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edição n.º 641 • ANO XXV • Dezembro|2010 esta revista é parte integrante do jornal nordeste e não pode ser vendida separadamente

especial

ÁGUA É VIDA!

Ba r r a g e m m o vi m e n t a

Be m p o s ta Coaching:

Empresas motivam trabalhadores

O

Azeite o valor do

transmontano

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EDITORIAL

• edição n.º 641 • ano XXV • dezembro|2010 •

O “ouro” transmontano

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econhecido como um dos melhores do mundo, o azeite produzido em Trás-os-Montes recebe, ano após ano, galardões nacionais e internacionais que reconhecem a sua qualidade de excelência. O produto é genuíno e a sua confecção, na maioria das explorações, tem em conta técnicas ancestrais que foram passando de geração em geração. No entanto, os actuais produtores tiveram o cuidado de adaptar as formas de produção às necessidades do mercado, de modo a que o azeite produzido na região esteja ao nível dos melhores do mundo. Para o reconhecimento da qualidade do “ouro” transmontano muito tem contribuído a Denominação de Origem Protegida

(DOP) Azeite de Trás-os-Montes, que a Associação de Olivicultores de Trás-os-Montes e Alto Douro (AOTAD) faz questão de divulgar a nível nacional e também além fronteiras. Apesar das dificuldades inerentes à produção e da falta de apoios denunciada por alguns produtores de azeite DOP, certo é que este produto é um bom exemplo de como aquilo que é produzido na região tem qualidade e prova disso é o reconhecimento internacional, em países, como Itália, onde se encontram os mais conceituados especialistas em provas de azeite. O engarrafamento com marca própria foi um passo essencial para levar o azeite transmontano além fronteiras e nesse

campo as cooperativas de olivicultores, como é o caso de Murça e Valpaços, estão a desempenhar um papel fundamental para valorizar o azeite dos pequenos produtores, que não têm capacidade para transformar e engarrafar. O sucesso do azeite poderá servir de exemplo para a valorização de outros produtos agrícolas da região, que têm qualidade, mas necessitam do seu reconhecimento a nível nacional e além fronteiras, para terem escoamento garantido no mercado. Numa região onde predomina o sector primário, a aposta na agricultura é fundamental para contrariar a conjuntura económica desfavorável. 

t e r e s a

batista d i r e c t o r a

ne s t a e diç ão: nesta edição:

cultura & lazer

23|

Blaya com muita energia em Bragança!

entrevista 06| Ferramentas de negócio estão desactualizadas

economia

14-15|

12-13| Enfeites de Natal apelam ao consumo Prémios valorizam o “ouro” produzido na região 16| Eucaliptos substituídos por Oliveiras 17| Destino: INTUR 2010 18| Vimioso promove empresas e produtos locais

3

especial água é vida 08-09| Bemposta com mais energia 10-11| Barragem reforça empresas transmontanas

e ainda: ensino & investigação 19|

CESPU aposta na investigação transfronteiriça

opinião

04| A Árvore de Natal e a Árvore das Patacas 05| Pagar Mais para pagar Menos (e ao contrário também!)

22|

gabinete jurídico

Garantia dos bens de consumo

made in trás-os-montes 20-21|

Grandes obras com assinatura Revinord


OPINIÃO

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A Árvore de Natal e a Árvore das Patacas

A

4 humberto

ribeiro docente do IPB

proxima-se a época festiva por excelência do ano. No aconchego do lar, serão muitas as famílias que se reunirão mais uma vez para alegremente confraternizarem num ambiente de paz e alegria. Certamente que não faltarão as árvores de Natal decoradas a preceito, recheadas com apelativos adereços e intrigantes presentes que inquietam os mais jovens. Made in China? Explicitamente identificados, ou não, será difícil escapar: provavelmente não haverão casas em Portugal recheadas com alguns artigos produzidos no extremo oriente. Na época natalícia, o volume de vendas de uma afamada empresa de brinquedos, como a Mattel, fabricante da Barbie, ascende tipicamente a mais de 1,5 mil milhões de euros. Vendas geradas globalmente, mas concentradas sobretudo nos países ocidentais. Mas onde é que se baseia a produção? Em 2007, dois terços estavam na China. Numerosas outras empresas, de variados sectores de actividade, desde os têxteis aos equipamentos electrónicos, utilizaram com sucesso esta fórmula nos últimos anos: deslocalizar e produzir barato no Oriente para vender com elevados lucros no Ociden-

te. Uma verdadeira árvore das patacas, símbolo do enriquecimento fácil. Contudo, não raramente tal euforia termina como uma ilusão amarga. De facto, enquanto que os países asiáticos e produtores de matériasprimas enriqueceram a olhos vistos, muitos países ocidentais estão à beira da falência! No caso que referi dos brinquedos, a experiência também não correu muito bem: problemas com a segurança das crianças levaram à retirada do mercado de milhões de artigos, e obrigaram as empresas a reduzir a produção low cost no Oriente. Presumivelmente originária da Índia, a “árvore das patacas”, ou Dillenia indica, possui a particularidade de a sua flor se encerrar sobre si mesma para a formação do fruto, pelo que se colocarmos dentro dela um objecto, este ficará retido no seu interior. Rezam as lendas que os imperadores Pedro(s) do Brasil teriam colocado patacas (moedas) em diversas flores, tendo-as escondido em árvores dos jardins do Palácio de Verão, divertindo-se depois com convivas surpresos, pois as árvores “davam” dinheiro. Chegaram inclusivamente a enviálas para Portugal numa caixa, afirmando que “nesta terra o dinheiro nasce em árvores”. Belo engodo. Desde meados do século XIX até 1967, mais de um 1.500.000 portugueses emigraram para o Brasil. Para a maioria, o abanar a árvore não trouxe nenhuma chuva de patacas, mas sim sacrifícios e trabalho árduo. Na minha opinião, penso que os melhores dias da China já passaram. Certamente que continuará a ser um importante motor de crescimento económico glo-

