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Foto Luciana Sotelo

28 Jardins: a aquarela santista

Foto Ricardo Hiar

34 Os muitos atrativos da Fazenda da Toca

E mais... Santa Casa

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Internacional 46 Gastronomia 52 Moda 56

Foto Renata Inforzato

Flashes 60 Alto astral

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Destaques 64 Celebridades em foco

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No clique

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Foto Luciana Sotelo

38 Vida nova aos velhos brinquedos

Capa

Irmandade da Santa Casa da Miseric贸rdia de Santos Foto Luciana Sotelo

Foto Vagner Dantas

42 Na onda do kayaksurf e waveski

Foto Munir El Hage

APA Baleia/Sahy p谩g. 20


Beach A

R e v i s t a

Co d o

ao leitor Foto Luciana Sotelo

L i t o r a l .

ANO XII - Nº 136 - OUTUBRO/2013 A revista Beach&Co é editada pelo Jornal Costa Norte Redação e Publicidade Av. 19 de Maio, 695 - Bertioga/SP Fone/Fax: (13) 3317-1281 www.beachco.com.br beachco@costanorte.com.br Diretor-presidente Reuben Nagib Zaidan Diretora Administrativa Dinalva Berlofi Zaidan Editora-chefe Eleni Nogueira (MTb 47.477/SP)

E mais...

beachco@costanorte.com.br Diretor de Arte

Roberto Berlofi Zaidan roberto@costanorte.com.br Criação e Diagramação Audrye Rotta audrye.rotta@gmail.com Marketing e Publicidade Ronaldo Berlofi Zaidan marketing@costanorte.com.br Depto. Comercial Aline Pazin aline@costanorte.com.br Revisão Adlete Hamuch (MTb 10.805/SP) Colaboração Bruna Vieira, Claudio Milito, Durval Capp Filho, Edison Prata, Fernanda Lopes, Fernanda Mello, Karlos Ferrera, Luci Cardia, Luciana Sotelo, Renata Inforzato, Ricardo Hiar e Vagner Dantas Circulação Baixada Santista e Litoral Norte Impressão Gráfica Silvamarts

A casa de todos Pelo labirinto de corredores e alas da imensa estrutura arquitetônica de cinco andares, que compõe o complexo da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Santos, passam diariamente cerca de seis mil pessoas. São médicos, enfermeiros, pacientes, cozinheiros, marceneiros, costureiros, carpinteiros, tapeceiros e tantos outros que movimentam e dão sustentação a este patrimônio, não apenas de Santos, mas de toda a Baixada Santista. Nascida há 470 anos, antes mesmo da fundação da cidade, com o nome de Hospital de Santos, surgiu para assistir a navegadores, colonos e escravos, sempre com o atendimento de excelência que marcou os quase cinco séculos dedicados aos que padecem de algum mal. A instituição conheceu períodos de graves crises, sempre superadas graças ao envolvimento pessoal daqueles que atuaram e atuam no dia a dia desta “minicidade”, totalmente voltada à saúde da população. Para se ter uma ideia da grandiosidade do serviço prestado pela Santa Casa de Santos, vejamos alguns dados: lá funciona o mais bem equipado centro cirúrgico do litoral paulista, único na Baixada Santista a realizar transplantes de córnea, entre outros inúmeros procedimentos médicos. Realiza 1.800 cirurgias por mês nas urgências e emergências; a unidade coronariana é famosa pela excelência de seu corpo clínico, inclusive em âmbito internacional; é referência no serviço de oncologia pediátrica, neurologia e neurocirurgia, entre mais de 39 serviços especializados. A instituição ofereceu a prática e o ensino de medicina quase três séculos antes da fundação da primeira faculdade de medicina no Brasil. Tudo lá é superlativo, inclusive, o trabalho dedicado de um contingente de voluntários dedicadíssimos ao bem-estar dos pacientes.


Foto Luciana Sotelo

saúde

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470 anos de ciência e humanitarismo É a mais antiga instituição de saúde do Brasil e uma das mais conceituadas também. Sua enorme estrutura concentra números semelhantes a uma pequena cidade, o que, na verdade, ela é, só que com vocação para a ciência, para a prestação de serviços médicos e muitas lições de amor ao próximo

Por Luciana Sotelo Fundada em 1543, a Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Santos, o primeiro hospital do Brasil, antecedeu até mesmo a fundação da cidade e sua importância se mantém século após século. Prestes a completar 470 anos, no próximo dia 1º de novembro, ela se consagra como uma unidade de saúde moderna e útil à sociedade, mesmo diante das dificuldades inerentes a instituições de saúde brasileiras. Ela nasceu com a denominação Hospital de Santos e foi fundada por Braz Cubas com a missão de exercer caridade. Naqueles idos, dedicava-se aos navegadores portugueses, colonos, nativos e escravos. Em mais de quatro séculos, porém, muita coisa aconteceu. Sua quarta e gigantesca estrutura arquitetônica atende milhares de pessoas por ano, de todas as classes sociais. Vejamos alguns números: 29 mil internações, 396 mil consultas no pronto-socorro e a realização de 2677 partos, ao ano. “É um orgulho participar desta estrutura, uma vez que vemos, diariamente, pela

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televisão, várias unidades com falta de médicos, pacientes pelos corredores ou macas jogadas no chão”, analisa o vice-provedor Felix Alberto Ballerini, um advogado aposentado de 78 anos que, de forma voluntária, há 22 anos dedica-se à Santa Casa. “Eu me voltei para a filantropia em virtude da perda de um filho. Achei que seria bom prestar serviços à comunidade, sem olhar alguém de forma particular.”  A Santa Casa é pioneira ainda em alta complexidade de urgência. Dispõe de plantão 24 horas em clínica médica, pediatria, cardiologia, oftalmologia, ginecologia, obstetrícia e especialidades cirúrgicas. “Somos os únicos na Baixada Santista a realizar transplante de córnea”, orgulha-se o administrador hospitalar Erimar Carlos Brehme de Abreu, diretor-superintendente da instituição. Desde 2007, o hospital é certificado como “de ensino”. A visão empreendedora vai além das paredes da Santa Casa. A mesma serviu para a prática e ensino da medicina

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saúde

Futuro Vários projetos estão em andamento ou em fase de estudo. Talvez, o mais impactante seja a construção de um andar novo em uma das edificações. “Descobrimos, recentemente, que podemos levantar mais um andar num dos prédios. Isso vai representar mais 80 leitos para o hospital sem que eu gaste em terreno”, explica, animado, o vice-provedor Felix Alberto Ballerini. O hospital é considerado, hoje, um dos maiores empregadores da Baixada Santista. Ballerini diz: “Temos 3.693 colaboradores e mais de 700 terceirizados, entre o pessoal de manutenção e limpeza. Além disso, a média de permanência no emprego gira em torno de sete anos. Isso mostra que é bom trabalhar aqui.”

quase três séculos antes da fundação da primeira faculdade de medicina no Brasil. Para tratar das moléstias que afligem os seres humanos, o hospital aperfeiçoou-se, ao longo dos anos, para, nos dias atuais, oferecer 700 leitos, atendimento em 37 especialidades médicas e três centros cirúrgicos com 23 salas operatórias à disposição. Sendo considerada referência em medicina intensiva da região, possui 83 leitos de UTI (unidades de terapia intensiva), distribuídos nas categorias adulto, pediátrica, neonatal, neurocirúrgica, cardiológica e unidade coronariana. Firme no propósito de dar conforto e saúde ao próximo, a Santa Casa especiali-

Foto José Eduardo Barbosa

Números de impressionar: 29 mil internações, 396 mil consultas no pronto-socorro e 2677 partos/ano

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Foto José Eduardo Barbosa

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UTI neonatal, referência em medicina intensiva da região, com 83 leitos

Eduardo Bonfim de Albuquerque, um dos enfermeiros mais antigos da instituição Fotos Luciana Sotelo

zou-se em alguns segmentos, atuando na evolução da medicina a ponto de se tornar referência em serviços prestados nas áreas de oncologia, nefrologia, cardiologia, traumatologia, ortopedia e oftalmologia. O corpo médico chega a 800 profissionais. O doutor João Paulo Calife Vernieri, chefe do setor de oncologia, explica que o diferencial está nas condições oferecidas. “A Santa Casa possui radioterapia, oncologia clínica para adultos e crianças, além de cirurgia oncológica e hematologia. Todos esses serviços contam com apoio de médicos com títulos de especialistas.” Os principais inimigos desse segmento são os cânceres de mama, próstata e intestino. “Para combatermos os vilões temos um aparelho de teleterapia e braquiterapia de alta dose, uma enfermaria de oncologia pediátrica, além de contar com UTI, laboratórios e tomografias”. Em virtude de uma crise que colocou em risco o destino da instituição, foi criado, em 1992, o Plano de Saúde Santa Casa de Santos. “Não dava mais para viver só de atendimento SUS”, explica o diretor-superintendente Erimar. Hoje, são cerca de 120 mil usuários conveniados - com atendimento em Santos, São Vicente, Guarujá, Praia Grande e Cubatão. O lado humano da instituição é um dos pilares desta fortaleza e, ninguém melhor que o enfermeiro para entender e lidar com os pacientes, afinal, é ele quem passa a maior parte do tempo assistindo aos doentes. Imagine-se quantas histórias esse profissional tem para contar! Eduardo Bonfim de Albuquerque tem 45 anos e mais da metade deste tempo, ou seja, 25 anos e 11 meses, dedicados à enfermagem. Ele é um dos mais antigos da instituição. Sua carreira começou em 1987, ao entrar para a Irmandade na função de atendente de enfermagem. Em pouco tempo, já com diploma na mão, chegou ao posto de enfermeiro. Passou a atuar na UTI geral. “Trabalhei com pacientes em estado grave, às vezes, em coma. Aprendi a entendê-los pelo olhar, prestando muita atenção em todos os sinais que eles procuravam transmitir.”

Gláucia Plaça, gerente de enfermagem

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saúde

As Amarelinhas integram a Associação dos Voluntários da Santa Casa de Santos, fundada em 1957

Com seu estilo atencioso, Eduardo é um exemplo para a área. Segundo a gerente de enfermagem Gláucia Plaça Silva, a ideia é humanizar o máximo que der o atendimento. Com 18 anos de experiência em enfermagem com foco na qualidade, ela é a chefe de uma equipe numerosa, formada por 1500 pessoas, entre auxiliares, técnicos de enfermagem e cargos administrativos. “Quem está ali com a pessoa o tempo inteiro somos nós, de domingo a domingo, por isso, temos que tornar agradável essa aproximação.”

