Page 1

CENTRO CON VIDA proposta de desenvolvimento local sustentรกvel para o Centro da cidade de Fortaleza - CE


Trabalho Final de Graduação

Orientador: Marcondes Araújo Lima Universidade Federal do Ceará Curso de Arquitetura e Urbanismo

CENTRO CON VIDA Proposta de desenvolvimento local sustentável para o Centro da cidade de Fortaleza - CE

Bárbara Lins e Nascimento

sob orientação do Prof. Doutor Marcondes Araújo Lima

Fortaleza Fevereiro de 2016


Dados Internacionais de Catalogação na Publicação Universidade Federal do Ceará Biblioteca do Curso de Arquitetura

N193c Nascimento, Bárbara Lins e. Centro Convida: proposta de desenvolvimento local sustentável para o centro da cidade de Fortaleza – CE / Bárbara Lins e Nascimento. – 2016. 252p. : il. Color. TCC (graduação) – Universidade Federal do Ceará, Centro de Tecnologia, Departamento de Arquitetura e Urbanismo, Curso de Arquitetura e Urbanismo, Fortaleza, 2016. Orientação: Prof. Dr. Marcondes Araújo Lima. 1. Planejamento urbano – Projetos e Plantas- Fortaleza, CE. 2. Urbanismo sustentável – Fortaleza, Ce. 3. Desenvolvimento local – Fortaleza. I. Título.

CDD 711.42


Bárbara Lins e Nascimento

CENTRO CONVIDA Proposta de desenvolvimento local sustentável para o Centro da cidade de Fortaleza - CE

Banca Examinadora:

Prof. Doutor Marcondes Araújo Lima Universidade Federal do Ceará

Prof. Eugênio Moreira Universidade Federal do Ceará

Arquiteto Mario Antonio da Silva Guerra Roque Universidade de Fortaleza

Fortaleza Fevereiro de 2016


As ruas já não conduzem apenas a lugares, elas mesmas são lugares. John Brinckerhoff Jackson


Agradecimentos

Agradeço imensamente a todos os professores que cruzaram meu caminho e ajudaram, de maneira direta ou indireta, no meu desenvolvimento. Ao professor Marcondes, um agradecimento especial. Não apenas por ter se disposto a ajudar ao longo deste trabalho final de graduação, mas, principalmente, por ser o responsável, dentro do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFC, por tirar os alunos da “caixinha”, por nos fazer pensar diferente, por permitir e valorizar nossos devaneios. Obrigada por todas as conversas formais e informais e pela parceria criada. Que venham muitas outras! Aos meus pais, a quem devo tudo que sou e tudo que conquistei. Os meus maiores apoios e meus melhores incentivos. Sem vocês, obviamente, não seria quem sou hoje e sou profundamente grata pela minha criação “não convencional”. Sempre tive a certeza de que, dentro de casa, mais do que pais que cobram e dão amor, eu tinha amigos com os quais poderia e posso contar para toda e qualquer aventura. Amo vocês imensamente e dedico este trabalho a vocês, por todos os esforços e sacrifícios feitos para que eu pudesse chegar aqui. Patrícia, Felipe e Artur, obrigada por estarem presentes e me ajudarem desde sempre. Apesar de termos ficado um bom tempo distante (geograficamente falando), sempre fomos muito próximos e meu amor por vocês é infinito, meus irmãos. Hermes, obrigada por esses 18 anos de convivência diária e intensa. Você é meu xodó e sabe muito bem disso. Amo você e estarei sempre por perto. Obrigada por todo o amor, carinho, parcerias, troca de olhares, desabafos, segredos, conselhos, ajudas, pelas piadas, brincadeiras,


implicâncias, carinhos e toda cumplicidade. Você é um dos motivos para que eu procure ser alguém melhor. Uriel, João e Davi, meus pequeninos que já estão deixando de ser. Obrigada por me conectarem com essa fase tão maravilhosa da infância e da adolescência. Vocês tem espaço cativo no meu coração. Jéssica, minha irmã da vida, não tenho palavras pra te agradecer. Além de um muito obrigada pela ajuda essencial na elaboração deste trabalho, você sabe que ocupa, na minha vida, um lugar muito importante. Obrigada por termos dividido e compartilhado tantas experiências maravilhosas juntas no nosso ano de independência. Ainda sinto falta de poder dar dez passos e bater na sua porta pra papear sobre besteiras enquanto fazíamos o almoço. Que continuemos a criar mais e mais memórias por essa vida maravilhosa. Agradeço imensamente ao meu namorado Gilberto, por ter me apoiado, me aturado, revisado meus textos, por acreditar que daria certo mesmo quando eu não tinha tanta certeza assim e, principalmente, por todo o companheirismo, amor e carinho que compartilhamos. Ao Minas, não só por ter me ajudado na elaboração deste trabalho, mas por termos vivenciado diversos momentos maravilhosos, sempre com seu jeito mineirin tão doce e calmo de ser. Que nossa amizade perdure por muitos e muitos anos. Ao Pedroca, o paulistano mais tranquilão que conheço, também por ter ajudado na realização deste trabalho e por termos construído uma amizade massa. As mais do que lindas e queridas Yuka e Clari por dedicarem um pouco do precioso tempo que tinham para me ajudar na elaboração deste trabalho. Aos amigos maravilhosos, que, mesmo de longe, estão torcendo pelo meu sucesso e me apoiando sempre: Camilla, Maria, Tálisson, Pedro e Suzi. Vocês são lindos e eu amo cada um de vocês. Agradeço, também, à minha turma de 2009.2 como um todo, por termos iniciado esse ciclo juntos e um obrigada especial para as lindas e amadas amigarquis. Yuka, Ariane, Nay, Lu e Camis vocês fizeram parte de todos esses anos de faculdade e foi tudo maravilhoso. Que assim seja, também, na vida profissional! Para finalizar, gostaria de agradecer aos profissionais com os quais tive o prazer de trabalhar. Vocês contribuíram muito para meu aprendizado e serei sempre grata.


01

02

03

04

05

06


Sumário Apresentação 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5

Introdução Tema Justificativa Objetivos Metodologia e Estruturação

15 19 23 27 29

2.1 2.2 2.3 2.4

O ser humano, o caminhar urbano e sua evolução A figura do flâneur A promenade como tipologia Para onde caminham as cidades

33 41 45 51

3.1 3.2 3.3 3.4 3.5 3.6 3.7 3.8 3.9

Contextualização Breve histórico da área delimitada Enquadramento legal Aspectos ambientais Aspectos urbanos Infraestrutura Aspectos demográficos e socioeconômicos Circulação Referencial projetual

59 65 71 79 83 89 97 103 109

4.1 4.2 4.3 4.4 4.5 4.6 4.7

Aproximação territorial Conceito Diretrizes e recomendações gerais do Plano Setorização Diretrizes e recomendações específicas Sistema viário e transportes Percursos temáticos

115 119 123 137 141 183 195

Referencial Teórico

Estudo Territorial

Memorial Descritivo

Projeto 5.1 Apresentação e Pranchas

199

Considerações Finais e Referências Bibliográficas 6.1 6.2 6.3 6.4 6.5 6.6 6.7 6.8

Conclusão Bibliografia Anexos Lista de Imagens Lista de Mapas Lista de Gráficos Lista de Tabelas Lista de Pranchas

229 232 236 248 250 252 252 252


Capítulo 01

Eu só saí para uma caminhada e, finalmente, resolvi ficar fora até o pôr do sol, pois ao sair, eu encontrei o que realmente estava acontecendo dentro de mim. John Muir 14


Apresentação

1.1 Introdução Inconscientemente, este trabalho teve seu início há cerca de nove anos, quando tive a oportunidade de morar sozinha em outra cidade e, então, precisei caminhar para me locomover, o que despertou, em mim, uma paixão enorme, que só pôde ser inteiramente compreendida após alguns semestres do curso de arquitetura e urbanismo, já de volta à Fortaleza. Caminhar sem rumo, passear ou até mesmo ter um rumo, mas se permitir errar, optar por caminhos curiosos que te levem a novas descobertas, conhecer melhor a cidade que te rodeia, identificar elementos únicos, criar laços, ver pessoas, coisas, acontecimentos, rir, se emocionar, pensar em algo ou alguém, comer, sentar, descansar, se divertir e, principalmente, não ver o tempo passar. Fortaleza é uma cidade difícil para quem caminha, não oferece um cenário confortável, atrativo e adequado para tal ato. Apesar de possuir um calçadão ao longo da avenida Beira Mar, o mesmo não atende as demandas do dia a dia, sendo apenas uma opção de lazer que, atualmente, encontrase subdimensionada, devido ao crescimento populacional e ao intenso uso do local. O espaço urbano influencia diretamente na forma como as pessoas se apropriam do mesmo. Não é suficiente um chão e duas pernas para caminhar e viver tudo o que intensifica esse ato. É preciso mais, é preciso infraestrutura, movimento, diversidade, é preciso ter o que fazer, o que ver, é preciso ter sombra, paradas estratégicas, iluminação, segurança e outros elementos que contribuam para o caminhar despreocupado e curioso. Mesmo com todas as dificuldades, com a péssima infraestrutura, 15


com a falta de equipamentos urbanos, com a convivência perigosa com os veículos automotores, cada vez mais agressivos e em maior quantidade, com o sol torrencial e com a falta de segurança, existem bairros em Fortaleza em que o caminhar ainda tem destaque e o principal deles é o Centro da cidade.

introdução

O presente trabalho final de graduação parte desta problemática vivenciada na cidade de Fortaleza como um todo mas, principalmente, na região central, onde o fluxo de pedestres é intenso.

16


1.2 Tema

Num contexto em que possuir um automóvel particular significa status, com estímulos altíssimos para a compra do mesmo, as opções de socialização e lazer encontram-se, em sua grande maioria, privatizadas em shoppings, condomínios fechados, clubes, etc. é de se imaginar que as ruas fiquem, mais e mais, desertas e subutilizadas. Este fenômeno foi vivenciado em diversas cidades do mundo e muitas delas lutaram contra essa tendência, buscando atrair a população de volta para a vida comunitária e para o convívio social. As principais diretrizes tomadas por cidades como Amsterdam e Copenhague, por exemplo, buscavam uma cidade mais humana, com desestímulo ao uso do transporte automotivo particular e a valorização de outros modais de transporte, como bicicletas e o caminhar.

Surge, então, o projeto Centro Convida. Um plano de desenvolvimento local sustentável para o Centro de Fortaleza. Este projeto tem o objetivo de convidar os fortalezenses para o convívio, para uma vida mais humana, harmoniosa, civilizada, segura, saudável e intensa, com infraestruturas adequadas e opções de lazer, cultura, comércio e habitação. O projeto também busca modificar o cenário ambiental do bairro, convidando,

tema

Outro fator importante, além da questão do caminhar urbano, é o relativo abandono dos centros urbanos, que, principalmente nas cidades brasileiras, foram tomados por estabelecimentos comerciais que apenas garantem vitalidade para o bairro nos horários comerciais. Também, nos dias atuais, deve-se buscar reverter essa situação, trazendo habitação e usos institucionais para o local, garantindo maior diversidade e usos variados ao longo do dia.

19


também, a natureza para estar presente neste contexto, aumentando a biodiversidade, a qualidade do ar e de vida. Esta transformação modificará a relação das pessoas com o território, tornando o Centro um bairro com vida, capaz de atrair diversos usos. Dentro desta nova proposta para o bairro, o caminhar deverá ser valorizado e priorizado, permitindo e estimulando percursos mais humanos e agradáveis. Para destacar esse princípio, além de diretrizes aplicáveis de maneira geral, será proposta, neste Trabalho Final de Graduação, uma nova tipologia para a cidade, com a criação de uma Promenade que proporcione uma área caminhável com toda a infraestrutura necessária para os pedestres.

tema

Este projeto trata, ao mesmo tempo, de uma intervenção contemporânea e histórica na cidade de Fortaleza, inserindo uma nova tipologia na mesma e buscando o vislumbre do futuro, como uma cidade mais humanizada e sociável. Todas as medidas tomadas ao longo da realização deste Trabalho buscaram, sempre, respeitar a história, a memória, a continuidade, a ancestralidade, a integridade e a formação do nosso povo, tentando abrir para a população um espaço que proporcione a celebração de todos estes valores.

20


1.3 Justificativa

A escolha do tema deu-se, primeiramente, devido ao meu interesse pessoal no caminhar urbano. Este interesse me acompanhou por muitos anos, antes mesmo da escolha pelo curso de graduação que, posteriormente, me ajudou a compreender melhor esse fascínio e a estudalo de maneira aprofundada. Percebi, então, a necessidade, nas cidades brasileiras, do investimento em projetos humanistas, em escala reduzida, visando o pedestre e não em projetos megalomaníacos que negligenciam esta escala tão importante e que são largamente aplicados nos dias atuais.

A escolha do bairro Centro, na cidade de Fortaleza, deu-se devido à intensa atividade do caminhar urbano que já ocorre no bairro, mesmo em condições precárias. Tive a oportunidade de caminhar no Centro por diversas vezes ao longo dos anos e na grande maioria delas não foi possível ter uma caminhada prazerosa. Diversos fatores fazem com que a sua maior preocupação, como pedestre no Centro de Fortaleza, seja não ser atropelado, não esbarrar em alguém ou não torcer o pé em uma

justificativa

Após ter tido a oportunidade de vivenciar a realidade de diversas cidades, tanto no Brasil, ao longo da vida, como fora dele, durante intercâmbio acadêmico, pude perceber o quão importante é a relação do pedestre com a cidade. Como o dinamismo de uma cidade está diretamente ligado à quantidade de pedestres que nela caminham e se sentem seguros e despreocupados. De tal maneira, passei a me questionar, para além do planejamento urbano, em como o projeto de áreas públicas precisa e deve ser voltado para esse público, precisa e deve possibilitar e atrair novas atividades e novos usos. Não excluo, aqui, a importância do planejamento urbano, que se faz extremamente necessário, mas acredito que planejamento e projeto devam caminhar juntos, objetivando as mesmas metas.

23


justificativa

calçada sem manutenção. Estas características do local acabam tornando o caminhar desagradável, porém, apesar de todas as dificuldades, a fluxo de pedestres na região é imenso quando comparado a outros bairros, mesmo que próximos.

24


1.4 Objetivos

Este Trabalho Final de Graduação tem como objetivo geral aproveitar todas as potencialidades do Centro de Fortaleza para a criação de uma área humanizada e dinâmica que deverá servir de inspiração para possíveis aplicações em outras áreas, obviamente que com adaptações e mudanças, mas seguindo os princípios gerais aqui propostos. Os objetivos específicos pretendem: • Proporcionar, para o bairro, uma nova experiência no que diz respeito à mobilidade urbana, com a priorização do pedestre e do ciclista, o desincentivo ao uso do transporte motorizado particular, o estímulo ao uso do transporte público e a criação de infraestruturas necessárias para atingir estes objetivos. • Criação de uma experiência de Promenade no bairro Centro. Conectando suas principais praças entre si de maneira adequada ao pedestre e prevendo a extensão desta Promenade até conectar-se com a Beira Mar de Fortaleza. • Estimular novos usos e o aproveitamento das edificações subutilizadas do local, proporcionando maior dinamismo e atratividade para o local.

• Desenvolver um plano de desenvolvimento local sustentável, com diretrizes que respeitem e valorizem, sempre, a história do bairro e da cidade de Fortaleza.

objetivos

• Identificar usos conflitantes com a proposta do projeto e removê-los ou reordená-los de acordo com o objetivo de criar uma área humanizada, contínua e caminhável.

27


1.5 Metodologia e Estruturação

Antes de abordar as etapas do desenvolvimento deste Trabalho Final de Graduação, gostaria de evidenciar que um bom projeto de arquitetura ou de urbanismo nunca é feito linearmente, é necessário, ao longo do projeto, voltar para coisas vistas no início e tentar, também, avançar. Devido a esse dinamismo cíclico e complexo que envolve o projeto, para facilitar a compreensão, pode-se dizer que este trabalho foi realizado em três etapas, todas elas acompanhadas de visitas a campo. São elas: Referencial Teórico

Também foi realizado um estudo histórico da tipologia da Promenade, buscando entender seu surgimento, importância e influência no sentimento de pertencimento e de cidadania, além de ser um local de manifestações políticas e de alta visibilidade dentro do contexto das cidades contemporâneas.

metodologia e estruturação

Foi realizada a revisão da literatura que trata da relação do caminhar e do desenvolvimento das cidades. Partindo, primeiramente, do estudo da relação das pessoas com o ato de caminhar ao longo do tempo, destacando as mudanças pelas quais essa relação passou, desde a antiguidade até os dias atuais e o impacto dos movimentos dadaístas, surrealistas e situacionistas na forma de interpretação e entendimento do ato de caminhar. Dentro deste contexto, também foi destacada a figura do flâneur, como um revolucionário do caminhar, um símbolo de resistência, à época, às imposições do período de industrialização europeu.

29


Para finalizar esta etapa, foi realizado um breve estudo de algumas cidades e seus esforços para se tornarem cidades sustentáveis, mais humanas, mais sensíveis, mais dinâmicas, democráticas e agradáveis. Estudo territorial O estudo territorial apresenta uma aproximação com o bairro escolhido para a aplicação de tal projeto, o Centro da cidade de Fortaleza. Este estudo busca embasar tanto a escolha do local, devido a sua situação atual, todas as suas potencialidades e demandas, como, também, dar suporte para todas as decisões a serem tomadas posteriormente. Este estudo analisou o bairro em diversos aspectos, resultando em um estudo dos aspectos históricos, políticos, ambientais, urbanos, das infraestruturas presentes, aspectos demográficos e socioeconômicos e uma análise da circulação do bairro. Projeto: Nesta etapa foram realizadas diversas visitas ao local, estudos de caso e buscas por referências de planejamento e de projeto. Para melhor compreensão do projeto como um todo, optou-se pela divisão entre memorial descritivo e os desenhos representativos das diretrizes concebidas no memorial. O memorial descritivo do projeto tratará de sua conceitualização e trará todas as diretrizes que visam um desenvolvimento local sustentável para o Centro de Fortaleza. Para a realização desta etapa foram realizadas diversas visitas ao local, além da revisão da literatura que aborda a busca pela mudança dos contextos urbanos. Estas diretrizes ficaram divididas em dois grupos, as diretrizes e recomendações gerais, passíveis de aplicação no bairro como todo e as diretrizes e recomendações específicas, destinadas a trechos de intervenção especializados e delimitados. Além das diretrizes, são apresentadas propostas de mudança no sistema viário e de transportes, além da criação de percursos temáticos no Centro da cidade.

metodologia e estruturação

Para finalizar esta primeira etapa, foi feito um breve estudo de caso, apresentando possibilidades reais que influenciaram nas decisões projetuais.

30

Finalizando esta etapa, foram elaboradas pranchas que sintetizam as diretrizes e decisões projetuais para a área de intervenção.


Capítulo 02

Era meu costume passear ao longo do cais quando largava o trabalho ou queria meditar sobre qualquer tema. Os pensamentos ocorriamme com mais facilidade quando passeava, fazia qualquer coisa ou observava pessoas entretidas em ocupações da sua competência. Ernest Hemingway 32


Referencial Teórico

2.1 O ser humano, o caminhar urbano e sua evolução O caminhar está vinculado à sobrevivência do ser humano desde sua origem. O ato de atravessar um lugar vem da necessidade instintiva e natural de mover-se na exploração e em busca de alimento, água ou abrigo, estando tal ato diretamente ligado à própria condição da espécie humana (homo erectus). Porém, a partir do momento que as condições mínimas para a própria sobrevivência são atingidas, os seres humanos passaram a identificar, no espaço, lugares de memória, reconhecimento e pertencimento, antes mesmo da sua sedentarização e da construção de qualquer elemento fixo na paisagem. A mais difundida das teorias sobre o surgimento da arquitetura considera a necessidade da criação de um espaço para se estar dentro como seu início. Este conceito se contrapõe ao do nomadismo, que se baseia no espaço do ir. Porém, ao analisar esta relação entre arquitetura e nomadismo mais de perto, abre-se uma porta para uma segunda teoria que considera que a relação entre arquitetura e nomadismo não se trata de uma relação de oposição, mas que há uma forte ligação entre elas devido às noções de percurso e de lugar, desenvolvidas pelos povos nômades, que acabaram se tornando as responsáveis pelo surgimento da necessidade da construção simbólica na paisagem. Por muitos séculos, a forma de intervenção e modificação possível no ambiente era o caminhar que é, ao mesmo tempo, perceptivo e criativo, sendo capaz de mudar a relação do indivíduo com seu entorno, atribuindolhe valores simbólicos, estéticos e práticos, tornando possível a criação do conceito de lugar e de percurso. Desta forma, os ambientes passaram a adquirir significado e vínculo cultural que possibilitaram a definição e a escolha de lugares próprios para, por exemplo, a celebração de crenças, o 33


que levou ao surgimento dos primeiros objetos fixos situados na paisagem, os menires. Além do desenvolvimento do conceito de lugar, o ato do percurso merece destaque por representar, ao mesmo tempo, o ato da travessia, a linha que atravessa o espaço e o relato dessa travessia. Sendo ação, objeto e narrativa em si mesmo, o percurso torna-se extremamente útil para a arquitetura e o desenvolvimento cultural devido ao seu caráter cognitivo e projetual, sendo instrumento básico para uma melhor compreensão de qualquer espaço.

o ser humano, o caminhar urbano e sua evolução

Figura 1. Menir da Meada Fonte: https://faroffplacesblog.wordpress.com/2014/10/ Acessado em junho de 2015 Editada pela autora

34

Desta forma, pode-se dizer que a origem mais primitiva da arquitetura está na mudança da relação entre os indivíduos e os espaços naturais que os cercam por meio da compreensão do mesmo, do surgimento do pertencimento, da modificação direta do ambiente e do saber diferenciar o ambiente natural daquele modificado. O caminhar, mesmo não sendo a construção física de um espaço, implica uma transformação do lugar e dos seus significados. A presença física do homem num espaço não mapeado – e o variar das percepções que daí ele recebe ao atravessá-lo – é uma forma de transformação da paisagem que, embora não deixe sinais tangíveis, modifica culturalmente o significado do espaço e, consequentemente, o espaço em si, transformando-o em lugar. O caminhar cria lugares. (CARERI, 2013, p. 51)


Os percursos e o próprio ato de caminhar ficaram, por muito tempo, ligados aos rituais religiosos e às formas literárias narrativas, transformando-se em percurso sagrado, dança, peregrinações, procissões, entre outros. Pode-se dizer que essa conexão permaneceu como tal até o início do século XX, quando o panorama do caminhar urbano mudou consideravelmente.

Em Zurique, durante a Primeira Guerra Mundial, surgiu o movimento dadaísta, que rapidamente se espalhou por cidades como Paris, Barcelona, Nova York, entre outras e que possuía um conteúdo de extrema anarquia e inversão da lógica vivenciada na época, questionando todos os conceitos e criando o que foi chamado de antiarte. Os reflexos desse movimento no campo do urbanismo foram notórios. Em Paris, por volta de 1920, membros do movimento dadaísta começaram a organizar várias excursões urbanas aos lugares banais da cidade, inciativa que, pela primeira vez, fez com que a arte rejeitasse os lugares célebres e fechados da cidade. As excursões buscavam seguir o fluxo contrário ao do turismo tradicional, que, na época, era baseado em conhecer o interior das edificações importantes, como teatro, operas, museus, entre outros. Procurando, sempre, locais deixados de lado, ao acaso, e que quase passavam despercebidos. Todas as atividades eram bastante divulgadas e bem documentadas, dando origem a “Grande Saison Dada” que consistiu numa série de eventos públicos que contavam com visitas, palestra, festas,

o ser humano, o caminhar urbano e sua evolução

Figura 2. Cartaz de divulgação da primeira visita Dada Fonte: http://www.tate.org.uk/context-comment/ articles/bring-noise Acessado em agosto de 2015

35


Figura 3. Visita a igreja Saint Julien le Pauvre Fonte: http://www.tate.org.uk/context-comment/articles/bring-noise Acessado em agosto de 2015

ópera, plebiscitos, entre outros.

o ser humano, o caminhar urbano e sua evolução

O primeiro ato teve como cenário o que seria o antigo jardim da igreja de Saint Julien le Pauvre, em Paris, na época abandonada e pouco conhecida, cercada por um terreno vazio. Os artistas envolvidos com o movimento estiveram presentes e tinham plena consciência que o simples fato de estar alí, de ocupar o espaço, de fazer uso do mesmo, de ler textos ou interagir com as pessoas, de dar nova dinâmica, mesmo que temporária, sem a necessidade de deixar nenhuma escultura, nenhum mobiliário urbano e nenhum objeto, era suficiente para causar uma modificação no local.

36

Na França de 1924, deu-se a realização de um percurso errático em ambiente natural, saindo de uma cidade em direção a outra, seguindo por aproximadamente 50 km, marcando a passagem do dadaísmo para o surrealismo no que diz respeito ao âmbito urbano. Após essa deambulação, André Breton escreveu o Primeiro Manifesto Surrealista, dando início ao movimento que pregava a arte inconsciente e livre associação de ideias. O espaço apresenta-se como um sujeito ativo e pulsante, um produtor autônomo de afetos e de relações. É um organismo vivente, com um caráter próprio, um interlocutor que tem repentes de humor e que pode ser frequentado para instaurar um intercambio recíproco. (CARERI, 2013, p. 79)

Na sequencia de pensamentos e movimentos, os situacionistas,


Figura 4. Guia psicogeográfico de Paris Fonte: http://imaginarymuseum.org/LPG/Mapsitu1.htm Acessado em agosto de 2015

Os situacionistas começara, então, a desenvolver mapas baseados na interpretação dos locais. Desta forma, eles criaram um mapa de bolso de Paris que convidava o usuário a perder-se pela cidade. Os principais pontos turísticos aparecem em evidência, mas as conexões entre eles são feitas de vazios, os caminhos são sugeridos por uma série de setas que dizem apenas o rumo a ser seguido. Nenhuma rua é colocada sem necessidade, o individuo pode escolher qual percurso realizar de acordo com suas emoções e percepções do ambiente, sabendo apenas o que o atrai do outro lado. Este mapa ficou conhecido como o guia psicogeográfico de Paris (le guide psychogéographique de Paris). Os situacionistas tinham encontrado na deriva psicogeográfica o meio com o qual despir a cidade,

o ser humano, o caminhar urbano e sua evolução

por volta de 1957, começaram a desenvolver a ideia de perder-se no ambiente urbano e não mais no meio natural, como os surrealistas. Pretendendo investigar os efeitos psíquicos que o ambiente urbano pode causar no ser humano, os situacionistas viram a experiência surrealista como um grande desperdício, tentando superá-la dentro do contexto da cidade real. Para os situacionistas, os surrealistas pecaram ao dar muita importância ao subconsciente, o que os levava para uma fuga da realidade, desta maneira, os surrealistas foram considerados incapazes de realizar, na realidade, um estilo diferente de vida. Era preciso agir e não sonhar, diziam os situacionistas.

37


mas também com o qual construir um meio lúdico de reapropriação do território: a cidade é um jogo a ser utilizado para o próprio aprazimento, um espaço para ser vivido coletivamente e onde experimentar comportamentos alternativos, onde perder o tempo útil para tr ansformá-lo em tempo lúdico-construtivo.” (CARERI, 2013, p. 98)

Este conceito de reapropriação do território depende diretamente da relação das pessoas com as ruas, destacando a importância da rua não apenas como um elemento de ligação entre pontos importantes, mas como um lugar em si, com potencialidades e atratividades tão ou mais importantes do que as edificações relevantes de uma cidade, sejam elas históricas, públicas, institucionais, culturais etc.

o ser humano, o caminhar urbano e sua evolução

Muitos dos artistas, de áreas distintas, que buscaram contestar as regras e padrões da arte, acabaram por questionar atitudes e padrões da sociedade, como um todo, o que acabou influenciando diretamente na relação deles com o meio urbano, criando um novo estilo de vida, um meio de escapar. Os reflexos dessas mudanças podem ser vistos nas artes em geral. Na literatura, os romances surrealistas passaram a tratar de lugares que até então tinham sido deixados de lado e que, a partir dessa nova interpretação, acabaram se tornando uma base atrativa para textos turísticos. O turismo do diferente, a busca por itinerários exóticos, pelo conhecimento de uma cidade que poucos conhecem, pela fuga do obvio. As cidades passam, então, a receber turistas que querem ver e conhecer suas ruas e peculiaridades e não apenas seus teatros e operas.

38


2.2 A figura do flâneur

A ideologia do “tempo é dinheiro” tem bastante força nas metrópoles desde o período de industrialização vivenciado por qualquer país, principalmente com o surgimento das linhas de montagem. Durante os séculos XVIII e XIX a Europa viveu um período de forte industrialização, o que acarretou mudanças no cotidiano dos habitantes das cidades. Para se enquadrar nos padrões exigidos pela nova sociedade industrial, era preciso dedicar a maior parte do seu tempo diário ao trabalho, à produtividade, aos negócios ou qualquer outra atividade que objetivasse o lucro. Porém, por volta da década de 1840, surgiu um personagem que parecia estar alheio a essa aceleração no ritmo de vida. Este personagem é um observador da vida urbana que caminha tranquilamente pelas ruas, está em todos os lugares e, ao mesmo tempo, em lugar nenhum, está entre todos, porém sozinho, e apreende cada detalhe sem ser notado, sem se inserir na paisagem, buscando uma nova percepção da cidade. Sendo, portanto, o contraponto do burguês da época, que, como dito anteriormente, dedicava a maior parte do seu tempo aos negócios. Esta figura, que considera a cidade como seu templo, o espaço sagrado de suas perambulações foi denominada “flâneur”. De acordo com o dicionário francês, temos:

2. Perdre son temps.

Flâner: 1. Caminhar sem destino. 2. Perder tempo.

Flânerie: Action de flâner.

Flânerie: Ação do verbo flâner.

Flâneur: Qui flâne.

Flâneur: Quem pratica o verbo flâner.

Dictionnaire de langue française, Larousse 2013

Tradução realizada pela autora

A rua se torna moradia para o flâneur, que, entre as fachadas dos prédios, sente-se em casa tanto quanto o burguês entre suas quatro paredes (BENJAMIN. 1989. p. 35 apud RIBEIRO, Claudia Gonçalves. 2011. p 1088).

a figura do flâneur

Flâner: 1. Se promener sans but.

41


O flâneur é um observador apaixonado e, por que não dizer, viciado no ato de “flanar”. Para ele, a cidade é sedutora e suas ruas constituem o fascínio da multiplicidade e do efêmero, o gosto pelo movimento ondulante da multidão, tendo seu foco naquilo que é transitório na cidade. De certa forma, ele chega a se nutrir desta transitoriedade, sendo capaz de passar dias e dias observando as coisas e o comportamento das pessoas no contexto de uma cidade moderna, que possibilita encontros e desencontros, onde, em um curto período de tempo, muita coisa acontece ao mesmo tempo. O ato de “flanar” depende apenas de três coisas: olhos, pernas e lugar. Porém, este lugar deve oferecer um ambiente propício, pois o flâneur deve andar com segurança e conforto, sem precisar se preocupar com nada, com a mente vazia e os olhos atentos. Poetizar o urbano As ruas e as bobagens do nosso daydream diário se enriquecem Vê-se q elas não são bobagens nem trouvailles sem consequência São o pé calçado pronto para o delirium ambulatorium renovado a cada dia (OITICICA apud JACQUES, 2004)

No Brasil, os primeiros flâneurs surgiram no Rio de Janeiro, no final do século XIX e início do século XX. Nomes como Lima Barreto, Machado de Assis e, principalmente João do Rio são citados como referência desta figura. (Passos, Gouvêa, Tosti, Polito, 2003)

a figura do flâneur

Flanar é ser vagabundo e refletir, é ser basbaque e comentar, ter o vírus da observação ligado ao da vadiagem. Flanar é ir por aí, de manhã, de dia, à noite, meter-se nas rodas da populaça,[...]. É vagabundagem? Talvez. Flanar é a distinção de perambular com inteligência. Nada como o inútil para ser artístico. Daí o desocupado flâneur ter sempre na mente dez mil coisas necessárias, imprescindíveis, que podem ficar eternamente adiadas. (RIO, 1952, p. 2-3)

42

Atualmente, caminhadas urbanas são uma arte quase esquecida. Andar costumava ser parte importante, filosófica e artística. Além de fatores como segurança e falta de infraestrutura das nossas cidades para receber esse tipo de atividade, um dos agravantes é que na atual conjuntura da sociedade, grande parte das pessoas não dispõe mais de tempo para sair às ruas, sem destino, apenas observando o que se passa ao redor.


