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parque do cardoso programa vila viva - serra


parque do cardoso

Parque? Vai ter roda gigante? ¨Criança do grupo mirim de Educação Ambiental”. Parque tem que ter roda gigante. Se não tem brinquedo, não é parque. Ali no meio do esgoto e do lixo vai nascer um parque. O Parque do Cardoso. Vai ter roda gigante? Não. Não vai ter nenhum brinquedo. Vai ser um parque contemplativo... E fiquei eu contemplando, ali parado, aquelas crianças. Tentando explicar pra que diabos servia um parque contemplativo. Ali, bem na entrada do aglomerado, um parque fechado. Sempre fechado. O primeiro parque a ser feito. A vitrine da intervenção. Mas não pode tocar. Ninguém pode entrar. Só contemplar. Contemplar o quê? Preservar o quê? Um parque sem motivo aparente. Um parque sem ser parque, vale a pena chamar de parque? Pode até não ter roda gigante mas tem que ter brinquedo. Tem que ser divertido. Mesmo se for contemplativo, que seja bom só de olhar. Que diversão encontramos ali naquele lugar? Um canal que recebe três córregos. Encontramos um encontro de águas. Das águas do morro. Uma duas três. Primeira segunda e terceira Águas de Fátima. Um parque santuário. Um Santuário pra N. S. De Fátima. Nem tanto ao céu nem tanto ao inferno. Um parque para a água. Uma água que vai passar mais limpa. Uma não, três. Três águas que descem do morro. Um bom motivo de contemplação. Um bom motivo pra diversão. Com cores e flores. E ali no cantinho pode até caber uma capelinha. E que Nossa Senhora de Fátima nos abençoe.


Um Parque contemplativo sem acesso direto da população. Um Parque para ser visto e admirado de longe. Mas que mesmo longe cause emoção e desperte a curiosidade. Desperte o sentimento de próprio, de pessoal, de proximidade. Um espaço contemplativo, mas perto de todos. Perto de cada um. Um jardim, um quintal, um terreiro da casa de todos. Na vida de todos. Um projeto paisagístico que transforme um espaço degradado, desocupado, em um local de beleza e contemplação. Que requalifique o lugar, dê nome ao espaço. Dê qualidade, beleza, cor. Trabalhar com cores, com coleções de cores. Trabalhar com coleções de árvores de diferentes cores e tipos. Mas formando grupos, ilhas de cores. Ilhas amarelas. Vermelhas. Roxas. Brancas. Recuperar, formar, construir uma mata ciliar que proteja os cursos d' água e águas cada vez mais limpas do Aglomerado, mas uma mata ciliar que proteja, na história de cada cidadão, O direito a um espaço saudável, a um local agradável, a um grande jardim.

Proteger um curso d'água em solo urbano e principalmente em área de vilas e favelas tem um papel de capacitar a comunidade a reconhecer, a identificar, no espaço em que vive, um local mais saudável, resultado das obras estruturantes que estão sendo executadas.


O projeto paisagístico foi realizado em parceria com a FZB dentro da idéia original de ilhas ou maciços, formando blocos coloridos que respeitassem a relação ecológica entre as espécies escolhidas. O Parque, em função de já estar com seus limites definidos, inclusive com cercamento, tem sido já reconhecido e apropriado pela comunidade. Ali já foi realizado um grande evento comemorativo do Dia da Árvore em parceria com um Projeto Social do Parque das Mangabeiras(Projeto Meninos do Parque), onde foram plantadas duzentas mudas por crianças e moradores vizinhos ao parque. Formando um maciço heterogêneo mas bem denso de nativas de mata ciliar. Este trabalho tem sido mantido e realçado pela equipe ambiental com a execução de coroas e plantio de arbustos e folhagens definindo uma área e valorizando os indivíduos árboreos.

Olho dágua Xerófitas e Cactácea

Ilhas Amarelas Guapuruvu Ipê Tabaco da Mata Sibipiruna

Dia da àrvore Nativas Palmas

Ilhas Roxas Ipê Roxo Quaresmeira Sapucaia

Frutíferas

Arbustos Yucas

Ilhas Rosas Jacarandá de Espinho Ipê Bola Paineira

Taiobas


Mas parque tem que ter roda gigante... E a equipe ambiental, novamente integrada com as equipes social, de projetos e obras, realiza um levantamento das áreas remanescentes, resultantes de remoções de risco ou obras, no entorno do Parque e desenvolve projetos de ocupação destes locais. Mas um projeto onde todas as áreas tivessem uma ligação, uma unidade, uma linguagem explícita de comunicação entre cidade e vila, devido à localização do Parque. Foi então realizado um levantamento de possibilidades, de acordo com a disponibilidade e topografia destas áreas,mas acima de tudo compatibilizando com as demandas da comunidade, já conhecidas através do PGE, por equipamentos de lazer. O grande número de jovens moradores do Aglomerado(aproximadamente 30%, no caso específico da Vila do Cafezal 35%) foi decisivo na direção do planejamento de ocupação destas áreas remanescentes. A dificuldade de grandes áreas planas inviabilizariam a implantação de campos de futebol ou quadras poli-esportivas. Era preciso então encontrar um tema que tornasse possível esta ocupação. Um tema jovem, uma linguagem jovem, um diálogo possível com a com a comunidade, com a juventude de toda a cidade.


