente hospitalar pode favorecer esse suporte social ou não. O layout e a escolha de mobiliários que condicionem o espaço a ser mais confortável e aconchegante, e que permitam reuniões em grupo, podem aumentar a interação entre pacientepaciente e paciente-visitante (VASCONCELOS, 2004). A distração positiva é [...] proporcionada por um ambiente formado por elementos que provocam sentimentos positivos no paciente, prendendo sua atenção e despertando seu interesse para outras coisas além da sua doença, sem cobrança ou estresse individual, o que reduz ou até mesmo bloqueia os pensamentos ruins (ULRICH, 1981 apud VASCONCELOS, 2004).

Ulrich (1995, apud ROCHA, 2010) destaca a importância dos elementos naturais como eficientes estímulos que distraem positivamente o observador. Há algumas diretrizes possíveis de serem adotadas no projeto que podem proporcionar distrações no ambiente hospitalar, como a presença de átrios e jardins internos ou espaços abertos para o exterior; janelas baixas que permitem ao paciente uma visão do exterior a partir do leito; iluminação e cores adequadas; e integração com a natureza (VASCONCELOS, 2004).

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Millicent

Gappel

(1995

apud

ROCHA,

2010)

estuda

a

área

da

psiconeuroimunologia e demonstra e reforça a ideia de ambiência, de que elementos do ambiente podem influenciar os sentidos de corpo, mente e sistema nervoso, tanto de forma positiva, quanto negativa. Ele aponta seis elementos comuns aos indicados pelo MS, a luz, a cor, o som, o aroma, a textura e a forma (GAPPEL, 1995 apud ROCHA, 2010). Tanto a iluminação natural, quanto a artificial, contribuem para a qualificação dos espaços de saúde. A iluminação artificial garante a realização de atividades da equipe de saúde e dos pacientes (BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2010). A luz do sol é importante para absorção de cálcio e fósforo, assepsia e influi positivamente no humor e na disposição das pessoas (VASCONCELOS, 2004). A iluminação natural deve ser garantida a todos os ambientes que lhe forem permitidos, proporcionando à pessoa a noção de tempo (dia e noite, sol e chuva) (BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2010). Nos quartos de internação é importante proporcionar a opção de controle da iluminação conforme suas necessidades (VASCONCELOS, 2004). “Biologicamente, a melhor luz para o interior das edificações é a luz vinda das janelas, átrios e zenitais” (VASCONCELOS, 2004, p. 49). A combinação da luz natural e artificial contribui para a composição de uma ambiência aconchegante através dos desenhos e sombras criadas (BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2010).

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A cor e a luz são elementos relacionados. A luz afeta o resultado da cor (VASCONCELOS, 2004). As cores estimulam os sentidos e proporcionam efeitos psicológicos que fazem sentir mais calor ou mais frio, mais alegria ou mais tristeza (BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2010). Por provocar estímulos sensoriais a cor causa distrações positivas (VASCONCELOS, 2004). As cores podem ser classificadas como frias e quentes. As ‘quentes’, são as cores da ‘família do vermelho’, e proporcionam a sensação de proximidade, calor, além de serem estimulantes. As frias, integradas pela ‘família do azul’, em contraposição, parecem distantes, frias, leves e são calmantes (MODESTO, 1986 apud VASCONCELOS, 2004). Figura 1: Espectro de cores visíveis.

Fonte: Vasconcelos, 2004, p. 52.

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Humanização do Parto e Nascimento Figura 2: Efeitos psicológicos das cores

Fonte: Rocha, 2010, p. 64.

O som é um fator de influência do bem-estar que precisa poder ser controlado pelo usuário (ROCHA, 2010). As consequências indesejáveis para pacientes expostos a ambientes ruidosos são sentimento de irritação, frustração e intolerância a dor (GAPPEL, 1995 apud ROCHA, 2010). Nos espaços de saúde essas alterações fisiológicas podem prejudicar a recuperação do paciente e o desenvolvimento das atividades da equipe de saúde (SILVA, 2008 apud ROCHA, 2010). Recém-

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nascidos que permanecem por longos períodos em ambiente com baixo conforto acústico, tornam-se mais lentos, atrasando o desenvolvimento da fala e atividades exploratórias (GAPPEL, 1995 apud ROCHA, 2010). Para melhorar as condições acústicas do ambiente, o emprego de revestimentos que não amplifiquem e refletem as ondas sonoras é fundamental (VASCONCELOS, 2004). A proteção acústica e a adoção de som ambiente em áreas de espera e enfermaria são indicadas pela PNH (BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2010), eles podem ter efeito calmante e relaxante (VASCONCELOS, 2004). O aroma, da mesma forma que o som, pode trazer sensações boas ou ruins (VASCONCELOS, 2004). Os aromas desagradáveis estimulam a ansiedade e os agradáveis

podem

reduzir

a pressão

arterial

e

a percepção

da

dor

(VASCONCELOS, 2004). O cheiro é o mais evocativo dos sentidos, tem uma relação muito íntima com o lado emocional, e faz o caminho mais rápido de ligação com o cérebro estimulando-o a resgatar memórias (GAPPEL, 1991 apud VASCONCELOS, 2004).

Uma solução positiva para ambientes hospitalares pode ser o uso de arranjos florais e vegetação, que além de exalar bons aromas, purificam o ar absorvendo toxinas e promovem o contato com a natureza (VASCONCELOS, 2004).

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A percepção dos espaços por meio do contato com superfícies e texturas é chamada de sinestesia (BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2010). “As sensações de conforto, provindas da qualidade do ar e da temperatura, são percebidas pela pele“ (VASCONCELOS, 2004). A qualidade tátil do espaço pode ser enriquecida através de variedade de texturas e mobiliário versátil que proporcionem conforto (VASCONCELOS, 2004). “A forma do espaço físico interfere no processo de tratamento dos pacientes hospitalares, ajudando ou inibindo o seu desenvolvimento” (VASCONCELOS, 2004, p. 59). O projeto arquitetônico influencia diversas questões de humanização apresentadas, tanto que estimulem a interação social, quanto que promovam privacidade aos pacientes (VASCONCELOS, 2004). É a arquitetura que permite o desenvolvimento das ações do indivíduo e a interação com o meio, havendo a troca de estímulos do ambiente e as reações dos usuários (VASCONCELOS, 2004). Evitar a construção de espaços herméticos, frequentes no ambiente hospitalar, adotando a utilização de iluminação e ventilação natural proporciona ambientes mais humanos (LUKIANTCHUKI; SOUZA, 2010). O espaço arquitetônico faz parte da memória construída pela experiência (COSTA, 2001).