2.3 A promenade como tipologia

Contextualização geral

Figura 5. Paris, jardim do Palais Royal em 1905 Fonte: http://www.cparama.com/forum/paris-jardin-du-palais-royal-t4464.html Acessado em agosto de 2015

As promenades urbanas são locais de encontro, de troca, de socialização informal, do jogo de ver e ser visto. Atualmente, a promenade é um parâmetro importante na avaliação da qualidade de vida dos cidadãos de uma cidade. Por ser palco de um dos grandes lazeres da vida cotidiana, é considerada como um dos espaços mais democráticos da vida urbana. Além de ter se tornado um dos principais atrativos turísticos que uma cidade pode ter, devido aos seus belos e agradáveis passeios, de onde o turista pode ter maior contato com a população, os hábitos, a culinária, o clima e outras características únicas de cada cidade.

a promenade como tipologia

Promenade é uma palavra de origem francesa que pode significar duas coisas, a primeira é o ato de caminhar por prazer e a segunda é o local destinado a esta prática. A história da promenade tem o século XIX como seu período de mudanças mais significativas tanto em sua composição como em sua utilização e importância.

45


Wandern: 1. caminhar, passear, vagar. 2. migrar Wanderung: 1. caminhada, excursão 2. migração Wanderer: 1. viandante, caminhante 2. andarilho Spazieren: passear. spazieren gehen - passear a pé

Promenade 1. action de se promener 2. lieu où l'on se promène. Promener 1. Conduire en divers lieux pour l'agrément, le plaisir, donner de l'exercice. 2. Se promener Aller çà et là pour se distraire, prendre de l'exercice. Promeneur, euse Personne qui se promène (FAURY 2009)

Caminhar: 1. percorrer caminho a pé 2. progredir, avançar Passear: 1. ir em algum lugar a passeio, em visita, geralmente para divertir-se, espairecer

Spaziergang: passeio Spaziergänger: passeante Bummeln: 1. passear, vagar, andar à toa 2. dar uma volta 3. vadiar, fazer hora, vagabundear Bummel: passeio, voltinha, giro Schlendern: 1. passear, andar devagar. 2. vaguear

(KELLER, 2009)

Promenade 1. ação do verbo promener 2. local onde se pratica o verbo promener Promener 1. Se dirigiar a diversos lugares pela aprovação, pelo prazer, fazer exercício. Se promener Ir lá e cá para se distrair, fazer exercício. Promeneur, euse Quem pratica o verbo promener Tradução realizada pela autora

2. percorrer um passeio Vaguear: 1. vagabundear 2. passear ociosamente, vagar, vadiar, borboletear, zanzar, circular 4. renovar-se o ar

a promenade como tipologia

(FERREIRA, 2005)

46

Camminare 1. Spostarsi, andare a piedi da un punto a un altro 2. fig. Andare avanti, procedere, progredire: Circolare Passare da un luogo all'altro, da una persona all'altra; diffondersi Passeggiare Camminare lentamente, per divertimento e distrazione o per esercizio fisico, spesso senza una meta precisa: andare, uscire Andare a Zonzo Girare senza meta, oziosamente www.treccani.it/

Camminare 1. Deslocar-se, andar a pé de um local a outro. 2. fig. andar para frente, proceder, progredir: Circolare Passar de um lugar a outro, de uma pessoa a outra, difundir-se. Passeggiare Caminhar lentamente por divertimento e distração ou por exercício físico, muitas vezes sem um destino claro: andar, sair Andare a Zonzo Andar sem meta, ociosamente Tradução realizada pela autora


É possível comprovar essa importância turística a partir dos guias europeus de turismo do século XIX, onde a descrição das promenades é feita de forma precisa e criteriosa, abordando aspectos estéticos, históricos e práticos. (BECK, 2009) A partir do século XVII, na Europa, percebe-se um aumento das áreas destinadas à promenade dentro do tecido urbano das cidades. Este aumento se deu basicamente por dois motivos: primeiramente, o esforço dos monarcas europeus para oferecer à população de suas capitais novas áreas de promenade, abrindo, mesmo que com restrições, vários jardins de palácios que antes eram reservados para a elite aristocrática, mostrando boa vontade e simpatia de sua parte. Em segundo lugar, havia um discurso médico, que fazia parte das preocupações higienistas, que pregava que a promenade era uma prática que se integra à medicina, pois ela assegura, ao mesmo tempo, movimento, aeração e exercício, além fazer bem para a digestão, para os olhos, o cérebro, etc. (BECK, 2009) Em Paris, apesar de muitos jardins terem sido abertos para a população, foram instituídas regras de utilização dos espaços, que impunham segregações sociais. Esta situação só mudou após a Revolução Francesa, quando a totalidade das promenades urbanas passou a ter acesso livre, permitindo a utilização de todas as classes da sociedade. Esse processo se deu de maneira similar em praticamente todas as grandes cidades europeias e fez com que a promenade agregasse, cada vez mais, aspectos sociais e moralistas.

Pensamentos conflituosos

De acordo com alguns teóricos da promenade, como por exemplo, o filósofo alemão Kalr Gottlob Schelle, os membros das classes populares são inaptos ao tipo de deambulação proporcionada por uma promenade. Seu ultimo escrito em 1802, diz “que um indivíduo que não cultivou seu espirito, não tem esta necessidade, e ficará mal se o fizer.” De acordo com Schelle, para ser tocado pelo charme das promenades e sentir a necessidade intelectual de frequentá-las, é necessário ter certo nível de cultura e uma bagagem intelectual e, portanto, é natural que um simples jornaleiro não possa sentir o prazer agradável de uma promenade. (BECK, 2009)

a promenade como tipologia

Ainda antes da Revolução Francesa, quando as promenades possuíam regras restritas de utilização, os domingos e feriados eram dias em que o acesso às promenades se tornava livre. Ao adentrar o espaço da promenade, que era diariamente frequentado por membros da burguesia, os membros das camadas mais populares procuravam participar da dinâmica social preexistente, buscando vestimentas que se assemelhassem às da burguesia, chegando ao ponto de que não era possível a diferenciação. Esta situação era desesperadora para os burgueses, que passaram a não mais frequentar as promenades nos dias em que as mesmas tivessem acesso livre, evitando o contato e a mistura com o povo.

47


Estes acontecimentos e estudos são compreensíveis quando pensamos no contexto histórico em que estão inseridos. Se nos dias atuais, para muitos membros da alta sociedade a interação entre classes é considerada negativa, não é de se espantar que em 1802 os ânimos tenham ficado bastante alterados com a democratização do espaço. Porém, hoje, é inquestionável que um espaço público de qualidade permite diversas interações diferentes entre pessoas diferentes, sendo essa diversidade um dos principais geradores de identidade do local e pertencimento ao mesmo.

A promenade política No ano de 1831 em Berlim, houve uma proibição geral de fumar em locais públicos. Aos olhos do rei, essa medida foi tomada para valorizar e manter a moral e civilidade. Já para a população, esta medida foi vista como uma intervenção autoritária, símbolo da repressão política que caracterizava os anos anteriores a 1848. Os habitantes de Berlim, então, resolveram fumar para demonstrar a insatisfação e a força do povo, fazendo uso dos espaços públicos para protestar. Essa conquista dos espaços públicos e promenades pelo tabaco e pelos fumantes foi vista como um dos componentes do movimento emancipador, e várias pessoas fumaram incisivamente nas promenades durante a revolução de março de 1848. (BECK, 2009) A promenade é um dos espaços preferidos para a fixação de placas e paneis políticos, para criticar as autoridades, para evocar memórias, para plantar uma árvore simbólica, para ter um marco na cidade, entre outros. Estes usos mostram toda a importância da promenade na vida política e social, podendo adquirir formas contestatórias, um caráter conflitual onde se evidenciam as tensões existentes entre facções sociais, religiosas e politicas opostas.

a promenade como tipologia

Por serem extremamente democráticas, sendo palco do encontro de toda uma sociedade urbana, as promenades estão fortemente susceptíveis a se transformarem em um fórum de demonstrações de convicções políticas, principalmente quando elas são opostas ao regime em vigor.

48


2.4 Para onde caminham as cidades

O aceleramento da vida contemporânea vem ocorrendo devido a uma série de fatores conectados entre si. Com o surgimento do automóvel, o tempo médio dos deslocamentos foi reduzido, o que possibilitou percorrer maiores distâncias. Isso facilitou a expansão da malha urbana das cidades, somado ao crescimento populacional, que demandava novos territórios. A partir desta expansão, as distâncias percorridas pela população só aumentaram, assim como a própria população. Na tentativa de solucionar o problema de termos muitas pessoas precisando realizar inúmeros deslocamentos de média e longa distância todos os dias, foram criadas vias cada vez maiores, que permitiam a passagem de uma quantidade maior de veículos.

Essa malha urbana mais caótica e sem planejamento acabou gerando um desestímulo na apropriação dos espaços públicos pelos habitantes. As pessoas passaram a frequentar com menor intensidade esses espaços, que deixaram de ser agradáveis como eram antigamente, contribuindo para o abandono, sua permanência como espaço não agradável e o posterior aumento da violência. Dentro desse novo contexto urbano muito pouco favorável para a vida comunitária nos lugares públicos, o mercado imobiliário passou a criar novas tipologias para a habitação, o entretenimento, o lazer e as atividades comerciais. Lugares privativos, fechados, climatizados e protegidos, onde as pessoas passam a esquecer que estão inseridas no contexto da cidade e que fazem parte daquele caos. Surgem, então, elementos de uma nova linha de produção arquitetônica e urbana que não mais se comunica com a cidade, são os shoppings, condomínios fechados, bairros residenciais, hipermercados entre outros. Além desses aspectos, vale ressaltar que praticamente todas as grandes cidades brasileiras passaram por um processo de esvaziamento das áreas centrais (ver figura 06 ). Este processo se deu a partir de uma dinâmica econômica mundial, baseada na globalização, que trouxe com ela grandes

para onde caminham as cidades

Após anos de políticas públicas que, em sua maioria, privilegiam o transporte individual em detrimento do coletivo, as ruas se tornaram territórios caóticos e fatalmente disputados por todos que a utilizam. Quanto maior, mais fácil se torna reivindicar seu espaço. Ônibus, caminhões, carros grandes, médios e pequenos, motos, bicicletas e pedestres disputam o espaço das ruas e os mais fracos saem perdendo, sendo os pedestres e os ciclistas os mais prejudicados nessa disputa.

51


indústrias e multinacionais. Essa nova relação econômica entre os países acabou desenvolvendo políticas neoliberais, que, na década de setenta, ao serem adotadas pelos países, faziam com que os governos locais também mudassem sua forma de administrar as cidades, adotando estratégias de gestão, objetivando a geração de empregos, o aquecimento econômico e o aumento da arrecadação. Como forma de atrair investidores, o Estado passou a realizar parcerias público privadas, onde o Estado facilitaria a implantação de grandes equipamentos (hotéis, shoppings, indústrias, fábricas entre outros) em áreas mais baratas da cidade, geralmente mais afastadas, onde quase nunca havia infraestrutura e, em troca, levaria até o local a infraestrutura necessária. Esse processo fez com que as cidades passassem a ter novas centralidades, que nem sempre eram adequadas e muito menos previstas, o que comprova a completa falta de planejamento urbano vivenciada na época. (Matos 1998 apud PAVLICK, 2010).

para onde caminham as cidades

Figura 6. Centro de Fortaleza completamente vazio em dia não comercial Foto: acervo pessoal

52

Para tentar solucionar esse tipo de problema, muitos urbanistas voltaram a trabalhar com uma linha de pensamento mais voltada para a escala humana da cidade, valorizando o potencial poético do urbano e, principalmente, a valorização das experiências físicas corporais e sensórias que um espaço urbano pode e deve proporcionar. São medidas simples, porém imprescindíveis para quem ama a cidade e que não devem ser deixadas de lado pelos arquitetos urbanistas.


Além da escala humana, outra preocupação da atualidade diz respeito a sustentabilidade em todas as áreas de atuação. No campo da arquitetura e do urbanismo essa questão urgente deve abranger desde materiais utilizados a planejamentos para o crescimento da cidade, para que haja um aproveitamento máximo da infraestrutura já existente e uma redução nos danos ambientais que o processo de urbanização vem causando. Por isso, as áreas centrais de uma cidade apresentam potenciais quase infinitos quando se trata do urbanismo sustentável. São áreas que já possuem infraestrutura, que, geralmente, apresentam um fluxo intenso de pessoas em horários específicos, sendo o fluxo mais intenso no horário comercial, e que estão diretamente ligadas à história de formação da cidade, cumprindo um papel importantíssimo na memória dos cidadãos e no turismo local. Sob o prisma do desenvolvimento urbano sustentado, voltar a crescer para dentro da metrópole e não mais expandi-la é outro aspecto altamente relevante nesses casos: reciclar o território é mais inteligente do que substitui-lo. (LEITE, 2012)

Figura 7. Place Kléber em Strasbourg, França Foto: acervo pessoal

para onde caminham as cidades

O fato dos centros urbanos apresentarem bastante potencial para a aplicação de um urbanismo planejado e humanista, não significa que o restante da cidade não mereça, também, tal tratamento. O urbanismo em pequena escala deveria ser difundido por toda a cidade, aliado ao planejamento em macro escala, só assim garantiríamos cidades ativas, sustentáveis, organizadas e agradáveis (ver figura 07).

53


Algumas cidades europeias estão a frente nesse tipo de intervenção, buscando valorizar os espaços públicos como lugares primordialmente atrativos às pessoas, para que a partir daí toda a carga simbólica e afetiva que um bom lugar precisa ter seja atribuída ao espaço. As grandes cidades europeias das últimas décadas, como Barcelona, Berlim e Paris se mantêm candidatas a criarem a marca urbana do século XXI e retomarem o lugar europeu na cultura mundial. São cidades que vem passando por grandes urbanizações desde as últimas duas décadas do século XX, onde o caos urbano foi trocado por generosos e concorridos espaços públicos, voltados aos encontros de pessoas e culturas diversas. E este é o mote primordial dessas cidades: o multiculturalismo como fomento de novos espaços e lugares. Efeitos ou não do lado “bom” da globalização, a diversidade e o acesso a outras culturas atrai a cada ano, um número crescente de pessoas a estes novos “lugares urbanos”, desfrutando de um grande mix de atividades culturais e de lazer como bares, lojas, restaurantes, teatros, cinemas, museus, eventos religiosos e folclóricos, feiras, fóruns mundiais, etc. (DIAS, 2005)

A identificação popular com o espaço público cria um vínculo afetivo. Se, cada vez mais, os planejadores urbanos e os urbanistas trabalharem em conjunto para produzir espaços públicos de qualidade que permitam um maior grau de pertencimento dos habitantes às suas cidades, teremos uma população com noções de civilidade, mais politizada e engajada em defender as boas condições de habitabilidade, lazer, cultura, educação, entre outros. As cidades só podem refletir os valores, compromissos e resoluções da sociedade que abrigam. Portanto, o sucesso de uma cidade depende de seus habitantes e do poder público, da prioridade que ambos dão à criação e manutenção de um ambiente urbano e humano. (ROGERS, 2011)

para onde caminham as cidades

Para a criação de um espaço público de qualidade é necessária uma rede de fatores que a proporcionem. É preciso ter atratividade, movimento, opções, variedade, acessibilidade, usos diversos, entre outros (ver figura 08).

54

Algumas dessas medidas foram adotadas em diversas cidades, como, por exemplo, o investimento no transporte coletivo, o desestimulo ao uso do transporte individual (a partir da diminuição da quantidade de vagas de estacionamento para veículos automotores e sua alta tarifação), a diminuição da velocidade de ruas e vias, o estímulo ao uso de transportes alternativos, o estímulo ao uso misto da edificações, etc. Com essas iniciativas, busca-se, principalmente, uma desaceleração no ritmo da cidade ou, minimamente, das zonas dotadas de uma concentração considerável de pessoas, infraestrutura e espaços públicos.


Figura 8. La Rambla em Barcelona Foto: acervo pessoal

Ao diminuir a velocidade em que se transita, aumenta-se a potência corporal de identificar paisagens, de se identificar, de reconhecer singularidades, de se interessar, de ver e ser visto, de reconhecer subjetividades, de se apropriar do espaço, de flanar.

Dentre os princípios para se obter um bom espaço público, a diversidade de usos ganha destaque, pois sua aplicação garante uma pluralidade de usuários. Tratando-se da escala da edificação, um prédio que possui em seu térreo uso comercial, nos primeiros pavimentos salas comerciais e nos pavimentos mais altos habitação, permite que o edifício seja utilizado 24 horas por dia. Se expandirmos isso para a escala da cidade, vemos que um bairro que possui atividades comerciais, habitação, centros culturais, opções de lazer, edifícios institucionais, entre outros, possui uma maior vitalidade e um fluxo intenso de pessoas. A possibilidade de encontrar em um só lugar diversas opções de atividades influencia até na segurança do local, que passa a ter diversos frequentadores e observadores. O que nós mais gostamos de ver numa cidade são as pessoas. Precisamos de grandes locais públicos de encontro e desfrutar de pessoas assistindo. Nós, os seres humanos, gostamos de estar com os outros, mesmo que

para onde caminham as cidades

O corpo cria movimentos na cidade e a convoca a se mover também, em novos enredos e melodias. A cidade pode experimentar, a partir de suas diversidades, outras comunicações possíveis. (MOEHLECKE, 2005)

55


desconhecidos, em praias, shows, restaurantes e, claro, em calçadas e parques. Os parques são um local de encontro não só com a natureza, mas com outras pessoas também. (Gehl; Rogers, 2010 apud LEITE 2012)

Limiar dos 14m

Uma das primeiras estudiosas do urbanismo da escala humana e dos espaços públicos atrativos e agradáveis para a população foi a americana Jane Jacobs, que, no ano de 1961, publicou seu livro “morte e vida de grandes cidades” onde apresentou um conceito de cidade acessível, humana, diversa e rica de pluralidades, fugindo do conceito, amplamente divulgado na época, de cidade voltada para o automóvel. Seu conceito de “olhos da rua” é tido como um dos mais importantes, prezando por um padrão de edificação não tão alto, que permita que a comunicação entre quem está na rua e quem está dentro do edifício seja facilitada, garantindo maior vitalidade, interação e segurança, tanto para quem está na rua, como para quem está no edifício.

para onde caminham as cidades

A difusão dessas idéias e conceitos acabou gerando uma nova maneira de se projetar em urbanismo. A partir dos anos 70, o termo “placemaking” se difundiu e passou a ser utilizado por Figura 9. Olhos da rua arquitetos e urbanistas que buscavam Ilustração elaborada pela autora fazer lugares, não no sentido literal, mas com todos os aspectos subjetivos que um lugar traz consigo, e todos os determinantes que fazem com que um espaço deixe de ser simplesmente um espaço e passe a ser um lugar, que passe a ter significado para as pessoas.

56

O placemaking inspira pessoas a trabalharem juntas para reimaginar e reinventar os espaços públicos, para que eles sejam o coração de cada comunidade, reforçando a ligação entre as pessoas e os lugares que elas compartilham. O placemaking refere-se a um processo colaborativo através do qual torna-se possível moldar a esfera pública, a fim de maximizar o valor compartilhado. Mais do que apenas promovendo um melhor desenho urbano, o placemaking facilita padrões criativos de uso, valorizando as identidades físicas, culturais e sociais que definem um lugar e sua comunidade. (fonte: Project for Public Spaces. Disponível em: www.pps.org. Acessado em agosto de 2015. Tradução realizada pela autora)


Começaram a surgir, também, projetos de grandes parques periféricos para a população, projetos de adaptação ou readequação de parques já existentes, de novas promenades, agora mais urbanas, adquirindo um caráter de trajeto, novas idéias que se adaptassem a uma cidade já consolidada que possui a necessidade de novos espaços públicos, de novas áreas de convivência, de novos lugares de identificação. Uma das imagens mais fortes e mais concretas do que seria uma cidade está vinculada ao espaço público, mais especificamente à rua, um espaço plurifuncional, onde os mais variados eventos ocorrem, do comércio à circulação, do ponto de encontro ao local de desfile. Em segundo lugar, temos as praças como imagem das cidades, outro espaço público que, juntamente com a rua, representa o espaço da liberdade, o espaço do cidadão, o espaço de fora, o espaço da coletividade, enfim, o espaço público por sua definição. É referência, é identidade, é pertencimento, é propriedade, é sociabilidade, é política, etc. Ora, a rua é mais do que isso, a rua é um fator da vida das cidades, a rua tem alma! [...] Oh! sim, as ruas têm alma! Há ruas honestas, ruas ambíguas, ruas sinistras, ruas nobres, delicadas, trágicas, depravadas, puras, infames, ruas sem história, ruas tão velhas que bastam para contar a evolução de uma cidade inteira, ruas guerreiras, revoltosas, medrosas, spleenéticas, snobs, ruas aristocráticas, ruas amorosas, ruas covardes, que ficam sem pinga de sangue... (RIO, 1952, p. 2 -4)

A cidade não se é melhor quando se é rico, mas quando seu povo é mais feliz. Portanto, esforços governamentais e outros não devem se concentrar tanto em tornar as cidades competitivas, mas em fazè-las felizes. E, como bônus, ela será mais competitiva também. (LEITE, 2012)

para onde caminham as cidades

É importante ressaltar que os espaços públicos influenciam efetivamente no comportamento de quem os utiliza, podendo ser os responsáveis por transformações radicais que podem acontecer no âmbito social. Os espaços não são neutros e interferem significativamente na vida das pessoas, em sua felicidade ou infelicidade. Ao proporcionar espaços inadequados, mal projetados e mal realizados, não se deve esperar que os cidadãos que frequentam tal espaço tenham algum tipo de respeito por ele. Já no caso de uma pessoa que frequenta um local próprio, que a faz sentir-se pertencente ao lugar, ela irá, muito provavelmente, cuidar para que aquilo se preserve e para que outras pessoas também respeitem, frequentem e aproveitem tal espaço. Essas atitudes podem ser refletidas em diversas situações cívicas,

57


Capítulo 03

É a maneira perfeita de se mover se você quer ver a vida presente nas coisas. É a única forma de liberdade. Se você vai para um lugar de qualquer outra forma, que não seja pelos próprios pés, você chegará lá muito rápido, e perderá mil alegrias delicadas que estavam esperando por você à margem. Elizabeth Von Arnim 58


Estudo Territorial

3.1 Contextualização Os pedestres da maioria das grandes cidades brasileiras enfrentam desafios diários em seus trajetos. Entre calçadas mal dimensionadas, mal conservadas, danificadas, com materiais inadequados, inacessíveis e contando com a presença de postes, placas, bancas, vendedores ambulantes, lixo e até mesmo árvores mal posicionados, os pedestres se esforçam para prosseguir. Na maioria dos trajetos, a concentração necessária para caminhar é tanta que o ato deixa de ser prazeroso, não sendo possível apreciar os acontecimentos ao redor, apenas prestar atenção para não se acidentar. No dia a dia da cidade, quase todas as pessoas podem ser caracterizadas como pedestres em algum momento de suas jornadas. Ao utilizar o transporte público, é preciso caminhar até a parada do ônibus ou até a estação de metrô. Ao fazer uso do veículo particular, é preciso estacionar o veículo próximo ao seu local de destino, o que, nem sempre, acontece no estacionamento do próprio local ou na entrada do mesmo, sendo necessária uma breve caminhada para chegar onde se deseja. De tal forma, é preciso que o caminhar urbano possa contar com espaço e infraestrutura adequados, que possam atender, democraticamente, a todos os usuários. Uma pesquisa realizada pela Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) em cidades brasileiras com mais de 60 mil habitantes revela que, devido a essa utilização simultânea de modais de transporte, a quantidade de viagens realizadas a pé chega a ser maior do que as realizadas em transporte público ou em veículos particulares (ver tabela 1 e gráfico 1 ). Por outro lado, quando analisa-se a distância percorrida pelos modais, obviamente, a distância percorrida a pé se torna bem menor do que as distâncias percorridas pelos veículos particulares e pelos veículos da rede 59


Sistema

Km percorridos

Viagens (milhões)

(bilhões de km/ano)

Ônibus municipal

12.982

151,6

Ônibus metropolitano

3.205

74,9

Trilhos

2.520

30,5

Transporte Coletivo - Total

18.707

257,0

Auto

17.295

135,1

Moto

2.441

18,9

Transporte Individual - Total

19.737

154,0

Bicicleta

2.430

11,2

A pé

23.472

23,5

Não Motorizado - Total

25.901

34,6

Total

64.345

445,6

Tabela 1. Relação entre número de viagens e quilômetros percorridos paca cada modal em 2013 Fonte: ANTP - Relatório geral 2013 Elaborada pela autora

TC 29% A pé 36%

TC 58% Auto 27%

Auto 30% Moto 4%

contextualização

Moto 4%

60

Bicicleta 4%

Gráfico 1. Viagens por ano, por modo principal em 2013 Fonte: ANTP - Relatório geral 2013 Elaborado pela autora

A pé 5%

Bicicleta 3%

Gráfico 2. Quilometragem percorrida pelas pessoas por modo (bilhões de quilômetros/ano em 2013 Fonte: ANTP - Relatório geral 2013 Elaborado pela autora


de transporte público (ver tabela 1 e gráfico 2 ). Destacando a importância do caminhar, num contexto geral das cidades brasileiras onde a pesquisa foi aplicada, para as curtas distâncias percorridas diariamente.

CE

Brasil

Caucaia

Ceará

Fortaleza Maracanaú

Eusébio Itaitinga

Aquiraz

Mapa 1. Localização de Fortaleza Elaborado pela autora

Figura 10. Utilização da Av. Beira Mar por volta das sete e meia da manhã Foto: Acervo Pessoal

contextualização

Em Fortaleza, o caminhar está muito vinculado ao ato de realizar alguma atividade física e à vontade de cuidar da saúde. Essas atividades geralmente são realizadas por pessoas que buscam as praças próximas às suas casas, evitando grandes deslocamentos. Quanto ao ato de caminhar na malha urbana, poucas áreas da cidade apresentam uma quantidade significativa de pessoas que caminham mais do que o necessário para pegar o ônibus ou após estacionar o carro. Podemos destacar, por exemplo, a Av. Beira Mar, também muito procurada para a realização de atividades físicas, mas que, devido a sua proporção, permite um caminhar em escala urbana; e o Centro da cidade de Fortaleza, um dos bairros onde o fluxo de pedestres é intenso e significativo.

61


Dentro deste contexto do caminhar em escala urbana, a Av. Beira Mar possui uma utilização intensa que se inicia por volta das cinco horas da manhã e vai até aproximadamente meia noite. Apesar de ser frequentada por muitos turistas e estar inserida em bairro nobre da cidade, possui um forte aspecto democrático que percorre toda a sua extensão. É possível, em uma caminhada ao longo da orla, encontrar diversas camadas da sociedade convivendo pacificamente no espaço público. Durante o dia, a beira mar é mais frequentada por pessoas que praticam esportes, seja na areia, no calçadão, nas quadras ou na água, porém, ao anoitecer, a maior presença em toda a sua extensão são pedestres caminhando, observando e aproveitando o espaço para espairecer.

contextualização

Figura 11. Fluxo de pedestres na rua General Sampaio, no centro de Fortaleza Foto: Ascefort, disponível em: http://ascefort.com.br/site/wp-content/uploads/2010/12/ Acessado em setembro de 2015

62

Já o centro da cidade apresenta uma dinâmica bastante diferente. As pessoas, em geral, frequentam o centro para realizar compras, já que o mesmo é conhecido pelo seu comércio e serviço diversificados. Porém, é um dos locais da cidade onde mais se caminha, a grande maioria das suas ruas são bastante movimentadas durante o horário comercial de funcionamento das lojas. Além do fluxo comercial, o Centro, por conter e coincidir com o centro histórico da cidade, atrai tanto turistas como apreciadores da arquitetura e da cultura local, que se misturam nesse emaranhado de gente. Todos caminham no Centro, porém a qualidade dessa caminhada é bastante ruim, devido a diversos fatores, entre eles, pode-se citar os espaços mínimos destinado aos pedestres, que muitas vezes são ocupados por ambulantes, à má condição de conservação de inúmeras calçadas, ao lixo acumulado, aos postes e placas mal posicionados, à falta de sombra, entre outros. Mesmo assim, caminha-se freneticamente e diariamente no Centro de Fortaleza.


N

0

5

10 Km

Mapa 2. Localização do bairro Centro Fonte: Prefeitura Municipal de Fortaleza / Imagem Google Satélite 31/07/2015 Elaborado pela autora

Bairro Centro

Este trabalho final de graduação escolheu o bairro Centro como seu recorte espacial, onde serão apresentadas, adiante, as áreas dentro do bairro que foram escolhidas para a aplicação do projeto urbano. O centro se localiza na porção norte do município de Fortaleza (ver mapa 2 ) e é delimitado, segundo a Prefeitura de Fortaleza, ao Norte, pela linha férrea, pelo Oceano Atlântico e pela avenida Monsenhor Tabosa; ao Sul, pela rua Antônio Pompeu; a Leste, pela rua João Cordeiro; e a Oeste, pela Rua Padre Ibiapina e pela avenida Filomeno Gomes, continuação desta rua. O bairro conta com uma área de 486 hectares e tem os seguintes bairros limites: ao Norte, Praia de Iracema e Moura Brasil; ao Sul, Benfica, José Bonifácio e Joaquim Távora; a Leste, Meireles e Aldeota; e a Oeste, Jacarecanga e Farias Brito, conforme mapa 3. N

Moura Brasil Jacarecanga

Praia de Iracema

Meireles

Farias Brito

Benfica

Aldeota José Bonifácio Joaquim Távora

0

250

500 m

Mapa 3. Bairros limítrofes ao Centro de Fortaleza Fonte: Prefeitura Municipal de Fortaleza / Imagem Google Satélite 31/07/2015 Elaborado pela autora

contextualização

Centro

63


3.2 Breve histórico da área delimitada

Em 1649, holandeses que ocupavam o Ceará, ergueram um forte de cercas de madeira em uma colina denominada Marajaitiba, este forte foi chamado de Schoonenborch. A construção desta edificação buscava a defesa da região de possíveis ataques estrangeiros. Quando a Capitania foi retomada pelos portugueses, o forte passou a se chamar Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, passando por algumas modificações, acréscimos e consertos. O forte viria a se tornar o núcleo da cidade de Fortaleza, situado no bairro do Centro, onde hoje funciona o quartel da 10ª Região Militar. A partir do crescimento estadual da produção e da exportação de algodão, a cidade de fortaleza vivenciou um momento de grande crescimento econômico. Tal crescimento só foi possível devido à migração e ao declínio das atividades ligadas a criação de gado, devido às fortes secas, ao aumento da concorrência com carnes vindas do sul do país e à recessão norte-americana.

Resumidamente, pode-se dizer que o plano de Paulet consistia na implantação de um arruamento em quadrícula no planalto situado a oeste do Riacho Pajeú, nas proximidades da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção e da sua justaposição às áreas caracterizadas pela ocupação linear nas margens deste riacho. (FERNANDES. 2004. p. 32).

Fortaleza viveu, por volta da primeira metade do século XX, um momento de maior riqueza, devido à intensificação das atividades industriais, com criação da estrada de ferro de Baturité, que se conectava ao Porto. Neste momento, surgiu a proposta de um novo plano de ordenamento da

breve histórico da área delimitada

Até o séc. XVIII a ocupação da cidade de Fortaleza se deu de maneira quase restrita ao Centro e seu entorno imediato, porém, neste século, a cidade passou por uma grande reformulação. O engenheiro Silva Paulet propôs, então, uma forma de consolidar o traçado reticulado, por meio de diversas desapropriações. Além desta reformulação, a cidade também passava por uma espécie de “embelezamento”, por meio da construção de algumas edificações inspiradas no estilo europeu, como a Santa Casa de Misericórdia, o Liceu do Ceará, o Seminário da Prainha e a Cadeia Pública. Este plano de Silva Paulet, que permitiu a consolidação do traçado xadrez da malha urbana norteou ações posteriores de expansão e retificação da mesma.

65


cidade, realizado por Adolfo Herbster. Este plano procurava sistematizar a expansão da cidade através do alinhamento de ruas e da abertura de avenidas. Sua proposta manteve o traçado ortogonal, expandindo-o para o entorno do centro, buscando manter a ordem da ocupação na cidade. Propôs ainda a criação de três boulevards, as avenidas Dom Manoel, do Imperador e Duque de Caxias. (CASTRO, 1982 apud FERNANDES, 2004)

breve histórico da área delimitada

Figura 12. “Planta da Cidade da Fortaleza e Sobúrbios” elaborada por Adolfo Herbster em 1875. Fonte: FORTALEZA - CODEF/PMF, 1979

66

Fortaleza continuou crescendo até atingir a sétima maior população urbana do Brasil durante a virada do século XIX para o XX e, devido a isso, os governantes começaram a tomar iniciativas de higienização social e de saneamento ambiental, além de reformas urbanas, com a implantação de cafés, jardins, monumentos e a construção de edifícios de padrão estético europeu. Esta remodelação urbana impulsionou-se com a construção do Mercado de Ferro (1897), o embelezamento das principais praças (1902-03) e a construção do Teatro José de Alencar (1910). Este conjunto de edificações acabou dando ao centro da cidade um harmonioso conjunto urbano, complementado pela construção de mansões, prédios públicos e cinemas, que foram, em sua grande maioria, marcados pelo ecletismo arquitetônico. (PONTE, 1993 apud FERNANDES, 2004).