bal, mas deverá crescer a um ritmo mais lento, com rendimentos marginais decrescentes. As dificuldades de financiamento que os agentes económicos enfrentam, como consequência da crise financeira, obrigam a um reequilíbrio global: a China tem de permitir a valorização da sua moeda, consequentemente reduzindo o volume de exportações e aumentando as importações. Ora aqui está uma oportunidade para os produtores transmontanos. Vinho, azeite, castanha e derivados, entre outros, podem constituir boas oportunidades de exportação. Mas não vale a pena competir por via de preços baixos. O sucesso passará pela qualidade, inovação e diferenciação. Não é uma tarefa nada fácil, mas estamos obrigados a diminuir as importações e a exportar o mais possível para atenuar a anunciada recessão económica. E não podemos continuar a exportar anualmente apenas uns 200.000 euros para a China, quando importamos mais de mil milhões! Outras importações: se a árvore das patacas veio da Índia, via Brasil; já a árvore de Natal é originária dos países nórdicos, tendo sido posteriormente adoptada e difundida pelos protestantes Luteranos, predominantes na Escandinávia. Sabendo que Portugal é um país historicamente ávido de importações, só espero que as famílias não abandonem por completo a mais antiga tradição natalícia portuguesa, também ela importada, que é o presépio de Natal, elaborado pela primeira vez por S. Francisco, na colina de Assis, Itália, em 1223. Finalmente, a todos os meus votos de boas festividades! 


OPINIÃO

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Pagar Mais para pagar Menos (e ao contrário também!)

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meu amigo Joaquim anda adoentado. Queixou-se-me este verão, burilando uma raiz de nogueira com a lâmina afiada da sua Palaçoulo, enquanto as ovelhas retouçavam os restos da erva primaveril. Pouca coisa corre bem nestes tempos de crise aguda. No rádio de pilhas, que lhe preenche as longas e cálidas tardes da Vilariça, ouvem-se vários e inflamados protestos por causa do pagamento das chamadas SCUT. Ao Joaquim, que tem uma filha casada em Santarém, bom jeito lhe dava que as SCUT continuassem gratuitas. Mas já que

não podem sê-lo – “No alcatrão não se dá o centeio nem se leva o gado a pastar” comenta resignado – então que sejam os que as usam a pagar. Mas que sejam todos. E por igual! Não entende as isenções nem as taxas reduzidas. – Só quem tem carro é que anda na estrada. E quem mais anda, é quem mais tem. Porque é que o dono de um Mercedes da última moda há-de pagar menos que eu, quando passear na A23, só por ser natural de Castelo Branco? Porque se ele paga menos que o que deve, então alguém há-de pagar o resto. Assim, eu pago

duas vezes: pago quando passo e pago quando não passo desde que alguém isento resolva passar. Quer eu queira quer não! Se é para pagar, então que paguem todos. Mesmo que seja para pagar mais, porque, no fim, eu acabo a pagar menos. E só pago quando quero! E menos pagará agora, com menor número de idas a Santarém. A vida anda mal e os medicamentos estão caríssimos! – O que me vale são os genéricos. Não gostou do meu sorriso amarelado e pediu-me explicações. Gostava eu de ter, sobre os genéricos, as mesmas certezas que ele tem sobre as SCUT. Sou defensor dos genéricos que uso sempre que disponíveis, mas tenho dúvidas sobre os efeitos futuros desta opção acertada para o presente. As minhas dúvidas são simples e parecidas com as certezas do Joaquim. É bom pagar menos pelos medicamentos. Mas, ao retirar valor a um produto, não estamos a retirar-lhe a atractividade para futuras evoluções, modificações e inovações?

josé mário

l e i t e d i r e c t o r- a d j u n t o

da Fundação Gulbenkian

empresa farmacêutica nunca investirá um milhão num produto se não tiver a justificada expectativa de daí retirar pelo menos esse valor acrescido da rentabilidade justa que esse dinheiro lhe renderia num depósito bancário. Ao substituirmos todos os medicamentos pelos genéricos correspondentes, baixando imediatamente os custos actuais do sistema de saúde, não estaremos a condenar os desenvolvimentos futuros obrigando-nos a gastar rios de dinheiro, mais tarde, para compensar a falha actual? O Joaquim olhou-me pensativo, A investigação biomédica é de fechou a navalha e chamou o resultados incertos e cada vez gado. Estava na hora da sesmais cara. E é garantido: uma ta! 

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ENTREVISTA

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6 Numa altura em que a conjuntura económica desfavorável tem levado à falência um grande número de empresas, a “Voz do Nordeste” dá-lhe a conhecer os novos instrumentos que podem garantir o sucesso nos negócios. Ricardo Peixe é “instrutor” de Coaching, uma dinâmica que apresenta alternativas para superar a crise e obter resultados positivos. Em entrevista à “Voz do Nordeste”, Ricardo Peixe explica as técnicas para alcançar o sucesso nos negócios e fala de algumas empresas que já se renderam a esta dinâmica. Voz do Nordeste (VN) O Coaching é uma dinâmica que, actualmente, cativa muitas empresas que querem obter melhores resultados. De que forma é que o Coaching pode ajudar as empresas em tempo de crise? Ricardo Peixe (RP) - O Coaching é uma dinâmica que, no fundo, está focada em levar organizações e indivíduos a conseguirem atingir objectivos, ajudando a definir melhor o ponto de partida e as grandes vantagens e desafios da empresa, auxiliando na criação de objectivos ambiciosos, realistas e

irresistíveis para a empresa e colaboradores e mostrando a multiplicidade de caminhos que podemos tomar para os atingir. Esta metodologia, quando ligada com a Programação Neuro-Linguística (PNL), a NeuroEstratégia e o Condicionamento Neuro-Associativo (CNA), produz resultados consistentes e duradouros nas organizações. Com a situação económica a sofrer mudanças radicais nos últimos meses, estas temáticas têm conseguido responder, de uma forma eficaz, às solicitações das organizações, que es-

tão a obter grandes resultados, actuando ao nível da liderança, motivação, comprometimento dos colaboradores e resultados comerciais. VN - A conjuntura económica desfavorável que Portugal atravessa tem levado as organizações a recorrerem mais a esta dinâmica? RP - O que nos temos apercebido é que nos últimos 10 anos a economia global está em grande alteração (acelerada nos últimos 2 anos) e as organizações já se aperceberam que as ferramentas que estavam a utilizar estão desadequadas. Daí,

nesta altura, recorrerem mais ao conhecimento de alta performance. VN - O que é que as empresas lhe costumam pedir enquanto “instrutor” de coaching? RP - O que mais se procura é aumentar a motivação e compromisso dos colaboradores, a liderança e capacidade de inspiração das chefias. Enquanto especialista nas áreas de vendas/influência e definição de objectivos, a Life Training tem desenvolvido bastante esse trabalho. VNQuais os ramos de actividade em Portugal que