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Humanização do Parto e Nascimento [...] o espaço, a partir do processo constante de apropriação humana, apresenta, também, uma memória própria – uma história de vida. A referência e a lembrança de um espaço subtendem a ativação da memória corporal humana e os respectivos símbolos representativos. O espaço é o corpo maior que rege a interação de sujeitos em atividade (COSTA, 2001).

2.2.3 Necessidades técnicas e de humanização

Os projetos de arquitetura hospitalar devem seguir normas estabelecidas por regimentos de saúde (como por exemplo, o MS, Agência de Vigilância Sanitária – ANVISA – e Organização Mundial da Saúde –OMS) que determinam as condições de atendimento e funcionamento de ambientes de assistência à saúde, e são constantemente atualizadas (revistas, complementadas, ou revogadas). As primeiras ações públicas acerca da assistência ao parto no Brasil se deram ao longo da década de 40. Nos anos 60, elas tinham como principal objetivo reduzir a mortalidade infantil. Foi somente na década de 80 que surgiram iniciativas voltadas para a redução da mortalidade materna (ROCHA, 2010, p.42).

Em 1985 a OMS propunha mudanças nos sistemas vigentes de atenção ao parto, com o reconhecimento da importância de manter junto no pós-parto mãe e bebê. No ano seguinte, recomendava a presença do acompanhante no parto e pós-parto (ROCHA, 2010). Levando isso em consideração, em 1993, através da Portaria nº 34


Humanização do Parto e Nascimento

1.016, o MS instituiu o sistema de AC nas maternidades vinculadas ao Sistema Único de Saúde (SUS). Ainda nessa Portaria, foram apresentadas normas quanto aos recursos físicos mínimos, determinações de projeto e recursos materiais de equipamentos e mobiliários obrigatórios (BRASIL, 1993 apud ROCHA, 2010). Em 1999, o MS através da Portaria nº 985, cria o CPN, visando a redução da mortalidade materna e perinatal, e pela necessidade de humanização da assistência do parto e neonatal pelo SUS (BRASIL: MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1999a). O CPN é uma unidade que atende exclusivamente o parto normal sem complicações. A unidade pode estar integrada a um estabelecimento assistencial de saúde, de forma física e funcional, ou funcionar de forma autônoma, desde que disponha de recursos materiais e humanos necessários (BRASIL: MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1999). São algumas das atribuições dos CPN: desenvolver atividades educativas e de humanização, visando a preparação das gestantes para o plano de parto nos CPN e da amamentação do recém-nascido (RN); acolher as gestantes e avaliar as condições de saúde materna; permitir a presença de acompanhante; garantir a assistência ao parto normal sem distócias (complicações), respeitando a individualidade da parturiente (BRASIL: MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1999).

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Humanização do Parto e Nascimento

As características físicas determinadas para o CPN nessa portaria são: planta física adequada a gestante; ser dotado de sala de exames e admissão de parturientes; quartos PPP; área para higiene das mãos; área de prescrição; sala de estar para parturientes em trabalho de parto e para acompanhantes; área para assistência ao RN e outros ambientes de apoio (BRASIL: MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1999). Em 2000, ações públicas voltadas à humanização de serviços públicos de saúde resultaram na elaboração do Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar, que tinha como objetivo aprimorar as relações entre profissionais de saúde e usuários. O Programa foi transformado em Política Pública – a Política Nacional de Humanização (PNH), que busca transformar os modelos de gestão e atenção em saúde do SUS. Em 2004, o programa passou a se chamar HumanizaSUS (ROCHA, 2010). Nos anos 2000 surgiu um conjunto de Portarias do MS (nº 569, nº 570, nº 571 e nº 572) que estabeleceram o Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento, “Considerando a necessidade de adotar medidas que possibilitem o avanço da organização e regulação do sistema de assistência à gestação e ao parto”. A adoção de práticas humanizadas e seguras implica a organização das rotinas, dos procedimentos e da estrutura física, bem como a incorporação de condutas acolhedoras e nãointervencionistas (BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2000a).

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Humanização do Parto e Nascimento

Em 2002, com a intenção de atualizar as normas existentes na área de infraestrutura física em saúde e servir de instrumento técnico na construção e reformas de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde, foi elaborada e aprovada pela ANVISA a Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) nº 50, Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde (ANVISA, 2002). No mesmo ano, a RDC nº 50 foi alterada, sendo complementada pela RDC nº 307, e no ano seguinte novamente, pela RDC nº 189 (ROCHA, 2010). Em 2008, a ANVISA, levando em consideração a Política de Humanização do Parto e Nascimento (2000), elaborou um documento de regulamentação técnica voltado para o funcionamento dos serviços de atenção obstétrica e neonatal, pública e privada, a RDC nº 36 (ANVISA, 2008). Em 2011, o MS institui no âmbito do SUS o programa da Rede Cegonha. Com a finalidade de estruturar e organizar a atenção da saúde materno infantil no Brasil, o programa oferece assistência desde o planejamento familiar, pré-natal, parto, puerpério, cobrindo até os primeiros anos de vida da criança (BRASIL: MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2011).

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Humanização do Parto e Nascimento É uma estratégia do MS que visa implementar uma rede de cuidados para assegurar às mulheres o direito ao planejamento reprodutivo e a atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao puerpério, bem como assegurar às crianças o direito ao nascimento seguro e ao crescimento e desenvolvimento saudáveis (BRASIL: MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2011).

A rede é financiada pela União, por intermédio do MS, para elaborar construções, reformas e ampliações de CPN, Casa da gestante, bebê e puérpera (CGBP) e adequações de ambiência em serviços que realizam partos e que seguem as normas da RDC nº36 da ANVISA (BRASIL: MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2011). Os parâmetros de áreas técnicas estabelecidos para elaboração de projetos foram publicados em 2013 no Manual de Orientações para Elaboração de Projetos. As características físicas determinadas para os CPN da Rede Cegonha são semelhantes aos indicados pela Portaria de 1999. Pela Rede, o número de quartos PPP é determinado dependendo se a unidade é intra-hospitalar (3 quartos PPP) ou peri-hospitalar (5 quartos PPP) (BRASIL: MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2013). A CGBP é uma unidade de cuidados intermediários para gestantes, puérperas e bebês que assegura a assistência a eles através de uma atenção adequada, que não exija internação hospitalar. A unidade oferece hospedagem, acompanhamento por equipe de saúde, atendimento multiprofissional durante a permanência na casa (BRASIL: MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2013).