Ainda segundo Ponte, daí em diante, a paisagem urbana foi se modificando, ganhando, enfim, seus primeiros sobrados, belas casas e fachadas, alguns imponentes prédios públicos, calçamento nas vias principais, bondes à tração animal e extensa rede de iluminação a gás carbônico. Lojas e cafés com nomes franceses, armazéns, oficinas e novos estabelecimentos comerciais ocuparam espaço nas ruas em volta da Praça do Ferreira, centro pulsátil, deslocando as residências para vias mais afastadas. (...) O embelezamento da capital, por sua vez, configurouse por meio da reformulação das principais praças, da arborização e iluminação das vias centrais, da construção de um vasto Passeio Público e de outras novas edificações. (PONTE, 1993 apud FERNANDES. 2004. p. 36).

Figura 13. Santa casa de Misericórdia e Passeio Público Foto: Acervo Nirez

Ocorre, então, um processo de especialização funcional baseado na predominância do comércio no entorno da Praça do Ferreira, o que futuramente caracterizaria o surgimento de um centro comercial bem delimitado se opondo às zonas mais predominantemente residenciais. Este processo acabou afastando a elite de Fortaleza da região central, que agora passara a ver desvantagens de morar no Centro. A partir dessa “migração”

breve histórico da área delimitada

A construção do Passeio Público é caso emblemático. Ergue-se um espaço público que tira partido da orla como objeto paisagístico, dotando a cidade de um lugar aprazível do ponto de vista do conforto ambiental, sobretudo aeração e sombreamento. O Passeio, na sua oposição à Praça do Ferreira – espaço cívico da manifestação e do encontro cotidiano – caracteriza-se como espaço de lazer que evidencia um grau relativamente avançado de divisão do trabalho (separação dos tempos do trabalho e do lazer) e uma hierarquização social claramente demarcada. (FERNANDES, 2004, p. 37).

67


da elite fortalezense, novos bairros no entorno da região central foram surgindo, como Jacarecanga, Aldeota e Praia de Iracema. Este fenômeno deflagrou o grau de complexidade que a vida urbana de Fortaleza, nas primeiras décadas do séc. XX, passou a ter. A partir desse processo de zoneamento quase espontâneo, o centro começou a ser tomado pelo comércio popular, perdendo quase completamente sua função residencial. Por volta de 1970, Fortaleza firmou-se como metrópole regional de tal forma que passou a exercer influência econômica e social nos municípios vizinhos devido ao fato de concentrar empregos, comércio e serviços. A partir desse processo, foram criados novos bairros e novas centralidades. Dentro deste contexto, novos bairros e novas centralidades foram surgindo, distribuindo várias atividades que antes se concentravam no Centro, para outras áreas da cidade. O centro sofreu, sim, um esvaziamento no que se refere às atividades de lazer, culturais e administrativas, perdendo importantes marcos simbólicos do poder, o que acarretou no uso degradado de certos trechos. Esse esvaziamento se agravou com a transferência dos serviços de profissionais liberais para a Aldeota, onde encontram vantagens na nova localização. (DIÓGENES, 2005. p.12)

breve histórico da área delimitada

Todos esses processos de expansão da cidade contribuíram para que a partir da década de 1980, o Centro perdesse 35% de sua população. Segundo dados do Censo do IBGE em 1980 a região central tinha 38.545 habitantes, em 1991, passou a ter 30.679 e, em 2000 baixou para 24.775 habitantes. A implantação do Sistema Integrado de Transporte de Fortaleza (SIT), no início dos anos 1990, intensificou a descentralização, tornando acessíveis pelo transporte público as novas centralidades: Aldeota, Alagadiço, São Gerardo, Antônio Bezerra, Barra do Ceará, Messejana, Montese, Parangaba e Seis Bocas. Desde os anos 1980, toda a zona leste vem sofrendo um processo de expansão, atraindo população de todos os extratos de renda para novos empreendimentos imobiliários e favelas que ali se formaram. (INSTITUTO PÓLIS, 2009)

68

Atualmente, o Centro ainda se caracteriza, principalmente, por suas atividades comerciais, que em sua grande maioria são varejistas. É importante destacar que alguns projetos tentaram, ao longo do tempo, recuperar suas antigas funções residencial, institucional e de lazer, tentando aproveitar a infraestrutura já instalada no local e a localização privilegiada em relação ao restante da cidade. Porém, as intervenções realizadas foram feitas de maneira pontual, não possibilitando grandes alterações neste cenário.

Para quem se interessar: o maior exemplo de plano que tentou reativar antigas funções na área central de Fortaleza foi o Plano Habitacional de Reabilitação da Área Central de Fortaleza, desenvolvido pela Secretaria Municipal do Desenvolvimento Habitacional de Fortaleza (Habitafor) em 2009. Acesso pelo link: http://www. cidades.gov.br/images/stories/ A rq u i v o s S N P U / B i b l i o t e c a / R e a b i l i ta ca o A re a s U r b a n a s / Ceara_Versao_Final_ Plano_Habitacional.pdf)


O centro de Fortaleza é entendido, pois, como uma imagem negativa da cidade, formulada pela precariedade de seu espaço físico, pelas calçadas estreitas, pela pobreza das fachadas pela intensa poluição visual e sonora, pela negligência por parte das autoridades, e, em parte, pelo preconceito das elites, que o julgam inseguro, desorganizado e caótico.

breve histórico da área delimitada

Por incompreensão do fenômeno, políticas de renovação urbana mal propostas e descontínuas, vêm sendo implementadas ultimamente com vistas à revitalização e requalificação da área. Contudo, o centro tradicional definitivamente perdeu seu papel hegemônico na cidade. (DIÓGENES, 2005. p.13)

69


3.3 Enquadramento legal

Aspectos Gerais O município de Fortaleza possui, até a data de realização deste trabalho, seu território dividido em sete regionais. Cada uma conta com uma Secretaria Regional Executiva, responsável pela administração de cada regional. O Centro de Fortaleza possui uma Secretaria exclusiva para o bairro, a Regional do Centro, enquanto as outras regionais abrangem áreas maiores, com diversos bairros inseridos (ver mapa 4).

N

regionais de Fortaleza Regional do Centro Regional I Regional II Regional III

Regional V 0

1,25

2,5

3,75

5

Km

Regional VI

Mapa 4. Regionais de Fortaleza Fonte: Prefeitura Municipal de Fortaleza Elaborado pela autora

enquadramento legal

Regional IV

71


Em relação aos aspectos legais, de acordo com o Zoneamento Urbano do Plano Diretor Participativo de Fortaleza (Lei Complementar 62 de 2009), o bairro Centro possui a sua maior porção inserida na Zona de Ocupação Preferencial 1 (ZOP1), mas também conta com porções do território, ao sul e ao norte, inseridas, respectivamente, na Zona de Ocupação Preferencial 2 (ZOP2) e na Zona da Orla Trecho 3 (ZO3), como pode ser visto no mapa 5). N

0

Bairro Centro ZOP 1 - Zona de Ocupação Preferencial 1 ZOP 2 - Zona de Ocupação Preferencial 2

500

1000 m

ZOC - Zona de Ocupação Consolidada

ZO 2 - Zona da Orla - Trecho 2

ZO 4 - Zona da Orla - Trecho 4

ZO 1 - Zona da Orla - Trecho 1

ZO 3 - Zona da Orla - Trecho 3

Macrozona de Proteção Ambiental

Mapa 5. Zoneamento Urbano do Centro de Fortaleza e entorno imediato Fonte: PDP FOR 2009 / Imagem Google Satélite 31/07/2015 Elaborado pela autora

enquadramento legal

Além destas zonas, o PDP FOR também prevê a criação de zonas especiais, que compreendem áreas do território que exigem tratamento especial na definição de parâmetros reguladores de usos e ocupação do solo, sobrepondo-se ao zoneamento urbano. A região central possui porções territoriais inseridas nas seguintes zonas especiais: Zona Especial de Preservação do Patrimônio Paisagístico, Histórico e Cultural do Centro (ZEPH Centro), Zona Especial de Dinamização Urbanística e Socioeconômica (ZEDUS) e a Zona Especial de Interesse Social tipo 1, que abrange a comunidade do poço da draga (ver mapa 6).

72

Com relação ao Zoneamento Ambiental, o Centro abrange, ao norte, uma porção da Zona de Preservação Ambiental da Faixa de Praia (ZPA 2) e possui, no leito do Riacho Pajeú, uma Zona de Preservação Ambiental (ZPA 1). É importante destacar que devido ao fato do riacho possuir trechos que estão, atualmente, canalizados, a Zona de sua proteção só abrange as áreas em que o rio encontra-se a céu aberto (ver mapa 6). As principais definições e objetivos das zonas supracitadas, estarão dispostos no anexo I, visando a melhor distribuição e visualização das informações.


N

0

500

Bairro Centro

ZEIS 1 - Ocupação

ZEPH Centro - Zona Especial de Preservação

ZEIS 2 - Conjunto

do Patrimônio Paisagístico, Histórico e

ZEIS 3 - Vazio / subutilizado

Cultural do Centro

ZPA 2 - Zona de Preservação Ambiental da Faixa de praia

ZEDUS - Zona Especial de Dinamização Urbanística e Socioeconômica

1000 m

ZPA 1 - Zona de Preservação Ambiental

Mapa 6. Zoneamento Ambiental e Zonas Especiais do Centro de Fortaleza e entorno imediato Fonte: PDP FOR 2009 / Lei complementar nº 0101, 2011 / Imagem Google Satélite 31/07/2015 Elaborado pela autora

Intervenções políticas Entre as décadas de 1980 e 1990, o Centro atingiu o seu pior estado de decadência. A partir deste estado, tanto o poder público, como o privado, buscaram dar atenção à situação e tentar melhorar a condição encontrada. Dentro deste contexto, o Centro passou a ser considerado como área de intervenção prioritária.

No início dos anos 90, a Prefeitura Municipal reformou a Praça do Ferreira. Havia a necessidade, dentro do contexto da época, da criação de um espaço economicamente dinâmico atrelado à ideia de um local público, seguro e limpo, onde a população pudesse se apropriar do espaço e se orgulhar do mesmo.

enquadramento legal

Apesar da existência de novas intervenções, a grande maioria delas era desconexa e sem integração, o que descaracteriza a revitalização e torna a iniciativa uma forma de maquiar os problemas existentes.

73


A Praça do Ferreira acabou se tornando uma espécie de vitrine da reabilitação da área central. Porém, esta iniciativa não foi suficiente para a revitalização da área central. Além do Projeto de Reforma da Praça do Ferreira, podemos citar ainda, como parte da requalificação espacial do centro da cidade, os seguintes projetos pontuais: o Novo Mercado Central (1997), o Centro Cultural Dragão do Mar (1999), o Centro de Referência do Professor (2000), onde funcionava o antigo Mercado Central, e a reforma do Passeio Público (2007). Em 1999 surgiu a ONG Ação Novo Centro, articulada pelos comerciantes da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), que se propõe a articular os interesses empresariais junto à Prefeitura Municipal e à outras entidades representativas, buscando viabilizar estratégias para a requalificação do bairro. Podemos citar como ações desta ONG: Projeto Shopping Centro, que envolvia a implantação de galerias e centros comerciais, visando garantir a sobrevivência do comércio na área central frente à concorrência dos shopping centers que estavam surgindo na cidade; o Projeto de Requalificação de Fachadas, aplicado no entorno da Praça do Ferreira e no da Praça dos Leões, visava elevar a atratividade da área com investimentos; o Projeto Roteiro Cultural; o Programa Ação Local; Projeto Bairro Central e o Concurso Nacional de Ideias para Embelezamento e Valorização da Área Central de Fortaleza e Parque da Cidade, realizado em 1999, buscava a proposição de ideias gerais para o Centro e o estudo preliminar para o Parque da Cidade. Em 2001, a Secretaria de Cultura do Estado lançou o Projeto Fortaleza Histórica – Nossa Cidade tem Memória, que visava resgatar a importância do Patrimônio Histórico e Arquitetônico de Fortaleza. O projeto consistia, basicamente, no restauro das fachadas de algumas edificações, muitas delas situadas na rua Dr. João Moreira.

enquadramento legal

Como se pode notar, as intervenções realizadas na região central foram poucas e independentes entre si, sem vínculos e sem um planejamento geral que as guiassem. Esse tipo de intervenção, apesar de contribuir de certa forma para o local, não é capaz de mudar a condição do bairro. Além do fato de que as propostas abordam seus objetos de intervenção de maneira superficial, como o projeto de restauração de fachadas, que ao tratar somente as fachadas dos edifícios, não é capaz de atrair mais usos nem pessoas, e o processo de revitalização não é completo.

74

Entre os anos de 2007 e 2009 foi elaborado, pela Prefeitura Municipal de Fortaleza em parceria com o escritório Piratininga Arquitetos Associados, o Plano Habitacional para Reabilitação da Área Central de Fortaleza (PHRACF).


Exemplo de diretrizes de intervenções urbanísticas baseadas na melhoria dos espaços público: 1. melhoria do sistema viário e das condições de mobilidade, principalmente dos pedestres, e que inclui ações para a regulamentação dos estacionamentos, melhorias das calçadas para garantir acessibilidade universal, entre outras ações, que devem se articular com a futura implantação do metrô e com a reordenação dos terminais de ônibus; 2. recuperação de espaços e equipamentos públicos, para garantir os serviços básicos de apoio ao uso habitacional e atrair a visita de turistas e moradores de outras regiões da cidade, para valorizar o patrimônio histórico e paisagístico da área central; 3. melhoria das condições de segurança, associadas a políticas de desenvolvimento e inclusão social, para enfrentar o aumento de ocorrências policiais na região e atrair a visita de turistas e moradores da cidade ao centro de Fortaleza; 4. medidas de desenvolvimento e inclusão social voltadas para a camada mais pobre e carente da população, composta por moradores de rua, catadores de material descartado pelo comércio, entre outros, que vivem em situação de risco social. Estas medidas incluem desde a implantação de centros de coleta, seleção e reciclagem de resíduos sólidos, até a implantação de moradias transitórias e serviços de assistência médica; 5. melhorias constantes em todos os sistemas de infraestrutura urbana e serviços públicos, tais como iluminação pública, drenagem, pavimentação, coleta de lixo, entre outros.

No geral, a proposta deste Plano era produzir um Centro onde todos pudessem morar, circular, trabalhar, se divertir, estudar, consumir e produzir; onde o patrimônio histórico seja restaurado e valorizado; que seja um espaço socialmente inclusivo, com moradias destinadas também à população de baixa renda; onde os assentamentos precários sejam urbanizados e regularizados e onde a gestão seja integrada, sendo composta por órgãos que dialogam entre si e pela sociedade civil. O Plano Habitacional para Reabilitação da Área Central de Fortaleza está, atualmente, engavetado e esquecido.

enquadramento legal

Fonte: PIRATININGA, 2009, p. 97

75


N

0

Bairro Centro

500

1000 m

Praças adotadas pelo setor privado

Mapa 7. Praças adotadas pela iniciativa privada Fonte: Jornal O Povo 10/11/20 / Imagem: Google Satélite 31/07/2015 Elaborado pela autora

Outra medida política da Prefeitura de Fortaleza, ocorrida no ano de 2013, foi tornar permanente o Programa de Adoção de Praças e Áreas Verdes, por meio do decreto nº 13.142, que permite que a iniciativa privada, em parceria com o poder público, possa cuidar e manter áreas públicas. Na região central, cinco praças já fazem parte deste programa. São elas: Praça do Carmo, Praça do Riacho Pajeú, Praça do Contabilista, Praça do Ferreira e a Praça Verde do Centro Dragão do Mar (ver mapa 7).

enquadramento legal

Em 2015, a Câmara Municipal de Fortaleza lançou o “Pacto em Ação”, que busca retomar o projeto “Pacto por Fortaleza – A cidade que queremos até 2020”, desenvolvido em 2010. O “Pacto em Ação” quer retomar o movimento de debate sobre pautas relativas ao Centro.

76


3.4 Aspectos ambientais

O Centro de Fortaleza está inserido na Bacia Hidrográfica da Vertente Marítima e possui, em seu território, um corpo hídrico, o Riacho Pajeú, que atualmente pode-se dizer que praticamente deixa de ser corpo hídrico devido à imensa quantidade de esgoto e dejetos que são lançados diretamente no Riacho, tornando-o extremamente poluído, funcionando como canal de esgoto à céu aberto.

N

2

4

6

8 km

bacias hidrográficas Bairro Centro Bacia vertente marítima Bacia do Rio Cocó Bacia do Rio Maranguapinho Bacia do Rio Pacoti Rios Mapa 8. Bacias Hidrogáficas de Fortaleza Fonte: Prefeitura Municipal de Fortaleza Elaborado pela autora

aspectos ambientais

0

79


As cidades, de forma geral, faziam uso dos recursos hídricos para eliminar os dejetos produzidos. De tal maneira, normalmente as cidades crescem dando as costas para os rios e para o mar. Dando continuidade a degradação deste riacho, suas margens foram, ao longo do tempo, ocupadas por edificações, além de ter tido trechos canalizados subterraneamente, atualmente o riacho encontra-se bastante degradado, exalando um odor forte e desagradável. Apesar da revitalização do espaço urbano do Parque Pajeú, realizada pela Câmara dos Dirigentes Logistas, a qualidade da água ainda encontra-se em péssimo estado. Com relação às áreas verdes, o centro possui quatro pontos que se destacam pela quantidade e intensidade de massa verde, são eles: o Paço Municipal, o Passeio Público, o trecho do leito do Riacho Pajeú compreendido entre a avenida Dom Manuel e a rua Pinto Madeira e o Parque da Liberdade. Para além desses locais, há pouca arborização, em geral. Além da descaracterização paisagística que ocorreu nos grandes boulevares criados no século XIX, atualmente a arborização dos canteiros centrais destas avenidas foi mantida precariamente apenas em alguns trechos das avenidas Duque de Caxias, Dom Manuel e do Imperador. Contribuindo para a perda da massa verde da região, as áreas de jardim e quintal, localizadas no fundo de lote, também desapareceram.

aspectos ambientais

Esta situação aponta a necessidade da recuperação ambiental dos riachos e abertura de trechos das margens para incorporação e ampliação do sistema de áreas verdes e de lazer. E também a necessidade de ampliar a arborização de vias.

80


3.5 Aspectos urbanos

A área central de Fortaleza, como já dito anteriormente, passou por um processo de especialização do uso, tendo uma dominância massiva de comércio e serviços, principalmente na região do Centro Histórico. Nas porções mais a Leste e mais a Oeste ainda percebe-se uma quantidade considerável de uso residencial, do tipo predominante de casas de até dois pavimentos. Além disso, também merece destaque a forte presença de estacionamentos, muitas vezes ocupando apenas o térreo de edificações abandonadas; e de equipamentos públicos e institucionais, sendo o bairro de Fortaleza que mais possui este tipo de equipamento, conforme apontam os mapas 9 e 10. N

250

500

750

1000 m

Vazio

Público/Institucional

Abandonado

Serviço

Industrial

Depósito

Residencial

Garagem

Comércio

Misto

Estacionamento

Desuso

Sem informação

Mapa 9. Mapa de uso do pavimento térreo no Centro de Fortaleza Fonte: Plano Habitacional para Reabilitação da Área Central de Fortaleza (PHRACF)

aspectos urbanos

0

83


Na porção Norte do bairro, por exemplo, estão situados: o Forte da Nossa Senhora da Assunção, o Paço Municipal, o Centro Cultural BNB, o Passeio Público, o Sobrado José Lourenço, o Museu da Indústria, o Teatro São José, a Catedral, o Mercado Central, o Complexo Dragão do Mar e a Caixa Cultural. A localização e a relação destas edificações com o entorno serão melhor trabalhadas na etapa do projeto, que seguirá este capítulo. Equipamentos públicos de Fortaleza por Bairro N

28

11

13 6 6

9 2

12

4 1 7

16

5 3 3 2

7

9

6

4 20

16

12

25

4 16

16

5

7 3

4

4

5

8 1

4

11

2

8

4

4

5 8

4

2

8

10

3

1

9

1

9

1

3

20

21

4

12 1

4 9

2

1

6

2 9

2 3

5

1 8

8

8 2

15

1

10

2

16

6

7

27

1 7 10

12 1 7 1 1 2 12

1

4

7

11

3 13 9

9

11 9 16

4

4 4

2

13

11

4

7 16 14

2 1

26 10

1 9

5

1

28 Mapa 10. Mapa de equipamentos públicos de Fortaleza por bairro Fonte: Secretaria Municipal do Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de Fortaleza Disponível em: http://www.fortaleza.ce.gov.br/sde/ Acessado em Agosto de 2015

aspectos urbanos

Outro fator importante para a análise urbana em macro escala desta área é a altura das edificações. O centro não passou por um processo de verticalização intensa, apresentando apenas alguns exemplares deste modelo de construção. Pode-se perceber, nas figuras 14 e 15 que o gabarito das edificações é, em sua grande maioria, correspondente a edificações de 1 a 3 pavimentos, com algumas exceções.

84

Esta característica se torna uma peculiaridade da região, que apesar de muito bem localizada geograficamente e de ser dotada de infraestrutura, não passou pelo processo de verticalização que encontramos em outras áreas da cidade, principalmente em sua porção leste.


Figura 14. Vista aérea do Centro de Fortaleza, sentido nordeste-sudoeste Fonte: Image 2015 - CNES/Astrium / Image 2015 - Digital Globe

Figura 15. Vista aérea do Centro de Fortaleza, sentido sudeste-noroeste Fonte: DATA SIO. NOAA. U.S. Navy. NGA. GEBCO / Image 2015 - Terra Metrics / Image 2015 - Digital Globe

aspectos urbanos

Além destes pontos, o bairro Centro possui várias praças, o que demonstra um imenso potencial paisagístico, que atualmente encontra-se ignorado, pois a grande maioria das praças estão em péssimas condições devido a falta de manutenção e várias delas chegaram a se tornar estacionamento. Segundo a Prefeitura de Fortaleza, a Regional Centro possui 32 praças, porém, em sua listagem algumas destas praças estão localizadas fora da própria regional. Desta forma, foram contadas 26 praças situadas no bairro em análise, conforme mapa 11 .

85


N

0

500

1000 m

Praças e áreas verdes

aspectos urbanos

Mapa 11. Mapa de localização de praças do Centro Fonte: Prefeitura de Fortaleza / Levantamento realizado pela autora / Imagem Google Satélite 31/07/2015 Elaborado pela autora

86


3.6 Infraestrutura

O centro de Fortaleza, por ter sido o primeiro bairro da cidade e, por muito tempo, o mais importante, é dotado de infraestrutura básica, como água, esgoto, energia e coleta de lixo, em quase sua totalidade. Com relação ao abastecimento de água via rede geral, cerca de 80% a 100% dos domicílios estão servidos, porém algumas áreas do bairro possuem menor porcentagem, variando entre 20% e 80% dos domicílios (ver mapa 12 ). Já em relação ao esgotamento sanitário via rede geral, quase a totalidade do bairro está servida entre 80% e 100% dos domicílios, restando apenas três setores censitários que apresentam porcentagem inferior, dois deles variando de 60% a 80% e a porção situada ao extremo norte variando entre 0% e 20%, conforme mapa 13. Tratando da análise dos domicílios com coleta de lixo e com energia fornecida pela concessionaria de energia eletrica (Coelce), apenas um setor, o mesmo para ambas as análises, apresenta variáveis entre 60% e 80% de cobertura, estando todo o restante do bairro entre 80% e 100% (ver mapas 14 e 15). Além das infraestruturas já citadas, o Centro conta, também, com a presença de muitas instituições públicas e privadas que abrangem diversos equipamentos de saúde, educação, equipamentos esportivos, culturais e religiosos, conforme aponta o mapa 16 . Estes equipamentos agregam qualidade à vida dos moradores do bairro, que conseguem realizar diversas atividades no mesmo bairro.

Conforme aponta o mapa 17, o Centro possui linhas de ônibus em quase a sua totalidade de vias, fazendo com que a mobilidade seja facilitada, além da presença do terminal da Praça da Estação, que, como o nome já diz, está situada em frente à Estação Ferroviária João Felipe, que encontra-se temporariamente desativada. Também estão instaladas estações de bicicletas compartilhadas do sistema Bicicletar, que facilitam as locomoções de curta distância feitas no próprio bairro e proximidades,

infraestrutura

Para finalizar a análise de infraestrutura, merece destaque o serviço de transporte público presente no Centro, que pode ser considerado como ponto convergente da cidade, por ser um dos bairros com maior quantidade de linhas, rotas e opções variadas de transporte.

89


Figura 16. Estação Bicicletar Fonte: www.bicicletar.com.br Acessado em Agosto de 2015

O programa Bicicletar da Prefeitura Municipal de Fortaleza atingiu a maior taxa de utilização de bicicletas compartilhadas em comparação com seis capitais brasileiras (Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, Aracaju, São Paulo e Belo Horizonte) e com o sistema de Pernambuco, que abrange Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes. O Bicicletar atingiu a marca de 1.579 viagens diárias e uma média de 44 de deslocamentos por estação. Levantamento feito pela Secretaria de Conservação e Serviços Públicos (SCSP), por meio do Plano de Ações Imediatas de Transporte e Trânsito de Fortaleza (PAITT). Fonte: Prefeitura Municipal de Fortaleza

possuindo utilização intensa. Vale destacar o fato de que Fortaleza, apesar de não possuir, ainda, uma quantidade muito significativa de estações (apenas 35), tem conseguido números de utilização bastante significativos.

infraestrutura

Tratando, ainda, da mobilidade, o Metrofor prevê cinco estações de metrô no bairro, sendo uma delas o encontro entre três linhas, a sul, a leste e a oeste, se tornando um ponto de grande confluência de fluxo de pessoas.

90


N

domicílios com abastecimento de água da rede geral Centro 0% - 20% 20% - 40% 0

2,5

5

7,5

40% - 60%

10 km

60% - 80% 80% - 100%

N

domicílios com abastecimento de água da rede geral Centro 0% - 20% 20% - 40% 40% - 60% 750

1500 m

60% - 80% 80% - 100% Mapa 12. Domicílios com abastecimento de água via rede geral Fonte: Censo IBGE 2010 Elaborado por Jéssica Chaves Editado pela autora

infraestrutura

0

91


N

domicílios com esgotamento sanitário via rede geral Centro 0% - 20% 20% - 40% 40% - 60% 60% - 80% 0

2,5

5

7,5

10 km

80% - 100%

N

domicílios com esgotamento sanitário via rede geral Centro 0% - 20% 20% - 40% 40% - 60% 60% - 80%

infraestrutura

0

92

750

1500 m

80% - 100% Mapa 13. Domicílios com esgotamento sanitário via rede geral Fonte: Censo IBGE 2010 Elaborado por Jéssica Chaves Editado pela autora


N

domicílios com lixo coletado Centro 0% - 20% 20% - 40% 40% - 60% 60% - 80% 0

2,5

5

7,5

10 km

80% - 100%

N

domicílios com lixo coletado Centro 0% - 20% 20% - 40% 40% - 60% 60% - 80% 750

1500 m

80% - 100% Mapa 14. Domicílios com lixo coletado Fonte: Censo IBGE 2010 Elaborado por Jéssica Chaves Editado pela autora

infraestrutura

0

93


N

domicílios com energia da coelce Centro 0% - 20% 20% - 40% 40% - 60% 60% - 80% 0

2,5

5

7,5

10 km

80% - 100%

N

domicílios com energia da coelce Centro 0% - 20% 20% - 40% 40% - 60% 60% - 80%

infraestrutura

0

94

750

1500 m

80% - 100%

Mapa 15. Domicílios com energia fornecida pela Coelce Fonte: Censo IBGE 2010 Elaborado por Jéssica Chaves Editado pela autora


N

0

equipamentos de saúde

equipamentos de educação

equipamentos culturais

equipamentos esportivos

500

1000 m

equipamentos religiosos

Na elaboração deste mapa foram considerados: apenas os hospitais; equipamentos de ensino públicos e privados, abrangendo ensino infantil, fundamental, médio e superior; e apenas as instalações da Igreja Católica Apostólica Romana.

Mapa 16. Principais equipamentos do Centro Fonte: Trabalho Final de Graduação de Beatriz Rodrigues Andrade, DAU-UFC, 2013 Elaborado pela autora

N

500

1000 m

Bairro Centro

Futura linha oeste do metrô

Terminal de ônibus

Linhas de ônibus

Futura linha leste do metrô

Estações previstas do metrô

Estações do bicicletar

Estação Ferroviária

Futura linha sul do metrô

Mapa 17. Mapa de infraestrutura de transporte do Centro de Fortaleza Fonte: Etufor / Metrofor / Bicicletar Elaborado pela autora

infraestrutura

0

95


3.7 Aspectos demográficos e socioeconômicos

Fortaleza é considerada a cidade mais densa do Brasil, contando com uma densidade de 7.786,44 hab/km², apresentando números mais altos do que cidades como São Paulo e Belo Horizonte que possuem, respectivamente, 7.398,26 hab/km² e 7.167 hab/km². Como acontece na maioria das grandes cidades brasileiras, altas densidades estão, geralmente, vinculadas à falta de controle urbano e à ausência de planejamento, que acabam ocasionando a formação comunidades em assentamentos informais e no caso de Fortaleza não seria diferente. Os locais com maiores densidades são correspondentes às áreas de favelas. (IBGE - Censo, 2010) Devido ao processo de esvaziamento de diversos usos no Centro de Fortaleza, já citado anteriormente, o bairro possui densidades baixíssimas, quando comparado aos bairros adjacentes. Existem verdadeiros vazios demográficos em algumas porções do território, onde a densidade varia entre 0 e 50 habitantes por hectare. Número considerado extremamente baixo para uma região dotada de infraestrutura, como visto anteriormente (ver mapa 18).

É interessante evidenciar que, apesar da renda não ser tão alta na maior porção do território, o bairro Centro é responsável pelo maior número de vínculos ativos de emprego da cidade de Fortaleza, contando com pouco mais de 119 mil vínculos, seguido pelo bairro Meireles, que conta com quase 54 mil vínculos ativos, como aponta o mapa 20. Este fato, relacionado a densidade do bairro, evidencia sua função comercial, sendo um bairro para o qual as pessoas vão e voltam todos os dias, para trabalhar. Apesar de possuir baixa densidade habitacional, o Centro possui Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) alto (ver mapa 21). Considerando que o IDH é calculado levando em conta indicadores de renda, educação e longevidade (expectativa de vida), podemos concluir que devido a grande quantidade de equipamentos de ensino, hospitais e a imensa oferta de emprego, o Centro acaba por proporcionar certa qualidade de vida para seus habitantes.

aspectos demográficos e socioeconômicos

Fazendo uma análise da renda da população que habita o centro, é possível verificar que a renda varia entre 0 e 3,5 salários mínimos na maior porção do território central, possuindo alguns pontos, principalmente a Leste, onde se tem o limite com o bairro Aldeota, onde esses valores aumentam, podendo variar entre 4 ou mais salários mínimos (ver mapa 19).

97


N

densidade populacional Centro 0 - 50 hab/ha 50 - 150 hab/ha 150 - 300 hab/ha 300 - 600 hab/ha 0

2,5

5

7,5

600 - 1000 hab/ha

10 km

N

aspectos demogr谩ficos e socioecon么micos

densidade populacional

98

Centro 0 - 50 hab/ha 50 - 150 hab/ha 150 - 300 hab/ha 300 - 600 hab/ha 0

750

1500 m

600 - 1000 hab/ha Mapa 18. Densidade populacional de Fortaleza Fonte: Censo IBGE 2010 Elaborado por Mariana Quezado Editado pela autora


N

renda nominal média mensal Centro 0 a 1 S.M. 1 a 2 S.M. 2 a 3 S.M. 3 a 4 S.M. 0

2,5

5

7,5

10 km

4 ou mais S.M.