Lições de amor e dedicação Amarelinhas, Rosinhas e Verdinhas. É pelas cores dos uniformes que, carinhosamente, os três grupos de voluntários da Santa Casa são reconhecidos. A Associação dos Voluntários da Santa Casa de Santos,

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ou melhor, as Amarelinhas, é a mais antiga. Fundada em 1957, a entidade realiza tarefas simples, porém, de muito valor para os mais necessitados. “Damos banho, conduzimos os pacientes aos exames, realizamos corte de barba e cabelo, servimos refeições e, sobretudo, praticamos o amor incondicional, procurando dar uma palavra de apoio aos familiares dos pacientes”, define Gilda Chudin Mele, presidente em exercício. Com 79 anos de idade, ela lembra bem da emoção que sentiu ao ver as Amarelinhas atuando pela primeira vez. Isso já faz 25 anos e foi o suficiente para motivá-la a seguir o mesmo caminho. “Eu estava com um filho internado e ouvi uma turma cantando e distribuindo produtos. Era uma alegria muito contagiante. Na hora, decidi que queria fazer parte daquela corrente do bem.” Com o lema Quem não vive para servir,

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perar a morte de dois filhos vítimas de câncer, ela não mudou de conduta. “Continuo auxiliando os pacientes porque, mesmo diante do sofrimento, digo com todas as letras: o câncer pode ter cura. E para cada um que prova dessa realidade, eu fico muito feliz.” As Verdinhas da Santa Casa de Misericórdia formam um grupo de voluntariado da Comissão de Controle de Qualidade, que apura a satisfação do cliente por meio do preenchimento de questionários. O objetivo é traçar um diagnóstico do atendimento oferecido, em todas as esferas. Instituído há 11 anos, esse é o menor time de voluntários, composto por 30 membros. Ana Maria Maia Rodrigues é a coordenadora do Voluntariado da Comissão de Controle de Qualidade. Ela diz sem pestanejar que o maior intuito é fazer com que o paciente responda aos questionários. Para isso, fazemos visitas às alas e pedimos que exponham seus pensamentos. “Juntando todas as unidades, já conseguimos medir um índice de 85% de aprovação.”

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não serve para viver, a associação já conta com 142 voluntários, entre eles, dona Maria de Lourdes Pilar, a integrante mais antiga. Ela tem nada mais nada menos que 89 anos, “bem vividos”, diz animada. Pilar, como é conhecida, entrou para as Amarelinhas em 2 de fevereiro de 1970, contrariando a vontade do marido. Sem pestanejar, optou por trabalhar na ala pediátrica devido sua grande paixão pelas crianças. “Eu nunca deixava minhas crianças molhadas, quando as enfermeiras me viam, falavam brincando: `esconde as fraldas’, relembra. A Associação Santa Isabel de Combate ao Câncer, ou, simplesmente, Rosinhas, formada por 90 voluntárias, tem como foco o apoio ao setor de oncologia. Essa turma auxilia na manutenção da brinquedoteca, ambulatório, oncologia pediátrica e centro de apoio. A voluntária Nelli Valente Cavallucci é a presidente da associação; ela tem 83 anos e muita experiência para compartilhar. São mais de 20 anos só de Santa Casa. Toda essa bagagem lhe rendeu muita força interior. Após su-

O vice-provedor Felix Alberto Ballerini, também abraça o voluntariado, com 22 anos dedicados à Santa Casa

Fotos Luciana Sotelo

Nelli Valente Cavallucci, presidente das Rosinhas, Maria de Lourdes Pilar, integrante mais antiga das Amarelinhas e Ana Maria Maia e Miriam Pina Correa, das Verdinhas

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saúde

Fotos Luciana Sotelo

A grande cozinha prepara 3.500 refeições por dia, divididas em 25 tipos de cardápios diferenciados. Abaixo, José Carlos Pereira, por suas mãos são fabricadas todas as massas servidas no hospital

Elevado ao cubo A Santa Casa de Santos conta com setores que vão além de sua atividade fim. De acordo com o vice-provedor Felix Alberto Ballerini, a Irmandade é uma “minicidade”. Em um terreno de 100 mil metros quadrados, além da estrutura hospitalar e serviço funerário, há espaço para serralheria, carpintaria, costura, tapeçaria, tipografia, farmácia industrial e uma lavanderia, que, ano passado, por exemplo, processou 2.177.401,40 quilos de roupas. Agora imagine preparar 3.500 refeições por dia. Para tornar a tarefa ainda mais complexa, as receitas têm que seguir a necessidade nutricional de cada um. Para atender as exigências necessárias são produzidos mais de 25 tipos de cardápios diferenciados. É assim, com critérios pré-fixados, que funciona a enorme cozinha da Santa Casa de Misericórdia de Santos. Para dar conta do recado, uma equipe de 241 funcionários atua exclusivamente no setor, sob a coordenação de Mônica Lourenço das Neves, chefe do Departamento de Nutrição e Dietética. Sem desandar a massa, ela procura caprichar nas refeições. “É um desafio diário. Temos uma preocupação em adequar a alimentação do paciente da melhor forma possível fazendo com que a aceitação seja influenciada pela qualidade da alimentação.” A composição da cozinha é gigantesca e dividida em produção, despensa, cozinha geral e dietética, além dos refeitórios. O local reservado para estocagem dos alimentos mais parece um minisupermer-

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Fotos José Eduardo Barbosa

Brinquedoteca da oncologia pediátrica, um dos segmentos de referência da Santa Casa

cado. A quantidade de ingredientes impressiona qualquer dona de casa. Pelos itens básicos, dá para se ter uma ideia da complexidade dessa lista. “Compramos por mês quatro toneladas de arroz, 7.800 quilos de batata, 1.200 quilos de feijão, 3.600 quilos de frango, e por aí vai, nossa relação é extensa”, conta. Dentro do setor, há ainda uma padaria que registra, anualmente, uma produção de dar inveja. Em 2012, entre uma fornada e outra, foram fabricados 254.000 pães franceses, 116.000 pães de centeio, 40.000 minicarás, 15.000 minisonhos e 26.000 minimédias. José Carlos Pereira, de 48 anos, trabalha na Irmandade de Misericórdia há dez anos. O curioso é que ele não executa função ad-

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ministrativa nem muito menos na área da saúde. “Quando eu falo onde trabalho e o que faço, muita gente não acredita”. Sim, é verdade. José Carlos é masseiro; pelas suas mãos são fabricadas todas as massas servidas no hospital. Ele trabalha de segunda a sexta-feira na confecção de mais de dez tipos diferentes de pastas. Apaixonado pela profissão, ele já segue o ofício há três décadas. Antes do emprego atual, José Carlos teve uma cantina italiana; é de lá, inclusive, que a diretoria da Santa Casa conheceu o sabor de um bom macarrão. “Eu sempre recebia elogios. Quando o antigo masseiro saiu, o setor ficou fechado por um ano, por falta de um profissional qualificado. Eu resolvi aceitar a proposta”.

A Santa Casa oferece 700 leitos, atendimento em 37 especialidades médicas e três centros cirúrgicos com 23 salas operatórias

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Foto José Eduardo Barbosa

saúde

A Irmandade é uma “minicidade”, em um terreno de 100 mil metros quadrados

Foto Luciana Sotelo

Contas no vermelho

Erimar Carlos Brehme, diretor-superintendente da Santa Casa, destaca a criatividade para lidar com as contas

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A Santa Casa é a maior prestadora de serviços para o Sistema Único de Saúde (SUS) em toda região. A conta desses atendimentos é alta. O vice-provedor Felix Alberto Ballerini explica que, a cada R$ 1 gasto, o repasse SUS é de apenas R$ 0,60. Não precisa fazer cálculos complexos para descobrir que o rombo no orçamento da instituição é imenso, na verdade, de R$ 2,5 milhões por mês. No ano, o prejuízo soma R$ 30 milhões. O déficit operacional repete-se em muitas das Santas Casas espalhadas pelo país. A saúde pede socorro. Isso acontece porque as instituições hospitalares de caráter filantrópico, para manter o status e usufruir dos benefícios fiscais e manter os objetivos institucionais, precisa cumprir a obrigação legal de atender pacientes pelo SUS em pelo menos 60% de sua capacidade instalada. Essa obrigatoriedade pode acar-

retar em prejuízos financeiros em virtude dos valores pagos abaixo do mercado. De acordo com o administrador hospitalar Erimar Carlos Brehme de Abreu, diretor-superintendente da Santa Casa, é preciso o dinheiro do plano de saúde, do serviço funerário, aluguel do patrimônio, subvenções e muita criatividade para lidar com a situação. “A Santa Casa sempre lidou com esses altos e baixos”. No último balanço social, realizado em 2012, a instituição teve um déficit negativo de quase R$ 20 milhões. “De qualquer maneira, temos a proteção de Deus e eu sempre peço para ele nos dar uma ajuda. Hoje, acredito que não tenha nenhuma Santa Casa no azul, com as contas em dia.” O importante é que, por enquanto, a fórmula de Felix está dando certo. Todos os dias, a Santa Casa vence obstáculos e melhora a vida dos pacientes.