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Projetos de ReferĂŞncia

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3. Projetos de Referência 3.1. Centro Médico de Primeiros Socorros de Ballarat

O Centro Médico de Primeiros Socorros de Ballarat localiza-se no bairro de Lucas, na cidade de Ballarat, situada a 96 Km da capital australiana Melbourne. Foi projetado em 2014 pelo escritório Design Inc. e financiado pelo fundo de saúde do governo australiano, com a intenção de oferecer qualidade e cuidados de saúde a preços acessíveis para a comunidade (ARCHDAILY BRASIL, 2015). O Centro médico abriga serviços variados de atendimento clínico, serviços de bemestar, academia, salas de conferências e reuniões, um café independente e instalações de escritórios para mais de 100 funcionários. Este programa de 2850 m² está disposto em uma planta retangular distribuído em dois níveis. O edifício é atravessado por uma ‘coluna vertical’ paisagística, onde é definida uma série de espaços de uso passivo e ativo, que envolvem o usuário tanto no aspecto físico, através do abrigo de exposições interativas, quanto mental, através do bem-estar que o contato com a natureza proporciona (ARCHDAILY BRASIL, 2015).

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Projetos de ReferĂŞncia

Figura 3: Planta tĂŠrreo

Fonte: Archdaily Brasil, 2015.

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Projetos de ReferĂŞncia Figura 4: Planta primeiro pavimento

Fonte: Archdaily Brasil, 2015.

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Projetos de Referência

O Partido de Projeto parte da intenção de diminuir as barreiras entre interior e exterior do edifício. Essa premissa é uma intenção de integrar o centro médico à comunidade. Isso acontece de forma agradável no átrio central de pé direito duplo do edifício, promovendo uma circulação continua de ventilação e iluminação natural, e visualização da paisagem. Esse contato com a natureza parte do conceito do bem-estar e benefícios que ele proporciona (ARCHDAILY BRASIL, 2015).

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Projetos de Referência Figura 5: Croqui Esquemático Conceitual

Fonte: Archdaily Brasil, 2015.

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Projetos de Referência

O átrio e os jardins generosos tornaram-se a identidade primária do projeto. Esse ambiente proporciona um local aprazível para deambulação dos pacientes, com áreas verdes integradas, protegido das intempéries e ainda assim recebendo luz solar (ARCHDAILY BRASIL, 2015). Figura 6 e 7: Pé direito duplo do Átrio Central

Fonte: Archdaily Brasil, 2015.

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Projetos de Referência

Madeira reciclada e tijolo foram incorporados a fim de contrastar com a sensação clínica, normalmente associadas aos serviços de saúde, tornando o ambiente acolhedor e envolvente, para poder atender bem aos diferentes usuários, de diferentes origens culturais, (ARCHDAILY BRASIL, 2015) e proporcionar um ambiente agradável a seus funcionários. Figura 8: Corte Bioclimático

o Fonte: Archdaily Brasil, 2015.

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Projetos de Referência

Os elementos utilizados para proporcionar conforto ambiental neste projeto, (iluminação e ventilação naturais e integração com a natureza) e ainda, a ausência da sensação clínica, são formas de humanizar este espaço de assistência à saúde, de uma maneira acolhedora, apropriada a um Centro de Parto Humanizado. 3.2. Hospital Sarah Lago Norte

O Centro Internacional de Neurociências e Reabilitação, o Sarah Lago Norte, é uma das unidades da Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação. Localiza-se às margens do Lago Paranoá, em Brasília, Distrito Federal do Brasil (SARAH, 2016). Projetado pelo arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé, em março de 1996. As obras tiveram início em dezembro de 1997 e só em 2003 foi inaugurado (LIMA, 2013).

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Projetos de Referência Figura 9: Planta Esquemática de localização. 1. península norte; 2. Centro de reabilitação; 3. Hospital Sarah de Brasília.

Fonte: Lima, 2003.

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Projetos de Referência

O Sarah Brasília, primeira unidade da Rede Sarah em Brasília, foi construído em um lote relativamente pequeno em uma zona de grande adensamento urbano. Sem áreas verdes próximas, o desenvolvimento de terapias de reabilitação ao ar livre, como ocorre nas unidades do Nordeste, não era possível. Também não havia área para a expansão das atividades de pesquisas em neurologia. Em resposta a essas necessidades, a direção da Associação das Pioneiras Sociais decidiu criar uma nova unidade de reabilitação em Brasília, numa região ampla e agradável, a beira do Lago Paranoá. Suas águas tranquilas, permitem o desenvolvimento de terapias ao ar livre, inclusive ligadas a atividades náuticas (LIMA, 2013) (SARAH, 2016). A “arquitetura horizontal, viabiliza a integração dos espaços internos e externos, favorecendo o trabalho em equipe e facilitando a circulação dos pacientes pelos amplos espaços” (SARAH, 2016). O projeto é implantado em um terreno com declividade acentuada, modelado para formar uma sequência de plataformas, garantindo uma vista privilegiada para o lago, da maioria dos ambientes do hospital (LIMA, 2013).

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Projetos de Referência Figura 10: Corte esquemático. 1. galpão para esportes náuticos; 2. Internação e outros; 3. Centro de Apoio à Paralisia Cerebral; 4. Auditório.

Fonte: Lima, 2013.

As soluções de ventilação adotadas no Lago Norte são mais simples do que as adotadas nos hospitais da Rede do Nordeste (LIMA, 2013). Lelé preferiu adotar o sistema de ventilação cruzada, em que o ar penetra nos ambientes pelas portas de correr que dão acesso ao exterior, e é extraído pelas aberturas dos sheds metálicos (LIMA, 2013).

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Projetos de ReferĂŞncia Figura 11: Enfermagem com vista para o Lago.

Fonte: Lima, 2013.