N

Centro 0 a 1 S.M. 1 a 2 S.M. 2 a 3 S.M. 3 a 4 S.M. 0

750

1500 m

4 ou mais S.M. Mapa 19. Renda nominal mensal domicilar de Fortaleza Fonte: Censo IBGE 2010 Elaborado por Jéssica Chaves Editado pela autora

aspectos demográficos e socioeconômicos

renda nominal média mensal

99


Vínculos ativos de emprego N

9,950.0 1,833.0 0.0 0.0 0.0 4,497.0

0.0 1,993.0 1,856.0 5,644.0 1,280.0 0.0 9,150.0 119,003.0 53,984.0 470.0 10,786.0 41,473.0

0.0 3,296.0

9,098.0 0.0 6,408.0 23,844.0 30,206.0 1,946.0 21,360.0 0.00.0 0.0 1,122.0 3,836.0 0.0 0.0 2,562.0 1,078.0 0.0 18,817.0 4,667.0 1,971.0 0.0 0.0 0.0 0.0 3,171.0 24,022.0 0.0 1,226.0 3,759.0 0.0 1,031.0 0.0 6,234.0 1,593.0 1,702.0 0.0 0.0 4,142.0 0.0 0.0 1,664.0 0.0 0.0 0.0 867.0 6,894.0 2,684.0 0.0 0.0 35.0 2,553.0 14,989.0 0.0 0.0 3,983.0 0.0 0.0 3,230.0 0.0 0.0

0.0

0.0 0.0

Muito alta (acima de 50.000 empregados)

0.0

Alta (10.001 - 50.000 empregados) Médio (1.001 - 10.000 empregados) Baixo (0 - 1.000 empregados) Sem informações

Mapa 20. Vínculos ativos de emprego por bairro de Fortaleza Índice de desenvolvimento Humano (IDH) por bairro Fonte: Secretaria Municipal do Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de Fortaleza Disponível em: http://www.fortaleza.ce.gov.br/sde/ Acessado em Agosto de 2015 N

N 0,2157

0,2298 0,2236 0,2997 0,2847 0,7201 0,2238 0,3251 0,4345 0,7931 0,3315 0,5567 0,9531 0,2125 0,42900,5942 0,4998 0,7176 0,6284 0,8666 0,3483 0,52960,6418 0,6285 0,5877 0,6625 0,2186 0,5619 0,5106 0,6948 0,3735 0,4915 0,1386 0,5054 0,3408 0,3694 0,4728 0,1679 0,7678 0,3600 0,3472 0,4671 0,3617 0,2837 0,3735 0,1769 0,3109 0,5224 0,3503 0,1902 0,2621 0,2700 0,2829 0,1700 0,3417 0,2710 0,3684 0,3904 0,5719 0,1949 0,3378 0,2922 0,3182 0,3045 0,2673 0,1487 0,5176 0,2822 0,2511 0,3770 0,1363 0,2247 0,2717

aspectos demográficos e socioeconômicos

0,2431 0,1352

100

0,2328

0,1869

0,1882 0,2527 0,3757 0,2888

0,1683 0,3953 0,1067

0,2553 0,2143

0,1983

0,2043

Muito alto (0,8 - 1,0)

0,2638

Alto (0,5 - 0,7) Médio (0,35 - 0,5) Baixo (0,25 - 0,35) Muito baixo (0,0 - 0,25)

Mapa 21. IDH por bairro de Fortaleza Fonte: Secretaria Municipal do Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de Fortaleza Disponível em: http://www.fortaleza.ce.gov.br/sde/ Acessado em Agosto de 2015


O IDH foi criado pelos economistas Mahbub ul Haq e (o ganhador do Nobel) Amartya Sen em 1998 e adotado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) para medir o bemestar geral dos países do mundo. No componente educação, entram a média de escolaridade da população e a expectativa de escolaridade para crianças que estão começando a estudar. A idade média de vida dos habitantes serve para medir as condições de saúde. O índice de renda é obtido pela renda nacional bruta (RNB) per capita (por pessoa). Junta-se todos esses dados e recebe-se uma nota, que vai de 0 a 1. Quanto mais perto do um, melhor. Meio limitado esse índice, não? A própria ONU reconhece isso e diz que falta medir democracia, sustentabilidade e mais um monte de coisas. Fonte: Revista Galileu Disponível em http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI341268-18579,00COMO+SE+CALCULA+O+IDH.html Acessado em setembro de 2015

Com relação aos usuários do centro, seu polo comercial é referência, principalmente, para a população com menor renda da cidade. CLASSE E 8%

CLASSE A 1%

CLASSE B 10%

CLASSE C 40% Gráfico 3.

Perfil dos usuários do Centro Fonte: Instituto Pólis, 2009. Editado pela autora

Pesquisa realizada pelo SEBRAE (2004) revelou que quem frequenta o Centro são moradores dos bairros periféricos de Fortaleza e do próprio Centro. A maioria (80%) pertence às classes socioeconômicas C e D e utiliza como meios de transporte: ônibus (70%) e trem (15%). Apenas 5% dos freqüentadores vai ao Centro de carro próprio. A pesquisa mostrou ainda que cerca de 29% dos frequentadores vão ao Centro diariamente, 23% semanalmente e 20% eventualmente, surpreendendo ao revelar que 63% dos entrevistados não vão para realizar compras. Os entrevistados apontaram como aspectos positivos da região: a variedade de lojas e produtos (58,43%), as praças (25,17%), os preços oferecidos (24,50%), os cinemas e lazer (18,33%), o shopping (14,13%) e o fácil acesso (12,21%). (INSTITUTO PÓLIS, 2009)

aspectos demográficos e socioeconômicos

CLASSE D 40%

101


3.8 Circulação

O Centro de Fortaleza apresenta vias arteriais do tipo I e II, vias coletoras, vias comerciais, vias locais e vias de pedestre. Ao analisar a conectividade e acessibilidade da poligonal de vias comerciais, nota-se que, exceto pela Av. Duque de Caxias (via arterial do tipo II), não existem outras vias de maior porte que atravessem esta região no sentido leste-oeste, como aponta o mapa 22, que também mostra as principais vias de acesso e saída do Centro, sendo as vias que mais concentram fluxo de veículos automotores. N

0

500

Bairro Centro

Via férrea

Via expressa

Via coletora

Poligonal de vias comerciais

Principais acessos e saídas do Centro

Via arterial tipo I

Via de Pedestre

1000 m

Via arterial tipo II

Dentro da poligonal das vias comerciais, apenas as vias previamente especificadas na LUOS não serão comerciais / Todas as vias que não estão destacadas no mapa são vias locais

Praticamente a totalidade das vias de Fortaleza foram pensadas para os veículos motorizados, não sendo diferente no Centro. Apesar de possuir algumas vias de uso exclusivo de pedestre, o Centro possui ruas

circulação

Mapa 22. Classificação Viária Fonte: PDDU (1992) e a LUOS (1996). Elaborado pela autora

103


com calçadas estreitas, mal conservadas, com materiais inadequados, esburacadas, desniveladas, sujas e mal iluminadas.

circulação

Figura 17. Exemplo de calçada mal conservada Foto: acervo pessoal

104

Além da dificuldade em relação ao estado de conservação das calçadas, muitas delas acabam sendo ocupadas por vendedores ambulantes, que armam suas barracas no passeio e impossibilitam a utilização da totalidade da calçada. Como o fluxo de pedestres na região é intenso, a situação se torna caótica. Este fenômeno acontece, também, nas vias de uso exclusivo de pedestres, onde a ocupação é tanta, que se torna impossível passar de um lado, ao outro da via. Outro fator em relação a mobilidade do bairro diz respeito aos recapeamentos que foram feitos ao longo do tempo de tal forma que, em diversos pontos do bairro, o asfalto está em um nível mais alto que a própria calçada, o que é uma das causas de inundações frequentes.

Figura 18. Obstrução de vendedores informais em via de pedestre Foto: acervo pessoal


A situação em que se encontram as calçadas do bairro descartam qualquer possibilidade de acessibilidade universal e aumenta a sensação de insegurança do pedestre, que fica mais exposto a acidentes. A área conta com poucas placas indicativas, muitas delas mal localizadas e danificadas. Mas, por outro lado, conta com um alto índice de poluição visual, devido as fiações aparentes e ao tipo de divulgação escolhido pelas lojas em geral.

Figura 19. Poluição visual causada pelos fios elétricos Foto: acervo pessoal

Figura 20. Poluição visual causada pelas propagandas comerciais Foto: acervo pessoal

Figura 21. Rua Governador Sampaio Foto: acervo pessoal

circulação

Uma das ruas mais emblemáticas do Centro é a rua Governador Sampaio, que tem seu início na Catedral de Fortaleza e seu fim no Parque Pajeú, esta rua, dotada de um potencial paisagístico muito forte, devido a perspectiva criada com a catedral, foi tomada pelo comercio atacadista, sendo uma experiência completamente desagradável o ato de caminhar por ela, devido a quantidade de caminhões efetuando, de forma inadequada, carga e descarga. As edificações também sofrem com esse uso da rua, todas foram transformadas em depósitos e muitas foram demolidas para dar espaço para estacionamentos.

105


Figura 22. Calçada da rua Governador Sampaio Foto: acervo pessoal

O Centro apresenta quantidade insuficiente e baixa qualidade de mobiliários urbanos, sendo notória a presença de lixo em todos os locais, muito disso devido à falta de lixeiras e da má distribuição das mesmas.

circulação

Apesar de todas essas dificuldades, caminha-se, e muito, no Centro. É preciso, então, propor idéias e estratégias para melhorar as condições do caminhar dessas pessoas e tornar o Centro um lugar mais agradável e menos caótico.

106


3.9 Referencial projetual

As referências projetuais mais relevantes deste trabalho têm três escalas de abrangência, em primeiro lugar, o projeto de uma promenade de aproximadamente 5km de extensão, que trata de forma diferente cada trecho de sua extensão. Em segundo lugar, temos as propostas de intervenções itinerantes, móveis, eventos, acontecimentos, dentre outros, que podem modificar a paisagem local. Para finalizar, a terceira escala trata das opções de mobiliário urbano, a serem aplicados no local em que possam servir de inspiração, conveniência e conforto. Seguindo esta sequência, será brevemente apresentado o projeto de requalificação das margens do rio Rhône, em Lyon, França. Em seguida o projeto Centro Aberto, que está sendo realizado no Centro da cidade de São Paulo e o projeto Recife Antigo de Coração, aplicado em Recife. Para finalizar, serão mostrados alguns equipamentos e mobiliários urbanos

Berges du Rhône

São 5km de extensão de projeto e, devido sua grande extensão e da variação da paisagem urbana do entorno, foram definidos oito setores de intervenção, que possuem tratamentos diferenciados e que buscam relações diferentes com os usuários (ver figura 23). Os oito setores mudam bastante com relação à destinação de seus usos, podendo variar desde áreas nitidamente

Figura 23. Trechos de projeto Fonte: Trabalho de PU2, UFC - Bárbara Nascimento e Camila Cirino

referencial projetual

O projeto de requalificação das margens do Rio Rhône viabiliza a transformação de um espaço que antes era usado como estacionamento em uma grande promenade, bem no centro da cidade de Lyon, causando uma mudança drástica na relação dos habitantes com a cidade e com o próprio Rio.

109


transitórias (ver figura 24) à áreas de permanência prolongada, com a presença de restaurantes, áreas de estar, etc. (ver figuras 25 e 26). Passando também por áreas mais voltadas para a prática de atividades físicas, ou onde há possibilidade de um maior contato com o Rio. Figura 24. Área transitória Fonte: http://www.landezine.com/index.php/2011/06/rhoneriver-banks-by-in-situ-architectes-paysagistes/

A principal característica deste projeto que foi adotada neste Trabalho Final de Graduação é a sensibilidade de perceber o potencial de cada trecho e tentar, por meio do projeto, trazer à tona todas as possibilidades de convivência e de humanização da área, além da criação de uma longa promenade, que se torna muito agradável justamente devido à pluralidade de contextos ao caminhar.

referencial projetual

Figura 25. Área de permanência Fonte: http://numelyo.bm-lyon.fr/BML:BML_01ICO001014d6770e209930 Acessado em novembro de 2015

110

Figura 26. Área de permanência Fonte: http://www.landezine.com/index.php/2011/06/rhone-river-banks-by-in-situ-architectes-paysagi stes/ Acessado em novembro de 2015


Centro Aberto

Figura 27. Projeto Centro Aberto Fonte: http://www.metroo.com.br/projects/view/99/2 Acessado em novembro de 2015

O projeto “Centro Aberto – Experiências na Escala Humana” é uma iniciativa da Prefeitura de São Paulo que visa mudar a dinâmica de alguns pontos do Centro da cidade de São Paulo de maneira simples, com pequenas alterações. Atualmente, mais de 90% dos usuários aprovam, segundo a Prefeitura de São Paulo, as alterações feitas (ver figura 27).

Aplicado, até o momento, em apenas dois pontos do Centro de São Paulo (no Largo São Francisco e no Largo Paissandu), o projeto, merece destaque pelas estratégias e ferramentas utilizadas para buscar essa mudança de contexto local (ver anexo II).

referencial projetual

O projeto Centro Aberto - que têm sede justamente no Centro de São Paulo - não busca construir novos espaços, mas, sobretudo transformar as estruturas preexisten¬tes, permitindo atividades de celebração. Os projetos buscam a ativação do espaço público através da renovação de suas formas de uso. Promover a diversificação das atividades envolvendo um número maior de grupos de usuários, em faixas de tempo também ampliadas - constitui-se em um instrumento fundamental para a constru¬ção do domínio público sobre os espaços. Esse processo é capaz de promover, além da melhoria na percepção de segurança, o reforço no sentido de pertencimento e identificação da população com o Centro. (SÃO PAULO, 2015, p 3).

111


Recife Antigo de Coração O Projeto da Prefeitura do Recife prevê, através de uma programação diferenciada, novas apropriações do espaço do bairro do Recife Antigo. Aos domingos, as ruas são fechadas para veículos automotores e permitem a realização de diversas atividades, transformando a área do bairro em um parque. Tal iniciativa é reforçada mensalmente, no ultimo domingo de cada mês, com programação especial, quando o movimento se torna ainda maior devido às atratividades.

referencial projetual

Figura 28. Projeto Recife Antigo de Coração Fonte: http://blogs.ne10.uol.com.br/social1/2014/08/22/acao-ande-com-saude-orienta-ciclistas-pelo-recifeantigo-domingo/ Acessado em novembro de 2015

112

O Recife Antigo de Coração é um convite para que recifenses e turistas aproveitem e vivam a cidade. Desde março de 2013, o Bairro do Recife se transforma num grande parque a céu aberto aos domingos, congregando pessoas de todas as idades, gostos e estilos. No último domingo de cada mês, a programação é reforçada, com a montagem de quatro polos: infantil, cultural, esportivo e do musical. Além de lazer, entretenimento e práticas esportivas, o evento oferece diversos serviços e assegura bons momentos para a população e para os visitantes no bairro por onde começou a história do Recife. (PREFEITURA DO RECIFE. Disponível em: http://www2.recife.pe.gov.br/servico/recife-antigode-coracao-0. Acessado em novembro de 2015).

A experiência de estar em um bairro transformado em parque onde diversas atrações ocorrem, ao mesmo tempo, em ruas diferentes é maravilhosa. Gera um dinamismo muito forte e atrai várias camadas


da população, gerando uma convivência harmoniosa. Ao longo de uma caminhada rápida é possível participar ou apenas apreciar, nas ruas do Recife Antigo, shows de samba, rodas de capoeira, jogos de vôlei, desfiles de frevo, shows de forró, entre outras atrações. Torna-se fácil perder a noção do tempo e passar de uma atração para outra ao longo do dia. Para além da importância da iniciativa do Poder Público, com este projeto, é possível visualizar a importância da existência de espaços multifuncionais, que permitam e deem liberdade para a instalação de eventos temporários dos mais diversos tipos. O espaço projetado deve permitir diferentes apropriações, usos e atratividades, podendo atrair diversas pessoas em momentos diferentes.

referencial projetual

Figura 29. Projeto Recife Antigo de Coração Fonte: http://noticias.ne10.uol.com.br/grande-recife/noticia/2015/04/24/edicao-deste-domingo-do-recifeantigo-de-coracao-sera-cheia-de-solidariedade-543440.php Acessado em novembro de 2015

113


Capítulo 04

Pensar é geralmente considerado não fazer nada em uma cultura voltada para a produção, e não fazer nada é difícil de fazer. É melhor feito se disfarçarmos como fazendo algo, e o mais próximo de não fazer nada é andar. Rebecca Solnit 114


Memorial Descritivo

4.1 Aproximação territorial

01

21

20

02 19

18

16 15

17

03

14

04

41 13 39

24

25

12

40

22

23

37

06

38 11

36

26

10

30

33

31

07

09

01 27

05

08

35

32 29 28

01 Praia de Iracema 02 Caixa Cultural 03 Dragão do Mar 04 Teatro São José 05 Seminário da Prainha 06 Mercado dos Pinhões 07 Colégio Militar 08 Praça da Bandeira 09 Colégio Justiniano de Serpa 10 colégio Imaculada Conceição 11 Igreja do Pequeno Grande 12 Paço Municipal 13 Catedral 14 Praça da Sé 15 Mercado Central

34

Mapa 23. Mapa psicogeográfico do Centro de Fortaleza Elaborado pela autora

16 Forte de Nossa Senhora da Assunção 17 Museu da Indústria 18 Passeio Público 19 Santa Casa 20 ENCETUR 21 Estação João Felipe e Praça 22 Igreja do Patrocínio 23 Praça da Lagoinha 24 Praça José de Alencar 25 Teatro José de Alencar 26 Mercado São Sebastião 27 Vila das Artes 28 Caixas d’água do Benfica 29 Faculdade de Direito UFC 30 Praça Clóvis Beviláqua

31 Instituto do Ceará 32 Igreja do Carmo 33 Praça Murilo Borges 34 Igreja do Sagrado Coração de Jesus 35 Parque da Criança 36 Praça dos Voluntários 37 Praça do Ferreira 38 Museu do Ceará / Praça dos Leões / Igreja do Rosário / Palácio da Luz 39 BNB cultural 40 Largo da Assembléia / Largo do Mercado / Praça Waldemar Falcão 41 Sobrado Dr. José Lourenço

115


Após análise territorial do bairro Centro realizada no capítulo anterior, faz-se necessária uma maior aproximação com esse território, tornando possível a delimitação da área específica de intervenção do projeto em questão. Para auxiliar nesta escolha, foi elaborado um mapa psicogeográfico do centro de Fortaleza (ver mapa 23). Tal mapa aponta pontos de atratividade existentes na área central e que geram fluxos de pessoas entre eles ou que apresentam potencialidade para gerar fluxos isoladamente. Observando as atratividades dispostas no mapa piscogeográfico, pode-se perceber a existência de certos “nós de atratividade”. Estes nós contém uma concentração maior de elementos atrativos e, dentro deles, um dos elementos se sobressai, possuindo maior destaque no contexto local, influenciando seu entorno próximo. São eles: a zona do Parque da Criança, da Praça do Ferreira, da Praça José de Alencar, do Passeio Público, da Catedral, do Dragão do mar e da Beira Mar (ver mapa 24) . Estes nós

aproximação territorial

N

116

0

250

500

750

1000 m

Mapa 24. Nós de atratividade do Centro de Fortaleza. Elaborado pela autora


Mapa 25. Esquema conceitual da intervenção. Elaborado pela autora

de atratividade são atualmente conectados de maneira muito precária, especialmente do ponto de vista do apoio ao caminhar urbano. Desta forma, este trabalho final de graduação trata de estabelecer possíveis conexões entre estes nós, priorizando os pedestres e reduzindo a intensidade e os efeitos negativos dos veículos motorizados, buscando criar uma considerável experiência de promenade na cidade de Fortaleza.

aproximação territorial

Primeiramente, será elaborado um masterplan com diretrizes gerais e específicas para o território e, posteriormente, será apresentada a setorização com o projeto de desenho urbano das vias.

117


4.2 Conceito

ENTO JAM E O AN AN PL URB

IDEN TID AD E

D A DE

ATRA TIV IDA DE

DE ILIDA HAB MIN CA

RA

SU ST EN TA

BILI

TU CUL

INF

RA

EST RUT

URA

A ILID MO B

DE

Figura 30. Logo conceitual do projeto Elaborado pela autora

Para que esta experiência funcione, a rua precisa ser destinada ao pedestre, além de ter de uma boa calçada, ser segura, conectar lugares e de abrigar, em si, as características de um lugar.

conceito

Este projeto final de graduação tem como objeto a criação de uma Promenade na área de maior densidade de fluxos de pessoas que é o Centro de Fortaleza. Trata-se do projeto de uma área agradável que atenda as necessidades das pessoas que por lá já caminham e que seja capaz de atrair novos públicos, estimulando a revitalização deste hábito primário, o caminhar, que encontra-se bastante dificultoso e perigoso em nossa cidade, não havendo sequer planejamento para atender essa demanda de todos para o caminhar. Em Fortaleza não se dispõe de infraestrutura, nem de mobiliário urbano, nem de uma programação integrada e compartilhada entre os equipamentos e instituições presentes na área.

119


Mas o que deve ser um lugar? Neste projeto, considerase que este lugar deverá ter, principalmente: sociabilidade, acessos e mobilidade, usos e atividades conforto e imagem. Dentro destas características principais, busca-se: diversidade de usos e funções, biodiversidade, orgulho, identidade, segurança, interatividade, pertencimento, atividades sociais, uso em horários variados, ruas ativas, continuidade, proximidade, conexão, higiene, sinalização completa, caminhável, conveniente, acessível, diferentes modais de transporte, diversão, ação, que seja único, real, útil, espaço para celebrações, eventos, limpeza, verde, locais para sentar, calmo, charmoso, atrativo, histórico. Ou seja, um lugar propício para diversos acontecimentos do cotidiano ou de programações temporárias.

conceito

Para atingir esse objetivo, são traçadas diretrizes gerais e específicas para a área de intervenção e seu entorno. Estas diretrizes, obviamente, se complementam consolidando a criação de uma nova tipologia na cidade de Fortaleza. Estas diretrizes foram organizadas em oito temas diferentes, que auxiliam na compreensão do masterplan. São eles: planejamento urbano, identidade, caminhabilidade, sustentabilidade, mobilidade, infraestrutura, cultura e atratividade (ver figura 23). Logicamente, uma diretriz de mobilidade, por exemplo, pode acabar sendo um motivo de atratividade para o local, porém, os temas foram sendo definidos de acordo com o lugar e o objetivo principal de cada medida.

120


Mapa 26. Esquema geral da proposta Elaborado pela autora.


4.3 Diretrizes e recomendações gerais do Plano

Considerando a estruturação temática já citada anteriormente (planejamento urbano, identidade, caminhabilidade, sustentabilidade, mobilidade, infraestrutura, cultura e atratividade), seguem as diretrizes gerais previstas em conjunto, constituindo-se num corpo invisível de serviços básicos e conveniências de suporte ao público do projeto, que são passíveis de aplicação em toda a área central.

Figura 31. Esquema das diretrizes gerais de planejamento urbano. Elaborado pela autora.

• Estimular o uso misto das edificações existentes, com térreo comercial e habitação nos demais pavimentos. Dependendo do tamanho da edificação também recomenda-se que alguns andares sejam destinados ao aluguel de salas comerciais. Esta diretriz visa à criação de ambientes diversificados, com uso 24h por dia, melhorando condições de segurança e oferecendo a vantagem de ter opções de comércio e serviço próximos.

diretrizes e recomendações gerais do plano

PLANEJAMENTO URBANO

123


• Garantir que as unidades habitacionais instaladas na área do projeto atendam a diversos perfis de moradores. Para que o bairro ganhe mais vida é necessária, além da diversidade econômica, a presença de famílias grandes e pequenas, estudantes, idosos, etc. • Tornar obrigatório que toda e qualquer nova edificação, que não seja do tipo casa unifamiliar, deverá reservar o térreo para atividades com vínculo direto com a rua, intensificando o dinamismo e a continuidade espacial. • Utilizar instrumentos que estimulem proprietários e empreendedores a construir no Centro e a investir nessa região. Visando o aumento da qualidade do espaço urbano para o cidadão de Fortaleza. Algumas medidas como, por exemplo, transferência do direito de construir, devem ser aplicadas caso o proprietário construa e mantenha uma praça ou edificação pública em parte do seu imóvel.

diretrizes e recomendações gerais do plano

• É absolutamente necessária a aplicação de políticas e instrumentos que evitem e combatam a especulação e a gentrificação da área. O Objetivo é ter diversidade e variedade, tanto de habitantes como de opções de lazer, comércio e serviço. Atualmente, a gentrificação é um fenômeno que ocorre praticamente no mundo inteiro, sendo responsável pela expulsão dos habitantes, comerciantes e frequentadores de uma determinada região da cidade que passou a receber melhorias públicas e investimentos privados, gerando aumento dos preços dos imóveis, dos alugueis e, consequentemente, do custo de vida e fazendo com que essas pessoas que lá moravam, trabalhavam ou frequentavam não tenham mais condições de se manter no local, muitas vezes migrando para a periferia. No Brasil, alguns instrumentos previstos no Estatuto da Cidade dão às Prefeituras maior controle sobre o solo urbano, porém, em alguns casos, como o de Fortaleza, estes instrumentos previstos não foram regulamentados pelo Plano Diretor da cidade, o que dificulta a aplicação dos mesmos (ver anexo III).

124

• Atualizar o itinerário da Linha Central de ônibus de Fortaleza (linha que atualmente funciona no bairro), além da criação de outra linha no sentido contrário. Estas linhas deverão ter, unicamente, veículos elétricos não poluentes, silenciosos, com ar condicionado e com tarifa reduzida. Estimulando a locomoção facilitada dentro do bairro e desincentivando o uso de veículos automotores particulares. • A manutenção e limpeza dos espaços públicos do Centro de Fortaleza deverá ser feita diariamente, tendo em vista que estas influenciam no modo como o espaço é percebido pelas pessoas, mudando, inclusive, a sensação de segurança pública. • Proibir a entrada de caminhões de carga com tara acima de 3000


kg das 6h às 22h, de segunda a sábado. Apenas será permitida a entrada de Veículos Urbanos de Carga, que não deverão ultrapassar as medidas de 2,20m de largura e 6,30m de comprimento. Além disto, os veículos precisam ser cadastrados e receber autorização para transitar no local. Todas as operações de carga e descarga deverão ser realizadas em vagas previamente destinadas e não poderão exceder o período de atividade, caso seja necessária a entrada de caminhões maiores, esta operação deverá ser realizada em horários alternativos (de 22h às 6h). • Realizar um plano para a proibição e a retirada de publicidade considerada excessiva, com a remoção de todos os outdoors, letreiros e etc. • Os camelôs e vendedores ambulantes deverão ser cadastrados e ter autorização para trabalhar. A Secretaria Regional do Centro deverá prever, os locais exatos onde poderão ser instaladas as estruturas temporárias deste tipo de comércio. Visando estimular e incentivar o consumo de produtos locais, deverá ser destinando maior porcentagem do total de vagas à venda de produtos naturais, regionais e caseiros do que à venda de roupas, acessórios plásticos, eletrônicos e importados. • A Feira da José Avelino deverá, também, passar por estudos para definir a quantidade de vagas e garantir melhor infraestrutura tanto para os feirantes quanto para os compradores.

diretrizes e recomendações gerais do plano

• É necessária a realização de um Plano Diretor Urbano completo para o bairro do Centro, prevendo mudanças, seu crescimento e as possibilidades desejadas para o local. Com definições precisas de zoneamento, revisão dos parâmetros urbanos e readequação da classificação viária.

125


IDENTIDADE

Figura 32. Esquema das diretrizes gerais de identidade. Elaborado pela autora.

• Visando o desenvolvimento local sustentável, toda e qualquer atividade, intervenção ou construção no Centro de Fortaleza deverá respeitar e fazer referência, sempre que possível, à memória da cidade, tanto individual como coletiva, e à paisagem existente (além de seguir outras diretrizes aqui apresentadas).

diretrizes e recomendações gerais do plano

• Todo e qualquer projeto ou intervenção na área pública do Centro deverá levar em consideração as opiniões dos moradores (ou futuro moradores) e comerciantes do local. Desta forma, as pessoas se sentem parte de um todo, se importando e cuidando das áreas públicas do bairro.

126

• Denominar um administrador para cada praça ou área pública relevante da cidade, que possa ter contato direto com a Regional Centro, facilitando a comunicação em caso de necessidade de manutenção, denúncias, etc. • Os projetos deverão seguir uma unidade paisagística, com mesma linguagem de pisos, ritmos, texturas, mobiliários urbanos, placas, equipamentos etc. Fazendo com que as pessoas que moram ou frequentam o local sintam-se pertencente a um lugar único na cidade. • A importância histórica do centro, seus casos e personalidades deverão ser sempre valorizados e difundidos.


CAMINHABILIDADE

Figura 33. Esquema das diretrizes gerais de caminhabilidade. Elaborado pela autora.

• Dar infraestrutura para todos os modais de transporte, porém sempre com preferência ao pedestre. Realizando melhorias e investimentos que garantam a segurança e o prazer do mesmo ao caminhar.

• As ruas e edificações deverão ser acessíveis. Em todos os cruzamentos, quando não for adequada a implantação de faixa de pedestre elevada, deverão ser rebaixadas as guias das calçadas, facilitando, assim, o caminhar ou a locomoção de quem tem mobilidade reduzida. Além disso, todas as calçadas, sejam elas em ruas ou nas praças, deverão conter piso tátil. • Proporcionar, sempre, cruzamentos seguros para o pedestre. Com boa sinalização, sinal com tempo para travessia e aviso sonoro. • Sinalizar quando o pedestre deverá olhar para os dois lados antes de atravessar caso haja uma ciclovia em sentindo contrário ao do fluxo de veículos. • Iluminar adequadamente as ruas, buscando uma maior sensação de segurança para o pedestre. • Todas as superfícies sujeitas ao caminhar deverão ser de qualidade,

diretrizes e recomendações gerais do plano

• Buscar melhorar as condições de mobilidade e acessibilidade, com novas tecnologias e técnicas.

127


antiderrapantes, estáveis e esteticamente coerentes à identidade do local. • As calçadas deverão ter dimensões adequadas, destacando-se as três zonas existentes: a central, considerada livre e por onde circulam os pedestres; a de serviços, localizada em um dos lados da calçada e caracterizada por bancos, lixeiras, postes, instalações e outros equipamentos; e a de transição, que é a conexão da área livre com as edificações. • Alargar calçadas quando for possível e viável que a calçada passe a ocupar, além do sua dimensão atual, o espaço que hoje é destinado a estacionamento de veículos. • Em cruzamentos com maior fluxo de pedestres, é necessária a presença de faixas de pedestre elevadas e semáforos. • Totens direcionais deverão estar sempre presentes, mostrando os principais destinos e a distância até eles, facilitando e informando a locomoção independente de turistas e visitantes.

diretrizes e recomendações gerais do plano

SUSTENTABILIDADE

128

Figura 34. Esquema das diretrizes gerais de sustentabilidade. Elaborado pela autora.

• Garantir uma gestão democrática e compartilhada. • Buscar realizar uma vasta arborização em todo o território, para iniciar um processo de recuperação ambiental.


• Eliminar as ligações clandestinas de esgoto que poluem o Riacho Pajeú, e realizar a limpeza do mesmo. • Mudar, sempre que possível, a pavimentação das vias, buscando maior permeabilidade do solo. • Planejar e executar um sistema de drenagem eficiente, evitando alagamentos e armazenando a água da chuva em cisternas, que poderá ser usada para manutenção das ruas, praças, fontes, canteiros e jardins do bairro. • Todas as linhas de ônibus que passam pelo Centro deverão ter suas frotas com veículos elétricos, com piso rebaixado, na altura do meio fio, para permitir a entrada não só de pessoas com mobilidade reduzida, mas também de ciclistas. • Os mobiliários urbanos (postes, paradas de ônibus, quiosques, etc) deverão utilizar energia solar como fonte principal. • Viabilizar a redução dos efeitos da poluição. • O planejamento urbano deverá seguir as diretrizes presentes na agenda 21 local. • É necessário aumentar a cobertura vegetal da área de intervenção, implementando espécies nativas que contribuam com o suprimento de O2, a absorção de CO2, filtrando o ar e o solo, dentre outras vantagens. • Instituições e empresas já consolidadas na área deverão receber incentivos para a utilização de energia renovável e limpa. • Realizar o incremento da biodiversidade da área do projeto, sendo utilizadas espécies nativas de árvores e animais.

• Criar e realizar um plano para a coleta seletiva de lixo em todo o bairro, gerando emprego e renda e visando o reuso e a reciclagem de materiais. O plano deverá contar com pontos de coleta, lixeiras adequadas, depósitos, dentre outros elementos estruturantes. Além de promover a educação da população, desde crianças à idosos, e de quem frequente o bairro.

diretrizes e recomendações gerais do plano

• Disponibilizar pontos com fontes de água potável, acionadas, apenas, no momento de utilização.

129


MOBILIDADE

Figura 35. Esquema das diretrizes gerais de mobilidade. Elaborado pela autora.

• Estimular e facilitar a utilização dos transportes público e alternativos. • Criar estacionamentos nas principais avenidas do anel de transição, estimulando o motorista a deixar seu veículo e fazer uso de transportes alternativos. Facilitando a diminuição da quantidade de veículos circulando nas ruas secundárias. • Uma das linhas centrais circulares passará perto dos estacionamentos e entrará no centro, estimulando a troca de modais. • A praça da estação deverá voltar a funcionar como praça, com a retirada do terminal de ônibus e a transferência do mesmo para a estação de metrô João Felipe, que deverá ser uma estação intermodal. • Novas edificações comerciais deverão, obrigatoriamente, ter estacionamento no subsolo e destinar, dependendo do porte da edificação, entre 5% e 10% das vagas ao público. Além de permitir que o estacionamento funcione independente da edificação, após o término do horário comercial. Permitindo que habitantes de outros bairros possam frequentar o Centro em seus horários de lazer. • Diminuição da velocidade máxima das vias do tipo arterial para 50km/h e das vias coletoras e locais para 40km/h.