ENTREVISTA

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recorrem mais a esta dinâmica? RP - Neste momento, já trabalhamos com empresas de todos os sectores e dos mais variadíssimos ramos de actividade. Desde empresas fabris e industriais ao mass market, passando pela área das novas tecnologias, até aos sectores mais tradicionais e comerciais. VN São sobretudo as grandes empresas e multinacionais que investem em sessões de Coaching para motivar os seus colaboradores? RP - O que acredito é que estas empresas estão mais atentas e abertas à mudança e por isso recorrerem com mais facilidade às novas dinâmicas de soft skills. Já temos tido muito sucesso com empresas mais pequenas (onde até é mais simples), implementando sistemas de valores, motivação e compromisso que produzem resultados óptimos. VN - Qual a chave para alcançar o sucesso em época de crise? RP - Antes de mais é importante reforçar a ideia de que não há “fórmu-

las mágicas” para o sucesso. Há sim estruturas que quando aplicadas no terreno produzem com compromisso e trabalho resultados consistentes. A estrutura que temos encontrado nas empresas e gestores de topo e que ajudamos outras organizações a implementar pode resumir-se em 3 passos: definir objectivos irresistíveis,

ter a capacidade de observar a realidade e de como está a evoluir o nosso objectivo, flexibilidade para implementar estratégias novas se estivermos a afastarmo-nos deles. VN É possível quantificar os resultados obtidos no seio das organizações na sequência das sessões de Coaching que já realizou? RP - O trabalho que realizamos é sempre baseado em resultados quantificáveis, quer pela empresa, quer pelos colaboradores e, por isso, seja em sessões de Coaching ou em sessões de formação, é sempre possível medir o impacto. Neste momento, depois de trabalharmos com mais de 50 empresas e quase 30.000 pessoas, o balanço é soberbamente positivo.

VN Para motivar uma equipa de trabalho a atingir determinados objectivos quantas sessões desta dinâmica são necessárias? RP - Depende da empresa, do envolvimento dos líderes nas dinâmicas, do compromisso da empresa, dos objectivos... O trabalho que fazemos é principalmente “tailor made”, logo adaptado à realidade que encontramos no terreno e utilizando os vários recursos que sejam necessários. VN - Qual a área de acção da Lifetraining? Já fizeram sessões de coaching para empresas em Bragança? RP - A área de acção centrase, principalmente, no Coaching e Formação de Alta Performance no mercado corporate e nas certificações internacionais em Programação Neuro-Linguística e eventos Life Energy para o público em geral. Neste momento, estamos à procura de parceiros na região de Trás-os-Montes, pois acreditamos que podemos adicionar muito valor às pessoas e empresas da região. 

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Bemposta com 8


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ÁGUA É VIDA!

m mais energia V

inte e oito alunos do Agrupamento de Escolas de Mogadouro participaram na campanha de recolha de sementes promovida pela EDP, no âmbito da requalificação ambiental que vai ser levada a cabo na barragem de Bemposta. Os mais novos envolveram-se nesta missão, que teve como objectivo mostrar aos jovens a importância de preservar as espécies autóctones e, ao mes-

mo tempo, dar-lhes a conhecer a flora que predomina nesta área protegida. O zimbro, as estevas, a azinheira e as giestas foram algumas das espécies recolhidas na área envolvente à albufeira. As sementes foram, posteriormente, transportadas para as estufas da EDP na zona de Setúbal, onde vão germinar até atingirem o tamanho necessário para a requalificação ambiental do empreendimento hidroeléctrico

de Bemposta, no final das obras. A EDP tem vindo a aliar os trabalhos de reforço de potência com a defesa do meio ambiente, preservando não só a flora, mas também a fauna que habita neste recanto do Parque Natural Douro Internacional. 

Académico patrocinado pela EDP

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Clube Académico de Mogadouro é a primeira equipa de futsal patrocinada pela EDP. A empresa brinda, pela terceira época consecutiva, a turma do Planalto com 20 mil euros, um apoio financeiro que tem contribuído para a manutenção da equipa na I Divisão Nacional de Futsal. “Ter a marca da EDP, que é uma empresa sólida e consolidada no mercado, associada ao nosso clube é um grande orgulho”,

enaltece o presidente do Académico, Maurício Coupas. O dirigente desportivo realça, ainda, o facto da EDP apoiar o clube sem pedir resultados em troca, mas afirma que o Académico quer continuar a competir na I Divisão Nacional, apesar da má onda de resultados que tem coleccionado esta época. Maurício Coupas reconhece que o montante doado pela empresa detentora das barragens na região é importante para o clube, mas garante que não resolve o problema, pelo que apela ao município para aumentar a comparticipação, visto que a equipa está inserida num

meio onde “é complicado conseguir patrocínios”. O apoio concedido pela EDP é garantido ano após ano, o que leva o dirigente desportivo a afirmar que precisa de continuar a contar com esta ajuda para que a equipa se consiga manter no campeonato nacional. “Agradecemos o apoio e esperamos poder contar com ele nos momentos felizes, mas também nos menos felizes”, acrescenta MaurícioCoupas. Pelo 3º

ano consecutivo na I Divisão, o clube conta, ainda, com o apoio do município de Mogadouro e de algumas empresas locais, para conseguir fazer face às despesas que rondam os 150 mil euros por época. 

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Barragem reforça emp 10

Clínica Brigantina reforçou a equipa com seis novos colaboradores.

Medicina emprega brigantinos

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Clínica de Enfermagem Brigantina (CEB) é a empresa responsável pelos serviços de Medicina no Trabalho prestados nas barragens de Bemposta e Picote. Estas obras contribuíram para a clínica aumentar o volume de trabalho na ordem dos 20 por cento e reforçar a equipa com seis novos colaboradores. “É importante que as empresas ligadas a estas grandes obras, que trazem movimento para a região, trabalhem com os empresários locais. É uma boa ajuda para manter os postos de

trabalho e dar emprego a um maior número de pessoas nesta época de crise”, salienta a directora técnica da CEB, Sandra Mela. Desde o início dos trabalhos em Bemposta e Picote, a clínica já recebeu mais de 500 trabalhadores. “Estamos a falar em termos de admissão e vigilância. Além disso, também somos nós que acompanhamos os trabalhadores em caso de sinistro”, explica a responsável. Os serviços prestados nos empreendimentos hidroeléctricos também contribuíram para a