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Projetos de ReferĂŞncia Figura 12: Jardim integrado ao hall principal

Fonte: Lima, 2013.

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Projetos de Referência Figura 13: Corte esquemático do sistema de ventilação

Fonte: Lima, 2013.

O Centro de Apoio à Paralisia Cerebral possui uma cobertura de 54 metros de diâmetro como vão livre, revestido com chapas de alúminio pré-pintado, moldadas utilizando-se tecnologia industrializada. O círculo central de 20 metros de diâmetro, é constituído por uma grande claraboia de policarbonato transparente, que protege um pátio central ajardinado integrado aos ambientes de terapia (LIMA, 2013). A ventilação ocorre pela penetração do ar pelas esquadrias de vidro do perímetro externo, que após ser aquecido pelo próprio ambiente, sobe por convecção e é

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Projetos de Referência

extraído por um grande exaustor localizado no anel central, no vértice da cobertura (LIMA, 2013). Figura 14: Corte esquemático do sistema de ventilação do Centro de Apoio à Paralisia Cerebral.

Fonte: Lima, 2013.

“A área central, destinada aos jogos e terapias coletivas, foi concebida como uma área de integração das atividades de apoio, que se realizam nas salas periféricas” (LIMA, 2013).

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Projetos de Referência Figura 15: área Central do Centro de Apoio à Paralisia Cerebral.

Fonte: Lima, 2013.

“Essas duas áreas são separadas por um painel criado pelo artista plástico Athos Balcão, constituído de painéis pivotantes metálicos pintados de branco em cuja superfície foram incorporadas figuras geométricas coloridas” (LIMA, 2013).

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Projetos de Referência Figura 16: Painéis artísticos.

Fonte: Lima, 2013.

A penetração da luz natural, o sistema de ventilação cruzada, as áreas verdes externas integradas, e ambientes internos ajardinados, o uso de elementos de arte e cores proporcionam um ambiente agradável. Segundo Malkin (apud in

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Projetos de Referência

VASCONCELOS,2004), a inclusão de visuais para jardins e obras de arte fazem parte de uma ambiência de cura. 3.3. Edifício Corujas

O Edifício Corujas é um empreendimento horizontal, de três pavimentos e 26 unidades de espaços corporativos. Localiza-se no bairro da Vila Madalena em São Paulo, num terreno onde há uma casa pré-existente no meio do lote. Projetado pelo escritório de arquitetura FGMF em 2009, sua arquitetura horizontal e a relação com o bairro, contrasta com as muitas verticias torres corporativas dos grandes centros empresariais (SHIEH, 2014).

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Projetos de Referência Figura 17: Fachada principal Edifício Corujas

Fonte: Shieh, 2014

O partido de projeto está relacionado ao zoneamento da região, a horizontalidade se dá pelo limite de gabarito de 9 metros de altura, e de coeficiente de aproveitamento de uma vez a área do terreno (SHIEH, 2014). A volumetria consiste em “dois prismas principais alongados, praticamente paralelos ao mesmo tempo em que se conformam com as divisas do terreno, criando uma praça central” (SHIEH, 2014).

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Projetos de Referência

Fernando Forte, um dos autores do projeto, relaciona o conceito de projeto a humanização do espaço de trabalho. “A concepção do projeto derivou-se do desejo de criar um edifício mais humanizado para o trabalho, com uma arquitetura que fosse além dos ambientes fechados” (MELLO, 2016). No edifício não há corredores fechados, a circulação se dá por meio de passarelas e escadas abertas, e se relacionam com uma grande praça central, as salas são amplas e se estendem para terraços, deques e jardins (SHIEH, 2014).

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Projetos de Referência Figura 18: Passarelas e praça central Edifício Corujas

Fonte: Shieh, 2014.

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Projetos de Referência Figura 19: Integração com o meio externo

Fonte: Shieh, 2014.

A frente do empreendimento é pela rua Natingui, aproveitando o ligeiro declive da rua para deixar aflorar parte do subsolo - permitindo uma solução mais racional sem rampa de veículos. Já o acesso dos pedestres é feito por uma cota mais alta, conduzindo o público à ampla e aberta praça central (SHIEH, 2014). 62


Projetos de Referência

A qualidade do espaço humanizado pode ser alcançada através da criação de espaços de estar internos e externos que promovam a convivência e o contato com a natureza em um ambiente aprazível. Os quartos de internação com janelas voltadas para um pátio ajardinado, trabalham essa relação de espaços internos e externos e evitam que as janelas estejam voltadas para os ruídos e poluição da rua, proporcionando visuais mais agradáveis. Os corredores de circulação mais amplos e mais abertos permitem uma deambulação mais agradável e a criação de espaços de permanência quebram a monotonia destes espaços de transição. O desnível da rua favorece acessos em nível, para que esses ocorram de forma mais natural.

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Projetos de ReferĂŞncia

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Projetos de ReferĂŞncia

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No entorno do Hospital São Paulo

4. No entorno do Hospital São Paulo 4.1. Histórico do bairro de Vila Clementino no contexto da Vila Mariana

Não há muitos registros do que foi o bairro de Vila Mariana no período colonial, pois havia poucos moradores ali. Era uma região conhecida por ser o “meio do caminho do carro” para Santo Amaro, na época um município vizinho (MASAROLO, 1971). No ano de 1782, o governador da capitania de São Paulo, Francisco da Cunha Meneses, concedeu uma sesmaria a Lázaro Rodrigues Piques que abrangia o futuro bairro de Vila Mariana (PONCIANO, 2002). O sítio onde atualmente localiza-se o bairro de Vila Mariana, começou a ser conhecido, por ali passar a velha estrada para a Serra do Mar. Imigrantes europeus chegados em 1878, contavam que os primeiros moradores que se estabeleceram na região vieram mais ou menos em 1820, e se assentaram próximo a estrada, onde hoje fica a caixa d’água do bairro. Eles contavam também que o local era conhecido como ‘Rancho dos Tropeiros”, servindo de parada de tropas de burros e cargueiros vindos de Sorocaba, Parnaíba e Itu que pernoitavam ali para no dia seguinte continuar o caminho para o litoral (MASAROLO, 1971).