130


• Todo estabelecimento comercial que não tiver um bicicletário público a menos de 200m, deverá ser equipado com bicicletários. • A sinalização deverá ser adequada não só para motoristas, mas para ciclistas e pedestres. Com a implantação de mais placas direcionais, sinais para pedestres e ciclistas, mapas de localização, entre outros. • Torna-se necessária a realização de um plano cicloviário para o bairro

INFRAESTRUTURA

Figura 36. Esquema das diretrizes gerais de infraestrutura. Elaborado pela autora.

• Elaborar plano para enterrar a fiação que hoje encontra-se aérea e aproveitar a obra que será feita para regularizar e padronizar as calçadas. • Deverão ser instalados sanitários públicos nas principais praças do bairro. • Utilizar containers com sistema de plug-in para dar mais infraestrutura às praças da cidade, com sanitários, centros de informação ao turista, etc. • Criação de um eixo leste-oeste de conexão que passe, mais aproximadamente, pelo meio do bairro. 131


CULTURA

Figura 37. Esquema das diretrizes gerais de cultura. Elaborado pela autora.

• Criação de linhas de percursos temáticos, pintadas no chão, que guiarão o pedestre aos principais elementos comerciais, culturais, arquitetônicos, gastronômicos, às praças, parques, etc. • Estimular a existência de uma feira gastronômica semanal em algumas praças da área de intervenção.

diretrizes e recomendações gerais do plano

• Fazer com que o bairro seja um local atrativo para eventos, celebrações, espetáculos e encontros. Valorizando as festas típicas, locais e nacionais e reunindo as pessoas em torno de tradições e costumes que fazem parte da nossa história e cultura. Fortalecendo um sentimento de pertencimento, orgulho e identidade.

132


ATRATIVIDADE

Figura 38. Esquema das diretrizes gerais de atratividade. Elaborado pela autora.

• Criação de percursos temáticos, indicados no chão por linhas coloridas. Serão quatro cores de linhas diferentes, uma para cada tema, que serão: Gastronomia, comércio, Arquitetura e Cultura e Praças e Áreas Verdes. • Visando o aumento da dinâmica do bairro, deve-se estimular a criação de galerias no pavimento térreo, permitindo que o pedestre cruze a quadra de maneira diferente, por dentro dos lotes. • Estimular a presença de obras de arte pública, que expressem o espírito do lugar e ajudem a fomentar a interação entre as pessoas.

• Estimular a presença de espaços públicos itinerantes, com mobiliário diferenciado e áreas de lazer, como mesas de pingpong, cadeiras de sol, churrasqueiras, etc. Estes espaços são responsáveis por mudar, por tempo determinado, a dinâmica usual de uma rua ou praça. • Além dos espaços itinerantes, também devem ocorrer apropriações diferentes, como por exemplo o fechamento de algumas ruas do bairro, onde passa a ocorrer um encontro de diferentes grupos, como futebol, capoeira, basquete, le parkour, comidas típicas, shows, apresentações, entre outros. Como ocorre, atualmente,

diretrizes e recomendações gerais do plano

• Proporcionar espaços atraentes, com diversos mobiliários urbanos que possibilitem apropriações diferentes.

133


no programa da Prefeitura de Recife, chamado Recife Antigo de Coração, onde o bairro inteiro se transforma em um grande parque. • Garantir atrações voltadas para os mais variados públicos, sejam eles famílias com crianças ou sem, grandes ou pequenas, casais, estudantes, idosos, etc.

diretrizes e recomendações gerais do plano

• Colocar wifi em todas as praças e pontos de ônibus, assim como, em alguns lugares, disponibilizar carregadores de celular e notebooks.

134


4.4 Setorização

N

05 01

04

02

06

03

Trechos de Intervenção

Zona de Transição

0

125

250

375

500 m

Mapa 27. Mapa da divisão dos trechos de intervenção Elaborado pela autora

A Zona de transição é uma área considerada importante, no projeto, para quem vem de outros bairros e se aproxima do Centro, independente do modal a ser usado, considerada, então, uma zona que deverá receber tratamento diferenciado e que transmita um pouco da

setorização

Para facilitar a análise e a compreensão das propostas feitas, a área de intervenção foi setorizada em trechos de intervenção e uma zona de transição, conforme aponta o mapa 27.

137


sensação de estar no Centro. O trecho 01 é composto pelos arredores do Passeio Público e da praça da estação. O trecho 02, por sua vez, trata dos arredores da Praça do Ferreira e da Praça José de Alencar. Já o trecho 03 abrange o entorno do Parque da Criança e do Parque Pajeú. O trecho 04 inclui a Catedral, o Paço Municipal e a Praça do Cristo Redentor em sua área. O trecho 05 trata das imediações do Dragão do Mar e a conexão com a Beira Mar. Já o trecho 06 trata da área que conecta os demais trechos.

setorização

A seguir serão tratadas as diretrizes específicas de cada trecho aqui setorizado.

138


4.5 Diretrizes e recomendações específicas

Zona de Transição: Esta zona é definida como o entorno e contorno do conjunto dos trechos de intervenção e deverá transmitir para quem se aproxima do Centro, a imagem do que está por vir. Apresentando, portanto, identidade visual semelhante a do restante da intervenção. Além de outras medidas que serão destacadas a seguir, vale ressaltar que, obviamente, todas as diretrizes gerais ditas neste trabalho deverão ser aplicadas, também, na zona de transição.

0

250

500

750

1000 m

Mapa 28. Zona de transição Elaborado pela autora

diretrizes e recomendações específicas

N

141


PLANEJAMENTO URBANO • Como esta zona apresenta avenidas importantes com função de “anel viário” que acabam dando um efeito de mobilidade fluida para todo o projeto e flexibilizam a relação com a cidade, devese prever a transformação da zona em um centro empresarial, comercial e financeiro, distribuído ao longo de suas quadras. Para possibilitar tal mudança no cenário do local, é preciso prever o estímulo à verticalização das edificações construídas em lotes voltados para as avenidas. • Esta zona tem bastante visibilidade, do ponto de vista das ocorrências e das possibilidades de propaganda devido ao grande fluxo de veículos em suas avenidas. De tal forma, após a retirada da poluição visual e dos outrdoors, deve-se aplicar um mecanismo de restauração de fachadas de edifícios de maior escala. Este mecanismo aplicado em Barcelona foi responsável pela restauração de mais de 22 mil fachadas em 10 anos e agora será aplicado, também, em São Paulo. De acordo com este mecanismo, prédios degenerados de grande visibilidade, situados em corredores viários importantes poderão ser transformados em espaços temporários de publicidade e ofertados a anunciantes que queiram utilizá-lo gratuitamente, em troca de projeto de reabilitação ou limpeza da fachada do edifício. IDENTIDADE • Todo o mobiliário urbano desta zona (lixeiras, postes, bancos, paradas de ônibus, etc), deverão seguir a linguagem e o padrão adotados no restante da intervenção, permitindo que, ao chegar na zona de transição, a pessoa perceba que está entrando em uma área diferenciada da cidade, que passou por renovações.

diretrizes e recomendações específicas

CAMINHABILIDADE

142

• É necessária a aplicação de piso tátil em todas as calçadas, que deverão ser padronizadas e niveladas. • Nos cruzamentos em que houver maior fluxo de pedestres será obrigatória a instalação de semáforos com tempo para pedestre e aviso sonoro, além da passagem à nível.


SUSTENTABILIDADE • Preservar a vegetação existente ao longo das avenidas e arborizar valorizando espécies nativas. MOBILIDADE • Deverão ser previstas ciclovias, de acordo com plano cicloviário, que deem infraestrutura para este meio de transporte. • Instalação de Bicicletários ao longo de toda a zona • Estimular o uso do transporte público e outros modais alternativos • Criação de duas linhas de ônibus que permeiam a região central e passam pelos principais estacionamentos, aumento a mobilidade geral da região. INFRAESTRUTURA • Construir estacionamentos em diversos pontos de sua extensão, permitindo que quem se locomova no centro possa deixar seu automóvel particular em sua periferia e passe a caminhar, pedalar ou utilizar o transporte público especial. CULTURA

ATRATIVIDADE • As edificações nas avenidas funcionariam como atrativos para empresas e investidores. As novas edificações, que seguiriam as diretrizes já citadas, gerariam um novo contexto local, com potencialidade para atrair pessoas para o local.

diretrizes e recomendações específicas

• Devido ao fato da zona conter um fluxo maior e mais rápido de pessoas, deverão ser feitas muitas intervenções artísticas em mobiliários, muros, prédios, etc. Que permitam a fácil leitura e identificação de quem passar e aumentando a possibilidade de identificação de uma área contínua.

143


N

PLANEJAMENTO URBANO Av. Presidente Castelo Branco

12 Av. Pessoa Anta

08 08

04

05

06

11

08 03

05

11

02. Aplicação de mecanismo de restauração de fachadas de edifícios de maior escala.

06 10

05

IDENTIDADE 03. Padronização de todo o mobiliário urbano desta zona.

12

03

CAMINHABILIDADE

07

02

09

04. Aplicação de piso tátil em todas as calçadas, além da padronização e do nivelamento das mesmas.

10

11

10

04

05

05. Instalação de semáforos com tempo para pedestre e aviso sonoro, além da passagem à nível nos cruzamentos com maior fluxo de pedestres.

09

10 07

SUSTENTABILIDADE

01

08 10

06. Preservar a vegetação existente ao longo das avenidas e arborizar onde for necessário.

06

Av. Imperador

MOBILIDADE 07. Instalação de bicicletários em sua extensão.

10

03

08. Estimular o uso do transporte público e outros modais alternativos.

07 10

06 12

09. Criação de duas linhas circulares de ônibus que permeiam a região central e passam pelos principais estacionamentos.

01 04

05

INFRAESTRUTURA 07

10. Criar estacionamentos em diversos pontos da extensão da zona.

Av. Dom Manuel 03

11

02 08

01

06

10 10

Av. Duque de Caxias

Mapa 29. Diretrizes para a zona de transição Realizado pela autora

CULTURA 11. Estimular a realização de intervenções artísticas em mobiliários, muros, prédios, etc.

03 05

07

10 11

02

ATRATIVIDADE

12

12. Criação de um novo contexto local de possibilidades, com potencialidade para atrair diversas pessoas e interesses para a zona.

11 07 05

0

100

200

300

400 m

Zona de Transição

Estacionamentos

Pontos de ônibus

Linhas de ônibus

Mapa 29. Diretrizes para zona de transição

07

10

01. Transformação do local em um centro empresarial, comercial e financeiro, distribuído ao longo de suas vias.


Trecho 01

N

0

125

250

375

500 m

Mapa 30. Localização do trecho 01 de intervenção Elaborado pela autora

PLANEJAMENTO URBANO

• Para dar uso aos terrenos situados ao norte da Santa Casa e da Emcetur deverá ser organizado um concurso de projetos arquitetônicos e urbanos para o local, sendo obrigatória a permanência da visibilidade do mar para quem está na Santa Casa ou na Emcetur. Tal concurso deverá abordar temas com fins comerciais, culturais, gastronômicos, etc. e deverá, obrigatoriamente, respeitar o patrimônio já existente. • O zoneamento urbano deverá garantir o baixo gabarito do entorno, garantindo a ambiência do local. Além de estimular novos usos às edificações que estão abandonadas ou subutilizadas.

diretrizes e recomendações específicas

• A vista do Passeio Público deverá ser preservada e, de preferência, o zoneamento urbano deverá prever a transformação da parte industrial, na porção norte da praça, em um grande parque. Mantendo, dentro do mesmo, as edificações de relevância arquitetônica. Resgatando, então, os originais três níveis do Passeio Público.

147


IDENTIDADE • Este trecho, por conter o Passeio Público, será o ponto de partida dos padrões do mobiliário, da paisagem e da comunicação visual do restante do projeto. • Reafirmar e manter a característica principal do Passeio Público como uma área de calmaria e contemplação. Para isso, não poderá ser construído, no entorno, nada que possa desestabilizar essa situação, sendo preferível o uso cultural, habitacional e comercial de pequena escala.

CAMINHABILIDADE • Deverá ser feita uma passagem à nível que conecte o Passeio Público à rua Major Facundo, que passará a ser de pedestre (as mudanças do sistema viário serão abordadas no tópico “Sistema viário e Transportes”).

SUSTENTABILIDADE • Atualmente existe, entre o Passeio Público e a 10ª Região Militar, o fim da rua Floriano Peixoto, que é privatizado pelo exército e foi transformado em área de estacionamento do mesmo. Este trecho de rua deverá ser englobado à área da Praça, recebendo arborização e tratamento paisagístico, além da instalação de mobiliários.

diretrizes e recomendações específicas

• A Praça da Sé deverá passar por reformulação, com mais arborização e o trecho da rua General Bezerril, que atualmente delimita à praça à oeste, deverá ser englobado à área da Praça.

148

• Atualmente, o mundo inteiro reconhece a necessidade de programas que controlem a proliferação de algumas espécies que ameaçam a vida de outras. Entre elas, temos os gatos, que, no Passeio Público, estão se reproduzindo sem nenhum controle e de maneira rápida, sendo responsáveis por matar inúmeras espécies de aves, pequenos mamíferos e repteis, desequilibrando o ecossistema local. Torna-se de extrema importância a retirada planejada destes animais do local. Deverá ser feito uma espécie de corredor ecológico que ligue o Passeio Público ao Paço Municipal por meio de árvores de grande porte, que embelezariam o local e contribuiriam para o micro clima.


MOBILIDADE • Para incentivar a utilização de meios alternativos de transporte, deverão ser instalados bicicletários que possibilitem que todo ciclista tenha um local seguro e adequado para deixar sua bicicleta. • A rua Dr. João Moreira deverá passar por reformulação, onde os princípios do traffic calming sejam aplicados visando uma diminuição da velocidade dos veículos e uma convivência mais harmoniosa com os pedestres e ciclistas.

INFRAESTRUTURA • Como já é sabido que haverá uma estação de metrô próxima à Praça da Estação, esta praça deverá voltar a funcionar como praça, transferindo o terminal de ônibus para a estação de metrô Luís Felipe, que deverá funcionar como estação intermodal de transporte. • Deverão ser instalados banheiros públicos na Praça da Estação e no Passeio Público.

CULTURA • Como forma de tornar possível a existência de um Museu da Cidade em Fortaleza, previsto Plano Diretor Participativo de 2009 e, também, para dar um uso mais adequado à edificação, o Forte de Nossa Senhora da Assunção deverá passar a funcionar como tal. De tal forma, a 10ª Região Militar deverá ser retirada do local, que passará por adequações para o uso de museu.

• Além de um novo museu para a cidade, o estacionamento do Forte, atualmente utilizado pelos militares, deverá ser recalculado para as necessidades do museu e, após novo dimensionamento, deverá ser construído subterraneamente, livrando, assim, a superfície do solo e tornando possível a expansão da Praça da Sé, que ganharia todo esse novo espaço. Sugere-se, aqui, que, devido ao desnível existente no terreno, uma das iniciativas de projeto conte com a construção de uma escadaria no estilo arquibancada, bastante

diretrizes e recomendações específicas

ATRATIVIDADE

149


arborizada e que permita que as pessoas sentem para aproveitar o momento, observar o que acontece e etc. • Além de novas atividades para o local, é necessário reafirmar as atividades que já existem, como o Museu da Indústria, a feijoada do Passeio, o comércio de artesanato na Emcetur, o Raimundo dos Queijos e o Teatro Carlos Câmara

diretrizes e recomendações específicas

Figura 39. Rua Dr. João Moreira Atualmente. Foto: Acervo pessoal.

150

Figura 40. Rua Dr. João Moreira proposta. Elaborada por Yuka Ogawa.


N

PLANEJAMENTO URBANO 01. Visando a preservação e a manutenção da ambiência do Passeio Público, o Zoneamento Urbano deverá estimular e facilitar a transformação da porção situada à Norte em um grande parque, que chegue até o mar. 02. Garantir o baixo gabarito do entorno das praças e edificações de relevância. 03. Promover um concurso de projetos para o local, com enfoque cultural, comercial, gastronômico, ect.

01

IDENTIDADE 04. Manter a ambiência de calmaria presente no Passeio Público.

03

11

aio

o

mu

09. Aplicação dos princípios do Traffic Calming na rua Dr. João Moreira. 10. Instalação de bicicletários.

07

INFRAESTRUTURA

Peix o

to

ndo

16

12. Retirar terminal de ônibus da Praça da Estação e reformulá-la.

d’E u

13. Criação do Museu da Cidade, onde hoje funciona a 10ª Região Militar.

nde

ATRATIVIDADE 14. Estimular programações diferenciadas e acessíveis no Teatro Carlos Câmara.

Av. Co

or F acu Maj

11. Instalação de sanitários públicos no Passeio Público e na praça da Estação.

CULTURA

Bez erril

r

15. Nova praça para a cidade. 16. Reafirmar atratividades já existentes.

Rua Rua

GuDiretrizes Mapa 31. para trecho 01 ilhrealizado erm pela autora e Ro

cha

gatos, outras

MOBILIDADE

07

Rua

nca

ce

no

07

02

07. Criação de um corredor ecológico até o Paço Municipal. 08. Controlar a proliferação de responsáveis por matar inúmeras espécies animais.

Gen

Pau lo

r Ale

15

07

06

do R

São

ado

Rua Barã o

Rua S Rua

Sen

Mor eira 16

ranc

Silva

ena

Rua

Rua

13

io B

tro e

dor

Gen

Pom p

eral

eu

Sam

24 d

paio

oão

05

10

po

Dr. J

06

Ne

onça

eM

09

02

Cas

06. Aumentar a área das praças da Sé e do Passeio Público ao englobar trechos de ruas que atualmente delimitam a praça, que deverão ser arborizados.

04 16

10

Rua

08

rto

02

SUSTENTABILIDADE

0

50

100

150 m

Pontos de ônibus

Linhas de ônibus

Vias de pedestres propostas

Vias reformuladas

Vias de pedestres existentes

Eixos de conexão leste oeste

Mapa 31. Diretrizes para trecho 01

01

Rua

Rua

05. Passagem à nível conectando o Passeio Público à rua Major Facundo, que passará a ser rua exclusiva de pedestre.

co03

eral

14 11

tão G Av. T ris

Bran

iano

12

CAMINHABILIDADE

lbe

telo

01

Av .A

Cas

16 R ua S ena dor Jag uari be

10

lves

nte

Flor

side

Rua

Av. P re


Trecho 02

N

125

250

375

500 m

Mapa 32. Localização do trecho 02 de intervenção Elaborado pela autora

PLANEJAMENTO URBANO • O zoneamento urbano deverá garantir o baixo gabarito do entorno das praças e de edificações arquitetonicamente relevantes, garantindo a ambiência do local. Além de estimular novos usos às edificações que estão abandonadas ou subutilizadas. • Fora da área de entorno das praças e de edificações com relevância arquitetônica, deverá ser estimulada uma maior verticalização do que a atual e o possível remembramento de lotes para a construção de edifícios de médio porte com uso misto, contando com térreo comercial, salas de escritório e habitação.

IDENTIDADE • Este trecho apresenta como sua característica mais marcante a forte presença comercial, gerando muito movimento e um fluxo intenso de pessoas. Esta característica deverá ser preservada, mantendo o uso comercial de todas as edificações, existentes ou a serem construídas. • A Praça do Ferreira apresenta alguns elementos marcantes no seu entorno, a maioria deles já situada em edificações

diretrizes e recomendações específicas

0

153


imponentes e de relevância. Porém, a tradicional pastelaria Leão do Sul fica em um edifício sem destaque e que, nitidamente, precisa ser expandido, devido ao numero de clientes que lota o estabelecimento em diversos momentos do dia. Como forma de solucionar esse problema e dar maior destaque à um dos símbolos da Praça, deverá ser reservada uma área da praça, próxima à atual localidade da pastelaria, para a instalação da nova edificação, em forma de quiosque. Trazendo maior visibilidade e valorizando um dos elementos marcantes do local.

CAMINHABILIDADE • Os trechos das ruas Guilherme Rocha e Liberato Barroso situados entre as Praças José de Alencar e do Ferreira são vias exclusivas de pedestre com fluxo intenso. Devido à essa visibilidade, o local se torna atrativo para a instalação de barracas de camelôs, que vendem os mais variados produtos. Porém, atualmente, o ordenamento destas barracas está falho e caminhar pelo local se tornou um tanto quanto difícil. Situados no centro da via, os camelôs tomam todo o espaço deste corredor central, sendo uma tarefa bastante difícil, por exemplo, estar de um lado e querer passar para o outro. De tal maneira, as áreas permitidas para as barracas deverão ser reordenadas e melhor delimitadas, de forma a liberar mais espaço para os pedestres e permitir maior grau de caminhabilidade.

diretrizes e recomendações específicas

SUSTENTABILIDADE

154

• Tanto a Praça do Ferreira, como um todo, como a porção norte da Praça José de Alencar precisam de aumento da massa arbórea, propiciando maior conforto ambiental aos transeuntes, que passarão a desfrutar de um ambiente de maior qualidade e permanecerão por mais tempo no local.

MOBILIDADE • A rua Floriano Peixoto deverá passar por reformulação, buscando priorizar os pedestres e ciclistas em detrimento dos veículos motorizados. Deverá ser feita uma ciclovia, além da retirada de algumas das faixas de estacionamento para alargar as calçadas


e criar áreas de convivência. Em alguns pontos, poderá haver estacionamento ao longo da rua. • Para incentivar a utilização de meios de transporte alternativos, deverão ser instalados bicicletários na Praça José de Alencar e na Praça da Lagoinha. INFRAESTRUTURA • Deverão ser instalados sanitários públicos na Praça do Ferreira e na Praça da Lagoinha. • Após a abertura da estação de Metrô José de Alencar, a Praça da Lagoinha será uma importante conexão entre a mesma e a av. do Imperador, itinerário de diversas linhas de ônibus. De tal maneira, a Praça, que encontra-se hoje, bastante mal cuidada, deverá passar por uma reformulação que apoie esse fluxo de pessoas.

CULTURA • Uma das estratégias para trazer atividades, público e movimento para o Centro durante o período noturno é criação de uma programação cultural permanente e variada. Neste trecho, equipamentos já existentes, como o Cine Teatro São Luís (que já funciona mais ativamente) e o Teatro José de Alencar, poderão funcionar como âncoras de uma vida cultural ativa.

• A Praça José de Alencar, atualmente estado precário de conservação, deverá passar por reformulação, visando criar um local atrativo para os mais diversos públicos, funcionando como forma de reforçar e apoiar as atividades noturnas e em fins de semana que o Teatro José de Alencar deverá atrair. • Para dar suporte à vida noturna, deverão ser abertos na área de entorno da praça equipamentos variados, como restaurantes, quiosques, galerias, hostels, pousadas, área para feiras gastronômicas, entre outros. • O jardim do Teatro José de Alencar, que atualmente é fechado, deverá ser aberto ao público durante o horário de funcionamento da casa de espetáculos, permitindo maior interação da população com o edifício.

diretrizes e recomendações específicas

ATRATIVIDADE

155


diretrizes e recomendações específicas

Figura 41. Rua Perboyre e Silva Atualmente. Foto: Acervo pessoal.

156

Figura 42. Rua Perboyre e Silva proposta. Elaborada por Pedro Morgado.


Rua

Rua

N

Dr. J

Cas

oão

tro e

Mor eira

PLANEJAMENTO URBANO 01. Garantir o baixo gabarito próximo às edificações de relevância. 02. Estimular, no trecho e suas proximidades, a construção de edifícios mistos, com térreo comercial, salas de escritório e habitação, permitindo maior verticalização.

Silva

IDENTIDADE 03. Preservar o caráter comercial do trecho, estimulando o grande fluxo de pessoas.

ado

r Ale

nca

r

CAMINHABILIDADE

Maj or F acu nd

o

Isab e

10

01

Pau lo

Rua

Bran Rio

14

09 14

Rua G

axia

s

Rua F

13. Abrertura do jardim do Teatro José de Alencar ao público enquanto o Teatro estiver em uso. 14. Estimular a abertura de comércios que apoiem atividades noturnas no local.

I

Mapa 33. Diretrizes para trecho 02 Realizado pela autora

0

50

11. Aumentar e variar a programação do Teatro José de Alencar, colocando a cultura como forma de atrair e movimentar o espaço.

il

de C

Ped ro

ra

CULTURA

12. Reformulação da Praça José de Alencar.

Bezerr

que

Dom

Pere i

10. Reformulação da Praça da Lagoinha, como local de fluxo intenso devido à sua localização entre a Av. do Imperador e a estação do Metrofor.

ATRATIVIDADE

eneral

Av. D u

Rua

Ped ro

Rua Edgar Borges

Rua

INFRAESTRUTURA

to

Barr oso

08. Instalação de bicicletários.

09. Instalação de sanitários públicos.

o do

05

07. Reformulação da rua Floriano Peixoto, priorizando os pedestres em detrimento dos veículos motorizados.

06

04

loria

01

rato

14

no P eixo

Libe

MOBILIDADE

Rua do Rosário

Rua

Rua

14

Barã

Sen

05

14 07

r Po ado

Gen Rua

13

02

SUSTENTABILIDADE 06. Aumentar massa arbórea, propriciando maior conforto ambiental.

ha co

u

Sam eral

Rua 11

05

Guil herm e Ro 03 c

14

mpe

eM

paio

aio

12

24 d

Av. T ris

01

São

05

08

06

tão G

Av. I mp

onça

erad

lves

or

Rua

05. Ordenar e cadastrar os camelôs presentes nas vias, que acabam por obstruir a passagem dos pedestres.

Rua

09

Rua

08

esa Princ Rua

04. Destinar uma área da Praça do Ferreira à instalação do quioste da Leão do Sul, marca registrada do local.

100

150 m

Pontos de ônibus

Linhas de ônibus

Vias de pedestres propostas

Vias reformuladas

Vias de pedestres existentes

Eixos de conexão leste oeste

Mapa 33. Diretrizes para trecho 02

Sen

l

Rua


Trecho 03

N

0

125

250

375

500 m

Mapa 34. Localização do trecho 03 de intervenção Elaborado pela autora

• Para manter a ambiência da Praça do Sagrado Coração de Jesus, é necessária que as edificações do seu entorno mantenham baixo gabarito, não sendo permitido ultrapassar a altura de 4 pavimentos ou 12 metros. Esta medida vale, principalmente, para os lotes situados no lado leste da praça, tendo em vista que o lado oeste já encontra-se descaracterizado devido a existência de um prédio de aproximadamente 50m de altura. • Buscando garantir um novo fluxo para o trecho, torna-se necessário o estímulo à construção de edifícios mistos, que promovam maior diversidade de usuários e fluxos. Estas edificações deverão estar situadas à oeste tanto da Praça do Sagrado Coração de Jesus, como do Parque da Criança.

diretrizes e recomendações específicas

PLANEJAMENTO URBANO

159


IDENTIDADE • O Parque da Criança, que ficou conhecido por este nome em 1936, possuía um empreendimento educacional infantil que atendia crianças de 3 à 14 anos, tendo sido palco de diversas brincadeiras e ensinamentos. Atualmente, em Fortaleza, é notória a falta de espaços públicos voltados para o lazer infantil. De tal maneira, o parque deverá ser reformulado e dotado de infraestrutura para atender, prioritariamente, este público e, obviamente, suas famílias. Devendo oferecer opções de lazer, cultura, aprendizado e contato com a natureza. • À leste do Parque da Criança existe, atualmente, uma vila de casas bastante característica do local, além de representar uma tipologia habitacional que praticamente desapareceu na atual Fortaleza. Deve-se buscar preservar as características de vila dessa área, mantendo, sempre, o uso habitacional de baixo gabarito.

CAMINHABILIDADE • O portão noroeste de acesso ao parque é bem pequeno e não atende aos pedestres que chegam ao local pela rua do Rosário, devendo ser alargado, visando contemplar os fluxos de ambas as ruas.

diretrizes e recomendações específicas

SUSTENTABILIDADE

160

• A Praça do Coração de Jesus é delimitada, a leste, pelo trecho final da rua Jaime Benévolo. Este trecho deverá ser englobado à área da praça, sendo proibida a passagem de veículos motorizados e fazendo com que a praça passe a abraçar as edificações que possuem frente para tal rua. O trecho também deverá receber arborização e ser equipado com mobiliários adequados. • O Parque da Criança, apesar de bastante arborizado, apresenta algumas zonas carentes de vegetação. Sendo, portanto, necessária a arborização destas zonas, garantindo maior conforto para os usuários do Parque e promovendo a conscientização e a educação ambiental. • É absolutamente necessária a limpeza e a recuperação ambiental do Riacho Pajeú e a eliminação dos esgotos clandestinos que lançam detritos diretamente no riacho. ualmente, o mundo


inteiro reconhece a necessidade de programas que controlem a proliferação de algumas espécies que ameaçam a vida de outras. Entre elas, temos os gatos, que, neste trecho, principalmente no Parque Pajeú e no Parque da Criança, estão se reproduzindo sem nenhum controle e de maneira acelerada, sendo responsáveis por matar inúmeras espécies de aves, pequenos mamíferos e repteis, desequilibrando o ecossistema local. Torna-se de extrema importância a retirada planejada destes animais do local.

MOBILIDADE • As ruas Pinto Madeira e Sena Madureira, bem como trecho da av. Visconde do Rio Brando deverão passar por reformulação, buscando priorizar os pedestres e ciclistas em detrimento dos veículos motorizados. Deverão ser feitas ciclovias, além da retirada de algumas das faixas de estacionamento para alargar as calçadas e criar áreas de convivência. Em alguns pontos, poderá haver estacionamento ao longo da rua. • Para incentivar a utilização de meios de transporte, deverão ser instalados bicicletários na Praça do Sagrado Coração de Jesus e na Cidade da Criança.

INFRAESTRUTURA

• Para que o Parque da Criança possa atender adequadamente ao público infantil e familiar e tenha uma programação cultural ativa, será necessário dotar o Parque de estruturas como vestiários, guarda-volume, mini quadras, mesas de jogos, salas de minicursos, leituras, palestras, dentre outras que permitam uma maior variedade de atividades.

CULTURA • Como o elemento estruturante deste trecho é a Cidade da Criança, deverá ser iniciada uma programação cultural infantil, com o apoio da Prefeitura de Fortaleza, garantindo um forte atrativo para o local.

diretrizes e recomendações específicas

• Deverão ser instalados sanitários públicos no Parque Pajeú e na Cidade da Criança.

161


ATRATIVIDADE • Além das novas estruturas que acabam gerando atratividade ao local, deverá ser instalado, na Cidade da Criança, um restaurante que ocupará a maior edificação inserida no parque. Esta medida permitirá que as famílias permaneçam no local por um período prolongado de tempo.

diretrizes e recomendações específicas

Figura 43. Cidade da Criança atualmente. Foto: Acervo pessoal.

162

Figura 44. Cidade da Criança proposta. Elaborada por Clarisse Figueiredo.


04. Proteger e manter a vila de casas existente, preservando a ambiência do local, sendo necessária a aplicação de um zoneamento especial para o local.

05. Aumentar portão de acesso ao parque.

07

SUSTENTABILIDADE 09

06. Englobar trecho final da rua Jaime Benévolo à área da Praça do Coração de Jesus.

12

07

07. Controlar a proliferação de responsáveis por matar inúmeras espécies animais.

arço

08

11

01

el anu

MOBILIDADE

mM

onde

06

09. Realizar limpeza do Riacho Pajeú e regularizar a situação dos esgotos clandestinos lançados no mesmo.

10. Reformulação da rua Sena Madureira, priorizando os pedestres em detrimento dos veículos motorizados.

Av. D o

I

11. Instalação de bicicletários.

do Rio

axia

s

INFRAESTRUTURA

Branc

de C

12. Instalação de sanitários públicos. 13. Dotar o Paque da Criança de vestiários, guarda-volumes e outras estruturas que permitam que os frequentadores possam aproveitar o ambiente por mais tempo.

o

Rua

gatos, outras

08. Aumentar cobertura vegetal.

Rua

12

que

lin T ávor a

eM

Solo Rua

07

Av. D u

Fran k

10

15

Ped ro

03. Reformulação do Parque da Criança, dando para que o espaço seja opção de lazer, cultura e aprendizado para crianças, principalmentente, e suas famílias.

25 d

n Pi

Ass

nhe

14 03

Dom

Rua

CAMINHABILIDADE

ad into M Rua P 04

sc Av. Vi

Rua

IDENTIDADE

10

eira

13

iro

unç ão

02

01. Garantir o baixo gabarito do entorno da Igreja do Sagrado Coração de Jesus.

ont

10 11

PLANEJAMENTO URBANO

CULTURA Clar

indo

14. Iniciar e divulgar uma programação cultural infantil.

de Q

ueir oz

ATRATIVIDADE 15. Instalar, na maior edificação do Parque, um restaurante, gerando novo e maior fluxo ao local.

