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Editor: FábioOrtizGoulart
Texto BrunaCristinaAlfenas
CapaeFotografias EderdeÁvilaMuniz
Diagramação FábIoOrtizGoulart
EditoraNáutica Seloeditorialde FábioOrtizGoulart
RioGrande-RS CEP96214-160
Todososdireitosreservados.Nenhuma partedestaobrapodeserreproduzidaou transmitidaporqualquermeio(escritoou eletrônico)semapréviaautorizaçãopor escritodoeditor.
ISBN:978-65-01-90359-0
Obra elaborada por meio de financiamento da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (Lei nº 14.399/2022), Ministério da Cultura, Governo Federal. Secretaria de Município da Cultura e Economia Criativa, Prefeitura Municipal do Rio Grande.

Miragens. Ilusões óticas. Alucinações. Háumasombraentreolimiardoquese enxerga e do que não. Um meio termo que se equilibra nas bordas de um campo de visão enquadrado, meticulosamente curado para a exclusão sistêmica do que a dita “sociedade produtiva” se recusa a cuidar. Nesses limites estão a decadência, o abandono e a indiferença. É nesses espaços que cresceesedesenvolve,comoalarvade umamoscaemumaterro,umacriatura nefastamente indiferente à superfície queaignora,comumúnicoobjetivode sepôràfrentedetodososqueinsistem emnãoenxergar.
Vultoéumprojetodefotoperformance que assombra a cidade de Rio Grande desde o início de 2023, com o objetivo de questionar e tensionar temáticas contemporâneas de descasos comunitários. Em meados de 2025, os olhos da criatura e as lentes das câmerasqueaenquadramsevoltaram sobre o centro histórico tão rico do município e seus percursos industriais
do século XIX, abandonados às mazelas do tempo. Prédios desabam, fachadas se decompõem e memórias seperdemcomoconsequênciadeuma população indiferente aos desaparecimentos diários, quase imperceptíveis na paisagem do progressoedocultoaofuturo.
Com uma série de 41 fotografias pósproduzidas,numabuscaincessantede retratar o peso da ruína e subdividido em seis temáticas, o presente livro é resultado dos questionamentos desenvolvidos à partir do grito de desespero de memórias mortas ouvido unicamente por um não-ser, que se mostrainsistentenalutaparaservisto e para trazer todas as margens consigo. Esse objeto, um bloco de páginas com imagens estáticas, tem, em cada fotografia, um convite hipnotizante para observar, não apenas o objeto negro que devolve o olhar,masoqueeletrazatrásdesi,ou mesmo as visões que ele observa quandonãosefazpresente.
BrunaAlfenas
“Nós cantaremos as grandes multidões agitadas pelo trabalho, pelo prazer ou pela sublevação; cantaremos as marés multicores e polifônicas das revoluções nas capitais modernas”.







“Houve o som de uma demorada e tumultuada gritaria, como o ruído de mil aguaceiros, e o lago profundo e frígido a meus pés se fechou sombria e silenciosamente sobre os destroços da Casa de Usher”.
Edgar Allan Poe, A queda da Casa de Usher (1839)









"Ficareis, pois, à porta da tenda da congregação dia e noite por sete dias, e guardareis as ordenanças do Senhor, para que não morrais; porque assim me foi ordenado".
Levítico 8:35







"Tudo é natureza. O cosmos é natureza. Tudo em que eu consigo pensar é natureza".
Ailton
Krenak, Ideias para adiar o fim do mundo (2019)




"O espaço é resultado do trabalho, e o trabalho é a ação intencional humana. Ao agir sobre a natureza primeira e aquela já modificada, o homem cria valores que não ficam flutuando por aí, mas acumulando-se ao solo [...]".
Otávio Augusto Alves dos Santos, Reflexões sobre memória e espaço geográfico a partir de uma perspectiva histórico-materialista (2022)







"Enquanto o culto de antiguidade é fundado exclusivamente sobre a degradação e o valor histórico quer detê-la desde já, mas sem tocar a degradação que já se deu e que justifica seu direito de existência, o valor volível de comemoração pretende nada menos do que a imortalidade, o presente eterno, a essência incessante".
Alois Riegl, O culto moderno dos monumentos (2014)






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