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No entorno do Hospital São Paulo

Na época do Segundo Império, em 1840, as vilas de São Paulo se aproximaram da cidade e ligaram-se umas às outras, atraindo mais viajantes e mais comércio, tornando os sítios mais conhecidos e estabelecendo mais moradores. Em 1850 a região se designava “Cruz das Almas” (MASAROLO, 1971) e era a continuação da Estrada do Vergueiro, aberta em 1864 pelo Senador José Vergueiro para servir de nova estrada para Santos (PONCIANO, 2002). A região era assim conhecida pela existência de duas cruzes nas proximidades da atual Rua Afonso Celso, que, reza a lenda, representavam dois tropeiros mortos por ladrões (PONCIANO, 2002). Em 1878 se instalaram na região do Jardim da Glória, na época conhecido como Chácara da Glória, o primeiro núcleo de estrangeiros, vindos de Mântua, ao norte da Itália. Ali, essas famílias ganharam um lote de terra para construírem suas moradias e cultivarem legumes e frutas para abastecer os moradores das redondezas e da cidade (MASAROLO, 1971). Fixaram-se nas redondezas com suas chácaras, pomares e pequenos roçados e foram responsáveis pela vinda de mais e mais imigrantes para a região, recebendo então o nome de Colônia (PONCIANO, 2002). Entre 1883 e 1886, construiu-se a Estrada de Ferro até Santo Amaro, partindo da Rua São Joaquim, na Liberdade (PONCIANO, 2002) passando pelo centro do bairro de Vila Mariana (MASAROLO, 1971). A Estrada de Ferro foi construída pelo

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No entorno do Hospital São Paulo

engenheiro Alberto Kuhlman da companhia Carril de Ferro, acompanhando ou sobrepondo o antigo caminho de carro para Santo Amaro, provocando o fracionamento de chácaras existentes na região (PONCIANO, 2002). Em meados de 1883, na região próxima aos trilhos, iniciou-se a construção do Matadouro Municipal e pelos trilhos seriam transportadas as carnes do novo Matadouro para o Tendal do Largo São Paulo (MASAROLO, 1971). O primeiro Matadouro Municipal localizava-se na Rua Humaitá, na Liberdade, e os restos da matança dos animais iam para o ribeirão do Anhangabaú, deixando o centro da cidade com um cheiro insuportável (PONCIANO, 2002). “Ao contrário da maioria dos bairros paulistanos, que sempre nasceram e cresceram ao redor de igrejas, a Vila Clementino formou-se em torno do matadouro municipal” (PONCIANO, 2002). Em 19 de abril de 1887 leu-se uma indicação na Câmara Municipal que citava pela primeira vez o bairro de Vila Mariana (PONCIANO, 2002), deixando de ser conhecido como Colônia dos Italianos (MASAROLO, 1971). A origem do nome possui duas versões. Há a versão de que Kuhlman deu o nome de sua esposa Mariana a uma das estações da Estrada Carril, e que a denominação se deu primeiro ao local e depois a todo o bairro (PONCIANO, 2002). A segunda versão é de que o nome Mariana veio da junção do nome Maria e Ana, respectivamente

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No entorno do Hospital São Paulo

esposa e mãe de Carlos Petit, um dos mais importantes moradores do bairro (PONCIANO, 2002). As novas levas de italianos, que chegavam para suprir a mão de obra escrava recém liberta, juntando-se aos outros já radicados, cooperaram para o progresso do bairro de Vila Mariana, dando a ele um caráter italiano (MASAROLO, 1971). A chegada desses imigrantes do Norte e do Sul da Itália movimentaram o bairro, e as famílias numerosas passaram a habitar as ruas existentes e outras novas que foram abertas (MASAROLO, 1971).

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No entorno do Hospital São Paulo Figura 20: Planta da Capital do Município de São Paulo

Fonte: Masarolo, 1971.

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No entorno do Hospital São Paulo

Em meados de 1891, José Antônio Coelho comprou e loteou a chácara da Boa Vista, na Vila Mariana, e deu ao local o nome oficial de Vila Clementino, em homenagem ao jurista dr. Clementino de Sousa e Castro (PONCIANO, 2002,). O ano de 1900 marcou diversas mudanças importantes ao bairro. As ruas principais e o Largo passaram a ser servidos de iluminação pública com lampião de gás e a luz elétrica domiciliar estava chegando. A parte comercial do bairro estava bem desenvolvida, com muitas lojas novas (MASAROLO, 1971). Este ano marcou também o término da Companhia de Ferro Carril de São Paulo a Santo Amaro, propulsora do bairro, que por dificuldades financeiras foi arrematada pela Light (MASAROLO, 1971). O trecho para a cidade e para o Matadouro logo seriam servidos por bondes elétricos a cargo da companhia canadense. O trem continuaria a circular de São Paulo a Santo Amaro até o ano de 1913, sob direção da Light (MASAROLO, 1971).

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No entorno do Hospital São Paulo Figura 21: Estação da Companhia Carris de Ferro São Paulo a Santo Amaro em 1900.

Fonte: Masarolo, 1971,

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No entorno do Hospital São Paulo

A Vila Clementino cresceu bastante por volta de 1924, sendo que a parte da região do Matadouro e redondezas foram bastante ampliadas. O que se manteve como campo foi tomado por carneiros e as baixadas frescas foram transformadas em chácaras de verduras. O antigo Tendal de São Paulo já não existia mais, o próprio Matadouro passou a distribuir a mercadoria (MASAROLO, 1971).

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No entorno do Hospital São Paulo Figura 22: Ampliação da Planta Geral da cidade de São Paulo em 1905- bairros de Vila Mariana e Vila Clementino

Fonte: Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano -Histórico Demográfico do Município de São Paulo, 2007. 75


No entorno do Hospital São Paulo

Entre os anos 1930 e 1940, no bairro de Vila Mariana já não haviam muitos terrenos vazios, e ruas estavam sendo abertas em loteamentos muito grandes. A parte antiga do bairro ficou então praticamente estagnada. Muitos meios de transporte e locomoção para fora desse centro levavam a população para onde havia lotes de terras mais baratos, formando assim novos bairros satélites (MASAROLO, 1971). Com a substituição do sistema de iluminação pública a gás por postes de lâmpadas elétricas, e rede de água em quase todas as ruas do bairro de Vila Mariana e em algumas delas rede de esgoto, transformam-se aspectos gerais de toda a região. Sucedem-se melhoramentos e novas grandes construções (MASAROLO, 1971).