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Foto Munir El Hage/PMSS

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Uma reserva

para as futuras gerações

Área de proteção ambiental recém-criada, a APA Baleia/Barra do Sahy preservará mais de um milhão de metros quadrados em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo

Por Ricardo Hiar O litoral paulista oferece, para quem mora na região ou a visita, uma infinidade de belezas naturais. Praias variadíssimas, rios de águas claras, cachoeiras, mata preservada e muito mais. Alguns locais são mais privilegiados que outros, a exemplo dos bairros Baleia e Barra do Sahy, em São Sebastião, dotados de rara beleza e diversidade. A Mata Atlântica é uma das responsáveis, mas, além das belas praias, tem manguezais e um rio que passa pela região e a liga ao Parque Estadual Serra do Mar e a praia. Nestes bairros, ainda existem algumas casas simples, ocupadas por famílias dos cai-

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çaras que habitaram inicialmente as praias homônimas. Todavia, casas de alto padrão e condomínios luxuosos despontam aqui e ali, habitados por pessoas atraídas exatamente pela característica ímpar da localidade. No decorrer do tempo, porém, um problema começou a rondar Baleia e Barra do Sahy, provocado pela grande demanda. O crescimento urbano e a falta de cuidados colocaram em risco toda a biodiversidade local. Desmatamentos, construções irregulares e poluição dos rios e praias estavam entre os eventos registrados. Tal abuso mobilizou a sociedade civil, que

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outras espécies são atingidas e o resultado normalmente é a extinção de espécies da fauna e flora. “Ao assegurar que essas formações florestais continuem exercendo suas funções ambientais haverá também o equilíbrio da fauna aquática. Isso possibilita a manutenção da pesca litorânea e oceânica, garantindo a preservação de vida nos oceanos. É algo que reflete na atividade dos pescadores locais. ”Depois de concluído o estudo que delimitou a área a ser protegida, o processo precisou seguir alguns trâmites burocráticos até tomar forma. Waetge demonstrou nos estudos a importância de delimitar uma espécie de corredor ecológico, visto que boa parte da área

Os moradores mais antigos da área, e que ainda preservam alguns costumes, como a pesca, serão os mais beneficiados com a criação da APA

Estudo mostrou importância da região devido às variedades de fauna e flora, além de ser berço de muitas espécies do Parque Estadual Fotos Munir El Hage/PMSS

se organizou e resolveu reverter esse quadro. Voluntários uniram-se para garantir que os bairros de Baleia e Barra do Sahy fossem preservados para as futuras gerações. A advogada Fernanda Carbonelli é um deles desde o início do processo. Responsável legal pelo Movimento Preserve o Litoral Norte, ela aponta a importância da precaução e de se manter as belezas naturais da região enquanto há tempo. Segundo explicou, o movimento nasceu em 2011, exatamente pela necessidade de unir a sociedade civil contra a degradação ambiental desse trecho localizado na costa sul do município. Na época, a prefeitura local iniciara discussões sobre o plano diretor e projetos provenientes da comunidade, que poderiam ser incluídos na discussão. Fernanda diz que, ao avaliarem essa possibilidade, os moradores envolvidos no movimento decidiram apontar a Barra do Sahy e a Baleia como uma APA (Área de Proteção Ambiental). Para tal, conseguiram apoio de outros moradores, para financiar um mapeamento ambiental completo da área, que justificasse a iniciativa. O resultado, conforme explica, foi surpreendente, pois mostrou que a região era ainda mais importante ambientalmente, devido às variedades de fauna e flora, além de ser berço de muitas espécies do próprio Parque Estadual. Somente em relação às aves, foram encontradas 84 espécies, das quais 14 são endêmicas. O engenheiro agrônomo André Motta Waetge foi o responsável pelo estudo da área, que tem mais de um milhão de metros quadrados. Ele explica que, até então, não existia qualquer área similar protegida na cidade, que contemplasse manguezais, floresta paludosa e brejo de restinga. Ele explica que cada parte integrante desse grupo de ecossistema tem uma função e, por isso, precisa ser preservada, incluindo a fauna aquática. Segundo ele, se nada fosse feito, até mesmo a atividade de pesca exercida por alguns caiçaras seria prejudicada. Waetge explica que se trata de uma ação em cadeia. Se algo falha nesse sistema,

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Fotos arquivo pessoal

meio ambiente

apontada para a proposta de conservação está localizada às margens do rio Sahy. Nesse ponto, seria possível ligar desde a área de influência das marés, até toda a planície e zonas de influência, até chegar no Parque Estadual da Serra do Mar. Conforme Fernanda Carbonelli, o estudo ainda indicou que muitas espécies do parque descem para essa planície a fim de se reproduzirem, o que tornava ainda mais importante a conservação de todo o corredor. Ainda em 2011, o projeto passou para análise dos órgãos ambientais e recebeu aprovação de todos. Ele foi analisado pelo Condephaat (Conselho da Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico), assim como pelas Secretarias Municipal e Estadual do Meio Ambiente. O Condurb (Conselho Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente) também deu o seu aval. Toda a comunidade pôde ter acesso à proposta, durante as discussões do Plano Diretor, naquele mesmo ano. Depois de seguir outros trâmites, o documento entrou em votação na Câmara Municipal em 2013 e foi aprovado em duas

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votações. O projeto de lei proposto pela prefeitura também será inscrito no CNUC (Cadastro Nacional de Unidades de Conservação), do Ministério do Meio Ambiente. Com mais de um milhão de metros quadrados, a APA contará com três setores: o de proteção ambiental e as zonas de amortecimentos 1 e 2, ensejando a regulamentação de atividades como pesquisa científica, manejo sustentado de recursos marinhos necessários à garantia de qualidade de vida das comunidades tradicionais, pesca amadora e esportiva, moradia e extrativismo, ecoturismo e mergulho, além de educação ambiental relacionada à conservação da biodiversidade. O prefeito Ernane Primazzi considerou a aprovação da proposta como uma grande conquista não apenas para o município, mas para o meio ambiente de forma geral. Ele destacou que ao longo do tempo a área sofreu com pressão imobiliária e ambiental, que foi um dos grandes motivadores da criação da APA. “É uma reserva ecológica dentro de São Sebastião com espécies da fauna e da flora de grande importância

Foto Munir El Hage/PMSS

Haroldo Tavares, Fernanda Carbonelli e André Motta, atuantes nos trabalhos desenvolvidos na região

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ao ecossistema”. Conforme o prefeito, a unidade de conservação vai permitir uma fiscalização mais efetiva. Fernanda conta que a própria comunidade desses dois bairros tem atuado de forma efetiva na conservação do local, para evitar construções irregulares e degradação do meio ambiente. “Há dois anos, fazemos o monitoramento dessa área para auxiliar na fiscalização e evitar abusos contra o meio ambiente.” Os moradores mais antigos da área, e que ainda preservam alguns costumes, como a pesca, serão os mais beneficiados com a criação da APA Baleia/Sahy. Com o tempo e os problemas gerados pelo desenvolvimento os pescadores passaram e enfrentar desafios com a diminuição dos peixes disponíveis nesta região. Isso gerou

a diminuição de renda de muitas famílias que dependiam exclusivamente da atividade. Um dos objetivos da nova área de preservação é suprir esse déficit. “Não sei fazer outra coisa. Minha vida foi sempre trabalhar com meu barco e pescar. Mas a situação foi ficando cada vez mais difícil. A criação dessa APA traz mais esperanças pra gente”, comentou o pescador Haroldo Tavares, 56 anos, que sempre morou em Barra do Sahy. Ele acompanhou todo o processo de criação da unidade de conservação e acredita que a proposta vai auxiliar bastante a comunidade local. Primeiro, porque, com a área mais preservada, o meio ambiente pode se estabilizar e até se reconstituir, melhorando a situação da pesca, por exemplo. Segundo, porque os moradores locais

Área contempla manguezais, floresta paludosa e brejo de restinga

Beach&Co nº 136 - Outubro/2013

Pressão urbana Quem também continua atento às mudanças nas praias Baleia e Barra do Sahy é o setor imobiliário. Por se tratar de uma das áreas mais caras e nobres do estado de São Paulo, a região é sinônimo de bons negócios. Com a criação da APA, a área foi congelada, o que significa que, quem está ali continua, mas traz mais dificuldades para novas construções. Como um processo natural no mercado imobiliário, quando há mais procura do que demanda, a tendência é uma elevação nos preços e a supervalorização. O município de São Sebastião já enfrenta isso em outras partes da cidade. De acordo com o corretor de móveis Wanderson Heleno, que atua em São Sebastião, a elevação de preços acaba sendo uma tendência natural em casos como o da Baleia e Barra do Sahy. “Quando não há mais locais disponíveis para construção, quem já se estabeleceu no lugar tem condições de colocar seu preço e aí o comprador vai ter que avaliar esses aspectos. Quem realmente quiser um patrimônio em lugares assim, acaba tendo que pagar o preço exigido”, esclarece. Levantamentos feitos nos últimos anos apontam que um terreno na região custa, em média, mais de R$ 3 mil o metro quadrado. Há imóveis avaliados em mais de R$ 10 milhões.

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Fotos Munir El Hage/PMSS

meio ambiente

Boa parte da região apontada para a proposta de conservação está localizada às margens do rio Sahy, imprescindível para pescadores e ponto de ligação com a área de influência das marés e o Parque Estadual da Serra do Mar

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também poderão complementar a renda trabalhando com turismo. É que parte das próximas etapas da APA será incluir atividades sustentáveis para a região, como o turismo, por meio de visitas monitoradas. Como os dois bairros já são frequentados por turistas, a expectativa é que a procura por esses novos roteiros seja grande. Outro morador que comemora a aprovação da lei e espera complementar a renda com o turismo é José Benedito dos Santos, 65 anos, que sempre morou na comunidade. “Esse projeto é maravilhoso. Além de preservar a área, vai nos ajudar com trabalho. Aqui tinha muito problema de invasão. Acho que agora vão conseguir acabar com isso”, apontou. Santos diz que uma das propostas será a realização de passeios contemplativos. O rio que integra o corredor ecológico já passa por estudos, para receber algumas melhorias e ficar navegável, permitindo roteiros ao longo desse trecho. “Vamos estar preparados aqui para mostrar aos turistas toda a beleza desse lugar. Aqui tem um pouquinho de tudo: mangue, Mata Atlântica, rio, praia. Tudo com muita qualidade.”