promoção da CEB, que já foi contactada para ficar responsável pela Medicina no Trabalho de empresas ligadas à construção da Auto-Estrada Transmontana e do IP2. “Como estão contentes com o nosso serviço divulgam-no e surgem novas oportunidades”, enfatiza Sandra Mela. A par da expansão do negócio ao nível da Medicina no Trabalho, a responsável afirma, ainda, que o facto da empresa estar associada a estas grandes obras, que reúnem um grande número de trabalhado-

res, também ajuda a promover as outras especialidades médicas disponibilizadas pela clínica. “Os utentes acabam por nos procurar quando precisam de uma consulta de outra especialidade”, acrescenta. A directora técnica lembra, ainda, o prestígio que é para a CEB ter conseguido trabalhar para a EDP, uma empresa rigorosa em termos de admissão e qualidade dos serviços. “Foi a EDP que nos indicou a outras empresas ligadas à obra para fazermos a Medicina no Trabalho”, enaltece Sandra Mela. 

O b r a s i m p u l s i o n a m e m p r e s a d e li m p e z a

A

limpeza nos escritórios e dormitórios da EDP e da Ensulmeci estão a cargo da “Toro & Junquilho, Lda”, uma empresa sedeada no Cardal do Douro, que foi impulsionada pelas obras de reforço de potência na barragem de Bemposta. Belmiro Ferreira, um dos sócios da empresa, afirma que já ti-

nha a ideia de criar este negócio, com o intuito de criar postos de trabalho numa região com uma elevada taxa de desemprego. “Esta empresa também tem um cariz social”, realça o empresário. A ideia inicial de negócio passava por aliar a área das limpezas, em Portugal, ao recrutamento de trabalhadores para a construção civil em Espanha, mas a crise levou os sócios a in-

terromper a actividade no país vizinho. A empresa emprega, actualmente, duas pessoas de Bemposta e presta serviços de limpeza na barragem e nos estaleiros do IC5. No futuro, Belmiro Ferreira afirma que gostaria de continuar a trabalhar para estas grandes empresas, mesmo que para isso tenha que se deslocar para outros pontos do País. 


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ÁGUA É VIDA!

presas transmontanas A

viagem entre as barragens de Bemposta e Picote é feita a ritmo lento. Os passageiros têm oportunidade de desfrutar da natureza em estado selvagem que ladeia o Douro Internacional. Aqui, as espécies de fauna e flora autóctones vivem em perfeita harmonia com o desenvolvimento económico proporcionado pelos empreendimentos hidroeléctricos. Aliás, é graças às barragens que estão a ser exploradas pela EDP que o rio Douro se torna navegável e permite à empresa “Naturisnor” desenvolver um projecto de turismo de natureza, que tem cada vez mais adeptos. O catamaran, com 16 lugares, demora cerca de uma hora e meia a percorrer a distância entre as duas albufeiras, não ultrapassando os 10 nós, o que corresponde a 20 quilómetros/ hora. Manuel Moredo, um dos mentores do projecto, explica que o negócio teve início com a realização de passeios de barco, tendo sido ampliado, posterior-

mente, com a transformação da antiga escola primária do Cardal do Douro numa unidade turística. O barco navega na albufeira de Bemposta há oito anos e já conquistou o público do país vizinho. “ Os espanhóis gostam muito da viagem”, realça Manuel Moredo. Os passeios decorrem ao fimde-semana e são uma oportunidade para as pessoas que escolhem esta unidade turística para conhecerem melhor a região. “São pessoas que vêm de todo o País. Já recebemos pessoas do Algarve, que vêm passar uns dias ao campo”, salienta o operador turístico. Já o catamaran é mais procurado por turistas espanhóis, que aproveitam a viagem para contemplar a harmonia entre a imponência das arribas e o Douro. “90 % dos nossos clientes são espanhóis”, acrescenta. A conjuntura económica desfavorável não tem afectado este projecto, que, este ano, registou a maior taxa de ocupação em termos de alojamento. O barco, no entanto, esteve

parado entre Junho e Outubro, devido às obras de reforço de potência em Bemposta, mas já volta a navegar. “Por ano, temos uma média de 2500 pessoas no barco e na casa”, contabiliza Manuel Moredo.

O sucesso do negócio leva os operadores turísticos a ponderarem a compra de um novo barco coberto, para que as viagens entre Bemposta e Picote também possam ser realizadas durante o Inverno. 

Turismo de Natureza no Cardal do Douro longe da crise económica.

Albufeira proporciona

passeios

únicos

Sabores de Bemposta são um sucesso

O

snack- bar “ Emigrante”, em Bemposta, é o ponto de encontro de mais de uma centena de pessoas que trabalham nas obras de reforço de potência do empreendimento hidroeléctrico. Os sabores variados do Planalto são servidos a 5 euros e fazem as delícias de quem escolhe este estabelecimento comercial para aconchegar o estômago diariamente. “A refeição inclui sopa, prato, sobremesa e café. Variamos as re-

ceitas todos os dias e todas as semanas”, realça a proprietária, Teresa Freire. Desde que as obras arrancaram, o volume de negócios neste restaurante aumentou cerca de 30 por cento. “Diariamente sirvo mais 50 almoços, o que representa um aumento de 250 euros, que faz a diferença ao fim do mês”, calcula a comerciante. O aumento do movimento levou Teresa Freire a contratar mais duas pessoas para prestar um

serviço de qualidade a todos mas é lucrativo”, conclui a proos clientes. “Fechamos para fé- prietária do snack-bar “Emirias durante 20 dias e quando grante”.  reabrimos o número de pessoas aumentou, o que significa que estão satisfeitos com a comida e com o atendimento”, enaltece a empresária. Teresa Freire realça, ainda, que o comércio e restauração devem aproveitar o movimento trazido pelas obras que estão a decorrer na região. “É bastante stressante e cansativo,

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NATAL 2010

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Enfeites de Natal a 12

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Natal é por excelência uma quadra festiva que apela à paz e amor entre as pessoas, mas também é a época do ano em que os centros comerciais registam a entrada de um maior número de clientes e aumentam o volume de vendas. Bragança não é excepção e os números apresentados pelo shopping da capital de distrito demonstram que a crise é esquecida

na hora de comprar presentes para toda a família. A directora do Bragança Shopping, Mariema Gonçalves, afirma que o centro comercial tem um contador de pessoas que, no ano passado, registou um aumento de cerca de 50 mil pessoas em Dezembro. “Em termos médios recebemos cerca de 150 mil pessoas por mês. No mês do Natal o número dispara para as cerca de

200 mil pessoas”, realça a responsável. Os enfeites natalícios são colocados cedo para criar a magia alusiva à quadra, mas, na óptica de Mariema Gonçalves, não são os únicos responsáveis pelo aumento das vendas. “As pessoas vêm ao shopping com as crianças e gostam de ver a decoração natalícia, mas não acredito que seja por isso que

aumentamos as vendas”, realça a directora do Bragança Shopping. Certo é que com o Natal à porta, as pessoas começam a procurar os presentes para trocar na noite de Consoada. Esta correria às lojas do centro comercial da capital de distrito representa um aumento no volume de vendas na ordem dos 35 por cento. 