Um trabalho de pesquisa foi realizado com associações de praticantes de esportes de Belo Horizonte. Após a pesquisa foi feito um trabalho de compatibilização destes esportes e suas respectivas necessidades, quadras, equipamentos, com a real situação das áreas remanescentes disponíveis para ocupação. Foram assim selecionados esportes de grande apelo jovem e cultural. Esportes radicais. Esportes urbanos. Urbanos porque todos eles já são ou podem ser praticados sem a necessidade de se depender de uma estrutura construída. Podendo ser praticados na própria cidade, numa apropriação, as vezes saudável as vezes não, dos equipamentos e espaços urbanos. A decisão por estes esportes tem também o papel de transformar o olhar do jovem em relação ao espaço em que vive. Ajudando no reconhecimento da cidade como lugar de todos.

Basquete de rua Skate

Brinquedos Espaciais Parkour Alongamento

Bike

Barras Lúdicas

Mini Parkour


Os esportes definidos para o Parque do Cardoso fizeram do Parque um grande Parque de Esportes Radicais, talvez o maior da cidade com este tema. São praças separadas fisicamente mas conectadas por uma linguagem jovem e por uma unidade arquitetônica, de cores e volumes. . Este projeto facilitará o reconhecimento do Parque como um Parque e não um conjunto de praças isoladas.

Esportes radicais do Parque do Cardoso Basquete de rua,Bike, Skate e Parkour


Mas um diálogo não se faz numa única direção, era preciso iniciar, chamar os jovens pra conversar. Aproximar os jovens dos esportes radicais, que a grande maioria apenas conhecia de longe. Assim antes que as praças pudessem ser mal interpretadas e degradadas, oficinas de introdução a estes esportes, apresentando técnicas de segurança e de uso destes equipamentos construídos, estão sendo realizadas como parte integrante do trabalho de Educação Ambiental.

Oficina de Skate Realizada na pista do Parque do Cardoso

Local antes e depois da implantação


Estas oficinas estão sendo ministradas por profissionais de cada esporte, profissionais que pertencem a associações ou grupos de praticantes já estabelecidos na cidade. Estes mesmos grupos foram parceiros voluntários na idealização e principalmente na execução dos projetos de cada praça. Isto aumentou muito a qualidade dos projetos executados, mas acima de tudo cooperou em muito para o maior objetivo do programa, integração entre cidade e vila.

Manobras de BMX Street Modalidade a ser praticada na pista implantada

Pista de Bike Antes e depois da implantação


Assim nasce o Parque do Cardoso, um Parque localizado na divisa entre a vila e a cidade, um Parque de Esportes Radicais, mas acima de tudo um Parque comunicativo, um grande Parque Cultural. Cultura é transformar em utilidade aquilo que temos. Tínhamos limites radicais, que foram transformados em oportunidades. Oportunidades radicais.

Pista de Parkour Local antes e depois da implantação

Basket Local antes e depois da implantação


Além de oficinas o Parque vai contar com uma biblioteca especializada em esportes radicais. Funcionando como centro de referência pra população jovem, com revistas, livros e vídeos. Em parceira com revista de cultura radical. Cadastrando os praticantes e interessados, mas acima de tudo melhorando o relacionamento da comunidade com os equipamentos de lazer produzidos. Este projeto será realizado em parceria com publicações especializadas em esporte e cultura radical e funcionará também como ferramenta de comunicação e divulgação destes locais e oficinas. Cumprindo um outro papel do programa, que é o de integrar vila e cidade, através de uma linguagem em comum. Afinal, estes parques não estão sendo construídos pra uso exclusivo de moradores

Esta biblioteca iniciará suas atividades na Casa Verde, local que disponibilizará também alguns equipamentos para a prática de skate. E continuará suas atividades no Centro de Educação Ambiental a ser implantado no Parque da Terceira Água, local que será a sede de apoio ao visitante dos parques do Aglomerado da Serra. Com salas de aula, auditório, informática, biblioteca e muito mais.

Centro de Educação Ambiental BH-CIDADANIA


saiba mais http://issuu.com/bachogibram/docs/parquesdoaglomerado


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