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meio ambiente

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Beach&Co nยบ 136 - Outubro/2013


Foto Luciana Sotelo

Cores e encantos

junto ao mar

Na primavera, a grande área verde da orla santista transforma-se em uma aquarela graças à diversidade de flores e plantas de múltiplos tons

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meio ambiente Foto Luciana Sotelo

Por Luciana Sotelo Se há uma coisa de que o santista se orgulha com unanimidade é, sem dúvida, da beleza do jardim da orla. Além de ser um dos mais belos cartões postais da Baixada Santista, sua fama já conquistou o cenário internacional e, agora, na estação das flores, atinge sua plenitude em exuberância e colorido. Tal cenário, contudo, não é devido apenas à mãe natureza. Nos bastidores, atuam dezenas de profissionais durante o ano todo para obter, na primavera, o grande prêmio, um verdadeiro show de encantos naturais. Biris, dracenas, lírios... apenas algumas das principais espécies botânicas que enfeitam o famoso tapete verde, com mais de cinco quilômetros de extensão, cobrindo quase toda a orla santista, do José Menino, próximo à divisa com São Vicente, até uma pequena parte da Ponta da Praia. O engenheiro agrônomo João Cirilo, chefe do Departamento de Parques e Áreas Verdes da prefeitura de Santos (Depav), explica: “O segredo é mexer com os cinco sentidos das pessoas que passam por ali”. Segundo ele, o jardim ocupa 218 metros quadrados, recobertos por gramados, 920 canteiros, mais de 60 tipos de plantas ornamentais e 1700 árvores. A imensidão dos números impressiona moradores, turistas e até quem está bem distante. Desde 2001, o imponente ponto turístico ganhou destaque no Guinnes Books, o livro dos recordes, como maior jardim frontal de praia do mundo. Quem caminha sossegado por suas alamedas, sente e vê o resultado da parceria entre a nature-

O famoso jardim possui cinco quilômetros de extensão, cobrindo quase toda a orla santista

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Foto Luciana Sotelo

São 218 metros quadrados, recobertos por gramados, 920 canteiros, mais de 60 tipos de plantas ornamentais e 1700 árvores

za e o homem, mas nem sempre sabe como tudo foi parar ali. Cirilo explica que a preparação acontece meses antes, com a escolha das mudas que vão florescer na estação mais bonita do ano. Em seguida, é feito um planejamento das cores, por trechos do jardim, o que, segundo Cirilo, evita a monocromia, ou seja, a projeção de uma única cor. “Nós diversificamos. O encanto está na mistura das tonalidades e nos movimentos produzidos pelas curvas dos canteiros. Além disso, damos relevância também para a altura dessa paisagem.” O resultado é uma perfeita aquarela, com riqueza de tons amarelados vindos dos lírios e biris; do vermelho, dos malvaviscos; do branco, do lírio da paz; do laranja, da iris leopardo e tantas outras tonalidades. “Queremos produzir uma sensação boa a quem admira a paisagem.” Todas as mudas foram cuidadosamente plantadas em locais estratégicos para melhor sobrevivência. “As mais resistentes são colocadas próximo da areia, as demais ficam perto do calçadão”. Cirilo lembra

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que foi na década de 1960 que o jardim teve uma grande expansão. Um engenheiro agrônomo começou a estudar os exemplares que se adaptavam melhor a fatores como vento, salinidade e luminosidade, itens característicos da beira-mar, o que resultou no formato e nas referências de hoje.

Começou com Saturnino Os traços pioneiros dessa obra de arte natural tiveram início em 1910, quando Saturnino de Brito projetou as primeiras estruturas urbanísticas de Santos, e incluiu no traçado áreas verdes para delimitar o mar. Em 1921, um momento decisivo foi escrito. Uma carta endereçada ao então presidente da República, Epitácio Pessoa, garantiu a posse dessas terras à prefeitura de Santos. A partir de então, os primeiros trechos arborizados começaram a surgir entre os bairros do Gonzaga e Boqueirão. A iniciativa foi do poeta Vicente de Carvalho, imortalizado no espaço onde tudo começou. De lá para cá, são décadas e décadas de manutenção e constantes transformações. Tudo para que as flores e as histórias se renovem a cada manhã com o carinho e a admiração de quem trata e de quem curte os jardins praianos.

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Fotos Anderson Bianchi

meio ambiente Dezenas de profissionais atuam durante o ano todo para obter, na primavera, o verdadeiro show de encantos naturais

Nos corredores, as árvores completam o projeto paisagístico. Predomina o chapéu-de-sol com seus galhos frondosos e folhas largas que geram uma sombra fresca. Um convite irresistível para um fim de tarde. Ainda nesse quesito, é possível observar as palmeiras; são mais de cinquenta espécies ao longo da orla, como a imperial, dombeia, areca e jerivá. Atualmente, 25 funcionários mantêm o jardim, entre os quais, jardineiros, cortadores de grama, ajudantes gerais e dois engenheiros. O segredinho da turma já virou um lema: “Não basta apenas plantar”. É preciso se dedicar às mudas. Por conta disso, durante todo ano, é feita uma manutenção de toda a área. O trabalho é dividido por estação; em cada período é feito um manejo diferente. Na primavera, a estação das flores, é fundamental realizar a adubação. Essa é uma ação concentrada por canteiros. É feita a adubação orgânica do solo por meio de um composto à base de terra, restos de poda de árvores e esterco de cavalo. Outro passo primordial, revela Cirilo, é o trato cultural, que nada mais é do que a limpeza do jardim, principalmente, para controle de pragas e doenças. Por fim, há o corte da grama, que mantém o conjunto em sintonia. Todos esses ingredientes interligados formam uma receitinha de sucesso garantido, o jardim da orla que, além do embelezamento, possui ainda uma função urbanística para lá de especial: melhorar o ar da cidade e, consequentemente, a qualidade de vida da população. “As árvores retêm os particulados do ar. Para uma cidade com, em média, um carro para cada dois habitantes, é necessário termos árvores. Inclusive, ajuda a reter o calor de zonas mais aquecidas. Daí porque a sensação é tão gostosa, nos jardins.”

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turismo

Cachoeira, cachaça, história e aventura A Fazenda da Toca, em Ilhabela, reúne muitos atrativos e, melhor, bem pertinho do centro da cidade

Por Ricardo Hiar Além das belas praias, Ilhabela é uma cidade que se destaca por suas cachoeiras. Ao todo, são 365 quedas d’água, que chamam a atenção de moradores e turistas. Alguns desses locais, porém, recebem destaque e maior número de visitantes, seja por sua localização geográfica, facilidade de acesso, belezas naturais ou até mesmo, seu contexto histórico. A cachoeira da Toca, localizada no bairro Reino, reúne todos esses atributos e, por isso, é um destino muito frequentado por quem mora ou está de passagem pelo munícipio. O acesso é fácil e com sinalização adequada; até mesmo quem nunca foi à fazenda, consegue chegar. O principal trecho do percurso é feito por ruas pavimentadas. Apenas os cerca de 500 metros finais são de estrada de terra. A distância, da entrada da cidade, pela balsa, até o estacionamento que dá acesso à cachoeira, é de 11 km. A estrutura rústica e o modelo de construção do casarão principal mostram os sinais do tempo e retratam o período da escravatura. As telhas, por exemplo, foram moldadas nas coxas dos escravos. Hoje abriga uma lanchonete e um alambique, onde é produzida a famosa cachaça da Toca. A decoração é simples, mas com muitos registros do passado. A Fazenda da Toca, que costuma ser um dos destinos dos turistas que chegam ao arquipélago por meio dos navios de cruzeiro, leva esse nome devido a uma grande toca de pedra existente ao lado da cachoeira principal da propriedade, que é particular e pertence aos irmãos belgas Van Sebroeck. Por esse motivo, quem quiser visitar a paisagem natural de Mata Atlântica, precisa ficar atento aos horários de funcionamento. O local está liberado para visitação de outubro a abril, das 8 às 20h e nos demais meses, das 8 às 17h, todos os dias da semana.

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Foto Fernanda Lupo/viagensecologicas.com.br

O tobogã natural, formado pelas pedras no entorno da cachoeira, é muito concorrido no verão

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turismo O interior da fazenda e acesso às cachoeiras também são bem sinalizados e com estrutura para permitir a segurança dos visitantes. Há, por exemplo, a indicação da profundidade das piscinas naturais e quedas d’águas. Além disso, o visitante conta com escadarias de concreto e corrimãos, para chegar aos principais pontos turísticos. Uma dica importante é o uso de repelente. Mas não é preciso se preocupar, pois os administradores mantêm logo na entrada um ponto com repelente à base de componentes naturais, que são eficazes em evitar o ataque de insetos. Durante os meses de temporada, as opções de lazer e entretenimento são ampliadas na Fazenda da Toca. O espaço, cuja área total é de 1,3 hectare, oferece quiosques com várias opções de alimentação, tirolesa, arborismo e restaurante. Nos demais meses do ano, é possível conhecer as cachoeiras, trilhas, piscinas naturais, tobogãs, duchas, além do engenho histórico e degustação da cachaça, produzida na fazenda e que chega a ter 60 sabores diferentes. O derivado da cana-de-açúcar leva os mais variados compostos, como frutas e hortaliças. As mais procuradas e apreciadas pelo público em geral são as cachaças de cambuci, maracujá e gengibre. O visitante pode ir tranquilo até o local, pois há um cardápio de lanches e petiscos à disposição.

Fotos Marcio Bortolusso/viagensecologicas.com.br

Na área de 1,3 hectare há diversas opções de lazer, como tirolesa, arborismo e piscinas de águas claras

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Fotos Ricardo Hiar

Engenho histórico se mantém ativo e produz 60 sabores de cachaça. Dentre as mais procuradas estão as de cambuci, maracujá e gengibre

Com estacionamento privativo, é possível chegar bem próximo das quedas d’água, com mais segurança e comodidade. O estudante Emerson Alves Filho, 21 anos, gostou do que encontrou na Fazenda da Toca. “Foi a primeira vez que vim até aqui e mesmo com um tempo não muito quente, é possível aproveitar. O lugar é muito bonito e relaxante”, disse. A aposentada paulistana Lívia do Carmo Dias, 65 anos, também gostou da estrutura. “Isso aqui é um pedacinho do paraíso. Gostei porque é perto da cidade, chegamos sem dificuldades e dá para passar um bom tempo só contemplando essas belezas”, completou. Outra atração bastante frequentada e indicada para quem quer um maior contato com a natureza é a trilha dos Borges, localizada no interior da Fazenda da Toca. O percurso de 1600 metros só pode ser feito com um guia autorizado. O passeio de ida e volta leva em média seis horas e precisa de um agendamento prévio. O local mostra ao visitante uma trilha exclusiva, pouco explorada e repleta de fragmentos da história arqueológica, assim como da vida silvestre de Ilhabela. Serviço: informações adicionais pelo telefone (12) 3896 5325, ou pela internet www.cachoeiradatoca.com.br.