Rua

Met

on d

e Al

enca

r

Mapa 35. Diretrizes para trecho 03 Realizado pela autora

0

50

100

150 m

Pontos de ônibus

Linhas de ônibus

Vias de pedestres propostas

Vias reformuladas

Vias de pedestres existentes

Eixo de conexão leste oeste

Mapa 35. Diretrizes para trecho 03

05

Rua

Rua

Flor iano Peix oto Rua

ra

Dum

02. Estimular a construção de edifícios mistos, com térreo comercial, salas de escritório e habitação, permitindo maior verticalização.

mpaio

Pere i

ntos

rnador Sa Rua Gove

zerril

Ped ro

Madureira

eral Be

Rua Edgar Borges

Rua

N

Av. S a

Rua Sena

Barr oso

Maj or F acu ndo

rato

en Rua G

Libe

Rua do Rosário

Rua


Trecho 04

N

0

125

250

375

500 m

Mapa 36. Localização do trecho 04 de intervenção Elaborado pela autora

• Esta zona está, atualmente, caracterizada pela presença de casas, inúmeras lojas e pequenos galpões que vendem roupas com preços bastante acessíveis e com público diversificado. Este tipo de comércio deverá ser mantido e, para tanto, torna-se necessária a interferência do Poder Público, visando combater o processo de gentrificação e exclusão que pode ocorrer após uma intervenção de melhoria urbana. • Devido a presença da Catedral, deverá ser mantido um baixo gabarito no entorno, permitindo que as novas edificações cheguem a, no máximo, três pavimentos ou nove metros. • Atualmente, a menos de setenta metros do leito do Riacho

diretrizes e recomendações específicas

PLANEJAMENTO URBANO

165


Pajeú há um posto de gasolina. Considera-se esse uso bastante conflitante, tendo em vista o alto risco de contaminação do solo e, consequentemente, do Riacho. De tal maneira, o posto deverá ser desativado e retirado do local, dando espaço para a construção de edificação que contribua para a dinamização do local, podendo ser um edifício misto com unidades habitacionais voltadas para estudantes, com preços acessíveis e tamanhos reduzidos. Além disso, não serão permitidas construções que possam colocar em risco o equilíbrio ecológico do Riacho e da área do Paço.

IDENTIDADE • Essa região apresenta unidades habitacionais do tipo casa que deverão ser preservadas, mantendo a característica da área. • A Catedral, grande símbolo do local deverá ter seus acessos facilitados, com a retirada das grades que a cercam e retirada das vagas de estacionamento que a cercam, criando uma grande praça pública.

CAMINHABILIDADE • O Mercado Central também possui grades no seu entorno imediato. A retirada destas grades permitirá o alargamento da calçada, aumento a área adequada para o caminhar, além de facilitar o acesso à edificação.

diretrizes e recomendações específicas

SUSTENTABILIDADE

166

• O Paço Municipal, que já conta com densa área verde, deverá ser destinado à educação ecológica, bem como a edificação que hoje funciona como sede da Prefeitura Municipal de Fortaleza. O parque deverá ser aberto ao público e deverão ser realizadas visitas guiadas, oficinas, exposições, entre outras atividades que busquem a educação ambiental e a conscientização ecológica do público. • É absolutamente necessária a limpeza e a recuperação ambiental do Riacho Pajeú e a eliminação dos esgotos clandestinos que lançam detritos diretamente no riacho.


• Deverá ser feito uma espécie de corredor ecológico que ligue o Passeio Público ao Paço Municipal por meio de árvores de grande porte, que embelezariam o local e contribuiriam para o abrigo da fauna local e para o micro clima.

MOBILIDADE • Para incentivar a utilização de meios de transporte, deverão ser instalados bicicletários que possibilitem que todo ciclista tenha um local seguro e adequado para deixar sua bicicleta. • A av. Alberto Nepomuceno deverá passar por reformulação, onde os princípios do traffic calming sejam aplicados visando uma diminuição da velocidade dos veículos e uma convivência mais harmoniosa com os pedestres e ciclistas.

INFRAESTRUTURA • Deverão ser instalados sanitários públicos na Praça do Cristo Redentor. • Parte ou a totalidade da quadra que está ao sul da Praça do Cristo Redentor deverá receber uma edificação de estacionamento. Devido a sua conectividade com a av. Dom Manuel, esta edificação funcionará como um dos estacionamentos previstos para a zona de transição.

• As obras de restauro do Teatro São José deverão começar, tendo em vista que o projeto já existe. Após o restauro o Teatro deverá contar com a efetivação de uma programação ativa e variada, mais uma vez utilizando a cultura como forma de movimentar o espaço.

diretrizes e recomendações específicas

CULTURA

167


ATRATIVIDADE • Restaurar, se preciso for, a parte interna do monumento da Praça do Cristo Redentor, possibilitando a visitação e transformando o monumento em um mirante. • Além de novas atividades para o local, é necessário reafirmar as atividades que já existem no local, como a Catedral, o Mercado Central e os comércios populares.

diretrizes e recomendações específicas

Figura 45. Rua Rufino de Alencar atualmente. Foto: Acervo pessoal.

168

Figura 46. Rua Rufino de Alencar proposta. Elaborada por Yuka Owaga.


N PLANEJAMENTO URBANO

16

16

Rua Almirante Jacegu ai

08. Destinar o Paço Municipal, bem como a edificação hoje ocupada pela Prefeitura de Fortaleza, à educação ecológica, abrindo o parque ao público e promovendo oficinas, exposições, etc.

enév olo

eM

MOBILIDADE

25 d Rua

es

11. Instalação de bicicletários.

Rua

Pere i

INFRAESTRUTURA ra F

12. Instalação de sanitários públicos.

ilgu

eira

13. Construção de estacionamento.

s

CULTURA 14. Restauro da edificação e efetivação de uma programação constante no Teatro São José.

ATRATIVIDADE

rigu

ta B

arro

15. Tornar possível o acesso às escadas do monumento da Praça do Cristo Redentor, transformando-o em um mirante.

Rod

s

Rua

Cos

Ferr a

z

Rua

es J

unio

r

Av. D o

Rua Dep .J

mM

oão

02

10. Reformulação e aplicação dos princípios do Traffic Calming na av. Alberto Nepomuceno.

16. Reafirmar atratividades já existentes.

Cel.

bóia

te B

Rua

Av. Con de . Sa

03

paio

Rua Sena Madureira

Visc

07

ador Sam

Rua

Ten en

07. Realizar limpeza do Riacho Pajeú e regularizar a situação dos esgotos clandestinos lançados no mesmo.

09. Criação de um corredor ecológico entre o Paço Municipal e o Passeio Público.

Lop

d’E u

eral Gen

Rua

11

rn Rua Gove

Rua

car

de Alen

arço

01

SUSTENTABILIDADE

gelo

01

06. Retirar grades do Mercado Central, possibilitando um alargamento da calçada.

13

izeu

Bez erril

08

CAMINHABILIDADE

16

04

Rua

Silva

15

11

Mapa 37. Diretrizes para trecho 04 Realizado pela autora

0

50

100

150 m

Pontos de ônibus

Linhas de ônibus

Vias de pedestres propostas

Vias reformuladas

Vias de pedestres existentes

Eixos de conexão leste oeste

Mapa 37. Diretrizes para trecho 04

Rua Baturité

Peix o iano

tro e

05. Facilitar o acesso à catedral, com retirada das grades e do estacionamento ao seu redor, transformando a área em uma grande praça.

01

fino Rua Ru

05

Cas

04. Manter característica de habitações do tipo casa na região.

12

Rua Afonso V

Flor

09

IDENTIDADE

el

rto

09

03. Não permitir usos do solo que possam contaminar o leito do Riacho Pajeú, como postos de gasolina.

nco 14

06

02. Garantir o baixo gabarito do entorno.

lo Bra

anu

Mor eira

Caste

Rua Pedro Ân

Rua

idente

16

lb e oão

Av. Pr es

Av. A

Dr. J

to

Rua

Ne

po

Rua Bóris

mu c

en

o

Rua José Avelino

10

01. Prever medidas que evitem que as melhorias realizadas acabem gerando gentrificação ou elitização do comércio existente.


Trecho 05

N

125

250

375

500 m

Mapa 38. Localização do trecho 05 de intervenção Elaborado pela autora

PLANEJAMENTO URBANO • A rua José Avelino, apesar de não estar inserida no trecho 05 de intervenção, é caracterizada pela presença de galpões que vendem roupas com preços bastante acessíveis e com público

diretrizes e recomendações específicas

0

171


diversificado, além da realização das Feiras da José Avelino. Este tipo de comércio deverá ser mantido e, para tanto, torna-se necessária a interferência do Poder Público, visando combater o processo de gentrificação. • Buscando garantir um novo fluxo para o trecho, torna-se necessário o estímulo à construção de edifícios mistos, que promovam uma maior diversidade de usuários e fluxos.

IDENTIDADE • Esta área da cidade conta com a presença de equipamentos culturais de grande porte e já é conhecida pela intensa atividade cultural. Esta característica deverá ser mantida e, se possível, expandida, com mais opções de lazer e cultura.

CAMINHABILIDADE • A rua Almirante Jaceguai possui trecho com pouquíssimo fluxo de veículos, este trecho está situado à leste do Centro Cultural Dragão do Mar, entre a rua José Avelino e a av. Monsenhor Tabosa. Este trecho deverá ser transformado em passeio, sendo exclusivo do pedestre e dando continuidade à promenade que passará por este local.

diretrizes e recomendações específicas

SUSTENTABILIDADE

172

• Algumas porções deste trecho merecem um acréscimo da cobertura vegetal, contribuindo para melhor qualidade ambiental e paisagística do local. • Atualmente, a Praça Almirante Saldanha conta com um estacionamento que ocupa grande porção da mesma. Este estacionamento deverá ser removido e a praça ganhará mais área de convivência.


MOBILIDADE • A rua Almirante Jaceguai e as avenidas Pessoa Anta e Almirante Tamandaré deverão passar por reformulação, buscando priorizar os pedestres e ciclistas em detrimento dos veículos motorizados. Deverão ser feitas ciclovias, além da retirada de algumas das faixas de estacionamento para alargar as calçadas e criar áreas de convivência. Em alguns pontos, poderá haver estacionamento ao longo da rua. • Para incentivar a utilização de meios de transporte, deverão ser instalados bicicletários que possibilitem que todo ciclista tenha um local seguro e adequado para deixar sua bicicleta.

INFRAESTRUTURA • Deverão ser instalados sanitários públicos na av. Almirante Tamandaré, após sua reformulação. • Equipamentos de lazer deverão ser instalados na av. Almirante Tamandaré, após sua reformulação, visando atender a demanda da comunidade do Poço da Draga.

CULTURA • A área, que já possui intensa atividade cultural, deverá receber manutenção de suas programações, devendo sempre atrair públicos diferenciados.

• Com a criação desta promenade, será realizada uma conexão adequada do Centro com a Beira Mar, no ponto em que estão paralisadas as obras do polêmico Aquário do Ceará. Esta conexão busca convidar e facilitar a caminhada entre dois pontos que estão fisicamente próximos, mas que devido à inadequação da conexão não desperta o interesse na continuidade da caminhada. • Além de novas atividades para o local, é necessário reafirmar as atividades que já existem, como o polo cultural e o ar boêmio dos bares do local.

diretrizes e recomendações específicas

ATRATIVIDADE

173


diretrizes e recomendações específicas

Figura 47. Rua Almirante Tamandaré atualmente. Foto: acervo pessoal.

174

Figura 48. Rua Almirante Tamandaré proposta. Elaborada por Clarisse Figueiredo.


N

12

PLANEJAMENTO URBANO 01. Prever medidas que evitem que as melhorias realizadas acabem gerando gentrificação ou elitização do comércio existente. Mantendo suas características populares.

10 05

Rua do

02. Estimular, no trecho e nas proximidades, a construção de edifícios mistos, com térreo comercial, salas de escritório e habitação, permitindo maior verticalização.

s Taba

Rua Almirante Tamandaré

jaras

07

IDENTIDADE

CAMINHABILIDADE 04. Transformar a porção oeste de trecho da rua Almirante Jaceguai em calçadão exclusivo para pedestres.

07 13

SUSTENTABILIDADE 07

07 06 13

09

po mu

cen o

03 13

Ne rto lbe

Rua Bóris

Av. A

idente

13 11

Rua José Avelino

Av. Pr es

Justa

06. Retirar o estacionamento presente, liberando maior área de praça.

MOBILIDADE 05

01

nio Av. Antô

08 Rua Almirante Jaceguai

oa Anta Av. Pess

05. Aumentar cobertura vegetal.

05 08

07. Reformulação viária priorizando os pedestres em detrimento dos veículos motorizados. 08. Instalação de bicicletários.

INFRAESTRUTURA 09. Instalação de sanitários públicos.

Rua Dragão do Mar

10. Instalação de equipamentos de lazer.

CULTURA 02

11. Manutenção da programação cultural da área.

Rua José Avelino

ATRATIVIDADE

13

12. Conexão pietonal com a Beira Mar. 13. Reafirmar atratividades já existentes.

04

Caste

lo Bra

nco

Pontos de ônibus Vias reformuladas

Rua Baturité

Linhas de ônibus

Av. Monsenhor Tabosa ar

e Alenc

fino d Rua Ru

Mapa 39. Diretrizes para trecho 05 Realizado pela autora

0

50

100

150 m

Mapa 39. Diretrizes para trecho 05

03. Manter a intensa atividade cultural da área.


Trecho 06

N

0

125

250

375

500 m

Mapa 40. Localização do trecho 06 de intervenção Elaborado pela autora

• Atualmente este trecho possui uma zona dominada pelo comércio atacadista de diversos produtos. A rua Governador Sampaio é totalmente tomada por esse tipo de atividade, ficando repleta de caminhões estacionados nos dois lados da rua, com carrinhos e equipamentos para efetuar carga e descarga sobre as calçadas. Essa situação não atrai, de forma alguma, o pedestre ao local nem nenhum outro tipo de uso, como o residencial, institucional, entre outros. Todos esses comércios atacadistas, conforme previsto no Plano Diretor Participativo de Fortaleza, deverão ser transferidos

diretrizes e recomendações específicas

PLANEJAMENTO URBANO

177


dessa área, sendo colocados em outras áreas da cidade, mais afastadas, como por exemplo próximo ao anel viário ou à grandes avenidas que permitam um fluxo de caminhões menos conturbador para a região, além de precisar de uma infraestrutura de estacionamentos, carga e descarga, etc. Com a retirada deste uso, deverá se criar, no local, uma zona predominantemente comercial, em edificações mistas e que atendam a diversos perfis socioeconômicos. Deverão ser reformadas algumas edificações e outras deverão ser construídas, seguindo as diretrizes gerais já mencionadas.

IDENTIDADE • Este trecho apresenta muitas vantagens de localização, como proximidade com colégios, igrejas, opções de lazer e cultura, da futura estação de metrô da Sé e outras facilidades de transporte. De tal forma, a maior referencia desse trecho será, justamente, o caráter predominantemente residencial que deverá ser criado, criando um senso comunitário entre todos os moradores, criando vínculos de pertencimento com o local e a vizinhança.

CAMINHABILIDADE • A Praça do Largo do Mercado atualmente funciona como um estacionamento, tendo perdido toda e qualquer característica de praça e dificultando que o pedestre atravesse o local. A área deverá voltar a ser praça com a retirada do estacionamento e a reformulação de seu desenho, devendo receber equipamentos e mobiliários adequados.

diretrizes e recomendações específicas

SUSTENTABILIDADE

178

• Apesar da mudança de usos que deverá ocorrer, com a criação de uma zona residencial, é importante a preservação das massas vegetais que encontram-se consolidadas no centro de algumas quadras. • A Praça dos Voluntários deverá ter sua área acrescida ao englobar trecho da rua Hélcio Nascimento, que atualmente delimita a praça ao sul e que deverá ser arborizado.


MOBILIDADE • Para incentivar a utilização de meios de transporte, deverão ser instalados bicicletários que possibilitem que todo ciclista tenha um local seguro e adequado para deixar sua bicicleta. • A rua General Sampaio deverá passar por reformulação, onde os princípios do traffic calming sejam aplicados visando uma diminuição da velocidade dos veículos e uma convivência mais harmoniosa com os pedestres e ciclistas.

INFRAESTRUTURA • A Escola Jesus, Maria e José, que atualmente encontra-se em total estado de abandono e destruição, deverá ser restaurada sendo transformada em um centro de profissionalização de jovens com biblioteca e salas de estudo. • Para a criação de um eixo leste-oeste de conexão, citado nas diretrizes gerais de intervenção, deverá ser feito um túnel ligando o final da rua Costa Barros com a rua Senador Alencar, facilitando o fluxo leste-oeste e criando uma conexão direta, que evita desvios e congestionamentos em outras áreas do Centro, como no entorno da Catedral.

CULTURA • A Praça dos Leões deverá ter uma programação variada de eventos culturais temporários de médio porte que estimule a população a frequentar o local, além de atender a demanda gerada pela zona residencial.

diretrizes e recomendações específicas

• Dando continuidade ao processo de criação deste eixo, deverão ser desapropriadas algumas edificações situadas na porção centro oeste da quadra que é delimitada pelas seguintes vias: rua Visconde Sabóia ao norte, rua Coronel Ferraz à leste, rua do Pocinho ao sul e rua Governador Sampaio à oeste. Nesta quadra está presente a edificação da Escola Jesus, Maria e José que deverá ser preservada, como dito anteriormente. A desapropriação deverá ocorrer para que seja possível a abertura de via que conecte facilmente a rua São Paulo com a av. Santos Dumont, gerando o fluxo do sentido oeste-leste

179


ATRATIVIDADE • A criação de uma zona predominantemente residencial deverá funcionar como um estímulo para que as pessoas voltem a habitar o centro da cidade, iniciando um processo de rehabitação do Centro de Fortaleza. • Além de novas atividades para o local, é necessário reafirmar as atividades que já existem no local, como o Museu do Ceará e o Centro Cultural Banco do Nordeste.

diretrizes e recomendações específicas

Figura 50. Arborização proposta para a Rua Major Facundo. Elaborada por Tálisson Sinésio. Figura 49. Rua Major Facundo Atualmente. Foto: acervo pessoal.

180

Figura 51. Rua Major Facundo proposta. Elaborada por Tálisson Sinésio.


idente

Rua Bóris

Silva

ilgu

eira

s

ão L o

pes

ra F

04. Retirada de estacionamentos na área de praça e reformulação da mesma.

06. Preservação de massa vegetal consolidada em centro de quadra.

MOBILIDADE

arro

s

07. Aplicação dos princípios do Traffic Calming na rua Governador Sampaio

arço

08. Instalação de bicicletários.

25 d

eM

INFRAESTRUTURA

Rua

09. Restauro da Escola Jesus, Maria e José, transformando-a em um centro de profissionalização. 10. Abertura de via para gerar fluxo facilitado no sentido oeste-leste

08 A v. Sa ntos Dum ont

11. Construção de túnel para gerar fluxo facilitado no sentido leste-oeste

CULTURA

08

el

12. Estimular a existência de eventos temporários de pequeno e médio porte no local.

Rua

anu

02

Fran k

lin T ávor a

06

ATRATIVIDADE 13. A zona residencial deverá funcionar como um atrativo que estimule o início de uma rehabitação do centro. 14. Reafirmar atratividades já existentes

eira to Mad

in

Rua P Rua

Dom

Ped ro

I

Mapa 41. Diretrizes para trecho 06 Realizado pela autora

SUSTENTABILIDADE 05. Aumentar a área da Praça dos Voluntários ao englobar trechos das ruas que a delimitam e que deverão ser arborizados.

ta B

Rua 06

Pere i

. Jo

02

13

Madureira

05

Cos

02. Incentivar e estimular o uso residencial, destinado a diferentes camadas da sociedade, com térreo ativo.

CAMINHABILIDADE

09

01

Rua Sena

Rua do Rosário

il

ra

02

Bezerr

Pere i

08

eneral

Ped ro

Rua G

Barr oso

10

mpaio

rato

Rua Edgar Borges

Rua

02

Rua

01.Retirada do comércio atacadista.

03. Criação de uma zona residencial que atenda diferentes perfis econômicos e sociais.

Dep

Eu

Rua

Flor

03

06

Libe

Rua

rnador Sa

Rua

02

z

ezer ril eral B Rua

iano

cha

07

12

to

Rua

Rua e Ro

02

Rua Gove

herm

11

14

Peix o

Sen Rua Guil

14

Gen

o Maj or F acu nd

Pau lo

Barã o do

São

Rio

Pom peu

Bran co

08

PLANEJAMENTO URBANO

IDENTIDADE

Rua

r

izeu

Rua

04

nca

Ferr a

r Ale

Cel.

ado

Rua São José

Rua

ado r

Sen

Av. Con de d ’

Rua

Rua

Rua Afonso V

R

r

Alenca

gelo Rua Pedro Ân

no de ua Rufi

o

0

50

100

150 m

Pontos de ônibus

Linhas de ônibus

Vias de pedestres propostas

Vias reformuladas

Vias de pedestres existentes

Eixos de conexão leste oeste

Mapa 41. Diretrizes para trecho 06

Mor eira

Caste N lo Bra nc

mM

tro e

oão

Av. Pr es

Av. D o

Cas

Gen eral S

Rua

Dr. J

Rua Baturité

amp aio

Rua


4.6 Sistema viário e transportes

Para melhorar as condições de urbanidade da área de intervenção e garantir a possibilidade de um caminhar agradável, serão propostas algumas alterações de desenho urbano de certas vias da área do projeto. As mudanças poderão ser adotadas em outras áreas do bairro e até mesmo da cidade de Fortaleza, tendo em vista que seus objetivos gerais são de garantir prioridade, segurança, e conforto ao pedestre, dar infraestrutura necessária para a segurança do ciclista, reduzir as áreas destinadas aos veículos, sejam elas de estacionamento ou de circulação e arborizar com espécies nativas sempre que possível.

Além destas mudanças, está prevista a criação de um eixo de conexão leste-oeste, oeste-leste que atravesse a área de intervenção e facilite o fluxo de veículos, diminuindo o congestionamento atual. Para a criação deste eixo, será necessária, em primeiro momento, a abertura de uma nova via que faça a conexão direta entre a Rua São Paulo e a Av. Santos Dumont, fazendo a conexão no sentido oeste-leste. Em um segundo momento, deverá ser construído um túnel que conecte a rua Costa Barros com a rua Senador Alencar, que será responsável pela conexão no sentido contrário, leste-oeste. Este túnel possibilitaria que quem se aproxima do Centro pela Costa Barros e atualmente é obrigado a contornar a Catedral e continuar pela Rua Dr. João Moreira, possa prosseguir diretamente, diminuindo a incidência de veículos no entorno da catedral e na rua Dr. João Moreira, reforçando características de traffic calming (ver detalhes 01 e 02 no mapa 42). Vias de pedestre: É proposto o uso exclusivo dos pedestres nas seguintes vias ou trechos de vias: Trecho da rua Major Facundo situado entre a Praça do Ferreira e o Passeio Público; Travessa Pará, que delimita, atualmente, a Praça do Ferreira ao Norte; Via que delimita, atualmente, a Praça do

sistema viário e transportes

As vias que passarão por remodelação terão três perfis diferentes, sendo eles: as vias de exclusivas pedestres propostas, nas quais nem mesmo ciclofaixas estão previstas e pedalar ao longo destas deve ser proibido, sendo preferível usar vias paralelas para tal circulação; e vias reformuladas, que podem ser vias de pedestre com ciclofaixa ou vias mistas, com fluxo de veículos motorizados (ver mapa 42).

183


Ferreira ao sul; trecho da rua Sen. Almir Pinto, entre a Av. Conde d’Eu e a rua Governador Sampaio; rua Perboyre e Silva, em sua totalidade; Trechos das ruas General Bezerril e Rua do Rosário, situados entre as ruas Perboyre e Silva e Pedro Pereira. Reformulação Viária: Os trechos viários que passarão por reformulação do desenho urbano farão parte das seguintes vias (ver mapa 42): Av. Almirante Tamandaré, Av. Pessoa Anta, rua Almirante Jaceguai, rua Rufino de Alencar, rua Sobral, rua São José, rua Governador Sampaio, Av. Alberto Nepomuceno, Av. Conde d’Eu, rua Sena Madureira, rua Dr. João Moreira, rua General Bezerril, rua Floriano Peixoto, rua Pinto Madeira e Av. Visconde do Rio Branco. Valendo ressaltar que a rua Rufino de Alencar será a única a excluir o fluxo de veículos motorizados, sendo transformada em uma via de pedestres com ciclofaixa. Todas serão arborizadas quando possível (ver seção transversal das principais vias nas páginas 186 a 192). Transportes: Serão criadas duas linhas circulares de ônibus que facilitem a locomoção na área de intervenção e estimulem a utilização do transporte público devido sua qualidade e praticidade. O tempo de espera dos usuários não poderá ultrapassar dez minutos. circulares:

A seguir, um esquema dos pontos de parada destas linhas Seminário da Prainha

Justiniano de Serpa

Dom Manuel Parque Pajeú

Senador Alminio

Museu do Ceará Praça do Ferreira

Teatro São José Praça do Sagrado Coração de Jesus

Dragão do Mar

Praça do Sagrado Coração de Jesus

Dragão do Mar Faculdade de Direito

Mercado Central Seminário da Prainha

Museu do Ceará Passeio Público

Teatro São José

Faculdade de Direito

Metrô São Benedito

Figura 52. Pontos de parada das linhas propostas. Praça José Praça da Elaborada pela autora. de Alencar Estação

Praça do Praça da Ferreira Estação

Parque da Criança

Mercado Central Catedral

Praça José de Alencar

Praça do Sagrado Coração de Jesus

Dragão do Mar

Mercado Central

184

Justiniano de Serpa

Praça do Sagrado Coração de Jesus

Dragão do Mar

sistema viário e transportes

Metrô São Benedito

Dom Manuel Catedral Parque Praça da PajeúPraça José de Alencar Estação

Senador Alminio

Parque da Criança

Mercado Central

Passeio Público

Praça José de Alencar Praça da Estação


DETALHE 02: ESQUEMA DA CONEXÃO VIÁRIA LESTE-OESTE Rua São José

N

Rua Barão do Rio Branco

Rua Costa Barros

Conexão direta entra a Rua Costa Barros e a Rua Senador Alencar por meio da construção de um túnel.

DETALHE 01: ESQUEMA DE ABERTURA DE NOVA VIA - CONEXÃO OESTE-LESTE Rua Gov. Sampaio Rua Cel. Ferraz

Rua Visc. Sabóia

Av. Santos Dumont

Abertura de via pra conectar a Rua São Paulo e a Av. Santos Dumont através da Rua Visconde Sabóia. Criando eixo de conexão no sentido oeste-leste.

DETALHE 03: SENTIDO DO FLUXO GERAL DAS LINHAS DE ÔNIBUS

Mapa 42. Diretrizes para trecho 06 Realizado pela autora

Pontos de ônibus

Linhas de ônibus

Vias de pedestres propostas

Eixos de conexão leste oeste

Vias de pedestres existentes

Possíveis estacionamentos

Vias reformuladas

Serão criadas duas linhas circulares de ônibus com sentidos opostos de tráfego.

0

125

250

375

500 m

N

Mapa 42. Sistema viário e transporte

Rua Senador Alencar


N

Localização das seções transversais das vias: A

A

B

B C

C

H

G D

F H

F

G

E

I I

J

D

E J

L L K

K

N N

O

O

M

M

P

0

125

250

375

500 m

P

Mapa 43. Localização das seções viárias Elaborado pela autora


s a

SEÇÃO AA - Rua Almirante Tamandaré

30 Km/h

1.60

1.10

6.00

PASSEIO

1.10

FAIXA CARROÇÁVEL DE MÃO DUPLA

VEGETAÇÃO

2.40

11.50

CICLOVIA

ESC.: 1/200

CALÇADÃO ARBORIZADO

VEGETAÇÃO

Figura 53. Seção AA Elaborada por Jéssica Chaves Editado pela autora

SEÇÃO BB - Rua Almirante Tamandaré

30 Km/h

2.00

3.20

PASSEIO

FAIXA CARROÇÁVEL SENTIDO SUL-NORTE

5.70

3.20

VAGAS

FAIXA CARROÇÁVEL SENTIDO NORTE-SUL

1.10

2.40

6.00

CICLOVIA

ESC.: 1/200

CALÇADÃO

VEGETAÇÃO

Figura 54. Seção BB Elaborada por Jéssica Chaves Editado pela autora

40 Km/h

4.40 PASSEIO

1.20 1.10 CICLOVIA VEGETAÇÃO

3.00 FAIXA CARROÇÁVEL SENTIDO OESTE-LESTE

0.80 CANT. CENTRAL

6.00 FAIXA CARROÇÁVEL SENTIDO LESTE-OESTE

1.10 1.20

3.70

CICLOVIA

ESC.: 1/200

PASSEIO

VEGETAÇÃO

Figura 55. Seção CC Elaborada por Jéssica Chaves Editado pela autora

sistema viário e transportes

SEÇÃO CC - Av. Pessoa Anta

187


SEÇÃO DD - Rua Almirante Jaceguai

30 Km/h

10.80

1.10

CALÇADÃO ARBORIZADO

VEGETAÇÃO

6.00 FAIXA CARROÇÁVEL SENTIDO SUL-NORTE

1.10

1.20

1.20

VEGETAÇÃO

ESC.: 1/200

PASSEIO

CICLOVIA

Figura 56. Seção DD Elaborada por Jéssica Chaves Editado pela autora

SEÇÃO EE - Rua Rufino de Alencar

12.00

ESC.: 1/200

RUA PARA PEDESTRES COM CICLOFAIXA

Figura 57. Seção EE Elaborada por Jéssica Chaves Editado pela autora

sistema viário e transportes

SEÇÃO GG - Rua Dr. João Moreira (antes da Major Facundo)

188

5.46

3.00

CALÇADÃO

FAIXA CARROÇÁVEL SENTIDO LESTE-OESTE

1.50

ESC.: 1/200

1.20 CICLOVIA

VEGETAÇÃO

PASSSEIO

PRAÇA DO PASSEIO PÚBLICO

Figura 58. Seção GG Elaborada por Jéssica Chaves Editado pela autora


ESC.: 1/200

CALÇADÃO ARBORIZADO

CICLOVIA

1.20

SEÇÃO FF - Av. Alberto Nepomuceno

sistema viário e transportes

Figura 59. Seção FF Elaborada por Jéssica Chaves Editado pela autora

189

6.15 FAIXA CARROÇÁVEL SENTIDO NORTE-SUL

CANT. CENTRAL

0.80

Km/h

30

FAIXA CARROÇÁVEL SENTIDO SUL-NORTE

6.00

1.20 CICLOVIA

3.00 FAIXA PARA EMBARQUE, DESEMBARQUE E TAXI

9.50 CALÇADÃO ARBORIZADO


SEÇÃO HH - Rua Dr. João Moreira (depois da Major Facundo)

2.53 PASSEIO

1.10

6.00

VEGETAÇÃO

1.20

FAIXA CARROÇÁVEL SENTIDO LESTE-OESTE

ESC.: 1/200

4.80

CICLOVIA

PASSEIO

Figura 60. Seção HH Elaborada por Jéssica Chaves Editado pela autora

SEÇÃO II - Rua Major Facundo

12.00

ESC.: 1/200

VIA EXCLUSIVA DE PEDESTRE

Figura 61. Seção II Elaborada por Jéssica Chaves Editado pela autora

sistema viário e transportes

SEÇÃO JJ - Rua General Bezerril (próximo ao Raimundo do Queijo)

190

2.40

1.20

3.00

2.30

PASSEIO

CICLOVIA

FAIXA CARROÇÁVEL SENTIDO NORTE-SUL

PASSEIO

ESC.: 1/200

Figura 62. Seção JJ Elaborada por Jéssica Chaves Editado pela autora


SEÇÃO KK - Rua General Bezerril (próximo ao Museu do Ceará)

3.50

1.20

3.00

2.50

1.60

ESC.: 1/200

CICLOFAIXA

PASSEIO

VAGAS PARA FAIXA PASSEIO ESTACIONAMENTO CARROÇÁVEL SENTIDO NORTE-SUL

Figura 63. Seção KK Elaborada por Jéssica Chaves Editado pela autora

SEÇÃO LL - Av. Conde d’Eu (próximo ao BNB Cultural)

5.36 PASSEIO

1.10

1.20 CICLOFAIXA

VEGETAÇÃO

3.80

6.00

3.00

VAGAS PARA ESTACIONAMENTO

FAIXA CARROÇÁVEL SENTIDO NORTE-SUL

PASSEIO

ESC.: 1/200

Figura 64. Seção LL Elaborada por Jéssica Chaves Editado pela autora

5.00 PASSEIO

1.10

1.20 CICLOVIA

VEGETAÇÃO

3.00 FAIXA CARROÇÁVEL SENTIDO NORTE-SUL

2.50

ESC.: 1/200

PASSEIO

Figura 65. Seção MM Elaborada por Jéssica Chaves Editado pela autora

sistema viário e transportes

SEÇÃO MM - Rua Sena Madureira

191


SEÇÃO NN - Rua Floriano Peixoto (trechos antes/depois da Praça do Ferreira)

3.00

3.00

PASSEIO

1.20

FAIXA CARROÇÁVEL SENTIDO SUL-NORTE

1.10

ESC.: 1/200

4.50

CICLOVIA

PASSEIO

VEGETAÇÃO

Figura 66. Seção NN Elaborada por Jéssica Chaves Editado pela autora

SEÇÃO OO - Rua Floriano Peixoto (trecho da Praça do Ferreira)

4.20 PRAÇA DO FERREIRA

FAIXA CARROÇÁVEL SENTIDO SUL-NORTE

3.30

1.20

1.10

3.00

CICLOVIA VAGAS PARA VEGETAÇÃO ESTACIONAMENTO

ESC.: 1/200

PASSEIO

Figura 67. Seção OO Elaborada por Jéssica Chaves Editado pela autora

sistema viário e transportes

SEÇÃO PP - Rua Governador Sampaio

192

5.14

1.20

PASSEIO

CICLOVIA

1.10 VEGETAÇÃO

3.50

2.00

FAIXA CARROÇÁVEL SENTIDO NORTE-SUL

PASSEIO

ESC.: 1/200

Figura 68. Seção PP Elaborada por Jéssica Chaves Editado pela autora


4.7 Percursos temáticos

Cidade da Criança

Praça dos Voluntários da Pátria Igreja do Rosário

Praça dos Leões

Praça José de Alencar Rua Guilherme Rocha

Sobrado Dr. José Lourenço

Teatro José de Alencar

Igreja do Patrocínio

Mercado Central

Percurso comercial

Cine Teatro São Luís

Praça do Ferreira

Rua Liberato Barroso

Mercado São Sebastião

Feijoada do Passeio

Percurso de áreas verdes e praças Percurso gastronômico Percurso cultural e arquitetônico

Passeio Público

Como forma de atrair novas pessoas e fazer com que as pessoas que já conhecem o Centro possam, por ventura, vir a conhecer um ou outro ponto do local que ainda não haviam descoberto, serão delineados percursos temáticos dentro da área de intervenção, que poderão ser expandidos ao longo de toda a cidade. Estes percursos acompanham linhas pintadas no chão, que guiam o transeunte até a próxima atração, permitindo que ele possa caminhar sem mapa ou preocupações, estando atento para o que está acontecendo no seu entorno. Sendo muito importante para passeios escolares e turísticos, além de poder servir como referência. Este tipo de percurso já existe em algumas cidades do mundo, entre elas a cidade de Nantes, na França, onde a “ligne verte” segue por todos os pontos principais da cidade, como museus, principais faculdades,

percursos temáticos

Figura 69. Esquema de um dos pontos de convergência dos percursos Elaborada pela autora

195


Figura 70. A “Lingne Verte” de Nantes, na França Foto: acervo pessoal

Figura 71. exemplo de desenho possível Fonte: http://www.paperblog.fr Acessado em novembro de 2015

praças, galerias de arte, memoriais, monumentos, parques, exposições temporárias, entre outros (ver figura 57). Os percursos aqui propostos terão quatro temas diferentes: gastronomia; arquitetura e cultura; comércio; e praças e áreas verdes (ver figura 59). Nos pontos em que duas ou mais linhas destes percursos se encontram, deverá haver, também no chão, uma sinalização de convergência destes percursos, conforme aponta o esquema da figura 56.

percursos temáticos

Além disto, esta linha pode ser interrompida ou desviada por desenhos, no próprio chão ou em edificações, remetendo ao lúdico e possibilitando novas descobertas ao longo dos trajetos (ver figura 58).