Comerciantes iluminam Mirandela

O

espírito natalício também vai animar o comércio tradicional na cidade de Mirandela. Os pequenos empresários empenharam-se para angariar verbas para tornar a cidade mais bonita, depois das entidades responsáveis terem cortado o

apoio para as iluminações de Natal. A Câmara cortou a verba devido à crise, a Associação Comercial não tem orçamento para iluminar as ruas, mas os homens do negócio não quiseram deixar passar esta quadra festiva em claro e encabeçaram um

peditório na cidade para que este Natal seja iluminado. A boa vontade dos comerciantes e cidadãos anónimos vai permitir decorar as ruas a preceito, para que os mirandelenses façam as suas compras em ambiente festivo. 


NATAL 2010

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apelam ao consumo

Bragança:

Mais de 246 unidades de iluminação

R

eduzir as despesas é a palavra de ordem para ultrapassar a conjuntura económica desfavorável que afecta o País, mesmo assim a Câmara Municipal de Bragança investe cerca de 40 mil euros para iluminar as principais vias e locais emblemáticos da cidade. Em tempo de crise, a autarquia recorreu ao poder de negociação para conseguir iluminar a mesma área do ano passado, com uma redução no preço na ordem dos 33 por cento. “É uma solução nova para a mesma área, mas com um custo mais baixo”, justifica o

edil, Jorge Nunes. A Associação Comercial, Industrial e Serviços de Bragança (ACISB) também não quis deixar passar esta quadra despercebida e, apesar das dificuldades económicas, está a planear um conjunto de actividades para chamar clientes ao comércio tradicional. A distribuição de vales de desconto, o lançamento do cartão “redegestus” (cartão presente), o desfile de pais natais e o atelier do Pai Natal na Praça da Sé são algumas das iniciativas para trazer pessoas às lojas do centro da cidade. 

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ECONOMIA

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Prémios valorizam o “ou 14

Romeu nos quatro cantos do mundo

P

roduzido nos 120 hectares de olival da Quinta do Romeu, o azeite com a mesma marca é considerado um dos melhores do mundo. O “ouro” deste canto de Trásos-Montes já arrecadou vários prémios nacionais e internacionais, tendo sido, este ano, o azeite português mais pontuado na última edição do Guia Flos Olei 2011, promovido pelo famoso provador de azeites Marco Oreggia. “A região transmontana produz azeites muito bons. As variedades, o clima e os solos associados a alguns cuidados com a produção e com a transformação resultam em azeites com uma qualidade de excelência”, enaltece o proprietário da Quinta do Romeu, João Meneres. Na óptica do empresário, o que distingue a marca Romeu é o gosto do azeite. “O nosso produto tem uma característica única. O primeiro toque ao meter à boca é um pouco adocicado, tem um gosto parecido com

a amêndoa, no final fica um picante intenso na garganta, que é muito apreciado e faz a diferença na culinária”, descreve João Meneres. O modo de produção biológico, sem qualquer tipo de químico, quer na oliveira, quer no lagar, é associado a técnicas amigas do Ambiente, que transformam a massa da azeitona, através de combustão, para reutilização na fertilização dos olivais. Este produto, que pode ser encontrado em lojas gourmet nos quatro cantos do mundo, tem um forte impacto económico na região. “Os nossos azeites têm ultrapassado os melhores italianos, que são dos mais conceituados”, enaltece João Meneres. Na Quinta do Romeu é produzida uma média de 20 mil litros de azeite por ano, que são engarrafados em garrafas de vidro de 500 ml. “Exportamos entre 10 a 20 por cento, o restante é consumido pelo mercado nacional”, acrescenta o empresário. 

Combinação da s variedades cobrançosa, madural e verdeal transmontana resulta no azeite Extra Virgem do Romeu.

Quinta do Romeu faz a apanha mecânica, transformação em lagar modernizado e engarrafamento de cerca de 40 mil garrafa s de azeite por ano.


ECONOMIA

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uro” produzido na região O

azeite “João das Barbas”, produzido em Cabanelas, no concelho de Mirandela, recebeu, este ano, três prémios internacionais. Em Israel foi distinguido com uma medalha de ouro, recebeu o galardão prestígio com ouro na Argentina e alcançou o 2º lugar, na categoria Azeites com Denominação de Origem Protegida (DOP), em Shangai (China). Para a empresária Constança Doutel, estes prémios representam um incentivo para continuar a produzir azeite de excelente qualidade. “Vou investir no regadio para aumentar a produção de cerca de 40 toneladas para o dobro. O azeite fica ainda melhor”, realça a produtora. A par dos prémios amealhados este ano, o “João das Bar-

bas” também foi seleccionado como um dos melhores azeites do mundo, em Itália, logo no primeiro ano que foi posto no mercado. “As oliveiras já são do tempo dos meus avós e bisavós, mas eu fui a primeira a embalar”, acrescenta Constança Doutel. A representante da marca “João das Barbas” garante que na sequência dos galardões tem a responsabilidade de continuar a fazer bom azeite, até porque o reconhecimento da qualidade é uma homenagem ao pai de Constança, que era conhecido pelo nome que, agora, é dado ao azeite. Na exploração de Cabanelas são produzidos entre 4 a 6 mil litros de azeite por ano. A azeitona é transportada para uma unidade de transformação no lugar de Leirós, na fre-

A azeitona colhida em 3.284 oliveira s da s variedades cobrançosa, madural e verdeal dá origem ao “João da s Barba s”.

guesia de Rio Torto (Valpaços), onde é feito e engarrafado o azeite. O “João das Barbas” está à venda em lojas gourmet, em diversos pontos do País, e é exportado para o Luxemburgo. 