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O ingresso para visitar a Fazenda da Toca custa R$ 10 por pessoa na baixa temporada. Já no período de maior movimento turístico, o valor é de R$ 10 para crianças de 6 a 10 anos e R$ 15, para as pessoas com idades a partir de 11 anos. Depois de pagar pelo ingresso, o visitante pode, inclusive, ir a outros pontos turísticos de Ilhabela e retornar, sem ter que pagar novamente no mesmo dia.

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Foto Luciana Sotelo

comportamento

Brinquedos do Bem Voluntárias transformam-se em cabeleireiras, estilistas e até doutoras. Tudo é válido na hora de recuperar brinquedos usados e fazer crianças carentes felizes 38

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Por Luciana Sotelo quinta-feira, funciona a Oficina de Restauro, uma espécie de fábrica mágica, movimentada por treze senhoras que se transformam em cabeleireiras, estilistas e até doutoras para dar vida nova às doações. “O nosso faz-de-conta é real. O que movimenta essa engrenagem é o amor que temos pelas crianças. Além do mais, o sorriso que ganhamos em troca não tem dinheiro que pague”, explica a coordenadora Maria Tereza Zitei. Dona Rosemay Ferraz, de 77 anos, sabe bem o que é isso. Ela é a voluntária mais antiga, uma das fundadoras da Oficina, com mais de 20 anos dedicados à causa dos pequenos mais necessitados. “Desde muito nova, conheci a pobreza. Eu via o olhar triste das crianças carentes em época de festas

Foto Luciana Sotelo

A história de vida de um brinquedo pode ser resumida em três fases: na primeira, ele ainda é objeto de desejo da garotada. A seguir, torna-se, por um período, companheiro inseparável de aventuras e, por fim, com poucas exceções, termina jogado, quebrado ou esquecido numa caixa ou armário. Mas um grupo de voluntárias de Guarujá decidiu criar mais um capítulo nessa história e, assim, fazer com que bonecas, carrinhos e bichos de pelúcia voltem para os braços de outras crianças. A ideia é estimular a doação e ensinar uma grande lição: o que não serve mais para uma pessoa pode ser muito importante para outra. O destino dos brinquedos começa a mudar quando eles chegam à sede do Fundo Social de Solidariedade. É lá que, toda

Desde a reativação, a Oficina de Restauro, movimentada por treze voluntárias, já restaurou e doou 800 brinquedos

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Foto Luciana Sotelo

comportamento

As campeãs de doações passam por processo de higienização e embelezamento para ficarem novinhas novamente

Faça parte Para colaborar com brinquedos ou utensílios de costura e limpeza, basta encaminhar os donativos à sede do Fundo Social de Solidariedade. O endereço é rua Cavalheiro Nami Jafet, 549, no Bairro Pitangueiras, em Guarujá. Carros, bonecos e bolas também são bem-vindos.

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querendo um brinquedinho. Eu sabia muito bem como elas estavam se sentindo porque eu sofri isso na pele, nunca pude ter uma boneca. Resolvi então que deveria fazer alguma coisa. Fiz um propósito no meu coração. Passei a juntar brinquedos usados, pegar peças em ferro-velho e consertá-los em casa. Eu amo o que faço”, conta Rose. Com essa experiência bem-sucedida repassada às companheiras, o princípio do projeto estava criado. Não importa como o brinquedo chegue, o esforço é para que ele fique idêntico a um modelo de loja. Por conta disso, cada exemplar passa por diversos procedimentos até ficar em ordem. “Muita gente até duvida ao ver que deixamos tudo novinho.” Inicialmente, é feita a triagem de todo o material encaminhado ao Fundo Social. “Separamos o que pode ser reaproveitado do que, infelizmente, tem que ir para o lixo. Olhamos sempre com boa vontade para

evitar desperdícios. Queremos dar um jeitinho em tudo que é possível”, afirma Maria Tereza, a aposentada que resolveu ocupar o tempo livre com uma atividade nobre. A maior parte das doações é de bonecas. Após a seleção, elas passam pelo processo de higienização. Uma das encarregadas pelo banho é dona Maria Encarnação Santos Gomes, de 72 anos. “Estou aqui há quatro anos e me dedico de coração a esse trabalho. Eu  esfrego bem essas meninas para que nenhuma fique encardida. Também passo xampu e condicionador no cabelo para ficar soltinho e macio.” A fase de embelezamento continua. Agora, é hora de ganhar um penteado e, até, se for o caso, cortar as madeixas. “Eu exijo sempre muito capricho porque uma boneca dessas pode representar a realização do sonho para uma garotinha. Cada fase é fundamental”, comenta a chefe da equipe. A última parte dos cuidados envolve a vestimenta, e nesse departamento Maria Tereza tem um carinho especial; não é à toa que ela é considerada a estilista da fábrica. “Eu faço as roupinhas em casa. Costuro vários tamanhos de vestidinhos para ter bastante opção.” Mesmo com babados e tecidos bonitos, os vestidos não são as peças preferidas das meninas. Ao longo dos anos, descobriu algo curioso: “A primeira coisa que elas olham, assim que recebem a bonequinha, é se ela tem calcinha. Elas ficam felizes ao notar que sim. Por isso, confecciono sob medida, para que nenhuma fique sem”, sorri. Algumas vezes, a recuperação, ou melhor, a restauração, é mais complexa, envolve dotes médicos, assume dona Rose. “Quando o brinquedo chega quebrado, ele é levado para a “UTI”. Nessa hora, atuamos como ‘doutoras’ e realizamos transplantes, seja de perna, cabeça ou braço. Procuramos no estoque o membro que melhor se encaixa na estrutura da boneca.” Dona Maria Tereza confessa que cuida das pequeninas como se fossem filhas. “Eu pego no colo, enfeito com lacinhos e as preparo para ter um novo lar”. Ao entregar o presente

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Fotos Luciana Sotelo

Maria Tereza e Rosemay Ferraz, voluntárias da alegria

nas mãos da criança, ela sempre se emociona. Houve um momento para lá de especial. “Teve uma garotinha que me deixou amolecida. Ela pegou a boneca e disse que nunca tinha ganhado nada tão bonito. Me abraçou e falou que eu era linda também.” Momentos marcantes fazem parte da rotina das voluntárias. Além de presentear os pequeninos, as participantes da oficina também visitam idosos que moram em clínicas de repouso. “Ao entregar uma bonequinha, algumas senhoras têm a lembrança dos filhos. Muitas chegam a chorar de saudade”, afirma dona Rose. Via de regra, os brinquedos recuperados são entregues às crianças carentes atendidas pelas entidades assistenciais cadastradas pela prefeitura, conta Elizabete Maria Gracia da Fonseca, presidente do Fundo Social. “Escolhemos datas comemorativas como Dia das Crianças e Natal para destinar as doações.”

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A oficina funcionou de 2000 a 2002 e depois parou. Em 2009, foi reaberta. Desde a sua reativação, mais de 800 brinquedos já foram entregues. “Este ano, no Dia das Crianças, seis creches foram beneficiadas e cada unidade recebeu 60 brinquedos. Esse é um resultado muito expressivo.” Se cada brinquedo contém em si a essência de um sorriso infantil, os voluntários que passam pelo Fundo Social de Solidariedade de Guarujá carregam uma energia extra. Eles levam também a esperança de novas histórias, e o carinho de quem decidiu dedicar algumas horas à caridade, como forma de agradecer pela existência. Rose diz: “É um excelente remédio para qualquer problema. Aprendemos muito com essa tarefa”. Maria Tereza completa: “Eu me sinto realizada. O amor que envolve o ato é mais do que motivador, é contagiante.”

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esporte

Canoagem onda

chegou com força

O litoral paulista já tem, inclusive, representantes em campeonatos nacionais e internacionais. O esporte, uma mescla de surfe com remo e canoagem, data dos idos de 1960, mas caiu de vez no gosto dos jovens, recentemente

Por Fernanda Mello É surfe? É canoagem? Bem, é um pouco dos dois. A ideia é pegar uma onda com caiaque ou prancha dotada de remo. Chamada de canoagem onda, a prática não é nova, pois surgiu no Brasil na década de 1980, no Rio de Janeiro. Relegada a um segundo plano, por conta do surfe, e mesmo da canoagem tradicional, ela sutilmente começou a marcar presença nas praias de Santos, Guarujá e Bertioga. A modalidade integra a canoagem e, segundo a Confederação Brasileira de Canoagem, ela se divide em duas classes: kayaksurf e waveski. Na primeira, os canoístas surfam as ondas  com caiaques em formatos diferenciados, que propiciam performances similares à prancha de surfe, com direito a manobras iguais as dos surfistas, como aéreos e tubos. No segundo, a diferença é que o atleta senta-se sobre o equipamento (caiaques abertos), e não dentro, como no kayaksurf. Em julho, o santista Gilberto Alves Filgueira, o Giba, voltou da Copa do Mundo de Waveski, realizada em Portugal, com a medalha de bronze na categoria master (40 a 49 anos), e com a nona colocação na open, que abrange participantes de todas as ida-

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des. Ou seja, está entre os 10 melhores do mundo na modalidade. “A canoagem onda vem crescendo e deve continuar assim nos próximos anos. O que precisamos é investir em divulgação e em equipamentos para iniciantes, além de uma escolinha para formar mais atletas”, diz o canoísta, que também é vice-presidente da Associação Mundial de Waveski e membro consultivo do Comitê de Canoagem Onda na Confederação Brasileira de Canoagem. Em Guarujá, a praia do Tombo recebeu, em junho e em outubro, duas etapas do Circuito Brasileiro de Canoagem Onda. Cerca de 40 atletas de vários estados participaram de cada uma das edições, além do francês Virgile Humbert, campeão mundial júnior, presente como convidado na etapa, realizada nos dias 5 e 6 deste mês. Na ocasião, os paulistas mostraram que estão cada vez melhores. O bertioguense e atual campeão sul-americano de canoagem Bruno Guazelli Filho, sagrou-se campeão no kayaksurf sênior e vice no kayaksurf open, enquanto Gilberto Filgueira foi vice no waveski master e o guarujaense Igor Santana da Silva foi bronze no kayaksurf sênior e vice na kayaksurf ini-

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Foto Arquivo pessoal

Fotos Vagner Dantas

Modalidade disputa espaço com o surfe nas praias de Santos, Guarujá e Bertioga

O bertioguense Bruno Guazzelli, atual campeão sul-americano de canoagem onda, e o guarujaense Igor Santana, muito bem colocados no Campeonato Brasileiro, com duas primeiras etapas realizadas em Guarujá

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ciante. “Fui apresentado à modalidade por um amigo, e venho praticando desde 1996. É muito gostoso e também difícil. Exige muito preparo físico e fôlego para passar a arrebentação”, diz Igor. Entre os pontos favoráveis do esporte, destaca-se seu caráter inclusivo. Um bom exemplo pôde ser visto durante a primeira etapa do Circuito Brasileiro. O título da categoria kayaksurf sênior foi para o atleta mineiro Filipe Kyzu, cadeirante, que disputou de igual para igual com os competidores caminhantes. Em geral, os praticantes vêm do surfe, já que, tanto as manobras quanto as regras de competição dos dois esportes são as mesmas. No entanto, quem não sabe surfar pode tranquilamente iniciar na modalidade. Segundo os canoístas, o que torna mais difícil a canoagem onda em relação ao surfe é que, na primeira, o atleta está mais preso pela saia ou cinto, do que o surfista, ligado à prancha apenas pela cordinha.