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No entorno do Hospital São Paulo Figura 23: Ampliação da Planta da Cidade de São Paulo em 1943- bairros de Vila Mariana e Vila Clementino

Fonte: Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano -Histórico Demográfico do Município de São Paulo, 2007. 77


No entorno do Hospital São Paulo

A pequena Vila de imigrantes italianos já não é mais o bairro das modestas casas dos anos 1900 (MASAROLO, 1971). O bairro de Vila Clementino foi progredindo com o bairro de Vila Mariana, principalmente com a instalação do Instituto Biológico, da Faculdade de Medicina e do Hospital São Paulo (PONCIANO, 2002).

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No entorno do Hospital São Paulo Figura 24: Expansão da Área Urbanizada Município de São Paulo -1881 a 2002.

Fonte: PMSP-Atlas Ambiental do Município de São Paulo, 2003.

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No entorno do Hospital São Paulo

A verticalização do bairro aconteceu a partir da década de 70 e teve uma expansão vertiginosa com a instalação do metrô Santa Cruz (PONCIANO, 2002). A região foi transformada em zona de hospitais, indústrias e laboratórios de produtos farmacêuticos que foram se instalando na região (MASAROLO, 1971).

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No entorno do Hospital São Paulo Figura 25: Metrô Santa Cruz na década de 70.

Fonte: Instituto de Engenharia, 2011.

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No entorno do Hospital São Paulo Figura 26: Estação Santa Cruz na década de 80.

Fonte: Renato Lobo, 2015.

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No entorno do Hospital São Paulo

4.2. Escola Paulista de Medicina UNIFESP e Hospital São Paulo

Em 1933 é fundada a Escola Paulista de Medicina, por um grupo de destacados jovens médicos em uma casa situada na Rua Coronel Oscar Porto, na Vila Mariana. Ali nascia a ideia da implementação da Escola Médica. Em 1935, foi comprada a Chácara Schiffini, na Rua Botucatu, nº90, na Vila Clementino, onde se construiria a Escola e o Hospital São Paulo para o ensino prático hospitalar (UNIFESP, 2016). Reformaram e readaptaram uma casa da Chácara Schiffini, e em pouco mais de dois meses, surgia a sede provisória do hospital, num prédio de dois pavimentos, com 100 leitos, o Pavilhão Maria Tereza (UNIFESP,2016). No térreo, instalaram-se enfermarias, e também um pequeno laboratório de análises. No primeiro andar, as enfermarias de Clínica Propedêutica Médica e Cirúrgica e um ambulatório de Pediatria foram montados. Enquanto ensinava-se a prática médica no Pavilhão Maria Tereza, o Hospital estava em construção. A Escola consolidou-se, cresceu e foi pioneira pela construção do primeiro hospitalescola do País, o Hospital São Paulo, pelo primeiro curso de Biomedicina no país e pela antecipação da estrutura departamental no ensino superior brasileiro. A Escola Paulista de Medicina (EPM) instalou-se em sede definitiva à Rua Botucatu em 30 de setembro de 1936, e inaugurou o Pavilhão Maria Tereza em 19 de junho de 1937 (UNIFESP, 2016).

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No entorno do Hospital São Paulo

A EPM foi oficialmente reconhecida em 31 de maio de 1938, e passou a ser uma escola federal em 21 de janeiro de 1956 por Decreto Presidencial. Começou com o curso de Medicina, e anos depois foi criada a Escola de Enfermagem, em 1939. A UNIFESP-EPM foi uma das pioneiras em implantar Programas de Residência Médica no Brasil. A Residência Médica foi iniciada em 1957 visando adequar a formação do médico com os avanços da medicina e necessidades da sociedade (UNIFESP, 2016).

O Hospital São Paulo, em atividade desde 1938, tornou-se um dos melhores centros formadores de profissionais da área da saúde. A instituição atende a todas as especialidades médicas (HOSPITAL SÃO PAULO, 2016). O hospital presta assistência à saúde à população brasileira pelo SUS, cobrindo assim a assistência da Grande São Paulo e outros Estados. Mensalmente são realizadas mais de 90 mil consultas, 2600 internações, 1600 cirurgias e cerca de 290 mil exames laboratoriais. Diariamente são atendidos cerca de 4 mil pacientes ambulatoriais e mil nos serviços de pronto-socorro e pronto atendimento. Sua representatividade para os gestores estadual e municipal a torna responsável, na Grande São Paulo, pela cobertura de uma área que abrange mais de 5 milhões de habitantes, além de atender pacientes de outros estados (HOSPITAL SÃO PAULO, 2016).

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No entorno do Hospital São Paulo Figura 27: Mapa de Distribuição de Unidades de Saúde por área de abrangência no Município de São Paulo.

Fonte: Sobrinho, Capucci, 2003.

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No entorno do Hospital São Paulo

4.3 Vila Mariana, características do bairro

O bairro de Vila Mariana localiza-se em uma zona central do município e é bem servido de transportes públicos coletivos, tanto com estações de metrô, quanto com diversas linhas de ônibus, conectando o bairro a outras regiões. Inclusive, a linha azul do metrô, que conecta às zonas norte e sul, foi a primeira a ser construída, em 1972, funcionando parcialmente entre o Jabaquara e a Saúde. No ano de 1974 o trecho entre o Jabaquara e a Vila Mariana começou a operar (METRO SP, 2016). Está em construção uma nova linha de metrô, que interligará a região do Klabin à Santo Amaro, passando pela região da Santa Cruz e Vila Clementino, com estação prevista bem próxima à área de projeto.

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No entorno do Hospital São Paulo Figura 28: Mapa do Sistema de Transportes Públicos Coletivos

Fonte: Plano Diretor Estratégico de 2014 do Município de São Paulo. 87


No entorno do Hospital SĂŁo Paulo

O bairro da Vila Mariana ĂŠ o bairro do distrito da Vila Mariana de maior densidade, com 151,73 hab/ha, comparados aos bairros de Moema, 92,63 hab/ha e SaĂşde, 146,94 hab/ha (IBGE, 2010).

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No entorno do Hospital São Paulo Figura 29: Sinopse por setores –densidade demográfica.

Fonte: IBGE, 2010.