4 GALARDÕES

em dois anos de produção

Murça aposta nas exportações

O

s prémios nacionais e internacionais que recebeu desde 1996 dão ao azeite “Porca de Murça” um estatuo elevado no mercado português e estrangeiro. Este ano, a marca transmontana arrecadou mais uma medalha de prata no prestigiado concurso internacional de azeites “Los Angeles Internacional Olive Oil Competition 2010”. A atribuição deste galardão surge numa altura em que a Cooperativa Agrícola dos Oli-

vicultores de Murça (CAOM) decidiu diversificar a sua gama de produtos, dando-lhe uma imagem mais moderna e actual. Com este investimento, a cooperativa espera conseguir aumentar o volume de vendas em 20 por cento nos dois próximos anos. Para tal, aposta, igualmente, no reforço das exportações, apesar de já ser possível encontrar azeite “Porca de Murça” no Canadá, Estados Unidos, Japão, Macau, França, Alemanha, Luxemburgo, Suíça,

Bélgica, Holanda e Noruega. Neste Natal, vão estar no mercado três marcas comerciais distintas, que reflectem o trabalho de selecção na produção, nomeadamente o Azeite Porca de Murça na categoria “Premium”, o Azeite Senhor de Murça na gama “Clássica” e o “tradicional” Azeite de Murça. A CAOM conta, actualmente, com 984 associados, representando a maioria dos pequenos produtores do concelho de Murça. 

A Cooperativa de Murça produziu 290 mil litros no ano pa ssado, e espera, este ano, aumentar a produção em 5%.

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ECONOMIA

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Eucaliptos substituídos por oliveiras 16

Empresário investe 3 milhões para produzir azeite na maior área para produção de azeite na região transmontana.

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oaquim Moreira trocou o sector têxtil por um projecto olivícola amigo do ambiente, auto-sustentável e de grande dimensão, onde investiu cerca de 3 milhões de euros para transformar em olival uma área de 300 hectares. O empreendimento agrícola é considerado pela Associação de Olivicultores de Trás– os–Montes e Alto Douro (AOTAD) como “o maior na área da olivicultura em toda a re-

gião transmontana”. Até à Primavera de 2011, vão ser plantados 220 hectares de olival na Quinta do Prado, situada em pleno coração do Vale da Vilariça, uma área de terreno onde antes de ser desbravado existiam milhares de eucaliptos, que foram agora substituídos por oliveiras. Joaquim Moreira afirma que o projecto tem como objectivo implantar um sistema de produção em modo biológico, capaz de produzir um azeite de

“excelência”. Actualmente, a produção não ultrapassa os cinco mil litros de azeite. O produto está disponível em todo o País, em embalagens “gourmet”, colocadas em lojas de referência no mercado dos produtos biológicos. O empresário explica que no decurso de todo o trabalho de transformação da terra e produção do azeite tenta introduzir as boas práticas agrícolas, para a obtenção de um produto final que reúna créditos

dentro do mercado de produtos biológicos. “Ao mesmo tempo, queremos reunir condições para a prática do Agro-turismo”, acrescenta Joaquim Moreira. O plantio está a ser feito em sistema intensivo, para tornar o investimento “rentável” a médio prazo. “Este tipo de investimento é avultado. Em tempo de crise é preciso ter alguma paciência, visto que o retorno financeiro não é imediato”, salienta o empresário. 

Novos investimentos apostam nas

energias renováveis

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rosto deste projecto é originário do grande Porto e não tem ligações afectivas à região transmontana. “ A escolha do Vale da Vilariça surgiu porque é uma região onde se produz um dos melhores azeites do mundo”, sustenta Joaquim Moreira.

O empresário adiantou ainda que, em tempo de crise, a aposta no mercado alimentar “é sempre ganha”. Os investimentos em toda a área arável destinada à produção de azeite vão continuar, mesmo esperando por fundos do PRODER, que “ tardam em chegar”.

O próximo passo, garante o investidor, passará pela construção, de raiz, de um lagar que obedeça às mais exigentes normas em vigor na União Europeia. “A nova fase do projecto passa pela criação de um sistema de fornecimento de electricidade, assente nas energias re-

nováveis, como o sol e o vento”, adiantou Joaquim Moreira. O azeite extra virgem “ Acushla”, apesar da pequena produção, já conquistou vários prémios internacionais, sendo o último uma medalha de ouro, num concurso de azeites que decorreu em Israel. 


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ECONOMIA

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scolher um destino na Feira Internacional de Turismo de Interior (INTUR) não é tarefa fácil, e os números falam por si. O certame, que decorreu de 25 a 28 de Novembro, em Valladolid (Espanha), contou com a presença de 1.200 empresas expositoras, instalados numa área coberta de 30.000 metros quadrados. É assim o recinto da “Feria de Valladolid”, em plena capital de Castilla y León, que em quatro dias de feira conseguiu juntar mais de 40.000 visitantes. A “culpa” é da diversidade da oferta turística presente nos quatro pavilhões da INTUR, que obrigam a uma visita demorada. A “jogar em casa”, as várias regiões e províncias espanholas impressionam pela dimensão e criatividade dos expositores, com linhas e formas para todos os gostos. Totalmente construídos em papel reciclado, como o de Burgos, em jeito de convite para entrar num túnel insuflável da Cantábria ou pela tentação de provar os famosos vinhos de La Rioja. Ou então, porque não conhecer as águas termais da Galiza, “pinchar” nas unidades de “embutidos” (enchidos) presentes ou “embarcar” nas míticas viagens da FEVE – Ferrocarriles Españoles de Vía Estrecha? A região de Trás-os-Montes e Alto Douro também fez as honras da casa, mesmo na ausência da Entidade de Turismo do Porto e Norte. Valeu a presença dos vinhos, artesanato e doçaria do Turismo do Douro, a par da gastronomia do restaurante D. Roberto, que este ano representou Bragança no certame castelhano. 