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esporte

Foto Arquivo pessoal

Origem

Eles dizem ainda que, com a prancha de surfe, é mais fácil varar a arrebentação e se posicionar para esperar as ondas. O surfista pode, por exemplo, passar por debaixo da onda durante a arrebentação. Com o caiaque ou prancha do waveski, as opções são enfrentá-la, passando por cima dela, ou executando o rolamento (manobra em que o atleta volta à superfície sem ter que sair do caiaque quando ele vira, geralmente dominada por atletas mais experientes). Mas há um ponto a favor dos canoístas. Com o remo, eles conseguem mais velocidade e entram mais facilmente na onda do que os surfistas, que contam simplesmente com a força dos braços na sua remada. Mas, o que é isso? Esta é a pergunta mais comum que os canoístas ouvem quando estão na praia. Para Bruno Guazzelli Filho o esporte “desperta curiosidade pelo radicalismo e pela dificuldade que é passar a arrebentação e surfar sentado e preso ao kayaksurf ou ao waveski.” Apaixonado assumido pelo esporte, Bruno acredita que, aos poucos, a moda-

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lidade ganha mercado, espaço na mídia e se torna mais conhecida. Supervisor da modalidade na Confederação Brasileira de Canoagem, ele esclarece que uma nova categoria do esporte está em processo de  homologação na confederação nacional: a shark paddle surf – uma mistura de canoagem onda e stand up paddle surf (SUP). Nela, o atleta usa uma prancha que, de lado, parece um tubarão (shark, em inglês), e pega as ondas em pé ou sentado. A modalidade foi idealizada pelo guarujaense Alexandre Mattei. Para os iniciantes, o waveski é mais fácil para experimentar a modalidade e curti-la; inclusive, há modelos novos para principiantes que custam pouco mais de R$ 1 mil. Antes de investir, os canoístas recomendam experimentar descer as ondas em caiaques convencionais – muitos começaram no esporte desta forma. Na região, há lojas especializadas na locação das embarcações. Outra opção é procurar algum atleta do esporte para conversar e conhecer melhor a atividade. Vai tentar?

Foto Vagner Dantas

Historicamente, a origem da canoagem onda está ligada a embarcações de pesca em rios e mares. No Peru, os nativos usavam embarcações semelhantes ao caiaque para pescar, chamadas de Cavalo de Totora. Eles entravam no mar com a ajuda de um pedaço de bambu, como remo, e voltavam à areia surfando na onda. Como esporte, o início da modalidade remete-se aos anos 1960, na Austrália, com os seguranças de campeonatos de surfe (surfistas que ficam no mar para delimitar o espaço destinado para a competição). Nos intervalos das competições, eles se deslocavam em pranchas tipo waveski e desciam as ondas. O primeiro campeonato mundial ocorreu em 1975, na África do Sul. O número de praticantes aumentou e começaram os movimentos em prol do esporte. Oficialmente, as primeiras manifestações ocorreram em 1960, na costa californiana e, em 1982, o caiaque de onda entrava no Rio de Janeiro. Hoje, o Brasil tem cerca de 100 atletas e participa de competições nacionais e internacionais, além de colaborar no desenvolvimento da modalidade nas associações de canoagem. O país também possui shapers  de referência na fabricação de waveski, como o paulista Rogério Cruz. Já os melhores kayaksurfs ainda vêm de fora, especialmente da Inglaterra, ao preço de até R$ 6 mil.

O santista Gilberto Alves Filgueira, o Giba, medalha de bronze na categoria master na Copa do Mundo de Waveski, em Portugal, e vice-campeão no Guarujá

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internacional

Arles,

a bela romana da Provenรงa

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Foto Renata Inforzato

Uma das cidades mais importantes da Antiguidade, é conhecida pelos monumentos erguidos durante o Império Romano e, hoje, integrantes da lista de Patrimônios Mundiais da Unesco

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internacional Por Renata Inforzato

Basta uma simples caminhada pelo centro para reconhecer a região: ruelas estreitas, cheias de casas justapostas umas às outras, muitas delas com janelas coloridas, roupas secando ao sol e sempre um arranjo de flores ou plantas nas sacadas. Localizada no sudeste da França, na região da Provença, Arles lembra mais o norte da Itália do que a própria França. Situada às margens do rio Rhône, a cidade ganhou fama, em parte, por causa do pintor Van Gogh. O gênio do Impressionismo viveu na cidade durante pouco mais de um ano, entre 1888 e 1889, período pródigo para o artista. Ao andar pela cidade, deparamos-nos com as reproduções de suas obras, colocadas exatamente nos lugares que lhe serviram de modelo, segundo a perspectiva do pintor.

No escritório de turismo da cidade, por dois euros, é possível comprar um pequeno guia com vários percursos, entre eles o de Van Gogh, que mostra todos os lugares retratados pelo artista. No mesmo guia, há o percurso patrimônio (monumentos romanos), medieval (edifícios medievais) e clássico (época do Renascimento). Para ajudar o turista, no chão, em vários pontos da cidade, há marcas com a cor e o desenho de cada percurso. Mas, mesmo sem seguir caminho algum, é muito agradável passear em Arles. A cidade é uma graça: acolhedora e, ao mesmo tempo em que preserva sua história, é dinâmica, com várias atividades culturais e exposições, que vão desde arte clássica até fotografia experimental. Além disso, tem uma luz que só encon-

Foto Renata Inforzato

A Place de la Republique é um dos pontos mais movimentados da cidade

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Fotos Renata Inforzato

tramos na Provença, que torna luminoso mesmo um dia de inverno. Nas várias ruas e vielas do centro da cidade (elas ainda seguem o traçado da Antiguidade), encontramos pequenas lojas de artesanato, de souvenires para os turistas e simpáticos restaurantes. Neles são servidos pratos típicos à base de touro (a Camargue, nome da região onde fica Arles, é conhecida pelos seus touros). Outras duas iguarias tradicionais são: o aiolli (molho à base de alho e óleo de oliva que acompanha vários pratos) e o arroz (Camargue também é famosa pelo arroz). Arles é também uma cidade muito festeira: tem a Festa do Arroz, onde acontecem touradas no Anfiteatro, em setembro; a Fête d’Arles, com roupas típicas da região, no começo de julho, entre outras. Mas uma das principais é a Arelate, que ocorre na última semana de agosto e dura sete dias. O objetivo é fazer uma reconstituição da época romana, com comidas, desfiles com personagens romanos pelas ruas da cidade, demonstrações das legiões e de gladiadores, filmes, ateliês etc. O ponto alto da festa é o espetáculo que recria os jogos do circo romano, no Anfiteatro. Outra manifestação cultural importante da cidade é o Rencontres d’Arles (Encontros de Arles): um evento que dura toda a alta temporada (de julho a setembro) e que promove mais de 50 exposições fotográficas de profissionais consagrados no mundo todo. O interessante é que várias dessas exposições acontecem em antigas igrejas, desativadas em grande parte durante a Revolução Francesa.

As vielas do centro da cidade ainda seguem o traçado da Antiguidade. Ao centro, jogos do circo romano, e, abaixo, homenagem a Van Gogh

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internacional Da Arles antiga restaram muitas grandes obras, como o Teatro Antigo (Théâtre Antique), uma das grandes realizações da primeira urbanização de Arles feita pelos romanos, entre os anos 40 e 12 a.C. Faz parte do conjunto de ruínas romanas da cidade, inscrito na lista de Patrimônios Mundiais da Unesco. A visita vale muito a pena, pois é um dos mais conservados da Europa. Em seus tempos áureos, comportava até 10 mil espectadores.

A Termas de Constantino, como o nome diz, foram construídas durante o reinado de Constantino, no século IV d.C. Somente a parte norte ainda é visível, onde havia água quente. As Termas são grandes e, muitas vezes, usadas como palco para atividades lúdicas que visam mostrar como era o banho e a higiene no Império Romano. Vale dedicar algumas horas ao Musée d’Arles Antique, um grande museu, situado fora do centro da cidade. Nele estão objetos da Antiguidade encontrados durante escavações no leito do Rhône. Também abriga exposições temporárias com temas ligados à Antiguidade Romana. Duas curiosidades: em frente ao museu estão as ruínas do circo romano. Não restou muita coisa, mas é interessante ver. E, ao lado, um jardim elaborado à maneira romana, com várias explicações de como era um jardim no império. Enfim, vale a pena ir a Arles em qualquer época, pois as temperaturas são mais quentes do que em Paris. Mas, no inverno, deve-se ter cuidado com o mistral, um vento muito forte e barulhento que torna tudo gelado. Conta uma lenda que foi ele quem enlouqueceu Van Gogh.

Termas de Constantino, construídas durante o reinado de Constantino, no século IV d.C.