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No entorno do Hospital São Paulo

O uso do solo da região é bem diversificado, havendo concentração de residências verticiais de baixo a alto padrão, comércio, serviços, escolas e equipamentos públicos. Os diversos colégios religiosos e o teatro João Caetano contribuíram para o progresso do bairro (PONCIANO, 2002). Em consequência desse uso misto e rede de transporte, a Vila Mariana é bem servida de emprego, educação, saúde e serviços.

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No entorno do Hospital São Paulo Figura 30: Uso do Solo Predominante, 2014.

Fonte: Secretaria de Finanças/ Departamento de Arrecadação e Cobranças – TPCL, 2014 91


No entorno do Hospital São Paulo

Como dito anteriormente, a região transformou-se em uma zona dedicada à área da saúde. O município de São Paulo é o polo de saúde mais importante do Brasil e da América Latina, e a região da Vila Mariana se destaca pela alta capacidade de ensino, pesquisa e desenvolvimento da formação de recursos humanos qualificados da Escola de Medicina da UNIFESP (FREIRE; ABDAL; BESSA, 2012). A área de saúde é a única que conta com uma oferta de profissionais que supera a demanda. Tal fato é importante, pois, além de não se configurar como um entrave para o crescimento da área, se constitui como uma vantagem competitiva do município (BARBOSA; KOMATSU, apud FREIRE; ABDAL; BESSA, 2012).

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No entorno do Hospital SĂŁo Paulo Figura 31: Empregos em Hospitais e laboratĂłrios, 2006.

Fonte: Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, 2012.

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No entorno do Hospital São Paulo Figura 32: Empregos em Setores de fármacos e de equipamentos médico-hospitalares e odontológicos, 2006.

Fonte: Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, 2012.

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Centro de Parto Humanizado.

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No entorno do Hospital SĂŁo Paulo

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5. Centro de Parto Humanizado O projeto desenvolvido é um Centro de Parto Humanizado vinculado a Escola Paulista de Medicina e o Hospital São Paulo, localizado na Vila Clementino, Vila Mariana, São Paulo, como visto. A escolha do local de implantação do projeto deu-se pela necessidade dos CPN, quando localizados nas dependências externas de um estabelecimento hospitalar, estarem a uma distância máxima de 200 metros de uma estrutura hospitalar completa.

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Centro de Parto Humanizado Figura 33: Localização da área do projeto proposto, HSP e EPM em relação à Vila Clementino.

Fonte: modificado a partir do Google Maps, 2016.

O hospital de referência escolhido para estruturar o Centro de Parto Humanizado foi o Hospital São Paulo (HSP), por ser um dos melhores centros formadores de profissionais da área da saúde e fazer parte da estrutura de ensino prático da Escola Paulista de Medicina (EPM). A UNIFESP possui diversos imóveis onde funcionam departamentos de especialidades que atendem pacientes e dão suporte ao ensino prático médico no entorno da EPM e do HSP. Esses imóveis estão dispersos pelo bairro, com alguma

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Centro de Parto Humanizado

concentração no entorno do hospital, como mostra o recorte apresentado na figura 34. Implantar um Centro de Parto Humanizado vinculado ao HSP e a EPM envolve introduzir a questão da humanização do atendimento desde a formação acadêmica. O HSP já possui um Centro Obstétrico Humanizado localizado no oitavo andar do edifício do hospital. O projeto proposto visa substituir o Centro Obstétrico existente e utilizar a arquitetura e a ambiência como elemento de humanização do parto e nascimento, pela contribuição terapêutica e de bem-estar que o projeto pode proporcionar (CORBELLA, 2003 apud MARTINS, 2004).

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Centro de Parto Humanizado Figura 34: Levantamento de imóveis pertencentes à UNIFESP.

Fonte: modificado a partir do Mapa Digital da Cidade, 2016.

Para alcançar a transmissão de receptividade e bem-estar, o partido de projeto adotado foi de compor uma arquitetura horizontal, de três pavimentos, dispondo o programa em

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Centro de Parto Humanizado

dois blocos. A forma do edifício influencia no processo de cura e recuperação do paciente hospitalar (VASCONCELOS, 2004), a horizontalidade proporciona uma interação mais próxima entre equipe de saúde e usuários e integra o centro de parto com a comunidade, diminuindo a barreira entre interior e exterior do edifício, tornando-se um ‘hospital’ mais humano, e ainda assim funcional. O uso de aberturas zenitais, átrios, varandas e amplas aberturas em vidro permitem a entrada de iluminação natural e a visualização do ambiente externo pelos usuários. A iluminação natural e o contato com a natureza são benéficos para a recuperação das puérperas por serem distrações positivas (VASCONCELOS, 2004).

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Centro de Parto Humanizado Figura 35: Perspectiva da entrada do Centro de Parto Humanizado.

Fonte: Desenvolvido pela autora, 2016.

Os dois blocos são complementares. Um deles atende aos procedimentos do pré-natal e abriga setores administrativo e de apoio, o outro destina-se ao parto e internações. A criação de um pátio interno entre as edificações aproxima elementos da natureza à arquitetura e torna-se um espaço de convivência. Os usos não vinculados ao centro de parto, como por exemplo, o café e a sala de palestras, além do próprio pátio, são um convite ao uso público deste espaço.

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Centro de Parto Humanizado

O terreno de implantação do projeto localiza-se na esquina das Ruas Borges Lagoa e Marselhesa, com um desnível de 8 metros. O desnível foi aproveitado para que os acessos principais aconteçam de forma mais natural, em nível. A cota mais baixa dá acesso ao estacionamento no nível da rua Borges Lagoa, rua de maior fluxo de carros e ônibus, com uso de rampas de pouca inclinação. O acesso principal de pedestres se dá em nível pela rua Marselhesa, de menor fluxo de veículos, em uma cota de 3 metros acima da cota da Rua Borges Lagoa. Figura 36: Corte AA- demonstrando o desnível do terreno

Fonte: Desenvolvido pela autora, 2016.

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Centro de Parto Humanizado Figura 37: Implantação do térreo- Níveis.

Fonte: Desenvolvido pela autora, 2016.