196


Gastronomia Raimundo dos Queijos

Mercado Central

Estoril

Bexiga Feijoada do Passeio

Feira Gastronômica

Mercado São Sebastião

Leão do Sul

Comércio Monsenhor Mercado Feira da Tabosa Central José Avelino

Pequenas Confecções

Entorno Catedral

Entorno da Praça José de Alencar

EMCETUR

Sebos da Praça dos Rua Liberato Barroso Leões

Entorno da Praça do Ferreira

Rua Guilherme Rocha

Mercado São Sebastião

Rua General Sampaio

Praças e Áreas Verdes Extensão Praça Praça do Praça da Praça Praça da Praça da Praça dos Waldemar Praça dos Parque Coração de Almirante Paço Falcão Voluntários Pajeú Jesus Estação Lagoinha Leões Saldanha Municipal da Sé

Beira Mar Praça do Praça Cristo da Sé Redentor

Passeio Público

Praça Praça do Largo da Largo do Parque da Praça Praça do José de Ferreira Assembléia Mercado Liberdade Figueira de Carmo Alencar Melo

Arquitetura e Cultura Sobrado Caixa Biblioteca Mercado Museu da Santa EMCETUR Dr. José Cine Teatro Lourenço São Luís Cultural Municipal Catedral Central Indústria Casa

Estação Praça do Praça José Dragão Teatro Centro Museu da Passeio Teatro do Mar São José Cultural BNB Cidade Público Carlos João Felipe Ferreira de Alencar Câmara

Teatro José IPHAN de Alencar

Igreja do Palácio Museu do Pequeno Grande Ceará da Luz

Parque da Liberdade

Igreja do Carmo

Igreja do Igreja do Praça dos Igreja do Escola Colégio Patrocínio Rosário Leões Jesus Maria Justiniano Sagrado José de Serpa Coração de Jesus Figura 72. Esquema dos pontos dos percursos temáticos Elaborada pela autora

percursos temáticos

Estoril

197


Capítulo 05

Citação O caminhar condiciona a vista e a vista condiciona o caminhar a tal ponto que parece que apenas os pés podem ver Ribert Smithson 198


Projeto

5.1 Apresentação e Pranchas

Neste capítulo serão apresentadas as pranchas do projeto Centro Convida. São 13 pranchas que apresentam os seguintes conteúdos: Prancha 01 – Macrolocalização Prancha 02 – Contextualização Prancha 03 – MasterPlan Prancha 04 – Setorização Prancha 05 – Zona de transição Prancha 06 – Trecho 01 Prancha 07 – Trecho 02 Prancha 08 – Trecho 03 Prancha 09 – Trecho 04 Prancha 10 – Trecho 05 Prancha 11 – Trecho 06 Prancha 12 – Sistema viário e transportes Prancha 13 – Mobiliário Prancha 14 – Mobiliário

199


nte C

aste

lo Br

anco

Av. Duqu e

de Caxia

s

ar

ira M

e Av. B

Manue l

side

Av. Santo

s Dumon

t

O bairro Centro contém a origem da cidade de Fortaleza, fazendo parte do roteiro turístico e possuindo diversas edificações relevantes. ESQUEMA DE SETORIZAÇÃO

D Av.

Av. Dom

Av. P re

iog uin

CAUCAIA

ho

BR 222 RIO MARANGUAPINHO

CE 065

A rodoviária de Fortaleza, situada a 3km do centro da cidade, tem um fluxo de aproximadamente 8000 passageiros por dia.

FORTALEZA

O aeroporto internacional de Fortaleza, situado a 10km do centro da cidade, teve, em 2014, um fluxo de 6,5 milhões de passageiros.

RIO COCÓ

O Rio Cocó e o Rio Maranguapinho são os principais rios que atravessam a cidade.

CE 060

Principais rodovias do Ceará, com acesso estadual e nacional

01/14

Fortaleza é uma cidade de aproximadamente 2,5 milhões de habitantes, distribuídos em 314km² de território. A cidade faz fronteira com os seguintes municípios da Região Metropolitana: Caucaia, Maracanaú, Pacatuba, Itaitinga, Eusébio e Aquiraz.

Trabalho Final de Graduação Bárbara Lins e Nascimento

MAPA DE MACROLOCALIZAÇÃO

OCEANO ATLÂNTICO

PRANCHA 01 - Macrolocalização

N

CE 040

MARACANAÚ

EUSÉBIO

PACATUBA

0

2.5

5

7.5

10

Km

ITAITINGA

CE 025

AQUIRAZ

Universidade Federal do Ceará - Centro de Tecnologia Departamento de Arquitetura e Urbanismo

BR 116


01

22 21

20

23

02

16 19 17

18

14

03 15

04

14 50

13

25

49

24 26

45 44

43

05

47

12

06

46 48

11

27

09

42

10

07

28 29

08 30

31

40

32

37

35

34 33

36

38

39

41

01 Caixa Cultural 02 Porto Iracema das Artes 03 Dragão do Mar 04 Teatro São José 05 Seminário da Prainha 06 Mercado dos Pinhões 07 Colégio Militar 08 Praça da Bandeira 09 Colégio Justiniano de Serpa 10 Colégio Imaculada Conceição 11 Igreja do Pequeno Grande 12 Paço Municipal 13 Catedral 14 Praça da Sé 15 Mercado Central 16 Forte de Nossa Senhora da Assunção 17 Museu da Cidade 18 Museu da Indústria 19 Passeio Público 20 Santa Casa 21 ENCETUR 22 Estação João Felipe 23 Praça da Estação 24 Igreja do Patrocínio 25 Praça da Lagoinha 26 Praça José de Alencar 27 Teatro José de Alencar 28 Mercado São Sebastião 29 Praça Paula Pessoa 30 Paróquia de São Benedito 31 Praça Metrô São Benedito 32 Vila das Artes 33 Caixas d’água do Benfica 34 Faculdade de Direito UFC 35 Praça Clóvis Beviláqua 36 Instituto Dr. José Frota 37 Instituto do Ceará 38 Igreja do Carmo 39 Igreja do Sagrado Coração de Jesus 40 Parque da Criança 41 Parque Pajeú 42 Praça dos Voluntários da Pátria 43 Praça do Ferreira 44 Cine Teatro São Luís 45 Museu do Ceará 46 Praça dos Leões 47 Igreja do Rosário 48 Palácio da Luz 49 BNB cultural 50 Sobrado Dr. José Lourenço

O centro é um dos bairros que apresenta maior utilização de suas praças.

Área onde predomina o uso comerciail, com baixo índice de habitações.

0

250

500

750

1000 m

Área com maior presença de edificações do tipo habitação.

02/14 Trabalho Final de Graduação Bárbara Lins e Nascimento

Equipamentos importantes e atrativos, além de pontos de referência.

PRANCHA 02 - Contextualização

MAPA DE CONTEXTUALIZAÇÃO

Universidade Federal do Ceará - Centro de Tecnologia Departamento de Arquitetura e Urbanismo

N


RUA ALMIRANTE TAMANDARÉ

N i

30

40

Km/h

Km/h

0

2.5

5

7.5

10 m

0

2.5

5

7.5

10 m

0

2.5

5

7.5

03/14

AV. PESSOA ANTA

RUA DR. JOÃO MOREIRA

10 m

RUA MAJOR FACUNDO

M 2.5

5

7.5

E

E

10 m

SINAL PARA PEDESTRE COM PASSAGEM A NÍVEL i

S

i

TRAVESSIA EM “X” SINAL PARA PEDESTRE COM PASSAGEM A NÍVEL

i

i

M

E E

RUA RUFINO DE ALENCAR i S

M

PADRONIZAÇÃO DE MOBILIÁRIO

S

E

i 0

i

CAMELÔS ORDENADOS

E

E

5

7.5

10 m

PRESERVAR ÁREA RESIDENCIAL

E S

2.5

i

RUA GOVERNADOR SAMPAIO E

i

M

E

S

MASTERPLAN Paradas de ônibus

M Estações de metrô Estações do bicicletar E

S i

Estacionamentos Acrescimo à área de praça Nós de atividade Sanitários Informações

Zona de Transição Bicicletário Eixos Viários Praças e vias de pedestre Túnel Nova via

5

7.5

10 m

SINAL PARA PEDESTRE COM PASSAGEM A NÍVEL

E

Linhas de ônibus

2.5

i

M Rios Seção viária

0

CENTRO COMERCIAL, EMPRESARIAL E FINANCEIRO

E E

SINAL PARA PEDESTRE COM PASSAGEM A NÍVEL

PRESERVAÇÃO DE VILA 0

125

250

375

500 m

Universidade Federal do Ceará - Centro de Tecnologia Departamento de Arquitetura e Urbanismo

0

i

Trabalho Final de Graduação Bárbara Lins e Nascimento

i

PRANCHA 03 - MasterPlan

S


N

04/14

SETORIZAÇÃO DA ÁREA DE INTERVENÇÃO

05

01 04

03

05 01

Trecho 01 - Entorno e área de influência do Passeio Público e da Praça da Estação.

Trecho 02 - Entorno e área de influência da Praça do Ferreira e da Praça José de Alencar.

04 Trecho 03 - Entorno e área de influência do Parque da Criança e do Parque Pajeú.

02

06

Trecho 04 - Entorno e área de influência do Mercado Central, da Catedral, do Paço Municipal e da Praça do Cristo Redentor.

Trabalho Final de Graduação Bárbara Lins e Nascimento

06

PRANCHA 04 - Setorização

02

Trecho 06 - Área de conexão entre os demais trechos.

03 Zona de Transição - Área estratégica para amortização, distribuição e orientação dos fluxos de entrada e saída da área do projeto.

MAPA DE SETORIZAÇÃO

0

125

250

375

500 m

Universidade Federal do Ceará - Centro de Tecnologia Departamento de Arquitetura e Urbanismo

Trecho 05 - Entorno e área de influência do Dragão do Mar e da Caixa Cultural.


05/14 E

Estacionamentos situados longo da Zona de Transição.

ao

Mobiliário urbano padronizado nas vias que estão inseridas na Zona de Transição.

Reformulação, redução da velocidade das vias e aplicação de princípios do Traffic Calming. Rua mais calma e agradável para todos.

Aumento da cobertura vegetal, sempre que possível, ao longo das vias inseridas na Zona de Transição.

Estímulo a criação de um centro empresarial, comercial e financeiro, distribuído ao longo de suas vias.

Aplicação de mecanismo restauração de fachadas edifícios de maior escala.

de de

Trabalho Final de Graduação Bárbara Lins e Nascimento

PRINCIPAIS DIRETRIZES

PRANCHA 05 - Zona de Transição

N

Instalação de sanitários públicos, bicicletários e tótens de localização.

Incentivo à presença de intervenções artísticas nas áreas públicas presentes. PLANTA DA ZONA DE TRANSIÇÃO Pontos de ônibus Linhas de ônibus Possíveis estacionamentos 0

125

250

375

500 m

Universidade Federal do Ceará - Centro de Tecnologia Departamento de Arquitetura e Urbanismo

Passagem de pedestre a nível.


ESQUEMA 01: PERFIL DA AV. ALBERTO NEPOMUCENO

ESQUEMA 02: PLANTA DA AV. ALBERTO NEPOMUCENO

Criação do Museu da Cidade, com grande praça voltada para a Av. Alberto Nepomuceno. Km/h

Área reservada especiais.

para

N

Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção

30

ESQUEMA DE SETORIZAÇÃO

06/14

Criação de parque conectando o Centro com o litoral.

Diferentes Níveis

01

projetos 0

2.5

5

7.5

10 m

Ciclovia

Ne p

04 Av .A

lbe

rto

Mercado Central

0

05

10

Passagem a nível 20 m

RUA DR. JOÃO MOREIRA ATUALMENTE

02

03

Ciclofaixas instaladas para estimular e dar infraestrutura para o uso de modais alternativos de transporte.

01

Passagem de pedestre a nível. 50

100

150

200 m

ESQUEMA 03: PERFIL DA RUA DR. JOÃO MOREIRA

Praça da Estação funcionando como praça e proporcionando opção de lazer, comércio e atratividade.

ESQUEMA 04: PROPOSTA DE PARQUE N

Ocenao Atlântico

Instalação de sanitários públicos, bicicletários, tótens de localização e centro de informação turística. Respeito e valorização da importância histórica do local. Com novos usos às edificações subutilizadas sem alterar o gabarito geral do entorno.

0

2.5

5

7.5

RUA DR. JOÃO MOREIRA PROPOSTA

Novo parque para a cidade

10 m

ESQUEMA 05: PLANTA DA RUA DR. JOÃO MOREIRA Santa Casa

Arborização da rua Dr. João Moreira, da Praça da Sé e do entorno da Catedral, criando um corredor ecológico que se conecta com o Paço Municipal. Redução da velocidade da via e aplicação de princípios do Traffic Calming. Rua mais calma e agradável para todos.

Ciclovia Bicicletário

Passeio Público

N

Passeio Público

Passagem a nível Rua Dr. João Moreira Rua Major Facundo 0

10

20 m

Ambulantes

0

50

100 m

Museu da Indústria

Museu da Cidade

Universidade Federal do Ceará - Centro de Tecnologia Departamento de Arquitetura e Urbanismo

0

PRANCHA 06 - Trecho 01

om uc

en

o

PLANTA DO TRECHO 01

Trabalho Final de Graduação Bárbara Lins e Nascimento

Extensão da Praça da Sé

N


ESQUEMA 02: PLANTA DA PRAÇA DO FERREIRA

(na altura da Praça do Ferreira)

ESQUEMA DE SETORIZAÇÃO N

Ciclovia Rua

2.5

5

7.5

me

Bancas de jornal

Roc

ha

10 m

Praça do Ferreira

Arborização e reformulação da rua Floriano Peixoto e das Praças da Lagoinha, José de Alencar e do Ferreira.

Passagem de pedestre a nível

no P eixo

Vagas de estacionamento

Rua F

loria

Leão do Sul

to

Coluna da hora

02

RUA RUA PERBOYRE E SILVA ATUALMENTE

N

(próximo à Praça do Ferreira e da rua Liberato Barroso)

0

25

50 m

03

04

Ordenamento dos vendedores ambulantes e camelôs presentes no local. 02 Estimulo ao uso misto garantindo o baixo gabarito do entorno das praças e de edificações arquitetonicamente relevantes.

01

PLANTA DO TRECHO 02

Trabalho Final de Graduação Bárbara Lins e Nascimento

0

lher

PRANCHA 07 - Trecho 02

Redução da velocidade da via e aplicação de princípios do Traffic Calming. Rua mais calma e agradável para todos.

Gui

07/14

ESQUEMA 01: PERFIL DA RUA FLORIANO PEIXOTO

Ciclofaixas instaladas para estimular e dar infraestrutura para o uso de modais alternativos de transporte.

Instalação de sanitários públicos, bicicletários, tótens de localização e centro de informação turística.

Estimular o uso misto, com a presença de comércio, habitação e novas opções de lazer, divertimento e cultura.

0

50

100

150

200 m

N

Camelôs

ESQUEMA 03: PERFIL DA RUA FLORIANO PEIXOTO

Quiosque com área de estar

(antes/depois da Praça do Ferreira)

Rua Área de estar

Pastelaria Leão do Sul funcionando em quiosque dentro da Praça do Ferreira.

RUA RUA PERBOYRE E SILVA PROPOSTA

ESQUEMA 04: PLANTA DA RUA GUILHERME ROCHA

0

2.5

5

7.5

10 m

0

2.5

5

7.5

10 m

Guilh

erme

Roch

a

Universidade Federal do Ceará - Centro de Tecnologia Departamento de Arquitetura e Urbanismo

Acesso direto ao Jardim do Teatro José de Alencar durante o funcionamento do mesmo.


Zona de Transição, considerada importante, no projeto, para quem vem de outros bairros e se aproxima do Centro.

Ciclofaixas instaladas para estimular e dar infraestrutura para o uso de modais alternativos de transporte.

Controle da quantidade de gatos existentes nas praças e que, em grandes quantidades, ameaçam outras espécies e o equilíbrio do ecossistema

03 N

CIDADE DA CRIANÇA ATUALMENTE

08/14

ESQUEMA DE SETORIZAÇÃO

Trabalho Final de Graduação Bárbara Lins e Nascimento

Estimulo a criação de uma nova zona residencial no bairro.

PRANCHA 08 - Trecho 03

Redução da velocidade da via e aplicação de princípios do Traffic Calming. Rua mais calma e agradável para todos.

Instalação de sanitários públicos, bicicletários, tótens de localização e centro de informação. CIDADE DA CRIANÇA COM NOVOS USOS Criação e divulgação de uma programação voltada ao público infantil.

Estimulo ao uso misto garantindo o baixo gabarito do entorno das praças e de edificações arquitetonicamente relevantes. Aumento da área da Praça do Sagrado Coração de Jesus ao englobar trecho da rua Jaime Benévolo à sua área, recebendo maior arborização.

Reformulação da Cidade da Criança, destinando, novamente, o parque ao uso infantil e familiar. PLANTA DO TRECHO 03 0

50

100

150

200 m

Instalação de um restaurante no local, possibilitando uma maior permanência das famílias na praça.

Universidade Federal do Ceará - Centro de Tecnologia Departamento de Arquitetura e Urbanismo

Preservação da tipologia de vila de casas existente.


Instalação de sanitários públicos, bicicletários, tótens de localização e centro de informação.

E

01

Criação de um corredor ecológico conectando o Paço Municipal ao Passeio Público.

Redução da velocidade da via e aplicação de princípios do Traffic Calming. Rua mais calma e agradável para todos.

Retirada do estacionamento e das grades que cercam, atualmente, a Catedral de Fortaleza. Além disso, as ruas que delimitam a Catedral deverão ser reformuladas, criando um espaço compartilhado entre pedestre, ciclistas e veículos motorizados.

ESQUEMA 02: PLANTA DA RUA RUFINO DE ALENCAR N

ufino

Rua R

Aumento da área da Praça da Sé ao englobar trecho da rua General Bezerril à sua área, recebendo maior arborização.

ncar

de Ale

Rua

cen

o

ESQUEMA 01: PLANTA DO ENTORNO DA CATEDRAL

Ciclovia Dr.

Joã

Ciclovia

oM

Ne

200 m

ore

ira

N

Mercado Central

rto

150

lbe

100

RUA RUFINO DE ALENCAR ATUALMENTE

Av. A

50

Construção de estacionamento seguindo as diretrizes da Zona de Transição Recuperação do Riacho Pajeú e transformação do Paço Municipal em um Centro de Educação e Conscientização Ecológica.

Manter e estimular o uso predominantemente residencial da área .

Área compartilhada com mesma nivelação de piso

Ciclovia Praça da Sé

Rua C e Si astro lva

Ciclovia

10

20 m

Dragão do Mar

ESQUEMA 04: PERFIL DA RUA RUFINO DE ALENCAR

0

2.5

5

7.5

10 m

Ciclovia Ciclovia

Av. Monsenhor Tabosa 0

Av. D Man om uel

0

Faixa de pedestre em ‘X’

25

50 m

Seminário da Prainha

Paço Municipal

25

50

75

100 m

Rua São José

Praça do Cristo Redentor

Ciclovia

N

nador Rua Gover Sampaio

Av. Pres id Castelo ente Branco

Ciclovia

R Maua S du ena rei ra

0

Catedral

ESQUEMA 03: PLANTA DO CRUZAMENTO ENTRE AV. MONSENHOR TABOSA E RUA ALMIRANTE JACEGUAI

Ciclovia

Rua Alm ira Jacegua nte i

0

Trabalho Final de Graduação Bárbara Lins e Nascimento

02

04

RUA RUFINO DE ALENCAR PROPOSTA

PRANCHA 09 - Trecho 04

Restauro e adequação do monumento da Praça do Cristo Redentor, possibilitando o acesso dos visitantes ao mirante.

Universidade Federal do Ceará - Centro de Tecnologia Departamento de Arquitetura e Urbanismo

das já

03

04

09/14

N

ESQUEMA DE SETORIZAÇÃO

mu

Garantir a permanência atividades comerciais realizadas no local.

Restauro do Teatro São José e criação de uma programação para o mesmo, tornando o local em mais uma opção de lazer.

PLANTA DO TRECHO 04

po

Controle da quantidade de gatos existentes nas praças e que, em grandes quantidades, ameaçam outras espécies e o equilíbrio do ecossistema

Ciclofaixas instaladas para estimular e dar infraestrutura para o uso de modais alternativos de transporte.


ESQUEMA 01: PERFIL DA RUA ALMIRANTE TAMANDARÉ

10/14

(próximo à Rua dos Tabajaras)

PLANTA DO TRECHO 05

05

30 Km/h

0

2.5

5

7.5

10 m

Trabalho Final de Graduação Bárbara Lins e Nascimento

Instalação de equipamentos de lazer para atender, em partes, a demanda da Comunidade do Poço da Draga. 04

ESQUEMA 02: PLANTA DO ENTORNO DA PRAÇA ALMIRANTE BARROSO

Reformulação, redução da velocidade da via e aplicação de princípios do Traffic Calming. Rua mais calma e agradável para todos.

Rua Almirante Tamandaré

N

Ciclofaixas instaladas para estimular e dar infraestrutura para o uso de modais alternativos de transporte.

01

E

05

Retirada de estacionamento, aumentando a área útil da praça e permitindo maior arborização.

RUA ALMIRANTE TAMANDARÉ ATUALMENTE

Ciclovia Ponto de ônibus

Aumento da cobertura vegetal do trecho como um todo, principalmente na praça e nas vias existentes.

02

Passagem a nível

Caixa Cultural

Ciclovia

ta

oa An Av. Pess

Instalação de sanitários públicos, bicicletários, tótens de localização e centro de informação. Estimulo ao uso misto, com a presença de comércio, habitação e novas opções de lazer, divertimento e cultura.

Rua Almirante Jaceguai

Passagem a nível

Praça Almirante Barroso

Dragão do Mar

Ciclovia

RUA ALMIRANTE TAMANDARÉ PROPOSTA

03 Reformulação viária com a criação de um calçadão, dando continuidade a promenade. 0

50

100

150

(próximo ao Dragão do Mar)

30

5

ESQUEMA 04: PERFIL DA RUA ALMIRANTE TAMANDARÉ

(próximo à Caixa Cultural)

30

Km/h

2.5

25

50

75

100 m

200 m

ESQUEMA 03: PERFIL DA RUA ALMIRANTE JACEGUAI

0

0

7.5

10 m

ESQUEMA 05: PERFIL DA AV. PESSOA ANTA

40

Km/h

Km/h

0

2.5

5

7.5

10 m

0

2.5

5

PRANCHA 10 - Trecho 05

Conexão do Centro com a Beira Mar de Fortaleza, ligando duas promenades e criando uma área caminhável contínua. N

ESQUEMA DE SETORIZAÇÃO

7.5

10 m

Universidade Federal do Ceará - Centro de Tecnologia Departamento de Arquitetura e Urbanismo

Garantia da permanência dos atuais habitantes.


ESQUEMA DE SETORIZAÇÃO

N

Construção de um túnel conectando as ruas Costa Barros e Senador Alencar.

06

Preservação da vegetação existente no centro das quadras.

Área de estar

Abertura de via permitindo a conexão direta entre a rua São Paulo e a Av. Santos Dumont

0

Restauro da Escola Jesus Maria e José transformando-a em um centro profissionalizante.

5

10 m

ESQUEMA 02: PERFIL DA RUA MAJOR FACUNDO

RUA MAJOR FACUNDO ATUALMENTE

Reformulação, redução da velocidade da via e aplicação de princípios do Traffic Calming. Rua mais calma e agradável para todos. 0

Aumento da área da Praça dos Voluntários ao englobar trechos das ruas que a delimitam à sua área, podendo receber maior arborização.

PLANTA DO TRECHO 06 0

100

200

300

5

7.5

10 m

ESQUEMA 03: PLANTA DA RUA GOVERNADOR SAMPAIO N

400 m

Ciclovia

ESQUEMA 05: PERFIL DA RUA SENA MADUREIRA

ESQUEMA 06: PERFIL DA RUA GOV. SAMPAIO

Bicicletário

m rnador Sa Rua Gove

ESQUEMA 04: PLANTA DA PRAÇA DOS VOLUNTÁRIOS

2.5

N

Camelôs

e e Silva Rua Perboyr

RUA MAJOR FACUNDO PROPOSTA

paio

Praça dos Voluntários da Pátria

0

2.5

5

7.5

10 m

ESQUEMA 07: PERFIL DA RUA GEN. BEZERRIL

elcio Rua H 0

25

50 m

0

2.5

5

7.5

10 m

0

5

Canteiro

10 m

ESQUEMA 09: PERFIL DA AV. CONDE D’EU

ESQUEMA 08: PERFIL DA RUA GEN. BEZERRIL

ento

Nascim

0

2.5

5

7.5

10 m

0

2.5

5

7.5

10 m

PRANCHA 11 - Trecho 06

Retrirada do comércio atacadista do local e estímulo a criação de uma zona habitacional que busque atender a demanda de diversos perfis da sociedade.

Trabalho Final de Graduação Bárbara Lins e Nascimento

Camelôs

0

2.5

5

7.5

10 m

Universidade Federal do Ceará - Centro de Tecnologia Departamento de Arquitetura e Urbanismo

N

11/14

ESQUEMA 01: PLANTA DA RUA MAJOR FACUNDO

Instalação de sanitários públicos, bicicletários e de tótens de localização.

Transformação de trechos viários em vias exlusivas de pedestre.


Rua São José

12/14

ESQUEMA 01: CONEXÃO VIÁRIA LESTE-OESTE

Rua Costa Barros

Conexão direta entra a Rua Costa Barros e a Rua Senador Alencar por meio da construção de um túnel.

ESQUEMA 02: ABERTURA DE NOVA VIA - CONEXÃO OESTE-LESTE Rua Gov. Sampaio Rua Cel. Ferraz

Rua Visc. Sabóia

Av. Santos Dumont

Abertura de via pra conectar a Rua São Paulo e a Av. Santos Dumont através da Rua Visconde Sabóia. Criando eixo de conexão no sentido oeste-leste.

ESQUEMA 03: SENTIDO DO FLUXO GERAL E PARADAS DAS LINHAS DE ÔNIBUS

Serão criadas duas linhas circulares de ônibus com sentidos opostos de tráfego. PLANTA DE ALTERAÇÕES VIÁRIAS E DE TRANSPORTE Pontos de ônibus Vias de pedestres propostas Vias de pedestres existentes Vias reformuladas

Praça do Sagrado Coração de Jesus

Praça José de Alencar

Linhas de ônibus

Parque da Criança

Praça da Estação

Eixos de conexão leste oeste

Catedral

Possíveis estacionamentos 0

125

250

375

500 m

Praça da Estação

Mercado Central

Museu do Ceará

Praça do Ferreira

Dragão do Mar

N

Justiniano de Serpa

Seminário da Prainha

Senador Alminio

Teatro São José

Dragão do Mar

Parque Pajeú

Dom Manuel

Mercado Central

Passeio Público

Faculdade de Direito

Praça do Sagrado Coração de Jesus

Praça José de Alencar

Metrô São Benedito

PRANCHA 12 - Sistema viário e Transportes

Rua Senador Alencar

Universidade Federal do Ceará - Centro de Tecnologia Departamento de Arquitetura e Urbanismo

Rua Barão do Rio Branco

Trabalho Final de Graduação Bárbara Lins e Nascimento

N


13/14 Trabalho Final de Graduação Bárbara Lins e Nascimento

VISTA DE ÁREA DE ESTAR PROTEGIDA POR CARAMANCHÃO

VISTA DE BICICLETÁRIO VISTA DE BANCOS

VISTA DE ÁREA DE ESTAR DE CARÁTER TEMPORÁRIO

VISTA E PLANTA DE SANITÁRIOS ADAPTADOS EM MÓDULOS

PRANCHA 13 - Mobiliário

VISTA DE TABLADO PARA SENTAR

Universidade Federal do Ceará - Centro de Tecnologia Departamento de Arquitetura e Urbanismo

VISTA DE BANCOS CURVOS EM CONCRETO


14/14 Trabalho Final de Graduação Bárbara Lins e Nascimento

VISTA DE MÓDULO DE PONTO DE INFORMAÇÃO TURÍSTICA

PRANCHA 14 - Mobiliário

VISTA DE CARAMANCHÃO

VISTA DE BANCOS GIRATÓRIOS

VISTA DE TÓTEM INFORMATIVO

VISTA DE BANCOS PROTEGIDOS POR CARAMANCHÃO

VISTA DE BICILETÁRIO SIMPLES

VISTA DE MOBILIÁRIO DIVERSIFICADO PARA SENTAR

VISTA DE BANCO PARA ÁREAS DE POUCO TEMPO DE PERMANÊNCIA

Universidade Federal do Ceará - Centro de Tecnologia Departamento de Arquitetura e Urbanismo

VISTA DE LIXEIRA DE COLETA SELETIVA


Capítulo 06

A rua, que eu acreditava fosse capaz de imprimir à minha vida giros surpreendentes, a rua, com as suas inquietações e os seus olhares, era o meu verdadeiro elemento: nela eu recebia, como em nenhum outro lugar, o vento da eventualidade André Breton

228


Considerações finais e Referências Bibliográficas

6.1 Conclusão Fortaleza, atualmente, sofre com problemas urbanos e metropolitanos presentes em quase todas as grandes cidades brasileiras. Falta de segurança, poluição, abandono de regiões, ocupações irregulares, desastres ambientais e espraiamento urbano são apenas alguns destes

Figura 73. Rua Dr. João Moreira Elaborada por Yuka Ogawa

229


Figura 74. Rua Rufino de Alencar Elaborada por Yuka Ogawa

problemas que, em sua grande maioria, decorrem da má gestão pública, da corrupção, dos interesses corporativos, da falta de representatividade e organização da sociedade civil, da falta de planejamento, de educação e de civilidade. Estes problemas acabam gerando cidades cada vez menos humanas e menos convidativas para o convívio e a socialização.

conclusão

As cidades precisam se tornar, cada vez mais, territórios dinâmicos, com usos variados, com mobilidade adequada e diversificada e com infraestrutura, criando um espaço mais democrático para a população, que passa a ter a possibilidade de experimentar e vivenciar as cidades que habitam.