Fotos Fernanda Lopes

gastronomia

Encha (e enfeite) a mesa com frutas e castanhas

Por Fernanda Lopes Um sinal de que o final do ano está próximo é vermos nas feiras e supermercados cerejas, pêssegos e uvas, além de castanhas e outras oleaginosas. Além de gostosas e bonitas, as frutas da época são saudáveis e cheias de propriedades nutritivas.  É bom lembrar que as frutas secas ou desidratadas podem ser até três vezes mais calóricas que as frescas, levando-se em consideração o peso e o volume que elas apresentam após a manipulação para conservação. Também as castanhas, nozes, amêndoas e avelãs são calóricas. Por isso, não é bom exagerar no consumo. “O valor nutritivo das oleaginosas é muito elevado, assim

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como o calórico. Por isso, o consumo deve ser moderado: uma a quatro unidades por dia”, alerta a nutricionista Karoline Jorge. Ela recomenda o consumo diário. “Elas são ricas em antioxidantes, em gorduras monoinsaturadas, poli-insaturadas, vitaminas e minerais que trazem muitos benefícios à saúde”. Além disso, as oleaginosas são importantes fontes de ômega-3, ômega-6 e ômega-9, que auxiliam na redução do colesterol total e no aumento do HDL (colesterol bom). Também têm selênio e vitamina E, que atuam como antioxidantes, combatendo os radicais livres e minerais, como potássio e magnésio, eficientes na

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Oleaginosas Amêndoa Essa semente é rica em selênio e vitamina E, substâncias antioxidantes que combatem os radicais livres e evitam o envelhecimento precoce das células. Além disso, essa oleaginosa contém boas doses de fósforo, mineral que atua no fortalecimento dos ossos. Ela é repleta de fibras, por isso, gera saciedade. Mas tem alto valor calórico (100g têm 581 calorias). Quantidade/dia: cinco unidades Avelã Contém gorduras boas que ajudam a controlar os níveis de colesterol ruim no sangue. Também é uma ótima fonte de cálcio, mineral importante para a formação óssea corporal. A semente tem ainda ácido fólico, uma vitamina do complexo B que protege o coração. Para completar, a avelã contém anti-inflamatório Beach&Co nº 136 - Outubro/2013

Receita Bolo de frutas e castanhas Ingredientes 2 xícaras de farinha de trigo; 1 colher de chá de bicarbonato de sódio; 1 xícara de açúcar mascavo; 1 colher de sopa de fermento em pó; 1 colher de chá de canela; 1 colher de chá de cravo em pó; 1 pitada de noz moscada; 2 colheres de sopa de mel; 1/4 de xícara de vinho do Porto; 1/3 de xícara de café coado (já pronto); 3 ovos; 1 xícara de manteiga; 1/2 xícara de nozes ou castanhas picadas; 1/2 xícara de cereja picada; 1/2 xícara de damasco picado; 1/2 xícara de uvas passas;1/2 xícara de tâmaras picadas. Preparo Misture todos os ingredientes secos e reserve. Na batedeira, bata a manteiga em temperatura ambiente com o açúcar por uns cinco minutos. Vá adicionando os ovos, um a um e batendo. Adicione o mel. Junte os ingredientes secos alternando com o café misturado ao vinho

do Porto, batendo em velocidade baixa. Quando terminar de adicionar e estiver homogêneo, desligue a batedeira. Junte então metade das frutas. Misture e leve a uma assadeira grande, de furo no meio, untada com margarina e enfarinhada. Por cima, jogue as outras frutas restantes. Leve ao forno pré-aquecido a 200 graus por cerca de 30 minutos ou até que, ao enfiar um palito na massa, este saia limpo (não abra o forno antes de 20 minutos, senão o bolo não cresce).

Produção e fotos Fernanda Lopes

prevenção de cãibras”, explica Karoline. As gorduras presentes nas frutas oleaginosas são chamadas de ácidos graxos essenciais. “A falta desses nutrientes no organismo pode ocasionar distúrbios hormonais, perda de memória, alterações de humor, unhas e cabelos fracos, doenças cardiovasculares, depressão e acúmulo de gordura na região abdominal.” Então, aproveite essa época em que elas estão mais bonitas, abundantes e baratas e coloque-as nas suas refeições. São ideais para ser consumidas como substitutas do lanche ou da sobremesa. Além das sementes oleaginosas, as frutas frescas surgem, nesta época, em grande variedade, somando-se às nossas, as importadas. “E elas podem ser um alento para os quilinhos a mais que ganhamos com as festas de confraternização e jantares.” Lichia, ameixa, cereja, uva, pêssego, entre uma infinidade de outras frutas que já se tornaram símbolos do Natal, “usadas, muitas vezes, na decoração, podem substituir os doces como sobremesa, pois trazem inúmeros benefícios para a saúde devido ao grande potencial de nutrientes.” 

potente (100g têm 596 calorias). Quantidade/dia: quatro unidades.

(100g têm 683 calorias). Quantidade/dia: duas unidades

Castanha de caju Também está na lista das oleaginosas que contêm as gorduras do bem. Elas evitam o acúmulo de colesterol nas paredes das artérias, por isso, protegem o coração. Essa castanha é rica em minerais importantes, como o potássio, o fósforo e o sódio, todos importantes na contração dos músculos. Mas cuidado para não atacar um saquinho inteiro (100g têm 607,5 calorias). Quantidade/dia: três unidades

Noz Assim como as outras oleaginosas, as nozes são ricas em gorduras do bem, que combatem as taxas de colesterol. Também contêm arginina, uma proteína vegetal reconhecidamente vasodilatadora, por isso, faz bem ao coração, e magnésio, que evita o cansaço e resguarda os ossos (100g têm 698 calorias). Quantidade/dia: cinco unidades

Castanha-do-pará Tem muito selênio, mineral importante para a saúde, pois equilibra o trabalho da tireoide, diminui o risco de tumores e fortalece o sistema imunológico. Também tem vitaminas, proteínas e gorduras do bem

Pistache Esta semente tem um bom valor nutritivo, fornecendo alto teor de fibras. Contém potássio, magnésio, cobre, cálcio, fósforo e vitaminas do complexo B. Rico em proteínas, o pistache é considerado uma excelente opção para os vegetarianos, pois fornece 53


gastronomia Receita Produção e fotos Fernanda Lopes

Torta de pêssego com cereja Ingredientes Massa: 2 xícaras de farinha de trigo; 1 ovo; 100 g de margarina; 2 e 1/2 colheres (sopa) de açúcar; 1 pitada de sal; 1 colher (sobremesa) de fermento em pó. Recheio: 1 lata de leite condensado; 2 latas (lata do leite condensado) de leite líquido; 1 gema (opcional); 3 colheres (sopa) de amido de milho; 1 lata de creme de leite sem soro; 2 colheres (chá) de gelatina incolor dissolvidas conforme manda a embalagem; 1 lata de pêssego em calda; cerejas para decorar.   Modo de preparo Massa: misture bem os ingredientes da massa e amasse. Embrulhe num filme plástico e leve à geladeira por meia hora. Abra a massa com um rolo e forre, com ela, o fundo e as laterais de uma forma de fundo removível (24 cm). Leve ao forno pré-aquecido em temperatura média por cerca de 20 minutos ou até dourar. Deixe esfriar.

aminoácidos essenciais. Possui betacaroteno, vitamina E e luteína em abundância. No Brasil, é mais consumido salgado, mas, no Oriente, onde é cultivado, é usado em doces (100g têm 571 calorias). Quantidade/dia: seis por dia Noz pecã Hoje cultivada no sul do Brasil, é cada vez mais comum à mesa. A nogueira pecã é originária do sul dos Estados Unidos, onde pode ser encontrada em estado nativo. No Brasil, foi introduzida por volta de 1910. Pode diminuir o risco de desenvolver doenças cardíacas e câncer, segundo conclusão de um estudo da Universidade de Loma Linda, dos Estados Unidos. Consuma com moderação (100g têm 750 calorias). Quantidade/dia: cinco unidades Macadâmia De origem australiana, ainda é pouco con54

Recheio: misture todos os ingredientes, exceto a gelatina, os pêssegos e a cereja. Leve ao fogo baixo, mexendo até engrossar. Junte a gelatina já dissolvida conforme manda a embalagem do produto. Mexa bem. Jogue sobre a massa da torta e enfeite com os pêssegos e a cereja.

sumida pelos brasileiros. É rica em ácidos graxos, antioxidantes que retardam o envelhecimento e protegem o sistema cardiovascular. Também ajuda a reduzir os níveis de colesterol no sangue devido às altas concentrações do ácido palmitoleico, responsável pela assistência ao corpo no metabolismo dos lipídeos, equilibrando os níveis de colesterol. É ótima para dar sabor e textura aos pratos (100g têm 630 calorias). Quantidade/dia: quatro unidades Castanha de baru Só tem no Cerrado brasileiro. Seu sabor lembra o da castanha de caju, como se ela tivesse sido um pouquinho mais torrada. É rica em proteínas, fibras, minerais, além dos ácidos graxos oleico (ômega-9) e linoleico (ômega-6). Tem se destacado nas cozinhas de chefs. E dizem que é afrodisíaco (100g têm 502 calorias). Quantidade/dia: cinco unidades

Dicas: se quiser, pincele geleia de pêssego por cima das frutas para dar brilho; mexer sem parar até ferver e engrossar; desligar e juntar o creme de leite e a gelatina incolor dissolvida em 2 colheres (sopa) de água e hidratada em banho-maria ou no micro-ondas.

Pinoli ou snoubar Muito empregado em receitas doces e salgadas das cozinhas italiana e sírio-libanesa, na qual é conhecido como snoubar, os pinoli são extraídos do pinheiro-manso, nativo da região do Mediterrâneo. Em muitas regiões, o cultivo e a colheita continuam totalmente manuais, o que explica os preços altos. Semelhante a uma amêndoa, mas de tamanho bem reduzido, o ‘pinolo’ (singular de ‘pinoli’ em italiano) possui formato oval e cor bege. É muito nutritivo. Tem um alto teor de gordura monoinsaturada e é rico em vitamina E, zinco, potássio e magnésio. Ele ajuda a nivelar os níveis de colesterol e auxilia na prevenção de doenças cardiovasculares, além de moderar o apetite. É oleoso e de sabor suave, que pode ser ressaltado pela torra. Na Itália, é muito usado em risotos, molhos e bolos, sendo fundamental no molho pesto (100g têm 673 kcal). Quantidade/dia: dez unidades Beach&Co nº 136 - Outubro/2013


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Michael Kors

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Olha elas aí,

de novo!