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Centro de Parto Humanizado

O desenvolvimento do programa de necessidades é baseado nos parâmetros legais estabelecidos pelo MS. Para os CPN, ele é bem simplificado, sendo que a proposta insere duas salas de centro cirúrgicos de emergência, uma UTI neonatal que atende seis leitos, áreas de estar e convivência, e alojamento conjunto. As áreas de estar e convivência foram pensadas para trazer benefícios físicos e emocionais as pacientes proporcionando a interação delas com seus familiares e amigos, e também, com outras pacientes (VASCONCELOS, 2004). Os quartos PPP e as dependências do alojamento conjunto são individuais com a intenção de promover privacidade e bem-estar as gestantes, parturientes e acompanhantes. Há acomodações para os acompanhantes e área destinada aos cuidados do RN, o que permite o estreitamento dos laços afetivos (SILVA, 2015). O programa foi distribuído a partir da definição dos fluxos de circulação que devem ser seguidos nesse ambiente hospitalar: recepção-triagem-atendimento-internação.

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Figura 38: Perspectiva da Setorização por Pavimento.

Fonte: Desenvolvido pela autora, 2016.

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Centro de Parto Humanizado

O fluxo de serviço também direcionou o partido desse projeto, através da criação de passarelas externas, com circulações que não devem se cruzar, como por exemplo, material limpo e material sujo. Figura 39: Corte EE- passarelas em corte.

Fonte: Desenvolvido pela autora, 2016.

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Centro de Parto Humanizado Figura 40: Perspectiva interna da Passarela com visão para o pátio.

Fonte: Desenvolvido pela autora, 2016.

Optou-se por implantar o bloco de internação voltado para o interior do terreno, criando um ambiente mais silencioso e mais reservado da rua, com o objetivo de evitar que o ambiente leve os usuários ao estresse provocado pelo espaço físico(ULRICH, 1990 apud VASCONCELOS, 2004).

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Centro de Parto Humanizado

A escolha do local dos quartos PPP e centro cirúrgico obstétrico de emergência se deu a partir do partido de fluxos de triagem e atendimento e também próximo a uma saída de emergência de ambulância para, no caso de complicações, retirar a paciente e transferila para um hospital de referência. O bloco destinado ao pré-natal e apoio tem programa ambulatorial com consultórios ginecológicos e multiprofissionais, salas de exames, banco de leite humano, salas de atividades multiuso destinadas a cursos e palestras, tanto para a comunidade, quanto para a UNIFESP. Baseado no programa da Casa da Gestante, bebê e puérpera (BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2013), a unidade fornece às usuárias hospedagem e acompanhamento da equipe de saúde, quando por exemplo, recebem alta médica, mas seus bebês encontram-se internados na UTI neonatal e necessitam estar próximos.

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Centro de Parto Humanizado Figura 41: Perspectiva do Pátio- Área de convivência e contato com a natureza.

Fonte: Desenvolvido pela autora, 2016.

A intenção do projeto é a humanização do espaço de saúde destinado ao nascimento, através de uma arquitetura horizontal, com elementos de conforto ambiental e ambiência. Através dos elementos de projeto que valorizem a humanização é possível proporcionar um ambiente mais agradável e acolhedor para as parturientes, bebês, familiares e equipe de saúde, evitando a construção de espaços herméticos e apenas funcionais (LIMA, 2004 apud LUKIANTCHUKI; SOUZA, 2010).

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Centro de Parto Humanizado

Figura 42: Planta pavimento TĂŠrreo.

Fonte: Desenvolvido pela autora, 2016.

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Centro de Parto Humanizado

Figura 43: Planta do 1ยบ Pavimento.

Fonte: Desenvolvido pela autora, 2016.

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Centro de Parto Humanizado

Figura 44: Planta do 2ยบ Pavimento.

Fonte: Desenvolvido pela autora, 2016.

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Centro de Parto Humanizado

Figura 45: Planta de Cobertura.

Fonte: Desenvolvido pela autora, 2016.

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Centro de Parto Humanizado

Figura 46: Planta do Sobressolo- Estacionamento.

Fonte: Desenvolvido pela autora, 2016.

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Centro de Parto Humanizado

Figura 47: Corte BB.

Fonte: Desenvolvido pela autora, 2016.

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Centro de Parto Humanizado

Figura 48: Corte CC.

Fonte: Desenvolvido pela autora, 2016.

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Centro de Parto Humanizado

Figura 49: Corte DD.

Fonte: Desenvolvido pela autora, 2016.

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Centro de Parto Humanizado

Figura 50: Corte FF com indicação de detalhe ampliado.

Fonte: Desenvolvido pela autora, 2016.

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Centro de Parto Humanizado

Figura 51: Detalhe ampliado do pergolado.

Fonte: Desenvolvido pela autora, 2016.

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Centro de Parto Humanizado

Figura 52: Elevação 1.

Fonte: Desenvolvido pela autora, 2016.

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Centro de Parto Humanizado

Figura 53: Elevação 2.

Fonte: Desenvolvido pela autora, 2016.

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Centro de Parto Humanizado

Figura 54: Elevação 3- Rua Borges Lagoa.

Fonte: Desenvolvido pela autora, 2016.

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Centro de Parto Humanizado

Figura 55: Elevação 4-Rua Marselhesa.

Fonte: Desenvolvido pela autora, 2016.

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141


Centro de Parto Humanizado


6. Considerações Finais Apesar do rigor das normas que devem ser seguidas no desenvolvimento de espaços de saúde, as questões de humanização devem ser levadas em consideração a fim de proporcionar bem-estar, conforto e uma recuperação mais rápida aos pacientes e usuários destes espaços. A arquitetura pode ser instrumento terapêutico quando o projeto traz elementos de conforto ambiental e ambiência, – iluminação e ventilação natural, contato com a natureza, cor, textura, forma e luz, – e que proporcione um convívio mais humano. Projetar tais espaços pensando em reduzir o estresse provocado pelo ambiente hospitalar, com a utilização de elementos de humanização é pensar nas necessidades do usuário, e idealizar espaços saudáveis. A proposta apresentada do Centro de Parto Humanizado, utilizando os elementos de humanização apresentados no trabalho, atinge o objetivo de propor uma arquitetura que vise a humanização do espaço da saúde.

143


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TFG FAU MACK - A arquitetura como um elemento de Humanização do Parto e Nascimento  

Trabalho Final de Graduação desenvolvido por Beatriz Oyadomari de Sousa sob orientação da Prof. Dra. Paula Raquel da Rocha Jorge, apresentad...

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