230

Buscando contribuir diretamente para uma mudança na relação das pessoas com o território, o projeto aqui proposto se dedicou a tratar dos espaços públicos urbanos que, em sua grande maioria, encontram-se negligenciados desocupados e esquecidos, as ruas. Objetivando a criação de um ambiente mais humano e sociável, que reforce noções de vida comunitária, convívio social, pertencimento e identidade e que seja capaz de aproveitar todas as potencialidades presentes.


Destaca-se, também, neste trabalho, o alcance positivo das diretrizes propostas. Esta intervenção, que não possui público alvo, tem caráter universal por ser destinada a população de maneira geral, em seus diversos perfis. Trata de uma tipologia aberta, livre e sem obstáculos que atende diversas necessidades humanas, tornando-se, também, um local de encontro, proporcionando civilidade, segurança, conveniências, qualidade de vida e melhorias ecológicas, afetando diretamente a saúde pública a educação e a mobilidade do bairro e da cidade. Além dos objetivos diretos, este trabalho, mais do que um projeto em si, deve servir de inspiração para a aplicação de princípios humanistas em outras áreas da cidade e que, estas mudanças possam transformar Fortaleza, como um todo, em uma cidade mais sustentável, ecológica, agradável, democrática e diversificada.

Figura 75. Av. Almirante Tamandaré Elaborada por Clarisse Figueiredo


6.2 Bibliografia

ALEXANDER, C.; ISHIKAWA, S.; SILVERSTEIN, M. A pattern language: Towns, buildings, construc tion. New York: Oxford University Press, 1977. ANDRADE, Beatriz Rodrigues. Urbanidade: o uso do código da forma como alternativa para o Centro de Fortaleza. 2013. 228 f. Trabalho Final de Graduação – Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, CE, 2013. ANTP, Associação Nacional de Transportes Públicos. Sistema de informação da mobilidade urbana: relatório geral 2013 - Sistema de Informações da Mobilidade Urbana da ANTP. Junho 2015. BARROSO, Gustavo. À margem da história do Ceará. Rio-São Paulo-Fortaleza: FUNCET. 2004. 420 p. BECK, Robert. La promenade urbaine au XIX siècle. Annales de Bretagne et des Pays de l’Ouest. França, junho, 2009. Volume 116, volume 2. p. 165-190. CAMPOS FILHO, Cândido Malta. Reinvente seu bairro: caminhos para você participar do planejamento de sua cidade. São Paulo. Editora 34, 2003. 224 p. CAPELO, José; Garcia, Lidia Samiento. Guia Arquitetônico: Fortaleza Centro. 1ª edição. Fortaleza, 2006. CARERI, Francesco (2003). Walkscapes: o caminhar como prática estética. 1.ed. São Paulo. G. Gili, 2013. 191 p. CARVALHO, Beatriz Falleiros Rodrigues. Caminhar na cidade, experiência e representação nos caminhares de Richard Long e Francis Alÿs; depoimentos de uma pesquisa poética. 2007. 247 f. Dissertação (mestrado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, 2007. CRIVELLI VISCONTI, Jacopo. Caminhar para lembrar. Bel Falleiros e a retomada da prática das derivas. Drops, São Paulo, ano 14, n. 076.02, Vitruvius, jan. 2014. <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/ drops/14.076/5007>.

bibliografia

DIAS, Fabiano. O desafio do espaço público nas cidades do século XXI. Arquitextos, São Paulo, ano 06, n. 061.05, Vitruvius, jun. 2005 <http:// www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/06.061/453>.

232

DIÓGENES, B. H. N. A dinâmica do espaço intraurbano de Fortaleza e a formação de “novas centralidades”. Anais XI Encontro Nacional da ANPUR, Salvador, 2005. Disponível em: <http://www.anpur.org.br>


Acesso em 04 de setembro de 2015. FAURY, M. L. Michaelis: dicionário escolar francês: francêsportuguês, português- francês. 2ª ed. São Paulo. Editora Melhoramentos, 2009. FERNANDES, F. R. C. Transformações espaciais no Centro de Fortaleza: estudo crítico das perspectivas de renovação urbana. 2004. 102p. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente). PRODEMA- Universidade Federal do Ceará. Fortaleza, 2004. FERREIRA, A. B. H. Miniaurelio: o dicionário da Língua Portuguesa. 6ª. ed. rev. Rio de Janeiro. Positivo, 2005. FORTALEZA, Prefeitura. Fundação de Desenvolvimento Habitacional de Fortaleza. Plano habitacional para reabilitação da área central de Fortaleza. Fortaleza, junho de 2009. FORTALEZA, Prefeitura. Secretaria Municipal de Cultura de Fortaleza. Proteção de conjunto urbano centro histórico Fortaleza Ceará dez 2013. Fortaleza, 2013. GEHL, Jan. Cidades para pessoas. Tradução Anita Di Marco. 2ª ed. São Paulo. Editora Perspectiva, 2013. 262 p. GUATELLI, Igor. Arquitetura dos entre-lugares sobre a importância do trabalho conceitual. São Paulo. Editora Senac, 2012. INSTITUTO PÓLIS. Moradia é Central: inclusão, acesso e direito à cidade – Fortaleza. São Paulo, 2009. 22 p. JACOBS, Jane. Morte e vida de grandes cidades. 3ª ed. São Paulo. Editora WMF Martins Fontes, 2011. 510 p. JACQUES, Paola Berenstein. Elogio aos errantes. Breve histórico das errâncias urbanas. Arquitextos, São Paulo, ano 05, n. 053.04, Vitruvius, out. 2004 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/ arquitextos/05.053/536>. JACQUES, Paola Berenstein. Errâncias Urbanas: a arte de andar pela cidade, Breve histórico das errâncias urbanas. Arqtexto, Porto Alegre, RS, 2005. Volume 7. p. 16-25 KELLER, A. J. Michaelis: dicionário escolar alemão: alemãoportuguês, português-alemão. 2ª ed. São Paulo. Editora Melhoramentos, 2009.

LOPES DIAS, Tiago. Quem me conheço não tem ruas por onde passe. A experiência da velocidade: do boulevard ao ciberespaço. Arquitextos, São Paulo, ano 11, n. 132.08, Vitruvius, jun. 2011 <http://www.

bibliografia

LEITE, Carlos; Awad J. C. M. Cidades sustentáveis, cidades inteligentes: Desenvolvimento sustentável num planeta urbano. Porto Alegre, Bookman, 2012. 264 p.

233


vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/11.132/3883>. MASSAGLI, Sérgio Roberto. O homem da multidão e o flâneur no conto “o homem da multidão” de Edgard Allan Poe. Terra roxa e outras terras, revista de estudos literários. Londrina, junho, 2008. Volume 12. p. 55-65. MOEHLECKE, Vilene. Corpos da cidade: territórios experimentações. Arqtexto. Porto Alegre, 2005. Volume 7. p. 60-73.

e

NETTO, Raymundo. Centro: o “coração mal-amado. Coleção pajeú. Fortaleza. Secultfor, 2014. 192 p. PASSOS, F.; GOUVÊA, M.; TOSTI, R.; POLITO, R. O novo Flâneur: Personagem da Era Moderna, o flâneur incita o pensamento urbano contemporâneo. Revista eclética. Rio de Janeiro, 2003. Volume 17. p. 6-10. PAVLICK, Mariana. Políticas para a recuperação de áreas em cidades latino-americanas. Estudo de caso: São Paulo, Santiago do Chile e Buenos Aires. 2010. 225 p. Tese (mestrado arquitetura e urbanismo) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo. São Paulo. 2010. POLITO, A. G. Michaelis: dicionário escolar italiano: italianoportuguês, português-italiano. 2ª ed. São Paulo. Editora Melhoramentos, 2009. PUBLICATION, Loft. La ville aujourd’hui, nouvelles tendances en urbanisme. Paris. Éditions Place des Victoires, 2012. RIBEIRO, C. G. A cidade pelos olhos de Charles Baudelaire e Mário de Andrade. Anais do XV congresso nacional de linguística e filologia. Cadernos do CNLF, Vol. XV nº 5. Rio de Janeiro: CiFEFiL, 2011. RIO, João. A alma encantadora das ruas. Rio de Janeiro. Organização Simões. 1952 ROGERS, Richard & GUMUCHDJIAN, Philip. Cidades para um pequeno planeta. Barcelona: Gustavo Gili, 2001. SÃO PAULO. Prefeitura Municipal. Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano. Centro Aberto. Experiências na Escala Humana. São Paulo. Abril de 2015. 76p. SOUZA, Célia Ferraz de. O espaço e a sensibilidade dos Cidadãos. Arqtexto, Porto Alegre, RS, 2003. Volume 3-4. p. 72-83

bibliografia

SPACES, Project for public. Street as places: using streets to rebuild communities. New York. 2008.

234


6.3 Anexos

ANEXO I

Zona de ocupação preferencial 1 (ZOP 1)

Definição

Objetivos

Caracteriza-se pela disponibilidade de infraestrutura e serviços urbanos e pela presença de imóveis não utilizados e subutilizados; destinando-se à intensificação e dinamização do uso e ocupação do solo. I - Possibilitar a intensificação do uso e ocupação do solo e a ampliação dos níveis de adensamento construtivo, condicionadas à disponibilidade de infraestrutura e serviços e à sustentabilidade urbanística e ambiental; II - implementar instrumentos de indução do uso e ocupação do solo, para o cumprimento da função social da propriedade; III incentivar a valorização, a preservação, a recuperação e a conservação dos imóveis e dos elementos característicos da paisagem e do patrimônio histórico, cultural, artístico ou arqueológico, turístico e paisagístico; IV - prever a ampliação da disponibilidade e recuperação de equipamentos e espaços públicos; V - prever a elaboração e a implementação de planos específicos, visando à dinamização socioeconômica de áreas históricas e áreas que concentram atividades de comércio e serviços; VI - promover a integração e a regularização urbanística e fundiária dos núcleos habitacionais de interesse social existentes; VII - promover programas e projetos de habitação de interesse social e mercado popular.

anexos

índice de aproveitamento básico: 3,0; índice de aproveitamento máximo: 3,0; índice de aproveitamento mínimo: 0,25; taxa de permeabilidade: 30%; Parâmetros taxa de ocupação: 60%; urbanísticos taxa de ocupação de subsolo: 60%; altura máxima da edificação: 72m; área mínima de lote: 125m2; testada mínima de lote: 5m; profundidade mínima do lote: 25m.

236


Zona de ocupação preferencial 2 (ZOP 2) Definição

Objetivos

Parâmetros urbanísticos

Caracteriza-se pela disponibilidade parcial de infraestrutura e serviços urbanos e áreas com disponibilidade limitada de adensamento; destinando-se à intensificação condicionada da ocupação do solo. I - possibilitar a intensificação do uso e ocupação do solo e a ampliação dos níveis de adensamento construtivo, condicionadas à disponibilidade de infraestrutura e serviços urbanos e à sustentabilidade urbanística e ambiental; II - recuperar, para a coletividade, a valorização imobiliária decorrente de investimentos públicos; III – implementar instrumentos de indução ao uso e ocupação do solo; IV prever a ampliação da disponibilidade e recuperação de equipamentos e espaços públicos; V - promover a integração e a regularização urbanística e fundiária dos núcleos habitacionais de interesse social existentes. índice de aproveitamento básico: 2,0; índice de aproveitamento máximo: 3,0; índice de aproveitamento mínimo: 0,2; taxa de permeabilidade: 30%; taxa de ocupação: 60%; taxa de ocupação de subsolo: 60%; altura máxima da edificação: 72m; área mínima de lote: 125m2; testada mínima de lote: 5m; profundidade mínima do lote: 25m.

Zona da orla (ZO) Definição

Caracteriza-se por ser área contígua à faixa de praia, que por suas características de solo, aspectos paisagísticos, potencialidades turísticas, e sua função na estrutura urbana, exige parâmetros urbanísticos específicos.

Parâmetros urbanísticos

índice de aproveitamento básico: 2,0; índice de aproveitamento máximo: 2,0; índice de aproveitamento mínimo: 0,25; taxa de permeabilidade: 25%; taxa de ocupação: 60%; taxa de ocupação de subsolo: 60%; altura máxima da edificação: 48m.

anexos

A Zona da Orla está dividida em 7 (sete) trechos: I - Barra do Ceará/Pirambu; II - Jacarecanga/Moura Brasil; III - Praia de Iracema; IV - Meireles/Mucuripe; V – Iate Clube; VI - Cais do Porto; VII - Praia do Futuro.

237


Zonas especiais de preservação do patrimônio paisagístico, histórico, cultural e arqueológico (ZEPH)

Definição

Objetivos

São áreas formadas por sítios, ruínas, conjuntos ou edifícios isolados de relevante expressão arquitetônica, artística, histórica, cultural, arqueológica ou paisagística, considerados representativos e significativos da memória arquitetônica, paisagística e urbanística do Município. I - preservar, valorizar, monitorar e proteger o patrimônio histórico, cultural, arquitetônico, artístico, arqueológico ou paisagístico; II – incentivar o uso dessas áreas com atividades de turismo, lazer, cultura, educação, comércio e serviços; III - estimular o reconhecimento do valor cultural do patrimônio pelos cidadãos; IV - garantir que o patrimônio arquitetônico tenha usos compatíveis com as edificações e paisagismo do entorno; V - estimular o uso público da edificação e seu entorno; VI - estabelecer a gestão participativa do patrimônio.

Os parâmetros urbanísticos para as Zonas Especiais de Preservação do Patrimônio Paisagístico, Histórico, Cultural e Arqueológico (ZEPH) não foram definidos pelo PDP-FOR (LEI 062 - 2009). Sendo necessária a implementação de uma Parâmetros lei complementar para tal definição. urbanísticos Deverão ser previstos, para as Zonas Especiais de Preservação do Patrimônio Paisagístico, Histórico, Cultural e Arqueológico (ZEPH), planos específicos para conservação, restauração ou reabilitação.

anexos

Zonas especiais de dinamização urbanística e socioeconômica (ZEDUS)

238

Definição

São porções do território destinadas à implantação e/ou intensificação de atividades sociais e econômicas, com respeito à diversidade local, e visando ao atendimento do princípio da sustentabilidade.

Objetivos

I - promover a requalificação urbanística e a dinamização socioeconômica; II - promover a utilização de terrenos ou glebas considerados não utilizados ou subutilizados para a instalação de atividades econômicas em áreas com condições adequadas de infraestrutura urbana e de mobilidade; III - evitar os conflitos de usos e incômodos de vizinhança; IV - elaborar planos e projetos urbanísticos de desenvolvimento socioeconômico, propondo usos e ocupações do solo e intervenções urbanísticas com o objetivo de melhorar as condições de mobilidade e acessibilidade da zona.


Zonas especiais de interesse social

Definição

São porções do território, de propriedade pública ou privada, destinadas prioritariamente à promoção da regularização urbanística e fundiária dos assentamentos habitacionais de baixa renda existentes e consolidados e ao desenvolvimento de programas habitacionais de interesse social e de mercado popular nas áreas não edificadas, não utilizadas ou subutilizadas, estando sujeitas a critérios especiais de edificação, parcelamento, uso e ocupação do solo.

Tipos

As Zonas Especiais de Interesse Social se subdividem nas seguintes categorias: I - Zonas Especiais de Interesse Social 1 (ZEIS 1) - presente no Centro de Fortaleza; II – Zonas Especiais de Interesse Social 2 (ZEIS 2) - não presente no Centro de Fortaleza; III - Zonas Especiais de Interesse Social 3 (ZEIS 3) - não presente no Centro de Fortaleza.

Objetivos ZEIS 1

Critérios ZEIS 1

I - efetivar o cumprimento das funções sociais da cidade e da propriedade urbana; II - promover a regularização urbanística e fundiária dos assentamentos ocupados pela população de baixa renda; III - eliminar os riscos decorrentes de ocupações em áreas inadequadas; IV - ampliar a oferta de infraestrutura urbana e equipamentos comunitários, garantindo a qualidade ambiental aos seus habitantes; V promover o desenvolvimento humano dos seus ocupantes. São critérios para o reconhecimento de uma área como ZEIS 1: I - ser a ocupação predominantemente de população de baixa renda (serão consideradas como população de baixa renda as famílias com renda média não superior a três salários mínimos); II - estar a ocupação consolidada há, no mínimo, 5 (cinco) anos, contados até a publicação da lei 062 - 2009 (PDP FOR); III - ter uso

anexos

Composição ZEIS 1

Compostas por assentamentos irregulares com ocupação desordenada, em áreas públicas ou particulares, constituídos por população de baixa renda, precários do ponto de vista urbanístico e habitacional, destinados à regularização fundiária, urbanística e ambiental.

239


predominantemente residencial; IV - ser passível de regularização fundiária e urbanística. Fica vedado o remembramento de lotes, que resulte em área maior que 150m², para o uso residencial unifamiliar. Instrumentos passíveis de aplicação em cada zona ZOP I, ZOP II e Zona da Orla: I - parcelamento, edificação e utilização compulsórios; II - IPTU progressivo no tempo; III – desapropriação mediante pagamento por títulos da dívida pública; IV - direito de preempção; V - direito de superfície; VI transferência do direito de construir; VII - operação urbana consorciada; VIII – consórcio imobiliário; IX - estudo de impacto de vizinhança (EIV); X - estudo ambiental (EA); XI - Zona Especial de Interesse Social (ZEIS); XII instrumentos de regularização fundiária; XIII - outorga onerosa de alteração de uso. ZEPH: I - direito de preempção; II - direito de superfície; III - tombamento; IV - transferência do direito de construir; V - estudo de impacto de vizinhança (EIV); VI - estudo ambiental (EA). ZEDUS: I - parcelamento, edificação e utilização compulsórios; II - IPTU progressivo no tempo; III - desapropriação com títulos da dívida pública; IV - estudo de impacto de vizinhança (EIV); V - estudo ambiental (EA); VI - instrumentos de regularização fundiária; VII - direito de preempção; VIII - direito de superfície; IX - operação urbana consorciada; X – consórcio imobiliário; XI - outorga onerosa do direito de construir. ZEIS 1: I - concessão de uso especial para fins de moradia; II usucapião especial de imóvel urbano; III - concessão de direito real de uso; IV - autorização de uso; V - cessão de posse; VI - plano integrado de regularização fundiária; VII - assistência técnica e jurídica gratuita; VIII direito de superfície; IX - direito de preempção.

anexos

Principais estratégias previstas no PDP FOR para o centro de fortaleza

240

Art. 43 - São ações estratégicas da política de proteção do patrimônio cultural de interesse artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico: VIII - estimular a preservação e utilização de imóveis representativos da memória da cidade, mediante incentivos fiscais, instrumentos urbanísticos e apoio técnico especializado; XI - desenvolver


planos, programas e projetos de intervenções nas Zonas Especiais de Preservação do Patrimônio Cultural de interesse artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico (ZEPH), a fim de atender o objetivo destas zonas especiais; XII - garantir a participação da comunidade na política cultural do Município; XIII - elaborar o plano do centro da cidade de proteção do patrimônio cultural de interesse artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico; XVIII - implantar o Museu da Cidade de Fortaleza; Art. 51 - São ações estratégicas da política de desenvolvimento econômico: IX - fortalecer economicamente o Centro de Fortaleza com apoio a atividades educacionais e culturais, tais como escolas de artes, universidades, centros culturais, e criação de núcleos de inovação em serviços de tecnologia de informação; X – definir área para transferência do mercado atacadista de Fortaleza, favorecendo seu fortalecimento e consolidação dentro dos limites do município; XI - desenvolver estudos técnicos para a delimitação das Zonas Especiais de Dinamização Urbanística e Socioeconômica (ZEDUS); Art. 54 - São ações estratégicas da política de turismo: VI - priorizar os investimentos de infraestrutura turística nas seguintes áreas do Município: a) Barra do Ceará; b) Centro; c) Praia de Iracema; d) Beira Mar; e) Morro de Santa Teresinha; f) Praia do Futuro; g) unidades de conservação; h) Messejana; i) Grande Parangaba; j) Benfica; l) l) Lagoa Redonda.

anexos

VII - desenvolver e implementar um plano turístico do Centro de Fortaleza articulado às políticas dos diversos órgãos da administração pública municipal;

241


anexos

ANEXO II

242


243

anexos


244

anexos


245

anexos


ANEXO III Instrumentos previstos pelo Estatuto da Cidade: Parcelamento, edificação ou utilização compulsórios Passível de aplicação nos imóveis não edificados, compostos apenas pela terra nua; não utilizados, que são os abandonados e não habitados; e subutilizados, que são os imóveis cujo aproveitamento seja inferior ao mínimo definido em lei. Uma vez instituído para determinado imóvel, o proprietário fica obrigado a dar uma utilização efetiva e adequada ao bem num determinado prazo. IPTU progressivo no tempo Permite que o Município aumente progressivamente, ao longo dos anos, a alíquota do IPTU para aqueles imóveis cujos proprietários não obedecerem aos prazos fixados para o parcelamento, edificação ou utilização compulsórios. É uma maneira de penalizar a retenção do imóvel para fins de especulação da valorização imobiliária, fazendo com que essa espera, sem nenhum benefício para a cidade, se torne inviável economicamente. Desapropriação com pagamentos em títulos O Poder Público Municipal pune o proprietário que não deu a seu imóvel a função social estabelecida no Plano Diretor. Na desapropriação para fins de reforma urbana o pagamento é realizado por meio de títulos da dívida pública, resgatáveis num prazo de dez anos. Usucapião especial de imóvel urbano Garante ao possuidor de imóvel urbano de até 250 m², que não tem outro imóvel e que ainda não foi beneficiado pelo instrumento, a aquisição da propriedade. Para tanto, o possuidor deve ainda demonstrar que ocupa o imóvel há cinco anos, sem oposição, e que utiliza o imóvel para sua moradia.

anexos

Direito de superfície

246

Com o direito de superfície, cria-se uma separação entre a propriedade do terreno e o direito de usar a superfície deste terreno. Por meio do contrato que institui o direito de superfície, o Poder Público mantém a propriedade do terreno público, mas pode conceder ao morador o direito de construir sua residência, vendê-la sob certas condições ou transmiti-lo por herança, dando toda a garantia para que ele exerça seu direito de moradia. Mas como mantém a propriedade do terreno, pode


também impedir que este imóvel seja adquirido por alguém que lhe dê uma destinação diferente daquela para a qual o direito foi instituído (moradia de população de baixa renda, por exemplo), evitando a expulsão dos moradores por algum segmento social com maior poder econômico. Direito de preempção Garante ao Poder Público Municipal a preferência para adquirir imóveis que estejam sendo alienados. O proprietário que deseja vender seu imóvel deverá primeiramente comunicar ao poder público que, se desejar, poderá comprar o bem nas condições apresentadas pela oferta feita por terceiro. Outorga onerosa do direito de construir Remete ao pincípio de Solo Criado, introduzido no Brasil na década de 1970. Vê-se, pois, que o conceito de Solo Criado pressupõe que o direito de propriedade engloba o direito de construir, mas este último é limitado pelo coeficiente único ou básico de aproveitamento. Ou seja, o direito do proprietário de edificar está restrito ao coeficiente único ou básico definido no Plano Diretor. Qualquer edificação acima desse coeficiente somente será permitida em áreas predefinidas e mediante uma contrapartida paga ao Poder Público municipal. Operações urbanas consorciadas A ideia básica do instrumento está na transformação de uma determinada área da cidade, sob o comando do Poder Público municipal, para a concretização de objetivos e ações estabelecidos no Plano Diretor, por meio da parceria com o setor privado. Transferência do direito de construir Tem como finalidade assegurar o aproveitamento econômico de um bem ao proprietário de imóvel situado em área onde houve limitações ao direito de construir. Tais limitações podem ocorrer nos casos em que o Poder Público municipal, em prol do interesse público, limita a construção das edificações para a preservação de áreas ambientais e de especial interesse histórico, cultural, paisagístico ou social. Por meio deste instrumento, o proprietário pode exercer em outro local o direito de construir, seja em outro terreno de sua propriedade, seja transferindo ou alienando para um terceiro. Estudo de impacto de vizinhança

Fonte: Estatuto da Cidade 10 anos: avançar no planejamento e na gestão urbana

anexos

Esse instrumento dá, ao Poder Público, subsídios para decidir sobre a concessão da licença para realização de empreendimentos de grande impacto. Apresentado o EIV, o município pode conceder a licença para o empreendimento, negá-la ou ainda condicionar a licença à implementação de medidas de atenuação ou compensação do impacto.

247


6.4 Lista de Imagens

Figura 1. Menir da Meada

34

Figura 2. Cartaz de divulgação da primeira visita Dada

35

Figura 3. Visita a igreja Saint Julien le Pauvre

36

Figura 4. Guia psicogeográfico de Paris

37

Figura 5. Paris, jardim do Palais Royal em 1905

45

Figura 6. Centro de Fortaleza completamente vazio em dia não comercial

52

Figura 7. Place Kléber em Strasbourg, França

53

Figura 8. La Rambla em Barcelona

55

Figura 9. Olhos da rua

56

Figura 10. Utilização da Av. Beira Mar por volta das sete e meia da manhã

61

Figura 11. Fluxo de pedestres na rua General Sampaio, no centro de Fortaleza 62

listas

Figura 12. “Planta da Cidade da Fortaleza e Sobúrbios” elaborada por Adolfo Herbster em 1875. 66

248

Figura 13. Santa casa de Misericórdia e Passeio Público

67

Figura 14. Vista aérea do Centro de Fortaleza, sentido nordeste-sudoeste

85

Figura 15. Vista aérea do Centro de Fortaleza, sentido sudeste-noroeste

85

Figura 16. Estação Bicicletar

90

Figura 18. Obstrução de vendedores informais em via de pedestre 

104

Figura 17. Exemplo de calçada mal conservada 

104

Figura 19. Poluição visual causada pelos fios elétricos 

105

Figura 20. Poluição visual causada pelas propagandas comerciais 

105

Figura 21. Rua Governador Sampaio 

105

Figura 22. Calçada da rua Governador Sampaio 

106

Figura 23. Trechos de projeto

109

Figura 24. Área transitória

110

Figura 25. Área de permanência

110

Figura 26. Área de permanência

110

Figura 27. Projeto Centro Aberto

111

Figura 28. Projeto Recife Antigo de Coração

112

Figura 29. Projeto Recife Antigo de Coração

113


119

Figura 31. Esquema das diretrizes gerais de planejamento urbano.

123

Figura 32. Esquema das diretrizes gerais de identidade.

126

Figura 33. Esquema das diretrizes gerais de caminhabilidade.

127

Figura 34. Esquema das diretrizes gerais de sustentabilidade.

128

Figura 35. Esquema das diretrizes gerais de mobilidade.

130

Figura 36. Esquema das diretrizes gerais de infraestrutura.

131

Figura 37. Esquema das diretrizes gerais de cultura.

132

Figura 38. Esquema das diretrizes gerais de atratividade.

133

Figura 40. Rua Dr. João Moreira proposta.

150

Figura 39. Rua Dr. João Moreira Atualmente.

150

Figura 41. Rua Perboyre e Silva Atualmente.

156

Figura 42. Rua Perboyre e Silva proposta.

156

Figura 43. Cidade da Criança atualmente.

162

Figura 44. Cidade da Criança proposta.

162

Figura 46. Rua Rufino de Alencar proposta.

168

Figura 45. Rua Rufino de Alencar atualmente.

168

Figura 47. Rua Almirante Tamandaré atualmente.

174

Figura 48. Rua Almirante Tamandaré proposta.

174

Figura 49. Rua Major Facundo Atualmente.

180

Figura 51. Rua Major Facundo proposta.

180

Figura 50. Arborização proposta para a Rua Major Facundo.

180

Figura 52. Pontos de parada das linhas propostas.

184

Figura 53. Seção AA

187

Figura 54. Seção BB

187

Figura 55. Seção CC

187

Figura 57. Seção EE

188

Figura 58. Seção GG

188

Figura 56. Seção DD

188

Figura 59. Seção FF

189

Figura 62. Seção JJ

190

Figura 61. Seção II

190

Figura 60. Seção HH

190 listas

Figura 30. Logo conceitual do projeto

249


Figura 63. Seção KK

191

Figura 65. Seção MM

191

Figura 64. Seção LL

191

Figura 66. Seção NN

192

Figura 68. Seção PP

192

Figura 67. Seção OO

192

Figura 69. Esquema de um dos pontos de convergência dos percursos

195

Figura 70. A “Lingne Verte” de Nantes, na França

196

Figura 71. exemplo de desenho possível

196

Figura 72. Esquema dos pontos dos percursos temáticos

197

Figura 73. Rua Dr. João Moreira

229

Figura 74. Rua Rufino de Alencar

230

Figura 75. Av. Almirante Tamandaré

231

6.5 Lista de Mapas

Mapa 1. Localização de Fortaleza

61

Mapa 2. Localização do bairro Centro 

63

Mapa 3. Bairros limítrofes ao Centro de Fortaleza

63

Mapa 4. Regionais de Fortaleza

71

Mapa 5. Zoneamento Urbano do Centro de Fortaleza e entorno imediato

72

listas

Mapa 6. Zoneamento Ambiental e Zonas Especiais do Centro de Fortaleza e entorno imediato 73

250

Mapa 7. Praças adotadas pela iniciativa privada

76

Mapa 8. Bacias Hidrogáficas de Fortaleza

79

Mapa 9. Mapa de uso do pavimento térreo no Centro de Fortaleza

83

Mapa 10. Mapa de equipamentos públicos de Fortaleza por bairro

84

Mapa 11. Mapa de localização de praças do Centro

86

Mapa 12. Domicílios com abastecimento de água via rede geral

91

Mapa 13. Domicílios com esgotamento sanitário via rede geral

92


93

Mapa 15. Domicílios com energia fornecida pela Coelce

94

Mapa 16. Principais equipamentos do Centro

95

Mapa 17. Mapa de infraestrutura de transporte do Centro de Fortaleza

95

Mapa 18. Densidade populacional de Fortaleza

98

Mapa 19. Renda nominal mensal domicilar de Fortaleza

99

Mapa 20. Vínculos ativos de emprego por bairro de Fortaleza

100

Mapa 21. IDH por bairro de Fortaleza

100

Mapa 22. Classificação Viária

103

Mapa 23. Mapa psicogeográfico do Centro de Fortaleza

115

Mapa 24. Nós de atratividade do Centro de Fortaleza.

116

Mapa 25. Esquema conceitual da intervenção.

117

Mapa 26. Esquema geral da proposta

121

Mapa 27. Mapa da divisão dos trechos de intervenção

137

Mapa 28. Zona de transição

141

Mapa 29. Diretrizes para a zona de transição

145

Mapa 30. Localização do trecho 01 de intervenção

146

Mapa 31. Diretrizes para trecho 01

151

Mapa 32. Localização do trecho 02 de intervenção

153

Mapa 33. Diretrizes para trecho 02

157

Mapa 34. Localização do trecho 03 de intervenção

159

Mapa 35. Diretrizes para trecho 03

163

Mapa 36. Localização do trecho 04 de intervenção

165

Mapa 37. Diretrizes para trecho 04

169

Mapa 38. Localização do trecho 05 de intervenção

171

Mapa 39. Diretrizes para trecho 05

175

Mapa 40. Localização do trecho 06 de intervenção

177

Mapa 41. Diretrizes para trecho 06

181

Mapa 42. Diretrizes para trecho 06

185

Mapa 43. Localização das seções viárias

186

listas

Mapa 14. Domicílios com lixo coletado

251


6.6 Lista de Gráficos Gráfico 1. Viagens por ano, por modo principal em 2013

60

Gráfico 2. Quilometragem percorrida pelas pessoas por modo (bilhões de quilômetros/ano em 2013 60 Gráfico 3. Perfil dos usuários do Centro

101

6.7 Lista de Tabelas

Tabela 1. Relação entre número de viagens e quilômetros percorridos paca cada modal em 2013 60

listas

6.8 Lista de Pranchas

252

Prancha 01. Macrolocalização

201

Prancha 02. Contextualização

203

Prancha 03. Masterplan

205

Prancha 04. Setorização

207

Prancha 05. Zona de transição

209

Prancha 06. Trecho 01

211

Prancha 07. Trecho 02

213

Prancha 08. Trecho 03

215

Prancha 09. Trecho 04

217

Prancha 10. Trecho 05

219

Prancha 11. Trecho 06

221

Prancha 12. Sistema viário e transportes

223

Prancha 13. Mobiliário

225

Prancha 14. Mobiliário

227


Centro Convida - Proposta de desenvolvimento local sustentável para o Centro de Fortaleza - CE  

Trabalho Final de Graduação (TFG) - Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Ceará. Sob orientação do Prof. Dr. Marcondes...

Centro Convida - Proposta de desenvolvimento local sustentável para o Centro de Fortaleza - CE  

Trabalho Final de Graduação (TFG) - Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Ceará. Sob orientação do Prof. Dr. Marcondes...

Advertisement