DESTINO:

INTUR 2010 17


ECONOMIA

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Vimioso promove empresas e produtos locais 18

XI Feira de Artes e Ofícios reúne cerca de 90 expositores de artesanato, fumeiro, doçaria e industriais

A

vila de Vimioso promove o comércio e a indústria local na XI Feira de Artes e Ofícios, que decorre de 10 a 12 de Dezembro. Os empresários associam-se aos artesãos, produtores de fumeiro e de doçaria, que aproveitam o certame para promover e vender os produtos da terra. Este ano, a feira conta com a participação de cerca de 90 expositores, que têm oportunidade de fazer negócio com a

vinda de muitos visitantes da vizinha Espanha. “A novidade no ano passado foi a abertura às casas comerciais do concelho e este ano mantemos para quem queira mostrar o seu material, nomeadamente equipamentos para a agricultura, aquecimento, electrónica, entre outros”, realça o vice-presidente da Câmara Municipal de Vimioso, Jorge Fidalgo. Aos produtos locais junta-se a animação, que nesta edição

privilegia os grupos da região. “Foi na parte musical que mais reduzimos os custos. No entanto, a feira tem que ter animação para os visitantes”, salienta o autarca. A crise levou o município a reduzir o orçamento da feira em 15 mil euros. “No ano passado, investimos 60 mil euros. Este ano, ficamo-nos pelos 45 mil euros”, contabiliza Jorge Fidalgo. Do programa da feira fazem, ainda, parte a montaria ao Ja-

vali, que vai decorrer na freguesia de Junqueira, e o raid TT “No Trilho dos Furacões”, agendados para o próximo dia 11. No pavilhão multiusos, os artesãos vão, ainda, trabalhar ao vivo. Os escrinhos, as peças em cobre, as candeias e os alforges são algumas das peças artesanais que vão estar em destaque na Feira de Artes e Ofícios. 

10 milhões para o comércio tradicional Candidaturas que não obtiveram financiamento nas fases anteriores do MODCOM contam com mais uma oportunidade

A

6ª fase de candidaturas ao Sistema de Incentivos à Modernização do Comércio – MODCOM, com uma dotação de 10 milhões de euros, destina-se a candidaturas aprovadas não seleccionadas nas fases anteriores.

O incentivo financeiro do MODCOM a micro, pequenas e médias empresas contempla apoios para três tipos de acções, nomeadamente lojas individuais e conjuntos de modernização comercial, lojas em rede, ou seja, empresas que pretendam, por exemplo, adoptar uma insígnia comum, ainda que a propriedade seja individual, que utilizem a mesma plataforma informática ou que se abasteçam na mesma central de compras e, por último, estruturas associativas do sector do comércio, com vista à promoção dos centros urbanos. Os projectos de investimen-

to contarão com uma taxa de incentivo a fundo perdido de 45 por cento das despesas, no caso das lojas individuais, de 50 por cento nos projectos empresariais integrados e de 60 por cento para as associações comerciais. Nas cinco fases anteriores do MODCOM, o governo disponibilizou um total de 134 milhões de euros a fundo perdido para a revitalização do comércio tradicional, tendo sido seleccionados cerca de 4.600 projectos empresariais e associativos. Os postos de trabalho resultantes deste investimento foram mais de 7 mil. 


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ENSINO & INVESTIGAÇÃO

CESPU aposta

na investigação transfronteiriça

O

Grupo CESPU e a Universidade de Salamanca assinaram um protocolo de cooperação, que visa promover o intercâmbio de conhecimento científico e cultural, fomentar o aparecimento de novos projectos de investigação e formação, bem como promover a mobilidade de docentes e alunos entre as duas instituições. O presidente do grupo CESPU, Almeida Dias, enaltece a importância deste acordo, para formalizar as relações de ensino e investigação em várias áreas, nomeadamente ao nível das Ciências da Saúde. A cooperação vai começar pelo estreitar de relações entre a Escola Universitária de Bragança e a Universidade de Salamanca. “Para nós, este convénio é muito importante do ponto de vista da mobilidade de docentes e alunos, através do programa Erasmus e acordos bi-

Cooperativa de Ensino Superior firma protocolo com Universidade de Salamanca para desenvolver projectos conjuntos com Espanha laterais. Pensamos que dentro de pouco tempo podemos falar de resultados”, acrescentou o responsável. Por sua vez, o reitor da Universidade de Salamanca, Daniel Hernández Ruipérez, explicou que a colaboração vai começar na área da Psicolo-

gia. “Foi através do Colégio de Psicologia que se iniciaram as conversações, com o objectivo de alargar a parceria a outras áreas das Ciências da Saúde”, acrescentou o catedrático. O protocolo celebrado estipula que as duas instituições de Ensino Superior devem prepa-

rar em conjunto programas na área da investigação, da mobilidade, quer de pessoal docente e investigadores, quer de estudantes, realização conjunta de monografias, projectos específicos de investigação, seminários e colóquios internacionais. 

Ensino Superior sem fronteiras

A

primeira iniciativa no âmbito deste acordo será a preparação de um Plano de Actividades, que deverá ser aprovado pelas duas partes. A elaboração do documento será coordenada pela Universidade de Salamanca, que é responsável pelo departamento de Rela-

ções Internacionais, e pelo Grupo CESPU, nomeadamente pelo vice-presidente do Grupo, Cordeiro Tavares, e pela vogal da direcção da CESPU, Raquel Esteves. Esta é mais uma iniciativa que visa estreitar relações com instituições da vizinha Espanha. Recorde-se que, recentemente,

o Grupo CESPU, a partir da Escola Universitária de Bragança, assinou um acordo de cooperação, tendo em vista o desenvolvimento de projectos de formação, investigação e intervenção com o Conselho Geral do Colégio Oficial de Psicólogos de Castela e Leão. Trata-se de uma colaboração extensiva a

todas as áreas de actividade, desenvolvidas nas respectivas sedes e suas filiais, em licenciaturas, mestrados, cursos de especialização, pós-graduações, relações universidade – empresa, empresas dos grupos, fundações e formações à distância. 

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MADE IN TRÁS-OS-MONTES

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Grandes obras com as 20


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ssinatura

MADE IN TRÁS-OS-MONTES

Empresa de Bragança expandiu negócio de âmbito nacional e desenvolve negócios ao nível internacional.