Presença nas passarelas internacionais, a sandália gladiadora volta como opção forte da próxima estação

Por Karlos Ferrera zadas de todas as maneiras, ganham novo visual para reconquistar o mundo da moda. Na hora de usar é importante saber que o modelo privilegia as mais altas, ou pelo menos as de pernas longas. Com uma propensão a achatar a silhueta, a bota deve ser evitada por meninas com pernas curtas e grossas. Caso você se encaixe no grupo das que podem apostar nesta tendência, é importante lembrar que, tê-las nos pés, significa balancear no look. Apostar num visual básico, minimalista, como macaquinhos ou vestidos retos, sempre dá certo. Outra ideia é buscar um estilo contrário ao da bota. Para as fetichistas, um pouco de romance cai bem, para as mais esportivas um tecido mais fino. Também pode optar por uma linha mais minimalista, neutralizando o look com peças como macaquinho ou uma combinação shorts e camisa fechada, deixando todas as atenções para a bota.

Até os joelhos ou mais curtinhas, as gladiadoras voltaram a aparecer - a nova versão fica entre a bota e a sandália

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Foto KFpress

Versace

Se, atualmente, os responsáveis por criar atritos entre os fashionistas são os sneakers, os famosos tênis criados pela estilista francesa Isabel Marant, agora chegou a vez de as gladiadoras entrarem (novamente) na polêmica dos calçados e ditarem tendência para a próxima estação. Sucesso em temporadas passadas, chamadas, então, de sandálias, e, hoje, de botas, as gladiadoras voltaram e marcaram presença em desfiles como Versace e Proenza Schouler. Mas com algumas mudanças. Não veremos mais as estreitas tiras de couro em modelos que vão até as canelas, já que o fetichismo e a sensação de poder feminino impõem modelagens com cano alto, tiras mais grossas e uma variação de cores menor, normalmente preto ou nude. Com salto, sem salto, com tiras supergrossas, estruturas verticais e, até, em modelagem scarpin, essas, que já foram populari-

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Pés à mostra

Sabe aquela roupinha confortável como um pijama, que você adora desfilar pela casa, mas que também pode ser usada em momentos de descontração, como um churrasco na casa de amigos, ir ao parque com a família, ou para receber visitas em casa? Essas peças são conhecidas como modelos loungewear, que reúnem o corte e o caimento impecável das roupas com o conforto dos pijamas e que têm ganhado cada vez mais adeptos em todo o país.

Fotos KFpress

Os sapatos com detalhes translúcidos também chegam com força total nesta estação, inclusive com saltos de acrílico.

Pijama para passear

Liz

Valentino

moda

Roberto Cavalli

Porcelana e azulejos

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As estampas, também conhecidas como de porcelana, ou azulejo, estiveram presentes como tendência nas passarelas de grandes estilistas europeus, e prometem vir fortes por aqui na próxima estação. Com inspirações em elementos da antiga arquitetura colonial portuguesa, e também nos porcelanatos, compostos por desenhos de arabescos e flores diversificadas, as principais tonalidades componentes da estampa azulejo serão o azul e o branco.

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Flashes Calorosa reunião de amigos na Casa de Leilões, na Riviera de São Lourenço, para saudar o aniversariante Antônio Carvalho

Os anfitriões Ivanete e Antônio Carvalho

José Miguel e Sandra Neder

O casal Maria do Céu e Fernando Sena

Tais Martins, Marta Martins e Ana Piccoli

Ribas Zaidan e Vera Angrisani, desembargadora do Tribunal de Justiça de São Paulo

Martinho Marques, Luiz Paulo Luppa, Leonira Marques, Rosely Valença e Washington Petri e Ivan Picolli

Dinalva Berlofi , Karol Stepanich, Camila Stepanich e Tais Martins

Adriana Barbosa e Wagner Barbosa

Dra. Vera Angrisani, Flavia Patriota e Adenir Zucchini 60

Mauro Moreno, Nicolau Constantino, Airton Cassaroti, Ivanete e José Orlandi

Cristina Vieira e Marco Aurelio Vieira

O ‘inoxidável’ Osmar Santos Beach&Co nº 136 - Outubro/2013


Elias Hubaika, Gabriela Hubaika, Gloria Hubaika , Ivanete, Vivian Hubaika, Valdomiro Bueno, Toninho

Daniela Sena, Paula Sena, Maria Eduarda, Patricia Sena, Adeilson Souza e Gabrielli Sena

Hilton Figueira, Karina Alves, Dora Martins e Walfredo Gonçalves

Denise Cassaroti, Irene Nardini, Sonia Constantino, Marli Orlandi, Ivanete e Vanderli Piedade

Luiz Decressenzo, Roberto Guimarães, Luciene Seixas, Leandro Silva, Toninho, Daniel Paes

Luiz Paulo Luppa, Carlos Fugolin, Washington Pretri, Toninho, José Ventura, Martinho Marques e Joel Sedinelis

Denis Cassaroti e Irene Nardin

Ivanete e sua competente equipe, responsável pelo primor da festa


“Alto Astral” // Durval Capp Filho 19 a Edição da Mostra Santos Arquidecor – Casa Natal 2013

A presidente da AEA Stella Maris, Aili Fernandes e seu marido Paulinho Fernandes, durante a inauguração

Artista plástica Luciana Futuro durante apresentação de suas obras na Galeria de Arte

Os responsáveis pelo sucesso da Homes Ambientes do Guarujá: Henrique Nunes e Thiago Landim, ao lado do arquiteto Mariano Iglezias

Entre festas e inaugurações. Daqui e dali...

Renata e Flávio Galvão receberam amigos para comemorar seus 40 anos em alto astral, no badalado Clube A, em Sampa

Os irmãos empresários Jonatan e Tomas Tenoury inauguraram um novo conceito da loja Katel Casa, na Minas Gerais

A coiffeur de designer capilar Silvera Santos, homenageada com o prêmio Pincel de Ouro, no Hair Brasil 2013, em São Paulo

No salão de festas do Colégio São José, onde os anfitriões receberam os convidados, o colunista social Liberado Jr., e seus pais Eufêmia e José Rodrigues Liberado

O vice-prefeito de Santos Eustázio Alves Pereira Filho e sua Marinilza

Bodas de Diamante

Emocionante cerimônia de Maria Araújo Barros de Sá e Silva e Antônio Gomes da Silva, na capela do Colégio São José

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Noite Árabe na Associação Paulista de Medicina de Santos

Ana Beatriz Soares, diretora de ações comunitárias, a diretora social Gisele Martins Cid Perez e a presidente da APM Lourdes Teixeira Henriques

A encantadora médica Gabriela Micheleto de Oliveira e seu marido Antônio Italia

O colunista e sua Walkyria Sanches Capp aderiram ao tema arábico

Asfar promove Noite Brasileira

A presidente da Asfar Elsa Rodrigues e o marido Carlos Alberto Martins Carvalho

Graziela e Marco Sanches, grandes amigos de altos papos

José Luiz Blanco Lorenzo e Elenita Gonzaga Mello, comprometidos com as causas rotárias

Armênio e Celeste Mendes cederam o salão do Mendes Convention Center em prol dos projetos rotarianos

Inauguração da Vogue Colchões, na Via Azevedo

Fadi, Faten e Hussein Sayah recepcionaram inúmeros convidados

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A arquiteta Shirley Vaz Vedovate, responsável pelo sucesso do excelente projeto

O consultor de etiqueta e comportamento Fábio Arruda abrilhantou a noite e autografou seu novo livro Etiqueta não Tira Férias

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“Destaques” // Luci Cardia O empresário Domenico Valente recebeu amigos para festejar mais um ano de sua história, repleta de generosidade

Claudio Carvalho, Domenico Valente e o italiano Roberto Malerba, todos aniversariantes

Diana e Roberto Malerba, de Carpinone, na Itália, para o Hanga Hoa, em Bertioga

Ana Claudio Alípio e Marcelo Valente

Roberto Malerba, Marcelo Valente, Dr. José Aparecido Cardia, Alfredo Duddi Giampaoli, Claudio Carvalho e Domenico Valente

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Adriana Romanon, Valéria Valente e Diana Valente Malerba

Roberto Malerba, Dr. José Aparecido Cardia, Domenico Valente e Lucca Valente Giampaoli

Izabelle Valente, com os queridos pais Domenico e Valéria

Em família: Rosa e Yolanda Romanon

Todo o clã dos valentes, diretamente da Itália

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“Celebridades em Foco” // Edison Prata Casamentos de socialites no residencial Marina Guarujá agitam a cidade

Momento único na união matrimonial dos casais: André Sementilli Cortina, Maria Carolina Nor, Renata Palma e Merson Nor Junior

Os casais Maria Carolina Nor Cortina e André Sementilli Cortina, Maria Angélica Bulchi Dias Nor e Merson Nor, e Renata Palma Nor e Merson Nor Júnior

Renata Palma Nor, Merson Nor Júnior, o delegado Elpidio Laercio Ferrarezzi e este colunista

Joseane Rufino e Dr. Vitor Rufino

Edivaldo Rodrigues, Adenir Zucchini, Eloisa Zucchini e Rodrigo Blanco marcam presença

Juarez Pereira Campos, Ana Lúcia Maximo Campos, Marcela Bulchi Dias, José Luiz Bulchi Dias

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A felicidade clicada no exato momento: Merson Nor Junior, Merson Nor e Maria Carolina

Cleia Barcelos Passos e Daniel Orlandini Passos

Close para o empresário Cleomir Cordeiro, Cristina Cordeiro e o jovem herdeiro Matheus Cordeiro

Orestes Amparo e Rosa Maria

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“No clique” // Cláudio Milito Baile do 47º aniversário do Tebar Praia Clube, em São Sebastião

Silmara de Souza e Nelsino da Conceição Silva

Cássio Fer Cury e Marcela Cury

Luiz Junior, Renata Perão, Cristiano Teixeira e Kekel Moraes

Tota Aniceto, Liliane Tota Aniceto, Fábio Pombo e Priscila Pombo

Samuel Henrique e Vanilda Alves

Luciana Couto e Mauricio Sato

Renata Vale e Afonso Vale

Helio Roberto Alves e Patrícia Rocha Alves

Yagu Oyama e Rozane Gonsalves

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Marcia Avramidis e Leandro Coelho

Cristina Garavaty, Renê Garavaty e Fátima Moraes

Edna Coelho e Rita Santos

A animação ficou por conta da Banda Show Revolution Beach&Co nº 136 - Outubro/2013


B&co 136  

Edição 136 da Revista Beach&Co - Outubro de 2013

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