Crise no sector da construção contrariada com a aposta na recuperação e renovação de imóveis A aposta em novos mercados é a estratégia da empresa para aumentar o volume de trabalho. “Antes, o nosso principal mercado era a região de Trásos- Montes e Alto Douro. Neste momento, 75 por cento da nossa facturação é fora da região e temos o objectivo de consolidar o crescimento do negócio a nível nacional”, frisa o empresário. Sérgio Gomes salienta, ainda, que o próximo ano não vai ser fácil, mas garante que a empresa já delineou estratégias para responder às necessidades de mercado. “ O volume de obras que já temos adjudicadas permite-nos perceber que com empenho e trabalho ire-

mos superar a conjuntura económica desfavorável”, acrescenta Sérgio Gomes. A crise que afecta o sector da construção obriga a empresa de pavimentos e revestimentos em madeira a apostar noutros segmentos de mercado, como é o caso do restauro e renovação de imóveis. “Temos que adaptar a nossa oferta às necessidades do mercado e temos que continuar a apostar no serviço com qualidade garantida”, realça o empresário. Aliás, a qualidade é a marca da Revinord. “Somos uma empresa certificada, só trabalhamos com produtos que

cumpram as normas europeias. Procuramos as melhores fábricas, para podermos garantir qualidade aos nossos clientes e vender o que há de melhor de acordo com as suas necessidades”, realça Sérgio Gomes. A empresa aposta na diferenciação do seu trabalho, aliando a qualidade dos materiais à excelência da mão-de-obra. “O nosso compromisso é a satisfação do cliente”, conclui Sérgio Gomes.

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GABINETE JURÍDICO

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Garantia dos

bens de consumo Comprou um telemóvel, um computador, um electrodoméstico ou qualquer outro bem de consumo. Quando avaria, a empresa insiste em demoradas ou sucessivas reparações. Pode exigir um novo equipamento?

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N r

u

t

e

couto jurista e docente no IPB

”(...) todos os defeitos ou desconformidades que se manifestem no prazo de garantia presumemse de origem, e portanto terá de ser o profissional a comprovar o mau uso (...)”

oção de desconformidade. O consumidor tem direito à qualidade dos bens e serviços que adquire, ou seja, que estes sejam aptos a satisfazer os fins a que se destinam. Não há conformidade com o contrato sempre que o bem adquirido apresenta um defeito, não corresponde à publicidade ou à descrição feita pelo vendedor, e ainda quando não se adequa a finalidades específicas pretendidas (se delas tivermos informado o vendedor). A quem se dirigir? É frequente o vendedor informar o consumidor que este se deve dirigir “à marca” (ou seja, o produtor, fabricante ou importador) para obter a reparação ou substituição do bem com defeito. Mas na realidade é o vendedor o primeiro responsável perante o consumidor. O consumidor pode optar por reclamar junto do vendedor, do produtor, ou de ambos. Prazo de garantia. Todos os bens têm garantia. Os bens de consumo gozam de uma garantia legal de 2 anos (5 anos, se for um imóvel). Só não será assim nos bens perecíveis ou consumíveis – mas ainda nestes a garantia existe, ainda que de menor duração (por exemplo,

o prazo de validade dos alimentos). Nos bens em 2ª mão, o prazo continua a ser de 2 anos, a não ser que consumidor e profissional acordem numa redução do prazo de garantia para 1 ano. O vendedor pode ainda oferecer extensões de garantia (é o que se chama garantia voluntária). “Mau uso”. Os profissionais alegam por vezes que o bem não é abrangido pela garantia porque houve uso indevido por parte do consumidor (por exemplo, humidade num telemóvel). Mas todos os defeitos ou desconformidades que se manifestem no prazo de garantia presumem-se de origem, e portanto terá de ser o profissional a comprovar o mau uso; caso contrário, o consumidor mantém o seu direito a ver a conformidade reposta. Direitos do consumidor. A lei dá ao consumidor quatro opções: reparação, substituição, redução do preço ou resolução do contrato com devolução do dinheiro pago. É o consumidor que decide, a não ser que seja impossível (por exemplo, substituir uma peça única) ou abusivo (por exemplo, exigir um casaco novo pela falta de um botão). Mas atenção que para exercer estes direitos, o consumidor

deve denunciar a situação ao vendedor no prazo de 2 meses (1 ano, no caso dos imóveis) a contar do momento em que detectou a desconformidade. Reparação. Caso o consumidor opte pela reparação, esta deve ser sem encargos (transporte, mão-de-obra ou material), sem grave inconveniente, e no prazo de 30 dias (no caso dos imóveis, um “prazo razoável” atendendo ao defeito). Durante o período em que o consumidor estiver privado do bem, fica suspenso o prazo de garantia, o que significa que findo o período de garantia acrescentamse os dias em que o bem esteve a ser reparado. Nota importante: Sempre que considerar que estão a ser negados os seus direitos de consumidor, reclame. Peça para falar com o gerente ou envie uma carta registada com aviso de recepção. Exponha a situação e exija o cumprimento da lei. Pode ainda usar o livro de reclamações, obrigatoriamente disponível nos estabelecimentos. Legislação: “Lei das Garantias” (Decreto-Lei 67/2003, de 8 de Abril, alterado e republicado pelo Decreto-Lei 84/2008, de 21 de Maio). 

Directora - Teresa Batista | Redacção - Bruno Mateus Filena, Francisco Pinto, João Campos e Teresa Batista | Colaboram nesta edição - Humberto Ribeiro; José Mário Leite e Rute Couto | Propriedade/Editor - Pressnordeste, Lda. | Registo ERC n.º 111077 | Concepção Gráfica - Vasco Lopes | Impressão - Diário do Minho | Tiragem - 5.000 exemplares | Periodicidade: Mensal | Redacção e Administração - Rua Alexandre Herculano, nº 178, 1º andar – Apartado 215, 5300-075 Bragança | Telefone: 273329600 | Fax: 273329601 | e-mail: voznordeste@gmail.com | Depósito Legal n.º 30.609/89.


CULTURA & LAZER

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Blaya, dos Buraka Som Sistema, e dj Roomie animaram mais uma noite do Mercado Club

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Mercado Club lançou o repto ao público brigantino, através da energia vinda do outro lado do Atlântico. Carla Rodrigues, mais conhecida por Blaya (nome artístico), é um dos elementos dos Buraka Som Sistema e veio a Bragança interpretar alguns temas do último disco da banda. Nascida no Rio de Janeiro, veio para a capital com, apenas, dois meses.

O pai era jogador de futebol e a sua vida incluiu várias mudanças entre cidades. Actualmente, com 23 anos, a jovem confessa que encontrou aqui um público difícil, enquanto cantava alguns temas de kuduro, ao som de dj Roomie, que rodava o instrumental como banda sonora. No início de 2011, Blaya espera lançar a sua primeira mixtape com o nome “Take away”. 

Blayac o m

muita energia em

Bragança

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A voz do Nordeste  

Ediçao 641

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